Ainda de madrugada, por volta das 4h, saímos de Belo Horizonte. As cantigas que meu pai gosta já tocavam baixinho…
Logo no início, passamos por Sete Lagoas. Aos poucos, o céu foi clareando, e as paisagens começaram a surgir: morros altos, plantações verdinhas, árvores espalhadas e um céu azul que parecia não ter fim. E eu, como sempre, olhando tudo pela janela.
Algumas horas depois, fizemos uma breve parada em Três Marias, onde passa o imenso Rio São Francisco, o Velho Chico. Entramos em uma lanchonete para um lanche rápido, mas eu fico mesmo é observando atentamente o rio e imaginando para onde toda aquela água vai, como se pudesse descobrir algo desconhecido.
Nem todo mundo aproveita o caminho como eu. Minha mãe quase sempre dorme, e minha irmã, que já é adolescente, fica impaciente e pergunta várias vezes quanto falta para chegar. Eu não. Fico pensando nos meus avós e em tudo o que vamos fazer quando chegarmos.
Mais adiante, passando por Bonfinópolis de Minas, a paisagem muda outra vez. O terreno, antes mais plano, começa a se mexer, e as serras surgem ao longe, em uma constante transformação do cenário.
De repente, começa uma chuvarada. Quando entramos na estrada de terra batida, no meio do nada, o carro atola. Ficamos ali, parados, em pleno cerrado mineiro. Mas logo aparecem dois cavaleiros do sertão, como em cena de filme. Com a ajuda deles, meu pai consegue tirar o carro, e seguimos viagem.
Seguimos cerca de 60 km por trilhas do cerrado, passando por mata-burros e árvores tortas que se inclinam com o vento.
E é nesse trecho que acontece uma das cenas mais incríveis, uma verdadeira descoberta: um tamanduá-bandeira enorme atravessa a estrada bem na nossa frente. Ficamos em silêncio, só olhando...
Dali em diante, tudo parece mais vivo. O ar fica leve, e a natureza se mostra em cada detalhe. Eu já sei que estamos chegando.
Por volta de meio-dia, chegamos à fazenda, em São Romão- MG. A casa é antiga, mas muito aconchegante, daquelas que parecem abraçar a gente. O acolhimento dos meus avós deixa tudo ainda mais especial.
Na fazenda, tudo acontece de um jeito diferente. Meu vovô João acorda cedo para fazer a retirada do leite, e minha vovó Dora, que é uma cozinheira de mão cheia, acende o fogão a lenha. O cheiro do cafezinho com pão de queijo se espalha pela casa, aquecendo tudo por dentro.
Logo no primeiro dia, vivemos coisas simples, mas muito especiais: cavalgamos no Caramelo e no Bombom, nadamos no Rio Conceição e observamos a boiada no curral. Eram experiências tão diferentes da correria de onde eu vim.
Pelos caminhos de BH a São Romão
Ainda de madrugada, por volta das 4h, saímos de Belo Horizonte. As cantigas que meu pai gosta já tocavam baixinho…
Logo no início, passamos por Sete Lagoas. Aos poucos, o céu foi clareando, e as paisagens começaram a surgir: morros altos, plantações verdinhas, árvores espalhadas e um céu azul que parecia não ter fim. E eu, como sempre, olhando tudo pela janela.
Algumas horas depois, fizemos uma breve parada em Três Marias, onde passa o imenso Rio São Francisco, o Velho Chico. Entramos em uma lanchonete para um lanche rápido, mas eu fico mesmo é observando atentamente o rio e imaginando para onde toda aquela água vai, como se pudesse descobrir algo desconhecido.
Nem todo mundo aproveita o caminho como eu. Minha mãe quase sempre dorme, e minha irmã, que já é adolescente, fica impaciente e pergunta várias vezes quanto falta para chegar. Eu não. Fico pensando nos meus avós e em tudo o que vamos fazer quando chegarmos.
Mais adiante, passando por Bonfinópolis de Minas, a paisagem muda outra vez. O terreno, antes mais plano, começa a se mexer, e as serras surgem ao longe, em uma constante transformação do cenário.
De repente, começa uma chuvarada. Quando entramos na estrada de terra batida, no meio do nada, o carro atola. Ficamos ali, parados, em pleno cerrado mineiro. Mas logo aparecem dois cavaleiros do sertão, como em cena de filme. Com a ajuda deles, meu pai consegue tirar o carro, e seguimos viagem.
Seguimos cerca de 60 km por trilhas do cerrado, passando por mata-burros e árvores tortas que se inclinam com o vento.
E é nesse trecho que acontece uma das cenas mais incríveis, uma verdadeira descoberta: um tamanduá-bandeira enorme atravessa a estrada bem na nossa frente. Ficamos em silêncio, só olhando...
Dali em diante, tudo parece mais vivo. O ar fica leve, e a natureza se mostra em cada detalhe. Eu já sei que estamos chegando.
Por volta de meio-dia, chegamos à fazenda, em São Romão- MG. A casa é antiga, mas muito aconchegante, daquelas que parecem abraçar a gente. O acolhimento dos meus avós deixa tudo ainda mais especial.
Na fazenda, tudo acontece de um jeito diferente. Meu vovô João acorda cedo para fazer a retirada do leite, e minha vovó Dora, que é uma cozinheira de mão cheia, acende o fogão a lenha. O cheiro do cafezinho com pão de queijo se espalha pela casa, aquecendo tudo por dentro.
Logo no primeiro dia, vivemos coisas simples, mas muito especiais: cavalgamos no Caramelo e no Bombom, nadamos no Rio Conceição e observamos a boiada no curral. Eram experiências tão diferentes da correria de onde eu vim.
Relato de Lívia, 10 anos
Editado por Taciana Avendanha