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Nepal 2005


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  • Membros de Honra

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Marcéu admirando a altura no meio de uma ponte suspensa de 109m de comprimento, sobre o rio Dudh Kosi, quando seguíamos para Bupsa, nossa última pernoite ante de Lukla

 

Dia 06

 

Talvez agora eu possa dizer que já estava acostumado à trilha. Era uma espécie de sentimento de submissão, uma quase-religiosa aceitação do inevitável, do destino, da fatalidade, ou seja lá como queiram chamar isso. Era mais isso que realmente estar acostumado à trilha. Acho que falando a verdade, eu nunca me acostumei à trilha. Me acostumei ao peso da mochila sobre minhas costas, cintura e ombros, esmagando-os à cada passo; ao suor escorrendo sobre os olhos; à diarréia; à ser sempre o último a chegar onde quer que fosse. Essas eram as fatalidades que eu me acostumei a pensar que não poderia escapar.

 

Mas a trilha... isso era outra coisa. Após algumas horas andando, eu sempre acabava desenvolvendo a sensação que estava passando por algum tipo de punição, tipo um castigo que as mães botam os filhos prá cumprir em virtude de alguma diabrura que tenham feito. Mas ao contrário dos castigos de mãe, aos quais podiam escapulir, eu não via forma alguma de escapulir deste. Simplesmente tinha de aceitar a dor, o cansaço, o peso, a doença e as intermináveis trilhas como "faz parte" e continuar em frente. Agora eu entendo porque os livros e todo mundo que já foi lá me dizia que o fator psicológico era importante componente para se fazer este trek. Sem uma boa dose de determinação, esse trek é impossível.

 

O caminho para Bupsa é bastante... Nepal. É longo, cheio de sobe-desce, zigue-zagues e com um ponto de chegada que nunca chega. Mas posso dizer que era bem mais fácil que Deurali ou Sete, o que não é uma facilidade muito difícil de ser alcançada. Não devem ser muitas as trilha que podem se gabar de serem tão difíceis quanto Deurali ou Sete. Por agora podíamos ter subidas de 2 ou 3 horas. Deurali foi uma prensa de umas 5 horas em marcha forçada e Sete durou o dia inteiro e só pôde ser terminada no dia seguinte, também em marcha forçada.

 

A ida pra Khari Khola, vila antes de Bupsa, foi um pouco perturbadora para mim. Durante a parte inicial da caminhada eu podia ver Marcéu na minha frente. Depois eu o via de vez em quando por entre as árvores ou nalgum pedaço de reta ou curva muito mais à frente. Depois ele virou um ponto distante e sua posição estava estranha, porque me parecia estar nalgum lugar que eu não conseguia imaginar como sendo continuação da trilha onde eu estava. Então depois de umas horas aos zigue-zagues, lá estava eu no mesmo lugar onde o tinha visto. Esses zigue-zagues eram tão longos que passei a manhã inteira com a sensação de estar perdido. Felizmente tinha lido nos livros e na Net que bastava seguir a merd* na trilha. Normalmente isso funciona. Também resulta seguir o lixo, composto particularmente por embalagens plásticas de miojo (RARA), papel de bala e plásticos do tabaco que os locais cheiram, mastigam ou põe entre os lábios e os dentes.

 

Pouco antes de Khari Khola, no topo de uma cresta, há umas pensões, onde Marcéu me esperava. Certamente não lhe podia dar o prazer de reconhecer que meu passo era MUITO lento e nem por isso não estava me cansando tanto quanto se andasse com o passo dele. Então fiz um show mostrando que eu estava ótimo, nadinha cansado e "ei, que tal irmos até o topo daquela encosta?"

 

A parada foi curta e fomos logo pra Khari Khola. Tanto esta vila quanto Bupsa eram visíveis da cresta onde estávamos. Marcéu disparou na frente.

 

Por essa altura tinha conseguido convencê-lo que o primeiro à chegar aos lugares de refeição/pernoite, começaria a pesquisar por comida e alojamento. Ele não estava muito feliz em ter de falar inglês e acho que isso me custou algum ódio de sua parte, mas Marcéu sabe bem mais inglês que eu, apenas que tinha vergonha de praticá-lo. Foi um Evereste de brigas para fazê-lo ver que não era justo que tudo fosse resolvido por mim se ele chegava primeiro nos lugares e podia ir adiantando as coisas. Na verdade eu queria era que ele perdesse a vergonha de falar inglês.

 

Tínhamos walk-talkies com a gente. Como já estávamos longe de Bandhar, onde havia o perigo dos maoístas os confiscarem da gente, começamos a usá-los mais vezes para falar sobre preços e comida e andávamos com eles pendurados nas mochilas. Mal sabíamos nós que pela trilha até Bupsa também havia atividade maoísta. Alguns trekkers que encontraríamos no caminho mais adiante nos falaram de encontros com os rebeldes em Bupsa.

 

Só que a coisa começou a chamar a atenção dos locais, o que era normal. O problema é que meu inglês é ruim e o inglês dos locais geralmente ruim era. Então toda vez que alguém via o aparelho, vinha perguntar sobre ele e lá ia eu ter de fazer ginásticas com meu inglês de cáca para dolorosamente conseguir explicar o que aquilo era, como funcionava, pra que servia e não, aquilo não era um celular. Mais tarde passei a dizer: é um radinho, pra ouvir música.

 

Depois do almoço, durante o qual aproveitei para estender meu saco-de-dormir e me livrar de algumas pulgas que apanhei numa pensão de Sete e que têm me feito companhia nas frias noites desde então, respirei fundo e me preparei para a subida de Bupsa. Pelo menos AQUELA subida pude ver desde onde eu estava. Isso tipo que ajuda a moral da gente se podemos conhecer nossos inimigos com antecedência, né? Todas as subidas antes daquela eu me senti tipo que tomado de surpresa ou caído nalguma armadilha que o morro me tinha armado, como se fosse uma presa inocente indo pra dentro da caverna do leão sem saber do leão lá dentro. O sentimento de ter sido traído e enganado estava sempre lá, mas com Bupsa estava tudo bem. Eu vi a subida e sabia para onde estava indo. Até via a vila lá em cima. Senti-me em controle da situação.

 

Que ingênuo...

 

Claro, isso não era nenhuma Deurali ou Sete. Mas a subida levou-me umas três horas, acho. De novo as dimensões dos morros no Nepal me fizeram perder o sentido de tamanho e distância e a subida não era nada pequena...

 

Por agora já havia muita gente indo e vindo e fiquei com a impressão que os nepaleses gostam de fazer companhia aos turistas e acompanha-los em suas lidas, conversando enquanto nos acompanham. Só que eu mal podia andar e respirar, quanto mais ficar falando abobrinha! Como eles esperavam que ficasse de lero-lero com eles? O eu ser brasileiro não ajudou e estavam sempre falando de jogadores e ISSO é o campo de conversa do Marcéu, porque eu não sou grande fã de futebol, então não podia dizer muito mais que repetir: Rivaldo, Romário, Pelé, Ronaldinho! Só que como Brasil é sinônimo de futebol, minha ignorância no tema não lhes era credível e insistiam em falar de fatos do futebol brasileiro que me eram tão estranhos quanto se falassem das últimas aparições de sacis ou mulas-sem-cabeça no sertão nordestino. Creio estar mais preparado para falar dos métodos de como prender um saci do que o que Ronaldo estava fazendo, que provavelmente seria engravidando alguma loira, sei lá.

 

Eventualmente, sabem lá os deuses como, cheguei em Bupsa. Marcéu já estava lá, claro, conversando com uns caras sobre as lidas do futebol brasileiro. Exausto e com tudo doendo, eu explodi sobre os arranjos de comida e pensão, como tínhamos combinado mais cedo. Achei que ele estava se esquivando do acordo, mas ele me disse que tinha acabado de chegar também, que estava apenas recuperando fôlego depois da subida, que foi dura e longa e que eu deixasse de ser um cuzã*, pois certamente não esperava que ele fosse correndo prás pensões sem sequer descansar um pouco, não é? Bom, não foi bem assim que ele disse, mas chegou perto.

 

Eu tipo não acreditei que ele tivesse chegado quase ao mesmo tempo que eu e disse-lhe isso. Ele tinha passado o dia muito à minha frente e agora chegávamos quase ao mesmo tempo? Não pode ser. Então me dei conta que em caminhadas longas não fazia muita diferença à velocidade do passo.

 

Depois de esfriarmos as cabeças, fomos atrás de alojamento e comida. Achamos um na saída da vila, onde uma belga que encontramos em Bandhar estava hospedada. Lá tomamos banho para tirar a camada de suor e poeira e comemos feito yaks.

 

Em Bupsa assisti um dos mais belos pôr-do-Sol que já tinha visto. Era mágico. Aliás, o céu nepalês é mágico, de tão límpido que é. Espero que permaneça assim e que a ONU declare aqueles céus "Patrimônio Mundial".

 

Lukla está perto. Nosso "trek-preparatório" se aproxima do fim e eu estava feliz em pensar que até que enfim essa vida de cruzar montes e vales, sobe e desce intermináveis, iria chegar ao fim.

 

Que ingênuo...

 

Continua...

 

[]'s

 

Hendrik

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Desculpem a ausência. Fiquei sem Net e foi um samba do criolo doido prá repo-la.

 

Doug, os alojamentos de Jiri até Bubsa variavam muito. Algo entre 10 e 100 Rúpias. Digamos que 50 Rúpias. Mas isso é se você comer lá.

 

Nós comemos o mais barato, mas também variava bastante. Havia lugar onde o dhal era 60 e em outros, era mais de 100. Mas não se preocupe. Creio que com 3 doletas/dias se consegue fazer esse trecho (talvez mais agora). A concorrência é grande e até se arranja pensão onde o banho está incluso no preço. Questão de negocior, o que nossos confrades europeus e norte-americanos acham um pecado fazer, visto a situação miserável dos nepaleses. Infelizmente eles se esquecem que brasileiro também não é rico.

 

De Lukla em diante, a coisa fica feia. Aí você pode se preparar para despejar 10 doletas dia, ou memso mais. Em Tengboche, depois de Namche, o choque econômico é grande. Tudo muito caro. Sugiro dormir em Pangboche, umas 3 horas de lá e muito mais barato.

 

Dingboche também é aceitável e de qualidade. Chokung, Duglha, Gorak Shep e Dzongla são autênicos assaltos mão armada. Para ter idéia: uma garrafinha de água custava 50 Rúpias em Namche e 200 em Gorak Shep. Banhos à partir de Lukla só para ricos. Depois de muito chorar , Marcéu, meu irmão, conseguiu banho por 150 Rúpia em Dingboche. Um balde pequeno de água quente.

 

Todo mundo fala mal de Lobuche e Gorak Shep. Não achei esses assentamentos piores que os anteriores.

 

Dugla e Dzongla são autênticas titicas. Carríssimas e serviço horrível. Pratos de comida que não dá nem pro cheiro. Se tiver de parar em Dzongla, faça tudo prá chegar cedo e conseguir lugar no alojamento mais alto. Se possível, vá dormir em Duglha ou Lobuche. Se não, aguente.

 

Gokyo tem alojamentos fantásticos e preços módicos se comparados com pós-Tengboche. Ficamos no Cho Yu View, onde o quarto era de graça se comessemos por lá. Excelente lugar. Gokyo é muito melhor que o Khumbu. Gokyo ri é uma montanha muito mais interessante que a Kala Pattar. Seu cume é imenso e dele pode-se passar para vários cumes, assumindo que possua energia suficiente. Um passeio para os Lagos Sagrados superiores é altamente recomendado. Andar pela moraina por trá da vila é fantástico. Ficar vagabundeando nos imensos e ensolarados refeitórios dos alojamentos com um lago e montanhas belíssimos como vista, é impagável. Tudo regado com um chazinho de limão e uns biscoitos de côco. Ficamos 4 dias em Gokyo, mas podíamos ter ficado 10 sem problema. Há muito para explorar por lá.

 

Para quando está planejando ir? vai só?

 

[]'s

 

Hendrik

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  • Membros de Honra

Biradoo, fomos na estação alta, Out e Nov. Ficamos 40 dias lá, sendo 30 na trilha.

 

Fomos pela Gulf Air, voô saindo de Paris. Muita confusão.

 

Saimos da Europa, então custou-nos 1.600 Euros, as passagens. Depois devemos ter gastado mais uns 1.000 Euros por lá. Duas pessoas. Com presentinhos. Mas tem de negociar. Ouvir um preço e oferecer metade ou menos.

 

[]'s

 

Hendrik

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  • Membros de Honra

07dbupsaluklalukla0we.jpg

Primeira vista da vila de Lukla, foto tirada pelo Marcéu aquando de nossa aproximação desde Bupsa, depois de um interminável serpentear pelas encostas dos morros. Parece perto, mas ainda tinhamos algumas horas de caminhada até chegar lá. Lukla está à uns 2800m. A trilha que leva até ela pode ser vista no canto esquerod inferior da foto.

 

Dia 07

 

Não lembro que horas saímos de Bupsa. Acho que a trilha imediatamente após a vila obliterou completamente qualquer memória de tempo em mim. No seu início, a trilha Bupsa-Lukla é uma das mais agradáveis e fáceis de todo o trek. No meu "Top 5" de "Subidas Infernais", esse trecho inicial estaria no completo oposto de Deurali e Sete. Era um passeio no parque, ou seria um passeio no parque se não fosse pelos 25kg de inutilidades me esmagando ombros e costas. Os sobe-desce eram curtos, a encosta era bem sombreada, com eventuais raios de Sol passando por entre a folhagem, e dava pra ver, em muitas partes, o quanto alto estávamos. Lá embaixo o Dudh Kosi parecia um riacho. Não havia muita gente na trilha ainda (por isso acho que saímos cedo), então andava grandes espaços de tempo sem ver ninguém. Não poderia estar mais unido à Natureza, nem que saísse abraçando árvores.

 

Mal saímos de Bupsa e Marcéu, El Speed Gonzalez, já estava longe, longe, lá na frente. Devido às incontáveis curvas que as encostas faziam, cedo o perdi de vista. Estava contente por finalmente o trek ter entrado na fase Sul-Norte, percorrendo as cordilheiras no comprimento ao invés de ter de cruzá-las na largura. Achei mesmo que aquela vida de sobe montanha e desce vale tinha ficado pra trás.

 

Marcéu tava sempre cheio de energia pela manhã, enquanto eu preferia poupar pra mais tarde, mas tava achando que meu passo tava mesmo lento. Sem muito pra fazer, gastei parte da manhã tentando me convencer à não ligar pra essas coisas. Isso de "nossa trilha" não me pareceu correto. Era algo artificial tentar casar um grupo com uma trilha. Sendo cada um, um mundo à parte, me pareceu mais natural que cada pessoa teria uma relação pessoal com a trilha, então era a "minha trilha" e devia vivê-la como melhor pudesse, sem preocupação com ritmo, passo ou tempo. Esses eram meus mantras naquela trilha fácil. Nas duras só pensava em: dor, dor, dor.

 

Enquanto Marcéu parecia estar se adaptando bem ao seu passo ligeirinho, eu parecia estar cada vez mais dependente do meu passo-colapso. Então não tinha chance alguma de fazermos trilhas longas juntos.

 

Absorvido por esses pensamentos, nem reparei que um nepalês estava me acompanhando de perto, mesmo na minha cola, como uma sombra. Minha reação automática foi parar pra lhe dar passagem, achando que ele estava querendo me passar, como todo mundo me passava. Mas então ele parou também e ficou lá me olhando. Então cumprimentei e disse que ele podia seguir na frente, porque eu era muito lento. Ele respondeu que tava tudo bem, que ele também era muito lento.

 

Ele tinha um olhar e voz bem meigos, gentis, mas eu fiquei logo desconfiado. Já tinha tido companhia na caminhada, mas esse era estranho: não falava, não perguntava nada. Só ficava ali na cola da pessoa, com passos de gato. Éramos os únicos na trilha, não tinha mais ninguém. Finalmente tendo algo diferente para com que me preocupar, me esqueci de pensar em tempos e ritmos. A próxima hora, ou quase hora, foi então preenchida com pensamentos felizes do tipo: roubo, assassinato, espancamento ou que ganharia uma viagem só de ida até o fundo do precipício para ver se a água estava fria ou não.

 

Tá, já sei o que estão pensando. Marcéu também acha que sou meio paranóico. Mas tudo é válido se conseguir me fazer distrair das dores nos ombros e esquecer das 6 ou 7 horas de trilha que teria pela frente.

 

Fiquei então esperando que o resto da gangue saltasse em cima de mim na próxima curva.

 

Mas no fim, sem nada aparecendo, me cansei da brincadeira e parei numa pedra, me sentando e fingindo estar muito cansado e precisar de um descanso. O cara parou também. Disse-lhe que podia ir em frente, que eu estava muito cansado e ficaria uns minutos ali até recuperar, que ele não precisava se atrasar por minha causa.

 

Para minha paz de espírito, ele foi embora. Esperei uns minutos pra ele pegar uma boa distância e sumir de vista e, aliviado, retomei o trek.

 

Já à meio da manhã, após passar umas casas, desço uma pequena escadaria de pedra. Uma velhota sai de dentro de uma casa, me passa e começa a tanger um yak. O bicho tava ali na margem da trilha, pastando. A velha gritava e enchia o pobre de pedradas. Então ela se virou pra mim e começou a falar em nepalês, aos gritos e bem rápido. Fiquei com cara de quem tava vendo um ET. Então ela pegou em pedras e paus, apontou pra mim, jogou as pedras no yak, que se afastou um pouco, e apontou pra mim de novo. Enfim entendi: ela queria que eu fosse tangendo a vaca até a próxima aldeia.

 

Foi assim que arranjei trabalho no Nepal: pastor de yak. No início, tudo bem. Eu ia andando, jogava umas pedrinhas no bicho, às quais batiam no chão (as dos sherpas passam zunindo e batem em cheio no lombo dos bichos), o bicho andava uns metros, parava, pastava, eu chegava, jogava mais umas pedrinhas, o bicho, etc, etc, etc...

 

Até uma hora em que o animal subiu uma encostazinha e se pregou ali a pastar. Minhas pedras não surtiram efeito, então como não estava muito afim de caçar yak pelas encostas do Himalaia, me demiti do meu emprego e segui em frente.

 

Perto das 11, ou meio-dia, sei lá, Marcéu me chama pelo rádio e diz que tá vendo Lukla. Ele tava com um cara ao lado, um nepalês, que lhe disse que aquela era Lukla. Massa, pelo menos ELE tá perto. Só que como ele pode estar de meia à três horas à minha frente, não me animei muito. Meia hora depois, quando dobrava uma das encostas, vi uma vila grande lá na frente, bem distante, construída num declive suave de uma encosta grande. Pousei a mochila e fiquei à espera de ver aviões chegando ou saindo - o pano de fundo sonoro nas manhãs entre Jiri e Lukla são os bimotores indo e vindo de e para Lukla - mas não vi ou ouvi nada, o que não quer dizer muita coisa, já que à partir do meio dia não há mais vôos, devido ao tempo. Neblina e nuvens baixam e não dá pra ver as montanhas, então não dá pra voar.

 

Um grupo de nepaleses vem em minha direção no sentido contrário. Pergunto-lhes se aquela ali é Lukla. Eles dizem que não, que é Puyam, uma vila que está descrita no LP como sendo antes de Lukla e que teria de passar para chegar lá. Ora bem, parece que ainda tenho muito que andar até estar onde Marcéu disse ter visto Lukla...

 

Andei, andei, andei e andei... Marcéu liga de novo, perguntando sobre almoço. Eu digo-lhe o que quero, mas que ia demorar ainda pra chegar lá, pois ainda não tinha sequer visto Lukla. Talvez mais umas 2 horas de caminhada e chego lá, eu disse pra ele enquanto pensava pra mim mesmo: duvido muito.

 

Acho que não deu 10 minutos e me aproximava de um alojamento solitário numa curva da encosta. Mas no muro dos carregadores (todo lodge tem um murozinho em dois níveis onde os carregadores colocam seus balaios pra descansarem um pouco) o que eu vejo? Uma mochila familiar... Será? Não, não pode ser... Ele tá longe pacas, horas e horas à minha frente. Então ao passar pelo terraço que o alojamento tinha, o que vejo? Marcéu e... o homem-sombra! O cara que Marcéu falou ter lhe dito sobre Lukla era o mesmo que estava comigo horas antes!

 

Perguntei então onde raios estava Lukla e o que ele tava fazendo com aquele cara. Marcéu então apontou Lukla (Puyam, segundo o que me tinham dito) e disse que o cara tinha colado nele umas horas atrás e que era gente fina, apenas um pouco esquisito. Não quis revelar minhas preocupações paranóicas sobre as intenções secretas do cara, então diverti a conversa para a localização de Lukla. Achei impressionante que os nepaleses que tinha encontrado não sabiam que aquilo era Lukla, não Puyam.

 

Já agora, alguém viu Puyam? Eu não vi nada...

 

No alojamento pedi um arroz frito mixto. Foi um dos melhores que comi no Nepal: porção generosa, gostoso e barato. Mal sabia eu que isso se tornaria uma raridade nos dias que se seguiriam.

 

Do alojamento dava pra ver a próxima vila, Surkhe, lá embaixo. Também dava pra ver a trilha pra Lukla e ela estava muito acima de Surkhe. Não podia acreditar que teria de descer tudo aquilo até Surkhe e então subir tudo aquilo até a trilha. De onde estávamos era só ir em linha reta até a trilha, não era?

 

Claro que não era... Nós tivemos de descer até Surkhe, para então subir tudo aquilo pra chegar à trilha. Por essa altura já não estava satisfeito em sofrer nas grandes subidas e comecei a desenvolver um sofrimento para as descidas também, porque invariavelmente longas descidas possuem um único significado: longas subidas logo a seguir.

 

No fim de Surkhe, ainda em descida, tinha uma placa numa bifurcação da trilha: em frente, para Chablung, descendo ainda mais; à direita, para Lukla, subindo e subindo. O caminho para Choblung era uma tentação, mas queria passar por Lukla pra confirmar o vôo de regresso. Com um último olhar arrependido em direção à fácil trilha de Choblung, fui pra Lukla.

 

O homem-sombra agora já podia escolher entre Marcéu e eu, então ficava revezando em quem ele colava. Reparei que ele seguia a pessoa de perto para poder ficar imitando-nos, tipo as brincadeiras de pirralho que tinha na rua, antes de inventarem o Atari. O cara pisava onde eu pisava e passava onde eu passava. Fazia o mesmo com Marcéu, que me contou isso mais tarde. Numa das subidas da trilha, carvada na rocha, achei que devia entrar na brincadeira e comecei a andar aos zigue-zagues, pisando em lugares mais difíceis nas pedras, etc, o que ele copiaria logo em seguida. Se não fosse pelo peso da minha mochila, seria mais divertido. Só que o cara só tinha uma mochila de escola e eu, uma cargueira enorme. Parei de brincar logo, morto de inveja daquela mochilinha. Algumas vezes o cara se adiantava e parava pra conversar com amigos que ia encontrando, para depois nos alcançar mais tarde.

 

A subida pra Lukla propriamente dita é curta, mas mortalmente curta. Marcéu não desapareceu de vista, o que era sinal que a coisa era séria mesmo, que aquela subida não era brincadeira. Pode não ser longa, mas é íngreme e poeirenta. Agora sabia porque muitos nepaleses tinham lencinhos. Eram usados para proteger boca e nariz da poeira das trilhas. Me arrependi de não ter nada similar.

 

Encontrei algumas patrulhas do exército. Os caras apareciam do nada, saindo do meio da mata, silenciosos como gatos, carregando grandes armas. Ao invés de sentir segurança, senti foi medo. Torci para que nenhuma emboscada maoísta escolhesse aquele momento para iniciar algo estúpido. Não seria divertido ser apanhado no fogo cruzado desses soldadinhos de chumbo.

 

A subida levou umas duas horas, sob Sol forte e pó. Enfim cheguei aos pés do aeroporto. Um pouco acima, a verdadeira Lukla aparecia. Não gostei dela. Na rua principal, me senti olhado por locais e turistas como sendo uma ave rara. Acho que era o suor e sujeira que nos cobria, pois havia grande diferença entre nós e os que chegavam de avião, limpinhos e cheirosos.

 

Pensão, pensão! Achar pensão! Na primeira que Marcéu foi, vimos logo que a realidade logística tinha mudado. Tudo era MUITO mais caro que até então. Estava tão cansando que quando fui perguntar em outra pensão e ouvi o preço alto, disse logo que não tínhamos vindo de avião de Kathmandu, que tínhamos vindo de Jiri, então que nos desse um preço melhor. Não me pergunte sobre a lógica do argumento, mas funcionou, pois acabou que pegamos uma suíte com duas camas por metade do preço, banho incluso e, muito importante, direito a repeteco no dhal.

 

Exaustos do dia e da subida, tomamos banho e fomos conhecer a "cidade". Cedo voltamos à pensão, para começar algo que seria rotina: jogar truco até hora do jantar. Quer dizer, eu perder no truco até a hora do jantar.

 

Tinha pouca gente na pensão. Num quarto contíguo ao refeitório estava um japonês que tinha ido só até Tengboche. Toda vez que ele saia do quarto, para falar com seu guia ou comer, ficava fazendo alongamentos no meio da sala.

 

Embora tenhamos chegado cedo à Lukla, antes da 16h, acho, a agência de aviação que iríamos usar pra volta já estava fechada, nos disse um cara da pensão. Fiquei de ir lá no dia seguinte, quando partíssemos para a etapa seguinte do trek. Afinal, tinha ido pra Lukla só por causa dessa confirmação, pois o cara que nos tinha vendido o bilhete era meio malandro e já nos tinha vendido bilhetes errados para o ônibus, vivia querendo empurrar coisas caras e enfiou comissão em tudo que é servicinho que fez. Por isso queria confirmar se os bilhetes eram válidos mesmo.

 

Continua...

 

Hendrik

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  • Membros de Honra

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Tharo Kosi, vila no fundo do vale após descer de Lukla. Muita gente para ali para descansar, principalmente os despreparados trekkers que chegaram em Lukla de avião. Ficam lá debaixo de sombrinhas, tomando Coca e vendo uma montanha na frente. Chamei essa vila de Tharo Kosi Beach, pois era isso que parecia. Foto de Marcéu.

 

Dia 08

 

Em Lukla começamos a praticar uma nova forma de dar início aos treks: mais tarde.

 

Normalmente, começamos o dia bem cedo, digamos lá pelas 6 da manhã. E isso se refere ao principiar da caminhada. O acordar é mais cedo, lá pelas 5 da matina. A partir de hoje e de agora em diante, o ACORDAR será lá pelas 7, num dia "normal", onde não teremos de fazer muito.

 

Fiquei meio preocupado comigo, porque me revelei um andarilho MUITO lento, então fiquei com medo de não ser capaz de finalizar o dia, alcançando o objetivo estipulado para ele. Sabia que o Marcéu, meu irmão, não teria problemas alguns com a nova hora, porque ele é bem rápido, mas eu...

 

"Veremos" é meu lema, então deixei para descobrir isso mais tarde.

 

Foi ótimo acordar mais tarde. Comecei a sentir que estava realmente de férias e tudo, o que é bem fácil de esquecer num longo trek no Nepal, especialmente num LONGO, ÍNGRIME, INTERMINÁVEL e ESCALDANTE subida, tipo Deurali ou Sete.

 

Mas então, acordamos tarde, tomamos uma bela ducha, a última grátis pelo resto do trek, café-da-manhã, arrumamos tudo, pegamos a trilha e... voltamos porque nos esquecemos de escrever e-mails para nossos pais e amigos, dizendo que estávamos vivos e ainda na trilha certa, o que, por si só e considerando os últimos dias, eram pequenos milagres, pelo menos no meu deplorável caso. Foi um e-mail bem caro, num tipo de "resort", tanto que Marcéu, ao ouvir o preço, achou que era por hora e não por minuto.

 

Enquanto ele escrevia os bits mais caros de nossas vidas, eu permaneci do lado de fora olhando o movimento. Muitos trekkers recém-chegados de avião passavam pela trilha com grandes sorrisos nos rostos, falando alto e andando com grandes, espaçados, determinados e firmes passos. Sorri para mim mesmo pensando o quanto desse estado iria sobreviver depois da primeira subida séria e o quanto eles se pareciam comigo mesmo uns dias antes, ao sair de Jiri e antes de ser apresentado à Deurali. Era como estar a me ver num espelho refletindo o passado. Mais tarde eu os encontraria bufando pela trilha, em atitudes bem mais modestas que as que agora mostravam.

 

Quando Marcéu terminou o e-mail e deixou nosso cofrinho um tanto mais magro, iniciamos o trek... outra vez.

 

Às "portas" da vila alguns soldadinhos estavam sentados numa mesinha fazendo o que me parecia ser a contagem de trekkers que saiam e entravam. Pelo menos o que aparentava saber segurar um lápis colocou uma marca num livro quando eu passei. Só espero que seja isso e não alguma notação para "suspeito".

 

Como usualmente tem ocorrido durante o trek, Marcéu ativou seu sistema turbo e me deixou a comer poeira. Não voltaria a vê-lo até a hora do almoço. Não que, ao contrário da parte Jiri-Lukla, eu não teria entretenimento contínuo daqui em diante. Agora teria MUITA coisa para ver e, para ser mais específico, para me prevenir. As hordas de yaks, grupos organizados de trekkers e carregadores seriam uma constante pelo resto do dia. Eu iria ter saudades da solidão que tinha até então.

 

A primeira hora da trilha é uma descida agradável, embora um tanto longa e íngreme, o que é mau pros joelhos. Está relativamente bem feita com pedras, pelo menos parte dela. O problema maior que achei foi o pesado tráfico de carregadores, trekkers e yaks que me forçavam a constantes desvios e a respirar poeira levantada pelos seus passos. Se não fosse isso, seria um grande início de manhã.

 

Numa das curvas da descida, que como toda descida e subida nesse trek seguiam em zigue-zagues intermináveis, escutei o inconfundível som de sinos que os yaks levam pendurados ao pescoço. Senti-me feliz por poder enfim por em prática os ensinamentos do LP. Portanto me coloquei do lado interno do caminho, contrário ao lado que dava para o barranco, e esperei que as bestas passassem, só para descobrir que as (estúpidas) bestas TAMBÉM dão preferência ao lado interna da trilha. Acho que eles também se dão conta que por ali é mais seguro de andar. Só que ao fazerem isso transformaram esse lado num lado bastante inseguro... para mim. Um pontiagudo chifre passa a uns 3 cm da minha barriga, para minha surpresa e desespero. Sempre achei que os yaks, como qualquer outro tipo de bovino de carga, ao menos tivessem alguma capacidade de reconhecer coisas ao seu redor, tipo um trekker se espremendo contra uma parede tentando não ser espetado ou pisoteado. Sobrevivendo à este primeiro embate, eu passaria a ter muito cuidado em prestar mais atenção em qual o caminho que os yaks estão usando de modo a poder me colocar ou usar o caminho mais longe deles possível, mesmo se fosse o mais próximo do barranco ou mais difícil de andar. Lição do dia: yak tem sempre razão.

 

Eles são animais bastante domesticados e mansos, mas acho que possuem uma ligação neural disposta de tal maneira que interessantemente são incapazes de desviar ou parar quando avançando em direção à trekkers que cometem a fatal distração de estarem em seu caminho ou direção. No entanto quando somos vistos por eles, seus olhos manifestam um total terror por nós.

 

Ou talvez seja apenas eu que precisasse de um banho e barbeada...

 

Assim que a ameaça à saúde me passa, sem levar consigo alguns meros dos meus intestinos, eu recomeço o trek.

 

Após passar a longa vila de Chablung, vejo-me numa estranha picada. Estranha porque não tinha qualquer aparência de ser a trilha principal. Parecia uma picada mesmo, recém aberta à facão. Com medo de estar perdido, mandei um toque ao Marcéu pelo rádio, perguntando sobre a trilha. Ele responde que mais tarde há qualquer-coisa-cartão. O que? Como? O-que-cartão? Ele responde: "Não, não! Um bla-bla-bla-cartão." Achei que ele estava com problemas com algum posto de controle policial ou do exército e perguntei que cartão era esse. Ele fala de novo que é um sei-lá-o-que-cartão. Tão a pedir algum documento para ele que não vem mencionado no LP? Respondo que fique onde está que já estou chegando e, em vista da evidentemente infrutífera capacidade de saber sobre o caminho, sigo por ele mesmo até achar alguém que esclareça isso para mim. Não acho ninguém, o que nesse caminho é fora do usual, o que reforça meus temores de estar no caminho errado.

 

Então chego numa bifurcação e chamo Marcéu outra vez prá perguntar que caminho ele seguiu, se o da esquerda, para baixo, ou da direita, em frente. Então ele responde que era disso que ele tava falando antes e fez-se luz na minha mente. Não era de qualquer-coisa-cartão, mas sim de "bifurcação" que ele estava falando e qual ele tinha tomado. Troquei as bolas.

 

Segui para baixo pela trilha da esquerda, mas logo estava em dúvida sobre ser correta mesmo. Era absurdamente acentuada, estreita e composta por areia solta que achei ser impossível ser aquilo uma trilha usada por milhares de turistas todo ano. Me parecia mais uma "quebra-perna" que outra coisa. Se alguém fizesse um sério pipi ali, certamente destruiria a trilha. Com 25 kg de preciosa e inútil porcaria na mochila, comecei a imaginar em que condições conseguiria chegar lá embaixo ou se mesmo conseguiria chegar lá embaixo. De alguma forma, a visão de ontem do trekker sendo carregado numa maca improvisada por nepaleses por ter quebrado uma perna começou a fazer mais sentido agora. Os bastões se enterravam vários centímetros na areia fofa antes de eu sentir alguma firmeza neles e arriscar outro passo. Finalmente encontrei mais trekkers usando a trilha, principalmente a subi-la, o que faziam com imensa dificuldade. Um cara gordão estava subindo com dois nepaleses, um acima e outro abaixo, ambos bastante apreensivos. O nepales de cima apreensivo com a saúde do seu cliente e o de baixo, com os braços esticados como se estivesse pronto para segurar o gordão caso ele escorregasse, parecia mais apreensivo com a própria saúde. Não creio que ele conseguiria fazer qualquer coisa para segurar o gordão caso ele escorregasse.

 

Eventualmente cheguei lá embaixo e vi a razão daquela trilha ser tão imprópria: uma ponte tinha sido levada por um deslize e estavam a fazer outra. Quase que rezo para que estivesse pronta dali uns 20 dias, quando viesse de volta do trek. Pouco depois cheguei à vila Tharo Kosi. Marcéu já estava chegando em Phakding, vila bem mais a frente.

 

Me desculpem os que estiveram por lá e gostaram de Tharo Kosi, mas eu achei meio comicamente patética a quantidade de sombrinhas levantadas lá, cheias de trekkers bebendo suas Cocas e cervejas, olhando uma montanha em frente à vila. Não consegui deixar de relacionar a imagem à alguma praia. De minha parte, a hora do almoço estava chegando perto, ao contrário de mim, que não estava nada perto de Phakding, onde tínhamos combinado almoçar. Então não me juntei ao grupo do Kosi Beach e fui em frente.

 

Em frente ido, descobri a razão de porque tantas pessoas paravam para descansar em Tharo Khosi: há uma subida logo na saída da vila que é tão inclinada que chega a ser ridículo. Suspirando feito um pobre mortal diante da concretização de alguma inevitável maldição lançada contra ele por alguma deidade todo-poderosa e psicopata, simplesmente comecei a subir aqueles degraus infernais. Em breve entrei em "modo yak" e lá pelas 14h estava em Phakding, onde colapsei aos pés de Marcéu, que por essa hora estava bastante descansado, muito obrigado.

 

300 Rúpias por um dhal bhat!!! PQP!!! Por que simplesmente não apontam uma arma para nossas cabeças e esvaziam nossas carteiras? Não conseguia decidir se o dono estava tirando onda com nossa cara ou estava sendo sinceramente um ladrão. Ele disse que é o preço padrão por lá, então Marcéu achou melhor procurar um lugar menos padrão. Ao ver isso, o patrão deu uma modesta reduzida e concordou com o repeteco. Não era o ideal, mas era bem melhor. Marcéu é bom negociador, então comemos lá mesmo. E eu estava faminto, o que dizem ser um bom sinal de aclimatização mas era um péssimo sinal para nossa grana.

 

Com dois pratos de dhal no bucho, o resto do caminho pareceu bem mais fácil, então fizemos um bom tempo até Chomoa, vila onde dhals e banhos não tinham seus preços padronizados. Bem mais caros que em Jiri-Bupsa, mas mais baratos que em Phakding. Não irei me queixar dos intermináveis sobe e desce que tivemos de passar para chegar lá, porque a essa hora eu suponho que já se saiba que quando digo que fomos de tal lugar para tal lugar, está implícito que fomos subindo e descendo de tal lugar para tal lugar.

 

Mas nessas trilhas pós-Lukla, a poeira na trilha, ou trilhas de poira, se tornam mais e mais comuns, então acho sumamente aconselhável que quem for lá que compre uns lencinhos ou leve máscaras para cobrir pelo menos o nariz e filtrar um pouco do ar que respira. Tem trechos onde senti que poderia cuspir tijolos ao fim de algumas horas andando por eles.

 

Continua...

 

[]'s

 

Hendrik

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Buenas Hendrik!

 

Bem vindo de volta.

Estou acompanhando o seu relato de perto e me divertindo com as suas lembrancas, ao mesmo tempo que vou tracando um paralelo com as minhas.

Estarei finalizando um trabalho que se der certo vai ser muito legal, sobre a trilha e meus dias no Nepal.

 

Um grande abraco!

 

Vinicius

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