Pessoal, iniciei uma viagem que deve durar uns 6 meses pela Grécia.
Vou começar a postar os relatos que estou colocando no meu blog aqui. Para quem quiser ver todas as fotos, etc, entrem no blog que está abaixo da minha assinatura. As fotos não vêm "coladas" pelo blog, não sei como fazer. E postar uma a uma aqui tá osso, pois estou tentando fazer isso durante a viagem. As legendas vêm, tenho que tirá-las uma a uma. Se virem alguma frase fora de contexto pode ser um esquecimento meu.
Abraços a todos.
Dia 01 - Chegada em Atenas
Como não existem vôos diretos do Brasil para a Grécia, fiz uma escala em Paris, no aeroporto Charles de Gaulle. Quando estive em Paris eu fui via Londres e não conhecia esse aeroporto, monstro em tamanho! Passei um tempinho dentro dele... Uma das comissárias havia me falado que não seria necessário passar pela imigração para fazer a conexão, mas não foi isso que aconteceu. A passagem para os terminais 2E e 2F estava fechada, e eu precisei sair da área de embarque e embarcar novamente, atravessando um longo caminho. Apareceu no meio do caminho até um shuttle train, um tipo de metrô que funciona dentro do aeroporto… Ao menos a imigração foi rápida e o funcionário só pediu meu passaporte. Mesmo assim o tempo entre a parada do avião que desembarquei e a chegada no portão de embarque do vôo seguinte levou bem uns 45 minutos. Para quem fará conexão aqui, se o tempo de intervalo for muito curto, ou se os terminais de chegada e saída forem diferentes, ficar esperto é uma boa pedida. O crescimento do número de viagens demanda uma crescente complexidade das estruturas, e para podermos por em prática nossos projetos, precisamos adaptar-nos a elas…
Cheguei em Atenas num Airbus A318 mal-tratado e velho (lembrei-me até que havia uma época onde existiam cinzeiros nos braços das poltronas), assim como o Boeing 747 do primeiro vôo. Até um banhinho antes da decolagem, com todos a bordo, o A318 recebeu. Porém, não sei dizer se era relacionado à sujeira ou a algum tipo de segurança. O estado dos aviões da Air France, porém, foi compensado pelo excelente atendimento e refeições (para os padrões aéreos) servidas. Lembrei-me vagamente da antiga Varig, já nos seus anos de decadência. Sobre a temperatura: saí de Campinas a 33ºC, cheguei em Paris a 0ºC (ajoelhou, tem de rezar – fui de shuttle bus para o embarque e senti o frio na pele) e cheguei em Atenas a 14ºC. E no momento que vos escrevo estou a -2ºC em Kastraki. Esse relato fica para depois… Darwin já dizia que a adaptação é necessária para a evolução…
Do aeroporto de Atenas, onde os fumantes podem fumar, mas só em caixinhas, é muito fácil pegar o metrô para a cidade (8 euros), simplesmente atravessando a avenida e pegando uma esteira rolante, tudo muito bem sinalizado (“trains”). Antes de sair do aeroporto, um mapa da cidade e das linhas de metrô podem ser pegos no balcão de informações. O início da linha azul do metrô (existem três linhas na capital grega) é a própria estação do aeroporto e parecia totalmente fantasma quando cheguei: ninguém nas plataformas. Porém, no caminho ao centro, ele começa a aparentar com os metrôs de cidade grande, com muitos usuários. O sistema funciona muito bem e é bem mapeado visualmente e através de informações sonoras, ambas na língua grega e inglesa. Precisei fazer uma conexão de linhas para chegar ao hotel e não tive nenhuma dificuldade.
Como ia viajar novamente no dia seguinte, porém agora de trem, escolhi um hotel próximo à estação: Neos Olympus. É um hotel gerido por mãe e filho – conheci ambos, e parece que deseja virar um hostel. Porém, precisa de divulgação, pois estava bem vazio. É um hotel honesto com um custo-benefício muito atraente, apesar da apatia da atendente.
O ponto curioso foi comprar produtos no supermercado com letras que só significam algo para você nas disciplinas de matemática: você se sente um analfabeto total no dia a dia.
Post seguinte: Meteora - Kalampaka e Kastraki!
Dia 02 e 03: Meteora
O trem para Kalampaka, última estação da linha, sai às 08:27hs da Estação Central Larissa e o bilhete custa 18,30 euros. Existe também um que sai às 16:15hs para quem quiser chegar mais tarde. Ele sai da plataforma 1, em frente a entrada da área de embarque, e o viajante deve ficar atento para entrar no vagão correto, pois há uma troca de composição no meio do caminho. Havia uma certa nostalgia, pois há um bom tempo que eu não andava de trem, desde a época européia de dez anos atrás. O andar do trem (que não tem nada de “bala”) é macio, sem solavancos. A viagem, lenta, durou 5 horas e transcorreu sem problemas. Logo quando o trem sai da proximidade de Atenas, foi notável a mudança de relevo. A planície se acidenta rapidamente tornando o terreno montanhoso. Isso mostra que de fato, os antigos atenienses tiveram um grande estímulo para se aventurarem pelos mares e para o comércio, pois a cidade em que viviam não oferecia condições adequadas para uma agricultura capaz de sustentar a crescente população. É fantástico estabelecer paralelos históricos estando presente no local! O ponto alto da viagem, entretanto, ocorre na sua parte média, após à cidade de Lamia, quando a composição atravessa alguns desfiladeiros, muitos túneis e picos nevados. Esses, aparecem até o fim
da viagem, cercando um extenso planalto já próximo de Kalampaka. O ponto negativo foi o ambiente inadequado para as fotos. O sol contra a luz e a iluminação na cabine gerando reflexos impediram boas imagens. Durante o percurso são avistadas muitas obras de uma nova estrada totalmente inacabadas e abandonadas. Reflexos da falência do Estado grego?…
Kalampaka é a porta de entrada da região de Meteora, local que abriga um complexo de monastérios erguidos no alto de grandes rochas na Idade Média, por monges eremitas que fugiam da ocupação dos otomanos. Foram construídos 20 no total, mas hoje existem apenas 6 em operação.
Chegando em Kalampaka, apesar de ter acabado com os snacks do supermercado no trem, fui procurar algo rápido para comer, pois tinha a intenção de visitar um mosteiro no mesmo dia. Fui apresentado para o Pitta Gyros, que me pareceu a versão grega do famoso donner Kebap. Dois alimentam muito bem e custam apenas 4 euros. Logo em seguida, fui a Kastraki.
Kastraki é um vilarejo a 2km da cidade, e encontra-se no meio do caminho para os monastérios. É claro que fui a pé, pois havia lido que a estrada é muito agradável de se caminhar. Na verdade, visualmente não é tanto assim, mas ainda vale a pena para sentir a atmosfera da região.
Primeiramente, fui procurar um local para passar a noite, pois não tinha feito nenhum contato, seguro que estava das vagas disponíveis por ser baixa temporada. E não me enganei: no primeiro local que visitei, a dona, após uma pequena pechincha, me cedeu um quarto com cama de casal e uma de solteiro (apoio de mochila) e banheiro privativo por 15 euros. Esse mesmo quarto, no mesmo dia, se reservado pelo booking.com, deduziria 32 euros da minha conta. Menos da metade! Após deixar o mochilão no quarto, saí para a estrada dos monastérios. O primeiro ficava a pouco mais de um quilômetro.
A cidade no meio da tarde estava totalmente deserta. Frio em torno de 5ºC. Depois que voltei ao hotel, já ao anoitecer, vi na internet que marcava -1ºC. Isso afugenta qualquer turista. Apenas os cães davam o ar da graça me seguindo em tudo que era lugar. Assim que cheguei ao primeiro monastério, decepção: tinha fechado às 15:00hs e já passava meia hora desse horário. Um australiano que eu havia encontrado pela estrada informou-se que o próximo mosteiro fecharia às 16hs e não daria tempo para chegarmos lá. Resolvemos voltar à cidade e fazer a visita no dia seguinte, pela manhã. Olhando algumas referências, decidi visitar o mais velho dentre os monastérios (St. Nicholaos) e o maior deles (Great Meteoro ou Metamorphosis). Pretendia posteriormente pegar um ônibus de Kalampaka à Trikalla e decidir o próximo roteiro – Delfos ou Peloponeso via Patra.
No dia seguinte, segui para o primeiro mosteiro, uma primeira caminhada fácil, apesar da tempertaura de 3ºC. Já havia percorrido o caminho no dia anterior, mas a mudança da posição do sol deu uma outra tonalidade e iluminação das rochas, e o ar da manhã é sempre mais agradável. Como havia comentado, o monastério de St. Nicholaos é o mais velho do conjunto, datando do século 11 segundo o guia local. A subida é fácil e o caminho agradável, o que nos faz até desconfiar do que nos diz a história sobre a proteção que tinham dos otomanos. Mas o relevo pode ter sido, de fato, bem modificado por ações humanas. O preço de entrada é convidativo - apenas 2 euros, e permite apreciar além do monastério em si e suas duas salas com belos afrescos nas paredes e teto, uma linda visão da região vista do alto. O seu tamanho, porém, não permite que gastemos mais do que meia hora em sua visita caso não haja algum interesse específico no local. O melhor da manhã estava, entretanto, ainda por vir.
Caminhando mais 1 km ao longo da vazia estrada, encontro um aviso com um mapa, escritos em alemão, na entrada de uma trilha à esquerda. Essa placa, na verdade uma carta parecida com as cartas feitas para mapear regiões de escalada nas rochas, mostrava um atalho pela trilha pela vegetação, que alcançava os monastérios de Varlaam e o Great Meteoro, meu alvo, uma vez que o monastério de Varlaam estaria fechado na quinta-feira. Cada um deles fecham em um dia específico na semana, e o viajante deve buscar essas informações, largamente distribuídas em folders ao longo das hospedagens. Bem, como ainda era de manhá e daria tempo para se perder e encontrar o caminho de volta, entrei sem hesitação.
E recomendo o mesmo a qualquer pessoa que já fez um simples trekking. A trilha é fácil, vegetação pouco cerrada, e proporciona momentos difíceis de serem revividos, ao menos para essa caminhada no final de outono. A época e a brisa faziam com que as folhas das árvores caíssem aos montes simultaneamente, em uma verdadeira chuva de folhas secas. Eram pequenos sustos a cada momento, com possíveis confusões com algum animal aproximando-se, misturados aos sons da neve craqueando sob seus pés e de pequenos cursos de água que desciam pela montanha. Ao final, a trilha torna-se um pouco mais íngreme, e a visão do alto fica cada vez mais fantástica e estimula ainda mais a subida. Depois e uns 30 ou 40 minutos, alcancei a estrada exclusiva do monastério de Varlaam para quem o alcança por essa via, ainda com neve. Mais adiante após uma pequena caminhada e uma escadaria, chega-se à entrada principal de Varlaam, que estava fechado, como citei anteriormente.
Conheci nessa entrada dois curiosos franceses, que ajudam a alimentar ideias mochileiras. Um deles, David, estava fazendo a viagem com uma moto pequenininha, de 125cc. Mas parecia que tinha 50cc. Já Claudio, viajava com um trailer puxado por um trator. Encontraram-se em algum ponto e nesse dia, David tinha dado uma carona para Claudio na moto. Quando pensamos que podemos ser realmente aventureiros sempre aparece uma história mais maluca no nosso caminho rs … O caminho para o monastério Grand Meteoro era pela estrada e curto, cerca de 500m, porém uma boa subida. David pediu que eu esperasse onde estávamos, levou Claudio até lá e voltou para me buscar. E lá estava eu, de carona em uma moto que parecia de brinquedo, em uma estrada cheia de gelo a muitos metros de altura. E claro, sem capacete. Acho que lá não é obrigatório, pois vi alguns motociclistas zanzando pelo centro de Kalampaka de cabeça vazia. Perigo? Nem tanto. O maior perigo que passei foi descer as escadarias do monastério com o gelo formando aquelas placas escorregadias. Quase caí várias vezes. Lembrou-me muito o inverno alemão.
O Great Meteoro foi um show à parte. Deixou o St. Nicholaus comendo poeira. O ingresso, no mesmo valor, vale cada centavo do investimento. Pela comparação de ambos, St. Nicholaus acabou sendo caro… O monastério é o maior do conjunto e assemelha-se a uma mini-cidadela. Até pontos de observação com canhão possui. Os mirantes são belíssimos (ele também é o mais alto), cômodos muito bem preservados com instrumentos da época, ao menos 5 salas que são verdadeiros museus, com exposição de livros e evangelhos escritos a mão desde o século XI, pergaminhos, quadros, objetos litúrgicos, exposição militar, e lindos afrescos nas paredes e tetos em algumas das salas. As fotos revelam por si próprias, a beleza do local. Pena que em alguns lugares as mesmas não são permitidas.
Decidi fazer o retorno pela estrada, e não pela trilha. Apesar de mais longa, imaginei a possibilidade de observar o vale e as montanhas por outros ângulos. Na estrada, ainda totalmente vazia e ainda gelada, apenas eu e Stephano, um italiano que conheci no mosteiro. Estava em férias de apenas 7 dias e visitava Atenas, Meteora e Tessalônica. Mesmo sem possuir tempo, as viagens solo atraem muitas pessoas. Não, não estamos sozinhos no mundo… Nos separamos rapidamente em uma bifurcação da estrada, pois ele ainda veria um outro monastério no dia. Sobrou para mim a caminhada de volta à Kastraki, interrompida depois de cerca de um quilômetro com o oferecimento de uma carona por um casal que descia a estrada. Voltei à Guesthouse, peguei minha mochila principal e outra mamata: a filha da Dona Marina, proprietária do local, e uma amiga estavam indo de Pajero para Kalampaka e me ofereceram uma carona. Eu podia ir andando, pois caminhar nesses locais não tem nada de ruim mesmo, mas fica chato recusar… Acabaram me deixando na porta da única atração que havia pesquisado na cidade de Kalampaka, a velha Igreja Bizantina.
A igreja estava em reforma e basicamente oferecia afrescos bizantinos para serem apreciados, além de um altar no meio de seu átrio. Fica no alto de um morro com uma bela vista da cidade, e sua entrada custa 1,5 euro. Porém, na pressa, caso o viajante não se interesse pela pintura bizantina, não precisa fazer questão de visitá-la.
Na estação rodoviária de Kalampaka, só existe um destino – Trikalla (2,30 euros). Você pode, porém, comprar no mesmo balcão, ônibus de Trikalla a outras cidades. Eu estava em dúvida se ia ao Peloponeso ou Delfos. Comprei uma passagem de Trikalla para Lamia (11,80 euros), que era uma cidade onde podia comprar esses outros tickets diretamente. Decidiria no momento. Como verão no próximo post, decidi ir a Delfos.
Próximo post: Delfos.
Dia 04 - Delfos
Cheguei no Terminal de Ônibus de Lamia já por volta das 17:30hs, e verifiquei no balcão da companhia sobre as opções para Patra e Delfos. O ônibus para Patra sairia apenas às 20:00hs e demoraria cerca de 4 horas e meia. Inviável, pois não havia feito reserva de hospedagem. O de Delfos também não seria perfeito, pois saía às 19:00hs e sua viagem duraria 2 horas e meia. Pensei em passar a noite em Lamia mesmo, mas achei que seria muito mais fácil arranjar uma hospedagem em Delfos, pois é uma cidade tipicamente turística. E paguei o ticket de 9,20 euros. A viagem foi tranquila, acompanhada pelo GPS apenas para certificar se tinha pego o ônibus correto. Adoro essa invenção!
O ônibus pára bem ao final da rua principal de Delfos (ou no começo, para quem vem de Atenas), com muitos hotéis relativamente simples. De qualquer forma, são hotéis, não hostels (confirmei no booking.com: eles não existem em Delfos) ou guestrooms. Pechichando, não caiu dos 20 euros. E em cash apenas. Como eu estava cansado e sem condições de procurar algo melhor em virtude do horário, fechei com o atendente do Hotel Sibylla. O quarto é bom e possui uma varanda com uma bela vista, percebida pela manhã, para o desfiladeiro, que parece penetrar na cidade de tão íngreme, e para o Golfo de Corinto ao fundo. O dia nublado, infelizmente não ajudou a separar nitidamente os tons da água e do céu. Dormi mais essa noite, pois o sítio arqueológico fica a menos de 500m desse ponto da cidade e me permiti acordar mais tarde, calculando que terminaria de ver tudo a tempo de voltar ainda cedo para Atenas.
Mas não foi bem isso que aconteceu… Tomei o café da manhã tranquilo e andei um pouco na rua principal de Delfos – que não é a mesma cidade da antiguidade, antes de ir ao sítio. Uma cidade minúscula, bem cuidada e encravada entre a o Monte Parnassos e o profundo vale. Um aperto só: não tem nem 400m no seu ponto mais largo (vejam no google maps, é curioso). Na caminhada para o sítio, a companhia lado a lado do enorme desfiladeiro que permeia o Monte Parnassos, assusta e ao mesmo tempo maravilha qualquer pessoa que gosta de história e que incorpora as sensações do lugar. Percebemos como aquele local era sagrado para os habitantes da época, em virtude do assombro e imponência que causa.
O sítio arqueológico fica em uma área visualmente estratégica do monte e é muito bem documentado, com informações sobre cada ponto das ruínas, incluindo a reconstituição visual das construções em sua época de ouro. Ler sobre a história, apreciar os desenhos, ver o que restou e deixar o cérebro reconstituir todas as partes que faltam é fascinante. Quando fui à Itália, comprei um guia ilustrado que mostrava em um folha as fotos das ruínas de Roma e em papel transparente em sobreposição, o desenho da reconstituição do local, exceto as ruínas atuais. Isso é, o desenho “cola” na foto e mostra qual a função de cada pedrinha das ruínas. Sempre volto a folhear o livro quando o vejo descansando no armário. Em Delfos, as construções mais preservadas são o Tesouro de Atenas, O Templo de Apolo, onde ficava a pitonisa – a voz do oráculo, o Teatro e o Estádio. O ticket custa 9 euros e dá o direito de entrar também no Museu, que comento a seguir.
Após a sáida do sítio, caminhando um pouco além na estrada, o viajante encontra a fonte Castalian, canal onde escoa a água filtrada pelo monte e que possui a mesma idade dos sítios (cerca de 2500 anos). Logo acompanhando a estrada à direita, além de 300m encontra-se a entrada para o Santuário da Athena Pronaia, um outro sítio arqueológico que possui uma construção circular – o Tholos, com três de seus pilares ainda de pé. Sâo mais visões de séculos e séculos de história. E para quem gosta de felinos, também pode ser estimulante. É inacreditável a quantidade de gatos no local.
Vindo da cidade, o museu fica imediatamente antes do sítio principal. Haviam-me sugerido visitá-lo posteriormente ao sítio. Se eu fosse de novo, faria o inverso. O museu, totalmente reformado em 1999, é um primor na organização das peças e coleções, com extensas explicações de cada peça, totalmente referenciadas. Se for ater-se em tudo, é fácil gastar mais de 4 horas apenas no Museu. E essas informações são importantes para entender um pouco das construções que estão no sítio. Na saída do museu, inclusive, existe uma maquete sobre toda a área do sítio arqueológico, muito útil para a reconstituição mental posteriormente.
Bom, acabei gastando quase 6 horas nas visitações. Voltei à cidade, comprei a passagem para Atenas (15,10 euros) ainda com um tempo de poder experimentar uma moussaka, prato típico da Grécia. Gostei muito, mas com a fome que eu estava eu era suspeito. No caminho de volta, passamos por dentro de algumas cidades e uma me chamou a atenção: Arachova. Pareceu-me uma cidade muito agradável, com casas bem conservadas, no estilo mais europeu do norte. Pesquisando na net, descobri que abriga uma estação de ski e é produtora de azeitonas. Cheguei em Atenas já de noite, mas já havia reservado o mesmo hotel do dia da chegada e estava tranquilo quanto a hospedagem.
Pessoal, iniciei uma viagem que deve durar uns 6 meses pela Grécia.
Vou começar a postar os relatos que estou colocando no meu blog aqui. Para quem quiser ver todas as fotos, etc, entrem no blog que está abaixo da minha assinatura. As fotos não vêm "coladas" pelo blog, não sei como fazer. E postar uma a uma aqui tá osso, pois estou tentando fazer isso durante a viagem. As legendas vêm, tenho que tirá-las uma a uma. Se virem alguma frase fora de contexto pode ser um esquecimento meu.
Abraços a todos.
Dia 01 - Chegada em Atenas
Como não existem vôos diretos do Brasil para a Grécia, fiz uma escala em Paris, no aeroporto Charles de Gaulle. Quando estive em Paris eu fui via Londres e não conhecia esse aeroporto, monstro em tamanho! Passei um tempinho dentro dele... Uma das comissárias havia me falado que não seria necessário passar pela imigração para fazer a conexão, mas não foi isso que aconteceu. A passagem para os terminais 2E e 2F estava fechada, e eu precisei sair da área de embarque e embarcar novamente, atravessando um longo caminho. Apareceu no meio do caminho até um shuttle train, um tipo de metrô que funciona dentro do aeroporto… Ao menos a imigração foi rápida e o funcionário só pediu meu passaporte. Mesmo assim o tempo entre a parada do avião que desembarquei e a chegada no portão de embarque do vôo seguinte levou bem uns 45 minutos. Para quem fará conexão aqui, se o tempo de intervalo for muito curto, ou se os terminais de chegada e saída forem diferentes, ficar esperto é uma boa pedida. O crescimento do número de viagens demanda uma crescente complexidade das estruturas, e para podermos por em prática nossos projetos, precisamos adaptar-nos a elas…
Cheguei em Atenas num Airbus A318 mal-tratado e velho (lembrei-me até que havia uma época onde existiam cinzeiros nos braços das poltronas), assim como o Boeing 747 do primeiro vôo. Até um banhinho antes da decolagem, com todos a bordo, o A318 recebeu. Porém, não sei dizer se era relacionado à sujeira ou a algum tipo de segurança. O estado dos aviões da Air France, porém, foi compensado pelo excelente atendimento e refeições (para os padrões aéreos) servidas. Lembrei-me vagamente da antiga Varig, já nos seus anos de decadência. Sobre a temperatura: saí de Campinas a 33ºC, cheguei em Paris a 0ºC (ajoelhou, tem de rezar – fui de shuttle bus para o embarque e senti o frio na pele) e cheguei em Atenas a 14ºC. E no momento que vos escrevo estou a -2ºC em Kastraki. Esse relato fica para depois… Darwin já dizia que a adaptação é necessária para a evolução…
Do aeroporto de Atenas, onde os fumantes podem fumar, mas só em caixinhas, é muito fácil pegar o metrô para a cidade (8 euros), simplesmente atravessando a avenida e pegando uma esteira rolante, tudo muito bem sinalizado (“trains”). Antes de sair do aeroporto, um mapa da cidade e das linhas de metrô podem ser pegos no balcão de informações. O início da linha azul do metrô (existem três linhas na capital grega) é a própria estação do aeroporto e parecia totalmente fantasma quando cheguei: ninguém nas plataformas. Porém, no caminho ao centro, ele começa a aparentar com os metrôs de cidade grande, com muitos usuários. O sistema funciona muito bem e é bem mapeado visualmente e através de informações sonoras, ambas na língua grega e inglesa. Precisei fazer uma conexão de linhas para chegar ao hotel e não tive nenhuma dificuldade.
Como ia viajar novamente no dia seguinte, porém agora de trem, escolhi um hotel próximo à estação: Neos Olympus. É um hotel gerido por mãe e filho – conheci ambos, e parece que deseja virar um hostel. Porém, precisa de divulgação, pois estava bem vazio. É um hotel honesto com um custo-benefício muito atraente, apesar da apatia da atendente.
O ponto curioso foi comprar produtos no supermercado com letras que só significam algo para você nas disciplinas de matemática: você se sente um analfabeto total no dia a dia.
Post seguinte: Meteora - Kalampaka e Kastraki!
Dia 02 e 03: Meteora
O trem para Kalampaka, última estação da linha, sai às 08:27hs da Estação Central Larissa e o bilhete custa 18,30 euros. Existe também um que sai às 16:15hs para quem quiser chegar mais tarde. Ele sai da plataforma 1, em frente a entrada da área de embarque, e o viajante deve ficar atento para entrar no vagão correto, pois há uma troca de composição no meio do caminho. Havia uma certa nostalgia, pois há um bom tempo que eu não andava de trem, desde a época européia de dez anos atrás. O andar do trem (que não tem nada de “bala”) é macio, sem solavancos. A viagem, lenta, durou 5 horas e transcorreu sem problemas. Logo quando o trem sai da proximidade de Atenas, foi notável a mudança de relevo. A planície se acidenta rapidamente tornando o terreno montanhoso. Isso mostra que de fato, os antigos atenienses tiveram um grande estímulo para se aventurarem pelos mares e para o comércio, pois a cidade em que viviam não oferecia condições adequadas para uma agricultura capaz de sustentar a crescente população. É fantástico estabelecer paralelos históricos estando presente no local! O ponto alto da viagem, entretanto, ocorre na sua parte média, após à cidade de Lamia, quando a composição atravessa alguns desfiladeiros, muitos túneis e picos nevados. Esses, aparecem até o fim
da viagem, cercando um extenso planalto já próximo de Kalampaka. O ponto negativo foi o ambiente inadequado para as fotos. O sol contra a luz e a iluminação na cabine gerando reflexos impediram boas imagens. Durante o percurso são avistadas muitas obras de uma nova estrada totalmente inacabadas e abandonadas. Reflexos da falência do Estado grego?…
Kalampaka é a porta de entrada da região de Meteora, local que abriga um complexo de monastérios erguidos no alto de grandes rochas na Idade Média, por monges eremitas que fugiam da ocupação dos otomanos. Foram construídos 20 no total, mas hoje existem apenas 6 em operação.
Chegando em Kalampaka, apesar de ter acabado com os snacks do supermercado no trem, fui procurar algo rápido para comer, pois tinha a intenção de visitar um mosteiro no mesmo dia. Fui apresentado para o Pitta Gyros, que me pareceu a versão grega do famoso donner Kebap. Dois alimentam muito bem e custam apenas 4 euros. Logo em seguida, fui a Kastraki.
Kastraki é um vilarejo a 2km da cidade, e encontra-se no meio do caminho para os monastérios. É claro que fui a pé, pois havia lido que a estrada é muito agradável de se caminhar. Na verdade, visualmente não é tanto assim, mas ainda vale a pena para sentir a atmosfera da região.
Primeiramente, fui procurar um local para passar a noite, pois não tinha feito nenhum contato, seguro que estava das vagas disponíveis por ser baixa temporada. E não me enganei: no primeiro local que visitei, a dona, após uma pequena pechincha, me cedeu um quarto com cama de casal e uma de solteiro (apoio de mochila) e banheiro privativo por 15 euros. Esse mesmo quarto, no mesmo dia, se reservado pelo booking.com, deduziria 32 euros da minha conta. Menos da metade! Após deixar o mochilão no quarto, saí para a estrada dos monastérios. O primeiro ficava a pouco mais de um quilômetro.
A cidade no meio da tarde estava totalmente deserta. Frio em torno de 5ºC. Depois que voltei ao hotel, já ao anoitecer, vi na internet que marcava -1ºC. Isso afugenta qualquer turista. Apenas os cães davam o ar da graça me seguindo em tudo que era lugar. Assim que cheguei ao primeiro monastério, decepção: tinha fechado às 15:00hs e já passava meia hora desse horário. Um australiano que eu havia encontrado pela estrada informou-se que o próximo mosteiro fecharia às 16hs e não daria tempo para chegarmos lá. Resolvemos voltar à cidade e fazer a visita no dia seguinte, pela manhã. Olhando algumas referências, decidi visitar o mais velho dentre os monastérios (St. Nicholaos) e o maior deles (Great Meteoro ou Metamorphosis). Pretendia posteriormente pegar um ônibus de Kalampaka à Trikalla e decidir o próximo roteiro – Delfos ou Peloponeso via Patra.
No dia seguinte, segui para o primeiro mosteiro, uma primeira caminhada fácil, apesar da tempertaura de 3ºC. Já havia percorrido o caminho no dia anterior, mas a mudança da posição do sol deu uma outra tonalidade e iluminação das rochas, e o ar da manhã é sempre mais agradável. Como havia comentado, o monastério de St. Nicholaos é o mais velho do conjunto, datando do século 11 segundo o guia local. A subida é fácil e o caminho agradável, o que nos faz até desconfiar do que nos diz a história sobre a proteção que tinham dos otomanos. Mas o relevo pode ter sido, de fato, bem modificado por ações humanas. O preço de entrada é convidativo - apenas 2 euros, e permite apreciar além do monastério em si e suas duas salas com belos afrescos nas paredes e teto, uma linda visão da região vista do alto. O seu tamanho, porém, não permite que gastemos mais do que meia hora em sua visita caso não haja algum interesse específico no local. O melhor da manhã estava, entretanto, ainda por vir.
Caminhando mais 1 km ao longo da vazia estrada, encontro um aviso com um mapa, escritos em alemão, na entrada de uma trilha à esquerda. Essa placa, na verdade uma carta parecida com as cartas feitas para mapear regiões de escalada nas rochas, mostrava um atalho pela trilha pela vegetação, que alcançava os monastérios de Varlaam e o Great Meteoro, meu alvo, uma vez que o monastério de Varlaam estaria fechado na quinta-feira. Cada um deles fecham em um dia específico na semana, e o viajante deve buscar essas informações, largamente distribuídas em folders ao longo das hospedagens. Bem, como ainda era de manhá e daria tempo para se perder e encontrar o caminho de volta, entrei sem hesitação.
E recomendo o mesmo a qualquer pessoa que já fez um simples trekking. A trilha é fácil, vegetação pouco cerrada, e proporciona momentos difíceis de serem revividos, ao menos para essa caminhada no final de outono. A época e a brisa faziam com que as folhas das árvores caíssem aos montes simultaneamente, em uma verdadeira chuva de folhas secas. Eram pequenos sustos a cada momento, com possíveis confusões com algum animal aproximando-se, misturados aos sons da neve craqueando sob seus pés e de pequenos cursos de água que desciam pela montanha. Ao final, a trilha torna-se um pouco mais íngreme, e a visão do alto fica cada vez mais fantástica e estimula ainda mais a subida. Depois e uns 30 ou 40 minutos, alcancei a estrada exclusiva do monastério de Varlaam para quem o alcança por essa via, ainda com neve. Mais adiante após uma pequena caminhada e uma escadaria, chega-se à entrada principal de Varlaam, que estava fechado, como citei anteriormente.
Conheci nessa entrada dois curiosos franceses, que ajudam a alimentar ideias mochileiras. Um deles, David, estava fazendo a viagem com uma moto pequenininha, de 125cc. Mas parecia que tinha 50cc. Já Claudio, viajava com um trailer puxado por um trator. Encontraram-se em algum ponto e nesse dia, David tinha dado uma carona para Claudio na moto. Quando pensamos que podemos ser realmente aventureiros sempre aparece uma história mais maluca no nosso caminho rs … O caminho para o monastério Grand Meteoro era pela estrada e curto, cerca de 500m, porém uma boa subida. David pediu que eu esperasse onde estávamos, levou Claudio até lá e voltou para me buscar. E lá estava eu, de carona em uma moto que parecia de brinquedo, em uma estrada cheia de gelo a muitos metros de altura. E claro, sem capacete. Acho que lá não é obrigatório, pois vi alguns motociclistas zanzando pelo centro de Kalampaka de cabeça vazia. Perigo? Nem tanto. O maior perigo que passei foi descer as escadarias do monastério com o gelo formando aquelas placas escorregadias. Quase caí várias vezes. Lembrou-me muito o inverno alemão.
O Great Meteoro foi um show à parte. Deixou o St. Nicholaus comendo poeira. O ingresso, no mesmo valor, vale cada centavo do investimento. Pela comparação de ambos, St. Nicholaus acabou sendo caro… O monastério é o maior do conjunto e assemelha-se a uma mini-cidadela. Até pontos de observação com canhão possui. Os mirantes são belíssimos (ele também é o mais alto), cômodos muito bem preservados com instrumentos da época, ao menos 5 salas que são verdadeiros museus, com exposição de livros e evangelhos escritos a mão desde o século XI, pergaminhos, quadros, objetos litúrgicos, exposição militar, e lindos afrescos nas paredes e tetos em algumas das salas. As fotos revelam por si próprias, a beleza do local. Pena que em alguns lugares as mesmas não são permitidas.
Decidi fazer o retorno pela estrada, e não pela trilha. Apesar de mais longa, imaginei a possibilidade de observar o vale e as montanhas por outros ângulos. Na estrada, ainda totalmente vazia e ainda gelada, apenas eu e Stephano, um italiano que conheci no mosteiro. Estava em férias de apenas 7 dias e visitava Atenas, Meteora e Tessalônica. Mesmo sem possuir tempo, as viagens solo atraem muitas pessoas. Não, não estamos sozinhos no mundo… Nos separamos rapidamente em uma bifurcação da estrada, pois ele ainda veria um outro monastério no dia. Sobrou para mim a caminhada de volta à Kastraki, interrompida depois de cerca de um quilômetro com o oferecimento de uma carona por um casal que descia a estrada. Voltei à Guesthouse, peguei minha mochila principal e outra mamata: a filha da Dona Marina, proprietária do local, e uma amiga estavam indo de Pajero para Kalampaka e me ofereceram uma carona. Eu podia ir andando, pois caminhar nesses locais não tem nada de ruim mesmo, mas fica chato recusar… Acabaram me deixando na porta da única atração que havia pesquisado na cidade de Kalampaka, a velha Igreja Bizantina.
A igreja estava em reforma e basicamente oferecia afrescos bizantinos para serem apreciados, além de um altar no meio de seu átrio. Fica no alto de um morro com uma bela vista da cidade, e sua entrada custa 1,5 euro. Porém, na pressa, caso o viajante não se interesse pela pintura bizantina, não precisa fazer questão de visitá-la.
Na estação rodoviária de Kalampaka, só existe um destino – Trikalla (2,30 euros). Você pode, porém, comprar no mesmo balcão, ônibus de Trikalla a outras cidades. Eu estava em dúvida se ia ao Peloponeso ou Delfos. Comprei uma passagem de Trikalla para Lamia (11,80 euros), que era uma cidade onde podia comprar esses outros tickets diretamente. Decidiria no momento. Como verão no próximo post, decidi ir a Delfos.
Próximo post: Delfos.
Dia 04 - Delfos
Cheguei no Terminal de Ônibus de Lamia já por volta das 17:30hs, e verifiquei no balcão da companhia sobre as opções para Patra e Delfos. O ônibus para Patra sairia apenas às 20:00hs e demoraria cerca de 4 horas e meia. Inviável, pois não havia feito reserva de hospedagem. O de Delfos também não seria perfeito, pois saía às 19:00hs e sua viagem duraria 2 horas e meia. Pensei em passar a noite em Lamia mesmo, mas achei que seria muito mais fácil arranjar uma hospedagem em Delfos, pois é uma cidade tipicamente turística. E paguei o ticket de 9,20 euros. A viagem foi tranquila, acompanhada pelo GPS apenas para certificar se tinha pego o ônibus correto. Adoro essa invenção!
O ônibus pára bem ao final da rua principal de Delfos (ou no começo, para quem vem de Atenas), com muitos hotéis relativamente simples. De qualquer forma, são hotéis, não hostels (confirmei no booking.com: eles não existem em Delfos) ou guestrooms. Pechichando, não caiu dos 20 euros. E em cash apenas. Como eu estava cansado e sem condições de procurar algo melhor em virtude do horário, fechei com o atendente do Hotel Sibylla. O quarto é bom e possui uma varanda com uma bela vista, percebida pela manhã, para o desfiladeiro, que parece penetrar na cidade de tão íngreme, e para o Golfo de Corinto ao fundo. O dia nublado, infelizmente não ajudou a separar nitidamente os tons da água e do céu. Dormi mais essa noite, pois o sítio arqueológico fica a menos de 500m desse ponto da cidade e me permiti acordar mais tarde, calculando que terminaria de ver tudo a tempo de voltar ainda cedo para Atenas.
Mas não foi bem isso que aconteceu… Tomei o café da manhã tranquilo e andei um pouco na rua principal de Delfos – que não é a mesma cidade da antiguidade, antes de ir ao sítio. Uma cidade minúscula, bem cuidada e encravada entre a o Monte Parnassos e o profundo vale. Um aperto só: não tem nem 400m no seu ponto mais largo (vejam no google maps, é curioso). Na caminhada para o sítio, a companhia lado a lado do enorme desfiladeiro que permeia o Monte Parnassos, assusta e ao mesmo tempo maravilha qualquer pessoa que gosta de história e que incorpora as sensações do lugar. Percebemos como aquele local era sagrado para os habitantes da época, em virtude do assombro e imponência que causa.
O sítio arqueológico fica em uma área visualmente estratégica do monte e é muito bem documentado, com informações sobre cada ponto das ruínas, incluindo a reconstituição visual das construções em sua época de ouro. Ler sobre a história, apreciar os desenhos, ver o que restou e deixar o cérebro reconstituir todas as partes que faltam é fascinante. Quando fui à Itália, comprei um guia ilustrado que mostrava em um folha as fotos das ruínas de Roma e em papel transparente em sobreposição, o desenho da reconstituição do local, exceto as ruínas atuais. Isso é, o desenho “cola” na foto e mostra qual a função de cada pedrinha das ruínas. Sempre volto a folhear o livro quando o vejo descansando no armário. Em Delfos, as construções mais preservadas são o Tesouro de Atenas, O Templo de Apolo, onde ficava a pitonisa – a voz do oráculo, o Teatro e o Estádio. O ticket custa 9 euros e dá o direito de entrar também no Museu, que comento a seguir.
Após a sáida do sítio, caminhando um pouco além na estrada, o viajante encontra a fonte Castalian, canal onde escoa a água filtrada pelo monte e que possui a mesma idade dos sítios (cerca de 2500 anos). Logo acompanhando a estrada à direita, além de 300m encontra-se a entrada para o Santuário da Athena Pronaia, um outro sítio arqueológico que possui uma construção circular – o Tholos, com três de seus pilares ainda de pé. Sâo mais visões de séculos e séculos de história. E para quem gosta de felinos, também pode ser estimulante. É inacreditável a quantidade de gatos no local.
Vindo da cidade, o museu fica imediatamente antes do sítio principal. Haviam-me sugerido visitá-lo posteriormente ao sítio. Se eu fosse de novo, faria o inverso. O museu, totalmente reformado em 1999, é um primor na organização das peças e coleções, com extensas explicações de cada peça, totalmente referenciadas. Se for ater-se em tudo, é fácil gastar mais de 4 horas apenas no Museu. E essas informações são importantes para entender um pouco das construções que estão no sítio. Na saída do museu, inclusive, existe uma maquete sobre toda a área do sítio arqueológico, muito útil para a reconstituição mental posteriormente.
Bom, acabei gastando quase 6 horas nas visitações. Voltei à cidade, comprei a passagem para Atenas (15,10 euros) ainda com um tempo de poder experimentar uma moussaka, prato típico da Grécia. Gostei muito, mas com a fome que eu estava eu era suspeito. No caminho de volta, passamos por dentro de algumas cidades e uma me chamou a atenção: Arachova. Pareceu-me uma cidade muito agradável, com casas bem conservadas, no estilo mais europeu do norte. Pesquisando na net, descobri que abriga uma estação de ski e é produtora de azeitonas. Cheguei em Atenas já de noite, mas já havia reservado o mesmo hotel do dia da chegada e estava tranquilo quanto a hospedagem.
Próximo post: Atenas.