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ūüď∑¬†Texto original com fotos aqui

Hamburgo¬†√© uma cidade moderna, mas tem aquele charme europeu e uma identidade forte que vem das √°guas! √Č banhada pelos rios Alster e Elba, sendo esse √ļltimo a porta de entrada para o imenso¬†Porto de Hamburgo.

Ao longo de sua história, a cidade passou por períodos críticos de destruição e mortes, sendo os mais relevantes o grande incêndio de 1842 e os bombardeios no período da Segunda Guerra Mundial.

Embora seja a segunda maior cidade da Alemanha, atr√°s apenas da capitalBerlim, √© poss√≠vel conhecer relativamente bem¬†Hamburgo¬†em 2 ou 3 dias. A cidade √© bem plana e simples de ser explorada a p√©, mas se for preciso o metr√ī tamb√©m funciona muito bem.

Para chegar do aeroporto ao centro, o jeito mais simples √© pegar o trem (S1 ‚Äď Dire√ß√£o¬†Hamburg-Blankenese) at√© a Esta√ß√£o Central (Hauptbahnhof). O valor do bilhete √© 3,30 ‚ā¨ e a viagem dura cerca de 25 minutos.

Veja aqui¬†mais informa√ß√Ķes sobre o transporte publico de¬†Hamburgo.

Acabamos ficando hospedados em dois hotéis diferentes. A primeira noite em uma das unidades do Novum, próximo à Estação Central e o resto dos dias no City Hotel Hamburg Mitte. O primeiro é mais barato, tem boa localização e um café da manhã eficiente, mas recomendo mais o segundo! Apesar de ter o café da manhã pago a parte (que achei caro e não experimentei), os quartos são bem modernos e dos andares altos tem-se uma super vista da cidade!

O entorno do¬†Lago Alster¬†√© uma das regi√Ķes mais fotog√™nicas da cidade, e um bom ponto de partida para explor√°-la. O cen√°rio com as altas torres das igrejas atr√°s do conjunto de pr√©dios que circundam o lago d√£o a impress√£o de estarmos em uma ilustra√ß√£o de lata de biscoitos. No inverno, adicione o fato de o lago estar quase congelado e o resultado √© uma vontade de ficar ali olhando aquela paisagem at√© que o frio n√£o permita mais sentir as m√£os, hora de encontrar um lugar quentinho!

Caminhando por essa região super sofisticada, cheia de lojas de grife e hotéis caríssimos, me deparei com o simpático Big Fat Unicorn, que já me ganhou pelo nome! O café, todo fofo, serve sanduíches coloridos e outras delícias para encher a barriga e o feed do Instagram.

A poucos minutos de l√° fica a¬†Rathaus¬†‚Äď o pr√©dio da prefeitura, um dos cart√Ķes postais de¬†Hamburgo. O edif√≠cio √© lindo, uma imponente constru√ß√£o de arquitetura neocl√°ssica que domina a¬†Rathausmarkt, pra√ßa onde est√° localizado. √Č poss√≠vel acessar gratuitamente o hall de entrada.

Nas ruas ao entorno, especialmente na Mönckebergstrasse, há muitas lojas, cafés e restaurantes.

Embora existam diversas igrejas em¬†Hamburgo, foram duas as que me chamaram mais aten√ß√£o. A primeira √© a¬†St. Nikolai, que na verdade hoje funciona como um memorial, tendo preservada apenas sua torre e algumas ru√≠nas. A igreja foi bombardeada pelos ingleses durante a Segunda Guerra Mundial em um ataque conhecido como ‚ÄúOpera√ß√£o Gomorra‚ÄĚ. Na √°rea externa h√° algumas obras de arte como a escultura ‚ÄúThe Ordeal‚Äú, onde um homem est√° sentado tristemente sobre os tijolos originais do campo de prisioneiros deSandbostel. A torre, que j√° foi a mais alta do mundo, hoje ocupa o quinto lugar entre as maiores torres de igreja. A subida ao topo √© feita atrav√©s de um elevador e a vista l√° de cima deve ser fant√°stica!

A outra igreja que achei diferente do comum é a St. Michaelis. Seu interior, de tonalidades claras e detalhes dourados, parece muito um ambiente de teatro, com um auditório no mezanino e grandes janelas envidraçadas onde imaginei camarotes reais. A entrada na igreja é grátis, mas também há ingressos para quem quiser subir na torre.

√Ä noite tive que ir conhecer a t√£o falada Rua¬†Reeperbahn, famosa por ser um pouco como o¬†Red Light District¬†de¬†Amsterdam. √Č aquele lado meio ca√≥tico da cidade, onde os letreiros em neon atraem j√° embriagado turistas e hamburgueses. Tanto a via principal quanto as adjacentes tem op√ß√Ķes de ‚Äúentretenimento adulto‚ÄĚ para todos os tipos de p√ļblico.

A regi√£o, chamada¬†St. Pauli, ganhou essa fama por ser pr√≥xima ao Porto de Hamburgo, se tornando ent√£o o local de divers√£o dos profissionais do mar.Mas¬†St. Pauli¬†tamb√©m n√£o √© s√≥ sacanagem. H√° quase 60 anos, quando os¬†Beatlesainda estavam no come√ßo da carreira, eles fizeram ali algumas das suas primeiras apresenta√ß√Ķes fora da¬†Inglaterra. Por sua hist√≥ria com a cidade, ganharam h√° alguns anos uma homenagem: a¬†Beatlesplatz! A pra√ßa fica no final da¬†Reeperbahn¬†e tem esculturas dos integrantes da banda

Mas o que eu gostei mesmo naquela região foi a Cervejaria Astra, pertinho da Beatlesplatz. O espaço é enorme, com uma decoração meio industrial e uma mesa de pebolim (pra jogar de graça)! Essa cerveja é bem comum em Hamburgo, mas lá é possível experimentar os diferentes tipos, como a IPA e a Stout. Vale a pena pegar o kit degustação. A comida também é deliciosa e bem variada, das tradicionais salsichas à pratos vegetarianos.

A bagun√ßa de¬†St. Pauli¬†√© legal, mas como estava em uma vibe mais intimista, fomos at√© o¬†Cotton Club, um bar de jazz pequenininho e aconhegante. N√£o √© a op√ß√£o mais barata, mas o lugar √© √ļnico e a banda era incr√≠vel, liderada pelo sueco Bent Persson. Valeu cada centavo!

Uma das regi√Ķes mais peculiares de¬†Hamburgo¬†√© a¬†Speicherstadt, um bairro inteiro ocupado por antigos armaz√©ns. Pode n√£o soar muito interessante, mas os pr√©dios, todos em tijolinhos avermelhados, ficam lindos espalhados pelos v√°rios canais que cortam esse peda√ßo da cidade. Hoje alguns desses edif√≠cios s√£o ocupados empresas e museus, como o¬†Miniatur Wunderland¬†e o¬†Museu Mar√≠timo.

Quando avistar uma grande e ousada silhueta à beira-rio, chegou a Elbphilharmonie! O monumental prédio mistura o estilo industrial dos antigos armazéns com formas e materiais modernos. Em seu interior funcionam duas salas de concerto, alguns bares e restaurantes e até um hotel!

H√° um espa√ßo aberto ao p√ļblico que oferece uma ampla vista da cidade. A entrada √© gratuita se retirar o ingresso na hora (disponibilidade mediante lota√ß√£o), mas tamb√©m √© poss√≠vel¬†reservar pelo site. Nesse caso h√° um custo de 2‚ā¨ por pessoa.

Apesar do clima frio e molhado, a caminhada pela borda do Elba até o Fish Market é agradável. Um pequeno desvio para as ruas do bairro Portugeisenviertel nos faz pensar que estamos em Portugal! Se quer trocar a salsicha por um bacalhau, siga para ruas como a Rambachstraße e a Ditmar-Koel-Straße, onde há diversos restaurantes de comida portuguesa. Há também alguns italianos, espanhóis e até brasileiros, mas o foco mesmo é a culinária lusitana.

O antigo mercado de peixes atualmente funciona só aos domingos e até as 09:30. Eu como estou longe de ser uma pessoa matutina, só conheci mesmo por fora. Mas dizem ser tradição passar por ali saindo dos bares e baladas da Reeperbahn para comer sanduíche de arenque ou outros peixes.

Falando em comida, duas coisas bastante típicas por lá são o Currywurst, uma salsicha com molho de tomate e curry e o Franzbrötchen, um pãozinho doce com gostinho de canela que é simplesmente delicioso (aliás, pão é uma coisa que os alemães sabem fazer muito bem)! Além disso, não dá pra ir à Alemanhae não comer um Apfelstrudel, né?

Se tiver mais de dois dias, vale a pena fazer um bate-volta em¬†L√ľbeck. Essa pequena cidadezinha medieval fica h√° aproximadamente 50 minutos de trem de¬†Hamburgo¬†e √© encantadora!

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      Considera√ß√Ķes Gerais:
      N√£o pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informa√ß√Ķes que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, acomoda√ß√Ķes, meios de transporte e informa√ß√Ķes adicionais que eu achar relevantes.
      Nesta √©poca eu ainda n√£o registrava detalhadamente as informa√ß√Ķes, ent√£o albergues, pousadas, pens√Ķes, hot√©is e meios de transporte poder√£o n√£o ter informa√ß√Ķes detalhadas, mas procurarei citar as informa√ß√Ķes de que eu lembrar para tentar dar a melhor ideia poss√≠vel a quem desejar repetir o trajeto e ter uma base para pesquisar detalhes. Depois de tanto tempo os pre√ßos que eu citar ser√£o somente para refer√™ncia e an√°lise da rela√ß√£o entre eles, pois j√° devem ter mudado muito.
      Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
      Informa√ß√Ķes Gerais:
      Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva foi rara. Fui para áreas quentes e fora do período de chuvas. As temperaturas estiveram bem razoáveis, oscilando entre 15 C e 30 C na maioria do tempo. Em algumas áreas havia muita poeira, o que tornou a respiração um pouco pesada.
      A popula√ß√£o de uma maneira geral foi muito cordial e gentil¬†ūüĎ欆. Fui muito bem tratado em toda a viagem, com raras exce√ß√Ķes. Por√©m houve muitas pessoas ligadas ao turismo ou √† religi√£o que tentaram tirar alguma vantagem, fornecendo informa√ß√Ķes incorretas ou contando hist√≥rias fantasiosas. Decepcionou-me um pouco a quantidade de pessoas que fizeram isso. Nem sempre fui bem aceito nos templos de diversas religi√Ķes.
      Muitos guardadores de calçados da entrada dos templos localizavam meu tênis no meio dos calçados deixados e ficavam com eles para na minha volta pedir gorjeta por tê-los guardado.
      Tive grandes dificuldades com a l√≠ngua, pois a popula√ß√£o em geral n√£o falava ingl√™s. Al√©m disso, havia altera√ß√£o de dialeto entre diferentes regi√Ķes do pa√≠s (Hindi, Gujarati, Nepali etc). E muitos que falavam ingl√™s tinham forte sotaque regional. E¬†eu n√£o falava nem compreendia bem ingl√™s. A conclus√£o foi que precisei comunicar-me muito com as m√£os, fazendo gestos. Mesmo estes nem sempre foram eficazes, posto que nem todos os gestos que temos por aqui tem o mesmo significado por l√°.
      As paisagens ao longo da viagem agradaram-me muito, com templos, santuários, memoriais, palácios, monumentos, parques, rios, jardins, praias, ilhas, áreas naturais e outros    .
      Andei de v√°rios tipos de transporte diferentes. As viagens de √īnibus e trens demoravam muito, pois a velocidade era muito baixa (entre 30 km/h e 50 km/h). Isso fazia que mesmo dist√Ęncias n√£o t√£o grandes demorassem muito para serem percorridas. A lota√ß√£o dos meios de transporte tamb√©m era muito grande, sendo at√© maior do que as dos hor√°rios de pico de S√£o Paulo, por incr√≠vel que possa parecer.
      O tr√Ęnsito foi um cap√≠tulo √† parte. Completamente ca√≥tico para o meu padr√£o, com animais (vacas, cabras, cachorros, macacos etc) dividindo as ruas com ve√≠culos de todos os tipos (carros, vans, caminh√Ķes, √īnibus, riquix√°s motorizados, bicicletas, carro√ßas etc) e com pedestres, que n√£o pareciam se preocupar com sua seguran√ßa.
      Vi muito lixo espalhado pelas ruas, numa quantidade muito maior do que a que estava acostumado. Havia muitos pequenos lix√Ķes nas cidades a c√©u aberto.
      A viagem teve muitos epis√≥dios complicados, que me pareceram amea√ßar a seguran√ßa em algumas ocasi√Ķes. Mas n√£o sofri nenhuma viol√™ncia.
      Eu me tornei vegetariano ao longo da viagem e permaneço até hoje. Já tinha sido entre 1986 e 1992. Deixei de ser em 1993 e na viagem voltei a ser. Sofri bastante com o tempero da comida. Várias vezes não consegui comer por causa das especiarias ardidas, mesmo estando com fome. Quando descobri como comer sem especiarias, consegui alimentar-me melhor. Gostei muito dos doces. No momento mais crítico, cheguei a perder 9 kg ou um pouco mais (eu pesava 65 kg e cheguei a perto de 56 kg ou um pouco menos).
      Os pre√ßos na √ćndia eram bem mais baixos do que no Brasil, mas como houve um problema na chegada, acabei comprando uma excurs√£o, o que fez com que a viagem custasse muito mais do que poderia, o que comprovei nas viagens subsequentes em 2008 e 2015.
      A Viagem:
      Fui de SP a Frankfurt no s√°bado 30/10/1999. Cheguei l√° no domingo 31/10/1999. Cheguei bem cedo.
      Para as atra√ß√Ķes de Frankfurt veja https://www.frankfurt-tourismus.de/en/ e https://wikitravel.org/en/Frankfurt. Os pontos de que mais gostei foram¬†as igrejas (especialmente a Catedral que resistiu √† 2.a Guerra Mundial), o Rio Main, a Casa de Goethe, a Casa de √ďpera, o R√∂mer, a arquitetura t√≠pica e moderna e a cidade como um todo. Eu n√£o entrei nos museus porque pareciam enormes e achei que era mais produtivo conhecer a cidade.
      Assim como havia feito em Amsterdã, um ano antes, resolvi comprar uma passeio pela cidade numa agência de turismo do aeroporto. Estava previsto para sair às 9h. Além de mim, havia uma canadense esperando na sala da agência. Cerca de 1 ou 2 minutos antes das 9h, ela perguntou-me se já não eram 9h e, eu, um pouco surpreso com a pergunta, posto que havia um relógio em frente, respondi que achava que sim. Então, às 9h ou um minuto depois, ela levantou-se e falou rispidamente com a atendente que já eram 9h e o passeio estava atrasado e que queria o dinheiro de volta, o que deixou a atendente embaraçada e a mim surpreso com a atitude. A atendente devolveu o dinheiro para ela e o motorista da excursão chegou cerca de 10 a 15 minutos depois, levando uma bronca da atendente, que lhe disse que havia perdido uma cliente.
      Inicialmente tivemos um atraso adicional porque a pol√≠cia estava fazendo alguma opera√ß√£o que retardava o tr√Ęnsito. O guia at√© comentou que a pol√≠cia alem√£ n√£o era a mais r√°pida. Eu ri durante uma explica√ß√£o dele, n√£o ri dele, mas da situa√ß√£o, e ele pareceu ficar irritado e pediu para n√£o fazermos para ele o passeio mais dif√≠cil do que precisava ser. Depois disso, resolvi ficar distante dele at√© o fim do passeio.
      Demos uma volta pela cidade, visitando os principais pontos, mas quase sem entrar. Estava um pouco frio (cerca de 15 C), com vento, o que fazia a sensa√ß√£o t√©rmica ser menor. Conheci um indiano durante o passeio, para quem falei que estava indo a √ćndia. Ele me disse que iria voltar para a √ćndia em alguns dias e a√≠ poderia me ajudar durante a viagem. N√£o o encontrei na √ćndia.
      Voltamos ao aeroporto e eu embarquei (se bem me lembro, no fim da tarde) para Nova D√©li. Ao entrar no avi√£o vi a manchete de um jornal indiano que dizia que um tuf√£o tinha matado 15 mil (acho que o n√ļmero era esse) pessoas em Orissa . Fiquei surpreso e um pouco assustado.
      Cheguei em Nova Déli já na 2.a feira 01/11, no início da madrugada. Os procedimentos de entrada no país pela imigração foram um pouco tumultuados, pois havia muita gente. Os atendentes foram um pouco ríspidos. Acabou demorando razoável tempo. Deu-me um frio na barriga saber que iria começar a viagem por um país tão diferente e com tantas possibilidades de problemas, dado o meu desconhecimento.
      Ap√≥s conseguir entrar, fui ao balc√£o de informa√ß√Ķes para pedir sugest√Ķes sobre onde ficar e outras quest√Ķes sobre a √ćndia. A atendente indicou-me um hostel no centro, Janpath Guesthouse, ligou para eles para saber se havia vagas e me deu um papel com o endere√ßo. Depois disso fui procurar por um meio de transporte. Naquele hor√°rio, somente t√°xis. Havia 3 balc√Ķes, um era de luxo, com uma limousine, o 2.o era do governo e o 3.o de particulares. Fui ver os pre√ßos e para o trecho que eu pedi, a limousine custava o equivalente a US$ 10.00, o do governo custava cerca de US$ 6.00 e o particular custava cerca de US$ 5.00. O atendente do balc√£o do governo avisou-me ‚Äúv√° conosco, os particulares recebem comiss√Ķes de hot√©is e n√£o v√£o te levar para onde voc√™ pedir, podem ficar dando voltas com voc√™, procurando por comiss√Ķes e, a esta hora da madrugada, isso pode n√£o ser seguro‚ÄĚ. Mesmo assim, optei pelo particular, por ser mais barato (n√£o era ilegal). Foi um grande erro¬†. Ap√≥s minha decis√£o, o atendente do balc√£o do governo repetiu o aviso ‚Äún√£o seja bobo, v√° conosco‚ÄĚ. Eu pensei que isso era conversa mole para conseguir clientes. Mas suas palavras foram prof√©ticas.
      Fui at√© o ponto de sa√≠da dos t√°xis com o bilhete pago em m√£os. Apresentei e veio um motorista de turbante, com barba e bigode¬†ūüĎ≥‚Äć‚ôāÔłŹ e um rapaz que parecia ser seu assistente (n√£o sei se era seu parente). Sua apar√™ncia assustou-me um pouco, mas logo pensei que era preconceito meu. Informei para ele para onde desejava ir e come√ßamos o trajeto. Ele perguntou-me se era a minha primeira vez na √ćndia. N√£o entendi, devido ao sotaque. Ele precisou repetir v√°rias vezes, j√° quase gritando nas √ļltimas. Acho que ficou claro para ele que era minha primeira vez na √ćndia. Ap√≥s j√° estarmos rodando h√° um bom tempo, comecei a ficar preocupado e achar que o atendente do aeroporto tinha raz√£o. Achei que poderiam n√£o estar levando-me para onde pedi e que poderiam estar querendo fazer algo negativo comigo. Comecei ent√£o a tentar conversar com eles, de modo amig√°vel. Eles estavam ocupados, provavelmente procurando hot√©is que lhes pagassem comiss√Ķes e se irritaram um pouco com a minha insist√™ncia em conversar. De repente apareceu um riquix√°, come√ßou a discutir com o motorista e jreogou o ve√≠culo em cima dele. Eu n√£o entendi o que falaram, mas a situa√ß√£o ali era clara. O riquix√° provavelmente desejava roubar-me, sequestrar-me ou at√© cometar alguma viol√™ncia contra mim e o motorista n√£o estava concordando ūüĒę. O motorista jogou o carro de volta em cima do riquix√°, repetiram isso algumas vezes, o motorista acelerou e conseguiu escapar. A√≠ eu realmente fiquei preocupado. Ap√≥s este acontecimento, passou pouco tempo, o motorista entrou num beco, parou o carro, desceu junto com seu assistente, abriu uma portinha e me disse para descer e entrar. N√£o ficaram claras para mim suas inten√ß√Ķes e eu pensei que ele poderia estar querendo me roubar, sequestrar ou cometer alguma outra forma de viol√™ncia. Olhei para tr√°s, para ver se havia alguma possibilidade de sair e vi que o riquix√°, que havia nos fechado, estava bem atr√°s. Ele olhou fixamente nos meus olhos e fez por 2 vezes um gesto passando o dedo indicador pela garganta que indica que v√£o cortar sua garganta, ou mais genericamente, que voc√™ vai morrer. Olhei novamente para o motorista e ele estava extremamente tenso e gritava para eu descer e entrar na portinha. √Ä minha frente havia um muro de cerca de 5 metros. Eram cerca de 3 horas da manh√£. Atr√°s estavam o riquix√° e seu companheiro. N√£o vi sa√≠da. Olhei uma √ļltima vez para tr√°s e o riquix√° repetiu o gesto com o dedo na garganta. Resolvi descer bem devagar e arriscar ir at√© a portinha. O motorista acalmou-se um pouco. Eu entrei com a cabe√ßa j√° inclinada. Para ser sincero, achei que poderia ser decapitado, baseado nos preconceitos e desconhecimento que tinha e nas hist√≥rias que ouvia pela TV. Interessante que, neste momento, pensei em Deus e em que nem havia chegado e j√° iria morrer. Quase pedi para que isso ocorresse no fim da viagem, se tivesse que ocorrer. Quando percebi que n√£o havia mais o que fazer, n√£o senti medo. Senti uma estranha paz. Ap√≥s entrar, passou por mim um homem, entrou numa sala, passou outro, entrou na mesma sala, depois eu entrei e vi que havia v√°rios reunidos. Eles aparentemente eram de uma ag√™ncia de turismo ou agentes independentes e propuseram vender-me excurs√Ķes. Eu fiquei bastante aliviado e respondi educadamente que n√£o queria, pois a situa√ß√£o ainda n√£o me parecia totalmente tranquila. Eles ficaram irritados, mas aceitaram. Por√©m disseram-me que o hotel em que eu queria ir n√£o tinha vagas. O l√≠der falou-me ‚ÄúQuer ver?‚ÄĚ. Ligou para o hotel, que eu nem tinha informado a ele qual era, e me passou o telefone. Eu perguntei sobre minha vaga, que havia sido dito no aeroporto que estava reservada e ele me pediu desculpas e disse que n√£o tinha. Imaginei que isso era arma√ß√£o, mas diante do que tinha sido toda a situa√ß√£o, eu estava mais do que satisfeito, fiz uma express√£o aparentando contrariedade para n√£o destoar da situa√ß√£o, agradeci e desliguei. Disseram que iriam indicar-me um outro hotel. Sa√≠ e o mesmo motorista estava esperando-me, j√° sem o riquix√° atr√°s. Levou-me para o Hotel Rudra Castle. Chegando l√°, pedi ao atendente o quarto mais barato e ele disse que estavam todos os baratos ocupados e que s√≥ tinha dispon√≠veis as su√≠tes de luxo. Imaginei que tamb√©m n√£o era verdade, mas n√£o estava em condi√ß√Ķes de discutir √†quela hora da madrugada. Ele me falou que o pre√ßo eram US$ 40.00. Eu pensei que iria ser bem mais e aceitei prontamente. Acho que ele percebeu e disse ent√£o que havia a taxa de servi√ßo e acrescentou mais 10%. O valor do hostel em que eu iria ficar hospedado e com quem tinha combinado do aeroporto era US$ 6.00 (7 vezes menos)¬†.
      O quarto era realmente de luxo, mas eu não precisava de nada daquilo. Antes de dormir, ouvi provavelmente o chamado das mesquitas próximas para a oração. Embora já conhecesse este costume do Egito, dada a situação que havia ocorrido, fiquei um pouco assustado com a maneira como era feito. Mas mesmo assim dormi um pouco, pois estava com muito sono.
      Na manh√£ seguinte, assim que desci, no sagu√£o do hotel estava um agente de turismo, que se apresentou e se colocou √† disposi√ß√£o. Eu n√£o pretendia comprar nenhuma excurs√£o (sempre prefiro viajar por conta pr√≥pria, sem guias), mas depois do que tinha ocorrido, achei melhor, pois considerei que seria dif√≠cil transitar pelo pa√≠s logo de in√≠cio com o meu desconhecimento e ainda existiam as consequ√™ncias do tuf√£o, que eu n√£o sabia quais tinham sido. Sentamos, fizemos um planejamento superficial de locais e acabei comprando um pacote por cerca de US$ 1,900.00 para uma semana completa com motorista particular e hospedagem em hot√©is padr√£o e todas as passagens de trem para o resto da viagem de pouco mais de 1 m√™s. Este valor foi quase 5 vezes maior do que eu gastei nas outras viagens que fiz pela √ćndia, que duraram cerca de 40 dias, onde fui por conta pr√≥pria, fiquei em hot√©is ou acomoda√ß√Ķes de muito menor n√≠vel, mas aceit√°veis para mim, n√£o tive motorista nem nenhum apoio. Foi o pre√ßo de chegar de madrugada e n√£o conhecer nada. Saquei o dinheiro do caixa eletr√īnico diretamente em r√ļpias, paguei para o agente (acho que seu nome era parecido com Singh) e fomos para a sede da ag√™ncia esperar pelo motorista que iria me acompanhar.
      L√° conversamos um pouco, Singh falou que se o governo dizia que tinham morrido cerca de 15 mil no tuf√£o, o n√ļmero de mortos era pelo menos o dobro. Contou-me que era aposentado do ex√©rcito (parecia ser oficial), embora fosse jovem (acho que cerca de 40 a 50 anos). Falou-me de poss√≠veis problemas que eu poderia ter na √ćndia, deu-me sugest√Ķes, organizou toda a viagem e me disse que se eu queria conhecer tudo o que tinha dito precisava de 3 ou 6 meses e n√£o apenas 1 m√™s, mas que tentaria ver o que poderia fazer do melhor modo poss√≠vel. Saiu e foi comprar as passagens de trem. Enquanto isso alguns outros integrantes da equipe conversaram comigo. O Brasil era um pa√≠s distante e ex√≥tico para eles. Tinham curiosidade. E tamb√©m queriam me vender outros pacotes tur√≠sticos para outras localidades. Apareceu seu s√≥cio, e me convidou para ir a um cabar√© ou bordel √† noite, mas eu recusei, dizendo que j√° iria come√ßar a viagem pelo pa√≠s √† noite. Um dos integrantes da equipe ofereceu-me o almo√ßo, eu aceitei e comi. Eu estava com fome, mas estava muito ardido. Disse que estava bom, mas forte. Depois, enquanto esperava, fui dar uma pequena volta nos arredores, o que ajudou a desfazer a impress√£o do dia anterior. Ali estava a √ćndia que n√£o era hostil, formada por pessoas simples do povo. Ainda assim, tudo muito diferente do Brasil. E eu estava bem cauteloso devido ao que havia ocorrido.
      Singh retornou com as passagens compradas. Após tudo combinado, chegou Bilu (ou Bilou), que seria meu motorista. Saímos para visitar alguns pontos de Nova Déli.
      Para as atra√ß√Ķes de Nova D√©li veja https://www.delhitourism.gov.in/ e https://pt.wikipedia.org/wiki/Deli. Os pontos de que mais gostei foram conhecer a √ćndia real, o Templo Flor de L√≥tus, o Museu ou Memorial de Gandhi, o Qutab Minar, os v√°rios outros templos, as mesquitas, os Gurudwaras, a Velha D√©li, o Port√£o da √ćndia, a regi√£o central de Connaught Place, as constru√ß√Ķes, as √°reas verdes, uma est√°tua magn√≠fica de Shiva na √°rea perif√©rica e os itens dos mercados. Vi estes itens em 2 viagens, nesta e em 2008.
      Se bem me lembro, fomos ao Templo de Laxmi (https://yatradham.org/blog/laxmi-narayan-temple-timings-history/),¬†ao Port√£o da √ćndia e alguns outros pontos. Eu estava bem cansado, devido a 2 noites quase sem dormir. Num dos templos (talvez o de Laxmi mesmo), eu comecei a viajar nas ideias e rir sozinho. Um guarda aproximou-se e me disse para ter cuidado com os macacos ūüźĶ, pois eram perigosos, Quando olhei para o lado, um macaco estava mostrando os dentes para mim em sinal de repulsa e mirando meu pesco√ßo com suas m√£os. Acho que ele pensou que meu riso era uma forma de agress√£o ou ataque. No fim do dia fomos viajar para Jaipur, capital do Rajast√£o. No come√ßo da estrada, Bilu parou no acostamento e me disse que se atravessasse naquele ponto e entrasse no bosque eu veria uma linda est√°tua de Shiva. Fiz o que ele falou, segui o fluxo e, quando vi a est√°tua, fiquei maravilhado. De todas as viagens que fiz a √ćndia, esta foi a est√°tua que mais me causou impacto .
      A viagem foi durante a noite. A estrada era de m√£o dupla e pista simples em cada sentido. Estava lotada, com muitos caminh√Ķes e √īnibus. Havia ultrapassagens constantes, com os ve√≠culos indo para a pista contr√°ria e voltando a sua pista muito perto de bater com os da pista contr√°ria. A velocidade m√©dia era por volta de 30 a 40 km/h. Mesmo assim, pareceu-me muito temer√°rio. Eu nunca tinha feito uma viagem assim. Fiquei tenso no in√≠cio, mas fui ficando acostumado. Bilu percebeu que eu n√£o tinha gostado do percurso.
      Ao longo do tempo que ficou comigo, Bilu contou muito sobre a √ćndia, sobre os costumes, sobre os cuidados a ter na viagem, com alimenta√ß√£o, seguran√ßa etc. Falou tamb√©m sobre outras turistas brasileiras que havia conhecido. Na maior parte do tempo, nosso conv√≠vio foi muito bom ūüĎć. Quando contei para ele, no fim do nosso conv√≠vio, a hist√≥ria que havia ocorrido na chegada, ele pareceu surpreso e, acho que entendeu, porque muitas vezes eu parecia desconfiado.
      A viagem durou umas 3 horas, Chegamos perto de 9 a 10h da noite. Ficamos hospedados num hotel que j√° estava previamente escolhido por eles, jantei e fui dormir. Bilu fez uma piada sobre ser muito mau, quando eu disse que ele era uma boa pessoa e eu engoli em seco. O dono do hotel percebeu e posteriormente me perguntou se eu tinha tido problemas na √ćndia. Eu questionei que tipo de problemas e desconversei.
      No dia seguinte, 3.a feira 02/11, depois de uma revigorante noite de sono e depois do café da manhã, fomos conhecer Pushkar, conforme planejado.
      Para as atra√ß√Ķes de Pushkar veja https://www.tourism.rajasthan.gov.in/pushkar.html e https://www.india.com/travel/pushkar/. Gostei da cidade como um todo e de sua simplicidade.
      Assim que chegamos, no meio da manh√£, Bilu disse-me que ficaria no carro e eu poderia passear √† vontade. Sa√≠ e fui em dire√ß√£o ao centro e ao lago. Admirei a cidade e a paisagem. As constru√ß√Ķes eram quase todas brancas. Um religioso (acho que era um disc√≠pulo em forma√ß√£o) aproximou-se e come√ßou a conversar. Eu estava altamente arisco, depois do que havia acontecido na chegada. Eu estava desconfiando de tudo. Mesmo assim, como sua abordagem foi bastante amistosa, aceitei que ele me acompanhasse, por√©m dizendo que n√£o era necess√°rio. Falei para ele sobre a m√ļsica Gita, do Raul Seixas, que cont√©m v√°rios trechos com express√Ķes de Krishna no Bhagavad Gita. Conversamos sobre a √ćndia e o Hindu√≠smo. Fomos ao lago. Chegou outro religioso (acho que tamb√©m era um disc√≠pulo em forma√ß√£o). Perguntou se poderia fazer um ritual comigo, pintar o 3.o olho na minha testa e fazer uma esp√©cie de ben√ß√£o, com vegetais. Eu disse que n√£o era necess√°rio, mas ele insistiu tanto, que eu aceitei, caso ele fizesse quest√£o, por√©m dizendo que n√£o pagaria nada por aquilo. Ap√≥s o ritual e longa conversa, eu me dirigi para voltar. A√≠ ele me disse que eu precisava dar uma contribui√ß√£o pela ben√ß√£o recebida. Eu retruquei que havia dito que n√£o pagaria nada, ele me pediu pelo menos o pre√ßo de custo, eu reforcei que ele havia pedido para fazer porque queria e ele me disse que, para mim, ent√£o, era gratuito. Comecei a voltar e reencontrei o outro disc√≠pulo. Como eles tinham me tratado muito bem e n√£o houve tens√£o quando disse que nada iria pagar, ofereci pagar para ele uma refei√ß√£o (como uma pizza), que ele poderia compartilhar com os outros. Ele agradeceu, mas n√£o quis. Acho que n√£o gostavam de pizza, uma comida ocidental. E eu ainda n√£o conhecia op√ß√Ķes indianas. Voltei para o carro e quando perguntei a Bilu se havia demorado muito, ele me disse que sim e achava que eu tinha me perdido. Perguntou quanto eu havia pago pelo terceiro olho e os vegetais e eu disse que nada. Ele me respondeu que n√£o acreditava em mim. Voltamos para Jaipur, onde ficava o hotel.
      Num dos deslocamentos que fiz com ele, vimos uma grande quantidade de pessoas em torno de uma vaca ūüźĄ¬†aparentemente morta ou morrendo estirada em uma estrada. Ela soltava sangue pela boca. Parecia ter sido um acidente (talvez com um caminh√£o, para ter aquela consequ√™ncia numa vaca daquele tamanho). Em outro deslocamento, Bilu mostrou-me v√°rias pessoas reunidas em torno de um homem sendo cremado ao ar livre numa aldeia. Nunca tinha visto uma cena daquelas.
      Na 4.a feira 03/11 fomos para Ajmer, um local de peregrina√ß√£o mu√ßulmano. Logo chegando l√°, o religioso mu√ßulmano perguntou-me quanto eu pagaria de oferta. Eu n√£o esperava e fiquei sem resposta. Mencionei o valor referente a uma refei√ß√£o e ele me perguntou rispidamente por que n√£o oferecia 10 ou 100 vezes isso. Levei um susto. Mas como chegou outro peregrino, este mu√ßulmano, ele aceitou minha oferta, e foi dar aten√ß√£o ao peregrino mu√ßulmano. Eu basicamente s√≥ conheci o local de peregrina√ß√£o dos mu√ßulmanos. Achei interessante, cheio de pessoas muito simples. Mas este epis√≥dio inicial decepcionou-me. Para as atra√ß√Ķes de Ajmer veja https://www.makemytrip.com/travel-guide/ajmer.
      Voltando para Jaipur, fomos visitar ainda alguns pontos. Houve um ponto a visitar (n√£o me lembro se em Ajmer ou Jaipur) em que Bilu me orientou a pegar um riquix√° para ir a uma atra√ß√£o, pois acho que o carro n√£o passava pelas ruas estreitas. Na volta, o riquix√° entrou numa viela em que havia um pastor com ovelhas de um lado e uma vaca um pouco ‚Äėa frente. Repentinamente no fim da viela chegou o lixeiro, que se bem me lembro, era puxado por um elefante ūüźė. Isso travou completamente o tr√Ęnsito. A vaca parou e fechou uma parte da viela. O rebanho estava do outro lado, impedindo a passagem. E pelo meio n√£o era poss√≠vel passar, por causa do elefante e da ca√ßamba que ele puxava. O riquix√° e um outro motorista come√ßaram a buzinar, mas a vaca n√£o iria em dire√ß√£o ao elefante. Estava aguardando. E o elefante estava tranquilamente esperando que o lixeiro carregasse o lixo. O riquix√° olhou para mim rindo e eu tamb√©m estava rindo ūüėÉ.
      Chamou-me aten√ß√£o o tr√Ęnsito de Jaipur, que era a capital do Rajast√£o. Possui mais de 3 milh√Ķes de pessoas atualmente (na √©poca j√° era muito grande). Vacas, cabras e outros animais dividiam a rua com carros, √īnibus, riquix√°s, caminh√Ķes e outros ve√≠culos e com pedestres. Numa avenida de v√°rias pistas, na hora de pico, uma vaca come√ßava a atravessar. E os outros v√°rios envolvidos buzinavam, desviavam e continuavam. Para mim aquilo beirava a fic√ß√£o cient√≠fica.
      Num dos √ļltimos dias com Bilu e hospedado pelo pacote comprado, Singh voltou e me disse que n√£o seria poss√≠vel conhecer a regi√£o leste, pois as ferrovias tinham sido rompidas pelo tuf√£o, a menos que eu quisesse ir de avi√£o de Mumbai a Calcut√°, com pre√ßo de cerca de US$ 200.00 ou US$ 300.00, o que recusei. Ele iria alterar as passagens para n√£o contemplar mais aquela √°rea. Se o tuf√£o tivesse ocorrido 15 dias depois, pode ser que eu tivesse sido atingido por ele e talvez n√£o tivesse sobrevivido. Falou-me dos perigos que eu poderia encontrar na etapa da viagem que faria sozinho e me disse que o pagamento de Bilu n√£o tinha sido feito (s√≥ o b√°sico) e que o adicional era por minha conta (algo como gorjeta de gratifica√ß√£o). Dei US$ 50.00 para ele, mas achei aquilo indevido, pois pensei que tudo estivesse inclu√≠do no pacote.
      Na 5.a feira 04/11 fomos visitar Jaipur. Para as atra√ß√Ķes de Jaipur veja https://jaipur.rajasthan.gov.in/content/raj/jaipur/en/about-jaipur/tourist-places.html e https://wikitravel.org/en/Jaipur. Os pontos de que mais gostei foram os pal√°cios, os fortes, os templos e o observat√≥rio.
      Numa visita a um castelo e/ou forte, havia insistentes vendedores oferecendo produtos para um alem√£o, que dizia que n√£o iria comprar, pois n√£o precisava. Ofereciam tamb√©m um passeio de elefante. Eu at√© que n√£o fui muito assediado, perto do que foram os europeus. Interessante como eles preservavam a hist√≥ria dos maraj√°s e soberanos. Havia um enfoque de her√≥is no modo como contavam. E uma √™nfase nas ca√ßadas de tigres, que me pareceu ser um grande desafio em √©pocas passadas. Os tigres √© que sofreram ūüėě.
      Apreciei a visita ao observat√≥rio astron√īmico Jantar Mantar (gosto de astronomia e astrof√≠sica). Quando voltei de uma atra√ß√£o, Bilu disse que eu demorava muito nas visitas. Era importante que fosse mais r√°pido para poder visitar tudo. Eu me irritei um pouco e disse que gostava de ver os itens com calma e que n√£o tinha import√Ęncia conhecer menos pontos, desde que mais detalhadamente cada um. E pedi tamb√©m que f√īssemos a locais religiosos n√£o tur√≠sticos, que seriam preferidos para mim. Acho que ele fico meio chateado, mas acabou por me levar em um local n√£o tur√≠stico. Eu adorei. Na volta, quando disse para ele que tinha gostado, acho que ele ficou surpreso e terminou seu aborrecimento, bem como o meu. No fim do dia fomos para Agra. Ao chegarmos, Bilu falou-me para n√£o ir longe do hotel, pois poderia haver assaltos a cavalo ūüźī. O recepcionista do hotel confirmou que poderia haver muitos problemas se me afastasse.
      Para as atra√ß√Ķes de Agra veja https://wikitravel.org/en/Agra e https://agra.nic.in/tourism. Os pontos de que mais gostei foram os pal√°cios, templos, forte e constru√ß√Ķes t√≠picas.
      Na 6.a feira 05/11 fui conhecer o Taj Mahal. Era um dia de visitação gratuita, então havia muitas pessoas. Achei o monumento muito belo, mas muito voltado ao turismo, sem a vida real cotidiana.
      No fim do dia, Bilu deixou-me na esta√ß√£o e me deu sugest√Ķes sobre o resto da viagem, que seria s√≥. Para quem fazer perguntas na esta√ß√£o (o homem de jaqueta), cuidados a tomar e outras sugest√Ķes. Eu agradeci por tudo que ele fez por mim e pedi desculpas por qualquer mal entendido. Esperei o trem e embarquei para Mughal Sarai, que ficava ao lado de Varanasi. N√£o sei porque n√£o compraram o bilhete para eu descer em Varanasi, pois o trem passou por l√°, mas dado o meu desconhecimento, segui at√© Mughal Sarai.
      O trem estava cheio devido √† √©poca de festivais. Apesar de ter o bilhete para um banco que permitia dormir sozinho, eu o reparti com v√°rias outras pessoas. Um policial ou soldado militar chegou gritando e pedindo que mostr√°ssemos os bilhetes. Estava com uma espingarda. Eu mostrei e ele pareceu n√£o compreender. Coloquei o bilhete quase na cara dele, a√≠ ele pareceu ver que era v√°lido. Durante a viagem, um dos passageiros me disse para tomar cuidado, caso eu dormisse ūüėÉ. Fiquei pensando em como poderia fazer isso. No meio da noite, fui para a cama de cima e dormi um pouco, sentado e com as pernas dobradas, pois estava dividindo a cama com outros que estavam sentados perto do meu p√©. Durante a viagem, fiz sinal de positivo para um indiano e percebi que ele n√£o entendeu, ao comentar com outro "O que ser√° que quer dizer este sinal na cultura dele? Deve significar que est√° tudo bem". Quando chegamos √† esta√ß√£o no s√°bado 06/11, bem cedo, fiquei esperando pelo guia que haviam me dito que haveria. Um dos passageiros do trem com quem tinha viajado ofereceu-se para me levar at√© onde eu desejasse, mas eu disse que estava esperando pelo guia e n√£o era necess√°rio. Depois de razo√°vel tempo sem o guia chegar, decidi ir por conta pr√≥pria.
      Fui procurar ent√£o um meio de transporte para ir at√© Varanasi, que ficava a alguns quil√īmetros. Achei que o pre√ßo que os taxistas me pediram era inflado e sugeri menos. Um deles aceitou. Por√©m depois de andar um pouco, parou o carro, pediu que um jipe (parecido com os da 2.a Guerra Mundial que se v√™ na televis√£o) me levasse, repassando parte do valor e ficando com outra parte como comiss√£o. Eu n√£o tive como recusar, ainda mais depois de tudo que j√° tinha presenciado. O motorista do jipe usava chap√©u e uma esp√©cie de pano para proteger a regi√£o traseira do pesco√ßo. Falei algumas palavras que j√° havia aprendido e ele me perguntou se eu falava Hindi, ao que respondi que n√£o. Ele come√ßou a dizer que o pre√ßo que estava cobrando (que ele tinha negociado com o taxista) era baixo para aquele trajeto. Comecei a achar que poderia haver alguma confus√£o e relembrei para ele que ele tinha aceito o que o taxista tinha proposto. Falei para ele que sairia para dar um passeio pela cidade por volta de 12h. Chegamos, eu me despedi e ingressei no hotel que o pessoal do pacote tur√≠stico havia indicado. Ap√≥s deixar minhas coisas, fui dar uma volta nas proximidades, antes do passeio que estava marcado pelo pessoal do pacote tur√≠stico com o guia que eu havia ficado esperando na esta√ß√£o e que n√£o havia chegado. Na sa√≠da, um motorista de t√°xi ofereceu-se para me levar ao passeio, mas eu disse que j√° havia um guia combinado, mas que se ele falhasse, poder√≠amos ir. Eu estava meio receoso depois de tudo que j√° tinha acontecido. Passeei por cerca de 1 hora ou um pouco mais, comprei uma garrafa de √°gua e voltei para me aprontar para o passeio. O guia estava esperando-me e disse que havia acordado muito cedo para esperar outro turista na esta√ß√£o de Varanasi. Eu lhe disse que era eu e que a esta√ß√£o em que me disseram para descer era Mughal Sarai, por isso houve o desencontro Quando √≠amos sair para o passeio, l√° estava o motorista do jipe, dizendo que hav√≠amos combinado de sair √†s 12h para um passeio tur√≠stico ūüėģ. Eu neguei e disse que n√£o. Pedi ao motorista do t√°xi, que me havia feito a oferta antes, para explicar para ele, pois ele n√£o falava ingl√™s. Mas ele achou que o motorista do t√°xi estava mentindo e tentando roubar seu cliente. Ent√£o, vendo que eu n√£o iria com ele, disse que estava me esperando l√° desde que me havia deixado e tinha ficado no preju√≠zo. Mas eu disse que n√£o era verdade, pois havia sa√≠do para passear e comprar √°gua e n√£o o havia visto. Ele irritou-se e foi embora. Embora estivesse gostando muito da viagem, da cultura, da religi√£o, da espiritualidade e de conhecer ‚Äúum outro mundo‚ÄĚ, estava contrariado com tantas confus√Ķes e tantas pessoas ligadas ao turismo mentindo para obterem vantagens ūüėě.
      Sa√≠ com o guia para o passeio, depois de acabar a confus√£o. O motorista do t√°xi pediu-me novamente uma chance e eu disse que j√° tinha guia, mas que se houvesse oportunidade, futuramente poderia ir com ele. Adorei Varanasi. √Č a antiga Benares, um dos ber√ßos do Budismo. Foi um dos meus lugares preferidos na viagem .
      Para as atra√ß√Ķes de Varanasi veja https://varanasi.nic.in/tourist-places e https://wikitravel.org/en/Varanasi#See. Os pontos de que mais gostei foram um templo com inscri√ß√Ķes religiosas nas paredes (acho que era o Templo Shree Kashi Vishvanath ou outro semelhante) e o Rio Ganges com todas as estruturas e eventos no seu entorno .
      No domingo 07/11 fomos de manh√£ a Sarnath, um dos quatro principais locais de peregrina√ß√£o budista no mundo, cidade em que Buda proferiu seu primeiro serm√£o p√ļblico. Para as atra√ß√Ķes de Sarnath veja https://wikitravel.org/en/Sarnath. Eu visitei o s√≠tio hist√≥rico preservado, o museu e o templo. Gostei de l√°, principalmente da hist√≥ria relacionada a Sidarta Gautama (mais famoso Buda hist√≥rico). Na volta o motorista do riquix√° queria desviar o caminho para me levar a uma loja onde receberia comiss√Ķes. Mas como n√£o falava ingl√™s estava com dificuldade em explicar e pediu para o guia faz√™-lo. Depois que entendi, agradeci, mas n√£o quis. Anteriormente, quando est√°vamos s√≥s, o riquix√° me disse que o guia n√£o era boa pessoa, porque recebia comiss√Ķes. Imagino que foi por isso que o guia n√£o havia me falado da loja antes, n√£o devem ter chegado a um acordo sobre as comiss√Ķes (ou ent√£o, pelo que j√° tinha me conhecido, achou que eu n√£o iria ou n√£o compraria nada mesmo). Ap√≥s regressar, sa√≠ para passear um pouco sozinho por conta pr√≥pria em Varanasi.
      Na 2.a feira 08/11 de manh√£ voltamos a visitar pontos de Varanasi. Ao longo de todos os dias, pude visitar o Cremat√≥rio (a crema√ß√£o era dentro de locais espec√≠ficos, n√£o era igual a que tinha visto na aldeia quando estava na estrada), onde um dos trabalhadores me disse para fazer uma oferenda, caso contr√°rio criaria problemas para meu carma (n√£o fiz), pude visitar v√°rios templos, os Ghats (degraus na margem do rio) e suas casas associadas, as v√°rias √°reas de eventos e rituais ao lado do Rio Ganges, as constru√ß√Ķes antigas e t√≠picas da cidade etc. Num dos dias o guia levou-me a uma guesthouse (que eu estava aprendendo a conhecer), que me disse ter bons pre√ßos, onde tomei um ch√° com lim√£o. Creio que foi nesta ocasi√£o que vimos um casal de europeus ou americanos num barco no meio do rio e o guia comentou que achava que deveriam estar pagando um pre√ßo muito alto pelo passeio.
      Voltamos ao hotel perto da hora do almoço. Despedi-me do guia. Perguntei a ele se tinha sido pago pelo pessoal do pacote de turismo e ele disse que não. Já não sabendo no que confiar, dei a ele uma pequena remuneração, que acho que não o satisfez muito, mas de que ele não reclamou. Estava chegando um turista alemão e acho que ele não quis perder mais tempo comigo.
      Fui aprontar-me para ir para a estação. Como a passagem saía de Mughal Sarai, achei melhor ir até lá novamente, para não ter nenhum tipo de problema, posto que era depois da Estação de Varanasi no meu itinerário. Procurei pelo motorista do táxi que me havia pedido uma chance, mas ele não estava lá. Fui então procurar algum meio de transporte para a estação. Achei um riquixá. Estava meio ressabiado com riquixás, depois do que havia ocorrido na chegada, mas resolvi arriscar. Combinamos o preço, ele aceitou a corrida e fomos. Tudo ia indo bem até o início da estrada, quando ele parou em frente a uma espécie de altar na beira da via e disse que iríamos fazer uma viagem longa (uns 6 km) e que precisava pedir proteção. Desceu do carro e fez uma oferenda. Eu fiquei preocupado, pois isso poderia significar que a estrada era perigosa. Mas correu tudo tranquilamente. Deixou-me na estação e eu agradeci.
      Na esta√ß√£o, eu era completamente analfabeto, pois n√£o sabia falar nem ler Hindi, e muitos letreiros escritos ou comunicados verbais eram feitos em Hindi. N√£o conseguia saber qual trem pegar (as passagens para todos os trechos j√° me haviam sido dadas por Singh no in√≠cio). A esta√ß√£o estava lotada devido aos festivais. Comecei a conversar com alguns soldados do ex√©rcito. Um amigo que estava com eles falava outro dialeto diferente de Hindi, o dialeto Nepali. Eles me disseram que os trens poderiam ser perigosos, poderia haver ladr√Ķes e assassinos neles. Fiquei mais preocupado. Mas disseram para eu n√£o me preocupar e que iriam me ajudar a pegar o trem certo. J√° tinha passado a hora da sa√≠da, mas me disseram que o trem estava atrasado. Conversamos sobre a √ćndia e eles me deram um pequeno cart√£o-postal. Em retribui√ß√£o, eu tirei da mala uma revista Viagem, localizei e dei para eles uma foto de duas p√°ginas da orla da Praia de Copacabana. Eles disseram ‚ÄúComo o Brasil √© bonito!‚ÄĚ. De repente eles me disseram ‚ÄúVenha‚ÄĚ. Eu levei um susto, mas fui atr√°s deles. Eles me levaram a um trem e disseram que era meu trem. N√£o havia letreiro em ingl√™s √† vista, mas confiei neles e esperei para perguntar para outros passageiros e para o comiss√°rio do trem. E realmente era o trem correto. Agradeci muito e, de uma maneira clar√≠ssima, entendi o que significa ser analfabeto e todas as dificuldades que um enfrenta.
      O trem saiu com algumas horas de atraso e ainda parou no meio do caminho, n√£o sei porque. A parada foi numa zona rural, totalmente sem ilumina√ß√£o. J√° havia escurecido. Isso permitiu ver o c√©u estrelado ūüĆÉ. Magn√≠fico! Raras vezes vi um c√©u noturno t√£o lindo. Meu destino era Gaya, para de l√° ir at√© Bodh Gaya, Estas localidades eram no Bihar, que me disseram ser o estado mais pobre da √ćndia. Falaram-me da exist√™ncia no Bihar de m√°fias (imagino que seriam guerrilhas ou mil√≠cias para n√≥s) que lutavam contra o governo. Se bem me lembro, eram de inspira√ß√£o marxista. Vi no notici√°rio que pouco antes haviam matado uma fam√≠lia inteira na zona rural como retalia√ß√£o a uma dela√ß√£o. Mas acho que n√£o exatamente naquelas proximidades, que eram locais de peregrina√ß√£o budista.
      Cheguei perto de 22h. Havia in√ļmeras pessoas deitadas no ch√£o da esta√ß√£o esperando trens. Acho que outras eram pessoas em situa√ß√£o de rua. Fui pedir sugest√Ķes a um encarregado da esta√ß√£o sobre onde poderia me hospedar e muitos poss√≠veis fornecedores de transporte me seguiram para oferecer seus servi√ßos. Ele sugeriu chamar um transporte mais sofisticado, mas eu disse que gostava da popula√ß√£o. Acabei indo a p√© at√© um hotel perto da esta√ß√£o, em que, se bem me lembro, a di√°ria de 24h custou algo como US$ 2.00 ou US$ 1.00. A pobreza do local saltava aos olhos. N√£o tinha visto nada parecido no Brasil.
      No dia seguinte de manh√£, 3.a feira 09/11, peguei um √īnibus para Bodh Gaya, outro dos quatro locais de peregrina√ß√£o budista no mundo. √Č o local em que Sidarta obteve sua ilumina√ß√£o e se tornou Buda (o mais famoso e primeiro relatado da Hist√≥ria, at√© onde eu sei).
      Para as atra√ß√Ķes de Bodh Gaya veja https://wikitravel.org/en/Bodh_Gaya e https://www.lonelyplanet.com/india/bihar-and-jharkhand/bodhgaya. Adorei este local. Os pontos de que mais gostei foram os templos, os monumentos, a √°rea verde em harmonia com eles e a √°rvore sucessora da original sob a qual Sidarta obteve a ilumina√ß√£o¬†.
      Chegando em Bodh Gaya, fui analisar o mapa dos templos, monumentos e toda a área destinada ao complexo de templos e similares. Havia um templo para cada grande corrente ou escola budista. Achei muito interessante, que em cada templo, Buda era representado como parecendo habitante da região ou país daquela escola. Assim, no Templo Tailandês ele se parecia com um habitante de lá, no Tibetano parecia-se como habitante de lá e assim por diante, no da China, Coreia, Japão, Nepal, Taiwan, Vietnã etc. A árvore sob a qual ele obteve a iluminação também me pareceu muito bonita, grande e em harmonia com todo o resto. Fiquei muito tempo perto dela. A Grande Estátua de Buda também era impressionante.
      Como era um local tranquilo, longe da agitação das pessoas pedindo ou vendendo, foi possível aproveitar bem o momento de integração com o Universo.
      Voltei para Gaya de √īnibus no fim do dia (cerca de meia hora a uma hora de √īnibus). Fui jantar e aproveitei para comer doces indianos. Uma del√≠cia. Gostei especialmente dos de coco, amendoim e algo parecido com chocolate ūüĎć.
      Ainda fui para o hotel, pois meu trem para Allahabad partia pouco depois da meia-noite. Fiquei lá até completar a diária de 24h e depois fui para a estação. Tive alguma dificuldade com o banheiro, pois era padrão indiano, que consistia em uma fossa no chão, sem vaso sanitário.
      Peguei o trem para Allahabad. Desta vez consegui um banco cama para dormir razoavelmente. Pela manh√£ descobri que estava no vag√£o ou classe errada. Nova confus√£o √† vista ūüėÉ. Pedi para um passageiro que falava ingl√™s ajudar-me a explicar a situa√ß√£o. Ele me disse que falaria pessoalmente com o comiss√°rio, quando ele passasse. Mas quando ele passou, j√° bem mais tarde, o vag√£o estava vazio e ele nem se importou com a situa√ß√£o. Cheguei em Allahabad no in√≠cio da tarde da 4.a feira 10/11. Fui procurar um hotel para ficar perto da esta√ß√£o de trem, o que tornava tudo muito mais f√°cil. Acho que tinha come√ßado a descobrir como me conduzir na √ćndia.
      O atendente, j√° de uma certa idade, recebeu-me muito bem ūüĎć. Deu-me muitas informa√ß√Ķes sobre a cidade e o que visitar. Sa√≠ para dar um passeio e conhecer os arredores e ter as primeiras impress√Ķes.
      Acho que foi neste passeio que vi uma das cenas mais tocantes da viagem. Num lix√£o, algumas crian√ßas pequenas brigando literalmente com porcos por alimentos ūüėě.
      Para as atra√ß√Ķes de Allahabad veja https://wikitravel.org/en/Prayagraj e https://prayagraj.nic.in/tourist-places. Acabei de descobrir que seu nome mudou para Prayagraj, seu nome original h√° mais de 400 anos atr√°s, segundo o governo que determinou a mudan√ßa. Mas na narrativa vou manter o nome de quando estive l√°. Os pontos de que mais gostei foram o Sangam , os templos, as constru√ß√Ķes e monumentos.
      Ao longo dos dois dias que l√° fiquei visitei v√°rios locais e andei com v√°rios transportes, incluindo uma carro√ßa. O encontro dos rios Ganges e Yamuna (e do m√≠tico Saraswati) pareceu-me maravilhoso. Era o Sangam. Havia muitas pessoas l√° e muitas vacas tamb√©m ūüźĄ. Espantou-me ver como as pessoas repeliam as vacas, n√£o querendo que elas se aproximassem de seus alimentos. Afinal de contas a vaca era sagrada. Era poss√≠vel ir at√© o encontro das √°guas de barco, mas eu preferi ver somente da margem, o que j√° me pareceu magn√≠fico, ainda mais num dia ensolarado.
      Acho que foi nesta cidade, que fui at√© o escrit√≥rio da Companhia de Trens e disse que precisava alterar minhas passagens, pois o itiner√°rio que tinha sido proposto no pacote tur√≠stico era invi√°vel. Eu praticamente s√≥ viajava e tinha pouco tempo para desfrutar dos locais. Quando o respons√°vel pela esta√ß√£o viu a quantidade de passagens e trechos teve um choque ūüėÉ. Mas depois que se recuperou, ajudou-me e encarregou uma funcion√°ria de viabilizar os detalhes. Consegui trocar quase todas as passagens, menos algumas poucas que tinham sido pagas com cart√£o de cr√©dito (provavelmente tudo havia sido pago com cart√£o por Singh, mas quando ele teve que fazer altera√ß√Ķes devido ao tuf√£o, deve ter precisado pagar em dinheiro ‚Äď foi a minha sorte). Estas eu s√≥ poderia alterar na esta√ß√£o de emiss√£o, que era Nova D√©li, o que era invi√°vel. Mesmo assim fiquei muito satisfeito. Agradeci-o muito ūüôŹ. Disse que ele tinha salvo a minha viagem. Ele sorriu e disse ‚Äú√Č o meu dever‚ÄĚ. Vi como os pre√ßos das passagens eram baixos, muito pequenos perto do que eu havia pago pelo pacote todo.
      Nesta cidade ou em alguma outra nesta altura da viagem, eu vi uma igreja cristã. Interessante como isso despertou em mim uma sensação de felicidade. Aquele era o mundo que eu conhecia, de onde eu vinha, apesar de eu não ser cristão. Um pedinte solicitou ajuda, eu dei uma moeda e ele achou muito pouco, principalmente por eu ser estrangeiro.
      Acho que foi em Allahabad este epis√≥dio, mas n√£o posso garantir. Num dos hot√©is em que fiquei ao longo da viagem, fiquei hospedado num quarto pr√≥ximo a um homem de uns 50 a 60 anos que usava turbante. Num dos primeiros dias em que me viu, cumprimentou-me alegremente e me convidou para tomar um u√≠sque. At√© estranhei, mas achei que poderia ser seu costume. Em outra ocasi√£o posterior, quando estava acompanhado por algum amigo, ignorou-me e nem me cumprimentou. Numa outra ocasi√£o posterior, quando estava s√≥, voltou a me cumprimentar alegremente. Mas a√≠ eu comecei a desconfiar de suas inten√ß√Ķes e procurei ser cordial, mas distante. O homossexualismo n√£o era bem-aceito em muitos contextos, ainda mais nesta √©poca.
      Numa das cidades sentei para assistir a um evento em que estavam cantando m√ļsicas espirituais e religiosas hindus e tocando instrumentos t√≠picos (acho que havia c√≠taras e outros). Acho que entrei em estado de extrema felicidade e expans√£o de consci√™ncia . No in√≠cio pretendia ficar pouco, para n√£o ‚Äúgastar‚ÄĚ muito tempo e ficar sem visitar outros pontos. Mas gostei tanto, que fiquei l√° um enorme tempo e n√£o me arrependi.
      Na 6.a feira 12/11 ainda passeei um pouco pela cidade de manh√£ e depois retornei ao hotel para me preparar para pegar o trem. Dei uma gorjeta ao atendente do hotel. Ele n√£o pediu, tanto que quando dei perguntou-me para quem era e quando respondi que era para ele, sorriu. Ele me ajudou muito com as informa√ß√Ķes sem nada pedir em troca. Depois peguei um trem para ir at√© Satna. Meu objetivo era Khajuraho, local com templos que tinham representa√ß√Ķes do Kama Sutra.
      Cheguei √† noite em Satna. Conversando com um turista coreano, que tamb√©m iria para Khajuraho e j√° conhecia a cidade, ele disse que l√° havia hot√©is melhores e que era interessante ir √† noite mesmo. S√≥ havia disponibilidade de lota√ß√Ķes feitas em jipes. Decidi tentar. Estavam esperando lotar os ve√≠culos. O coreano me disse que poderia haver problemas, n√£o de seguran√ßa, mas de algum outro tipo que eu n√£o entendi. Desisti e decidi ir no dia seguinte.
      Estava com bastante fome, pois n√£o tinha almo√ßado. Fui a um aparentemente bom restaurante e pedi um prato do card√°pio, com a ajuda do gar√ßom, que me explicou alguns termos. Mesmo assim, boa parte da explica√ß√£o continha palavras de alimentos que eu n√£o conhecia. Pedi a ele que n√£o tivesse especiarias ardidas. O prato tinha um bom tamanho, compat√≠vel com a minha fome. E olha que eu como bastante. N√£o consegui comer nem 20%. Talvez tenha comido cerca de 10%. Fiquei profundamente decepcionado¬†ūüėě por n√£o conseguir comer devido a estar muito ardido. Mesmo o arroz estava misturado com especiarias ardidas. Estava come√ßando a me dar √Ęnsia de v√īmito, por isso parei. Chamei o gar√ßom para pedir a conta e ele olhou espantado e disse que eu n√£o havia comido quase nada. Eu disse para ele que para o costume dele a comida n√£o era forte, mas que para mim era.
      No dia seguinte, s√°bado 13/11, sem ter almo√ßado nem jantado no dia anterior, tentei comer algo no caf√© da manh√£. Algo parecido com p√£o, que n√£o era ardido. Consegui, pelo menos para n√£o ficar totalmente sem alimenta√ß√£o. Peguei um √īnibus para Khajuraho. Uma parada √† frente, entrou um grupo de turistas judeus. Eram dois rapazes e uma mo√ßa, que sentou do meu lado. Fui conversando com ela sobre Israel, a √ćndia e a viagem. Quando numa parada entraram viajantes locais e foram l√° para tr√°s, onde est√°vamos, ela preferiu ir para frente e ficar junto com seus amigos. Em algumas paradas eu comi alguns tipos de massa parecidos com p√£es, mas sem especiarias. Chegamos no in√≠cio da tarde. Ap√≥s hospedar-me, fui come√ßar a conhecer a cidade.
      Para as atra√ß√Ķes de Khajuraho veja https://wikitravel.org/en/Khajuraho e https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/khajuraho. O ponto de que mais gostei foram os templos, com as esculturas, dos mais variados tipos, mas principalmente as que representavam o Kama Sutra.
      Ao longo dos dois dias, visitei os templos com bastante calma. Achei interessantes as v√°rias esculturas. As com posi√ß√Ķes sexuais pareciam muito criativas (eu nunca li o Kama Sutra). Algumas achei ex√≥ticas, pois minha vida sexual √© bem padronizada ūüėÉ. Numa delas um homem fazia sexo com duas ou quatro mulheres ao mesmo tempo, sendo que duas estavam de ponta cabe√ßa. Se bem me lembro havia alguns templos mais afastados, a que fui andando. Os judeus passaram por mim no caminho no domingo 14/11 de manh√£ e a mo√ßa perguntou-me rindo porque eu n√£o alugava uma bicicleta. Encontrei o coreano nos dois dias no conjunto de templos mais pr√≥ximos. Ele me cumprimentou sorrindo.
      Na volta de alguns templos, um riquix√° humano perguntou-me se eu n√£o queria transporte. Disse que o pre√ßo era US$ 0.40. Resolvi aceitar para tentar ajud√°-lo. Mas quando vi que ele √© quem puxava o riquix√°, arrependi-me, pois achei absurdo ele fazer um esfor√ßo f√≠sico daqueles para me levar. Depois de uma subida e uma descida, em que pedi para ele n√£o se esfor√ßar tanto, resolvi saltar, antes do meio do caminho, pois considerei inaceit√°vel para ele aquilo. Na hora de pagar, ele me disse que eu tinha entendido errado. N√£o eram US$ 0.4. Eram US$ 4. Fiquei bem irritado, mas paguei e fui o resto do caminho a p√©. Ele ainda me perguntou sobre gorjeta ūüėÉ.
      Acho que foi nesta cidade ou em alguma outra nesta altura da viagem que encontrei um alem√£o, que me falou em portugu√™s ‚ÄúBrasileiro na √ćndia √© raro!‚ÄĚ. Perguntei se ele era brasileiro e ele disse que n√£o, que era alem√£o, mas que havia trabalhado na Volkswagen do Brasil, se bem me lembro. Fiquei feliz por ouvir algu√©m falar portugu√™s.
      No s√°bado √† noite encontrei restaurantes com comida ocidental. Como estava morto de fome, comi uma pizza grande e depois ainda um espaguete. E olha que depois, ainda dei uma olhada no card√°pio e pensei em pedir a lasanha ūüėÉ, mas resolvi deixar para o dia posterior. Mas acabei indo embora no domingo √† tarde e fiquei sem a lasanha. O rapaz que cuidava do restaurante falava ingl√™s e conversamos sobre assuntos gerais. Perguntei a ele se pretendia ser empregado em algum local e ele disse que preferia trabalhar com turistas, que era mais lucrativo.
      No domingo 14/11 √† tarde, peguei um √īnibus de volta para Satna. Sentei no √ļltimo banco e o motorista me disse que l√° pulava, mas eu resolvi ficar. Depois de bater a cabe√ßa no teto por algumas vezes ūüėÉ, resolvi ir para os bancos mais √† frente. Cheguei em Satna √† noite, e fui hospedar-me. Se bem me lembro, fui a outro restaurante e encomendei arroz puro, chapati (esp√©cie de p√£o achatado) e uma salada de pepinos, tomate e cebola, tudo sem especiarias. Enquanto preparavam, falei ao gar√ßom que iria sair um pouco e j√° voltava. Ele ficou nervoso e disse que o pedido j√° tinha sido feito. Acho que pensou que eu n√£o voltaria. Pediu que eu pagasse parte como garantia. Deixei o equivalente a mais de 95% do pre√ßo do jantar. Sa√≠ e fui at√© algumas bancas de frutas, comprar bananas e ma√ßas. Voltei, ele me devolveu o dinheiro sorrindo, algo que n√£o esperava, pois achei que j√° ficaria com ele como pagamento. Quando chegou o prato, misturei o arroz com a salada e as ma√ßas e bananas. E acompanhei com o p√£o. Tinha descoberto como fazer refei√ß√Ķes sem especiarias ūüėÉ.
      Aqui ou em alguma outra cidade nesta altura da viagem, depois de muito tentar, em v√°rios locais sem sucesso, eu consegui fazer c√Ęmbio (n√£o me lembro se foi com d√≥lares ou com o cart√£o como garantia) ūüí≤. Um chileno disse-me que tamb√©m estava com dificuldades e havia conseguido no Banco de Baroda. N√£o me recordo se realmente foi este o banco ou algum outro em que consegui. O representante ou gerente do banco chamou-me para me conhecer pessoalmente antes de aceitar fazer o c√Ęmbio. N√£o consegui sucesso sacando dinheiro em m√°quinas autom√°ticas. Hoje o mundo est√° bastante mudado.
      Na 2.a feira 15/11 fui pegar o trem para ir para algum lugar em dire√ß√£o a Mumbai (na √©poca Bombaim). No caminho passei por uma casa com um jardim com ornamentos t√≠picos indianos. Perguntei ao dono se poderia entrar para conhecer e ele disse que sim. Achei interessante¬†ūüĎć.
      Pretendia ir at√© Shirdi, local central do culto a Sai Baba. Mas achei que a viagem seria um pouco longa. Ent√£o decidi parar em algum local no meio. Fechei os olhos e apontei para um lugar no meio do caminho. Meu dedo parou numa cidade chamada Pipariya. Parecia ser uma pequena cidade, sem nenhuma atra√ß√£o especial. Achei que poderia ser interessante conhecer uma cidade comum pequena e comprei passagem para l√°. O trem atrasou um pouco e neste dia (ou em alguma outra viagem pr√≥xima) eu fiquei conversando com um jovem passageiro indiano, que riu amistosamente da minha pron√ļncia quando tentava falar algumas palavras em Hindi. Numa das paradas do trem durante a viagem, vi uma placa falando da cidade de Pachmari, uma esp√©cie de inst√Ęncia tur√≠stica. Parecia ser pr√≥xima e decidi avaliar se era poss√≠vel ir at√© l√° a partir de Pipariya.
      Chegando l√° hospedei-me e fui dar um passeio. Realmente era uma cidade bem pequena, com popula√ß√£o simples. Gostei muito de conhec√™-la. Sem grandes atrativos feitos para turismo, ela em si foi para mim um evento tur√≠stico ūüĎć.
      Na 3.a feira 16/11 fui at√© Pachmari. Descobri que era a cerca de 50 km e havia um √īnibus para l√°. Fiquei l√° o dia todo e voltei no final de √īnibus.
      Para as atra√ß√Ķes de Pachmari veja https://www.holidify.com/places/pachmarhi/sightseeing-and-things-to-do.html e https://wikitravel.org/en/Pachmarhi. Os pontos de que mais gostei foram os jardins floridos com v√°rios tipos de atrativos naturais e pontos hist√≥ricos ou mitol√≥gicos dos Pandavas (personagens do Bhagavad Gita).
      Adorei os jardins¬†. Fiquei admirando as flores, de todos os tipos, muitas parecidas com as que vemos no Brasil, outras diferentes. As vistas do alto de colinas tamb√©m eram espetaculares. Locais onde os Pandavas haviam estado tamb√©m se destacavam no meio do bosque florido. Quase no fim da visita encontrei uma turista europeia, na garupa da moto de uma guia indiana. Perguntei o que ela estava indo ver e ela disse que iria para onde a guia a levasse. Sugeri os jardins, a guia sorriu e repetiu ‚Äúos jardins com rosas‚ÄĚ e se foram.
      Na 4.a feira 17/11 fui passear novamente pela cidade de Pipariya. Encontrei um adolescente indiano que come√ßou a conversar comigo em ingl√™s. Acho que desejava conhecer estrangeiros. Conversamos bastante e ele me pediu para ligar para ele depois. Eu disse que n√£o conseguiria, nem teria sentido, pois t√≠nhamos acabado de conversar. Acho que ele queria mostrar que tinha conhecido um estrangeiro e praticar ingl√™s. Um pouco mais √† frente, um outro jovem indiano disse-me rispidamente para n√£o passar daquele ponto. Aparentemente era uma via p√ļblica. N√£o sei se entendi bem, pois ele falou em Hindi. Mas, na d√ļvida, resolvi voltar. √Ä tarde peguei o trem para Manmad.
      Fiquei num banco junto com uma fam√≠lia grande (t√≠pica para padr√Ķes indianos). Pai e v√°rios filhos. Trataram-me muito bem ūüĎć. Ofereceram-me seu melhor biscoito. Por mais que eu recusasse, acabei comendo um para n√£o ofend√™-los. Estava muito bom. Deram informa√ß√Ķes sobre Mumbai, para onde eu iria depois. Falaram que na m√©dia era um lugar seguro. Perguntaram-me se eu era casado e ficaram surpresos quando disse que no Ocidente n√£o era necess√°rio ser casado para se fazer sexo ou ter filhos. O pai fez os filhos desocuparem um dos bancos para eu deitar. Eu protestei muito, mas n√£o houve jeito de voltarem. E acabei deitando realmente. Cheguei em Manmad perto de meia-noite. Despedi-me. Agradeci muito e fui procurar um hotel. Nesta hora tudo √© mais dif√≠cil, principalmente em termos de seguran√ßa num local desconhecido. Quando estava descendo do trem perguntaram se eu n√£o tinha medo de fantasmas. Eu ri e disse que n√£o. Mas quando fui cruzar um t√ļnel subterr√Ęneo, bem que fiquei pensando, quando vi uma sombra passar rapidamente ūüėÉ. Consegui encontrar um hotel perto da esta√ß√£o.
      Na 5.a feira dia 18/11 fui para Shirdi, onde fica a sede dos ensinamentos de Sai Baba. S√£o cerca de 60 km. Peguei um √īnibus de manh√£ e voltei √† noite.
      Para as atra√ß√Ķes de Shirdi veja https://wikitravel.org/en/Shirdi e https://shirdi.tourismindia.co.in/. Gostei bastante daqui . Fiquei somente nos itens envolvidos com os locais ligados a Sai Baba, que muito me agradaram.
      Achei bastante interessante a hist√≥ria de espiritualidade e busca da paz e amor de Sai Baba. Sua rela√ß√£o com a Natureza tamb√©m me pareceu bastante √≠ntima, como na hist√≥ria da passagem (morte) do tigre. Fiquei uma parte do tempo meditando¬†ūüßė‚Äć‚ôāÔłŹ. Havia salas com ambientes bem confort√°veis. Forneciam bebida (acho que era ch√°) gratuitamente. Gostei bastante desta medita√ß√£o. Ningu√©m cobrou ou pediu nada. Mas para quem desejasse, era poss√≠vel fazer doa√ß√Ķes. N√£o quis fazer na hora para n√£o me deixar levar pelo impulso. Quando voltei ao Brasil, entrei no site para fazer uma pequena. S√≥ achei um espa√ßo para contato, que era de atendimento espiritual, que tinha uma advert√™ncia, dizendo que era s√≥ para aquele prop√≥sito e que assuntos mundanos n√£o seriam respondidos. Mesmo assim escrevi (acho que 2 vezes) perguntando como poderia fazer a doa√ß√£o. Nunca me responderam.
      Na 6.a feira 19/11 fui conhecer Manmad. N√£o estava no meu roteiro original de pontos com atrativos ligados √† espiritualidade, mas andando pela √ćndia pode-se encontrar itens ligados √† espiritualidade em muitos lugares. E n√£o sendo tur√≠stico, al√©m de n√£o haver poss√≠veis aproveitadores querendo tirar vantagem, entrava-se em contato com a realidade pura da popula√ß√£o.
      No passeio conheci meu primeiro templo Sikh da viagem. Interessante como foram atenciosos comigo. A espada que eles usavam, seus turbantes ūüĎ≥‚Äć‚ôāÔłŹ¬†e sua longa barba podiam assustar num primeiro momento. Remetiam-me, ainda que inconscientemente, aos estere√≥tipos do cinema. Principalmente considerando o que havia ocorrido na chegada. Mas esta impress√£o logo se desfez pela maneira gentil com que me receberam e me deixaram conhecer seu templo. Fizeram quest√£o que eu comece seu alimento t√≠pico do templo (uma esp√©cie de doce) antes de eu ir embora. Fui tamb√©m andar por √°reas rurais e campos, num dado momento, acho que cruzei uma propriedade privada em dire√ß√£o a uma colina. Um pastor interceptou-me e abriu os bra√ßos, como que perguntando porque eu estava passando pelas terras dele. Mas seu olhar era amistoso. Eu respondi ‚Äúnamast√™‚ÄĚ. Ele riu e repetiu a express√£o de bra√ßos abertos, como quem pergunta ‚Äúque namast√™?‚ÄĚ. Repetimos umas 2 ou 3 vezes as mesmas palavras e ele riu do fato de eu s√≥ conseguir falar aquela palavra. Mas concordou que eu continuasse cruzando suas terras para ir at√© a colina, conforme meus gestos tentavam pedir.
      Acho que foi nesta cidade ou em alguma outra nesta altura da viagem que peguei uma lotação num riquixá. Num veículo em que cabem 2 pessoas, fomos em 8, além do motorista, sendo algumas (acho que eram 2) na frente, onde nem banco para passageiros havia.
      Acho que foi aqui tamb√©m que comprei uma toalha com um bordado de Ganesha para um colega de trabalho. Ele havia pedido algo parecido, t√≠pico da √ćndia. Tinha pequenas estruturas met√°licas douradas que compunham o desenho. Paguei US$ 10.00. Imagino que as mulheres que me viram comprar acharam o pre√ßo absurdamente alto, tanto que se esfor√ßaram para n√£o rir muito. No Brasil, acho que custaria de 5 a 10 vezes mais naquela √©poca. Comprei tamb√©m duas r√©guas de madeira com deuses para dar de presente a pessoas que pediram, no valor de US$ 1.00 cada.
      No s√°bado 20/11 tomei um trem para Mumbai. Foi uma viagem curta. Cheguei no meio da tarde. Fui procurar onde me hospedar. Acabei passando por um local com quartos compartilhados (o que chamamos de hostel ou guesthouse atualmente), que eu n√£o conhecia. Naquele momento fiquei com receio e n√£o quis. Como eu sou ignorante ūüėÉ! Depois que fiquei em um hostel em quarto compartilhado pela primeira vez em 2001, passei a optar por eles em muitas ocasi√Ķes. Num dos locais, quando disse que estava procurando por algo mais barato, citei que havia ouvido falar de Doki (ou um nome semelhante) e o dono me disse que n√£o era uma √°rea segura, que era mu√ßulmana. Senti uma certa discrimina√ß√£o em rela√ß√£o aos mu√ßulmanos. Acabei ficando num hotel na zona central, perto da Pra√ßa da CST (esta√ß√£o terminal de trens). Alguns funcion√°rios pediram-me caixinhas no fim da hospedagem, que n√£o dei (eles n√£o prestaram nenhum servi√ßo extra para mim).
      Para as atra√ß√Ķes de Mumbai veja https://wikitravel.org/en/Mumbai e https://www.tripadvisor.com.br/Attractions-g304554-Activities-Mumbai_Maharashtra.html. Gostei bastante daqui . Os pontos de que mais gostei foram as constru√ß√Ķes arquitet√īnicas e hist√≥ricas t√≠picas, os templos, a Trim√ļrti em Elephanta, o Port√£o da √ćndia, a orla, e toda a cidade. Voltei para l√° em 2015 e pude conhecer alguns locais diferentes.
      Em Mumbai havia bem menos vacas soltas pela cidade. Ao longo dos 3 dias, visitei o Port√£o da √ćndia, por onde chegaram e regressaram as for√ßas brit√Ęnicas, toda a orla no seu entorno, a √°rea central, os pr√©dios hist√≥ricos e art√≠sticos, como o Pr√≠ncipe de Gales, galerias de arte, templos, mercados (principalmente de incensos) e muitos outros pontos num city tour. Fiz uma excurs√£o de barco √† Ilha de Elefanta, onde havia estruturas hist√≥ricas e at√© arqueol√≥gicas preservadas. Havia uma cabe√ßa trim√ļrti esculpida numa enorme pedra, com uma face de Brahma, uma de Vishnu e outra de Shiva. Um guarda chamou minha aten√ß√£o quando visitava a √°rea arqueol√≥gica, achando que eu poderia n√£o ter o ingresso ou que estava em √°rea inadequada. Depois que viu o ingresso indicou-me para conhecer a √°rea em que estavam as demais pessoas. A vista de Mumbai a partir de mar tamb√©m pareceu-me muito bela ūüĎć.
      Também passei um tempo procurando por um incenso que minha prima Bernadeth havia pedido, chamado Green Champa. Não encontrei em nenhum lugar um com o mesmo nome ou marca. Deixei para comprar na volta.
      No primeiro dia, quando sa√≠ para passear sem objetivo definido, s√≥ para conhecer a cidade em estado puro, vi uma ag√™ncia do Citibank com caixa autom√°tico. Meu cart√£o pr√©-carregado era do Banco de Boston. Mesmo assim, resolvi tentar sacar. Era s√°bado, mas o vigia estava l√° atento e me perguntou em ingl√™s se poderia me ajudar. Expliquei a situa√ß√£o e ele me respondeu que eu poderia tentar na √ļltima m√°quina. Fui l√° descrente. Logo de in√≠cio a m√°quina perguntou-me o mesmo que o vigia ‚ÄúMay I help you?‚ÄĚ. Prossegui. Em menos de 5 minutos, consegui sacar tudo o que queria e que vinha tentando fazer havia mais de 10 dias sem sucesso ūüĎŹ. Isso n√£o √© uma propaganda. √Č apenas a descri√ß√£o do que ocorreu.
      Acho que foi aqui também que conheci o sanduíche vegetariano do McDonald’s, que na época acho que não existia em outros lugares do Ocidente. O BigMac lá não era com carne de vaca e se chamava Maharaja Mac. Eu não experimentei, mas ouvi falar que era com carne de carneiro. Parece que atualmente é com carne de frango.
      Também aqui, acho que foi que me pesei. Tinha emagrecido cerca de 9 kg. Eu só pesava 65 kg antes da viagem. Estava com 56 kg. E olha que eu já tinha começado a me alimentar melhor desde de Satna, quando descobri como fazê-lo. Nem imagino quantos quilos perdi no momento em que estava com maior deficit alimentar.
      Mumbai era uma cidade enorme, com população semelhante à de São Paulo naquela época. Achei inviável conhecê-la completamente em 2 ou 3 dias. No domingo à noite resolvi comprar um city tour, que embora no geral não me agradasse, neste caso foi um dos poucos que me pareceu compensar.
      No city tour da 2.a feira 22/11 acho que eu era o √ļnico estrangeiro. Fui numa excurs√£o bem popular, ent√£o a maioria das pessoas parecia ser do interior do pa√≠s. Eram pessoas aparentemente bem simples. O guia colocou-me no banco do motorista, junto com ele, acho que para facilitar a comunica√ß√£o e talvez por achar que eu n√£o me sentiria bem junto com os outros. At√© onde me lembro, passamos em constru√ß√Ķes hist√≥ricas no centro (algumas eu j√° havia visitado), no templo jainista (que ficava bem distante), em um parque com √°rea verde, num shopping center (o guia ajudou v√°rios a subir na escada rolante ‚Äď talvez alguns nunca tivessem andado em uma), num parque cient√≠fico e de divers√Ķes educativas, no templo Hare Krishna (que tinha um enorme lustre, aparentemente luxuos√≠ssimo e pesad√≠ssimo), em Bollywood e em uma enorme praia no seu entorno. Durante o almo√ßo eu preferi n√£o acompanhar o grupo e aproveitar o tempo para conhecer um templo e a √°rea nas redondezas, algo com que o guia concordou. Numa das paradas, se me recordo foi no parque cient√≠fico e de divers√Ķes, algumas pessoas atrasaram e o motorista ficou muito bravo ūüė†. Eu n√£o entendi as palavras que ele falava, mas ele estava gritando com os que chegaram atrasados e alguns retrucaram. O guia tamb√©m pareceu repreender os passageiros pelo atraso, mas depois gritou um pouco com o motorista, imagino que por achar que ele estava extrapolando nas reclama√ß√Ķes. Depois da √ļltima parada, acho que o motorista jantou e deve ter bebido um pouco, visto que no retorno estava bem alegre, rindo e parecendo num estado de consci√™ncia um pouco alterado. Furou o pneu do √īnibus ūüöć. Era para retornarmos por volta de 18h ou 19h, mas atrasamos e ir√≠amos chegar perto de 20h. Com o furo do pneu ficou imprevis√≠vel. Eu tinha uma passagem de trem com sa√≠da prevista para as 22h com destino a Goa. O pessoal, vendo a situa√ß√£o, pensou em conseguir um t√°xi para mim. Mas eles viabilizaram a troca do pneu e eu voltei com eles no √īnibus mesmo, chegando ainda, se bem me lembro, com cerca de 1 hora de anteced√™ncia na esta√ß√£o.
      Peguei o trem conforme previsto e a viagem foi durante a noite. Sentei num banco ao lado do qual havia v√°rias pessoas jovens de uma excurs√£o. Sentei do lado de suecas, mas um tempo depois chegaram algumas brasileiras, que estavam num programa de estadia de 1 ano na √ćndia. Elas se surpreenderam em ver outro brasileiro e demonstraram felicidade ūüėä. Come√ßamos a conversar sobre a viagem, a √ćndia e o Brasil. A mo√ßa com que mais falei era carioca. Naquele deslocamento, estavam passeando pelo sul e pretendiam ir at√© o extremo, em Kanyakumari. Conheci tamb√©m um mexicano da excurs√£o, que tentou falar algumas palavras em portugu√™s. Palavr√Ķes ele sabia¬†ūüėÉ.¬†Parecia ser grande amigo delas. Se bem me lembro, eles desceram em uma ou mais paradas antes de mim. Eu desci em Marg√£o, mais ao sul. Era 3.a feira, 23/11, meio da tarde.
      Fui procurar onde me hospedar e encontrei um homem que falava algumas palavras em portugu√™s. Ele alugava uma esp√©cie de kitnet na Praia de Colva. Achei a ideia interessante. Falou que sua m√£e falava portugu√™s. Convidou-me para ir at√© a sua casa. Aceitei. L√°, sua mulher preparou uma bebida chamada lassi, que achei deliciosa ūüĎć. Parecia leite doce com iogurte de frutas. Resolvi ficar na kitnet que ele prop√īs. Ele me levou at√© l√° e me deixou com as chaves, combinando de me reencontrar 2 dias depois, quando eu devolveria e entregaria o apto. Adorei a Praia de Colva, linda, tranquila, mar calmo com √°gua quente.
      Para as atra√ß√Ķes de Panaji e Marg√£o veja https://wikitravel.org/en/Panaji, https://www.tripadvisor.com.br/Attractions-g303877-Activities-Panjim_North_Goa_District_Goa.html, https://wikitravel.org/en/Margao e https://www.expedia.com.br/Margao.dx6053392. Adorei Goa . Parecia o mundo que eu conhecia. Os pontos de que mais gostei foram as igrejas, os monumentos e estruturas de origem portuguesa, a praia e as cidades como um todo.
      Na 4.a feira 24/11 fui visitar Margão e Panaji. Fui visitar uma mesquita. Lá houve um pequeno incidente e eu, acostumado com os templos hindus, sentei em posição de meditação. Quando um ancião cumprimentou-me sorrindo, eu o cumprimentei rapidamente, sem a devida atenção . Acho que consideraram desrespeito e que eu estava me portando como hindu. Expulsaram-me.
      Havia igrejas crist√£s enormes aqui, acho que por heran√ßa do per√≠odo de ocupa√ß√£o portuguesa. Achei muito belas ūüĎć. Encontrei as brasileiras da excurs√£o fazendo um passeio pela cidade. Cumprimentamo-nos e elas me disseram que eu era feliz por poder gastar o tempo que quisesse na visita de algum ponto espec√≠fico, posto que o grupo delas tinha hor√°rios, pelo que entendi.
      O tr√Ęnsito aqui era bem mais tranquilo do que em outras partes da √ćndia. Mesmo assim, numa avenida, vi um cachorro quase ser atropelado ūüźē. Mas ele saiu ileso. Fiquei sensibilizado pela cena.
      Achei interessante haver v√°rios nomes em portugu√™s, como descri√ß√Ķes de monumentos ou locais. Gostei de Velha Goa, parecida com algumas cidades coloniais brasileiras.
      Na 5.a feira 25/11, tirei o dia para passear por Colva e arredores e ir √† praia ūüŹĖÔłŹ. Que praia deliciosa. Foram f√©rias dentro das f√©rias. Sol, calor moderado, mar calmo, pouca gente. Eu adoro praias e desta gostei muito.
      No meio da tarde voltei para o apto para arrumar minhas coisas para partir. Pretendia limpar o apto, mas o dono chegou logo ap√≥s eu ter tomado banho e acabado de arrumar minhas coisas. Tentei ainda varrer um pouco o ch√£o, mas ele disse que n√£o havia problemas e insistiu para eu deixar daquele modo mesmo. Disse que me levaria √† esta√ß√£o e eu disse que n√£o precisava, para n√£o o incomodar. Ele disse que n√£o havia problema, mas eu achei que seria abuso da minha parte. Ent√£o ele me deixou num ponto de √īnibus. Peguei o trem no fim da tarde e cheguei em Mumbai no dia seguinte de manh√£, 6.a feira, 26/11. Na esta√ß√£o um casal de brit√Ęnicos (eu imagino), que tinha ido por conta pr√≥pria para Goa (eu imagino), comentou comigo, com voz emocionada, que tinha sido uma grande experi√™ncia. Eu pensei ‚ÄúEles n√£o viram nada, Goa √© extremamente ocidentalizada, imagina se tivessem passado por onde eu passei‚ÄĚ.
      Tinha uma passagem para Ahmedabad no fim do dia. Então resolvi aproveitar o dia para dar um passeio em Mumbai. Mas primeiramente tinha que comprar os incensos que a Bernadeth havia pedido. Estava ocorrendo uma enorme feira ali perto. Havia um setor de barracas que vendia grande variedade de incensos. Um indiano de uns 50 a 60 anos, vendo minha dificuldade com a língua, ajudou-me a falar com os vendedores em uma feira local. Mas ninguém tinha aquele incenso, em nenhuma daquelas barracas. Quando consultei pela 2.a vez o dono de uma barraca, ele irritou-se. Resolvi comprar então alguns com nomes parecidos.
      Dei uma passeio pela √°rea central, revisitei o Pr√≠ncipe de Gales, s√≥ por fora. Se bem me lembro fui at√© o Port√£o da √ćndia novamente tamb√©m e apreciei a orla.
      Neste dia ou nos dias anteriores em que estive na cidade, visitei uma galeria, onde um rapaz explicava aos donos ou autores da obra, que não tinha dinheiro disponível para gastar com pinturas. A visita para mim foi gratuita.
      Numa das cidades, entrei num templo hindu e me sentei para contemplar e meditar. Uma mulher com trajes indianos apareceu na porta e veio diretamente at√© onde eu estava e sentou do meu lado. Come√ßou a cantar mantras. Achei-os maravilhosos e envolventes ūüĎć. Ap√≥s alguns minutos, um homem, talvez respons√°vel pelo templo, falou rispidamente com ela (n√£o sei se tinha alguma rela√ß√£o com ter sentado perto de mim, um estrangeiro, ou com sua casta), ela aparentemente respondeu fragilizada e se levantou para sair. Foi s√≥ ent√£o que percebi que ela era cega ou com baix√≠ssima vis√£o, pois saiu tateando e quase trope√ßando. Este evento pode ter acontecido na viagem que fiz ao Nepal, 4 anos depois. Como n√£o citei l√°, escrevi aqui.
      No fim do dia peguei o trem para Ahmedabad e l√° cheguei no s√°bado 27/11 pela manh√£. Assim que cheguei, dirige-me a um aparente habitante local em ingl√™s e ele me respondeu ‚ÄúNo English in Gujarat‚ÄĚ, numa mostra que eu teria dificuldades com a comunica√ß√£o verbal. Fiquei hospedado perto da esta√ß√£o.
      Para as atra√ß√Ķes de Ahmedabad veja https://wikitravel.org/en/Ahmedabad e https://www.tripadvisor.in/Attractions-g297608-Activities-Ahmedabad_Ahmedabad_District_Gujarat.html. Gostei daqui, principalmente dos pontos relacionados a Gandhi, √† religi√£o hindu e √† cordialidade com que me trataram os mu√ßulmanos. Em Ahmedabad havia bastante poeira e as vacas voltaram a aparecer em grande n√ļmero.
      Fui visitar o Ashram de Gandhi, de que muito gostei ūüĎć. A simplicidade e autenticidade de Gandhi sempre me encantaram. As √°reas naturais da cidade tamb√©m muito me agradaram. Os aspectos t√≠picos da √ćndia, bem como a propor√ß√£o maior de mu√ßulmanos pareceram-me bastante interessantes. Visitei templos e mesquitas ūüēĆ, com cautela com as li√ß√Ķes aprendidas anteriormente na viagem.
      No domingo 28/11 fiz uma excurs√£o a Gandhinagar, Era um local com bela √°rea natural e o templo de Swaminarayan. L√°, um indiano, ao me perguntar sobre meus interesses, sugeriu que eu visitasse Akshardam, um complexo com exibi√ß√Ķes da cultura e religi√£o hindu, citando Upanishads, Mahabarata, Ramayana etc. Disse que vinha gente de todos os locais para visit√°-lo e eu n√£o poderia perd√™-lo. Vendo que ele estava gastando bastante tempo comigo, agradeci, mas disse que n√£o queria tomar seu tempo. Ele disse que era para pessoas com interesses espirituais como os meus que ele estava ali e que n√£o era gasto de tempo nenhum. Gostei muito, mas como as exibi√ß√Ķes eram na l√≠ngua local (n√£o sei se era Hindi ou Gujarati), n√£o compreendi o que era falado. Mas mesmo assim pude aproveitar bem. No fim voltei ao homem que me havia indicado e disse que havia gostado, mas muitas falas n√£o havia entendido. Ele pacientemente explicou-me todos os momentos da exibi√ß√£o.
      Retornei de √īnibus j√° √† noite para pegar o trem para Udaipur. O √īnibus estava cheio e havia muitas mo√ßas mu√ßulmanas¬†ūüĎß. Cedi meu lugar para elas e n√£o me sentei. Mas elas insistiram que eu sentasse. Eu n√£o quis. Depois de muito insistirem eu sentei. V√°rias delas bateram palmas. Pedi a uma delas que falava ingl√™s para me avisar em que ponto descer, dando como refer√™ncia a esta√ß√£o. N√£o podia errar, pois o hor√°rio estava um pouco apertado. Mas ela me informou corretamente. Agradeci, desci e agradeci novamente. Elas acenaram despedindo-se. Pareceram ter gostado do contato com um ocidental, que deveria ser raro por ali.
      Nas viagens finais de trem eu já estava bem esperto em relação às especiarias que se colocava nos alimentos pedidos. Assim, quando comprava um pão, biscoito ou salgado, ficava bem atento ao vendedor e, quando ele ameaçava pegar algum pote para despejar especiarias no alimento, eu rapidamente pedia que não, fazendo gestos.
      Peguei o trem para Udaipur √† noite e cheguei l√° na 2.a feira 29/11 de manh√£. N√£o gosto de viajar durante ‚Äėa noite, mas infelizmente devido a toda confus√£o com a troca de passagens, ao prazo apertado da viagem, √† lota√ß√£o dos trens e aos hor√°rios espec√≠ficos, acabei viajando √† noite em v√°rios trechos. Hospedei-me perto da esta√ß√£o. O atendente de um hotel foi t√£o insistente, que eu acabei n√£o ficando hospedado em seu hotel.
      Para as atra√ß√Ķes de Udaipur veja https://www.tourism.rajasthan.gov.in/udaipur.html e https://wikitravel.org/en/Udaipur. Os pontos de que mais gostei foram o ambiente natural, o lago, o ponto do p√īr do sol e os pal√°cios¬†ūüĎć.
      Durante os 2 dias em que l√° estive visitei v√°rias √°reas naturais e pal√°cios. L√° foi filmado 007 contra Octopussy. Gostei muito do lago. E o p√īr do sol visto a partir do Ponto do P√īr do Sol, um local elevado na beira do lago, foi uma das vistas mais belas de que j√° desfrutei . Enquanto apreciava o sol em seu movimento descendente, encontrei 2 americanas, que tamb√©m tinham ido l√° para isso. Quando falei que era brasileiro elas suspiraram e perguntaram se eu morava perto da costa. Pareciam gostar de praias.
      Se bem me lembro, foi aqui que num dos dias, o atendente de um dos hotéis em que eu não havia ficado veio até mim de modo incisivo dizendo que estava se sentindo aborrecido e que por isso precisava que eu conversasse um pouco com ele. Eu já tinha meu itinerário previsto, achei a forma da abordagem inadequada, mas, mesmo assim, parei um pouco para falar com ele. Ele logo desinteressou-se. Achei na hora que tinha sido uma boa escolha não ter ficado no hotel dele.
      Acho que foi daqui que falei com Singh por telefone e expliquei que tinha trocado algumas passagens. Ele pareceu surpreso e me perguntou porque. Combinamos o reencontro quando eu chegasse na volta. Confirmei para ele o hor√°rio e o local.
      Na 4.a feira 01/12 de manh√£ bem cedo peguei o trem para Nova D√©li. Cheguei no meio da tarde. Durante a viagem estava meio emocionado. Pude sentar na janela, pois o trem estava relativamente vazio, comparado aos outros. Era minha √ļltima viagem de trem na √ćndia, antes do regresso ao Brasil. Fui apreciando a paisagem e relembrando todas as dificuldades que tinha tido na viagem. Incr√≠vel eu ter chegado ao fim sem nenhuma consequ√™ncia mais grave, dado tudo que ocorreu. Quando cheguei √† esta√ß√£o estavam l√° Singh e seu s√≥cio esperando-me. Este √ļltimo trecho eu n√£o mudei em rela√ß√£o ao que haviam comprado originalmente. Eu, sinceramente, nem mais contava com nosso reencontro, no meio de toda quela gente, apesar do fim do city tour em Nova D√©li ainda ter ficado pendente. O s√≥cio dele me reconheceu e nos reencontramos. Singh me disse que, por sua experi√™ncia, imaginava que eu n√£o conseguiria fazer a viagem prevista originalmente. Fomos para seu escrit√≥rio e me ofereceram um passeio a Haridwar e Rishikesh, que recusei. Combinei com eles de fazer o city tour no dia seguinte e finalmente consegui hospedar-me na Janpath Guesthouse, perto de Connaught Place. Se bem me lembro, ainda deu tempo de passear um pouco antes do escurecer e achei o entorno interessante ūüĎć. O respons√°vel pela guesthouse disse-me que eu parecia 45% indiano e 55% estrangeiro.
      Na 5.a feira 02/12 fui de √īnibus ao escrit√≥rio da companhia de turismo para fazer a parte final do city tour. Acharam engra√ßado e talvez despropositado quando disse que tinha ido de √īnibus e me perguntaram se estava lotado. Perguntaram se eu daria alguma gratifica√ß√£o. Achei que tinha pago muito mais do que teria sido adequado, ainda mais com o desencontro havido em Varanasi, a necessidade de pagamento extra aos guias e a Bilu e as passagens de trem em sequ√™ncias invi√°veis. Mas, para n√£o fugir do protocolo, dei US$ 5.00 ou US$ 10.00 num envelope. Como j√° tinha dado bem mais para Bilu, achei que estava razo√°vel. O s√≥cio de Singh, quando declarei o valor da gorjeta no envelope, falou algo de desagrado em Hindi. Mas Singh disse em voz calma, talvez um pouco decepcionada, que eu havia pago tudo como combinado. Disseram-me que Bilu estava em outra excurs√£o e outro motorista iria acompanhar-me. Aceitei e fui com ele.
      Quando Singh me falava sobre cuidados, o motorista disse que sabia que a criminalidade no Brasil era pior do que na √ćndia, algo com que concordei, depois de ter viajado pela √ćndia. Visitamos v√°rios pontos, entre eles o Templo Flor de L√≥tus, o Qutab Minar, uma esp√©cie de Museu ou Memorial de Gandhi . Neste √ļltimo, quando entrei estava voando em pensamentos e talvez com a fisionomia um pouco fechada. Um rapaz fez para mim sinal de calma e paz. Eu sorri docemente, para mostrar que eram somente pensamentos irreais. No Templo Flor de L√≥tus, uma mo√ßa da comunidade Baha‚Äôi recebeu-me muito bem e sorriu quando deixei bater a porta, pois reinava o sil√™ncio e as pessoas tentavam meditar ou estavam em contempla√ß√£o. Achei este templo magn√≠fico , tanto do ponto de vista da arquitetura, quanto da atmosfera espiritual reinante. No fim do dia, perguntei ao motorista se era devido pagamento pelos seus servi√ßos e ele me disse que era costume, mas que n√£o precisava me preocupar, para s√≥ fazer se achasse que deveria. Achei sua postura t√£o correta, que acabei dando a ele por somente um dia tanto ou um pouco mais do que havia deixado no envelope, se bem me lembro.
      Singh deu-me cart√Ķes de visita para eu trazer ao Brasil. Acabei n√£o recusando, mas pensei melhor e decidi descart√°-los, pois n√£o achei adequada a abordagem inicial, nem o pre√ßo, nem a confus√£o com as passagens, nem os pagamentos extras, embora n√£o possa negar que para o que recebi, o pre√ßo foi aceit√°vel em padr√Ķes internacionais, embora inflado em padr√Ķes indianos. Talvez o que mais tenha me contrariado, foi que eu n√£o pretendia fazer uma viagem com guias nem hot√©is de razo√°vel n√≠vel. S√≥ optei pelo pacote devido ao evento da chegada no aeroporto. E quando comecei a viajar por conta pr√≥pria, a partir da 2.a semana, ficou ainda mais claro que aquele era o tipo de viagem que eu desejava, desde o in√≠cio. Enfim, tanto tempo depois, concluo que foi um gasto √ļtil (embora pudesse ter sido muito menor) para aprender a me virar sozinho em um pa√≠s em que n√£o conhecia a l√≠ngua, nem o alfabeto, nem os costumes, nem as tradi√ß√Ķes e nem quase nada. Depois disso, nas outras viagens que fiz a pa√≠ses assim, j√° sabia como me virar. E aprendi a li√ß√£o principal. Nunca chegar num local desconhecido de madrugada. Se chegar, ficar no local onde cheguei (aeroporto, rodovi√°ria, porto, posto de gasolina etc) at√© amanhecer. Isso aconteceu algumas outras vezes depois desta viagem.
      Na 6.a feira 03/12, meu √ļltimo dia, estando novamente por conta pr√≥pria, fui conhecer Velha D√©li. Na sa√≠da da guesthouse encontrei um rapaz que depois de eu dizer meu destino e falar que iria a p√©, disse que n√£o era poss√≠vel ir a p√©. Eu ri levemente, dizendo que iria mesmo assim e ele, vendo que seu argumento n√£o tinha me convencido, irritou-se. Gostei da √°rea de Velha D√©li, mas achei muito empoeirada e com muita gente para as suas ruas estreitas. Visitei Jama Mashid, famosa mesquita mu√ßulmana. Pedi para subir no minarete e, para minha surpresa, autorizaram-me. Visitei tamb√©m um Gurudwara Sikh, de que tamb√©m gostei. Minha impress√£o geral sobre os Sikhs nesta viagem (e nas posteriores tamb√©m) foi bastante positiva. Fiquei surpreso de conhecer um hospital de passarinhos ūüėģ¬†mantido pelos jainistas (uma religi√£o parecida com o Hindu√≠smo ‚Äď para mais detalhes veja https://pt.wikipedia.org/wiki/Jainismo). Eles respeitavam todas as formas de vida.
      √Ä noite voltei ao hostel, jantei uma pizza grande deliciosa (se bem me lembro, era da Pizza Hut), com um pouco de especiarias, o que se mostrou um grande erro. Conversei um pouco com uma h√≥spede (se bem me lembro da Escandin√°via) e fui deitar um pouco, antes de pegar o t√°xi para o aeroporto, pois o voo sa√≠a no in√≠cio da madrugada. Ao deitar, com o est√īmago cheio, creio que n√£o fiz bem a digest√£o. Peguei um t√°xi confi√°vel desta vez, credenciado e chamado pela guesthouse e a corrida transcorreu bem, sem nenhum problema. No avi√£o, comi as refei√ß√Ķes, com um pouco de especiarias tamb√©m.
      Cheguei em Frankfurt na manh√£ do s√°bado 04/12. Estava bem mais frio do que na vinda. Perto de 5 C, quando vi o term√īmetro bem mais tarde (perto de 10h ou 12h). Fui tentar descobrir como ir por conta pr√≥pria para o centro da cidade. Fiquei tentando ler as instru√ß√Ķes na m√°quina autom√°tica de bilhetes. Um casal, a quem perguntei, ajudou-me a escolher o bilhete correto e me orientou a comprar um bilhete para o dia, que era mais barato do que a ida e volta. Peguei o trem, admirei a paisagem europeia de outono, quase inverno, que s√≥ tinha visto em filmes, e desci na √°rea central.
      O R√∂mer esteva decorado para o Natal e estava havendo a exibi√ß√£o de uma orquestra com crian√ßas tocando os instrumentos e cantando (o maestro era adulto). Havia v√°rios enfeites de Natal. Achei a Casa de Goethe muito grande. Pelo que entendi moravam l√° 4 pessoas e, se me lembro, a casa tinha 3 ou 4 andares. Havia tamb√©m empregados, mas mesmo assim, para os padr√Ķes atuais, pareceu-me uma casa enorme. Uma alem√£, que tamb√©m fazia a visita, deu-me algumas explica√ß√Ķes. Fui passear pelo Rio Main e ver os museus por fora. At√© pensei em entrar em algum, mas desisti por achar seu tamanho muito grande, o que me impediria de conhec√™-lo completamente e tamb√©m me faria n√£o visitar mais nada. Visitei a catedral e uma exposi√ß√£o associada, que mostrava sua imagem durante a 2.a Guerra Mundial e, quase toda a cidade destru√≠da, e somente ela parcialmente preservada dos bombardeios.
      Depois fui a uma outra igreja protestante, em que uma mo√ßa ensaiava piano ūüéĻ. Gostei muito, Aplaudi depois que ela acabou. Ela, que estava numa esp√©cie de mezanino, num andar superior, veio at√© a grade, sorriu e me agradeceu. Ouvi mais um pouco e depois fui embora, aplaudindo enquanto sa√≠a. Interessante que, certa vez, eu fiz isso no Santu√°rio de Nossa Senhora do Ros√°rio de F√°tima, no Sumar√©, em S√£o Paulo, e a mo√ßa que tocava piano tamb√©m parou, mas veio me perguntar se eu estava procurando algu√©m, se havia algum problema. Este evento chamou-me a aten√ß√£o para a diferen√ßa de percep√ß√£o existente para a arte nos dois locais.
      Estava come√ßando a escurecer e ainda eram 16h. Fui apreciar o p√īr do sol a partir de uma ponte no Rio Main. Espetacular , apesar do frio.¬†Eu j√° estava sentindo um certo desconforto estomacal e a partir deste ponto come√ßou a me dar vontade de ir ao banheiro.
      Depois disso fui conhecer um mercado e paguei $ 1 marco para ir a um banheiro p√ļblico. Creio que fui umas 3 vezes. N√£o me entendi bem com a porta e acabei achando que estava preso no banheiro. Bati muito para algu√©m escutar e vir me soltar, at√© que descobri o jeito do trinco. Estava saindo, quando chegou a respons√°vel assustada. Eu pedi desculpas com um sorriso envergonhado ūüėÉ.
      Passeei ainda um pouco pelo mercado e fui dar mais uma volta no R√∂mer, que estava muito bonito √† noite. Cruzei com jovens e uma mo√ßa olhou-me com aparente raiva, dizendo "Ele √© americano". Eu estava com uma blusa que minha tia havia me dado do Departamento Florestal dos Estados Unidos, com as cores do pa√≠s. Foi a √ļnica blusa de frio que levei para a viagem, especificamente para esta passada na volta pela Alemanha. Depois deste epis√≥dio, resolvi cruzar os bra√ßos sobre a inscri√ß√£o "US Forest" da frente.
      Alguns alem√£es disseram-me que n√£o falavam ingl√™s, quando me dirigi a eles pedindo informa√ß√Ķes, principalmente os mais velhos. N√£o sei se de fato n√£o falavam, ou n√£o gostavam muito de falar ingl√™s.
      Já estava bem mais frio, acho que -1 C , e eu não tinha roupas para isso, Começou uma leve chuva ou neve. Isso acabou fazendo um estrago, que ficou limitado, pelo pouco tempo a que fiquei exposto. Já à noite, peguei o trem para o aeroporto e embarquei para o Brasil.
      N√£o desfrutei deste voo ūüėě. N√£o comi em nenhuma das refei√ß√Ķes. Aborreci meu companheiro de poltrona v√°rias vezes para ir ao banheiro. Dormi durante boa parte do trecho, o que √© rar√≠ssimo de acontecer, posto que n√£o consigo dormir em avi√Ķes. Uma mo√ßa (acho que era brasileira e deve ter pensado que eu era estrangeiro), fez sinal com a m√£o para eu comer, quando a aeromo√ßa passou, e com cara de decep√ß√£o, ouviu minha recusa para uma das suas √ļltimas ofertas de alimenta√ß√£o e bebida.
      Chegamos no domingo 05/12 de manh√£. Meu companheiro alem√£o de poltrona olhou pela janela e me disse ‚ÄúMarginal Ti√©te‚ÄĚ, desta maneira. Eu respondi ‚ÄúN√£o, Marginal Pinheiros‚ÄĚ, mas logo olhei melhor e disse ‚ÄúMarginal Tiet√™‚ÄĚ, acenando a cabe√ßa para ele, dizendo que ele estava certo.
      Estava com tosse de cachorro (√© uma tosse profunda e meio rouca). Falei com a minha prima Bernadeth e no dia seguinte ela me ligou novamente para ver se a tosse continuava. A tosse tinha sumido. Ela me disse que pensou que eu poderia estar com pneumonia. Mas acabou ficando tudo bem com minha sa√ļde.
      Hoje, mais de 20 anos depois, considero que esta foi uma das melhores viagens da minha vida. Por√©m talvez a mais complicada, em que passei por muitas situa√ß√Ķes dif√≠ceis. Mas acho que valeu a pena.¬†ūüôā
    • Por Fora da Zona de Conforto
      A decisão de mudar de país nunca é fácil, sentimos medo, ansiedade, insegurança… E tudo isso é normal, afinal mudar para a Europa envolve se adaptar a uma nova cultura, novos costumes e até a um novo idioma em muitos casos! 
      Por isso, é importante tomar um pouco de tempo para pesquisar e contratar serviços, ainda no Brasil, que serão fundamentais para a sua chegada no novo continente.
      Pensando nisso, criei essa lista com as 7 melhores op√ß√Ķes de¬†seguros internacionais de sa√ļde para imigrantes¬†que podem cobrir voc√™ e sua fam√≠lia na Europa (inclusive o Reino Unido, onde est√£o a Inglaterra, Esc√≥cia, Pa√≠s de Gales, e Irlanda do Norte).
      Você pode conferir o que as melhores empresas oferecem, quais são as coberturas e qual a melhor escolha para você e sua família! 
      Mas antes…
       
      Por que √© importante ter seguro sa√ļde internacional se voc√™ est√° morando na Europa?
      Antes de mais nada, é importante que você saiba porque a contratação desse serviço ainda no Brasil faz toda a diferença. Além de garantir que você estará coberto contra possíveis acidentes, o seguro também garante a sua entrada na Europa e pode ser requisito para concessão de vistos de trabalho, estudo e residência permanente. Então confira!
      Portanto, aqui est√£o tr√™s raz√Ķes mais detalhadas para garantir que voc√™ obtenha sua ap√≥lice antes de sair de casa.
       
      ¬† ¬†1. Voc√™ ter√° que ter um seguro de sa√ļde no Espa√ßo Schengen
      Primeiro, esse √© um assunto que gera muitas d√ļvidas. Porque quando falamos de turismo, voc√™ n√£o precisa apresentar um¬†seguro de sa√ļde¬†para entrar em todos os pa√≠ses, como √© o caso do Reino Unido.
      Por√©m, em grande parte da Europa (incluindo pa√≠ses como Fran√ßa,¬†Alemanha¬†e¬†Portugal), ter seguro sa√ļde, mesmo se voc√™ estiver visitando apenas como turista, √© tecnicamente uma exig√™ncia.
      Mais especificamente, o seguro sa√ļde √© um requisito para todos os pa√≠ses (que √© a maior parte da Europa) que fazem parte do¬†Acordo de Schengen.
      Falaremos sobre o que é o Espaço Schengen em um minuto. Mas aqui está o que você deve saber: embora eles nem sempre perguntem, é possível que seja solicitado que você apresente um comprovante de seguro na imigração quando desembarcar. Então você não quer ser pego sem ele!
      Voc√™ s√≥ precisa se certificar de que qualquer ap√≥lice de seguro sa√ļde que tenha cubra o pa√≠s para onde est√° se mudando. E, felizmente, as seguradoras internacionais de sa√ļde que recomendo abaixo cobrem a maioria dos pa√≠ses do mundo!
       
      O que é o Acordo de Schengen? 
      Também conhecido como Tratado ou Espaço Schengen, é um acordo que garante a livre circulação de pessoas entre os países participantes. Ou seja, não há um controle de fronteiras para ir de um país a outro. 
      Vale ressaltar que, apesar da maioria dos países participantes serem membros da União Europeia, não são todos que fazem parte do Acordo de Schengen, como é o caso da Irlanda, Croácia, Bulgária e Romênia. Há também países de fora da UE que fazem parte do Espaço Schengen, como a Suíça e a Noruega. 
      Por fim, turistas brasileiros n√£o precisam de visto para viajar entre esses pa√≠ses, por at√© 90 dias, mas devem ter sempre em m√£os um passaporte v√°lido e um seguro sa√ļde com cobertura m√≠nima de 30 mil euros.¬†
       
      Continue lendo em: 7 Melhores Seguros Internacionais p/ Imigrantes na Europa e Reino Unido
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