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T.Roz

Trilha do Ouro - de São José do Barreiro a Muambucaba. 3 dias no meio do mato

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Salve galera do Mochileiros, já usei muito o site para planejar viagens e agora resolvi contribuir um pouco postando uma descrição de uma viagem que fiz recentemente.

 

Fomos entre o natal e ano novo de 2011 fazer a trilha do ouro em um grupo de 7 pessoas. Depois da trilha uma parte do grupo seguiu para trindade para passar o Reveillon. Vou fazer uma pequena descrição da viagem para tentar ajudar os interessados a se planejar pra essa trip.

 

Antes de mais nada, é preciso ligar no Ibama para agendar o passei no parque. Cada pessoa que for fazer a trilha deve dar o nome com no mínimo 15 dias de antecedência. O telefone é (12) 3117-2143 e o site do parque é: http://www4.icmbio.gov.br/parna_bocaina/index.php?id_menu=28

 

 

Combinamos de nos encontrar no dia 26/11 a noite na cidade de São José do Barreiro – RJ pois lá é o inicio da trilha. Dormimos na pousada do Regis (12) 3117-1227. Pousadinha tranquila! Tirando uma cueca desconhecida que encontramos debaixo do travesseiro e uns iogurtes vencidos no café da manhã, ocorreu tudo bem. O custo é 35 reais por pessoa, independente de quantos quarto pegar.

 

No dia seguinte combinamos com o Eliezer que nos levasse as 9 da manha para a entrada do parque. Quem foi nos levar de fato foi o Lucas, filho do Eliezer. Levamos aproximadamente 1h30 para chegar à entrada do parque, mas atrasamos um pouco devido a um fusca que tentava subir a estrada e começou a pegar fogo no meio do caminho. Descemos pra ajudar a apagar o fogo, mas logo voltamos à subida. Este translado custou 200 reais e o telefone de contato é (012) 3117- 2123

O Lucas nos deu a dica de uma cachoeira uns 300m antes da entrada do parque, portanto descemos da caminhonete um pouco antes para conhecê-la. Atravessasse uma porteira a esquerda e depois de 10 minutos chegamos a cachoeira. É apenas uma prévia do que está por vir. Seguindo uma trilha depois da cachoeira passamos por uma parede em ruinas e uns 10 minutos depois voltamos pra estrada alguns metro a frente de onde atravessamos a porteira.

 

Chegamos ao parque e após uma certa burocracia começamos a trilha. Fomos seguindo um mapa conseguido no dia anterior na cidade. O mapa é bastante detalhado mas estava um pouco desatualizado. No último dia tivemos que sair da área de abrangência do mapa pois uma ponte que aparecia no desenho tinha desabado há algum tempo (segundo os moradores). A trilha é bem mal sinalizada, portanto sempre que tiver a oportunidade vale perguntar o caminho pros moradores para se certificar.

 

A trilha é maravilhosa! Mata atlântica exuberante e nos poucos momentos sem chuva que tivemos pudemos ver uma paisagem sensacional que se estendia até o horizonte. Não vou entrar em maiores detalhes sobre a trilha, pois, isto cada um tem a sua impressão na hora. Pretendo aqui apenas dar umas dicas da logística que fizemos.

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O primeiro dia é bem pesado, cerca de 18km e com bastante subida. Tínhamos resolvido acampar na fazenda Barreirinha, porém ao chegar lá, optamos por dormir nos quartos que eles oferecem e jantar uma ótima comida de fogão a lenha. A noite no camping na barreirinha é 5 reais, a noite no quarto é 35, a janta 15, e o café da manhã 5. O pacote quarto + janta + café da manhã saiu 60 reais por pessoa. É, a matemática não fecha mesmo, mas quando indagamos ao Tião (dono do lugar) sobre isso ele disse que era assim mesmo. Achamos melhor deixar desse jeito mesmo e não discutir com o cara.

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No segundo dia a caminhada é relativamente tranquila, portanto começamos a andar por volta das 10h. São cerca de 12 km com mais descida que subida e chegamos no local de acampamento umas 1h30. Resolvemos acampar logo depois de atravessar uma pinguela sobre o Rio dos Veados (que desemboca no Muambucaba), bem perto da cachoeira. Existe uma clareira com algumas marcas de fogueira no chão, então deduzimos que aquela era a área de camping indicada no mapa. Armamos a barraca e fomos direto para a cachoeira. Está cachoeira é sem dúvida um dos pontos altos da trilha, muito grande, passa ótimas energias e, apesar da água super gelada, cada minuto nadando nela vale a pena.

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Todos disseram que o último dia que é o mais pesado, portanto acordamos às 6 e começamos a caminhar às 7. Todos os dias caminhamos de bermuda, porém, seguindo recomendações do povo da cidade, fomos de calça no último dia e isso foi essencial. Neste dia quase toda a trilha é por uma mata bem fechada. Logo no começo da caminhada tivemos que atravessar a pinguela sobre o Rio dos Veados novamente, pois o ponto para atravessar o rio Muambucaba ficava um pouco pra trás (no mapa existia uma travessia mais a frente, porém os moradores falaram que aquela ponte havia caído). Atravessamos o Rio Muambucaba em uma espécie de gaiola que vai dar na fazenda de um pessoal.

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No outro lado do rio seguimos para a direita por uns 30 min até chegar em uma encruzilhada. O caminho certo é para a esquerda, porém só percebemos isso uma hora mais tarde quando a trilha pela direita acabou no meio do mato. Seguindo pela esquerda encontra-se o caminho de pedra feito pelos escravos e isso indica que se está seguindo pelo caminho certo. Cuidado, as pedras escorregam muito!

 

Anda-se muito por esse caminho, sempre no meio de uma mata exuberante e quando a vegetação dá uma trégua é possível ver a paisagem incrível. Depois de muito descer, chegamos em uma ponte toda quebrada, então tivemos que atravessar o rio por dentro mesmo. Para atravessar o rio por dentro é preciso muito cuidado e paciência, quase perdemos um companheiro que foi levado por alguns metros pela correnteza até conseguir se segurar novamente hehe. Esse Rio desagua no Muambucaba alguns metros a frente da travessia, e, se por azar você acabar caindo no Muambucaba, ai a coisa fica feia, pois ele é muito volumoso e caudaloso. Portanto, cuidado nesta hora (não conseguimos tirar foto dessa travessia).

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Nesse ponto já se está bem próximo do final da trilha. Mais uma horinha de caminhada e se chega na famosa ponte do arame, lugar considerado como sendo o fim da trilha (no mapa o fim da trilha é na própria cidade de Muambucaba).

Da ponte do arame até a cidade são mais uns 14km, porém não estávamos em condições de andar tudo isso. Mais ou menos 1 km depois da ponte tem a casa do João Felix. Lá conseguimos alugar um fusca para nos levar até a cidade. 80 reais, puta facada, mas no estado que estávamos foi um achado. Eu havia lido em outros fóruns o pessoal falando de marcar com algum motorista para ir buscar já na ponte de arame pois lá já chega carro, mas não conseguimos encontrar ninguém que fizesse isso.

20120325215541.JPG

 

Bom, a ideia era seguir já no mesmo dia para Trindade, mas ninguém estava em condições, dessa forma começamos a procurar um hotel em Muambucaba para passar a noite. Foi extremamente difícil conseguir algo, mas por fim achamos um lugar que se chamava Pousada Familiar. Lugar bem simples e barato, exatamente o que estávamos precisando. Além do mais a pousada fica perto do ponto de ônibus para ir a Parati.

 

Sentimento geral sobre a trilha.

Sensacional, chegar ao final realmente dá uma sensação de vitória, pois, em alguns momento começamos realmente a pensar em soluções alternativas pra terminar a trilha.

 

A natureza e as paisagens são exuberantes, só ao vivo pra sentir a energia

 

Achamos a trilha bem pesada, ainda mais que estávamos pouco preparados fisicamente e levamos mochilas muito pesadas. Para fazer novamente seria essencial um pouquinho mais de preparo físico.

De comida levamos atum, pão sírio, barras de cereal, polenguinhos, damasco, castanha de caju, um pacote de comida liofilizada etc. Porém percebemos que tínhamos levado muita comida quando a mochila começou a pesar. Se fosse fazer a trilha hoje levaria um pouco menos de coisa pra comer.

 

Água levamos um pouco, mas íamos reabastecendo os cantis em córregos ao longo da trilha. Algumas vezes usávamos aquelas pílulas de purificar água, mas na maior parte das vezes tomávamos direto do córrego. Ninguém teve problema com isso, então acho que a água era de fato bem limpa.

 

No começo eu estava meio ressabiado de pisar em cheio na lama, porém no final já estava atravessando o rio de bota e tudo pois existem MUITAS situações em que era simplesmente impossível manter o pé seco.

Pegamos chuva muito forte por grande parte do tempo, mas com sol deve ser um lugar absurdamente bonito.

 

Bom, resumindo, foi sensacional, ficamos destruídos mas com gostinho de quero mais. Já estamos planejando onde será nosso próximo perrengue, pois o sentimento no fim da trilha é algo surreal.

 

No fim acho que meu post ficou meio grande, mas tentei colocar algumas infos que, pensando agora, eu acredito que ME ajudariam se eu já soubesse antes...

 

Bom, pra finalizar o post, gostaria de saber dicas do pessoal sobre outros lugares que se pode fazer trilhas desse tipo. É a primeira vez que faço uma caminhada meio “selvagem”, e achei simplesmente fantástico, por isso estou buscando outras opções de trilhas neste estilo. Quem souber por favor compartilhem.

 

Eh isso ai,

 

Gnd abrs e boas trilhas 8 )

 

ps: Qualquer dúvida podem perguntar que tentarei responder aqui...

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Muito bom o relato, parabéns!

 

E alguém tem algum contato de motorista que faça o resgate ao final da Trilha do Ouro, em Mambucaba para nos levar até o Terminal Rodoviário de Paraty, por favor?

Obrigada :wink:

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    • Por TARLEY PERSAN
      Organizei essa travessia um mês antes de pegar a estrada definitiva que me conduzia para mais uma aventura. Como normalmente sou um viajante solitário, nada me prendia, como o tempo, clima, calendário em fim nada mesmo, só eu e minha mochila.Sabia que ia ser uma travessia árdua e cansativa, porem minha curiosidade pelo desconhecido foi maior que meu medo.
      Bem, minha longa caminhada começou em uma cidadezinha pitoresca e histórica chamada São José do Barreiro. Cheguei bem tarde, ás 8:00 da noite, pois fiquei esperando o ônibus em Guaratinguetá por longas horas na rodoviária.
      Chegando em São José do Barreiro, logo fui procurar uma pousada para descanar. Fiquei no da dona Maria, por um preço camarada, tomei um longo banho e sai para comer algo e explorar a cidade a noite. Somente três bares estavam abertos beirando a praça central e que também eram o ponto de encontro do pessoal. Percebi que todos se conheciam, e que eu era o forasteiro na cidade. Sentei, pedi uma cerveja e alguns petiscos para comer e lá fiquei por algumas horas observando aquelas pessoas e do que elas falavam. Paguei a conta e sai para andar um pouco pela cidade, lógico acompanhado sempre pela minha inseparável câmera. Passei pela praça, onde haviam várias pessoas por lá, algumas fantasiadas de festa junina e outras com roupas pesadas de inverno e eu de bermudão e camiseta perambulando pela praça. Eu acho que era o único turista daquele dia. Sobe ladeira e desce ladeira dei de cara com o histórico cemitério dos escravos em uma ruela sem saída. Dei uma volta ao redor do muro e  encontrei uma passagem perfeita para explorar aquele lugar ás 11:30 da noite. Pulei o muro e dei de cara com um túmulo meio aberto, onde quase caí dentro dele. Bem tirando o susto, adentrei no cemitério para fazer uma matéria. Com uma lanterna na mão e a câmera em outra comecei minha excursão por lá.  E um verdadeiro cenário de terror.Voltei para a pousada umas 2:00 h da manhã, sendo que pretendia sair bem cedo, mas só pretendia, pois acordei ás 10:00 h.Pulei da cama, reorganizei minha mochila e deixei a pousada ás pressas. Tomei um rápido café em um bar e parti para a empreitada. A minha intenção logo de início era subir a serra á pé, que até o parque são 27 km de subida, e muita subida.
      No começo é tudo flores, mas depois de duas horas em uma subida que não tem fim, seu corpo começa a reclamar e cada placa de quilometragem te avisa o quanto ainda tem que andar. A música fazia me esquecer um pouco do cansaço e a beleza da serra me extasiava de prazer e felicidade e uma paz que invade a alma. Em cada curva um cenário diferente. Já eram 4:00 h da tarde, precisava parar, escançar, na verdade repousar. Meu corpo já estava esgotado e no Km 6 estava louco procurando um lugar para montar acampamento, o que era difícil. Em uma região onde havia morro e algumas fazendas cercadas, eu tinha que procurar muito.Quando estava descendo a estrada, bem do alto, pude visualizar a região e encontrar um possível lugar para acampar, foi quando eu vi uma área plana em cima de um barranco. Mas ainda tinha que chegar lá e trinta minutos depois me deparei com esse barranco, que tinha uns dois metros de altura e ficava bem em uma curva. Soltei a mochila e circulei o barranco para encontrar alguma parte mais baixa. Nada feito, mas tinha uma árvore em cima e algumas raízes que me ajudaram a subir. Amarrei uma corda na mochila e lá de cima puxei, já quase sem forças. Quando eu olhei para esse plano, percebi que na verdade era um pasto, um imenso pasto. Não tinha gado, mas sua marca estava em quase todo lugar. Procurei um lugar mais limpo e realmente consegui montar a barraca e cair dentro, onde dormi até ás 10:00, com um frio de congelar e com uma chuva fina que não dava trégua. Fiz a minha janta e tomei um copo de vinho tinto e voltei a dormir até ás duas da manhã, quando um mugido alto veio me acordar. Eu pensei: isso são horas de vacas pastarem e eu lá bem no meio do quintal delas. Levantei, peguei minha lanterna e sai para fora da barraca para ver onde elas estavam. Nada vi, e o som abafado não parava nunca e nada de vacas, bois e nem bezerros.Entrei na barraca e consegui dormir. Ás 6:00 h levantei no meio da forte neblina e um frio cortante, comecei desmontar acampamento para prosseguir e quando estava tudo pronto dei uma última olhada no lugar e descobri de onde estava vindo aquele som de vacas.Em uma fazendinha bem distante onde eu estava, lá estavam elas, berrando feito doidas.Serra da Bocaina
      Quando cheguei no Km 7 encontrei minha companheira de trilha, parece que ela estava lá me esperando. Parei para descansar, abri um pacote de bolacha e ela acanhada me olhando devorar aqueles biscoitos. Ofereci alguns para ela, que não fez cerimônia alguma, até que finalmente terminamos aquele pacote, mas eu precisava prosseguir minha jornada. Peguei minha mochila e segui.Essa cadela me acompanhou até o Km 25
      Não estava nem na metade do caminho e já estava precisando descansar mais uma vez. Quando o trajeto é longo e em subida ingrime, sua velocidade é lenta, e com uma mochila pesada, se torna mais árduo e cansativo. Tive que fazer mais um pernoite na estrada. Desta vez peguei um terreno acidentado, mas era o que tinha e lá montei mais uma vez a barraca e dormi no Km 18. Ao amanhecer me senti mais disposto, eu já estava bem no alto da serra, mas tinha mais subida pela frente, até o Km 25, depois é suave até a entrada do parque.
      A subida continua, e a vontade de chegar lá, aumentava em cada passo. Cada quilômetro percorrido já era uma vitória, uma conquista. Mas o prazer de estar lá, lá em cima era imenso. Todo meu esforço foi compensado. Porque fazer o trajeto do modo mais fácil, alugar um carro e subir aquela imensa serra, deixando tudo passar pelo retrovisor ou apenas sentir o vento frio entrando pela janela, se pode sentir isso e muito mais subindo em companhia dela, da natureza. E assim fui eu caminhando no meio do nada, ou melhor de tudo, tudo que é belo e magnífico, que com certeza jamais esquecerei, e lógico, voltarei a passar pelo mesmo caminho, onde que do cansaço e exaustão extraiu minha perseverança e coragem de prosseguir o meu caminho no parque, que irei atravessar.    
       27 Km a menos. Agora eu prossigo o caminho do ouro até o final da trilha. Será o próximo relato de um caminhante solitário.  
       
       
       
       
    • Por Alan
      Ola pessoal.
       
       
      Fiz essas 2 travessias: da Serra da Bocaina (Trilha do Ouro) e Ponta da Joatinga/Paraty, uma seguida da outra, no dia 04/07/2003 terminando no dia 11/07.
       
      A Travessia da Serra da Bocaina é muito conhecida pelo nome de Trilha do Ouro e se inicia em São José do Barreiro/SP e termina no bairro de Mambucaba em Angra dos Reis/RJ. Normalmente se faz essa travessia em 3 dias, mas como eu tinha intenção de conhecer o Pico do Tira Chapeú, resolvi emendar uma caminhada na outra.
      Fiz primeiramente a caminhada até o topo do Pico do Tira Chapéu e depois segui para a travessia do PN da Serra da Bocaina.
       
      Fotos e croquis da Travessia da Serra da Bocaina:

       
      Fotos e um croqui com a trilha plotada da Travessia da Ponta da Joatinga:

       
       
      Minha pretensão inicialmente era somente fazer a travessia da Serra da Bocaina (Trilha do Ouro), mas como o Pico do Tira Chapéu ficava próximo da portaria do PN, resolvi emendar uma caminhada com a outra.
      Seriam 4 dias de caminhada exaustiva, mas as belas paisagens da Bocaina compensariam o esforço.
      Peguei algumas dicas na net sobre a Trilha do Ouro, mas não me preocupei muito porque todas falavam que essa travessia é bem tranquila e sem receio de se perder.
      Enviei a solicitação de autorização (obrigatória) ao PN para iniciar a travessia no dia 06 de Julho e depois liguei confirmando se tinham recebido. Tudo ok.
      Um problema de se chegar na cidade de S. José do Barreiro (onde se inicia essa travessia) é a escassez de ônibus. Saindo de SP somente a empresa Pássaro Marrom faz esse itinerário, mas não é todo dia que ela faz esse percurso, por isso a melhor alternativa é seguir de SP até Guaratinguetá e de lá até S. José do Barreiro.
      E com isso só fui chegar na cidade no início da tarde do dia 04 de Julho (Sexta-feira).
      Quanto a hospedagem, já tinha uma indicação da Pousada da D. Maria que fica ao lado Igreja Matriz e segui para lá. É uma pousada simples e pequena, mas perfeita para passar a noite.
       
      Depois de acomodado no quarto, saí para procurar algum transporte até o alto da Bocaina e comer alguma coisa.
      Fiquei sabendo que sempre tem algum veículo que sai ao lado da Igreja, mas são bem caros. O ideal é para um grupo de 10 pessoas, mas eu estava sozinho naquele dia.
      Há uma pessoa chamada Zé Pescocinho que é um dos mais baratos para levar até o alto da serra e recomendado por muita gente que já tinha feito essa caminhada.
      Depois de me informar com a D. Maria onde fica a casa dele, fui até lá.
      O carro que ele tem é um Fusca, mas fui informado por ele que só tinha eu para subir a serra, então ficaria muito caro.
      E com isso não me restou alternativa senão subir até o alto da serra na caminhada mesmo.
       
      Procurei acordar bem cedo no naquela manhã de Sábado (05 de Julho) e saí de S.J Barreiro por volta das 07:00 hrs na caminhada até o Pico do Tira Chapéu (2.088 mts) onde iria acampar.
      A subida da serra é longa e exaustiva.
       

      Depois de umas 3 horas de caminhada começam a aparecer as primeiras bicas de água e o visual começa a ficar legal depois de + - 4 horas, quando toda a Serra da Mantiqueira com Pico do Marins, Serra Fina e Itatiaia aparece. Dá p/ se ver todo o perfil da Mantiqueira.
       
      Todos os carros que passavam por mim nem procuravam me notar, para não dar carona, é claro. Um deles até tinha 2 montanhistas com mochilas na carroceria, confirmando que eles também iam fazer a travessia.
      Lá pelas 14:00 hrs e depois de pouco mais de 20 Km, a estrada chega ao topo da serra e depois é só descida. Mais uns 4 Km do alto da serra e passei ao lado da Fazenda Recanto da Floresta (que pertence a Agência MW Trekking) e da Pousada Conde D´Eu.
      Logo a frente tem a placa de Fazenda Sincerro e Fazenda Pinheirinho à direita e foi aqui que eu saí da estrada principal e segui na direção da Fazenda.
      Até a sede da Fazenda Pinheirinho foram pouco mais de 3 Km, onde eu peguei uns 2 litros de água, porque no topo do Pico do Tira Chapéu não tem.
      Ao passar pela sede ainda caminhei cerca de 1,5 Km pela estrada até a divisa da propriedade, marcada por uma cerca de arame e uma porteira.
      Cerca de 100 mts antes de chegar nessa porteira se inicia a trilha, à esquerda, que é uma íngreme subida em direção ao pico.
       

      Resolvi apertar o passo porque o Sol já estava se pondo e precisava chegar em algum local plano para montar a barraca, pois já tinha caminhado cerca de 10 horas ininterruptas.
       

      Nessa primeira subida parei várias, como se o corpo estivesse mandando um aviso de que era preciso parar e montar a barraca por ali mesmo. E foi o que fiz quando a trilha se nivelou e seguia rente a cerca. O pico estava bem visível ao sul e era fácil localizá-lo.
       

      Montei a barraca em um local plano, junto à cerca, a mais ou menos 1 hora do topo do Tira Chapéu (como era área de descampado, durante a noite ventou muito).
      No manhã de Domingo bem ao amanhecer deixei as coisas dentro da barraca e subi até o pico.
      Foi só seguir a cerca de arame, já que ela passa pelo topo do pico, que na verdade não chega a ser um pico.
      É um morro, onde 3 cercas de arame farpado se encontram. Segundo o IBGE sua altitude é de 2088 mts.
       

      No local existe uma Cruz e uma placa com uma oração e daqui dá para se ver toda a baía de Paraty, Pico do Frade, vales da Serra da Bocaina; em resumo, até onde a vista alcança.
      Voltei e desmontei a barraca e segui em direção a Portaria do PN. O retorno até que foi rápido e cheguei na portaria por volta das 11:00 hrs. Assinei a autorização que tinha enviado 1 semana antes e segui em direção a travessia (isso é obrigatório, pois sem essa autorização não se consegue fazer a travessia).
       

      Junto à guarita encontrei um casal de adolescentes alemães que estavam entrando no PN para fazerem a travessia e com isso seguimos juntos a maior parte do tempo.
       
      Logo depois da guarita, seguimos pela estrada e logo à frente já chegamos numa bifurcação à direita que sai da estrada e viramos aqui.
      Pouco menos de 1 hora de caminhada desde a Portaria chegamos na Cachoeira do Santo Izidro à esquerda, que possui um belo poço na base, mas nem ficamos muito tempo.
       

      Voltamos para a estrada e com a maior parte de trecho no plano, seguimos caminhando com uma ou outra subida ou descida.
      Depois de umas 2 horas de caminhada chegamos no acesso à Cachoeira das Posses, que está do lado esquerdo, mas antes de chegar nela, passamos ao lado das ruínas de uma antiga Fazenda.
       

      O lugar pode ser uma boa opção para acampar, se alguém estiver passando por aqui no final de tarde.
      Pegue água nessas cachoeiras ou em alguma nascente que você cruzar, porque depois só no Camping e Pousada Barreirinha que está bem distante.
      Depois de umas 3 horas desde a Portaria, a estrada inicia uma subida íngreme até chegarmos a uma outra bifurcação.
      Nesse local existe uma placa apontando Pousada Vale dos Veados à direita e Trilha do Ouro à esquerda.
      A partir daqui a paisagem vai se abrindo e a caminhada é feita por um pequeno trecho no plano para depois iniciar a longa descida até a Pousada/Camping Barreirinha.
      E parecia que a descida não acabava mais. Começou a anoitecer e nada de pousada para passarmos a noite. Encontramos uma placa da Pousada indicando a 3 Km (mas pareciam que eram 6 Km).
      Ela fica em um fundo de vale com a estrada passando do lado direito. Quem nos recepcionou foi o Sr. Sebastião e o lugar é perfeito para o primeiro pernoite dentro do PN, mas se você estiver passando muito cedo por aqui é possível chegar até a Pousada da D. Palmira, cerca de 1 hora à frente.
       
      Chegamos na Barreirinha já durante a noite e já fomos montar nossas barracas no gramado (no local existem alguns quartos da pousada).
      Combinamos que iriamos jantar no lugar, já que estávamos bastante cansados para preparar a comida e logo depois do delicioso jantar fomos dormir.
       

      No dia seguinte subimos o Pico do Gavião (subida ao lado da pousada, dá para fazer em uns 45 minutos) e lá do topo é possível ver o litoral e toda a região em volta. No local existe uma placa apontando altitude de 1600 metros.
       

      Depois de alguns clics, iniciamos a descida rapidamente e com as barracas desmontadas e mochilas nas costas, retomamos a caminhada por volta das 09:00 hrs.
      Depois de uns 30 minutos de estrada tem uma bifurcação que muitos se confundem e pegam o caminho errado.
      A estrada principal parece seguir para a esquerda, mas a o caminho correto é virar na bifurcação da direita.
      Dali para frente a estrada passa ao lado da Pousada da D. Palmira e de algumas sedes de fazenda.
       
      Esse trecho é desgastante demais, porque é um tal de sobe morro/desce morro, mas a estrada é bem nítida e já vai tendo ares de trilha em alguns lugares.
      Água não é problema, pois cruzamos com inúmeros riachos pelo caminho. O que chama a atenção aqui é que o calçamento de pedras construído pelos escravos a cerca de 300 anos atrás. Ele não está em todo o percurso, mas em vários trechos ele está preservado.
      Só é preciso tomar cuidado com o limo que se forma nas pedras, pois os tombos e escorregões são comuns.
      Depois de um trecho final de descida, chegamos no gramado, ao lado do Rio Mambucaba as 16:00 hrs.
      Ali me separei do casal e eles ficaram ao lado da Cachoeira do Veado em camping selvagem e eu na área de Camping da Pousada do Zé Candido e D. Vera, do outro lado do Rio Mambucaba, onde se atravessa por uma pequena gaiola de metal.
      Junto do Rio Mambucaba existe uma enorme área gramada e perfeita para quem quiser ficar em camping selvagem ao lado do rio e continuando a trilha, próxima ao Mambucaba, chegará na pinguela sobre o Ribeirão do Veado uns 10 minutos depois.
       
      Aqui uma outra bifurcação e seguindo em frente vai sair em uma outra Trilha do Ouro, mas essa conhecida como Trilha do Rio Guaripu que vai terminar em um bairro do município de Cunha.
      Se quiser chegar na Cachoeira do Veado é só seguir na trilha à direita, logo que atravessar a pinguela.
       

      A cachoeira é enorme e com 2 quedas que somam mais de 200 mts de altura e que vale o esforço para chegar até aqui.
      Depois de vários clics voltei ao camping.
      Acordei cedo na manhã de Segunda-feira (07 de Julho) e com barraca desmontada e mochila nas costas voltei para o outro lado do Rio pela gaiola de metal.
      Depois de passar o enorme descampado atravessei novamente o Rio Mambucaba na pinguela, seguindo agora pelo lado esquerdo dele por encosta bem inclinada.
      Preste atenção porque desse trecho se tem um belo visual da Cachoeira do Veado e daqui para frente é trilha em mata fechada e só descida por umas 4 horas até o final dela.
      Nesse trecho da travessia o calçamento de pedras é bem visível e está presente em boa parte dela, por isso cuidado com os tombos.
       
      Quando chegar no final da trilha, na estrada de terra tente conseguir um transporte até o bairro do Perequê, porque é um longo trecho de uns 13 Km até a Rodovia, passando ainda por uns 2 rios pelo caminho.
      Eu não consegui nenhuma carona, então tive que ir na caminhada mesmo e fui chegar no ponto de ônibus em Perequê por volta das 14:30 hrs e ônibus para Paraty só as 15:40 hrs, onde cheguei por volta das 17:00 hrs e como pretendia fazer a travessia da Ponta da Joatinga no dia seguinte, já fui atrás de uma pousada próxima do centro histórico (Pousada Marendaz) para tomar um banho e sair para comer alguma coisa.
      A localização da Pousada é perfeita e seus preços são relativamente bons e como era uma Segunda-feira (07 de Julho) nem fui com reserva, pois sabia que a cidade estava vazia.
      Depois de uma noite tranquila levantei bem cedo no dia seguinte (Terça-feira), tomei o café da manhã na pousada e sai em direção ao cais de Paraty para procurar algum barco em direção a Praia do Pouso por volta das 09:00 hrs.
      Sempre é possível encontrar algum pequeno saindo do cais ou retornando para a Praia do Pouso e eu consegui um, que dividi com mais 4 adolescentes surfistas que estavam indo para a Praia Martim de Sá.
       

      Como o barco era pequeno, ele demorou um pouco mais e só fomos chegar lá por volta das 14:00 hrs.
       

      Depois de chegar na areia da praia com a ajuda de uma pequena canoa, agora era procurar a trilha que nos levasse morro acima até o selado e de lá descer para a Praia Martim de Sá.
      A trilha se inicia logo atrás do orelhão, seguindo para esquerda e se tiver dúvidas é só perguntar para os moradores que qualquer um pode indicar. A subida é íngreme e exaustiva e depois de chegar no selado e passar pela bifurcação para a Praia da Sumaca (ou Praia da Joatinga) iniciamos a descida até Martim de Sá, onde chegamos por volta das 16:00 hs.
       

      O único morador aqui é Sr Maneco e sua família, que recentemente ganhou a posse definitiva do lugar.
      Ele disponibiliza uma área de camping com banheiros e uma pequena cozinha com pias.
      A praia é muito bonita, ondas fortes e boa para surf.
      Depois de uma noite tranquila no camping, acordei bem de manhãzinha naquela Quarta-feira (09 de Julho) e fui acertar com o Sr. Maneco o valor do camping e saí em direção à Praia de Ponta Negra, meu objetivo naquele dia.
      A trilha sai bem ao lado da casa, na direção oeste. Na dúvida é só perguntar ao Seu Maneco que vai te dar algumas orientações bem úteis, mas a trilha é bem nítida e fácil.
       
      Existe uma bifurcação para um Poção e para o Pico do Cairuçú à direita, depois de uns 30 minutos, mas é uma trilha usada somente para quem vai até o Poço.
      O Saco das Anchovas vai aparecer logo à frente com várias casas de pescadores ao lado do costão.
       

      Aqui é possível seguir pela trilha bem acima das casas ou descer e passar ao lado delas.
       

      Mais alguns minutos à frente e outra bifurcação, sendo que esta leva até a Praia do Cairuçú, onde existe uma casa e uma nascente ao lado. É uma praia muito pequena e quase deserta e ótima opção para passar algumas horas descansando.
      Seguindo pela trilha principal, mais a frente passei ao lado da casa do Sr. Aplígio à esquerda e uns 50 mts depois tem um riacho onde encontrei algumas mulheres lavando roupas.
       
      Depois desse riacho tem ainda uma outra casa à direita e logo a trilha se divide em 2: uma que segue para esquerda, próxima ao costão, mas a trilha certa é a da direita.
      Mais alguns minutos de caminhada e chego novamente em uma bifurcação em "T", onde é só seguir para esquerda e daqui para frente é plano até iniciar a longa subida, com alguns trechos bem íngremes cruzando inúmeros riachos (junto a bifurcação existia uma placa fixada em uma árvore indicando PONTA NEGRA para esquerda, mas parece que recentemente retiraram ela).
      Esse é o pior trecho, já que a subida parece nunca terminar. A caminhada é muito cansativa por dentro da mata fechada e no meu altímetro o topo chegou a + - 560 mts.
      Pouco minutos antes de chegar lá existe uma Gruta chamada Toca da Onça que pode ser uma boa opção em uma emergência.
      Depois de um pequeno trecho no plano, agora é descida muito íngreme, onde é recomendável ir se segurando nas raízes e galhos senão é tombo na certa.
       

      Cheguei na Praia de Ponta Negra as 16:00 hrs com uma pequena chuva.
       

      Aqui existem 3 campings e escolhi o quintal da casa da D. Dilma, junto da escada de acesso à praia. O lugar era bom porque tinha a proteção de um bambuzal bem ao lado e a praia estava bem próxima.
      Depois de montada a barraca, desci até praia e encontrei inúmeras crianças que jogavam futebol na areia.
       
      Entrar na água era um pouco perigoso porque as ondas eram fortes, devido ao tempo chuvoso. Só fiquei mesmo observando o pessoal jogando futebol.
      Depois de alguns clics voltei para a barraca e fiquei descansando até o anoitecer, quando fui preparar meu jantar.
      Durante a noite choveu para caramba e de manhãzinha ainda tinha aquela garoa e o vento frio. Fiquei na dúvida se continuava dentro da barraca ou continuava a caminhada. Ficar no camping com aquele garoa era perda de tempo.
      Não poderia ficar esperando o tempo melhorar, né.
      Continuei a travessia com garoa mesmo.
      A continuação da trilha está bem a oeste da praia e seu acesso é bem fácil.
       

      Depois de alguns minutos já fui chegar na Praia das Galhetas (muita pedra e sem areia, mas inúmeros poções em um rio que deságua na praia). Nesse trecho é preciso tomar muito cuidado porque a trilha cruza o rio pelas pedras.
      Deixando o rio para trás, a trilha vai subindo um pequeno morro para depois descer tudo.
       
      Nesse trecho se encontra com uma bifurcação junto a um pequeno riacho que leva até a Praia dos Antiguinhos, que é deserta.
      Mais alguns minutos e chego na praia mais bonita dessa travessia: a dos Antigos.
       

      O local conta com 3 nascentes e é proibido para camping.
      Existe até uma placa no local alertando sobre isso.
      Nessa praia fiquei por um bom tempo apreciando a vista (é por essas coisas que vale toda essa caminhada).
       
      Mais um trecho de subida de morro e chego na Praia do Sono, que é a última dessa travessia e a preferida de muitos mochileiros.
       


      O visual que se tem antes de descer até a praia é lindo e mereceu vários clics.
      O problema é que a chuva deixou a trilha escorregadia e com isso tive que descer bem devagar para não cair.
      Próximo da areia, encontrei muito barzinho com algumas barracas e mais para dentro existem outros inúmeros campings.
       

      Depois de chegar no final da praia, parei um certo tempo aqui e fiquei só observando a minha última praia dessa caminhada, pensando em voltar algum dia com tempo bom.
      A continuação da trilha é no final da praia, mas agora a caminhada é quase toda ela feita por uma antiga estrada de terra com um pequeno trecho inicial por trilha íngreme.
      Do Sono até o ponto de ônibus na Vila Oratório foram umas 2 horas de caminhada, onde cheguei por volta das 13:00 hrs e lá esperei o circular para Paraty.
      Ainda deu tempo de comprar a passagem de volta para Sampa naquele dia 10 (Quinta-feira) no ônibus das 16:30 hrs, onde dormi a maior parte da viagem.
       
       
      Abcs
    • Por Fernandoyc
      "O barato eh loko e o processo eh lento"
      Dois anos depois, finalmente, segue o relato da viagem...😛
      Após publicar aqui a intenção de fazer a travessia, conheci o Adriano q topou fazer a trilha comigo.
      Atenção: eh preciso enviar um e-mail para o ICMBio com no mínimo três dias de antecedência para fazer a travessia a pé.
      A propósito, o Adriano eh um cara "bem disposto", após viajar com a mulher dele pra Canela-RS desembarcou em Congonhas enquanto a esposa seguiu pra Goiânia.
      Fui me encontrar com o Adriano em Congonhas e daí começou a Trip.
      Pré-trilha dia 25/08/16 - quinta-feira
      De Congonhas seguimos para o Terminal Tietê e pegamos um bus para Guaratinguetá. (Bus direto de SP para São José do Barreiro-SJB somente um único horário aos sábados)
      Em Guaratinguetá nos hospedamos em um hotel no centro ao lado da igreja matriz, q fica bem perto da rodoviária.
      1° Dia 26/08/16 - sexta-feira
      Deixamos o hotel bem cedo para pegar o primeiro ônibus para SJB, onde fica a entrada do Parque Nacional da Serra da Bocaina.
      Partimos de Guaratinguetá às 07h00 e chegamos em SJB por volta das 09h00.
      A ideia inicial era ir andando até a entrada do parque, ou seja 26 km de subida da rodoviária de SJB até o início da trilha. NÃO FAÇAM ISSO!
      Uma luz tomou conta de nossas cabeças, mas não queríamos pagar 200 reais pra um jipe nos levar até a entrada do parque. Conversando com um jardineiro da prefeitura q trabalhava na praça, este se ofereceu para nos levar de carro por 100 reais. FEITO!!! Oh Lord!!! Durante o caminho percebemos a encrenca da qual nos livramos. Eh mta subida, sem lugar pra pegar água nem nada e o clima estava bastante seco.
      Aproximadamente duas horas de carro chegamos à portaria, na qual havia um guarda. A gente se identificou e assinamos um registro lah.

      Seguimos um croqui q peguei no relato do Raffa 😕
      Bem perto da portaria uns 500 metros à esquerda encontra-se a Cachoeira Santo Izidro, boa para tomar um banho num dia de verão, no inverno impossível colocar os pés.

      Tira foto, curte um pouco a vista e o som da cachu e segue a trilha até chegar a cachoeira da Posse fora da trilha principal.

      De volta à trilha, mto sol e pouca sombra. Detalhe q no relato do Raffa ele fala sobre um atalho, daí eu e o Adriano seguimos a trilha e em determinado momento observamos uma placa indicando o atalho, achamos estranho o caminho do atalho apenas subir, mas tudo bem há momentos de subida e descida... qdo chegamos ao final do atalho a grande surpresa! Havíamos passado a entrada do atalho na ida e acabamos voltado todo o percurso
      Volta tudo de novo e segue pro Sítio do Tião. No caminho, já quase anoitecendo, numa estradinha de terra passa uma caminhonete em sentido contrário para a qual perguntamos se já estávamos próximos do sítio do Tião, daí o motorista responde dizendo q ele era o Tião, Uffaa..., disse q ia levar um casal até a entrada do parque pois a mulher do casal estava com bolhas e não conseguiria continuar a trilha... poucos quilômetros depois chegamos ao sítio... o Tião soh voltou bem mais tarde...

      2° dia 27/08/18 - sábado
      Com certeza o melhor dia da trilha
      Logo após tomar café da manhã, subimos até o Pico do Gavião q fica do lado do Sítio

      Desmonta a barraca e trilha q segue. Esse segundo trecho da trilha eh o mais bonito, em meio à mata atlântica segue-se o caminho de "pé de moleque" feito pelos escravos para transportar o ouro de Minas até Parati. Como o tempo estava ensolarado e seco não tivemos problemas durante o percurso, mas acredito q em dias de chuva ou q tenha chovido alguns dias antes esse trecho seja BEM difícil de fazer pois as pedras devem ficar bastante escorregadias, logo eh bom ter um bastão de trilha ou um cajado nesses dias.

      Ao final da trilha de "pé de moleque" chegamos a um rio onde andando à sua margem em pouco tempo encontra-se um casebre abandonado onde deixamos nossas coisas e seguimos para a cachoeira do Veado.

      A trilha para esta cachoeira estava bem úmida apesar de não ter chovido.

      Voltamos para o casebre e montamos a barraca de camping, embora seja possível dormir no interior do casebre, onde inclusive há um fogão à lenha, no qual preparei o jantar: miojo à lenha

      3° dia 28/08/18 - domingo
      O dia mais ROOTS!
      Bem perto do casebre há uma ponte nova para atravessar o rio e seguir a trilha do outro lado à direita da saída da ponte. Eh nesse trecho q se encontram os caminho do ouro q vêm de SJB e do Cunha.
      Apesar da água gelada, tanto no rio ao lado do casebre quanto no rio Mambucada foi possível tomar banho, pois não era insuportável.
      Como não contratamos transporte do final da trilha até o Campo da Gringa fizemos esse percurso a pé, ou seja, haja "sola de sapato" e paciência pq nunca chega. Pior parte! Mas dá pra vez ou outra se refrescar no rio.
      Chegando na Gringa tem ônibus pra Parati ou pra Angra.
      O Adriano seguiu pra Parati pra voltar pra SP e depois Goiânia e eu segui pra Angra com destino a Ilha Grande, mas essa eh outra história, pois quero voltar e fazer a volta à Ilha.
      Dicas Importantes:
      1- Vá com calçados adequados, de preferência bota de trekking e meias q não absorvam umidade.
      2- Para comer levei queijo, salame, miojo, chocolate, frutas secas e pão q compramos na padaria em Guaratinguetá.
      3- Uma garrafinha de água de 500ml eh suficiente, pois há água em todo o percurso, levei um cantil de 600ml.
      4- Protetor solar, principalmente, para o 1° e 3° dias.
      5- A trilha é bem marcada, difícil de se perder.
       
       
       
    • Por tborges
      Dificuldade: Difícil - Categoria 2
      Distância: 48 km
      Altitude Máxima:1.514 m
      Circular: Não
       
      Como chegar
       
       
       
      São José do Barreiro esta localizada aos pés da Serra da Bocaina, estando a 273 km de São Paulo e 214 km do Rio de Janeiro, São José do Barreiro está ligado à Rodovia Dutra pela Estrada dos Tropeiros que, agora reformada, oferece um acesso fácil e seguro aos visitantes.
       
      Como essa não é uma trilha circular, a não ser que vá até a cidade com mais alguém no carro que possa leva-lo embora o ideal é ir de ônibus.
       
      Existe um ônibus por semana saindo de São Paulo para São José do Barreiro, o melhor lugar para pegar um ônibus para a cidade é partindo de Guarantigueta/SP que possui mais horários de ônibus, a operadora de Ônibus é a Pássaro Marrom.
       
       
       
      A estrada que vai até a entrada do parque esta sendo toda reformada, já sendo possível um carro de passeio subir quase até a portaria do parque, caso não queira arriscar com seu próprio carro existem pessoas na cidade que fazem esse trajeto, alguns contatos são:
       
       
      Elieser: (12) 3117-2123
      Reginaldo: (12) 99747-9651
      Roger: (12) 3117-2050
       
      O Elieser oferece o serviço de levar o seu carro até a cidade de Mambucaba para que você já siga viajem de lá, o Reginaldo faz o resgate no próprio carro também na cidade de Mambucaba.
       
      A logística para essa trilha não é das mais simples, vale a pena ligar para alguém da cidade antes de ir e também já combinar um resgate na saída da trilha para não ficar na mão.
       
      Planejamento
       
      É muito importante fazer um belo planejamento antes de iniciar essas travessia, isso pode reduzir o peso que vai carregar e seus joelhos e suas pernas vão agradecer no último dia.
       
      A travessia pode ser feita de 2 a 4 dias, considero 3 dias o ideal para aproveitar bem.
       
      É possível pernoitar em pousadas ou acampar em alguns lugares no próprio parque, abaixo algumas distancias para uma decisão de onde ira acampar.
       
      Portaria -- 8km --> Cachoeira das Posses -- 22km --> Cachoeira do Veado -- 18km --> Fim
      Portaria -- 18km --> Pousada Barreirinha -- 12km --> Cachoeira do Veado -- 18km --> Fim
      A Trilha
       
      A trilha é parte da história do Brasil, foi construída pelos escravos entre os séculos XVII e XIX, a partir de trilhas dos índios Guaianazes, ponto de passagem obrigatório, nos séculos XVII e XVIII, o caminho ligava Minas Gerais a Rio de Janeiro e São Paulo. No chamado "Ciclo do Ouro".
       
      Antes de tudo é preciso de uma autorização para entrar no Parque, para isso envie um e-mail para [email protected] solicitando tal autorização.
       
      Fizemos essa travessia pela primeira vez em fevereiro de 2012 e decidimos refazer ela agora com mais conhecimento, equipamentos e claro preparo físico, nessa segunda travessia acabamos pegamos uma bela chuva no segundo dia, por esse motivo mesclei as fotos da postagem com a primeira travessia afim de ilustrar melhor como é a trilha.
       
      Quem me acompanhou nessa trilha foram meu pai Mario, meu irmão Mateus e meu cunhado Luan, sendo que essa seria a primeira trilha da vida do meu irmão. Fizemos ela nos dias 15,16 e 17 de novembro.
       

       
      Nosso trajeto foi sair de Guaratinguetá no ônibus das 7h até São José do Barreiro e já havíamos combinado com o Reginaldo para nos levar até a entrada do parque, chegamos na cidade por volta das 9:30h e já começamos a subida com o Reginaldo, chegando na entrada do parque por volta das 11h.
      Durante a subida existem vários trechos que formam mirantes belíssimos, vale a pena pedir para dar uma paradinha rápida.
       

       
      Nosso planejamento era acampar o primeiro dia na cachoeira das Posses e o segundo dia na Cachoeira do Veado, dessa forma o primeiro dia é o mais tranquilo, partindo da portaria com 1,5km de caminhada se chega na Cachoeira Santo Izidro, ela fica a esquerda da trilha e é uma bela descida até chegar na base da cachoeira, dependo do preparo físico considere "esconder" as mochilas próximo da trilha e pega-las na volta.
       

       
      Voltando para a trilha, andando cerca de 1,5 km existe um atalho que reduz a trilha em 1,3 km, caso opte em não usar o atalho some essa distancia nos valores descritos acima.
      Bom considerando que você pegou o atalho, da cachoeira Santo Izidro até a cachoeira das Posses são cerca de 6,5 km em um caminho relativamente tranquilo.
      A Cachoeira das Posses fica do lado esquerdo da trilha, quando começar a ver as araucárias é porque esta bem próximo da entrada.
      Logo no começo da trilha em direção a cachoeira existe uma casa abandonada no lado direito, é um opção de acampamento fechado.
       

       
      Um pouco mais a frente existe uma boa área de camping para 4 ou 5 barracas.
       

       
      Atras dessa área existe mais uma casa abandonada, nós acampamos dentro dessa casa, na "cozinha" da casa existe espaço para 3 barracas, as paredes laterais caíram mas mesmo assim é uma boa proteção do vento e existe um fogão a lenha que pode ser utilizado para cozinhar ou apenas para fazer uma "fogueira" para esquentar a noite.
       

       
      Como dito o primeiro dia é o mais tranquilo, então caminhando bem você terá bastante tempo para curtir a Cachoeira das Posses, ao lado da casa e da área de camping existe uma trilha com uma placa indicando o caminho da cachoeira, cerca de 200 m a frente existe a primeira queda, nada muito grande, continue descendo a trilha por mais cerca de 600 m até a base da cachoeira.
       

       

       

       
      Para quem assim como nós decidiu não acampar na pousada Barreirinha, o segundo dia é o mais cansativo e longo, são 22 km até a cachoeira do Veado, sendo boa parte sem árvores e com algumas subidas pesadas se levar em consideração que estamos com peso nas costas.
       
      Acordamos cedo e demos uma última passada na primeira queda da cachoeira das Posses para "tomar banho" e saímos que a caminhada seria longa.
       

       
      Os primeiros 4 km são tranquilos, ainda estão protegidos pelas árvores e com poucas subidas e ainda com pontos de água no caminho.
       

       
      Depois disso começa o caminho por estrada de terra, sem árvores e com algumas subidas e descidas bem cansativas, caminhando em torno de 6 km encontrasse a Pousada Barreirinha, é um bom lugar para trocar a água e até mesmo para comer ou beber alguma coisa, de qualquer forma, corte caminho pela pousada que vai desviar de uma bela subida ingrime e curta.
       

       
      Saindo da pousada ainda faltam 12 km até a cachoeira do Veado, cerca de 8 km do percurso continua sem árvores e em estrada da terra, nesse percurso 2 km depois de passar por um pasto com uma pousada ao lado tem uma subida bem pesada, é praticamente o último trecho em estrada de terra, ou pelo menos estrada que aparenta ter condições de passagem de carro.
      Após essa subida já começa um pouco mais de vegetação com alguns pontos de bastante árvores e já alguns trechos com o calçamento real, desse trecho até a cachoeira do Veado faltam pouco mais de 5 km, quase chegando na fazenda central existe um rio com um pinguela para atravessar, considere um bom ponto para trocar de água novamente caso necessário.
       

       
      Desse ponto para frente falta pouco até a cachoeira, na primeira vez que fizemos a trilha acabamos chegando tarde nesse ponto e decidimos acampar ao lado da fazenda central por já estar escurecendo e existe uma boa área de camping ao lado de um lago.
       

       
      Passando a fazenda central falta bem pouco, porém, começam algumas descidas e o terreno é bem ruim, ainda mais se estiver chovendo(ou muito molhado), mesmo sendo um trecho relativamente curto leva uns 30 minutos para atravessar.
       

       
      Assim que terminar a descida, do lado esquerda existe uma "gaiola" para atravessar o rio, se trata de uma caixa de metal suspensa em um cabo de aço para fazer a travessia, do outro lado do rio existe uma pousada com área para camping, essa é uma parte bem divertida da trilha.
       

       
      Continuando a trilha sem pegar a gaiola é o caminho até a cachoeira do Veado e após um pequeno pasto já começam as áreas de camping próximo da cachoeira, nós decidimos acampar logo após o pasto. O ideal é acelerar a caminhada dos 22 km desde a Cachoeira das Posses para aproveitar a Cachoeira do Veado ainda no segundo dia e no terceiro dia já pegar a trilha logo cedo.
       
      A Cachoeira do Veado é a mais bonita da travessia, com duas quedas, totalizando 80m de altura, o acesso a última queda é bem tranquilo, já para chegar a segunda queda já é mais complicado.
       

       
      O terceiro dia são 18 km até a ponte de arame onde geralmente é feito o resgate, para continuar é necessário atravessar a gaiola e passar por traz da pousada para continuar a trilha.
      Cachoeiras a parte, o terceiro dia da trilha é o mais bonito pois é quase por completo dentro da mata e com o calçamento real, existem vários trechos de subidas e descidas pelo calçamento, as pedras estão muito lisas e com chuva o caminho se torna ainda mais difícil.
       

       

       
      Durante a descida existem vários pontos com água, não precisa descer carregado de água pois é muito fácil encontrar no meio do caminho.
       

       
      Em alguns trechos as pedras do calçamento já se soltaram e em períodos de chuva viram um barro só, por isso todo cuidado na descida é pouco.
      Faltando quase 4 km para o fim da trilha é necessário atravessar o rio Mambucaba, a ponte que corta o rio esta caindo, nas duas vezes que fizemos a trilha não tivemos coragem de atravessar a ponte, mas alguns grupos assim o fizeram, como no trecho onde a trilha encontra o rio ele esta mais raso é preferível cruzar pelo rio mesmo.
       

       

       
      Atravessando o rio, falta pouco, mais 4 km e é o fim da trilha, a trilha termina em uma estrada de terra e do lado direito tem a ponte que também cruza o rio Mambucaba, ela é conhecida como ponte de arame, existem algumas casas nessa estrada próximo da ponte, se você não deixou um resgate combinado existe a possibilidade de bater em alguma casa e com sorte achar alguém que te leve até a rodovia ou ir caminhando cerca de 20 km até a Rodovia Rio x Santos.
       
      Essa é uma trilha muito bonita e ainda tem o charme de ser parte da história do Brasil, com um bom preparo físico e Fé no Pé é um belo programa.
    • Por victor.mesquita
      Primeiro Dia - de São Paulo a São José do Barreiro
       
      Saímos de São Paulo, da rodoviária do Tietê, até Guaratinguetá com o ônibus da Pássaro Marrom (passagem aproximadamente R$ 44). Tem ônibus toda hora, mas aconselhamos comprar a passagem com um pouco de antecedência porque fomos comprar em cima da hora e pegamos os últimos lugares disponíveis. Calculamos para chegar em Guaratinguetá a tempo de pegar o último ônibus Guará-São José do Barreiro (o das 18h50, se não nos enganamos). A passagem custa R$ 23.
       
      Ao chegar em SJB ficamos andando pela cidade procurando um lugar legal para acampar, aproveitamos pra tomar um caldinho verde no rancho (em frente à Igreja Matriz), custou R$ 9, é grande, tava quente e delicioso, ideal pra aquele dia frio. Como tinhamos que pegar as autorizações para entrar no parque, decidimos acampar em frente ao ICMBIO (debaixo da placa mesmo). Só pra não criar problema, conversamos com o vigilante que fica lá à noite pra ver se podia, ele achou estranho mas disse que tudo bem. Conversando com ele, descobrimos que saia uma kombi escolar todo dia às 05h-05h30 e dava pra pegar carona com ela até a entrada do parque, assim aproveitariamos pra ir na cachoeira do Santo Isidoro até que as autorizações chegassem (só pra essa primeira cachoeira não precisa de autorização, é bem pertinho).
       
      Segundo Dia - de SJB até a Cachoeira das Posses
       
      Quando acordamos, descobrimos que a kombi não ia passar porque era o primeiro dia de férias. Como a gente tava na boca da estrada, com tudo arrumado, decidimos começar subir a pé por volta das 5h30. A subida toda é bem puxada, porque a cidade de SJB fica a 530m de altitude e a entrada do parque a 1500m, ou seja, 1000m de subida em 26 km. Em 3hrs de caminhada nenhum carro passou (era bem cedo ainda), mas a vista da estrada é bem bonita. Por volta dos 13,5km a gente parou pra descansar e por muita sorte, passou um carro de uma família que estava indo pra entrada do parque pra fazer a trilha também. Chama atenção o número reduzido de pessoas que encontramos na trilha (cerca de 10 no total), apesar de julho ser "alta temporada"por causa do menor volume de chuvas.
       
      Ao chegar no parque, nossas autorizações ainda não estavam lá, mas o guarda liberou a nossa entrada porque tinhamos uma cópia do e-mail que enviamos ao ICMBIO (o envio deve ser feito com antecedência de uma semana). Na entrada do parque não há nenhum mapa passa ser levado, então aconselhamos levar um croqui (nós imprimimos em casa os do relato do Raffa (trilha-do-ouro-parque-nacional-da-bocaina-t79101.html).
      A trilha é bem aberta nesse primeiro trecho, caminhamos até a cachoeira do Santo Isidoro, parada obrigatória pra apreciar uma bela vista. Ficamos um bom tempo lá, até demos uma cochiladinha. A próxima parada foi na cachoeira das posses, até chegar lá caminhamos um tanto, uma dica importante é que existe um atalho no meio do caminho, ele é um pouco grande, mas economiza 2km segundo o Tião (já vamos falar dele).
      Um pouco antes da cachoeira existe um local para acampar no meio do mato ou dentro de uma casinha. Optamos por ficar dentro da casinha (apesar de ser um pouco macabra) por causa da umidade da cachoeira e do frio.
      Normalmente as pessoas caminham até a Fazenda da Barreirinha e acampam lá no primeiro dia de trilha, mas como estavamos cansados por causa da caminhada na estrada, ficamos na casinha perto da cachoeira das Posses mesmo.
       
      Terceiro Dia - Da cachoeira das Posses até a cachoeira do Veado
       
      Acordamos cedo, arrumamos as coisas e saimos. Até aqui a trilha é relativamente tranquila. Apesar de ser teoricamente uma descida até o mar, existem subidas e descidas no caminho todo e nesta parte especialmente, tem um trecho de subida forte. Neste caminho vimos pegadas de onça! Quanto à água, na maior parte do caminho ela é abundante, a trilha fica no máximo uns 3km sem ter uma cachoeirinha pra abastecer as garrafinhas.
      Depois de dois dias sem comida quente, paramos na fazenda da Barreirinha só pra almoçar. Quando chegamos ainda não tinha almoço pronto, mas depois de meia hora admirando os muitos beija-flores que ficam por lá, eles vieram nos chamar pra almoçar. Arroz, feijão, frango empanado e saladinha, tudo muito gostoso. Eles cobram R$ 30 o almoço, considerando que eles são os únicos na trilha que fazem almoço e que chegamos com muita fome lá, valeu a pena. O Tião nos deu um mapa mais atualizado da casa dele até o Perequê (Pq. Mambucaba). Ele diz que tem que sempre se manter à direita, mas não é bem assim, tem um trecho de pasto (pousada trilha do ouro - dona palmira) que tem que cair pra esquerda, por exemplo.
      Seguindo a trilha, que tem muitas araucárias, alguns laguinhos e vacas, começam a aparecer os primeiros trechos de calçamento de pedra da antiga trilha dos tropeiros (da onde vem o nome trilha do ouro - a descida de Ouro Preto até Angra-Paraty)
      Chegamos a uma parte bem plana, por onde passa o Rio Mambucaba, aproveitamos pra dar uma descansada e tomar um banho no rio (a água tava terrivelmente gelada, mas foi bem revigorante). Seguimos até a Cachoeira do Veado, onde chegamos no finzinho da tarde, só a tempo de tirar umas fotos. Voltamos com a lanterna até uma casinha abandonada perto do rio, num morrinho, onde dormimos.
       
      Quarto Dia - Da Cachoeira do Veado até o Perequê
       
      Esse terceiro dia da trilha é o mais difícil, sem dúvida. Começamos atravessando o rio Mambucaba sem calça pra não molhar, foi relativamente tranquilo apesar do frio. Sabiamos que dava pra atravessar por uma tal de gaiolinha de um outro Tião que mora por ali, mas ele não estava lá e a gaiolinha tava presa na pousada dele do outro lado do rio. Também em alguns relatos mais antigos aparece uma ponte, mas não conseguimos achá-la. Aqui começa o trecho de mata bem fechada com pedras cheias de limo bem escorregadias e com muita lama (mesmo sem chover há 3 dias pelo menos). Andamos, caímos, nos sujamos, vimos uma falsa-coral, caímos, nos sujamos muito e chegamos no fim da trilha! YES! Tem até um pé de amora pra comemorar, mas não tinha muita amora madura e também não tinha fim certo, não tem nenhuma demarcação. Você só percebe que é o fim da trilha porque aparece uma estrada de terra (do sertãozinho do perequê) e começam a aparecer os sítios.
      Aí começam os tais 14km até o campo da gringa (onde tem o primeiro ponto de ônibus - Bonfim, que leva até o centro de Angra). Não tem sinal de celular estável ainda, apenas alguns pontos onde a Vivo pega. Do meio pro fim do caminho, conseguimos uma carona com um dono do sítio que ficou reclamando do IBAMA e dos benefícios que o sítio do Henrique Valle tinha por ser um dos caras mais ricos de Angra e por causa das suas influencias políticas. Chegamos no campo da gringa e lá já tinhamos quem nos buscasse. FIM
       
      O que levamos:
       
      Capas de chuva pra nós e para as mochilas, lanternas, vela, isqueiro, canivete, botas (o Tião prefere galocha com duas meias bem grossas, rs).
      Alimentos: Pão sírio, nutella, polenguinho, castanha do pará e castanha de caju, sardinha, atum, cenoura, maça, barrinha de cereal (levem várias!).
       
      Considerações:
       
      Contrate alguém para subir até a entrada do parque, é caro, mas dá pra negociar e se quiser se preservar pra trilha, vale a pena. Ou então, vá de carro até a entrada do parque e quando estiver dormindo na Barreirinha (camping ou quarto), combine com o Tião para ele buscar seu carro e deixar no final, no Perequê e encontra você no caminho para devolver a chave, não lembramos quanto ele cobra, em outros relatos tem o telefone de contato dele.


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