Eram 3:55h da manhã de uma fria madrugada de quinta-feira qdo saltei do ônibus na minúscula e pacata rodoviária de Passa Quatro (MG), que mais parecia um galpão qualquer. Após pegar meu chum...ops, cargueira do bagageiro do busão, Vivi, Marcão e alguns amigos do Sandro já se encontravam no local a minha espera e dos demais. Michel também já estava no local, mas só foi aparecer meia hora depois, pois se encontrava no mundo dos sonhos dentro de seu carro.
Feitas as devidas apresentações, ficamos aguardando os demais do grupo chegarem. A madrugada na pacata cidadezinha localizada em um vale no meio das imponentes montanhas da Mantiqueira estava gelada, como é comum em cidades de altitudes elevadas (acima dos 1.000 metros). O céu estava com poucas nuvens, o que indicava que o dia seria bem aproveitável nesse primeiro dia. Os 2 resgates contratados já se encontravam no local e ficamos aguardando o resto do pessoal chegar.
Tão logo isso ocorreu (embora alguns que disseram que viriam, deram para trás e sequer avisaram, mas felizmente a maioria apareceu), as 5:30h partimos rumo ao inicio da trilha, onde chegamos por volta das 6h20, na chamada "Fazenda Santa Amélia" (Toca do lobo) na cota dos 1.570 metros de altitude. A fazenda parecia estar abandonada e uma placa verde já bem gasta pela ação do tempo nos dava as boas-vindas com algumas orientações, dicas e o mapa com os picos, pontos de acampamento e de água.
1º Dia - Toca do Lobo (1.570 m) ao Pico do Capim amarelo (2.491m)
Mapa ilustrativo da travessia com os pontos de acampamento, água e os principais picos
A placa bem gasta, já não dava para visualizar quase nada, infelizmente....
Após ajeitarmos as cargueiras e alguns alongamentos básicos, iniciamos a caminhada por volta das 6:40. O trecho inicial da fazenda até a Toca do Lobo já começa logo de cara com uma subida, dando uma idéia do que nos aguardara nesse primeiro dia, rumo ao Pico do Capim amarelo. Após o primeiro lance de subida (que foi boa para aquecer os músculos e espantar o frio da manhã), a estradinha nivela, vira trilha e segue margeando a encosta esquerda de um morro, passando a descer levemente em direção a um pequeno vale. Passo por uma trifurcação, onde pego o caminho mais batido a esquerda.
Galera ajeitando as cargueiras
A simpática e discreta fazenda Santa Amélia
Inicio da trilha
Os primeiros raios de sol coloriam o topo das montanhas ao redor, indicando que o dia seria igualmente aproveitável e com visão total do percurso e do entorno. Nesse trecho inicial, algumas aberturas no meio da mata fechada revelavam os picos do entorno, por onde iria passar, dando uma ideia do que me esperava pela frente....
Janelas em meio a mata fechada, revelavam alguns picos
Não demora muito e as 7:10, chego no 1º ponto de água da travessia ao lado de uma pequena gruta conhecida como "Toca do Lobo", que realmente lembra uma toca. Lá, encontro parte da galera que havia saído minutos antes de mim na frente, fazendo seu primeiro pit stop no local e também faço o mesmo. A água de um rio que corre bem do lado direito é corrente e de boa qualidade, mas sabendo que havia outro ponto de água mais acima, optei por deixar para abastecer os cantis mais acima, entre os morros do Cruzeiro e Quartzito, a cerca de 1 hora de caminhada trilha acima, economizando no peso da cargueira.
Toca do Lobo
1ºponto de água ao lado da Toca
Depois de atravessar o rio, sigo pela trilha a direita e passo por mais um trecho de mata fechada, que não dura muito tempo e logo dão lugar aos primeiros trechos de campos de altitude, formado inicialmente por gramídeas e capim ralo, com trilha bem aberta, possibilitando as primeiras visões dos picos ao redor por onde ainda irei passar. Pouco a pouco, o pessoal vai se afastando uns dos outros, devido ao ritmo variado de cada um e nisso, vou seguindo pela trilha, que vai subindo meio que em zig-zag, sem maiores dificuldades....As primeiras vistas nesse trecho inicial de subida já são de impressionar, inclusive com as primeiras visões do Pico do Capim amarelo bem lá no alto imponente, a esquerda.
Primeiras vistas logo que sai da mata fechada
Pico do Capim amarelo lá no alto, bem distante ainda
Passados 30 minutos desde a Toca, chego no alto do morro do Cruzeiro na cota dos 1.783m, onde já é possível visualizar parte dos trechos por onde a trilha segue em direção ao próximo morro, o do Quartzito. Após alguns cliques e uma curta parada para descanço, retomo a pernada, descendo levemente o morro, para então iniciar a primeira subida forte em direção ao Quartzito.
Subida do morro do cruzeiro,se não me engano...Subidinha ainda "tranquila"
A trilha segue galgando a crista em zig zag, com a visão do entorno e o percurso da trilha bem demarcada a frente que são um atrativo a parte. Quanto mais você vai avançando, mas te dá vontade de parar e ficar apreciando aqueles belos contornos serranos e as finas cristas que dão nome a Serra fina.
Belíssimas vistas do vale do Paraíba durante a subida
Mas a subida ainda está só no começo e logo visualizo bem a frente, o paredão íngreme do próximo morro, o do Quartzito, pronto para ser escalaminhado, ao mesmo tempo que ouço um barulho de água de um riachinho do lado direito. Mais 15 minutos após passar pelo alto do Cruzeiro e 45 minutos desde a Toca, chego ao segundo e último ponto de água desse 1º dia as 8:40, onde uma discreta bifurcação a direita sugere que o acesso ao riachinho é por ali.
É a partir desse ponto que deve-se encher todos os cantis para os próximos 2 dias, pois o próximo ponto de água será somente no rio claro, no final do 2ºdia, nas nascentes da base da Pedra da Mina.
Chegando ao 2º e último ponto d´agua desse 1º dia de Travessia. É aqui que acaba a moleza da cargueira mais leve e deve-se encher os cantis para 2 dias.
2º ponto d´agua
Encho os cantis com 3 litros de água e ainda tinha mais 1 de gatorade que foram mais que suficientes para mim.
Com os cantis cheios, inicio a subida em direção ao Quartzito. Com a mochila mais pesada do que nunca, a moleza acaba e é o bicho iria pegar para valer, pois é a partir do segundo ponto de água que se inicia a primeira subida pirambeira em direção ao morro do Quartzito. E vamos que vamos.
Esse primeiro trecho é bem íngreme e com a cargueira mais pesada ainda, foi bem complicado, dando uma idéia do que ainda teria pela frente. As 9:15, chego ao topo do Morro do Quartzito (na cota dos 2.020 metros de altitude) para um merecido, mas breve descanso. Aproveito a pausa para apreciar as belas paisagens do entorno, com os picos do Marins, Marinzinho e Itaguare bem ao fundão, se destacando no horizonte.
É nesse trecho que se passa pela parte mais bonita da subida e também onde se visualiza o trecho da foto "clássica" da trilha descendo e contornando o topo da crista até a base do enorme paredão do Capim Amarelo. Aqui a subida dá uma tregua e a caminhada segue no plano, com uma leve descida pelo alto de uma fina crista logo após passar pelo alto do morro do Quartzito. O Topo do Capim amarelo aparece bem imponente lá no alto e a frente, parecendo estar próxima, mas ainda resta uma longa subida pirambeira até lá. Aqui encontro alguns vestígios de acampamento, mas como o local é exposto aos ventos, é arriscado acampar aqui.
Alto do morro do Cruzeiro visto do alto do Quartzito
Do alto do Quartzito, se tem a visão de todo o trecho percorrido e também todo o traçado da trilha demarcada pelo alto das cristas. É um capitulo a parte e rendeu vários clicks. O grupo de 12 pessoas se dividiu em grupos menores, onde cada grupo foi seguindo em seus ritmos, com os mais rápidos mais acima, eu no intermediário e os mais lentos logo atrás de mim, o que gerou belas fotos da galera em diferentes ângulos. Em uma travessia como essa, é quase impossível todo mundo ficar juntos em um mesmo ritmo.
Picos do Marins, Marinzinho e Itaguaré bem ao fundão....
Chegando ao trecho da foto "classica"
Caminhar pela fina crista é uma sensação única...
Após descer levemente o morro do Quartzito, passando pela crista com 2 grandes vales a direita e a esquerda, chego definitivamente no "paredão" da base do Capim e é a partir de agora que as pernas serão postas a prova máxima de resistência e superação. As 10:15, começo a longa e exaustiva subida que vai ficando cada vez mais íngreme e com alguns lances de escalaminhada, onde o auxilio das mãos passam a ser necessários para impulso nas pedras e troncos.
A subida é árdua, o sol castiga muito e nisso, acabo parando várias vezes para retomar o fôlego. As 11:00 chego ao alto de um morro, conhecido como "Cotovelo" onde a subida dá uma leve trégua e aproveito para fazer uma pausa. Olho para cima e vejo a nebulosidade aumentando sobre o topo do Capim amarelo.
Vista do alto do morro do Cotovelo
Subindo de cocoruto em cocoruto, vou seguindo em direção ao morro do camelo em trilha bem demarcada e com vários lances de escalaminhada. O Grupo está bem dividido e a minha frente vejo os mais rápidos mais acima e os mais lentos lá embaixo. A pirambeira não dá trégua e parecia não ter fim. Só de olhar para cima, cansava até a vista. Vou ganhando altitude rapidamente e quase 3 horas desde o Quartzito lá embaixo, chego a um ombro do Capim Amarelo, conhecido como "Camelo" na cota dos 2.380 metros de altitude.
A principio, achei que era o topo do capim, mas não era. Enquanto isso, a neblina foi ficando ainda mais densa e nisso, a visão ficou prejudicada. Descanso por algum tempo aqui e pouco antes das 13h00, volto a caminhada.
Alto do morro do "Camelo" um ombro do Capim amarelo, com o pico do Capim mais acima ainda, encoberto pelas nuvens
Segui mais um pouco até chegar a uma parte mais plana onde a trilha passa por 2 descampados bem protegidas no meio de enormes tufos de capim elefante. Olhando para baixo (aproveitando algumas janelas em meio a neblina), consegui visualizar o Michel e os demais bem lá embaixo ainda, enquanto a Vivi, Marco e Fábio dispararam na frente e imaginei que a essa hora, já haviam chegado no topo. O relógio marcava 13:00hs e eu ainda não fazia ideia de qto tempo iria levar até o topo do capim.
Após passar pelas áreas de acampamento, visualizo bem a frente outro paredão no meio da neblina, com a trilha indo na direção dele. A subida volta a ficar ainda mais íngreme e com alguns trechos enlameados e pirambeiros, acabo parando mais algumas vezes para recuperar o fôlego. Em alguns pontos, havia cordas estrategicamente instaladas para auxilio nos trechos mais complicados da subida e que foram muito bem-vindas. O ataque final ao cume é de matar com mais lances de escalaminhada e trepa-pedra. Com o peso da cargueira e uma noite praticamente sem dormir, não foi nada fácil vencer esse trecho.
As pernas e braços já pediam arrego, mas continuar era preciso. E se já estava ruim com a falta de visibilidade, ficou pior qdo começou a chover fraco, o que me deixou apreensivo....O Topo parecia estar bem próximo e finalmente, as 13:20 chego nele, onde sou recepcionado por parte da galera da turma do Roger, Marco e da Vivi que já haviam chegado lá entre 30 minutos a 1 hora antes de mim e já tinham até montado seus respectivos "aposentos"....rsrs
Mas ainda faltavam o Michel, Mariana e outros que estavam atrás de mim e só chegaram cerca de 40 minutos depois.
Enfim, barraca montada e o merecido descanso no topo do Capim amarelo
O Cume do Capim é bem plano e com várias clareiras para 1 ou 2 barracas, todas bem protegidas por conta dos enormes tufos de capim elefante que formam uma ótima proteção contra os fortes ventos. Como ainda havia muitas clareiras disponíveis, pude escolher o melhor ponto para montar a barraca. Na subida final a chuva havia parado, mas voltou no exato momento que estava montando a barraca. Não foi fácil montar a barraca por causa da chuva, pois tive que monta-la as pressas, mas felizmente era apenas uma chuvinha passageira e logo parou, não chegando nem a molhar direito o chão.
Descampados entre os tufos de capim elefante
Após montada a barraca, explorei as laterais do topo e depois fui preparar meu almoço, ficando o resto da tarde de boa com o pessoal. Fui deitar por volta das 19h30 e logo peguei no sono. De madrugada, acordei com o teto da barraca mais clara e ao botar a cabeça para fora, vi que a neblina havia dissipado, o céu estava com poucas nuvens e a lua brilhava forte. Com isso pude apreciar as cidades em volta todas iluminadas e com a lua cheia iluminando todo o topo. E ainda pude me presentear com a bela visão dos picos da Serra fina ao redor, com a Pedra da Mina em destaque a leste. A temperatura não caiu muito de madrugada e ficou em torno dos 04ºC.
Bem, sei que há trocentos relatos sobre essa clássica travessia, então aqui vai mais um....
Álbum, com todas as fotos da travessia estão em:
https://photos.app.goo.gl/gh3c4PJaBMSHoF887
Travessia realizada entre dias 12 a 15/06/2014.
Eram 3:55h da manhã de uma fria madrugada de quinta-feira qdo saltei do ônibus na minúscula e pacata rodoviária de Passa Quatro (MG), que mais parecia um galpão qualquer. Após pegar meu chum...ops, cargueira do bagageiro do busão, Vivi, Marcão e alguns amigos do Sandro já se encontravam no local a minha espera e dos demais. Michel também já estava no local, mas só foi aparecer meia hora depois, pois se encontrava no mundo dos sonhos dentro de seu carro.
Feitas as devidas apresentações, ficamos aguardando os demais do grupo chegarem. A madrugada na pacata cidadezinha localizada em um vale no meio das imponentes montanhas da Mantiqueira estava gelada, como é comum em cidades de altitudes elevadas (acima dos 1.000 metros). O céu estava com poucas nuvens, o que indicava que o dia seria bem aproveitável nesse primeiro dia. Os 2 resgates contratados já se encontravam no local e ficamos aguardando o resto do pessoal chegar.
Tão logo isso ocorreu (embora alguns que disseram que viriam, deram para trás e sequer avisaram, mas felizmente a maioria apareceu), as 5:30h partimos rumo ao inicio da trilha, onde chegamos por volta das 6h20, na chamada "Fazenda Santa Amélia" (Toca do lobo) na cota dos 1.570 metros de altitude. A fazenda parecia estar abandonada e uma placa verde já bem gasta pela ação do tempo nos dava as boas-vindas com algumas orientações, dicas e o mapa com os picos, pontos de acampamento e de água.
1º Dia - Toca do Lobo (1.570 m) ao Pico do Capim amarelo (2.491m)
Mapa ilustrativo da travessia com os pontos de acampamento, água e os principais picos
A placa bem gasta, já não dava para visualizar quase nada, infelizmente....
Após ajeitarmos as cargueiras e alguns alongamentos básicos, iniciamos a caminhada por volta das 6:40. O trecho inicial da fazenda até a Toca do Lobo já começa logo de cara com uma subida, dando uma idéia do que nos aguardara nesse primeiro dia, rumo ao Pico do Capim amarelo. Após o primeiro lance de subida (que foi boa para aquecer os músculos e espantar o frio da manhã), a estradinha nivela, vira trilha e segue margeando a encosta esquerda de um morro, passando a descer levemente em direção a um pequeno vale. Passo por uma trifurcação, onde pego o caminho mais batido a esquerda.
Galera ajeitando as cargueiras
A simpática e discreta fazenda Santa Amélia
Inicio da trilha
Os primeiros raios de sol coloriam o topo das montanhas ao redor, indicando que o dia seria igualmente aproveitável e com visão total do percurso e do entorno. Nesse trecho inicial, algumas aberturas no meio da mata fechada revelavam os picos do entorno, por onde iria passar, dando uma ideia do que me esperava pela frente....
Janelas em meio a mata fechada, revelavam alguns picos
Não demora muito e as 7:10, chego no 1º ponto de água da travessia ao lado de uma pequena gruta conhecida como "Toca do Lobo", que realmente lembra uma toca. Lá, encontro parte da galera que havia saído minutos antes de mim na frente, fazendo seu primeiro pit stop no local e também faço o mesmo. A água de um rio que corre bem do lado direito é corrente e de boa qualidade, mas sabendo que havia outro ponto de água mais acima, optei por deixar para abastecer os cantis mais acima, entre os morros do Cruzeiro e Quartzito, a cerca de 1 hora de caminhada trilha acima, economizando no peso da cargueira.
Toca do Lobo
1ºponto de água ao lado da Toca
Depois de atravessar o rio, sigo pela trilha a direita e passo por mais um trecho de mata fechada, que não dura muito tempo e logo dão lugar aos primeiros trechos de campos de altitude, formado inicialmente por gramídeas e capim ralo, com trilha bem aberta, possibilitando as primeiras visões dos picos ao redor por onde ainda irei passar. Pouco a pouco, o pessoal vai se afastando uns dos outros, devido ao ritmo variado de cada um e nisso, vou seguindo pela trilha, que vai subindo meio que em zig-zag, sem maiores dificuldades....As primeiras vistas nesse trecho inicial de subida já são de impressionar, inclusive com as primeiras visões do Pico do Capim amarelo bem lá no alto imponente, a esquerda.
Primeiras vistas logo que sai da mata fechada
Pico do Capim amarelo lá no alto, bem distante ainda
Passados 30 minutos desde a Toca, chego no alto do morro do Cruzeiro na cota dos 1.783m, onde já é possível visualizar parte dos trechos por onde a trilha segue em direção ao próximo morro, o do Quartzito. Após alguns cliques e uma curta parada para descanço, retomo a pernada, descendo levemente o morro, para então iniciar a primeira subida forte em direção ao Quartzito.
Subida do morro do cruzeiro,se não me engano...Subidinha ainda "tranquila"
A trilha segue galgando a crista em zig zag, com a visão do entorno e o percurso da trilha bem demarcada a frente que são um atrativo a parte. Quanto mais você vai avançando, mas te dá vontade de parar e ficar apreciando aqueles belos contornos serranos e as finas cristas que dão nome a Serra fina.
Belíssimas vistas do vale do Paraíba durante a subida
Mas a subida ainda está só no começo e logo visualizo bem a frente, o paredão íngreme do próximo morro, o do Quartzito, pronto para ser escalaminhado, ao mesmo tempo que ouço um barulho de água de um riachinho do lado direito. Mais 15 minutos após passar pelo alto do Cruzeiro e 45 minutos desde a Toca, chego ao segundo e último ponto de água desse 1º dia as 8:40, onde uma discreta bifurcação a direita sugere que o acesso ao riachinho é por ali.
É a partir desse ponto que deve-se encher todos os cantis para os próximos 2 dias, pois o próximo ponto de água será somente no rio claro, no final do 2ºdia, nas nascentes da base da Pedra da Mina.
Chegando ao 2º e último ponto d´agua desse 1º dia de Travessia. É aqui que acaba a moleza da cargueira mais leve e deve-se encher os cantis para 2 dias.
2º ponto d´agua
Encho os cantis com 3 litros de água e ainda tinha mais 1 de gatorade que foram mais que suficientes para mim.
Com os cantis cheios, inicio a subida em direção ao Quartzito. Com a mochila mais pesada do que nunca, a moleza acaba e é o bicho iria pegar para valer, pois é a partir do segundo ponto de água que se inicia a primeira subida pirambeira em direção ao morro do Quartzito. E vamos que vamos.
Esse primeiro trecho é bem íngreme e com a cargueira mais pesada ainda, foi bem complicado, dando uma idéia do que ainda teria pela frente. As 9:15, chego ao topo do Morro do Quartzito (na cota dos 2.020 metros de altitude) para um merecido, mas breve descanso. Aproveito a pausa para apreciar as belas paisagens do entorno, com os picos do Marins, Marinzinho e Itaguare bem ao fundão, se destacando no horizonte.
É nesse trecho que se passa pela parte mais bonita da subida e também onde se visualiza o trecho da foto "clássica" da trilha descendo e contornando o topo da crista até a base do enorme paredão do Capim Amarelo. Aqui a subida dá uma tregua e a caminhada segue no plano, com uma leve descida pelo alto de uma fina crista logo após passar pelo alto do morro do Quartzito. O Topo do Capim amarelo aparece bem imponente lá no alto e a frente, parecendo estar próxima, mas ainda resta uma longa subida pirambeira até lá. Aqui encontro alguns vestígios de acampamento, mas como o local é exposto aos ventos, é arriscado acampar aqui.
Alto do morro do Cruzeiro visto do alto do Quartzito
Do alto do Quartzito, se tem a visão de todo o trecho percorrido e também todo o traçado da trilha demarcada pelo alto das cristas. É um capitulo a parte e rendeu vários clicks. O grupo de 12 pessoas se dividiu em grupos menores, onde cada grupo foi seguindo em seus ritmos, com os mais rápidos mais acima, eu no intermediário e os mais lentos logo atrás de mim, o que gerou belas fotos da galera em diferentes ângulos. Em uma travessia como essa, é quase impossível todo mundo ficar juntos em um mesmo ritmo.
Picos do Marins, Marinzinho e Itaguaré bem ao fundão....
Chegando ao trecho da foto "classica"
Caminhar pela fina crista é uma sensação única...
Após descer levemente o morro do Quartzito, passando pela crista com 2 grandes vales a direita e a esquerda, chego definitivamente no "paredão" da base do Capim e é a partir de agora que as pernas serão postas a prova máxima de resistência e superação. As 10:15, começo a longa e exaustiva subida que vai ficando cada vez mais íngreme e com alguns lances de escalaminhada, onde o auxilio das mãos passam a ser necessários para impulso nas pedras e troncos.
A subida é árdua, o sol castiga muito e nisso, acabo parando várias vezes para retomar o fôlego. As 11:00 chego ao alto de um morro, conhecido como "Cotovelo" onde a subida dá uma leve trégua e aproveito para fazer uma pausa. Olho para cima e vejo a nebulosidade aumentando sobre o topo do Capim amarelo.
Vista do alto do morro do Cotovelo
Subindo de cocoruto em cocoruto, vou seguindo em direção ao morro do camelo em trilha bem demarcada e com vários lances de escalaminhada. O Grupo está bem dividido e a minha frente vejo os mais rápidos mais acima e os mais lentos lá embaixo. A pirambeira não dá trégua e parecia não ter fim. Só de olhar para cima, cansava até a vista. Vou ganhando altitude rapidamente e quase 3 horas desde o Quartzito lá embaixo, chego a um ombro do Capim Amarelo, conhecido como "Camelo" na cota dos 2.380 metros de altitude.
A principio, achei que era o topo do capim, mas não era. Enquanto isso, a neblina foi ficando ainda mais densa e nisso, a visão ficou prejudicada. Descanso por algum tempo aqui e pouco antes das 13h00, volto a caminhada.
Alto do morro do "Camelo" um ombro do Capim amarelo, com o pico do Capim mais acima ainda, encoberto pelas nuvens
Segui mais um pouco até chegar a uma parte mais plana onde a trilha passa por 2 descampados bem protegidas no meio de enormes tufos de capim elefante. Olhando para baixo (aproveitando algumas janelas em meio a neblina), consegui visualizar o Michel e os demais bem lá embaixo ainda, enquanto a Vivi, Marco e Fábio dispararam na frente e imaginei que a essa hora, já haviam chegado no topo. O relógio marcava 13:00hs e eu ainda não fazia ideia de qto tempo iria levar até o topo do capim.
Após passar pelas áreas de acampamento, visualizo bem a frente outro paredão no meio da neblina, com a trilha indo na direção dele. A subida volta a ficar ainda mais íngreme e com alguns trechos enlameados e pirambeiros, acabo parando mais algumas vezes para recuperar o fôlego. Em alguns pontos, havia cordas estrategicamente instaladas para auxilio nos trechos mais complicados da subida e que foram muito bem-vindas. O ataque final ao cume é de matar com mais lances de escalaminhada e trepa-pedra. Com o peso da cargueira e uma noite praticamente sem dormir, não foi nada fácil vencer esse trecho.
As pernas e braços já pediam arrego, mas continuar era preciso. E se já estava ruim com a falta de visibilidade, ficou pior qdo começou a chover fraco, o que me deixou apreensivo....O Topo parecia estar bem próximo e finalmente, as 13:20 chego nele, onde sou recepcionado por parte da galera da turma do Roger, Marco e da Vivi que já haviam chegado lá entre 30 minutos a 1 hora antes de mim e já tinham até montado seus respectivos "aposentos"....rsrs
Mas ainda faltavam o Michel, Mariana e outros que estavam atrás de mim e só chegaram cerca de 40 minutos depois.
Enfim, barraca montada e o merecido descanso no topo do Capim amarelo
O Cume do Capim é bem plano e com várias clareiras para 1 ou 2 barracas, todas bem protegidas por conta dos enormes tufos de capim elefante que formam uma ótima proteção contra os fortes ventos. Como ainda havia muitas clareiras disponíveis, pude escolher o melhor ponto para montar a barraca. Na subida final a chuva havia parado, mas voltou no exato momento que estava montando a barraca. Não foi fácil montar a barraca por causa da chuva, pois tive que monta-la as pressas, mas felizmente era apenas uma chuvinha passageira e logo parou, não chegando nem a molhar direito o chão.
Descampados entre os tufos de capim elefante
Após montada a barraca, explorei as laterais do topo e depois fui preparar meu almoço, ficando o resto da tarde de boa com o pessoal. Fui deitar por volta das 19h30 e logo peguei no sono. De madrugada, acordei com o teto da barraca mais clara e ao botar a cabeça para fora, vi que a neblina havia dissipado, o céu estava com poucas nuvens e a lua brilhava forte. Com isso pude apreciar as cidades em volta todas iluminadas e com a lua cheia iluminando todo o topo. E ainda pude me presentear com a bela visão dos picos da Serra fina ao redor, com a Pedra da Mina em destaque a leste. A temperatura não caiu muito de madrugada e ficou em torno dos 04ºC.
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