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Olá viajante!

Bora viajar?

Mil Perrengues: Bolívia, Chile e Peru

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Fala galera da mochila!

 

Estou aqui mais uma vez, como forma de retribuição, para registrar nossa aventura. O roteiro é clássico e já conhecido de quase todos por aqui, mas nunca imaginaria que uma viagem dessas fosse tão marcante e tão imprevisível.

 

Iniciamos – eu e a Miriam (minha esposa) – no dia 12.03.2014 por Santa Cruz, depois Sucre, Potosi, Uyuni (Salar), San Pedro do Atacama, Arequipa, Cusco (Macchu Picchu), Copacabana e, por fim, La Paz.

 

Antes de mais nada, gostaria de agradecer imensamente a TODOS do Mochileiros.com que me ajudaram a construir e realizar esta viagem, direta ou indiretamente, especialmente Sorrent, Mauro Brandão, Maria Emília, guto_okamoto (e os mendigos machos), Aletucs, camilalisboa e todos os demais que a minha memória traiu agora...Muito Obrigado!

 

Gastos

 

A primeira preocupação de qualquer mochileiro, além do roteiro, claro, é com a grana que irá investir. Posso dizer que conseguimos ser bem econômicos, principalmente com comida e hospedagem, fato que foi bem proveitoso ao final, restando uns dólares para o Free Shop e presentes aos amigos.

 

No total, gastamos cerca de R$ 4.500,00 (reais) para o casal, com tudo, hostel, comida, passeios, etc. Só não entrou nessa conta as passagens aéreas de ida e volta e um “plus” devido aos perrengues que explicarei mais tarde...

 

Levamos TUDO em dólares e foi a melhor coisa que fizemos. Não tivemos problema algum, sem preocupação com caixas eletrônicos, taxas de cartão de crédito e demais preocupações. O único risco – e bota risco nisso – era perder o dinheiro, mas levamos duas Money Belt que deram conta do recado, só tirávamos para tomar banho e olha lá!

 

A estratégia foi trocar reais por dólares aos poucos, aqui no Brasil. Íamos acompanhando a cotação e quando estava boa, ligávamos para três casas de câmbio e brigávamos pela melhor cotação, sempre dava certo e uma cobria o preço da outra.

 

Passagens: R$ 1.380,00 para os dois já com todas as taxas, voando Gol. O melhor preço foi no decolar.com, inclusive com mais opções de horário.

 

Reservas/Hospedagem

 

A única reserva que fizemos com antecedência foi para o Jodanga, hostel excelente de Santa Cruz, pois queríamos conhecê-lo e sabíamos que não voltaríamos tão cedo a Santa Cruz, quer dizer, pelo menos não imaginávamos o final SURPREENDENTE dessa viagem...Mas enfim, quem quiser dar uma olhada no Jodanga e já aproveitar para fazer aquela reserva esperta, entra lá no site deles: http://www.jodanga.com/

 

No mais, fomos desbravando as “ótimas” ::mmm: opções de hospedagem que a nossa querida América do Sul nos oferece, com exceção do Wild Rover, que realmente é muito bom, mas só tem em Arequipa, Cusco e La Paz, recomendadíssimo! Pela festa, pela bagunça, pelo conforto, pela higiene, pela comida, pela galera, etc., etc., etc., quem já ficou lá sabe do que estou falando...E mesmo para você, rapaz casado e sério e você, donzela comprometida, vale a pena. Como disse, fui com minha esposa e curtimos muito o lugar, não é só para pegação e bebedeira que o Wild Rover se presta, confiem em nós: http://www.wildroverhostels.com/

 

Obs. Se você for solteiro (a), então amigo (a), o Wild Rover é parada obrigatória. ::hahaha::

 

Perrengues

 

Meu Deus do céu! Só nesta trip aprendemos a lidar com quase todos os tipos de perrengues que uma viagem pode proporcionar. Terminamos com a sensação de missão cumprida, mesmo não conseguindo seguir boa parte do nosso roteiro, infelizmente, mas serviu como um grande aprendizado e um motivo para voltarmos, sem sombra de dúvida. Então, como todo bom mochileiro, prepara-se e curta o momento...

 

Certificado Internacional de Vacinação

 

Como a maioria que já postou relato por aqui, não nos foi solicitado este certificado em nenhum momento da viagem. No entanto, se você quiser garantir, o posto da ANVISA, no aeroporto de Guarulhos, fica no Terminal 2, ASA "C" - Desembarque, e você poderá retirá-lo na hora.

 

IMPORTANTE: Para a retirada do Certificado Internacional, primeiro deverá tomar a vacina em qualquer posto de saúde, é de graça e garantirá sua proteção contra a FEBRE AMARELA. Para agilizar as coisas caso queira retirar o certificado no mesmo dia do seu voo, como nós fizemos, antes de sair de casa, faça seu cadastro no site da ANVISA, pois sem ele não será possível a retirada no posto do aeroporto. Você até consegue fazer o cadastro na hora, eles têm um computador ligado à internet lá mesmo, mas a conexão é lenta e tem fila, o que poderá atrapalhar seus planos ou fazer com que se atrase para pegar o avião.

 

Então vamos lá!

 

12.03.2014 – São Paulo / Santa Cruz de La Sierra (Bolívia)

 

Voamos pela Gol, com saída do aeroporto de Guarulhos às 11h05 e chegada prevista em Santa Cruz às 13h10, tudo no horário e sem transtornos, aliás, essa primeira parte da trip foi bem tranquila, mal sabíamos o que vinha pela frente...

 

Chegando em Santa Cruz, logo trocamos 100 dólares no aeroporto mesmo, pois não tínhamos um boliviano sequer e sabíamos que iríamos precisar para o táxi até o Jodanga, pagamento da diária, lanche e uns itens de última hora.

 

Logo no avião já conhecemos o primeiro brasileiro! Um baiano gente fina que faz medicina em Santa Cruz, aliás, estudante brasileiro de medicina em Santa Cruz é como formiga, tem em todo canto!

 

As perguntas básicas aos brasileiros que chegam nessa cidade são: “Faz medicina?” e “Veio colocar silicone?” Hahahahaha.

 

Pois bem, já com todas as dicas do nosso amigo baiano que não é muito chegado em carnaval, chegamos à cidade mais brasileira da Bolívia. É incrível como Santa Cruz se parece com o Brasil, desde a fisionomia do povo, até o clima e a comida.

 

CURIOSIDADE: Ao sair do aeroporto, existe um sistema alfandegário e de segurança curioso. Ninguém, ninguém mesmo entende e eles não explicam. O lance é o seguinte, existe uma porta grande, tipo aquelas com detector de metais, com um botão. Você chega, aperta o botão e, se ficar verde: Liberado! Se ficar vermelho: Revistado! Hahahaha, mas isso é antes de passar pelo suposto detector de metais! WTF?! Como assim? É tipo um roda a roda do Silvio Santos! Pura sorte, nada mais que isso! E detalhe, NINGUÉM RECEBEU LUZ VERMELHA! Passaram umas trinta pessoas na nossa frente e não acendeu a luz vermelha nenhuma vez!

 

O trajeto até o Jodanga é bem tranquilo, um pouco distante, mas tranquilo. Este foi o único táxi que pegamos em Santa Cruz, carro velho, sem cinto, que engasgava e morria a cada 5 km. O taxista era bem fechado, só se soltou quando começamos a falar em português (eita povo simpático de meu Deus), perguntando sobre a Copa, economia, política...Puxar papo com o taxista sempre ajuda.

 

 

Chegando ao Jodanga, surpresa agradável. Hostel com clima caribenho, pessoal simpático, com piscina, bar, wi-fi, enfim, ótimo lugar. Ficamos num quarto para 10 pessoas (beliches), misto, com banheiro e chuveiro quente próprios. O locker fica fora do quarto, no corredor, mas é bem tranquilo, nos sentimos bem seguros lá.

 

Pedimos informações na recepção e já saímos para desbravar a Bolívia brasileira! De lá, caminhamos até um parque que fica bem perto do Hostel, lugar agradável e bem arborizado. Andamos mais um pouco até uma avenida, contornando esse parque e chegamos a um ponto de ônibus. Aí já sacamos como funciona o transporte público na Bolívia.

 

O lance é o seguinte: Não existe ponto de ônibus! Você fica parado numa esquina, numa rua qualquer onde costumam passar os “buses” e, ao avistá-lo, sai correndo atrás! Faz sinal! Mostra a camisa a Brasil! Vira estrelinha, dá um duplo twist carpado, Isso deve funcionar...Para vocês terem uma ideia, de táxi, do Jodanga até o centro, ficaria em torno de 80 BOB´s (bolivianos) ida e volta - pelo menos foi isso que uma brasileira gastou. Nós gastamos míseros 4 BOB´s, cerca de R$ 1,28 (cada passagem). Então, ao contrário da Angélica, Vá de ônibus!

 

Além da economia, é muito divertido. São micro-ônibus bem velhos, importados do Japão da década de 70 e sem segurança alguma. Eles andam com as portas abertas para facilitar a entrada e saída da galera, é sério, às vezes nem param, passam perto da calçada e o povo vai subindo, pagando o motorista, e se agarrando nas ferrugens para ficar em pé. Pra ajudar, como bom brasileiro, estava de chinelo e levei um mil, duzentos e dezessete pisões no dedão do pé direito, resultando, ao final, um saldo de -1 unha.

 

Enfim, chegamos ao centro de Santa Cruz, lugar agradável e meio caótico. A praça XXIV de Setembro é bonita e bem cuidada, com muitas crianças e pombas, as “palomitas”, terror da Miriam :cry: . Resolvemos comer no Burger King, que fica bem em frente a essa praça, num lugar bem legal, enorme e com cara de museu antropológico da minha cidade, hehe. Andamos bastante por todo o centro, já se adaptando novamente ao espanhol e ao povo boliviano. Entramos no mercado municipal, passeamos pela praça, tiramos algumas fotos e conhecemos a catedral, linda.

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De volta ao Hostel, compramos umas bobeiras numa mercearia próxima e aproveitamos para curtir o lugar. O pessoal é bem gente fina, mas tinham muitos, muitos israelenses que, apesar de simpáticos, se fechavam entre eles, numa espécie de panelinha israelita. Uma pena.

 

No mais, entramos no quarto e a Miriam foi perguntar em espanhol não sei o que a um cara com pinta de indiano, que respondeu em inglês e era brasileiro! Hahahaha. Logo uma outra veio berrando: Brasileiros! Aí sentamos na entrada do banheiro, uma espécie de vestiário e ficamos lá batendo papo. O “indiano” (Lucas, se não me engano) contou que estava viajando há três anos, já tinha rodado o mundo e estava voltando pra casa. A outra brasileira, uma figura, estava no fim da trip com um roteiro bem parecido ao nosso, o que foi bom para perguntarmos sobre o Salar e as condições climáticas em Uyuni, pois era Março e a chuva pega naquelas bandas...

 

Terminei a noite tomando coca-cola com Eno e Dramin, resultado do lanche que não caiu bem, droga. Falarei sobre a comida mais pra frente, mas já adianto que, mesmo para estômagos mais fortes, a culinária boliviana reserva algumas surpresas.

 

CURIOSIDADE: Se alguém te convidar para “ficar de bola” em sua casa, recuse! [ou não, vai saber]. Ficar de bola significa TODOS PELADOS pela casa, assistindo um filminho, comendo pipoca, dançando Macarena, de boa, sem roupa, só “de bola”...HAHAHHAhahahaha...História bizarra do indiano brasileiro com uns chilenos aí...

 

Por enquanto é isso [...]

 

NOTAS

 

Cotação do dólar no aeroporto de Santa Cruz: US 1,00 a BOB 6,96.

Táxi aeroporto/Jodanga: BOB 70

Hostel Jodanga: BOB 80 (por noite, por pessoa).

Burguer King: BOB 40 (combo).

Água: BOB 12 (1 litro)

Coca-cola: BOB 7

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28.03.2104 - Copacabana

 

Esqueci de comentar que antes mesmo de irmos a Machu Picchu, fomos a rodoviária ver as passagens a Copacabana. Pra variar o El Paro ainda fazia suas vítimas e a empresa mais bem cotada aqui no mochileiros não estava fazendo o trajeto, a Cruz del Sur. Não me lembro o motivo, acho que só estavam com metade da frota, mas eles fizeram parceria com uma outra empresa e resolvemos arriscar, já que não queríamos a reprise do dia da marmota. Valeu a pena, ônibus bom, confortável e ainda conseguimos assentos-cama, o que proporcionou uma noite de sono incrível.

 

O trajeto Cusco x Copacabana é bem tranquilo e o fato de viajar à noite ajuda bastante, você economiza uma diária de hostel e ainda tira aquela soneca boa, pois a viagem dura em média 9 horas.

 

Para os que não irão ficar em Puno, basta permanecer no ônibus que ele te leva até Copacabana após uma paradinha de meia hora na rodoviária, tempo suficiente para tomar um café e ir ao banheiro, pois o nosso, à essa altura, já estava interditado.

 

Antes de entrar em Copacabana, lógico, passamos pela aduana. Me desculpem os bolivianos, mas toda vez que temos que entrar ou sair do país, temos problemas e é tudo muito enrolado – até parece um país que eu conheço...rs. Primeiro que eles não te informam de nada, depois te cobram um monte de bolivianos sem explicar do que se trata. Ficamos com pena dos gringos, que sempre pagam MUITO mais do que os brasileiros ou a galera da América da Sul. E nem adianta argumentar que eles recebem em euros ou dólar, a taxa, independente de qualquer coisa, deveria ser a mesma, até porque conhecemos uma galera da Europa muito, mas muito mais sem grana que a gente, fazendo bicos e trabalhando em hostel por aí para seguir viagem, então não acho justo este tratamento diferenciado.

 

Logo após resolver tudo, passamos a fronteira e não andamos nem 10 minutos... Um policial boliviano parou o ônibus e nos cobrou propina na cara dura! (no sentido brasileiro da palavra, não no sentido espanhol da coisa, como gorjeta). Todo mundo ficou indignado, perguntando do que se tratava, já que TODOS haviam pagado a taxa de entrada no país. O cara não queria nem saber, pegou a grana e entregou um bilhete FAKE escrito: “Obrigado por visitar o santuário”. P****! Sacanagem, muita exploração, nem entramos na cidade, muito menos visitamos o tal santuário!

 

A galera ficou xingando um monte em todas as línguas possíveis e a gente já pensando que começamos mal nossa estadia em Copa, até que surgiu o imponente Lago Titicaca.

 

Meus Deus, o que era aquilo? Se eu não conhecesse o mar, juraria de pé junto que era um oceano... Impressionante.

 

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O ônibus nos deixou numa rua qualquer, pegamos nossas mochilas e já fomos atacados pelos “cambistas” de hostel! Odeio isso, nem olhamos para frente e o cara já veio grudando no meu braço, querendo me empurrar pacotes para as Ilhas, quartos, passeios, etc. Resolvemos entrar em um hotel qualquer para ver. Não gostamos.

 

Então descemos a rua em direção ao lago e percebemos que lá é que estão os melhores points. Assim como aconteceu em San Pedro, havíamos planejado que este seria o segundo lugar para tiramos férias das férias. Iríamos ficar num lugar melhor e curtir ao máximo o que a cidade tivesse a nos oferecer, já que estávamos quase no fim da Trip e queríamos uma experiência diferente dos perrengues ocorridos até então.

 

Avistamos um lugar bonito, bem em frente ao lago, mas que também não tinha cara de hotel 5 estrelas. Fomos lá perguntar e a diferença para os mais baratos ficava em torno de 80 reais, para os dois. Topamos! Ficamos num quarto de casal, com água quente, sacada com vista para o lago e mesinha para as refeições. Tinha wi-fi e TV a cabo, coisas não vistas há muito tempo...

 

Curtimos muito o lugar, deu tempo ainda de ver o pôr do Sol no lago antes de sairmos para jantar, foi incrível.

 

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Mas antes disso tudo, fechamos as diárias no hotel e já fomos pesquisar como ir à Ilha do Sol. O lance é seguir até o lago e perguntar nos guichês dos próprios barqueiros, pois se fechar com agência ou no seu hotel, certamente será mais caro.

 

Você tem a opção de seguir para o Sul ou para o Norte da ilha e, ainda, ir e voltar no mesmo dia ou passar uma noite (ou mais) por lá e voltar no dia seguinte. Para quem irá fazer a trilha, recomendo seguir para o Norte e ir descendo até a parte Sul, pois acredito que canse um pouco menos.

 

Depois fomos conhecer a cidade e é engraçado como tudo lembra o litoral. Copacabana se parece muito com aquelas cidadezinhas do litoral, com suas casinhas, pescadores, quiosque à beira mar (beira lago), poxa que legal. O clima é muito bom, famílias fazendo piquenique, galera tomando uma breja, pedalinhos, comida boa... Nos sentimos na praia em plena Bolívia!

 

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A cidade é bem pequena e simpática, vale a pena sair para passear sem rumo. Conhecemos cada canto, desde o centrinho lotado de turistas, até os lados mais frequentados pelos locais, com aqueles mercadinhos estranhos e açougues suspeitos.

 

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Ainda deu tempo de ver os carros enfeitados com flores em frente a igreja e tomar um sorvete no banco da praça. São momentos como estes que constroem suas lembranças da viagem, não é raro eu e a Miriam, do nada, nos lembrarmos de situações “bobas” como estas, um sorvete na praça em Copacabana, um cachorro engraçado de San Pedro ou aquele carrinho de pipoca em Cusco... São momentos que você não registra com fotos ou vídeos, mas que permanecem na lembrança para sempre...

 

Ao anoitecer, fomos descansar um pouco e curtir nosso hotel, pois no outro dia iríamos seguir para a Isla del Sol, lugar mágico que você PRECISA conhecer.

 

Acordamos tranquilamente e seguimos ao ponto de saída dos barcos.

 

Esperamos um pouco e a galera foi juntando, como estava frio, somente eu, a Miriam, um casal brisado com seu cachorro e outro casal que tiveram coragem de ir lá em cima, curtindo o vento gelado no rosto e aquela vista que não sai da minha cabeça.

 

O azul do lago com as ondas formadas pelos barcos causam uma espécie de miragem, você não sabe mais se está no lago Titicaca ou numa praia do Caribe. O casal brisado pegou sua lata de Neston (que não tinha 10 cereais + vitaminas dentro) e foi lá para a frente do barquinho puxar um fumo, HAHAHAHAHA. O cachorro ficou com a gente (a Miriam estava lá) e os dois adeptos de JAH foram um show à parte. A mulher dançava sentada e o cara viajava com suas teorias sobre a formação do lago, foi hilário.

 

 

Logo que pisamos na ilha, um cara se apresentou como guia e já foi nos mostrando um mapa, dizendo que teríamos que comprar um bilhete para fazer a trilha e blá, blá, blá... Ficamos meio desnorteados e até começamos a segui-lo, mas nos tocamos da coisa toda e resolvemos nos separar do grupo. Sem problema, você não é obrigado a contratar um guia, que, de verdade, não faz a menor diferença, pois a ilha é repleta de locais e placas explicativas, se você quiser entender uma ruína ou saber como chega em algum lugar é só perguntar ou ler as placas.

 

Queríamos tranquilidade para fazer nosso caminho, devagar e aproveitando cada pedaço de chão. Seguimos sozinhos e foi bem tranquilo, ninguém nos importunou, a não ser os “postos de controle” no decorrer da trilha.

 

Isso eu achei sacanagem, porque ninguém te avisa com antecedência e ainda te cobram uma suposta entrada ao parque do não sei o que, que na verdade é a trilha.

Poxa vida, nada contra cobrar uma entrada para preservar o lugar e conservar a trilha, quem já fez trilhas em locais pagos e gratuitos sabe bem a diferença que isso dá. Mas não, parece que querem te explorar.

 

Teve gente que pagou desde que desceu do barco e foi pagando até chegar de volta a Copa, não acho isso certo. Ou DEVE-SE pagar, ou não. Não pode ficar essa coisa de uns pagam outros não, mas enfim, foi um desabafo, risos...

 

A trilha Norte/Sul, assim como ocorre com as escadarias de Machu Picchu, pode surpreender alguns desavisados... Se você já faz trilhas ou mesmo possui um certo condicionamento físico, tranquilo. Mas se você for daqueles sedentários ao extremo, que cansa só de levantar o copo de cerveja, aí meu amigo (a), pode ser que esse caminho não traga boas lembranças.

 

Confesso que subestimamos essa pequena trilha. Não sei se foi porque estávamos já há muitos dias sem comer direito ou se o cansaço acumulado estava dando as caras, mas ao final da primeira metade, sentamos numa mureta e deu vontade de arrumar um jetsky para nos levar até o outro lado... O Sol estava pegando e não havia uma sombrinha sequer, os pontos de compra de água estavam cada vez mais escassos e nós, como sempre, estávamos com fome. Seguimos firmes sem pensar muito, mas os últimos quilômetros não foram os mais legais, ainda mais porque o final é uma ladeira gigante com areia e pedrinhas escorregadias que tornou a descida um tanto emocionante.

 

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Obs. No final você poderá descer pelas escadas (GIGANTES), mas fomos seguindo uns tiozinhos com suas mulas e uma galerinha do Japão que havia nos pedido ajuda, quando percebemos, já estávamos brincando de rolling stones (literalmente e sem referência musical) quase capotando naquela ladeira assassina.

 

Chegamos lá embaixo e fomos correndo ver se conseguia bilhete para o penúltimo barco, mas não teve jeito, tivemos que esperar pelo último. Só valeu por conhecer um salgadinho delícia de bacon com pimenta (!), que nos salvou de uma hipoglicemia...

 

DICA: Em todo o percurso da trilha, existem 3 postos de controle, como eles dizem, e te cobram 10 BOB, 15 BOB e 10 BOB, respectivamente. Dizem que esse dinheiro fica para cada povoado, inclusive te entregam um recibo com o nome do povo que você ajudou, rs. Não queríamos nos estressar com isso e pagamos. Teve gente que ficou brigando, teve gente que ignorou e foi xingado, teve gente que parou para tomar um chá de coca, enfim, decida o que fará, mas saiba que vão te cobrar! Então vá preparado com bolivianos trocados.

 

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Pegamos o barquinho simpático rumo a Copacabana e foi bem tranquilo.

 

Presenciamos a ingenuidade – ou excesso de confiança – de uma família americana que largou TODOS os seus pertences, incluindo um Mac Book Pro, Iphone, carteira, máquina fotográfica e etc., e saiu do barco para subir até o mirante (uma parada que eles fazem antes de voltar)... Ficaram cerca de 20 minutos por lá e não tinha ninguém olhando suas coisas... A não ser dois mochileiros brasileiros (Bruno e Miriam) que, pasmos, ficaram feito cão de guarda, hahahahaha. Sei lá, cada um sabe das suas coisas, mas não largamos as nossas jogadas por aí nem no Hostel, muito menos num lugar que transita muitas pessoas, seja o país que for, seja a cidade que for.

 

Seguimos viagem e é impossível se cansar de olhar ao infinito do Titicaca. Às vezes parávamos de conversar e ficávamos apenas admirando aquela água azul do lago com pequenas marolas que te enganam a cada movimento...

 

De volta à terra, já estava escurecendo. Nem voltamos ao hotel e já fomos ver passagens para La Paz. Existem inúmeras agências que vendem as passagens, sendo que a diferença de preço é grande, então vale a pena pesquisar bastante. De novo: NÃO CAIA NO CONTO DAS FOTOS! Já estávamos espertos com isso e escolhemos as passagens mais baratas, até porque não é difícil desconfiar daquelas fotos maravilhosas de ônibus duplex com ar condicionado e pneus novos, é só dar um rolê na praça de onde eles saem e verá que é um pau velho atrás de outro!

 

A única diferença que há, realmente, é que dependendo do horário, os ônibus percorrem trajetos diferentes em La Paz, sendo que você terá a oportunidade de parar no centro, próximo ao cemitério ou mesmo no aeroporto. Então fique ligado e pergunte sobre as paradas que o seu ônibus irá fazer.

 

Após comprarmos nossas passagens, andamos por Copacabana, fizemos algumas comprinhas e fomos comer uma pizza muito boa de um lugar que não lembro o nome, mas foi indicação do dono de um restaurante que disse ser a melhor pizza de Copa. Fomos lá conferir e realmente era boa, nada de mais se comparada às pizzas do Brasil ou mesmo a de Águas Calientes, mas valeu pela experiência.

 

DICA: NUNCA aceite nota rasgada, amassada ou riscada de caneta. Foi um sufoco conseguirmos usar algumas que nos passaram. Depois ficamos espertos e toda vez que pegávamos troco já conferíamos nota por nota e devolvíamos aquelas zuadas.

 

Curtimos mais um pouco da noite ao lago Titicaca, compramos umas cervejas e fomos admirar a paisagem da sacada do nosso quarto, com o céu estrelado e aquela brisa que parecia do mar...

 

Na manhã seguinte era hora de dar tchau. Acordamos bem cedo, pois nosso ônibus a La Paz sairia às 7h ou 7h30, se não me falha a memória. Fomos fazer o check-out e fomos surpreendidos positivamente com a galera desse hotel.

 

Só um cara estava atendendo e como ainda era cedo, não havia café da manhã. Mas... Ele fechou nossa conta e pediu para esperarmos um segundo. O cara foi lá e fez um cafezão especial só pra gente! Tinha ovos mexidos, café, leite, pães, geléia, manteiga, queijo, presunto... Hummm... Foi ótimo o tratamento VIP!

 

De barriga cheia, saímos correndo pois estávamos perdendo a hora. Mera ilusão, chegamos lá e ainda esperamos pra caramba até o ônibus lotasse para poder sair, droga!

 

O bus parecia de circo. Era MUITO antigo, se fosse aqui no Brasil estaria naquelas exposições de carros. Lembrava uma Kombi com teto alto, que aliás, era o “bagageiro”. Fomos rezando pra não chover, seria um desastre molhar tudo lá em cima com nossas mochilas, farinha de milho, peixes em latas, batatas, etc., etc., etc...

 

Por dentro não era melhor. Cheirava à escama de sardinhas seca. O estofado pinicava suas costas e você vai se coçando por todo o trajeto. Olhamos para o lado e eles tinham aqueles saquinhos para aqueles que desengolem fácil, putz, eram SACOLINHAS DE SUPERMERCADO! ::xiu:: Vermelha e ficava pendurada no encosto do motorista, imagina a situação... Bom, ainda bem que ninguém desengoliu e chegamos vivos em La Paz.

 

O trajeto possui muitas curvas e o motorista é aquele de sempre co habilitação para matar, corre feito uma lhama com rodinhas e faz as curvas comendo as faixas.

Quase batemos de frente VÁRIAS VEZES! Não é exagero, quase mesmo! Faça o percurso e depois me conte, he he.

 

Um pouco antes de chegar ao centro, uma galera desceu num bairro bizarro. Para vocês terem uma ideia, tinha um espantalho (parecido com aqueles bonecos de Judas que fazemos no Brasil) enforcado num poste, todo ensanguentado e com uma plaquinha com os dizeres em espanhol: “Quem rouba aqui, perde a cabeça” ::ahhhh::

 

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Fomos chegando e chegando. La Paz nos esperava e já estávamos ansiosos por conhecer uma das cidades mais doidas do mundo...

 

Continua [...]

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Olá Nogy....Seu Relato continua muito bom....Estou lendo e anotando os detalhes......Irei depois fazer um relato semelhante ao seu ....Muito engraçado e muito explicativo........Valeu....E continua..... ::otemo:::lol:

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oLÁ NOGY..tODAS AS agências que fazem o trajeto de van com uma noite de estadia, oferecem o com dois dias? quanto sai ?

 

Rafael

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Olá Nogy!!

 

Curtindo muito suas anedotas :) rs...

Duas perguntas:

O ônibus mais cedo de Copacabana para La Paz é esse das 07:00?

Qual o nome do hotel que vocês ficaram em Copa?

E se me permitir uma terceira ... rs... pq vcs não pararam em Puno?

 

Obrigada,

 

M Carol

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Fala Rafael,

 

Sim, todas as agências oferecem esses pacotes de uma ou duas noites, tranquilo. O preço é o que relatei, cerca de U$ 125,00 dólares por pessoa.

 

Abraço.

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Olá mcarolgarcia,

 

Se não me engano, o horário mais cedo é esse mesmo, por volta das 7h. Lembro que no dia só nosso ônibus saiu, mas atrasou um pouco porque eles esperam lotar e ficam tentando vender passagem na hora.

 

Não paramos em Puno porque não tínhamos mais tempo, lembra que ficamos presos em Arequipa? Pois é, aí nosso roteiro ficou bem apertado e tivemos que escolher entre Copa e Puno, preferimos Copa. ::cool:::'>

 

Quanto ao Hotel, nem eu, nem a Miriam conseguimos lembrar, vou tentar achar algum papel ou anotação que fizemos e te falo, ok? Mas é super fácil de achar: Descendo até o lago pela rua principal, quando chegar na rua de terra, vire à direita, ande um pouquinho e verá um hotel com uma placa grande bem em frente ao lago. Ele fica entre um mais simples e outro de luxo. Em todo caso, vale a pena descer até lá e pesquisar em todos eles, são poucos e vale a pena verificar os preços e os quartos.

 

Abraço.

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Não quero parecer insistente, mas já sendo... Teu relato está tão empolgante e envolvente que eu me pego dando risada e até mesmo nervoso diante da tela do computador. É algo magnífico e que para mim, super digno de um livro! Forte abraço Nogy, continua que o trem tá mais que bão! ::hahaha::

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Sei que pega mal rir dos perrengues alheios, mas esse relato tá super sensacional hahhahahahaha :P

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Parabéns e pelo relato, virou minha leitura diária, dou risada sozinha. Por favor continua a escrever, rsss. em uma semana vou na minha trip e este relato que deveria virar livro, esta ajudando muito.

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