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Olá viajante!

Bora viajar?

Mil Perrengues: Bolívia, Chile e Peru

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Fala galera da mochila!

 

Estou aqui mais uma vez, como forma de retribuição, para registrar nossa aventura. O roteiro é clássico e já conhecido de quase todos por aqui, mas nunca imaginaria que uma viagem dessas fosse tão marcante e tão imprevisível.

 

Iniciamos – eu e a Miriam (minha esposa) – no dia 12.03.2014 por Santa Cruz, depois Sucre, Potosi, Uyuni (Salar), San Pedro do Atacama, Arequipa, Cusco (Macchu Picchu), Copacabana e, por fim, La Paz.

 

Antes de mais nada, gostaria de agradecer imensamente a TODOS do Mochileiros.com que me ajudaram a construir e realizar esta viagem, direta ou indiretamente, especialmente Sorrent, Mauro Brandão, Maria Emília, guto_okamoto (e os mendigos machos), Aletucs, camilalisboa e todos os demais que a minha memória traiu agora...Muito Obrigado!

 

Gastos

 

A primeira preocupação de qualquer mochileiro, além do roteiro, claro, é com a grana que irá investir. Posso dizer que conseguimos ser bem econômicos, principalmente com comida e hospedagem, fato que foi bem proveitoso ao final, restando uns dólares para o Free Shop e presentes aos amigos.

 

No total, gastamos cerca de R$ 4.500,00 (reais) para o casal, com tudo, hostel, comida, passeios, etc. Só não entrou nessa conta as passagens aéreas de ida e volta e um “plus” devido aos perrengues que explicarei mais tarde...

 

Levamos TUDO em dólares e foi a melhor coisa que fizemos. Não tivemos problema algum, sem preocupação com caixas eletrônicos, taxas de cartão de crédito e demais preocupações. O único risco – e bota risco nisso – era perder o dinheiro, mas levamos duas Money Belt que deram conta do recado, só tirávamos para tomar banho e olha lá!

 

A estratégia foi trocar reais por dólares aos poucos, aqui no Brasil. Íamos acompanhando a cotação e quando estava boa, ligávamos para três casas de câmbio e brigávamos pela melhor cotação, sempre dava certo e uma cobria o preço da outra.

 

Passagens: R$ 1.380,00 para os dois já com todas as taxas, voando Gol. O melhor preço foi no decolar.com, inclusive com mais opções de horário.

 

Reservas/Hospedagem

 

A única reserva que fizemos com antecedência foi para o Jodanga, hostel excelente de Santa Cruz, pois queríamos conhecê-lo e sabíamos que não voltaríamos tão cedo a Santa Cruz, quer dizer, pelo menos não imaginávamos o final SURPREENDENTE dessa viagem...Mas enfim, quem quiser dar uma olhada no Jodanga e já aproveitar para fazer aquela reserva esperta, entra lá no site deles: http://www.jodanga.com/

 

No mais, fomos desbravando as “ótimas” ::mmm: opções de hospedagem que a nossa querida América do Sul nos oferece, com exceção do Wild Rover, que realmente é muito bom, mas só tem em Arequipa, Cusco e La Paz, recomendadíssimo! Pela festa, pela bagunça, pelo conforto, pela higiene, pela comida, pela galera, etc., etc., etc., quem já ficou lá sabe do que estou falando...E mesmo para você, rapaz casado e sério e você, donzela comprometida, vale a pena. Como disse, fui com minha esposa e curtimos muito o lugar, não é só para pegação e bebedeira que o Wild Rover se presta, confiem em nós: http://www.wildroverhostels.com/

 

Obs. Se você for solteiro (a), então amigo (a), o Wild Rover é parada obrigatória. ::hahaha::

 

Perrengues

 

Meu Deus do céu! Só nesta trip aprendemos a lidar com quase todos os tipos de perrengues que uma viagem pode proporcionar. Terminamos com a sensação de missão cumprida, mesmo não conseguindo seguir boa parte do nosso roteiro, infelizmente, mas serviu como um grande aprendizado e um motivo para voltarmos, sem sombra de dúvida. Então, como todo bom mochileiro, prepara-se e curta o momento...

 

Certificado Internacional de Vacinação

 

Como a maioria que já postou relato por aqui, não nos foi solicitado este certificado em nenhum momento da viagem. No entanto, se você quiser garantir, o posto da ANVISA, no aeroporto de Guarulhos, fica no Terminal 2, ASA "C" - Desembarque, e você poderá retirá-lo na hora.

 

IMPORTANTE: Para a retirada do Certificado Internacional, primeiro deverá tomar a vacina em qualquer posto de saúde, é de graça e garantirá sua proteção contra a FEBRE AMARELA. Para agilizar as coisas caso queira retirar o certificado no mesmo dia do seu voo, como nós fizemos, antes de sair de casa, faça seu cadastro no site da ANVISA, pois sem ele não será possível a retirada no posto do aeroporto. Você até consegue fazer o cadastro na hora, eles têm um computador ligado à internet lá mesmo, mas a conexão é lenta e tem fila, o que poderá atrapalhar seus planos ou fazer com que se atrase para pegar o avião.

 

Então vamos lá!

 

12.03.2014 – São Paulo / Santa Cruz de La Sierra (Bolívia)

 

Voamos pela Gol, com saída do aeroporto de Guarulhos às 11h05 e chegada prevista em Santa Cruz às 13h10, tudo no horário e sem transtornos, aliás, essa primeira parte da trip foi bem tranquila, mal sabíamos o que vinha pela frente...

 

Chegando em Santa Cruz, logo trocamos 100 dólares no aeroporto mesmo, pois não tínhamos um boliviano sequer e sabíamos que iríamos precisar para o táxi até o Jodanga, pagamento da diária, lanche e uns itens de última hora.

 

Logo no avião já conhecemos o primeiro brasileiro! Um baiano gente fina que faz medicina em Santa Cruz, aliás, estudante brasileiro de medicina em Santa Cruz é como formiga, tem em todo canto!

 

As perguntas básicas aos brasileiros que chegam nessa cidade são: “Faz medicina?” e “Veio colocar silicone?” Hahahahaha.

 

Pois bem, já com todas as dicas do nosso amigo baiano que não é muito chegado em carnaval, chegamos à cidade mais brasileira da Bolívia. É incrível como Santa Cruz se parece com o Brasil, desde a fisionomia do povo, até o clima e a comida.

 

CURIOSIDADE: Ao sair do aeroporto, existe um sistema alfandegário e de segurança curioso. Ninguém, ninguém mesmo entende e eles não explicam. O lance é o seguinte, existe uma porta grande, tipo aquelas com detector de metais, com um botão. Você chega, aperta o botão e, se ficar verde: Liberado! Se ficar vermelho: Revistado! Hahahaha, mas isso é antes de passar pelo suposto detector de metais! WTF?! Como assim? É tipo um roda a roda do Silvio Santos! Pura sorte, nada mais que isso! E detalhe, NINGUÉM RECEBEU LUZ VERMELHA! Passaram umas trinta pessoas na nossa frente e não acendeu a luz vermelha nenhuma vez!

 

O trajeto até o Jodanga é bem tranquilo, um pouco distante, mas tranquilo. Este foi o único táxi que pegamos em Santa Cruz, carro velho, sem cinto, que engasgava e morria a cada 5 km. O taxista era bem fechado, só se soltou quando começamos a falar em português (eita povo simpático de meu Deus), perguntando sobre a Copa, economia, política...Puxar papo com o taxista sempre ajuda.

 

 

Chegando ao Jodanga, surpresa agradável. Hostel com clima caribenho, pessoal simpático, com piscina, bar, wi-fi, enfim, ótimo lugar. Ficamos num quarto para 10 pessoas (beliches), misto, com banheiro e chuveiro quente próprios. O locker fica fora do quarto, no corredor, mas é bem tranquilo, nos sentimos bem seguros lá.

 

Pedimos informações na recepção e já saímos para desbravar a Bolívia brasileira! De lá, caminhamos até um parque que fica bem perto do Hostel, lugar agradável e bem arborizado. Andamos mais um pouco até uma avenida, contornando esse parque e chegamos a um ponto de ônibus. Aí já sacamos como funciona o transporte público na Bolívia.

 

O lance é o seguinte: Não existe ponto de ônibus! Você fica parado numa esquina, numa rua qualquer onde costumam passar os “buses” e, ao avistá-lo, sai correndo atrás! Faz sinal! Mostra a camisa a Brasil! Vira estrelinha, dá um duplo twist carpado, Isso deve funcionar...Para vocês terem uma ideia, de táxi, do Jodanga até o centro, ficaria em torno de 80 BOB´s (bolivianos) ida e volta - pelo menos foi isso que uma brasileira gastou. Nós gastamos míseros 4 BOB´s, cerca de R$ 1,28 (cada passagem). Então, ao contrário da Angélica, Vá de ônibus!

 

Além da economia, é muito divertido. São micro-ônibus bem velhos, importados do Japão da década de 70 e sem segurança alguma. Eles andam com as portas abertas para facilitar a entrada e saída da galera, é sério, às vezes nem param, passam perto da calçada e o povo vai subindo, pagando o motorista, e se agarrando nas ferrugens para ficar em pé. Pra ajudar, como bom brasileiro, estava de chinelo e levei um mil, duzentos e dezessete pisões no dedão do pé direito, resultando, ao final, um saldo de -1 unha.

 

Enfim, chegamos ao centro de Santa Cruz, lugar agradável e meio caótico. A praça XXIV de Setembro é bonita e bem cuidada, com muitas crianças e pombas, as “palomitas”, terror da Miriam :cry: . Resolvemos comer no Burger King, que fica bem em frente a essa praça, num lugar bem legal, enorme e com cara de museu antropológico da minha cidade, hehe. Andamos bastante por todo o centro, já se adaptando novamente ao espanhol e ao povo boliviano. Entramos no mercado municipal, passeamos pela praça, tiramos algumas fotos e conhecemos a catedral, linda.

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De volta ao Hostel, compramos umas bobeiras numa mercearia próxima e aproveitamos para curtir o lugar. O pessoal é bem gente fina, mas tinham muitos, muitos israelenses que, apesar de simpáticos, se fechavam entre eles, numa espécie de panelinha israelita. Uma pena.

 

No mais, entramos no quarto e a Miriam foi perguntar em espanhol não sei o que a um cara com pinta de indiano, que respondeu em inglês e era brasileiro! Hahahaha. Logo uma outra veio berrando: Brasileiros! Aí sentamos na entrada do banheiro, uma espécie de vestiário e ficamos lá batendo papo. O “indiano” (Lucas, se não me engano) contou que estava viajando há três anos, já tinha rodado o mundo e estava voltando pra casa. A outra brasileira, uma figura, estava no fim da trip com um roteiro bem parecido ao nosso, o que foi bom para perguntarmos sobre o Salar e as condições climáticas em Uyuni, pois era Março e a chuva pega naquelas bandas...

 

Terminei a noite tomando coca-cola com Eno e Dramin, resultado do lanche que não caiu bem, droga. Falarei sobre a comida mais pra frente, mas já adianto que, mesmo para estômagos mais fortes, a culinária boliviana reserva algumas surpresas.

 

CURIOSIDADE: Se alguém te convidar para “ficar de bola” em sua casa, recuse! [ou não, vai saber]. Ficar de bola significa TODOS PELADOS pela casa, assistindo um filminho, comendo pipoca, dançando Macarena, de boa, sem roupa, só “de bola”...HAHAHHAhahahaha...História bizarra do indiano brasileiro com uns chilenos aí...

 

Por enquanto é isso [...]

 

NOTAS

 

Cotação do dólar no aeroporto de Santa Cruz: US 1,00 a BOB 6,96.

Táxi aeroporto/Jodanga: BOB 70

Hostel Jodanga: BOB 80 (por noite, por pessoa).

Burguer King: BOB 40 (combo).

Água: BOB 12 (1 litro)

Coca-cola: BOB 7

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  • [...]   O FIM.   Entramos no carro, olhamos um para a cara do outro e demos um sorriso sem dizer nada, mas pensamos a mesma coisa: “Olha só como essa viagem vai terminar...”   Eu, a Miriam e a “

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30.03.2014 - La Paz

 

Como fecharíamos a trinca ficando pela terceira vez no Wild Rover, queríamos descer próximo ao centro. O problema é que, para variar, adivinha? EL PARO senhoras e senhores! Aêêêê! Nos deixaram, então, num lugar perto de algum lugar que não sabíamos nem se existia no mapa. Ficamos lá com as mochilas nas costas e cara de pinguim esperando um pouco para ver se passava um táxi ou um micro-ônibus. Nada.

 

Perguntamos para um senhor e ele disse que ali não passava transporte para o centro e que por causa do PARO só alguns táxis e micros estavam rodando, mas que tínhamos mais chances de conseguir na outra esquina. Fomos até lá e ficamos esperando e esperando uma infinidade. Até que surgiu um táxi e demos com a mão, mas quando dissemos que iríamos ao centro o cara nem respondeu, saiu cantando pneu! HAHAHhahaha, foi engraçado e não entendemos nada. Paramos mais dois táxis e ninguém queria nos levar, pois pelo visto a coisa estava feia.

 

Até que avistamos um taxista com cara de apache americano, manja? E imaginei que este era destemido: Dito e Feito! O cara resmungou um pouco, mas começamos a conversar – implorar – e ele topou. Ainda brigamos por causa do preço e ele ficou mais puto ainda HAHAHHhahaha.

 

Desce rua, sobe rua, o cara conhecia mesmo os atalhos, até que ficamos ilhados.

 

Ele entrou numa avenida e havia um ônibus atravessado, trancando a passagem. O cara tentou dar ré, mas já havia formado uma fila gigante de carros atrás de nós, tudo travado. Foi quando o destemido APACHE boliviano rangeu os dentes, levantou as sobrancelhas e seguiu para bem perto do ônibus que fechava a passagem. Aí, com a tranquilidade de uma lontra marinha, pegou um tijolo e o ajeitou estrategicamente na guia, entrou no carro e ARRANCOU! O cara subiu na calçada feito doido, passou num vão que quase arrancou a porta e ainda seguiu xingando os manifestantes! Botou a mão pra fora e fez aquele gesto internacional de um dedo às gargalhadas! Nós estávamos pálidos lá atrás... Ele entrou numa rua mega estranha, desceu outras tantas e TCHANHÃ! O Wild Rover estava a uma quadra! Ele fez mágica, só tinha nosso táxi depois daquela barreira e como estava muito trânsito – como sempre – ele perguntou se podia nos deixar ali mesmo. Cara! Você é o máximo! Pode sim! Agradecemos e pagamos 10 BOB a mais pela aventura! Ele deu um sorriso ao estilo Stallone Cobra, acendeu um cigarro e ficou parado no congestionamento infinito de La Paz.

 

Tocamos o sino do Wild Rover na esperança de um quarto, já que havíamos ligado antes e eles disseram que estavam lotados, sem vagas pelos próximos três dias. E nós queríamos muito ficar lá, primeiro porque o WR é o WR, segundo porque queríamos a nossa camiseta “I SURVIVOR”.

 

Dica: Se você conseguir se hospedar nos três Wild Roveres (Arequipa, Cusco e La Paz), é só apresentar as pulseirinhas que você ganha esta camiseta. Se ficar em apenas dois, ganha uma bebida.

 

O WR estava MUITO LOTADO. Disseram que o problema nas estradas persistia e que muita gente não conseguiu sair de La Paz. Já pensamos: F**** de novo né... Lá vamos nós de avião até Santa Cruz.

 

Após muito chorar com as meninas da recepção, conseguimos duas camas num quarto de seis. AMOEBA! Largamos tudo lá e já fomos desbravar a CRAZY CITY, como dizem os gringos.

 

Foi só botar o pé pra fora que começou a chover... Fazia um frio da desgrama e conseguimos andar um pouco pelo centro, pelo menos para marcar os pontos de interesse. Voltamos ao hostel e fomos lá conhecer o ambiente. Nosso quarto estava podre, cheirava mal e a galera era muito desleixada, uma menina que até hoje não sabemos de onde é, falava pelos cotovelos com um inglês difícil de entender. E o pior é que ela estava presa em La Paz há uma semana e não tinha nada para fazer, resultado: Ficava azucrinando a galera. Ela merecia um troféu, quando não estava dissertando com a gente, estava no celular ou no tablete com um pobre rapaz que, pela cara, também não aguentava mais. E o pior é que nem entendíamos o que ela falava, eu acompanhava suas expressões faciais e ria ou fazia cara de triste de acordo com as reações da menina, hahahaha.

 

Fomos ao bar comer alguma coisa e, de longe, este foi o WR que menos gostamos. Eu sei, eu sei. É o mais famoso, o que tem as melhores festas e tal, mas o clima não estava bom. Tinha muita gente de castigo por lá sem conseguir seguir viagem ou mesmo voltar pra casa, o que contaminou a atmosfera do hostel, mais ou menos como ocorreu no WR Arequipa, no final.

 

Encontramos um brasileiro que estava há 10 dias tentando voltar! Desistiu e já contava as moedas para comprar uma passagem aérea.

 

O ambiente estava tão ruim que, mais uma vez, não teve festa. A galera saiu para uma balada na cidade.

 

31.04.2104 – La Paz

 

No dia seguinte, colocamos nossas botas e era hora de tomar mais uma decisão: Aproveitar os passeios de La Paz ou adiantar as coisas, não dando chance ao senhor perrengue e comprar logo as passagens aéreas a Santa Cruz. Ficamos com a segunda opção.

 

Fomos então até o escritório da BOA e pagamos mais 200 dólares pelas passagens. É de chorar essa situação, mas...

 

Sem grana e desgostosos com a vida, decidimos andar até afinar as solas das botas! De certa forma foi legal não ter um passeio definido para fazer, pois pudemos conhecer bem a cidade.

 

Não vou dizer que La Paz agrade a todos, é preciso uma dose de paciência e um certo bom humor para lidar com as estranhas ruas bolivianas, com seus cheiros característicos e gostos duvidosos, suas pombas assassinas e policiais simpáticos, com a terrível matemática da altitude + ladeiras + frio, enfim... Não é uma cidade puramente turística – na verdade acredito que esta nem seja a sua intenção – mas é uma cidade diferente que, para nós, despertou sentimentos de amor e ódio.

Não sei se é sempre assim. Já li relatos bem contraditórios por aqui. Uns têm o sonho de morar em La Paz, outros não voltariam nem sob ameaça de morte. Acho que fico no meio.

 

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O mercado das bruxas – que na verdade são várias ruas – foi o lugar que mais gostamos. É incrível aquelas coisas todas e a galera do mundo inteiro rodando por lá. Fizemos compras, tiramos fotos, passeamos sem rumo. Se não me engano fomos e voltamos umas quatro vezes, muito legal.

 

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E não é só de bizarrices que vive o mercado das bruxas. Sempre tem uns caras tocando violão, uns botecos ajeitados, comidas típicas para os aventureiros estomacais, uma chola para te xingar, crianças fofas – as crianças bolivianas são as mais fofas do mundo – e por aí vai.

 

Voltamos ao hostel no final do dia e estava um caos. Tinha muita gente querendo ficar e ninguém querendo sair. Alertamos que as passagens estavam acabando e que os preços estavam subindo. Deixamos os gringos batendo boca na recepção e fomos arrumar as coisas, pois a galera do nosso quarto, como disse, deixava tudo zuado, comida estragando na cama, bebidas por aí, roupas sujas na beliche alheia, foi dureza...

 

Como as opções de passagem não estavam ajudando, assim como já não tínhamos grana nem para uma bala de coca, tivemos que voltar um dia antes, com aquele planejamento de dormir no aeroporto de Santa Cruz para economizar uma diária.

 

01.04.2014 – La Paz / Santa Cruz

 

Tínhamos, então, mais um dia de bobeira e sem dinheiro em La Paz.

 

Fomos andar porque é de graça e tentar conhecer outros lugares. Queríamos ter ido à parte rica da cidade, mas o Sr. Evo deu o ar da graça e tudo fechou. As ruas estavam fechadas, as saídas da cidade estavam fechadas, a praça estava fechada... Aí descobrimos que estava rolando um “protesto” de estudantes e este foi o motivo de tanto alarde.

 

Curiosos, fomos lá ver o que era e tinha um bando de crianças com mochila do Bob Esponja e My Little Pony segurando cartazes feitos à tinta guache e gritando rimas bonitinhas. Todos aqueles soldados armados com metralhadoras e escopetas era por causa disso? Tinha até um jipe daqueles camuflados com soldados apontando armas para a sua cara! Ficamos pasmos com a situação. Compramos uma coca-cola gelada (temperatura ambiente para quente) e um daqueles salgadinhos picante de bacon (porque custava 2 BOB) e sentamos na guia para ver a farra.

 

Depois descobrimos que foi tudo uma coincidência. Todo aquele aparato militar era por dois motivos: 1 – Evo na área e 2 – Os mineiros estavam ameaçando explodir a sede do governo com dinamites! Aaaaaaaahhhhh bom, agora se justifica as metrancas e os jipes... Foi triste, mas foi real.

 

No fim não teve mineiro-bomba e não conseguimos andar muito por La Paz, o clima estava tenso e tudo quanto é canto estava fechado.

 

Andamos pelo mercado das bruxas de novo e ainda assistimos a um show de comédia na praça ao melhor estilo “Os Trapalhões”.

 

Quase na hora de irmos embora, a Miriam cismou que queria comprar balas de coca para dar de presente... Toca andar de novo. E ninguém mais estava vendendo aquela porcaria! Andamos e andamos e andamos. Só fomos encontrar no mercado das bruxas novamente. Se você for a La Paz e andar do WR até o mercado, saberá que não é perto, ainda mais com a maldita te tirando o ar e aquela chuvinha fina entrando pela fresta do seu corta vento... Mas o que fazer, não se acha balas de coca na 25 de março...eu acho...

 

Retornamos ao WR para comer um lanche caprichado daqueles que você sonha depois que volta ao Brasil, mas a sorte havia tirado férias e não estavam mais servindo o lanche...snif... Nem se despediu da gente direito...snif...

 

Fomos então ao Burguer King e descobrimos que esse negócio de refil do refrigerante ainda não chegou por lá. Fomos secos achando que poderíamos encher o copo de refri depois que acabasse e levamos uma bela gargalhada na fuça! Até que foi engraçado, mas ficamos putos na hora.

 

De volta ao QG, arrumamos tudo e ficamos fazendo hora até o final do dia, pois nosso vôo era noturno e chegaria de madrugada em Santa Cruz, quando iriamos – talvez – dormir no aeroporto.

 

O trajeto do WR até ao aeroporto me fez sentir como se estivéssemos em Bangladesh. Era carro e moto e mula e lhama pra tudo quanto era lado. Tinha chola vestida de guarda e guarda vestida de chola. O taxista parecia que acabara de descobrir as funções do cambio manual. Freio? Essa palavra não existe em espanhol, aprenda isso.

 

Tentei filmar um pouco, mas estava com medo real do negócio, saca só:

 

 

O aeroporto de La Paz é tranquilo, mas estava LOTADO, muito LOTADO. Como as estradas estavam fechadas, o governo ordenou que as empresas aéreas baixassem os preços das passagens, resultado: Tinha gente querendo embarcar com animais e aquelas coisas todas que eles levam nos ônibus, mas não rolou GRAÇAS A DEUS! Por um instante achei que todos os protocolos de segurança seriam ignorados, mas não, os bichinhos e demais coisas bizarras tiveram que ficar do lado de fora, não embarcaram. Foi engraçado ver as cholas ao celular pedindo para vir buscar seus animais, sacos de alguma coisa e demais tralhas. Sabe aquela história do “seria cômico se não fosse trágico”? Foi cômico e trágico.

 

Andando pelo aeroporto, topamos com um casal de brasileiros que também estavam no fim da trip. Não me lembro se eram de Goiás ou do Sul, mas eram gente fina. Estavam com um problemão que evitamos ao comprar logo as passagens para Santa Cruz, pois não conseguiam de jeito nenhum e resolveram dar um pulo no aeroporto para ver se alguma empesa aérea estava vendendo direto no balcão, mas não tiveram muita sorte.

 

Rodamos com eles por um tempo no intuito de dar aquela força. Subiram e desceram por lá até que uma alma caridosa conseguiu um voo para o outro dia. Decidiram que iriam dormir no aeroporto de La Paz mesmo, porque ali perto só tinha hotel naqueles bairros do “Judas enforcado”...

 

Nos despedimos e fomos pegar nosso avião. A trip estava no fim e bateu aquela depressão pós-viagem. Ficamos olhando fotos e lembrando de cada perrengue, de cada pessoa que conhecemos, o Nick, a alemã, a galera de San Pedro, os argentinos maconheiros... Fomos para a fila do embarque e estávamos meio cabisbaixos, nem conversávamos...

 

Já quase chegando a nossa vez, a Miriam disse: “Estou com sede” e alguém GRITOU atrás da gente: “BRASILEIROS!”

 

Era uma freira (!) super simpática. Estava muito feliz em poder conversar com nós, brasileiros, pois havia passado um período grande em La Paz e estava voltando ao seu convento em Santa Cruz.

 

Ficamos conversando até sair nosso vôo, foi bem legal. Nos contou que é freira Franciscana e que vive em missão, fazendo caridade e vivendo da ajuda das pessoas. Largou família, amigos, profissão, tudo. Suas roupas são as mais simples possíveis, apenas um hábito marrom, sandálias e uma cordinha amarrada, mais nada.

 

Trocamos várias impressões sobre o mundo, foi uma conversa intensa e profunda com uma pessoa que mal conhecíamos.

 

Chegou a hora de embarcar e ela pergunta: Vocês vão direto ao Brasil? Dissemos que não, que iríamos dormir no aeroporto de Santa Cruz, porque nosso vôo de volta era no outro dia.

 

Ela pegou no nosso braço, deu um sorriso e falou que não iríamos dormir no aeroporto, que estávamos cansados da viagem e com fome, por isso ficaríamos no convento! Junto com as demais freiras!

 

Nossa, quando imaginaríamos que passaríamos a última noite dessa viagem inesquecível num convento? E em Santa Cruz? E com freiras brasileiras?

 

Estávamos ainda meio perdidos e confesso que um pouco desconfiados. A bondade quando espontânea gera estranheza...

 

O avião desceu em Santa Cruz e fomos recebidos por mais uma freira (também brasileira) e uma amiga boliviana.

 

Era tudo muito diferente e demorou a nos situarmos. A amiga era boliviana, mas parecia brasileira, não lembrava em nada a galera do Evo. A outra freira, muito simpática, com cara de estudante de veterinária e muito nova, já foi nos abraçando e pegou a mochila da Miriam. Saímos em direção ao estacionamento e um carro importado que nem sei o nome estava nos aguardando, mais estranho ainda. Colocamos as coisas no porta-malas e entramos rumo ao desconhecido...

 

[continua]...

Editado por Visitante

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Ah não... Suspense no ar! HAHAHA Parece até que estou lendo um livro super ansiosa pelo próximo capítulo kk Pena que tudo que é bom dura pouco ::otemo::

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Hhahahah, Poxa, fico vigiando as postagens pra saber o final dessa história e voce faz isso?

Ansiosa!!!!

Postado
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Por favor termina... Essa historia das freiras parece algo surreal hehehehe foi muito top o seu relato, esse ultimo post falando de La Paz foi cômico demais... Ri demais nesta parte:

"O trajeto do WR até ao aeroporto me fez sentir como se estivéssemos em Bangladesh. Era carro e moto e mula e lhama pra tudo quanto era lado. Tinha chola vestida de guarda e guarda vestida de chola. O taxista parecia que acabara de descobrir as funções do cambio manual. Freio? Essa palavra não existe em espanhol, aprenda isso."

Postado
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Hahahahhaha...

 

Já, já termino galera, confesso que com muita dor no coração. Escrever esse relato me fez sentir como se estivéssemos todos juntos numa mesa de bar contando histórias e bebendo cerveja...

 

::otemo::

Postado
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Nogy, mais uma vez venho aqui lhe parabenizar pelo seu fantástico relato. E realmente, poderia dar um bom livro. :D

Amanhã embarco nessa, saio de Curitiba à noite rumo a Campo Grande. Todos os dias aqui acompanhando seu relato e rindo muito. Será que verei a continuidade amanhã antes de partir para minha aventura, espero que sim. Enfim, chegou a minha vez hehe...

Postado
  • Membros

È..... hoje não tem relato.. que triste, Minha leitura noturna diária.... prendeu minha atenção de tal maneira, que ainda estou morrendo de curiosidade do resto da história, e as freiras, e o convento, o que será que aconteceu... rss Deveria virar livro!

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