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Dientes de Navarino : Uma mochila. Quatro dias. E muita chuva.

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Impulsionado por algum relato lido aqui, na procura de um lugar pra passar as férias depois de um ano bem atribulado no trabalho, resolvi passear no final do mundo. Primeiro, ia fazer a trilha até Plaza de Mulas, no Aconcágua. Muito caro. Ushuaia. Pareceu urbano demais. Torres del Paine. Estava melhorando. Mas será que tem algo além disso? Tinha...

 

Preparação: Navarino, pra quem está acostumado a fazer trilhas ou travessias de alguns dias, não apresenta dificuldade técnica. Não há grandes relevos nem trechos de escalada. Há dificuldade de orientação em alguns momentos, mas meu pior inimigo foi o clima. Levei tudo dentro sacos estanques e tudo tem que estar em algum recipiente impermeável. Escolha bem sua roupa de chuva, porque você vai estar com ela o dia todo, leve um par de meias pra cada dia e um par extra (mantenha os pés secos!) e muda de roupas pra dormir. Tive problemas com a barraca, que vou explicar mais além.

 

Obs.: Todos os guias de viagem recomendam fazer em cinco dias. Acho que quatro são suficiente, podendo fazer até em três se gostar de andar bastante (emendando dias 1-2, 3-4 e o 5 sozinho). No verão você tem por volta de dezoito horas de luz diárias, se considerar uma média de 6-7 horas de caminhada por trecho, emendando dois trechos ainda sobra luz ao final do dia. Na verdade, não estava muito afim de chegar duas, três da tarde nos acampamentos e ficar oito horas fazendo vários nadas dentro da barraca, debaixo de chuva até a hora de dormir. Conheci no hostel um francês que fez a travessia em DOIS dias, mas acho meio insano e... sinceramente, depois do trabalho que deu pra chegar lá você quer fazer tudo correndo?

 

Orientação: Levei um Garmin eTrex 30x com mapa do Proyecto Mapear e track do wikiloc, procurei a mais detalhada. Até dá pra se virar sem ele se não tiver neve no caminho, mas alguns trechos são um pouco confusos. Também foi junto o Guia de Trilhas Trekking (Vol. 2) da ed. Kalapalo como backup, caso ficasse sem baterias. Acabei consultando os dois em algumas horas... Vale lembrar que só nevou no último dia.

Vi que muitos gringos usavam bastante o aplicativo MAPS.ME no celular. Usei o Strava pra registrar a caminhada, mas no final do terceiro dia fiquei sem bateria, mesmo com power bank. Acho que esqueci de carregar completamente antes de sair.

 

Comida: Liofilizado para 6 dias (sou meio paranóico com ficar perdido e achar que vou ficar isolado do mundo por dias até ser resgatado, então levo comida extra sempre) - usei aquela dica de fazer a refeição principal antes de sair, de manhã, e deu super bem. Fiz sempre o equivalente a duas porções/dia (1 refeição pra 2 pessoas ou misturava 2 porções individuais). Um sachê de capuccino pra cada manhã e um envelope de sopa de caneca pra cada noite. Além disso, comprei no mercadinho um pacote de frutas secas pra comer no caminho, meia dúzia de pão sírio pra comer com a sopa e um salame.

 

Água: o primeiro dia é meio escasso, então saí do hostel com 2l (1l na garrafa e 1l no reservatório). Do primeiro acampamento em diante a água é abundante e limpa, não precisa se preocupar em estocar muito. Pegue água dos córregos e degelos, evite das lagoas (pode haver cocô de animais, eles nadam, moram lá, etc). Levei pílulas de cloro mas não utilizei.

 

Algumas coisas que falaram pra levar porque ia ser importante e não usei:

 

Repelente: Falaram que tem insetos mil, era indispensável, leve litros, existem nuvens voadoras que fazem o céu ficar preto, aquele exagero todo. De fato tem bastante insetos próximo ao lago e nos bosques, mas eles não incomodaram nem fui picado.

Lanternas: nem de cabeça nem de barraca - como tive só 4 horas de escuridão lá e não escurece 100%, só ocupou espaço...

Protetor Solar: a radiação é terrível neste ponto do planeta, mas os dias estavam sempre nublados (quando não chovendo). Como estava coberto da cabeça aos pés com capa de chuva, só haveria necessidade de passar no rosto. Usei no primeiro dia e só.

 

Fora isso, kit de primeiros socorros, kit de costura e reparos, kit de higiene, kit banheiro. Usei pouco esses, felizmente. Ah, não esqueça da garrafa de gatorade pro pipi móvel...

 

Acesso: Existem três formas de chegar à Isla Navarino e Puerto Williams:

 

  • Via Ushuaia, marítimo: Existem agências que fazem a travessia do canal, se não me engano custa uns US$ 120 e eles te deixam em Puerto Navarino (cerca de 50km de Puerto Williams, leva umas duas horas de carro porque a estrada é péssima). Uma van vai passar lá pra levar vc até a cidade e tem que marcar depois o transfer pra volta. Não sei muitos detalhes, mas o brasileiro que encontrei no hostel me disse que a agência obrigou a fazer uma venda casada e comprar uns pacotes de passeios junto. Isso e mais além de ter que fazer duas vezes aquele trâmite de fronteira não muito amigável não me agradam. Além disso, ele disse que teve que sair atrás dos carabineros porque não tinha ninguém no atracadouro… enfim, preferiria por outros métodos;
     
     
  • Via Punta Arenas, aéreo: A DAP (https://dapairline.com/) possui voos regulares de Punta Arenas para Puerto Williams (Aeropuerto Guardia Marina Zañartu - WPU). A informação que tive à época da pesquisa (maio/16) foi:
     
    Voos de segunda à sábado saindo de Punta Arenas às 10h e retorno às 11:30.
    Ida e volta: CLP 143.000
    Somente Punta Arenas - Puerto Williams: CLP 75.000
    Somente Puerto Williams - Punta Arenas: CLP 68.000
    Franquia de bagagem: 10kg
     
    As desvantagens são: poucos assentos - normalmente é um Cessna bimotor ou, se não me engano, uma vez por mês vai um jato BAe que tem maior capacidade; e o limite de carga. Dá pra negociar o excesso de bagagem, mas como estava com 22kg de mochila e mais uma a tiracolo, não quis arriscar. Optei pelo próximo serviço, que é…
     
     
  • Via Punta Arenas, marítimo: Mais detalhes no post que fiz separado:
    http://www.mochileiros.com/de-punta-arenas-a-puerto-williams-30-horas-no-yaghan-fotos-t140661.html

 

Cidade: Puerto Williams é uma cidade minúscula (cerca de 2200 habitantes), que está em processo de modernização. Há várias obras de pavimentação e percebe-se que mais ao fundo da cidade as casas são novas. Boa parte dos moradores têm alguma relação com as forças armadas, visto que é um ponto estratégico de defesa chileno (frequentemente você vai encontrar algum navio da marinha patrulhando a região). Lá tem um de cada. Um banco, uma agência dos correios, uma agência de turismo, um hospital, alguns mercadinhos, alguns restaurantes… assim vai. A cidade parece ser movida a lenha, por onde você andar vai ver pilhas e pilhas estocadas para os aquecedores.

 

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Hospedagem: os estabelecimentos são, em sua maioria, casas convertidas em pousada. São estabelecimentos simples e confortáveis. Fiquei hospedado no Pusaki, onde a Patty, uma senhora adorável que visitou várias vezes a Europa nas suas férias, entende um pouco de francês, enrola um italiano, mas não sabe nada de inglês. A pedido, ela faz um jantar com centolla fresca que parece sensacional (eu estava no modo econômico, então só fiquei vendo o pessoal deglutindo o crustáceo enquanto roía meu miojo trilheiro). Paguei CLP 15.000 pela cama em um quarto para seis pessoas e há opção por quarto duplo com banho separado (CLP 45.000). Café da manhã simples incluído, normalmente ela não faz almoço pros hóspedes. Jantar CLP 12.000, jantar com centolla CLP 15.000. P.S> Se souber arranhar um francês ou quiser trocar uma idéia sobre europa, vai ajudar a ganhar a simpatia dela.

 

Cheguei na virada de 30 para 31/12 à meia-noite. Fui direto ao hostel, dia seguinte fui me registrar nos carabineros, passei no mercadinho ao lado pra comprar pão, comprei uns postais pra escrever no caminho, voltei pro hostel pra revisar o equipamento, fechar a mochila e deixar no hostel as coisas que não ia usar. O tempo não deu muita trégua, nublado por volta de 5-10 graus e às vezes caía uma chuva fininha bem chata. Fiquei meio apreensivo de achar que ia pegar o tempo todo assim, mas paciência. Como era ano novo, rolou um jantar especial, churrasco e vinho. Fui dormir cedo porque amanhã começava a aventura.

 

Continua...

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E vamo que vamo!

 

Dia 01: Puerto Williams - Laguna del Salto (12.8km; distância dada pelo GPS)

 

01/01. Feliz ano novo! Estava tudo pronto, então levantei, tomei meu último banho por uns dias (ou o primeiro do ano) e pé na estrada. Do hostel até o começo da trilha (cascada robalo), é uma caminhada de mais ou menos uma hora. A trilha até o Cerro Bandera é fácil e bem demarcada, tirando que eu fui pro lado errado, peguei a rota do lado esquerdo, que é mais longa. Mas depois da bandeira, você segue a trilha pelo lado direito da encosta. Encontrei alguns desmoronamentos pelo caminho, mas é só seguir com cuidado que não tem problema. A dica aqui é estar sempre acima da linha das árvores que não tem erro, ao final vc desce até a lagoa. Este é o trecho com menos oportunidades de água, então achei melhor sair com a garrafa cheia (1l) e mais 1l no reservatório.

 

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Vista desde o Cerro Bandera:

 

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Lengas. Eu odeio lengas:

 

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Há duas possibilidades de acampamento: na beira do lago e outra depois, subindo o morro. A segunda opção é possível caso não tenha lugar no lago. É um terreno menos úmido, mas mais duro. E a vista não é tão legal ;)

 

Laguna del Salto:

 

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Dia 02: Laguna del Salto - Laguna Escondida (9km)

 

O dia começou subindo ao lado da cascata, passando pelo Paso Primero, Paso Australia, Paso de Los Dientes, contornando a Laguna de los Dientes. Aos pés da laguna está o Cerro Gabriel, um monte rochoso triangular piramidal. É possível fazer um ataque ao cume, mas resolvi seguir reto. Atravessei o vale e cheguei até Laguna Escondida. É nesse trecho que se encontram as vistas mais bonitas viradas para o sul, onde é possível avistar o lago Windhond, Cerro Bettinelli e dizem que dá pra ver até o lendário Cabo de Hornos num dia bom.

 

Cerro Bettinelli (à esquerda):

 

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Paso de Los Dientes - Laguna del Pinacho:

 

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Cerro Gabriel:

 

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Laguna Escondida. Encobertos, los Dientes:

 

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Dia 03 - Laguna Escondida - Laguna Martillo - Laguna Los Guanacos (19.8km)

 

Esse foi o dia!

 

Aviso: Começa aqui a ~~~~~LONGA NARRATIVA DRAMÁTICA do dia 3, se você não tiver saco é só pular. Resumo: Fiquei todo molhado, tive hipotermia e cheguei na Laguna Los Guanacos debaixo de neve e ventando forte.

 

Então. Pra começar: saí de casa com a barraca errada. No meio desse planejamento da viagem, tinha esquecido da barraca, atualmente só tenho uma de quatro estações de parede única. E daí? Quatro estações deve aguentar primavera, verão, outono, inverno, certo? Errado. Não sei quem foi o energúmeno que inventou essa denominação, mas as quatro estações de uma barraca desse tipo são: frio, neve, vento e altitude (?). O pessoal mais experiente sabe que barracas de parede única, em tempo úmido (e chuvoso, vai), condensam por dentro por causa da diferença de temperatura. E descobri que o saco de dormir também condensa! E isolantes infláveis também condensam por entre as ranhuras! Enfim, quando percebi era tarde demais e acabei indo com ela mesmo. Já meio que sabia o risco que corria (crianças, não tentem repetir). A noite na Laguna del Salto foi tranquila, só teve um pouco de umidade. Na Laguna Escondida choveu bastante. Imaginem a minha alegria de acordar com a barraca toda empoçada, saco de dormir úmido (com recheio de pena, imaginem a merd* que ficou), tendo que empilhar e ajeitar as coisas pra não molhar mais ainda. Saí com o dia nublado e não tive como secar nada. Baseado nisso, resolvi tentar maximizar o tempo de trilha, tentando caminhar o máximo possível pra tentar cortar talvez um dia. Às vezes as nuvens davam uma brecha e mostravam um projeto de sol durante a manhã.

 

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Castorera + chuva:

 

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Saí no mesmo horário dos outros dois dias, por volta de 8:30. Depois de muito sobe e desce, chego à Laguna Martillo cedo, lá pelas 14h. Baseado na experiência dos outros dias, sabendo que tem luz praticamente até as 22h, resolvi seguir em frente. Ignorando a rota que manda passar pelo acampamento, segui costeando o lago. O caminho não é muito óbvio algumas horas. O dia foi inclemente. Começou nublado, abriu o sol, fechou, choveu, abriu, granizo, chuva, granizo e mais chuva até o começo do infame Paso Virginia. No último trecho antes de chegar lá, você faz uma escalaminhada no bosque entre raízes e poças de lama que vão te afundar até o joelho, se não enxergar onde está pisando. Tudo isso debaixo de chuva. Depois de tudo isso, começa a subida ao Cerro Virginia. E aí começou a bater um vento forte muito gelado e vem a neve pelas costas. A subida, a essa altura, é extenuante, ainda mais depois do último trecho no bosque. Depois de tanto chove e venta, ensopado e gelado, somado com uma noite ruim (ou duas), o cansaço começa a bater. Eu não estava mais raciocinando direito. As pontas dos pés e das mãos começaram a congelar, perdi a força pra segurar os bastões, a boca secou. "Hipotermia", pensei. Estava já sem água, apesar de estar ao lado de um córrego, proveniente do degelo de um campo de neve próximo. O cansaço não me deixava parar pra descer a mochila e alcançar a garrafa d’água, só pensava em chegar à laguna. Comecei a andar em linha reta, ignorando os totens que estão ora pra lá, ora pra cá. Vi um círculo de pedras onde provavelmente foi feito um acampamento de emergência. Paro pra respirar, sento numa pedra e penso. A neve caindo e o vento batendo. A essa hora já desisti da câmera, porque é todo aquele ritual de senta, encosta a mochila, tira a capa, abre a mochila, pega a câmera, fecha a mochila, fotografa, coloca de volta, fecha, bota a capa, apóia a mochila, sobe nas costas. Fico olhando pro círculo. Acampo aqui ou não? Não sei se falta pouco. Olho pro GPS. Deviam faltar uns dois quilômetros em linha reta, o que não queria dizer absolutamente nada. Olho pra frente. Só subida num caminho árido, o Cerro Virginia deste lado é uma paisagem marciana. A musculatura estava começando a esfriar e precisava decidir rápido. Minha cabeça estava pregando uma peça e devia seguir em frente porque, se ficasse aqui, ia ser uma fria (literalmente), porque não tinha abrigo nenhum contra vento. Não pensei no pior que podia me acontecer, só queria chegar ao local pré-definido pra acampar e trocar de roupa. Sigo em frente, mas ainda olho três ou quatro vezes pra trás, como se fosse um cachorro que tivesse abandonado e estivesse arrependido. Ando mais um tanto arrastando os pés e as mãos não têm mais forças pra fazer o grip de segurar o bastão quando vejo o Hito 34, que marca o fim do Paso e o começo da descida. O visual é lindo, de todas as lagunas por onde passei acho que essa é tem a vista mais fantástica. As imagens ficaram na memória, porque sem bateria no celular e com a câmera na mochila, só voltando lá (será que volto?). Lembrei da dica do guia do Cavallari de não chegar próximo à borda e ir escorregando. A descida é fácil, você vai descendo-deslizando-patinando a encosta íngreme. Alguns vários tombos se seguiram, pela falta de forças nas pernas, mas o objetivo está próximo. Contorno a lagoa pelo lado esquerdo e chego até um pequeno palanque de observação, onde já há duas barracas montadas atrás. A neve começa a cair mais forte, empurrada pelo vento. Tento montar a barraca o mais rápido possível porque estou congelando, mas o vento e as mãos sem força não ajudam. Mesmo ancorando nas pedras, levo uns 20 minutos pra conseguir armar a barraca. Pela primeira vez na trilha experimentei o infame vento polar patagônico, que vinha rugindo lá do paso onde estava, descia a montanha e explodia com tudo na barraca. Dava pra ouvir o ribombar do alto do morro e contar até a hora que ele batia na lona. Tão logo ficou pronta, atirei-me (literalmente) na barraca e fiquei tremendo lá dentro. Lembrei da água. Enchi a garrafa no lago e corri de volta a tirar as roupas molhadas. Não tinha mais NADA seco, à exceção de umas peças de roupa (meias, uma camiseta e fleece) que estavam dentro do saco estanque mais reforçado, e estavam um pouco úmidas de condensação. Com o saco de dormir molhado, dei graças por ter trazido um cobertor de emergência aluminizado. Coloquei entre meu corpo e o saco de dormir, na esperança de reter calor enquanto cozinhava algo quente. Ajudou em termos, mas ajudou. Depois de esquentar a água, deixei o fogareiro ligado entre as pernas cruzadas um pouco mais pra ver se descongelava as extremidades. Enquanto isso, descubro que os ocupantes das duas barracas são todos do mesmo grupo (vou descobrir depois que são todos estrangeiros morando em NY), mas os da barraca menor desistiram por medo dos ventos. Desmontaram acampamento e foram procurar um lugar mais abrigado abaixo. Foi uma noite terrível, dormi pouco porque estava tremendo de frio. Desci dois antigripais pra ver se ajudavam e apaguei. Mas estava bem porque sabia que havia feito a coisa certa, não parando naquele campo aberto no alto do paso e faltava só mais um dia.

 

~~~~~~~~~~~~~~~~ FIM DO DRAMA

 

Patinhos pra descontrair:

 

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Manhã cedo na Laguna Los Guanacos:

 

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Último dia: Laguna Los Guanacos - Pesquera MacLean - Puerto Williams (13.2km)

 

Acordei com os vizinhos desmontando acampamento. Botei a cara pra fora da janela e estava tudo coberto de neve. Resolvi enrolar um pouco mais, fiz café, comi e enfim saí da barraca. Por causa da neve que caiu até a manhã e me acompanhou por mais um tanto, a temperatura despencou. Complementei o look do dia (que era o mesmo do dia anterior e do outro) com o fleece, balaclava e gorro.

 

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O último dia é basicamente descida, você passa pela Laguna Las Guanacas, alguns bosques e um longo trecho da coisa que eu mais odeio em trilhas (já desde aqui no brasil): pular troncos. E são centenas deles, ao longo do rio. E são troncos enormes. Caminhar com uma mochila enorme e pesada por si só já é difícil. Transpor um obstáculo com ela é um desafio: você não tem noção das dimensões da mesma e a sua mobilidade e equilíbro estão restritos. Resultado: Algumas horas tinha que parar, jogar uma perna, jogar o corpo e olhar cuidadosamente onde iria cair. Vários muitos tombos depois (que foram progressivamente ficando mais artísticos - pra descontrair comecei a dar notas para mim mesmo e tentar ver qual queda arrancaria mais risadas em um programa de videocassetadas), cheguei a um descampado. Já conseguia ver o canal Beagle ao fundo: era só descer reto que alguma hora, de qualquer forma, chegaria ao meu destino. Vários muitos terrenos alagados, vários muitas quedas, incluindo um buraco onde afundei até a cintura na lama e quase deixei as botas e sem trilhas definidas depois, sempre descendo, você chega onde estão as fazendas - creio eu, porque não vi viva alma a não ser os gringos que estavam acampando lá em cima, e um labirinto de trilhos de gado, cocô de gado, poças de água com cocô de gado, pilhas de cocô de gado, charco alagado com cocô de gado. Acho que até hoje tem esterco grudado nas polainas... Curiosamente, não vi nenhum gado. Mas segue-se descendo até chegar num galpão velho, abandonado. Este é o Pesquero MacLean. De lá, são aproximadamente oito quilômetros intermináveis até a cidade e fim da aventura. Cheguei no hostel, larguei tudo pelo caminho, enlameado mesmo (disse a Patty que não tinha problema, devia acontecer com frequência) e corri direto pra aquecedor. Se pudesse, teria dado um abraço nele. Vi a expressão dos recém-chegados que vão se aventurar ao me ver nesse estado e dei risada. Tomei um banho quente demorado, abri uma cerveja, dei uma volta sem que ter que carregar 25kg nas costas, me atirei na cama quente e macia. E no dia seguinte passei nos carabineros pra dar baixa.

 

Pula tronco, pula!

 

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::love::

 

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Recomendações gerais:

 

  • Registrar sua saída e retorno junto aos Carabineros (Piloto Pardo, 287);
  • Esteja preparado pra qualquer tempo - especialmente chuva e neve;
  • Levar bastões, serão bem úteis. Eu não tinha costume de usá-los e ajudaram demais;
  • Se faltar algum equipamento, procure na Turismo Shila para alugar/vender. Os mapas são meio antigos.
  • Leve algum dispositivo de orientação, e SAIBA usar (tem gente que acha que GPS faz tudo né). Leve outro de reserva, pode ser um mapa, bússola, até celular com wikiloc e carregador. Tive sorte de não pegar neve na maior parte, mas teria bastante trabalho se fosse pego pela tempestade a partir do segundo dia. Um brasileiro que conheci no hostel (Alô Gilberto, você está aqui?) só conseguiu ir até Laguna del Salto e teve que dar meia volta, porque tinha neve até os joelhos.

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Muito legal, parabéns pelo perrengue!!!

Essas são as melhores histórias, as que lembramos até o final de nossas vidas, que irmos contar dezenas de vezes para nossos netos, e eles vão falar "de novo a história de Navarino vô!" ::otemo::::Cold::::mmm:

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Muito legal, parabéns pelo perrengue!!!

Essas são as melhores histórias, as que lembramos até o final de nossas vidas, que irmos contar dezenas de vezes para nossos netos, e eles vão falar "de novo a história de Navarino vô!" ::otemo::::Cold::::mmm:

 

 

Hahahah obrigado Otávio e SIM, já devo ter contado a mesma história umas três vezes pra algumas pessoas, deve ter gente que não aguenta mais ouvir desse lugar ::lol4::::lol4:: Juro que vou me conter um pouco... e talvez voltar lá pra complementar o relato com outras informações ::dãã2::ãã2::'> (tem doido pra tudo né, até pra passar perrengue!)

 

::tchann::

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Fantástico Eduardo... já li seu relato umas 5 vezes... to juntando uma turma de doido aqui pra fazer junto! Suas informação foram valiosas!!!

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    • Por TMRocha
      Estou aproveitando esse espaço para contar um pouco de como foi a minha experiência de intercâmbio nesse país que é tão próximo de nós, mas mesmo assim tão diferente.

      Entenda um pouco sobre a experiência que obtive após estudar espanhol por um mês no Uruguai.
       
      Para não perder tempo, estou dividindo os tópicos desse dessa forma:
      1) Alguns dados interessantes do Uruguai; 2) Por que estudo Espanhol?; 3) Minha Experiência de Intercâmbio no Uruguai; 4) Minhas Considerações. Após isso o Índice dos posts dessa viagem; E por fim o relato propriamente dito! 1) Alguns dados interessantes do Uruguai
      O Uruguai é um país pequeno e muito charmoso, com cidades arborizadas, campos extensos, praias limpas e um povo muito cordial e amistoso. O país faz fronteira com a Argentina e com o Brasil, no estado do Rio Grande do Sul.

      Os verões são quentes, com temperaturas que variam entre os 23 e 38ºC, já os invernos são frios e a temperatura gira ao redor dos 15ºC, com algumas madrugadas geladas abaixo de zero. Com um clima temperado, o Uruguai possui estações bem definidas, atendendo a todos os gostos.

      Os uruguaios gostam de futebol, mate e churrasco. É muito comum vê-los com uma garrafa térmica sob o braço e o mate na mão andando pelas ruas, nos shoppings, em todos os lugares. São pessoas alegres, receptivas e solícitas, que estão sempre prontas pra ajudar.

      Mate uruguaio.
      O país conta com pouco mais de 3,3 milhões de habitantes, sendo que destes, 1/3 vive na sua capital, Montevideo. A economia é estável e vale ainda citar que o Uruguai é um dos países mais seguros e possui uma das mais altas taxas de qualidade de vida de toda a América do Sul.

      Fonte Pesquisada:
      http://www.brasileirosnouruguai.com.br/conheca-o-uruguai
      2) Por que estudo Espanhol?

      Olá, me chamo Thiago e acho que deve fazer ao menos uns três anos que estudo espanhol  [04/10/2017] e pouco a pouco estou melhorando meu conhecimento nesse idioma tão interessante. Com o espanhol tive a oportunidade de conhecer outras culturas que antigamente estavam fechadas para mim.

      Vestimenta típica para festas musicais de alguma região do Equador.

      Touradas, na Espanha.

      Murga, uma apresentação típica do carnaval uruguaio.

      Festa dos Mortos, no México.
      Descobri novos povos, outras comidas típicas que antes não fazia ideia que existiam e ainda tive a oportunidade de me aventurar por um novo país: o Uruguai, onde fiquei morando por um mês em uma casa de família super simpática enquanto estudava espanhol de forma intensiva em uma academia de ensino uruguaia.
      3) Minha Experiência de Intercâmbio no Uruguai
      Minha ideia inicial era fazer um intercâmbio junto ao CACS para a Espanha, mas como a crise estourou pesado em 2014 esse plano acabou caindo por terra, então continuei juntando mais algum dinheiro e resolvi fazer isso por conta própria junto a CVC, e numa das opções apareceu o Uruguai, país que decidi passar um mês inteiro realizando o intercâmbio de espanhol.

      Montevideo, capital do Uruguai.
      Lá fiz muitos passeios pela capital Montevideo e ainda conheci outras cidades próximas como Punta del Este, Colonia del Sacramento e Salto del Penitente (em Minas). Nesta última cidade andei a cavalo, me aventurei em uma tirolesa e até me arrisquei num rapel [que na verdade foi uma falha total!].

      Academia Uruguay, onde estudei no meu intercâmbio.

      Praça Independência, Montevideo.

      Monumento Los Dedos, em Punta del Este.

      Colônia do Sacramento, vista do alto de um Farol.



      Nas últimas três fotos acima: Eu me arriscando nos esportes de aventura em Salto del Penitente, no Uruguai.
      Com o intercâmbio conheci mais do comportamento dos uruguaios e descobri que eles são um povo incrível, cultos, organizados, super trabalhadores, que gostam da natureza e realmente amam o seu pequeno país.
       
      E claro, como um bom viajante também passei por alguns perrengues mais complicados, em especial para me adaptar com o clima e a comida típica do país, que é muito diferente da brasileira.

      Milanesa Pollo Napolitana con fritas.

      "Pasta". Esse é o nome que os uruguaios dão para o macarrão.

      Carne de Javali, uma iguaria típica de Salto del Penitente.
      O mais importante é que tive boas experiências que serão lembradas por mim até o meu último dia de vida. Mesmo em todo esse texto não foi possível relatar sequer um décimo do que fiz e do que senti por lá. Resumindo...
      "Ter a oportunidade de aprender um novo idioma é o mesmo que se abrir para novas oportunidades no presente e no futuro."
      Acho que isso resume um pouco do aprendizado que tive por lá. E pensando nisso, resolvi organizar esse tópico para que incentive novos viajantes ou até mesmo outras pessoas que pretendam aprofundar mais o seu conhecimento nessa língua.

      Sem mais delongas, abaixo estou colocando o índice organizado de toda essa maratona que fiz por lá, sem claro, deixar de ensinar um pouco do espanhol também e contando praticamente tudo que aconteceu no país, desde a minha saída do Brasil até a chegada no outro mês.E para fechar com chave de ouro, só falta esse assunto
      4) Minhas considerações:

      Desejo um agradecimento especial à família que estava me hospedando: O Álvaro, a Stela, a Fernanda e também aos dois hóspedes gringos que ali estavam e me ajudaram muito, o Míchel da Suíça, e a Kelsy, dos Estados Unidos. E também para toda a equipe da Academia Uruguay que me ajudou bastante.
       
      Desejo que todos vocês aproveitem a vida, trabalhem bastante e que viagem sempre que puderem. A todos os leitores, espero que tenham sempre uma boa viagem!
       
      A seguir:
      - Índice do Relato dessa viagem;
      - Relato propriamente dito.
    • Por peresosk
      Esta viagem foi a última parte da viagem que fiz pela Ásia, então claro não tem preços dos voos do Brasil, isto vai depender de cada um.
      Vamos aos números que muita gente gosta de saber.
      O Roteiro
      TURQUIA - IRÃ - VIETNÃ - LAOS - TAILÂNDIA - MALÁSIA - SINGAPURA - FILIPINAS - COREIA DO SUL - RÚSSIA
      A Rota dentro da Rússia
      Vladivostok – Khabarovsk (13h48 de viagem – R$ 84,68)
      Khabarovsk  – Chita (42h10 de viagem – R$ 211,76)
      Chita – Ulan-Ude (10h27 de viagem – R$ 50,66)
      Ulan-Ude – Irkutsk (06h43 de viagem – R$ 46,14)
      Irkutsk – Novosibirsk (32h11 de viagem – R$ 103,81)
      Novosibirsk  – Omsk (08h36 de viagem – R$ 52,94)
      Omsk – Tyumen (07h48 de viagem – R$ 49,78)
      Tyumen  – Yekaterinburg (05h27 de viagem – R$ 36,31)
      Yekaterinburg – Vladimir (25h31 de viagem – R$ 94,65)
      Vladimir – Moscou (01h42 de viagem – R$ 12,91)
      Moscou – St. Petersburgo (11h35 de viagem – R$ 52,04)
      St. Petersburgo – Kaliningrado (01h35 de viagem (avião) – R$ 180,77)
      Quando: Março e Abril de 2018
      Dias: 58
      Noites em Hostel: 1
      Viagens Noturnas: 6
      Couchsurfing: 51
      Valor Gasto em Real: R$2162,94 ($675,92)
      Média Diária em Real: R$37,29 ($11,65)
      Planilha com todos os gastos: https://goo.gl/JtTho9
      Meus Vídeos no Youtube: LINK AQUI
      O Trailer

      VLADIVOSTOK (3 DIAS)
      Como eu cheguei até a Rússia é outro assunto, hoje você vai assistir um relato de como foi viagem durante 58 dias no maior do país do mundo.
      Voo da Coreia do Sul direto para Vladivostok, pousei em um dia com sol e temperatura por volta de 1 grau, inesperado para 4 de março. Para sair do aeroporto nada de táxi pois isto é coisa para turista, um mini bus me levou direto para a estação de trem onde meu primeiro anfitrião estava me esperando, Vladivostok fiquei 3 noites e foi o suficiente para ver o que a cidade tinha para oferecer e claro conhecer pessoas, a Rússia ficou marcada por isto, dúvida?
      Meu anfitrião não é a pessoa mais simpática do mundo, mas logo no primeiro dia conheci Ana que falava espanhol, japonês e russo é claro, nada de inglês. Ela trabalha em uma multinacional japonesa e dá aulas de espanhol, a explicação é meio lógica, Vladivostok fica do lado do Japão e existem muitas empresas e carros japoneses circulando em toda a Sibéria inclusive até Irkutsk, falo isso pois a direção dos carros fica na direita. Ana me levou a uma fortaleza antiga que defendia a cidade até 1991, não tenho imagens pois praticamente congelei naquela noite com temperaturas próximas dos -20 e um vento assustador.
      No outro dia começou muito bem com Elena, uma pessoa divertida demais que fomos andar sobre o mar congelado, lembrando que fui viajar no final do inverno, o que não significa calor na Rússia.
      Foi um dia muito especial praticamente me avisando do que seria esta viagem, teve comida mexicana, restaurante fino, chocolate com sal e claro mais uma amizade do mundo.

      Uma das novas pontes da cidade, Vladivostok estava fechada ao turismo até 1991

      Elena foi uma das novas amigas da Rússia, mais uma que ama o Brasil

      O mar congelado junto com o inverno Russo
      A estação de trem de Vladivostok tem a icônica placa com o número 9288, significa a distância de trem até Moscou, mas eu não segui exatamente a rota da transiberiana, antes do momento do embarque fui com o Leo ver o farol do mar congelado e aquele local parece cena de filme.

      A placa com 9288 km até Moscou

      O farol que serve para guiar embarcações
      Primeiro destino definido, Khabarovsk fica a 14h48 de Vladivostok e as por volta das 5 da tarde embarquei com neve para a minha primeira jornada na Rússia, foi curta se comparar com o que vinha pela frente. Logo do inicio da viagem presenciei uma das cenas mais bonitas da minha vida, uma senhora de dentro do trem despedindo-se de seus parentes e assim começou a vida nos trens russos. Vagão novo e foi bem vazio, mas esta maravilha não seria frequente depois de algumas viagens.

      Submarino S-56 utilizado em guerra, hoje é um museu

      O vagão da terceira classe, a platzkart

      Ainda na estação uma das placas mais esperadas da minha vida, hora de embarcar

      Na praça central tem o Monumento aos combatentes pelo poder soviético
    • Por Lljj
      Assisti esse filme quando tinha uns 11 anos de idade. Na época, enquanto os créditos finais subiam na tela, me via profundamente incomodada com o que eu era, o que fazia e o que estava fadada a me tornar. Minha vida não era motivo de orgulho.
      Para uma pré-adolescente é difícil conseguir começar de novo, afinal a vida sequer havia começado, e meus responsáveis seriam contra uma viagem solo de autodescoberta. Conforme os anos passavam, esta insatisfação se aprofundava dentro de mim. Para driblá-la, eu seguia o caminho básico de qualquer pessoa que almeja ser razoavelmente bem-sucedida: não repeti na escola, trabalhei desde cedo, fiz cursos variados e dei o meu melhor para não desapontar aqueles que me amavam. Ainda assim, todas as vezes que realizava alguma conquista, esta era ofuscada pela sensação de vazio. Não me orgulhava delas.
      O problema não era a minha vida, não realmente. O problema era que aquela não parecia ser a minha vida. Nada era como eu queria que fosse, e sim como os outros esperavam que eu quisesse. Seguindo indicações alheias, acabei estudando um curso superior que desgostava e trabalhando em um escritório insuportavelmente tedioso e restritivo. “O que mais poderia querer em tempos de crise?”, me questionava. E, mesmo assim, não me orgulhava de nada daquilo.
      Uma profunda autoanalise e o auxílio de uma coaching foram necessárias para que enxergasse a razão da minha infelicidade: eu encarava o mundo de forma negativa. Nada seria satisfatório enquanto insistisse em dar voz ao pessimismo que sussurrava nos meus ouvidos. A partir daí, passei a travar uma feroz batalha interior para descobrir que pessoa poderia me tornar sem essa negatividade nublando as minhas decisões.
      Agora posso até dizer que sempre entendi esse trecho do filme pela perspectiva errada. Me concentrava tanto em “espero que tenha uma vida da qual você se orgulhe” que ignorava o “nunca é tarde de mais para ser quem você quiser ser”. Engraçado, né?
      Ainda não sei o que quero ser e, pela primeira vez, não estou com pressa em saber. Bem, “não há regras para esse tipo de coisa”! Então, com toda a coragem que percebi possuir, iniciei o Projeto Preciosas.
      O projeto envolve duas paixões pessoais: escrita e viagem. Escrever é meu ponto de equilíbrio, o que me impede de correr pela rua arrancando os cabelos da cabeça. Viajar é algo que vivencio desde que aprendi a ler, pois a leitura já me transportou a incontáveis lugares.
      Preciosas é o título de uma série de romances que venho desenvolvendo há longos anos. Apenas nos últimos meses que me permiti idealizar uma viagem baseada nos cenários das histórias, que se passam no Rio Grande do Sul.
      A viagem, ou melhor, expedição, iniciará em agosto/2018. Serão três meses circulando por diferentes cidades gaúchas, e mais três cruzando o Sul do Brasil até regressar ao meu estado natal. Comprei as passagens de avião em março – só de ida –, e cada dia que me aproxima da data de partid a me traz mais certeza, mais confiança, de que enfim tomei uma decisão por mim mesma. Ainda que rolar uma merda estratosférica, terei o consolo de ser a única responsável e não mais ser teleguiada pelas indicações dos outros.
      O slogan Na trilha da insensatez se refere exatamente a isso. Estou seguindo o caminho tortuoso da autonomia, realizando algo que todos ao meu redor acreditam ser uma loucura. Aonde essa estrada me levará? Acredito que até ao fim. Não tenho medo... pelo menos não muito. Mas há uma satisfação, um orgulho, em saber que estou me tornando a pessoa que sempre quis ser.
       
      Post original em https://www.lljj.com.br/
      Imagem em Pixabay
    • Por BrunaKC
      Depois de 5 meses de planejamento, no primeiro dia do ano peguei um avião rumo à Patagônia!
      Eu deveria estar super feliz, mas ao invés disso eu estava triste e com um nó enorme na garganta.
      Foi minha primeira viagem sozinha. Desejei tanto essa viagem e no meu ímpeto de conhecer o mundo me esqueci que, na verdade, eu sou uma pessoa tímida. É uma luta brava ter que interagir com desconhecidos. Mas não tinha mais jeito. Bastaram 5 minutos de coragem insana. Fui. Ainda bem.
      A viagem durou 17 dias, que dividi - não proporcionalmente - entre a Patagônia Argentina e a Patagônia Chilena.
      Fiz o roteiro da seguinte forma: São Paulo ⇒ El Calafate ⇒ El Chaltén ⇒ Puerto Natales ⇒ Torres del Paine ⇒ Punta Arenas ⇒ Ushuaia ⇒ São Paulo.
      Cheguei em El Calafate pela manhã, peguei um transfer no aeroporto - que custou 180 pesos - deixei minha bagagem no hostel e fui conhecer a cidade. A cidade é pequena, a rua principal me lembrou Campos do Jordão, só que mais simples. Apesar disso, os preços são bem salgados por lá. Os mercados não tem tantas opções e os restaurantes, em grande variedade, também não tem preços muito convidativos. Li muito sobre cada um dos destinos e fui distribuindo os dias de acordo com os meus objetivos em cada um desses lugares. 
      Na volta, almocei num restaurante chamado Rutini: sopa de abóbora, um filé a milanesa napolitano com fritas e uma Quilmes. Paguei 430 pesos. Algo em torno de 60 reais.Caminhei por aquelas ruas tranquilas até o Lago Argentino. Fiquei um bom tempo lá fotografando e sentindo o vento bater no rosto. Vi alguns flamingos de longe e também vi alguns canos de origem duvidosa desembocando no lago. Uma pena. 
      Gastei mais 300 pesos no mercado comprando frutas, amendoim, suco, água, um pacote de pão, um pote de doce de leite e uma peça pequena de mortadela. Isso foi meu almoço, janta e lanche para os próximos dias.
      Em El Calafate meu principal - para não dizer único - objetivo era conhecer o Glaciar Perito Moreno, uma das maiores geleiras do mundo. Então comprei um passeio na própria recepção do hostel: Tour Alternativo Al Glaciar Perito Moreno. Esse passeio, além de levar ao parque, passa por um caminho "alternativo", vai por dentro da Estância Anita, atravessada pelo rio Mitre, a maior e mais importante da região. O tour é muito atrativo porque o ônibus vai parando na estrada, os turistas descem e tiram fotos à vontade e os guias vão contando histórias - muito interessantes, sobre a colonização da província - que você não saberia de outro modo. O tour custou 800 pesos e o ingresso do parque - pago somente em dinheiro, na entrada do parque - saiu por 500 pesos. Foi barato? Não. Valeu a pena? Muito!
      Esses passeios, e qualquer outro, são fáceis de encontrar. Há muitas opções de agências no centro da cidade. Se você for mais ansioso (a), também tem a opção de comprar antecipadamente, pela internet.Chegando no parque, a estrutura surpreende. São quilômetros de passarela, nos mais diferentes ângulos, para você apreciar o Glaciar Perito Moreno e toda a natureza daquele lugar fantástico. Foi uma das coisas mais incríveis que eu já vi na vida. Me faltam palavras para descrever. É majestoso. A natureza é maravilhosa.
      Fiz o passeio mais simples do parque: a pé, através das passarelas. Mas vale lembrar que existem passeios de barco e caminhadas em cima da geleira também. 
      O que eu te digo sobre esse lugar: você precisa ver de perto. Não há foto ou vídeo capaz de reproduzir toda a sua grandiosidade. Os sons do gelo caindo, o sol refletindo naquela imensidão branca, os inúmeros tons de azul, os pássaros, o vento. Tudo. A natureza é perfeita. Cada pedacinho dela. 
      Espero que esse relato tenha te deixado, no mínimo, curioso para ver com seus próprios olhos.
      Fico por aqui, mas logo eu volto para continuar contando a minha aventura pela Patagônia.
      O melhor ainda está por vir!
      Ah! E o que eu aprendi até aqui: encare seu medo.
      Até logo, aventureiro!








    • Por emanuelle.ec
      01/05 a 01/06 – EURO = R$ 4,41
      Oii galera ! 
       Minha primeira postagem aqui ! Resolvi compartilhar com vocês a minha primeira eurotrip ! Fiz a viagem em Maio/2018 .
      Vou deixar bem curtinho os posts com os valores e um pouco de cada cidade e algumas fotos , mas antes um resumo porque sempre tem os zé preguiça kkkkkk 
       
      Quem quiser acompanhar essa e outras viagens : @emanuelle_ec
       
      GASTOS :
      Passagem aérea :
      - Joinville – São Paulo : 5.770 milhas – GOL
      - São Paulo – Dubrovnik : R$ 1.478,47 – Turkish Air (Promo 123 milhas)
      - Bruxelas – São Paulo : R$ 1443,72 - TAP
      - São Paulo – Joinville: 4.000 milhas + R$ 31,27 – GOL
      Total : R$ 2953,46
      - Transporte (ônibus, blablacar,tram,etc) : € 269,44
      - Hospedagem :  € 475,41
      - Alimentação e extras : € 651,21
      Total : € 1396,06    Total em reais : R$ 6156,62
      TOTAL DA VIAGEM : R$ 2953,46 + R$ 6156,62 = R$ 9110,08 
       
      Como essa iria ser a minha primeira viagem pra Europa eu não estava muito afim de fazer o clichê Paris, Roma, Barcelona e tudo mais, então resolvi ir para o Leste Europeu . Eu não tinha nada planejado, tinha pesquisado claro algumas cidades que queria ver, mas não comprei NADA antecipado (fora as passagens de ida e volta claro kkk) , ia reservando ao longo do caminho os hostels e comprando as passagens de ônibus via FLIXBUS pelo app deles mesmo e as passagens de barco na Croácia foi tudo direto no local.
      Consegui uma promoção de passagem pra Croácia na 123 milhas, fiquei com receio de comprar por milhas e pelo site ser novo e tudo mais, mas olha ! Deu tudo certo !!! Como a passagem era pela Turkish eu tinha um stopover em Istambul de 21 horas, não me perguntem se eu tinha direito a hotel ou qualquer outra coisa porque nem perguntei ( mals ai), mas é que eu tenho um amigo que mora lá então ficou combinado que eu ficaria na casa dele e ele me mostraria a cidade no dia seguinte. Cheguei em Istambul as 22hrs e meu voo pra Dubrovnik só sairia as 19hrs do dia seguinte então deu tempo pra ver os principais pontos da cidade.  Não gastei quase nada em Istambul porque o maluco resolveu pagar tudo e ainda conseguimos umas pizzas free logo na noite que cheguei porque tinha sobrado e o cara da pizzaria não queria jogar fora, muita sorte !! 
       
      ISTAMBUL (01/05 a 02/05):
      Troca : 30 euros  = 141.30 liras
      Ônibus p/ aeroporto : 12 Liras
      Chocolate aeroporto : 8 Liras
      Lembrancinha: 3.50 liras
      Troca : 118 Liras = 22 euros
      Total Istanbul:  23,50 Liras - 8 euros
       
       


       
       Segui pra Croácia no dia seguinte.
      Cheguei em Dubrovnik as 21 hrs e peguei o busão do aeroporto pra cidade velha. Apesar de ser tarde já a cidade ainda tava lotada de turistas, coisa de doido mesmo, nunca vi tanta gente por m². Fiquei pouco tempo em Dubrovnik, porque pra mim foi a cidade mais cara da croácia. Passeia pela cidade, subi na muralha, tentei não enlouquecer com a senhora do mercado que não queria me vender as coisas porque eu não tinha dinheiro trocado.   O hostel que eu fiquei é super simples mas o dono é mega gente boa e já chegava recepcionando a galera com Rakia, uma bebida tradicional deles, forte do c* hahahha
       
      DUBROVNIK (02/05 a 04/05):
      Hostel (The City Place Guesthouse – 2 diárias 😞 31,44 euros ( cartão de crédito)
      Troca : 20 euros = 140 kunas
      Ônibus aero: 40 kunas
      Taxa turista : 2 euros
      Mercado – 26.81 kunas
      Almoço- 57 kunas
      Troca : 60 euros - 432 kunas
      Ônibus p/ Porto: 27 kunas
      Janta (Foccacia+Croissant): 20 kunas
      Ticket Muralha: 150 kunas
      Almoço:24 kunas
      Ônibus p/ Porto: 15 kunas
      Barco p/ Hvar: 210 kunas
      Troca : 10 euros - 72 kunas
      Mercado: 27 kunas
      Sorvete: 20 kunas
      Total Dubrovnik : 616,81 kunas = 90 euros dinheiro e 31,44 euros cartão = 121,44 euros

       


       
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