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Raqueline Lima

TRIP PATAGÔNIA - ARGENTINA E CHILE - OUTUBRO 2016

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Temos relatos lindos, interessantes e extremamente úteis como dicas para viajantes. Porém, o objetivo deste relato é mostrar que pessoas comuns, sem histórico de aventuras, sem preparo físico, sem muito dinheiro e sem estar com o peso ideal, podem viver e se apaixonar por esse mundo fantástico de trips em contato pleno com a natureza.

 

Essa aventura foi realizada em outubro de 2016. Quando recebi o convite para essa viagem, nunca tinha feito nenhuma trilha, nunca tinha feito uma viagem internacional, minha atividade física era quase zero, estava acima do peso e não tinha ideia do que me esperava nessa viagem. Minha parceira de viagem e irmã de coração planejou tudo, li alguns relatos, mas de fato, a única coisa que eu sabia era que iríamos conhecer a Patagônia e que o nosso maior objetivo era fazer o Circuito W no Parque Nacional de Torres Del Paine.

 

Então, farei um breve relato dessa aventura para provar a todos que é possível para qualquer pessoa viver essa experiência fantástica e se apaixonar por essa conexão com a natureza.

 

1ª Etapa – Ushuaia

No início dessa trip, pegamos um voo Recife – São Paulo – Buenos Aires – Ushuaia.

 

Ao chegar em Ushuaia, estávamos extremamente cansadas da viagem, porém antes de descer do avião já podíamos contemplar a beleza que nos esperava. Fomos recebidas por um nascer do sol avermelhado e um mar de montanhas cobertas de neve. Era tão lindo que finalmente tivemos a sensação de que a nossa viagem havia de fato começado.

 

Chegamos ao Hostel Antarctica, porém ainda eram 9:00h da manhã e o check-in só era realizado as 13:00h. O hostel tem uma energia incrível. O recepcionista super simpático nos deixou guardar a bagagem no locker e nos convidou a tomar café da manhã. Durante o café da manhã conhecemos um casal de irmãos mexicanos que estavam indo fazer um passeio no Parque Nacional Tierra Del Fuego que fica a 20 km da cidade. Como ainda não podíamos fazer o check-in, resolvemos aproveitar a oportunidade e ir com eles.

 

O Parque Nacional Tierra Del Fuego é maravilhoso e pôde nos dar um gostinho do que nos esperava em Torres Del Paine (Pelo menos era o que eu pensava). Caminhamos por cerca de duas horas e meia no parque. Paisagens incríveis, muito frio, poeira e o registro das primeiras fotos.

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Ao retornar, nossos amigos mexicanos optaram por ficar e fazer uma outra trilha e nós decidimos retornar pois ainda precisávamos comprar as passagens para Porto Natales em busca do nosso principal objetivo – Torres Del Paine.

Eu apaguei na volta de ônibus e só acordei com o susto quando percebi que todos estavam descendo na cidade. Conseguimos depois de andar bastante, comprar nossa passagem de ônibus para Porto Natales e voltamos para o hostel, onde após quase 48 horas sem dormir e sem tomar banho, conseguimos finalmente descansar.

 

No dia seguinte, com as energias renovadas, fomos conhecer melhor Ushuaia com os nossos amigos mexicanos. Caminhamos cerca de três horas, conhecendo a cidade de ponta a ponta, tiramos muitas fotos e sentimos as primeiras rajadas de vento da Patagonia, mas ainda não era nem de longe as rajadas que iríamos ver. O tempo em Ushuaia fechou e existia previsão de chuva com possibilidade de nevar. E eu, como boa brasileira, estava louca para ver a neve caindo, mas ainda não foi naquele dia. Deitamos cedo nesse dia, pois no dia seguinte iríamos ao nosso destino em Porto Natales.

 

Acordamos cedo, descemos a pé até o ponto de ônibus e pegamos o chamado “ônibus semi cama” com destino a Punta Arenas / Porto Natales. Ao entrar no ônibus percebi que o semi-cama era mais apertado que os ônibus de linha urbanos do Brasil e fiquei preocupada, afinal, eram 13 horas de viagem pela frente.

 

Como costumo enjoar em viagens de ônibus, tomei um remédio e acabei dormindo a maior parte da viagem. Mesmo assim, tive a oportunidade de viver algumas experiências como: atravessar a fronteira entre dois países via terrestre, fazer a travessia de balsa pelo Estreito de Magalhães e observar o comportamento de pessoas de diversas partes do mundo que se encontravam naquele ônibus.

 

2ª Etapa – Torres Del Paine

Acordamos cedo, tomamos café e nos encontramos com um Português que estava no mesmo Hostel que o nosso em Ushuaia, veio no mesmo ônibus e por coincidência ficou hospedado novamente no mesmo Hostel que o nosso em Porto Natales. Ele também estava indo sozinho para Torres Del Paine. Então combinamos de ir juntos buscar informações e alugar equipamentos. Fizemos um pequeno planejamento de como faríamos o Circuito W e andamos pela cidade cerca de 10 horas fazendo as reservas nos campings, alugando equipamento, comprando comida, cambiando moeda, e buscando todas as dicas e orientações necessárias para nossa próxima aventura.

 

A noite organizamos as mochilas para levar somente o necessário e deixamos o restante no locker do Hostel The Singing Lamb onde estávamos hospedados.

 

Acordamos bem cedo, encontramos com nosso amigo português e seguimos para a rodoviária. Enquanto esperávamos pelo ônibus, finalmente começou a nevar e eu fiquei maravilhada com aquele espetáculo da natureza.

 

Seguimos em direção ao Parque Nacional Torres Del Paine e nevou durante toda a viagem que durou cerca de 2 horas. Ao chegar no Parque fomos recebidos pela guarda-parque que nos orientou a começar pela entrada do Lago Grey, o que estava totalmente ao contrário do nosso planejamento. No entanto, seguimos a orientação dela, uma vez que devido as más condições do tempo a base das Torres estava fechada e não adiantaria iniciarmos por lá.

 

Então, após registrarmos nossa entrada no Parque, voltamos para o ônibus até o Pudeto, onde pegaríamos uma balsa para o Acampamento Paine Grande. Ao esperar pela Balsa, sentimos as primeiras rajadas de vento verdadeiras da Patagônia. A sensação era que o vento iria nos derrubar e todos tentaram se proteger encostados em uma parede até a chegada da balsa.

 

Após 30 minutos, chegamos ao Acampamento Paine Grande, foi tudo muito confuso e muito corrido. Deixamos nossas barracas e mochilas, colocamos nossos ponchos e mochila de ataque e seguimos em direção ao Lago Grey.

 

O início da trilha para o Lago Grey era aparentemente tranquilo, porém, aos poucos começou a chover um pouco e as rajadas de vento eram muito fortes, a ponto de rasgar os nossos ponchos e nos deixar desprotegidas quanto a chuva e a neve, mesmo estando com os casacos impermeáveis.

 

Lembrando que eu nunca tinha feito uma trilha na vida, e que não tinha praticamente nenhum preparo físico, comecei a ficar nervosa nas subidas pois o Português que estava conosco era muito rápido. Tinha muita chuva, muita neve, muito vento e confesso que pensei em desistir já nos primeiros 500 metros. Mas tomei fôlego, minha irmã do coração se mostrou tão parceira que resolvi tentar.

 

Chegamos ao primeiro mirador. Era difícil até conseguir tirar foto pois os dedos congelavam sem a luva. Mesmo assim, valeu a trilha por ter conseguido tirar da minha irmã a melhor foto da viagem. Continuamos a trilha até o segundo mirador. As subidas e a trilha em si não são tão difíceis, a dificuldade realmente era o vento, a chuva e a neve que estavam intensos. Ao chegar no segundo mirador, minha irmã foi iluminada quando tomou a decisão de deixar o Português seguir e nós voltarmos, uma vez que, provavelmente não iríamos conseguir ver muita coisa com o tempo fechado, além do risco de escurecer e ficarmos no meio da trilha.

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Voltamos desse ponto, estávamos mais tranquilas em voltar, comemos, tiramos algumas fotos e percebemos o quanto já havia nevado em relação a ida, pois o chão estava completamente branco de neve.

 

Já próximo ao Acampamento Paine Grande percebemos o quanto nossas roupas e botas estava encharcados e bateu um desespero de que pudéssemos perder nossos documentos, dinheiros, etc.

 

Finalmente, após um total de quase seis horas de caminhada, chegamos ao acampamento, trocamos nossas roupas e observamos o caos que estava no local. Segundo um dos funcionários do Refúgio, aquela situação de tempo não era normal naquele período. Todos estavam disputando os aquecedores, tentando além de se aquecer, também secar as roupas que estavam todas molhadas, mesmo de alguns estrangeiros que víamos que eram experts nesse tipo de aventura.

 

O frio era incontrolável, pois mesmo trocando de roupa ainda tinha algumas partes molhadas. A princípio tínhamos nos programado de montar nossa barraca, mas devido as más condições de tempo decidimos alugar uma barraca já montada do refúgio, pois assim iríamos nos sentir mais seguras. O alojamento do refúgio era muito caro, e estava fora da nossa programação financeira. Ficamos um pouco mais no refúgio e minha irmã decidiu nesse momento desistir de fazer o circuito W, voltaríamos no dia seguinte para Porto Natales, pois as previsões do tempo eram instáveis e não estávamos preparadas para seguir o circuito. Naquele ponto era possível retornar pela balsa, se arriscássemos seguir, teríamos que ir até o final, não tinha como retornar sem ser pela trilha a pé.

 

Ficamos o máximo de tempo que podíamos no refúgio tentando nos aquecer, conhecemos alguns brasileiros e vimos várias pessoas tomando a mesma decisão que a nossa de não seguir adiante, com exceção do nosso amigo Português que optou por seguir. Finalmente fomos para nossa barraca, o frio continuava insuportável, mesmo no saco de dormir, com colcha, casacos, meias, etc... Passamos a noite praticamente em claro, com frio e com medo, pois o barulho do vento era assustador.

 

Ao amanhecer o dia estava claro, sem chuva, sem vento, sem neve. Mesmo assim, continuamos com a decisão de retornar. Tomamos café, organizamos as mochilas, tiramos algumas fotos ao redor e pegamos a balsa/ônibus de volta a Porto Natales.

 

Meu sentimento nesse momento era de frustração e profunda tristeza, principalmente pela minha irmã que tinha o sonho de ver as Torres. Estava me sentido culpada, pois pensei que ela só tinha tomado a decisão de retornar por estar preocupada comigo. Depois entendi, que ela ouviu o coração e teve a certeza de que ainda não era do nosso merecimento conhecer Torres Del Paine. Mesmo assim, o sentimento de frustração ainda persistia, pois aquele era o principal objetivo de nossa viagem.

 

Retornamos a Porto Natales e nos organizamos para antecipar nossa ida para El Calafate.

 

3ª Etapa – Perito Moreno

Chegamos pela manhã em El Calafate. A cidade é um charme, muito romântica, aconchegante e simpática. Deixamos nossas mochilas no Hostel e partimos para explorar a cidade. Compramos nossas passagens para Perito Moreno e fomos para o mirante ver o pôr do sol. A vista do mirante era linda, mas o pôr do sol ficou aquém das nossas expectativas, mas entendemos que cada lugar tem as suas belezas.

 

No dia seguinte, seguimos para conhecer o Glaciar Perito Moreno. Um dos mais famosos do mundo. Ao chegar lá não consigo descrever para vocês tamanha beleza. O glaciar é cercado por passarelas gigantes, com muitas escadas e muitos turistas. Não existe nenhum lugar para onde se olhe que não seja incrivelmente lindo. As paisagens são fantásticas, o lugar é de uma energia incrível. Finalmente eu estava me sentindo confortável e maravilhada! O glacial é imenso, mas infelizmente podemos ver com nossos próprios olhos a ação do aquecimento global e a urgência de nós, seres humanos, nos preocuparmos com a preservação do meio ambiente.

 

Tiramos muitas fotos, fizemos alguns vídeos, contemplamos imensamente aquele lugar com toda a sua magia e energia. O Glaciar é esplêndido, o barulho do gelo quebrando, o azul que avistamos nas frechas do gelo, tudo é incrivelmente magnífico!!

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Votamos para o hostel maravilhadas e dormimos com aquelas imagens lindas. Ao acordar, fomos comprar nossas passagens para El Chalten e explorar um pouco mais a cidade. Encontramos um parque das aves e resolvemos fazer o percurso de uma hora nele, onde era possível contemplar diversas aves da região, em um contato com a natureza de extrema contemplação.

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Voltamos para o Hostel e dividimos quarto com uma Alemã que tinha acabado de chegar de El Chalten e nos deu várias dicas de como eram as trilhas. Ela estava encantada e falou que nós iríamos amar. Tudo isso em uma tentativa de falar inglês já que ela não falava espanhol. Ah... nós também não falávamos espanhol, apenas Português e eu o básico de inglês. Mesmo assim, isso não nos impediu de curtir a nossa trip e de fazer novas amizades.

 

4 ª Etapa – El Chalten

De El Calafate até El Chalten foram 03 horas de viagem. Ônibus super confortável, dois andares, leito e uma vista privilegiada. Mesmo antes de chegar na cidade, já conseguimos avistar o Fitz Roy, imponente e majestoso. As primeiras fotos começaram dentro do ônibus mesmo, e minha irmã estava emocionada por estar naquele lugar.

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Fizemos uma parada na entrada da cidade, na Administração do Parque Los Glaciares, para receber as devidas orientações sobre as trilhas e cuidados que devíamos tomar. O guarda-parque falou da dificuldade da trilha do Fitz Roy e eu fiquei mais uma vez bastante preocupada e angustiada. Mas nem de longe imaginava que o nosso merecimento estava ali naquele lugar.

 

Descemos a pé da rodoviária até o hostel. A cidade é bem pequena e tudo é muito próximo. Almoçamos, fomos ao mercado, exploramos um pouco a cidade e fomos descansar pois no dia seguinte a primeira trilha seria exatamente a mais difícil: A Trilha da Laguna Los Três que fica na base do Fitz Roy.

 

Eu estava muito angustiada, com medo de não conseguir, pensando nas dificuldades que podia encontrar na trilha. Entrei na internet, li vários relatos, e pedi para minha irmã prometer que se eu não conseguisse ela iria sozinha, pois não queria atrapalhar esse sonho dela. Ela me tranquilizou e disse que estávamos juntas e que tudo iria dar certo. Fomos dormir, mas eu continuava com receio da trilha. Afinal, eram 10 horas de caminhada, isso para quem era acostumado em fazer trekking, o que não era o meu caso.

 

Iniciamos a trilha as 7:00h da manhã. O dia estava apenas amanhecendo. Na entrada da trilha rezamos, pedimos permissão a espiritualidade e proteção para nossa travessia.

 

A primeira hora é de subida e se a pessoa não estiver na sintonia desiste ali mesmo. É uma subida cansativa, mas relativamente fácil, pois foram colocados troncos que formam uma escada e dão apoio. Fomos recepcionadas por dois Pica-Pau que faziam barulho bicando a madeira e eram lindos.

A trilha é toda sinalizada, com indicativos de direção e quilometragem. Nos primeiros quilômetros encontramos meia dúzia de pessoas no sentido contrário. A partir daí até o acampamento Poicenot não encontramos mais ninguém.

Nos 700 metros avistamos o 1º mirante que dá para o rio Los Curves. A trilha começou a ficar plana, andamos na mata fechada, ouvindo apenas o som do vento e dos pássaros. A trilha é linda e de uma energia indescritível. Passamos por vários portais, pontes feitas com tronco, caminhos estreitos dentro do bosque e chegamos no Mirador do Fitz Roy.

A trilha vai ficando mais aberta, uma clareira, várias fontes de água até chegar em um bosque onde fica o Acampamento Paicenot. Esse camping não tem nenhuma estrutura, apenas um banheiro seco. Vimos algumas pessoas se alimentando e seguimos.

A partir desse ponto a trilha passa a ficar mais pesada, mas no meu coração estava um sentimento de que mesmo assim eu conseguiria. Seguimos em frente, passamos por um rio que ficava no meio de uma pedreira. Senti uma energia tão forte que fiquei toda arrepiada.

Chegamos na placa indicativa do último quilômetro. A placa era bem objetiva e dizia que era uma subida de alta complexidade apenas para pessoas com bom preparo físico. Mesmo sem preparo, o nosso desejo de chegar lá era tão grande que decidimos subir.

No início parece apenas uma ladeira comum, depois vai ficando cada vez mais íngreme. A subida é muito difícil, mas eu me sentia segura, mesmo parando a cada cinco passos para respirar e retomar a força nas pernas que já estavam se esgotando. Estava todo tempo em oração, pedindo forças a espiritualidade para que me ajudassem a chegar até o pico.

Nessa subida, de repente e do nada rsrsrs começou a aparecer um monte de gente subindo também, mas todos respeitando o tempo de cada um. Deixamos todo mundo passar na nossa frente e fomos subindo no nosso ritmo.

Foi muito difícil e cansativo, mas finalmente chegamos ao cume. Lá vimos várias pessoas lanchando e tirando fotos. A paisagem era simplesmente espetacular. A Laguna Los Três estava completamente congelada e ao fundo, bem pertinho, víamos as torres imponentes do Fitz Roy. Tiramos várias fotos, encontramos por acaso com nosso amigo Português de Torres Del Paine, vimos uma raposa e após contemplar tanta beleza decidimos iniciar a descida que eu não fazia ideia de que seria milhões de vezes mais difícil do que a subida.

O início da descida foi muito ruim, pois era uma descida com cascalho solto e ao tentar descer de lado acabei dando um jeito no joelho. Começamos a descer a parte das pedras, mas a dor no meu joelho já era insuportável. Minha expressão era de dor, angustia e desespero, mas não tinha o que fazer, tinha que suportar a dor e prosseguir, pois não tinha outra forma de retornar. Faltavam mais 5 ou 6 horas de caminhada. Na metade da descida paramos embaixo de uma árvore para beber água e nesse momento as lágrimas desceram de tanta dor. Continuamos a descida e conseguimos chegar ao final desse quilômetro que era o mais difícil. Lavei o joelho com água gelada do rio, comi um chocolate e continuamos. A dor tinha melhorado 50% e o caminho agora era mais fácil.

Seguimos no nosso ritmo e na nossa contemplação, afinal de contas, fazer essa trilha correndo sem sentir e contemplar a natureza, para mim não fazia nenhum sentido. De vez em quando olhava para trás e via as torres nevadas e lindas.

Sempre que tinha uma descida ou pisava de mau jeito meu joelho doía muito, eu fazia careta, gritava e me espremia para tentar suportar. Mesmo assim, estava o tempo todo em oração e agradecimento por ter conseguido chegar até lá. A energia do bosque na volta era ainda mais forte, senti a proteção de Deus e de toda espiritualidade de luz, e aquilo me deu forças para seguir adiante.

A subida da primeira hora da ida, seria a descida da última hora da volta, e eu já estava usando os bastões praticamente como muletas, aliás, sem eles, provavelmente eu não teria conseguido.

Minha amiga-irmã foi super carinhosa e paciente, conversava para me distrair e escondia que o joelho dela também estava doendo bastante.

Fiz o último quilômetro praticamente arrastada pelos bastões e após quase doze horas de caminhada no total, chegamos a placa de início da trilha.

Nesse momento, a emoção tomou conta de mim, as lágrimas desceram compulsivamente em gratidão por tamanha beleza, por tamanha superação. Me senti uma guerreira vitoriosa! Agora, já conseguia sorrir e achar engraçado o meu desespero anterior. Foram quase 12 horas de caminhada!

A maior lição que tirei dessa trilha foi que o poder da mente e a força da natureza são inexplicáveis. Que o nosso merecimento não tinha sido em Torres Del Paine, e sim no Fitz Roy. E que, qualquer pessoa que tenha fé e disposição consegue fazer essa trilha, assim como eu fiz!!!!

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Ao chegar no Hostel não sentia meu corpo, só a dor no joelho. Mas a sensação era de vitória, superação e missão cumprida. Afinal de contas, eu que nunca tinha feito uma trilha na vida, consegui concluir uma trilha internacional com nível de alta complexidade.

 

No dia seguinte, após muito analgésico, massagem e uma tala de proteção para o joelho, fizemos uma trilha bem leve. Apenas uma hora de caminhada para a Cachoeira Chorrilo Del Salto. Apesar de ser uma trilha leve, a recompensa e a beleza são igualmente incríveis. Contato com a natureza, sensação de paz e agradecimento por momentos tão incríveis.

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Voltamos e descansamos o resto do dia para recuperar as nossas forças, pois no dia seguinte faríamos a última trilha dessa viagem incrível.

 

Novamente acordamos cedo e seguimos dessa vez para a Trilha do Cerro Torres. Uma trilha de média complexidade, com duração de mais ou menos seis horas. A trilha tinha umas subidas difíceis, mas depois do que passei no Fitz Roy, tudo era mais fácil. Cada trilha com sua beleza, durante o trajeto vimos paisagens incríveis, rios, cachoeiras, pássaros, tudo em perfeita harmonia. Ao chegar na Laguna Torres o encantamento foi imediato! A Laguna estava em degelo, com várias pedras de gelo boiando em sua superfície. O espelho d’água refletia as montanhas nevadas. Um verdadeiro espetáculo da natureza para fechar com chave de ouro essa viagem que marcou e transformou para sempre a minha vida.

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Com certeza não voltei para o Brasil a mesma pessoa que fui. Aprendi novos valores, mudei conceitos, aprendi a amar, aprendi a ter humildade, aprendi a ter respeito pela natureza, aprendi a contemplar, aprendi que o poder da mente é capaz de transformar o mundo. Aprendi que viajar renova todas as energias e nos transforma em pessoas melhores.

 

Por isso, escrevi esse relato para encorajar as pessoas que como eu não são aventureiras de carteirinha, mas merecem a oportunidade de contemplar a natureza em sua mais sublime abundância!!! Se eu consegui, qualquer um consegue!!!!

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Que relato incrível! Fiquei animada por também estou acima do peso, sou sedentária e irei passar 20 dias na Patagônia com meu filho, em dez/jan. Será uma aventura e tanto para nós dois mas, tenho certeza que será um passeio inesquecível. Bacana ver que com fé e força a gente consegue realizar nossos sonhos. Bj

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      Escolhemos viajar em outubro pois li que era quando inicia a temporada de passeios na Patagônia. O bom é que o clima já está bem mais ameno comparado ao inverno, porém, ainda não é a alta temporada, o que torna os passeios menos caros (eu não disse baratos, ok?) e as atrações menos cheias de gente. Saímos de Brasília no dia 11 de outubro à noite, pela GOL e fizemos conexão no Rio de Janeiro. Como nosso voo para Santiago era só no dia 12 de manhã, dormimos em um hotel perto do Galeão. 
      SANTIAGO
      1º DIA - SEXTA-FEIRA
      O voo para Santiago foi bem tranquilo, acho que pelo RJ são 4h20 de duração. Nem tínhamos pousado na capital e já estávamos maravilhadas lá de cima com a majestosa Cordilheira dos Andes. Foi o primeiro (de muitos) contatos que tive com as paisagens de tirar o fôlego do Chile. Vai vendo...

      Como chegamos sem nenhum peso optei por trocar alguns no aeroporto, algo que desse para pegar uma condução até o nosso apartamento e outras despesas iniciais. A cotação do aeroporto é bem ruim, o ideal é trocar o resto depois no centro da cidade. Se bem me lembro, no dia que chegamos estava 1 real = 160 pesos. Pesos trocados, optei por pegar um táxi pois estava com a minha avó. Sei que dá para pegar Uber, porém, como ainda não é legalizado, fiquei com medo de não conseguir encontrar o ponto de embarque. Outra coisa que também é possível são os ônibus para o centro, mas deixarei para quando eu voltar sozinha. Ao chegar vários taxistas irão te abordar, nem olhe para o lado, vá direto para as empresas credenciadas de táxi. O preço para o bairro de Providência é de R$ 20.000 pesos (cerca de R$ 120 reais).
      Chegamos no nosso apartamento (aluguei pelo Air Bnb e achei um excelente custo benefício. A hospedagem saiu por R$ 1092 reais para 4 dias. Muito organizado, excelente localização, ótima receptividade e uma vista.....ah meu bem, veja por você mesmo....) Vou deixar o link aqui para quem se interessar: https://www.airbnb.com.br/rooms/21106715


      Feito o check-in fomos direito para o centro de Santiago com dois objetivos: trocar pesos e comprar um chip de dados de internet para o meu celular. A Afex (a mesma casa de câmbio do aeroporto) fica na Rua Augustinas e estava com uma cotação boa. Trocamos por 1 real = 177 pesos, ou 1000 pesos = R$ 5,65, além de alguns pesos argentinos para a viagem até El Calafate. O chip eu comprei por R$ 2 mil pesos de um vendedor ambulante brazuca que estava no centro. Com o chip já instalado eu fui na farmácia Cruz Verde, fiz uma recarga de R$ 5 mil pesos. Depois fui na loja da Entel, que fica do lado e pedi orientações ao vendedor para a instalação do pacote de dados. Tudo configurado, fomos direto para o shopping Costanera Center almoçar e conhecer o mirante "Sky Costanera". Porém, aqui, vai mais uma dica importante: atente-se às condições meteorológicas para não jogar seu dinheiro fora. Como chegamos em um dia ensolarado, céu aberto, eu pensei: por que não? Porém, chegando lá em cima, percebi que as cordilheiras estavam todas encobertas por "Smog", que é aquela névoa de poluição comum em grandes metrópoles. Ou seja, pagamos salgados 15 mil pesos (cerca de R$ 90 reais) para ver prédios e carros, o que já dava pra ver bem legal da varanda do nosso apto. Terminada nossa experiência, fizemos umas comprinhas de comida no supermercado Jumbo (depois voltarei a falar desse mercado), pegamos um táxi no subsolo do shopping (mais seguro do que pegar na rua, pois os da rua são muito exploradores) e voltamos para casa.
       
      2 DIA - SÁBADO
      Sábado de manhã fomos dar uma caminhada pelos bairros de Providência e Bellavista, para conhecer a região. Sugeri à minha vó que fôssemos caminhando até a famosa casa do Pablo Nerura, La Chascona, porém, chegando lá, percebemos que era impraticável entrarmos, pois são muitos degraus para conhecer tudo e seria muito cansativo para a minha avó. Retornamos ao nosso apartamento para encontrar a minha tia que havia acabado de chegar do Brasil e seguimos de metrô até o Bairro Paris-Londres. Lá é bem pitoresco, tem umas ruas de paralelepípedo e uma arquitetura diferente. É lá também que tem um memorial para as vítimas da Ditatura do Pinochet, mas quando chegamos, infelizmente, tinha acabado de fechar, então só fizemos umas fotos na entrada mesmo. Mais uma dica: se pretende trocar câmbio no sábado, fique atento, pois as casas fecham ao meio dia, ok?

      Seguimos andando pelo centro, com várias lojas e comércio variado até chegarmos na Plaza de armas. Conhecemos a Catedral e em seguida o Mercado Municipal. O prédio do mercado é bem bonito, entramos, demos uma olhada e saímos, pois achamos o cheiro de peixe um pouco desagradável...rsrsrs mas vimos muitas pessoas por lá comendo a famosa Centolla, o caranguejo gigante das águas geladas da Antártida. Colocamos na cabeça que não sairíamos do Chile sem provar essa iguaria, porém, em outro lugar. De lá, seguimos para o Bairro Bellas Artes, onde tomamos um café. Depois, voltamos para o apartamento para descansar um pouco e à noite fomos conhecer o famoso Pátio Bellavista, onde tem diversos bares e restaurantes e costuma ser bem movimentado à noite.reservar 
      3º DIA - DOMINGO
      Separamos o domingo para conhecer uma vinícola, por indicação de amigos fomos até à Santa Rita. Aqui vai mais uma dica: reserve com antecedência, para conseguir mesa no restaurante. Infelizmente, como deixei para comprar no dia, não havia mais vagas no restaurante e acabamos almoçando no café que fica dentro da vinícola, que tem uma comida bem mais ou menos. Para chegar até a vinícola fizemos uma simulação de quanto custaria se fôssemos de Uber. Cerca de 15 mil pesos, quase 90 reais. Então optamos por ir de metrô até a estação Las Mercedes e de lá pedimos um Uber, que nos custou 5 mil pesos. O passeio foi bem legal, compramos o tour em Português que tinha a degustação de 3 vinhos, além de alguns tipos de queijos. Acho que foi 16 mil pesos, se não me engano. A vinícola é bem bonita, os vinhos são muito gostosos e têm um bom preço. Saí de lá com apenas uma garrafa pois queria voltar para o Brasil com rótulos de várias vinícolas. O tour demorou cerca de 1h,  almoçamos e pegamos uma charrete (carreta como eles chamam) até a porta da vinícola para tentar pegar um ônibus até a estação de metrô, pois como o lugar é meio fora de mão ficamos com receio de nenhum uber querer nos buscar. Por sorte, passou um táxi na porta pedindo 15 mil pesos para nos deixar na estação do metrô. Eu disse: "moço está muito caro". Ele respondeu: "10 mil pesos". Eu retruquei: "O uber nos deixou aqui por 5 mil". Depois de pechinchar ele acabou topando e voltamos até o metrô pelo mesmo preço da ida. 

      Chegamos em Providência por volta de 17h e minha ideia era ainda subir o Cerro San Cristobal, pois tinha lido que lá é muito bonito, tem uma vista panorâmica da cidade e um por- do-sol divino. Porém, como era domingo estava lotado, uma fila imensa para entrar e o parque fecha às 18h. Por conta disso, acabamos não conseguindo conhecer o cerro, vai ter que ficar para uma próxima visita à cidade. À noite fomos jantar no restaurante famoso "Como água para chocolate", porém, não achei nada demais. O ambiente é bacana, mas a comida é bem sem tempero. Sou mais a minha...hehehehe
      4º DIA - SEGUNDA-FEIRA
      Separamos esse dia para conhecer o Cajon del Maipo, mais precisamente a represa Embalse El Yeso. Optamos por alugar um carro e ir por conta própria, para termos a liberdade de decidir quanto tempo iríamos ficar e também pelo fato de eu ser traumatizada com excursão. Reservei com antecedência pela internet um carro na Chilean - United rent a car, no Bairro Bellavista, cerca de 500m a pé do nosso apartamento. O bom é que poderíamos retirar o carro lá e devolvê-lo no dia seguinte no aeroporto, onde precisaríamos ir para tomar nosso voo para Punta Arenas. Pegamos um carro comum, compacto, com ar condicionado. Deu conta legal do passeio, mas o clima ajudou bastante também. GPS do celular ligado, seguimos em direção ao Cajon del Maipo e o bom desse passeio é que não só o destino é lindo, mas todo o caminho também. E como estávamos por conta própria, podíamos parar na estrada para tirar fotos e admirar as belezas do caminho. 

      De modo geral achei a estrada bem tranquila, mas como eu disse, o dia estava lindo e o clima ajudou muito. Depois de passar pela porta da represa a estrada fica um pouco pior, com curvas bem sinuosas e o chão de terra. Nesse trecho em especial é bom ir devagar e ficar bem atento, pois o espaço é bem estreito para dois carros passarem. Ao chegar mais perto da represa, para nossa surpresa: um grande engarrafamento. O lugar estava muito, mas muito cheio. E como têm trechos que não passam dois carros, você tem que esperar um monte de carro descer para conseguir subir. Muita gente já ia largando o carro pelo meio do caminho e subindo a pé, mas o sol estava muito forte e minha vó estava no carro, então esperamos cerca de 1h para conseguir subir. Depois, ficamos sabendo que aquele dia (15 de outubro) é feriado no Chile, então se eu puder te dar uma dica é: evite ir em domingos e feriados para não passar por isso.  No dia em que fomos tinham vendedores ambulantes, banheiro químico, etc. Não sei se é assim todo dia ou se estava assim por conta do feriado. Então aproveite para tirar a aguinha do joelho no restaurante que tem antes da entrada de acesso à represa (El Tarro). Outra opção (bem mais barata) é levar seu próprio lanche. O clima lá é muito doido, estava quente, um sol de rachar e do nada dava uma rajada de vento congelante! Vá de roupas confortáveis, use muito protetor solar e leve um bom casaco para os momentos de vento. Perrengues à parte, o lugar é muito bonito e todo passeio valeu muito a pena.

      PUNTA ARENAS
      5º DIA - TERÇA-FEIRA
      Saímos bem cedinho para o aeroporto rumo ao nosso primeiro destino da Patagônia chilena: Punta Arenas. E por que escolhemos essa cidade? Pois o sonho da minha avó (e confesso, meu também) era conhecer os pinguins de Magalhães, uma colônia que pode ser visitada de barco a cerca de 40 minutos da cidade. Mas vou contar dessa cilada  passeio já já.
      Continuando, fomos até Punta Arenas de Sky Airlines, uma empresa low cost do Chile e a viagem foi ótima, sem nenhum contratempo. Chegando no aeroporto retirei o carro que havia reservado pela Avis, dessa vez um carro melhor, pois íamos pegar algumas estradas mais longas com ele. Detalhe importante: como iríamos cruzar a fronteira até a Argentina, foi preciso fazer uma solicitação à empresa com 10 dias de antecedência da viagem para que eles providenciassem a documentação necessária a ser apresentada. Sem isso você não consegue atravessar a fronteira. Segundo detalhe importante: ao chegar no nosso hotel (link para o hotel: https://www.booking.com/hotel/cl/finis-terrae.pt-br.html) me dei conta de que havia perdido o meu papel da PDI (que eles te dão na imigração quando você entra no país). Sem esse papel você pode ter problemas para sair do Chile. Por sorte, havia a poucas rua do hotel um prédio da PDI e foi bem fácil para eu tirar uma segunda via. 
      Como não tínhamos nada programado para esse dia acabamos indo conhecer a famosa Zona Franca de Punta Arenas e achamos uma loja com preços incríveis para comprar casacos e roupas de frio. Não lembro o nome, mas é uma loja de departamento grande, é bem fácil de achar. Fizemos nossas compras e voltamos à cidade. À noite fomos jantar em um restaurante chamado La Marmita, bem aconchegante e perto do nosso hotel. Gostamos tanto de lá que voltamos no dia seguinte para almoçar. O Ceviche e a Centolla são bem gostosos!

      6º DIA - QUARTA-FEIRA
      Esse, para mim, foi o dia mais marcante da viagem. Se por um lado, eu amei, por outro, odiei. Vou dizer por que. Contratamos o passeio até a Isla Magdalena com a empresa Solo Expediciones. Não é nem um pouco barato são 63 mil pesos por pessoa (Cerca de R$ 380 reais), mas para mim valia tudo para ver os pinguinzinhos em seu habitat natural. E lá fomos nós, às 6h30 da manhã até a agência para pegar o traslado. Um ônibus nos levou até um porto para tomar o barco bote até a Isla Magdalena. Juro, devia ter umas 30 pessoas e o barco era bem pequeno, parecia uma cápsula motorizada. Só de ver aquilo já me deu uma agonia, mas tudo bem, eu estava lá para me aventurar. Quem me conhece sabe que eu tenho problema com barco, pois enjoo muito fácil e por isso mesmo tomei um remédio antes de ir. Só que eu não tinha noção de como era o tal estreito de Magalhães. Parecia que o nosso barquinho estava participando do programa "Pesca mortal" do Discovery, ele pulava tanto, mas tanto, que eu não aguentei nem 10 minutos antes de perder a minha dignidade na frente de todos. Não teve jeito, fiquei os 40 minutos da ida passando muito, mas muito mal mesmo. O bom é que assim que o barco atracou e eu coloquei os dois pés em terra firme o enjoo passou na hora e pude curtir os meus tão sonhados pinguins.  Dica: lá tava fazendo um dia lindo, muito sol, e mesmo assim a sensação términa era de -3º. Ou seja, vá bem agasalhado. Mesmo assim, a 1h que passei com os pinguins me fez esquecer todo o perrengue que eu passei, foi muito incrível a experiência.


      Na volta o barco circundou a Isla Marta para o pessoal ver e fotografar os Leões Marinhos, mas eu ainda estava muito nauseada e só conseguia pensar em voltar logo para terra firme e recuperar a minha dignidade. Esse dia foi a primeira aventura de verdade que a minha vó viveu na viagem, pois não foi fácil se segurar dentro daquele barco com um mar tão revolto. Se você gosta muito de pinguins e não curte barcos, uma opção é visitar a Pinguineira Otway, que tem acesso a partir do continente.
      Retornamos do passeio as 13h, almoçamos e já pegamos estrada até Puerto Natales. Sobre essa estrada: ela faz parte da Ruta del fim del mundo e foi a melhor que eu dirigi na minha vida. Muito bem pavimentada, pouco movimentada, muitas belezas pelo caminho. Dá vontade de meter o pé, hehe, mas tem que tomar cuidado com os ventos laterais que desestabilizam o carro. São pouco mais de 3h de Punta Arenas até a cidade que é a porta de entrada para o parque Torres del Paine. Dica importante: encha o tanque do carro antes de sair de Punta Arenas, pois não existe um posto sequer entre uma cidade e a outra.

       
      PUERTO NATALES
      Como essa época do ano no Chile demora bastante para escurecer, chegamos lá em Puerto Natales por volta das 18h e ainda conseguimos pegar um belo pôr-do-sol na praça da cidade. Fiquei impressionada com a quantidade de cachorros de rua que existem por lá e são todos muito lindos, dá vontade de levar pra casa. Fizemos o check-in no hotel (Link para do hotel: https://booki.ng/2T5VvVf), demos uma volta no centrinho e fomos jantar em um restaurante muito bom chamado Cafe Kaiken. Lá, experimentei o famoso prato chileno Lomo a lo pobre, que é uma carne de vaca com dois ovos fritos em cima, cebola e batata frita. Estava muito gostoso!

      7 º DIA - QUINTA-FEIRA
      Seguindo a programação, reservamos todo o dia para conhecer o parque Torres del Paine. Na minha opinião, o segundo ponto alto da viagem, um dos lugares mais bonitos que já conheci. Existem inúmeras opções de conhecer o parque, seja a pé, seja de carro, seja de excursão. Como estava com a minha vó, optamos por ir de carro, no esquema bate e volta e, para mim, foi muito lindo e suficiente. Existem duas estradas que dão acesso ao parque, uma mais longa e uma mais curta. Nós fizemos a mais longa na ida (é bem mais bonita e também em melhor condições) e a mais curta na volta (depois percebemos que apesar de mais curta não é mais rápida, porque tem muita curva, é de terra e não é bem sinalizada). Na ida, além de ver as lindas montanhas de gelo no horizonte, vimos muitos animais, ovelhas, vacas, cavalos, tem um mirante lindíssimo do lago Sarmiento já perto da entrada do parque. Logo mais a frente, nos deparamos com a cena mais linda, um guanaco sozinho pastando na beira da estrada com as montanhas cobertas de gelo ao fundo. Emocionante!


      Seguimos direto em direção às Lagunas Amarga e Azul, pois além de muito bonitas são os trechos do parque com maior chance de ver os Guanacos, animais que parecem uma mistura de Lhama com camelo. E não foi diferente do esperado, tem muitos mesmo, inclusive tome cuidado pois eles correm no meio da rua e podem pular na frente do carro.

      Fizemos fotos incríveis e quando nos preparávamos para entrar na Portaria Sarmiento percebemos que o carro estava com 1/4 de tanque. Que amadorismo da nossa parte! Já tinham me alertado que lá não existem postos de gasolina, mas foi uma distração nossa mesmo. A única solução que encontramos para não inviabilizar nosso passeio foi voltar até Puerto Natales, abastecer e retornar ao Parque, desta vez direto para a portaria Sarmiento. Chegando lá de volta, pagamos o ingresso para entrar no parque (21 mil pesos por pessoa, vale ressaltar que pode ser pago no cartão de crédito) e nos deram um mapinha bem completo com todas as atrações do parque. De cara já vimos o trajeto que poderia ser feito de carro e seguimos em direção ao salto grande e ao lago Nordenskjöld. No meio do caminho, paramos para tirar fotos no mirador deste lago, que é maravilhoso e seguimos para a cafeteria Pudeto, onde fizemos um lanchinho (mais uma vez, se quiser economizar, leve seu próprio lanche). Em seguida subimos de carro para o mirante do salto grande, paramos o carro, fizemos uma caminhada rápida e já demos de cara com o paraíso.


      Desse ponto é possível fazer uma caminhada de aproximadamente 1h até o Mirador Cuernos, porém não fizemos pois estávamos com a minha vó e achamos melhor poupá-la pois ainda tinha muitas coisas para ver. Seguimos pela estrada de carro em direção ao lindíssimo lago Pehoé, onde também tem um mirante que nos rendeu mais um show de fotos e vista espetacular. Nossa próxima parada era o Lago Grey, então não perdemos tempo e rumamos para lá, pois já começava o cair da tarde. Estacionamos o carro e fizemos uma caminhada bem agradável de uns 30 minutos por um bosque que tem uma ponte bem bacana que passa por cima do rio Pingo. Seguimos em frente até chegar ao lago, que tem uma prainha toda de pedra. Contemplamos, fizemos fotos, porém decidimos não caminhar até o mirador Grey por dois motivos: já estava escurecendo e a vó já demonstrava sinais de cansaço, então como já íamos ver glaciares na Argentina, resolvemos voltar.

      Para otimizar nosso retorno a Puerto Natales voltamos pela estrada que passa pela sede administrativa do parque (aquela mais curta que eu falei antes). Foi um pouco tensa a volta, pois já era tarde, o sol começou a cair e a estrada é bem sinuosa, escura, tem muito coelho que se joga na frente do carro (ainda bem que não atropelamos nenhum) e é bem estreita, sem sinalização...enfim, a volta definitivamente não foi legal, talvez se não tivéssemos perdido tempo no passeio pela falta de combustível na ida a gente tivesse conseguido voltar mais cedo e não passar por isso. À noite, para recuperar as energias fomos direito para o restaurante comer. Desta vez escolhemos um chamado El Bote, que tem a melhor carne que eu já comi em toda a minha vida (carne mechada). Serve muito bem duas pessoas, sobrou bastante, e olha que eu comi muito! 
      EL CALAFATE
      8º DIA - SEXTA-FEIRA
      Escolhemos dar um pulo para conhecer a Patagônia Argentina, mais precisamente o Parque Nacional Los Glaciares, onde tem um dos glaciares mais bonitos do mundo, o Perito Moreno. Seguimos para El Calafate ainda de manhã e cruzamos a fronteira sem problemas, pois toda a documentação estava correta. Dica importante: existem dois caminhos para El Calafate, um mais curto e um mais longo. Tanto o pessoal da locadora de carros, quanto da fronteira nos alertou para evitarmos o mais curto, pela condição ruim da estrada. Então optamos, por segurança, pegar o caminho mais longo, que é cerca de 4h30 de viagem saindo de Puerto Natales. Não tem posto de gasolina durante um longo trecho, então encha o tanque antes de sair de Puerto Natales.
      Na entrada da província de Santa Cruz, já na argentina, os policiais pediram para abrirmos o porta-malas, mas só deram uma olhada por cima e já nos liberaram. Na primeira cidadezinha já paramos em uma loja para comprar um chip Argentino de celular para acesso de dados de internet. Não foi tão fácil configurar dessa vez pois precisava ligar na operadora e informar alguns dados, mas o rapaz da loja foi bem gente boa e nos ajudou. Apenas pediu para quebrarmos o chip quando terminasse a viagem, já que estava com os dados dele. Continuamos a viagem, mais longa e bem mais tediosa que as anteriores, pois são muitos trechos sem absolutamente nada para se ver, apenas campos de vegetação rasteira, trechos com retas sem fim, parecia que nunca ia chegar no nosso destino. Finalmente chegamos em El Calafate por volta de 15h e fomos direto para o hotel fazer o check-in e deixar as malas (Link do hotel: https://www.booking.com/hotel/ar/aca-el-calafate.pt-br.html) Logo na recepção nos informaram que se quiséssemos conhecer o Glaciar Perito Moreno ainda naquele dia teríamos que sair naquela hora. Então, apesar do cansaço foi o que fizemos, pois não teríamos outra oportunidade de fazê-lo.
      O acesso ao parque para o Perito Moreno é uns 80km de El Calafate, a estrada é bem tranquila. Logo na entrada do Parque você tem que pagar para entrar (custa 600 pesos o ingresso por pessoa, cerca de R$ 70 e é possível pagar com cartão de crédito). Dentro do parque a estrada também é bem bonita, apenas é preciso ficar atento às curvas. Chegamos no tão esperado Perito Moreno e para nossa surpresa era o horário em que as excursões estavam indo embora, o que eu achei ótimo, pois quanto menos gente, melhor. Lá, tem uma placa com todas as trilhas que podem ser feitas pelas Plataformas. Ao todo, são 5, com tempos e níveis de dificuldade diferentes. Independentemente da trilha, as vistas são espetaculares. Se fizer silêncio você consegue ouvir barulhos como se fossem explosões, do gelo se desprendendo e caindo na água. De arrepiar.

      Minha vó acabou não descendo com a gente pois ficou com medo de se cansar muito na volta, além disso, o pessoal do hotel foi sacana e fez um terrorismo com o lance das escadas, disseram que era muito exaustivo, etc. Então eu e minha tia descemos pela trilha central, de cerca de 1h enquanto minha vó ficou no mirante lá do alto, perto do restaurante. Quando estávamos voltando acabamos descobrindo que tem um acesso diferente para pessoas com mobilidade reduzida para um mirante que é um pouco mais abaixo e melhor, mas já era bem tarde quando descobrimos e ela acabou não conseguindo descer. À noite voltamos para a cidade para comprar chocolates artesanais no centrinho e jantar. Eu comi no pior lugar da minha vida, um restaurante chamado San Pedro. Além do atendimento péssimo, o bife era muito duro e sem gosto. Fiquei com uma péssima impressão da comida Argentina, pois vinha comendo muito bem no Chile. Quando retornamos ao hotel tivemos uma desagradável surpresa: o padrão de tomada deles é completamente diferente do nosso e do chileno! Nós não tínhamos adaptador, então tivemos que pedir para deixar nosso celulares carregando na recepção.
      9º DIA - SÁBADO
      Fizemos uma reserva antecipada do passeio Rios de Hielo para conhecer mais glaciares do parque. Acordamos bem cedo, pegamos o carro e seguimos para o Puerto Punta Bandera, um acesso diferente do parque Los Glaciares de onde saem embarcações. Estávamos com poucos pesos argentinos e eu já sabia que a gente teria que pagar novamente a entrada do parque, mas não sabia se eles aceitavam cartão por essa outra entrada de acesso ao parque. Perguntei para a empresa que nos vendeu o passeio e eles não souberam nos informar (o que eu achei absurdo). Perguntei no hotel e eles nos disseram que aceitava. Pois bem, fomos até o tal porto e para nossa surpresa, a entrada do parque por esse acesso é apenas em dinheiro. Por conta disso, minha tia desistiu de fazer o passeio e voltou para a cidade, o que foi muito chato. O barco saiu do porto às 9h e foi navegando pelo lago argentino em direção ao primeiro glaciar, o Upsala. No caminho já é possivel ver vários icebergs enormes e todo mundo corre pra fora do barco para tirar foto, mas nesse dia estava nublado em bem frio, então tava difícil ficar muito tempo lá fora.


      Depois de um bom tempo de navegação chegamos ao Glaciar Upsala, ele é muito, mas muito grande. Não é permitido às embarcações chegar muito perto dele, pois ele está regredindo. Então o barco para em frente a um enorme bloco de gelo para as pessoas fotografarem. Em seguida, ele segue pelo outro braço do lago Argentino em direção ao glaciar Spegazzini, no caminho vemos mais diversos pedaços enormes de gelo até chegar bem pertinho do glaciar e para para mais um tempo de fotos.

      O passeio terminou por volta de 14h30 (sim, ele é bem longo e eu achei muito tempo de passeio, até um pouco cansativo). Depois descobri que tem um passeio de 1h de duração que visita outro glaciar, acho que teria sido melhor fazer este. Terminado o passeio retornamos ao centro de El Calafate para comermos e abastecermos o carro, pois voltaríamos no mesmo dia a Puerto Natales. Se eu já tinha achado a estrada cansativa na ida, a volta foi muito pior, pois choveu durante todo o trajeto. Para coroar nossa volta, o pessoal da fronteira do Chile nos pediu para tirar todas as malas do carro para passar no raio X, muito bom para quem já estava podre de cansada. rsrs
      Em Puerto Natales, já de noite, fomos direto para o restaurante comer (voltamos ao El Bote, pois gostamos muito da comida e do atendimento) e dormimos no mesmo hotel que havíamos nos hospedado antes.
      PUNTA ARENAS - SANTIAGO
      10º DIA - DOMINGO
      Acordamos bem cedinho, abastecemos o carro e pegamos estrada para Punta Arenas, rumo ao aeroporto. Nosso voo para Santiago era meio dia e chegamos por volta de 15h30. Como nosso voo para o Brasil era no dia seguinte, optamos por ficar hospedadas perto do aeroporto (Link do hotel: https://www.booking.com/hotel/cl/lq-by-la-quinta-santiago-aeropuerto.pt-br.html) Como tínhamos tempo de sobra, fizemos o check in e fomos de uber para o supermerado Jumbo, que fica dentro do Costanera Center. Lá tem uma adega excelente, com muitas opções boas de vinhos a preços ótimos. Fizemos as nossas compras, até comprei uma malinha de mão para trazer as minhas garrafas (trouxe 7 no total na bagagem de mão). Eles também te dão plástico bolha de graça para embalar os vinhos. À noite voltamos ao hotel, jantamos e retornamos ao Brasil no dia seguinte às 15h muito cansadas, mas felizes pela grande experiência que tivemos no Chile. Com certeza algo que levarei por toda a minha vida! Gracias, Chile!
       
       








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