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Fernandoyc

Travessia Trilha do Ouro - Serra da Bocaina

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"O barato eh loko e o processo eh lento"

Dois anos depois, finalmente, segue o relato da viagem...ūüėõ

Após publicar aqui a intenção de fazer a travessia, conheci o Adriano q topou fazer a trilha comigo.

Atenção: eh preciso enviar um e-mail para o ICMBio com no mínimo três dias de antecedência para fazer a travessia a pé.

A prop√≥sito, o Adriano eh um cara "bem disposto", ap√≥s viajar com a mulher dele pra Canela-RS desembarcou em Congonhas enquanto a esposa seguiu pra Goi√Ęnia.

Fui me encontrar com o Adriano em Congonhas e daí começou a Trip.

Pré-trilha dia 25/08/16 - quinta-feira

De Congonhas seguimos para o Terminal Tiet√™ e pegamos um bus para Guaratinguet√°. (Bus direto de SP para S√£o Jos√© do Barreiro-SJB somente um √ļnico hor√°rio aos s√°bados)

Em Guaratinguet√° nos hospedamos em um hotel no centro ao lado da igreja matriz, q fica bem perto da rodovi√°ria.

1¬į Dia 26/08/16 - sexta-feira

Deixamos o hotel bem cedo para pegar o primeiro √īnibus para SJB, onde fica a entrada do Parque Nacional da Serra da Bocaina.

Partimos de Guaratinguetá às 07h00 e chegamos em SJB por volta das 09h00.

A ideia inicial era ir andando até a entrada do parque, ou seja 26 km de subida da rodoviária de SJB até o início da trilha. NÃO FAÇAM ISSO!

Uma luz tomou conta de nossas cabeças, mas não queríamos pagar 200 reais pra um jipe nos levar até a entrada do parque. Conversando com um jardineiro da prefeitura q trabalhava na praça, este se ofereceu para nos levar de carro por 100 reais. FEITO!!! Oh Lord!!! Durante o caminho percebemos a encrenca da qual nos livramos. Eh mta subida, sem lugar pra pegar água nem nada e o clima estava bastante seco.

Aproximadamente duas horas de carro chegamos à portaria, na qual havia um guarda. A gente se identificou e assinamos um registro lah.

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Seguimos um croqui q peguei no relato do Raffa ūüėē

Bem perto da portaria uns 500 metros à esquerda encontra-se a Cachoeira Santo Izidro, boa para tomar um banho num dia de verão, no inverno impossível colocar os pés.

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Tira foto, curte um pouco a vista e o som da cachu e segue a trilha até chegar a cachoeira da Posse fora da trilha principal.

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De volta à trilha, mto sol e pouca sombra. Detalhe q no relato do Raffa ele fala sobre um atalho, daí eu e o Adriano seguimos a trilha e em determinado momento observamos uma placa indicando o atalho, achamos estranho o caminho do atalho apenas subir, mas tudo bem há momentos de subida e descida... qdo chegamos ao final do atalho a grande surpresa! Havíamos passado a entrada do atalho na ida e acabamos voltado todo o percurso ::putz::

Volta tudo de novo e segue pro S√≠tio do Ti√£o. No caminho, j√° quase anoitecendo, numa estradinha de terra passa uma caminhonete em sentido contr√°rio para a qual perguntamos se j√° est√°vamos pr√≥ximos do s√≠tio do Ti√£o, da√≠ o motorista responde dizendo q ele era o Ti√£o, Uffaa..., disse q ia levar um casal at√© a entrada do parque pois a mulher do casal estava com bolhas e n√£o conseguiria continuar a trilha... poucos quil√īmetros depois chegamos ao s√≠tio... o Ti√£o soh voltou bem mais tarde...

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2¬į dia 27/08/18 - s√°bado

Com certeza o melhor dia da trilha

Logo após tomar café da manhã, subimos até o Pico do Gavião q fica do lado do Sítio

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Desmonta a barraca e trilha q segue. Esse segundo trecho da trilha eh o mais bonito, em meio √† mata atl√Ęntica segue-se o caminho de "p√© de moleque" feito pelos escravos para transportar o ouro de Minas at√© Parati. Como o tempo estava ensolarado e seco n√£o tivemos problemas durante o percurso, mas acredito q em dias de chuva ou q tenha chovido alguns dias antes esse trecho seja BEM dif√≠cil de fazer pois as pedras devem ficar bastante escorregadias, logo eh bom ter um bast√£o de trilha ou um cajado nesses dias.

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Ao final da trilha de "pé de moleque" chegamos a um rio onde andando à sua margem em pouco tempo encontra-se um casebre abandonado onde deixamos nossas coisas e seguimos para a cachoeira do Veado.

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A trilha para esta cachoeira estava bem √ļmida apesar de n√£o ter chovido.

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Voltamos para o casebre e montamos a barraca de camping, embora seja possível dormir no interior do casebre, onde inclusive há um fogão à lenha, no qual preparei o jantar: miojo à lenha ::otemo::

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3¬į dia 28/08/18 - domingo

O dia mais ROOTS!

Bem perto do casebre há uma ponte nova para atravessar o rio e seguir a trilha do outro lado à direita da saída da ponte. Eh nesse trecho q se encontram os caminho do ouro q vêm de SJB e do Cunha.

Apesar da água gelada, tanto no rio ao lado do casebre quanto no rio Mambucada foi possível tomar banho, pois não era insuportável.

Como não contratamos transporte do final da trilha até o Campo da Gringa fizemos esse percurso a pé, ou seja, haja "sola de sapato" e paciência pq nunca chega. Pior parte! Mas dá pra vez ou outra se refrescar no rio.

Chegando na Gringa tem √īnibus pra Parati ou pra Angra.

O Adriano seguiu pra Parati pra voltar pra SP e depois Goi√Ęnia e eu segui pra Angra com destino a Ilha Grande, mas essa eh outra hist√≥ria, pois quero voltar e fazer a volta √† Ilha.

Dicas Importantes:

1- Vá com calçados adequados, de preferência bota de trekking e meias q não absorvam umidade.

2- Para comer levei queijo, salame, miojo, chocolate, frutas secas e p√£o q compramos na padaria em Guaratinguet√°.

3- Uma garrafinha de √°gua de 500ml eh suficiente, pois h√° √°gua em todo o percurso, levei um cantil de 600ml.

4- Protetor solar, principalmente, para o 1¬į e 3¬į dias.

5- A trilha é bem marcada, difícil de se perder.

 

 

 

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    • Por TARLEY PERSAN
      Organizei essa travessia um mês antes de pegar a estrada definitiva que me conduzia para mais uma aventura. Como normalmente sou um viajante solitário, nada me prendia, como o tempo, clima, calendário em fim nada mesmo, só eu e minha mochila.Sabia que ia ser uma travessia árdua e cansativa, porem minha curiosidade pelo desconhecido foi maior que meu medo.
      Bem, minha longa caminhada come√ßou em uma cidadezinha pitoresca e hist√≥rica chamada S√£o Jos√© do Barreiro. Cheguei bem tarde, √°s 8:00 da noite, pois fiquei esperando o √īnibus em Guaratinguet√° por longas horas na rodovi√°ria.
      Chegando em S√£o Jos√© do Barreiro, logo fui procurar uma pousada para descanar. Fiquei no da dona Maria, por um pre√ßo camarada, tomei um longo banho e sai para comer algo e explorar a cidade a noite. Somente tr√™s bares estavam abertos beirando a pra√ßa central e que tamb√©m eram o ponto de encontro do pessoal. Percebi que todos se conheciam, e que eu era o forasteiro na cidade. Sentei, pedi uma cerveja e alguns petiscos para comer e l√° fiquei por algumas horas observando aquelas pessoas e do que elas falavam. Paguei a conta e sai para andar um pouco pela cidade, l√≥gico acompanhado sempre pela minha insepar√°vel c√Ęmera. Passei pela pra√ßa, onde haviam v√°rias pessoas por l√°, algumas fantasiadas de festa junina e outras com roupas pesadas de inverno e eu de bermud√£o e camiseta perambulando pela pra√ßa. Eu acho que era o √ļnico turista daquele dia. Sobe ladeira e desce ladeira dei de cara com o hist√≥rico cemit√©rio dos escravos em uma ruela sem sa√≠da. Dei uma volta ao redor do muro e¬† encontrei uma passagem perfeita para explorar aquele lugar √°s 11:30 da noite. Pulei o muro e dei de cara com um t√ļmulo meio aberto, onde quase ca√≠ dentro dele. Bem tirando o susto, adentrei no cemit√©rio para fazer uma mat√©ria. Com uma lanterna na m√£o e a c√Ęmera em outra comecei minha excurs√£o por l√°.¬† E um verdadeiro cen√°rio de terror.Voltei para a pousada umas 2:00 h da manh√£, sendo que pretendia sair bem cedo, mas s√≥ pretendia, pois acordei √°s 10:00 h.Pulei da cama, reorganizei minha mochila e deixei a pousada √°s pressas. Tomei um r√°pido caf√© em um bar e parti para a empreitada. A minha inten√ß√£o logo de in√≠cio era subir a serra √° p√©, que at√© o parque s√£o 27 km de subida, e muita subida.
      No come√ßo √© tudo flores, mas depois de duas horas em uma subida que n√£o tem fim, seu corpo come√ßa a reclamar e cada placa de quilometragem te avisa o quanto ainda tem que andar. A m√ļsica fazia me esquecer um pouco do cansa√ßo e a beleza da serra me extasiava de prazer e felicidade e uma paz que invade a alma. Em cada curva um cen√°rio diferente. J√° eram 4:00 h da tarde, precisava parar,¬†escan√ßar, na verdade repousar. Meu corpo j√° estava esgotado e no Km 6 estava louco procurando um lugar para montar acampamento, o que era dif√≠cil. Em uma regi√£o onde havia morro e algumas fazendas cercadas, eu tinha que procurar muito.Quando estava descendo a estrada, bem do alto, pude visualizar a regi√£o e encontrar um poss√≠vel lugar para acampar, foi quando eu vi uma √°rea plana em cima de um barranco. Mas ainda tinha que chegar l√° e trinta minutos depois me deparei com esse barranco, que tinha uns dois metros de altura e ficava bem em uma curva. Soltei a mochila e circulei o barranco para encontrar alguma parte mais baixa. Nada feito, mas tinha uma √°rvore em cima e algumas ra√≠zes que me ajudaram a subir. Amarrei uma corda na mochila e l√° de cima puxei, j√° quase sem for√ßas. Quando eu olhei para esse plano, percebi que na verdade era um pasto, um imenso pasto. N√£o tinha gado, mas sua marca estava em quase todo lugar. Procurei um lugar mais limpo e realmente consegui montar a barraca e cair dentro, onde dormi at√© √°s 10:00, com um frio de congelar e com uma chuva fina que n√£o dava tr√©gua.¬†Fiz a minha janta e tomei um copo de vinho tinto e voltei a dormir at√© √°s duas da manh√£, quando um mugido alto veio me acordar. Eu pensei: isso s√£o horas de vacas pastarem e eu l√° bem no meio do quintal delas. Levantei, peguei minha lanterna e sai para fora da barraca para ver onde elas estavam. Nada vi, e o som abafado n√£o parava nunca e nada de vacas, bois e nem bezerros.Entrei na barraca e consegui dormir. √Ās 6:00 h levantei no meio da forte neblina e um frio cortante, comecei desmontar acampamento para prosseguir e quando estava tudo pronto dei uma √ļltima olhada no lugar e descobri de onde estava vindo aquele som de vacas.Em uma fazendinha bem distante onde eu estava, l√° estavam elas, berrando feito doidas.Serra da Bocaina
      Quando cheguei no Km 7 encontrei minha companheira de trilha, parece que ela estava l√° me esperando. Parei para descansar, abri um pacote de bolacha e ela acanhada me olhando devorar aqueles biscoitos. Ofereci alguns para ela, que n√£o fez cerim√īnia alguma, at√© que finalmente terminamos aquele pacote, mas eu precisava prosseguir minha jornada. Peguei minha mochila e segui.Essa cadela me acompanhou at√© o Km 25
      Não estava nem na metade do caminho e já estava precisando descansar mais uma vez. Quando o trajeto é longo e em subida ingrime, sua velocidade é lenta, e com uma mochila pesada, se torna mais árduo e cansativo. Tive que fazer mais um pernoite na estrada. Desta vez peguei um terreno acidentado, mas era o que tinha e lá montei mais uma vez a barraca e dormi no Km 18. Ao amanhecer me senti mais disposto, eu já estava bem no alto da serra, mas tinha mais subida pela frente, até o Km 25, depois é suave até a entrada do parque.
      A subida continua, e a vontade de chegar l√°, aumentava em cada passo. Cada quil√īmetro percorrido j√° era uma vit√≥ria, uma conquista. Mas o prazer de estar l√°, l√° em cima era imenso. Todo meu esfor√ßo foi compensado. Porque fazer o trajeto do modo mais f√°cil, alugar um carro e subir aquela imensa serra, deixando tudo passar pelo retrovisor ou apenas sentir o vento frio entrando pela janela, se pode sentir isso e muito mais subindo em companhia dela, da natureza. E assim fui eu caminhando no meio do nada, ou melhor de tudo, tudo que √© belo e magn√≠fico, que com certeza jamais esquecerei, e l√≥gico, voltarei a passar pelo mesmo caminho, onde que do cansa√ßo e exaust√£o extraiu minha perseveran√ßa e coragem de prosseguir o meu caminho no parque, que irei atravessar.¬†¬†¬†¬†
       27 Km a menos. Agora eu prossigo o caminho do ouro até o final da trilha. Será o próximo relato de um caminhante solitário.  
       
       
       
       
    • Por Alan
      Ola pessoal.
       
       
      Fiz essas 2 travessias: da Serra da Bocaina (Trilha do Ouro) e Ponta da Joatinga/Paraty, uma seguida da outra, no dia 04/07/2003 terminando no dia 11/07.
       
      A Travessia da Serra da Bocaina √© muito conhecida pelo nome de Trilha do Ouro e se inicia em S√£o Jos√© do Barreiro/SP e termina no bairro de Mambucaba em Angra dos Reis/RJ. Normalmente se faz essa travessia em 3 dias, mas como eu tinha inten√ß√£o de conhecer o Pico do Tira Chape√ļ, resolvi emendar uma caminhada na outra.
      Fiz primeiramente a caminhada até o topo do Pico do Tira Chapéu e depois segui para a travessia do PN da Serra da Bocaina.
       
      Fotos e croquis da Travessia da Serra da Bocaina:

       
      Fotos e um croqui com a trilha plotada da Travessia da Ponta da Joatinga:

       
       
      Minha pretensão inicialmente era somente fazer a travessia da Serra da Bocaina (Trilha do Ouro), mas como o Pico do Tira Chapéu ficava próximo da portaria do PN, resolvi emendar uma caminhada com a outra.
      Seriam 4 dias de caminhada exaustiva, mas as belas paisagens da Bocaina compensariam o esforço.
      Peguei algumas dicas na net sobre a Trilha do Ouro, mas não me preocupei muito porque todas falavam que essa travessia é bem tranquila e sem receio de se perder.
      Enviei a solicitação de autorização (obrigatória) ao PN para iniciar a travessia no dia 06 de Julho e depois liguei confirmando se tinham recebido. Tudo ok.
      Um problema de se chegar na cidade de S. Jos√© do Barreiro (onde se inicia essa travessia) √© a escassez de √īnibus. Saindo de SP somente a empresa P√°ssaro Marrom faz esse itiner√°rio, mas n√£o √© todo dia que ela faz esse percurso, por isso a melhor alternativa √© seguir de SP at√© Guaratinguet√° e de l√° at√© S. Jos√© do Barreiro.
      E com isso só fui chegar na cidade no início da tarde do dia 04 de Julho (Sexta-feira).
      Quanto a hospedagem, j√° tinha uma indica√ß√£o da Pousada da D. Maria que fica ao lado Igreja Matriz e segui para l√°. √Č uma pousada simples e pequena, mas perfeita para passar a noite.
       
      Depois de acomodado no quarto, saí para procurar algum transporte até o alto da Bocaina e comer alguma coisa.
      Fiquei sabendo que sempre tem algum veículo que sai ao lado da Igreja, mas são bem caros. O ideal é para um grupo de 10 pessoas, mas eu estava sozinho naquele dia.
      Há uma pessoa chamada Zé Pescocinho que é um dos mais baratos para levar até o alto da serra e recomendado por muita gente que já tinha feito essa caminhada.
      Depois de me informar com a D. Maria onde fica a casa dele, fui até lá.
      O carro que ele tem é um Fusca, mas fui informado por ele que só tinha eu para subir a serra, então ficaria muito caro.
      E com isso não me restou alternativa senão subir até o alto da serra na caminhada mesmo.
       
      Procurei acordar bem cedo no naquela manhã de Sábado (05 de Julho) e saí de S.J Barreiro por volta das 07:00 hrs na caminhada até o Pico do Tira Chapéu (2.088 mts) onde iria acampar.
      A subida da serra é longa e exaustiva.
       

      Depois de umas 3 horas de caminhada começam a aparecer as primeiras bicas de água e o visual começa a ficar legal depois de + - 4 horas, quando toda a Serra da Mantiqueira com Pico do Marins, Serra Fina e Itatiaia aparece. Dá p/ se ver todo o perfil da Mantiqueira.
       
      Todos os carros que passavam por mim nem procuravam me notar, para não dar carona, é claro. Um deles até tinha 2 montanhistas com mochilas na carroceria, confirmando que eles também iam fazer a travessia.
      L√° pelas 14:00 hrs e depois de pouco mais de 20 Km, a estrada chega ao topo da serra e depois √© s√≥ descida. Mais uns 4 Km do alto da serra e passei ao lado da Fazenda Recanto da Floresta (que pertence a Ag√™ncia MW Trekking) e da Pousada Conde D¬īEu.
      Logo a frente tem a placa de Fazenda Sincerro e Fazenda Pinheirinho à direita e foi aqui que eu saí da estrada principal e segui na direção da Fazenda.
      Até a sede da Fazenda Pinheirinho foram pouco mais de 3 Km, onde eu peguei uns 2 litros de água, porque no topo do Pico do Tira Chapéu não tem.
      Ao passar pela sede ainda caminhei cerca de 1,5 Km pela estrada até a divisa da propriedade, marcada por uma cerca de arame e uma porteira.
      Cerca de 100 mts antes de chegar nessa porteira se inicia a trilha, à esquerda, que é uma íngreme subida em direção ao pico.
       

      Resolvi apertar o passo porque o Sol j√° estava se pondo e precisava chegar em algum local plano para montar a barraca, pois j√° tinha caminhado cerca de 10 horas ininterruptas.
       

      Nessa primeira subida parei várias, como se o corpo estivesse mandando um aviso de que era preciso parar e montar a barraca por ali mesmo. E foi o que fiz quando a trilha se nivelou e seguia rente a cerca. O pico estava bem visível ao sul e era fácil localizá-lo.
       

      Montei a barraca em um local plano, junto à cerca, a mais ou menos 1 hora do topo do Tira Chapéu (como era área de descampado, durante a noite ventou muito).
      No manhã de Domingo bem ao amanhecer deixei as coisas dentro da barraca e subi até o pico.
      Foi só seguir a cerca de arame, já que ela passa pelo topo do pico, que na verdade não chega a ser um pico.
      √Č um morro, onde 3 cercas de arame farpado se encontram. Segundo o IBGE sua altitude √© de 2088 mts.
       

      No local existe uma Cruz e uma placa com uma oração e daqui dá para se ver toda a baía de Paraty, Pico do Frade, vales da Serra da Bocaina; em resumo, até onde a vista alcança.
      Voltei e desmontei a barraca e segui em direção a Portaria do PN. O retorno até que foi rápido e cheguei na portaria por volta das 11:00 hrs. Assinei a autorização que tinha enviado 1 semana antes e segui em direção a travessia (isso é obrigatório, pois sem essa autorização não se consegue fazer a travessia).
       

      Junto à guarita encontrei um casal de adolescentes alemães que estavam entrando no PN para fazerem a travessia e com isso seguimos juntos a maior parte do tempo.
       
      Logo depois da guarita, seguimos pela estrada e logo à frente já chegamos numa bifurcação à direita que sai da estrada e viramos aqui.
      Pouco menos de 1 hora de caminhada desde a Portaria chegamos na Cachoeira do Santo Izidro à esquerda, que possui um belo poço na base, mas nem ficamos muito tempo.
       

      Voltamos para a estrada e com a maior parte de trecho no plano, seguimos caminhando com uma ou outra subida ou descida.
      Depois de umas 2 horas de caminhada chegamos no acesso à Cachoeira das Posses, que está do lado esquerdo, mas antes de chegar nela, passamos ao lado das ruínas de uma antiga Fazenda.
       

      O lugar pode ser uma boa opção para acampar, se alguém estiver passando por aqui no final de tarde.
      Pegue água nessas cachoeiras ou em alguma nascente que você cruzar, porque depois só no Camping e Pousada Barreirinha que está bem distante.
      Depois de umas 3 horas desde a Portaria, a estrada inicia uma subida íngreme até chegarmos a uma outra bifurcação.
      Nesse local existe uma placa apontando Pousada Vale dos Veados à direita e Trilha do Ouro à esquerda.
      A partir daqui a paisagem vai se abrindo e a caminhada é feita por um pequeno trecho no plano para depois iniciar a longa descida até a Pousada/Camping Barreirinha.
      E parecia que a descida não acabava mais. Começou a anoitecer e nada de pousada para passarmos a noite. Encontramos uma placa da Pousada indicando a 3 Km (mas pareciam que eram 6 Km).
      Ela fica em um fundo de vale com a estrada passando do lado direito. Quem nos recepcionou foi o Sr. Sebastião e o lugar é perfeito para o primeiro pernoite dentro do PN, mas se você estiver passando muito cedo por aqui é possível chegar até a Pousada da D. Palmira, cerca de 1 hora à frente.
       
      Chegamos na Barreirinha j√° durante a noite e j√° fomos montar nossas barracas no gramado (no local existem alguns quartos da pousada).
      Combinamos que iriamos jantar no lugar, j√° que est√°vamos bastante cansados para preparar a comida e logo depois do delicioso jantar fomos dormir.
       

      No dia seguinte subimos o Pico do Gavião (subida ao lado da pousada, dá para fazer em uns 45 minutos) e lá do topo é possível ver o litoral e toda a região em volta. No local existe uma placa apontando altitude de 1600 metros.
       

      Depois de alguns clics, iniciamos a descida rapidamente e com as barracas desmontadas e mochilas nas costas, retomamos a caminhada por volta das 09:00 hrs.
      Depois de uns 30 minutos de estrada tem uma bifurcação que muitos se confundem e pegam o caminho errado.
      A estrada principal parece seguir para a esquerda, mas a o caminho correto é virar na bifurcação da direita.
      Dali para frente a estrada passa ao lado da Pousada da D. Palmira e de algumas sedes de fazenda.
       
      Esse trecho é desgastante demais, porque é um tal de sobe morro/desce morro, mas a estrada é bem nítida e já vai tendo ares de trilha em alguns lugares.
      √Āgua n√£o √© problema, pois cruzamos com in√ļmeros riachos pelo caminho. O que chama a aten√ß√£o aqui √© que o cal√ßamento de pedras constru√≠do pelos escravos a cerca de 300 anos atr√°s. Ele n√£o est√° em todo o percurso, mas em v√°rios trechos ele est√° preservado.
      S√≥ √© preciso tomar cuidado com o limo que se forma nas pedras, pois os tombos e escorreg√Ķes s√£o comuns.
      Depois de um trecho final de descida, chegamos no gramado, ao lado do Rio Mambucaba as 16:00 hrs.
      Ali me separei do casal e eles ficaram ao lado da Cachoeira do Veado em camping selvagem e eu na área de Camping da Pousada do Zé Candido e D. Vera, do outro lado do Rio Mambucaba, onde se atravessa por uma pequena gaiola de metal.
      Junto do Rio Mambucaba existe uma enorme área gramada e perfeita para quem quiser ficar em camping selvagem ao lado do rio e continuando a trilha, próxima ao Mambucaba, chegará na pinguela sobre o Ribeirão do Veado uns 10 minutos depois.
       
      Aqui uma outra bifurcação e seguindo em frente vai sair em uma outra Trilha do Ouro, mas essa conhecida como Trilha do Rio Guaripu que vai terminar em um bairro do município de Cunha.
      Se quiser chegar na Cachoeira do Veado é só seguir na trilha à direita, logo que atravessar a pinguela.
       

      A cachoeira é enorme e com 2 quedas que somam mais de 200 mts de altura e que vale o esforço para chegar até aqui.
      Depois de v√°rios clics voltei ao camping.
      Acordei cedo na manh√£ de Segunda-feira (07 de Julho) e com barraca desmontada e mochila nas costas voltei para o outro lado do Rio pela gaiola de metal.
      Depois de passar o enorme descampado atravessei novamente o Rio Mambucaba na pinguela, seguindo agora pelo lado esquerdo dele por encosta bem inclinada.
      Preste atenção porque desse trecho se tem um belo visual da Cachoeira do Veado e daqui para frente é trilha em mata fechada e só descida por umas 4 horas até o final dela.
      Nesse trecho da travessia o calçamento de pedras é bem visível e está presente em boa parte dela, por isso cuidado com os tombos.
       
      Quando chegar no final da trilha, na estrada de terra tente conseguir um transporte até o bairro do Perequê, porque é um longo trecho de uns 13 Km até a Rodovia, passando ainda por uns 2 rios pelo caminho.
      Eu n√£o consegui nenhuma carona, ent√£o tive que ir na caminhada mesmo e fui chegar no ponto de √īnibus em Perequ√™ por volta das 14:30 hrs e √īnibus para Paraty s√≥ as 15:40 hrs, onde cheguei por volta das 17:00 hrs e como pretendia fazer a travessia da Ponta da Joatinga no dia seguinte, j√° fui atr√°s de uma pousada pr√≥xima do centro hist√≥rico (Pousada Marendaz) para tomar um banho e sair para comer alguma coisa.
      A localização da Pousada é perfeita e seus preços são relativamente bons e como era uma Segunda-feira (07 de Julho) nem fui com reserva, pois sabia que a cidade estava vazia.
      Depois de uma noite tranquila levantei bem cedo no dia seguinte (Terça-feira), tomei o café da manhã na pousada e sai em direção ao cais de Paraty para procurar algum barco em direção a Praia do Pouso por volta das 09:00 hrs.
      Sempre é possível encontrar algum pequeno saindo do cais ou retornando para a Praia do Pouso e eu consegui um, que dividi com mais 4 adolescentes surfistas que estavam indo para a Praia Martim de Sá.
       

      Como o barco era pequeno, ele demorou um pouco mais e só fomos chegar lá por volta das 14:00 hrs.
       

      Depois de chegar na areia da praia com a ajuda de uma pequena canoa, agora era procurar a trilha que nos levasse morro acima até o selado e de lá descer para a Praia Martim de Sá.
      A trilha se inicia logo atr√°s do orelh√£o, seguindo para esquerda e se tiver d√ļvidas √© s√≥ perguntar para os moradores que qualquer um pode indicar. A subida √© √≠ngreme e exaustiva e depois de chegar no selado e passar pela bifurca√ß√£o para a Praia da Sumaca (ou Praia da Joatinga) iniciamos a descida at√© Martim de S√°, onde chegamos por volta das 16:00 hs.
       

      O √ļnico morador aqui √© Sr Maneco e sua fam√≠lia, que recentemente ganhou a posse definitiva do lugar.
      Ele disponibiliza uma √°rea de camping com banheiros e uma pequena cozinha com pias.
      A praia é muito bonita, ondas fortes e boa para surf.
      Depois de uma noite tranquila no camping, acordei bem de manhãzinha naquela Quarta-feira (09 de Julho) e fui acertar com o Sr. Maneco o valor do camping e saí em direção à Praia de Ponta Negra, meu objetivo naquele dia.
      A trilha sai bem ao lado da casa, na dire√ß√£o oeste. Na d√ļvida √© s√≥ perguntar ao Seu Maneco que vai te dar algumas orienta√ß√Ķes bem √ļteis, mas a trilha √© bem n√≠tida e f√°cil.
       
      Existe uma bifurca√ß√£o para um Po√ß√£o e para o Pico do Cairu√ß√ļ √† direita, depois de uns 30 minutos, mas √© uma trilha usada somente para quem vai at√© o Po√ßo.
      O Saco das Anchovas vai aparecer logo à frente com várias casas de pescadores ao lado do costão.
       

      Aqui é possível seguir pela trilha bem acima das casas ou descer e passar ao lado delas.
       

      Mais alguns minutos √† frente e outra bifurca√ß√£o, sendo que esta leva at√© a Praia do Cairu√ß√ļ, onde existe uma casa e uma nascente ao lado. √Č uma praia muito pequena e quase deserta e √≥tima op√ß√£o para passar algumas horas descansando.
      Seguindo pela trilha principal, mais a frente passei ao lado da casa do Sr. Aplígio à esquerda e uns 50 mts depois tem um riacho onde encontrei algumas mulheres lavando roupas.
       
      Depois desse riacho tem ainda uma outra casa à direita e logo a trilha se divide em 2: uma que segue para esquerda, próxima ao costão, mas a trilha certa é a da direita.
      Mais alguns minutos de caminhada e chego novamente em uma bifurca√ß√£o em "T", onde √© s√≥ seguir para esquerda e daqui para frente √© plano at√© iniciar a longa subida, com alguns trechos bem √≠ngremes cruzando in√ļmeros riachos (junto a bifurca√ß√£o existia uma placa fixada em uma √°rvore indicando PONTA NEGRA para esquerda, mas parece que recentemente retiraram ela).
      Esse é o pior trecho, já que a subida parece nunca terminar. A caminhada é muito cansativa por dentro da mata fechada e no meu altímetro o topo chegou a + - 560 mts.
      Pouco minutos antes de chegar lá existe uma Gruta chamada Toca da Onça que pode ser uma boa opção em uma emergência.
      Depois de um pequeno trecho no plano, agora é descida muito íngreme, onde é recomendável ir se segurando nas raízes e galhos senão é tombo na certa.
       

      Cheguei na Praia de Ponta Negra as 16:00 hrs com uma pequena chuva.
       

      Aqui existem 3 campings e escolhi o quintal da casa da D. Dilma, junto da escada de acesso à praia. O lugar era bom porque tinha a proteção de um bambuzal bem ao lado e a praia estava bem próxima.
      Depois de montada a barraca, desci at√© praia e encontrei in√ļmeras crian√ßas que jogavam futebol na areia.
       
      Entrar na água era um pouco perigoso porque as ondas eram fortes, devido ao tempo chuvoso. Só fiquei mesmo observando o pessoal jogando futebol.
      Depois de alguns clics voltei para a barraca e fiquei descansando até o anoitecer, quando fui preparar meu jantar.
      Durante a noite choveu para caramba e de manh√£zinha ainda tinha aquela garoa e o vento frio. Fiquei na d√ļvida se continuava dentro da barraca ou continuava a caminhada. Ficar no camping com aquele garoa era perda de tempo.
      Não poderia ficar esperando o tempo melhorar, né.
      Continuei a travessia com garoa mesmo.
      A continuação da trilha está bem a oeste da praia e seu acesso é bem fácil.
       

      Depois de alguns minutos j√° fui chegar na Praia das Galhetas (muita pedra e sem areia, mas in√ļmeros po√ß√Ķes em um rio que des√°gua na praia). Nesse trecho √© preciso tomar muito cuidado porque a trilha cruza o rio pelas pedras.
      Deixando o rio para tr√°s, a trilha vai subindo um pequeno morro para depois descer tudo.
       
      Nesse trecho se encontra com uma bifurcação junto a um pequeno riacho que leva até a Praia dos Antiguinhos, que é deserta.
      Mais alguns minutos e chego na praia mais bonita dessa travessia: a dos Antigos.
       

      O local conta com 3 nascentes e é proibido para camping.
      Existe até uma placa no local alertando sobre isso.
      Nessa praia fiquei por um bom tempo apreciando a vista (é por essas coisas que vale toda essa caminhada).
       
      Mais um trecho de subida de morro e chego na Praia do Sono, que √© a √ļltima dessa travessia e a preferida de muitos mochileiros.
       


      O visual que se tem antes de descer até a praia é lindo e mereceu vários clics.
      O problema é que a chuva deixou a trilha escorregadia e com isso tive que descer bem devagar para não cair.
      Pr√≥ximo da areia, encontrei muito barzinho com algumas barracas e mais para dentro existem outros in√ļmeros campings.
       

      Depois de chegar no final da praia, parei um certo tempo aqui e fiquei s√≥ observando a minha √ļltima praia dessa caminhada, pensando em voltar algum dia com tempo bom.
      A continuação da trilha é no final da praia, mas agora a caminhada é quase toda ela feita por uma antiga estrada de terra com um pequeno trecho inicial por trilha íngreme.
      Do Sono at√© o ponto de √īnibus na Vila Orat√≥rio foram umas 2 horas de caminhada, onde cheguei por volta das 13:00 hrs e l√° esperei o circular para Paraty.
      Ainda deu tempo de comprar a passagem de volta para Sampa naquele dia 10 (Quinta-feira) no √īnibus das 16:30 hrs, onde dormi a maior parte da viagem.
       
       
      Abcs
    • Por T.Roz
      Salve galera do Mochileiros, já usei muito o site para planejar viagens e agora resolvi contribuir um pouco postando uma descrição de uma viagem que fiz recentemente.
       
      Fomos entre o natal e ano novo de 2011 fazer a trilha do ouro em um grupo de 7 pessoas. Depois da trilha uma parte do grupo seguiu para trindade para passar o Reveillon. Vou fazer uma pequena descrição da viagem para tentar ajudar os interessados a se planejar pra essa trip.
       
      Antes de mais nada, é preciso ligar no Ibama para agendar o passei no parque. Cada pessoa que for fazer a trilha deve dar o nome com no mínimo 15 dias de antecedência. O telefone é (12) 3117-2143 e o site do parque é: http://www4.icmbio.gov.br/parna_bocaina/index.php?id_menu=28
       
       
      Combinamos de nos encontrar no dia 26/11 a noite na cidade de S√£o Jos√© do Barreiro ‚Äď RJ pois l√° √© o inicio da trilha. Dormimos na pousada do Regis (12) 3117-1227. Pousadinha tranquila! Tirando uma cueca desconhecida que encontramos debaixo do travesseiro e uns iogurtes vencidos no caf√© da manh√£, ocorreu tudo bem. O custo √© 35 reais por pessoa, independente de quantos quarto pegar.
       
      No dia seguinte combinamos com o Eliezer que nos levasse as 9 da manha para a entrada do parque. Quem foi nos levar de fato foi o Lucas, filho do Eliezer. Levamos aproximadamente 1h30 para chegar à entrada do parque, mas atrasamos um pouco devido a um fusca que tentava subir a estrada e começou a pegar fogo no meio do caminho. Descemos pra ajudar a apagar o fogo, mas logo voltamos à subida. Este translado custou 200 reais e o telefone de contato é (012) 3117- 2123
      O Lucas nos deu a dica de uma cachoeira uns 300m antes da entrada do parque, portanto descemos da caminhonete um pouco antes para conhec√™-la. Atravessasse uma porteira a esquerda e depois de 10 minutos chegamos a cachoeira. √Č apenas uma pr√©via do que est√° por vir. Seguindo uma trilha depois da cachoeira passamos por uma parede em ruinas e uns 10 minutos depois voltamos pra estrada alguns metro a frente de onde atravessamos a porteira.
       
      Chegamos ao parque e ap√≥s uma certa burocracia come√ßamos a trilha. Fomos seguindo um mapa conseguido no dia anterior na cidade. O mapa √© bastante detalhado mas estava um pouco desatualizado. No √ļltimo dia tivemos que sair da √°rea de abrang√™ncia do mapa pois uma ponte que aparecia no desenho tinha desabado h√° algum tempo (segundo os moradores). A trilha √© bem mal sinalizada, portanto sempre que tiver a oportunidade vale perguntar o caminho pros moradores para se certificar.
       
      A trilha √© maravilhosa! Mata atl√Ęntica exuberante e nos poucos momentos sem chuva que tivemos pudemos ver uma paisagem sensacional que se estendia at√© o horizonte. N√£o vou entrar em maiores detalhes sobre a trilha, pois, isto cada um tem a sua impress√£o na hora. Pretendo aqui apenas dar umas dicas da log√≠stica que fizemos.

       
      O primeiro dia √© bem pesado, cerca de 18km e com bastante subida. T√≠nhamos resolvido acampar na fazenda Barreirinha, por√©m ao chegar l√°, optamos por dormir nos quartos que eles oferecem e jantar uma √≥tima comida de fog√£o a lenha. A noite no camping na barreirinha √© 5 reais, a noite no quarto √© 35, a janta 15, e o caf√© da manh√£ 5. O pacote quarto + janta + caf√© da manh√£ saiu 60 reais por pessoa. √Č, a matem√°tica n√£o fecha mesmo, mas quando indagamos ao Ti√£o (dono do lugar) sobre isso ele disse que era assim mesmo. Achamos melhor deixar desse jeito mesmo e n√£o discutir com o cara.

       
      No segundo dia a caminhada √© relativamente tranquila, portanto come√ßamos a andar por volta das 10h. S√£o cerca de 12 km com mais descida que subida e chegamos no local de acampamento umas 1h30. Resolvemos acampar logo depois de atravessar uma pinguela sobre o Rio dos Veados (que desemboca no Muambucaba), bem perto da cachoeira. Existe uma clareira com algumas marcas de fogueira no ch√£o, ent√£o deduzimos que aquela era a √°rea de camping indicada no mapa. Armamos a barraca e fomos direto para a cachoeira. Est√° cachoeira √© sem d√ļvida um dos pontos altos da trilha, muito grande, passa √≥timas energias e, apesar da √°gua super gelada, cada minuto nadando nela vale a pena.

       
      Todos disseram que o √ļltimo dia que √© o mais pesado, portanto acordamos √†s 6 e come√ßamos a caminhar √†s 7. Todos os dias caminhamos de bermuda, por√©m, seguindo recomenda√ß√Ķes do povo da cidade, fomos de cal√ßa no √ļltimo dia e isso foi essencial. Neste dia quase toda a trilha √© por uma mata bem fechada. Logo no come√ßo da caminhada tivemos que atravessar a pinguela sobre o Rio dos Veados novamente, pois o ponto para atravessar o rio Muambucaba ficava um pouco pra tr√°s (no mapa existia uma travessia mais a frente, por√©m os moradores falaram que aquela ponte havia ca√≠do). Atravessamos o Rio Muambucaba em uma esp√©cie de gaiola que vai dar na fazenda de um pessoal.

      No outro lado do rio seguimos para a direita por uns 30 min até chegar em uma encruzilhada. O caminho certo é para a esquerda, porém só percebemos isso uma hora mais tarde quando a trilha pela direita acabou no meio do mato. Seguindo pela esquerda encontra-se o caminho de pedra feito pelos escravos e isso indica que se está seguindo pelo caminho certo. Cuidado, as pedras escorregam muito!
       
      Anda-se muito por esse caminho, sempre no meio de uma mata exuberante e quando a vegetação dá uma trégua é possível ver a paisagem incrível. Depois de muito descer, chegamos em uma ponte toda quebrada, então tivemos que atravessar o rio por dentro mesmo. Para atravessar o rio por dentro é preciso muito cuidado e paciência, quase perdemos um companheiro que foi levado por alguns metros pela correnteza até conseguir se segurar novamente hehe. Esse Rio desagua no Muambucaba alguns metros a frente da travessia, e, se por azar você acabar caindo no Muambucaba, ai a coisa fica feia, pois ele é muito volumoso e caudaloso. Portanto, cuidado nesta hora (não conseguimos tirar foto dessa travessia).

       
      Nesse ponto já se está bem próximo do final da trilha. Mais uma horinha de caminhada e se chega na famosa ponte do arame, lugar considerado como sendo o fim da trilha (no mapa o fim da trilha é na própria cidade de Muambucaba).
      Da ponte do arame at√© a cidade s√£o mais uns 14km, por√©m n√£o est√°vamos em condi√ß√Ķes de andar tudo isso. Mais ou menos 1 km depois da ponte tem a casa do Jo√£o Felix. L√° conseguimos alugar um fusca para nos levar at√© a cidade. 80 reais, puta facada, mas no estado que est√°vamos foi um achado. Eu havia lido em outros f√≥runs o pessoal falando de marcar com algum motorista para ir buscar j√° na ponte de arame pois l√° j√° chega carro, mas n√£o conseguimos encontrar ningu√©m que fizesse isso.

       
      Bom, a ideia era seguir j√° no mesmo dia para Trindade, mas ningu√©m estava em condi√ß√Ķes, dessa forma come√ßamos a procurar um hotel em Muambucaba para passar a noite. Foi extremamente dif√≠cil conseguir algo, mas por fim achamos um lugar que se chamava Pousada Familiar. Lugar bem simples e barato, exatamente o que est√°vamos precisando. Al√©m do mais a pousada fica perto do ponto de √īnibus para ir a Parati.
       
      Sentimento geral sobre a trilha.
      Sensacional, chegar ao final realmente d√° uma sensa√ß√£o de vit√≥ria, pois, em alguns momento come√ßamos realmente a pensar em solu√ß√Ķes alternativas pra terminar a trilha.
       
      A natureza e as paisagens são exuberantes, só ao vivo pra sentir a energia
       
      Achamos a trilha bem pesada, ainda mais que estávamos pouco preparados fisicamente e levamos mochilas muito pesadas. Para fazer novamente seria essencial um pouquinho mais de preparo físico.
      De comida levamos atum, pão sírio, barras de cereal, polenguinhos, damasco, castanha de caju, um pacote de comida liofilizada etc. Porém percebemos que tínhamos levado muita comida quando a mochila começou a pesar. Se fosse fazer a trilha hoje levaria um pouco menos de coisa pra comer.
       
      √Āgua levamos um pouco, mas √≠amos reabastecendo os cantis em c√≥rregos ao longo da trilha. Algumas vezes us√°vamos aquelas p√≠lulas de purificar √°gua, mas na maior parte das vezes tom√°vamos direto do c√≥rrego. Ningu√©m teve problema com isso, ent√£o acho que a √°gua era de fato bem limpa.
       
      No come√ßo eu estava meio ressabiado de pisar em cheio na lama, por√©m no final j√° estava atravessando o rio de bota e tudo pois existem MUITAS situa√ß√Ķes em que era simplesmente imposs√≠vel manter o p√© seco.
      Pegamos chuva muito forte por grande parte do tempo, mas com sol deve ser um lugar absurdamente bonito.
       
      Bom, resumindo, foi sensacional, ficamos destruídos mas com gostinho de quero mais. Já estamos planejando onde será nosso próximo perrengue, pois o sentimento no fim da trilha é algo surreal.
       
      No fim acho que meu post ficou meio grande, mas tentei colocar algumas infos que, pensando agora, eu acredito que ME ajudariam se eu j√° soubesse antes...
       
      Bom, pra finalizar o post, gostaria de saber dicas do pessoal sobre outros lugares que se pode fazer trilhas desse tipo. √Č a primeira vez que fa√ßo uma caminhada meio ‚Äúselvagem‚ÄĚ, e achei simplesmente fant√°stico, por isso estou buscando outras op√ß√Ķes de trilhas neste estilo. Quem souber por favor compartilhem.
       
      Eh isso ai,
       
      Gnd abrs e boas trilhas 8 )
       
      ps: Qualquer d√ļvida podem perguntar que tentarei responder aqui...
    • Por tborges
      Dificuldade: Difícil - Categoria 2
      Dist√Ęncia: 48 km
      Altitude M√°xima:1.514 m
      Circular: N√£o
       
      Como chegar
       
       
       
      São José do Barreiro esta localizada aos pés da Serra da Bocaina, estando a 273 km de São Paulo e 214 km do Rio de Janeiro, São José do Barreiro está ligado à Rodovia Dutra pela Estrada dos Tropeiros que, agora reformada, oferece um acesso fácil e seguro aos visitantes.
       
      Como essa n√£o √© uma trilha circular, a n√£o ser que v√° at√© a cidade com mais algu√©m no carro que possa leva-lo embora o ideal √© ir de √īnibus.
       
      Existe um √īnibus por semana saindo de S√£o Paulo para S√£o Jos√© do Barreiro, o melhor lugar para pegar um √īnibus para a cidade √© partindo de Guarantigueta/SP que possui mais hor√°rios de √īnibus, a operadora de √Ēnibus √© a P√°ssaro Marrom.
       
       
       
      A estrada que vai até a entrada do parque esta sendo toda reformada, já sendo possível um carro de passeio subir quase até a portaria do parque, caso não queira arriscar com seu próprio carro existem pessoas na cidade que fazem esse trajeto, alguns contatos são:
       
       
      Elieser: (12) 3117-2123
      Reginaldo: (12) 99747-9651
      Roger: (12) 3117-2050
       
      O Elieser oferece o serviço de levar o seu carro até a cidade de Mambucaba para que você já siga viajem de lá, o Reginaldo faz o resgate no próprio carro também na cidade de Mambucaba.
       
      A logística para essa trilha não é das mais simples, vale a pena ligar para alguém da cidade antes de ir e também já combinar um resgate na saída da trilha para não ficar na mão.
       
      Planejamento
       
      √Č muito importante fazer um belo planejamento antes de iniciar essas travessia, isso pode reduzir o peso que vai carregar e seus joelhos e suas pernas v√£o agradecer no √ļltimo dia.
       
      A travessia pode ser feita de 2 a 4 dias, considero 3 dias o ideal para aproveitar bem.
       
      √Č poss√≠vel pernoitar em pousadas ou acampar em alguns lugares no pr√≥prio parque, abaixo algumas distancias para uma decis√£o de onde ira acampar.
       
      Portaria -- 8km --> Cachoeira das Posses -- 22km --> Cachoeira do Veado -- 18km --> Fim
      Portaria -- 18km --> Pousada Barreirinha -- 12km --> Cachoeira do Veado -- 18km --> Fim
      A Trilha
       
      A trilha é parte da história do Brasil, foi construída pelos escravos entre os séculos XVII e XIX, a partir de trilhas dos índios Guaianazes, ponto de passagem obrigatório, nos séculos XVII e XVIII, o caminho ligava Minas Gerais a Rio de Janeiro e São Paulo. No chamado "Ciclo do Ouro".
       
      Antes de tudo √© preciso de uma autoriza√ß√£o para entrar no Parque, para isso envie um e-mail para [email protected] solicitando tal autoriza√ß√£o.
       
      Fizemos essa travessia pela primeira vez em fevereiro de 2012 e decidimos refazer ela agora com mais conhecimento, equipamentos e claro preparo físico, nessa segunda travessia acabamos pegamos uma bela chuva no segundo dia, por esse motivo mesclei as fotos da postagem com a primeira travessia afim de ilustrar melhor como é a trilha.
       
      Quem me acompanhou nessa trilha foram meu pai Mario, meu irm√£o Mateus e meu cunhado Luan, sendo que essa seria a primeira trilha da vida do meu irm√£o. Fizemos ela nos dias 15,16 e 17 de novembro.
       

       
      Nosso trajeto foi sair de Guaratinguet√° no √īnibus das 7h at√© S√£o Jos√© do Barreiro e j√° hav√≠amos combinado com o Reginaldo para nos levar at√© a entrada do parque, chegamos na cidade por volta das 9:30h e j√° come√ßamos a subida com o Reginaldo, chegando na entrada do parque por volta das 11h.
      Durante a subida existem vários trechos que formam mirantes belíssimos, vale a pena pedir para dar uma paradinha rápida.
       

       
      Nosso planejamento era acampar o primeiro dia na cachoeira das Posses e o segundo dia na Cachoeira do Veado, dessa forma o primeiro dia é o mais tranquilo, partindo da portaria com 1,5km de caminhada se chega na Cachoeira Santo Izidro, ela fica a esquerda da trilha e é uma bela descida até chegar na base da cachoeira, dependo do preparo físico considere "esconder" as mochilas próximo da trilha e pega-las na volta.
       

       
      Voltando para a trilha, andando cerca de 1,5 km existe um atalho que reduz a trilha em 1,3 km, caso opte em n√£o usar o atalho some essa distancia nos valores descritos acima.
      Bom considerando que você pegou o atalho, da cachoeira Santo Izidro até a cachoeira das Posses são cerca de 6,5 km em um caminho relativamente tranquilo.
      A Cachoeira das Posses fica do lado esquerdo da trilha, quando começar a ver as araucárias é porque esta bem próximo da entrada.
      Logo no começo da trilha em direção a cachoeira existe uma casa abandonada no lado direito, é um opção de acampamento fechado.
       

       
      Um pouco mais a frente existe uma boa √°rea de camping para 4 ou 5 barracas.
       

       
      Atras dessa área existe mais uma casa abandonada, nós acampamos dentro dessa casa, na "cozinha" da casa existe espaço para 3 barracas, as paredes laterais caíram mas mesmo assim é uma boa proteção do vento e existe um fogão a lenha que pode ser utilizado para cozinhar ou apenas para fazer uma "fogueira" para esquentar a noite.
       

       
      Como dito o primeiro dia é o mais tranquilo, então caminhando bem você terá bastante tempo para curtir a Cachoeira das Posses, ao lado da casa e da área de camping existe uma trilha com uma placa indicando o caminho da cachoeira, cerca de 200 m a frente existe a primeira queda, nada muito grande, continue descendo a trilha por mais cerca de 600 m até a base da cachoeira.
       

       

       

       
      Para quem assim como nós decidiu não acampar na pousada Barreirinha, o segundo dia é o mais cansativo e longo, são 22 km até a cachoeira do Veado, sendo boa parte sem árvores e com algumas subidas pesadas se levar em consideração que estamos com peso nas costas.
       
      Acordamos cedo e demos uma √ļltima passada na primeira queda da cachoeira das Posses para "tomar banho" e sa√≠mos que a caminhada seria longa.
       

       
      Os primeiros 4 km s√£o tranquilos, ainda est√£o protegidos pelas √°rvores e com poucas subidas e ainda com pontos de √°gua no caminho.
       

       
      Depois disso começa o caminho por estrada de terra, sem árvores e com algumas subidas e descidas bem cansativas, caminhando em torno de 6 km encontrasse a Pousada Barreirinha, é um bom lugar para trocar a água e até mesmo para comer ou beber alguma coisa, de qualquer forma, corte caminho pela pousada que vai desviar de uma bela subida ingrime e curta.
       

       
      Saindo da pousada ainda faltam 12 km at√© a cachoeira do Veado, cerca de 8 km do percurso continua sem √°rvores e em estrada da terra, nesse percurso 2 km depois de passar por um pasto com uma pousada ao lado tem uma subida bem pesada, √© praticamente o √ļltimo trecho em estrada de terra, ou pelo menos estrada que aparenta ter condi√ß√Ķes de passagem de carro.
      Após essa subida já começa um pouco mais de vegetação com alguns pontos de bastante árvores e já alguns trechos com o calçamento real, desse trecho até a cachoeira do Veado faltam pouco mais de 5 km, quase chegando na fazenda central existe um rio com um pinguela para atravessar, considere um bom ponto para trocar de água novamente caso necessário.
       

       
      Desse ponto para frente falta pouco até a cachoeira, na primeira vez que fizemos a trilha acabamos chegando tarde nesse ponto e decidimos acampar ao lado da fazenda central por já estar escurecendo e existe uma boa área de camping ao lado de um lago.
       

       
      Passando a fazenda central falta bem pouco, porém, começam algumas descidas e o terreno é bem ruim, ainda mais se estiver chovendo(ou muito molhado), mesmo sendo um trecho relativamente curto leva uns 30 minutos para atravessar.
       

       
      Assim que terminar a descida, do lado esquerda existe uma "gaiola" para atravessar o rio, se trata de uma caixa de metal suspensa em um cabo de aço para fazer a travessia, do outro lado do rio existe uma pousada com área para camping, essa é uma parte bem divertida da trilha.
       

       
      Continuando a trilha sem pegar a gaiola é o caminho até a cachoeira do Veado e após um pequeno pasto já começam as áreas de camping próximo da cachoeira, nós decidimos acampar logo após o pasto. O ideal é acelerar a caminhada dos 22 km desde a Cachoeira das Posses para aproveitar a Cachoeira do Veado ainda no segundo dia e no terceiro dia já pegar a trilha logo cedo.
       
      A Cachoeira do Veado √© a mais bonita da travessia, com duas quedas, totalizando 80m de altura, o acesso a √ļltima queda √© bem tranquilo, j√° para chegar a segunda queda j√° √© mais complicado.
       

       
      O terceiro dia são 18 km até a ponte de arame onde geralmente é feito o resgate, para continuar é necessário atravessar a gaiola e passar por traz da pousada para continuar a trilha.
      Cachoeiras a parte, o terceiro dia da trilha é o mais bonito pois é quase por completo dentro da mata e com o calçamento real, existem vários trechos de subidas e descidas pelo calçamento, as pedras estão muito lisas e com chuva o caminho se torna ainda mais difícil.
       

       

       
      Durante a descida existem vários pontos com água, não precisa descer carregado de água pois é muito fácil encontrar no meio do caminho.
       

       
      Em alguns trechos as pedras do calçamento já se soltaram e em períodos de chuva viram um barro só, por isso todo cuidado na descida é pouco.
      Faltando quase 4 km para o fim da trilha é necessário atravessar o rio Mambucaba, a ponte que corta o rio esta caindo, nas duas vezes que fizemos a trilha não tivemos coragem de atravessar a ponte, mas alguns grupos assim o fizeram, como no trecho onde a trilha encontra o rio ele esta mais raso é preferível cruzar pelo rio mesmo.
       

       

       
      Atravessando o rio, falta pouco, mais 4 km e é o fim da trilha, a trilha termina em uma estrada de terra e do lado direito tem a ponte que também cruza o rio Mambucaba, ela é conhecida como ponte de arame, existem algumas casas nessa estrada próximo da ponte, se você não deixou um resgate combinado existe a possibilidade de bater em alguma casa e com sorte achar alguém que te leve até a rodovia ou ir caminhando cerca de 20 km até a Rodovia Rio x Santos.
       
      Essa é uma trilha muito bonita e ainda tem o charme de ser parte da história do Brasil, com um bom preparo físico e Fé no Pé é um belo programa.
    • Por victor.mesquita
      Primeiro Dia - de São Paulo a São José do Barreiro
       
      Sa√≠mos de S√£o Paulo, da rodovi√°ria do Tiet√™, at√© Guaratinguet√° com o √īnibus da P√°ssaro Marrom (passagem aproximadamente R$ 44). Tem √īnibus toda hora, mas aconselhamos comprar a passagem com um pouco de anteced√™ncia porque fomos comprar em cima da hora e pegamos os √ļltimos lugares dispon√≠veis. Calculamos para chegar em Guaratinguet√° a tempo de pegar o √ļltimo √īnibus Guar√°-S√£o Jos√© do Barreiro (o das 18h50, se n√£o nos enganamos). A passagem custa R$ 23.
       
      Ao chegar em SJB ficamos andando pela cidade procurando um lugar legal para acampar, aproveitamos pra tomar um caldinho verde no rancho (em frente √† Igreja Matriz), custou R$ 9, √© grande, tava quente e delicioso, ideal pra aquele dia frio. Como tinhamos que pegar as autoriza√ß√Ķes para entrar no parque, decidimos acampar em frente ao ICMBIO (debaixo da placa mesmo). S√≥ pra n√£o criar problema, conversamos com o vigilante que fica l√° √† noite pra ver se podia, ele achou estranho mas disse que tudo bem. Conversando com ele, descobrimos que saia uma kombi escolar todo dia √†s 05h-05h30 e dava pra pegar carona com ela at√© a entrada do parque, assim aproveitariamos pra ir na cachoeira do Santo Isidoro at√© que as autoriza√ß√Ķes chegassem (s√≥ pra essa primeira cachoeira n√£o precisa de autoriza√ß√£o, √© bem pertinho).
       
      Segundo Dia - de SJB até a Cachoeira das Posses
       
      Quando acordamos, descobrimos que a kombi n√£o ia passar porque era o primeiro dia de f√©rias. Como a gente tava na boca da estrada, com tudo arrumado, decidimos come√ßar subir a p√© por volta das 5h30. A subida toda √© bem puxada, porque a cidade de SJB fica a 530m de altitude e a entrada do parque a 1500m, ou seja, 1000m de subida em 26 km. Em 3hrs de caminhada nenhum carro passou (era bem cedo ainda), mas a vista da estrada √© bem bonita. Por volta dos 13,5km a gente parou pra descansar e por muita sorte, passou um carro de uma fam√≠lia que estava indo pra entrada do parque pra fazer a trilha tamb√©m. Chama aten√ß√£o o n√ļmero reduzido de pessoas que encontramos na trilha (cerca de 10 no total), apesar de julho ser "alta temporada"por causa do menor volume de chuvas.
       
      Ao chegar no parque, nossas autoriza√ß√Ķes ainda n√£o estavam l√°, mas o guarda liberou a nossa entrada porque tinhamos uma c√≥pia do e-mail que enviamos ao ICMBIO (o envio deve ser feito com anteced√™ncia de uma semana). Na entrada do parque n√£o h√° nenhum mapa passa ser levado, ent√£o aconselhamos levar um croqui (n√≥s imprimimos em casa os do relato do Raffa (trilha-do-ouro-parque-nacional-da-bocaina-t79101.html).
      A trilha é bem aberta nesse primeiro trecho, caminhamos até a cachoeira do Santo Isidoro, parada obrigatória pra apreciar uma bela vista. Ficamos um bom tempo lá, até demos uma cochiladinha. A próxima parada foi na cachoeira das posses, até chegar lá caminhamos um tanto, uma dica importante é que existe um atalho no meio do caminho, ele é um pouco grande, mas economiza 2km segundo o Tião (já vamos falar dele).
      Um pouco antes da cachoeira existe um local para acampar no meio do mato ou dentro de uma casinha. Optamos por ficar dentro da casinha (apesar de ser um pouco macabra) por causa da umidade da cachoeira e do frio.
      Normalmente as pessoas caminham até a Fazenda da Barreirinha e acampam lá no primeiro dia de trilha, mas como estavamos cansados por causa da caminhada na estrada, ficamos na casinha perto da cachoeira das Posses mesmo.
       
      Terceiro Dia - Da cachoeira das Posses até a cachoeira do Veado
       
      Acordamos cedo, arrumamos as coisas e saimos. Até aqui a trilha é relativamente tranquila. Apesar de ser teoricamente uma descida até o mar, existem subidas e descidas no caminho todo e nesta parte especialmente, tem um trecho de subida forte. Neste caminho vimos pegadas de onça! Quanto à água, na maior parte do caminho ela é abundante, a trilha fica no máximo uns 3km sem ter uma cachoeirinha pra abastecer as garrafinhas.
      Depois de dois dias sem comida quente, paramos na fazenda da Barreirinha s√≥ pra almo√ßar. Quando chegamos ainda n√£o tinha almo√ßo pronto, mas depois de meia hora admirando os muitos beija-flores que ficam por l√°, eles vieram nos chamar pra almo√ßar. Arroz, feij√£o, frango empanado e saladinha, tudo muito gostoso. Eles cobram R$ 30 o almo√ßo, considerando que eles s√£o os √ļnicos na trilha que fazem almo√ßo e que chegamos com muita fome l√°, valeu a pena. O Ti√£o nos deu um mapa mais atualizado da casa dele at√© o Perequ√™ (Pq. Mambucaba). Ele diz que tem que sempre se manter √† direita, mas n√£o √© bem assim, tem um trecho de pasto (pousada trilha do ouro - dona palmira) que tem que cair pra esquerda, por exemplo.
      Seguindo a trilha, que tem muitas araucárias, alguns laguinhos e vacas, começam a aparecer os primeiros trechos de calçamento de pedra da antiga trilha dos tropeiros (da onde vem o nome trilha do ouro - a descida de Ouro Preto até Angra-Paraty)
      Chegamos a uma parte bem plana, por onde passa o Rio Mambucaba, aproveitamos pra dar uma descansada e tomar um banho no rio (a água tava terrivelmente gelada, mas foi bem revigorante). Seguimos até a Cachoeira do Veado, onde chegamos no finzinho da tarde, só a tempo de tirar umas fotos. Voltamos com a lanterna até uma casinha abandonada perto do rio, num morrinho, onde dormimos.
       
      Quarto Dia - Da Cachoeira do Veado até o Perequê
       
      Esse terceiro dia da trilha √© o mais dif√≠cil, sem d√ļvida. Come√ßamos atravessando o rio Mambucaba sem cal√ßa pra n√£o molhar, foi relativamente tranquilo apesar do frio. Sabiamos que dava pra atravessar por uma tal de gaiolinha de um outro Ti√£o que mora por ali, mas ele n√£o estava l√° e a gaiolinha tava presa na pousada dele do outro lado do rio. Tamb√©m em alguns relatos mais antigos aparece uma ponte, mas n√£o conseguimos ach√°-la. Aqui come√ßa o trecho de mata bem fechada com pedras cheias de limo bem escorregadias e com muita lama (mesmo sem chover h√° 3 dias pelo menos). Andamos, ca√≠mos, nos sujamos, vimos uma falsa-coral, ca√≠mos, nos sujamos muito e chegamos no fim da trilha! YES! Tem at√© um p√© de amora pra comemorar, mas n√£o tinha muita amora madura e tamb√©m n√£o tinha fim certo, n√£o tem nenhuma demarca√ß√£o. Voc√™ s√≥ percebe que √© o fim da trilha porque aparece uma estrada de terra (do sert√£ozinho do perequ√™) e come√ßam a aparecer os s√≠tios.
      A√≠ come√ßam os tais 14km at√© o campo da gringa (onde tem o primeiro ponto de √īnibus - Bonfim, que leva at√© o centro de Angra). N√£o tem sinal de celular est√°vel ainda, apenas alguns pontos onde a Vivo pega. Do meio pro fim do caminho, conseguimos uma carona com um dono do s√≠tio que ficou reclamando do IBAMA e dos benef√≠cios que o s√≠tio do Henrique Valle tinha por ser um dos caras mais ricos de Angra e por causa das suas influencias pol√≠ticas. Chegamos no campo da gringa e l√° j√° tinhamos quem nos buscasse. FIM
       
      O que levamos:
       
      Capas de chuva pra nós e para as mochilas, lanternas, vela, isqueiro, canivete, botas (o Tião prefere galocha com duas meias bem grossas, rs).
      Alimentos: Pão sírio, nutella, polenguinho, castanha do pará e castanha de caju, sardinha, atum, cenoura, maça, barrinha de cereal (levem várias!).
       
      Considera√ß√Ķes:
       
      Contrate alguém para subir até a entrada do parque, é caro, mas dá pra negociar e se quiser se preservar pra trilha, vale a pena. Ou então, vá de carro até a entrada do parque e quando estiver dormindo na Barreirinha (camping ou quarto), combine com o Tião para ele buscar seu carro e deixar no final, no Perequê e encontra você no caminho para devolver a chave, não lembramos quanto ele cobra, em outros relatos tem o telefone de contato dele.
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