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Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras e Guatemala em 32 dias
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Em primeiro lugar quero agradecer aos Mochileiros que contribuem com seus relatos e dicas e fazem desse espaço virtual uma das melhores fontes de informação sobre viagens e também ao pessoal que “organiza a casa” (administradores, editores & cia).
Quando fiz meu primeiro mochilão não existia internet, nem foto digital (tá bom, acabo de entregar a minha idade
). Tudo isso para dizer o quanto era difícil montar um roteiro de viagem, estimar os gastos, evitar as “roubadas” e saber o que eu iria encontrar no destino. Era tudo meio às escuras. O máximo que se conseguia era algumas dicas de amigos que já tinham ido antes, ou alguma National Geografic encontrada em um sebo. Com isso gastava-se mais e aproveitava-se menos. O maior prejuízo era deixar de conhecer lugares sensacionais, mesmo estando bem pertinho, por falta de informação.
Entre o primeiro e o último mochilão passaram-se muito anos e poucas viagens (infelizmente), porque eu estava ocupada com coisas menos interessantes. Agora inauguro um novo ciclo e para começar escolhi cinco países da América Central para tirar as teias de aranha da mochila: Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras e Guatemala.
A idéia era chegar de avião ao Panamá e fazer o trajeto até a Guatemala por via terrestre utilizando, sempre que possível, o transporte público. Existe uma empresa de ônibus chamada Ticabus que faz a ligação entre as capitais desses países e disponibiliza ônibus confortáveis e uma estrutura de hotéis para os passageiros. Os turistas utilizam esse transporte para se deslocar entre as capitais e contratam pacotes turísticos ou serviço de shuttle para chegar aos locais de interesse. Cheguei a viajar de Ticabus entre a Nicarágua e Honduras, mas apesar da comodidade (e do alto custo), não era esse o tipo de viagem que eu queria fazer. Queria estar em contato com a população local, conhecer seus costumes e percorrer estradas onde eu pudesse ver a realidade do país. Eu já imaginava que não haveria muitos turistas embarcando em chicken bus e micro ônibus lotados, mas o fato é que não encontrei nem um mochileiro sequer se aventurando nessas rotas alternativas. Na minha opinião vale a pena fugir da linha convencional recomendada pelos manuais de viajante, essas jornadas torturantes foram o tempero perfeito da minha viagem.
Economizei bastante no transporte, mas não poupei muito na hospedagem, primeiro por falta de tempo para pesquisar lugares mais baratos e segundo porque achei que eu merecia uma boa noite de sono, com conforto, depois de um dia cansativo. É possível fazer essa viagem gastando bem menos, mas acho que é legal fazer uma compensação: nem só conforto, nem só sacrifício.
Essa viagem solo aconteceu entre os dias 14/03/2014 e 15/04/2014 e foi tão legal que quero compartilhar a minha experiência, para que mais pessoas se animem a conhecer esses lugares maravilhosos. Espero que gostem.
A PREPARAÇÃO
Sabendo que boa parte do deslocamento seria feito em ônibus lotados, com dificuldades para acomodar e controlar a bagagem, eu separei apenas o essencial e coloquei tudo em uma pequena mochila. Tive que exercitar o desapego e me libertar da vaidade. Nada de hidratantes, cremes, chapinha, escovas, maquiagens, acessórios. Cortei tudo, inclusive a minha cabeleira rebelde.
O que eu levei:
- 3 camisetas de manga curta
- 1 camiseta de manga comprida
- 1 short
- 2 regatas
- 2 biquinis
- 1 canga
- 1 camisão
- 2 calças-bermuda
- 1 jaqueta impermeável
- 2 meias
- 4 calcinhas
- 2 sutiãs
- 1 chinelo
- 1 tênis (que foi substituído por um novo no Panamá)
- 1 papete (doei no início da viagem)
- 2 toalhas pequenas (daquelas que são bem leves)
- escova de dente, pasta, sabonete, alguns remédios (shampoo, protetor solar e repelente comprei no Panamá)
- máquina fotográfica, carregador de bateria
- passaporte, dólares, cartões
- cópia do passaporte, passagens e reservas de hotéis impressas.
Tudo isso ocupou metade da mochila (veja na foto o tamanho em relação ao gato). Na volta veio a mais o snorkel, garrafas de rum e os presentes.
CUSTO
Total gasto em 32 dias US$ 2.700
- Passagens aéreas São Paulo/Panamá (ida e volta) e Guatemala/Panamá (ida): US$ 1.000
- Hospedagem, comida, passagens de ônibus, despesas de fronteira e outros gastos de viagem: US$ 1.700
Sexta-feira , 14 de março de 2014
CHEGADA NA CIDADE DO PANAMÁ
Com uma mochila tão pequena não precisei que ninguém me levasse ao aeroporto de carro. Fui de metrô até a estação Tatuapé e de lá peguei a linha 257 que vai para o aeroporto de Guarulhos. Tranquilo.
Parti de São Paulo às 12:15 rumo a Cidade do Panamá em um voo da Copa Airlines que levou cerca de 6h30min. Cheguei às 16:45 (lá são duas horas a menos) no aeroporto de Tocumen. Antes de pegar o táxi fui até um banco e troquei algumas cédulas de US$100 por outras de menor valor. A moeda oficial do Panamá é o Balboa que circula só em forma de moedas, apesar de tudo ser pago em dólar, as notas de 100 não são aceitas em lugar nenhum.
Dividi o táxi com uma moça que ficou no centro da cidade. A corrida custou US$ 20 para cada uma. É possível chegar ao centro utilizando o Metrobus, mas tem que ter o cartão, pois não é aceito pagamento em dinheiro. Existe um posto de recarga no aeroporto, mas não vende o cartão. Parece proposital para obrigar as pessoas a ir de táxi.
Se não fosse tão tarde eu teria me aventurado em um “Diablo Rojo”, antigo ônibus escolar americano, pintado de forma extravagante e que anda em alta velocidade pelas rodovias. Aceita pagamento em dinheiro, mas a maioria dos estrangeiros detesta esse tipo de transporte que ainda é muito utilizado pela população. Eu sou apaixonada pelos “Diablo Rojos”, pena que aos poucos estão saindo de circulação para dar lugar aos confortáveis Metrobus.
Fiquei hospedada no Hostel Panamericana que fica na parte antiga da cidade, conhecida como Casco Viejo – US$ 12 cama em dormitório. O hostel é muito barulhento, assim como toda essa região, então se busca tranquilidade, fique em outro lugar. Conheci um italiano que se hospedou em um hotel na Cinta Costeira em uma suíte confortável e pagou cerca de US$20. Uma boa opção é se hospedar na Cinta Costeira na parte que fica mais próxima ao Casco Viejo e da Plaza 5 de Mayo de onde partem os ônibus para vários pontos da cidade e também tem uma estação de metrô. Quando eu estava lá, o metrô ainda não estava em operação, mas foi inaugurado no dia 05 de abril. Nessa fase inicial não será cobrada a passagem, mas é necessário usar a fatídica “tarjeta” para ter acesso. Se for utilizar ônibus, metrô e também pegar ônibus para outras cidades do Panamá a partir do Terminal Albrook, então vale a pena comprar a “tarjeta 3 em 1”.
Sábado, 15 de março de 2014
ALBROOK MALL E CASCO VIEJO
Segui para a Plaza 5 de Mayo a fim de pegar um ônibus para o Albrook Terminal, onde há um grande shopping chamado Albrook Mall. Eu precisava comprar um tênis e uma máscara com snorkel.
Antes de tomar o Metrobus, eu passei em uma bilheteria para comprar o cartão que custa US$ 2 e carregar algumas passagens. Os cartões tinham acabado, não havia mais nenhum para vender. A atendente me perguntou se eu era brasileira e quando eu disse que sim, deu um sorriso enorme, dizendo que adora o Brasil. Pegou sua bolsa, tirou de dentro o cartão de uso pessoal e disse que ia me vender. Olha aí, que demonstração de carinho pelo Brasil.
No Albrook Mall comprei a máscara/snorkel por US$ 26, mas não encontrei o tênis do jeito que eu queria. Havia tênis Nike por um preço acessível, mas eu queria um tênis resistente para aguentar as trilhas. Almocei por US$ 5 num daqueles restaurantes em que a gente aponta para a comida, peguei o ônibus de volta a Plaza 5 de Mayo e de lá segui a pé pela Avenida Central até o Casco Viejo. Essa avenida é uma via de pedestres e comércio popular. Lá encontrei o tênis “cascudão” que eu queria, de couro, solado resistente, US$ 45. Cheguei no meio da tarde no hostel, deixei as compras e fui conhecer mais um pouco do Casco Viejo. Fui até o Paseo Las Bovedas onde as índias Kuna vendem seu artesanato, as famosas molas. Caminhei pela Plaza de Francia, tirei mais algumas fotos do Casco Viejo e voltei para o hostel, onde providenciei a ida para San Blás na segunda-feira. Paguei US$ 5 para o hostel que tratou de todas as reservas e os demais pagamentos deveriam ser feitos no decorrer da viagem:
- Transporte 4x4 ida e volta – US$ 55 pago na chegada ao cais
- Pedágio – US$ 10 pago na estrada
- Taxa de uso do cais – US$ 2 pago na entrada do cais
- Barco para a Isla Iguana ida e volta– US$ 20 pago na ilha
- Hospedagem (3 noites em dormitório compartilhado com 3 refeições diárias) – US$ 105 pago na ilha
Domingo, 16 de março de 2014
CINTA COSTEIRA E AMADOR CAUSEWAY
Este foi um dia para desenferrujar as pernas. Primeiro fui caminhar na Cinta Costeira, um espaço na orla marítima, onde há um calçadão para caminhadas, passeios de bicicleta e que possui alguns parques ao longo do trajeto. De lá pode se ver claramente a divisão entre a moderna Cidade do Panamá com seus edifícios altíssimos e o Casco Viejo com suas construções em estilo colonial.
Na volta dei uma passada no Mercado de Mariscos e experimentei o famoso ceviche de pescado(US$ 1,25 o copinho pequeno) acompanhado de uma cerveja Balboa(também US$1,25). O ceviche estava delicioso, no copo pequeno vem uma quantidade generosa, mais que suficiente. Pena que ainda era muito cedo para almoçar, pois existe um restaurante no andar superior do Mercado onde são servidos pratos a base de frutos do mar a um preço bem acessível.
Caminhei até a Plaza 5 de Mayo onde tomei um táxi compartilhado para a Calzada Amador Causeway (US$1,50). Dá pra ir de Metrobus, mas como eu não sabia onde era o ponto peguei o táxi mesmo. Esse táxi fica ao lado da Caja de Ahorros e só parte quando tem 4 passageiros. A Amador Causeway é uma via asfaltada com uma calçada para pedestres e ciclistas que liga 4 ilhas que ficam na entrada do Canal. Essa via foi construída com o material que sobrou da construção do Canal do Panamá como um quebra-mar para a entrada de embarcações. O lugar é muito bonito, tem restaurantes, bares e um Duty Free. Almocei um marmitex com pescado por US$ 3,50 e ainda tive que dividir com três gatos que ficaram na volta com cara de fome. Voltei pro centro de Metrobus.
Segunda, 17 de março de 2014
A CAMINHO DE SAN BLÁS
San Blás é um arquipélago formado por 365 ilhas no mar do caribe, habitado e administrado pelos índios Kuna, que tiveram que lutar contra o governo panamenho para garantir a soberania sobre essas ilhas e a preservação de sua cultura. Os índios tem exclusividade para explorar o turismo no arquipélago e autonomia para estabelecer suas próprias leis.
Às 6:30 já havia várias camionetes estacionadas em frente ao hostel, muita gente estava a caminho de San Blás, mas o motorista que me levaria ainda não havia chegado. O trajeto é feito em duas horas e meia, mas houve uma demora enorme porque o motorista tinha que buscar dois gringos em um hostel e acabou se perdendo na cidade. Também houve muita demora na hora de comprar coisas no supermercado, o povo comprou comida para um mês. Eu comprei só uma garrafa de água e não foi necessário mais que isso.
A estrada que leva ao cais é quase toda asfaltada e está em bom estado, mas é uma estrada sinuosa e que requer muito cuidado do motorista. Eu tive sorte, tanto na ida quanto na volta os motoristas foram cautelosos, mas tem uns que andam em alta velocidade. Na volta vimos um veículo que caiu num barranco e as pessoas se machucaram muito. Portanto, se perceber que o motorista está indo rápido demais, peça para ele diminuir a velocidade. É perigoso sim.
Outra coisa, tenha seu passaporte à mão, pois ao longo da estrada há postos de fiscalização onde o documento é solicitado.
Chegando ao cais tem que esperar o barco que vai te levar para a ilha escolhida. Essa espera pode ser longa, tem muita gente. Esperamos cerca de vinte minutos para embarcar e uns 50 min para chegar na Isla Iguana.
ISLA IGUANA
Lá pelas 11:00 chegamos a Isla Iguana. É uma pequena ilha com praias em toda a volta, sendo que é possível percorre-la em 5 min. Há quatro ou cinco cabanas pequenas para casal e uma cabana grande com 10 camas, mas não há muitos visitantes. Para quem busca sossego, esse é o lugar ideal. Quando a refeição fica pronta um dos índios sopra em um búzio gigante para chamar o pessoal para comer. O almoço estava delicioso, arroz, salada e um peixe frito. Ao contrário do que li em alguns relatos, todas as refeições estavam ótimas, bem variadas e muito fartas. A bebida não está incluída no valor da diária – refrigerantes, cerveja e água de coco por US$ 2.
Após o almoço uma soneca à sombra de um coqueiro (de preferência sem cocos, para evitar acidentes) e à tarde snorkelling em torno da ilha. Oh, vida difícil...
Os índios da Isla Iguana são muito simpáticos, gostam de conversar, são divertidos e tratam os visitantes muito bem. A estrutura existente na ilha é boa: cabanas simples, mas limpas (não sei nas outras, mas na cabana compartilhada tinha tomada); a luz sofre algumas interrupções, que podem ser prolongadas, então é bom ter uma lanterna à mão; barzinho com bebidas geladas; banheiros e chuveiros satisfatórios (não é preciso carregar balde de água para dar a descarga e nem tomar banho de canequinha).
Só não dou nota 10 por um motivo: os passeios para outras ilhas são muito limitados. Apesar de haver tantas ilhas lindas para visitar, só há dois passeios disponíveis: visita a comunidade Kuna US$ 6 e passeio para a Isla Perro US$15 (se houver um mínimo de 6 pessoas).
Terça, 18 de março de 2014
PISCINA NO MEIO DO MAR E ISLA PERRO
A primeira parte do passeio leva a uma piscina no meio do mar. Não tem ilha, é só um banco de areia com água muito cristalina onde se pode ver peixes, estrelas do mar e pepinos do mar.
A Isla Perro tem praias lindas, águas cristalinas e um excelente local para mergulho e snorkelling em torno de um barco afundado. Tanta beleza atrai muitos visitantes, a ilha fica lotada. Mesmo assim vale a pena passar algumas horas aproveitando a praia, vendo peixinhos coloridos, tirando fotos dessa ilha e também da Isla Diablo que fica muito próxima.
Quarta, 19 de março de 2014
COMUNIDADE KUNA
A beleza das ilhas paradisíacas contrasta com o cenário encontrado nas ilhas que abrigam a comunidade Kuna. Algumas ilhas próximas ao continente são totalmente ocupadas por cabanas e palafitas feitas com bambu e palha de coqueiro. Não há ruas pavimentadas, apenas vielas estreitas entre as cabanas que formam verdadeiros labirintos. Não há praias, nem coqueiros. Também não há energia elétrica, mas algumas cabanas contam com placas solares.
Existem poucas construções de alvenaria, geralmente são instalações públicas como escolas e postos de saúde. Por falar em saúde, quando passei por uma das cabanas ouvi um canto e um dos barqueiros explicou que era um ritual de cura e quem estava cantando era o pajé. Muito interessada nesses rituais, fiquei escutando por alguns instantes, mas tive que apressar o passo para alcançar o meu grupo. À noite, um dos índios da Isla Iguana me contou que metade dos índios ainda se trata com os pajés, utilizando ervas e cânticos, apesar de haver postos de saúde nas comunidades com a medicina do homem branco.
A sociedade Kuna é matriarcal. Existe um conselho de anciões composto por homens e mulheres, mas são as mulheres que tomam as decisões mais importantes. Com tanto prestígio, o nascimento de uma menina é muito festejado e quando ela atinje a maturidade sexual a festa é maior ainda.
As mulheres Kuna são mesmo especiais. Enquanto na maioria das culturas as vestes típicas são abandonadas, para as Kunas as suas roupas e seu artesanato são parte de uma herança sagrada. Diariamente é possível vê-las circulando pelas ruas da Cidade do Panamá com suas vestes coloridas, enfeitadas com as molas(uma espécie de patchwork exclusivo produzido por elas) e seus adereços de miçangas. Pena que é tão difícil fotografa-las(só pagando).
Quinta-feira, 20 de março de 2014
A Caminho de Bocas del Toro
Adeus San Blás! O barco partiu às 9:00 e vi a Isla Iguana se distanciar me sentindo muito feliz pelos três dias maravilhosos que passei ali. Às 13:00 eu já estava no Terminal Albrook e fui logo comprar a passagem para Almirante (US$28), que só sairia às 20:00. Teria uma longa espera pela frente. Aproveitei e passei no guichê da Ticabus e comprei a passagem entre Leon e San Pedro Sula (US$ 32) para o dia 04 de abril. Depois de fazer um lanche, fui para o segundo piso do terminal e aproveitei para relaxar e ver o desfile dos Diablos Rojos que eu tanto gosto. Com tempo sobrando, atravessei a passarela e cheguei ao Albrook Mall e fui ver o que estava passando no cinema. Não tinha nenhum filme naquele horário, então fiquei passeando no shopping. Mais algumas horas na sala de espera e chega a hora de embarcar. Eu já sabia pelos depoimentos na internet que, para acessar a área de embarque, seria necessário passar por uma catraca utilizando um cartão específico para o terminal. Eu comprei o cartão do Metrobus achando que também serviria para o terminal, mas estava enganada. No final das contas eu tive que pedir para um senhor que tinha o cartão para pagar o meu acesso. Eu quis pagar, mas ele não aceitou, dizendo: “- Hoje eu te ajudo, amanhã alguém me ajuda ou ajuda alguém da minha família. Então tá tudo certo”. Eu concordo com essa idéia, então agradeci a ele pela gentileza e desejei, em pensamento, que aquele senhor recebesse o pagamento da melhor forma possível.
Já dentro do ônibus constatei que o alerta dos mochileiros em relação ao ar-condicionado gelado tinha fundamento. É muuuuuito frio mesmo!
Ainda bem que eu estava preparada: calça comprida, blusa térmica e jaqueta com capuz. A maioria das pessoas não imagina que com o calorão que faz no Panamá, vá passar frio dentro do ônibus, mas a temperatura é tão baixa que há risco de ter uma hipotermia, afinal são dez horas de viagem.
Sexta-feira, 21 de março de 2014
Cayo Zapatilla - Bocas del Toro
Cheguei em Almirante às 6:15 e logo peguei um táxi compartilhado até o porto (US$ 1). O porto é longe, não dá prá ir a pé. O barco para Bocas custa US$ 6 e leva 45 min.
A cidade de Bocas del Toro é muito feia, há muito lixo espalhado pelas ruas, há esgoto a céu aberto e as praças tem aspecto de abandono. É comum ver urubus bicando o lixo.
Me instalei no hotel Cayo Zapatilla (US$25), próximo a praça central . Tomei café em um lugar muito simples em frente ao Hotel Cristina (não lembro o nome) e paguei US$ 2 por uma hojalda (uma massa frita) com salsicha e café puro. Em seguida contratei o passeio para Cayo Zapatilla e Cayo Coral que também incluía uma passada na baía dos golfinhos (US$ 30). Às 10:00 eu fui para o cais e nesse instante começou a cair uma chuva torrencial. Foram distribuídos sacos de lixo para improvisar uma capa e o barco partiu em meio a tormenta. O trajeto não foi nada agradável, além da chuva, o mar agitado e o vento deixaram as pessoas com frio e completamente molhadas.
Para quem vive no Brasil e já cansou de ver golfinhos dando piruetas na praia, a baía dos golfinhos é um tédio. Após longos períodos de espera é possível ver uma ou duas barbatanas ao longe e os turistas gritam, aplaudem e tiram fotos, hahaha.
Cayo Zapatilla é uma ilha deserta com muita vegetação, areias brancas e mar azul que em dias de sol deve ser maravilhosa. Então se estiver chovendo deixe esse passeio para outro dia. O mesmo vale para Cayo Coral, um local ótimo para fazer snorkelling, com corais coloridos e muitos peixes. Na volta, o barqueiro passou por algumas ilhotas onde pudemos ver centenas de estrelas do mar e também um bicho preguiça.
De volta ao hotel eu só queria saber de um banho e uma boa noite de sono, o que não aconteceu. Um bando de argentinos bêbados e/ou drogados que estavam nos quartos próximos ao meu, passaram a noite toda gritando e fazendo baderna.
Sábado, 22 de março de 2014
Isla Bastimentos
Levantei cedo, tomei café e tratei logo de arrumar outro hotel para ficar. Dessa vez fiquei mais distante da região central. Arrumei um hotel pelo mesmo valor, mas com muito mais conforto e o mais importante, silêncio para dormir.
Resolvido o problema da hospedagem, peguei o barco para a Isla Bastimentos (US$7). Ao contrário do dia anterior, o sol brilhou o dia inteiro e a travessia de barco de 20 min foi tranquila. Paga-se US$ 3 para entrar na ilha, considerada um parque nacional. Atravessando a ilha por uma trilha na mata chega-se a Red Frog Beach. Não vi nenhum sapinho vermelho, mesmo assim gostei muito do lugar, algumas praias são bem desertas e selvagens.
Domingo, 23 de março de 2014
Playa de las Estrellas – Bocas del Toro
Depois de duas noites mal dormidas, finalmente consegui descansar meu esqueleto. Agora era aproveitar o domingo, último dia em Bocas e o lugar escolhido foi a Playa de las Estrellas. Para chegar lá pega-se um ônibus na praça em direção a Bocas de Drago (US$ 5 ida e volta) e o trajeto leva 45 min. Do ponto final do ônibus pode-se pegar um barco até a praia (US$ 3) ou caminhar 15 min por uma trilha a beira-mar.
Nessa praia costuma haver muitas estrelas-do-mar (o Jay, que conheci na Isla Iguana, esteve ali há algumas semanas e disse que havia tantas estrelas que tinha que cuidar para não pisar nelas), mas nesse dia não vi muitas. Talvez a chuva que caiu na sexta tenha alguma coisa a ver com o sumiço ou elas sabiam que no domingo a praia ficaria lotada e se esconderam. Muitas estrelas morrem devido a falta de consciência dos turistas que tiram as estrelas de dentro da água para fazer pose em fotos. Encontramos vários exemplos disso ao pesquisar as fotos na internet: mulheres adoram fazer sutiã com as estrelas, homens adoram empilhar e crianças enfeitam seus castelinhos de areia. As estrelas-do-mar tem razão em sumir.