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ūüď∑¬†Texto original com fotos aqui

Hamburgo¬†√© uma cidade moderna, mas tem aquele charme europeu e uma identidade forte que vem das √°guas! √Č banhada pelos rios Alster e Elba, sendo esse √ļltimo a porta de entrada para o imenso¬†Porto de Hamburgo.

Ao longo de sua história, a cidade passou por períodos críticos de destruição e mortes, sendo os mais relevantes o grande incêndio de 1842 e os bombardeios no período da Segunda Guerra Mundial.

Embora seja a segunda maior cidade da Alemanha, atr√°s apenas da capitalBerlim, √© poss√≠vel conhecer relativamente bem¬†Hamburgo¬†em 2 ou 3 dias. A cidade √© bem plana e simples de ser explorada a p√©, mas se for preciso o metr√ī tamb√©m funciona muito bem.

Para chegar do aeroporto ao centro, o jeito mais simples √© pegar o trem (S1 ‚Äď Dire√ß√£o¬†Hamburg-Blankenese) at√© a Esta√ß√£o Central (Hauptbahnhof). O valor do bilhete √© 3,30 ‚ā¨ e a viagem dura cerca de 25 minutos.

Veja aqui¬†mais informa√ß√Ķes sobre o transporte publico de¬†Hamburgo.

Acabamos ficando hospedados em dois hotéis diferentes. A primeira noite em uma das unidades do Novum, próximo à Estação Central e o resto dos dias no City Hotel Hamburg Mitte. O primeiro é mais barato, tem boa localização e um café da manhã eficiente, mas recomendo mais o segundo! Apesar de ter o café da manhã pago a parte (que achei caro e não experimentei), os quartos são bem modernos e dos andares altos tem-se uma super vista da cidade!

O entorno do¬†Lago Alster¬†√© uma das regi√Ķes mais fotog√™nicas da cidade, e um bom ponto de partida para explor√°-la. O cen√°rio com as altas torres das igrejas atr√°s do conjunto de pr√©dios que circundam o lago d√£o a impress√£o de estarmos em uma ilustra√ß√£o de lata de biscoitos. No inverno, adicione o fato de o lago estar quase congelado e o resultado √© uma vontade de ficar ali olhando aquela paisagem at√© que o frio n√£o permita mais sentir as m√£os, hora de encontrar um lugar quentinho!

Caminhando por essa região super sofisticada, cheia de lojas de grife e hotéis caríssimos, me deparei com o simpático Big Fat Unicorn, que já me ganhou pelo nome! O café, todo fofo, serve sanduíches coloridos e outras delícias para encher a barriga e o feed do Instagram.

A poucos minutos de l√° fica a¬†Rathaus¬†‚Äď o pr√©dio da prefeitura, um dos cart√Ķes postais de¬†Hamburgo. O edif√≠cio √© lindo, uma imponente constru√ß√£o de arquitetura neocl√°ssica que domina a¬†Rathausmarkt, pra√ßa onde est√° localizado. √Č poss√≠vel acessar gratuitamente o hall de entrada.

Nas ruas ao entorno, especialmente na Mönckebergstrasse, há muitas lojas, cafés e restaurantes.

Embora existam diversas igrejas em¬†Hamburgo, foram duas as que me chamaram mais aten√ß√£o. A primeira √© a¬†St. Nikolai, que na verdade hoje funciona como um memorial, tendo preservada apenas sua torre e algumas ru√≠nas. A igreja foi bombardeada pelos ingleses durante a Segunda Guerra Mundial em um ataque conhecido como ‚ÄúOpera√ß√£o Gomorra‚ÄĚ. Na √°rea externa h√° algumas obras de arte como a escultura ‚ÄúThe Ordeal‚Äú, onde um homem est√° sentado tristemente sobre os tijolos originais do campo de prisioneiros deSandbostel. A torre, que j√° foi a mais alta do mundo, hoje ocupa o quinto lugar entre as maiores torres de igreja. A subida ao topo √© feita atrav√©s de um elevador e a vista l√° de cima deve ser fant√°stica!

A outra igreja que achei diferente do comum é a St. Michaelis. Seu interior, de tonalidades claras e detalhes dourados, parece muito um ambiente de teatro, com um auditório no mezanino e grandes janelas envidraçadas onde imaginei camarotes reais. A entrada na igreja é grátis, mas também há ingressos para quem quiser subir na torre.

√Ä noite tive que ir conhecer a t√£o falada Rua¬†Reeperbahn, famosa por ser um pouco como o¬†Red Light District¬†de¬†Amsterdam. √Č aquele lado meio ca√≥tico da cidade, onde os letreiros em neon atraem j√° embriagado turistas e hamburgueses. Tanto a via principal quanto as adjacentes tem op√ß√Ķes de ‚Äúentretenimento adulto‚ÄĚ para todos os tipos de p√ļblico.

A regi√£o, chamada¬†St. Pauli, ganhou essa fama por ser pr√≥xima ao Porto de Hamburgo, se tornando ent√£o o local de divers√£o dos profissionais do mar.Mas¬†St. Pauli¬†tamb√©m n√£o √© s√≥ sacanagem. H√° quase 60 anos, quando os¬†Beatlesainda estavam no come√ßo da carreira, eles fizeram ali algumas das suas primeiras apresenta√ß√Ķes fora da¬†Inglaterra. Por sua hist√≥ria com a cidade, ganharam h√° alguns anos uma homenagem: a¬†Beatlesplatz! A pra√ßa fica no final da¬†Reeperbahn¬†e tem esculturas dos integrantes da banda

Mas o que eu gostei mesmo naquela região foi a Cervejaria Astra, pertinho da Beatlesplatz. O espaço é enorme, com uma decoração meio industrial e uma mesa de pebolim (pra jogar de graça)! Essa cerveja é bem comum em Hamburgo, mas lá é possível experimentar os diferentes tipos, como a IPA e a Stout. Vale a pena pegar o kit degustação. A comida também é deliciosa e bem variada, das tradicionais salsichas à pratos vegetarianos.

A bagun√ßa de¬†St. Pauli¬†√© legal, mas como estava em uma vibe mais intimista, fomos at√© o¬†Cotton Club, um bar de jazz pequenininho e aconhegante. N√£o √© a op√ß√£o mais barata, mas o lugar √© √ļnico e a banda era incr√≠vel, liderada pelo sueco Bent Persson. Valeu cada centavo!

Uma das regi√Ķes mais peculiares de¬†Hamburgo¬†√© a¬†Speicherstadt, um bairro inteiro ocupado por antigos armaz√©ns. Pode n√£o soar muito interessante, mas os pr√©dios, todos em tijolinhos avermelhados, ficam lindos espalhados pelos v√°rios canais que cortam esse peda√ßo da cidade. Hoje alguns desses edif√≠cios s√£o ocupados empresas e museus, como o¬†Miniatur Wunderland¬†e o¬†Museu Mar√≠timo.

Quando avistar uma grande e ousada silhueta à beira-rio, chegou a Elbphilharmonie! O monumental prédio mistura o estilo industrial dos antigos armazéns com formas e materiais modernos. Em seu interior funcionam duas salas de concerto, alguns bares e restaurantes e até um hotel!

H√° um espa√ßo aberto ao p√ļblico que oferece uma ampla vista da cidade. A entrada √© gratuita se retirar o ingresso na hora (disponibilidade mediante lota√ß√£o), mas tamb√©m √© poss√≠vel¬†reservar pelo site. Nesse caso h√° um custo de 2‚ā¨ por pessoa.

Apesar do clima frio e molhado, a caminhada pela borda do Elba até o Fish Market é agradável. Um pequeno desvio para as ruas do bairro Portugeisenviertel nos faz pensar que estamos em Portugal! Se quer trocar a salsicha por um bacalhau, siga para ruas como a Rambachstraße e a Ditmar-Koel-Straße, onde há diversos restaurantes de comida portuguesa. Há também alguns italianos, espanhóis e até brasileiros, mas o foco mesmo é a culinária lusitana.

O antigo mercado de peixes atualmente funciona só aos domingos e até as 09:30. Eu como estou longe de ser uma pessoa matutina, só conheci mesmo por fora. Mas dizem ser tradição passar por ali saindo dos bares e baladas da Reeperbahn para comer sanduíche de arenque ou outros peixes.

Falando em comida, duas coisas bastante típicas por lá são o Currywurst, uma salsicha com molho de tomate e curry e o Franzbrötchen, um pãozinho doce com gostinho de canela que é simplesmente delicioso (aliás, pão é uma coisa que os alemães sabem fazer muito bem)! Além disso, não dá pra ir à Alemanhae não comer um Apfelstrudel, né?

Se tiver mais de dois dias, vale a pena fazer um bate-volta em¬†L√ľbeck. Essa pequena cidadezinha medieval fica h√° aproximadamente 50 minutos de trem de¬†Hamburgo¬†e √© encantadora!

ūüď∑¬†Texto original com fotos aqui

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    • Por Schumacher
      Dia 1
       
      Em janeiro de 2020, antes da pandemia assolar o mundo, parti para minha √ļnica viagem internacional no ano. Segui de √īnibus de Floripa a Porto Alegre, embarcando¬†no voo da Cabo Verde Airlines at√© a ilha do Sal (826 reais pela ida).
       
      A cia aérea deixou a desejar bastante, pois o avião não era grande, as telas de vídeo estavam desligadas, não havia tomadas, o jantar estava quase congelado e nem café da manhã foi servido.
       
      Dia 2
       
      Ao desembarcar às 6 e meia, tirei o visto ao custo de 3400+2500 escudos cabo-verdianos (110 escudos = 1 euro). Tive o azar de ir antes da isenção do visto começar a valer.
       
      Fui até a via principal em frente ao aeroporto e parei a primeira picape cheia de gente em direção à distante cidade de Santa Maria. Esse meio de transporte me custou apenas 100 escudos, enquanto que um táxi sairia por 15 euros!
       
      Deixei a mochila no quarto compartilhado do albergue Xamedu Sal, que fica na borda da parte menos subdesenvolvida da cidade, e saí a caminhar pela parte arenosa a leste. Duas noites nessa hospedagem me custaram 3469 escudos.
       

       
      Uma das praias mais famosas no mundo para a prática de kitesurfe fica ali, tamanho o vento. Contei uns 70 equipamentos no mar ao mesmo tempo! Uma pena que haja lixo por todo lado.
       

       
      Voltei atravessando a salina que ainda opera e que dá nome à ilha do Sal.
       
      Na virada pra tarde, almocei a tradicional cachupa (feij√£o, milho, ovo e alguma carne) por 3 euros no Caf√© del Mar. √Āgua de meio litro por 150 escudos, salgado.
       

       
      Em seguida, segui pela praia principal, onde fica um p√≠er e a maioria dos turistas brancos. As constru√ß√Ķes s√£o mais bonitas por aqui e h√° diversas lojas de souvenires.
       

       
      Caminhei uma eternidade entre resorts até a praia de Ponta Negra. Bem bonita.
       
      Na volta à rua Pedonal, me deliciei com sorvete italiano na Gira Mundo: 3 bolas por 350 escudos.
       
      Mais além, fui ao restaurante d'Angela degustar mariscos. Entre os disponíveis, pasmem, cracas (500 escudos)! E não era ruim, apenas difícil de comer. Um caneco de cerveja (250 escudos) acompanhou a refeição do final da tarde, quando o vento já começava a resfriar.
       

       
      Conheci uma sueco-brasileira (Janine) no albergue. Juntos e com mais duas francesas, fomos tomar uma no Buddy Bar, onde rolava som ao vivo. Peguei uma caipirinha de grogue, o destilado local, por 400 escudos.
       
      Por fim, comemos um kebab no Camara Camara, por 300 escudos.
       
      Dia 3
       
      Depois de pegar um bolo e um suco de baobá num mercadinho (quase sempre de posse chinesa), fui até a CV Bike, onde aluguei uma bicicleta decente por 16 euros a diária. Queria ter saído mais cedo, mas só consegui partir às 10 e meia.
       
      O começo é uma subida reta pelo asfalto, com vento lateral - e tudo seco à volta.
       
      Em Murdeira, há um condomínio bacana e uma praia linda. Vi uma águia-pescadora lá, enquanto admirava a vista das areias negras.
       

       
      Quase chegando ao aeroporto, desviei pela estrada de chão que passa pelo sertão até Palmeira. Foi um trecho complicado.
       
      Esse povoado é onde fica o porto da ilha. Almocei na Casa dos Pescadores uma cavala por 400 escudos e uma água de 1,5 l por 150.
       
      Atravessei as casinhas coloridas, antes de novamente pegar a estrada n√£o asfaltada. Primeiro parei na ba√≠a azulada de Regona, antes do ponto mais distante que chegaria, Buracona. Por 3 euros, tive acesso ao olho azul (que j√° n√£o estava mais azul devido √† hora tardia), bem como atra√ß√Ķes acess√≥rias.
       

       
      Retornei por outro caminho, de areia quase fofa e pedras, até Terra Boa, o local de cultivo. Precisei passar por uma favela lotada de lixo pra atingir Espargos, a capital da ilha do Sal.
       

       
      Nem parei, prosseguindo pelo asfalto morro abaixo até Santa Maria, quase ininterruptamente, pois o sol já estava se pondo.
       
      Cheguei às 6 e meia, bem no horário em que a loja das bikes estava fechando.
       
      Também deu tempo de chegar no restaurante d'Angela antes do happy hour de frutos do mar acabar. Peguei o polvo (500 escudos).
       
      Depois do banho, me uni a uns colombianos e a outra brasileira (Andyara) para a janta no restaurante d'Fogo, onde comemos peixe por 350 escudos. Pedi uma cerveja grande; me trouxeram 1 litro por 350 escudos.
       
      Em seguida, curtimos brevemente no Ocean Bar, antes da balada fechar. A festa continuou no Buddy Bar, mas pela 1 e pouco, voltamos pra dormir.
       

       
      Dia 4
       
      Acordei tarde, só a tempo de pegar minhas coisas, almoçar um espaguete (3 euros) no Café del Mar e pegar um transporte coletivo Hiace (van) pro aeroporto, por 100 escudos. Só sai quando lota, mas esse foi rápido.
       
      Lá, esperei até o embarque atrasado com a Binter CV para a ilha de São Vicente. Por sorte, não precisei enfrentar a bruma seca, que é o vento carregado de areia do Saara que atinge as ilhas nessa época, e que fez um casal de brasileiros precisar aguardar 4 dias a mais pra deixar essa ilha!
       
      Já em São Vicente, desci e aguardei na via principal por um aluguer (outra forma de chamar as vans), mas como demorou a passar, negociei com um taxista que já levava outra pessoa para que eu pagasse 300 escudos - o preço normal seria 1000.
       
      Ingressei no Basic Hotel, que fica numa baita ladeira um pouco fora do centro. Uma suíte privativa saiu por 2170 escudos.
       
      No Fortim do Rei, em ru√≠nas, aparentemente fica a melhor vista de Mindelo, a capital da ilha. D√° para se ver o centro de constru√ß√Ķes portuguesas, a marina e o porto, a praia da Laginha e as casas coloridas no morro.
       
      Desci com o sol já baixo em direção ao centro e beira-mar. Logo tomei uma batida de frutas num quiosque por 260 escudos. Tentei caminhar mais, mas não me senti muito seguro por lá, então depois de atravessar umas quadras, parei num restaurante para jantar. A pizza vegetariana no Cocktail saiu por 450 escudos + caneco de cerveja por 200 escudos.
       
      Subi o morro de volta pro hotel e l√° permaneci.
       
      Dia 5
       
      Dei uma volta pelo centro durante a manhã, depois do pequeno almoço incluído no hotel. Ingressei no interessante Museu do Mar (200 escudos), que fica numa torre à beira-mar e conta a história marítima de São Vicente e Cabo Verde.
       

       
      Depois, almocei uma cachupa (280 escudos) no Dokas, ao lado do terminal de balsas.
       
      Enquanto aguardava a balsa pra ilha seguinte, relaxando na incrível praia da Laginha, um cara veio me incomodar pedindo dinheiro insistentemente, fato corriqueiro nesses meus dias em Cabo Verde…
       

       
      Subi na embarcação, que levou uma hora e custou 800 escudos por trecho. Balançou um bocado; uns quantos gorfaram.
       

       
      No desembarque na ilha montanhosa de Santo Antão, comprei uns pastéis baratíssimos (10 escudos cada!) de uma ambulante, e peguei um aluguer para Ribeira Grande (400 escudos). O trajeto longo pela costa é bem cênico.
       
      Enquanto o sol se punha, caminhei pelas vielas de Ribeira Grande, em busca do melhor mirante.
       
      Me hospedei no Residencial Luatur, onde uma suíte privada básica saiu por 4479 escudos para 2 noites. Jantei lá mesmo: lula com legumes (500 escudos) + suco natural de maracujá (150 escudos).
       
      Dia 6
       
      O café incluído estava bom. Depois dele, esperei até às 10 e meia pelo aluguer para Cruzinha (300 escudos). O trajeto até lá é bem bonito, mas levou uma hora e meia.
       
      Por forma√ß√Ķes de paleodunas, comecei ent√£o a trilha de 14 km at√© a Ponta do Sol. O caminho √© sobre areia inicialmente e cal√ßada de pedras na maior parte do tempo. Sempre acompanhado pelo mar √† esquerda, montanhas √† direita e vento por todos os lados, √© trabalhoso pelas in√ļmeras subidas e descidas.
       

       
      Passei pelas vilas de Formiguinhas, Corvo e Fontainhas, mas somente nos dois √ļltimos encontrei uma fonte abundante de √°gua, j√° que estava no per√≠odo seco. Ali tamb√©m ficam terra√ßos agr√≠colas.
       

       
      Ultrapassei uns quantos franceses, a nacionalidade estrangeira não-lusófona mais presente nas ilhas. Quatro horas e meia depois de começar, entrei na cidade de Ponta do Sol.
       
      Fui direto pro restaurante bem-conceituado Caleta de Sol. Lá me deliciei com um filé de peixe marinado grelhado (500 escudos).
       

       
      Em seguida, tomei um aluguer para Ribeira Grande (100 escudos). Como não havia o que fazer, fui pro hotel. Mais além, jantei uma pizza grande por 400 escudos.
       
      Dia 7
       
      O caf√© da manh√£ demorou, mas tive que esperar at√© √†s 11 horas pelo aluguer para a Cova do Pa√ļl, uma cratera vegetada onde eu come√ßaria outra trilha. Duzentos e cinquenta escudos, uma hora e muitas paisagens c√™nicas depois, fui o √ļltimo a deixar a van, sobre a cratera vulc√Ęnica.
       

       
      A reserva natural que a abrange é uma área importante, pois permanece verde mesmo durante a seca, ao contrário da maioria de Cabo Verde.
       

       
      Desci e contornei a cratera, onde há cultivos agrícolas. Após leve subida, veio um abismo em ziguezague, coberto de neblina.
       
      Um tempo depois essa dissipou, sendo possível ver os vilarejos abaixo. Ainda levei um tempo para atingi-los.
       

       
      N√£o havia aluguer algum na primeira vila ap√≥s a trilha, ent√£o continuei descendo. Quando vi um √īnibus com o letreiro do aluguer pendurado, o chamei. No entanto, era uma excurs√£o privada de estudantes americanos. Apesar disso, me deram carona.
       
      Parei para almo√ßar com eles no Divin' Art em Ribeira Grande, um restaurante mais caro com m√ļsica ao vivo - paguei mil contos num prato grande cheio de coisas + bebida + sobremesa. Com eles, tamb√©m aproveitei a carona at√© o porto, onde pegamos a balsa de volta para S√£o Vicente.
       

       
      Ao desembarcar, segui para o restaurante Caravelas, onde tomei uma cerveja tranquilamente (220 por 500 ml). Um tempo depois, comi um hamb√ļrguer (250 escudos).
       
      Por fim, fiz o check-in no albergue Simab√ī Backpackers. Por um quarto privado, paguei 1745 escudos, s√≥ que o chuveiro gelado deixou a desejar. Fui dormir cedo.
       
      Dia 8
       
      Às 6 e meia já estava de pé, dividindo um táxi com o senhor mochileiro português Raul até o aeroporto (1000 no total). Voaria em breve até Praia, numa conexão até a ilha do Fogo. O custo para os dois voos foi de 62 libras esterlinas.
       

       
      No aeroporto de Praia h√° uma casa de c√Ęmbio que cobra a cota√ß√£o oficial de 110 escudos por euro, menos uma comiss√£o que fica em no m√°ximo 5%. Uma op√ß√£o interessante, j√° que os bancos e a maioria dos com√©rcios cobra 10%.
       
      Como não passam coletivos ali, eu e o portuga rachamos um táxi de 700 escudos ( o preço normal era 1000).
       
      Caminhei um bocadinho pelo centro, um pouco mais movimentado que o das outras ilhas. Entre os pontos interessantes, entrei no museu etnológico (200 escudos).
       

       
      Em seguida, comi 3 salgados de frango (70 escudos cada) na pastelaria Vilu. A sobremesa foi na sorveteria Nhamii, onde 3 bolas artesanais saíram por 260 escudos.
       
      Desci a escadaria até o Mercado Sucupira, onde ficam as vans, mas só consegui um táxi de volta ao aeroporto, por 500 escudos.
       
      Aguardei algumas horas at√© o embarque a S√£o Filipe, capital da ilha do Fogo. Enquanto aguardava, eis que surgiu no aeroporto o casal de colombianos (Daniel e √āngela) que conheci em Sal.
       
      Ao descer do voo de somente 25 minutos de duração, dividimos um táxi de 400 escudos até a hospedagem, que coincidentemente era a mesma!
       
      Saímos para dar uma volta na cidade, naquele fim de dia. A cidade é pequena mas bonitinha, bem colorida. Aproveitamos para comprar produtos locais: pão (15), queijo de cabra (100), chouriço (100) e vinho (800). Os dois primeiros foram comprados dentro da casa de uma senhora; já o terceiro, numa loja de eletrodomésticos/bar/mini-mercado!
       

       
      Jantei um prato de peixe delicioso na Casa Anilda e Albino por 600 escudos. Lá, um quarto duplo grande com pequeno-almoço saiu por 2217 escudos.
       
      Passamos o resto da noite conversando e tomando o vinho.
       
      Dia 9
       
      Café da manhã razoável. Após, nós 3 negociamos um táxi de ida, espera e volta para Chã das Caldeiras. O total foi de 7 mil escudos, mas como eu não retornaria com os colombianos, minha parte foi menor.
       
      O percurso levou quase uma hora e meia, passando por vilarejos e paisagens, at√© a entrada no Parque Natural do Fogo, quando primeiro avistamos o cone vulc√Ęnico principal, com 2829 metros acima do n√≠vel do mar. A estrada original foi soterrada pela lava vulc√Ęnica da erup√ß√£o mais recente, em 2015!
       

       
      Enquanto os dois subiam no pico pequeno, cone formado nessa erupção, fiquei ao redor tirando fotos. Apesar da altitude de Chã das Caldeiras ser de 1800 metros, a temperatura durante o dia é quente, ao contrário da noite.
       
      Depois, vimos o vilarejo com as casas parcialmente cobertas pela lava, e as novas casas em construção. Numa dessas, compramos vinho (750 escudos).
       

       
      Em seguida, almoçamos na Casa de Marisa, a hospedagem e restaurante mais chique da cidade. Ali também são feitos passeios guiados, mas com preços bem salgados. O peixe de almoço me custou 900 escudos.
       

       
      Enquanto meus camaradas voltavam pra São Filipe, eu caminhei até o Parque Florestal de Monte Velha, mas não achei nada de mais lá.
       
      Depois do banho de chaleira, jantei os produtos típicos locais que eu havia comprado: pão, chouriço (linguiça), queijo de cabra e vinho.
       
      Sem internet na Casa de Ciza e Rose (3500 escudos para um quarto por 2 noites), fui dormir cedo.
       

       
      Dia 10
       
      Tomei o café da manhã bom, enquanto o dia amanhecia pelas 7 h. Logo mais, parti rumo ao vulcão.
       
      Comecei a caminhada a cerca de 1750 m de altitude, atravessando o trecho inicial entre vinhedos. Ao dobrar 90 graus para a direita, começou a subida pra valer. Havia dois possíveis trajetos de ida; escolhi o mais reto, mas acabou sendo a opção errada, pois ao chegar à parte mais inclinada tempos depois, fiquei sem ter pra onde ir, pois havia um trecho de areia negra fofa bem difícil de subir.
       
      Dessa forma, tive que me reorientar pro outro caminho. Naquela altura, foi preciso escalar rochas com as mãos, por mais um longo pedaço.
       

       
      Passei um trio de Cabo Verde que estava subindo e alguns europeus com guia descendo, para enfim chegar à borda da cratera, fétida de enxofre. Continuei até o topo do pico, a 2829 metros, onde cheguei cerca de 3 horas após o início.
       

       
      Para descer, escolhi o caminho menos usual e mais √≠ngreme que vai em dire√ß√£o ao pico da √ļltima erup√ß√£o. S√≥ que essa parte foi dificultosa, pois al√©m de for√ßar os joelhos, as pedras estavam soltas demais. Certa hora, decidi descer quase deslizando pela areia fofa, o que fez com que eu acelerasse o passo de uma vez.
       
      Na borda do tal pico inferior, onde o calor ainda era sentido, coletei umas rochas de enxofre e depois segui pela areia dura até Chã das Caldeiras, chegando apenas 6 horas depois de começar.
       
      Faminto e desidratado, tomei um litro de √°gua e comi dois pratos cheios de comida da hospedagem, que estavam deliciosos (o melhor da viagem). Setecentos escudos para tal.
       

       
      Posteriormente, fiquei relaxando por ali. De jantar, apenas frutas.
       
      Dia 11
       
      Pelas 6 e meia o transporte coletivo bateu a porta. Hora de voltar pra S√£o Filipe, por mil escudos.
       
      Ao chegar, fiquei vagando pelo centro para matar o tempo até meu voo do final da tarde para Praia. Antes de caminhar ao aeroporto, almocei no Sabor di Lena - o prato do dia custou apenas 250 escudos.
       
      Esperei ent√£o pelo voo. Ainda bem que todos os aeroportos que passei possuem wi-fi gr√°tis. O voo custou 50,5 libras. Ao descer, peguei um t√°xi na rua at√© Achada Santo Ant√īnio (700 escudos).
       
      A hospedagem para as 3 noites seguintes seria a Praiadise Hostel (5610 escudos para todo período). A recepção não foi tão boa, já que pedintes me abordaram com insistência, e me xingaram quando neguei a dar esmola.
       
      Procurei ao redor um lugar para jantar; acabei parando no bar Só Sabi, onde comi um prato de feijão por 400.
       

       
      Apesar dos muitos beliches, só havia eu e um senhor francês no dormitório, e ninguém na área comum, então fui dormir cedo.
       
      Dia 12
       
      Tomei o café da manhã incluído. Em seguida, atravessei o que parecia ser uma favela para pegar o coletivo até a Cidade Velha (apenas 80 escudos!). Essa foi a primeira capital de Cabo Verde e a primeira cidade fundada por europeus nos trópicos, em 1462.
       

       
      Caminhei lentamente por suas ruas de pedra, observando as constru√ß√Ķes que em conjunto s√£o um Patrim√īnio da Humanidade. As mais emblem√°ticas s√£o o pelourinho, a catedral, o convento de S√£o Francisco e a fortaleza de S√£o Filipe. Essa √ļltima fica no alto de um morro, com vista pra toda cidade, e tem detalhes no interior, que custa 500 escudos pela visita.
       

       
      Num restaurante na orla (Praça do Mar), ingeri um prato de frango por 600 escudos.
       
      Uns tempos depois, peguei a volta pro bairro Plateau (centro) de Praia. Acabei parando sem querer numa van de mission√°rios brasileiros. Tive que me segurar para n√£o dizer que sou ateu.
       
      Tomei aquele sorvete e segui a sugest√£o dos colegas colombianos: visitei o Museu Am√≠lcar Cabral (200 escudos). Esse cara foi o respons√°vel pela independ√™ncia n√£o s√≥ de Cabo Verde, como tamb√©m Guin√©-Bissau! E l√° estava em carne e osso a vi√ļva dele!
       

       
      Voltei caminhando √† Achada Santo Ant√īnio. Fui √† Pizzaria Terrazza It√°lia, onde pedi uma de tomate e r√ļcula (800 escudos) e um caneco de chope (250 escudos). A boa aqui √© chegar at√© √†s 17:30 h, pois v√°rias pizzas custam 650 escudos.
       
      Depois disso, anoiteci no albergue.
       
      Dia 13
       
      Após o café, caminhei até a estação de coletivos do mercado Sucupira para pegar um até Tarrafal, extremo norte da ilha de Santiago. Demorou mais de uma hora para encher o veículo e uma e meia para chegar, por 500 escudos. Por muita coincidência, quem estava sentado esperando quando cheguei era Raul, o portuga.
       
      Descemos no campo de concentra√ß√£o, cujo apelido "carinhoso" √© campo da morte lenta. Para l√° foram enviados os portugueses que eram contra o regime fascista de Salazar, e tamb√©m os estrangeiros que lutavam pela independ√™ncia das col√īnias africanas. Paga-se 200 escudos para acessar o local.
       

       
      Caminhamos até o primeiro restaurante que vimos, onde tivemos um prato de peixe espinhento (chicharro) por 350 escudos.
       

       
      Em seguida, admiramos a orla, primeiro no ponto de mergulho Kingfisher, e depois na própria praia, ambos com um mar belo.
       

       
      Entramos na igreja da pra√ßa principal e regressamos ao final da tarde, passando pela bonita Serra da Malagueta ao p√īr do sol.
       
      Jantei garoupa com legumes no Só Sabi (400 escudos), e me retirei ao albergue.
       
      Dia 14
       
      Consegui dividir um t√°xi com mais 2 pro aeroporto; ainda bem, pois n√£o tinha mais dinheiro para peg√°-lo sozinho.
       
      Com atraso, voei de SATA por quase 4 horas até Ponta Delgada, a capital do arquipélago dos Açores. O entretenimento se resumiu a uma revista, mas ao menos a refeição foi substancial.
       
      Ao descer, presenciei um estado atmosférico que eu não via desde que saí do Brasil: chuva!
       
      Nem precisei abrir a boca na imigra√ß√£o. Ao atravess√°-la, comprei o bilhete de √īnibus (ANC AeroBus) do aeroporto ao centro de Ponta Delgada (6,5 euros para ida e volta).
       
      Caminhei admirando as ruas que possuem constru√ß√Ķes no mesmo estilo das mais antigas de Florian√≥polis, pois os a√ßorianos foram os que primeiro povoaram a Ilha da Magia.
       

       
      Jantei carne de porco alentejano por 6 euros no Café Trianon, ao lado da Igreja Matriz.
       
      Depois disso, passei mais uma hora e tanto caminhando aleatoriamente pelas vielas de pedra. A arquitetura dessa cidade é deveras interessante. E a noite é uma tranquilidade só.
       
      Passei a noite no albergue Bruma Hostel, cujo dono é um simpático mineiro. Dezoito euros por um lugar adequado e com café da manhã.
       
      Dia 15
       
      A refeição estava boa. Após ela, saí a vagar pelo centro histórico, agora podendo ver com mais detalhes as formas e cores preservadas das casas, igrejas, praças e edifícios governamentais.
       

       
      Almocei no Magia do Sabor. Durante a semana eles possuem um buffet por 7 euros, mas como era s√°bado, n√£o rolou. Optei ent√£o por um prato de frango com salada e refri por 5,6 euros.
       
      Cheguei a uma conclusão: o português africano é fácil de entender, o de Portugal razoavelmente, mas o de São Miguel (Açores), impossível!
       
      Em sequência, peguei minha mochila e retornei ao aeroporto, para pegar a continuação do voo num turboélice da SATA para a ilha do Pico, com escala na ilha Terceira.
       
      Ao desembarcar, fui recepcionado pelo Terry Costa, diretor do Montanha Pico Festival, que me fez o convite para participar. Primeiro, me mostrou um pouco dos arredores, que s√£o bem pouco desabitados, mas cheios de verde entre rochas vulc√Ęnicas.
       
      √Ä noite, nos encontramos com os demais fot√≥grafos no Atl√Ęntico Teahouse, onde jantamos. Logo depois, visitamos a exposi√ß√£o onde estavam minhas fotos - foi bem bacana!
       

       
      Partimos enfim para uma expedição fotográfica noturna. Pena que o tempo não ajudou muito.
       
      Repousei numa casa separada para o evento, junto com Toma, um cineasta da Cro√°cia, e Austeja, uma fot√≥grafa da Litu√Ęnia.
       
      Dia 16
       
      Pela manh√£, s√≥ dei uma volta a p√© entre a paisagem protegida das parreiras cultivadas em currais vulc√Ęnicos, um Patrim√īnio da Humanidade.
       
      Almocei com Terry e Toma na Pastelaria Linu na cidade de Madalena, onde tive uma massa por 7 euros.
       
      √Ä continua√ß√£o, fomos em dire√ß√£o √† Montanha do Pico, que estava coberta de nuvens e vento. Paramos na Casa da Montanha, onde eu apresentei a minha hist√≥ria ao p√ļblico que participava do festival. Foi recompensador para mim, pois nunca havia dado uma palestra a um p√ļblico internacional e grande.
       
      Após o chá com bolachas, o grupo percorreu uma trilha com o diretor do parque, que compartilhou seu conhecimento sobre a geologia da montanha.
       

       
      Passei no hipermercado SolMar de Madalena no retorno, onde comprei os cafés da manhã e jantares dos dias seguintes.
       
      Comi vendo TV e depois fui dormir.
       
      Dia 17
       
      De manhã, fui com o Terry até Madalena, o maior povoado da ilha, para uma entrevista na Rádio Pico, a primeira de minha vida!
       

       
      Depois, comprei as passagens de barca para Faial, a 3,6 euros cada trecho.
       
      Fiquei passeando e fotografando os arredores até a hora do almoço. Esse foi no snack-bar Duas Maravilhas, um prato feito de 6 euros.
       
      Prossegui na orla em dire√ß√£o √† Candel√°ria, onde estava hospedado. Na altura de Cria√ß√£o Velho, fiquei surpreso com a paisagem das vinhas entre labirinto de rochas, combinada com um moinho e com a montanha que finalmente se revelava. Esse √© um Patrim√īnio da Humanidade.
       

       
      Cheguei à casa já no final da tarde. Jantei e fiquei vendo TV. Enquanto isso, meus estranhos colegas de casa faziam um ritual espiritual com cacau.
       
      Dia 18
       
      Peguei o √īnibus da manh√£ (√ļnico) at√© Madalena (1,10 euros - tarifa varia de acordo com a dist√Ęncia), onde tomei a balsa das 8:15 h para Faial. Travessia confort√°vel de meia hora at√© a cidade de Horta.
       
      Na chegada, fui recebido com um arco-√≠ris. O maior centro urbano de Faial √© pequeno. Suas edifica√ß√Ķes baixas e coloridas s√£o lindas. Al√©m disso, j√° igrejas e um verde profundo nos campos atr√°s.
       

       
      Pedi um sandes (sandu√≠che) de atum (1,45 euros) num dos v√°rios caf√©s, antes de prosseguir para a praia de Porto Pim. De areia mais clara que a t√≠pica vulc√Ęnica, ali ficava um forte, uma esta√ß√£o baleeira e os cabos submarinos de telecomunica√ß√£o entre¬† Europa e Am√©rica.
       

       
      Em um dos raros √īnibus para fora de Horta, fui levado at√© a entrada do Vulc√£o dos Capelinhos, por 2,55 euros. Paguei outros 10 euros pelo ingresso no centro de interpreta√ß√£o. Esse local faz parte do geoparque dos A√ßores e possui uma hist√≥ria interessante, al√©m da paisagem surreal.
       

       
      Até 1957, não havia nada além do farol que ali se encontra. Então, eis que surgiu no meio do mar um vulcão, que entrou em erupção continuamente por 13 meses, adicionando um bom pedaço de terra à ilha e provocando a emigração de quase metade dos seus habitantes.
       
      No meio da tarde, precisei voltar. S√≥ que isso foi uma tarefa bem ingrata: sem autocarro (√īnibus), fiquei mais de uma hora caminhando em dire√ß√£o √† long√≠nqua Horta at√© conseguir uma boleia que me deixou no aeroporto. De l√°, peguei um t√°xi por 10 euros at√© a esta√ß√£o de balsa. Se n√£o fizesse isso, ia acabar a perdendo‚Ķ
       
      Preparei minhas coisas pro dia seguinte e fui dormir bem cedo.
       
      Dia 19
       
      Às 6 e 45 já estava de pé. Logo depois, peguei uma carona com um dos funcionários da Casa da Montanha, para ir até lá.
       
      Tive que pagar 20 euros de ingresso. Assim que o relógio bateu 8 e meia, iniciei a subida, sob frio e nuvens. Fui tirando as camadas conforme ascendia pelo fluxo de lava entre a vegetação verde arbustiva.
       
      Passei por uma das furnas, cones vulc√Ęnicos secund√°rios. Horas depois, surgiu o sol. Continuei progredindo tranquilamente, ainda que o trajeto fosse √≠ngreme.
       

       
      Sobre a camada de nuvens e encarando um vento considerável, cheguei à grandiosa cratera principal. Dali até o topo, chamado Piquinho, foi escalada com as mãos.
       

       
      Quatro horas depois de começar, cheguei ao ponto mais alto de Portugal, com 2351 m. A descida, por sua vez, levou pouco mais de 1 hora e meia. Só que meus tênis abriram um rasgo em ambas as solas.
       
      Com sorte, logo chegou uma dupla que me deu carona at√© Madalena. L√° fiquei √† espera do √īnibus para casa.
       
      À noite, tomei um vinho português e fiquei conversando com a colega.
       
      Dia 20
       
      Peguei uma carona até Cachorro (nomeado devido a uma formação rochosa em tal formato). De lá, continuei pelo litoral norte até Lajido, onde há um grande escorrimento de lava do tipo pahoehoe.
       

       
      Nesse povoado tamb√©m fica a Casa dos Vulc√Ķes e o Centro de interpreta√ß√£o da paisagem da cultura da vinha da Ilha do Pico. Comprei o ingresso combinado de 8 euros, visitando primeiro o museu interativo que trata da geologia. H√° at√© mesmo um simulador de terremoto.
       
      Como no inverno ambos museus fecham para almoço, tive que ficar aguardando até o segundo centro abrir. E não havia um estabelecimento sequer aberto em menos de 2 km para que eu pudesse comer.
       
      No estabelecimento seguinte, li sobre o processo de produ√ß√£o e da designa√ß√£o da √°rea como patrim√īnio, al√©m de provar um vinho licoroso da ilha.
       
      Ap√≥s a visita curta, caminhei at√© o aeroporto, onde comi um salgado e peguei o √īnibus para Madalena (0,95 euros). L√°, visitei mais um museu, o do vinho.
       
      Como o sistema estava fora do ar, pude ver de gra√ßa. Embora algumas informa√ß√Ķes fossem repetidas, em rela√ß√£o ao museu anterior, esse √© mais completo - s√≥ n√£o h√° a degusta√ß√£o. E pra completar, h√° um bosque de dragoeiros, √°rvore end√™mica da Macaron√©sia.
       

       
      Esperei o Terry, que levou eu e Toma para jantar num lugar meio chique em S√£o Roque - ainda bem que ele pagou, pois o jantar de polvo e etc que eu pedi na Casa √āncora custou 20 e muitos euros.
       
      Dia 21
       
      Fiz uma boquinha tranquilamente, indo em seguida à Galeria Costa, terreno onde ficam as obras de arte dos participantes do festival, em meio a jardins. Minha missão era a de fotografar de formas inusitadas.
       

       
      Missão cumprida, voltei à casa, preparei o almoço e aguardei a carona pro aeroporto. Voltei a Ponta Delgada com a SATA.
       
      Apenas passaria a noite lá. Dessa vez escolhi o albergue Azores Dreams, mais próximo, ao custo de 15 euros, incluso café da manhã.
       
      Dia 22
       
      A continuação do voo foi de manhã cedo para Funchal, na ilha da Madeira (os dois voos juntos custaram só 38,7 euros). Retirei o carro da empresa Surprice, que saiu de graça pra mim, reservando com pontos na EasyRentCars.
       
      As primeiras coisas notadas ao chegar s√£o a quantidade de turistas estrangeiros, bem maior que A√ßores, e o n√ļmero grande de t√ļneis. Atrav√©s de alguns desses, cheguei na Ponta de S√£o Louren√ßo. Essa √© uma √°rea protegida onde fica uma trilha popular, donde se v√™ uma pen√≠nsula rica em forma√ß√Ķes geol√≥gicas, e de vegeta√ß√£o diversa do resto da ilha.
       

       
      Passei 2 horas e meia caminhando ali. Na sa√≠da, peguei um sanduba (3 euros) num dos furg√Ķes, e parti pro interior da Madeira.
       
      Em meio √† floresta Laurissilva, Patrim√īnio da Humanidade, subi at√© outra trilha: vereda dos balc√Ķes. Essa √© bem f√°cil; leva at√© um mirante de onde se v√™ as florestas, os penhascos, algumas vilas e aves (s√≥ vi tentilh√Ķes e bis-bis).
       

       
      Já escurecia, então segui a Santana. Primeiro, comprei uns produtos típicos da Madeira no hipermercado Continente: vinho e bolo de mel de cana. Continuando, vi as casas típicas de colmo.
       
      Depois, tive certa dificuldade em achar um lugar pra jantar. Acabei tendo pizza (8,5 euros pela média) no estabelecimento Malta Gira.
       
      Para me hospedar, fiquei com uma casinha joia alugada pelo AirBnb, em Santana mesmo, por 107,5 reais.
       
      Dia 23
       
      Tomei meu iogurte com granola e piquei a mula. Primeira parada foi morro acima, no Parque Florestal de Queimadas, onde fazia 7 graus de temperatura.
       

       
      Visitei a casa típica de Santana mobiliada. Depois, caminhei um pouco nessa floresta Laurissilva, de verde infinitivo e água. O problema é que minhas meias ficaram encharcadas, graças aos buracos nos tênis.
       
      Em seguida, parada rápida nas ruínas de São Jorge (em reparos) e no miradouro da Vigia. Mesmo eu tendo comida no carro, precisava de alguma proteína salgada, então comi um tipo de sanduíche típico chamado "prego especial no bolo do caco", no Bar e restaurante Arco, por 4 euros. Vista pro mar.
       

       
      Continuei a contornar a ilha. Parada seguinte no miradouro V√©u da Noiva - cascatas. Mais al√©m, em Ribeira da Janela e em Porto Moniz. Esse √ļltimo vilarejo possui uma orla tur√≠stica, baseada em piscinas naturais.
       

       
      Cheguei a tempo de curtir o p√īr do sol na Ponta do Pargo, o ponto mais a oeste da Madeira, onde fica um farol e minha hospedagem. Jantei no restaurante pr√≥prio, onde tive a sorte de ser servido por um chef e um gar√ßom brasileiros, que me fizeram uma baita feijoada com caipirinha por 7 euros.
       

       
      Dormi no quarto privado do residencial, por 77 reais.
       
      Dia 24
       
      Não sabia que havia café da manhã, então acabei comendo o que eu havia comprado. Mesmo assim, os solícitos brasileiros me prepararam um rango pra levar, que eu acabei comendo à noite.
       
      Ao sair, tentei ver algo no mirante da Garganta do Diabo, mas havia apenas um filete de água. Sendo assim, segui em direção a Funchal.
       
      Fiz uma parada antes, em dois mirantes: Cabo Gir√£o e Pico dos Barcelos.
       

       
      Em sequência, comprei uns artigos necessários, como os tênis, na Decathlon.
       
      Pra achar um lugar pra almoçar foi duro, pois às 15 h já não se servia mais. Por isso, acabei comprando num supermercado mesmo e comi no carro.
       
      Ap√≥s, visitei o Jardim Bot√Ęnico da Madeira (6 euros). Num declive, ficam jardins tem√°ticos, alguns deles bem interessantes, como o das suculentas e o geom√©trico, al√©m das plantas nativas da Madeira.
       

       
      Para o p√īr do sol, me dirigi ao Cristo Rei, uma est√°tua a la Cristo Redentor, num mirante.
       
      Depois de lá, dei entrada na Quinta das Malvas, um casarão do século 19. Paguei 21,7 euros pela suíte privada, com café da manhã mas sem TV. Terminei meu vinho da Madeira, licoroso.
       
      Dia 25
       
      Deixei o carro na hospedagem, pois seria inc√īmodo guiar nas vielas do centro, al√©m de caro pra estacionar. Assim, desci a ladeira a p√©.
       

       
      H√° um bocado de constru√ß√Ķes antigas, como igrejas, pal√°cios e fortes, bem como pra√ßas e museus. Na orla, dois transatl√Ęnticos alem√£es despejavam um monte de turistas europeus.
       

       
      Visitei dois dos museus. Um deles é dedicado ao madeirense mais famoso: Cristiano Ronaldo. Por 5 euros, se vê uma sala recheada de troféus de um dos melhores jogadores do mundo.
       
      O outro museu chama-se Madeira Story Centre. De uma forma bem didática, conta sobre a história e cultura da região.
       
      Entre esses museus, almocei o prato do dia com atum na Petisqueira Atlantic (5,5 euros).
       
      Passeei aleatoriamente por umas horas, apreciando a parte hist√≥rica. Por fim, peguei um √īnibus (1,95 euros) de volta √† hospedagem.
       
      Preparei minhas coisas, abasteci e devolvi o carro no aeroporto, para ent√£o aguardar o voo pra Lisboa pela easyJet (46,5 euros).
       
      Ao desembarcar, fui de metr√ī (50 centavos cart√£o + 1,5 euros passagem) at√© a hospedagem Urban Garden Hostel, onde passei duas noites num quarto compartilhado com caf√© por um total de 25 euros.
       
      Dia 26
       
      Em seguida ao caf√© da manh√£ meio fraco, andei at√© o museu de hist√≥ria natural e ci√™ncia. O ingresso combinado com o jardim bot√Ęnico saiu por 6 euros. Achei divertida a parte interativa, sobretudo a se√ß√£o de f√≠sica. J√° o jardim, esse n√£o √© t√£o interessante.
       

       
      Almocei no indiano Bengal Tandoori por 6,9 euros. A sobremesa foi na sorveteria Amorino (4 bolas por 4,7 euros), localizada no calçadão central da rua Augusta.
       
      Continuei a caminhar pelo centro histórico, cheio de turistas e edifícios interessantes. O que não gostei foi do fato de me tentarem vender drogas a todo momento.
       

       
      Terminei a caminhada com o sol se pondo na orla. Voltei ao albergue, onde esperei meu colega português Rodrigo, que levou a mim e sua namorada para jantar no restaurante A Obra. O prato de comida refinada com vinho saiu por 19 euros por pessoa. Ao menos, pudemos tomar a aguardente caseira à vontade.
       
      Continuamos a festa em duas baladas: a primeira, Crew Hassan, gratuita e cheio de estrangeiros, a segunda, Desterro, meio oculta e ao custo de 5 euros.
       
      Dia 27
       
      Acordei tarde. Fui até a estação final Cais do Sodré, onde tomei o trem até Belém (3,2 euros das passagens + outro cartão).
       
      L√° visitei o Museu Nacional de arqueologia e o Mosteiro dos Jer√īnimos (12 euros pelos dois). O museu possu√≠a 3 exibi√ß√Ķes: Eg√≠pcios, Lusit√Ęnia romana e tesouros portugueses. Quanto ao mosteiro, ele lhe d√° acesso ao claustro, ao andar superior da igreja e a uma linha do tempo.
       

       
      Ao sair de lá, a chuva estava forte. Como os restaurantes mais em conta estavam já fechados, fiquei com o Cais de Belém. Escolhi uma entremeada no carvão por 6,8 euros.
       
      Com a tarde chegando ao fim e eu molhado e com dores na coluna desde o dia anterior, regressei. Peguei minha mochila e toquei pro aeroporto.
       
      Às 21 h, fui de Vueling até Barcelona, onde passei a noite no aeroporto.
       
      Dia 28
       
      Sem dormir direito, de manhã fui de Norwegian até San Francisco, com conexão em Londres-Gatwick. O segundo voo foi de 10 horas e meia de duração, sem comida ou sequer água pra beber, já que era um voo de baixo custo. Ainda bem que levei.
       
      Tive aquela recepção nada amigável dos agentes de imigração, que me mandaram pra sala de interrogatório e me deram um chá de cadeira de quase 3 horas!
       
      Desgastado, peguei o trem (BART) até o centro de San Francisco, por 10,2 dólares. Se eu fosse usar mais esse transporte, valeria comprar um cartão Clipper (3 dólares), para usufruir de tarifas menores.
       
      Desci pr√≥ximo √† hospedagem Found Hotel, onde eu ficaria num quarto compartilhado por uns 125 reais a di√°ria. Antes disso, por√©m, parei pra comer no Burger King (2 sandu√≠ches por 6 d√≥lares), o primeiro lugar aberto que vi. Parecia um manic√īmio aquilo‚Ķ
       

       
      Dia 29
       
      Comecei o dia me assustando com a quantidade de sem-tetos e gente maluca no centro de San Francisco. Não lembro de ter visto igual em outro país de primeiro mundo!
       
      Comprei rango num mercado e saí a caminhar ao redor dos prédios altos. Parei na loja de roupas baratas Dress for Less, onde adquiri alguns itens, como tênis por 10 dólares.
       
      Almocei num Subway (30 cm por 8,1 d√≥lares). Depois embarquei num √īnibus para a √°rea da ponte Golden Gate (4,5 d√≥lares). J√° havia estado aqui em 2011, mas essa vista ainda me deixa de boca aberta.
       

       
      Passei o resto da tarde por l√°, entre a neblina que surgia e sumia constantemente. Antes de partir, entrei na Sports Basement, uma loja enorme de artigos esportivos.
       
      Retornei ao centro caminhando. Primeiro passei pelas casas bacanas em frente à marina. Em seguida, jantei biryani de frango (10,8 dólares) no indiano Naan Curry. Saí de lá explodindo e soprando fogo.
       
      Voltei o resto do caminho tortuoso e fui dormir.
       
      Dia 30
       
      O jetlag de 8 fusos bateu no meio da noite. Quando decidi sair da cama, conheci o centro c√≠vico e depois peguei um √īnibus at√© a Ocean Beach (3 d√≥lares).
       
      No supermercado Safeway, comprei uma marmita por 7 dólares e comi na beira da praia, só que o vento estava desagradável.
       
      Assim, entrei de uma vez no Golden Gate Park. Esse parque municipal maior que o Central Park de NY √© repleto de atra√ß√Ķes esportivas e naturais. Passei muitas horas ali, caminhando e fotografando.
       

       
      Quando o final da tarde se aproximava, encontrei um casal de brasileiros, que me deram uma carona de volta. Fiquei no shopping Westfield Centre. Lá eu jantei frango teryaki (10,1 dólares) numa lanchonete chinesa, que tenta enganar com o nome Sarku Japan.
       
      Dia 31
       
      De manh√£, fui no ponto retirar as diversas encomendas que havia feito com a Amazon. Foi um parto trazer todas aquelas caixas de volta ao hotel, 1,5 km distante. Consegui fazer tudo caber em duas mochilas, a tempo do check-out.
       
      Almocei comida coreana no quiosque Sorabol, no shopping. Escolhi bulgogi com kimchi, miojo, arroz e brócolis (10,8 dólares).
       
      Depois, fiquei zanzando pelos bairros a nordeste at√© escurecer. Passei pela Chinatown, pela rua sinuosa Lombard e pelos p√≠ers da orla, todas essas atra√ß√Ķes imperd√≠veis.
       

       
      Jantei no chinês Panda Express (11,8 dólares). Então, parti pro aeroporto.
       
       
      Dia 32
       
      De madrugada, peguei o primeiro v√īo do dia, pela Avianca, at√© San Salvador (El Salvador). Que bom que tive a fileira inteira livre pra mim, ent√£o pude dormir.
       
      O segundo foi para Lima (Peru), enquanto que o terceiro chegou em Guarulhos na manh√£ seguinte, para ent√£o retornar a Floripa. Fim!
       
      Curtiu o relato resumido? Então confere o completo desses e mais de outros 100 países em meu blog de viagem Rediscovering the World
    • Por Filipe O. Barros
      Opa pessoal, tranquilo?
      -Estou com uma viagem pr√© planejada para B√©lgica em mar√ßo 2021 (se as fronteiras j√° estiverem abertas), mas me aparecerem algumas d√ļvidas, como estou sempre tentando me informar atualizadamente
      -Bom, nunca mochilei na Europa antes, e, eu li em algum lugares algumas coisas obrigatórias, e gostaria de que alguém pudesse me esclarecer
      -seguro viagem, eu li que isso é obrigatorio para as viagens para a Bélgica.
      -passagem de ida x volta, bom eu estava em mente de comprar a penas a passagem de ida, e a de voltar comprar quando estivesse lá, pois além de sair mais em conta, eu poderia partir de qualquer cidade em que eu estivesse naquele momento, antes de esgotar meu tempo na área schegen.  Mas pelo que eu li, é necessário mostrar a passagem de volta também, há alguma forma de conseguir apenas a de ida?
      -hotel, como seria mochilagem roots, hotel não estaria incluso, seria barraca e trabalhos em troca de acomodação.
      -dinheiro, tamb√©m li que, preciso provar que tenho dinheiro para pelo menos ‚ā¨95 por dia, bom, eu n√£o teria isso, √© realmente obrigat√≥rio? Como eu poderia escapar desta parte?
       
      Desde j√°, muito obrigado, e caso algu√©m possa me esclarecer minhas d√ļvidas, responda a este post, ou envie-me uma mensagem via Whatsapp (22) 99256-4330
    • Por felipeporto
      Oi gente!
      em Dezembro de 2021 eu vou passar 40 dias na Europa conhecendo o continente
      eu vou ficar:
      6 dias na espanha
      5 dias em portugal
      7 dias na frança
      6 dias na inglaterra
      3 dias na holanda
      6 dias na alemanha
      7 dias na italia
       Quanto vocês acham que eu devo levar (estimativa) pra passar esses dias por lá? 
      incluindo todos os custos (alimenta√ß√£o, hospedar em hostel, transporte, atra√ß√Ķes, etc)
      (em portugal vou ficar em casa de família)
    • Por Roberto Tonellotto
      No m√™s de maio de 2018 viajei para a It√°lia com o objetivo de assistir a duas etapas do Giro d‚ÄôItalia, uma das competi√ß√Ķes de ciclismo mais importante do mundo ao lado do Tour de France. Ao todo s√£o 21 etapas. Nessa edi√ß√£o as tr√™s primeiras etapas foram em Israel antes de chegar na Sic√≠lia, j√° na It√°lia, e subir at√© o Norte e depois retornar ao Sul para a √ļltima disputa em Roma.
      Meu objetivo era assistir a 14¬™ etapa, com partida de San Vito Al Tagliamento com chegada no Monte Zoncolan. Assistir de perto uma final de etapa sobre o m√≠tico Zoncolan na regi√£o do Friuli √© o sonho de qualquer ciclista ou apreciador do esporte. ¬†Considerada a montanha mais dura da Europa, com 10,2km e com ganho de eleva√ß√£o de 1.225 metros, torcedores do mundo todo disputam espa√ßo ao longo de toda subida para ver de perto o sofrimento e a garra dos melhores ciclistas de estrada do mundo. Na tarde do dia 19 de maio eu e o amigo Tacio Puntel, que mora no pa√≠s h√° 13 anos, est√°vamos estrategicamente colocados sobre a Montanha para assistir √† chegada. Milhares de pessoas chegaram cedo ou at√© acamparam no local, onde a temperatura m√≠nima naquela madrugada tinha ficado abaixo de zero. Mas tudo √© festa. Ali ficou evidente para mim como a cultura do ciclismo √© t√£o importante para a sociedade italiana e europeia. Mas para a alegria de alguns e a tristeza de outros quem ganha a etapa √© o brit√Ęnico Chris Froome (que se tornaria o campe√£o do Giro) seguido de perto por Simon Yates e em terceiro colocado o italiano Domenico Pozzovivo.
      No outro dia fomos at√© Villa Santina para assistir a passagem da 15¬™ etapa com 176km, que teve in√≠cio em Tolmezzo e chegada em Sappada, tamb√©m na regi√£o do Friuli. A passagem dos ciclistas ocorreu dentro da cidade. Sentados em um bar ao lado rua, podemos ver toda a estrutura envolvida para dar suporte as 22 equipes que somam quase 180 ciclistas. √Ēnibus, Vans, Carros de abastecimentos, motos, equipes de televis√£o, ambul√Ęncias. Uma grande log√≠stica para um neg√≥cio milion√°rio que percorreu mais de 3.571 mil quil√īmetros em terras israelenses e italianas.
      Mas nem s√≥ de assistir ao Giro se resumiu essa viagem. Ap√≥s passar alguns meses planejando roteiros para pedalar na It√°lia, √Āustria e Eslov√™nia, chegava a hora de p√īr em pr√°tica. Narro a partir de agora alguns trechos de cicloturismo que realizei nos tr√™s pa√≠ses.
      Cleulis (It√°lia) ‚Äst Passo Monte Croce - Dellach (√Āustria) ‚Äď 70km.
      Acordei decidido que iria almo√ßar na √Āustria. Para chegar at√© l√° teria que enfrentar o Passo do Monte Croce Carnico, ao qual j√° tinha subido e tinha no√ß√£o que n√£o era muito dif√≠cil. O retorno por√©m, era uma inc√≥gnita. O dia estava bonito, a minha frente a espetacular Creta de Timau, a montanha de 2218m, me mostrava o caminho. Uma parada r√°pida para foto na capela de Santo Osvaldo e cruzo Timau, a √ļltima frazione antes de chegar √† fronteira. A partir dali, s√≥ subida e curvas. Muitas curvas. Eram incont√°veis os grupos de motociclistas, trailers e cicloturistas que desciam a montanha. A cada curva um novo panorama se abria. Placas indicavam a altitude, 900m, 1000m, 1200m, at√© alcan√ßar os 1375m na fronteira It√°lia/√Āustria. Depois, s√≥ alegria... Descida de 12km at√© Mauthen.
      Parada em Kotschach para foto e planejar o pr√≥ximo passo. Viro √† direita na 110 e o vale que se abre a minha frente (e que se estende por quase 80km at√© Villach) me faz recordar da √Āustria dos cart√Ķes postais e filmes. Campos verdes infinitos e montanhas que ainda conservavam a neve do inverno. O que mais me impressionou foi o aroma. Um frescor no ar. Uma mistura de terra molhada com lenha verde rec√©m cortada. Segui por esse vale at√© encontrar a primeira cidade, a segunda, a terceira. Resolvi que era hora de voltar. Encontro a Karnischer Radweg R3, uma ciclovia que acompanha um belo Rio de √°guas cristalinas. Chego novamente em Mauthen, compro um lanche refor√ßado e quando vejo j√° estou subindo os 12km em dire√ß√£o a It√°lia. Come√ßa a chover faltando poucos quil√īmetros para a fronteira.
      Parada obrigat√≥ria no Gasthaus Plockenhaus. Tempo depois a chuva diminui e come√ßo o √ļltimo trato at√© a fronteira. Mais um t√ļnel congelante. Pedalo forte para esquentar o corpo. Na fronteira, j√° aquecido, vou beber um caf√© no Al Valico, no lado italiano. Como ainda tinha algum tempo at√© anoitecer e querendo aproveitar ao m√°ximo a viagem, deixo a bicicleta no restaurante e parto rumo a um trekking montanha acima, rumo ao Pal Piccolo. O local foi cen√°rio de um dos epis√≥dios mais sangrentos da Primeira Guerra Mundial e hoje abriga um museu a c√©u aberto, onde mant√©m em perfeito estado as trincheiras e equipamentos utilizados nas batalhas entre o Imp√©rio Austro-H√ļngaro e It√°lia. Seria uma caminhada de 2km com quase 600m de subida. Logo comecei a ver alguns animais selvagens e neve.
      Nenhuma palavra pode descrever o que eu senti l√°. √Č emocionante estar em um local de Guerra t√£o bem preservado a quase 2 mil metros de altitude. Ali as trincheiras ficam a menos de 30 metros umas das outras. A bateria da Gopro e do celular j√° tinha acabado. A minha tamb√©m. Apenas uma foto registrou a chegada. N√£o demorei muito e comecei a descer. Depois de 40 minutos de descida at√© a fronteira, pego a bicicleta e des√ßo em dire√ß√£o a Cleulis, sob chuva e vento forte.
      Grossglokner Alpine Road ‚Äď √Āustria ‚Äď 30km
      O corpo cobrava o pre√ßo do esfor√ßo dos √ļltimos pedais e do cansa√ßo da longa viagem. O s√°bado amanheceu bonito na regi√£o da Carnia na It√°lia e fazia calor quando partimos rumo a Heiligenblut na √Āustria. O contraste do verde das montanhas com alguns pontos de neve com o c√©u azul e a brisa leve nos lembravam que a primavera havia chegado e n√£o iria demorar muito para o ver√£o dar as caras. Por volta do meio dia chegamos a Heiligenblut. A partir dali eu seguiria pedalando. Rapidamente preparo a Mountain Bike, me visto, respiro fundo e come√ßo a ‚Äúescalar‚ÄĚ os 15 quil√īmetros at√© o mirante do Grossglockner, a maior montanha da √Āustria e a segunda da Europa, com 3797m de altitude. Os primeiros metros, com uma inclina√ß√£o de 15% j√° demonstravam que o desafio seria vencido com paci√™ncia e for√ßa. O calor me surpreende, o Garmin marca 33 graus e uma altitude de 1295m, o que s√≥ aumenta o desconforto, que iria diminuir conforme ganharia altura. Pra quem j√° subiu a linha S√£o Pedro, Cortado, Cerro Branco, Lajeado Sobradinho, Linha das Pedras ou Linha dos Pomeranos pode ter uma pequena ideia do que foi. Chegava na marca dos 11km de subida, na altitude de 2000 mil metros. Pausa para hidrata√ß√£o e para admirar a paisagem. Picos nevados, cachoeiras, mirantes, campos verdes. Imposs√≠vel n√£o ficar hipnotizado com tamanha beleza de uma das estradas alpinas mais bonitas do mundo. Depois de 2 horas e 15 minutos e algumas paradas para hidrata√ß√£o chegava a 2.369m com uma vis√£o espetacular do Glaciar Pasterze com 8,5km de comprimento e do imponente Grossglockner. Depois de comprar alguns souvenires e comer um pouco, iniciei a descida que em alguns pontos era poss√≠vel ultrapassar facilmente os 80km/h.
      Triglav - Kranjska Gora (Eslovênia) Tarvisio - Pontebba - Chiusaforte - Moggio Udinese (Itália)
      Parque Nacional Triglav, Eslov√™nia. Passava do meio dia quando inicio mais uma pedalada. O trajeto do dia seria quase todo em ciclovias atrav√©s de vales. Segui at√© a fronteira em Ratece e dali at√© Tarvisio na It√°lia onde encontrei a ciclovia Alpe Adria que inicia em Salsburgo na √Āustria e vai at√© Grado no litoral do mar Adri√°tico. Feita sobre uma antiga ferrovia, asfaltada e bem sinalizada √© considerada uma das mais bonitas da Europa. Diversos t√ļneis, pontes, √°reas para descanso e pontos para manuten√ß√£o das bikes com ferramentas a disposi√ß√£o. Durante o dia cruzei por centenas de ciclistas e fui cumprimentado por japoneses, espanh√≥is, alem√£es, holandeses e claro, italianos.
      √Č um parque de divers√£o s√≥ para ciclistas. Um ponto de encontro de apaixonados por bicicleta de diferentes nacionalidades. Ali fam√≠lias pedalam tranquilamente, sem pressa. Mais do que uma atividade f√≠sica, percorrer a Alpe Adria √© uma viagem na hist√≥ria e nos valores culturais e ambientais do Friuli.
      A paisagem mudava constantemente, ao fim de cada t√ļnel se abriam bosques selvagens, montanhas rochosas e rios com √°gua em tons de azul. Parei na antiga esta√ß√£o de Chiusaforte que foi transformada em um bar para cicloturistas. Dessa cidade as fam√≠lias Linassi, De Bernardi e Pesamosca emigraram para a Quarta Col√īnia na d√©cada de 1880. Recarreguei as energias com caf√© e cornetto e segui em frente encantado com a beleza do Rio Fella. Ap√≥s alguns quil√īmetros, ao lado do Rio Tagliamento encontrei a cidade medieval fortificada de Venzone. Pr√≥ximas paradas: Buia terra das fam√≠lias Tondo e Comoretto e a cidade de Gemona Del Friuli das fam√≠lias Copetti, Forgiarini, Baldissera, Londero, Brondani, Papis, Rizzi, Patat e tantas outras que dali sa√≠ram para colonizarem a regi√£o central do nosso Estado.
      Nos √ļltimos quil√īmetros encontrei a bel√≠ssima plan√≠cie friulana e √ödine, Palmanova e Aquileia, a antiga cidade romana fundada em 181 a.C. que conserva vest√≠gios arquitet√īnicos do Forum, do porto fluvial e os 760 metros quadrados de mosaico do s√©culo III na Bas√≠lica de Santa Maria Assunta.
      J√° era tarde da noite quando cheguei em Grado. Degustei uma pizza e um bom vinho tocai friulano e adormeci ao som do Mar Adri√°tico.
      Pendenze Pericolose
      Pendenze Pericolose √© um hotel para ciclistas de estrada em Arta Terme. Estrategicamente localizado pr√≥ximo das subidas mais desafiadoras da Europa como o Zoncolan e o Monte Crostis √© tamb√©m cen√°rio para diversas competi√ß√Ķes esportivas. Foi ali que conheci seu idealizador, o romano Emiliano Cantagallo que deixou o emprego de Guarda do Papa para se dedicar inteiramente ao ciclismo e a hotelaria na regi√£o da C√°rnia.
      Eu j√° acompanhava seus v√≠deos na internet com ciclistas profissionais em lugares incr√≠veis onde ele demonstrava a paix√£o que sentia por aquela terra. Estando t√£o perto eu n√£o poderia perder a oportunidade de ter essa experi√™ncia. Atrav√©s dos amigos T√°cio e Marindia Puntel o encontro foi marcado. No outro dia j√° est√°vamos na estrada, eu, Emiliano e Alessandra que tamb√©m veio de Roma e estava hospedada no hotel. Fiquei espantado com seus n√≠veis de condicionamento f√≠sico. Normal para quem faz por volta de 150km todos os dias. Nesse dia aliviaram para mim, seriam 100km e ‚Äúapenas‚ÄĚ duas montanhas.
      Foi um dia inesquec√≠vel, apesar do ritmo forte, conversamos muito. Emiliano contava sobre cada lugar: Sella Nevea, Tarvisio, Montasio... Falamos sobre o acaso da vida. Dois romanos e um brasileiro nas montanhas da C√°rnia unidos por um esporte e com vis√Ķes de mundo semelhantes. No meio do caminho, fizemos uma parada no Lago del Predil. Contemplamos o lago cercado por montanhas e nos abra√ßamos como velhos amigos.
      Foram mais de 500 quil√īmetros pedalados entre √Āustria, It√°lia e Eslov√™nia durante a primavera do hemisf√©rio norte. Foram 15 dias de imers√£o cultural, descobrindo e aprendendo. Permaneci a maior parte do tempo entre Arta Terme e Paluzza. Sentia-me em casa convivendo com pessoas que possuem uma liga√ß√£o geneal√≥gica e afetiva com nossa regi√£o. Daquela √°rea sa√≠ram as fam√≠lias Anater, Prodorutti, Puntel, Maieron, Dassi, Muser e Unfer. Se n√£o fosse pela l√≠ngua e pelas montanhas, diria que estava na Linha dos Pomeranos ou na Serraria Scheidt.¬† Na fra√ß√£o de Cleulis, em Paluzza, conheci as casas que foram de alguns emigrantes. Constru√ß√Ķes em sua maioria de dois pavimentos e que ainda se mantem intactas e bem cuidadas.
      Foi de Cleulis que iniciei mais uma pedalada, agora at√© o Lago Avostanis. N√£o fazia ideia do que ia encontrar quando parti √†s 7 horas de um domingo ensolarado e frio. Logo comecei a subir por uma estrada de terra que serpenteava a Floresta de Pramosio. Muitas curvas. Seriam mais de cinquenta nos dez quil√īmetros at√© o topo. A inclina√ß√£o era absurda. A mata fechada permitia que apenas alguns raios de sol atingissem a estrada. Quanto mais alto, mais a temperatura diminu√≠a e a paisagem se transformava. Parei em uma placa indicativa que mostrava em detalhes como a vegeta√ß√£o se dividia conforme a altitude. Assustei-me quando percebi que havia percorrido apenas um ter√ßo do caminho. O sil√™ncio era quase total, ouvia apenas a minha respira√ß√£o e o barulho do atrito dos pneus com o cascalho.¬† O ambiente, muito bem preservado, √© lar de cervos e coelhos selvagens que saltavam de um lado para o outro. Na altitude de 1500 metros est√° a Malga Pramosio. Malga √© uma esp√©cie de estabelecimento alpino de ver√£o, geralmente um restaurante ou bar com produtos t√≠picos. Segui em frente. O caminho a parti dali s√≥ √© poss√≠vel ser feito a p√© ou de bicicleta. Ainda havia muita neve em alguns pontos, o que exigia colocar a bicicleta nas costas e caminhar sobre o gelo ao lado de um precip√≠cio. Foi assim que cheguei a quase 2 mil metros de altitude no Lago Avostanis que ainda estava congelado. Foi o lugar mais bonito de toda a viagem, uma beleza que s√≥ se revela para aqueles dispostos a enfrentar a si mesmos e a respeitar o poder da natureza em sua forma bruta.
      Durante esse tempo pedalando por antigas estradas romanas, cidades medievais, atravessando fronteiras e exposto a uma diversidade de culturas e tentando me adaptar a cada uma delas, percebi uma coisa que mais me chamou aten√ß√£o: o respeito. O respeito n√£o s√≥ com o ciclista, mas com o ser humano em si. E o respeito se transformava em solidariedade, em empatia. Por diversas vezes, em bares e restaurantes principalmente no Friuli, recusavam-se que eu pagasse a conta. N√£o sofri qualquer tipo de preconceito por ser brasileiro ou por n√£o ter sangue ‚Äúpuro‚ÄĚ italiano. Havia apenas curiosidade e fasc√≠nio de ambas as partes.
      Foram tantos os detalhes que me chamaram aten√ß√£o durante esses dias que s√£o dif√≠ceis de enumer√°-los. Desde beber √°gua direto das fontes √† beira da estrada at√© a generosidade daquele povo. √Č poder conhecer coisas assim quer torna o ciclismo t√£o especial. N√£o √© apenas o lugar em si. Mas o modo que voc√™ o visita. As pessoas e as hist√≥rias que conheceu. O que voc√™ precisou fazer para chegar at√© ele e o quanto dele ficou em voc√™ quando foi embora.
       
































    • Por tulioboy123
      Bom dia, gente! o meu trisav√ī √© alem√£o (trisav√ī-bisav√≥-av√ī-pai-eu). Nesse grau de parentesco, tenho direito √† cidadania alem√£?
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