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Olá viajante!

Bora viajar?

Pico do Paraná - 17 a 19/07/08 - à noite e de rede!

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- merda! - foi o que falei pra mim mesmo ao sentir a dor na perna esquerda. eram quase nove da noite, ventava pra kct, tava escuro pra kct, e eu estava subindo um paredão de pedra. minutos depois eu percebi que tinha distendido o músculo da coxa esquerda. mas para chegar ai, as coisas já tinham se complicado bem antes. vamos ao início.

 

foi na quarta à tarde, dia 16 de julho, que eu percebi que teria 3 dias pra ir pra alguma montanha. desde que eu saísse na mesma noite. descartei a travessia petrô-terê: ainda não tenho o mapa. descartei tabuleiro-lapinha: perderia muito tempo até chegar lá e tb pra voltar. e pq não o pico paraná? fácil orientação, conforme as informações que eu já tinha pego, seja pela revista do beck, seja pelo croqui que o augusto (grande augusto!) havia passado no seu relato.

 

cheguei em casa lá pelas 10 da noite de quarta, montei a minha mochila o mais rápido possivel, catei o que havia na despensa (por sorte dois dias antes eu tinha comprado umas coisas que achava que poderia usar caso fosse fazer uma trilhinha básica no final da semana).

 

tudo montado, pesando cerca de 11,5 kg, isso com comida pra 4 dias (3 pra perambular e um pra me perder - ou comida extra pra passar pra alguém ou pra comer em caso de excesso de fome mesmo....).

tava ansioso pra experimentar equipo novo:

 

mochila conquista alpina de 70 litros levíssima

saco de dormir da quéchua de 670 gramas

rede + toldo que eu mesmo fiz

espiriteira(s) feitas por mim, etc.

 

fui todo pimpão pra rodoviária, crente que tinha ônibus pra curitiba lá pela 1 da manhã. cheguei na rodoviária às 0:35 de quarta pra quinta, fazia 15 minutos que saíra o último bumba pra ctba, aliás, lotado. o próximo, às 6 da manhã. como tava com preguiça de voltar pra casa, cochilei na rodoviária mesmo. e entre um cochilo e outro eu rememorava a lista de equipos - e então me toquei que não tinha pego o cantil flexível. mas sem problemas: garrafas de água mineral existem pra isso.

 

o ônibus saiu pontualmente às seis da manhã, e me deixou no km 46 da br quase à uma da tarde. e o imbecil carregava então +3,5 litros de água, comprados na parada de ônibus. devia era ter comprado garrafas vazias!

 

andei até a sede da fazenda pico paraná. o km 46 da br fica logo após a ponte do rio tucum. pra quem vem de são paulo, o rio é logo após a represa, tanto que o beck na revista dele fala que é o último braço da represa. rente à ponte há uma estradinha, é só seguir, e andar, e andar, e andar, seguindo as placas, que indicam "fazenda rio das pedras" - as placas "bruno" que o beck e o augusto viram há algum tempo não existem mais. sigam as placas "fazenda rio das pedras" até o final e então vcs cairão na entrada da fazenda pico paraná! lógico, né? :lol:

 

eram duas da tarde quando cheguei à sede da fazenda. conversei durante um tempinho com o pessoal ali, e já fiquei sabendo que os rios lá pra cima estavam praticamente todos secos, sendo a última fonte de água segura a bica.

 

eram duas e 20 quando efetivamente comecei a trilha. fazia um sol de rachar. o início da trilha é logo após uma porteirinha, existente para que os bichos da fazenda não andem pela trilha. por bichos da fazenda entenda-se meia dúzia de cavalos xucros e mansos, que ficam o tempo todo soltos.

 

a trilha vai ascendendo, morro acima. olhar pra trás nessa ascensão, vale à pena: em pouco tempo se tem vistas lindas da fazenda e da represa tb. subi numa pedraria pra umas fotos, vi do outro lado uns grampos "p" novos colocados - ali o pessoal da conquista montanhismo tá abrindo uma via de escalada.

 

imagem+1.jpg

 

subimos esse primeiro morro, continuamos andando e logo entramos na mata que antecede e circunda o caratuva. a vegetação vai ficando mais alta, e o caminho mais cheio de "degraus", pedras e etc. bom, eu não tinha dormido quase nada na noite anterior, portanto, cansado, subia lento. estava sem pressa. eram 5 da tarde quando cheguei à bica. enchi a garrafa de água que tinha bebido, mantive os outros dois litro de água que carregava e continuei com 3,5 litros de água nas costas. a partir da bica a trilha vai ladeando o caratuva.

 

essa parte é um tanto pesada. não tem grande ascensão, mas é muito irregular. desníveis de 2 ou 3 metros são comuns, que se sobe e desce apoiando-se em pedras, galhos e raízes. muitos eram leitos de riachos secos. então é uma parte que exige muito do físico. às 5:30 da tarde eu passei por uma miniclareirinha que seria ideal pra montar a rede, pensei uns 30 segundos em ficar ali, mas desisti. foi uma burrada.

 

logo depois eu já tava precisando usar a lanterna de cabeça pra continuar adiante. uma grande imensa lanterna de cabeça de 30 gramas e um só led! ou seja, não muita iluminação...

 

ali, em razão do cuidado, o andar se tornou mais lento. lembrando, eu estava só. quando faço essas coisas sozinho o nível de atenção dobra: uma coisa é quebrar o pé quando se está em grupo, pois os colegas podem ajudar nos primeiros socorros e carregar parte da sua tralha. mas sozinho?

 

então eu fui tateando a trilha. o que pode parecer muito difícil, mas não é, pois a trilha está bem marcada. é só prestar atenção. e claro, pra ajudar, tinha a imensa lua cheia....

 

após costear o caratuva, cheguei à crista (selado) que o liga ao morro do pico paraná. até então caminhava de bermuda e camiseta, suando pácas. mas o vento forte e frio me fez rapidamente colocar as pernas da calça-bermuda e vestir um fleece.

 

por sinal, parei pra fazer isso num local com uma clareirinha. no outro dia percebi que ali era o "abrigo 1" - de abrigo não vi nada, a não ser a posssibilidade de armar algumas barracas em clareiras relativamente planas, mas clareiras varridas pelo vento forte. marquei bobeira, poderia ter bivacado ali, atrás de alguma pedra, que estaria relativamente protegido do vento.

 

eu passei adiante do acampamento 1. continuei andando, andando, descendo a crista, até que chego efetivamente ao pico paraná.

 

era noite, como já falei, e ali a lua estava escondida atrás do PP, eu contava apenas com a iluminação da lanterninha. vejo o paredão, olho pra cima...

 

imagem+2.jpg

 

a uns 3 metros de altura, vejo os degraus de metal colocados na pedra. mas, até lá, uma parede relativamente lisa, quase 90 graus de inclinação, poucas rugosidades, portanto, poucas agarras. eu não sou escalador, mas sabia que teria que subir por ali.

 

tateando, fui achando agarras, me prendendo pela ponta dos dedos, pela ponta dos pés. quem escala, escala de sapatilha, e eu com uma grande bota de trilha.

 

foi o meu erro.

 

na base, atrás de um arbusto, na lateral direita dessa "via", havia uma série de degraus de pedra, com inclinação entre 45 e 60 graus. muito mais fácil. mas, no escuro, não vi.

 

imagem

(observem, na imagem acima, que a parte de baixo do paredão apresenda duas "vias". a da esquerda foi a que fiz, a da direita é mais suave)

 

e subi pelo paredão até achar os degraus de metal. no trecho sem os degraus, percebi que não dava pra me segurar nas poucas touceiras de mato da lateral, soltas. o vento batia na cargueira e me desequilibrava. um dado momento, achei apoio para a perna esquerda num degrauzinho de pedra muito alto. subi bastante a perna, consegui apoiar a ponta do pé esquerdo, fiz um esforço com a perna esquerda. com o impulso peguei o primeiro degrau de metal. mas o impulso com apenas uma perna resultou numa distensão muscular.

 

não deu 30 segundos pra eu começar a sentir a dor na perna esquerda.

 

terminei de subir aquele paredão e a trilha já se tornava "andável". andei sentindo pouca firmeza na perna esquerda, até que a trilha desceu um pouquinho pra passar numa leve baixada/cova (provavelmente um leito seco de algum riozinho), meio encoberta do vento por árvores.

 

sentei numa pedra pra massagear um pouco a perna esquerda e decidi ali mesmo armar minha rede.

 

ali passei a noite. no dia seguinte perceberia que estava a menos de 10 minutos de caminhada do abrigo 2. eram exatamente 9 horas da noite quando resolvi parar ali.

 

abri a mochila e peguei a caixinha de primeiros socorros pra tomar uma dose cavalar de anti-inflamatório. a dor passou logo. resolvi subir um pouquinho da trilha pra ver se avistava alguma árvore mais pra cima, mas subi um pouquinho, percebendo que a perna estava fraca. resolvi ficar naquela baixada.

 

tive apenas que quebar um galho seco entre duas árvores pra poder armar minha rede. devo ter levado cerca de 2 minutos pra montar a rede, mais uns 3 ou 4 pra montar o toldo.

 

o toldo quadrado foi montado na diagonal, sendo que um dos lados, atrás da rede, eu desci na vertical e coloquei a mochila com a tralha em cima da ponta, fazendo com que o toldo tivesse uma parede quase vertical contra o vento que se infiltrava pela vegetação.

 

rede.jpg

 

estava relativamente bem protegido da ventania.

 

daí, com calma, com a calma de quem passara a noite anterior numa rodoviária e a outra noite de dois dias antes num ônibus (sim, há mais de 48 horas eu não dormia numa cama), eu resolvi fazer o meu jantar....

 

foi a refeição noturna mais deliciosa que já comi.

 

um saquinho de suco em pó dissolvido numa garrafa de água.

 

o miojo foi feito na canequinha em cima da espiriteira. misturei uma latinha de atum com molho de tomate. comida prosaica, mas comida como um manjar divino, sentado numa pedra, tomando suco de manga.

 

miojo.jpg

(miojo feito na espiriteira)

 

ajeitei o isolante térmico dentro da rede, estiquei o saco de dormir, e dormi........

 

o vento às vezes balançava muito as pequenas árvores, o que acabava por balançar a rede, então às vezes eu acordava. mas não balançava demais, eu montei a rede bem próxima ao chão. o vento tb chacoalhava o toldo, e o plástico fazia barulho. mas mesmo assim, vencido pelo cansaço, eu dormi.....

 

dormi até quase oito horas da manhã, e só acordei pois o despertador do celular tocou. queria ter acordado mais cedo, pois eu acampara bem no meio da trilha, não queria atrapalhar o caminho de ninguém.

 

mas mesmo assim tomei o meu café da manhã, uma grande caneca de café com leite, bolachas, uma barrinha e um mini bolo de rolo que eu comprara no pão de açucar, em são paulo. depois olhando a embalagem eu vi que o mini bolo de rolo tinha apenas módicas 317 calorias!

 

devo ter ingerido quase 600 calorias só no café da manhã.

 

arrumei a mochila e arrisquei subir um pouco mais. acabei subindo a trilha apenas até o abrigo 2. a perna esquerda doía, e não tava muito firme, falhava um pouco na pisada.

 

no abrigo 2 havia uma barraca montada dentro do mesmo, entre as paredes. conversei com o pessoal que acampava ali.

 

imagem+5.jpg

 

descansei um pouco, tirei umas fotos, tomei um pouco de água. tinha ainda 2 litros, mas não havia água por ali.

 

fiquei olhando o cume do PP, pensando se valeria à pena subir. eu me cansaria muito subindo e descendo, e teria que voltar à sede da fazenda apenas no outro dia. não havia água por ali. e tinha que fazer todo o caminho de volta com a perna esquerda meio bamba, meio fraca.

 

ponderei bem, e resolvi voltar dali. o PP não fugiria de mim, poderia voltar outro dia, com calma.

 

voltei com toda a calma do mundo, até pra não sobrecarregar a perna boa, a perna direita, dali em diante mais exigida. no plano eu andava quase que normalmente, mas a cada degrauzinho.... a esquerda falhava, não dava muita firmeza.

 

fui descendo a trilha. cheguei ao paredão da noite anterior, desci os degraus de metal, e no trecho sem degraus, não tive dúvida: joguei a mochila pro chão, e desci cuidadosamente.

 

embaixo me aguardava um grupo de 4 rapazes que subiam naquele dia. perguntaram se só havia aquela via, e um deles achou a outra via bem mais fácil ali do lado, atrás da moita..... me senti um idiota, mas o estrago estava feito.

 

fiz todo o caminho inverso, com traquilidade. tinha o dia inteiro pra voltar. fui dosando os passos, atentamente, tranquilamente. afinal, minha mochila tava com pouco mais de 10 kgs apenas (e poderia estar mais leve, se eu não tivesse levado comida pra 3 dias e meio). parei diversas vezes pra dar uma sentadinha e passar um gelol na perna, e tomar um golinho de água. fui curtindo a trilha, numa tranquilidade quase zen.

 

imagem+3.jpg

(vista do caratuva a partir do PP)

 

eu.jpg

(eu, com dor, afastando ao máximo a cara da máquina fotográfica, com o caratuva ao fundo)

 

eram cerca de 12:30 quando eu cheguei à bica. parei ali, pra pegar água e fazer um almoço.

 

outro miojão, com molhinho de camarão (o pozinho). furukaki (um tempero japonês) e uma lata de atum ao molho de alho e óleo. melhor miojo da minha vida. um momento zen....

 

desci o resto da trilha. cruzei com diversas pessoas que subiam naquela sexta à tarde - provavelmente curitibanos começando o final de semana mais cedo.

 

um pai levava os dois filhos (o mais velho com uns 10 anos, o mais novo com uns 7) trilha acima, com uma calma de monge budista, ele carregando uma imensa mochila de uns 90 litros, e os dois piás com mochilinhas.

 

alguns casais.

 

já quase chegando à fazenda um pai com o filho adolescente me pergunta sobre água lá no PP. a mochila era uma mont blanc de uns 15 ou 20 anos atrás.

 

o PP me parecia um local de reunião de antigos trilheiros naquela sexta feira ensolarada, que me proporcionou vistas excepcionais.

 

pouco depois das 3 da tarde cheguei à sede da fazenda. conversando com a esposa do seu dilson descobri que tinha um bumba passando na estrada às 15:30 (impossível de pegar, portanto), e outro às seis e meia da tarde. resolvi pegar este.

 

assim tomei um banho quente gostoso, tomei uns refrigerantes geladíssimos que eles vendem ali, brinquei um pouco com um dos cavalos que ficam soltos, uma égua que insistia em cheirar minha mochila. depois descobri que ela gosta de receber comida dos visitantes, e quando se mexe num pacote e não se dá nada a ela a mesma retalia com um coice..... uma égua sem raça linda.

 

às 15 para as cinco saí da fazenda, pegando a estradinha no retorno. em pouco tempo peguei uma carona num trator, que me permitiu não andar por cerca de 1/3 do caminho do retorno. andei o restante e cheguei á estrada às 18:15. os leves aclives me faziam doer a perna....

 

eram cerca de 18:30 quando o ônibus passou e... não parou! estava cheio, provavelmente.

 

fiquei uma meia hora pensando no que fazer. esperar ali por outro ônibus, voltar à fazenda, caminhar até o posto tio doca, distante uns 2 kms. voltar à fazenda e pernoitar significava andar aquela estrada de terra de novo. e novamente no outro dia - ou seja, acrescentar uns 4 kms de andada com a perna doendo. esperar outro ônibus ali no escuro me pareceu não muito inteligente.

 

andei os dois kms até o posto tio doca pedindo carona e pensando na possibilidade de ao menos conseguir informações sobre outro ônibus que me levasse a curitiba, ou uma carona até lá. chegando ao posto descobri que o ônibus que não parara era o último do dia.... carona não consegui, optei por pernoitar num dos quartos do "hotel" do posto.

 

este "hotel" nada mais é do que alguns quartos que são alugados. duas ou 3 suítes (com uma cama de casal e uma de solteiro) e quartos com duas camas de solteiro e banheiro coletivo. estas vagas estavam lotadas, acabei pagando os 40 reais que me cobraram por aquele quarto com banheiro. ao menos era limpo, e a televisão funcionava com alguns canais.

 

deu para tomar um outro banho quente, passar um emplastro na perna, tomar um relaxante muscular e um anti-inflamatório. desci pora comer alguma coisa na lanchonete do posto, bati papo com uma garçonete que mora na vilinha do outro lado da estrada... dizia ela que seu sonho é subir o pico paraná, mas tem medo e nenhuma companhia pra fazer isso. queria saber se não dava pra fazer isso em apenas um dia, sem ter que acampar.... uma outra garçonete contou que há alguns meses passou por ali um pessoal que ia pular de asa delta de não sei onde, e tinham prometido levá-la da próxima vez.... perguntei quando seria, e ela me disse, com os olhos esperançosos, que não deixaram telefone, mas que ela sempre esperava ver aquele pessoal entrando ali na lanchonete....

 

fiquei com um pouco de pena das duas. repetem a história de tantas moças simples mas sonhadoras desse brasilsão. gente às vezes presa a um trabalho ingrato e mal-remunerado, a um cotidiano fatigante e repetitivo, simultaneamente tedioso e esgotante... gente que dificilmente poderá, por exemplo, freqüentar um fórum como o http://www.mochileiros.com" onclick="window.open(this.href);return false; - se não lhes falta a internet (que, na verdade falta sim), falta-lhes muitas vezes aquele grau de formação que permite processar a informação disponível. são essas pessoas que, se e quando ascendem um pouco monetariamente, viram os clientes das CVCs da vida. das viagens a porto seguro em 10 parcelas de 98 reais....

 

fiquei bem uma meia hora explicando à moça que tinha sonhos com o pico paraná que era fácil chegar ali na fazenda pico paraná, que ela poderia ir com algum colega que já tivesse ido ou com alguém da fazenda mesmo e fazer um passeio de um dia, pra sentir um gostinho... recomendações do tipo "vai com alguns amigos, um agasalho, um bom tênis, um lanche e uma garrafa de água na mochila, vcs podem ir subindo a trilha, andar até o meio dia.... daí pára, faz o piquenique, descansa um pouco, e volta..."

 

bom, subi ao meu quarto e tentei ver um pouco de tv mas capotei de sono. dormi pesado, até o momento em que o celular despertou-me. com o estômago recheado por muito café e muito pão com manteiga na chapa, antes das 7 estava no ponto de ônibus na frente do posto esperando o bumba que deveria passar às 7 horas. passou às 7:25. fiquei conversando com moradores locais que me explicaram que tentar pegar o último bumba do dia é loucura que ele já costuma passar cheio ali, e tb que seu horário oscila, às vezes tb passando mais cedo do que o habitual. conversávamos fustigados por um vento frio, cortante. a temperatura estava bem baixa, com certeza.

 

8:10 eu estava na rodoferroviária de curitiba, e às 9:00 hs do sábado eu embarcava de volta para são paulo. no ônibus ao meu lado veio uma moça bonita e muito alta, que ao saber o que eu tinha feito naqueles dois últimos dias não se conformava com apenas dois detalhes: a) pq eu não fui com uma turma de amigos; b) pq eu não levei um MP3, pq andar dois dias sem amigos e MP3 é algo assim... inviável!!!!!!!!

 

como explicar que é gostoso dormir sentindo o vento uivar? ou olhar as estrelas? ou "conversar" com a mata? que é gostoso ver o nascer ou pôr do sol em silêncio? que há algo de zen em andar em trilhas acidentadas, que a nossa percepção de mundo muda nesses locais?

 

o mundo trilheiro é um mundo zen, longe daquela pressão cotidiana, seus valores são outros. um miojo pode ser um manjar divino, uma meia seca é o supremo conforto e a bebida mais deliciosa do mundo é a água gelada que mina no meio das pedras na encosta de uma montanha.

 

assim que eu puder eu volto ao pico paraná.

 

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vamos à parte técnica.

 

fazenda pico paraná: chega-se a partir de uma estradinha que sai imediatamente após (pra quem vem de sp) ou antes (pra quem vem de curitiba) a ponte do rio tucum. km 46 da BR.

 

valor de entrada: 5 reais. há um abrigo simples: um real. com espaço pra esticar seu saco de dormir e um banheiro com chuveiro quente.

 

pode-se tb dormir em camas, na casa do seu dilson, por cerca de 5 reais. apenas avise e reserve antes.

 

há como estacionar carros lá. valor: 5 reais. e há tb uma área de camping na entrada, e outra pequena área depois de uma hora de subida na trilha.

 

não alimente os cavalos que andam soltos. a égua castanha, linda, e tão "amistosa", na verdade não quer apenas os seus cafunés, mas tb comida. e dá coices se vc mexer em pacotes e não der nada a ela. então, apenas faça um cafunézinho e mande-a embora. detalhe, ela adora coca-cola.

 

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vamos à parte técnica do equipamento - obrigação de editor de equipos, né?

 

mochila utilizada: uma conquista alpina de 70 litros. comportou-se muito bem, é leve, será de agora em diante, para esse tipo de mochilada, a minha mochila preferencial.

 

isolante: curtlo. foi dentro da mochila, semi enrolado, com a tralha dentro dele.

 

fogareiro: espiriteira feita por mim. mais detalhes colocarei, com fotos, no sub-fórum das espiriteiras.

 

barraca: não usei. substituída por rede com mosquiteiro integrado. peso: 550 gramas, somando-se rede, mosquiteiro e cintas de amarração nas árvores. mais detalhes colocarei no sub-fórum das redes

 

toldo: 2,70 por 2,70, formato catenário, em lona plástica preta, com cordeletes de amarração mamut, de 2 mms de espessura e 2,5 m de comrpimento. peso total: 375 gs. mais detalhes no sub-fórum dos toldos, em breve.

 

cantil: esqueci, foram garrafas pet de água mesmo.

 

no mais, equipo normal: botas, calça-bermuda, fleece, camisetas, gorro, e etc.

 

mochila com peso médio de 11 kg, durante a trilha. isso com comida pra 3/4 dias.

 

fotos em breve.

 

:mrgreen::mrgreen::mrgreen::mrgreen:

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  • Membros
8:10 eu estava na rodoferroviária de curitiba, e às 9:00 hs do sábado eu embarcava de volta para são paulo. no ônibus ao meu lado veio uma moça bonita e muito alta, que ao saber o que eu tinha feito naqueles dois últimos dias não se conformava com apenas dois detalhes: a) pq eu não fui com uma turma de amigos; b) pq eu não levei um MP3, pq andar dois dias sem amigos e MP3 é algo assim... inviável!!!!!!!!

 

Pq vc não falou com ela: "Vc tem noção do peso de um MP3??????????????" :lol:

 

Brincadeira hein Ogum....

 

Queria muito fazer o Pico Paraná, mas pra mim fica um pouco inviável... Moro no ES... é longe a beça!

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  • Membros

Ogum exgerou mesmo na redução de peso!!!

 

Sozinho, mesmo preocupado com o peso, um livro de bolso e/ou um MP3 sempre levo porque distraem. Nem tanto na trilha, mas na espera e no busão. O livro, além disto, serve para anotações e numa emergência, para ajudar a fazer fogo ou suprir falta de papel higiênico (finalidades nada nobres para um livro).

 

Peter

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  • Membros

meu mp3 estava (e está) quebrado.

 

mas o que me espantou mesmo foi o comentário dela. como explicar que mais vale a montanha sem mp3 do que mp3 sem montanha? :shock:

Postado
  • Membros

é realmente... hehehehehe... melhor a montaha sem MP3...

 

Lembrei daquela propaganda da Snake... "Foi com esse pé que eu chutei o controle remoto!" ... hehehehehe

 

Sair de casa é o que há!!! hehehehehe...

Postado
  • Membros

Olá!

 

java2, essa propaganda da Snake é muito legal... Tinha esquecido dela!!!

 

Sair de casa é o que há!!! hehehehehe...
:wink:

 

Não rola trilha com mp3, mas um livro é bem vindo...

Como diz o Peter:

Nem tanto na trilha, mas na espera e no busão.

 

Ogum, vai saber o que se passa na cabeça dessas pessoas... Provavelmente nunca terão uma experiência dessas na vida e não sabem o que estão perdendo!!!

 

Grande abraço :wink:

  • 2 anos depois...
Postado
  • Membros

Daqui a pouco vão me chamar para ressuscitar os defuntos, afinal estou ressuscitando tudo que é topico por aqui.

 

O Fato que apos ler este relato não pude deixar de comentar também...

 

Otimo relato, otima aventura... Muito inspirador ler relatos como este.

 

Abs

 

 

PS: A fome é o melhor tempero do mundo, por isso que teu miojo estava tão bom... ::otemo::

  • 3 meses depois...
Postado
  • Membros

Já subi esta criança umas...

nov/03, mai/04, mai/05, dez/05... 4vezes, faz tempo que eu não subo. E confesso que há poucos dias voltei a treinar a sério, bem como consertei a magrela que estava há 10 meses largada no bicicletário do meu prédio.

Olha, eu diria que os trechos "bons" pra se perder são estes:

- Bifurcação no fim da 1a área de camp, quando vai reto pro PP e pro Caratuva à esquerda, logo depois de terminar a vegetação de campo. Mas vi uma foto recente, de uma mega placa indicando o caminho.

- Pois bem, a trilha tem 2 trechos florestais. Na metade do 2o trecho (que é este que contorna o Caratuva) tem outra bifurc, à esquerda pro PP e à direita pro Itapiroca. Eu diria que, pra quem mora em Curitiba, o Itapiroca é a maneira mais fácil de chegar acima dos 1700m de altitude. Esta bif tá a uns 1680m de alt.

- No abrigo 1, tem 2 trilhas: como bem colocou o Augusto, a da esquerda vai pro carativa e a da direita pro PP. Mas beleza, quem tiver visto foto do PP pela internet logo vai "sentir" que aquela p* trilha que sobe não deve ir pro PP mesmo. Curiosidade: na 1a expedição, de descoberta do PP, e nos primeiros anos, a trilha pro PP seguia até o cume do Cara, vc tinha q dar aquela p* descida e então subir o PP.

- No fundo do vale que separa o A1 do PP proproamente dito (fundo a 1400m de alt) tem uma bif perigosa pra direita, que deve dar em algum outro morro da região, mas eu nunca quis entrar pra ver. Pro PP vc deve seguir reto.

- No A2 aparece uma trilha à esquerda da casa de pedra, ''e curta, vc anda uns 5 minutos e chega num ponto de água que deve secar nos invernos mais secos;

- Enfim, quase chegando ao cume do PP, a trilha meio que some, você em alguns trechos até consegue ver o chão batido entre as pedras, mas caso até este chão batido suma, na dúvida siga pelo caminho mais fácil. Se estiver ficando muito difícil, volte um pouco q vc tá no caminho errado.

Trechos com água potável, além da já citada área perto do A2:

- Tem uma mega bica com água o ano inteiro, cerca de 30 min depois de entrar no 2o trecho florestal da trilha. De vez em quando tem uns porco que sujam a água do tanque, mas aí não tem erro, é só pegar do cano de pvc logo acima.

- Tem 2 rios adiante, 1 de cerca de 2 metros de largo, e outro com uns 5 metros. Em épocas mais secas, o rio de 5m de largo é o último ponto de água, e lha que é só a metade do caminho, Portanto, a partir dali vc tem que ir bem carregado, 2 litros por cabeça.

Pontos com franco risco de vida:

- Os degraus na rocha no início da subida pro PP propriamente dito, estes degraus ficam pouco depois do vale com a maldita bifurc pra direita que dá sabe-lá-onde. E teve uma época que um ecólatra arrancou a maioria deles. Mas agora recolocaram quase todos.

- Na crista do PP a trilha margeia um paredão, mas tem uma boa área de escape, vc consegue ficar a uns 2 metros do paredão e o mato protege legal do vento.

- Perto do cume do PP, o trecho pedregoso e por vezes sem trilha pode levar o cara a se enfiar em lugares que seriam mais apropriados pruma escalada técnica. Enfim, se vc perceber que engrossou demais por ali, volte um pouco e busque o caminho correto.

Por fim, o cume do PP tem uma vista fodástica, mas um ds mirantes é logo na beirada de um paredão de uns 500m, então chegueali naquele mirante, ams chegue com cautela.

Acho que é isto!

Estou morando em Muá, mas tô querendo ir pro PR fazer um morrinho por mês, qqer coisa quem quiser d''a um toque aí!

OBS:

- O preço do sítio aumentou bem, pra 15 Reais. O lao bom disto é que aí dificulta pros farfas irem pra lá.

- As camas do sítio do Dílson são desaconselháveis. No mais, tiro o chapéu pra estrutura, ótima pelo preço cobrado. Mas as 2 vezes que usei as camas de lá peguei carrapato, coisa que não peguei nas vezes anteriores que estive naquela serra nem nas vezes posteriores. Mera coincidência? ::hãã2::

  • 2 meses depois...
Postado
  • Membros

Ah, mais 2 info pertinentes:

- O Dilson é um cara bem parceiro, como pessoa mesmo. Uma vez, estávamos indo embora de lá, e descobrimos que a bateria tava muooooooiiiiiiinto arriada. O Dílson simplesmente foi na casa de um amigo dele que mora há uns 5 km do sítio, e chamou o cara pra ele levar sua respectiva caranga e fazer uma chupeta.

- Lá perto tem um sítio, que uma época tinha um rotweiler, e simultaneamente a porteira aberta. Por 2x já passamos com o fiofó na mão ao ir a pé pro sítio. É bom ir no Orkut do Pico Paraná (tá no meu orkut, é só procurar pelo meu nome e pelas comus), ver o fone do Dílson e se informar com ele sobre o bichinho.

  • 4 semanas depois...
Postado
  • Membros

Pessoal, no Orkut tem uma comu chamada Fazenda PP ou Fazend Pico Paraná. Lá tem o fone do Dílson, e antes de ir pra lá sugiro que contatem o homi pra ver se está sendo cobrado ou se existe perspectiva de ser cobrado algum valor a título de pernoite no alto da montanha.

  • 7 meses depois...
Postado
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Já subi esta criança umas...

nov/03, mai/04, mai/05, dez/05... 4vezes, faz tempo que eu não subo. E confesso que há poucos dias voltei a treinar a sério, bem como consertei a magrela que estava há 10 meses largada no bicicletário do meu prédio.

Olha, eu diria que os trechos "bons" pra se perder são estes:

- Bifurcação no fim da 1a área de camp, quando vai reto pro PP e pro Caratuva à esquerda, logo depois de terminar a vegetação de campo. Mas vi uma foto recente, de uma mega placa indicando o caminho.

- Pois bem, a trilha tem 2 trechos florestais. Na metade do 2o trecho (que é este que contorna o Caratuva) tem outra bifurc, à esquerda pro PP e à direita pro Itapiroca. Eu diria que, pra quem mora em Curitiba, o Itapiroca é a maneira mais fácil de chegar acima dos 1700m de altitude. Esta bif tá a uns 1680m de alt.

- No abrigo 1, tem 2 trilhas: como bem colocou o Augusto, a da esquerda vai pro carativa e a da direita pro PP. Mas beleza, quem tiver visto foto do PP pela internet logo vai "sentir" que aquela p* trilha que sobe não deve ir pro PP mesmo. Curiosidade: na 1a expedição, de descoberta do PP, e nos primeiros anos, a trilha pro PP seguia até o cume do Cara, vc tinha q dar aquela p* descida e então subir o PP.

- No fundo do vale que separa o A1 do PP proproamente dito (fundo a 1400m de alt) tem uma bif perigosa pra direita, que deve dar em algum outro morro da região, mas eu nunca quis entrar pra ver. Pro PP vc deve seguir reto.

- No A2 aparece uma trilha à esquerda da casa de pedra, ''e curta, vc anda uns 5 minutos e chega num ponto de água que deve secar nos invernos mais secos;

- Enfim, quase chegando ao cume do PP, a trilha meio que some, você em alguns trechos até consegue ver o chão batido entre as pedras, mas caso até este chão batido suma, na dúvida siga pelo caminho mais fácil. Se estiver ficando muito difícil, volte um pouco q vc tá no caminho errado.

Trechos com água potável, além da já citada área perto do A2:

- Tem uma mega bica com água o ano inteiro, cerca de 30 min depois de entrar no 2o trecho florestal da trilha. De vez em quando tem uns porco que sujam a água do tanque, mas aí não tem erro, é só pegar do cano de pvc logo acima.

- Tem 2 rios adiante, 1 de cerca de 2 metros de largo, e outro com uns 5 metros. Em épocas mais secas, o rio de 5m de largo é o último ponto de água, e lha que é só a metade do caminho, Portanto, a partir dali vc tem que ir bem carregado, 2 litros por cabeça.

Pontos com franco risco de vida:

- Os degraus na rocha no início da subida pro PP propriamente dito, estes degraus ficam pouco depois do vale com a maldita bifurc pra direita que dá sabe-lá-onde. E teve uma época que um ecólatra arrancou a maioria deles. Mas agora recolocaram quase todos.

- Na crista do PP a trilha margeia um paredão, mas tem uma boa área de escape, vc consegue ficar a uns 2 metros do paredão e o mato protege legal do vento.

- Perto do cume do PP, o trecho pedregoso e por vezes sem trilha pode levar o cara a se enfiar em lugares que seriam mais apropriados pruma escalada técnica. Enfim, se vc perceber que engrossou demais por ali, volte um pouco e busque o caminho correto.

Por fim, o cume do PP tem uma vista fodástica, mas um ds mirantes é logo na beirada de um paredão de uns 500m, então chegueali naquele mirante, ams chegue com cautela.

Acho que é isto!

Estou morando em Muá, mas tô querendo ir pro PR fazer um morrinho por mês, qqer coisa quem quiser d''a um toque aí!

OBS:

- O preço do sítio aumentou bem, pra 15 Reais. O lao bom disto é que aí dificulta pros farfas irem pra lá.

- As camas do sítio do Dílson são desaconselháveis. No mais, tiro o chapéu pra estrutura, ótima pelo preço cobrado. Mas as 2 vezes que usei as camas de lá peguei carrapato, coisa que não peguei nas vezes anteriores que estive naquela serra nem nas vezes posteriores. Mera coincidência? ::hãã2::

 

Uma ressalva quanto aos carrapatos: um tempo, acreditei que estivesse havendo negligência do Dílson quanto ao cuidado com as camas do sítio. Mas recentemente pensei no seguinte: usuários podem deitar na grama, seja no sítio ou nos locais de acampamento (principalmente o famoso Laguinho Morto) e podem acabar deitando nas camas dos aposentos dilsonianos sem ter os devidos cuidados com a higiene, acabando por contaminar camas mesmo que elas aparentem estar limpas. ::putz::

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