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Torres del Paine - Guia de Informações


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COMO CHEGAR?

Avião

Se a opção é ir de avião, deve-se tomar algum que vá até a cidade de Santiago ou Buenos Aires e de aí uma conexão até Punta Arenas(Chile), Rio Gallegos(Argentina) ou El Calafate(Argentina)- a partir dessas duas cidades, me reporto às explicações referentes a viagem de ônibus.

 

Ônibus

Existem duas formas de se chegar ao sul da patagônia em ônibus, uma é pela Argentina e a outra é pelo Chile, nas duas opções você deverá chegar até a capital do respectivo país.

Para a escolha de"por onde descer", depende de o que cada um quer conhecer antes de chegar ao destino final-torres del paine ou mesmo se quer ir diretamente para lá.

Descendo-se pela Argentina, você poderá fazer escalas em muitas cidades, como Bariloche e San Martin de los Andes. Ambas com muitas trilhas e montanhas por percorrer, mas que não serão alvo desse site.

Pelo Chile também são muitas as opções: Pucón, Osorno, Puerto montt, P. Varas, ilha de Chiloé, etc, etc, etc...

Agora vamos ao roteiro de viagem direta até torres del paine.

As empresas que fazem a viagem Rio- Santiago são duas, PLUMA, com saídas do Rio e São Paulo, passando por diversas cidades do Sul Brasileiro, e a chilena CHILE BUS, que sai exclusivamente de São Paulo. Ambos serviços são parecidos, com direito à algumas refeições e bebidas, sem falar nos muitos vídeos, que vão ajuda-lo a passar as singelas 60h de viagem.

A viagem a princípio não oferece muitas belezas, passando pelo sul do Brasil e atravessando a Argentina de leste à oeste, reparem que eu disse à princípio, porque quando você está quase louco de tédio, querendo matar seu vizinho de poltrona, o ônibus chega a província de Mendonza, onde começará a subida da cordilheira, para lá do outro lado, chegar ao Chile.

 

Desde longe você já poderá avistar a cadeia montanhosa com vários de seus picos nevados. A medida que se entra propriamente na cordilheira, as belezas serão muitas. A estrada vai seguindo o curso do rio Mendoza, passando por alguns povoados cordilheiranos como Uspallata e Cuerno Vacas, ambos muito bonitos.

 

Quase na aduana Argentina, já nos 2800 metros sobre o nível do mar, fique muito atento à direita do ônibus! Se erguerá o sentinela de pedra(Aconcagua) com seus quase 7000m, a chance para foto será mito rápida, por isso se informe bem com o ajudante do ônibus para saber quando o monstro vai ser avistável. Será uma visão inesquecível.

 

Passados todos os trâmites das duas aduanas, você passará por outra beleza, a estação de ski de Portillo( já foi sede do mundial de ski), que no verão está desativada, e um pouco depois, a "laguna inka" uma linda lagoa do lado do hotel portillo. A partir daí começa-se a descer em direção à Santiago e em 3h você já esta na capital Chilena.

 

. fronteira Chileno - Argentina, paso los pajaritos

 

1º ALTERNATIVA

A partir de Santiago você pode tomar um ônibus que vai direto até PUNTA ARENAS, cidade nas margens do estreito de Magalhães. Mas isto dependerá do dia que você chegar em Santiago, pois esse ônibus sai somente segundas, quartas e sextas. Empresa CRUZ DEL SUR, no mesmo terminal que você chegou. O preço da passagem depende da época do ano, porque do início de dezembro até o começo de março todos os transportes no Chile ficam mais caros pelo menos 50%! Se for o seu caso de viajar nessa época, a saída sai por uns 70 dólares pelas 36h de bus até Punta Arenas. Vale dizer que é aconselhável averiguar imediatamente depois de chegar em Santiago, a disponibilidade de vagas e o dia que sairá.

Se for o caso de você ter que esperar alguns dias para tomar o ônibus para P. Arenas, vale mais a penas ficar esses dias em Osorno e arredores. Pois esse ônibus sai de Santiago e vai até Osorno, onde fará uma baldeação e seguirá até seu destino final(punta arenas). Desta forma, você pode ir até Osorno(com a passagem Osorno- P. Arenas já devidamente comprada) e ali esperar de maneira mais agradável a saída para o Punta Arenas.

 

Agora já estamos em Osorno e prontos pra partir par a patagônia, o ônibus da cruz del sur sai mais ou menos as 12:00 ; o rumo é para leste em direção a cordilheira, fiquem de olho por que esta parte da viagem é espetacular! Fazendas, lagos, cachoeiras e todos os tipos de paisagens passam diante de seus olhos. Mais algumas horas e chega-se ao posto fronteiriço "los pajaritos". Já do lado Argentino, mais paisagens fantásticas! Você estará dentro da região do parque nacional NOHUEL HUAPI, onde estão os cerros tronador, catedral e tantas outras famosas montanhas. O lago que dá nome ao parque é de perder o fôlego de tão lindo, rios cristalinos, cabanas de montanha...com certeza você fará uma promessa de passar por esta lugar na próxima viagem, ou mesmo de passar o resto de seus dia por ali!

 

Algum tempo depois a estrada passa por algumas cidades como Villa la Angostura(linda!!!), Bariloche e El Bolson, onde o ônibus faz uma parada.

Apartir desse ponto a viagem se torna monótona, com uma infinita paisagem de pampas e mais pampas, o famoso deserto gelado patagônico. No outro dia você novamente entra no Chile pelo passo fronteiriço "austral". Pela tarde chega-se em Punta Arenas.

É hora de achar um lugar pra ficar, o que é bastante fácil, pois assim que você chegar na rodoviária serão muitas as senhoras e outras nem tão senhoras assim, oferecendo suas pensões e albergues, aí é fácil, só escolher um bom "custo- benefício" e se hospedar. Em geral essas mulheres te hospedam em suas próprias casas, o que é muito comum no Chile, não é algo luxuoso nem nada, mas em geral é limpo e seguro. O preço no verão de 2001 estava na base dos 3500 pesos chilenos(uns cinco dólares), com direito à café da manhã. Minha dica é o MIRAMAR, , bem na rua do mirador (mirante)da cidade. Por falar em ele com certeza é a primeira pedida para o dia da chegada, possui uma bela visão da cidade.

Em PUNTA ARENAS vale a pena uns passeios antes de partir para Puerto natales, a cidade oferece boas opções de passeios:

Pinguineiras:se você quiser conhecer colônias de pingüins Magalhânicos essa é a pedida, o passeio é de umas 4h, leve abrigo por que venta inacreditavelmente na área!

Se a idéia é comprar algum equipamento, vá até a zona franca da cidade, onde se pode encontrar alguma variedade de material. Principalmente da marca chilena Doite (boa), mochilas, sacos de dormir, e tudo quanto é coisa para camping, mas atenção: não possui nada de vestimenta muito técnico, tampouco material de escalada ou botas. Para compras de materiais mais técnicos, a opção é em Santiago, onde existem dezenas de lojas especializadas.

2ªALTERNATIVA

A partir de Santiago tomar um ônibus para Puerto Montt (porta de entrada da patagônia chilena), e dessa cidade um navio até PUERTO NATALES(cidade base vizinha à torres del paine).

Foi dessa maneira que cheguei em torres del paine em 1998. É uma viagem linda e inesquecível, que ganha muitos pontos em relação à viagem de ônibus. A empresa que faz a viagem se chama NAVIMAG, e possui escritório em Santiago e no porto de P. Montt.

 

De minha parte posso testemunhar como foi a viagem. O navio se mete pelos fiordes chilenos por quatro dias, até sua chegada em P.N. São servidas três refeições diárias, passam palestras sobre a população indígena patagônica, fauna e flora. Mas quem quer saber de palestras e filmes quando lá fora passa tudo ao vivo! Geleiras, focas , baleias e o clima mais louco que já vi em toda minha vida, chuva, vento e sol em repentinas e rápidas mudanças.

 

BARCO PELOS FIORDES

Viajei na classe mais barata, lá no fundo do navio em um grande quarto com dezenas de beliches triplos. O que a princípio pode parecer um desconforto e falta de privacidade se transforma em ótima oportunidade para conhecer gente do mundo todo, em geral trekkers e montanhistas indo para torres del paine.

Para quem foi de ônibus até Punta Arenas ainda falta ir até Puerto Natales, na rodoviária existem várias empresas que fazem o trajeto. A cidade é pequena e não oferece nada de especial, aproveite o tempo na cidade para dar uma volta pelo porto(o pôr-do-sol é muito bonito), fazer todas as compras de mantimentos para a viagem e procurar a passagem mais barata para o parque. Quanto à passagem são quase todas o mesmo preço (quinze dólares ida e volta).

 

Um esclarecimento quanto ao ônibus para o parque:

Esse transporte vai até o parque, passando por quase todas as entradas. Você poderá descer em qualquer uma. A passagem é de ida e volta e te da direito a locomover-se dentro do parque pelo trajeto que o ônibus realiza. Ou seja, você pode ir de uma portaria à outra do parque com a passagem que adquiriu em P. Natales(sempre pela mesma empresa). Vale lembrar que você poderá voltar o dia que bem entender, não sendo necessário marcar nada, basta você estar em alguma portaria do parque na hora que o seu ônibus passar, é só se informar na ida com o motorista para saber os horários.

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OS CAMINHOS DE TORRES DEL PAINE

Nesta página buscarei fazer uma descrição de como percorrer as trilhas do parque nacional TORRES DEL PAINE, especificamente o circuito grande sentido anti-horário, a trilha mais clássica da Patagônia. Cabe a mim esclarecer que o parque possui outros circuitos, como por exemplo o "W", mas quase todos são partes menores do circuito grande.

Para ajudar a ilustrar essa descrição, abram o MAPA trekking do parque e acompanhem o circuito.

 

Mochila feita, mapa comprado, comida e equipamentos preparados, é hora de botar as pernas pra andar, e como andamos nessa trilha!

 

O circuito grande começa na entrada do parque LAGUNA AMARGA, tem-se que descer do ônibus neste ponto. Registra-se sua entrada, quantos dias se pretende permanecer no parque e que circuito irá percorrer.

 

Na casa dos guarda- parques existe um grande mapa do parque com as trilhas, essa é a hora para tirar qualquer dúvida, todos são muito educados e solícitos. Já ia me esquecendo, você tem pagar a entrada do parque, $6500 pesos chilenos, independentemente do tempo de "estadia".

 

ROTEIRO DO CIRCUITO GRANDE

Vale lembrar que esse roteiro é apenas uma breve descrição dos pontos mais relevantes da trilha, jamais sendo um substituto para o MAPA trekking do parque.

 

Parte1

Laguna amarga- acampamento Seron -acampamento Coiron

 

Começa aqui a caminhada!tudo pronto? Recomendo caminhar devagar neste primeiro dia, com toda a tranqüilidade do mundo, o peso da mochila estará no máximo e suas pernas todavia não acostumadas com o esforço. Além do mais há luz solar até às 22h.

 

É hora de andar, tudo começa na laguna amarga, em uma picada a direita logo após a ponte que segue na estrada(qualquer dúvida perguntar aos guarda-parques).

 

Conforme o mapa são 5h até o campamento Serón (vale lembrar que os tempos assinalados no mapa são uma média de tempo caminhando-se em velocidade de marcha), esse primeiro trecho é bastante agradável e tranqüilo, caminha-se por longuíssimos campos de margaridas, em uma trilha mais do que óbvia.

 

Após árduas 5h de marcha chega-se ao campamento Serón, bem no meio de um desses campos, o lugar mais parece de conto de fadas, mas lembre-se que o local é pago e com mais 3h você está no campamento Coiron(grátis).

 

Se a opção é seguir(com todo meu apoio), continue seguindo a placa que indica a trilha. Quarenta minutos mas tarde, já beirando o rio paine, começa-se a subir uma vertente de montanha, acompanhando a curva de nível, parece que a trilha vai dar a volta neste morro, mas na verdade ela segue para cima, em um corte para a esquerda, no topo deste morro, a trilha segue beirando a montanha e descortinando lindas vistas de glaciares que beiram o gelo continental já fora do parque. Em duas horas chega-se ao acampamento Coirón. Esse acampamento fica na margem do rio Paine, é meio esquecido, mais utilizado por quem faz o circuito no sentido horário.

 

Parte2

Acampamento coiron -refúgio Dickson

 

Esse trecho é simples, algo em torno de 3h de caminhada, o único inconveniente fica por conta dos charcos, fique de olho nos troncos, serão uma ajuda para atravessar os pântanos. O refúgio é pago, mas oferece uma boa área gramada para acampamento. Com certeza a maior atração desse refúgio são as montanhas que ficam ao seu redor, belos picos graníticos ao fundo. Olhe bem, por que em poucos dias você estará do outro lado desses picos, no vale del francês. Por situar-se cercano a muitos glaciares e algumas passagens para o gelo continental, esse local possui um clima muito influenciado por eles, sendo frio e chuvoso. Em janeiro de 2001 quando estive por lá, ocorreu uma leve nevasca nos picos mais altos.

 

Parte3

Refúgio dickson - acampamento los perros

 

A princípio esta trilha tem um desnível acentuado, chegando-se ao alto desta colina, se pode ver o glaciar dickson e outras paisagens deslumbrantes. Deste ponto se adentra em um bosque de lengas, onde você saltará mais de 1000 árvores(informações mais recentes de que voltou de lá, dá conta que essas árvores foram cortadas, facilitando a caminhada, mas na minha opinião degradando a natureza.) sendo em alguns pontos algo penoso. Em duas horas encontramos uma bela cachoeira incrustada num pequeno cânion, uma hora e meia mais tarde, sempre subindo o vale, atravessa-se um ponte, mais um pouco e chega-se à moraina do glaciar, siga as marcas laranjas nas pedras, 300m depois encontra-se o acampamento los perros já dentro do bosque. O acampamento é um pouco frio, por estar perto do passo Garner, possui uma cabana e um refeitório, sempre cheio de pessoas em busca do calor da lareira improvisada. Aproveite a estadia para dar uma olhada no maravilhoso glaciar los perros e no passo John Garner, o próximo obstáculo do circuito.

 

Parte4

Acampamento los perros - acampamento Passo John Garner

 

Saia cedo para transpor o passo, e se o tempo estiver chuvoso, adie a subida, pois deve estar caindo bastante neve lá em cima. A subida em si não é nada muito exigente, somente a primeira hora é terrível, devido ao monumental charco! Por isso aconselho uma bota impermeável e polainas, ou tire a bota e suba de sandálias, se sente bastante frio com o pé metido na lama, mas pelo menos você não fica com a bota completamente molhada. A trilha começa dentro da área de acampamento, segue subindo o vale por dentro desse pântano, depois de uma ou duas horas se atinge a zona já sem mata e por seguinte seca... é hora de limpar o pé e botar a bota ( pra quem subiu de sandálias), a partir daí começa um tramo muito bonito, em meio à lindos picos e caminhando-se na neve. Ao final da colina, está vencido o passo John Garner, basta descer ao próximo acampamento. Já ia me esquecendo!..no final do passo você terá uma das mais belas visões de sua vida: o glaciar Gray em toda a sua magnitude! Fantástica visão, respire fundo! Voltando à trilha, agora é só descer, e descer muito até mais ou menos o nível do glaciar, ficando no acampamento escolhido. Nesse ponto cabe um explicação, nos mapas do parque não fica claro quanto tempo leva do cume do passo até o "campamento paso", por isso digo: são 1:30 até o antigo acampamento.(poucos lugares para montar barraca, muito inclinado) e mais 40m até o outro acampamento "paso" , no qual aconselho que fiquem.

 

Parte5

Acampamento paso - refúgio gray

 

Nesse dia a caminhada segue pela trilha em direção ao lago gray, sempre dentro do bosque e beirando o glaciar. Atravessamos vários leitos de rio, muitos escavam barrancos bem altos. Havendo nestes escadas para ajudar na subida. Depois de mais ou menos 4h se chega ao refúgio gray (é pago). O local é agradável, bem na margem do lago gray, muitas pessoas acampadas. Você vai notar que a freqüência de pessoas é diferente, aqui já não são só trekkers acampados, mas há de tudo: pessoas que estão apenas indo conhecer o glaciar e também várias excursões. No refúgio vende-se comida, lanches e um vinho tinto, mas claro que te mostram uma arma! Tudo um roubo monumental.

 

Parte6

Refúgio Gray- refúgio Pehoe - acampamento Italiano

 

As primeiras horas da caminhada são de subida, se podem ver belas imagens do lago e do glaciar Gray a medida que nos afastamos. Depois de duas horas se chega a quebrada de los vientos, um cânion que vai dar lá em baixo no lago pehoe. Na beira do lago fica o refúgio de mesmo nome, meio sem nada para ver, e ainda com ventos de furacão por quase todo o dia, horrível para acampar. Daí saem barcos para o outro lado do lago, mas nós seguimos caminho, ainda faltavam 3 horas para o vale francês. Após passarmos pelo pehoe, começa uma leve subida, lá em cima se podem ver as lindas cores do lago, um magnífico verde esmeralda. Logo os cuenos estarão a sua frente, são de tirar o fôlego! Caminha-se mais algumas horas e chega-se ao acampamento italiano, bem na entrada do valle del Frances. O acampamento fica logo após a ponte, bem nas margens do rio del Frances. Do acampamento se pode escutar o rugido de algumas avalanches no glaciar Frances. Se o tempo estiver bom, dá pra ver, bem acima do glaciar, o paine grande, com seus 3050 m. No outro dia a pedida é uma caminhada até o fundo do vale Frances, são três horas subindo o vale, que te darão a oportunidade de admirar o glaciar Frances, os Cuernos e todas as outras montanhas da região, como cabeça de índio e aleta del tiburon. Não perca esta caminhada, é imperdível!

 

Parte7

Acampamento italiano - acampamento los cuernos - refúgio las torres

 

Depois de caminhar tanto, falta apenas completar a circuito, são mais ou menos 5 h de caminhada, num sobe e desce suave . Em uma hora e meia se chega ao refúgio los cuernos, e com mais um estirão de 3 horas chegamos ao refúgio las torres. Não se espante, aí é a entrada o parque, você não estará mais isolado, carros, e muita gente acampada, infraestrutura, um hotel...aproveite para tomar um banho quente( no banheiro do acampamento) e comprar um delicioso pão, vendido no quiosque perto do hotel. Mas de novo, cuidado, os preços são impressionantemente absurdos, cuidado com a carteira, querem te roubar.

Parte8

Campamento torres - Subida das torres

 

Após singrar toda a cordilheira Paine com carga pesada às costas, esse dia será de férias para seus ombros...são mais ou menos 3, 4 horas de subida, pelo vale de rio Acensio. O começo da trilha é o mais duro, com 50 minutos de subida bem íngreme, o desnível é acentuado. Vencido esse trecho, se adentra propriamente no vale, a trilha vai beirando a encosta da colina, sendo importante uma certa atenção, pois existem algumas passagens expostas, além de em alguns dias o vento estar muito forte. Para se ter uma idéia, em janeiro de 98, passando por este local, fui jogado ao chão muitas vezes, ficando receoso de voar lá pra baixo. Então não tenha dúvida, se uma rajada lhe atingir, fique calmo, sente no chão e espere passar.

 

Após alguns minutos já se pode avistar a bela cabana do acampamento chileno lá no fundo o vale. Após a cabana do r. Chileno a trilha entra dentro de um bosque de lengas, são subidas e descidas, até chegar-se a base de uma moraina . São mais ou menos 30 min de "trepa trepa" nas pedras, sempre seguindo as marcações laranjas(características de todo o parque), pronto, você está na base das famosas torres del paine, aproveite a magnífica paisagem. Lá em cima em geral faz bastante frio, sendo comum uma chuva gelada(pequenos copos de neve), o vento é rasgante, várias pedras podem servir de abrigo para aquele lanchezinho.

 

Dicas: saia cedo, a chance de ver as torres sem nuvens é maior. Se lá em cima estiver fechado ou meio encoberto, não tenha dúvida em aguardar algumas horas, lembre-se que estamos num lugar especial e você não sabe quando terá a chance de retornar.

 

Última dica, para ir até a laguna amarga é só esperar o micro ônibus do refúgio que passa pela estrada todas as manhãs, é só mostrar a nota de pagamento do camping e economizar 7km.

 

Acabou o circuito, se você pretende percorre-lo, tenha em mente que não é nada sobre humano, com um pouco de condicionamento físico, algum costume em caminhadas e muita vontade, qualquer um pode. Nessas duas vezes que estive no parque conheci gente de todo tipo caminhando pelas trilhas, sexagenários, montanhistas experientes, garotada de Santiago, Argentinos, "miles" de Alemães, Suíços, Israelitas, Franceses e americanos. Só faltam nós Brasileiros, conheci só uns 10 nesses dois anos. Espero que com este sitio, o pessoal da terrinha possa chegar e caminhar com mais facilidade nessa patagônia que eu amo.

 

Outros atrativos do parque: lago pingo, vale do pingo, salto grande... todos esse lugares podem ser visitados utilizando-se a passagem de locomoção Puerto Natales - torres del paine, é só ver onde subir e descer dentro do parque. Dêem uma olhada nos mapas.

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O CLIMA

Quando planejamos uma viagem, um passeio de um dia ou a escalada de uma grande montanha, é comum que abordemos a questão do clima, tentando antever situações que poderemos encontrar, para que possamos prevenir vestimentas e acessórios adequados.

 

Conforto térmico pode ser a diferença entre lindos e terríveis momentos. Uma pessoa que sentiu frio durante toda uma escalada não terá boas lembranças, principalmente se passou noites geladas em seu saco de dormir ou caminhou com a roupa encharcada.

 

Por isso é obrigatório ter em conta o local que visitará e as temperaturas e o clima em geral que será enfrentado. Ou seja, não basta saber a temperatura habitual do lugar, mas até onde ela pode diminuir. Se ela aumentar , você vai tirando roupas, mas se vai abaixando, pode ficar sem ter o que por...

 

Desta forma, nunca use mais roupas do que a temperatura requer, se você sentir-se confortável com duas blusas, não ponha a terceira para ficar mais "quentinho", pode ser que mais tarde fique mais frio e você não tem mais nada pra botar..

As horas mais frias do dia são próximas ao amanhecer a ao entardecer. No montanhismo, é comum sermos surpreendidos por drásticas alterações climáticas sempre nestas horas do dia. Se você planeja ir a uma montanha, campo de gelo ou deserto, e erra na escolha de seu equipamento, pode experimentar uma gama de situações que vai desde pequenos desconfortos, doenças, congelamento de membros até a hipotermia. Dependerá do local e do clima que estiver fazendo quando você estiver lá, além de suas condições de saúde e adaptabilidade à altitude e ao frio. Se ao frio se associar uma grande altitude, que traz consigo menor pressão atmosférica e o oxigênio mais rarefeito, a combinação muitas vezes pode resultar trágica, se não obedecermos a uma série de princípios.

Outro elemento que contribui para a piora ou melhora do clima é o vento. Se estivermos apreciando um tranqüilo final de tarde, sem vento, está quase friozinho, e de repente, o sol se põe, entra aquele vento moderado... já fica difícil ficar só de camiseta... Por vezes, em lugares como a patagônia ou em grandes montanhas, o vento não nos afeta apenas acentuando o frio, mas empurra para trás, (ou para frente, ou para os lados ou nos jogando no chão), faz grande barulho nas abas do capuz, minando a resistência psicológica e aumentando consideravelmente o esforço para caminhar.

 

ALGUMAS PEQUENAS DICAS PARA EVITAR FRIO EM CAMINHADAS:

1-Nunca durma de cabelo molhado

2-Chegando ao destino da caminhada, troque imediatamente a roupa que estiver suada

3-Nunca exponhas seu pescoço ou costas ao vento frio, use sempre lenço ou gorro de pescoço.

4-Cerre completamente seu saco de dormir, inclusive o colar térmico. Nos sacos de dormir, seu próprio calor corpóreo que esquentará o ar de dentro do saco, ou seja, o saco é um mero isolante. 5-O isolante térmico no chão é absolutamente indispensável.

6-Estar bem alimentado e hidratado ajudará seu corpo a esquentar-se, uma boa comida quente é capaz de milagres no frio.

 

Clima na patagônia:

Em el chalten e torres del paine o clima é uns dos mais imprevisíveis que se possa encontrar no planeta. De uma gama de sol e 25ºc até neve e -10º, você pode encontrar tudo: vento e sol, ventania e neve, furacão e chuva, furacão e sol, furacão e neve, sol e brisa...Um grande caleidoscópio climático. Isto se explica em grande parte pelo fato de as suas regiões estarem coladas ao campo de gelo sul, que é uma imensa massa de gelo, que possui micro clima próprio e em geral é ruim! Além é claro de se encontrarem em latitudes muito baixas, sendo também atingidas por frentes frias antárticas.

Esse clima imprevisível poderia ser um empecilho, mas na verdade é o que torna essa região tão fascinante e bela.

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Ingresso - Se vc estiver alojado em Puerto Natales e ficar indo e vindo ao Parque todos os dias, na primeira vez em que for entrar, vc pagará uma taxa e receberá um boleto.

Avise à pessoa que te der o boleto que vc estará voltando ao Parque durante "tantos" dias.

A pessoa vei escrever uma anotação no verso do boleto e vc não precisará mais pagar para entrar.

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  • 7 anos depois...
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Trekking W em Torres del Paine: Guia básico

 

Aqui nesse tópico estarei passando dicas e informações gerais para fazer o trekking do circuíto W em Torres del Paine, Patagônia Chilena. Esse é um guia para o usuário com pouca experiência em trekking e camping, onde procurarei abordar questões básicas e práticas para que as pessoas com esse perfil possam realizar essa belíssima travessia. As informações aqui contidas são fruto de minha experiência e informações colhidas nos relatos e questões discutidas nos fóruns do mochileiros.com.

Quem pode fazer esse trekking ?

Praticamente qualquer pessoa com condições normais de saúde pode realizar essa travessia, durante meu trekking vi muitos idosos caminhando, ascendendo o Valle del Frances ou até o Mirador Torres. Logicamente se vc é um total sedentário que vai até a padaria de carro, esse passeio não é para vc mas se ocorrer uma mudança de hábito e começar a realizar caminhadas, frequentar uma acadêmia (tudo com acompanhamento profissional e depois de um check-up médico) em poucos meses vc estará pronto para levar esssa caminhada na maior moleza.

 

O preparo físico é fundamental, mas saber caminhar em uma trilha também é importante, portanto se tiver oportunidade de realizar algumas caminhadas na mata antes de encarar TDP é uma boa idéia. Procure fazer trekkings mais curtos e ir aumentando a distância e dificuldade conforme ganha experiência. Aproveite os finais-de-semana para praticar, estando aqui em Sampa vá até as cidades da Serra da Mantiqueira, no Rio é mais fácil ainda, pode ir até a Floresta da Tijuca, um pouco mais longe tem a Serra dos Órgãos, em BH tem a Serra do Cipó etc... Veja os fóruns da sua região que tem centenas de dicas de locais para trilhas.

 

Se vc achar essas saídas de finais-de-semana enfadonhas, desista de fazer o W em TDP, compre um fullday tour e visite o que dá pra ver de van.

 

Essa não é uma travessia muito exigente, na maioria dos trechos o desnível (quantidade de subidas e descidas) é pequeno, a orientação é bastante simples e a todo momento se encontram pessoas na trilha, os campings são em sua maioria estruturados, há muitas guarderias e postos de apoio, por esse motivo acho que esse trekking pode muito bem ser indicado pra quem nunca realizou uma atividade como essa, tomando as devidos cuidados e preparações.

Como Chegar

A cidade mais próxima a TDP é Puerto Natales no extremo sul do Chile. Para ir até Puerto Natales vc provavelmente vai sair de Punta Arenas (Chile) ou El Calafate (Argentina), existem linhas de ônibus que operam regularmente esses trechos.

 

Estando em Puerto Natales vc poderá contratar simplesmente o ônibus que te leva até o parque (são diversas empresas com serviços, preços e horários similares) ou um passeio com guia, em uma van ou ônibus mesmo.

A opção mais utilizada, e barata, por quem vai fazer o trekking é somente a linha de ônibus, que parte por volta das 7h30min de PN e chega em Laguna Amarga às 9h45min. Vc pode contratar a ida-e-volta, deixando a volta em aberto, ou somente a ida. A vantagem de contratar somente a ida é que vc pode pegar qualquer um ônibus de qualquer empresa na volta, sendo que se contratou a volta, somente da empresa com que foi.

 

Na guarderia Laguna Amarga vc deverá se registrar e pagar a taxa de entrada no parque, eles lhe daram algumas orientações e o mapa do parque, guarde esse mapa com cuidado, ele possui informações importantes como os sitios de campamento, distâncias e tempos médios, vc utilizará para se orientar no parque.

Muitas pessoas começam a caminhada em Laguna Amarga, fazendo no primeiro dia o Valle Ascencio.

 

Nós, seguindo o conselho de alguns guarda-parques, começamos nosso trekking pela perna Campamento Paine Grande - Grey, então retornamos ao ônibus e seguimos em direção ao Pudeto. Nesse tópico considerarei que essa será sua opção.

Quando ir ? E o tempo ?

A melhor época para ir é entre novembro e fevereiro quando é verão no Hemisfério Sul, as temperaturas são mais amenas atingindo até 25o.C durante o dia e não chegando a temperaturas muito negativas na noite. Dificilmente neva nesse período, a não ser nas regiões mais altas ou durante a noite. Os ventos são fortes e pode chover... A mudança brusca do tempo é uma das características desse trekking, pode-se estar com calor caminhando sob o sol e em 15min estar embaixo de garoa sob ventos fortes. Então vá preparado para tudo !

Há uma bela vantagem de ir no verão é que os dias são muito longos, às 6h já se tem muita luz e às 21h ainda não anoiteceu, isso permite um ritmo de caminhada mais lento, podendo parar mais, descansar mais sem ter a preocupação de ficar no escuro.

O trekking durante o inverno é totalmente desaconselhável !

Hospedagem e Infra-Estrutura

Apesar da infra-estrutura exemplar desse parque a pessoa precisa de desprender de certos "luxos" que estamos acostumados em nosso cotidiano urbano. Na maior parte do percurso do W não encontraremos "hoteis", somente refúgios e áreas de camping. Os primeiros contam com quartos e banheiros coletivos, calefação, restaurantes, acesso a internet, cozinha e mercadinho. Quando ficar em uma área de camping junto a um refúgio vc poderá utilizar todos ou parte desses recursos. Alguns camping estruturados contam com água quente em seus banheiros, que são como vestiários de um clube, uma pia de cozinha também com água quente para lavar a louça, guarda-parques, estação de rádio, aluguel de equipamentos (barracas, saco de dormir, panelas...), etc.

 

Para utilizar os refúgios vc precisa fazer reserva com alguma antecipação, para os campings estruturados basta chegar, pagar a taxa, achar um lugar e armar a barraca. Aqui nesse guia estaremos considerando que o viajante pretente acampar no parque e fazer a sua própria comida.

 

No circuíto também encontraremos campings "gratuítos", esses não contam com água quente, os banheiros podem não passar de uma fossa sanitária e não se conta com cozinha. Se puder recomendo evitar esses campings.

 

Durante o seu planejamento é importante ter alternativas caso algum sitio de camping esteja fechado, principalmente fora da alta temporada. Recentemente temos relatos de usuários que encontraram o campamento Italiano fechado para manutenção o que obrigou a dormir no Los Cuernos. Se comunique com a administração do parque (links no final desse tópico) e mantenha-se informado através de nosso fórum. Quando chegar na guarderia Laguna Amarga, pergunte aos guarda-parques sobre as condições de cada um dos lugares que pretende dormir.

 

O que levar

Vc terá que levar, e principalmente carregar, tudo que precisará para fazer essa travessia, isso incluí:

- equipamento básico de trekking

- equipamento básico de camping

- comida

No detalhe essa lista pode aumentar ou diminuir conforme cada pessoa, vou colocar aqui o que eu considero absolutamente necessário e não abriria mão de maneira nenhuma. A ordem que estão listados não obedecem lógica alguma pois todos são necessários !

 

Equipamento Básico de Trekking

Aqui vou colocar o que costumo levar pra travessias, é claro que em se tratando de uma em plena Patagônia o volume e a quantidade dos itens é maior, sendo mais apropriados para o frio intenso e mudanças bruscas do clima da região.

Recomendo que todos os equipamentos básicos de trekking sejam adquiridos aqui no Brasil e testados antes da viagem !!! Use suas saídas de finais-de-semana para isso.

Vestuário

- roupas íntimas (suficiente para quantidade de dias planejados)

- 1 segunda pele completa, underwear calça e blusa (tipo x-thermo da Solo)

- pares de meias próprias de trekking (suficiente para quantidade de dias planejados)

- 2 casacos de polartec, sendo 1 polar 200 e outro polar 300

- 1 calça bermuda de poliamida, de secagem rápida

- gorro ou balaclava (fleece)

- luvas de fleece

- 1 par botas de trekking previamente amaciadas impermeáveis (tipo goretex)

- 1 anorak/parka impermeável e respirável (tipo goretex) com capuz

- 1 par de sandálias (tipo havaianas)

Equipamentos de trekking

 

- mochila cargueira entre 60 e 70 litros

- capa de mochila suficiente para a mochila totalmente carregada (faça o teste !)

- par de bastões de trekking

- óculos de sol

- cantil ou camelbag

- lanterna ou head-lamp

- pilhas extras

- canivete de lâmina grande (de preferência victorinox)

- sacos plásticos tipo zip

- bússola

- kit primeiros socorros (curativos, remédios (dor/febre, estômago, diarréia e de uso pessoal))

- hidrosteril ou clorin

- palitos de fósforo e isqueiro

- toalha de banho média de secagem rápida

- kit pessoal (escova de dentes, creme dental, xampú, sabonete, desodorante etc tudo no menor volume possível)

 

Equipamentos de camping

 

Abaixo temos a lista de coisas a levar em uma travessia com acampamento itinerante. Tirando os itens de uso pessoal, se vc não quiser comprar pode alugar esses itens em PN:

- barraca média montanha ou quatro estações

- isolante térmico (plástico de chão)

- saco de dormir -15oC ou um mais leve com linner

- fogareiro à gás ou líquido

- combustível compatível

- panelas (leiteira e uma panela mais rasa) com tampa

- copos ou canecas

- colher de sopa, garfo e faca de cozinha pequena previamente afiada

- pequena esponja para lavar louça e pedaço de sabão em pedra

 

Se vc comprou algum desses itens, teste-os antes de viajar. Se alugou em PN, melhor vc pedir instruções de uso e na frente do locador tentar montar sua barraca e acender o seu fogareiro. Depois de alugados, tente montar a barraca e acender o fogareiro sozinho.

Essa é a minha lista essencial de equipamentos, como disse cada um pode aumentar, diminuir e trocar itens, pode ser que tenha esquecido de algo importante, quando lembrar vou adicionando.

Aqui no mochileiros.com tem um fórum específico para discussão de equipamentos, dúvidas devem ser encaminhadas para lá.

Comida

Aqui vou colocar uma lista dos itens mais básicos que costumo levar em travessias, todos esses itens são comuns e podem ser encontrados nos supermercados de Puerto Natales, nada precisa ser levado daqui do Brasil. Vc pode substituir por comidas "técnicas" como desidratadas ou liofilizadas, mas eu prefiro comida de verdade.

Café-da-manhã e almoço

- leite em pó instantâneo

- café instantâneo e/ou chá

- chocolate em pó

- gatorade e/ou suco de frutas em pó (tang)

- açúcar

- pão

- queijo

- salame

- manteiga

- geléia

 

Jantar

- macarrão instantâneo

- atum ou sardinha em conserva

- molho de tomate pronto

 

Petiscos

- frutas secas

- castanhas e amêndoas

- barras de cereais

- chocolates

 

Procure levar a quantidade exata e suficiente do almoço e jantar para o número de dias, leve uma margem de segurança de uns 20% em petiscos que são mais leves e menos volumosos e tem alto poder calórico, para dimuir o peso é melhor substituir a latinha do café, leite, chocolate em pó, o molho e o atum por aquelas embalagens plásticas.

 

Lembre-se que vc andará horas e muitos quilômetros (uns 80KM no total) com toda essa quinquilharia nas costas ! Então não leve nada de supérfluo, quanto mais leve vc estiver mais fácil e prazeroso será seu trekking.

 

O Roteiro

Esse roteiro pode ser feito no mínimo em 4 dias e caso possua mais dias, melhor pra vc que poderá fazer tudo com mais calma, aproveitando melhor desse lindo lugar. Não vou dizer que é um passeio percorrer o W em 4 dias, é possível, mas para pessoas "comuns" (como eu) pode ser um pouco puxado mas absolutamente possível com disciplina e força de vontade.

Para melhor compreensão do roteiro estaremos utilizando o mapa oficial de TDP, abaixo:

 

Recomendo baixá-lo para melhor visualização.

 

Como não sei quantos dias foram reservados para seu trekking não vou quebrar o roteiro em dias, mas em trechos, indicarei os pernoites no caso do roteiro de 4 dias. Estou considerando que vc será esperto e fará sua viagem no verão e que vai seguir a dica do guarda-parques e começar seu trekking no Pudeto.

 

Por que começar no Pudeto/Pehoe ?

 

Até chegar ao parque não tinha me dado conta, mas o guarda-parques me abriu os olhos e mudei o plano de começar por Laguna Amarga (como a maioria faz) já dentro de TDP, se vc olhar a tabela de horário dos ônibus vai perceber bem porque é mais vantajoso começar pelo Pudeto:

 

na volta para Puerto Natales o ônibus parte da Administração às 18h, passa no Pudeto às 19h e em Laguna Amarga às 19h45min, aqui vc ganhou 45min apenas, né ? Mas acontece que vc vai ter que pegar o Catamaran que parte às 18h30min do Pehoe (Paine Grande), ou seja, vc terá 1h15min a mais se começar pelo Pudeto/Pehoe.

 

Ahhh ! Mas acontece que esse tempo que vc "ganha" no último dia é cobrado de vc logo no primeiro dia ! Só que no primeiro dia vc tem mais energia e o trecho Pehoe - Grey foi o que eu considerei o mais fácil de todo o W.

 

 

Trecho: Pehoe - Grey / 11Km ~ 3,5h (dificuldade Média)

 

 

Glaciar Grey

000023 (596 x 397).jpg (69.86 KiB) Visualizado 10187 vezes

 

 

Descendo do ônibus no Pudeto vc pode deixar sua mochila cargueira na guarderia e ir visitar o Salto Grande, ao retornar pode pegar o Catamaran que lhe deixará no campamento Pehoe.

 

Se seu planejamento é de 4 dias provavelmente vc vai pernoitar nesse campamento, o Pehoe (Paine Grande), vc terá que vencer os 22Km em cerca de 8h portanto o melhor é sair o mais cedo possível, portanto chegue do catamaran e monte logo seu acampamento, pague a taxa (esse camping é pago), pegue seu lanche, mochila de ataque e pé na trilha. Caso tenha mais tempo vale a pena dormir no Campamento Grey, eu pessoalmente não dormi nesse camping mas segundo muitos relatos é um frio da porr... nesse lugar, melhor estar preparado.

 

Uma outra alternativa para 4 dias é pernoitar no Grey e no dia seguinte ir até o Italiano e pernoitar por lá.

 

Trecho: Pehoe - Italiano / 7,6Km ~ 2,5h (dificuldade Fácil)

 

Esse trecho é super simples, sem muito desnível. No caso de ter dormido no Pehoe e se manter nos 4 dias é legal dormir no Italiano, mas não ache que vai percorrer só isso hoje, chegando no Italiano deixe sua mochila cargueira, pegue sua mochila de ataque e suba o Valle del Frances, a idéia é ir e voltar para pernoitar no Italiano.

 

Na opção de ter pernoitado no Grey, para o roteiro de 4 dias vc terá que voltar até o Pehoe antes de encarar o trecho até o Italiano, nessa opção dificilmente vc conseguirá encarar a subida do Valle del Frances nesse mesmo dia deixando para o começo do dia seguinte.

 

Trecho: Italiano - Mirador Valle del Frances / 7,5Km ~ 3h (dificuldade Média)

 

Tendo dormido no Pehoe e para se manter nos 4 dias vc pode encarar esse trecho no segundo dia, sendo que terá que retornar para dormir no Italiano, um campamento gratuíto. Tendo dormido no Grey esse trecho será feito no início do terceiro dia.

 

Trecho: Italiano - Los Cuernos / 5,5Km ~ 2,5h (dificuldade Média)

 

Se optou por fazer o Valle del Frances no 2o. dia pode passar batido por esse campamento indo pernoitar sua terceira noite no Las Torres. Na opção de fazer o Valle del Frances no 3o. dia vc pode pernoitar aqui no Los Cuernos que é um campamento pago mas o mais recomendável é seguir até o Las Torres, sendo esse dia muito puxado.

 

Trecho: Los Cuernos - Las Torres / 11Km ~ 4h (dificuldade Média)

 

Eu achei esse trecho tranquilo, na primeira opção de roteiro de 4 dias percorrerá esse trecho no 3o. dia e passará a noite no Las Torres. No caso de dormir no Los Cuernos vc terá que vencer esse trecho no período da manhã do 4o. dia para conseguir subir as Torres no mesmo dia.

 

Trecho: Hosteria Las Torres - Mirador Las Torres / 9,5Km ~ 3,5h (dificuldade Média)

 

 

Mirador Las Torres

000029 (596 x 397).jpg (73.63 KiB) Visualizado 10168 vezes

 

 

Esses são os últimos 19Km que vc percorrerá no W !! Deixe sua mochila cargueira, agarre só o lanche e pernas pra que te quero. No Mirador Las Torres vc terá a oportunidade de tirar aquela famosa foto com o laguinho verde aos pés das Torres ! Se vc pernoitou no Las Torres poderá fazer esse trecho tranquilamente, guardando fôlego (e pernas) para o último trecho antes do Mirador qeu é de pedras, semelhante ao Valle del Frances mas mais íngreme, achei o trecho mais difícil de todo o W. Na opção de ter dormido no Los Cuernos vc deverá vencer o trecho Los Cuernos até Hosteria Las Torres pela manhã para começar esse trecho por volta do meio-dia, para ter tempo de voltar e pegar o ônibus de Laguna Amarga no início da noite.

 

RESUMO DOS ROTEIROS DE 4 DIAS

Opção 1

 

Dia 1

Trechos: Pehoe - Grey (ida-e-volta)

Total percorrido: 22Km / 7h

Pernoite: Pehoe

 

Dia 2

Trechos: Pehoe - Italiano e Italiano - Mirador Valle del Frances (ida-e-volta)

Total percorrido: 22,6Km / 8h

Pernoite: Italiano

 

Dia 3

Trechos: Italiano - Los Cuernos e Los Cuernos - Host Las Torres

Total percorrido: 16,5Km / 6,5h

Pernoite: Host Las Torres

 

Dia 4

Trechos: Host Las Torres - Mirador Las Torres (ida-e-volta)

Total percorrido: 19Km / 7h

Pernoite: Puerto Natales !!!

 

 

Opção 2

 

Dia 1

Trechos: Pehoe - Grey

Total percorrido: 11Km / 3,5h

Pernoite: Grey

 

Dia 2

Trechos: Grey - Pehoe e Pehoe - Italiano

Total percorrido: 18,6Km / 6h

Pernoite: Italiano

 

Dia 3

Trechos: Italiano - Mirador Valle del Frances (ida e volta) e Italiano - Los Cuernos

Total percorrido: 20,5Km / 8,5h

Pernoite: Los Cuernos

 

* aqui há a opção de dormir diretamente na Host. Las Torres, o que é recomendado, adicionando 11Km e 4,5h de caminhada no dia 3.

 

Dia 4

Trechos: Los Cuernos - Host. Las Torres e Host. Las Torres - Mirador Las Torres

Total percorrido: 30Km / 11,5h

Pernoite: Puerto Natales

 

* Caso tenha optado por pernoiter no Las Torres na noite 3, diminua 11Km e 4,5h nesse dia.

 

Retornando do Mirador Las Torres vc tem duas opções, pode seguir 7,5Km andando com a mochila nas costas por uma estrada sem atrativos ou contratar uma van que vai lhe deixar antes da ponte próximo a Laguna Amarga, o ponto para pegar a van é próximo ao refúgio Las Torres.

 

Os horários das vans, assim como os horários do Catamaran, são sincronizados com os horários dos ônibus de Puerto Natales.

 

Espero que esse pequeno guia te ajude no planejamento de seu trekking por Torres del Paine, considerado um dos lugares mais bonitos do planeta Terra.

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Site Torres Del Paine

 

Transporte Puero Natales - Preços para entrada no parque

http://www.torresdelpaine.com/secciones/noticias/34.asp'>http://www.torresdelpaine.com/secciones/noticias/34.asp

http://www.busespacheco.com/

http://www.bus-sur.cl/opensite/

Navegação de Barco, passeios

http://www.turismolagogrey.cl/mn-grey-ii&lang=ES

http://www.torresdelpaine.com/

neste site vc visualiza todo parque.

http://www.sernatur.cl/torres-del-paine-update/situacion-en-torres-del-paine

 

Informaações das estradas na Argentina

 

http://www.vialidad.gov.ar/partes/index

 

clique em cima para aumentar

 

20111204064833.jpg

 

 

http://twitter.com/TorresPaineCom

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  • Membros de Honra

Uma opção que parece loucura, mas não é.

Este tópico é um comparativo para quem quer conhecer Torre Del Paine sem trekking.

Claro que é um passeio diferente, não tem uma caminhada de 18 km até o mirante entre outras trilhas.

Eu perguntei a um Chileno que tinha feito uma trilha e pernoitado quatro dias no Parque, e que já neste mês de abril com bastante neve e já tinha alguns pontos que já estava interditado.

O porquê fazer tudo isto sozinho.

Ele falou que tinha um amigo para ir junto, mas o mesmo falhou, e entre não ir e ir sozinho ele preferiu ir sozinho. Ou seja, é um estado de espírito e de opção, o que admiro muito.

Perguntei se ele tinha encontrado alguém.

O mesmo informou só um francês, mas que estava indo em direção contrária.

O relato integral com fotos foi colocadono de relatos de viagem.

Torres Del Paine - El Calafate - Chalten - Sem Trekking

 

Todo o percurso entre cidades foi de avião, os horários e custos estão na última página. Saida de Curitiba e retorno a Curitiba.

Nascer do Sol na região da Patagônia nesta época 08:30H por do Sol 07:30 h

obs. Hoje se tivesse que optar por uma data, escolheria janeiro/fevereiro, mesmo tendo a menor chance de ver as paisagens com neve as paisagens principalmente de TDP e Chaltén são mais visíveis.

Saimos de Curitiba as 06:00 da manhã destino Guarulhos, B.Aires Ezeiza, B.Aires aeropark Calafate, as 18.30 chegamos a Calafate.

Tão logo chegamos ao Hostel Glaciar Libertador, providenciamos o passeio para T.D.P., já que a informação no site do Glaciar é que só tem segunda, quarta e sexta. Informação errada tem todos os dias.

Sempre que puder pagar em espécie tem um desconto para os passeios, com cartão paga um pouco a mais, o Hostel não aceita cartão, mas é ótimo em todos os aspéctos.

 

Primeiro Dia 16/04

Iniciamos o nosso passeio por Torres Del Paine, já que éra o passeio mais longe mais demorado.

Nossa saída prevista para ás 07:00h da manhã e retorno as 22:30h para Torre Del Paine deu aproximadamente 700 km ida e volta, incluso passeio dentro do parque, chegamos no parque as 10:00 h aproximadamente.

Passamos pelos mirantes do Lago Sarmiento Laguna Amarga, Lago Nordenskjold e Salto do Rio Paine o Salto Grande em todos os pontos se podia observar parte dos Cuernos que estava prejudicada pelo nevoeiro, eu acho que o ideal é vir em janeiro para ver ele inteiro, mas não vê a neve que da o toque especial.

 

Demora um pouco para fazer aduana na fronteira com o Chile, mas faz parte.

Entre todo o passeio tem duas caminhadas, a primeira no Salto Grande, nosso guia incluiu a mais que outras agências o passeio pela margem do rio que é um pouco perigosa por isto outra agências não fazem , mas como estáva-mos em 4 foi controlável. E a outra caminhada foi no Salto Chico de uma e meia hora.

Considero o passeio nota 9 pela distância, mas é um belo passeio, para quem não quer fazer trekking e nem dormir nos refúgios é uma bela opção, e principalmente por que visita diverssos pontos em um dia. Tem uma opção saindo de Porto Natales, mas o passeio é o mesmo, em nenhum vai até base da Torre Del Paine mas conforme informações, e pelo que observei em diverssos pontos da para observar a imponência dela.

Este passeio pode ser feito por Puerto Natales, os links estão no tópico acima compreçoes etc.

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  • 1 mês depois...
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[creditos]http://www.torresdelpaine.com/secciones/noticias/34.asp[/creditos]

http://www.torresdelpaine.com/secciones/noticias/34.asp

 

Horarios, Valores e Información Temporada 2012

Todos los datos útiles para programar su viaje a Torres del Paine

 

 

Rutas, Medios de Transporte y Horarios al Parque Torres del Paine

Para esta temporada de Octubre 2011 a Abril 2012 entregamos información de utilidad para planificar su visita a la Reserva Nacional Parque Torres del Paine (Administrado por Conaf)

Trayecto desde Punta Arenas a Puerto Natales

La distancia entre Punta Arenas y Puerto Natales es de 250 kilómetros por buena ruta pavimentada.

Para quienes viajan en bus las principales compañías que cubren esta ruta y otras hacia Torres del Paine, Calafate y Argentina son:

www.busesfernandez.com

www.busespacheco.com

www.bus-sur.cl

El principal paso fronterizo desde Argentina en este sector es Río Don Guillermo, ubicado en Villa Cerro Castillo a 58 km. de Portería Laguna Amarga, y que comunica con la localidad de Calafate, Argentina, distante a 284 kms.

De Puerto Natales a Porterías del Parque Torres del Paine

3 son las principales Porterías de Conaf para el acceso en vehículos y buses

1) Portería Laguna Amarga: 129 kms. desde Puerto Natales (único acceso en buses regulares*)

2) Portería Lago Sarmiento: 112 kms. desde Puerto Natales

3) Portería Río Serrano: 80 kms. desde P. Natales (ruta más nueva y corta)

TARIFAS DE ACCESO AL PARQUE 2011 – 2012

Pago en Porterias, entrega de información y Mapa completo del Parque

Temporada Alta: 1 Octubre 2011 - 30 Abril 2012

Tipo de EntradaPesos Chilenos

Chilenos $ 4.000

Extranjeros $ 15.000

Niños $ 500

Horario de atención 8:30 a 20:00

Nota 1: En caso de llegar fuera de horario, se permite el ingreso al Parque y posterior pago en cualquier Portería

Nota 2: Entrada válida para toda la estadía dentro del Parque permite reingresar al Parque 3 días consecutivos.

Valores en Temporada Baja

 

Visita al Parque en vehículo o tour

Una experiencia muy recomendable para realizar en un dìa es el recorrido en vehículo por la ruta que bordea el Parque y sus diferentes lagos (Nordensjold, Pehoe, Grey). Varias agencias de turismo ofrecen programa llamadas Full Day que se detiene en miradores y restaurantes con increíbles vistas.

Visita al parque por senderos y circuitos W (Trekking)

Para quienes quieren recorrer el Parque por sus senderos W Trek y Circuito Completo tienen los siguientes buses y servicios regulares de Buses y Embarcaciones por Lago Pehoe y Lago Grey que los llevarán hasta el inicio y término de su excursión)

HORARIO DE BUSES REGULARES AL PARQUE TORRES DEL PAINE DESDE P. NATALES

DE PUERTO NATALES AL PARQUE TDP Horario 1 Horario 2

Salida desde Puerto Natales 07:30 14:30

Parada en Laguna Amarga 09:45 16:30

Parada en Pudeto (Catamarán) 10:45 17:30

Llegada a Administración (Conaf) 11:45 18:00

 

DEL PARQUE TDP A PUERTO NATALES Horario 1 Regreso Horarios 2

Salida desde Administración (Conaf) 13:00 18:00

Parada en Pudeto (Catamarán) 13:30 19:00

Parada en Laguna Amarga 14:30 19:45

Llegada a Puerto Natales 17:00 22:00

 

 

Operador de los Buses

www.busesgomez.com

 

Los buses regulares tanto de ida como regreso desde P. Natales al Parque acceden unicamente por Portería Laguna Amarga (conexión con Transfer a sector Las Torres) y continuación hasta el Centro de Administración de Conaf, con parada en Pudeto (cruce catamarán lago Pehoe).

HORARIOS CATAMARAN CRUCE LAGO PEHOE (PUDETO - LODGE PAINE GRANDE)

Horarios según Período Salidas desde Pudeto (acceso vehicular) Salida desde Lodge Paine Grande (trek)

16 Noviembre 2011 - 15 Marzo 2012 09:30 10:00

12:00 12:30

18:00 18:30

16 Marzo 2012 - 31 Marzo 2012 12:00 12:30

18:00 18:30

1 Abril 2012 - 15 Noviembre 2012 12:00 12:30

 

Valores en pesos chilenos

Pasaje One Way (un tramo) $12.000

Pasaje Round Trip (ida y regreso) $19.000

 

 

Más información en : [email protected]

HORARIOS NAVEGACION LAGO GREY Y TRAMOS ONE WAY

Hora Salida Hora Regreso

Horario 1 (RT) 08:00 11:00

Horario 2* (RT/OW) 12:00 15:00

Horario 3 (RT) 15:30 18:00

Horario 4* (RT) 18:30 21:00

* Salida con recalada en Refugio Grey (inicio o término W). Regreso desde Refugio Grey a las 13:00 (one way)

** La salida de las 18:30 horas se realiza sólo para grupos y con previa reserva

(RT) Round Trip, (OW) One Way

Más información en : www.turismolagogrey.com

 

 

 

En cuanto a la información de alojamientos en el Parque Torres del Paine se puede visitar aquí las opciones de alojamiento tanto en el sector que se accede en vehiculo como aquellos ubicados en los senderos de Trekking

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  • 3 semanas depois...
  • 1 mês depois...
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Pessoal,

 

Finalmente coloquei na internet o artigo sobre o circuito O. Aqui vou postar apenas o texto, mas no link abaixo, além do relato, há mapas, altimetria de todos os dias, fotos e imagens imersivas em 360 graus, inclusive de todos os refúgios e campings, acho que pode ajudar a mostrar as diferenças de estrutura entre eles. Bom, o link pro artigo competo é esse (http://www.feres.fot.br/torres-del-paine.htm), espero que gostem:

 

Circuito Grande

 

Mesmo sendo considerado pelas revistas especializadas como um dos melhores destinos de trekking do mundo, Torres del Paine ainda é um local pouco conhecido fora do grupo de aficionados por caminhadas.

 

Situado no extremo sul do Chile, em 1959 foi transformado em Parque Nacional e, em 1978, declarado pela Unesco como Reserva da Biosfera. Em seus 181.000 hectares há diversas trilhas que podem ser feitas a pé ou a cavalo, além de áreas que podem ser visitadas de carro ou barco, fazendo com que o parque seja acessível para qualquer pessoa, desde quem gosta de passar vários dias acampando até quem quer viajar com todo conforto. Minha escolha foi pelo Circuito Grande, também conhecido como O, uma trilha a pé com 135 km, que é normalmente feita em 7 pernoites.

 

Apesar de não ter grandes altitudes, com máxima de 1.200 metros no Paso John Gardner, o inverno é bastante rigoroso e até no verão é possível pegar neve, apesar de não ser comum. O que é comum, em se tratando do clima, é haver grandes variações em pouco tempo. Isso sem falar no vento, que pode fazer a sensação térmica cair para baixo de 0 mesmo durante o dia. Ou, caso você tenha mais sorte que eu, pode passar alguns dias caminhando apenas de camiseta...

 

Passagens compradas, roteiro estudado, equipamentos de foto, camping, roupas e comida para 9 dias na mochila cargueira. E não é que a mochila de 80 litros ficou pequena? O peso disso tudo: pouco mais de trinta quilos, que felizmente foi diminuindo a cada refeição.

 

Apesar da longa distância, não é preciso ser um super atleta para fazer esse circuito, especialmente se você optar por dormir e comer nos refúgios. Nesse caso, apenas um acampamento (Los Perros, na subida para o Paso John Gardner) do roteiro aqui descrito precisa ser deixado de lado, mas sem o peso do equipamento de camping e comida, é perfeitamente viável. A elevação total acumulada é de 6.800 metros, o que não é muito se dividirmos pela distância, de 135 km.

 

Dia 1 – Hosteria Las Torres ao Acampamento Serón

14 km – Elevação Total Acumulada de 350 metros

 

O primeiro dia é o mais tranqüilo, mesmo as poucas subidas do caminho não são íngremes, servindo como uma boa adaptação para o resto do circuito. Depois de quatro horas caminhando em ritmo lento, conversando com um californiano radicado no Havaí, chegamos ao acampamento Serón. Dizem que, quando esquenta, o Valle Encantado fica todo florido com margaridas, mas quando fui, no fim de novembro, elas ainda não haviam aparecido, provavelmente pelo frio que insistia em não ir embora.

 

Dia 2 – Acampamento Serón ao Dickson

19,5 km – Elevação Total Acumulada de 550 metros

 

Às sete da manhã, dentro da barraca, 8 graus. Temperatura boa, mas durante a noite deve ter feito bastante frio, tanto que nas montanhas ao redor do acampamento havia muito mais neve que no dia anterior. Porém, havia sol, confirmando o que haviam me falado sobre as constantes mudanças de clima.

 

Café-da-manhã na barriga, mochila nas costas e pé na trilha, que já começa mais bonita que no primeiro dia, entre belas árvores e margeando o Rio Paine.

 

Pena que o sol se escondeu uma hora depois, já que a vista do Lago Paine deve ser linda com o céu azul refletido em sua água. Paciência, logo muda de novo... Ou não! A partir daí, a caminhada foi feita novamente com o céu totalmente branco e com nuvens baixas, que bloqueavam a vista das montanhas e do glaciar Dickson.

 

Dia 3 – Acampamento Dickson ao Los Perros

12,5 km – Elevação Total Acumulada de 700 metros

 

Este não deveria ser um dia difícil, pois apesar de ser o começo da subida para o Paso John Gardner, a distância é curta. Mas não foi bem assim... A chuva que havia começado na tarde do dia anterior variava de intensidade, mas não parava. Tomei o café-da-manhã dentro da barraca, de onde não saí até às dez, quando percebi que nem sempre o clima muda rapidamente em Torres del Paine. Ao menos agora a chuva estava fraca e foi mais fácil desmontar acampamento e começar a caminhar, mas durante todo o dia a câmera ficou guardada, já que ainda não havia passado pelas principais paisagens e não quis colocar o equipamento em risco.

 

A trilha é bonita, passando por uma floresta pouco densa, mas com árvores enormes. Por diversas vezes o caminho cruza um belo rio e suas corredeiras, mas no momento que saí do abrigo das árvores, o vento estava tão forte que mal permitia caminhar, e a apenas 500 metros de altitude a chuva deu lugar à neve.

 

Ao chegar no Los Perros fui correndo para uma tenda cheia de gente, onde havia uma fornalha em que todos tentavam se aquecer, secar roupas e equipamentos. Um alívio, sem dúvida a melhor vista da viagem até o momento! Além disso, as horas passadas nesse abrigo foram ótimas para conhecer as outras pessoas que estavam fazendo o Circuito Grande, inclusive os únicos quatro chilenos com quem conversei durante os oito dias. Alemães, israelenses, franceses e americanos conheci aos montes, mas chilenos eram raridade em seu próprio país.

 

Dia 4 – Acampamento Los Perros ao Grey

18 km – Elevação Total Acumulada de 1.350 metros

 

Como esse prometia ser o dia mais cansativo, acordei bem cedo (dentro da barraca, apenas 3 graus) e, na hora de sair, vi um grupo de Washington D.C., EUA, partindo, então me juntei a eles para ter mais segurança e alguém para bater papo.

 

Não sei se por estar psicologicamente preparado para um caminho que acreditava ser duro ou se foi pela boa conversa, mas a subida do Paso John Gardner não foi difícil como pensei. No começo passamos por áreas de charco, mas era sempre possível pisar em troncos jogados sobre a lama. Depois veio a neve, que em alguns pontos ia até o joelho, mas bastou seguir o caminho marcado para alcançar o cume, sempre curtindo um visual incrível!

 

Por falar em visual, a vista para o outro lado do Paso é das mais impressionantes que já tive! Infelizmente não dá para mostrar a dimensão do glaciar Grey nas fotos (já que não é possível colocar um ponto de referência nele), mas mesmo com o tempo encoberto, a vista tira mais o fôlego que a caminhada!

 

Vencida a subida, só falta descer, descer e descer... De 1.200 metros até o acampamento, a apenas 50 metros de altitude. O acampamento Grey já faz parte do Circuito W, o lado mais civilizado do parque, então a quantidade de pessoas é muito maior, assim como a quantidade de mulheres, que até então eram minoria absoluta. Se nos acampamentos exclusivos do Circuito Grande havia em média 10 barracas, aqui havia bem mais de 30. Infelizmente, também há muita gente despreparada para acampar em uma região que é tão frágil quanto bela. Como exemplo, em 27 de dezembro de 2011, poucas semanas depois que parti, um israelense perdeu controle sobre o fogo que criou e o vento espalhou as chamas com rapidez, queimando uma área de 14 mil hectares, 7% do parque! Alguns anos antes foi um tcheco que causou um grande incêndio, também por descuido, mas o estrago é o mesmo, seja o fogo intencional ou não.

 

Dia 5 – Acampamento Grey ao Paine Grande

17,5 km – Elevação Total Acumulada de 650 metros

 

Dia de caminhada fácil, com subidas leves e vistas incríveis para o glaciar e lago Grey, mas o melhor está no próprio acampamento Paine Grande. Logo atrás do hotel há um mirante fantástico, e para minha sorte o sol resolveu aparecer quando cheguei, depois de um dia inteiro com tempo fechado. Hora de fotografar e, depois, ficar sentado curtindo o visual... Até a chuva reaparecer e me mandar de volta para a barraca.

 

Dia 6 – Acamp. Paine Grande ao Los Cuernos

25,0 km – Elevação Total Acumulada de 1.700 metros

 

Apesar de ser o dia com maior distância e elevação acumulada, são apenas 13 km carregando a mochila, pois é possível deixá-la no acampamento Italiano antes de subir o Valle del Francés. O vale tem uma das paisagens mais bonitas do parque, com rios, geleiras e vista tanto para as montanhas que compõe o Paine Grande como para os Cuernos del Paine. Infelizmente, nesse dia as nuvens estavam baixas, encobrindo os picos a maior parte do tempo.

 

Dia 7 – Acampamento Los Cuernos ao Torres

17,0 km – Elevação Total Acumulada de 950 metros

 

A primeira metade do caminho é feita junto ao lago Nordenskjöld, até começar a subida para as Torres Del Paine. O último acampamento com refúgio e boa estrutura é o Chileno, mas optei por seguir em frente e dormir no acampamento Torres, que apesar de ter como estrutura apenas um banheiro sujo, fica a somente 45 minutos do mirante. Como a vista mais bonita acontece ao nascer do sol, vale a pena dormir mais perto para ter uma hora a mais de sono.

 

Dia 8 – Acampamento Torres à Hosteria Las Torres

12,5 km – Elevação Total Acumulada de 500 metros

 

Acordar às três e meia da madrugada depois de uma semana caminhando pode parecer difícil... E é mesmo! Mas tudo bem, ver o sol pintar de laranja as montanhas que dão nome ao parque vale um último esforço de todos que trocaram o conforto de suas casas para passar oito dias sentindo frio, sono e cansaço, mas que foram recompensados com vistas impressionantes de um dos circuitos de trekking mais belos e diversos do mundo!

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    • Por fernandobalm
      Resumo:
      Itinerário: Buenos Aires (Argentina) → Puerto Madryn (Argentina)→ Rio Gallegos (Argentina) → Punta Arenas (Chile) → Ushuaia (Argentina) → Puerto Natales (Chile) → El Calafate (Argentina) → Comodoro Rivadavia (Argentina) → San Carlos de Bariloche (Argentina).
      Período: 10/03/2001 a 01/04/2001
      10-12: Buenos Aires
      13-15: Puerto Madryn
      16: Rio Gallegos
      16-18: Punta Arenas
      18-21: Ushuaia
      21-23: Puerto Natales
      23-25: El Calafate
      26: Comodoro Rivadavia
      27-29: Bariloche
      30: Buenos Aires
      01/04: SP-Rodoviária do Tietê
      Ida: Voo de São Paulo a Buenos Aires pela KLM, previsto para sair às 9h15 do Aeroporto de Guarulhos, pago com pontos do programa de fidelidade da KLM.
      Volta: Ônibus de Bariloche a Buenos Aires e depois a São Paulo (Rodoviária do Tietê), previsto para sair perto de 16h ou 17h da Rodoviária de Bariloche. Paguei cerca de 105 pesos (equivalente a 105 dólares na época) pelo trecho de Buenos Aires a São Paulo,
      Considerações Gerais:
      Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes.
      Nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, então albergues, pousadas, pensões, hotéis e meios de transporte poderão não ter informações detalhadas, mas procurarei citar as informações de que eu lembrar para tentar dar a melhor ideia possível a quem desejar repetir o trajeto e ter uma base para pesquisar detalhes. Depois de tanto tempo os preços que eu citar serão somente para referência e análise da relação entre eles, pois já devem ter mudado muito.
      Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
      Informações Gerais:
      Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva e neve foram raras, ocorrendo geralmente de maneira breve e na região mais ao sul. As temperaturas na região de Buenos Aires, Bariloche e Puerto Madryn estiveram bem razoáveis, chegando até perto dos 30 C em alguns dias. Mais ao sul, em Comodoro Rivadavia, Rio Gallegos, Puerto Natales e principalmente Punta Arenas e Ushuaia estiveram bem mais baixas, chegando a ficar abaixo de zero à noite. O vento foi muito forte em toda a Patagônia, o que tornava a sensação térmica ainda menor. Na região perto de Punta Arenas o tempo mudava muito rapidamente, havendo várias situações diferentes durante o dia.
      A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil 👍. Disseram-me que poderia não ser muito bem tratado em Buenos Aires, mas se enganaram. Fui muito bem tratado em toda a viagem, com uma única exceção numa visita a uma loberia em Puerto Madryn e, assim mesmo, porque creio que houve um mal entendido.
      Tive alguma dificuldade em entender a língua no Chile, principalmente quando conversando com pessoas com forte sotaque regional.
      As paisagens ao longo da viagem agradaram-me muito, passando por monumentos, parques e construções interessantes nas cidades e por áreas costeiras, praias, montanhas, lagos, cavernas, geleiras, glaciais, florestas, rios e outros   .
      Pude ver também vários animais durante a viagem, a maioria em seu habitar natural. Isso incluiu lobos e leões marinhos, focas, elefantes marinhos, pinguins, delfins, guanacos. flamingos, tatus etc.
      Pensei em fazer a travessia de Bariloche a Puerto Montt, passando pelo Vulcão Osorno, mas desisti, pois naquela época demorava 4 dias, por não haver estradas em boa parte do trajeto, e eu não dispunha deste tempo.
      Surpreendeu-me que nas viagens de ônibus na Argentina estavam incluídas no preço pago as refeições (almoço e jantar) 👍.
      A viagem no geral foi tranquila. Não tive nenhum problema de segurança.
      Eu era (e ainda sou) vegetariano. Como a base da alimentação nesta região é a carne, foi um pouco difícil conseguir comida vegetariana, mas nada que supermercados não solucionassem. Gostei muito dos sanduíches de miga na Argentina, do doce de leite e dos vinhos, que tomei pouco .
      Os preços na Argentina estavam muito altos, pois havia a paridade do peso para o dólar e o real tinha sofrido a desvalorização alguns anos antes.
      A Viagem:
      Fui de SP a Buenos Aires no sábado 10/03/2001. A saída do voo estava prevista para as 9h15. Durante o voo uma senhora argentina de cerca de 60 a 70 anos falou-me de como eu iria gostar de Buenos Aires (ela disse: “há muito o que ver, Buenos Aires não é feia como São Paulo” ). Falou-me que seu filho ou sobrinho estava procurando por emprego há tempos, após se formar e não conseguia (o que me parecia um sintoma do agravamento da crise). Achei a travessia da foz do Rio da Prata espetacular . Cheguei perto da hora do almoço e me receberam muito bem no aeroporto 👍. Deram-me gratuitamente bastante material sobre a Argentina e me indicaram um ônibus que me deixaria na Praça San Martín. Peguei e de lá, após obter informações sobre onde me hospedar, fui andando até a região da Recoleta.
      Para as atrações de Buenos Aires veja https://turismo.buenosaires.gob.ar/br. Os pontos de que mais gostei foram os monumentos, os equipamentos e eventos culturais, os parques e a cidade como um todo.
      Fiquei hospedado na Recoleta por 22 pesos a diária (na época equivalente a 22 dólares). Acho que era o Hotel Lion d’Or (https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g312741-d317288-Reviews-Hotel_Lion_d_Or-Buenos_Aires_Capital_Federal_District.html).
      Depois de me hospedar fui dar uma volta nas redondezas. Gostei bastante do local, bem cuidado. Passei por um cemitério que me chamou a atenção pelas estátuas. Resolvi entrar e lá fiquei por mais de 1 hora, apreciando as obras de arte que existiam nos túmulos, alguns dos quais de pessoas famosas, até internacionalmente. Nunca tinha feito uma visita destas a um cemitério, mas gostei bastante. Depois passeei pelo bairro apreciando suas ruas e lojas. Parecia um local elitizado. Se bem me lembro ainda fui a Puerto Madero à noite.
      No domingo 11/03 fui conhecer os outros pontos da cidade, incluindo o centro com seus monumentos e órgãos do Estado, e pontos específicos com seus equipamentos culturais e esportivos. Saí perto de 9h da manhã e voltei por volta de 23h. Andei muito. Pude visitar a Casa Rosada, a Praça de Maio, os órgão legislativos e judiciários, a catedral, o obelisco, centros culturais, confeitarias históricas, vários monumentos, o Rio da Prata, áreas arborizadas, a Boca, o Caminito (com suas casas coloridas), ver o estádio de La Bombonera por fora, ver casais fazendo apresentação de Tango na rua etc  .
      Num dos dias jantei algo como nhoque num restaurante de rua e no outro jantei no shopping. Interessante como no shopping os atendentes perceberam que eu era brasileiro e até falaram palavras em português comigo 👍.
      Na 2.a feira 12/03, fui para o outro lado, conhecer o Jardim Japonês e os parques da região do bairro de Palermo. Gostei muito . Eram parques enormes, sendo que o jardim japonês fazia jus ao nome, com várias estruturas nipônicas, que se encaixavam muito bem na paisagem. Voltei para o hotel perto da hora do almoço e no início da tarde peguei um ônibus para Puerto Madryn, já na Patagônia.
      A viagem durou perto de 18h. Passamos por Bahia Blanca no início da madrugada. A paisagem ao longo da viagem agradou-me bastante 👍. Recebemos jantar incluído no valor da passagem. Cheguei bem cedo na 3.a feira 13/03, hospedei-me num hotel simples (acho que o nome era parecido com Vaskonia). Como era bem cedo, fui ver se era possível fazer excursão à Península Valdez ainda naquele dia. Achei uma agência de turismo que dava desconto para hóspedes do hotel em que estava e, pesquisando algumas outras, vi que era a melhor opção. Acabei comprando com eles o passeio pela Península. O dono brincou comigo perguntando se eu lembrava do jogo entre Argentina e Brasil na Copa de 1990, quando Maradona atraiu a marcação de 3 e lançou Caniggia sozinho para driblar Taffarel e fazer o gol.
      Para as atrações de Puerto Madryn e da Península Valdez veja https://www.patagonia-argentina.com/puerto-madryn/ e https://www.patagonia-argentina.com/peninsula-valdes/. Os pontos de que mais gostei foram os animais, as formações rochosas e a natureza como um todo.
      Saímos pouco depois da 9h, se bem me lembro. No nosso grupo havia um espanhol da região basca, uma inglesa, um suíço, um casal de argentinos e acho que alguns outros. O espanhol mencionou que desejava conhecer outros locais, mas que a Argentina era muito grande e tudo muito distante. Perguntou-me se o Brasil era tão extenso quanto a Argentina . Passamos por locais de avistagem de pinguins, lobos marinhos e elefantes marinhos. Não vi orcas. Numa das paradas, perguntei se poderia nadar e o guia disse que sim. Enquanto nadava, disseram-me que um pinguim nadou atrás de mim. Numa outra ocasião vi um pinguim perseguindo um peixe. Nunca imaginei que um pinguim fosse tão rápido nadando. Parecia um torpedo. No caminho apreciamos também a paisagem patagônica, desértica, com vários guanacos (ou seus parentes). Conversando com o argentino, que se me lembro era advogado, ele me falou da patagônia, dos possíveis aproveitamentos econômicos, da população, de Buenos Aires e da situação da Argentina como um todo. No fim, quando estávamos nos despedindo, encontramos um tatu, que parecia já acostumado a humanos. Regressamos no meio da tarde.
      Aproveitei e ainda fui dar um passeio na praia. Reencontrei o suíço, mas acho que ele não me reconheceu.
      Na 4.a feira 14/03 fui conhecer a Loberia de Punta Luma, onde havia lobos marinhos e montanhas. Fui caminhando pelas estradas de terra ou similar. Num dado momento fui para a costa, pois achei que seria mais belo o passeio. Passei por uma linda jovem argentina que me orientou sorridente sobre o caminho. Encontrei pequenos grupos de lobos marinhos e cheguei bem perto, o que me permitiu observá-los bem. Acho que foi um erro, pois devo tê-los deixado nervosos. Na hora não avaliei isso bem. Mas não houve nenhuma reação de ataque ou surto visível, embora tenha percebido que eles pareciam ter ficado tensos. Devido a isso, resolvi afastar-me e não mais me aproximar tanto. Encontrei uma monitora que me explicou sobre lobos e leões marinhos. Por ter ido pela costa e praias, acabei não vendo a placa que dizia que alguns locais não eram permitidos e que tinha que pagar uma taxa. Quando cheguei à entrada principal, o responsável disse que eu não poderia ter passado por uma área de que vim, perguntando-me se não tinha visto a placa na estrada ou não tinha querido ver. Ele parecia irritado. Pediu-me o ingresso. Como a monitora não havia me cobrado, achei que poderia ser indevido e lhe disse que ela não me havia cobrado. Ele se irritou bastante e disse que ele estava cobrando, já em tom bem mais alto 😠. Eu paguei, ele acalmou-se, deu-me algumas informações sobre as montanhas e o local. Fui dar um passeio e conhecer as montanhas, que tinham aparência interessante, diferente, parecendo até de outro planeta. Realmente grandiosas . Depois, já perto do pôr do sol, voltei a pé. No caminho, acho que ele passou por mim com sua caminhonete.
      Na 5.a feira 15/03 peguei um ônibus para Rio Gallegos. Novamente belas paisagens, mas desta vez bem mais desérticas. Neste ou em outros trajetos pude ver guanacos, criações de ovelhas e fazendas com fileiras de álamos próximos às casas, que segundo me explicaram eram plantados para cortar o vento, muito forte na Patagônia. Cheguei lá na 6.a feira 16/03 pela manhã. Estava bem mais frio 🥶, obrigando o uso da roupa mais pesada (fleece) e da jaqueta (anoraque). Conversei com uma atendente pública local, que me explicou sobre a região, os pontos a conhecer e me falou sobre as precauções a tomar com o frio. Dei um passeio pelo centro da cidade e fui a uma agência de turismo perguntar sobre os possíveis passeios. Embora tenha achado interessante o lago na cratera de um vulcão, achei muito caro e distante. Resolvi então contemplar a orla e o centro. Achei a paisagem do mar muito bela 👍.
      Para as atrações de Rio Gallegos veja https://www.patagonia-argentina.com/rio-gallegos-ciudad/. Os pontos de que mais gostei foram os monumentos, a cidade, a orla e o mar.
      Parti no próprio dia para Punta Arenas. A ida para Ushuaia via terrestre era inviável, porque passava pelo Chile e as companhias argentinas não faziam diretamente. Saí no início da tarde e cheguei na parte final da tarde. No ônibus um judeu me perguntou de que cidade eu era, e quando disse que era de São Paulo, ele fez um ar de admiração e falou “uma cidade muito perigosa”. Falou de um jeito que imaginei que conhecesse São Paulo . No caminho paramos para fazer a saída da Argentina e entrada no Chile. No escritório havia um mapa bem amplo da região e descobri que existia uma reserva florestal em Punta Arenas, pela qual me interessei. Em Punta Arenas fiquei hospedado numa casa que funcionava como hotel, aparentemente de uma mulher judia. Ainda saí para dar uma volta nos arredores e conhecer um pouco da cidade. Encontrei uma pequena empresa de informática e lhes perguntei sobre como eram as condições de trabalho ali. Quando voltei, Eli (acho que este era o nome da dona) me disse “Metió sus patitas en el barro.” ou algo parecido, quando eu pedi desculpas e fui lhe pedir um pano ou vassoura para limpar a sujeira que tinha deixado. À noite deste ou do dia seguinte (ou em ambas), fui jantar num restaurante, pedindo espaguete e tomando vinho 👍. O vento era muito forte e frio, o que fazia a sensação térmica diminuir muito. A temperatura estava perto de zero graus 🥶.
      Para as atrações de Punta Arenas veja https://chile.travel/pt-br/onde-ir/patagonia-e-antarctica/punta-arenas. Os pontos de que mais gostei foram a reserva florestal e a paisagem do mar.
      No sábado 17/03 dei um passeio por Punta Arenas e depois fui conhecer a Reserva Florestal de Magalhães, que havia descoberto na estrada. Antes passei pela Ordem Salesiana para conhecer suas obras e pelos edifícios mais famosos da cidade. Depois, de acordo com o mapa, rumei para a reserva. Havia uma ladeira, que fazia um corredor de vento para o mar. Quando estava chegando lá em cima, o vento era tão forte, que eu andava para frente sem sair do lugar. Aí andei os metros finais agachado, diminuindo minha superfície e, portanto, a força que o vento exercia sobre mim . Caminhei até a reserva passando por paisagens naturais de que gostei. Gostei muito da reserva também , com seus bosques preservados, sua vista de montanhas e paisagens naturais, os sinais da presença de castores, embora não tenha visto nenhum, suas árvores típicas da região e a vista ampla da região, a partir de alguns pontos mais elevados. Depois retornei no fim da tarde. Neste dia o tempo amanheceu nublado, depois garoou, depois abriu o sol, depois choveu com média intensidade, voltou a abrir o sol, nevou fraco e parou . Uma amostra de como o tempo muda rápido nesta região. A noite voltou a fazer muito frio novamente 🥶, que era mais sentido devido ao vento muito forte.  Se bem me lembro, foi aqui que minhas mãos começaram a perder o movimento, depois que o sol se foi. Era difícil até esfregá-las. Eu não levei luvas. Tentei colocá-las dentro da roupa, mas adiantou pouco. O sangue parecia estar parando de fluir. Quando cheguei ao hotel, reaqueci-as e senti a vida voltar. Como deve ser difícil ficar numa situação destas como ocorre com os montanhistas em situações inesperadas.
      No domingo 18/03 resolvi ir para Ushuaia, mesmo sabendo que aos domingos não havia transporte direto. Peguei um ônibus até Puerto Porvenir, já na Terra do Fogo. Para chegar lá precisamos pegar uma balsa para atravessar o Estreito de Magalhães. Acho que foi aqui que pensei em nadar enquanto esperava, mas a água estava muito fria e não me arrisquei. Achei a travessia muito bela, com vistas espetaculares . Vários delfins (eu acho) 🐬 acompanharam o barco. Quando chegamos lá acho que houve algum problema de um dos veículos que vieram no barco com um policial, o que fez a viagem atrasar e ficarmos parados um tempo. Na viagem havia vários americanos, alguns de Wyoming, que sabiam falar um pouco de espanhol. Havia também uma queniana (ou descendente de quenianos) radicada na Bolívia. Conversei com os americanos sobre a viagem, suas expectativas e como o ambiente se parecia com o local onde moravam. Conversei com a queniana-boliviana sobre a Reserva do Masai Mara. Combinei com ela de irmos juntos ao Parque Nacional da Terra do Fogo no dia seguinte, se bem me lembro, encontrando-nos na porta por volta de 8h. As paisagens naturais do resto da viagem também me pareceram belas. Chegamos à noite. Depois de pesquisar um pouco, resolvi experimentar um hostel (pela primeira vez na vida), visto que com a dolarização, os hotéis regulares pareciam-me caros. Foi o primeiro de muitos .
      Para as atrações de Ushuaia veja https://turismoushuaia.com/?lang=pt_BR. Os pontos de que mais gostei foram o parque, o glacial, as paisagens naturais e a vista da cidade e do mar.
      Na segunda-feira 19/03 fui até o Parque Nacional da Terra do Fogo. Perdi a hora de manhã e cheguei 1h atrasado ao encontro marcado . A moça não me estava esperando (imagino que desistiu). Fui caminhando e adorei o parque. Assim como a Reserva Florestal de Magalhães, havia muitas paisagens naturais a observar, cursos de água, montanhas, árvores e vegetação típicas etc . Fiquei lá o dia inteiro. Encontrei um japonês no meio do caminho que me disse que achava frio para acampar ali. Saí no pôr do sol. Desta vez fui tirar o barro dos meus tênis num local que parecia um tanque no banheiro. Voltei à noite ao hostel.
      Lá conheci um casal de europeus, americanos ou canadenses (não me lembro bem). Não percebi no hostel que na cama de baixo havia uma moça e troquei de roupa no próprio quarto num dos dias . Ela, que era eslovena e estava quase dormindo, virou para o outro lado. Depois, quando percebi que era uma moça, fui pedir desculpas.
      Na 3.a feira 20/03 fui explorar a cidade e seus arredores. A vista do oceano em direção à Antártica parecia linda. Tentei verificar a possibilidade de ir até lá, nem que só um pouquinho, mas achei inviável o tempo necessário. Não tinha me preparado para tal. Após andar pela cidade e reencontrar o casal do hostel, fui em direção ao Glacial Martial (https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g312855-d313939-Reviews-Glacier_Martial-Ushuaia_Province_of_Tierra_del_Fuego_Patagonia.html). Nunca tinha ido a um Glacial. Não sabia o que esperar. Não estava preparado em termos de equipamentos. Fui de tênis de pano (ou couro). Mas adorei . Era uma geleira pequena, mas subi nela até onde achei seguro, para não escorregar. Sentei até um pouco, para apreciar a maravilhosa vista, tanto das montanhas acima e do glacial, como da paisagem abaixo, com a cidade e o oceano. Achei ambas espetaculares. Mas era frio. Depois de apreciar bastante e quase ficar meditando um tempo lá, voltei para a cidade e fui apreciar novamente a orla.
      Na 4.a feira 21/03 peguei um ônibus para Puerto Natales, no Chile novamente, para ir conhecer Torres del Paine. Tivemos que fazer entroncamento, posto que a rota regular, se bem me recordo, era direto para Punta Arenas. Não me recordo bem se cheguei a ir até Punta Arenas (acho que não) ou se parei num ponto intermediário (acho que é mais provável). Cheguei em Puerto Natales no meio da tarde e me hospedei num pequeno hotel. Saí para dar uma volta na cidade, antes do pôr do sol.
      Para as atrações de Puerto Natales veja https://chile.travel/pt-br/onde-ir/patagonia-e-antarctica/puerto-natales. Os pontos de que mais gostei foram Torres del Paine, a caverna com o animal extinto e as paisagens naturais.
      Na 5.a feira 22/03 fui até o Parque de Torres del Paine (https://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Nacional_Torres_del_Paine). Se bem me lembro, havia um ônibus de turismo que ia até a porta do parque e depois pegava as pessoas no fim do dia para retornar (acho que eram vários horários de retorno). Na ida passamos por paisagens que achei espetaculares, das montanhas nevadas e da vegetação nativa. Paramos num espelho d’água formado por um lago com montanhas ao redor, como eu só tinha visto em filmes e quadros. A partir da porta do parque fui caminhando em direção às torres. Achei toda a paisagem espetacular . Até bebi água em um riacho, mas a temperatura da água era muito baixa. Tive algum tipo de torção ou mau jeito no joelho, pois devido ao horário de volta do último ônibus resolvi acelerar. Achei espetaculares as torres e toda a paisagem no seu entorno . No retorno, pouco depois do meio do caminho, encontrei dois geólogos brasileiros, que trabalhavam para companhias de petróleo. Eles me deram carona até a entrada e afastaram qualquer risco de perder o último ônibus. Inclusive, se bem me lembro, acho que devido a isso peguei o penúltimo. Estavam fazendo pesquisas devido à similaridade daquela região com o fundo do mar, onde se explora petróleo. Falaram que era o primeiro local turístico em que foram trabalhar.
      Na 6.a feira 23/03 fui até uma caverna com registros pré-históricos que era próxima da cidade. Talvez fosse a Cueva del Milodon (https://chile.travel/pt-br/onde-ir/patagonia-e-antarctica/torres-del-paine/monumento-natural-cueva-del-milodon). Achei interessante a caverna com seus registros humanos pré-históricos e o Milodon, um animal extinto há muito tempo 👍. Se bem me lembro fui e voltei de ônibus. No meio da tarde peguei um ônibus para El Calafate. Cheguei no início da noite e fiquei hospedado numa casa. A dona avisou-me para tomar cuidado quando fosse ao Lago Argentino, porque havia muito barro no entorno.
      Para as atrações de El Calafate veja https://www.patagonia-argentina.com/el-calafate/. Os pontos de que mais gostei foram o Glacial Perito Moreno, o Lago Argentino, com seus flamingos e as paisagens naturais.
      No sábado 24/3 peguei uma excursão para conhecer o Glacial Perito Moreno (https://pt.wikipedia.org/wiki/Geleira_Perito_Moreno). Logo de manhã combinei a excursão com uma agência e fomos num micro-ônibus. A guia sugeriu que tapássemos os olhos no caminho e só abríssemos quando ela avisasse, para termos a surpresa de ver o glacial. Gostei bastante da paisagem, com geleiras e depois gostei do Glacial, com o lago em que estava inserido . Pegamos um barco e fomos até certo ponto, para vê-lo de mais perto. Disseram-me alguns anos depois, que não se ia mais de barco até perto do glacial, devido ao aquecimento global e aos deslizamentos. Não sei como está atualmente. Havia uma escada com muitos degraus, que a guia disse para aqueles que poderiam ter alguma dificuldade de mobilidade (idosos por exemplo), avaliarem se compensava descer. Eu fui até o último degrau e apreciei a paisagem de cima e de baixo. Gostei bastante da paisagem. Vimos algumas quedas de blocos de gelo, imagem famosa em vídeos. Na época não tão comum quanto atualmente. Na volta ganhamos um chocolate quente ☕.
      Depois, mais tarde, eu fui dar um passeio numa parte do Lago Argentino que era próximo. Achei o lago espetacular . Os flamingos no meio, em grande quantidade, embora já estivesse perto do entardecer, davam um colorido que tornava a paisagem ainda mais bela. Sujei bastante meu tênis com a lama do entorno. Quando voltei, perguntei para a filha da dona se ela poderia limpar meu tênis, comigo pagando, e a mãe, ouvindo, disse “Eu não te avisei” . Achei que a moça não gostou muito da ideia, pois daria um trabalhão e resolvi eu mesmo lavar no dia seguinte.
      No domingo 25/3 fui dar uma volta nos arredores, andando por boa parte da margem do Lago Argentino e apreciando a paisagem. Gostei muito de tudo 👍. Durante o passeio, quando estava bem longe da cidade, 2 cachorros 🐕 começaram a me acompanhar. Como gosto de cachorros, fiz agrado para eles e fizemos parte do passeio juntos. Mas eu pensei que depois eles ficariam por ali. Quando comecei a voltar, eles começaram a me acompanhar. No começo não me importei e pensei que iriam desistir. Depois fiquei preocupado, pois claramente não sabiam andar nas ruas e já estávamos chegando perto da estrada e da cidade. Tentei espantá-los, mas não havia meio de voltarem. Achei que poderiam morrer atropelados, pela total falta de traquejo que demonstravam com as ruas. Falei com um homem que estava na rua, perguntando sobre como resolver aquela questão. Ele riu da minha dúvida e disse que não sabia de quem eram os cachorros e me disse para atirar uma pedra neles. Eu não podia fazer isso. Eu gosto muito de cachorros. Mas andei mais um pouco e eles quase foram atropelados. Aí, com enorme dor no coração, atirei uma pedra do lado deles. Mas eles não entenderam e continuaram atrás, novamente, indo pela rua e quase sendo atingidos por carros. Aí resolvi atraí-los para fora da rua, peguei uma pedra não muito grande e acabei atirando no dorso, de modo a causar o mínimo impacto possível. Nunca vou esquecer a fisionomia de decepção dos cachorros, que me seguiram com amor e me viram atirar pedras neles. Foi uma facada na minha alma 😢. Mas eles pararam de me seguir e acho que voltaram para os campos. Talvez tenha funcionado, mas acho que o preço foi alto.
      À noite peguei um ônibus para Comodoro Rivadavia. Cheguei no dia seguinte, 2.a feira 26/3, entre o princípio e o meio da manhã. Considerando o tempo que eu tinha disponível e as atrações a conhecer, resolvi ficar somente um dia e pegar um ônibus para Bariloche no fim do dia.
      Para as atrações de Comodoro Rivadavia veja https://www.comodoroturismo.gob.ar e https://manualdoturista.com.br/comodoro-rivadavia. Os pontos de que mais gostei foram o Museu do Petróleo, as informações sobre as Malvinas e a guerra, as construções na cidade, a praia e a vista do oceano.
      Fui a um escritório de turismo municipal perguntar por sugestões de pontos a visitar. Além da cidade e do museu, foi sugerido conhecer a Praia de Rada Tilly. Perguntei se não seria mais interessante conhecer um campo com alguns aerogeradores de energia eólica (naquela época nunca tinha visto nenhum). O atendente disse-me que era muito longe, num caminho que não tinha outras atrações e era deserto, o que poderia me deixar à mercê de algum acidente ou problema nas pernas ou pés. Resolvi então seguir a sugestão e ir a Rada Tilly, que achei uma praia muito bonita, porém cuja aproveitabilidade ficava comprometida pelo clima frio. Mas a paisagem agradou-me, incluindo o caminho 👍. Antes tinha ido ao Museu do Petróleo, que achei bastante interessante 👍. Nele ou em algum local anexo, havia uma exposição sobre as Malvinas, com informações sobre a guerra, que achei bastante interessantes também, apenas pontuando que era a visão argentina do conflito, que apesar disso me pareceu razoavelmente isenta, mas ainda assim sob a ótica argentina. Dei também um passeio pela cidade, sua catedral, seus edifícios históricos etc.
      Depois de voltar de Rada Tilly, peguei o ônibus para Bariloche. A viagem durou quase 1 dia, se bem me lembro. Conversei com algumas pessoas durante a viagem, sendo que me falaram de cidades na região de Bariloche que tinham pouca população, mas concentravam muitos artistas e amantes de filosofia e artes. Durante a viagem, após saber que eu era brasileiro, o jovem comissário do ônibus perguntou-me “Pelé ou Maradona?” ⚽. Respondi que Pelé tinha feito mais de 1.200 gols e Maradona menos de 200, Pelé tinha sido 5 vezes campeão do mundo e Maradona só 1 etc. Ele retrucou para mim que Pelé jogava com os mestres. Continuamos um pouco na conversa, mas olhei para os outros passageiros e percebi que muitos estavam me olhando. Para não causar confusões, falei então “Cada um no seu tempo”, que é algo em que creio e que acho que apaziguou os ânimos .
      Cheguei no início da tarde da 3.a feira 27/3. Achei a paisagem da viagem magnífica , principalmente na região de Bariloche. Havia muitos lagos e montanhas entremeados, além das paisagens com vegetação natural aparentemente preservada. Hospedei-me numa casa, que funcionava como hotel. Consegui gratuitamente mapas com informações e sugestões de passeios 👍.
      Para as atrações de Bariloche veja https://barilocheturismo.gob.ar/br/home. Foi um dos pontos de que mais gostei . O que mais me agradou foram as paisagens naturais, os lagos, a vista do Monte Campanário e os locais naturais e típicos do Circuito Pequeno (Chico).
      Inicialmente, como ainda havia luz do sol, fui dar uma caminhada acompanhando o curso do lago que ficava perto da área central. Durou umas 2 horas. Achei magnífica a paisagem.
      Nos 2 dias seguintes fui realizar o Circuito Pequeno (Chico) e subi no Monte Campanário. Decidi subir pela trilha, que estava com a infraestrutura bastante comprometida, mas nada que me parecesse ameaçar a segurança, apenas causando maior necessidade de esforço físico e fazendo sujar os calçados e as roupas. A vista lá de cima foi uma das mais belas que já vi  , englobando a paisagem natural, com lagos, montanhas, picos nevados, florestas, vilas etc. Andando pelo circuito, pude ver muitos atrativos naturais, paisagens de que muito gostei. Houve também a Colônia Suíça, que achei interessante.
      Na 5.a feira 29/3 à tarde fui pegar um ônibus para Buenos Aires e posteriormente a São Paulo. Optei pelo ônibus porque o preço da passagem aérea só de volta era mais alto do que o de ida e volta . A porta da casa estava trancada, eu tocava a campainha, batia palmas e ninguém aparecia para abrir. Comecei a ficar preocupado em perder a hora. Aí comecei a gritar e a atendente veio abrir a porta. Acho que ela ficou com medo, talvez não sabendo quem estava na porta. Imagino que quando reconheceu minha voz veio abrir. Talvez por ser chilena e não conhecer bem a cidade ou por estar em alguma situação irregular, tenha ficado com medo se fosse um desconhecido.
      Peguei o ônibus por volta de 17h. A viagem até Buenos Aires novamente teve belas paisagens 👍, mas não tão espetaculares quanto a anterior. Durou 1 dia. Chegando lá na 6.a feira 30/3, comprei uma passagem para São Paulo pela Viação Pluma (https://www.pluma.com.br). Fizemos a entrada por Paso de los Libres e Uruguaiana no fim da madrugada. O atendente da Polícia Federal olhou-me com cara feia, após carimbar meu passaporte e eu avisar que era brasileiro e que não precisava ter carimbado como entrada de viajante. Acho que pensou que eu era estrangeiro . Depois de entrar no Brasil, já não havia mais refeições incluídas no preço da passagem. A viagem pelo Brasil, pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e sul de São Paulo apresentou paisagens que achei magníficas . Fomos pelo interior e passamos por cânions, campos, amplas áreas com vegetação nativa, montanhas etc. No sábado 31/3 almoçamos numa churrascaria em Passo Fundo. Eu sou vegetariano e não peguei carne. Num dado momento, o moço que servia o rodízio veio oferecer-me gentilmente linguiça calabresa. Eu disse que não tinha comprado o rodízio, mas ele disse que era cortesia. Falei então que não comia carne e vi sua cara de decepção. Fiquei um pouco tocado por ter rejeitado a sua gentil oferta. No Rio Grande do Sul, ainda mais naquela época, imagino que vegetarianos deveriam ser raríssimos. A viagem foi cansativa 😫, as pernas, os glúteos e as costas ficaram doendo um pouco, mas as paisagens foram muito belas. Cheguei em São Paulo perto de 5h da manhã do dia 01 de abril, data em que fazia 32 anos.
    • Por Marcelo Manente
      Em breve iniciarei o relato da aventura que está acontecendo neste momento.
      Estou hoje em Chile Chico, Chile. Seguindo para a Carretera Austral.
      Muitos perrengues, problemas da viatura, mas lugares maravilhosos para compensar tudo isso.
      Vou tentar fazer um relato com os custos de quase tudo que eu lembrar.

    • Por maizanara
      Este post é um relato sobre o auge de nossa viagem pela Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine (TDP),  símbolo da beleza exuberante da Patagônia Chilena e o destino dos sonhos dos amantes da natureza de todo o mundo. Vamos contar como foram os 5 dias de trekking, o famoso Circuito W.
      Tem muitas outras informações no meu blog: www.mawaybr.com.br
      Tem um post com os custos desta viagem AQUI e outro sobre como fazer as reservas AQUI.
      Acompanhe nossas aventuras no Facebook ou Instagram
       
        Relato do trekking realizado de 12 a 16 de Janeiro de 2017. Dia 1 - atento às regras
      Caminhamos desde o nosso hostel em Puerto Natales até a rodoviária. Compramos a passagem no próprio hostel. Existem várias empresas que fazem este percurso e não há diferença significativa no valor.
      A rodoviária fica lotada de trilheiros com suas mochilas enormes! Todos muito animados para a trilha de suas vidas. Durante o percurso até a entrada do parque é possível ver os guanacos pulando as cercas e a linda cadeia de montanhas ao fundo.
      Na Portería Laguna Amarga enfrentamos uma longa fila para preenchermos o termo de compromisso e pagarmos a taxa de entrada.
      É necessário assistir um pequeno vídeo com informações gerais e as regras do parque. Uma das mais importantes: não é permitido fazer fogo fora das áreas delimitadas(!!!). Entramos em outro ônibus (valor já incluso) que nos levou até a Portería Pudeto.
      Fomos os últimos a pegar o catamarã que cruzou o Lago Pehoe. A viagem não poderia iniciar de melhor maneira, à nossa direita, o imponente Los Cuernos! Compramos o bilhete do catamarã durante o trajeto.   Chegamos ao Refugio Paine Grande sem reservas e por sermos os últimos a chegar no camping, as meninas da recepção nos deixaram ficar. Muito obrigada, meninas! (AVISO: aconselho fortemente que você não faça isso!! Neste post falamos como fazer as reservas)
      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.

       
      Armamos a barraca, deixamos nossas mochilas e fomos apenas com a mochila de ataque até o mirante Grey. Muito cuidado com as comidas deixadas nas barracas, a raposa-colorada (Lycalopex culpaeus) adora lanchinhos fora de hora. Infelizmente, o que mais me impressionou neste percurso não foi a linda paisagem ao meu redor, mas o resultado do maior incêndio florestal do Chile em 2012: 18 000 hectares  queimados. Uma tristeza  ver as marcas desta grande tragédia e por isso repito: siga as regras do parque, não faça fogo nem use seu fogareiro fora das áreas destinadas. Precisamos cuidar e respeitar a natureza. Aquele lugar é espetacular e todos têm o direito de visitá-lo e apreciá-lo. Depois de quase 3 horas de caminhada e muito vento no caminho, chegamos aoMirador Grey. O tempo estava bem fechado. A geleira Grey se misturava com o céu e não dava para saber onde terminava a geleira e começava o céu. A geleira é um local impressionante! Dia 2 -  café com montanha
      Após uma noite de muito vento (dica: monte muito bem sua barraca!), tomamos café na cozinha do acampamento com uma vista incrível, arrumamos tudo e saímos.
      Logo no início da trilha, na Portería Lago Pehoe, o guarda-parque pediu para ver nossa reserva impressa do acampamentoItaliano, reservas confirmadas, pé na trilha! A cadeia de montanhas Los Cuernos estava bem escondida, mas conforme nos aproximávamos dela, mais ela aparecia, e uma caminhada de 2,5 horas, fizemos em incríveis 4,5 horas. Haja foto!
      A alegre chegada ao acampamento Italiano é anunciada pela ponte que temos que atravessar e deu um medinho! Como venta muito, ela parece bem instável. Fizemos o check-in no acampamento, conversamos com os guardas e fomos preparar nosso jantar.
      Decidimos não fazer nenhuma outra trilha neste dia pois a trilha para o Mirador Britanico fecha às 17h e a do Mirador Frances às 19h. E quando digo que a trilha fecha, ela fecha mesmo, pois um dos guardas percorre a trilha até o final para garantir que não há mais ninguém na trilha (todos os dias, imagina!).
      Dia 3 - doce ilusão
      O vento faz parte da Patagônia, aceite! Eu acordei assustada a noite, pois dormíamos debaixo da copa das árvores e o vento balançava seus galhos com força. E o medo daqueles galhos caírem sobre nós?
      Não, nenhum galho caiu, ufa! Deixamos nossos pertences no acampamento e seguimos em direção ao Mirador Britanico com nossas mochilas de ataque. Todo mundo larga suas mochilas no acampamento, isso é bem normal (também algo que tive que aceitar me acostumar). Quando chegamos ao Mirador Frances o tempo já estava muito fechado, andamos mais um pouco e decidimos voltar, afinal não conseguiríamos ver nada mesmo. Ficamos sentados um tempo esperando por uma avalanche no topo das montanhas, que também não aconteceu...
      Mesmo assim estávamos só felicidade, afinal estávamos a caminho do Refugio Los Cuernos, onde passaríamos a noite em uma linda cabana de madeira na beira do lago.   Sim, foi puro luxo! Não temos dinheiro para Não ligamos para luxo quando o assunto é hospedagem, mas há anos atrás vimos uma foto no Facebook de um casal em um ofurô com uma paisagem de tirar o fôlego ao fundo. Escrevemos para a pessoa que postou a tal foto perguntando onde era: Refugio Los Cuernos.
      Deste dia em diante, não tiramos mais aquela imagem da cabeça e estava decidido: iríamos naquele ofurô e ponto final. Não era nossa intenção ficar na cabana, mas no site estava bem claro: somente hóspedes das cabanas tinham acesso ao ofurô. Bem, com muita, mas muita dor, reservamos a tal cabana e sonhamos com este dia desde então. Parte deste valor eu havia ganho de presente de aniversário, muito obrigada Celzinha!
      Na trilha para o Refugio Los Cuernos, o sol finalmente resolveu aparecer de forma muito marcante, acentuando ainda mais a cor da lagoa. Para quem está fazendo o W invertido é descida na maior parte. Eu senti por quem estava subindo... Na minha opinião o trecho de trilha mais lindo! O vento intenso levantava a água da lagoa e até DOIS arcos-íris se formavam na nossa frente ao mesmo tempo, arrancando gargalhadas dos dois bobos incansáveis ao admirar tamanha beleza.
      Então, finalmente chegamos às cabanas e, ansiosos, vimos de longe o tal ofurô. Corremos para checar o tão sonhado ofurô de perto. Mas o que encontramos foi uma placa: MANUTENÇÃO!   Mas que #@$%&! Ficamos muito putos, bravos, arrasados tristes com a notícia, afinal estávamos esperando há anos por aquele dia, mas não tinha nada que pudéssemos fazer. A cabana era linda, tinha uma lareira, toalha limpinha, cama fofinha e chuveiro gostoso!
      Fomos conhecer o refúgio, admirar o Los Cuernos e conversar com nossos amigos e quando retornamos encontramos uma garrafa de vinho chileno e alguns docinhos. A princípio, tive a certeza que havia sido o Antonio quem preparou aquela linda surpresa (tipo cena de filme mesmo! Imaginem que romântico: uma cabana de madeira, um vinho, lareira e aquela vista incrível). Ele perdeu a chance de ganhar muitos pontos (e na sequência perder muitos mais, é claro) ao não confirmar que havia sido ele - não foi, acreditamos que foi a forma do refúgio se desculpar por destruir nossos sonhospelo inconveniente. Após muitas risadas e desapontamento (nunca vou esquecer da cara do Antonio não conseguindo confirmar que havia sido ele o autor da ideia romântica) aproveitamos o delicioso vinho.   CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI. Dia 4 - meu querido saco de dormir
      A noite na cabana não foi tão tranquila quanto imaginávamos, o vento era tão forte que parecia que a cabana se desmontaria. Não sobrou dinheiro para queríamos comprar a pensão completa no refúgio, fizemos nossa comida na mesma cozinha reservada para o pessoal do camping.
      Seguimos rumo ao acampamento El Chileno. Neste dia enfrentamos as 4 estações do ano, inclusive chuva. Existe um cruzamento, e você pode optar por ir para o Hotel Las Torres ou um atalho para o acampamento - é claro que optamos pelo atalho!
      No caminho vimos os bombeiros resgatando alguém em uma maca, ficamos muito assustados (depois ouvimos boatos de que a menina havia torcido o tornozelo - o que a impossibilitou de terminar a trilha, por isso todo cuidado é pouco).
      Chegando no refúgio, fizemos o check-in e fomos procurar uma plataforma para colocar nossa barraca. Dica: chegue o mais cedo que puder e coloque sua barraca, as plataformas estão colocadas num barranco, e se estiver chovendo (como estava) o chão molhado quase te impedirá de chegar em sua barraca sem cair alguns tombos.
      O jantar no refúgio foi extremamente agradável, nada de macarrão com vina, ou salsinha como vocês dizem. Entrada, prato principal e sobremesa, tudo com raio gourmetizador ativado! Não havia opção de reservar o local de camping sem todas as refeições inclusas (sim, eles são bem espertinhos).
      Ficamos na área de convivência do refúgio até tarde conversando, quando nossa amiga Tânia chega desesperada dizendo que estava entrando água dentro da barraca dela. Conseguimos alguns sacos de lixo e o Antonio foi ajudar o Beto com o "pequeno" problema. Logo em seguida entra outro trilheiro com seu saco de dormir completamente encharcado, eu entrei em desespero! Já imaginei meu saco de dormir molhado, seria o fim (que exagerada!). Pedi ao Antonio que conferisse se nossa barraca estava molhada, e para minha alegria, tudo estava completamente seco. Dia 5 - sonho realizado
      Antonio nunca havia visto neve e sempre falou que se fosse para ver neve, que fosse na montanha. Estávamos tomando café no refúgio quando vejo um ser saindo correndo gritando "Está nevando, está nevando". Parecia uma criança vendo neve pela primeira vez - e na montanha, como ele havia sonhado!
      Eu não fiquei assim tão feliz, afinal isso significava que o tempo estaria fechado nas Torres - e como eu queria ver aquelas meninas!  Tomamos um café super reforçado (incluído em nosso pacote) e seguimos a trilha até às Torres. Ao contrário dos outros dias, neste caminhamos muito rápido e os joelhos reclamaram um tanto (DICA: se puderem fazer a trilha no seu tempo, sem correr, é melhor. Fizemos isso todos os outros dias e não sentimos dor alguma).
      A trilha é pesadinha, mas isso não impede que jovens, crianças e idosos a façam, cada um no seu ritmo, no seu tempo. Eu não sabia quem eu admirava mais, se as famílias com crianças ou o grupo dos mais experientes. Quando fomos chegando pertinho da lagoa o coração foi acelerando. O Antonio foi na frente e lá do alto chamou minha atenção ao gritar uma linda declaração <3.
      Quando finalmente meus olhos encontraram as meninas (as Torres) não pude me conter de emoção - me faltam adjetivos para descrever a beleza deste local. Encontramos nossos amigos Daniel, Daniela, Beto e Tânia lá no topo, foi uma delícia compartilhar aquele momento com nossos novos amigos.
      Mas foi o tempo de contemplarmos a paisagem, tirar algumas fotos (nossa e da Maiza, coitado do Antonio) que o tempo virou completamente. As nuvens encobriram o céu azul e as Torres, e a neve começou a cair - "não era neve que você queria Antonio?"
      Muita neve! O vale também ficou completamente encoberto. A emoção de completar o circuito W, nossa primeira travessia, foi indescritível. Sensação de superação e eterna gratidão.

      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.
      Bons ventos!
    • Por maizanara
      Este post é um relato sobre o auge de nossa viagem pela Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine (TDP),  símbolo da beleza exuberante da Patagônia Chilena e o destino dos sonhos dos amantes da natureza de todo o mundo. Vamos contar como foram os 5 dias de trekking, o famoso Circuito W.
      Tem muitas outras informações no meu blog: www.mawaybr.com.br
      Tem um post com os custos desta viagem AQUI e outro sobre como fazer as reservas AQUI.
      Acompanhe nossas aventuras no Facebook ou Instagram
        Relato do trekking realizado de 12 a 16 de Janeiro de 2017. Dia 1 - atento às regras
      Caminhamos desde o nosso hostel em Puerto Natales até a rodoviária. Compramos a passagem no próprio hostel. Existem várias empresas que fazem este percurso e não há diferença significativa no valor.
      A rodoviária fica lotada de trilheiros com suas mochilas enormes! Todos muito animados para a trilha de suas vidas. Durante o percurso até a entrada do parque é possível ver os guanacos pulando as cercas e a linda cadeia de montanhas ao fundo.
      Na Portería Laguna Amarga enfrentamos uma longa fila para preenchermos o termo de compromisso e pagarmos a taxa de entrada.
      É necessário assistir um pequeno vídeo com informações gerais e as regras do parque. Uma das mais importantes: não é permitido fazer fogo fora das áreas delimitadas(!!!). Entramos em outro ônibus (valor já incluso) que nos levou até a Portería Pudeto.
      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.

      Fomos os últimos a pegar o catamarã que cruzou o Lago Pehoe. A viagem não poderia iniciar de melhor maneira, à nossa direita, o imponente Los Cuernos! Compramos o bilhete do catamarã durante o trajeto.   Chegamos ao Refugio Paine Grande sem reservas e por sermos os últimos a chegar no camping, as meninas da recepção nos deixaram ficar. Muito obrigada, meninas! (AVISO: aconselho fortemente que você não faça isso!! )
      Armamos a barraca, deixamos nossas mochilas e fomos apenas com a mochila de ataque até o mirante Grey. Muito cuidado com as comidas deixadas nas barracas, a raposa-colorada (Lycalopex culpaeus) adora lanchinhos fora de hora. Infelizmente, o que mais me impressionou neste percurso não foi a linda paisagem ao meu redor, mas o resultado do maior incêndio florestal do Chile em 2012: 18 000 hectares  queimados. Uma tristeza  ver as marcas desta grande tragédia e por isso repito: siga as regras do parque, não faça fogo nem use seu fogareiro fora das áreas destinadas. Precisamos cuidar e respeitar a natureza. Aquele lugar é espetacular e todos têm o direito de visitá-lo e apreciá-lo. Depois de quase 3 horas de caminhada e muito vento no caminho, chegamos ao Mirador Grey. O tempo estava bem fechado. A geleira Grey se misturava com o céu e não dava para saber onde terminava a geleira e começava o céu. A geleira é um local impressionante! Dia 2 -  café com montanha
      Após uma noite de muito vento (dica: monte muito bem sua barraca!), tomamos café na cozinha do acampamento com uma vista incrível, arrumamos tudo e saímos.
      Logo no início da trilha, na Portería Lago Pehoe, o guarda-parque pediu para ver nossa reserva impressa do acampamentoItaliano, reservas confirmadas, pé na trilha! A cadeia de montanhas Los Cuernos estava bem escondida, mas conforme nos aproximávamos dela, mais ela aparecia, e uma caminhada de 2,5 horas, fizemos em incríveis 4,5 horas. Haja foto!
      A alegre chegada ao acampamento Italiano é anunciada pela ponte que temos que atravessar e deu um medinho! Como venta muito, ela parece bem instável. Fizemos o check-in no acampamento, conversamos com os guardas e fomos preparar nosso jantar.
      Decidimos não fazer nenhuma outra trilha neste dia pois a trilha para o Mirador Britanico fecha às 17h e a do Mirador Frances às 19h. E quando digo que a trilha fecha, ela fecha mesmo, pois um dos guardas percorre a trilha até o final para garantir que não há mais ninguém na trilha (todos os dias, imagina!).
      Dia 3 - doce ilusão
      O vento faz parte da Patagônia, aceite! Eu acordei assustada a noite, pois dormíamos debaixo da copa das árvores e o vento balançava seus galhos com força. E o medo daqueles galhos caírem sobre nós?
      Não, nenhum galho caiu, ufa! Deixamos nossos pertences no acampamento e seguimos em direção ao Mirador Britanico com nossas mochilas de ataque. Todo mundo larga suas mochilas no acampamento, isso é bem normal (também algo que tive que aceitar me acostumar). Quando chegamos ao Mirador Frances o tempo já estava muito fechado, andamos mais um pouco e decidimos voltar, afinal não conseguiríamos ver nada mesmo. Ficamos sentados um tempo esperando por uma avalanche no topo das montanhas, que também não aconteceu...
      Mesmo assim estávamos só felicidade, afinal estávamos a caminho do Refugio Los Cuernos, onde passaríamos a noite em uma linda cabana de madeira na beira do lago.   Sim, foi puro luxo! Não temos dinheiro para Não ligamos para luxo quando o assunto é hospedagem, mas há anos atrás vimos uma foto no Facebook de um casal em um ofurô com uma paisagem de tirar o fôlego ao fundo. Escrevemos para a pessoa que postou a tal foto perguntando onde era: Refugio Los Cuernos.
      Deste dia em diante, não tiramos mais aquela imagem da cabeça e estava decidido: iríamos naquele ofurô e ponto final. Não era nossa intenção ficar na cabana, mas no site estava bem claro: somente hóspedes das cabanas tinham acesso ao ofurô. Bem, com muita, mas muita dor, reservamos a tal cabana e sonhamos com este dia desde então. Parte deste valor eu havia ganho de presente de aniversário, muito obrigada Celzinha!
      Na trilha para o Refugio Los Cuernos, o sol finalmente resolveu aparecer de forma muito marcante, acentuando ainda mais a cor da lagoa. Para quem está fazendo o W invertido é descida na maior parte. Eu senti por quem estava subindo... Na minha opinião o trecho de trilha mais lindo! O vento intenso levantava a água da lagoa e até DOIS arcos-íris se formavam na nossa frente ao mesmo tempo, arrancando gargalhadas dos dois bobos incansáveis ao admirar tamanha beleza.
      Então, finalmente chegamos às cabanas e, ansiosos, vimos de longe o tal ofurô. Corremos para checar o tão sonhado ofurô de perto. Mas o que encontramos foi uma placa: MANUTENÇÃO!     CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.   Mas que #@$%&! Ficamos muito putos, bravos, arrasados tristes com a notícia, afinal estávamos esperando há anos por aquele dia, mas não tinha nada que pudéssemos fazer. A cabana era linda, tinha uma lareira, toalha limpinha, cama fofinha e chuveiro gostoso!
      Fomos conhecer o refúgio, admirar o Los Cuernos e conversar com nossos amigos e quando retornamos encontramos uma garrafa de vinho chileno e alguns docinhos. A princípio, tive a certeza que havia sido o Antonio quem preparou aquela linda surpresa (tipo cena de filme mesmo! Imaginem que romântico: uma cabana de madeira, um vinho, lareira e aquela vista incrível). Ele perdeu a chance de ganhar muitos pontos (e na sequência perder muitos mais, é claro) ao não confirmar que havia sido ele - não foi, acreditamos que foi a forma do refúgio se desculpar por destruir nossos sonhospelo inconveniente. Após muitas risadas e desapontamento (nunca vou esquecer da cara do Antonio não conseguindo confirmar que havia sido ele o autor da ideia romântica) aproveitamos o delicioso vinho. Dia 4 - meu querido saco de dormir
      A noite na cabana não foi tão tranquila quanto imaginávamos, o vento era tão forte que parecia que a cabana se desmontaria. Não sobrou dinheiro para queríamos comprar a pensão completa no refúgio, fizemos nossa comida na mesma cozinha reservada para o pessoal do camping.
      Seguimos rumo ao acampamento El Chileno. Neste dia enfrentamos as 4 estações do ano, inclusive chuva. Existe um cruzamento, e você pode optar por ir para o Hotel Las Torres ou um atalho para o acampamento - é claro que optamos pelo atalho!
      No caminho vimos os bombeiros resgatando alguém em uma maca, ficamos muito assustados (depois ouvimos boatos de que a menina havia torcido o tornozelo - o que a impossibilitou de terminar a trilha, por isso todo cuidado é pouco).
      Chegando no refúgio, fizemos o check-in e fomos procurar uma plataforma para colocar nossa barraca. Dica: chegue o mais cedo que puder e coloque sua barraca, as plataformas estão colocadas num barranco, e se estiver chovendo (como estava) o chão molhado quase te impedirá de chegar em sua barraca sem cair alguns tombos.
      O jantar no refúgio foi extremamente agradável, nada de macarrão com vina, ou salsinha como vocês dizem. Entrada, prato principal e sobremesa, tudo com raio gourmetizador ativado! Não havia opção de reservar o local de camping sem todas as refeições inclusas (sim, eles são bem espertinhos).
      Ficamos na área de convivência do refúgio até tarde conversando, quando nossa amiga Tânia chega desesperada dizendo que estava entrando água dentro da barraca dela. Conseguimos alguns sacos de lixo e o Antonio foi ajudar o Beto com o "pequeno" problema. Logo em seguida entra outro trilheiro com seu saco de dormir completamente encharcado, eu entrei em desespero! Já imaginei meu saco de dormir molhado, seria o fim (que exagerada!). Pedi ao Antonio que conferisse se nossa barraca estava molhada, e para minha alegria, tudo estava completamente seco. Dia 5 - sonho realizado
      Antonio nunca havia visto neve e sempre falou que se fosse para ver neve, que fosse na montanha. Estávamos tomando café no refúgio quando vejo um ser saindo correndo gritando "Está nevando, está nevando". Parecia uma criança vendo neve pela primeira vez - e na montanha, como ele havia sonhado!
      Eu não fiquei assim tão feliz, afinal isso significava que o tempo estaria fechado nas Torres - e como eu queria ver aquelas meninas!  Tomamos um café super reforçado (incluído em nosso pacote) e seguimos a trilha até às Torres. Ao contrário dos outros dias, neste caminhamos muito rápido e os joelhos reclamaram um tanto (DICA: se puderem fazer a trilha no seu tempo, sem correr, é melhor. Fizemos isso todos os outros dias e não sentimos dor alguma).
      A trilha é pesadinha, mas isso não impede que jovens, crianças e idosos a façam, cada um no seu ritmo, no seu tempo. Eu não sabia quem eu admirava mais, se as famílias com crianças ou o grupo dos mais experientes. Quando fomos chegando pertinho da lagoa o coração foi acelerando. O Antonio foi na frente e lá do alto chamou minha atenção ao gritar uma linda declaração <3.
      Quando finalmente meus olhos encontraram as meninas (as Torres) não pude me conter de emoção - me faltam adjetivos para descrever a beleza deste local. Encontramos nossos amigos Daniel, Daniela, Beto e Tânia lá no topo, foi uma delícia compartilhar aquele momento com nossos novos amigos.
      Mas foi o tempo de contemplarmos a paisagem, tirar algumas fotos (nossa e da Maiza, coitado do Antonio) que o tempo virou completamente. As nuvens encobriram o céu azul e as Torres, e a neve começou a cair - "não era neve que você queria Antonio?"
      Muita neve! O vale também ficou completamente encoberto. A emoção de completar o circuito W, nossa primeira travessia, foi indescritível. Sensação de superação e eterna gratidão.

       
      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.
      Escrevi um post com os custos desta viagem AQUI.
      Bons ventos!
       
       
    • Por Ana Caroline Cunha
      Olá gente!
      Nem acredito que chegou a minha hora de deixar um relato de viagem haha eu pesquisei muito aqui nesse fórum e uma das grandes razões da viagem ter saído do papel e eu ter feito o meu primeiro mochilão sozinha foi as informações que encontrei por aqui. 
      Primeiramente, a base da minha viagem foi o relato da @appriim que está completinho nesse link aqui. Encontrei ela aqui no Mochileiros e no fim somos da mesma cidade e temos vários amigos em comum (e em breve espero que saia o encontro pessoalmente né Ana? haha)
      Fiz algumas alterações porque eu tinha alguns dias a mais que ela, então segue abaixo uma visão geral do meu roteiro e depois nos comentários vou escrevendo dia a dia.
      17/12/2019 - Florianópolis > Ushuaia
      18/12/2019 - Ushuaia - Carimbei o passaporte, comprei o ônibus para Punta Arenas e fiquei andando na cidade sem rumo
      19/12/2019 - Ushuaia - Passeio na Pinguinera + Canal Beagle e trilha no Glaciar Martial 
      20/12/2019 - Ushuaia - Laguna Esmeralda
      21/12/2019 - Ushuaia - descanso e andei pela cidade sem rumo de novo
      22/12/2019 - Ushuaia deslocamento > Punta Arenas - 12h de ônibus durante o dia
      23/12/2019 - Punta Arenas - fiz o câmbio e andei pela cidade, pela orla, fui ao mirante e cemitério as 17h peguei o ônibus para > Puerto Natales - 3h
      24/12/2019 - Puerto Natales - Aluguei um carro com o pessoal do hostel e fomos até o Parque Torres del Paine, fazendo o "Full Day" que vende em agências de forma privada
      25/12/2019 - Puerto Natales - Descanso
      26/12/2019 - Puerto Natales - Trilha Base de Torres del Paine 
      27/12/2019 - Puerto Natales deslocamento > El Calafate - 7h de ônibus durante o dia 
      28/12/2019 - El Calafate - Laguna Niemez, Lago Argentino e andei pela cidade
      29/12/2019 - El Calafate - Mini Trekking no Glaciar Perito Moreno
      30/12/2019 - El Calafate deslocamento > El Chalten - 3h de ônibus saindo as 8h
      31/12/2019 - El Chalten - Laguna de los Três / Fitz Roy 
      01/01/2020 - El Chalten - Descanso 
      02/01/2020 - El Chalten - Chorrillo Del Salto 
      03/01/2020 - El Chalten - Mirador de Los Condores e Las Aguilas 
      04/01/2020 - El Chalten - Laguna Torres / Cerro Torre
      05/01/2020 - El Chalten - Madre e Hija
      06/01/2020 - El Chalten - Descanso
      07/01/2020 - El Chalten deslocamento > El Calafate - 3h de ônibus, saindo as 8h, andei sem rumo pela cidade
      08/01/2020 - El Calafate - Lago Argentino, andei pela cidade e meu voo saiu as 19:30h para Buenos Aires > Florianópolis
      09/01/2020 - Chegada em Florianópolis 
      Gastos aproximados: 
      DESLOCAMENTO: R$ 3.000,00
      R$ 2.139,00 passagem aérea Aerolíneas Argentinas | Ida: Floripa > Buenos Aires > Ushuaia | Volta: El Calafate > Buenos Aires > Floripa R$ 180,00 entre taxi, uber, transfer aos lugares R$ 530,00 deslocamentos de ônibus R$ 135,00 aluguel de carro por 1 dia em Puerto Natales (o carro foi dividido em 4 pessoas) HOSPEDAGEM: R$ 1.280,00
      Ushuaia: ANTARCTICA HOSTEL Punta Arenas: HOSTEL ENTRE VIENTOS Puerto Natales: WE ARE PATAGONIA BACKPACKERS (pagamento em dólar estamos isentos de 19% do imposto) El Calafate: FOLK HOSTEL El Chalten: LO DE TRIVI El Calafate: FOLK SUITS Reservas feitas pelo Booking e HostelWorld
      PASSEIOS: R$ 1.650,00
      Mini Trekking Perito Moreno - R$ 700,00 - comprado no Brasil valor com cartão de crédito e IOF Pinguinera + Canal Beagle - R$ 742,00 - pago no Brasil valor com cartão de crédito e IOF | observação importante: se fazer a caminhada com os Pinguins em Punta Arenas é metade do preço e rola reservar lá mesmo no próprio hostel pro dia seguinte. Entrada Parque Torres del Paine - R$ 185,00 (paguei o preço de 2019 ainda) ALIMENTAÇÃO: R$ 1.200,00 (tem mercado, cerveja, vinho e alfajor nessa conta haha)
      BAR: R$ 200,00 (isso são os extras dos dias que fui pro bar e só consumi álcool)
      SEGURO VIAGEM: R$ 215,00
      TOTAL GASTO R$ 8.000,00 (contando souvenir, extras que eu possa ter esquecido de anotar e etc)
      Conversões realizadas: 
      1 real > 13,60 pesos argentinos (Aeroporto Ezeiza de Buenos Aires)
      1 real > 185 pesos chilenos (Casa de Câmbio em Punta Arenas)
      1 real > 16 pesos argentinos (Restaurante Casimiro em El Calafate)
      Fiz umas outras conversões zoadas porque tive perrengue de dinheiro que conto depois hahah mas essas três foram as principais que acho que vale citar. 
      TOTAL QUE GASTEI EFETIVAMENTE: R$ 8.900,00 (perdi R$ 900,00 por um golpe na conversão do câmbio no Banco do Aeroporto Ezeiza, eu dei R$ 3.200,00 e eles me converteram como se eu tivesse trocando R$ 2.300,00, fui perceber só agora que já estava no Brasil, foi falta de atenção minha como recém mochileira que achava que tinha pensado em todos os detalhes, só que não... 💔💔)
       
      Aos poucos vou contando aqui sobre a viagem dia-a-dia, ah eu também fui postando tudo no meu Instagram (@anavoando), os stories estão salvos no destaques e fui escrevendo no feed também.
      Ah, leiam o post da Ana que citei lá no começo, eu li e reli um milhão de vezes e ela dá várias dias ótimas!! 
       




       
      Espero que gostem! 
      Continuarei aos poucos,
      Ana Caroline
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