Confesso que estava com um pouco de preguiça pra escrever um relato de viagem, mas como tirei boas dicas daqui, achei que seria legal contribuir e compartilhar a experiência.
Bom, a idéia da viagem surgiu de uma conversa solta que tive com meu amigo Zé Pedro há uns 8 meses atrás sobre montanhas.
Papo vai, papo vem perguntei se ele não toparia fazer o Aconcágua no final do ano. A receptividade da idéia não foi das melhores, já que apesar dele já ter estado lá uns 10 anos atrás, o Aconcágua ficou uma montanha cara por causa do permisso de 1800 pesos. De qualquer forma insisti na idéia e acabamos formando um trio que depois de um mês foi desfalcado e sobrou apenas a dupla inicial.
Fizemos um planejamento para 25 dias de montanha, mais uma semana inicial com as respectivas esposas para fazer um pouco de turismo e apaziguar os ânimos gerais já que ficaríamos quase um mês fora.
Tudo certo, equipo pronto, comida na mala, embarcamos dia 28 dez pra BA (2 dias) e depois para Mendoza (5 dias). Depois da semana sabática nos despedimos das mulheres e partimos para o Cordon Del Plata onde faríamos a aclimatação para o Aconcágua.
O Cordon é uma cadeia de montanhas com picos entre 4.000 e 6.000 que fica a menos de 100 km de Mendoza, e que tem o Cerro Plata (6.050m) como “principal” atração. O acesso é muito fácil de ônibus, taxi ou contratando alguma empresa de montanhismo local. Como estávamos com carga cheia, incluindo alguma parafernália para escaladas técnicas e a comida do Aconcágua, resolvemos contratar um taxista que cobrou 250 pesos para nos levar até os refúgios na base do Cordón, economizando uma boa e maçante caminhada de estrada que teríamos que fazer caso fossemos de ônibus.
Hoje em dia é meio praxe fazer aclimatação no Cordón para quem vai tentar o Aconcágua. Acho que as razões disso são a diversidade de vias e montanhas, a beleza e porque dispensa-se qualquer tipo de “permisso” ou burocracia de acesso. Chegando lá, deixamos a tralha que usaríamos apenas no Aconcágua em um refúgio e subimos. Ficamos 14 dias, 9 dos quais acampados a 4.800 m em um lugar lindíssimo chamado Hollada. Por causa da altitude e ventos fortes, este acampamento é menos freqüentado que os demais (Ac. Salto e AC. Pedra Grande) o que o torna mais limpo e mais interessante. Enquanto no Salto encontramos mais de 10 barracas, em Hollada convivemos com apenas mais umas 2 ou três. De lá atacamos 5 picos: Frank (5.000 m); Lomas Amarillas (5.100m); Rincón (5300m) Vallecitos (5570m) e Plata (6050m) chegando ao cume de 3 (Lomas, Vallecitos e Plata). De qualquer forma deu pra perceber que a diversidade de vias e Cerros é suficiente para valer uma expedição só para o Cordón que pode ser visitado sem problemas também no inverno havendo vias muito interessantes para serem feitas.
Depois disso descemos e rumamos para o Aconcágua, dando muita sorte ao conseguir uma carona até Proterillos e em seguida um ônibus de saída pra Uspallata, onde dormimos num hostel e pegamos cedinho na estrada o ônibus que iria para Puente Del Inca, chegando pouco depois do meio dia na entrada do Parque Aconcágua e antes do fim do dia no acampamento Confluência já a 3.400m. Ir direto do Cordón para lá sem voltar para Mendoza fazia parte do planejamento porque não queríamos perder o ritmo de montanha, aclimatação nem passar calor de 35ºC, para isso já havíamos retirado o permisso para a ascenção antes de sair de Mendoza e, olhando pra trás, foi uma estratégia muito boa.
Como estávamos bem aclimatados, paramos em Confluência só para dormir mesmo, seguindo para Plaza de Mulas (4.300m) no dia seguinte. A caminhada é tranqüila, sem muito sobe-desce e a paisagem recompensa. Optamos por levar todas nossas coisas nas costas, sem contratar mulas e não foi nenhum sacrifício exagerado. As mochilas estavam evidentemente pesadas mas nada que não fosse possível carregar. O que me pareceu exagerado é a estrutura montada pelas empresas de montanhismo para seus clientes que acabam por transformar os acampamentos em mini-cidades com todo tipo de conforto para quem estiver disposto a pagar, incluindo banhos quentes, comida à vontade, telefone, internet e etc...
Em Plaza de Mulas ficamos meio contrariados por 2 noites até conseguirmos arrumar 2 pares de crampons porque havíamos deixado os nossos bestamente em um hostel de Puente Del Inca com parte do equipo técnico que não seria preciso na via Normal do Aconcágua. (Aqui faço um parênteses necessário, porque o plano era fazermos a Polacos acessando-a a partir da via Normal. Contrariando meu parceiro, eu desisti porque não estava confiando na minha bota (não dupla) nem nos meus crampons (alugados) que escaparam do pé numa via do Cordón. Será que foi excesso de precaução? Nunca vou saber. De qualquer forma a Polacos ficou pra próxima.)
O clima estava excepcional, sem nuvens, sem vento, pouco frio. Completamente diferente da quinzena que antecedeu nossa chegada, em que a montanha foi duríssima com os montanhistas. Era meio-dia e estávamos com as mochilas prontas para subir até Nido de Condores (5400m) quando chegou o helicóptero com uma previsão meteorológica atualizada, fomos checar e teríamos apenas mais 1 dia de janela com tempo bom, depois entraria uma frente fria nada animadora. Diante disso resolvemos atacar o cume naquele dia mesmo. Chegamos às 17:30 horas em Nido de Condores, montamos barraca, comemos, fizemos água, nos vestimos com roupa pra cume, botas dentro do saco de dormir e fomos dormir um pouco. Acordamos meia-noite e meia, comemos de novo bebemos água até morrer, enchemos as pets-cantis e saímos para o ataque 1:30 da madrugada... Às 10 da manhã chegamos no cume!!! Sem vento!!! Que recompensa, é realmente mágico, não importa por onde vc suba. O Aconcágua vale a pena.
Fotos tiradas e descemos com calma, chegando na nossa barraca às 15:30. Entrando num sono tranqüilo até o dia seguinte. (...e a frente fria entrou mesmo, descemos até mulas embaixo de neve...)
Daí pra frente foi só voltar pra casa... afinal, viajar é bom mas voltar pra casa e matar a saudade da mulher e dos filhos é melhor ainda.
Confesso que estava com um pouco de preguiça pra escrever um relato de viagem, mas como tirei boas dicas daqui, achei que seria legal contribuir e compartilhar a experiência.
Bom, a idéia da viagem surgiu de uma conversa solta que tive com meu amigo Zé Pedro há uns 8 meses atrás sobre montanhas.
Papo vai, papo vem perguntei se ele não toparia fazer o Aconcágua no final do ano. A receptividade da idéia não foi das melhores, já que apesar dele já ter estado lá uns 10 anos atrás, o Aconcágua ficou uma montanha cara por causa do permisso de 1800 pesos. De qualquer forma insisti na idéia e acabamos formando um trio que depois de um mês foi desfalcado e sobrou apenas a dupla inicial.
Fizemos um planejamento para 25 dias de montanha, mais uma semana inicial com as respectivas esposas para fazer um pouco de turismo e apaziguar os ânimos gerais já que ficaríamos quase um mês fora.
Tudo certo, equipo pronto, comida na mala, embarcamos dia 28 dez pra BA (2 dias) e depois para Mendoza (5 dias). Depois da semana sabática nos despedimos das mulheres e partimos para o Cordon Del Plata onde faríamos a aclimatação para o Aconcágua.
O Cordon é uma cadeia de montanhas com picos entre 4.000 e 6.000 que fica a menos de 100 km de Mendoza, e que tem o Cerro Plata (6.050m) como “principal” atração. O acesso é muito fácil de ônibus, taxi ou contratando alguma empresa de montanhismo local. Como estávamos com carga cheia, incluindo alguma parafernália para escaladas técnicas e a comida do Aconcágua, resolvemos contratar um taxista que cobrou 250 pesos para nos levar até os refúgios na base do Cordón, economizando uma boa e maçante caminhada de estrada que teríamos que fazer caso fossemos de ônibus.
Hoje em dia é meio praxe fazer aclimatação no Cordón para quem vai tentar o Aconcágua. Acho que as razões disso são a diversidade de vias e montanhas, a beleza e porque dispensa-se qualquer tipo de “permisso” ou burocracia de acesso. Chegando lá, deixamos a tralha que usaríamos apenas no Aconcágua em um refúgio e subimos. Ficamos 14 dias, 9 dos quais acampados a 4.800 m em um lugar lindíssimo chamado Hollada. Por causa da altitude e ventos fortes, este acampamento é menos freqüentado que os demais (Ac. Salto e AC. Pedra Grande) o que o torna mais limpo e mais interessante. Enquanto no Salto encontramos mais de 10 barracas, em Hollada convivemos com apenas mais umas 2 ou três. De lá atacamos 5 picos: Frank (5.000 m); Lomas Amarillas (5.100m); Rincón (5300m) Vallecitos (5570m) e Plata (6050m) chegando ao cume de 3 (Lomas, Vallecitos e Plata). De qualquer forma deu pra perceber que a diversidade de vias e Cerros é suficiente para valer uma expedição só para o Cordón que pode ser visitado sem problemas também no inverno havendo vias muito interessantes para serem feitas.
Depois disso descemos e rumamos para o Aconcágua, dando muita sorte ao conseguir uma carona até Proterillos e em seguida um ônibus de saída pra Uspallata, onde dormimos num hostel e pegamos cedinho na estrada o ônibus que iria para Puente Del Inca, chegando pouco depois do meio dia na entrada do Parque Aconcágua e antes do fim do dia no acampamento Confluência já a 3.400m. Ir direto do Cordón para lá sem voltar para Mendoza fazia parte do planejamento porque não queríamos perder o ritmo de montanha, aclimatação nem passar calor de 35ºC, para isso já havíamos retirado o permisso para a ascenção antes de sair de Mendoza e, olhando pra trás, foi uma estratégia muito boa.
Como estávamos bem aclimatados, paramos em Confluência só para dormir mesmo, seguindo para Plaza de Mulas (4.300m) no dia seguinte. A caminhada é tranqüila, sem muito sobe-desce e a paisagem recompensa. Optamos por levar todas nossas coisas nas costas, sem contratar mulas e não foi nenhum sacrifício exagerado. As mochilas estavam evidentemente pesadas mas nada que não fosse possível carregar. O que me pareceu exagerado é a estrutura montada pelas empresas de montanhismo para seus clientes que acabam por transformar os acampamentos em mini-cidades com todo tipo de conforto para quem estiver disposto a pagar, incluindo banhos quentes, comida à vontade, telefone, internet e etc...
Em Plaza de Mulas ficamos meio contrariados por 2 noites até conseguirmos arrumar 2 pares de crampons porque havíamos deixado os nossos bestamente em um hostel de Puente Del Inca com parte do equipo técnico que não seria preciso na via Normal do Aconcágua. (Aqui faço um parênteses necessário, porque o plano era fazermos a Polacos acessando-a a partir da via Normal. Contrariando meu parceiro, eu desisti porque não estava confiando na minha bota (não dupla) nem nos meus crampons (alugados) que escaparam do pé numa via do Cordón. Será que foi excesso de precaução? Nunca vou saber. De qualquer forma a Polacos ficou pra próxima.)
O clima estava excepcional, sem nuvens, sem vento, pouco frio. Completamente diferente da quinzena que antecedeu nossa chegada, em que a montanha foi duríssima com os montanhistas. Era meio-dia e estávamos com as mochilas prontas para subir até Nido de Condores (5400m) quando chegou o helicóptero com uma previsão meteorológica atualizada, fomos checar e teríamos apenas mais 1 dia de janela com tempo bom, depois entraria uma frente fria nada animadora. Diante disso resolvemos atacar o cume naquele dia mesmo. Chegamos às 17:30 horas em Nido de Condores, montamos barraca, comemos, fizemos água, nos vestimos com roupa pra cume, botas dentro do saco de dormir e fomos dormir um pouco. Acordamos meia-noite e meia, comemos de novo bebemos água até morrer, enchemos as pets-cantis e saímos para o ataque 1:30 da madrugada... Às 10 da manhã chegamos no cume!!! Sem vento!!! Que recompensa, é realmente mágico, não importa por onde vc suba. O Aconcágua vale a pena.
Fotos tiradas e descemos com calma, chegando na nossa barraca às 15:30. Entrando num sono tranqüilo até o dia seguinte. (...e a frente fria entrou mesmo, descemos até mulas embaixo de neve...)
Daí pra frente foi só voltar pra casa... afinal, viajar é bom mas voltar pra casa e matar a saudade da mulher e dos filhos é melhor ainda.
Abraço,
Beto