Essa viagem foi há muito tempo em uma galáxia distante, rsrsrs. Somente agora estou colocando as lembranças aqui no mochileiros. Bem, para mim foi muito especial essa viagem, porque tinha sido apenas minha segunda viagem internacional depois de uma para a Europa e nessa viagem à Patagonia de 30 dias descobri qual é o meu estilo de viagem e quais seriam os meus próximos destinos, a viagem para a Europa tinha sido legal também, mas nada como ir para um lugar em que a Natureza dá espetáculo e te deixa boquiaberto. Aqui irei falar apenas de uma pequena parte da viagem entre a patagônia argentina e chilena: a trilha em Torres del Paine, então, vamos lá !!!!
Nunca tinha feito trilha antes, nem acampado, nem nada de nada, mas resolvi fazer esse negócio, rsrrss, e assim foi. Tudo começa em Puerto Natales a cidade base para quem quer ir para Torres. Cheguei lá em novembro de 2008 e tava um frio danado, e no início da temporada o que de certa forma é bom, bem menos gente na trilha, mas é um pouco mais frio. A temporada alta lá é a partir de dezembro. A ideia em Puerto Natales era gastar um dia procurando equipamento e no outro ir para o parque, mas não foi bem assim, fiquei dois para alugar o equipamento, ahhh não tinha nada, e outro para comprar comida, não tinha menor ideia do que comprar, mas aí já abro um parêntese para dica sobre isso (pão, miojo uns 7 pacotes, queijo, presunto, doces, e outras pequenas coisas como amendoas e etc) e foi só isso que comprei, acreditei que com o frio o queijo e o presunto não iria apodrecer e o pão não mofar. Graças a Deus deu certo, rsrs. Cuidado com a quantidade de coisa que comprar, porque é difícil carregar muita coisa e não esqueça que vc vai ter que caminhar muito com tudo isso. Se não tiver sozinho como eu, pode dividir, mas sozinho é osso ter que levar barraca e toda comida. Ok comprei tudo e aluguei a barraca, saco de dormir e etc. Dica: cheque tudo, pois eu não chequei e tive problemas logo com o saco de dormir, putz.
Certo, tudo pronto, agora era hora de partir e aí refuguei, kkkkkkkk, quando acordei de manhã para ir pegar o ônibus tava um frio danado e aí inventei que o tempo não tava bom naquele dia e etc e bla bla, mas na verdade foi medo mesmo rsrsrrsrs, sou de Brasília nunca peguei um frio menor de 8º, tinha somente ido à Europa na primavera, tava morrendo de medo de morrer congelado e ainda ia acampar kkkkk, foi foda, mas no outro dia, sem desculpas, me arrumei e fui, pensando ainda, o que que eu to fazendo aqui? ( galera que já faz trilha, relaxa, tô só colocando minha visão na época de quem nunca tinha feito nada de nada, o medo era o desconhecido para mim, mas a trilha é tranquilízima) Então, assim fui no ônibus que sai de Puerto Natales e leva as pessoas para o parque. A vista na estra já é surreal. Aqui vai um detalhe, eu fiz o W ao contrário do que as pessoas geralmente fazem, então desci na última parada do ônibus e fui para o Refugio Paine Grande de barco, na época eu nem sei porque eu fiz isso, mas foi a melhor escolha, adorei, porque assim você conhece as torres no último dia, como a cereja do bolo. Ahhh e só mais uma explicação: o W que estou me referindo é um circuito de trilha no parque Torres del Paine que se vc ver o desenho parece um W, feito geralmente em 5 dias. Aqui vou só relatar minha experiência, mas no google há muitas informações detalhadas sobre esse circuito, com mapas e etc.
Primeiro dia
Beleza, peguei o barco e fui para o camping chamado Refugio Paine Grande, a viagem no barco é muito massa logo de cara vc ver as montanhas, lindas, brancas, a cor do lago com seu azul top, e o ventão, aí vc já ver o que te espera, foi uma sensação e tanto, principalemnte para mim que nunca tinha nem sequer visto uma montanha gelada, tudo muito novo, e mais um detalhe não tinha pesquisado muito, nem sabia como seria o camping, se era no meio do nada ou não e etc, eu tava preparado para camping selvagem, mas aqui já dou um spoiler, em todo o circuito só fiz uma noite de camping selvagem, embora nos que não eram eu não usei nada do camping, pois estava com minha comida e equipamento, então comia o que tinha e etc.
Quando o barco me deixou, foi só chegar montar a barraca e admirar a beleza do lugar, incrível que iria dormir ali, essa noite era na parte de trás de um hotel de montanha de luxo a beira do lago e que eu não tinha coragem nem de entrar lá, rsrsrrs, a noite foi massa, fria, mas quando pela primeira vez na vida entrei em um saco de dormir, descobri que dentro do saco realmente não faz frio, o problema foi só o vento e a chuva leve, passei a noite toda rezando com medo do vento que era realmente forte, parecia que iria levar tudo, com aquele forte barulho de vento que parecia trovão, isso aconteceu em todas as noites. Os ventos da patagônia são impressionantes.
Quando acordei segui meu roteiro, comi meu pão com queijo e presunto e fui trilhar com um outro sanduiche para comer na trilha. A ideia hoje era ir até a geleira grey. Nunca vou esquecer esse dia em que tive a experiência de passar por vários climas diferentes em um mesmo dia: saí com sol e estava um pouco quente, depois fechou tudo e fez frio, choveu leve e para finalizar nevou forte a ponto de me deixar todo branco parecendo um boneco de neve, e, para variar, depois fez sol, kkkkkkkk, o clima da patagonia é muito Louco. Isso foi uma das coisas que mais gostei. Outra coisa sensacional é a surpresa, lembro que estava caminhando subindo olhando para baixo, com o lago do meu lado e quando fiz uma curva na trilha, como uma esquina, levei um forte vento na minha cara e uma mostruosidade branca apareceu na minha frente. Ali estava ela a geleira, pela primeira vez na minha vida tinha visto uma, foi incrível, fiquei um tempão ali comemorando sozinho e vendo aquilo, imagina para quem mal conhecia o mundo ver aquele negócio soprando vento com força para o lago. Foi Animal. E assim continuei caminhando em direção a ela com icerbergs flutuando no lago ao meu lado, porque vc sempre caminha com o lago do lado. Cheguei na geleira tirei um monte de fotos, comi meu pãozinho e acelerei para voltar porque o tempo ficou feio bem rápido, como sempre, rsrsrs, aí foi só voltar feliz da vida e vendo as mudanças de tempo que nesse dia foi sensacional. Para quem quer ir: relaxa que as trilhas são bem marcadas, vc não se perde, tem muita gente caminhando e leve roupas impermeáveis, o tempo é louco!!!!!
Segundo dia
E ae!!! Vamos para o segundo dia:
Depois de uma noite foda que passei ela toda rezando com medo do vento e do frio, kkkk nunca tinha visto isso, o vento a noite fazia som de trovão e maior friaca, mas graças a Deus sobrevivi e acordei com um dia chuvoso não muito bonito, mas fazer o que tinha que seguir viagem. Levantei acampamento e segui caminhando com chuva leve e sem capa de chuva, só tinha para a mochila, mas mesmo com chuva ainda assim a paisagem era bonita, segui a trilha com poucas pessoas que encontrava no caminho.
O plano era acampar no acampamento dos italianos e no mesmo dia ir até o acampamento dos britânicos para tirar fotos (é uma bela de uma subida que te leva para um ponto alto, bacana para fotos), mas aí fiz uma besteira. Isso que é bom de ler relatos, para não cometer as mesmas burrices de alguém que já fez kkkkkk. Então, cheguei rápido no acampamento dos italianos e o tempo estava chuvoso não dava nem vontade de parar para acampar e olhando para frente na direção do refúgio dos cuernos parecia que o tempo estava melhor, aí pensei que indo para lá que PARECIA perto eu iria adiantar meu passeio e no outro dia podia voltar sem mochila para ir até o acampamento britânico e tirar minhas fotos.
Grande engano hahhahaha, o que parecia próximo no mapa na verdade não era, pois a trilha ficava bem mais difícil para andar com subidas e descidas inclinadas aí perdi maior tempo para chegar no Refugio dos Cuernos e quando cheguei estava morto só deu tempo de armar a barraca, comer o miojo e cair no sono. Lembro que nesse acampamento tem um hotel de luxo próximo e que eles deixam vc usar o banheiro, quase morri de inveja ao ver as pessoas chiques bebendo vinho com lareira e apreciando a vista das montanhas hahaaha e eu ia dormir lá fora, molhado da chuva, bota encharcada de lama e um miojozinho. O bom foi que dormi rápido, mas o vento a noite toda é impressionante.
Antes que eu esqueça, fiz burrice, o certo é ficar no acampamento dos italianos e ir sem mochila para o britânico (olhando o mapa fica mais fácil de entender) o curvelo deixa para o outro dia. Aí seguindo minha burrice vem o terceiro dia:
Terceiro dia
Acordei 9:00 porque estava morto do dia anterior, mas hoje tinha que ir até o acampamento britânico, mal sabia o que me esperava. Esse dia o bicho pegou, achei que não seria tão ruim por estar sem mochila, mas não foi bem assim não. Segui rápido para o acampamento dos italianos passando pela mesma trilha que ficou um pouco mais fácil sem mochila, mas ainda deu um pouco de trabalho, porém o dia estava bonito e tirei várias fotos das montanhas, andava o dia todo avistando as torres que dão nome ao parque, só que bem distantes, nem imaginei que um iria chegar tão perto delas. Água não é problema nessa trilha vc bebe a água mais pura do mundo descendo direto das geleiras e a vista dessas montanhas ali do seu lado, só estando lá para sentir e apreciar.
Cheguei nos italianos e agora vem a parte mais difícil, hora de subir o morro para o camp. britânico o início é pelas pedras e vai subindo, vai subindo, vai subindo. O barato é que vc ver uma geleira enorme no alto de uma montanha a sua direita, linda, mas com uma coisa engraçada: esse dia estava perfeito, com sol e sem nuvens e todo tempo ouvia barulho de trovão e ficava procurando as nuvens e nada, até que pergutei para umas pessoas lá e em falaram que era o barulho das pequenas avalanches da geleira. Poxa bem legal, não via as avalanches, porém ouvia bem o barulho.
E assim continuei subindo e subindo.
Finalmente cheguei no camp. britânico, achava que teria gente acampada lá, uma pequena estrutura e etc., mas não tinha nada só uma plaquinha hahahha. Tudo bem, vc tem que andar mais um pouco do acampamento britânico para poder chegar no mirante. E nesse ponto a vista é IMPRESSIONANTE. A trilha já estava cheia de gelo e isso para mim era bem legal, enfim tirei várias fotos e agora era hora de descer.
Agora a situação começou a complicar já estava tarde e lá de cima conseguia ver onde estava o meu camping. Era longe, muito longe. Ainda bem que teria sol até às 21h e assim desci, comecei a ver que o tempo iria ficar apertado e acho que na presa errei o caminho da trilha na parte das pedras onde a marcação são só estacas. Caminhei pela pedras e quanto mais andava em nada chegava. Converso que bateu um desespero não podia passar a noite ali sem nada, porque iria morrer de frio, além de estar sem comida, sem nada. Bem, acredito em Deus e comecei a rezar para sair dali ou encontrar alguém que me ajudasse a encontrar o caminho. Graças a Deus e com confiança achei uma estaca e depois outra e depois um casal que estava andando por ali. Na hora que eu estava ali não era para encontrar mais ninguém, pois já estava tarde e fui o último a descer o camp. britânico, ainda assim, encontrei essa casal que estava indo para os italianos. Fomos juntos até lá, me desejaram boa sorte e fui caminhando o mais rápido que pude para os curvelos e mais uma vez cheguei lá morto hahahahhaha e lembro que já era mais de 21h já anoitecendo. Foda kkkkkkk
Vou parar por aqui, mas prometo voltar logo para continuar escrevendo sobre os próximos dias, para mim vale a pena escrever aqui e recordar essa viagem incrível. Até mais pessoal, qualquer pergunta é só deixar nos comentários. Também estou colocando as fotos no instagram: @raimundo_junior__
Essa viagem foi há muito tempo em uma galáxia distante, rsrsrs. Somente agora estou colocando as lembranças aqui no mochileiros. Bem, para mim foi muito especial essa viagem, porque tinha sido apenas minha segunda viagem internacional depois de uma para a Europa e nessa viagem à Patagonia de 30 dias descobri qual é o meu estilo de viagem e quais seriam os meus próximos destinos, a viagem para a Europa tinha sido legal também, mas nada como ir para um lugar em que a Natureza dá espetáculo e te deixa boquiaberto. Aqui irei falar apenas de uma pequena parte da viagem entre a patagônia argentina e chilena: a trilha em Torres del Paine, então, vamos lá !!!!
Nunca tinha feito trilha antes, nem acampado, nem nada de nada, mas resolvi fazer esse negócio, rsrrss, e assim foi. Tudo começa em Puerto Natales a cidade base para quem quer ir para Torres. Cheguei lá em novembro de 2008 e tava um frio danado, e no início da temporada o que de certa forma é bom, bem menos gente na trilha, mas é um pouco mais frio. A temporada alta lá é a partir de dezembro. A ideia em Puerto Natales era gastar um dia procurando equipamento e no outro ir para o parque, mas não foi bem assim, fiquei dois para alugar o equipamento, ahhh não tinha nada, e outro para comprar comida, não tinha menor ideia do que comprar, mas aí já abro um parêntese para dica sobre isso (pão, miojo uns 7 pacotes, queijo, presunto, doces, e outras pequenas coisas como amendoas e etc) e foi só isso que comprei, acreditei que com o frio o queijo e o presunto não iria apodrecer e o pão não mofar. Graças a Deus deu certo, rsrs. Cuidado com a quantidade de coisa que comprar, porque é difícil carregar muita coisa e não esqueça que vc vai ter que caminhar muito com tudo isso. Se não tiver sozinho como eu, pode dividir, mas sozinho é osso ter que levar barraca e toda comida. Ok comprei tudo e aluguei a barraca, saco de dormir e etc. Dica: cheque tudo, pois eu não chequei e tive problemas logo com o saco de dormir, putz.
Certo, tudo pronto, agora era hora de partir e aí refuguei, kkkkkkkk, quando acordei de manhã para ir pegar o ônibus tava um frio danado e aí inventei que o tempo não tava bom naquele dia e etc e bla bla, mas na verdade foi medo mesmo rsrsrrsrs, sou de Brasília nunca peguei um frio menor de 8º, tinha somente ido à Europa na primavera, tava morrendo de medo de morrer congelado e ainda ia acampar kkkkk, foi foda, mas no outro dia, sem desculpas, me arrumei e fui, pensando ainda, o que que eu to fazendo aqui? ( galera que já faz trilha, relaxa, tô só colocando minha visão na época de quem nunca tinha feito nada de nada, o medo era o desconhecido para mim, mas a trilha é tranquilízima) Então, assim fui no ônibus que sai de Puerto Natales e leva as pessoas para o parque. A vista na estra já é surreal. Aqui vai um detalhe, eu fiz o W ao contrário do que as pessoas geralmente fazem, então desci na última parada do ônibus e fui para o Refugio Paine Grande de barco, na época eu nem sei porque eu fiz isso, mas foi a melhor escolha, adorei, porque assim você conhece as torres no último dia, como a cereja do bolo. Ahhh e só mais uma explicação: o W que estou me referindo é um circuito de trilha no parque Torres del Paine que se vc ver o desenho parece um W, feito geralmente em 5 dias. Aqui vou só relatar minha experiência, mas no google há muitas informações detalhadas sobre esse circuito, com mapas e etc.
Primeiro dia
Beleza, peguei o barco e fui para o camping chamado Refugio Paine Grande, a viagem no barco é muito massa logo de cara vc ver as montanhas, lindas, brancas, a cor do lago com seu azul top, e o ventão, aí vc já ver o que te espera, foi uma sensação e tanto, principalemnte para mim que nunca tinha nem sequer visto uma montanha gelada, tudo muito novo, e mais um detalhe não tinha pesquisado muito, nem sabia como seria o camping, se era no meio do nada ou não e etc, eu tava preparado para camping selvagem, mas aqui já dou um spoiler, em todo o circuito só fiz uma noite de camping selvagem, embora nos que não eram eu não usei nada do camping, pois estava com minha comida e equipamento, então comia o que tinha e etc.
Quando o barco me deixou, foi só chegar montar a barraca e admirar a beleza do lugar, incrível que iria dormir ali, essa noite era na parte de trás de um hotel de montanha de luxo a beira do lago e que eu não tinha coragem nem de entrar lá, rsrsrrs, a noite foi massa, fria, mas quando pela primeira vez na vida entrei em um saco de dormir, descobri que dentro do saco realmente não faz frio, o problema foi só o vento e a chuva leve, passei a noite toda rezando com medo do vento que era realmente forte, parecia que iria levar tudo, com aquele forte barulho de vento que parecia trovão, isso aconteceu em todas as noites. Os ventos da patagônia são impressionantes.
Quando acordei segui meu roteiro, comi meu pão com queijo e presunto e fui trilhar com um outro sanduiche para comer na trilha. A ideia hoje era ir até a geleira grey. Nunca vou esquecer esse dia em que tive a experiência de passar por vários climas diferentes em um mesmo dia: saí com sol e estava um pouco quente, depois fechou tudo e fez frio, choveu leve e para finalizar nevou forte a ponto de me deixar todo branco parecendo um boneco de neve, e, para variar, depois fez sol, kkkkkkkk, o clima da patagonia é muito Louco. Isso foi uma das coisas que mais gostei. Outra coisa sensacional é a surpresa, lembro que estava caminhando subindo olhando para baixo, com o lago do meu lado e quando fiz uma curva na trilha, como uma esquina, levei um forte vento na minha cara e uma mostruosidade branca apareceu na minha frente. Ali estava ela a geleira, pela primeira vez na minha vida tinha visto uma, foi incrível, fiquei um tempão ali comemorando sozinho e vendo aquilo, imagina para quem mal conhecia o mundo ver aquele negócio soprando vento com força para o lago. Foi Animal. E assim continuei caminhando em direção a ela com icerbergs flutuando no lago ao meu lado, porque vc sempre caminha com o lago do lado. Cheguei na geleira tirei um monte de fotos, comi meu pãozinho e acelerei para voltar porque o tempo ficou feio bem rápido, como sempre, rsrsrs, aí foi só voltar feliz da vida e vendo as mudanças de tempo que nesse dia foi sensacional. Para quem quer ir: relaxa que as trilhas são bem marcadas, vc não se perde, tem muita gente caminhando e leve roupas impermeáveis, o tempo é louco!!!!!
Segundo dia
E ae!!! Vamos para o segundo dia:
Depois de uma noite foda que passei ela toda rezando com medo do vento e do frio, kkkk nunca tinha visto isso, o vento a noite fazia som de trovão e maior friaca, mas graças a Deus sobrevivi e acordei com um dia chuvoso não muito bonito, mas fazer o que tinha que seguir viagem. Levantei acampamento e segui caminhando com chuva leve e sem capa de chuva, só tinha para a mochila, mas mesmo com chuva ainda assim a paisagem era bonita, segui a trilha com poucas pessoas que encontrava no caminho.
O plano era acampar no acampamento dos italianos e no mesmo dia ir até o acampamento dos britânicos para tirar fotos (é uma bela de uma subida que te leva para um ponto alto, bacana para fotos), mas aí fiz uma besteira. Isso que é bom de ler relatos, para não cometer as mesmas burrices de alguém que já fez kkkkkk. Então, cheguei rápido no acampamento dos italianos e o tempo estava chuvoso não dava nem vontade de parar para acampar e olhando para frente na direção do refúgio dos cuernos parecia que o tempo estava melhor, aí pensei que indo para lá que PARECIA perto eu iria adiantar meu passeio e no outro dia podia voltar sem mochila para ir até o acampamento britânico e tirar minhas fotos.
Grande engano hahhahaha, o que parecia próximo no mapa na verdade não era, pois a trilha ficava bem mais difícil para andar com subidas e descidas inclinadas aí perdi maior tempo para chegar no Refugio dos Cuernos e quando cheguei estava morto só deu tempo de armar a barraca, comer o miojo e cair no sono. Lembro que nesse acampamento tem um hotel de luxo próximo e que eles deixam vc usar o banheiro, quase morri de inveja ao ver as pessoas chiques bebendo vinho com lareira e apreciando a vista das montanhas hahaaha e eu ia dormir lá fora, molhado da chuva, bota encharcada de lama e um miojozinho. O bom foi que dormi rápido, mas o vento a noite toda é impressionante.
Antes que eu esqueça, fiz burrice, o certo é ficar no acampamento dos italianos e ir sem mochila para o britânico (olhando o mapa fica mais fácil de entender) o curvelo deixa para o outro dia. Aí seguindo minha burrice vem o terceiro dia:
Terceiro dia
Acordei 9:00 porque estava morto do dia anterior, mas hoje tinha que ir até o acampamento britânico, mal sabia o que me esperava. Esse dia o bicho pegou, achei que não seria tão ruim por estar sem mochila, mas não foi bem assim não. Segui rápido para o acampamento dos italianos passando pela mesma trilha que ficou um pouco mais fácil sem mochila, mas ainda deu um pouco de trabalho, porém o dia estava bonito e tirei várias fotos das montanhas, andava o dia todo avistando as torres que dão nome ao parque, só que bem distantes, nem imaginei que um iria chegar tão perto delas. Água não é problema nessa trilha vc bebe a água mais pura do mundo descendo direto das geleiras e a vista dessas montanhas ali do seu lado, só estando lá para sentir e apreciar.
Cheguei nos italianos e agora vem a parte mais difícil, hora de subir o morro para o camp. britânico o início é pelas pedras e vai subindo, vai subindo, vai subindo. O barato é que vc ver uma geleira enorme no alto de uma montanha a sua direita, linda, mas com uma coisa engraçada: esse dia estava perfeito, com sol e sem nuvens e todo tempo ouvia barulho de trovão e ficava procurando as nuvens e nada, até que pergutei para umas pessoas lá e em falaram que era o barulho das pequenas avalanches da geleira. Poxa bem legal, não via as avalanches, porém ouvia bem o barulho.
E assim continuei subindo e subindo.
Finalmente cheguei no camp. britânico, achava que teria gente acampada lá, uma pequena estrutura e etc., mas não tinha nada só uma plaquinha hahahha. Tudo bem, vc tem que andar mais um pouco do acampamento britânico para poder chegar no mirante. E nesse ponto a vista é IMPRESSIONANTE. A trilha já estava cheia de gelo e isso para mim era bem legal, enfim tirei várias fotos e agora era hora de descer.
Agora a situação começou a complicar já estava tarde e lá de cima conseguia ver onde estava o meu camping. Era longe, muito longe. Ainda bem que teria sol até às 21h e assim desci, comecei a ver que o tempo iria ficar apertado e acho que na presa errei o caminho da trilha na parte das pedras onde a marcação são só estacas. Caminhei pela pedras e quanto mais andava em nada chegava. Converso que bateu um desespero não podia passar a noite ali sem nada, porque iria morrer de frio, além de estar sem comida, sem nada. Bem, acredito em Deus e comecei a rezar para sair dali ou encontrar alguém que me ajudasse a encontrar o caminho. Graças a Deus e com confiança achei uma estaca e depois outra e depois um casal que estava andando por ali. Na hora que eu estava ali não era para encontrar mais ninguém, pois já estava tarde e fui o último a descer o camp. britânico, ainda assim, encontrei essa casal que estava indo para os italianos. Fomos juntos até lá, me desejaram boa sorte e fui caminhando o mais rápido que pude para os curvelos e mais uma vez cheguei lá morto hahahahhaha e lembro que já era mais de 21h já anoitecendo. Foda kkkkkkk
Vou parar por aqui, mas prometo voltar logo para continuar escrevendo sobre os próximos dias, para mim vale a pena escrever aqui e recordar essa viagem incrível. Até mais pessoal, qualquer pergunta é só deixar nos comentários. Também estou colocando as fotos no instagram: @raimundo_junior__