
Fonte: http://www.angra-dos-reis.com
Saímos de São Paulo no Domingo (13/01/08) no ônibus das 21:00 hrs (ônibus extra, pois os outros horários estavam todos lotados), chegando em Angra ainda de madrugada e lá esperamos amanhecer para só então procurar uma padaria para tomar o café da manha, pois nossa intenção era tomar a barca para Ilha só as 15:30 hrs (único horário). Existe a opção de pegar algum barco ou escuna no cais de Santa Luzia, mas ainda tínhamos que pegar a Autorização p/ acampar em Aventureiro na TURISANGRA. Além do fato que um barco até Abraão não sairia por menos de $50,00 p/ os dois. Existe a opção de pegar a Barca em Mangaratiba, com saída para as 08:00 hrs, mas de novo o problema da Autorização.
As fotos eu as dividi por dias. E todas elas começam nesse album:
http://agsts.multiply.com/photos/album/111/
# 1º dia (14/01) – Algumas praias de Angra dos Reis e chegada na Vila do Abraão
Fotos desse dia: http://agsts.multiply.com/photos/album/111/
Ainda na parte da manhã em Angra dos Reis, resolvemos conhecer algumas praias próximas ao Colégio Naval e lá fomos para o centro da cidade para pegar o circular Vila Velha que nos deixou pouco depois do Resort Blue Tree Park. Ali seguimos pela Estrada do Contorno, conhecendo as praias do Tanguá, Tanguazinho e Praia da Gruta, sendo essas 2 ultimas, desertas.

Fonte: http://www.angra-dos-reis.com
Como tínhamos muito tempo até as 15:30 hrs ficamos nessas praias cochilando, já que não dormimos quase nada no ônibus e pouco depois das 10:00 hrs voltamos para a estrada e fomos para o centro da cidade pegar a autorização para acampar na Praia do Aventureiro. Essa autorização se consegue na TURISANGRA, em frente ao cais de Angra. Lá fizemos o cadastro e tivemos que dizer em qual camping iríamos ficar e por quantos dias, pois existe um limite de campistas na praia.
De posse da Autorização e depois de almoçado, seguimos para o cais onde a barca estava. Saiu lotada e isso em plena segunda-feira, levando cerca de 1hr30min para chegar na Praia de Abraão.
O que achamos engraçado foi que ao chegarmos em Abraão havia uma multidão que tomava conta de todo o cais.

Lembrava a Rua 25 de Março, de São Paulo em época de fim de ano. Tivemos até uma certa dificuldade para sair dali. Depois disso fomos logo procurar o Camping do Bicão e lá quem nos recebeu foi a Claudia, (responsável pelo local). Não tínhamos feito reservas, mas encontramos o camping com algumas vagas.

O lugar é bem tranqüilo e sossegado com lonas azuis cobrindo todas as barracas, uma cozinha coletiva com fogão e geladeira e um banheiro de dar inveja. A energia da Ilha é trazida por cabos submarinos vindo de Angra que chegavam até a distante Vila de Provetá (Praias do Aventureiro, Parnaioca e Palmas não possuem e nesses lugares só com geradores).
Naquela noite fomos conhecer a Vila de Abraão e surpreendemos com a quantidade de turistas estrangeiros, em sua maioria argentinos, chilenos e europeus em geral. Brasileiro mesmo estava em menor número. Abraão é bem urbanizada com inúmeros restaurantes, algumas padarias, mercearia e algumas lojas de roupas e muitas pousadas. Na Vila tem até uma antena da Vivo Celular.
Voltamos para o camping e após analisar as subidas e descidas que iríamos encarar no dia seguinte, resolvemos seguir no sentido anti-horário, o que no final se mostrou a melhor opção.
# 2º dia (15/01) – Saída da Vila de Abraão até o Saco do Céu
Fotos desse dia: http://agsts.multiply.com/photos/album/109/

Na manhã seguinte (Terça-feira) saímos do camping por volta das 10:00 hrs em direção ao Saco do Céu, pois já tínhamos a informação que no local se permite acampar em quintais de alguns moradores.
Logo que saímos de Abraão já chegamos na primeira bifurcação (seguindo em frente chega-se na Praia Preta e Ruínas do Lazareto) e aqui pegamos a trilha da esquerda que passa pelo Poção e pelo Aqueduto (incrível ver como ele está intacto mesmo depois de uns 200 anos), aonde chegamos as 10:30 hrs e depois continuamos subindo e subindo, parando várias vezes para retomar o fôlego, pois estávamos com mochilas cargueiras cheias e assim que chegamos na altitude de pouco mais de 200 mts, a trilha começou a seguir descendo até chegar na bifurcação para a Cachoeira da Feiticeira.
O início dessa trilha é bem íngreme e depois de uns 10 minutos se chega em um local plano que tem uma descida a direita que leva até o rio dessa cachoeira. Mais alguns minutos margeando o rio até chegar na cachoeira, juntamente com um grupo de umas 30 pessoas que tinham ido com um guia.
Depois de aguardar algum tempo "na fila" conseguimos chegar perto da queda da água de uns 15 mts de altura e entrar embaixo para relaxar. Tiramos algumas fotos e depois subimos por uma trilha à direita que leva ao topo da cachoeira e a um tobogã bem legal, que termina em um pequeno poço. Ficamos aqui por um bom tempo se divertindo escorregando pela pedra.
Depois resolvemos que já era hora de irmos embora, pois tínhamos uma caminhada pela frente. Saímos de lá por volta das 13:20 hrs e voltamos até a bifurcação na trilha principal e de lá seguimos em frente. Uns 10 minutos depois a trilha bifurca novamente e a da esquerda segue para o Saco do Céu e a da direita leva até a Praia da Feiticeira. Queríamos conhecer a praia, por isso seguimos para a direita. A trilha é bem demarcada e segue quase sempre no plano com algumas descidas leves e as 13:40 hrs chegamos na praia.
Logo que pisamos na areia um barqueiro já veio nos abordar para saber se iríamos voltar para Abraão, pois em caso positivo seriam $10,00/pessoa. Junto com a gente chegou também uma família com umas 8 pessoas e a cara do pai demonstrava que ele estava bem cansado (acho que o barqueiro conseguiu encher o barco). A praia é deserta, com uns 50 mts de extensão de areia.
Além de barqueiros que ficam no canto da praia aguardando quem queira voltar para Abraão, encontramos também uma vendedora de refri/cerveja em mais umas 15 pessoas que tinham desembarcado de uma escuna que estava na praia (com certeza essa é uma praia bastante visitada, para quem quer ir além da Praia Preta, que fica a poucos minutos de Abraão).
Saímos da Praia da Feiticeira pouco antes das 14:00 hrs e voltamos até o ponto onde a trilha se bifurca e ali continuamos na trilha principal. No caminho ainda encontramos um casal que voltava do Saco do Céu e perguntando para eles, vimos que não faltava muito, então resolvemos voltar alguns minutos e conhecer a Praia do Iguaçú que tínhamos passado direto.
Deixamos as mochilas escondidas na mata e pegamos uma trilha que começa a descer com trechos planos e outros com descida íngreme. Uns 10 minutos depois, já perto da praia, chegamos em uma cerca e a trilha segue ao lado dela até a areia O que encontramos é quase que uma praia particular com uma grande casa com um enorme quintal. Na areia apenas 4 pessoas e 3 patos caminhando.
Mais fotos e voltamos para a trilha principal e continuamos seguindo passando agora pela Praia da Camiranga as 14:40 hrs.

Aqui já é considerado a Enseada das Estrelas, com as Praias da Camiranga, de Fora e Perequê. Seguindo pela areia da praia chegamos na Praia de Fora, onde a trilha agora segue pela mata e sai da areia (é bem fácil visualizar a entrada da trilha) e a partir daqui ela vai seguindo próxima aos quintais das casas e logo chegamos a Ponte sobre o Rio Perequê.
Esse rio tem + - 15 mts de extensão, bem rasinho, mas cheio de pedras (aqui paramos por uns 30 minutos para comermos alguma coisa). Seguindo a trilha ainda passamos ao lado de um pequeno bar e chegamos em uma região de mangue do lado direito.

Aqui existem algumas pontes de madeira que cruzamos e uns 20 minutos desde o Rio chegamos em uma bifurcação com um extensa ponte de madeira do lado direito e p/ a esquerda a continuação da trilha. Como não sabíamos qual era a trilha certa, seguimos em frente, mas logo tivemos que voltar, pois ela terminava em algumas casas. Voltando até a extensa ponte de madeira seguimos em frente, chegando no Saco do Céu, com a trilha sempre se distanciando da praia e passando ao lado de alguns restaurantes com saída para o mar. Aqui novamente a trilha segue próximo aos quintais e sem bifurcações.
Quando perguntamos da casa da Dona Nereide e Sr. Nanandez (tínhamos a informação que o casal permitia acampar no quintal da casa) disseram que ficava no final da praia, próxima a uma Igreja Católica. Chegamos na casa do casal por volta das 16:00 hrs e quem nos recebeu foi a D. Nereide (senhora muito simpática e atenciosa) que nos deixou acampar em um área de gramado bem ao lado da casa. Ela nos disse que até tentou colocar um camping no local, mas devido ao manguezal próximo, o Instituto Florestal proibiu. D. Nereide disse que só aceitava que montássemos a barraca para dormir, já que era proibido o camping e já que iríamos ficar só aquela noite, ela resolveu não cobrar nada. Do lado de fora da casa existem 2 banheiros que provavelmente seriam do futuro camping e nos fundos da casa o irmão de D. Nereide mantém uma criação de gansos e algumas galinhas. Montamos nossa barraca próxima a placa da Trilha T3 (do Saco do Céu até Freguesia de Santana).
O que atrapalhou um pouco é o barulho dos gansos e galinhas, mas no geral, tivemos uma noite tranqüila.
# 3º dia (16/01) – Saco do Céu até a Praia Grande de Araçatiba
Fotos desse dia: http://agsts.multiply.com/photos/album/108/
No dia seguinte (Quarta-feira) por volta das 07:50 hrs nos despedimos da D. Nereide, agradecendo-a e seguimos em frente com a firme intenção de chegar na Praia Grande de Araçatiba. Aqui tínhamos 2 opções: a primeira delas seria pegar um atalho direto para a Praia do Bananal, subindo um morro de uns 250 mts de altitude, levando em média umas 2 horas até Bananal. A outra opção seria seguir pela trilha principal até Freguesia de Santana e de lá chegar até Bananal.
Como tínhamos tempo de sobra para conhecer várias praias, resolvemos pela segunda opção (quem quiser seguir direto pelo atalho até Bananal é só perguntar para os moradores - todos sabem).
A trilha principal vai seguindo morro acima por uns 15 minutos e depois quando se inicia a descida, passamos ao lado de uma bifurcação do lado direito que leva até a Praia da Guanxuma. Deixamos novamente as mochilas escondidas e fomos conhecer a praia que estava deserta (só encontramos alguns gansos passeando na areia) e está localizada em uma pequena enseada. Ficamos só alguns minutos e logo voltamos para a trilha principal.
Mais uns 10 minutos de trilha descendo e chegamos na Praia do Funil (muito pequena), marcada por um campo de futebol do lado esquerdo. Nesse local pudemos observar alguns fios de energia que vêm do continente e que chegam a Ilha próxima a essa praia (aqui existe uma divisão - uma parte dos fios segue para Vila de Abraão e a outra para Provetá). Mais fotos e seguimos em frente e uns 10 minutos depois, por volta das 09:30 hrs estávamos chegando na Praia do Japariz, muito usada por escunas que levam turistas para a Lagoa Azul (não muito longe daqui). No local existe um restaurante e em frente, um trapiche para atracar as escunas.
Passamos direto pela praia e a trilha daqui para frente vai seguindo próxima do costão até Freguesia de Santana, aonde chegamos as 10:30 hrs. Aqui é um sucessão de 2 praias (Freguesia e Baleia). Aqui o que nos chamou bastante a atenção foi 2 teiús (espécie de lagarto) que estavam comendo 1 jaca no meio da trilha (engraçado foi ver os dois saírem correndo todo desengonçados pela trilha no sentido contrario).
Se distanciando da praia, a trilha segue por entre uma área de bambuzal, como se fosse uma espécie de túnel (muito legal) e as 10:40 hrs chegamos na bifurcação para a Praia de Baixo e Praia da Grumixama.
Desse ponto pudemos visualizar uma pequena parte da Lagoa Azul com suas inúmeras escunas (aqui ficamos um certo tempo admirando a paisagem, pois o local tem um visual muito bonito). Pouco depois das 11:00 hrs voltamos para a trilha e iniciamos outra subida e descida de morro acima até chegarmos na Praia do Bananal Pequeno.
Ela tem uma pequena faixa de areia e um único morador (Seu Zeca) e daqui já dá p/ ver quase todas as outras por onde iríamos passar. Seguindo por uns 10 minutos chegamos na Praia do Bananal, onde paramos embaixo de uma arvore para descansar e comer alguma coisa. Na praia existem algumas pousadas e quase todas pertencentes a japoneses e a trilha passa por detrás de quase todas elas.
Seguindo por outro morro acima, a trilha chega a + - 100 mts de altitude e depois disso descemos em direção a Praia da Matariz, aonde chegamos as 13:40 hrs. A praia possui alguns bares e no final existe uma antiga indústria de pescado que funcionou a muitos anos atrás e logo que termina o muro da antiga fabrica, a trilha segue para a esquerda, atravessando mais um pequeno trecho de mangue.
Depois de atravessarmos uma pequena ponte de concreto, algumas casas aparecem a esquerda e a direita da trilha e quando íamos iniciar mais uma subida de morro, paramos para pegar água em uma bifurcação que sai a esquerda da trilha principal, já que nossos cantis estavam quase vazios.
Com cantis cheios, iniciamos mais outra subida de morro, chegando a pouco mais de 100 mts de altitude e o que nos chamou a atenção foi uma enorme Figueira que fixou suas raízes em cima de uma rocha (no local até existe uma placa indicando a Figueira). Seguindo em frente, alguns trechos da trilha se abrem e é possível visualizar todo o mar ao redor e o continente.
As 15:15 hrs chegamos em mais uma praia tranqüila (Praia de Passaterra) e em mais uns 5 minutos chega-se na Praia de Maguariquessaba (aqui existem alguns bares e restaurantes e encontramos escunas atracadas na praia com vários turistas). Essas praias são muito bonitas, mas o problema delas é que a areia é muito fofa, o que dificulta muito a caminhada.
Mais 30 minutos de subida morro acima e passamos ao lado de um cafezal, onde alguns cachorros não nos deixaram em paz, e queriam porque queriam que a gente brincasse com eles. As 16:20 hrs chegamos em Sitio Forte, onde marca o fim da Trilha T5. Essa praia possui imensos coqueirais, mas a região é de mangue, o que torna difícil aproveitar a praia (a areia é monazítica - um pouco escura). Atravessando a praia e mais uns 15 minutos chegamos na Praia da Tapera, onde encontramos algumas lanchas e barcos atracados em frente.
O inicio da trilha para a próxima praia (Ubatubinha) é um pouco mais confusa e para não tomar a trilha errada procure os cabos de energia elétrica que é por ali que a trilha segue. Nesse trecho de Tapera a Ubatubinha o visual que se tem é muito bonito (aproveitamos nas fotos). A praia de Ubatubinha tem uma imensa casa em frente da areia que possui até um pequeno trator (não deve ter sido fácil trazê-lo de barco até aqui).
Chegamos nessa praia pouco depois das 17:00 hrs e ainda tínhamos uma longa subida de mais outro morro pela frente e depois de atravessarmos toda a praia, caminhamos por mais uns 3 minutos e chegamos a um bambuzal, onde bem ao lado existe uma placa apontando Praia Grande de Araçatiba morro acima e foi uma longa e extenuante subida por mais de 200 mts de altitude.
Quando chegamos no topo, paramos para descansar e retomar o fôlego (perdi meus óculos aqui e perdemos algum tempo até encontrá-lo) e daqui para frente a trilha seguia descendo até chegar na Praia da Longa, onde passamos as 18:45 hrs. Aqui também é um pouco difícil para encontrar a trilha para Araçatiba, mas é só perguntar para os moradores que eles indicam. A trilha, na verdade é um antiga estrada de pedras com uns 5 mts de largura e que segue morro acima (o último do dia, graças a Deus). Assim que a estrada termina, a trilha continua subindo, mas pelo menos não foi tão extensa e logo chegamos na Praia Grande de Araçatiba.

Aqui chegamos ainda com Sol, mas como o camping onde iríamos ficar está localizado no outro extremo e a praia é de areia muito fofa e muito extensa, só chegamos no camping as 20:20 hrs, exaustos, mas satisfeitos pela longa caminhada de mais de 12 horas.
Uma coisa que nos chamou a atenção quando estávamos passando pela praia foi termos encontrado algumas barracas no quintal de uma casa (pode ser que seja permitido acampar em alguns quintais e com a vantagem de ficar de frente para a areia da praia). Já o camping onde ficaríamos (Camping Bem Natural) está localizado junto da trilha que segue para a pequena Praia de Araçatiba e com isso tivemos que atravessar toda a praia (não foi fácil).
Para se chegar nele é só seguir a trilha no final da Praia Grande de Araçatiba e em + - 10 minutos haverá uma placa de identificação do camping à esquerda (aqui é só subir as escadas morro acima).
Aqui tivemos algumas decepções: ao chegarmos, uma mulher estava falando no telefone e pediu para a gente aguardar ela terminar a conversa e logo nos atenderia (p. sacanagem). A outra foi quando perguntamos o valor do camping: ela nos disse primeiramente que era $45,00/pessoa e na mesma hora falamos que iríamos embora, mas aí a mulher (que não me lembro do nome) nos disse que esse valor incluía o café da manhã ($20,00) e o camping em lugar coberto ($5,00). Dissemos que não queríamos nada disso e o valor ficou em $20,00/pessoa. (só ficamos pensando que café da manhã é esse de $20,00 – deve ser só com produtos importados). Perguntamos também sobre o valor do PF e nos disse que era $12,00, mas que faria por $10,00, o que aceitamos e combinamos que montaríamos a barraca primeiro e depois iríamos tomar banho e ela nos disse para fazermos isso em até 30 minutos, porque sua cozinheira estava indo embora. Quando nós dois já estávamos tomando banho não é que a mulher veio bater na janela dos banheiros para a gente tomar banho mais rápido porque a comida já estava na mesa (e olhe que ainda não havia completado os 30 minutos).
É....decepção atrás de decepção, mas como já estávamos ali, deixamos p/ lá.
Naquela noite nem fomos conhecer melhor a praia e dormimos cedo, pois a caminhada do dia tinha sido muito cansativa. Tínhamos a pretensão de ficarmos 2 dias no camping, para que pudéssemos visitar a Gruta do Acaiá, mas depois do que aconteceu, resolvemos ficar só aquela noite e seguirmos para a Praia Vermelha, logo na manhã seguinte. Outra coisa que nos chamou a atenção foi o tamanho da cozinha disponibilizada para os campistas (mini-cozinha), enquanto que o tamanho da cozinha para quem paga pelo café da manhã é enorme.
# 4º dia (17/01) – Praia Grande de Araçatiba até a Praia de Itaguaçú, com Gruta do Acaiá
Fotos desse dia: http://agsts.multiply.com/photos/album/107/
No dia seguinte, quando já estávamos fazendo o café da manhã na mini-cozinha, um grupo de escoteiros estava por ali e pretendiam visitar a Gruta do Acaiá também, mas saíram bem antes da gente (só os encontraríamos próximo da Gruta).
Desmontada a barraca e mochilas nas costas saímos do camping as 09:40 hrs em direção a Praia Vermelha, mas ao chegarmos na Praia de Araçatiba (próxima praia) vimos que o costão era muito propício para mergulho com mascara e snorkel (tínhamos trazido) e foi o que fizemos.

Deixamos nossas mochilas em cima de algumas pedras e ficamos ali por quase 1 hora mergulhando (encontramos muito peixe palhaço). As 10:40 hrs seguimos para a próxima praia e uns 15 minutos de caminhada já encontramos a bifurcação para a Gruta do Acaiá (à direita) e Praia de Provetá (à esquerda) onde planejamos chegar só no dia seguinte, pois nossa intenção agora era tentar acampar em Praia Vermelha, devido a desistência da Praia Grande de Araçatiba.
A trilha para a Praia Vermelha segue próxima ao costão e com algumas subidas e descidas leves (me chamou a atenção 2 ou 3 casa semi-demolidas, próximas a trilha). As 11:10 hrs chegamos na bifurcação para a Praia do Itaguaçú e uns 10 minutos depois na Praia Vermelha.
Aqui é uma praia pequena com alguns restaurantes e bares junto da areia e perguntando onde existia um camping nos indicaram o de uma mulher que era a dona do restaurante, mas havia um problema: o banheiro do camping estava em reforma e o camping na verdade era uma casa onde as pessoas acampavam no quintal (o camping ainda não havia sido estruturado) e o pior foi ouvir o valor do camping: $15,00/pessoa e desistimos na hora. Nossa alternativa agora era visitar a Gruta e seguir para Provetá, praia esta onde havia um camping estruturado (Camping da D. Cleuza).
Depois da desistência, deixamos nossas mochilas em um dos restaurantes e seguimos para a Gruta só com um pequeno cantil. Saindo da Praia Vermelha o início da trilha para a Gruta é um pouco confuso (existem bifurcações que levam a algumas casas). Tem uma pequena placa indicando a trilha, mas ela está um pouco escondida e a vantagem é que essas bifurcações estão ao lado de inúmeras casas, então e só sair perguntando se não encontrar a trilha certa.
Da Praia Vermelha até a Gruta foi + - 1 hora e o início da trilha é uma longa subida íngreme e a paisagem vai se abrindo conforme você vai subindo, mostrando todo o visual ao redor. A trilha vai subindo até chegar + - 150 mts de altitude e sempre passando por áreas descampadas (aqui o Sol castigou muito nós dois). Quando a trilha começou a se estabilizar já começamos a passar por áreas com mata fechada e desse ponto em diante cruzamos com os escoteiros que estavam no mesmo camping que a gente. Diziam que estavam retornando da Gruta, mas não tinham entrado porque estavam cobrando $10,00/pessoa. Tinham tentando até reduzir o valor, mas não conseguiram. O grupo era formado por umas 10 pessoas e com isso eu e a Márcia já pensávamos em gastar uns $20,00 reais.
A trilha seguia com leve inclinação, passando por uma nascente do lado esquerdo e às 14:00 hrs chegamos ao portão de acesso da propriedade da Gruta. Nessa entrada o portão estava fechado com cadeado e bem ao lado uma placa bem grande de “Propriedade Particular”. Nesse momento 3 pessoas estavam saindo e com isso a senhora que cuida de propriedade pediu que fechássemos o portão com o cadeado. Ainda caminhamos uns 50 metros até chegar a casa onde é feita a cobrança. Lá a senhora queria cobrar $10,00/pessoa se quiséssemos visitar a gruta e conversa daqui e dali reduzimos o valor pela metade (leve uma cebola).
Bom para ambas as partes ainda tínhamos que caminhar um pequeno trecho até a entrada da gruta, passando antes por algumas casas e ficamos surpresos por ver como a entrada da gruta era bem diferente de todas as que conhecíamos. É como se estivesse entrando num buraco no chão com algumas pedras em volta. Depois de conversar com senhor responsável por guardar a entrada, que não deixou de se certificar se tínhamos mesmo pago antes a senhora.
Iniciamos a descida por uma escada de madeira de + - 5 mts de profundidade e aqui uma lanterna é essencial, mas como não tínhamos, usamos a lanterna do celular. Conforme íamos descendo o buraco ia ficando mais estreito e apertado e só chegamos ao salão interno depois de passar arrastados por entre as pedras. O salão é uma coisa magnífica e olhando para o fundo da gruta se vê uma luz azul ou verde fluorescente (depende da intensidade da luz solar), que na verdade é o sol que reflete no fundo do mar e aparece no fundo da Gruta. O salão tem uma altura de pouco mais de meio metro e mais ou menos 20 metros de largura (isso foi ate onde podíamos enxergar; talvez seja até maior que isso).

Depois de se arrastar até próximo ao fundo da gruta chegamos a uma local até onde a água do mar chega e aqui ficamos por um bom tempo admirando o fundo da gruta com aquela luz fluorescente. Desse ponto até a superfície do mar existe uma fenda submarina e somente com cilindro de oxigênio para atravessá-la. Depois de sairmos da gruta ainda fomos conhecer o costão por onde começa a fenda submarina e por onde passa a água para o interior da gruta.
Pouco depois das 15:00 hrs iniciamos o retorno para a Praia Vermelha e depois de pegar nossas mochilas no restaurante seguimos para Provetá. Tínhamos 2 alternativas: uma delas seria seguir até Provetá e a outra ficar em uma das casas semi-demolidas que encontramos pela trilha, próximo a Praia do Itaguaçú e nessa praia paramos um pouco para mergulhar nos costões, mas não ficamos muito tempo porque encontramos algumas águas-vivas na praia e logo seguimos pela trilha. Cerca de 20 minutos depois já estávamos nessas casas semi-demolidas e chegamos a conclusão que ali era a melhor opção, pois água nós tínhamos encontrado próximo.

O local onde estava a casa havia sido abandonado há muitos anos, pois o mato tinha crescido em volta e tinha muito entulho ao lado. Montamos nossa barraca na sala da antiga casa e bem ao lado de um dormitório onde tinham 2 morcegos. Demos uma p. sorte, pois logo que montamos nossa barraca, começou a chover forte e foi assim o resto da noite.
# 5º dia (18/01) – Praia de Itaguaçú até a Praia do Aventureiro
Fotos desse dia: http://agsts.multiply.com/photos/album/106/
Logo pela manhã (Sexta-feira) acordamos com o dia nublado e as 08:20 hrs seguimos para a Praia de Provetá, mas como tinha chovido bastante a noite, a trilha estava um pouco escorregadia. A trilha vai seguindo por mais uma subida de morro até chegar a pouco menos de 200 mts de altitude e quando começamos a descida cruzamos com um rio onde passamos para tomar o café da manhã.
Seguindo pela trilha o que não nos agradou foi que ao chegarmos próximo da Vila encontramos toda a mata ao redor desmatada. É uma coisa que choca para quem só estava vendo mata fechada próximo das praias e antes de chegar lá, por pouco a Márcia não pisa em uma cobra que estava atravessando a trilha e pela cor e desenhos, parecia ser um filhote de jararaca (peçonhenta).
Fomos chegar em Provetá as 11:00 hrs e lá paramos para descansar ao lado da Igreja Assembléia de Deus (bem imponente e que se destacava), pois a Vila em sua maioria é formada por evangélicos.

Encontramos bem ao lado um orelhão e uma pequena mercearia onde compramos algumas coisas. A trilha para Aventureiro se inicia bem no canto esquerdo da praia e lá fomos nós caminhando pela areia, passando ao lado do Camping da D. Cleuza que está em frente da praia. Ao chegarmos ao lado de uma enorme bica de água, a trilha segue novamente morro acima em mais uma subida bastante íngreme. Logo que se inicia a subida tomamos uma bifurcação da esquerda (na dúvida e só perguntar aos moradores, pois existem várias casas ao lado). Depois de + - 10 minutos a trilha se bifurca novamente e seguindo em frente provavelmente vai chegar em algumas casas, mas a trilha correta é pegando a bifurcação da esquerda (nesse local até existe uma placa apontando Aventureiro para a esquerda).

Aqui chegamos em um mirante que permite ótimas fotos da praia e de toda a Vila. Nesse momento chegaram 2 homens (pai e filho) que passaram pela gente seguindo pela trilha e disseram que tinham vindo de Araçatiba e pretendiam retornar no mesmo dia, mas pelo horário avançado (12:00 hrs) iriam aproveitar pouco a Praia do Aventureiro.
Daqui pra frente a trilha segue em aclive suave sempre em linha reta passando por algumas nascentes, porém o trecho final é bem íngreme o que nos fez parar em vários momentos para descansar, até chegarmos a altitude de + - 350 mts (a mais alta de todas que tínhamos subido).
Desse ponto mais alto da trilha, já conseguíamos ver a Praia do Sul, mas Aventureiro estava escondida pela mata. A descida até a praia é uma pirambeira daquelas (muito íngreme) e tivemos que tomar muito cuidado para não escorregar, pois tinha chovido muito a noite passada (aqui tivemos a certeza que tínhamos acertado em fazer a volta no sentido anti-horário, pois para quem sai de Aventureiro e segue para Provetá com uma mochila cargueira vai sofrer muito na subida desse trecho). A descida foi rápida e as 14:00 hrs chegamos na Praia do Aventureiro.

Aqui existem inúmeros campings, próximos da areia da praia, mas primeiramente tínhamos que deixar nossa autorização no quiosque da TurisAngra que fica do lado direito da praia junto ao coqueiro caído que é o cartão postal de Aventureiro. No cadastro em Angra tínhamos escolhido um camping próximo da areia sendo que o valor ficaria em $20,00/pessoa sendo que $5,00 seria para a taxa de permanência na praia. No quiosque ficamos sabendo que existia um camping no morro bem ao lado e que era um lugar bem mais sossegado e tranqüilo. O camping era o de número 1 e o valor era de $17,00/pessoa.
Depois de montada a barraca, fomos conhecer a Praia do Aventureiro e a do Demo que fica ao lado, mas antes fomos comer um arroz com mexilhão (foi nosso almoço e jantar). Entrar na água no canto direito estava fora de questão, pois uma quantidade muito grande de algas estava sendo trazida pelas ondas, mas a praia é um paraíso com areia branquíssima e várias áreas de sombra. A Praia do Demo que é separada do Aventureiro por algumas pedras é também uma dádiva (algumas árvores que formam sombra na areia e também um pequeno riacho junto ao costão). Aqui vimos uma quantidade muito grande de coqueiros na mata e até conseguimos pegar alguns cocos.
Seguimos para o Costão do Demo, que separa a Praia do Sul da Praia do Demo e aqui ficamos até o anoitecer vendo o pôr do sol e as ondas quebrarem no costão. Observamos também que várias pessoas vinham da Praia do Sul e do Leste e ficamos sabendo que os fiscais do Instituto Florestal só ficam ali para proibir o acesso em feriados prolongados ou alguns fins de semana, pois a região é uma Reserva Biológica (em dias normais, com pouca gente passando, parece que eles não se preocupam com isso).

Por volta das 20:00 hrs voltamos para o camping e nesse momento começou a chover, mas o local onde estávamos era embaixo de uma arvore, além de existir uma lona em cima da barraca. A chuva até ajudou a dormirmos melhor.
# 6º dia (19/01) – Praia do Aventureiro até a Praia de Parnaioca
Fotos desse dia: http://agsts.multiply.com/photos/album/105/
As 08:30 hrs do dia seguinte (Sábado) acordamos. Naquele dia ainda não tínhamos decidido se iríamos ficar mais um dia ou seguiríamos para Parnaioca. Ficamos a manhã toda na Praia do Demo e lá decidimos seguir para Parnaioca naquele dia mesmo.
Depois de desmontada a barraca, deixamos o camping por volta das 13:00 hrs e seguimos para a Praia do Leste (ainda cruzamos com 2 garotos com cargueira que provavelmente estavam fazendo a volta da Ilha, no sentido contrário ao nosso).

A travessia do Costão do Demo exige certo cuidado, pois a pedra é um pouco inclinada e perigoso em certos trechos (é até risco de vida passar por aqui com tempo chuvoso). Chegamos na Praia do Sul as 14:00 hrs e encontramos algumas pessoas na areia da praia e aqui tivemos que ficar descalços, pois a areia é muito fofa e a praia muito extensa.
Chegando ao final dela, existe uma trilha que sai para a esquerda em direção ao manguezal e nesse local a água chega a bater um pouco acima dos joelhos.
Depois de atravessado o mangue, chegamos na Praia do Leste que é um pouco menor, mas no final da praia tivemos uma noticia desagradável: um grupo de 3 garotos estava voltando de Parnaioca e dizia que tinham sido barrados por um fiscal do IF que estava no começo da Praia de Parnaioca e com isso ficamos decidindo o que fazer. Já que estávamos ali, nem valeria a pena voltar para Aventureiro para tentar pegar um barco em direção a Parnaioca (na verdade, não é sempre que se encontra um barco disponivel p/ fazer o trecho Aventureiro-Parnaioca). Se continuássemos pela trilha e ao chegar na Praia, o que o fiscal poderia fazer com a gente? Difícil responder, né. Se esse fiscal estivesse lá no Costão do Demo e barrando o pessoal que fosse fazer a travessia, até aí tudo bem.
Decidimos então esperar um pouco mais e chegar no final da tarde na praia, mas de repente chegam 2 garotos de mochilas cargueiras que tinham vindo de Parnaioca e estavam fazendo a volta da ilha também, mas no sentido inverso ao nosso. Perguntamos a eles sobre o fiscal e disseram que não tinham encontrado ninguém (nessa hora pensamos se ele não tinha ido tomar um café, ido ao banheiro ou foi embora). Com essa dúvida saímos da praia as 17:00 hrs em direção a Parnaioca; estávamos inseguros, mas não tínhamos opção. Por volta das 18:00 hrs, quando chegamos na praia, não encontramos ninguém.
Ao cruzarmos o rio, encontramos 4 rapazes acampados na mata, ao lado do rio, em camping selvagem e conversando com eles decidimos ficar por ali também. Eles disseram que o fiscal do IF tinha ficado na praia até as 15:30 hrs e pediu a eles que não ficassem acampados na areia e que desmontassem as barracas durante o dia (nessa praia existem 2 moradores que permitem acampar em seu quintais: o Silvio e a Janeth). Depois da barraca montada, ainda fomos dar uma volta pela praia e depois fomos fazer nosso jantar e dormir.
Aqui só um adendo: em fins de semana da alta temporada e alguns feriados prolongados, os fiscais do IF impedem a passagem pelas Praias do Sul e Leste devido a quantidade muito grande de pessoas, já que a região é uma Reserva Biológica. Se estiver em um fds normal e que não seja feriado, normalmente não existe qqer fiscalização por parte do IF.
# 7º dia (20/01) – Praia de Parnaioca
Fotos dessa praia: http://agsts.multiply.com/photos/album/104/
No dia seguinte (Domingo) acordamos com um sol muito forte e decidimos lavar algumas roupas e colocá-las para secar. Depois de desmontar a barraca, colocar na mochila e escondê-la na mata fomos caminhar pela praia, que era muito extensa e só achamos 4 casas próximas da areia e mais 2 um pouco longe da praia. Encontramos também uma pequena Capela e um Cemitério bem ao lado.
Logo depois seguimos rio acima para conhecer as cachoeiras, mas antes fomos na casa da Marta encomendar 2 pfs para o final da tarde.
O rio é cheio de pedras com inúmeros poços para tomar banho, mas as cachoeiras não passam de 1 metro. Voltamos para montar a barraca e nessa hora começou a chover muito forte e para irmos à casa da Marta precisamos colocar nossas capas de chuva. Quando estávamos comendo e conversando com a Marta e o seu marido sobre como é a vida naquele lugar chegou o Silvio (o do Camping) que mora ao lado e disseram que teve épocas piores do que as de hoje, pois quando existia o Presídio em Dois Rios e ocorriam fugas os presos se dirigiam para essa praia. As famílias da época eram muito humildes e só viviam da pesca e hoje com o fechamento do presídio, o turismo trouxe mais visitantes para a praia e os moradores vivem da renda do turismo. O Silvio (um dos moradores mais antigos da praia) nos deu uma verdadeira aula de história sobre o lugar falando sobre os primeiros moradores da ilha e a época dos escravos, quando existiam imensas plantações de café na região.
Saciados da fome voltamos para a barraca e decididos que no dia seguinte seguiríamos em direção a Praia do Caxadaço. Durante a noite choveu muito e o rio ao lado, onde estávamos, ficou muito cheio.
Conversando com outros 4 garotos eles decidiram voltar para Abraão com a gente e um deles decidiu ficar para tentar uma carona de barco.
# 8º dia (21/01) – Praia de Parnaioca até a Praia do Caxadaço
Fotos desse dia: http://agsts.multiply.com/photos/album/103/
Na manhã do dia seguinte (Segunda-feira) saímos de lá as 09:00 hrs pensando que a continuação da trilha fosse no final da praia, mas o Silvio nos encontrou e disse que a trilha para Dois Rios saía atrás da casa da Janeth.
Refeitos do erro, seguimos pela trilha correta, começando com uma subida de morro até chegar a uma altitude de + - 150 mts e na subida os 3 garotos passaram por nós e seguiram na frente. A trilha não tem como errar, pois está bem demarcada e não tem bifurcações. Só a vegetação que estava molhada e um pouco de lama na trilha.
As 11:00 hrs passamos ao lado de uma imensa figueira e um pouco mais a frente ao lado da Toca das Cinzas, que segundo a lenda, era usada como prisão para escravos ladrões que eram deixados para morrer aos poucos (que coisa mais sinistra). A trilha de Parnaioca para Dois Rios é a mais longa de toda a ilha e depois de 2hr30 min de caminhada chegamos na praia (11:30 hrs).
Nesse lugar existia o Presídio que foi demolido em 1994, mas que ainda restaram os muros e as casas dos funcionários. Entramos na parte interna do presídio, mas saímos de lá cheios de pulgas nas pernas.
Depois disso fomos no único barzinho da Vila (Bar da Tereza) onde dividimos um PF e um lanche. No lugar encontramos um grupo com umas 8 pessoas que tinha acampado na Praia do Caxadaço na noite anterior e disseram que passaram por dificuldade, pois tinha chovido muito e com isso o saco de dormir de alguns deles tinha molhado. A intenção deles era fazer a volta no sentido contrário ao nosso, mas depois desse problema e sem perspectiva do tempo melhor, desistiram da idéia. Foi uma pena vê-los com mochilas cargueiras e desistindo da volta por causa dos sacos de dormir molhados (felizmente para a gente tinha dado tudo certo até agora).
As 15:00 hrs resolvemos seguir para o Caxadaço e quando já estávamos saindo da vila um PM nos abordou querendo saber de onde tínhamos vindo e para onde íamos e se conhecíamos a trilha para o Caxadaço (provavelmente a função dele é anotar o destino de todos que passam por ali. Por que? eu não sei). Seguimos pela estrada de terra em direção a Abraão por cerca de 10 minutos e logo encontramos a bifurcação para a Praia do Caxadaço a direita. A trilha entra na mata fechada e segue na direção leste passando por alguns vestígios de construções e pelo Caminho das Pedras que tinha sido construído pelos escravos na época em que chegavam por essa praia. O final da trilha, próximo da praia é bastante íngreme e os únicos lugares bons para acampar na trilha são próximos a um bambuzal, cerca de 5 minutos antes de chegar na praia e um outro descampado bem plano antes de atravessar o pequeno riacho que desagua na praia, aonde chegamos as 16:00 hrs.

Aqui existem poucos lugares para montar barracas, mas desconfortaveis e encontramos a praia totalmente deserta, possuindo uma faixa de areia de uns 15 mts de comprimento.
Uma peculiaridade da praia é que ela se localiza em uma enseada que fica escondida de quem passa em alto mar, por isso foi usada para desembarque de escravos na época do tráfico negreiro. Montamos nossa barraca no descampado de frente para a praia, mas tinha a desvantagem do local ser um pouco inclinado. Até achamos um local mais plano próximo ao rio, mas queríamos acampar ali mesmo, de frente para a praia e imaginávamos que iria chover a noite por isso cavamos em volta da barraca para que a água da chuva escorresse, mas de nada serviu, porque a chuva não veio.
A praia eu achei a melhor de todas (a Márcia preferiu Aventureiro) e do costão se consegue ver as Praias de Santo Antônio e Lopes Mendes. Depois de banho tomado no rio fomos fazer o jantar e dormir ouvindo as ondas chegarem na praia. Aqui o camping é proibido, mas naquela noite não tínhamos opção, porque em Dois Rios não existe camping e caminhar para Abraão estava fora dos planos, porque ainda tínhamos outras praias para conhecer.
# 9º dia (22/01) – Praia do Caxadaço até a Praia de Palmas
Fotos desse dia: http://agsts.multiply.com/photos/album/102/
No dia seguinte (Terça-feira) iríamos seguir pela trilha mais difícil de toda a volta da Ilha (em direção a Praia de Santo Antônio), e levamos algumas anotações do livro do José Bernardo (Caminhos e Trilhas de Ilha Grande) e elas foram a nossa referência, pois a trilha possui várias bifurcações que chegam a confundir e quem não tem experiência em trilha na mata fechada não recomendo de maneira nenhuma. As bifurcações são semelhantes a da trilha principal e por isso usamos as anotações.
Saímos de Caxadaço as 09:00 hrs e pegamos uma trilha que sai atrás da placa indicativa da Trilha T15 - Caxadaço-Dois Rios (sentido nordeste). Mais alguns metros e a trilha chega em uma vala a esquerda e daqui para frente segue rente a ela, morro acima. Uns 10 minutos depois chegamos a uma área de samambaias onde a descida é bastante íngreme e já no final dela começam a aparecer as bifurcações para a direita; a trilha principal segue para a esquerda subindo para mais outro morro e depois segue no plano por um bom tempo, passando ao lado de uma imensa rocha do lado esquerdo onde escorre um riacho e aqui foi colocada uma pequena corda para ajudar na travessia dessa pedra.
Depois de + - 1hr30min chegamos na trilha principal que leva até a Praia de Santo Antônio e aqui viramos a direita chegando na Praia as 11:00 hrs. O lugar possui um rio que deságua no canto da praia, mas a água não é confiável e se quiser água de qualidade e só seguir no costão a direita por uns 5 minutos. A areia da praia não é fofa e acampar aqui também é proibido.
A praia tem + - 100 mts de comprimento e do lado esquerdo se consegue visualizar Lopes Mendes que está bem próximo. De vez em quando ameaçava cair uma garoa, mas a chuva não veio, então ficamos aqui por cerca de 1 hora.
Em seguida voltamos para a trilha e seguimos para Lopes Mendes onde chegamos + - 30 minutos depois e aqui alguns consideram uma das 10 melhores praias do país, mas não achamos tudo isso. Sua extensão tem + - 3 kms de areia fofa e inúmeras amendoeiras que fornecem sombra por toda a praia. Ela possui uma mata com alguns descampados antes de chegar na areia e varias trilhas que conduzem até a praia.
Nem entramos na água porque o tempo não estava ajudando e as 14:15 hrs saímos em direção a Praia de Palmas onde acamparíamos naquele dia. A trilha é bem nítida, quase uma estrada e ainda passamos pela praia do Pouso (onde os barcos de Abraão para Lopes Mendes atracam) e a Praia de Mangues e caminhando mais 10 minutos chegamos em Palmas, onde existem uns 3 campings e como já tínhamos lido algumas recomendações ficamos no Camping do Tonico e da Carla. Ele está + - no meio da praia e não nos arrependemos, pois o lugar é muito bom.
A praia não tem energia elétrica, mas os chuveiros quentes são aquecidos a gás (o gerador fica ligado das 18:00 as 24:00 hrs). O camping estava relativamente vazio e resolvemos comer um PF no bar ao lado ao preço de $9,00. A chuva no fim da tarde ia a voltava e ficamos planejando o que faríamos no dia seguinte, e o que faltava para a gente era subir o Pico do Papagaio e conhecer as praias próximas de Abraão (Julia, Crena, Abraãozinho) e na volta para a barraca decidimos fazer as duas coisas.
# 10º dia (23/01) – Praia de Palmas até a Praia de Abraão
Fotos desse dia: http://agsts.multiply.com/photos/album/101/
No dia seguinte (Quarta-feira) acordamos com o tempo nublado e com poucas esperanças dele melhorar, mas ainda assim saímos do camping em direção ao Abraão. Saindo da praia iniciamos mais uma subida de morro até chegar a + - 200 mts de altitude e lá no topo já vimos que o tempo não melhorou mesmo, pois estava tudo encoberto. Iniciamos a descida e chegamos na Vila de Abraão 1 hora depois e dali seguimos pela estrada de terra em direção a Dois Rios e não demorou muito começou a chover forte mas seguimos em frente. Chegando na bifurcação do Pico, começamos outra subida forte pela trilha em direção ao topo (a chuva não parava de cair e decidimos voltar depois de uns 20 minutos de trilha).
Pensamos que não adiantaria nada chegar no topo se não conseguiríamos ver nada ao redor. Voltamos para a vila onde chegamos por volta do 12:00 hrs e de lá seguimos para as Ruínas do Lazareto e para a Praia Preta (praia de areia monazítica que possui propriedades medicinais). Depois voltamos para a Vila e fomos conhecer as prainhas do lado direito de Abraão (em Abraãozinho existe um pequeno bar de frente para a areia da praia). As 15:00 hrs seguimos para a Abraão para comer e as 17:00 hrs voltamos para Palmas.
Estávamos um pouco tristes, pois esse era nosso último dia em Ilha Grande, mas como o tempo não colaborava e ficar na Ilha com chuva não valia a pena, resolvemos ir embora. Já no camping em Palmas arrumamos as mochilas e deixamos tudo pronto para sair cedo no dia seguinte, pois a Barca para Angra saía as 10:00 hrs.
# 11º dia (24/01) – Praia de Palmas até Angra dos Reis
Fotos desse dia: http://agsts.multiply.com/photos/album/101/
Na manhã seguinte, o camping ficou em $10,00/pessoa e depois de pagar para a Carla seguimos para Abraão onde chegamos as 09:00 hrs e as 10:00 hrs em ponto a Barca saiu de Abraão em direção a Angra dos Reis e com ela estávamos levando ótimas recordações.

Pouco antes das 12:00 hrs chegávamos em Angra e as 15:00 hrs embarcamos em direção a São Paulo um pouco tristes porque era hora de voltar para a correria e a rotina, mas contentes porque em nossas lembranças iriam ficar imagens de lugares como Gruta do Acaiá, Praia do Aventureiro, do Leste, do Caxadaço, Santo Antônio e muitas outras e mesmo em momentos de cansaço, quando chegamos a caminhar por muitas horas. Muitas ficarão nas nossas lembranças por muuuuuuuuuuuuuito tempo.
Ufa.............finalmente. Terminei...............
Abcs




