Ir para conteúdo
View in the app

A better way to browse. Learn more.

Mochileiros.com

A full-screen app on your home screen with push notifications, badges and more.

To install this app on iOS and iPadOS
  1. Tap the Share icon in Safari
  2. Scroll the menu and tap Add to Home Screen.
  3. Tap Add in the top-right corner.
To install this app on Android
  1. Tap the 3-dot menu (⋮) in the top-right corner of the browser.
  2. Tap Add to Home screen or Install app.
  3. Confirm by tapping Install.

Olá viajante!

Bora viajar?

Nepal 2005

Postado
  • Membros

00ckathmandujirimarceuedico7ny.jpg

Os protagonistas do trek durante a viagem de busão até Jiri. 10 horas sacolejando e tirando fino de precipícios, sendo que 8 delas viajando no teto. Marcéu é o que tirou a foto e cortou metade da própria cara.

 

Dias 00

 

O trek foi ótimo, ótimo MESMO. Nós andamos por 31 dias, de Jiri até o Campo Base do Evereste e com uma esticada até o vale do Gokyo. Tudo com picos extras e treks secundários que não estavam no programa inicial.

 

Kathmandu é uma cidade única e como tal tem um jeito único de ser. Thamel, bairro comercial de Kathmandu onde há a maior concentração de turistas, é sujo, confuso, poluído, com ruas estreitas lotadas de carros, riquixás, pessoas, bicicletas e motos. E é barulhento, já que todos lá dirigem com a buzina. Adoramos Thamel!

 

Os acordos nas compras de material que faltava para o trek começaram bem. É muito fácil barganhar em Thamel, mas é mais fácil ainda perder horas e horas do precioso tempo de suas preciosas férias conversando com os vendedores que, uma vez demonstrado seu interesse em algo, não mais o querem largar. Nas ruas também é mais certo que a morte você ser abordado por agentes de viagem ou algum dos seus capangas, ou se ver na vexante situação de ignorar os pequenos traficantes que o seguem perguntando "você fuma?" ou "mariuana, haxixe?". "Qual seu preço?" e "seu preço é meu preço" são frases comuns e que vai ouvir nas lojas e ruas. A menos que faça como alguns dos turistas que vimos e simplesmente pague pelo que lhe pedirem, o que considero tremenda burrice, mas enfim, a grana é deles.

 

Isso tudo serviu para que eu, após dois dias em Thamel, ficasse desesperado para iniciar o trek.

 

Então finalmente partimos num ônibus cujos bilhetes que nos tinham sido vendidos por preços exorbitantes estavam caducos e tivemos que comprar outros, por preços pouco menos exorbitantes. Ônibus nepalês é muito pequeno e nossas cabeças quase tocavam no teto. Pralém disso estava lotado e mais gente subia no caminho. O motorista nos disse que iríamos no teto, mas só depois que passássemos algumas barreiras do Exército, o que levou cerca de duas horas, horas essas em que passamos em pé e torcidos sem poder mexer nada nem ter onde nos encostar.

 

Ao se afastar um pouco de Kathmandu, duas horas depois de ter partido, o motorista pára a velha condução, e bota velha nisso, e diz que podemos ir pro teto, o que soou como música aos meus ouvidos e bálsamo às minhas pernas e costas entravadas. Enquanto subíamos ao teto, 80% do ônibus se meteu na mata pra tirar água do joelho. Parecia um bosque de cabeças. Praticamente não havia arbusto sem uma cabeça por cima dele.

 

Embora um pouco ventoso, viajar no teto foi fantástico e de lá tivemos nossa primeira, digo, segunda vista das montanhas (a primeira foi do avião). Era só uma, mas parecia um monstro se elevando do horizonte.

 

Passamos várias barreiras do Exército no caminho, mas essas não se preocupavam com gente no teto.

 

O ônibus segue zique-zaqueando morro acima e abaixo por cerca de 10 horas. Como a estrada é estreita, os finos são inevitáveis, sempre manejados com muita buzina, assobios, gritos e batidas na lataria dos ônibus. Numa das vezes nosso motorista arrancou o retrovisor de outro ônibus que estava "estacionado", porém ele nem parou e seguiu em frente. Acho que ele não queria perder o bom embalo que o ônibus tinha pegado. Aliás, ele não gostava muito de dar lugar aos outros ônibus que vinham em sentido contrário e cada vez que era mesmo necessário que um recuasse pro outro passar, uma pequena batalha de buzinas acontecia até que um dos dois desistisse. Para nosso orgulho o nosso ônibus estava equipado com um belo conjunto de sonoras buzinas e logo éramos campeões de "abre alas que eu quero passar".

 

Numa das subidas, uma de muitas e longas, um pneu furou e lá ficamos quase uma hora até ser trocado, operação que envolveu a gerência, observação e aconselhamento de muitos e o trabalho de poucos.

 

Já de noitinha chegamos em Jiri, após passar por uma última barreira de soldados, que anotaram nossos nomes. Em algumas outras barreiras todos tinham de descer e seguir em fila indiana até o controle e os turistas, nós, ficávamos no ônibus. Dessa vez tivemos de descer também, mas nos mandaram furar a fila e ir pra frente.

 

Após nos inscrevermos, fique de papo com um soldado lá, que recomendou alojamento e deu uns conselhos sobre os maoístas. Prometi que ia ter cuidado e agradeci a ajuda. Não falamos de política. Não acho saudável falar de assuntos polêmicos com alguém segurando uma metralhadora.

 

No ônibus, um dos donos de alojamento subiu conosco e nos pescou pra ficar em seu alojamento, o que, depois de saber sobre comida (repeteco no dhal?) e banho (incluído no preço?), aceitamos. Lá encontramos mais alguns trekkers. Um deles estava voltando e o resto, inclusive nós, estavam indo. O que estava voltando disse que não queria estar em nossa pele, o que não diminuiu nosso entusiasmo, mas foi um primeiro contato com as durezas que nos esperavam. O cara, Paul, tinha cara de exausto mesmo.

 

Banhos tomados e de barrigas cheias, fomos pra cama, ou melhor, pros sacos, ansiosos pela chegada do dia de amanhã, primeiro dia de um longo trek.

 

Continua...

 

[]'s

 

Hendrik

Editado por Visitante

  • Respostas 85
  • Visualizações 27.5k
  • Criado
  • Última resposta

Usuários Mais Ativos no Tópico

Featured Replies

Postado
  • Autor
  • Membros

Valeu, Jorge!

 

O próximo trek, à Chapada Diamantina (espero eu), ainda vai demorar bastante, mas certamente se for concretizado não deixarei de fazer um relato.

 

[]´s

 

Hendrik

Postado
  • Membros

nossa Hendrik, parabéns pela viagem e pelo ótimo relato ! Acabei de ler, adorei !!

eu tenho uma paixão por montanhas e neve, quem sabe um dia encaro essa sua trip !

 

parabéns novamente !!

Celso

Postado
  • Autor
  • Membros

Obrigado, Celso! Certamente que uma viagem dessas vale todo sonho e sacrifícios possíveis.

 

Comece a juntar as moedinhas e espero ler aqui seu relato de sua viagem aos Himalaias.

 

[]´s

 

Hendrik

Postado
  • Membros

Hendryk,

se vai pra Chapada Diam. e precisar de dicas, pode contar comigo..conehci td aquilo la na pernada em 2 semanas e meia..muito facil as trilhas e travesias por la.

Postado
  • Autor
  • Membros

Jorge... agora você se lascou, cara... tou mesmo cheio de perguntas sobre o local e pode ter certeza que irei abusar de sua oferta. Se prepara que sou do tipo chato mesmo. Mesmo sabendo que não farei 50% do que planejar, sempre quero saber 100% do que esperar.

 

E trilhas é justamente uma grande pendenga que tenho. Até agora, com você, acho que só 3 disseram que dá para fazer as trilhas. Todo resto em sites fala daquilo como se fosse um buraco negro que engole gente sem guia.

 

Se não se importa irei por minhas dúvidas na seção Bahia e tópico Chapada Diamantina, neste fórum, ok?

 

Agora está tarde, mas para amanhã é quase certo ter um lista enorme de dúvidas por lá. Vou ter de pesquisar os posts onde as coloquei e não foram respondidas e pegar posts de outros fora, onde as respostas também não chegaram ainda. Aí colo tudo aqui (no tópico Chapada Diamantina) e ficarei ansiosamente esperando suas respostas.

 

Valeu mesmo!

Participe da conversa

Você pode postar agora e se cadastrar mais tarde. Se você tem uma conta, faça o login para postar com sua conta.

Visitante
Responder

Account

Navigation

Pesquisar

Pesquisar

Configure browser push notifications

Chrome (Android)
  1. Tap the lock icon next to the address bar.
  2. Tap Permissions → Notifications.
  3. Adjust your preference.
Chrome (Desktop)
  1. Click the padlock icon in the address bar.
  2. Select Site settings.
  3. Find Notifications and adjust your preference.