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Olá viajante!

Bora viajar?

Relato de Viagem RTW / (Volta ao mundo)

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Oi pessoal,

 

Vou tentar colocar aqui um apanhado geral da minha trip RTW de pouco mais de um mês de duração que fiz nas minhas últimas férias. O roteiro ficou mais ou menos assim, tirando as conexões :

 

Brasilia – Paris – Londres – NY – Los Angeles – Tahiti – Sydney – Filipinas – Londres – Brasília

 

Sim, eu cruzei o Atlântico três vezes mas só a grana que economizei valeu o esforço. A propósito, a idéia inicial era viajar no sentido leste mas por causa de indisponibilidade de vôos na data que eu queria no trecho Tahiti – Los Angeles, acabou que tive que fazer a trip no sentido contrário.

 

O tempo foi curto mas como parte dos lugares eu já havia visitado antes, acho que tá valendo então tudo bem. Além do mais eu não sou gringo (e nem professor rsrs) e sendo assim, como a maioria dos mortais assalariados brasucas, tenho 30 dias de férias. Não vejo nenhum problema em revisitar lugares então eu consegui mesclar lugares novos com outros que já conhecia. Viajo para colecionar experiências e não bandeirinhas de países para colocar na mochila. Se fosse assim, poderia fazer uma viagem pela Europa passando por “trocentos” países em menos de um mês no estilo : “se hoje é quarta-feira, isso aqui deve ser Amsterdam”.

 

Por motivos de força maior (uma “bucha” no trabalho pouco antes das minhas férias que atrapalhou incrivelmente os meus planos), tive que fazer algumas alterações no roteiro original - que iria sair mais barato - mas mesmo assim acho que ficou legal afinal poderia ter sido pior : eu não ter feito a viagem.

 

A idéia desse relato é dar uma geral de como é uma trip RTW e que, apesar de muitos pensarem o contrário, não é nenhum bicho de sete cabeças, mas exige bastante planejamento, pesquisa e atitude, principalmente quando não tem muito tempo. E grana.

 

Estou pensando seriamente em preparar a próxima, aí sim vou poder provar que dá pra viajar pelo mundo gastando mais ou menos que uma viagem de mochila pelo continente europeu. Enquanto isso não acontece, fica esse relato para os interessados, espero que vocês curtam pois a intenção também é incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo.

 

Boa viagem !

 

PRIMEIRA PARTE – EUROPA

 

Saí de Brasília (não sou funcionário público, afinal eu trabalho. Sem ofensa) voando TAP direto pra Europa. Até gostaria de ter ido via Sampa (minha cidade natal) para visitar familiares, porém a diferença de preço no ticket era bastante significativa. Além disso pra mim quanto menos vôos, melhor. O vôo em direção à Europa foi tranqüilo, avião novo da Airbus, serviço correto e tripulação atenciosa. Nem esquentei que tinha gente no meu assento - que era na janela - então fiquei no corredor mesmo, o que até prefiro em vôos longos. O mais engraçado foi na hora do jantar onde os comissários ofereciam “vaca ou frango”, o que provocou risadas nos passageiros brasucas. O comissário não se fêz de rogado e brincou “a vaca acabou, serve boi ?”, provocando novas risadas no pessoal. Assisti a um filme e passei o resto do tempo jogando tetris e ouvindo música no aparelho de entretenimento da aeronave, pena que de boa música mesmo só tinham umas duas então fiquei ouvindo elas praticamente o vôo inteiro. Apesar de eu ter assistido apenas um, os filmes até que davam pra encarar, por incrível que pareça. Como eu não consigo dormir em avião, ônibus, trem, bicicleta, skate, etc, passei a noite acordado.

 

Chegando no velho mundo, a imigração em Lisboa foi sussu e tinha até uma fila destinada apenas praqueles de língua portuguesa. Após passada a fácil e tranquila imigração e mais toda aquela encheção de saco com segurança que se repetiu “n” vezes durante a trip, fui pegar meu vôo para Paris - primeiro destino desta RTW - que partiria logo a seguir.

 

Chegando na Cidade Luz, apanhei um pouco para me entender com o metrô/trem e após uma série de baldeações consegui chegar no albergue, que ficava em Montmartre. Paris é simplesmente fantástica, tudo que falam dela é verdade, podem ir com as expectativas lá encima que serão superadas assim que você der a primeira caminhada na cidade, não é à toa que ela é destino favorito de muitas pessoas e ganhou mais um fã : EU.

 

Costumam aparecer aqueles papos de comparação entre Paris e Londres, querendo saber qual a melhor. Prefiro não fazer comparações porque são cidades diferentes então vou ficar encima do muro : empate técnico. As duas têm sua posição de destaque entre as capitais mais importantes do mundo e isso já vem há séculos. E vai continuar por muitos outros mais.

 

Deixei minhas coisas no albergue antes mesmo de fazer o check-in (lock-out time), arrumei um mapa e fui explorar a cidade. Passei os dias seguintes andando mais do que camelo em deserto e aproveitei bastante os dias longos de primavera. Me perdi várias vezes sendo que a última foi por umas 3 horas no final do dia e lá pros lados da Catedral de Notredame (chato, né ?). A outra “culpada” foi uma loira maravilhosa que estava voltando do trabalho e quase fêz eu perder a compostura... Aproveitando o gancho, além da arquitetura, beleza e do charme da cidade com seus cafés e boulevares, ainda tem as francesas !!! Mas isso eu já sabia porque sempre arrastei uma asa (e algo a mais) pra elas, loooonga história... Você pega uma brasileira gata, tira os 70% de frescura de sua composição, troca por charme e estilo e voilá tem uma francesa.

 

Me achei um tanto underdressed com meus panos de mochileiro e vi que realmente a moda pega pesado por lá, muita gente bem vestida e perfumada. E nada daquela moda spooky-fashion (inventei este termo agora...) que você vê principalmente em japoneses no exterior (lembrando que "os nossos japoneses são melhores do que os outros" ! Volto nisso no capítulo Sydney) e de gosto bastante duvidoso, uma mistura de Falcão com Marilyn Manson.

 

Champs Elysees “chove” gente bonita. Se não bastassem as francesas, ainda têm as turistas do mundo inteiro. Acabou que fiquei inspirado e comprei um perfume numa baita loja na Champs, mas isso eu ia fazer de qualquer jeito.

 

Não andei quase nada de metrô/trem, fiz apenas aeroporto-hostel e vice-versa e não me arrependi, Paris é muito bonita pra ficar enfurnado debaixo da terra. Como adoro caminhar e meu GPS interno simplesmente não existe, achei melhor me perder nas ruas mesmo e não no metrô.

 

Visitei pontos turísticos e outros nem tanto, mas tão belos quanto, mas isso não importa quando você está numa cidade como Paris porque pra qualquer lado que eu olhava era alucinante, subi na torre Eiffel, comi crepe, andei incontáveis quilômetros por dia explorando a cidade e quando estava cansado de tanto andar, utilizava o ônibus sem teto que ficava fazendo um tour pela cidade e aproveitei bastante o bilhete dava direito a 2 dias.

 

Fui embora de Paris triste, mas com a certeza de voltar afinal ela entrou na minha lista de cidades favoritas.

 

Próximo destino, Londres. Voei de Easyjet e entrei via aeroporto de Luton, imigração também tranqüila. De lá, ônibus e metrô para o hostel. A garota do hostel me respondeu errado um email que eu havia pedido indicações para chegar lá, não era para virar a esquerda no primeiro farol e sim a direita... Perguntei para um segurança de um hotel nas imediações, que chamou seu superior e me deu as coordenadas certas. Após fazer o check in, fui dar uma olhada na minha favorita Londres, o hostel ficava ao lado do Museu Natural (entrada franca) e a primeira parada foi lá. Já havia estado no país dos Beatles antes e o impacto é sempre o mesmo: “PQP, estou em Londres !!!” Eu estava com aquele travelcard que dá direito a um dia inteiro nos transportes públicos, naquela cidade eu não perco o metrô por nada e fiquei até íntimo dele, o que para um perdido por natureza e que se perde até em estacionamento de supermercado, é um marco impressionante. Falando nisso, se tiver alguma boa alma pra explicar como funciona os tickets econômicos, por favor me dêem uma luz (podem emendar e me falar como funciona o tal Orange não sei o que lá de Paris que eu também queria saber...)

 

Sei que em Londres tem um tal de Oyster Card, acho que tem que carregá-lo mas como não ia ficar muito tempo na cidade, não comprei. Como sou perdido por natureza, fiquei apenas no metrô sendo que o de Londres (o mais antigo do mundo, por sinal) é um mundo a parte : Mind the Gap !

 

Depois de ter dado uma olhada na vizinhança do hostel, peguei o metrô e me mandei pra Piccadily Circus. Saindo da estação do metrô, olhei ao redor e não pude segurar : “PQP, estou em Piccadilly Circus” !!! Muito irado, não tem pra ninguém, aquela cidade é demais !!! Eu tenho um amigo de lá (infelizmente nessa trip não deu pra visitá-lo) que não vê a hora de ir embora !! Dia desses vou propor uma troca, ele fica aqui no Brasil e eu me mando pra terra da Rainha...

 

O mais engraçado é que ele vive dizendo como estão quebrados (a crise atingiu o Reino Unido em cheio) e eu olhava pela janela do albergue e via uma fila de Land Rovers, BMW´s série 7, Aston Martins e afins. Quebrados ? Imagino se não estivessem.

 

Apesar de possuir um passe do metrô que me permitiria cruzar a cidade pra lá e pra cá, eu preferi explorar Londres do melhor jeito : à pé. Pra quem conhece, saí da região do Piccadilly Circus e fui andando até o Big Ben, prestando atenção em tudo ao redor sem esquecer da Trafalgar Square, obviamente, e também prestando atenção no trânsito maluco, ainda bem que eles escrevem no chão pra que lado olhar porque, vou te contar, risco de vida total, só perde pra Sydney e seus 5 segundos de farol verde para pedestre (até no Vietnam eu achei menos perigoso atravessar a rua), Parlamento, Westmister Abbey e depois me mandei pra Tower Bridge, via south-bank, passando pela London Eye, Tate Museum e por aí foi. Depois fiz o caminho inverso, tudo na caminhada. E olha que o metrô de Londres, como eu falei antes, é um mundo à parte. No tube dá pra ver o quanto a cidade é multicultural, vários povos, biotipos (e bota tipo nisso...), as constantes gatas, algumas do leste europeu com suas bochechas rosadas e pinta de boneca, vários idiomas diferentes dentre os quais, se você tiver sorte, escuta até o inglês britânico. rs

 

Deu pra perceber que as obras para as Olimpíadas estão a milhão, vários guindastes despontando aqui e ali no skyline da cidade.

 

A lamentar apenas a visão deprimente de uma garota segurando sua amiga bêbada que estava cambaleando. As duas muito bem vestidas, voltando do trabalho e aproveitando os escassos dias de sol para curtir uma happy hour nos vários pubs da região. Não só os gringos, mas as gringas também são verdadeiras esponjas e não sabem quando parar, proporcionando essas cenas lamentáveis. Se tem algo deprimente é mulher bêbada. Conheço bem o tipo quando o assunto é gringa...

 

No dia seguinte continuei meu tour pela cidade e fui visitar a região de Leicester Square, Covent Garden (que fica ali perto de Piccadilly) e imediações. Eu não curto muito esses artistas de rua mas os de Londres são muito legais, uns tipos muito bem sacados, vale a pena conferir. Os meus favoritos são o "homem invisível" e um cara que pinta o rosto de cachorro, mete a cabeça dentro de uma mala de transporte de animais e fica tirando sarro da galera, fingindo ser cachorro, o pior é que parece mesmo ! Simplesmente hilário. Esses lugares são próximos entre si então você vai andando, vê algo extraordinário (o que não falta na cidade ), vai até lá, avista outro monumento de cair o queixo e vai seguindo. Como eu não conheço muito a Europa acho que isso é normal praqueles lados. Tanto é que um inglês que dividiu comigo o dormitório no albergue em Paris e que, após perceber o quanto eu estava gostando da arquitetura, prédios, praças, monumentos, etc do lugar, me recomendou ir pra Roma. Tá anotado.

 

Aproveitei que era fim de semana e me mandei pra Camdem Market dá uma olhada na fauna humana, bem Londres mesmo. Na estação aconteceu um evento que mostra o quão multicultural é a cidade : uma local veio me pedir informações sobre como chegar em tal lugar e aí me apresentei que era apenas um visitante e não saberia informar, ela se desculpou e foi perguntar pra um grupo de espanholas um pouco adiante e que sabiam menos do que eu. Acho que ela tentou de novo com mais outra pessoa que, de novo, também era de fora ! Nisso, ela acabou desistindo.

 

Não acredito que uma cidade assim possa perder sua identidade, espero que não. Fiquei sabendo que o fotógrafo mais popular é peruano e a comida mais popular (típica ?) é indiana (ninguém é perfeito, né ? ). Londres tá batendo na casa dos 2.000 anos, já passou por muita coisa e a "Jovem Senhora" (ou seria o contrário ?) continua firme e forte, uma mistura de clássico, história e modernidade que dá gosto de ver. E aplaudir de pé ! "Bass in the place, London"

 

No metrô para Camdem entraram umas gatas inglesas e uma me chamou bastante a atenção, parecia brasileira : bonita, de mini-saia, belo par de pernas, pele branca, cabelos pretos e longos e um sotaque britânico que, de novo, quase fêz com que eu perdesse a compostura de novo...

 

Após alguns poucos dias curtindo Londres e suas infinitas atrações, deu pra ver que a cidade que estava bem alegre pelos benvindos dias de sol que a mudança de estação trouxe, era hora de me mandar pra Big Apple, mas isso fica pro próximo post.

 

 

Virunga / RTW 2009

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Os momentos finais de viagem se passaram preguiçosamente e quando dei por mim já tinha chegado a hora de ir embora.

 

No último dia na Asia saí para dar mais uma explorada a esmo e já em clima de despedida fui almoçar na Khao San, algo que não faço com muita freqüência porque acho os preços um tanto salgados, mas ainda longe de custarem os olhos da cara, se bem que na Tailândia o preço da comida não é salgado, salgado mesmo é o preço da breja porque em certos lugares ela custa o mesmo ou mais caro que um prato de comida.

 

A saída seria comprar na onipresente e salvadora 7Eleven, mas isso geralmente só rola quando as refeições são feitas em certas barraquinhas de rua que não vendem bebidas (se tanto, só suco e água) e fazem aquele esquema BYO (é serio, já fiz isso perto de onde costumo me hospedar), o que não foi o caso dessa vez porque como já estava indo embora então queria comer num restaurante propriamente dito.

 

Escolhi um bar/restaurante mais animado e fui almoçar, enquanto esperava a comida chegar me aproveitei de um mapa que estava meio jogado numa mesa vizinha e “dei uma de Migué” (mais ainda, como se isso fosse possível) para puxar papo com duas bastante saudáveis britânicas, uma loira e uma morena que tinha, fisicamente falando, um pezinho no Brasil, digamos assim. Inglesa sexy, vai vendo (pois é, elas existem. E ainda estavam sóbrias) : pele clara, olhos escuros, cabelos pretos e lisos que chegavam um pouco abaixo da altura dos ombros, topzinho, barriguinha sarada de fora, piercing no umbigo, minissaia jeans deixando as pernas torneadas e bronzeadas bem visiveis, a mina era suculenta que só (com todo respeito. E que peito ! No bom sentido, é claro).

 

Incrivel o bem que uma temporada sob o sol tropical e lindas praias não faz para essas gringas, benzabuda !

 

Para complementar o recheio a gringa ainda tinha um forte sotaque britânico graciosamente maravilhoso enquanto que o da loira, nas poucas vezes que ela entrou na conversa, deu para notar que era mais convencional, mas ainda muito bonito. Como elas já estavam saindo então nosso papo foi rápido.

 

Ali naquele lugar estratégico é muito bom para aquele people/fauna watching básico. É cada coisa que a gente vê na Khao San que vou contar, às vezes cansa um pouquinho mas no geral eu acho um barato. Lembro que tinham dois carecas com pinta de skinreds chapados que estavam indo para o aeroporto e tocavam um terror, rostos vermelhos provando o grau etilico e ficaram gritando para um cara chamando-o de Piqué pra lá, Piqué pra cá. E o motorista de taxi esperando um deles fechar a porta do taxi para irem embora mas cadê que o cara liberava ?

 

Eu não estava entendendo nada – nenhuma novidade até aí - e bem depois fiquei sabendo que o tal do Piqué era um jogador namorado da Shakira, algo assim. Só sei que foi uma zorra total e o coitado do clone não sabia onde enfiar a cara. Como eu não conhecia não sei falar se era parecido ou não, mas que foi uma zoeira foi. Acho que já comentei num outro post, qualquer coisa que acontece na Khao San é motivo de muvuca. A rua é a própria muvuca.

 

Depois do almoço, muito meia boca por sinal mas pelo menos a Chang (famosa marca de breja thai) estava até gelada e para falar a real tem tanta coisa boa para mastigar nas ruas de Bangkok que almoço é só um detalhe, são tantas alternativas que fica até dificil escolher a melhor formando uma pletora de opções variando de insetos (?!?!) até frutas tropicais passando por pad thai (nunca comi pois não bico noodles), shakes, banana pancake (pausa para lamber os beiços), sticky rice with mango, muito bom e com leite de coco então fica uma coisa (só pode ser sacanagem essa mistura, né ? Muito boa mesmo), biscoitos doces (aqueles que vêm em saquinhos lindamente embalados), sucos de laranja (aqueles mais gostosos do mundo) e a lista vai longe.

 

Pelo amor de Buda, fale-me em cozinha simples, às vezes elaborada, criativa, boa, saborosa e barata. Tudo bem que a pessoa come agora e daqui a pouco já está com fome mas acho que comida asiática tem dessas. Não sei se é a falta de carne vermelha, sei lá. Ô saudades de uma carne boa e mal passada, delicia. Meus mais sinceros pêsames aos vegetarianos. E aos ruminantes também.

 

O mais interessante é que a gente cruza com aquelas barraquinhas bem nas coxas e que algumas vezes não inspiram muita confiança e são bastante simples mas que na verdade nesses lugares encontram-se pratos dos mais variados e saborosos, verdadeiras maravilhas gastrômicas capazes de fazer frente e botar no chinelo um monte desses restaurantes frufrus estrelados do Guia Michelin coalhados de chefs afetados e cheios de fricotes que dão piti enquanto cozinham elaborados pratos de “comida para passarinho”.

 

Saindo dali e deixando a bagunça da Khao San Road para trás eu dei uma escapulida para mandar alguns cartões postais, só que na volta do correio eu fiz um caminho bem mais longo e fui pego de surpresa por mais um daqueles temporais bíblicos característicos do Sudoca Asiático.

 

Eu adoro tomar banho de chuva (ótimo para lavar a alma, por sinal. E pra pegar resfriado :P ) e não tenho muito saco de ficar esperando chuva passar, cheguei a cogitar encarar o dilúvio mas fiquei com medo de morrer afogado. É sério ! Tá, tá, eu sei, parece que estou exagerando mas quem já viu de perto o poder das monções asiáticas entende do que estou falando, as vezes viram um verdadeiro “Buda nos acuda”.

 

A correnteza que se formava rapidamente estava parecendo o caudaloso e violento Zambezi River (quem acha que rio não tem onda grande deveria fazer um rafting nele) e se eu por ventura tomasse um tombo ela poderia me arrastar até o Tibet (alguém ai falou em exagero ?), então como eu iria voar naquela noite achei melhor esperar a chuva passar debaixo de um toldo que não inspirava muita confiança enquanto via o mundo desabar e o trânsito, que já era ruim, ficar ainda pior.

 

De trânsito ruim eu entendo bem, afinal sou made and born in Sampa, e assim como a minha querida e mal tratada cidade, em Bangkok os caminhos não levam a Roma, mas sim a engarrafamentos homéricos.

 

Era meio da tarde ainda então eu tinha bastante tempo para não só esperar a chuva diminuir como para me preparar psicologicamente para a segunda coisa mais difícil, deprimente e inevitável numa volta ao mundo (a primeira continua sendo a fatura do cartão de crédito) : os vôos longos. E eu tinha um vôo beeeeeem longo me aguardando naquela noite e não estava nada contente com isso, sou um daqueles que acham qualquer vôo com mais de uma hora de duração um verdadeiro martírio, o que não deixa de ser estranho (estranho, eu ? Que nada, imagina... Falando nisso, deixa eu tomar meu remédio) para quem que já voou praticamente a distância entre a Terra e a Lua. Ida e volta.

 

Com exceção daqueles intermináveis, inúteis e irritantes anúncios que sempre ocorrem nos nossos aeroportos e dentro das aeronaves de cias aéreas brasucas com aquele “inglês de brasileiro”, assim como aquela relacionada às guerras (tá bom, minto, aquele tal F35 e seus descendentes são do outro mundo, vale o registro), eu adoro aviação no geral, entretanto tenho que confessar que voar às vezes não faz tanto minha cabeça. Sei que é o segundo meio de transporte mais seguro que existe mas concordo com Welles, o Orson, quando disse “there are only two emotions in a plane: boredom and terror”.

 

Tá, tá, eu sei, exagerou um pouquinho porque quando é aquele primeiro vôo de férias para algum lugar legal (pode ser uma volta ao mundo ) e se tem sistema de entretenimento bom, céu de brigadeiro, aeromoça bonita, bebida à vontade e não tem criança pequena pentelh@ por perto cujos pais frouxos e coniventes deveriam viajar na asa, só que pelo lado de fora, voar é até legal.

 

E digo mais (ihhhh, lá vem... lembrando que o médico disse para não contrariar), não boto fé naquela estatística que diz que “um terço dos passageiros tem medo de voar”. Aham, tá, sei... um terço tem medo e o restante mentiu na pesquisa. Du-vi-de-o-dó que quando o avião enfrenta uma turbulência daquelas não tenha um passageiro que não pense coisa.

 

Esse papo me lembrou um caso há duas voltas ao mundo atrás (senta que lá vem mais conversa fiada. É hoje que a gente não sai daqui), foi num vôo longo ligando o continente mais fascinante do mundo – a África – com o distante continente asiático e lembro-me (pra falar a verdade, nem gosto de lembrar) que o judiado e velhinho triple seven (abreviação para “aviãozasso”) foi sacolejando à partir de Madagascar (pelo menos deu tempo pra almoçar e tomar sorvete de sobremesa antes de começar o sacolejo) até o pouso sendo constantemente fustigado pela frente, por trás, por cima, por baixo, de ladinho, de tudo quanto é jeito, um sobe e desce sem parar, mandando ver sem dó nem piedade cada vez mais forte e rápido num ritmo pra lá de alucinante, dava gosto, jogando pra lá, mexendo pra cá, jogando pra cá, mexendo pra lá e quase fazendo perder o rumo de casa, sem tempo para pensar em mais nada, uma coisa de louco onde nada mais importava, judiando mesmo com direito a uma pegada nervosa daquelas sem a mínima cerimônia culminando numa verdadeira loucura como se não houvesse o amanhã...

 

Atenção, interrompemos esse parágrafo para uma informação importante.

 

Pessoal, olha lá o que vocês vão pensar, hein !!! Meu d´s, quanta lascividade, que isso ?

 

Olha o nível !!!! Do que vocês acham que estou me referindo, isso aqui é um relato de viagem !! Vocês estão pensando o quê ? Estão com a cabeça onde ? Tá, tá, eu sei. Nem precisam falar.

 

Essa coisa frenética que aconteceu estou me referindo à uma forte turbulência (ou “zona de instabilidade”, como dizem as simpáticas comissárias da TAM ou da GOL, nem me lembro mais) que estava “pegando” o coitado do avião de jeito, só isso. Afinal tudo aqui é sempre no bom sentido, viu ? Estamos entendidos ?

 

Beleza então, de volta ao inesquecível frenesi... do vôo. Eu disse “do vôo” !!!!!

 

De volta à nossa programação normal, sigam com mais um parágrafo inédito do relato.

 

Então, naquele vôo (viram, me refiro ao vôo. Eu hein, que mente poluída ! Ticontá...) o comandante proibiu servir bebidas quentes e o sinal de apertar os cintos ficou ligado o tempo todo, só sei que o avião trepidava bastante durante a viagem inteira e foi um vôo por assim dizer, “inesquecível”, principalmente quando eu vi a cara da tripulação encolhida nos seus assentos com os olhos esbugalhados a la Chael Sonnen antes de tomar uma joelhada do Anderson Silva para encerrar com chave de ouro a revanche. E tripulação com medo nunca é um bom sinal, eles são os melhores termômetros num avião para saber como as coisas andam. Ou voam.

 

Apenas “um terço tem medo”, sei.

 

E como sempre acontece nesses momentos o marcador não andava, congelou em preguiçosas “6:58hrs para o destino final” (acho que era isso) e depois de um período que pareceu no mínimo umas três horas com o avião pulando mais que peito de jogadora de basquete, quando eu olhava de novo o reloginho tinha andado apenas imperceptíveis dois minutos: time to destination 6:56hrs. É sempre assim, o tempo não anda em situações como essa.

 

Falem-me em vôo longo ! Ai meu santo Dramin, que naquela época eu ainda era bastante reticente para encarar. Ainda sou, mas entre ficar passando medo (ou tédio) e pelo menos disfarçar um sono, ultimamente tenho escolhido o último.

 

Enfim, só sei que quando finalmente pousamos, suavemente diga-se de passagem (tô falando que piloto é tudo ET), e coloquei os pés em terra firme eu quase dei uma de papa e beijei o chão, mas poucas horas depois lá estava eu em mais um chacoalhado e inesquecível vôo (ainda bem que este foi curto) onde o comissário (equilibrista ?) quase caiu e derramou a bandeja de bebidas e até hoje não entendi o que ele fez porque chegou a se apoiar com uma mão no chão e com a outra equilibrou a bandeja, mas aquela hora eu já estava tão escolado com turbulência extrema que nem fiquei mais com medo.

 

Enquanto isso debaixo de um toldo em Bangkok esperando a chuva torrencial passar.

 

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A chuva caia copiosamente e eu não tinha muito o que fazer e nem para onde ir, então o negócio era esperar a chuva passar e torcer para que até a hora da partida São Pedro das Monções já tenha se acalmado.

 

Assim como nas Filipinas, mais uma vez lá estava eu na Asia “preso” debaixo de um toldo por causa de chuva forte num momento ludico “PQP, de novo não !!!".Também com direito a muita água, trovões, raios riscando o céu e trovoadas.

 

Já que é assim, vamos chamar o DJ de novo e botar um som de acordo com a situação.

 

- Hey ozzie DJ, spin that sh*t again :

 

I looked round

And I knew there was no turning back (Thunder)

My mind raced

And I thought

what could I do

(Thunder)

And I knew

There was no help, no help from you (Thunder)

Sound of the guns

Beatin' in my heart

The thunder of guns (it)

Tore me apart

You've been - thunderstruck

 

- Ta, mate ! Your country kinda suck but to compensate it produces great rock bands !

 

Depois de um período que pareceu uma eternidade a chuva passou e pude finalmente retornar para o meu hotel, mas o estrago já estava feito em forma de ruas alagadas e intransitáveis.

 

Ainda tinha que arrumar minhas coisas, mas para quem viaja com pouca bagagem isso não foi nenhum problema. Eu tinha acertado um late check out pagando apenas uns três dólares a mais, se tanto, e como iria pegar um vôo corujão saindo na madrugada, pra que a pressa ?

 

Como o mundo é grande mas as férias são curtas, já estava se aproximando a hora de tomar o caminho da roça e com direito a uma parada na terra da Rainha Elizabeth. Tinha a opção de ir via Portugal, mas com todo respeito a quem gosta, eu não viajo para Europa para visitar periferia, Portugal e/ou Espanha nem pensar, esse último só se for Barcelona e olhe lá. Posso mudar de idéia no futuro ? Claro.

 

Já disse que adoro as trocas de direção bruscas que uma viagem volta ao mundo proporciona, os vários contrastes entre lugares tão diferentes e tão distantes entre si, mas daí mudar da água pro vinagre não vale.

 

Depois de uma certa dificuldade para chegar, mas já de volta ao meu hotel tomei meu banho, peguei minha mochila, fiz o check out e apesar de ser relativamente cedo resolvi não arriscar e preferi me mandar para o aeroporto, sabe-se lá como estava o trânsito àquela altura do campeonato depois de um temporal e com a noite caindo.

 

Essa era a idéia embrionária mas ficou só nisso mesmo. Para um caso perdido como eu, simplesmente NÃO CONSIGO sair com antecedência e para alguém que tem sérios problemas com horários, sair mais cedo para ter tempo suficiente para chegar num compromisso sem atropelos e com os bofes pra fora (não aprendo, não tem jeito. Mas a culpa é do elevador. Ou do trânsito, nunca é minha ! hehe) é completamente FORA DE COGITAÇÃO, então ainda fiz uma cerinha e aproveitei para tomar um delicioso shake no próprio hotel. Nada como empurrar mais um pouquinho a hora de ir embora de um lugar que a gente gosta.

 

A chuva tinha passado mas o céu ainda estava encoberto, prenúncio de novas trombas d´água, e lá fui eu caminhando em direção ao ponto do airport bus, que não existe mais.

 

Até a primeira esquina estava tudo relativamente tranqüilo, as pessoas estavam começando a sair de casa após o temporal, os comerciantes estavam estendendo seus produtos de novo, o pessoal das barraquinhas de comida estavam tirando os plásticos que cobriam os equipamentos das cozinhas improvisadas, vida que segue, mas alguns metros depois e já alcançando a segunda esquina o asfalto sumiu e o que antes era uma poça d´água aqui e outra acolá virou um trecho quase instransponível. Os carros passavam e criavam aquelas ondas que a gente vê em dia de chuva forte em Sampa e outras grandes capitais. Nem os valentes tuk tuks estavam encarando.

 

A situação estava tão surreal e o cenário tão pitoresco que se aparecesse algum nativo flutuando num colchão junto ao seu cachorro de estimação vira-lata daria para rodar a versão pobre e tailandesa de “AS AVENTURAS DE PI”, tamanho era o aguaceiro.

 

Dei meia volta e retornei para achar outro caminho, pensei em cortar pelo conjunto de templos que tem perto da minha acomodação, é um labirinto mas já estou conseguindo atravessá-lo sem me perder muito - e olha que não é muito grande mas gente sem GPS interno é assim mesmo - e sai na cara da Khao San Road, praticamente na frente da delegacia que fica a algumas dezenas de metros de barracas que vendem tudo quanto é tipo de documentos falsos. Adoro Bangkok. Porém dessa vez não foi possível pois aquela hora ele já estava fechado então não deu para cortar por ali, sendo assim não sobrou outra opção senão enfrentar o aguaceiro.

 

Eu estava ainda de bermuda e havaianas (não custa lembrar, nada de bermuda de surf, camisa da seleção ou do time de coração, meia branca, tênis de corrida e pochete. Não é porque sou brasileiro que tenho que ficar andando de uniforme de brasileiros bregas no exterior. E nem no Brasil também. E muitos deles ainda falam da vestimenta de ferias dos turistas coreanos e chineses, vai vendo...) porque como o calor é grande e a umidade também, eu costumo trocar de roupa no aeroporto mesmo, então não tinha outra opção senão encarar água até os tornozelos e vou te contar, num lugar “limpo” como Krung Thep, andar com água até os tornozelos me fez pensar que tipo de sujeira não havia naquelas águas imundas, mas é mais uma daquelas situações que servem para cozinha de restaurante, cabeça de mulher e cabine de comando de avião : melhor nem pensar no que ocorre ali.

 

Peguei minhas havaianas na mão, ajustei e apertei minha mochila para ficar bem presa junta ao corpo, me certifiquei que os documentos estavam bem seguros e protegidos em caso de uma queda para competir nas videocassetadas e fui andando sem muita pressa, não tinha muito o que fazer senão encarar. Ainda bem que o trecho não era muito extenso, mas também não era tão pequeno, dava uma boa caminhada com água pelas canelas.

 

Vencida essa parte, continuei meu caminho agora passando por restaurantes com música bacana, mesas na rua e algumas lojas, me livrei das constantes ofertas dos taxistas chatos (desculpem a redundância) e fui andando tranquilamente, mas como a Khao San era caminho aproveitei para dar aquela última passada na famosa rua que estava começando a ficar movimentada de novo, me apaixonar mais umas trocentas vezes (é sempre assim, tem muita gringa gata zanzando por ali, benza Buda !), dar o meu “até breve” (Buda queira !) e comprar uma banana pancake, afinal ninguém é de ferro.

 

Fui comendo meu manjar dos deuses asiático (ou seria manjar asiático dos deuses ?) até chegar no stand para comprar meu ticket do ônibus e conferir os horários. Ele estava atrasado e fiquei conversando com a tiazinha que vendia o ticket, que não estava sozinha porque tinha uma garota na mesma situação que eu. Olhando pelo canto de olho e de bate e pronto eu definiria “she is anything but ugly”.

 

A simpática tiazinha ligava de tempos em tempos para saber onde o ônibus estava enquanto ficava eu e a garota com uma interrogação estampada na testa.

 

Pois é, logo depois estávamos nós três conversando e tentando descobrir um jeito de resolver a situação que não tinha solução, sendo assim, solucionada está.

 

Depois de um tempo de conversa telefônica, perguntamos para a tiazinha se ia demorar muito e ela respondia mais ou menos assim, já descontando o “Cebolinha´s accent” :

 

“Noooooooooooo. Bus comiiiiiiiing. Not worryyyyyy”.

 

Obviamente tudo terminando num sorriso tailandês, aquele que vem fácil.

 

Me antecipei a garota que ameaçou falar algo e perguntei, não sem antes dar uma piscadela para ela, caprichando no inglês levemente britânico com um sotaque tailandês, só pra fazer charme :

 

“Are you suuuuuuuure ? I reckon the bus is too lateeeeeeee !!!!!”

 

Tentando segurar o riso, estiquei até não poder mais a última palavra da frase, igualzinho aos tailandeses que pronunciam as palavras mais ou menos assim :

 

“misteeeeeeer”, “siiiiiiiiiiir”, “massaaaaaage”, “thank youuuuuuu”, “sawadee kaaaaaaaa”, ”kop pon kaaaaaaap”, “excuse meeeeeee”, "one hundred baaaaaht", "good morniiiiiiiiing".

 

E por ai "vaiiiiiiii". :P:P:P

 

Pra quê ? Gargalhada foi geral, o que foi bom para quebrar o clima que já queria ficar tenso.

 

Aí a tiazinha respondeu sorrindo :

 

“Nooooooooo. Bus comiiiiiiiiiiing. Too much rainiiiiiiiiiiing !”

 

Já que é assim o negócio era esperar. A tiazinha ia voltar a ligar depois e nesse meio tempo sentamos eu a e garota numa beirada de um hotel bacaninha que fica bem na frente do stand e começamos a conversar para ajudar a passar o tempo.

 

Eu ainda estava saboreando a deliciosa banana pancake e por educação ofereci para a menina, que por educação recusou. Ponto pra ela.

 

Alguém ai empresta a escova de dentes ? Nem eu. Assim como eu também não divido banana pancake, açaí e brigadeiro, mas sendo cavalheiro que sou (não espalhem), se ela quisesse eu a convidaria para irmos juntos até a Khao San Road e compraria uma para ela. E mais outra pra mim.

 

Faria isso, é claro, desde que ônibus não aparecesse antes, né ? hehe

 

Após alguns minutos de conversa, se fosse passado um scanner bem básico na menina o resultado seria mais ou menos esse :

 

Norueguesa, pele clarinha e lisinha num rosto com traços delicados e muito bonitos emoldurado por cabelos castanhos cacheados acompanhados de olhos azulados que mudavam de cor conforme a luz refletida no asfalto molhado ia variando. Vestia calça dobrada até os joelhos por causa da chuva torrencial que havia caído naquela tarde e que deixou Bangkok alagada, aquela mesma que tinha me deixado ilhado.

 

Estava voltando para casa após um período de seis meses fazendo (ou terminando) um MBA em Kuala Lumpur, intercalado com curtas e rapidas viagens pelo Sudoca Asiatico. Trabalhava como auditora mas tudo bem, ninguém é perfeito mesmo.

 

Inglês praticamente sem sotaque (boa educação também dá nisso, algo que pelo andar da carruagem o Brasil nunca terá), sorriso lindo, um jeitinho meio blasé mas ela tinha um certo narizinho empinado que incomodava e, aqui entre nós, a mina era fresca demais ! Além do que ela me passou a impressão de ser aquele tipo de garota que gosta de muito carinho :

 

Carro carinho...restaurante carinho...sapato carinho...presente carinho...lugar carinho...

 

Mas ela podia, escandinavas têm muito crédito comigo.

 

- DJ, sobe o som :

 

“Se fosse mulher feia tava tudo certo, mulher bonita mexe com meu coração”

 

- Valeu, pode baixar agora.

 

Falando em escandinavas, tenho que enfatizar de novo : meeeeeeeu d´ssssssssss, pelas barbas de Odin !!!!!!!! O que será que essas garotas têm que as deixam tão bonitas ? Seria a água, o ar, o frio, o martelo do Thor (sempre no bom sentido, é claro) ou a Lenda do Guerreiro Beowulf ? Seria o smorgasbord, pai do nosso rango estilo buffet do dia-a-dia ? Os Trolls certamente não foram.

 

No caso da norueguesa, como se não bastasse a infinidade de atributos, para fechar o pacote ela ainda vem acompanhada por uma renda per capita atingindo a cifra de desavergonhados U$ 80 mil dólares/ano, vai vendo. Tô falando que mulher escandinava é pra casar.

 

Será que “Fiorde” explica ?

 

Tudo bem, eu sei que mulher bonita tem em qualquer lugar mas ahnm...humn...bem...tipo assim...minto, qualquer lugar não, não tem na Bolívia, no Peru e no Equador, mas na Escandinávia já ultrapassou a cota.

 

Aquela deusa viking morava em Oslo já há alguns anos mas havia nascido em algum lugarejo entre Oslo e Bergen (ou seria o contrário ? Nossa, essa foi ridicula, deixa eu tomar meu remédio...E em dose dupla) cujo nome não me lembro mas ai seria demais, não sou nenhum especialista no assunto mas o alfabeto escandinavo me passa a impressão que padece de certos males de alguns idiomas que a gente vê por aí : greve de vogais.

 

Galera, tá, tá, eu sei que estou na divida com a maioria, mas vou ter que ficar por aqui.

 

A gente volta com a norueguesa gatinha de nariz empinado no próximo post, beleza ?

 

Não quero prometer, mas acho que faltam um, no máximo dois posts e a gente fecha isso aqui.

 

Valeu pela companhia.

 

Aquele abraço,

 

Keep traveling

 

 

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mas não demore muito pra voltar....e quanto a periferia da Europa continuo curiosa para saber detalhes ...hasta la vista

  • 2 semanas depois...
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Cara revoltado haha

Parabéns até uma parte do relato... infelizmente acabou se 'perdendo' no final.

 

Revoltado, eu ? haha Que nada.

 

Bom saber que gostou pelo menos até uma parte do relato, mas não acho que se “perdeu” no final, infelizmente você que não entendeu. Pena que não tem fotos, assim os iletrados e aqueles que têm mais dificuldades poderiam pular o texto e ir diretamente para elas, ficaria mais fácil. Quem sabe no próximo ?

 

Analfabetismo funcional pouco importa nesse caso, o que vale mesmo é a pluralidade das idéias e a diferença de opiniões. Como as suas, por exemplo.

 

Happy travels.

 

 

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

 

Além de revoltado é mal-educado.

  • 3 meses depois...
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mas não demore muito pra voltar....e quanto a periferia da Europa continuo curiosa para saber detalhes ...hasta la vista

Oi Emilia,tudo bem ?

 

Acabou que demorei para voltar, mas vou tentar compensar com mais um texto longo (que novidade, né ? rs) que vou colocar na sequência.

Quanto a periferia europeia pode deixar que se pintar a oportunidade eu venho aqui e conto tudo, só que tem tanta coisa na frente que nem sei se vai rolar... Suerte.

 

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Faaaaaaaaala moçada, tudo bem ?

 

Para comemorar a extinção da miséria do nosso país nem que seja por decreto (como é mesmo a contabilidade, com 70 reais per capita/mês já sai da miséria e com uns 300 contos é considerado classe média ?) e que o mundo tem um novo Papa, fumaça branca para mais um trecho (sem imagens de novo, para desespero de certas mentes atrofiadas) do finzinho da trip. Que venha o blábláblá.

 

“Ô coroinha, solta logo essa fumaça branca, rapaz !”

 

Habemus relatum !

 

Coitados dos coroinhas, imagino a vida deles cercados de certos tipos depravados segurando crucifixos e cheios de péssimas intenções com os garotos, afinal o que não falta no mundo de hoje em dia é bicho-papão vestindo batina comedor de crianças indefesas. Pausa para o sinal da cruz.

 

Então, pra quem não se lembra onde terminou o último trecho tá fácil: paramos muito bem acompanhados por uma bonita jovem jactanciosa oriunda da gelada terra com IDH bem avantajado lá na ponta do planeta, numa noite chuvosa no ponto de ônibus do agora extinto airport bus em Banglamphu, um famoso subúrbio da buliçosa, úmida e incomparável KrungThep Mahanakhon Amon Rattanakosin Mahinthara Ayuthaya Mahadilok PhopNoppharat Ratchathani Burirom Udomratchaniwet Mahasathan Amon Piman Awatan Sathit Sakkathattiya Witsanukam Prasit.

 

Saravá !

 

Viram, não falei que tava fácil ?

 

Enquanto o ônibus não chegava ficamos eu e a norueguesa (noruedeusa ?) de narizinho empinado conversando. Às vezes ela destilava alguns rompantes que mostravam todo o seu lado Aruba, i.e., linda mas um porre, mas numa dessas a gente se deu até bem porque de porre eu entendo alguma coisa, afinal num momento daquele (quebrado, fim de férias, fim de banana pancake e na iminência de encarar um vôo longo) eu abandono a minha posição de mochileiro e me transformo num verdadeiro mala. Tá, tá, eu sei, vocês venceram: não é só num “momento daquele” que eu fico meio (inteiro ?) mala, em outros momentos também mas vamos pular essa parte.

 

Com um certo arzinho soberbo (tudo bem, ela podia) que foi prontamente retrucado pelo meu ar blasé (tudo bem, eu não podia. Primeiro porque nem tô com essa bola toda e segundo porque eu ainda me esbaldava com os instantes finais da minha derradeira e deliciosa banana pancake), a deusa do gelo falou sobre o semestre do MBA em Kuala Lumpur e me confidenciou que não curtiu muito porque o nível era bastante fraco, inclusive tinha uma iraniana no curso dela que não manjava p*cas de inglês e mesmo assim estava lá.

 

Comentei que no meu país ninguém manja p*cas de nada e vira Presidente da República, Ministro da Fazenda ou dá uma volta ao mundo DE MOCHILA pagando o equivalente a inacreditáveis 15/20 mil reais só em passagens e ainda tem a cara de pau de querer dar dicas quentes sobre como viajar barato. Mas eu até acho bem pertinente, basta fazer exatamente o contrário tout court.

 

Existem roteiros meio café-com-leite onde só de taxas morre uma grana absurda que me levam a pensar aqui com os meus passaportes: será que é tão difícil assim perceber que pagar, sei lá, insalubres US$ 1.600,00 plus somente em taxas (e nem era uma viagem espacial) tem algo muito estranho, não acende nenhuma luz amarela não ?

 

Não dá pra matar a bola no peito, botar no chão e ver o jogo ? Ninguém pode ser assim tão ehn... ah deixa pra lá. Tudo bem que o que realmente vale é a liberdade de escolha coisa e tal, tal e coisa mas isso aí tá mais inflacionado que o coitado do tomate, vai vendo...

 

Não sei como alguém consegue pagar duas ou mais coisas, levar uma e ainda achar isso um bom negócio. Engraçado que eu sempre pensei que bom mesmo seria o contrário mas enfim, não sou eu que tô pagando mesmo. #naotamojunto.

 

Como diria o mineirim quando perguntado por um cumpadi o que achava de nudez ele prontamente respondeu, após dar uma pitada no cigarrim:

“Ué sô, melhor nu deis que nu nosso !”

 

Pois é meus caros e minhas caras, com ou sem intelecto muito atraente o negócio é ser feliz. Como já havia afirmado anteriormente o melhor de tudo é que nem precisa ser assim tããããão inteligente (presente !) e nem dispor de muitos recursos (presente mil vezes !!!!) para realizar uma RTW e apesar dos trancos e barrancos – vai ver porque é algo ainda novo pra gente - o que importa é que mais brasileiros estão se aventurando.

 

Tá parecendo propaganda de cartão de crédito: “Mais pessoas VÃO dar uma volta ao mundo”. Pensaram que eu iria citar aquela outra do “não tem preço”, né ? Aham, tá, sei. Mas não tem preço mesmo.

 

Retomo.

 

A gata do Ártico depois me disse que talvez deveria ter feito um esforço maior e tentado uma escola americana. Faz sentido, por mais que eu goste dos EUA (nossa, vejam só que coisa ! Além de (re)visitar lugares tradicionalmente turisticos e manjados – adoro ! - eu também curto muito os States e tem mais, cabendo no meu bolso quase sempre que viajo não perco a oportunidade de aproveitar as facilidades do turistão “ônibus da Angela Rô Rô”, também conhecido internacionalmente como hop on hop off bus), acho que no caso dela que vem de país rico onde todo mundo já nasce com a vida ganha estudar na Malasia deveria ser mais fácil (alguém aí já ouviu falar na lei do menor esforço ? Funcionário público não vale, eu disse “menor” e não “nenhum”), diferente e exótico pois aquela região é repleta de lugares bons e baratos apenas a uma Air Asia de distância, principalmente para quem fica baseado em Kuala Lumpur, o caso dela por sinal.

 

Quem sabe a musa dos fiordes poderia ter tentado a Austrália trocando assim a vizinhança de ursos polares por uma formada de cangurus mas isso seria o de menos, o duro mesmo ia ser aguentar a brasucada formada por um verdadeiro séquito de patricinhas e surfistas-merrequeiros-metidos-a-Kelly-Slater que todos os anos invadem aquele ensolarado e deveras insípido país.

 

Também fiquei sabendo que ela havia feito uma trip percorrendo a hoje fácil e já bastante manjada banana pancake route com algumas amigas conterrâneas (pausa para um suspiro. Se uma escandinava já é boa, imaginem várias juntas ?), mas elas não aguentaram o tranco e voltaram para casa.

Achei estranho. Se fossem os historicamente intrépidos brasucas (pausa para arrumar a garganta) eu até entenderia afinal esses costumam dar pitis homéricos por causa da falta de infra, da pobreza, se o ônibus atrasar, se as estradas forem ruins, se rola muito perrengue para atravessar certas fronteiras terrestres, se não encontrarem alguém que fale inglês o suficiente para passar uma mísera informação (é aqui que fala e encontra facilmente...), ou mesmo se não acharem Starbucks na Coréia do Norte, wi-fi no interior da China, banho quente em Fiji, McDonalds em Ngorongoro ou Casa do Pão de Queijo na Papua Nova Guiné, fora otras cositas más que tais viajantes “descolados” e dispostos a tudo, reitero, muy aventureiros e safos, pero no mucho, tiram de letra. Aham, sei. Então tá. Eu me divirto com esse complexo universo radical chic dos desbravadores aventureiros de boutique...

 

Assim sendo confesso que fiquei um tanto quanto surpreso com a experiência da garota visto que de uma maneira beeeeeem geral a gringaiada mochileira não tem (muita) frescura (mas sim, eles também costumam dar os seus chiliques homéricos por nada) e como a maioria vem de país rico acham perrengue, pobreza e miséria, como posso dizer, algo “exótico” e até curtem a “aventura”, so to speak, afinal é muito diferente da realidade deles. Por essas e por outras que o favela tour (sorry, no Rio agora deve se chamar comunidade tour) faz tanto sucesso entre esse povo.

 

Particularmente acho meio esquisito mas como a gente viaja para ver coisas diferentes eu até entendo a gringaiada. Kinda.

 

Mas isso não é exclusividade da gringaiada não, tem muito brasuca fazendo isso também afinal o que não falta aqui é antropólogo e viajante socialista socialite.

 

Enfim, c´est la vie e como dizem os corinthianos: “haja o que hajar !”. Aproveitando o gancho, tá rolando um zunzunzun por aí que a Bolivia se tornou um dos melhores países para se viver, afinal tem apenas 12 corinthianos e todos estão presos. Mas acho que já já eles soltam, afinal ninguém quer uma célula de filial do PCC no seu país, né ?

 

Prossigo.

 

O papo estava tão bom que se estendeu dentro do ônibus também que finalmente chegou, para o alivio de todos e felicidade geral da nação de viajantes durangos, e estacionou bem próximo de onde conversávamos. Por estar atrasado ele não demorou muito a sair e rapidamente já nos dirigíamos em direção ao aeroporto. Apesar da demora não estávamos com problemas de horário porque ainda havia bastante tempo de sobra e os nossos vôos eram tarde (mas o dela era mais cedo que o meu) e acho que foi a primeira vez na vida que concordei que sair mais cedo para um compromisso realmente pode valer à pena.

 

Com os ânimos de todo mundo já amainados, no ônibus foi a minha vez de falar sobre alguns dos meus MBAs mundo afora que ela ouviu com muita atenção. Vale ressaltar que MBA para mim tem um significado diferente e um pouco mais amplo, que eu definiria por: “Many Buses in Asia, Many Buses in Africa, Many Buses in Americas” e outros tantos “many buses...and planes, matatus, trains, ferries, metros, horses, banana-boats, les trucks, skis, bikes, taxis, bankas, motorcyles, canoes, trekking boots, vans, pick-ups, cars, sailboats, helicopters, elevators, feluccas, kayaks, tuk-tuks, rafts, camels, SUVs, donkeys, jetskis, quadricycles, flip-flops, escalators, mokoros, jeeps, elephants, snowboards, dinghies, trucks, boats, spaceships (brincadeirinha !!!)”, fora o resto, por esse mundão afora.

 

Resumo da ópera: Muitos Buzuns por Aí.

 

Ah, antes que eu me esqueça: nem tudo na vida são flores e viagens, se eu dissesse como começou tudo isso vocês iriam chorar e entrar em depressão mas como todo mundo sabe, ou pelo menos deveria saber (inclusive os mais tapados), estamos aqui para nos divertir, certo ? Quando as luzes se apagam e os bares fecham ficamos apenas com as nossas verdades e memórias (acho que era assim que dizia o poeta, sei lá eu). Dia desses eu NÃO conto.

 

Avante.

 

Após ter ouvido algumas histórias engraçadas e outras nem tanto sendo que certos acontecimentos, alguns impublicáveis, poderiam ter lugar cativo na Broadway enquanto outros mal caberiam no caldeirão da Madame Mim, a Afrodite da Aurora Boreal não se fez de rogada e com a frieza de quem mora nas proximidades de um dos pólos da Terra me fuzilou sem dó nem piedade numa só voz em alto e bom tom:

 

“Nossa, que legal ! Mas vem cá, me conta uma coisa: como assim você prefere viajar sozinho ?”, como se isso fosse a coisa mais absurda do mundo.

Ali eu vi que a gente não iria dar muito certo mesmo. hehe

 

Mas peraí, e se aquilo fosse um auto-convite ? Não, não foi. Pelo menos eu não percebi. (PQP, tem gente que continua se achando, né ?).

Pensando bem, sei lá, tipo assim, poderia ter sido pior, vai que ela me perguntasse qual é melhor: viajar RTW ou viajar pela Africa ? Saia justa total. Ainda bem que ela não perguntou.

 

Falamos bastante também sobre viagens, vida, carreira, viagens, amores, decepções, viagens, sabores, dissabores, viagens, trabalho, música, viagens, politica, cinema, viagens, esportes, comida, viagens, consumismo feminino, desmatamento, viagens, literatura, egos, viagens, chocolate, alarmismo besteirol sobre o meio ambiente, viagens e aí você percebe que por mais prosaico que possa parecer no geral a essência do ser humano é igual em qualquer parte do mundo porque conversando com individuos de diferentes backgrounds, cores, credos, religiões, filosofias, orientações, crenças, etnias, tipos sanguineos, tribos, dogmas, nacionalidades, diâmetros de circunferência abdominal, classes sociais, vontades, profissões, prioridades, gostos, marcas favoritas de creme dental, quantidade de cabelo, cor dos olhos, chacras (ihhh, isso agora me lembrou aquele papinho besta daquelas madames que gastam, digo, “desapegam” em nada meditáveis dez/quinze mil doletas numa viagem para a Índia e adjacências - first class, of course - em busca de emancipação espiritual tântrica-zen-xarope-transcendental-cadê-o-Baba-podicrê-mistico-bicho-grilo-espiritual-personal-guru-maluco-beleza-iogue-shanti-holistico-ashram hopping-abraça-árvore-e-deita-na-pedra-para-energizar-enrola-um-vou-apertar-mas-não-vou-acender-agora e depois voltam para casa zuretas regurgitando aquela conversa mole zuzo-bem visceralmente “ayurvédica-namastê”) e você percebe que no fundo no fundo eles almejam praticamente a mesma coisa, o que mudam mesmo são as condições e o peso que cada pessoa dá à diferentes aspectos de sua vida. Pausa para reflexão.

 

Ehn... alguém tem algum espelho aí ?

 

Continuando.

 

Como não poderia faltar conversamos também sobre os nossos respectivos países, então aproveitei para exercer um dos meus esportes favoritos quando viajo: falar mal do meu país. Putz, que coisa não ? Eu hein, que deselegante ! Que nada, apenas realista. Já comentei sobre o embaixador às avessas, qualquer coisa basta consultar vossas excelências, os fatos. Simples assim.

 

Mas “falar mal” acho que é mais, como direi, uma “força de expressão” afinal como odeio tapeação eu apenas confirmo o que todo mundo que pensa já sabe, nada mais do que isso. Tô com os messieurs Voltaire e De Gaulle e não abro, mas de vez em quando obviamente solto alguma coisa boa também sobre a Jabuticabalandia. E bem de vez em quando.

 

Se a diva viking não tinha planos para visitar o Brasil e a América Latina no geral agora que não vem mesmo. Mas consegui contornar, disse que apesar de perder uma ou outra coisa boa (caldo de cana, pastel de feira, açaí, brigadeiro e praias bonitas, por exemplo) ela poderia pular o Brasil sem dor na consciência afinal o país não vale quanto cobra e propagandea (sugeri trocar pelo México) só que os vizinhos valem muito a viagem, apesar das praias não costumarem ser lá aquelas coisas a não ser que o visitante leve jeito para pinguim. Patagonia, Machu Picchu, Cuzco, Galápagos, Salar de Uyuni, Isla del Pescado, Amazonia, Lago Titicaca, Uros, Atacama, fora o resto, são lugares que devem constar em qualquer lista de lugares a ser visitados. Ela ficou de reconsiderar.

 

Até acho que ficamos no empate porque eu também não tinha lá muita vontade de conhecer a Noruega, porém lista de prioridades para mim não tem muito significado porque até pouco tempo atrás os Estados Unidos disputavam com o Japão (nada contra esse último, apenas não tenho saco, grana e tempo para tirar o visto. Espero que o Brasil faça prevalecer a reciprocidade) as primeiras colocações entre os lugares que eu não tinha a mínima vontade de conhecer, mas como as coisas mudam hoje os States estão super bem na fita e é um dos lugares que encabeçam a minha lista de favoritos. Quem sabe o Japão não seja o próximo ?

 

E olhem que quando eu tirei o visto a minha intenção era apenas economizar alguns milhares de dólares em passagens aéreas para aí sim poder viabilizar algumas das minhas RTWs. Como todo bom assalariado que ganha a vida em reais, viaja com passaporte brasileiro, não é nenhum dondoca expatriado ou alguém que bebe da mesma fonte de blogueiros/jornalistas de viagens muy “independentes” (só se forem independentes como um taxi) que vivem escrevendo, pererecando, perambulando, “puxa-sacando” (mais um neologismo ?) e viajando de jabá em jabá (atenção para as exceções em todos os exemplos), qualquer punhado economizado de verdinhas faz bastante diferença no orçamento.

 

Nota à margem: não custa lembrar que por causa de muitos desses “jabáticos” e “jabazetes” da vida ficamos conhecendo lugares e serviços através de suas reportagens em publicações ou blogs de viagens. Vida longa aos blogs, revistas (ao contrário dos blogs, as revistas me parecem cada vez piores e repetitivas, infelizmente), portais e sites de viagens, comerciais ou não (todo mundo tem que comer e pagar contas, né ?). E acho que é possivel sim ser comercial sem a necessidade de se prostituir e quem não gostar que não acesse ou leia, simples assim.

 

Em frente.

 

Uma vez que já conheci uma galera muito bacana dos lados da terra dela (principalmente da Suécia) rodando o mundo por aí, muitos em férias e outros viajando por um tempo maior, aproveitei para dar uma geral sobre a paixão (fetiche ?) por RTW, afinal it´s only RTW but I like it.

 

Como acho que ainda está para surgir um roteiro RTW que eu não consiga fazer (bem) mais barato em condições normais sem ter que fazer “trip de índio” (mas indie sim), e como as passagens no Brasil não costumam ser assim tão baratas quando o destino é longe (e nem vou comentar a disparada do dólar. Falando nisso, preciso dizer que estou para entrar em férias ? É sempre assim), mesmo tendo melhorado bastante ultimamente mas ainda um tanto dependentes de alguma boa promoção, acho bastante jogo esse tipo de trip desde que saiba como fazer e não apenas fazer por fazer. Ah, pensando bem, se não souber ainda assim continua valendo bastante a pena pois o que conta mesmo é ser feliz. E se conseguir fazer isso viajando, melhor ainda.

 

Já que os escandinavos são craques em navegação nós conversamos sobre esse tipo de trip por mar e eu disse que aqui no meu país trips assim de barco ou carro geralmente costumam ser pra quem tem (muita) grana; não é pouco dinheiro e precisa estar muito bem de caixa.

 

Falando nisso, apesar de passarem anos-luz da minha praia e com exceção dos fantasiosos (ilusionistas ?) quando o assunto é orçamento (não são só eles), eu costumo admirar muito as pessoas que fazem esse tipo de viagem – principalmente de carro; de barco acho muito alien, financeiramente falando (me lembrou de novo a trip dos playbas do catamaran. Para transformar sonho em realidade, superar obstáculos e vencer desafios ter um parente trilhardário bancando tudo deve ajudar bastante, indeed) - porque as vejo como “gente que faz” e não apenas “gente que fala”, algo bastante comum nos dias de hoje. Tiro o meu chapéu e desejo a todos que se jogam e metem as caras, independentemente de qual maneira, que façam a melhor viagem do mundo e de suas vidas.

 

Diferenças financeiras e preferenciais à parte, tracei um paralelo e ousei dizer que com o preço que a pessoa paga num carro (que aqui no Brasil custa bem mais caro) somadas às modificações no veiculo, uma pessoa normal mochilando sem ser frugal poderia dar umas duas voltas ao mundo ou uma “bem dada” (oops, me refiro a uma trip volta ao mundo. O que mais haveria de ser ? Aqui é tudo sempre no bom sentido) viajando durante no mínimo uns dois anos tocando o terror sem apertar muito o bolso enquanto que uma pessoa bem anormal, mas beeeeeeem anormal mesmo, ficaria batendo cabeça e daria uma volta de no máximo um ano. A gente morreu de rir. Pois é, beldades nórdicas também caem na gargalhada, vai vendo.

 

Mas não levei em consideração o estilo, o prazo e as vontades de cada um, o fato de serem trips diferentes com objetivos e vontades semelhantes que se cruzam aqui e ali, assim como também não considerei os gastos com combustível, passagens e frete, a não ser que o carro seja anfíbio também. Sarcastic mode on.

 

No final concordamos que apesar do tempo e grana necessários, viajar de carro ou barco deve ser uma experiência de liberdade única, mas assim como eu ela também não era muito chegada a dirigir e achava que passar dias ou semanas balançando num barco dando banho em isca cheirava a um tédio só.

 

Como assunto era o que não faltava (é muita história para pouco “Virunga”) e como ela tinha várias histórias legais também, o tempo passou rápido e por incrível que pareça não teve trânsito para chegar no aeroporto.

 

Chegando lá nos despedimos com um beijo e cada um foi para um lado. Ela foi fazer o check-ine eu fui procurar um lugar para me trocar antes de embarcar.

 

Para falar a real no final das contas a mina da terra do frio e do bacalhau verdadeiro era até legal, de vez em quando tinha lá seus desvios “momentos Aruba”, mas depois de conhecer um pouco mais ela subiu bastante no meu conceito e ganhou até uns pontinhos. Igualzinha a chatinha e bonita ilha caribenha.

 

Me troquei rapidamente no banheiro pois agora era hora de baixar as velas do calor do sudoca asiatico e içar as velas para enfrentar um clima bem mais ameno na Europa e após ter rearrumado e trancado a minha mochila fui fazer o meu check-in.

 

Quando cheguei lá qual não foi a minha surpresa ao saber que o vôo estava atrasado, mas eu nem encanei afinal eu fico tão feliz e realizado por “estar viajando” (perdão pela dialética callcenter) que não tenho tempo para essas viadices de reclamar de vôo um pouco atrasado (muito atrasado já é outro chopp), da comissária que não te atende sorrindo e nem te pega no colo para fazer dormir (não é a função dela, concordam ?), de não ter travesseiro, da cor do assento, de ser muito alto para poltrona, ou muito baixo para poltrona, ou muito gordo para poltrona (sempre culpa da poltrona, né ?), de não fornecerem canetas para preencher formulário de imigração, do aeroporto secundário ser longe do centro, das cores berrantes e quantidade de cartazes espalhafatosos de propagandas dentro da cabine, do atendente não pegar na mãozinha e levar até a porta do avião, do peso e tamanho da bagagem de mão permitidos (quem mandou ser muambeiro ? Falando nisso, a Easyjet já anunciou que irá diminuir o tamanho limite da bagagem de mão. Viva o minimalismo !), do sistema de entretenimento que não passa o programa da Xuxa ou o BBB, da empresa não ter leite NAN e nem servir um mingau igual ao feito pela mamãe e a lista goes on.

 

Meu d´s, quanto “frufrismo” ! (Viram, não esqueci dos neologismos). Por que não ficam em casa, então ? Eu hein. É tão dificil perceber que hoje em dia, quando tem, é lanche frio com refrigerante quente ? :) Continuo achando que voar com segurança e pagar um preço legal já tá bom demais, o resto é resto. E vice-versa.

 

Ah sim, mas é claro que concordo que tudo tem limite.

 

Entrei na fila e logo depois quando fui chamado para fazer os trâmites do check-in lá estava ela no balcão ao lado pegando o cartão de embarque juntamente com o passaporte: outra linda gata que confirmava a minha observação sobre o bem danado que o sol e as praias dos trópicos fazem para as gringas.

 

Quando ela agradeceu eu percebi que era britânica (já falei que adoro o sotaque, né ?), a Bilu Teteia femme fatale da terra da cerveja quente e do fish & chips saiu caminhando toda prosa, soltinha como o arroz da vovó, sorridente, mais feliz do que a população do Butão (e olha que ela nem me conheceu. hehe. Putz, quando eu falo que tem gente que se acha...), sandália rasteira, shorts jeans curtinho, cabelos loiros e compridos, bronzeadinha, cheirosinha que só (e eu que estava preparado para tudo, menos praquele perfume), uma única e longa trancinha no cabelo diretamente da Khao San Road, uma genuína gringa faux-riponguinha toda saliente e serelepe. Meeeeeeeeeeu d´ssssssssssss, pelas jóias da coroa ! Pois é, inglesa sexy de novo, vai vendo.

 

Mas ali tem de tudo, tô falando que chove mulher bonita no sudoca. E se a noite toda gata é parda no sudoca (quase) toda gata viajante é loira. Mas tem para todos os gostos e sabores. Sempre no bom sentido, é claro.

 

Apostaria um rim (humn, quer dizer, um rim não porque posso precisar dele para vender e pagar minhas viagens. Serve um almoço ?) que ela não iria desembarcar em Londres vestida daquele jeito. Quando voltam para casa, para a vida real (seja lá o que significa isso. Existe outra vida por acaso ?), para a responsa e para o frio de seus países cheios de leis, regras, horários e câmeras de segurança muitas vezes elas não são tããããão soltinhas assim, a não ser que estejam com um copo na mão. Cheers!

 

Achei que ela lembrava muito por alto a intragável (óbvio, é canadense) Avril Lavigne, só que era muito mais gata, com formas mais... ehn...como direi, simétricas, com mais “curvatura” (sempre no bom sentido) e tinha bem mais sal (ai minha pressão arterial...), digamos assim. Tá bom, confesso: é uma baita sacanagem comparar uma gatinha daquelas com a Avril.

 

Fui despertado dos meus pensamentos “ai se eu te pego” mais profundos e libidinosos capazes de fazer corar até o Marquês de Sade ou os habitantes de Sodoma e Gomorra quando o cara do check-in me confirmou que o vôo estava atrasado desde Singapura e me disse que eu tinha direito a um voucher para uma refeição grátis (pois é, se não existe almoço grátis pelo menos janta tem), mas eu teria que pegar no fim do balcão com uma outra atendente.

O mais curioso é que nem era tanto atraso assim, coisa de uma hora, uma hora e meia. Isso lá é atraso ? E olha que eu domino bem esse assunto.

 

Feliz da vida com o vale-rango que ganhei da cia aérea em função do atraso do vôo, me dirigi à imigração para dar saída oficialmente do país e depois procurar com muita calma, parcimônia, categoria, lucidez, responsabilidade, serenidade, frieza, concentração, equilibrio, isenção, astucia e sabedoria fazendo uso daqueles seculares métodos cientificos exaustivamente testados e aprovados pela NASA em seus experimentos mega-tecnológicos e secretos, ou pelo COPOM quando define a taxa de juros básica da economia ou ainda pelo próprio Ministro Mantega, o “çábio”, quando tenta acertar qual será o tamanho do PIB (entenda-se uma decisão tomada de maneira lógica, precisa e racional formada pela infalivel união dos métodos salemê minguê com minha-mãe-mandou-escolher-esse-daqui-mas-como-eu-sou-taurino-eu-escolho...) um bom restaurante para utilizar o presente, quem sabe descolar um decente e lauto rango (que saudade de um bom bife inescrupulosamente mal passado) em terra firme antes de encarar as longas e tediosas horas de vôo que estavam por vir.

 

Andei pra lá e pra cá percorrendo os imensos corredores do gigantesco aeroporto de Bangkok numa missão batizada de rango-hunting (ou ran-ran para os intimos) em busca de um lugar para comer naquela área que mais parece um shopping com várias lojas de tudo quanto é tipo e para todos os bolsos. Falando em bolsos, costumo trocar os meus sobreviventes bahts (ou baaaaahts, no sotaque tailandês) ali.

 

Depois de andar bastante carregando na mão o tal vale-rango (pobre sabe como é, nunca tem nada e quando tem adora mostrar) escolhendo as opções gastronômicas que se apresentavam aqui e ali, finalmente me decidi por um lugar para “aproveitar o presente”, algo que infelizmente nem sempre consigo fazer como deveria e gostaria (entenderam a mensagem embutida ?).

 

ACHEI !! Aquele seria o lugar escolhido para a minha última refeição em solo tailandês.

 

Lá estava ele me esperando, havia algumas mesas vazias por causa do horário avançado já na madrugada, atendentes risonhos, perfilados e meticulosamente uniformizados como se clamassem por mim, digo, pelo meu vale-rango. O pico escolhido ficava localizado num canto do aeroporto e tinha aquelas inconfundiveis e garrafais letras iniciais bastante conhecidas que se destacavam entre os outros letreiros dos restaurantes e lanchonetes vizinhos:

 

BK” (leia-se bee kay).

 

Encontrei o lugar mas não, nada daqueles restaurantes cheios de estrelas Michelin, firulas, salamaleques e viadagens frequentados por gente fresca, mimada, cheia de frufrus e coalhados de foodies boiolas (humn, isso tá me cheirando a mais uma tautologia), aquela bichice generalizada num restaurante onde só o couvert de entrada equivale a renda per capita indiana.

 

Que nada, bem longe disso. Era o bom e velho Burger King mesmo. Uma vez pobre...

 

Enfim, depois que terminei o rango 0800 aproveitei para dar aquela última caminhada para fazer a digestão, trocar dindin e me dirigir para o portão de embarque só que antes de chegar nessa área do aeroporto tem que passar pelo raio-X de novo e enfrentar toda aquela encheção de saco que vem a reboque, mas para um país que recebe mais de 15 milhões de turistas por ano eles sabem como fazer a coisa e apesar da fila enorme rapidamente eu estava do outro lado. Agora era só achar o portão de embarque e me mandar.

 

Depois de uma pequena caminhada cheguei no salão de embarque que estava abarrotado de gente com cara de poucos amigos, também aquela hora da madrugada já estava todo mundo cansado e de saco cheio. Vi que havia gente até das Ilhas Fiji (que saudades...) e pelo uniforme e estatura gigante da turma notei que se tratava de um time de rugby. Se eu tinha que encarar um vôo longo imaginem eles que vinham de muito mais longe ?

 

Muitas vezes a gente acha a nossa situação ruim mas é só olhar em volta que nos deparamos com outra muito pior e isso vale para outros campos da vida também. Pausa para mais um momento de reflexão.

 

Ehn... eu sei que soa repetitivo mas, de novo, será que alguém tem algum espelho aí ?

 

Sigamos.

 

Fiquei um tempo fazendo aquele airport people watching básico dos meus companheiros de vôo e para não morrer de tédio sentado naquela sala só “coçando os países baixos” enquanto não chegava a hora de embarcar (e eu que achava que entediantes e chatos mesmo eram os filmes de Woody Allen, a programação de tv aberta, os jogos da seleção brasileira de futebol ou os iêiêiês dos Beatles), procurei matar o tempo tentando descobrir de onde era aquele povo todo. Para não ficar muito diferente do resto dos passageiros liguei o bored mood face e após um tempo fui dar uma checada rápida no terminal de net grátis e depois de finalmente conseguir acessar os meus emails adivinhem só quem apareceu ? Que rufem os tambores !

 

“Hey DJ, agora é com você !”

 

Tchan tchan tchan tchaaaaannnn

 

“Ehn... não era bem isso, mas tá valendo”.

 

Ah, esqueci. O DJ foi chamado às pressas porque era para ele só aparecer no próximo post, então ele mandou o estagiário. Já que é assim desta vez tá perdoado. Depois a gente tenta de novo.

 

Então, adivinhem quem surgiu de repente quando eu estava checando os meus emails ?

 

a) A divina da terra do sol da meia noite que eu conheci no caminho para o aeroporto me dizendo: “E aí seu bocó, eu estava fazendo um auto-convite sim !”,

 

b) uma atendente da cia aérea falando que era o meu dia de sorte e que eu havia sido contemplado com um prêmio que incluia upgrade para voar na primeira classe, um fim de semana com direito a acompanhante com tudo pago em Londres podendo escolher as melhores suites com três opções de hoteis: CLARIDGE´S, THE DORCHESTER ou THE LANESBOROUGH; um carro Aston Martin, Bentley ou mesmo um Rolls Royce com motorista à minha disposição, fora o chá da tarde com a Rainha no Palácio de Buckingham,

 

c) a Gisele Bundchen e a Ana Hickmann me abordando: “Oi, você também é brasileiro ? Fechamos a primeira classe mais a classe executiva com as modelos da Victoria Street desfilando a última coleção de lingerie numa festinha privê aérea, você quer se juntar à nós ? Champagne à vontade”,

 

d) alguém me avisando que o Messi juntamente com mais metade do Barcelona estavam se transferindo para jogar no meu time nas próximas cinco temporadas. Ronaldinho Gaucho, Lucas e Cristiano Ronaldo vão também enquanto o Neymar fica de fora porque no meu time não tem espaço para pipoqueiro cai-cai,

 

e) aquela gatinha pseudo-neohippie da terra da Rainha que eu vi no check-in me convidando para passar o final de semana no apê dela em Mayfair com umas amigas.

 

Nah, que nada. Erraram feio, nenhuma das alternativas. Quem me dera...

 

Quem apareceu mesmo na forma de atendente de cia aérea foi o Murphy, o da lei, chamando todos para o embarque. É sempre assim.

 

Como nem tudo tá perdido foi mais ou menos nessa hora que me liguei que iria voar de novo no Boeing 747, o meu avião favorito. Esse é macho !

 

O 747 é aquele imponente avião quadrimotor gigante e belo que todo mundo conhece (até as loiras) como JUMBO, possui dois andares na parte da frente que dá a impressão que ele tem uma espécie de corcova, que o faz o avião mais reconhecido do mundo.

 

Também, acho dificil passar despercebido um avião com a altura de um edificio de três andares, quatro turbinas pesando mais de seis toneladas que custam oito milhões de doletas cada e capazes de levantar mais de 400 toneladas de metal, fios, bagagens, passageiros e tripulação para cima das nuvens voando a 900km/h.

 

Um passarinho me soprou que esse apelido surgiu em homenagem a um elefante turbinado (trocadilho proposital) e gigante que nasceu há um tempão no que hoje é o Mali (a terra de Timbuktu, por sinal. Quem disse que ela não existe ?) e de tão grande o batizaram de Jumbo. Assim, quando surgiu o 747 acabou que ele pegou emprestado o apelido do elefantinho anabolizado, mas eu não boto muita fé nessa lenda afinal passarinho não sopra, ele pia. Ou canta.

 

Tá, tá, essa foi ridicula, eu sei mas não pude evitar. Pausa para tomar o remédio.

 

E esse papo de passarinho hoje em dia anda esquisito, lembrou a “reencarnação” do Hugo Chaves, o tiranete cucaracha ex-presidente e atual defunto que não querem enterrar. Será que vão fazer o mesmo com o Fidel Castro, Cristina Kirchner, Evo Morales, José Sarney e o Lula também, afinal múmia é o que não falta na América Latina. Uma pena que muitas delas continuam ainda dando as cartas ajudando a afundar ainda mais este sofrido continente.

 

Chamem a National Geographic ! Ou melhor, chamem o Ministro Barbosa ! Ou talvez a carrocinha, sei lá.

 

Adiante.

 

O avião é um projeto quarentão enxuto e para comemorar o enorme sucesso do rei dos ares foi lançada não há muito tempo uma nova versão que conseguiu deixá-lo ainda melhor e mais bonito. Quem disse que não tem como melhorar o que já é perfeito ?

 

Hoje em dia só o estupendo Airbus A380 para fazer frente, mas como ainda não voei nesse último eu coloco todas as minhas fichas no magnífico seven four seven que assim como o A380 “is not a plane. It´s a planet”.

 

E pensar que o pai da aviação é brasileiro, vai vendo...

 

Pessoal, enquanto tá rolando todo aquele bundalelê pré-embarque numa espécie de marcha dos pinguins, digo, marcha dos passageiros formada por umas três centenas de pessoas impacientes quase se estapeando para entrar no avião, vou ter que deixá-los por aqui mas prometo voltar pra contar o que só eu vi.

 

Aquele abraço e valeu mais uma vez pela paciência e companhia.

 

Virunga

 

(NR.: Do jeito que esse relato ficou longo e demorado já tô achando que essa RTW – em exibição no site mochileiros.com há uns quatro anos (putz !!!) - deve estar mais para “round the words” do que “round the world”. Independentemente de qual seja o significado da sigla nesse caso, uma coisa posso afirmar com toda a certeza do mundo: eu me divirto :wink: ).

 

  • 3 meses depois...
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Parabéns pelo relato, virgunga!! Tá A++++ li tudo e é mto legal de acompanhar, a gente acaba se sentindo parte da trip.

 

Sei que vc já deve ter feito mais umas 3 rtw depois dessa, mas não deixe de terminar o relato por favor hahaha. No aguardo!!

  • 4 semanas depois...
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Oi Propter, tudo bem ?

 

Puxa, mais um leitor corajoso e paciente para ler tudo isso aqui !!! rsrs

 

Valeu pelo elogio, legal saber que está viajando junto e pode deixar que vou terminar o relato (concordo, venho falando isso há tempos. Já tá merecendo embargos :?). Falta pouca coisa e pra falar a real creio que seria até uma falta de respeito deixar ele inacabado. E você está certo, depois (e antes) dessa trip já rolaram outras tantas RTWs.

 

Estou cogitando escrever talvez mais uns dois textos...ehn... “resumidos” de outras trips (vou tentar, afinal quem disse que eu tenho o dom da concisão, principalmente quando o assunto é RTW ?), sendo um deles também sobre uma volta ao mundo e um outro sobre esse lugar mágico aqui, ó :

 

598da97fc04b1_Africaafavorita.JPG.27d82a472622a5c70d8925b19fe426c9.JPGfonte: descaradamente surrupiada da net, mas minhas fotos ficaram melhores. hehe :P (ô, quem me dera...)

 

Mas antes preciso finalizar este relato.

 

Fique ligado que vem mais por aí, espero que você continue curtindo.

 

Grande abraço,

 

VIRUNGA

  • 2 meses depois...
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Faaala Virungaaa!

Já acompanho seu relato já faz um temmmmpo!E apartir deles, finalmente vi que é possível uma RTW para um proletario como eu!Rssssssssss!Não sou funcionário publico nem corintiano!Vou apertar de todos os lados, mas 2015 vou fazer de qualquer jeito!Tipo um mês e meio....mas vou!Agradeço pela consultoria!

Um Abraço!

  • 3 semanas depois...
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Faaaaaaala edu.apr, tudo bem ?

 

Muuuito bom ! Demais saber que você percebeu a idéia principal desse relato. Dou a maior força afinal o sol nasce para todos inclusive para proletários como nós ! rsrs Lá na frente quando chegar a hora de bater o martelo e caso necessite de alguma ajuda para fazer o ajuste final, fique à vontade para perguntar porque é justamente nessa hora que eu gosto de “pitacar”.

 

Como você não é corinthiano e nem funcionário público então terá direito a desconto e garantia na consultoria, só não seja mais um paraquedista como a maioria. :) Brincadeira, aqui comigo (quase) todo mundo tem vez.

 

Já que falta bastante tempo para a sua trip então dá para pesquisar legal, planejar e “apertar de todos os lados” porque infelizmente a coisa continua se deteriorando para os brasucas que almejam viajar para o exterior com esse dólar e o IOF batendo lá na casa do dr Carvalho. :(

 

Agora que as viagens internacionais encareceram para quem ganha a vida em reais, quem quiser viajar para fora vai ter que ficar mais esperto, seletivo e antenado. Só para se ter uma idéia e botar uma pilha, pelo que ando pesquisando no que diz respeito à parte aérea, com um pouco de sorte, 20/25 mil milhas e, sei lá, U$ 2.000,00ish doletas já daria para fazer uma trip RTW bem legal (viu como dá pra espremer e fazer caber no bolso de um assalariado ?), ou seja, pagar exageradas U$ 7 mil doletas por uma passagem RTW beira o surrealismo (eufemismo para ridículo).

 

Abraço.

 

VIRUNGA

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