"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
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Oi galera!!
Vou dividir o relato em duas partes. Na 1ª vou colocar apenas preços, horários e dicas rápidas pra quem apenas quer pesquisar e organizar a sua viagem.
Gastos totais é a soma de tudo que gastei em cada cidade: almoço, janta, água, banheiro, ligação, lavanderia, farmácia, café, taxi, hostel, ônibus, etc... só pra ter uma idéia de quanto gastei em cada lugar.
Já vou adiantar que não fiz uma viagem nem muito econômica, nem muito cara. Quando dava pra gastar menos eu gastava, mas me permiti alguns luxos, como dormir em hotéis em vez de hostel em alguns lugares e também não economizei na alimentação. Procurava sempre comer em restaurantes decentes, nem que tivesse que pagar um pouco mais. Na Bolívia e no Peru é melhor não arriscar. E mesmo assim não achei que gastei muito. Mas dá pra fazer com menos dinheiro essa viagem.
Também não deixei de fazer nenhum tour e visitei todos os lugares que tinha pra visitar em todas as cidades. Meu objetivo era conhecer bem cada lugar por que não sei se um dia vou voltar, já que esse mundo é muito grande e cheio de lugar bacana pra conhecer.
Na 2ª parte coloco o relato com as descrições e dicas mais aprofundadas dessa viagem por esses três países da América do Sul!
Segue cidades visitadas:
Santa Cruz de la Sierra - Sucre - Pototsi - Uyuni (salar) - San Pedro de Atacama - Arica - Arequipa - Cusco - Puno - Copacabana - La Paz
Dica Importante: não conte com seu cartão de crédito no Peru e na Bolívia. São poucos lugares que aceitam cartão, e os que aceitam chegam a cobrar 18% a mais de taxa pra pagar com cartão. Mais garantido já ir com a grana ou sacar nos caixas eletrônicos.
Passagens Aéreas:
Porto Alegre - Santa Cruz (ida e volta): R$650,00
Santa Cruz - Sucre (só ida): R$110,00
La Paz - Santa Cruz (só ida): R$220,00
Santa Cruz de la Sierra
Cambio no aeroporto: U$1,00 = B$6,85
Taxa de embarque p/ voo nacional: B$ 15,00
Taxa de embarque p/vôo internacional U$ 25,00
Cabines p/ dormir no aeroporto:
1hora: U$ 10,00
2 horas: U$ 20,00
3 horas: U$ 30,00
4 horas: U$ 33,00
Café da manha no aeroporto: B$ 41,00
Gastos totais: B$ 56,00
Sucre
Taxi aeroporto / terminal bus: B$ 20,00
Taxi p/ Potosi: B$ 40,00
Onibus p/ Potosi: B$ 17,00 (5 horas de viagem)
taxa uso terminal bus: B$ 2,50
Horário do bus: último as 19:30 hs, mas só sai quando estiver cheio
Entrada parque cretáceo: B$: 30,00
uso de câmera parque cretáceo: B$ 5,00
Gastos totais: B$167,50
Potosi
bus terminal / hostel: B$ 1,00
Hostel: B$ 56,00 diária
Toalha: B$ 3,00
Entrada Museo Casa de La moneda: B$ 20,00
uso de camera fotográfica dentro museu: B$ 20,00
No domingo o museu abre só das 09:00 as 12:00 e não abre nas 2ª.
Cerro Rico: B$ 80,00 em grupo ou B$ 100,00 sozinha
regalo p/ mineiros: B$ 15,00
Taxi p/ terminal bus: B$ 5,00
Onibus Uyuni: B$ 40,00
Horário bus: último as 19:30 (7 horas de viagem)
Gastos Totais: B$282,00
Uyuni
Hostel: B$ 50,00
Tour 03 dias salar c/ transfer p/ San Pedro: B$ 600,00
Entrada Isla Pescado: B$ 15,00
Entrada laguna Colorada: B$ 150,00
Carimbar passaporte p/ sair da Bolívia: B$ 15,00
banheiro salar: B$ 5,00
Gastos Totais: B$ 883,00
San Pedro de Atacama
Cambio: U$1,00 = C$ 475,00
Hostel: C$ 6000,00 diária
Pacote 04 tours: C$ 40.000,00
Tour Salar de Tara: C$40.000,00
Entrada Vale da Lua: C$ 2.000,00
Entrada Geiser: C$ 5.000,00
Banheiro: C$ 1.000,00
Entrada laguna Cejas: C$ 2.000,00
Space Obs: C$ 15.000,00
Aluguel Bike: C$ 4.000,00 meio dia
Entrada Pukara de Quitor: C$ 2.000,00
Entrada Lagunas altiplanicas: C$ 2.500,00
Onibus p/ Arica: C$14.500,00
Horário bus: 20:25 horas(10 horas de viagem)
Gastos Totais: C$191.150,00
Arica
Taxi terminal / hostel: C$ 1.500,00
Hostel: C$ 8.500,00 diária
Tour 01 dia Parque Lauca: C$ 20.000,00
Tour sai as 07:00 e volta as 20:00
Taxi - hostel/ terminal: C$1.500,00
Taxa de embarque: C$200,00
Bus p/ Tacna: C$ 2.000,00 (02 horas de viagem)
Taxi p/ Tacna: C$ 4.000,00 (01:30 horas de viagem)
Gastos Totais: C$40.800,00
Tacna
Câmbio: U$1,00 = N$ 2,80
Taxa embarque p/ Arequipa: N$ 1,00
Bus Arequipa: N$35,00
Bus de hora em hora de Tacna p/ arequipa, último as 22:00 (7 horas de viagem)
Gastos Totais: N$ 38,00
Arequipa
Taxi compartido terminal - hostel: N$ 2,00
Hostel: N$40,00 diária
City tour bus: N$ 25,00
Trecking 02 dias Canion del Colca: N$ 110,00
Termas Chivai: N$10,00
Museo Santa Teresa: N$10,00
Museo Santa Catalina: N$35,00
Museo Recoleta: N$ 10,00
Ascenso vulcão El Misti 01 dia: U$ 67,00 - sai a meia noite e volta as 16:00
Taxi hostel - terminal: N$ 5,00
Bus Cusco: N$ 110,00
Taxa embarque: N$ 2,00
último bus sai as 21:00 hs (10 horas de viagem)
Gastos Totais: N$689,80
Cusco
Taxi terminal - hostel: N$7,00
Hostel: N$30,00 diária
Boleto turístico: N$130,00
Bus city tour: N$ 25,00
Bus vale sagrado (c/ almoço): N$ 50,00
Museo Inca: N$ 10,00
Museo Santo Domingo: N$10,00
Catedral: N$25,00
Trilha Inca: U$ 300,00
Saco dormir: U$ 10,00
Porteador 2º dia: N$80,00
Propina porteador: N$20,00
Banheiro em MP: N$2,00
Guarda volume em MP: 4,00
Taxi hostel - terminal: N$4,00
Bus puno: N$ 45,00
taxa embarque: N$ 1,10
último bus as 22:00 hs (10 horas de viagem)
Gastos Totais: N$1171,70 + U$ 7,00 + U$150,00 pagos antecipados no Brasil (trilha inca)
Puno
Hostel N$ 20,00
Ilha de Uros: N$ 20,00
Silustani: N$ 30,00
taxi: N$1,00
Taxi hostel - terminal: N$4,00
bus copacabana: N$ 15,00
Taxa embarque: N$1,00
bus p/ Copa sai as 07:30 e útimo as 14:30 hs (4 horas de viagem, dependendo da fronteira)
Gastos Totais: N$ 163,90
Copacabana
hotel: B$30,00
Isla del Sol: B$ 20,00
Pedágio norte da ilha B$: 10,00
Pedágio sul da ilha: B$5,00
Banheiro: B$2,00
Bus La Paz: B$ 35,00
Balsa: B$ 2,50
último bus sai as 18:30 hs (3 horas de viagem)
Gastos Totais: B$302,20
La Paz
Van: B$2,50
Taxi: B$15,00
Hostel: B$ 50,00 diária
Hotel: B$80,00 diária
Downhill: B$ 350,00
Entrada death road: B$ 25,00
Chacaltaya: B$90,00
Taxi: B$15,00
city tour bus: B$50,00
Taxi: B$20,00
Taxi hotel - aeroporto: B$70,00
Gastos Totais: B$1391,50 + U$20,00
Segue relato detalhado:
Sucre (04/12)
Cheguei em Sucre via aérea as 11:00 da manha, peguei um taxi do aeroporto e fui direto pro terminal de ônibus pra comprar a passagem pra Potosi. Como eu não ia dormir em Sucre, apenas passar o dia, deixei minha mochila na oficina da agência do ônibus que eu ia pra Potosi. Lugar sem segurança nenhuma, larguei minha mochila no 2º andar, se alguém chegasse lá e quisesse pegar e levar podia ter feito tranquilamente, mas não aconteceu nada, hehehe! Aquele terminal até tinha um guarda equipagem, mas achei tão seguro quanto à agência.
Do terminal pro centro histórico fui de ônibus, rapidinho pra chegar. Visitei o mercado central, o centro histórico, o cemitério, um parque bem bonito, tudo a pé.
As construções são bem bonitas e conservadas, os prédios todos brancos. Isso na parte turística, porque no resto da cidade TODAS as casas estão em construção e tem muita sujeira, lixo espalhado. Dizem que os moradores deixam as casas assim porque enquanto elas não estão prontas não precisa pagar imposto pro governo.
Depois peguei um ônibus de linha mesmo, não precisa pegar o bus turístico que é mais caro, e fui visitar o parque cretáceo. Legal até, com um monte de réplica de dinossauro. Bom pra quem tem criança junto. Do parque cretáceo, peguei o mesmo bus e parei em frente ao terminal, onde saía o bus pra Potosi.
Meu 1º ônibus na Bolívia. O horário de saída era as 18:30, mas ele só saiu depois que encheu, tipo uma hora depois. Na agência me disseram que o ônibus ia direto e que não iam pessoas sentadas no corredor. Óbvio que no caminho ele parou várias vezes e tinha gente saindo pelas janelas até. Mas eu tava lá no meu cantinho, e como estava muito cansada da viagem, afinal cheguei em Santa Cruz as 02:00 da manha e meu vôo pra Sucre era as 10:00 da manha, passei a noite no aeroporto. Nem vi a viagem, dormi direto, então não posso dizer se a estrada era ruim ou se o motora dirigia mal, apesar de suspeitar da resposta!
Tem a opção de ir de táxi pra Potosi, mas era mais caro.
De toda a minha viagem, que foi planejada antecipadamente, Sucre foi a única cidade que achei que poderia ter ficado um dia a mais, porque tem várias coisas pra fazer ao redor, treckings, bikes... mas se eu ficasse mais um dia, ia deixar de ver outras coisas que eu tinha planejado, então fui direto pra Potosi.
Mas fica a dica: vale a pena ficar uns dois dias ou mais em Sucre, a cidade é bem legal e tem coisas pra fazer.
Potosi - 05/12
Cheguei em Potosi era quase meia noite, o ônibus parou no terminal novo, que foi recém inaugurado. Bem grande e bonito, mas não tinha taxi por lá. Tinha uma guria no ônibus que era de lá mesmo, e por sorte ela morava a duas quadras do hostal que eu ia ficar. Fomos pra avenida da frente esperar um taxi, como não passou nenhum, entramos no ônibus de linha que parava a 03 quadras do hostel. Ótimo!
Fiquei hospedada no Hostal La Casona (Calle Chuquisaca, 460), quarto privado com bano público e com café da manhã. Precisava demais de um banho, peguei minhas coisas e fui pro banheiro, liguei o chuveiro e não tinha água quente. Potosi fica a 4100 m de altitude, tava frio pra caramba, mas tive que encarar um banho frio porque precisava muito! O pessoal do hostel também não foi muito simpático e prestativo quando fui pedir informações da cidade, tanto o pessoal da noite como do dia. Não recomendo esse lugar.
No dia seguinte acordei cedo, tomei café junto com uma galera que tava hospedada lá e fui conhecer a cidade e me informar a respeito das duas coisas que eu queria fazer: Museo Casa de La Moneda e Cerro Rico. O Cerro Rico o passeio começa as 09:00 e vai até as 13:30. Era domingo, e em várias agências que fui me disseram que não faziam o tour nas minhas porque os mineiros não estavam trabalhando, apenas alguns. Também não tinha mais ninguém interessado em fazer. Estava quase desistindo quando resolvi entrar na última agência. Me disseram que não tinha ninguém pra fazer o tour, mas que se eu pagasse um pouco a mais podia fazer sozinha. Topei, fechei o tour pra de tarde, já que era quase 10 horas, e combinamos que se tivesse mais alguem pra fazer junto eles me devolviam a diferença.
No fim foi bom agendar pra de tarde, porque o museu que eu queira ir, a casa da moneda, abria só de manhã no domingo! Assim, fui direto pra lá. A visita no museu é guiada e dura umas 02 horas. Pra mim valeu muito a pena, gostei mesmo do museu e da história de Potosi! Quem iria imaginar que na época da revolução industrial Potosi era maior que Londres e que um monte de cidade da Europa, e ainda por cima era a responsável por fabricar as moedas usadas por esses países?
De tarde fiz o tour na mina sozinha mesmo, não apareceu mais ninguém, e como não gosto de desperdiçar oportunidade, vai saber se vou voltar lá algum dia, fui sozinha mesmo. O guia era muito legal, um ex mineiro que sabia muito da mina, dos minérios e do trabalho lá dentro. E era bem divertido também! Paramos em um armazén pra comprar regalos pros mineiros, colocamos as roupas protetoras e fomos pra mina.
Muito, mas muito legal esse passeio. Vale muito a pena, quem for pra Potosi não pode deixar de fazer. Muito louco entrar dentro de uma mina, ver como eles trabalham (tinha gente trabalhando sim!) Quem quer pode comprar dinamite pra explodir lá dentro também. A única coisa ruim é ver que o trabalho é bem pesado e tem até crianças lá dentro trabalhando.
A agência que eu fiz e super recomendo é:
The Real Deal (calle bustillos #1092 esquina Ayacucho)
Fone: 62-25840
e-mail: sanpedroblanco@hotmail.com
O guia que fez o tour comigo é o Reynaldo Ramirez
ramirey22@hotmail.com
Se der pra fazer o tour com ele, melhor, o cara é bem profissional mesmo!
Ainda tinha tempo então resolvi dar uma caminhada pela cidade, bem devagar, porque ali a altitude pega mesmo. Qualquer dois passos já dá falta de ar, o coração dispara, parece que as pernas ficam travadas! E meu nariz sangrava um pouco também, mas bem de leve. Tive um pouquinho de dor de cabeça nesse dia, mas nada que uma aspirina não resolvesse. Esses foram os sintomas de soroche que eu tive. A falta de ar e coração disparado ainda persistiram por um bom tempo, mas só quando eu tinha que fazer exercício ou algum esforço. Eu tinha lido aqui nos relatos que as pessoas passavam muito mal, que nem conseguiam sair do quarto e tava bem preocupada com isso. De todos os lugares que eu fui, vi muito pouca gente passando mal mesmo, tipo só uns 2% das pessoas. Então, o mal da altura existe sim, mas dá pra encarar tranquilo!
Potosi é uma cidade bem bonita, as ruas são muito estreitas, tem espaço pra um carro só e pedestre que se cuide por lá, porque o espaço pra disputar com os carros é bem estreito. Vale a visita, e um dia é suficiente pra ver tudo por lá, pelo menos eu não descobri nada que valesse a pena mais um dia por lá. Sei que tem uma laguna, mas como eu tava indo pro salar e pro Chile, já ia ver muitas lagunas e com certeza mais bonitas que a de Potosi, pelo que eu tinha visto por foto, então optei por segui pra Uyuni!
O ônibus pra Uyuni saia as 18:30 mas de novo até não encher ele não saiu. Ônibus muito ruim, foi parando várias vezes, entrava um frio desgraçado pela janela (que estava fechada...), a estrada era péssima também, mas cheguei viva em Uyuni, umas 02 da manha.
Salar de Uyuni - 06/12 a 08/12
Cheguei em Uyuni de madrugada, e no mesmo ônibus tinham mais 3 mochileiros. Fomos a pé para o Hotel Avenida (Av. Ferroviária, 11). Fica só a 3 quadras de onde o ônibus pára, bem tranquilo de ir caminhando. Só perguntar onde é a Av Arce, seguir por ela umas duas quadras e dobrar à esquerda, bem fácil. Fiquei num quarto privado com bano privado também, sem café da manha. Quarto bem limpo e chuveiro bem quente dessa vez!
Acordei umas 9 horas, fui tomar café e comecei a pesquisar preço do tour de 03 dias. As agências ficam na mesma rua do hotel, o que facilitou o trabalho! Fechei com a que me ofereceu o menor preço, porque pelo que li aqui não importa a agência, a probabilidade de ter problemas com os carros é grande em qualquer uma. Optei por preço, já que qualidade era duvidosa. Acho que o nome da agência era Tunupa, do lado da Cordilera. O único problema que tivemos com o carro mesmo foi um pneu furado.
No fim, juntaram todas as sobras das agências e colocaram num carro, que para mim eram todos iguais, mas eu não sou uma boa referência pra distinguir carro bom de ruim! Meu grupo era eu, um casal de holandeses, uma holandesa que tava viajando sozinha e dois ingleses.
Antes de começar a contar do salar, quero esclarecer uma coisa pra todos, que foi a maior decepção da minha viagem. O salar mesmo é só no 1º dia. Os outros dois dias a viagem é feita no deserto, só terra e pedras. Pelo que tinha lido, achei que o passeio era os 03 dias no salar mesmo. Por isso quando começamos a rodar e não tinha mais aquela paisagem branca, fiquei muito desapontada, eu estava esperando outra coisa. Mas já passou, o passeio de 03 dias vale muito a pena, sendo no salar ou no deserto, ou no asfalto! Cada lugar surreal!
O começo que é um terror. Os caras te levam num cemitério de trens, que é onde eles deixam os trens que não usam mais. Só que ao redor dos trens está cheio de lixo. Mas muito lixo. E eles tem coragem de levar turista num lugar sujo daqueles. Depois a gente pára num lugar onde eles tem uma "fábrica" de sal. Tem um cara sentadinho lá ensacando o sal, e quando todo mundo vira as costas ele pára de trabalhar. Pura encenação. A viagem segue e vai até a Isla del Pescado.
Lugar legal, com cactus gigantes, uma ilha no meio do deserto de sal. Tem cactus lá de 9 metros de altura!É ali que a gente bate aquelas fotos em perspectiva, show de bola! Muito divertido!
Dali seguimos direto pra um hotel de sal, onde passamos a noite. Muito tri, hotel inteirinho de sal, o chão, as mesas, as camas, tudo! Estava na hora do por do sol, e resolvemos subir uma montanha que tinha ali pra ver o por do sol, mas como a montanha não acabava nunca, sentamos lá no meio do caminho mesmo e os caras de Israel que estavam no outro carro, ficaram tocando violão! Foi bem legal! Quando descemos a janta já estava pronta! Todas as refeições do salar foram boas e bem servidas. Não posso reclamar da comida. Claro que não fui ver como eles faziam! De noite o pessoal ficou bebendo cerveja quente e jogando um jogo de beber. Eu como não gosto de cerveja, muito menos quente, fiquei só rindo da galera que errava no jogo! Esse hotel era de sal, mas tinha banheiro com água e chuveiro, então deu pra tomar um banho!
Passeio no salar é dureza, acordamos as 04:30 pra ver o sol nascer, tomamos café e seguimos nosso rumo. O segundo dia é basicamente de lagunas. Passamos por umas 4 lagunas com flamingos lindos. A cor da água também era espetacular, e a paisagem ao redor completava. Depois fomos visitar o Arbol de Piedra, e mais umas formações rochosas que tinham por ali. O dia termina na laguna colorada, lugar que passamos a noite.
Chegamos no alojamento, largamos as coisas e fomos caminhar ao redor da laguna colorada. Muito lindo o lugar, a cor vermelha da água, os flamingos brancos com rosa, o céu azul, a grama verde, tudo forma uma paisagem espetacular! Subimos até o mirante pra ver a laguna de cima achei que não ia chegar de tanta falta de ar. Estávamos a +/- 4300 m de altitude. Na volta, pra ajudar o vento estava forte e contra. Cheguei muito cansada no alojamento.
O alojamento da laguna colorada é um capítulo a parte. Lugar horrível, sem água corrente em nenhuma torneira, não tinha água nem pra escovar os dentes. Quer dizer, tinha uma água dentro de um tonel, que pegava com um balde e era usada pra jogar no vaso, lavar as mãos, pra tudo. As camas nunca vi colchão pior, e pra completar era tudo muito sujo. E frio, muito frio. Foi o dia que passei mais frio na viagem. Eu não tinha alugado saco de dormir, então dormi com todas as minhas roupas.
Ah, não tinha luz também! Essa foi a parte ruim do salar, mas dá pra encarar!
Nosso guia disse que tinhámos que acordar as 4 da manha porque iámos sair as 04:30. Pois as 04:30 estava todo mundo pronto, e quem disse que o guia aparecia? Quando ele finalmente apareceu, umas 05:15, todo mundo puto da cara, disse que estavam procurando o motorista, que o motorista tinha sumido. Quando o motorista apareceu, disse que tinha perdido as chaves do carro, hehehehe! Na hora foi trágico o negócio, agora é cômico. A gringaiada tava puta da cara, porque a gente tinha que ir nos geiser, e os geiser tem que ser cedo, senão não vê nada.
Fomos sair já eram quase 6 da manha, todo mundo já desanimado. Quando o motorista foi dar ré, bateu numa das casas do hotel e derrubou metade da parede de pedra! Aí foi a gota da água. Todo mundo achou que o cara tava bêbado, e ficavam gritando pra ele não andar a mais de 60. Pra piorar o vidro tava uma sujeira só e não dava pra ver nada. Alguém disse pra jogar água, só que a água congelou e aí é que não dava pra ver nada mesmo. E o motorista e o guia não sabiam o que fazer pra limpar o vidro. Até que chegou outro carro e o motora pegou um cartao e começou a raspar o gelo. Seguimos viagem, tensa...
Paramos nos geiser, ninguém quis ir ver, só eu. Pessoal ficou muito revoltado mesmo. Nessa hora dei graças a Deus que eu ia pra San Pedro de Atacama e não precisava ficar 7 horas voltando com aquele povo que tava pegando fogo. Clima ficou tenso mesmo. Dos geiser fomos pra umas águas termais. Eu é que não ia entrar naquilo, um puta frio fora, eu cheia de roupa e os europeus lá, na maior tranquilidade! Cada um, cada um.
Dos geiser, fomos pra laguna verde que tem como fundo o vulcão Licancabur. A laguna nem estava tão verde assim, porque acho que não era a melhor hora, e mesmo assim o lugar era lindo! Última foto do grupo, e seguimos viagem até a aduana boliviana, onde um ônibus me esperava para fazer o transfer para San Pedro de Atacama! Despedida da galera, do meu carro só eu ia pro Chile. Do outro carro mais 03 israelenses. Fim do salar de Uyuni, início de um lugar fantástico!
Dicas: levar bastante água, protetor solar e óculos de sol.
San Pedro de Atacama - 08/12 a 11/12
Cheguei na aduana de San Pedro de Atacama 1 da tarde. Pra entrar no Chile é um saco, eles são chatos mesmo, revistam tudo. Quando me liberei, coloquei a mochila nas costas e nem esperei o ônibus, fui procurar o hostel que eu queria. Pedi informação pra um monte de gente, e ninguém sabia onde era o hostel Cabur ou a av Las Parinas, rua do hostel. E eu caminhando naquele calor de deserto com a mochila nas costas. Até que decidi ir na Caracoles, que é a principal rua da cidade pra ver se alguém sabia alguma coisa. O posto de informação turísiticas estava fechado porque era feriado.
Desisti do hostel Cabur e tava indo pra outro quando passa uma guria de caminhonete pedindo de eu precisava de alojamento. Disse que não, que já estava perto do hostel que eu ia ficar. Quando ela tava indo embora eu gritei: qual é teu hostel? Adivinha qual o hostel dela? O Cabur!! Muita coincidência! Entrei na camionete e fui pra lá! Fiquei num quarto compartido c/ bano fora do quarto, aguá quente 24 horas e sem café, mas o preço, por ser Chile, tava muito bom. E o clima do hostel muito show de bola! Pra quem curte convívio com a galera e umas festinhas também. Se não quiser barulho, melhor procurar outro lugar! De noite o pessoal organizava uns churrasquinhos, cervejinhas, bebidinhas... Hostel Cabur fica na Av Las Parinas,471, mas pra achar melhor perguntar onde fica o cemitério, é na mesma rua.
Tomei aquele banho mais do que necessário, e já parti procurar agência pra fechar todos os tours. Olhei preços em algumas agências, e acabei na Atacama Conection, que fica na Caracoles com a rua que dá pra igreja de SPA. Eles tem um pacote c/ os 04 principais tours (Vale da Lua- Morte / Geiser / lagunas altiplanicas / laguna Cejar + Ojos del Salar + laguna Tebinquiche) por C$40.000,00. O preço vale a pena, porém tive alguns problemas em todos os tours que fizemos:
No vale da lua o motor do carro não pegava, tinhámos que empurrar toda vez que precisava ligar o carro.
Nos geiser, o motorista que deveria ser o guia também, só largou a gente lá sem explicação nenhuma. Tive que seguir outro guia de outra agência pra ter alguma informação.
Nas Cejar / Ojos, o combinado era ficar e ver o por do sol na última laguna, e fizeram a gente vir embora antes do por do sol.
No salar de Tara o vidro estragou, não subia mais, e é longe pra caramba, quase congelamos pra voltar pra SPA.
Nesse mesmo dia já marquei pra ir pro Vale da Lua e da Morte. Quis fazer esse 1º porque é o mais contraditório por aqui, uns amam, outros odeiam. Segui uma dica que li aqui de fazer esse 1º porque talvez se deixasse pra depois não ia gostar. Acho que a pessoa que escreveu isso estava certa! Eu adorei o lugar, simplesmente uma paisagem surreal, fantástica! Acho que a lua deve ser desse jeito mesmo! Eu recomendo o passeio. O por do sol la também vale a pena! Ah, fiquei sabendo de uma história de um gaúcho que subiu lá pra ver o por do sol, virou pro amigo dele e disse: "cara, tu tá perdendo teu tempo, o por do sol no Guaíba é muito mais lindo que esse". E virou as costas e foi embora... Meu, esse é bairrista hein! Até concordo que o por do sol no Guaíba é mais bonito, mas quando que o cara vai ter oportunidade de ver um por do sol no deserto de novo? Cada maluco que aparece!
Nesse dia conheci a Silvia e o Rubens, que estavam fazendo Chile, Peru e Bolívia de moto! Casal muito gente boa!
Já que eu tava no embalo de acordar as 4 da manha, marquei os geiser del Tatio pro dia seguinte. A van busca no hotel as 4 da madruga, e lá é frio pra caramba. Na hora que a gente chegou tava -7 graus.
Eu até que não passei frio, tava com 3 calças e 5 blusas, sendo que a roupa de cima comprei quando fui pra Patagônia, é pra aguentar frio mesmo! Agora, o lugar é fantástico! Nada a ver com os geiser do salar. Mil vezes melhor! Não me arrependo nem um instante de ter ido nos geiser! É incrível como no meio de um deserto pode ter essas coisas! Dos geiser, fomos para águas termais. De novo só os europeus entraram. Esses caras são loucos! Eu só coloquei a mão dentro e pra mim tava mais que bom! Nesse tour conheci duas cariocas que estavam de férias lá, e por coincidência tinhámos fechado os mesmos passeios nos mesmos dias e na mesma agência!
Voltamos pra SPA e fui almoçar em um restaurante que vou recomendar pra todos aqui:
Restaurante Todo Natural
Caracoles, 271
Lugar simples, não é caro e a comida é muito boa! Atendimento excelente também, e aceita cartão de crédito. Além dos pratos do dia, eles tem uma empanada gigante e deliciosa por C$2.500,00. Vale a pena!
De tarde fomos para a Laguna Cejar, Ojos del Salar e Laguna Tebinquiche. Um dos melhores passeios que fiz! Laguna Cejar é tão salgada que é impossível de afundar! Dica pra mulherada: prendam o cabelo e não molhem com essa água, porque ele vai ficar duro e no dia seguinte vai parecer uma palha de tão seco.
Dali fomos pros Ojos del Salar, que são lagunas de água doce, pra tirar todo o sal do corpo! Lugar incrível também! Dali fomos pra mais uma laguna, a Tebinquiche onde supostamente veríamos o por do sol. O lugar é lindo, é uma laguna salgada com montanhas atras! Isso tudo no meio de um deserto!!!
De noite no hostel rolou uma festinha, galera bem legal que tava hospedada lá. O problema é que eu tinha que acordar as 6 da manha pra fazer as Lagunas Altiplânicas. Mas vamos lá! Fui nesse passeio, no dia anterior eu e as cariocas encontramos a Silvia e o Rubens e convencemos os dois a ficar mais um dia em SPA e fazer esse tour com a gente! Eles toparam e ainda levaram o Fernando, mais um brasileiro perdido por lá. E brasileiro quando se encontra... O dia consiste em visitar duas lagunas lindas, e passamos por uma cidadezinha onde moram umas 60 pessoas só. Bem interessante!
Voltamos pra SPA e eu resolvi alugar uma bike pra fazer Pukara de Quitor. Não fui até a quebrada do Diabo, nem até o rio porque como não ando de bike, fiquei com medo de não aguentar. As ruínas são bem mais ou menos, o que vale a pena é a vista lá de cima. Dá pra ver a imensidão do deserto e SPA como um oásis verde no meio. De noite eu tinha marcado o tour astronômico. Muito show de bola. A gente vai na casa de um francês que tem 9 telescópios. E o céu de SPA... só quem foi pode dizer quanto é lindo esse céu. Imagina que tu está na altitude e que não tem nuvem nenhuma pra atrapalhar. Que céu! E o francês é uma figura, muito engraçado.
Meu último dia fiz o passeio do Salar de Tara. A gente vai numa 4x4 (necessária) e esse é o mais caro porque vão apenas 4 pessoas no carro. Fui eu, as duas cariocas e uma guria da Indonésia!!!! Esse tour dura o dia inteiro, e pra mim foi o mais bonito e completo de todos! Quer dizer, pra mim tudo valeu a pena em SPA, pena que muitos mochileiros passam batido por lá e não aproveitam tudo que tem. Digo mais uma vez: é incrível como num deserto pode ter lugares como os que eu visitei. Vale a pena guardar uma graninha a mais e ficar e aproveitar SPA, não apenas passar por lá. Quer lugar melhor? Tem garantia de tempo bom o ano inteiro, tem lugares fantásticos e lindos pra conhecer, cada um diferente do outro, não é sempre a mesma coisa, a cidade é uma graça - apesar do pó - e as pessoas te tratam muito bem. Volto pra lá certo.
Mas enfim, era hora de arrumar as minhas malar e tomar meu rumo. Vambora pra Arica.
Arica - 12 e 13/12
Cheguei em Arica umas 6 da manhã, peguei um taxi e fui direto pro hostel. Fiquei hospedada no Arica Surf House (O'Higginns, 661). Quarto e bano compartido, com café da manhã. O hostel ainda tem uma piscina de plástico grande, mesa de ping pong, uma cozinha enorme! Cheguei e já fui atrás do tour para o parque Nacional Lauca. O meu objetivo era visitar o parque mesmo, onde tem o vulcão Parinacota, dá pra ver o nevado Sajama do lado boliviano, tudo isso na beira do lago Chungará. Só que esse tour durou o dia inteiro, passamos por um monte de cidades e lugares pra fazer compras, e do parque mesmo não ficamos nem 1 hora. Não recomendo fazer esse tour. Muito comercial. Ficamos só uns 20 minutos caminhando pelo parque. Realmente não vale a pena.
Depois de SPA, tudo que eu precisava era dormir. E como eu dormi! Nem jantei quando cheguei do tal do tour, tomei um banho e fui direto pra cama. Meu 1º momento de exaustão da viagem. Como eu não tinha muito tempo pra fazer tudo que tinha planejado, muitas coisas tive que fazer diretaço, como viajar de noite, chegar na cidade e já sair pros passeios. Mas valeu a pena, consegui cumprir tudo que foi planejado!
No dia seguinte aproveitei pra conhecer Arica. Caminhei pelas praias e subi aquele morro que tem lá. A vista de cima do morro é legal, mas as praias, sou muito mais as do Brasil, e olha que eu moro no RS. Não gostei muito de Arica, achei meia suja, e fedida, talvez por ser cidade portuária. Deu uma da tarde, juntei minhas coisas e fui pro terminal pegar um ônibus pra Tacna, no Peru.
O problema é que justo nesse dia os funcionários públicos do Chile resolveram fazer greve, e pra cruzar a fronteira e conseguir chegar em Tacna, tive que pegar um taxi até a aduana do Chile, cruzar a pé, e pegar outro taxi do lado peruano até Tacna. Claro que tudo pelo dobro do preço. Mas cheguei em Tacna. O curioso é que eu saí do Chile as 14:30 hs, demorei 2 horas pra chegar em Tacna e quando cheguei lá eram 14:30 hs! Viva o fuso horário. Tem ônibus de Tacna pra Arequipa toda hora, o último é as 22:00. Peguei o ônibus das 15:00 mesmo, não tava a fim de ficar em Tacna e assim chegava mais cedo em Arequipa.
Dica: quem quiser conhecer o Parque Lauca e estiver indo ou vindo La Paz p/ Arica, senta no lado contrário do motorista que a estrada que vai de uma cidade p/ a outra passa dentro do parque, no mesmo lugar que o tour. Quem tiver indo de Arica pra La Paz, senta do lado do motora e bate foto pela janela mesmo!
Arequipa - 14/12 a 17/12
Cheguei em Arequipa era umas 9 da noite. No bus conheci duas americanas e a gente dividiu o taxi até o hostel. Na saída do terminal tem uma tabela com o valor do taxi pra vários destinos. Vale a pena dar uma conferida antes de embarcar pra saber quanto tem que pagar. As americanas não sabiam onde ficar e resolveram ir pro mesmo lugar que eu. Fiquei hospedada no Hostal La Casona de Jerusalen (calle Jerusalém, 306). É um lugar meio caro, eu consegui um baita desconto porque o lugar tava vazio e eu dei uma chorada. Fiquei num quarto privado com bano privado também, sem café da manha. Lugar bem confortável, e fica a 3 quadras da Plaza de Armas, o coração turístico de Arequipa. Ah, esse lugar não é um hostel, é como um hotel mesmo.
Arequipa pra mim foi a melhor de todas as cidades! A cidade é muito legal, mesmo quando tu sai da zona turística, como foi o meu caso que dei uma caminhada pela parte onde vivem os arequipenhos mesmo. De quase todos os lugares dá pra ver o El Misti, vulcão que fica a 17 Km da cidade. Ah se ele resolve entrar em erupção... Agora, o trânsito de lá, pra mim foi o mais louco de toda viagem, pior até que de La Paz. Anda quem tem mais coragem, ou quem busina mais, hehehe!!
Como cheguei tarde e cansada, só comi alguma coisa e fui dormir. Acordei e fui procurar uma agência pra fazer o trecking no Canion del Colca no dia seguinte. Vale a pena pesquisar porque tem muita diferença de preço. Achei uma que me fez mais barato, fechei o pacote de 02 dias / 01 noite e ainda fechei um bus turísitco pra de tarde, pra conhecer os arredores de Arequipa. Gosto desses tourbus, são baratos e te levam nas principais pontos de cada cidade. No caso de Arequipa, nos pontos mais afastados do centro da cidade, que esse é pra fazer a pé mesmo. Tem muito lugar legal pra ir.
Como eu tinha tempo até sair o tal ônibus, fui percorrendo os pontos apontados no mapa. Quando eu estava saindo de um museu, que não lembro qual o nome, fica perto da Igreja de São Francisco, encontrei o Lars, um alemão que tava perdido por lá sozinho! Que figura. Começamos a conversar e decidimos ir juntos andar pela cidade, ele fechou o bus turístico e o canion também!
O bus turístico é legal até a metade do caminho, depois achei que começa a forçar a barra. No começo a gente vai pra uns miradores, e uns lugares com uma vista legal da cidade e do vulcão El Misti e do outro vulcão também. Depois ele pára numa loja pra fazer compras, numa casa de sei lá quem, num outro lugar pra andar a cavalo, e claro que tudo tem que pagar. Eu, o Lars e mais um canadense não entramos em nenhum. Depois descobrimos que tu pode pagar menos e descer na metade do roteiro justamente onde começa a fica chato. Nessas conversas combinamos de jantar de noite. O cara do Canadá estava na casa de uma mulher de Arequipa muito gente boa, que nos levou num restaurante pra comer o que eles comem mesmo, não comida típica pra turísta. Foi uma noite bem legal!
Dia seguinte, acordar as 3 da madruga pra fazer o canion del Colca. Ninguém merece acordar esse horário. Fora o frio que foi no caminho de Arequipa até chegar no canion. Antes de começar o trecking paramos na Cruce del Condor, onde dá pra ver os condors. A gente até viu, só que bem de longe. Nem deu pra bater foto.
Andamos mais um pouco de ônibus e começamos o trecking. A 1ª parte são 3 horas só de descida, por uma estrada de terra cheia de pedras soltas. Então tem que ir freiando o tempo todo pra não escorregar. O visual vale muito a pena. Chegamos no fundo do canion, atravessamos uma ponte e subimos uma parte. Caminhamos até uma vilazinha perdida lá no meio onde almoçamos. Lugar muito bonito. Depois seguimos caminhando, mais um pouco de subida, passamos por outra vila onde moram algumas pessoas, também perdida no meio do nada lá naquele canion. Começamos a descer novamente, porque iriámos passar a noite num oásis dentro do canion, lá no fundão!
Lugar muito legal, bem cuidado, com jardim, piscina! Lindo mesmo, e ainda por cima contava com o visual dos paredões do próprio canion! Demais o lugar! O único problema foi que só tinha água fria no chuveiro e o chão do quarto não tinha piso, era de terra! Bem rústico o lugar! Ah, e não tinha luz! Claro que cheguei e me atire na piscina, fiquei lá até que começou a esfriar. Jantamos a luz de velas e fomos dormir, afinal tinhámos levantado as 3 da manha e no dia seguinte tinha que acordar as 5. Fora que sem luz não tinha muito o que fazer! Show de bola esse lugar, simples e bonito!
Acordamos e começamos a subida. Foram 3 horas de subida pelo mesmo tipo de caminho. As minhas pernas estavam doídas devido ao esforço do dia anterior. Eu sou acostumada a caminhar, mas esse trecking acabou comigo, Fiquei com muita dor muscular, acho que por causa do tipo do caminho. Enfim, depois de muito sofrimento, cheguei em cima do canion! Que alívio! Quem quer pode contratar mulas pra subir o canion. Eu não quis... O pior é que dentro de 4 dias eu ia começar a trilha Inca em Machu Picchu.
Caminhamos mais um pouco até chegar numa vila onde tomamos um café da manha reforçado, seguimos pra Chivai, onde tinha umas piscinas termais. O plano era ficar uma hora nas piscinas e mais uma hora de almoço. Eu, o Lars e outro alemão que fez o trecking com a gente resolvemos ficar as duas horas na piscina, depois pegamos um taxi e fomos até onde o pessoal estava almoçando e voltamos pra Arequipa. Chegamos de noite, só procuramos um lugar pra jantar e fomos dormir. O Lars resolveu ir pro mesmo hotel que eu, combinamos de acordar mais tarde no outro dia, afinal tinhamos o dia inteiro pra visitar o que faltava de Arequipa!
Acordamos e fomos procurar um lugar pra tomar café. Depois fomos visitar o Convento de Santa Catalina, o museo da Recoleta e o museo onde tem a Juanita.
Os três são imperdíveis, quem for pra Arequipa reserva um tempo pra ir nesses lugares. Muito bom mesmo. O resto do tempo terminamos de percorrer os pontos turísticos indicados no mapa e fomos caminhar no lado B da cidade. A conclusão é que Arequipa é muito bom!
Nosso ônibus era as 9 da noite pra Cusco, o Lars tava indo pra lá também, então voltamos pro hotel, arrumamos as coisas e fomos pro terminal.
Dicas
Quem for fazer o trecking no canion del colca e tiver tempo, faz o de 3 dias, acho que vale mais a pena. O trajeto é o mesmo de 2 dias só que tu tem mais tempo pra aproveitar cada lugar, como o que paramos pra almoçar no 1º dia e o oasis que passamos a noite.
Levar água para o canio, porque lá dentro é muito caro mesmo. Se der pra evitar de comprar lá melhor, eles metem a faca valendo.
paga um taxi e vai comprar a passagem de ônibus no terminal. Na Plaza de Armas é mais caro que direto no terminal.
Nos museus, a entrada não inclui guia, tem que pagar a parte se quiser.
Pra quem quer conhecer o vulcão El Misti de pertinho, o passeio de um dia custa U$65,00. Saí do hostel a meia noite (isso ai mesmo) e volta no dia seguinte as 4 da tarde.
Cusco + Trilha Inca 04D/03N - 18/12 a 24/12
Chegamos em Cusco as 6 da manha, pegamos um taxi e fomos direto pro hostel. Largamos as coisas e fomos procurar um lugar pra tomar café. Minha prioridade em Cusco era ir na agência que eu comprei a trilha inca pra fazer a 2ª parte do pagamento e pegar todas as informações necessárias. Fomos até a agência, mas estava fechada. Decidimos procurar um lugar pra comprar o boleto turístico pra fazer o city tour nas ruínas e o vale sagrado. Nos informaram que vendiam num museu ali pertinho. Compramos o boleto e já visitamos o museu, que fica embaixo da Igreja de Santo Domingo ou QoriKancha.
Decidimos ir visitar o QoriKancha também, já que estávamos ali, mas na entrada vimos que o negócio era legal mesmo e o Lars queria pegar a câmera fotográfica dele no hostel. Ele voltou pro hostel e eu fui pra agência ver se tava aberta, e combinamos que nos encontraríamos na agência. Fechei a trilha inca, peguei todas as infos, aluguei o saco de dormir e já que estávamos alí, fechamos o bus do city tour e do vale sagrado nessa agência mesmo. Foi aí que descobrimos que o Santo Domingo fazia parte do city tour, então optamos por conhecer o resto da cidade de Cusco. Caminhamos bastante, visitamos o museu Inca, que é bem legal também, vale a visita, almoçamos e fomos pro hostel esperar o bus do city tour.
O city tour começa visitando a catedral. Nem eu nem o Lars quisemos entrar, então ficamos sentados na escadaria da igreja. Pior momento da viagem. Era simplesmente impossível conversar. Cada segundo chegava uma pessoa oferecendo alguma coisa pra comprar, pedindo um dinheirinho, una foto, una foto... Que coisa mais chata, insuportável. Depois disso, pra mim Cusco foi o pior da viagem. Porque esse assédio todo não foi só na catedral, passou a acontecer em cada lugar que chegavamos com o ônibus, tanto no city tour como no vale sagrado. Muito chato mesmo.
Da catedral, fomos pro QoriKancha. Muito legal mesmo esse museu, com fragmentos de contruções incas, peças texteis, esculturas, pinturas... Seguindo fomos visitar as ruínas ao redor de Cusco: Saqsaywaman, Tambomachay, Puka Pukara e Q'enqo. As ruínas ao redor de Cusco serviam basicamente como templos ou fortalezas.
O vale sagrado começa as 8 da manha, e a primeira parada é para... compras. Eles não perdem a oportunidade mesmo. Depois seguimos para conhecer os sítios: Ollantaytambo, Pisaq e Chinchero, com uma parada no meio do caminho para almoço em Urubamba. De todos esses lugares o que eu e todo mundo que eu falei mais gostou foi Ollantaytambo. Inclusive se eu voltar pra lá não vou ficar em Cusco, quero ficar hospedada em Ollanta! Voltamos pra Cusco, jantamos e fui arrumar minhas coisas pra trilha inca que começava no dia seguinte. Me despedi do Lars, ele não ia fazer a trilha, e fui dormir.
O ônibus passou cedinho, e logo depois de mim subiu a Katrin, uma alemã que foi minha companheira de caminhada e de barraca! Muito gente fina ela. A caminhada começa no Km 82, onde fica a famosa ponte do início do Camino Inca! Pra passar por aí, só com o papel do governo peruano comprovando que o dia marcado é mesmo o que você está iniciando, tem que mostrar passaporte pra provar que é a pessoa mesmo. Burocracias feitas, vamos lá. O 1º dia é tranquilo, são só 12 Km de caminhada, sem muitas subidas e com algumas ruínas pra conhecer no caminho. No meio do caminho paramos pra almoçar num lugar lindo e seguimos até o 1º acampamento em Wayllabamba. Esse fui o único dia da trilha que teve sol e pudemos aproveitar a paisagem.
O 2º dia é considerado o dia do desafio. Por todos os motivos. Saímos do acampamento que está a 3000 m e subimos até o 2º passo, que fica a 4200 m. Foram 6 horas só de subida, a maior parte em escadaria. Esse dia não tem ruína nenhuma pra ver, e como estava chovendo e com muita neblina e nuvens, não pudemos curtir a paisagem. Só caminhar e subir, subir, subir. Eu decidi contrarar um porteador pra levar minha mochila nesse dia. Eu conseguiria fazer carregando a mochila, mas optei pelo conforto e foi o melhor investimento da viagem, pois não acabei esse dia detonada que nem a maioria. Apesar de puxado, não estava cansada e nem doída. Eu, a Katrin e mais uma argentina fomos as 1ª a chegar no acampamento do 2º dia, o Paqaymayu, a 3500m de altitude. Os últimos a chegar do nosso grupo fizeram o percurso em 10 horas, nós 3 fizemos em 6!!!
O 3º dia começa com mais uma subida, até chegar no 3º passo, a 3500 m de altitude, depois é só decida. Esse é o dia mais comprido de todos, o que mais caminha,e foi o que eu cansei mais. Finalmente no acampamento desse dia, Winay Wayna, tem chuveiro pra tomar banho, com a água quase quente! Que banho mais bom! É também o único lugar onde tem uma estrutura, com banheiros de verdade, bar, e rola até uma festinha. Nada muito pesado, afinal, o dia seguinte é o dia de conhecer Machupicchu!!!!
Antes de continuar a falar da trilha, preciso fazer um parágrafo especial para os porteadores. Os caras são os responsáveis por carregar todo o equipamento necessário nos acampamentos. Por lei, tem que ter um porteador por turísta. Não tem como imaginar o que esses caras carregam nas costas, só vendo mesmo. Eles levam as barracas, as tendas da cozinha e da alimentação, mesas, banquinhos, até butijão de gás. É simplesmente incrível. Eles chegam a carregar até 30 Kg nas costas, e chegam antes que todo mundo. Quando a gente chega nos acampamentos, as nossas barracas já estão armadas e a comida quase pronta. Esses caras são f0d@!
Chega o dia D! Tomamos café bem cedo, e é a hora de despedir dos porteadores. Eles seguem viagem pra pegar o trem em Águas Caliente pra ir pra casa, e a gente caminha mais 2:30 horas até chegar em Inti Punku, onde teoricamente veríamos MP pela 1ª vez. Veríamos, se não tivesse tanta neblina e tanta nuvem. Inti Punku é a porta do sol, era um lugar muito importante para os incas. Já que não dava pra ver nada, fomos descendo, pra chegar em MP. Conforme iámos descendo, o tempo começou a melhorar e as nuvens e a neblina a se dispersar! Nem vou me dar o trabalho de descrever MP, acho que não precisa! Que lugar!
Fizemos o tour guiado em MP, que acabou por volta do meio dia. O pessoal que fez a trilha tava muito cansado, e resolveu ir p/ Águas Calientes. Mas, meus planos eram outros! Eu queria subir Waynapicchu. Pensei que jamais ia conseguir vaga aquele horário, mas, não custa tentar. Não sei qual foi o milagre, mas cheguei lá e ainda tinham 40 lugares! Bom, pra quem já caminhou 50 Km, que que era subir Waynapicchu! E era. Que subida mais difícil. Tem até uns cabos de aço pra ajudar, e tem uns degraus que não cabem o pé, tem que ir de lado. Difícil mesmo. No meio do caminho ainda começou a chover de novo. Nisso eu escuto alguém me chamar. Era a Katrin, a alemã! Subimos juntas, e quando chegamos lá no alto, vale totalmente a subida. Não tem palavras ver MP daquela altura. Lugar mágico mesmo.
Eu e a Katrin ficamos mais de uma hora lá em cima, só curtindo o visual. Descemos, e resolvemos caminhar pela parte de baixo e MP, que ainda não tinhámos passado. Cada lugar, cada visual! Mas, ainda faltava uma coisa: a foto clássica, com as ruínas e os dois morros atrás. Pra isso, a gente tinha que subir de novo em direção a Inti Punku. Lá fomos nós. Quando termina uma curva, que surge aquela paisagem, não tem como descrever a emoção! É muito lindo, é demais! Tava chovendo muito nessa hora, mas conseguimos bater umas fotos. Quando eu achei que tava bom de foto, abaixei a cabeça pra guardar a câmera, quando levantei não dava pra ver mais nada, tudo tomado pelas nuvens! Muita sorte a nossa!
A nossa jornada não terminou por aí. As duas doidas resolveram descer a pé até Águas Calientes. Demoramos +/- 1:30 de MP até o restaurante ponto de encontro da galera. Estávamos morrendo de fome, porque só tinhámos tomado café e já era umas 5 da tarde, então o negócio era almoçar. Nessa hora eu senti o cansaço, mas a adrenalina de conhecer e viver MP me deixou ligada. Almoçamos e ainda demos uma volta em AC pra conhecer a cidade.
Mesmo tendo feito toda trilha com chuva e neblina, foi muito, mas muito bom! Não me arrependo nem um segundo de ter feito! E quero mais! Quero fazer de novo! Nosso trem saía as 19:30. Não consegui dormir no trem até Ollantaytambo. E no ônibus de Ollanta pra Cusco só dei umas cochiladas.
Chegamos em Cusco já era meia noite, fomos direto pro hostel. Eu tava no The Point e a Katrin no Pariwana, um do lado do outro. Antes de sair pra fazer a trilha, eu tinha deixado umas roupas pra lavar no hostel pra pegar quando eu voltasse. Quem disse que eles achavam minhas roupas? O resto de roupa que eu tinha ou tava suja ou molhada da trilha, eu precisava das roupas. Enfim, depopis de um tempo, desisti e fui tomar banho. Acreditem, não tinha água na porra do hostel. Eu chego da trilha inca podre de cansada, precisando de um banho e não tem água no hostel e eles ainda perdem minhas roupas.
Coloquei o pijama e fui na recepção perguntar o que tinha acontecido. Me disseram que a cidade inteira estava sem água e que só ia voltar as 4 da manhã. Mas mulher tem 6º sentido mesmo, eu desconfiei do cara, e saí de pijama na rua até o Pariwana. Perguntei pros hóspedes mesmo se tinha água me disseram que sim. Voltei pro The Point, joguei minhas coisas dentro da mochila de qualquer jeito e me mandei pro Pariwana. Fiz o check in, tomei um banho e capotei.
Agora, comparando os hostels, mil vezes o Pariwana, não pelo que aconteceu no The Point, mas é que o Pariwana é muito melhor mesmo. Pelo mesmo preço que fiquei num quarto compartido com bano compartidodo, fiquei num quarto de 4 pessoas com bano privado e ainda café da manhã, que não tinha no The Point. Fora que o atendimento no Pariwana nem se compara, os caras são muito mais gente fina. E festa por festa, o bar do Pariwana também achei mais legal.
Acordei cedo no dia seguinte, porque tinha que arrumar todas minhas coisas e fazer o chek out, nesse dia eu ia pra Puno de noite. Minhas companheiras de quarto acordaram na mesma hora, tomamos café juntas e cada uma seguiu seu rumo. Eu ainda queria saltar de Bungee Jump, então fui procurar o lugar. Cheguei lá e eles estavam fechando, porque era véspera de natal. Bom, eu não tinha mais planos pra Cusco, dei uma caminhada numa feira que só acontece no dia 24/12 e voltei pro hostel. Eu tinha feito o check out mas pode usar as áreas públicas. Fui nos computadores, fiquei lá um tempão e uma das gurias do quarto chegou. Decidimos sair pra almoçar, nisso chega a outra também! Almoçamos e ficamos um tempão conversando e esperando a chuva passar pra ir embora. Muito gente fina elas!
Nisso já era uma 3 da tarde, e eu lembrei que tinha que trocar o voucher do ônibus pra Puno pela passagem de verdade. Eu tinha comprado antes da trilha, só tinha que fazer a troca. Fui pra agência na Plaza de Armas, onde eu tinha comprado, e na hora que fui trocar os caras me disseram que não tinha mais ônibus as 22:00, que todos os passageiros tinham sido transferido pras 20:00. Eu ainda discuti com eles, como que eles iam avisar os passageiros, como que sabiam onde eles estavam, era impossível cancelar um ônibus assim. Mas eles me disseram que era possível sim, e que meu ônibus era as 20:00. Fazer o que. Troquei o voucher pela passagem e fui pra lavanderia ver se minhas roupas estavam prontas, afinal ainda tinha que organizar a mochila.
Cheguei no terminal, fui pro ônibus, quando eu olho era um ônibus comun, não era o bus cama que eu tinha comprado. Nisso chega a mulher da cia de ônibus e me diz pra eu guardar minha bagagem e subir no ônibus. Aí eu disse que não ia, que eu tinha comprado bus cama e aquele era um normal, que eles tinham que ou me devolver a diferença ou me colocar num bus cama. Ela me disse que isso eu tinha que resolver na agência que eu comprei as passagens e que não tinha bus cama. Foi muito estúpida. Aí eu me enraivei, disse que eu ia chamar a polícia, ela me disse que eu podia chamar, que não ia adiantar nada. Mas eu sou teimosa mesmo, pago pra ver.
Quando eu tava saindo, vi uns caras de colete vermelho fiscalizando os ônibus. Eram da SUTRAN (fone 0800 12345), um órgão que fiscaliza mesmo os ônibus. Fui la falar com eles, um senhor muito simpático me atendeu e ficou constrangido com a situação. Ele pegou meu bilhete, e em cima do valor da passagem tinha um carimbo, mas dava pra ver que tava escrito N$20,00, e eu tinha pago N$45,00. Ele pediu pra um funcionário ir comigo na casinha da cia de ônibus. Quando aquela mesma mulher viu o cara, já foi pegando uma lista e disse que tinha ônibus cama as 22:00 e que meu nome estava confirmado naquela lista. Vaca, mentirosa. Não satisfeita, ainda chamei a polícia mesmo e fiz ela confirmar de novo o horário do ônibus e meu nome.
Os caras são muito sacana, eles queriam que eu fosse no ônibus das 20:00 que era N$20,00 pra vender a minha passagem de N$45,00 de novo. Cuidado com os peruanos, não vou generalizar, mas esse pessoal que trabalha com turismo é muito mentiroso. Não estou tomando por base só essa história, mas várias situações que o pessoal conta por lá.
Ah, a empresa de ônibus que fez todas essas tramóias é a San Luis. Nunca viagem com esse ônibus San Luis. Encontrei o Fábio mais adiante na viagem que caiu na mesma roubada que eu na mesma cia: San Luis. Além disso, o banheiro do ônibus tava sujo da viagem anterior e não tinha água nem papel. Podre.
E se precisar de qualquer ajuda nos terminais,é só chamar o pessoal da SUTRAN, eles resolvem mesmo! Fone: 0800 12345! No fim, eu embarquei no ônibus cama, que nem era bus cama de verdade, no horário que eu queria viajar e passei o natal viajando pra Puno.
Puno - 25/12
Cheguei em Puno umas 5 e pouco da madrugada, na maior incerteza se eu conseguiria fazer alguma coisa, porque era natal. Mas, peruano sabe vender, e é obvio que tinha um tiozinho lá na porta do ônibus oferecendo tours, hotel, passagem, tudo que tu precisasse. Meu plano era só passar por Puno e ir direto pra Copacabana, mas cheguei lá muito cansada. Dei uma olhada e estava tudo fechado. Fui lá falar com o tiozinho e fechei com ele Ilha de Uros pra de manha, Silustani pra de tarde e ele me indicou um hotel, que achei barato o preço e aceitei. Ah, ele queria me vender o ônibus do dia seguinte, mas esse deixei pra procurar depois. Tava cismada por causa do ônibus de Cusco.
Fui pro hotel, bem bom até, fiquei num quarto privado com bano privado. Tomei um banho e dei uma deitada esperando a hora do tour da ilha. Saímos para pegar o barco e estava chovendo muito. Durante toda navegação até as ilhas choveu, e lá também. Achei bem interessante o passeio. Sei lá se eles moram mesmo naquelas ilhas, mas que é legal ver como eles constroem as ilhas, as casas, os barcos, isso é. Achei que vale a pena. Na última ilha que paramos parou de chover e começou a abrir o tempo, isso foi bom, porque tava muito frio.
De tarde fiz o passeio pra Sillustani, umas urnas funerárias pré incas. Achei esse tour melhor que as ilhas, gostei mesmo. Quem for pra Puno tem que reservar um tempo pra fazer. Além das urnas, que são do período pré inca, o lugar onde elas foram erguidas é muito lindo. E de quebra, na ida até lá, a van pára no alto do morro e dá pra tirar umas fotos bem legais de Puno com o Titicaca ao fundo. Na volta eles param numa casa pra mostrar como o pessoal do interior mora. Achei meio palha.
Cheguei em Puno e fui tentar achar um lugar aberto pra jantar, porque como era natal, estava tudo fechado. Eu tava muito cansada, jantei, voltei pro hotel, tomei mais uma ducha e desmaiei! Eu sabia que o horário do ônibus pra Copa era as 07:30 e já tinha me programado pra acordar, pegar um taxi e ir pro terminal e comprar a passagem lá. Qual não foi a minha surpresa quando vejo o tiozinho na recepção do hotel, me esperando com a passagem do ônibus na mão... E querendo cobrar mais caro do que o preço da passagem. No fim, negociei com ele e ele me levou pro terminal e comprei a passagem dele pelo preço correto. Cuidado com esses peruanos.
Quando eu tava na fila pra entrar no ônibus, vejo o Fábio, um mineiro que eu tinha encontrado lá em Águas Calientes, e pela nossa conversa a gente ia se encontrar em La Paz, porque tinhámos reserva no mesmo hostel. Só que eu me atrasei na viagem porque dormi em Puno, ele se adiantou na dele e pá, fomos pra Copacabana juntos.
Copacabana - 26 e 27/12
Chegamos em Copa e tava caindo a maior chuva. Fomos procurar um lugar pra ficar e acabamos em um hotel barato, mas bom até, fora o chuveiro que poderia ser mais quente. Não lembro o nome do hotel, não anotei. Mas conhecemos dois brasileiros que ficaram no hotel Mirador, e é esse que eu vou indicar então. Hotel Mirador, B$50,00 por pessoa quarto e bano privado com café da manhã.
Eu e o Fábio largamos as coisas no hotel e fomos procurar um lugar pra almoçar. De tarde saiu o sol, então aproveitamos pra subir o Cerro Calvário. Muito legal a vista lá de cima, vale a pena o esforço! Ficamos um tempo lá curtindo a paisagem e resolvemos ir pesquisar preços pra ir pra Isla del Sol no dia seguinte e já comprar a passagem pra La Paz. Tudo fechado, voltamos pro hotel, tomamos um banho e fomos jantar. Jantamos no restaurante Copacabana, bem bom, fica na rua principal. Depois fomos pro único lugar que ficava aberto até mais tarde porque tinhámos combinado com mais uns brasileiros de nos encontrar de noite. Tomei uns mojitos que não me fizeram bem...
No dia seguinte acordei com a maior diarréia, mesmo assim decidi encarar o barco até a Isla del Sol. Chegava a suar frio, e nada daquele barco chegar na maldita ilha. Cheguei lá, fui direto procurar um banheiro, que além de ter que pagar, não tinha papel e nem água. Ainda bem que eu sempre ando com papel na mochila. Eu queria fazer a caminhada da parte norte pro sul da ilha, mas minhas condiçoes me impediram, então só fiz a caminhada pra conhecer a parte norte da ilha mesmo. O lugar é muito bonito, o lado boliviano do Titicaca realmente é mais bonito que o peruano. Fui de barco mesmo pra parte sul, mas nem quis descer por lá. Eu não tava legal, tava me sentindo fraca, porque não tinha conseguido comer nada, mas pelo menos a diarréia tava passando...
Chegamos em Copacabana, numa viagem interminável, esses barcos são muito ruim, andam muito devagar. No dia anterior conhecemos o Pedro e o Thiago, que decidiram ir pra La Paz com a gente. Fomos comprar as passagens deles e descobrimos que todos os preços tinham subido porque o infeliz do Evo Morales decidiu aumentar o combustível em 100%. Tava até com ameaça de greve e de não sairem os ônibus pra La Paz. Inclusive eu e o Fábio tivemos que pagar uma diferença da nossa passagem também. No fim, os ônibus saíram pra La Paz. Óbvio que o ônibus que venderam pra nós não foi o que a gente viajou. Na foto o ônibus era grande, tinha banheiro era bonitinho... Na real era um ônibus velho, daqueles que vai a bagagem em cima. E claro que o horário de saída também não foi cumprido. Nossa passagem era pras 18:30 e saímos as 19:30, só depois que o motora conseguiu completar os lugares vazios do ônibus.
Mas o pior estava por vir ainda. Depois que cruzamos a balsa, o ônibus começou a fazer um barulho muito estranho. O motora parou, deu uma mexida sei lá no que, e resolveu seguir viagem. 10 segundos andando e o barulho de novo. E o motora decidiu continuar andando. Até que o ônibus quebrou de vez, no meio do nada. Uns 15 minutos depois, por milagre, passa uma van vazia e pára. Beleza! Já tinhámos como ir pra La Paz! Só que mal sabiámos o que nos esperava.
O motorista da van devia estar bêbado, chapado, totalmente drogado, sei lá. Ele ia dirigindo em zig zag, e só voltava pra pista quando os pneus batiam nas tartarugas ou quando alguém gritava que ele tava na contramão. E as ultrapassagens então... Meu Deus, que terror. Só não pedimos pra descer porque não sabíamos se era pior continuar na van ou ficar abandonados no meio do nada. 
Chegamos em La Paz e o retardado queria deixar a gente no meio do nada, um lugar escuro, vazio, que só tinha parede, muro, sem sinal de vida. O pessoal reclamou muito com ele e pediu pra pelo menos ele levar a gente até um lugar onde tinha transporte público. Ele largou a gente num lugar com um monte de van, entramos numa van que levou a gente até mais pro centro de La Paz, porque o idiota do motorista largou nós bem em cima de La Paz, longe pra caramba de tudo, e do centro pegamos um taxi até o hostel.
La Paz - 28/12 a 31/12
Chegamos no Loki quase 11 da noite. Eu tinha reserva, os guris não e não tinha mais lugar disponível. Eles decidiram ir pra outro lugar e voltar no dia seguinte pra ver se conseguiam ficar no Loki. Eu fiquei por lá mesmo. Tinha reservado um quarto pra 4 pessoas com bano privado. Cheguei no quarto e tinham 6 pessoas. Fui tomar banho e não tinha água quente. Tive que tomar banho num banheiro fora do quarto. As gurias que tavam no meu quarto eram umas porcas, o quarto estava sujo e as coisas delas todas espalhadas, tive que procurar um cantinho pra abandonar minha mochila. Esse hostel é famoso pelas festas que rolam lá. Eu particularmente não gostei. Fui pra lá pelos relatos que li aqui, mas não indico o Loki.
Na manha seguinte, os guris chegaram e não tinha vaga pra eles ainda. Então fomos pro Wild Rover, que fica na mesma quadra do Loki, e lá por sorte eles tinham 4 vagas disponíveis. Voltei pro Loki, fiz o check out e me mudei pro Wild Rover junto com os guris. Bem melhor esse hostel. Super limpo, bom atendimento e a festa no bar muito melhor que a do Loki. A diferença é que no Loki tinha brasileiros, no Wild Rover só gringo. Eu recomendo o Wild Rover pra ficar em La Paz, o Loki me decepcionou muito. O Wild Rover fica na Calle Comercio.
Tudo acertado no hostel, decidimos dar uma passeada nas ruas de compras indicadas aqui, e fechar logo os passeios que queríamos fazer. Prioridade: downhill! Fomos direto na agência Xtreme, no hotel Sagarnaga, por indicação aqui do mochileiros. Mais uma furada que em seguida eu conto.
Fechamos o downhill pro dia seguinte e o Chacaltaya pro outro. Os guris ainda fecharam o Tiwanacu pro dia 31/12, mas como eu tinha que pegar o vôo nesse dia, decidi deixar livre. Entramos em todas as lojas da Llampu, da Eloy Salmon e da Sagarnaga. Não achamos que vale a pena comprar eletrônicos, o preço não compensa. Artigos esportivos e roupas de frio sim, tá barato, mas não um absurdo de barato. Uma loja bem legal que achamos na Llampu é a Sampaya. Um monte de equipamento e roupas legais, e foi a única que aceitou cartão de crédito. E sem cobrar taxa ainda.
Fizemos algumas compras e voltamos pro hostel. Decidimos jantar no hostel e ficamos por lá de noite, o lugar tava bem animado. Os guris tomaram muita cerveja, eu fiquei tranquila, queria estar bem no downhill no dia seguinte. Fomos dormir era umas 11 horas já. O bom desse hostel é que quem quer dormir não escuta o barulho da festa, ao contrário do Loki.
De manhã passaram pra pegar a gente bem cedo. Conforme subimos, a temperatura começou a cair, e as montanhas estavam cheias de neve! Tava muito lindo o visual. A descida começa a 4700 m de altitude, e termina em 1200 m. No total são 80 Km, 65 Km de bike! Começamos o downhill rodeados de neve. A 1ª parte é no asfalto, depois é que o bicho pega! Começamos a descida na Death Road com chuva, e assim fomos até o final. Que loucura, uma das melhores coisas que fiz na minha vida! Tu vai fazendo as curvas e aquele precipício alí do lado, qualquer errinho e já era... Acabamos o downhill e fomos pra um hotel em Coroico, onde tomamos um banho e almoçamos. Se o tempo estivesse bom, poderíamos ter aproveitado a piscina do hotel também.
Voltamos pra La Paz, e quando chegamos pedimos nossas fotos e nossas camisetas. Disseram que no dia seguinte quando chegássemos pra ir pro Chacaltaya eles entregavam. No dia seguinte não eve passeio nenhum porque teve um paro na Bolívia inteira, mesmo assim passamos na agência umas 3 vezes e sempre diziam pra passar depois que não estava pronto. Fomos de novo no dia seguinte, e nada das nossas camisetas e nem das fotos. O pior é que meu tempo em La Paz tava acabando, eu ia embora no outro dia. No meu último dia, fizemos o passeio e quando voltamos a agência estava fechada. Fomos no hotel, o cara da recepção ligou pro gerente da agência. Tivemos que esperar mais de uma hora pra chegar alguém. Quando chegou a recepcionista da agência, dissemos que só iríamos sair dali com as fotos e as camisetas, caso contrário chamariamos a polícia. Ela ligou pro gerente que nos garantiu que em uma hora poderíamos voltar e pegar nossas coisas. Voltei lá sozinha, e eles entregaram umas camisetas de outra agência, eles não tinham as camisetas que prometeram quando venderam o pacote. E as fotos, disseram que não conseguiram passar pra um CD e me entregaram o chip da máquina, que não funcionou. Fizemos o downhill e não temos fotos nem vídeo nenhum, porque confiamos na agência que iria bater as fotos e nos entregar num CD.
Ou seja: não façam o downhill na Xtreme que fica no hotel Sagaranaga.
Continuando, chegamos do downhill e ainda demos uma volta ali pelo centro, e fomos pro hostel. Era nossa última noite no ostel, porque no dia seguinte já estava tudo reservado, não tinha lugar pra nós. Nem nesse, nem em nenhum hostel que tentamos. O negócio foi ficar num hotel na Calle Llampu, acho que o nome era Berlini. Chegamos no Wild Rover e ligamos pra agência pra confirmar se ia sair o Chacaltaya no dia seguinte. Cancelaram o passeio porque no dia seguinte a Bolívia inteira ia parar, paro por causa do aumento dos combustíveis. Fazer o que, motivo de força maior! Saímos pra jantar e passamos pela Plaza Murilo, onde fica o palácio do governo e o congresso. O lugar tava cheio de gente da imprensa. Pelo visto o bicho ia pegar mesmo no dia seguinte. Voltamos pro Wild Rover, os guris foram pro bar e eu fui dormir.
Tinhámos decidido acordar cedo e ir do hostel pro hotel antes que começassem as manifestações. Levantamos as 7:30, fizemos check out e por sorte achamos um taxi pra ir pro hotel. Depois vimos que foi sorte mesmo. Não tinha carro nas ruas de La Paz. Ninguém entrava e ninguém saía de nenhuma cidade da Bolívia. Em El Alto, caminho pro aeroproto, quebraram o pedágio, colocaram fogo, foi punk mesmo. Mas nós conseguimos chegar no hotel, fomos tomar café e decidimos ir visitar o Mercado das bruxas, que ficava ali pertinho. Só que isso levou apenas algumas horas, depois não tinha mais nada pra fazer. No hotel tinha uma agência embaixo, eu falei com o cara e perguntei se ele não arrumava alguém pra levar a gente fazer um city tour por La Paz. Algumas ligações, e ele conseguiu uma van, pelo triplo do preço, pras 15:00 hs.
Fomos almoçar, quando voltamos pro hotel já estava na hora do city tour. No começo foi tranquilo, fomos em dois miradores, onde tem uma vista bem legal de La Paz. Quando estávamos indo pro outro lugar, as ruas estavam bloqueadas, tinha pneu queimando, tivemos que dar umas voltas, nisso vinha descendo uma manifestação. O motorista fez a volta rapidinho e fomos por outro caminho. Enfim, conseguimos chegar no 3º mirador. Depois, fomos em mais alguns lugares, e quando chegamos no vale da lua, tava tudo bloqueado, não pudemos passar. Na volta, o certo era passar na Plaza Murilo e na Igreja de San Francisco, porém era impossível ir de van, as ruas estavam todas bloqueadas.
O motorista deixou a gente ali pertinho, e a gente tentou ir pra Plaza, só que tinha barreira de polícia por todo lado impedindo a passagem, Nisso começa a chegar uma manifestação, confusão armada, bombas de gás lacrimogeneo e tudo mais. A gente decidiu sair fora dali rapidinho. Tivemos que ir a pé pro hotel, e no caminho vimos várias confusões. Mas deu tudo certo, chegamos vivos. Passamos na agência pra pedir as camisetar e fotos e confirmar o passeio do Chacaltaya pro dia seguinte. Com o passeio tudo beleza, no dia seguinte não ia ter paro, tudo voltava ao normal!
Último dia de viagem e do ano também! Subimos pro Chacaltaya e como somos muito sortudo pegamos neve! Tinha muita neve lá em cima! Quando chegamos até tava calor, depois fez uma viração, esfriou e começou a nevar. Além de nós quatro, tinha mais 6 brasileiros na van, que fizemos o passeio juntos! Foi muito legal. Os únicos que encararam a subida foi eu e o Fábio, Mas quando eu cheguei na cruz, o tempo começou a fechar de vez e eu decidi voltar, afinal não ia dar pra ver nada lá em cima, e eu que não ia subir só pra dizer que cheguei nos 5400m.
Desci onde estava o resto do pessoal, fizemos um boneco de neve, guerrinha de bola de neve, nossos pés estavam congelando, eu não sentia mais os dedos, e mesmo assim foi muito legal! Fizemos um vídeo da música Adeus ano velho..., pra encerrar bem o ano! Esperamos o Fábio voltar, porque ele subiu até o final e fomos embora. Os outros brasileiros iam pro Vale da Luna. Eu, o Fábio, o Pedro e o Thiago não, voltamos pro hotel.
Trocamos de tênis, porque estávamos com os pés molhados e congelados e fomos almoçar. Depois, ainda passamos na agência pra tentar pegar as camisetas e fotos do downhill, e nada. Ela me disse pra voltar em 1 hora, eu concordei, porque tinha que sai de la Paz no máximo as 18:00 pra ir pro aeroporto e pegar o vôo pra Santa Cruz, de onde saia meu vôo pro Brasil. Fui pro hotel, tomei banho, arrumei minhas coisas e voltei na agência podre. Me entregaram as camisetas e o chip e eu fui pro hotel, me despedi dos guris, peguei um taxi e fui pro aeroporto.
Cheguei cedo, eles me colocaram num vôo antes do meu, assim eu cheguei em Santa Cruz e consegui encontrar algum lugar aberto pra comer, porque já estava tudo fechando porque era ano novo. Passei o ano novo no aeroporto, dormindo nas cadeiras do 2º andar! No dia seguinte, depois de 6 decolagens e aterrisagens, mais duas horas de ônibus de POA p/ Caxias, finalmente cheguei em casa. Missão Cumprida!
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