"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
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[t1]Carnaval em New York (10 a 15/02/2013)[/t1]
[t3]O Planejamento[/t3]
Ir a nYC foi dobradinha do meu intercâmbio em Toronto! Podem conferir, se quiserem o relato (intercambio-ferias-em-toronto-no-inverno-jan-fev-2013-t83687.html#p851906)
As passagens
- Toronto – Nova Iorque (ida e volta): R$ 606,00 – Comprei em Jan/2013 pela empresa Air Canadá (1x no Cartão de Crédito). – Embarque/Desembarque para Fev 2013.
A viagem
No domingo (10/02) pela tarde minha homestay me levou até o aeroporto Billy Bishop Airport (http://www.torontoport.com/airport.aspx), um aeroporto que você precisa pegar um ferry boate para chegar ao aeroporto de fato e “pegar” o avião. De dentro do ferry há uma linda visão do Lago Ontário e da parte central de Toronto. Meu vôo tinha ainda uma escala em Montreal, mas foi jogo rápido.
Como eu estava com medo de pegar o metrô pela noite para ir para o HI New York Hostel (http://www.hinewyork.org), então recebi algumas indicações de transfer de um brasileiro, o Cássio (cassiocavour@hotmail.com – http://www.cavourtour.com) e o contactei via e-mail e quando cheguei em NY o enteado dele já estava me esperando. Eu particularmente achei caro, U$ 80,00, mas na volta já contratei um transfer indicado pelo Hostel que é o Go Airlink (http://www.goairlinkshuttle.com) é um serviço de van, só que eles tem horários fechados e você verifica em qual horário se encaixa o seu voo seja chegando ou indo embora... por exemplo, meu voo saía dia 15/02/2013 às 04:00 da manhã, mas a van passaria lá no Hotel às 00:00hs e este custou U$ 23,00.
Eu conheci outros brasileiros que pegaram o metrô e conseguiram tranquilamente chegar no Hostel, então, se você estiver bem orientado e for mais ousado, faça este transporte via metrô, muito mais em conta!
Aqui em NY eu consegui anotar os gastos diários para uma pessoa, então para quem está programando, pode ajudar um pouco no levantamento dos custos. Outra dica interessantíssima é a leitura do Guia Nova Iorque para Mãos de Vaca, que já mencionei acima.
Para os passeios nos principais pontos turísticos, assim como em Toronto, em NYC você também pode optar pela compra do CityPass (http://pt.citypass.com/new-york) e dá direito a 6 atrações e também tem um tempo de validade determinado, os lugares são:
- Observatório doEmpire State Building;
- Museu Americano de História Natural
- Metropolitan Museum of Art
- MoMA (Museu de Arte Moderna)
- Top of the Rock ou Museu Guggenheim
- Estátua da Liberdade e Ilha Ellis ou Cruzeiros da Circle Line
Eu não optei pela compra do CityPass pois certamente não iria conseguir ou mesmo querer visitar alguns destes lugares, minha programação foi bem light e decidida a cada manhã...srs
[t3]Dia 10/02 (domingo)[/t3]
Chegada no HI pela noite, aqui foi apenas jantar e cama, porque no dia seguinte iria andar à beça!! Eu havia reservado a hospedagem em quarto coletivo feminino para até 6 pessoas.
Gastos do dia:
- Transfer La Guardia – HI New York Hotel: U$80,00;
- Jantar (lance) U$ 5,75
- Hospedagem (5 dias + café da manhã) U$ 308,00
[t3]Dia 11/02 (segunda-feira)[/t3]
Acordei cedo, minha diária já incluía o café da manhã, mas é o basicão (pão com manteiga ou requeijão, café com leite ou suco e uma fruta, que basicamente é uma maça ou banana). Só que nesta segunda, amanheceu chovendo e permaneceu o tempo assim o dia inteiro, mas não foi impeditivo de andar por NY, eu havia ganhado uma sombrinha do meu brother Abel lá de Toronto e a levei para NY, ela foi minha companheira durante a segunda...
- Museu da História Natural
Peguei o mapa na recepção, perguntei onde era a estação de metrô mais próxima, havia duas, então a atendente perguntou onde eu queria ir para poder me indicar a mellhor estação, falei que iria ao Museu da História Natural (http://www.amnh.org), o famoso museu do filme Uma Noite no Museu e ela me indicou e eu fui. No metrô, comprei o metrocard com validade para 7 dias, e de fato foi uma mão na roda, porque todos os meus deslocamentos foram de metrô e a pé!!
Chegando ao Museu, o mesmo ainda estava fechado, mas logo abriria e já havia uma boa concentração de pessoas nas escadas, me uni a elas para sair da chuva. É enorme, de cara vemos aquele grande dinossauro na recepção do mesmo. Levei acho quem umas 2 horas para andar, ver, tirar fotos, admirar e etc.
- Bowling Green Bull
Ao sair d Museu, peguei o metrô e fui ao Centro financeiro, Wall Street ver o famoso touro!
Quando cheguei lá, estava uma fila enorme de japoneses tirando fotos, como vi que iria demorar e já era hora de almoçar, vi um restaurante pequeno e com um cardápio barato e entrei, experimentei uma macarronada bem servida e gostosa, o nome é The Stir Cafe (thestir.cafemom.com - 32 Broadway #, New York, NY 10004, Financial District). Quando sai, o touro já estava livre e pude tirar minhas fotinhas!!
Outra coisa interessante, inglês você quase não precisa falar, porque o que tinha de brasileiro em NY não está escrito!! Eu amei isso, vi os brazucas a todo momento!! Hehehe
- Trinity Church e Memorial 09/11
Continuei minhas andanças e fui à procura do Memorial 09/11, e antes de chegar lá, entrei numa linda Igreja, chamada Trindade (Trinity Church http://www.trinitywallstreet.org) fica localizada: 74 Trinity Pl New York, NY 10006 – está no cruzamento das ruas Wall Street e Broadway) . Entrei e fiz uma breve oração de agradecimento por tudo que havia vivido no último mês!
Depois fui ao Memorial 09/11 eles montaram um esquema de segurança semelhante quando passamos pelos aeroportos, mas todo o procedimento é rápido e tranqüilo. O acesso as piscinas onde ficavam as torres gêmeas é gratuito, mas é o tipo de visita que todo mundo fica quieto e pensativo, afinal, foi uma tragédia para o país e para o mundo também. Na borda das piscinas tem o nome das vítimas, fiquei lá, olhando e depois fui embora.
- Mancy’s
Peguei novamente ao metrô e fui conhecer a mega loja Mancy’s, saltei na estação errada e depois voltei e sai na estação correta...srsr. É de fato um paraíso convidativo ao consumo! Um andar só para confecções femininas, outro só para masculinas, outro só de cama, mesa e banho, outro para perfumes, maquiagens, sapatos, bolsas! OMG!!! I Love it! Mas sou brasileira e funcionária pública, então foi só para entrar e conhecer, levar algo?! Só se o preço estiver muito “off” kkkkk. Para não dizer que não comprei nada, comprei um batom da MAC (deveria ter compra pelo menos uns 5) amei o batom e faz sucesso até hoje
hauhauhau
-Pub’s em NY
Cansada de tanto bater perna, voltei ao Hostel e vi que tinha uma programação para segunda a noite, conhecer 3 pubs! O legal do HI New York é essa opção de integrar os hóspedes, então só fica sozinho quem quer, e foi nesta atividade que eu conheci outros brasileiros que foram meus companheiros durante toda a semana, a Cris de Sampa e o João da Bahia. Havia outros brasileiros, só que não fizemos tantas outras programações em conjunto!
Assim, às 22hs saímos para conhecer os pubs, infelizmente eu não anotei o nome dos 3, mas foi bacana, gostei mais do primeiro, porque não estava tão cheio e estava rolando uma brincadeira típica que vejo nos filmes, aqueles pedaços de madeiras empilhados e que você vai retirando as peças sem que a pirâmide desequilibre e caia, fatidicamente uma hora ela vai cair, mas é legal a adrenalina da brincadeira, a outra brincadeira é aquela de acertar os copos com uma bolinha a uma pequena distância, tem até um filme que passa um campeonato deste jogo! O último pub já era meio fim de noite e de uma segunda-feira, daí como o metrô para de funcionar as 02hs eu e a Cris saímos mais cedo para podermos regressar para o hostel de metrô e porque no dia seguinte iríamos continuar nossas andanças!
Gastos do dia:
- Metrocard: U$ 29,00;
- Entrada do Museu da História Natural: U$ 19,00 (preço sugerido, por isso você pode pagar bem menos)
- Almoço: U$ 9,66
- Batom MAC: U$ 16,38
- Jantar: U$ 8,17
- Cervejas: U$ 8,00
[t3]12/02 (Terça-feira)[/t3]
Como o tempo estava bem melhor, sem chuva e até um um pouqinho de sol, encontrei no café da manhã a Cristina e o João e decidimos fazer os passeios:
- Empire State
Está localizado na intersecção da 5ª Avenida com a West 34th Street. A procura para conhecer os altos do Empire State é realmente muito grande, então forma-se uma grande fila, mas que você não demora muito tempo esperando. Então entramos, compramos o ticket e subimos! Lá em cima estava ventando muito e também mais frio. Dá para admirar a bela cidade de NY numa boa! Tirar boas fotos e ficar imaginando as dezenas de cenários de filmes que você já assistiu com aquela paisagem!
-Estátua da Liberdade
Devido ao furacão Sandy, a estátua não estava sendo permitida a visita a ela em si, então resolvemos fazer o passeio de Ferry Boat, que passa próxima a Estátua da Liberdade, a Ponte do Brooklyn (http://www.nyc.gov/html/dot/html/infrastructure/brooklyn-bridge.shtml) e a o píer 17. Passei dura em média de 40 a 50min. O engraçado quando o barco chega próximo a Estátua todo mundo vai para a parte da frente, o piloto tem pedir pelo amor de Deus se afastem, por senão vamos afundar, tamanho é o peso que faz do povo querendo tirar fotos....hehehe. Neste barco é possível ficar na parte de cima, mas estava muito frio e fiquei em baixo, na hora que o frio apertava eu ia para a cabine e tirei boas fotos lá de dentro mesmo.
- Touro de Wall Street
Fomos caminhando até o touro para o João e a Cris conhecerem e como o dia estava mais ensolarado eu também tirei mais fotinhas e foi aí que conheci a tradição de tocar nas “bolas” do touro....kkk dizem que trás sorte, dinheiro e a “certeza” de voltar a NY novamente, por via das dúvidas eu segui o rito! Aproveitando que já era hora do almoço, levei meus amigos ao mesmo restaurante do dia anterior (The Stir Cafe) para almoçarmos e depois seguirmos os passeios!
- Memorial 09/11 again e Little Italy e Chinatown (bairros italianos e chinês em NY)
Seguimos a pé para o Memorial e depois fomos ao little Italy e Chinatown, pegamos metrô, mas conseguimos mesmo chegar ao Chinatown e sinceramente achamos o bairro meio parado, pensei que fosse ter mais lugares temáticos. No entanto, estava acontecendo numa pracinha uma espécie de confraternização da comunidade Chinesa, entramos, olhamos e depois fomos embora.
Pegamos o metrô para tentar saltar na estação e caminharmos até a Ponte do Brooklyn e atravessá-la... Mas erramos e chegamos à ponte de Manhattan....srs voltamos e deixamos a travessia para o dia seguinte.
- Estação Central
Pegamos o metrô novamente e saltamos na Estação Central! Nos filmes eu sempre a vejo e acho linda, claro que tinha que ir lá conferir de perto! Chegamos e ela estava mega lotada, todos indo e vindo num ritmo frenético! Subimos e ficamos numa loja da Apple admirando a movimentação do povo! A esta altura eu já estava morta de tanto andar! Voltamos para o Hostel, jantamos lá mesmo e depois desabei, porque no dia seguinte tinha mais!!!
Gastos do dia:
- Empire State: entrada U$ 25,00
- Ferry Boat (Estátua da Liberdade/Ponte do Brooklyn e Píer 17): entrada U$ 18,00
- Touro de Wall Street: free
- Almoço: U$ 8,66
- Memorial 09/11 e Little Italy e Chinatown: free
- Estação Central: free
- Jantar (lanche): U$ 2,99
[t3]13/02 (Quarta-feira)[/t3]
Para este dia reservamos conhecer uma pedaço do Central Parque, a Time Square, comprar um bilhete para ir a um show da Broadway pela noite e atravessar a Ponte do Brooklyn. Tomamos café e partimos!!
- Central Park / Biblioteca Pública de New York
O Central Park é imenso, então decidimos ir de metrô até a estação do edifício Dakota (72nd Street e Central Park West, em Manhatan, em Nova Iorque) – onde John Lenon morava, e também onde foi assassinado. O edifício fica em frente ao parque e em uma das pistas do parque há uma homenagem ao John Lenon, um mosaico como uma mandala escrita IMAGINE.
Seguimos nosso passeio a pé pelo parque e como é comum as pessoas caminhando, correndo e seguindo a vida! Muitos esquilinhos nas árvores, no chão, em todas as partes, eles já estão mal acostumados, se aproximam se vc tiver uma bolachinha à mão...
Saímos do parque e passamos em frente ao Museu de Arte Moderna, mas não entramos, seguimos para ir rumo a Times Square e verificar qual show da Broadway caberia em nosso bolso! Escolhemos o MAMA MIA, eu já havia visto o filme com a querida Meryl Streep e o valor estava razoável...srsr
Almoçamos um Big MAC e seguimos os passeios pela Times Square!! Que delícia de estar ali, um sonho realizado! Ver aqueles taxis amarelos, a polícia de NY montada e também naqueles carrinhos que eu só via nos filmes!! Huhu. Passamos rapidamente na Biblioteca Pública de New York (http://www.nypl.org/), mas só no salão de entrada que tinha exposição, mas não podia tirar fotos.
- Ponte do Brooklyn
Desta vez, saltamos na estação certa e fomos fazer a travessia, num ritmo calmo, apreciando a vista... Acho que levamos uns 30 min para atravessá-la!! É muito interessante todos aqueles cabos da Ponte e o curioso para mim foi ver um monte de cadeados colocados junto a mesma! É uma tradição das Pontes de Paris, no Rio Sena, e que levaram para NY. No entanto, a prefeitura de NY, sempre retira os cadeados, mas os turistas insistem em continuar colocando...
- Century 21
Aproveitando que tínhamos muito tempo até o show da Broadway fomos conhecer uma das lojas da Century 21, outro paraíso ao consumo! Muitos perfumes, maquiagens, roupas, bolsas, sapatos! Desta vez, fui às compras, bolsas Kliping e Guess a pouco menos de U$ 30,00 tinha que levar!
- Show na Broadway – Mama Mia
No começo da noite, voltamos para a Times que pela noite é mais bela ainda! Iluminada e frenética! Jantamos e seguimos para o teatro. Na fila, só a brasileirada e ao nosso lado também mais brasileiros!! Espétaculo show! Não tinha como ser menos, dizem que há muitos melhores, mas quem sabe em outra viagem a NY! Ao final da noite, voltamos para o Hostel moídos para descansar porque no dia seguinte mais andanças nos aguardavam!!
Gastos do dia:
- Ticket Mama Mia: entrada U$ 70,00
- Almoço (BIG MAC + Refri): U$ 7,72
- Jantar: U$ 13,70
[t3]14/02 (Quinta-feira) – Valentine’s Day and My Birthday[/t3]
Este era meu último dia em NY, porque na sexta muito cedo eu já estaria retornado à Toronto... E como era meu níver, tinha que comemorar junto a muitas celebridades e reservei a manhã para conhecer o Museu de Cera “Madame Tussauds”, mas antes de ir para lá, fomos conhecer o campus da Universidade de Columbia e depois umas últimas comprinhas para conhecer a Century 21 e mais um pub!
- Campus da Universidade de Columbia
Era Valentine’s Day, havia pequenos grupos de estudantes trocando presentes, porque esta data vai além de trocas de presentes entre namorados, é também comemorado por amigos, colegas de trabalho e etc. é um dia fraternal, pelo que percebi. Andamos e fomos até a entrada da Biblioteca, depois vimos um grupo de estudantes brincando em um dos campos, outros indo e vindo no ritmo normal de uma quinta-feira de aula. O que me veio à mente foram as dezenas de filmes americanos e fatidicamente aqueles episódios de massacre...
- Museu de Cera “Madame Tussauds”
Saindo da Universidade seguimos para a Times Square onde fica o museu de cera Madame Tussauds, o museu é muito grande e há diversas celebridades! Não contei conversa e registrei, se não todas, foram quase todas as estátuas!! Demoramos ali quase 3 horas para conhecer cada trabalho, uns bem realistas e outros nem tanto!
-Times Square
Saindo do museu ficamos pela Times, como era o Valentine’s Day e parecia meio que feriado havia mais pessoas nas ruas, as lojas com ações promotoras de produtos, tanto que a Dunkin Donuts estava distribuindo chocolate quente e donuts em formato de coração para todos ali, claro que eu e Cris aproveitamos!! Srsrsr
Aproveitamos ainda para procurar souvenires, mas na Times acho que pegamos pesado demais, ali de fato será uma região com itens mais caros, talvez ao longo da Avenida encontre-se lembrancinhas com preços melhores! Como eu já havia comprado bastante no Chinatown de Toronto não fiz muita questão de comprar em NYC.
-Despedida
Chegamos ao Hostel, jantamos por lá mesmo e quando eu estava na mesa lá com os demais amigos de viagem, falei ao recente amigo argentino Steban, que era meu aniversário, ele não pensou duas vezes e começou a cantar: “Happy birthday to you...” em alto e bom som e toda a galera que lá estavam continuaram, fiquei morrendo de vergonha, mas foi um inesquecível presente de aniversário, comemorar com tantas pessoas novas! Havia conferido meu e-mail e facebook e pude também receber as boas vibrações de minha família que a esta altura eu já estava morrendo de saudades! Afinal, nunca havia passado tanto tempo fora de casa e tão distante!
Subi, tomei banho, deixei as malas prontas e como a van para ir ao aeroporto só passaria bem tarde da noite, Cristina, Fernando e eu aproveitamos para conhecer um pub ali perto do Hostel, o Broadway Bar, lugar aconchegante e não estava cheio, mas a galera foi chegando aos poucos! Inclusive os outros amigos brasileiros... Gostei da decoração, vários objetos pendurados no teto e nas paredes! Tomamos umas cervejas, brindamos meu níver again e batemos papo até a hora de dar tchau!
Quem já foi à NYC sabe que ficou faltando muitos outros lugares para conhecer! Mas vai ter que ficar para a próxima! Muitos que vão a NY vão a algum outlet, como o meu foco não era compras, li em alguns relatos que é bom deixar de 1 a 2 dias somente para eles, porque afinal são bem distantes e demandam dias inteiros, caso você queira realmente explorá-lo em busca de boas compras!
Gastos do dia:
-Museu de Cera Madame Tussauds: entrada U$ 39,00
-Almoço: U$ 8,40
-Jantar: U$ 12,00
-Traslado (Go Air Link): HI Hostel – La Guardia: U$ 23,00
[t3]Retorno ao Canadá/Brasil (15 e 16/02/2013)[/t3]
No aeroporto de La Guardia, aguardei meu voo de volta para Toronto e na conexão em Montreal, eu não prestei a devida atenção no meu bilhete de passagem que a minha mala eu deveria retirá-la no aeroporto de Montreal e não no meu destino final que era Toronto! Quando desembarquei em Toronto e não vi na esteira meu mochilão verde, fiquei triste e constatei no bilhete de embarque que o adesivo da bagagem estava no bilhete NY – Montreal e não no de Montreal – Toronto!
Recorri ao atendimento da Air Canadá que prontamente disseram que minha mochila chegaria ainda na sexta, só que pela tarde e naquele aeroporto o Billy Bishop Airport. A atendente fez o protocolo do ocorrido e me passou o endereço eletrônico e telefônico para eu acompanhar quando a mochila estaria disponível para me entregar! Bom, eu conhecia a eficiência deste povo norte americano, então fui para a casa da minha homestay, que embora não tenha podido ir me buscar, pediu a sua amiga, D. Beatriz que fosse me buscar e fomos para casa.
Ao final do dia Paula ligou para o atendimento do Air Canada e disseram que não estava ainda em Toronto a mochila. Pela noite ela ligou novamente e explicou a situação de que eu embarcaria de volta para o Brasil na manhã seguinte muito cedo no dia 16/02. A mochila já estava em Toronto, mas estava classificada como mala suspeita e teve que ser aberta e revirada e não poderia ser liberada naquela noite, então ela pediu que a mala fosse entregue no aeroporto internacional de Toronto, o Pearson, no setor de malas da Air Canada e assim ficou acordado.
No sábado, dia 16/02 meu voo sairia às 08:40 pela Copa Airline, saímos de casa às 05hs para dar tempo de procurar o guinche da Air CAnada e ter maiores informações acerca da minha mochila. Chegando lá a atendente disse que infelizmente a mala não estava lá, mas que seria enviada para meu endereço no Brasil. Putz, fiquei tão triste e pensei: nunca mais eu vejo essa mochila! Mas sei lá o que ela colocou no sistema, que veio um colega dela lá de dentro trazendo meu mochilãoooo lindo e todo lacrado, parecia até que eles colocaram tudo no devido lugar, pois eu não reparei nada de diferente!! Ah! Fiquei tão feliz e já fui correndo para o guichê da Copa, pois o voo havia sido antecipado em 1 hora seu embarque! Por isso, viajantes fiquem em alerta, especialmente quando tem essas mudanças climáticas por conta do frio! Caso eu não tivesse chegado tão cedo, poderia até ter perdido o embarque!
Minha conexão era novamente no Panamá, mas desta vez de somente 2h de espera! Havia tantos brasileiros lá no aeroporto, todos bronzeados vindo de algum lugar da América Central ou mesmo de Miami e Orlando e eu toda branquela do inverno!! Srs
Desembarquei em Brasília às 00hs do dia 17/02 e a Receita Federal não deu trégua abriu todas as minhas malas e até a minha bolsa de mão! Declarei o Ipad que havia trazido para minha prima, algumas bolsas e acabei tendo que pagar R$ 500,00 de imposto! Mas tudo bem, faz parte do processo!! Srs
Meu voo para Rio Branco sairia às 11:30hs da manhã, então meus tios que moram em BSB me buscaram e deu ao menos para dormir um pouco até voltar de vez para casa! Cheguei em Rio Branco às 14:00hs e toda a família me aguardava para comemorarmos meu aniversário em um animado almoço de família na minha quente e amada cidade!