Iria ficar 7 dias de folga e comecei a planejar um trekking aqui em minha cidade.
Uruaçu é uma cidade na região norte de Goiás cercada de serras num raio aproximado de 30 quilômetros. Apesar de não serem de altitude elevada, média de 1000m, são praticamente cobertas por campos rupestres e cerrado de altitude, vegetação rasteira, sendo propícia para prática de trekking. Há uns meses atrás, ao subir em um dos maiores picos aqui da Serra Dourada, chamado Pico do Riachão, observei que tinha uma cadeia de montanhas, que depois me falaram ser a Serra da Baronesa, que ligava este pico a outros picos altos, os quais tinha pretensão de subir, no sentido nordeste. Mesmo com um relevo convidativo, o trekking não é um esporte muito praticado nessa região, portanto, não há trilhas demarcadas, muito menos mapeamentos de nossas “montanhas”. Pra “abrir” uma nova trilha, o jeito foi analisar no visual e recorrer ao senhor Google Earth para ter uma noção de todos os pontos não visíveis do alto do Pico do Riachão e, para marcar uma rota que cruzasse pela crista da serra.
Estudos realizados, arrumei a mochila e coloquei as botas na terra para iniciar a travessia.
A travessia liga o povoado do Cruzeiro, localizado no município de Uruaçu a 14 quilômetros sentido norte, à Comunidade do Riachão, comunidade religiosa localizada à 20 quilômetros de Uruaçu, sentido oeste.
Como é uma travessia pela crista da serra, as principais dificuldades são a falta de água e os aclives e declives acentuados entre um pico e outro.
Iniciei a trilha às margens da BR 153, ao lado de uma bonita lagoa, após ser deixado lá por meu irmão, e depois de 30 minutos de caminhada cheguei ao pé do primeiro morro, de grande inclinação. Logo no início da subida, vi duas siriemas que voaram e saíram correndo bem ao meu lado, quando olhei bem, vi que tinham um ninho. Pra não incomodar, nem cheguei perto.
Em 2 quilômetros subi cerca de 400, 500 metros verticais, seguindo uma cerca de arame. O céu estava um pouco nublado, tinha um vento agradável, mas o sol e o calor castigavam. Depois de 1 hora e 15 minutos alcancei o primeiro pico, foi um alívio, pois carregar 15kg num sol de mais de 35 graus é bravo. Mais 15 minutos e o segundo pico, um pouco mais inclinado que o primeiro. Nessa subida fui acompanhado por 3 urubus que plainavam bem próximos a mim. A descida foi bem puxada. Após 30 minutos caminhando sem grandes desníveis, e acompanhando a cerca, virei a esquerda e segui no campo praticamente intocado, não havia nem sinal de gado. Alguns metros adiante, uma nova subida, menos inclinada, mas bem mais longa que as anteriores. Ao chegar ao alto do morro, um longo trecho plano e quando cheguei ao final, uma surpresa guardada pelo Google Earth. Não havia um colo como nos outros picos, a descida tinha uma inclinação incrível, uma pirambeira do caralho, que pra descer, boa parte teve que ser sentado. Foi o trecho mais complicado da travessia, com muita pedra solta e pra piorar um pouquinho, pisei numa pedra que rolou e acabei caindo e batendo a canela direita em outra pedra. Como resultado um rasgo na calça e um corte na canela.
A queda serviu pra me concentrar mais ainda e ter muita atenção na descida. Com quase 2/3 da descida concluída, tinha uma parte plana com uma grande pedra e tive uma ótima descoberta, uma nascente. O primeiro ponto de água em 3 horas de trilha. Parei pra reabastecer minhas garrafas e aproveitei pra almoçar e descansar um pouco. Estava bem tranqüilo, mas tive que correr pra aproveitar uma nuvem que cobriu o sol pra andar à sombra e com temperatura um pouco menor. Ao final da descida olha uma subida enorme novamente. Dessa vez, ao alcançar o cume pude ver de maneira mais clara o destino do primeiro dia, o Pico do Riachão. Tinha um grande vale, um geralzão, e mais alguns morros me separando do local da pernoite.
A descida foi bem puxada e no final mais uma nascente. Aproveitei pra me refrescar com um “banho de garrafa” e abastecê-las. Quando pisei nos gerais, estava uma área tão úmida, devido às chuvas intensas que tem caído por aqui, que a cada passo o pé afundava na lama, parecia uma vereda. Imaginei que embaixo dos gerais, devido às várias nascentes, deveria correr um riacho e, motivado pelo cansaço das 5 horas de caminhada e pelo calor intenso resolvi mudar os planos e montar a barraca ali mesmo, na esperança de tomar um bom banho no “suposto” riacho, afinal a programação era pernoitar no Pico do Riachão e tomar banho de lenço umidecido. Procurei um lugar mais seco e armei a barraquinha.
Depois de deixar tudo pronto resolvi descer até o final dos gerais pra ver se a “suspeita” do riacho seria verdadeira. Andei uns 200 metros e ouvi um barulho que me soou como música, era barulho de queda d’água. Desci mais um pouco e encontrei o riacho, tinha uma pequena queda d’água e uns 10m abaixo um poço onde dava pra tomar banho. Não pensei duas vezes, tirei toda a roupa e tomei um banho da maneira como vim ao mundo. Fiquei por lá uns 40 minutos e depois, fui explorar um pouco mais o riacho. Alguns metros abaixo ele descortinava numa série de pequenas quedas d’águas e pequenos poços. Voltei à minha “piscina” e me refresquei um pouco mais. Não fosse o risco de chuva e a possibilidade de tromba d’água, pois toda a chuva é canalizada para aquele vale, teria mudado a barraca de lugar e colocado ao lado da água.
Voltei à barraca, comi e fui descansar. Como estava fazendo muito calor, deixei a barraca sem o sobreteto, coloquei ao lado, de um jeito que em caso de chuva ou frio, ficava fácil de colocar. Não deu outra, acordei por volta de 23:00 horas com um pequeno chuvisco, estiquei o sobreteto e dormi a noite toda. O dia amanheceu com um pouco de chuva e meu corpo com algumas dores musculares. Esperei diminuir a chuva, levantei acampamento, passei no riacho para comer e recarregar as garrafas e pernas pra que te quero. Após 30 minutos cheguei num córrego que tava muito cheio, tive que arrancar a roupa e atravessar completamente nu, pois a água chegava à minha cintura. Mais duas horas e alcancei o Pico do Riachão. Devido à chuva e às nuvens, a visibilidade estava muito comprometida, mas a temperatura estava ótima pra caminhar.
Dali foi só descida até a pequena comunidade. Depois de descansar e comer o resto da comida pra diminuir o peso, parti com pressa, afinal ainda faltavam quase 20 km de estrada de terra até minha casa.
Iria ficar 7 dias de folga e comecei a planejar um trekking aqui em minha cidade.
Uruaçu é uma cidade na região norte de Goiás cercada de serras num raio aproximado de 30 quilômetros. Apesar de não serem de altitude elevada, média de 1000m, são praticamente cobertas por campos rupestres e cerrado de altitude, vegetação rasteira, sendo propícia para prática de trekking. Há uns meses atrás, ao subir em um dos maiores picos aqui da Serra Dourada, chamado Pico do Riachão, observei que tinha uma cadeia de montanhas, que depois me falaram ser a Serra da Baronesa, que ligava este pico a outros picos altos, os quais tinha pretensão de subir, no sentido nordeste. Mesmo com um relevo convidativo, o trekking não é um esporte muito praticado nessa região, portanto, não há trilhas demarcadas, muito menos mapeamentos de nossas “montanhas”. Pra “abrir” uma nova trilha, o jeito foi analisar no visual e recorrer ao senhor Google Earth para ter uma noção de todos os pontos não visíveis do alto do Pico do Riachão e, para marcar uma rota que cruzasse pela crista da serra.
Estudos realizados, arrumei a mochila e coloquei as botas na terra para iniciar a travessia.
A travessia liga o povoado do Cruzeiro, localizado no município de Uruaçu a 14 quilômetros sentido norte, à Comunidade do Riachão, comunidade religiosa localizada à 20 quilômetros de Uruaçu, sentido oeste.
Como é uma travessia pela crista da serra, as principais dificuldades são a falta de água e os aclives e declives acentuados entre um pico e outro.
Iniciei a trilha às margens da BR 153, ao lado de uma bonita lagoa, após ser deixado lá por meu irmão, e depois de 30 minutos de caminhada cheguei ao pé do primeiro morro, de grande inclinação. Logo no início da subida, vi duas siriemas que voaram e saíram correndo bem ao meu lado, quando olhei bem, vi que tinham um ninho. Pra não incomodar, nem cheguei perto.
Em 2 quilômetros subi cerca de 400, 500 metros verticais, seguindo uma cerca de arame. O céu estava um pouco nublado, tinha um vento agradável, mas o sol e o calor castigavam. Depois de 1 hora e 15 minutos alcancei o primeiro pico, foi um alívio, pois carregar 15kg num sol de mais de 35 graus é bravo. Mais 15 minutos e o segundo pico, um pouco mais inclinado que o primeiro. Nessa subida fui acompanhado por 3 urubus que plainavam bem próximos a mim. A descida foi bem puxada. Após 30 minutos caminhando sem grandes desníveis, e acompanhando a cerca, virei a esquerda e segui no campo praticamente intocado, não havia nem sinal de gado. Alguns metros adiante, uma nova subida, menos inclinada, mas bem mais longa que as anteriores. Ao chegar ao alto do morro, um longo trecho plano e quando cheguei ao final, uma surpresa guardada pelo Google Earth. Não havia um colo como nos outros picos, a descida tinha uma inclinação incrível, uma pirambeira do caralho, que pra descer, boa parte teve que ser sentado. Foi o trecho mais complicado da travessia, com muita pedra solta e pra piorar um pouquinho, pisei numa pedra que rolou e acabei caindo e batendo a canela direita em outra pedra. Como resultado um rasgo na calça e um corte na canela.
A queda serviu pra me concentrar mais ainda e ter muita atenção na descida. Com quase 2/3 da descida concluída, tinha uma parte plana com uma grande pedra e tive uma ótima descoberta, uma nascente. O primeiro ponto de água em 3 horas de trilha. Parei pra reabastecer minhas garrafas e aproveitei pra almoçar e descansar um pouco. Estava bem tranqüilo, mas tive que correr pra aproveitar uma nuvem que cobriu o sol pra andar à sombra e com temperatura um pouco menor. Ao final da descida olha uma subida enorme novamente. Dessa vez, ao alcançar o cume pude ver de maneira mais clara o destino do primeiro dia, o Pico do Riachão. Tinha um grande vale, um geralzão, e mais alguns morros me separando do local da pernoite.
A descida foi bem puxada e no final mais uma nascente. Aproveitei pra me refrescar com um “banho de garrafa” e abastecê-las. Quando pisei nos gerais, estava uma área tão úmida, devido às chuvas intensas que tem caído por aqui, que a cada passo o pé afundava na lama, parecia uma vereda. Imaginei que embaixo dos gerais, devido às várias nascentes, deveria correr um riacho e, motivado pelo cansaço das 5 horas de caminhada e pelo calor intenso resolvi mudar os planos e montar a barraca ali mesmo, na esperança de tomar um bom banho no “suposto” riacho, afinal a programação era pernoitar no Pico do Riachão e tomar banho de lenço umidecido. Procurei um lugar mais seco e armei a barraquinha.
Depois de deixar tudo pronto resolvi descer até o final dos gerais pra ver se a “suspeita” do riacho seria verdadeira. Andei uns 200 metros e ouvi um barulho que me soou como música, era barulho de queda d’água. Desci mais um pouco e encontrei o riacho, tinha uma pequena queda d’água e uns 10m abaixo um poço onde dava pra tomar banho. Não pensei duas vezes, tirei toda a roupa e tomei um banho da maneira como vim ao mundo. Fiquei por lá uns 40 minutos e depois, fui explorar um pouco mais o riacho. Alguns metros abaixo ele descortinava numa série de pequenas quedas d’águas e pequenos poços. Voltei à minha “piscina” e me refresquei um pouco mais. Não fosse o risco de chuva e a possibilidade de tromba d’água, pois toda a chuva é canalizada para aquele vale, teria mudado a barraca de lugar e colocado ao lado da água.
Voltei à barraca, comi e fui descansar. Como estava fazendo muito calor, deixei a barraca sem o sobreteto, coloquei ao lado, de um jeito que em caso de chuva ou frio, ficava fácil de colocar. Não deu outra, acordei por volta de 23:00 horas com um pequeno chuvisco, estiquei o sobreteto e dormi a noite toda. O dia amanheceu com um pouco de chuva e meu corpo com algumas dores musculares. Esperei diminuir a chuva, levantei acampamento, passei no riacho para comer e recarregar as garrafas e pernas pra que te quero. Após 30 minutos cheguei num córrego que tava muito cheio, tive que arrancar a roupa e atravessar completamente nu, pois a água chegava à minha cintura. Mais duas horas e alcancei o Pico do Riachão. Devido à chuva e às nuvens, a visibilidade estava muito comprometida, mas a temperatura estava ótima pra caminhar.
Dali foi só descida até a pequena comunidade. Depois de descansar e comer o resto da comida pra diminuir o peso, parti com pressa, afinal ainda faltavam quase 20 km de estrada de terra até minha casa.
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