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Fogareiro à lenha (biomassa) BIOLITE


gvogetta

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  • Membros de Honra

Olá Pessoal!

 

 

As fogueiras... as tão polêmicas e hoje malfadadas fogueiras foram a primeira forma do homem aproveitar o calor do fogo para se proteger, se aquecer e preparar seus alimentos depois que passou a dominar definitivamente as técnicas de obtenção do fogo. Este atavismo relacionado às fogueiras parece que continua a alimentar o imaginário do homem, especialmente quando os pensamentos se voltam à questão da sustentabilidade ...

 

Hoje, conversando por e-mail com alguns companheiros de aventuras aqui da AMC surgiu o assunto do BioLite, um fogareiro "novo" e cujo diferencial inovativo é justamente o fato de ser movido à lenha. Isso mesmo, se simplificarmos o assunto seu combustível é a velha e boa LENHA! O apelo do novo produto, entretanto, não é apenas esse: ele ainda te fornece energia elétrica para carregar seus pequenos aparelhos eletrônicos (gadgets) como celular, mp3, GPS e etc enquanto prepara sua comida no acampamento!

 

 

FOGO QUE ILUMINA (E ENERGIZA!)

 

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Calma! Já vamos explicar as "novidades" por trás deste produto, que na verdade foi lançado comercialmente em 2009 e que utiliza o mais antigo e tradicional combustível que a humanidade conhece e ainda gera energia elétrica.

 

O conceito que envolve o funcionamento deste fogareiro é na verdade muito similar ao das nossas tão conhecidas espiriteiras à álcool: simplificando bastante, o combustível primário utilizado em seu processo de queima gera gases que realimentam as chamas num estágio secundário, aumentando muito sua intensidade e reduzindo a formação de fumaça e fuligem além de reduzir o consumo do combustível-base. A diferença aqui está no tipo deste combustível e nos gases formados. Enquanto a espiriteira que conhecemos geralmente queima álcool (combustível líquido) para produzir chamas, gás (na verdade combustível líquido - álcool - volatilizado) e calor, o BioLite queima biomassa, ou seja, lenha (pequenos gravetos, cascas de árvore, carvão, capim seco, etc.).

 

O processo, no caso da biomassa, chama-se tecnicamente micro-gaseificação pirolítica e torna a queima do combustível muito mais eficiente do que aquele que ocorre normalmente em uma fogueira (chama "aberta"). Desde 1985 pesquisadores vêm aperfeiçoando o que se poderia chamar de "fogões a lenha de alta eficiência", que devido ao design de construção de suas câmaras de combustão conseguem recriar em seu interior um processo de combustão que potencializa drasticamente as chamas obtidas ao mesmo tempo em que reduz o consumo de combustível sólido e a geração de monóxido de carbono e de fumaça. Isso basicamente se dá por meio da manutenção de um maior fluxo de oxigênio em circulação controlada nos diversos "estágios" dentro dessa câmara de combustão. Ainda assim restavam emissões significativas de monóxido de carbono e de fumaça, um problema...

 

O fabricante do BioLite, por sua vez, aperfeiçoou o processo da micro-gaseificação pirolítica usando uma solução relativamente simples: aumentar o fluxo de comburente (oxigênio) para "dentro" da câmara de combustão utilizando uma ventoinha elétrica para "empurrar" forçadamente o ar. Com isso eliminou os dois problemas citados obtendo um processo mais limpo.

 

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Como assim? Alguns vão se perguntar...

É isso mesmo, uma ventoinha elétrica cria um fluxo de ar forçado para o interior da câmara de combustão do fogareiro! Isso não quer dizer que você vai precisar ligar o fogareiro na tomada (na verdade vai, apenas antes do primeiro uso do equipamento ou se ele ficar mais de 6 meses sem uso, segundo o fabricante, para carregar a sua bateria interna). A tal ventoinha usada no processo é alimentada por uma bateria interna e esta por um pequenino gerador térmico de energia, que gera um excedente de energia, que por meio de uma porta USB (5V) pode carregar a bateria de pequenos aparelhos eletrônicos a ela copnectáveis.

 

 

COMO FUNCIONA O BIOLITE

 

O equipamento aqui descrito é composto por duas partes, uma câmara de combustão, construída em aço inox e alumínio e um módulo de força externo feito em plástico resistente de cor laranja que contém em seu interior a ventoinha elétrica, um gerador termoelétrico e um microprocessador. Este módulo traz externamente ainda um interruptor liga/desliga, que também alterna a velocidade da ventoinha (alta/baixa, com leds indicativos) e uma porta USB. O conjunto, uma vez acoplado (é guardado desmontado, com o módulo gerador dentro da câmara de combustão para poupar volume durante o transporte), apóia-se sobre 3 pernas dobráveis, oferecendo uma base relativamente sólida para se apoiar uma panela de médias dimensões sobre a boca do fogareiro.

 

Em síntese bem simplista a queima da biomassa na câmara de combustão é iniciada com algumas "iscas" e fósforo/isqueiro/pederneira e, alimentada, passa a gerar calor que é transformado em eletricidade por um pequeno gerador termoelétrico. Este por sua vez alimenta a ventoinha e uma bateria interna, gerando ainda, dependendo da intensidade do fogo, eletricidade excedente para recarregar a bateria de pequenos "gadgets" (aparelhos eletrônicos, como celulares, mp3, aparelhos de GPS ou similares) conectados através da porta USB do aparelho. A chama produzida na boca do fogareiro é capaz de ferver 1L de água em cerca de 5 minutos e 30 segundos, utilizando-se para isso de cerca de 46g de madeira seca. Segundo dados do fabricante, comparativamente a uma fogueira o BioLite produz um fogo limpo, reduzindo em 40% o consumo de biomassa e em mais de 90% as emissões de fumaça e monóxido de carbono.

 

Em testes, usuários no exterior relatam que conseguem carregar 10% da bateria de um iPhone 4 com cerca de 60 minutos de fogo intenso, o que não é nada mal se compararmos com o desempenho da maioria dos carregadores elétricos utilizando painéis solares.

 

Uma ressalva que deve ser feita é a de que o ideal é que o material a ser queimado esteja seco ou com pouca umidade para a obtenção de resultados ideais. Lenha úmida além de dificultar o início o fogo irá queimar com baixa eficiência, mesmo a despeito da ventoinha, gerando mais fumaça e menos calor, consequentemente menos energia. Usuários relatam nos reviews que é necessário adquirir uma certa prática para acertar o "mix" de carga da câmara de combustão do fogareiro com gravetos de diferentes diâmetros/tamanhos de forma a otimizar a combustão.

 

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Em rápida e empírica avaliação, vejamos os prós e contras deste novo conceito de fogareiro:

 

Prós

 

:arrow: Combustível de fonte renovável

:arrow: Independência. Dispensa a compra e a carga de cartuchos de gás, benzina ou outros combustíveis liquidos, já que a biomassa existe em certa abundância (à exceção de algumas regiões)

:arrow: Disponibilidade de energia elétrica para a carga de baterias de pequenos aparelhos, mesmo à noite e em dias nublados

:arrow: Divertido! Se assemelha a uma pequena fogueira e aquece como uma. Fora a faina própria de acender o fogo como se fosse numa fogueira o fabricante insinua a tradicional roda de "campers" em torno de um BioLite tostando seus marshmallows

 

Contras

 

:arrow: Pesado (935g), sem o combustível

:arrow: Volumoso (ocupa um espaço de cerca de 1L) se comparado com outros modelos/tecnologias de fogareiros

:arrow: A eficiência com biomassa úmida é reduzida, gerando ainda maior quantidade de fumaça

:arrow: Existência de componentes eletro-eletrônicos (módulo de força) sujeitos a quebras e/ou mal funcionamento com umidade (?)

:arrow: Inviabiliza o uso no avanço ou mesmo dentro da barraca, o que poderia ser interessante em dias de chuva

:arrow: Possui utilização limitada pois há regiões em que não é possível contar com biomassa, como áreas nevadas ou desérticas ou mesmo em alto mar

:arrow: Pouco prático. Demora para "prepará-lo" para cozinhar, já que é necessário separar a lenha, iniciar o fogo, esperar o fogo "firmar" para daí começar a cozinhar, e depois cuidar da alimentação do fogo, diferentemente de outros fogareiros que você apenas acende e cozinha

:arrow: Preço relativamente elevado (USD 130,00)

 

Enfim, é mais uma opção de fogareiro que pode atender bem a algumas situações específicas de uso em viagens e expedições. Não o considero um substituto para qualquer um dos outros tipos de artefatos de cocção disponíveis no mercado pelas óbvias limitações quanto à obtenção de biomassa em alguns lugares da Terra. Em especial, é uma opção para quem costuma carregar na mochila os seus gadgets, como celulares, ipods, tablets e outros itens consumidores de energia, já que oferece uma fonte de energia limpa e bem mais eficiente do que os painéis portáteis de células fotovoltaicas.

 

A ficha técnica e outras informações adicionais podem ser verificadas no site do fabricante. Deixo nos links também alguns vídeos sobre o assunto.

 

 

[linkbox]:: Site oficial do BioLite (em inglês)

::

:: Wood Burning Stoves - Zen Backpacking Stoves (em inglês)

 

Conceitos similares ao do BioLite:

 

:: Backcountry Boiler (em inglês)

:: Tn Rocket Stove (em inglês)

:: Cooking Systems - Zen Backpacking Stoves (em inglês)[/linkbox]

 

Abraço a todos!

Editado por Visitante
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  • Membros de Honra

É mais uma opção, que em certos lugares pode ser uma boa.

Os maiores problemas que vejo (já citados por você) são achar lenha seca (em especial na serra do mar) e cozinhar dentro da barraca.

E realmente, é muito legal ficar na beira de uma fogueira jogando conversa fora, mesmo que a fogueira esteja dentro de um fogareiro.

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  • Membros de Honra

Olá Otávio!

 

 

É isso mesmo, é mais uma opção para determinadas condições. Todos os tipos de fogareiros têm os seus prós e contras, vai de conciliar em cada trip aquele que melhor atenderá às suas condições.

Viu como rendeu nosso debate na lista? :mrgreen:

 

Abraço!

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  • Membros de Honra

Muito interessante. A lenha ainda é um combustível muito usado no mundo e aumentar a eficiência dela, seja transformando-a em briquetes antes de usa-la, seja aperfeiçoando os dispositivos de queima (fogões, aquecedores) como a biolite fez tem um impacto enorme no meio ambiente. Uma das pressões em cima das últimas populações de gorilas das montanhas é justamente a produção de lenha para cozinhar e no sul do Chile, na região do Bio-Bio, o aquecimento no inverno ainda é feito majoritariamente pela queima de lenha em "salamandras" produzindo uma poluição bárbara do ar ao ponto do governo lá ter começado a registrar essas estufas a lenha este ano. Para uso outdoor, o biolite é perfeito para o hemisfério norte onde abundam folhas e pinhas secas de pinheiros, cedros, abetos, etc Aqui no Brasil em algumas regiões é mais difícil conseguir lenha seca e bem calórica, mesmo assim, se o preço fosse mais acessível, seria uma boa opção para ter ao lado do fogareiro a combustível líquido e do fogareiro a gás.

Grande dica, Getúlio

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  • Membros de Honra

Olá Pessoal!

 

Olha aí!!!

 

Para quem gostou dessa ideia do Fogareiro BioLite, confira também a panela geradora PowerPot V.

 

Outra opção para quem deseja permanecer conectado aos seus aparelhos eletrônicos durante seus acampamentos, sem carregar tanto peso.

 

Abraços!

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  • 1 ano depois...
  • Membros de Honra

Parabéns Getúlio! Ótimo review.

 

Gosto da idéia de usar gravetos mas ainda vou esperar esta tecnologia se consolidar. O peso ainda é um problema é li relatos de usuários se queixando da demora na carga de equipos eletrônicos. Por enquanto uso um banco de energia, menos pesado, mais barato e posso usar em viagens, no avião, etc...Claro que no mato vc descarregou o banco já não t mais como usá-lo.

Abs, peter

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  • Membros de Honra

Olá Peter!

 

 

Sem dúvida! Ainda é uma tecnologia que tem muito a evoluir.

As reclamações sobre demora são mesmo frequentes. E o peso/volume é um grande fator limitante. No meu entender o maior ponto fraco deste produto.

Já tive oportunidade de vê-lo pessoalmente em funcionamento e confesso que me decepcionou um pouco, tanto na eficiência para cozinhar (primeira e principal função) como também e, principalmente, para carga de aparelhos eletrônicos ::grr:: .

 

Abraço!

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  • Membros

O biolite e péssimo... A idéia e exelente mas o conjunto não vale a pena...

 

Como fogareiro ela ate que e legal se pegar o jeito dele. Mas se for usar para ferver água funciona melhor com o bundle ou seja seja com a panela que encaixa nele direitinho. Se for para cozinhar por longo período e um saco ir enchendo ele de combustível.

 

A menos que tenha lenha de ótima qualidade e em pedaços médios a pequenos tem de por combustível a cada 2 minutos no máximo.

 

Como carregador ele e muito ruim sao 6 horas de queima constante para dar uma carga de 25-40% em um iPhone ou seja nada de mais.

 

Não carrega de forma adequada GPS e outros aparelhos.

 

Seu peso e muito alto.

 

Não fecha a equação.

 

Fica mais leve e mais seguro levar baterias extras e um banco que ele mais os carregadores.

 

Espero que a próxima geração seja corrigido estes defeitos.

 

Mas hoje não serve.

 

Outro detalhe a sujeira das panelas.

 

Fica bem sujo e com cheiro de madeira queimada.

 

Assim em uma trilha sem água vai sujar a mochila por dentro, ou vai levar mais peso em uma capa plástica ou de nylon.

Ou se perde muito tempo lavando a panela e carregando mais peso em sabões.

 

Ainda não existe nenhuma saída realmente interessante para o problema de energia.

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  • 3 semanas depois...
  • Membros

Salve!

 

Não sei se vocês já viram esse lançamento da biolite...

http://biolitestove.com/products/kettlecharge/

Não serve pra uma caminhada, mas para um camping em local isolado deve ajudar um pouco.

Eu tenho um painel solar de 18w e duas baterias backup universais com grande capacidade que carrego em poucas horas de sol e fazem a diferença, mas esse KettleCharge apesar de pesado me chamou a atenção.

abraço.

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