Olá viajante!
Bora viajar?
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Queria agradecer imensamente a todas as dicas que os outros mochileiros deram sobre o Peru e a Bolívia as quais com certeza contribuíram, e muito, para o sucesso da minha viagem realizada agora em outubro. Eu pretendo retribuir com o seguinte relato para assim ajudar os próximos mochileiros que resolverem se embrenhar nas belezas e loucuras desses países vizinhos. Eu ainda não terminei mas espero que eu consiga colocar um pouco por dia para assim inspirar quem pretende se aventurar pela nossa América do Sul!
*
Lima
A ideia da viagem surgiu em uma conversa que tive com meu irmão Henrique em meados de março. Eu tinha umas milhas para vencer e então eu fiz a proposta: “E ai, vamos viajar?”. Ele não hesitou nem um segundo e ainda emendou: “Quero conhecer Machu Picchu”. Sempre quis conhecer o deserto do Atacama no Chile, mas como tínhamos apenas 15 dias resolvemos colocar a Bolívia no meio – por ser mais barata e mais perto de casa. Pensei que o Chile, com seus vinhos e charmes poderia ser visitado em uma próxima ocasião onde ele seria o único protagonista.
A primeira passagem que compramos foi a volta de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, para São Paulo que custou 20.000 milhas e uma taxa de R$ 350,00 pela Gol. Demorou uns dois meses para conseguimos juntar as 24.000 milhas necessárias para irmos para Lima pela TAM/LAN, também saindo de São Paulo, e no final completamos o que faltava com o programa “Quilômetros de vantagens” dos postos Ipiranga.
Então o começo e o fim estavam definidos faltava completar o meio. Sabia que seria bom ter Lima como ponto de partida e depois ir descendo rumo ao Brasil. De volta para casa.
O roteiro definido no final foi: Lima – Cusco – Águas Calientes – Cusco – Puno – Copacabana- La Paz- Uyuni - Sucre – Santa Cruz de La Sierra – São Paulo. Quase todas as passagens e hospedagens nós compramos daqui do Brasil o que foi um erro em alguns momentos e um acerto em outros.
Nós levamos 3,5 mil reais distribuídos e 340 dólares em dinheiro vivo que colocamos em 6 pacotes. O Henrique andava com uma doleira e eu colocava mais três pacotes, dois na bota e um em uma cinta embaixo do sutiã. Foi uma ótima estratégia. Eu fui furtada em Barcelona e depois disso prometi que para tirar algo que me pertencia ia ter que arrancar de mim. Eu fui um pouco neurótica, não larguei o dinheiro nem um segundo, mas no final deu certo. Com os passaportes idem. Também levamos RG porque é aceito caso acontecesse alguma coisa. E fizemos um seguro de viagem que não é obrigatório para viajar pela AL, mas mesmo assim achamos melhor. Não levamos cartão nem VTM então se acontecesse algo o plano era pedir asilo na embaixada... rs...
Quando chegamos a Lima encontramos um clima agradável e a primeira coisa que fez realmente falta foi uma caneta. O voo da LAN foi sensacional, empresa muito boa, chegamos pontualmente na hora prevista, mas a fila da imigração nos deixou uma hora em pé, principalmente porque resolvemos preencher o formulário de imigração depois de descermos do avião. A imigração é ok, mas é importantíssimo guardar o papel que eles te devolvem do formulário – se possível prendam de alguma forma no passaporte. Pelo menos no Peru te pedem passaporte em todos os lugares assim como esse cartão da imigração. Apesar de aceitar RG eu aconselho a levar o passaporte – menos dor de cabeça. Vimos um dos guardas da fronteira encrencando com um casal de brasileiros.
O primeiro contato com o Peru foi com o táxi assim que saímos do guichê. Chegamos perto da meia noite (são duas horas a mais) e a primeira oferta foi 45 dólares para irmos até Miraflores onde ficava nosso hostel. Ficava um pouco longe e eu me arrependi momentaneamente por não ter escolhido um local para ficar mais perto do aeroporto porque nosso voo para Cusco ia sair às 8h30 do dia seguinte. Mas no caminho eu vi que Callao, o distrito que fica na proximidade do aeroporto, era um bairro meio estranho e escuro. Achei que foi uma boa então.
Quando saímos um taxista nos abordou que fez por 77 solis e como estávamos cansados e loucos por uma cerveja e não discutimos muito. Realmente o caminho era longo e o Orlando, o motorista, foi um verdadeiro guia contando um pouco da história da capital. O câmbio que fizemos no aeroporto foi de R$ 1 para 1,03 Solis contando com os 3% da taxa de câmbio. Isso já deu uma assustada porque eu contava que o Real valesse mais.
DICA: No decorrer da viagem, percebi que a levar dólar em espécie com certeza é a melhor forma de viajar. Eu já sabia disso, mas deixamos para comprar os dólares bem próximo da viagem (dia 09 de outubro,) que por sua vez era muito próximo do primeiro turno então ele estava bem caro e levamos apenas alguns e o resto em Real. Um erro porque o Real varia muito de cidade para cidade enquanto o dólar é estável. Sem contar que muitas coisas podem ser pagas em dólar e vale a pena porque a cotação que eles usam na conversão é muito alta, cerca de 2,91 Solis para US$1.
Lima é uma cidade parecida com algumas capitais do Brasil que ficam no litoral. É grande, com ruas largas e construções históricas e tem mais ou menos 8,5 milhões de habitantes. É dividida em bairros que funcionam como distritos e possuem certa autonomia dentre si. Miraflores , onde ficamos, é um deles. É um lugar bem charmoso, com bons restaurantes e me disseram que tem um sítio arqueológico recém-descoberto bem no meio. O hostel que escolhemos foi o Pariwana (Av. Larco 189, Miraflores) e recomendo. Fica em um casarão histórico, muito confortável e tem cara de hostel mesmo: com cozinha e área de lazer. Infelizmente ficamos muito pouco e não podemos aproveitar. Combinamos com o Orlando para nos buscar as 6h00, queríamos marcar mais tarde, mas ele insistiu que deveríamos chegar duas horas antes.
Depois do check-in saímos para dar uma volta e eu me senti segura apesar de ser quase uma da manhã. Paramos em uma pizzaria e pedimos uma Cusqueña deliciosa e razoavelmente gelada. Achei cara: 15 Solis uma garrafa de 600ml.
No outro dia acordamos e o Orlando estava lá na porta. Ai quando chegamos ao aeroporto o Henrique deu 70 Solis e ele não disse nada apenas pegou. Acho que na realidade o valor era menor, mas estávamos no começo da viagem e ainda não tínhamos pegado o espírito da coisa e o Henrique é muito tranquilo “deixa para lá”. O lance é que no Peru é assim: eles não devolvem troco e eles vão te enganar com o preço. Mas partindo da máxima que turista nasceu para ser enganado, deixamos quieto. Dá um pouco de medo pegar táxi por lá. Não existe um padrão nem uma identificação e taxímetro – lenda. Comecei a achar que o Brasil era um país organizado. Nada como uma imersão em culturas diferentes.
No final eu até agradeci ao Orlando porque o guichê da Star Peru estava o verdadeiro caos e se não tivéssemos chegado duas horas antes com certeza tínhamos perdido o vôo. Nós compramos as passagens pela internet direto do site da Star Peru – custou US$ 85,00. Com as taxas de embarque, IOF... ficou mais ou menos R$ 300,00 na época (o dólar estava R$ 2,50). A companhia é aceitável. O avião era meio velho, mas pelo menos eles davam chá de coca e um salgadinho horrível feito de Abas que até hoje eu não sei o que é. O Henrique achou ‘de boa’ mas ele também não é parâmetro porque para ele TUDO sempre estava bem.
Cusco
Tudo que eu contar aqui nesse relato eu ouvi da boca do povo peruano. Não fui atrás de saber se é verdade ou não. Cada um que eu encontrava tinha a sua própria versão dos fatos e eu fiquei realmente curiosa em saber com mais detalhes sobre oImpério Inca que se consolidou quando o nono imperador, o poderoso Pachakutic , que em quéchua, principal língua dos Incas, significa “aquele que move a terra” assumiu o trono. Pachakutic era gigante, tinha dois metros de altura, era sábio, um exímio arquiteto, um poderoso guerreiro e “muy mujerengo” como disse nosso guia. Disseram que ele teve mais de 100 filhos. Subjulgou os outros povos e assim ampliou as fronteiras do império Inca que em seu auge abrangia o Equador, a Colômbia, o Peru, uma parte da Bolívia, Argentina e do Chile. A capital desse vasto território ficava concentrada em Quosquo – o umbigo do mundo. Quando chegamos lá, demos de cara com a primeira das inúmeras estátuas do imperador. O taxista (todo taxista no Peru é um guia) começou o relato: Cusco foi construída em forma de um puma, um dos símbolos do Peru ao lado da serpente e do condor.
Ao contrário do que eu pensei, o apogeu do Império Inca durou apenas cem anos – de 1430 a 1530 quando os espanhóis chegaram. Na época, o Imperador era Ataw Wallpa que caiu em uma cilada ao ser convidado para um jantar com o conquistador espanhol Franscisco Pizzaro encarregado de tornar a região em um vice-reinado da Espanha. Ali, no meio da Plaza de Armas, a praça central de Cusco, Ataw Wallpa jogou uma bíblia no chão ao ser coagido por um padre a se submeter às regras do Reinado da Espanha e aceitar a religião católica. Ele foi preso no Templo do Sol (La Quoricancha – Templo dourado, em quéchua) e condenado. Antes da sua execução, arrancaram os olhos e a língua diante de todo o povo. O nome para a Plaza das Armas em quéchua significa Choro.
Os espanhóis destruíram o Templo e hoje funciona uma igreja, o Convento São Domingos. Quem já foi para a Espanha vai notar a incrível semelhança das construções na praça principal a Plaza das Armas. A opressão corre no sangue do povo até hoje: eles são calados, taciturnos, não sorriem com facilidade. Trabalham de Sol a Sol, segunda a segunda. Os comércios sempre estão abertos mesmo aos domingos. Não vi um peruano fumando ou bebendo. É um povo pobre, sofrido, mas não vi uma prostituta, um boteco e muitos poucos mendigos.
Ficamos no Wild Rover em uma das ruas centrais. O taxista cobrou 20 Solis mas foi porque eu negociei ele queria cobrar 30. Tenho certeza que é mais barato ainda porque o site do hostel disse que custava de 5 a 8 Solis do aeroporto até lá. Como o check-in abre só as 14h00 nós resolvemos dar uma volta pela cidade e resolvermos a nossa ida para Machu Picchu. Primeiro fizemos o câmbio em um banco que fica nos arredores da Plaza das Armas e foi a melhor cotação do Peru para Real: 1,04. Se por acaso vocês levarem Real não caiam na besteira de trocar apenas uma parte do dinheiro que nem eu e o Henrique fizemos esperando achar um câmbio melhor. Se achar um valor razoável, troca uma quantia razoável porque vai ser difícil achar um valor mais alto.
Almoçamos em um restaurante na rua mesmo do hostel, comemos um ceviche maravilhoso e tomamos pela primeira vez chicha morada – a bebida típica feita de milho. Estava boa.
Meu plano inicial era fechar com alguma agência de turismo o passeio do Vale Sagrado e depois ficar em Ollantaytambo e pegar o trem para Águas Calientes (AC) . Entramos em umas três agências que cobravam preços similares... mas como tudo no Peru era só chorar um pouco que rolava um desconto.
DICA: Um dos principais erros do meu roteiro foi ter reservado o hostel em Águas Calientes aqui no Brasil. As excursões oferecem a hospedagem inclusa no passeio e geralmente são bem baratas. Não sei se são bons ou não. Uma referência legal de hostel que nos disseram é um que chama Supertramp (o nome é de bom gosto...) que um amigo disse que tem um hambúrguer barato maravilhoso e revigorante para quem desce de MP.
Então eu descobri que existem vários e vários jeitos de chegar em MP e é engraçado que depois que fomos para lá, encontramos muitas e muitas pessoas que tinham chegado de todas as formas possíveis. O jeito mais cômodo, e claro o mais caro, é pagar a excursão padrão que inclui: translado até Ollantay + passagem de trem até AC + entrada para MP + guia + ônibus para chegar em MP +hospedagem. Custa cerca de US$ 250, mas achamos caro e então ficamos na dúvida.
Quando descemos no aeroporto fomos direto para uma barraquinha da Peru Rail que tinha lá e descobrimos que: 1º as passagens para a noite do dia que queríamos tinham acabado e 2º eles não aceitam dinheiro vivo, apenas cartão. Ou seja, a única coisa que merece ser comprada com antecedência do Brasil é a passagem de trem e foi também a única coisa que não fizemos com antecedência...rs.. mas tudo bem. Clima de festa.
O trecho da estrada que liga Ollantay até AC é monopolizado por duas companhias férreas: a Perurail, um consórcio de uma empresa chilena com uma inglesa, ou a InkaRail que é peruana e mais em conta. Esse trem é caro e é pago em dólar.
Existem outros jeitos de chegar em MP: pela trilha inca de três dias, pela trilha inca de cinco dias, ir de trem descer na hidroelétrica e subir caminhando, pegar o trem até AC e subir caminhando...o jeito mais barato e mais roots é ir de carro até Santa Teresa, uma cidade que fica do outro lado de MP, em uma viagem que demora cerca de seis horas, depois pegar um ônibus ou um táxi até a hidroelétrica e subir caminhando... O que eu sei com certeza: no meio desse leque de possibilidades explicado em espanhol com o sotaque de “quero passar a perna em vocês”, o Henrique estava de saco cheio querendo cerveja. Ele não reclamava de nada apenas quando passava da hora de beber.
Ai por causa do eminente mau humor da abstinência do meu irmão eu resolvemos cancelar a ida ao Vale Sagrado porque não tinha passagem mesmo para domingo à noite. Resolvermos fazer tudo por conta, fomos na PeruRail (fica na Plaza das Armas e é a única agência que aceita dinheiro vivo) porque não achamos a InkaRail (queríamos ter comprado para ajudar a indústria peruana) e compramos as passagens saindo de Ollantay 12h30 e a volta para terça às 8h30 da manhã porque eram os horários mais em conta. Melhor comprar a ida e a volta de uma só vez - custa mais ‘barato’ e foi US$ 114 para cada um. Achei caro. No final, se não tivéssemos reservado o hostel antes dava para pegar uma das excursões que acho que sairia o mesmo preço. A moça da PeruRail nos deu o nome de uma rua que saia as van de Cusco para Ollantay e custavam 10 solis.
Com tudo resolvido, rumo à cerveja.
Quando voltamos para o WildRover aconteceu a primeira coisa chata: eles colocaram a gente em um quarto menor e mais caro. Como era o começo da viagem, eu não reclamei. Mas achei chato eles terem mudado sem avisar e nem pedir permissão. O nosso quarto era de quatro camas e ficava bem no meio da área principal. O Wild Rover é um estilo de hostel que acho que ainda não existe no Brasil. Funciona mais como um party-hostel, na real é uma balada, com quartos ao redor. Não tem cozinha, por exemplo.
Eu fui dar uma deitada para descansar um pouco e o Henrique saiu para falar com a namorada. Depois de umas duas horas, eu me arrumei, tomei banho e quando estava saindo o desgraçado me aparece bêbado porque tinha começado o Happy Hour... tava tendo October Fest então tinha um milhão de gringos loucos, fantasiados com roupas ridículas fazendo idiotice, tipo se pendurando e dançando pelados no balcão. O Henrique foi dormir até começar o Happy Hour de novo...e eu fui beber umas com um dos nossos companheiros de quarto, um irlandês que até hoje eu não sei direito o nome. Eu me apresentei, me desculpei porque não falava inglês fazia tempo e ele simplesmente disse: “Tudo bem, eu não sei falar português”. Ele era bem legal.
Depois o Henrique acordou, conhecemos dois brasileiros, a Gisele e o Thiago, e resolvemos sair do hostel ver como que funciona a balada em Cusco. Quase todas ficam na Plaza das Armas e fomos ao Mama Africa porque ia ter salsa. Queria escutar música latina. Na verdade, queria achar um lugar onde tocasse música peruana ou onde eu descobrisse como eles festejam. Mas aparentemente os peruanos não saem e todas as baladas são voltadas para estrangeiros. Pelo menos as acessíveis. O Mama Africa estava fechado ainda então ficamos em um bar que fica embaixo chamado Mushrooms enchendo a cara de mojitos. A garçonete era argentina e ficava tirando com a nossa cara porque tínhamos achado muito estranho ela não anotar nada nunca. “Vocês, brasileiros, fazem umas perguntas estranhas. Eu estou anotando tudo de cabeça”. A gente que é estranho.
Ai ficamos bêbados e resolvemos tentar entrar em uma balada em um outro hostel e no final das contas saímos andando e fomos parar de novo no Wild Rover... era tipo uma da manhã e o ambiente tinha mudado totalmente. Os gringos malucos e pelados ainda estavam lá, mas estava muito mais animado do que estava. Ficamos lá bebendo e conversando e quando deu umas duas eu resolvi dormir. Estava com muito sono já que a gente tinha praticamente varado a noite anterior.
No meio da noite o Henrique me acorda e diz que o cara embaixo do meu beliche estava vomitando na cama. A coisa mais estranha é que não fedia a vômito. A gente pulou e virou o cara de lado. Não sabíamos se a gente o acordava ou não. Como ele estava razoavelmente melhor, a gente deixou ele lá. No dia seguinte, antes de levantar da cama, eu perguntei para o irlandês se o cara estava bem... e o cara respondeu com uma voz de desenho animado que estava muito bem. Parecia uma voz do South Park. Ele falava tipo 897 fucks por segundo e chamava Kevin. Ele era engraçado.
Eu e o Henrique saímos por ai andando... comemos em um café perto do La Quoricancha que chama La Cholita que foi bem barato. Pedimos até uma torta de limão que custou 5 solis e foi eleita 5 vezes pela Revista Veja como a PIOR torta do mundo. Sério, era simplesmente horrorosa.
Resolvemos esperar pelo Free Walk Tour que estava sendo divulgado no hostel. O Kevin (o gringo que gorfava ) disse que não gostava muito dessas coisas mas que tinha achado tranquilo. Eu e o Henrique ficamos enrolando na Plaza das Armas ao lado daquele bando de gringo, sentados na fonte principal, esperando o guia que na teoria ia chegar a 12h50. Uma hora depois a gente estava quase desistindo quando o guia apareceu com o coletinho verde que nem o folheto dizia. Chamava Richard e a primeira parada foi uma igreja que fica no alto da cidade, e lá fomos nós subir uma escadaria de uns 78713897 degraus que dava canseira só de ver. E aquela altitude de boa. Mas foi tranquilo, um pouco de falta de ar, mas nada que umas folhas de coca não resolvam. Lá de cima, vista sensacional.
Depois fomos andando no meio das ruas, da cidade e paramos em uma loja de instrumentos tipicamente peruanos. Que surpresa chegar na porta e ouvir nada menos que Garota de Ipanema! Tinha um brasileiro lá dando uma palinha para o pessoal. Na nossa vez, o dono da loja tocou várias músicas e explicou sobre cada instrumento. Muito muito interessante. Em um determinado momento, ele pegou uma das violinhas e tocou aquela música “Chorando se foi quem um dia só se viu chorar...”. Eu e o Henrique rimos e ele parou e disse meio bravo: “Essa é uma música peruana e vocês brasileiros pegaram e transformaram em uma lambada!”. Foi mal! A última parada foi em um hostel onde o Richard, o guia, ensinou como que fazia piscosaur e nos deu umas doses de graça.
Voltando para o hostel ainda ficamos um tempo sentado na Praça San Braz onde estava rolando uma feira. Depois resolvemos passar na La Quoricancha para tentar entender um pouco dessa loucura de Inca com Espanhol com Quechua..enfim.. o museu é bem legal mas é triste ver que aquilo era um Templo e hoje em dia é uma igreja. Mas ok. Quando chegamos no hostel, o Henrique ficou na área comum e eu fiquei um tempo no quarto deitada.
Então o Kevin, o gringo maluco, entrou comendo um crepe. Ele pediu para as moças da limpeza trocarem os lençóis (que estavam vomitado até aquela hora). Ficamos um tempo de boa e ai ele levantou e começou a vomitar. Ficou gemendo no banheiro, falando uns "Oh my God" e voltou para a cama mas eu ouvi que ele estava sofrendo. Ai eu fui, coloquei a cabeça e perguntei " E ai cara está tudo bem?" e ele só me respondeu: "Claro que não está tudo bem. Eu estou me sentindo como um Tiranossauro Rex". As mãos dele estavam grudadas no peito, ele não conseguia esticar os braços e nem respirar. Começou a gritar pedindo ajuda.
Eu pulei da cama e fui até a recepção. Encontrei o Henrique no meio do caminho, só gesticulei algumas coisas, e ele foi buscar uma água enquanto eu e o recepcionista (um cara muito lesado) tentávamos acalmar o Kevin que não parava de gritar que não era mais um humano.
Chegaram algumas meninas de uma clínica com um balão de oxigênio que ajudou o Kevin a respirar melhor. Enquanto isso, o recepcionista nos falou que não existe hospital em Cusco (achei essa informação bem estranha maaas não dúvido) apenas clínicas particulares. Sorte que ele tinha seguro de saúde.
Não vi mais o Kevin mas o amigo dele (que tinha tatuado o próprio rosto na bunda no dia anterior) disse que ele tinha falta de potássio no sangue. E que tinha voltado a ser humano.
No dia seguinte, eu e meu irmão partimos rumo a famosa Águas Calientes.
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