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Olá viajante!

Bora viajar?

Relato de Viagem RTW / (Volta ao mundo)

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Oi pessoal,

 

Vou tentar colocar aqui um apanhado geral da minha trip RTW de pouco mais de um mês de duração que fiz nas minhas últimas férias. O roteiro ficou mais ou menos assim, tirando as conexões :

 

Brasilia – Paris – Londres – NY – Los Angeles – Tahiti – Sydney – Filipinas – Londres – Brasília

 

Sim, eu cruzei o Atlântico três vezes mas só a grana que economizei valeu o esforço. A propósito, a idéia inicial era viajar no sentido leste mas por causa de indisponibilidade de vôos na data que eu queria no trecho Tahiti – Los Angeles, acabou que tive que fazer a trip no sentido contrário.

 

O tempo foi curto mas como parte dos lugares eu já havia visitado antes, acho que tá valendo então tudo bem. Além do mais eu não sou gringo (e nem professor rsrs) e sendo assim, como a maioria dos mortais assalariados brasucas, tenho 30 dias de férias. Não vejo nenhum problema em revisitar lugares então eu consegui mesclar lugares novos com outros que já conhecia. Viajo para colecionar experiências e não bandeirinhas de países para colocar na mochila. Se fosse assim, poderia fazer uma viagem pela Europa passando por “trocentos” países em menos de um mês no estilo : “se hoje é quarta-feira, isso aqui deve ser Amsterdam”.

 

Por motivos de força maior (uma “bucha” no trabalho pouco antes das minhas férias que atrapalhou incrivelmente os meus planos), tive que fazer algumas alterações no roteiro original - que iria sair mais barato - mas mesmo assim acho que ficou legal afinal poderia ter sido pior : eu não ter feito a viagem.

 

A idéia desse relato é dar uma geral de como é uma trip RTW e que, apesar de muitos pensarem o contrário, não é nenhum bicho de sete cabeças, mas exige bastante planejamento, pesquisa e atitude, principalmente quando não tem muito tempo. E grana.

 

Estou pensando seriamente em preparar a próxima, aí sim vou poder provar que dá pra viajar pelo mundo gastando mais ou menos que uma viagem de mochila pelo continente europeu. Enquanto isso não acontece, fica esse relato para os interessados, espero que vocês curtam pois a intenção também é incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo.

 

Boa viagem !

 

PRIMEIRA PARTE – EUROPA

 

Saí de Brasília (não sou funcionário público, afinal eu trabalho. Sem ofensa) voando TAP direto pra Europa. Até gostaria de ter ido via Sampa (minha cidade natal) para visitar familiares, porém a diferença de preço no ticket era bastante significativa. Além disso pra mim quanto menos vôos, melhor. O vôo em direção à Europa foi tranqüilo, avião novo da Airbus, serviço correto e tripulação atenciosa. Nem esquentei que tinha gente no meu assento - que era na janela - então fiquei no corredor mesmo, o que até prefiro em vôos longos. O mais engraçado foi na hora do jantar onde os comissários ofereciam “vaca ou frango”, o que provocou risadas nos passageiros brasucas. O comissário não se fêz de rogado e brincou “a vaca acabou, serve boi ?”, provocando novas risadas no pessoal. Assisti a um filme e passei o resto do tempo jogando tetris e ouvindo música no aparelho de entretenimento da aeronave, pena que de boa música mesmo só tinham umas duas então fiquei ouvindo elas praticamente o vôo inteiro. Apesar de eu ter assistido apenas um, os filmes até que davam pra encarar, por incrível que pareça. Como eu não consigo dormir em avião, ônibus, trem, bicicleta, skate, etc, passei a noite acordado.

 

Chegando no velho mundo, a imigração em Lisboa foi sussu e tinha até uma fila destinada apenas praqueles de língua portuguesa. Após passada a fácil e tranquila imigração e mais toda aquela encheção de saco com segurança que se repetiu “n” vezes durante a trip, fui pegar meu vôo para Paris - primeiro destino desta RTW - que partiria logo a seguir.

 

Chegando na Cidade Luz, apanhei um pouco para me entender com o metrô/trem e após uma série de baldeações consegui chegar no albergue, que ficava em Montmartre. Paris é simplesmente fantástica, tudo que falam dela é verdade, podem ir com as expectativas lá encima que serão superadas assim que você der a primeira caminhada na cidade, não é à toa que ela é destino favorito de muitas pessoas e ganhou mais um fã : EU.

 

Costumam aparecer aqueles papos de comparação entre Paris e Londres, querendo saber qual a melhor. Prefiro não fazer comparações porque são cidades diferentes então vou ficar encima do muro : empate técnico. As duas têm sua posição de destaque entre as capitais mais importantes do mundo e isso já vem há séculos. E vai continuar por muitos outros mais.

 

Deixei minhas coisas no albergue antes mesmo de fazer o check-in (lock-out time), arrumei um mapa e fui explorar a cidade. Passei os dias seguintes andando mais do que camelo em deserto e aproveitei bastante os dias longos de primavera. Me perdi várias vezes sendo que a última foi por umas 3 horas no final do dia e lá pros lados da Catedral de Notredame (chato, né ?). A outra “culpada” foi uma loira maravilhosa que estava voltando do trabalho e quase fêz eu perder a compostura... Aproveitando o gancho, além da arquitetura, beleza e do charme da cidade com seus cafés e boulevares, ainda tem as francesas !!! Mas isso eu já sabia porque sempre arrastei uma asa (e algo a mais) pra elas, loooonga história... Você pega uma brasileira gata, tira os 70% de frescura de sua composição, troca por charme e estilo e voilá tem uma francesa.

 

Me achei um tanto underdressed com meus panos de mochileiro e vi que realmente a moda pega pesado por lá, muita gente bem vestida e perfumada. E nada daquela moda spooky-fashion (inventei este termo agora...) que você vê principalmente em japoneses no exterior (lembrando que "os nossos japoneses são melhores do que os outros" ! Volto nisso no capítulo Sydney) e de gosto bastante duvidoso, uma mistura de Falcão com Marilyn Manson.

 

Champs Elysees “chove” gente bonita. Se não bastassem as francesas, ainda têm as turistas do mundo inteiro. Acabou que fiquei inspirado e comprei um perfume numa baita loja na Champs, mas isso eu ia fazer de qualquer jeito.

 

Não andei quase nada de metrô/trem, fiz apenas aeroporto-hostel e vice-versa e não me arrependi, Paris é muito bonita pra ficar enfurnado debaixo da terra. Como adoro caminhar e meu GPS interno simplesmente não existe, achei melhor me perder nas ruas mesmo e não no metrô.

 

Visitei pontos turísticos e outros nem tanto, mas tão belos quanto, mas isso não importa quando você está numa cidade como Paris porque pra qualquer lado que eu olhava era alucinante, subi na torre Eiffel, comi crepe, andei incontáveis quilômetros por dia explorando a cidade e quando estava cansado de tanto andar, utilizava o ônibus sem teto que ficava fazendo um tour pela cidade e aproveitei bastante o bilhete dava direito a 2 dias.

 

Fui embora de Paris triste, mas com a certeza de voltar afinal ela entrou na minha lista de cidades favoritas.

 

Próximo destino, Londres. Voei de Easyjet e entrei via aeroporto de Luton, imigração também tranqüila. De lá, ônibus e metrô para o hostel. A garota do hostel me respondeu errado um email que eu havia pedido indicações para chegar lá, não era para virar a esquerda no primeiro farol e sim a direita... Perguntei para um segurança de um hotel nas imediações, que chamou seu superior e me deu as coordenadas certas. Após fazer o check in, fui dar uma olhada na minha favorita Londres, o hostel ficava ao lado do Museu Natural (entrada franca) e a primeira parada foi lá. Já havia estado no país dos Beatles antes e o impacto é sempre o mesmo: “PQP, estou em Londres !!!” Eu estava com aquele travelcard que dá direito a um dia inteiro nos transportes públicos, naquela cidade eu não perco o metrô por nada e fiquei até íntimo dele, o que para um perdido por natureza e que se perde até em estacionamento de supermercado, é um marco impressionante. Falando nisso, se tiver alguma boa alma pra explicar como funciona os tickets econômicos, por favor me dêem uma luz (podem emendar e me falar como funciona o tal Orange não sei o que lá de Paris que eu também queria saber...)

 

Sei que em Londres tem um tal de Oyster Card, acho que tem que carregá-lo mas como não ia ficar muito tempo na cidade, não comprei. Como sou perdido por natureza, fiquei apenas no metrô sendo que o de Londres (o mais antigo do mundo, por sinal) é um mundo a parte : Mind the Gap !

 

Depois de ter dado uma olhada na vizinhança do hostel, peguei o metrô e me mandei pra Piccadily Circus. Saindo da estação do metrô, olhei ao redor e não pude segurar : “PQP, estou em Piccadilly Circus” !!! Muito irado, não tem pra ninguém, aquela cidade é demais !!! Eu tenho um amigo de lá (infelizmente nessa trip não deu pra visitá-lo) que não vê a hora de ir embora !! Dia desses vou propor uma troca, ele fica aqui no Brasil e eu me mando pra terra da Rainha...

 

O mais engraçado é que ele vive dizendo como estão quebrados (a crise atingiu o Reino Unido em cheio) e eu olhava pela janela do albergue e via uma fila de Land Rovers, BMW´s série 7, Aston Martins e afins. Quebrados ? Imagino se não estivessem.

 

Apesar de possuir um passe do metrô que me permitiria cruzar a cidade pra lá e pra cá, eu preferi explorar Londres do melhor jeito : à pé. Pra quem conhece, saí da região do Piccadilly Circus e fui andando até o Big Ben, prestando atenção em tudo ao redor sem esquecer da Trafalgar Square, obviamente, e também prestando atenção no trânsito maluco, ainda bem que eles escrevem no chão pra que lado olhar porque, vou te contar, risco de vida total, só perde pra Sydney e seus 5 segundos de farol verde para pedestre (até no Vietnam eu achei menos perigoso atravessar a rua), Parlamento, Westmister Abbey e depois me mandei pra Tower Bridge, via south-bank, passando pela London Eye, Tate Museum e por aí foi. Depois fiz o caminho inverso, tudo na caminhada. E olha que o metrô de Londres, como eu falei antes, é um mundo à parte. No tube dá pra ver o quanto a cidade é multicultural, vários povos, biotipos (e bota tipo nisso...), as constantes gatas, algumas do leste europeu com suas bochechas rosadas e pinta de boneca, vários idiomas diferentes dentre os quais, se você tiver sorte, escuta até o inglês britânico. rs

 

Deu pra perceber que as obras para as Olimpíadas estão a milhão, vários guindastes despontando aqui e ali no skyline da cidade.

 

A lamentar apenas a visão deprimente de uma garota segurando sua amiga bêbada que estava cambaleando. As duas muito bem vestidas, voltando do trabalho e aproveitando os escassos dias de sol para curtir uma happy hour nos vários pubs da região. Não só os gringos, mas as gringas também são verdadeiras esponjas e não sabem quando parar, proporcionando essas cenas lamentáveis. Se tem algo deprimente é mulher bêbada. Conheço bem o tipo quando o assunto é gringa...

 

No dia seguinte continuei meu tour pela cidade e fui visitar a região de Leicester Square, Covent Garden (que fica ali perto de Piccadilly) e imediações. Eu não curto muito esses artistas de rua mas os de Londres são muito legais, uns tipos muito bem sacados, vale a pena conferir. Os meus favoritos são o "homem invisível" e um cara que pinta o rosto de cachorro, mete a cabeça dentro de uma mala de transporte de animais e fica tirando sarro da galera, fingindo ser cachorro, o pior é que parece mesmo ! Simplesmente hilário. Esses lugares são próximos entre si então você vai andando, vê algo extraordinário (o que não falta na cidade ), vai até lá, avista outro monumento de cair o queixo e vai seguindo. Como eu não conheço muito a Europa acho que isso é normal praqueles lados. Tanto é que um inglês que dividiu comigo o dormitório no albergue em Paris e que, após perceber o quanto eu estava gostando da arquitetura, prédios, praças, monumentos, etc do lugar, me recomendou ir pra Roma. Tá anotado.

 

Aproveitei que era fim de semana e me mandei pra Camdem Market dá uma olhada na fauna humana, bem Londres mesmo. Na estação aconteceu um evento que mostra o quão multicultural é a cidade : uma local veio me pedir informações sobre como chegar em tal lugar e aí me apresentei que era apenas um visitante e não saberia informar, ela se desculpou e foi perguntar pra um grupo de espanholas um pouco adiante e que sabiam menos do que eu. Acho que ela tentou de novo com mais outra pessoa que, de novo, também era de fora ! Nisso, ela acabou desistindo.

 

Não acredito que uma cidade assim possa perder sua identidade, espero que não. Fiquei sabendo que o fotógrafo mais popular é peruano e a comida mais popular (típica ?) é indiana (ninguém é perfeito, né ? ). Londres tá batendo na casa dos 2.000 anos, já passou por muita coisa e a "Jovem Senhora" (ou seria o contrário ?) continua firme e forte, uma mistura de clássico, história e modernidade que dá gosto de ver. E aplaudir de pé ! "Bass in the place, London"

 

No metrô para Camdem entraram umas gatas inglesas e uma me chamou bastante a atenção, parecia brasileira : bonita, de mini-saia, belo par de pernas, pele branca, cabelos pretos e longos e um sotaque britânico que, de novo, quase fêz com que eu perdesse a compostura de novo...

 

Após alguns poucos dias curtindo Londres e suas infinitas atrações, deu pra ver que a cidade que estava bem alegre pelos benvindos dias de sol que a mudança de estação trouxe, era hora de me mandar pra Big Apple, mas isso fica pro próximo post.

 

 

Virunga / RTW 2009

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Psiu, o relato voltou !!!

 

Faaaaaaaaala moçada, tudo bem ?

 

Tá, tá, eu sei, a mesma ladainha de sempre. Foi mal o sumiço, mas só pode estar de sacanagem quem achou que eu não daria continuidade nisso aqui, né ? Ainda mais agora que estamos caminhando para o crepúsculo final. Uma hora dessas a Luiza já foi e voltou do Canadá umas trocentas vezes, eu já realizei outras tantas trips RTW enquanto o relato ficou aqui empacado ocupando espaço no fórum.

 

E esse negócio de ficar ocupando espaço em fóruns é coisa de quem responde mil vezes a mesma pergunta ou de quem pergunta mil vezes o que já foi respondido.

 

Sei que a maioria das pessoas aqui concordam que tamanho não é documento (pra mim essa regra não vale para doce, chocolate, tigela de açaí, pastel de feira e caldo de cana), mas já vou logo avisando que o texto terá mais de 140 caracteres, o que vai atrapalhar o raciocínio de muita gente, principalmente daqueles que possuem menos de dez neurônios.

 

Sendo assim, preparem-se porque vamos a mais um daqueles textos longos, delirantes, humildes, shaken, not stirred, espinhosos, deselegantes, atravessados, intermináveis, perturbado(re)s, maquiavélicos, sarcásticos, desorientados, perversos, turrões (essa eu aprendi com uma kinda friend figuraça – e inteligente - que só), capciosos, imprevisíveis, destemperados, irritantes, belicosos, politicamente incorretos, whatever.

 

Uma hora dessas todo mundo aqui já sabe que texto objetivo e curto não é lá muito a minha praia e quem não sabe vai descobrir, isso se aguentar ler o texto todo, porque quanto mais escrevo, mais tenho o que lembrar e quando o assunto é viajar volta ao mundo ou viajar na maionese, coisa é o que não falta.

 

Mas seus problemas acabaram, “aqui me tens de regresso” ! Podem espalhar a notícia que o relato ioiô voltou nem que seja temporariamente (continua um vai-e-volta danado que não acaba mais, mas ainda no bom sentido, é claro), então chega de mesmice e daqueles papinhos “comercial de margarina” ou “diários de um aborrescente”.

 

Aproveito para agradecer às pessoas que me mandaram mensagens perguntando sobre a continuação do relato ou sobre dicas diversas, espero que as mesmas tenham sido bem aproveitadas.

 

Além do respeito e consideração com aqueles leitores pacientes e inteligentes (e sem algo melhor pra fazer ! hehehe) que me acompanham desde o começo e outros que porventura apareçam por aqui, a promessa de terminar o relato continua de pé, afinal promessa é promessa. E vice-versa.

 

Com mais delongas, vamos dar uma boa sacudida nisso aqui começando pelos devaneios característicos então já sabem : protejam as canelas e as jugulares, tirem as crianças e os cardíacos da sala porque the boring days are over !!!!!!!

 

Fazia um bom tempo que não aparecia por aqui, a falta de tempo também pesou bastante para dar continuidade. Apesar da longa inatividade num período hibernando em crioterapia, o relato precisa e vai ser finalizado (antes do fim do mundo, eu creio 8) ) então nada de morrer na praia, isso é coisa do Botafogo ou dos atletas olímpicos brasucas, falando nisso a Fabiana “Baloubet du Rouet” Murer deu uma forçada de barra : “Foi o vento”, justificou. Parece que a maldição das Olimpiadas continua atacando a atleta : primeiro somem com a vara em Beijing, depois a vara não sobe em Londres, vai entender. De repente não estão passando o sarrafo direito, lembrando que tudo isso é no bom sentido.

 

Menos mal que nas próximas Olimpiadas vamos bater o recorde de medalhas de ouro :

 

“Perdeu playboy, passa essa medalha logo pra cá. Mais a carteira e o tênis !”.

 

Não é à toa que o mascote vai ser um tatu: tá tudo fodid...

 

Falando nisso, quero só ver o mascote entrando no estádio de mãos dadas com a Xuxa e o Renato Aragão ao som de Tati Quebra-Barraco ou outra brasilianice do gênero.

 

E na Copa, a mesma coisa.

 

Ou pior, afinal o cardápio é variado : roubos, caneta-laser nos olhos do Messi, assaltos, tiros, explosões, brigas, aeroportos abarrotados, obras superfaturadas, transporte deficiente, greves, arrastões, despreparo (viram o mico em Viracopos, né ?), precariedade de infraestrutura, apagões nos estádios quando a seleção brasileira estiver perdendo o jogo e a chance da Taça da Fifa sumir, ainda mais agora com um certo corinthiano na cúpula da CBF.

 

Mas todos os visitantes e turistas corajosos serão bem recebidos de braços abertos bem no jeitinho brasileiro : alegria, calor humano, festa, bagunça, desorganização, mulheres, samba e assaltos. Dá-lhe bundalização !

 

Voltando ao sumiço (meu, não da taça), eu estava ralando para ver se conseguia alcançar o meu segundo milhão porque o primeiro eu não consegui passar nem perto. E pelo andar da carruagem vou continuar não conseguindo. hehehe

 

Não sou mensaleiro, ativista, ongueiro, quebrador de recorde, conservacionista (salvem as baleias, ainda quero comer uma ! Mas deixem eu nadar com elas primeiro), twitteiro, natureba, intelectual, petista ou muito menos funcionário público, afinal eu trabalho. Sou plebeu, não playboy.

 

Falando em petistas e funcionários públicos (não todos, é claro), não sei que pé anda a tal lei sobre utilização de cobaias mas bem que poderia ser criada uma lei trocando as pobres cobaias por certos funcionários públicos, quem sabe pelo menos assim eles prestariam para alguma coisa. Como existem muitos, custam caro, não prestam pra nada e não vão fazer falta, fica aqui a sugestão.

 

Interessante os fatos ocorridos há não muito tempo com certas “classes” chapas-brancas em greve por aí, tudo devidamente orquestrado pra colocar o governo na parede e botar pressão.

 

Desnecessário dizer quem paga a conta, né ?

 

O que, não sabem ?

 

Olhem no espelho.

 

E aqueles funcionários públicos federais então ? Com um salário daqueles e um monte de benefícios e mesmo assim ainda entram em greve !!!! Bando de parasitas, queria saber até quando vamos ter que sustentar essa corja.

 

Alguns desses $angue-$uga$ têm uma maneira sui generis de protestar : eles TRABALHAM (vejam só que coisa, um acinte !!) e classificam isso de “operação padrão”. Pois é, quem disse que funcionário público não trabalha ?

 

Nem vou comentar sobre certos policiais rodoviários, o que será mais que esse povo quer, incluir a propina no salário ou um novo plano de carreira fazendo ponte direta para algum cargo politico, afinal certos policiais rodoviários, politicos e propina têm tudo a ver.

 

Tá bom, chega. Melhor parar por aqui pois a lista é loooonga.

 

Voltamos à nossa programação normal.

 

Nem me lembro muito bem onde eu parei da última vez, mas nada de síndrome do relato não terminado, não é porque o relato de viagem RTW mais legal publicado em língua portuguesa (muito tempo depois surgiram alguns outros bons também) foi interrompido abruptamente antes da metade que este vai seguir o mesmo caminho.

 

Não creio que tenha sido o caso especifico do melhor relato RTW em português, mas essas saídas de cena são mais comuns do que parecem, principalmente esses viajantes ad eternum que empapuçam e baixam a bola, somem ou voltam pra casa. Claro que não vão deixar de curtir o lugar para ficar postando mas pra quem ia fazer chover, acontecer, viajar para sempre, nômades de espíritos livres, neohippies seguidores de Colombo, James Cook, Livingstone, Marco Polo, Ibn Battuta, Gemelli Careri, Che Guevara, Jack Kerouac e, socorro !!!!, Theroux & Cia (aham, tá bom, sei. Estão mais para seguidores de Justin Bieber e Michel Teló...), sem lenço e sem documento (minto, eles têm o passaporte), depois acabam amarelando ou acaba o dindin, o que vier primeiro. Nada como um bom choque de realidade, né ?

 

“Na prática a teoria é outra”, não custa repetir o mestre Joelmir Beting.

 

Muito bom se você for gringo ou, quem sabe, tiver um passaporte gringo, agora como Brasuca da Silva Sauro dá uma boa complicada. Impossível não é, mas é muito mais difícil do que certos sedizentes querem fazer parecer. Fica o toque para os iniciantes e ingênuos. E para os mais bobinhos também.

 

Por favor, não me peçam para eu elencar a pletora de facilidades que os gringos (talvez possamos colocar alguns ex-pats no bolo, principalmente os mais alicerçados e antenados) têm para viajar senão vocês entram em deprê e um dos motivos que eu escrevo isso aqui é pra gente se divertir e não entrar em deprê, combinado ?

 

Pra falar a verdade, eu aprendi a viajar com a gringaiada observando, lendo, pesquisando, ouvindo e conversando, mas tem que saber passar o filtro.

 

Muitas pessoas têm aquela idéia geral de viajar mas poucos realmente se jogam e eu sempre acho legal quem vai lá, mete as caras e não fica inerte em casa inventando desculpas e se borrando de medo.

 

Engraçado que quando eu iniciei esse relato, ainda na década passada, pensava que qualquer pessoa poderia realizar o sonho da RTW própria, mas hoje acho que não é bem assim. Como disse o nosso amigo Obama, o Barack, lá em 2008 : “Ya can't put lipstick on a pig!"

 

Mesmo com o crescente número de brasucas se aventurando nesse tipo de trip, não sei se me arriscaria a dizer que caiu no gosto da moçada, mas só o fato de aparecer um pouco mais na mídia e ver mais conterrâneos encarando já é um passo adiante. Mas que tem muito mochileiro Coca-Cola, isso tem. Só pressão, cair na estrada que é bom...

 

Pois é, como diria Herodoto “a única coisa permanente na vida é a mudança”.

 

Naquela época eu também achava que o viajante era melhor que o turista, tanto é que cheguei até a comentar que “comecei como turista e evoluí para viajante”, vai vendo. Eu diferenciava um do outro o que convenhamos, duas palavras para definir a mesma coisa é um tanto quanto estranho, acho que de viajante e turista todo mundo que pega a estrada tem um pouco, além do mais “pau que dá em Chico dá em Francisco”.

 

Mas não sou eu que irei reinventar a discussão batida, afinal já naveguei por essas águas também. Digamos que hoje em dia eu esteja mais para um viajante com veia de turista ou um turista com veia de viajante (não sendo dromomaniaco já tá bom demais) e que curto mesmo é viajar não apenas off, como também on-the-beaten-track.

 

É interessante observar uma certa e$tirpe de viajantes que vestem a camisa da simplicidade (desde que a camisa seja da Osklen ou Abercombrie, esta última trazida diretamente da 5th avenue pela mamãe ou papai bastante viajado$, évidemment), viajam muito para o exterior desde sempre, gastam pouco afinal são craques em desapego (menos do cartão de crédito do papai), “interagem” com os locais (garçom, vendedor e demais prestadores de serviços valem ?), nunca andaram de ônibus na vida (intercâmbio na adolescência na Austrália ou EUA não contam) e depois se gabam que o negócio é viajar de matatu na Africa, de trem favela class na India, num buzun caindo aos pedaços na Bolívia ou talvez em um chicken bus em El Salvador, porque de outras maneiras não tá com nada.

 

Adoram ser ou parecer quem não são, tudo devidamente registrado para pagar de bons samaritanos e hardcore travelers e se tiver crianças pobres ao redor para sairem na foto, melhor ainda. Como no Brasil não tem dessas coisas (pobreza ? injustiça social ? Onde ?) então Malawi, India, Bolivia e Camboja saem na frente. Pois é, só tem antropólogo (e especialista) viajando...

 

They know what is what

But they don't know what is what

They just strut

what the f*ck?

 

Não tomam uma mísera breja se o bar não estiver aprovado no guia, o que não deixa de ser inelutavelmente contraproducente afinal se são tão bons, sabichões(chonas ?), independentes, exploradores e descolados assim, por que seguem seus guias tão bovinamente ?, e só porque comeram um inseto na Khao San Road (devidamente registrado para o facebook, afinal são todos um bando de facebook wankers), posam de interessados a desbravadores da cultura local. Na boa, desde quando comer inseto na Khao San Road é sinônimo de cultura local ?

 

Reclaman sempre que a presença de outros “aliens” em sites históricos, topos de montanhas, complexos de templos, sites históricos e praias paradisíacas comprometem a autenticidade do lugar visitado. Engraçado, e a presença deles não compromete ou além de superiores também são invisíveis ? Curioso, né ?

 

Outro traço marcante é que estão sempre engajados em alguma coisa moderninha : seja fotografia, budismo, meditação, salvação do mundo, religião oriental, lances “zen” (se puder trocar o nome de batismo, melhor ainda), guru, drogas diversas (oops, escapou. Mas só as “sociais”, tá ?), proteção ambiental, causa palestina, arte, história, invasão do Tibet, injustiça social, cientologia, miséria, sustentabilidade, ioga, fome, condições de campos de refugiados na Africa, a situação na Amazônia (sim, acho que temos que protegê-la, poderiam começar tirando as ONGs vampirescas de lá) e são bastante empenhados em mudar o mundo e lutar por sei lá o que, quando o máximo que lutaram na vida, além do piti pra tirar o joystick da mão do irmão mais novo ou esconder a maquiagem da irmãzinha, foi para escolher a cor e a marca do carro novo de novo que vão ganhar do papito e o aumento da mesada. Francamente...

 

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem mas realmente...mas realmente...isso tudo é uma grande falácia. Me enche o saco esse papinho de tomadores de toddynho metidos a salvadores do mundo e não sei qual é o pior, o riquinho metido a pobre ou o pobre metido a rico.

 

No fundo são um bando de mimados nascidos em berço esplêndido que viajam para o exterior desde a época que o visto americano era artigo de luxo (engraçado, eu sempre achei isso...) e depois de se cansarem de ir pros EUA e Europa, sempre acompanhados da família abastada, descobrem que o mundo é maior e passam a se aventurar para lugares mais afastados pagando de aventureiros roots. “O que, Miami ? Muito turístico, nem pensar (isso depois de já ter ido mais de 32 vezes). Falando nisso, quando a mamãe vai pra lá de novo, preciso de mais um tênis para combinar com meu relógio novo !”.

 

Só podem ser os “mochileiros de grife”, irmãos siameses dos “revolucionários da GAP” e fieis seguidores do motto hay que endurecerse e viajar de manera hardcore siempre, pero sin perder la mesada jamás.

 

Fim do occasional WTF moment. Por enquanto.

 

Então, como estava dizendo, eu nem me lembro mais onde o relato parou, sendo assim vou continuar dando uma enrolada e fazer algumas elucubrações – assim ganho tempo para lembrar onde parei - sobre trips RTW, inclusive a minha última, mas esta será apenas uma pincelada, tão logo a oportunidade surgir venho com algo mais recente. Hora de trocar a marcha e move on.

 

Vou aproveitar e tentar fazer um kinda wrap-up também, uma espécie de x-tudo. Tá, tá, eu sei que em relatos normais e cadenciados essas coisas vêm apenas no final e coisa e tal mas peraí, quem disse que esse aqui é um relato normal e cadenciado ?

 

Nesse ínterim foi ótimo notar que esse tipo de viagem (RTW, pra quem chegou de Marte agora) está sendo mais divulgado, pipocando em portais da net, sites, blogs, jornais, revistas e até em programas de TV, o último deles com duas garotas girando o globo tinha um belo itinerário por sinal, apesar de relativamente mal dividido entre os lugares (sabemos que “cavalo dado não se olha os dentes”, mas de repente poderiam ter tirado dois picos meia-bocas e colocado um bacanão, por exemplo) mas isso faz parte, não tem como acertar sempre e para casar roteiro x tempo x vontade x grana é uma coisa mesmo.

 

O pior é quando se tem tempo, artigo de luxo hoje em dia, e mesmo assim não sabe aproveitar. Aí meus caros e minhas caras, mas nem desenhando.

 

Isso tudo confirma a tese que apesar dos pesares, viajar RTW hoje em dia está tão fácil, mas tão fácil, mas tão fácil, mas tão fácil, mas tão fácil (tá bom, já chega) que até brasileiro consegue.

 

O que, duvidam ?

 

Voltei há não muito tempo da minha quinta RTW (só pensa naquilo...) mesmo com esse dólar pela hora da morte.

 

Coisas do Brasil, se algo dá certo é porque tem alguma coisa errada. Dólar baixo, o pessoal começa a viajar pra fora e o governo vai lá e tasca um aumento de imposto, afinal a culpa é de quem viaja. O dólar sobe e cadê o imposto ? Continua lá nas alturas. Igualzinho a violência nas grandes cidades, a culpa é sempre da vitima. Aumentar a segurança pra quê, né ? Vai que melhore e aí vai prometer o que na época de eleições ? Ainda mais aqui onde o povo não sabe votar.

 

Falando em dólar alto, agora vocês sabem o porquê da doleta ter disparado nos últimos meses. Foi só eu pensar em tirar minhas merecidas férias que o maldito disparou. :| Quando eu efetivamente viajo, nossa, melhor não comentar, o maldito vai para as alturas !!! É sempre assim, já até me acostumei e virei motivo de chacota no trabalho :

 

“O que, você vai viajar ? Quando ? Me avisa logo porque como o dólar vai subir então vou comprar antes. Depois eu vendo mais caro e faço uma graninha”. Aham, tá. Engraçado esse povo, a gente ganha pouco mas se diverte...

 

E o pior é que nem posso culpá-los pois estão certos !!! Isso vem de longe, é tiro e queda. Mas não aceito receber a culpa sozinho pelo desastre cambial, podem botar na conta do almofadinha Ministro Mantega, o rei do PIBinho, mestre dos chutes (será que ele aprendeu com o Aiatolula ?) e medalha de ouro das previsões econômicas mais inconsistentes e furadas desde o reinado de D. João VI, uma verdadeira mãe Diná na versão ministerial, mais um perdido entre tantos nesse governo que institucionalizou a corrupção, né Dilma, Lula & Cia ?

 

E digo mais (iiihhh, lá vem...), para fazer uma viagem RTW também nem precisa ser lá muito inteligente (falei que sou recém-chegado de mais uma, né ? :wink: ).

 

O que, duvidam ?

 

O que tem de gente torrando o valor equivalente a metade de um carro zero quilômetro num ticket volta-ao-mundo e chamando isso de bom negócio não está escrito no gibi.

 

Deixa eu aproveitar o gancho e botar a bola no chão aqui: eu sou adepto sim do ticket RTW (claro que não esses com preços exorbitantes), já utilizei algumas vezes e provavelmente usarei outras tantas porque gosto bastante da safety net que ele proporciona.

 

E apesar de eu não ter viadagem para cias aéreas no geral (já falei que esse negócio de ficar reclamando de cias aéreas, pinchs, comida, serviço de bordo e fazendo comparações esdrúxulas de alhos com bugalhos tipo Webjet x Emirates, Ryanair x Lufthansa, Easyjet x KLM é coisa de sommelier de Fanta Uva. Ou pobre. Não gostou paga mais caro ou fica em casa, simples assim. E o pior é que a maioria desses “experts” não são capazes de diferenciar um Boeing 747 de uma Kombi, vai vendo...), as integrantes que compõem as grandes alianças costumam ser empresas boas, mas tem que saber utilizar bem essa passagem senão o tiro sai pela culatra e fica parecendo arma na mão de gente despreparada ou o PT no governo : o estrago é grande.

 

Então é sempre bom verificar outras alternativas porque a economia vale muito a pena. Me refiro a um jeito mais, digamos assim, casual day, que funciona bem por ser mais economicamente factível para assalariados como eu e vocês. Em alguns casos (presente !), o que se economiza nas passagens daria para pagar o restante da viagem.

 

Dar a volta ao mundo de outras maneiras que requerem mais planejamento e muuuuuuuuuuuuito mais recursos (carro ou barco) prefiro não me arriscar a dizer que é tão acessível assim (não é impossível, decerto. Senão não teria gente fazendo, né ?), a não ser que você acredite piamente que dá pra viajar o mundo durante uns três anos tocando o terror de jipão importado e a conta ficar na casa de subavaliados 70 mil dólares. Tenho minhas dúvidas se com tal montante pagaria o carro-mega equipado, imaginem os outros gastos ?

 

Carrõe$, jipõe$ e barcõe$ combinam com muitos cifrõe$$$$$$. E tempo.

 

Mas sei lá, se tem gente que acredita o mensalão não existiu e que se explodindo e matando um monte de inocentes vai encontrar 72 virgens (por que não 60 ou 70 ? E se o suicida for uma mulher ?) no outro lado (só se for no outro lado porque nesse lado aqui tá difícil...hehehe).

 

Mas enfim, eu gosto de todas, mas prefiro as que eu possa pagar. Melhor do que ficar apenas sonhando, né ?

 

O ideal é achar um meio termo, nem oito nem oitenta, afinal sair por ai também no perrengue total é coisa de argentino, e viajar não combina com mendigar. Se não tomar cuidado a pessoa vai ficar tão estressada com os gastos que nem curte a viagem direito.

 

Ticket RTW tem muito de propaganda de carro zero quilômetro, manjam o tal “a partir de” e a “foto meramente ilustrativa” ? Então, funciona quase do mesmo jeito, mostra uma coisa mas quando você chega na concessionária é outra muito pior. Aquele carrão da “foto ilustrativa” cheio de acessórios de cair o queixo no melhor estilo “se eu fui pobre não me lembro” não tem nada a ver com o preço que informaram no anúncio, sem choro nem vela.

 

O mesmo vale para os tickets RTW, você vê um “precinho camarada” (grifo meu) mas ele dificilmente vai cobrir o roteiro dos sonhos e se cobrir não tem nada de “precinho camarada”. Ai entra a pesquisa bem feita para comprar a coisa certa e não pagar os olhos da cara.

 

O que tem de tickets “entre U$ 2.900,00 e U$ 4.000,00” em RTW de U$ 6.000,00 (esses preços hoje estão defasados) prefiro nem comentar, some-se a isso os tickets avulsos que vão pintar, agora façam as contas e vejam quanto fica só a parte aérea da trip, uma paulada.

 

Uma pena, porque eu também acho que assim assusta bastante - ainda mais agora com a escalada do dólar - e acaba por desestimular quem pensava um dia em fazer uma trip dessas propagando, assim, o mito que é algo que beira o inimaginável e que comporta apenas o mundo dos sonhos (pra quem gosta apenas de sonhar), profissionais muito bem sucedidos, donos disso, donos daquilo, herdeiro$, gringos ou gente com grana no geral.

 

Por isso que uma boa pesquisa e planejamento, assim como canja de galinha, não fazem mal a ninguém.

 

O que, duvidam ?

 

Eu comentei que fiz minha 5ª. trip RTW não há muito tempo e apesar de teoricamente curta para os padrões considerados bons (não sei quem ditou isso, mais tarde voltarei no assunto “duração de viagem”), mesmo assim fiz do jeito que queria, claro que não em todos destinos, mas consegui decidir o que e como visitar quando chegasse nos lugares e viajar sem correria (isso eu deixo para os precoces), além daquele seredinpity básico que não pode faltar, pois só de praia no mais puro dolce far niente (eufemismo para preguiça e descanso, não necessariamente nessa mesma ordem) deu mais da metade do tempo, afinal férias são férias. E vice-versa.

 

Então, entre outras coisas e sem grandes soluços essa trip me deu direito à :

 

• rolê de bondinho nas ladeiras em SÃO FRANCISCO (algo que o Phileas Fogg não fez porque passou por ali um ano antes (1873) do primeiro bondinho começar a funcionar), falando nisso haja ladeira naquela cidade, lá português não anda de skate e nem de bike, afinal só tem subida..., comer muito clam chowder, cruzar de bike a Golden Gate Bridge e depois descer a milhão a serra em direção à bonita e aconchegante Sausalito e voltar, de barco, atravessando a baia e tendo uma visão da Ilha de Alcatraz brincando de esconde-esconde atrás da névoa, além de poder observar a ponte de outra perspectativa, agora fantasmagoricamente linda envolta numa neblina criando um cenário de fazer inveja aos filmes de Hitchcock;

 

• o não-encontro com as elusivas raias-mantas (que eu descobri depois que eram na verdade raias-lobisomens) em FIJI. Mas a ausência delas foi devidamente compensada com juros e correção por um verdadeiro batalhão de jovens norueguesas mais soltinhas que arroz da vovó e que estavam lá na mesma época que eu, sendo que a mais “feia” botava a russa Sharapova no chinelo;

 

• a minha constatação que a bela Opera House debruçada sobre a linda baia de SYDNEY pode ser considerada um resumo da própria Australia : linda por fora e oca por dentro. Fica fácil perceber porque as patricinhas e os ocos por dentro surfistas-merrequeiros-metidos-à-Kelly-Slater se identificam tanto com aquele país;

 

• curtir uma diferente ilha na TAILÂNDIA com direito a uma das praias mais belas que eu já vi (Phra Nang beach, em Railay. Eu preferi ela à Tonsai, vai ver porque não estava lá na melhor época, sei lá), uma esticada rápida até Phi Phi para confirmar com meus próprios olhos que infelizmente o tailandês tende a matar suas galinhas de ovos de ouro, explorar novos templos budistas, mercados escondidos e ruelas e ainda experimentar um prato novo simplesmente delicioso num restaurante BBB estranhamente perto da zorra total da Khao San. Se eu soubesse que ia perder mais de cinco quilos no próximo destino eu juro que teria me esbaldado mais naquele rango;

 

• depois disso tudo, hora de seguir para o país mais bizarro do mundo : INDIA, onde tive a confirmação que o Taj Mahal realmente é Mahalvilhoso (PQP, essa foi de lascar, cadê meu remédio ?), visitar ao vivo e a cores, sob um calor escaldantemente senegalês de 42 graus (em Delhi fui recebido por 44 graus, não acreditei quando o piloto falou), a versão indiana de “I see dead people” na labiríntica, imunda (óbvio, isso aqui é a Índia) e sagrada Varanasi no melhor estilo : Mate, if that doesn't creep you out, nothing will !, além de descobrir um lado do povo indiano que eu não conhecia. Foi incrível constatar ao vivo e a cores a devoção religiosa na India, principalmente para um ateu fundamentalista como eu. Graças a Deus.

 

• Ficar embasbacado com a vibe e as maravilhas de ISTAMBUL. Que cidade ! E ainda deu tempo para fumar narguilé com uma francesinha cheia de atitude curtindo férias do trabalho num hotel em Paris e que falava espanhol fluentemente mas, qu'est-ce que c'est ????!!!, puxava sardinha para o Lula, o Gran Larápio !!! Vejam só se pode uma coisa dessas ? Também, a garota já morou na Argentina...

 

• E para fechar a trip, uma passada bem rápida na Alemanha, terra da qualidade, competência, da AUDI, BMW, MERCEDES e constatar que os alemães em casa continuam sendo um povo muito gente boa, e não só aqueles que a gente encontra viajando.

 

It´s a wonderful world…

 

O que, muito difícil ?

 

Vamolá então, como são tantas emoções e aproveitando que eu estou de bom humor, para comemorar o retorno do relato, vou tentar desenhar. Adoro mapas, comecei quando jogava WAR :

 

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Preço aproximado da parte aérea para quatro continentes : 25 mil milhas + U$ 1.900,00.

 

Pois é, o sonho da RTW própria muito mais perto do que parece. Para um bom entendedor, dar a volta ao mundo pela metade do preço basta.

 

Quem está se perguntando se tirando as milhas dá pra fazer uma trip RTW a resposta é SIM, mas sem ziguezaguear muito. E para quem gosta de viajar e, assim como eu, curte (re)visitar lugares numa mesma trip bastante diferentes entre si, acho jogo.

 

Humn, pensando bem, na minha busca ao tesouro não tão perdido no mundo das viagens RTW mais em conta, dá sim para rodar o mundo no ziguezague sem a necessidade das milhas, basta pesquisar direito e um pouco de sorte e timing também.

 

Tive que comprar passagem no meio da trip, algo arriscado porque se o preço der uma estilingada muito forte não tem pra onde correr, e uma passagem que eu comprei lá atrás hoje custa a metade do preço, isso porque quando eu fiz a trip uma nova cia aérea que hoje faz um dos trechos não tinha começado a operar. Sendo assim, acho que hoje daria até pra fazer mais barato.

 

Acreditem ou não, depois de fazer uma boa pesquisa e planejar, vocês vão ver que os gastos não são tão altos como a gente costuma pensar.

 

As minhas milhas consegui no susto (erro do cartão de crédito). Quisera eu conseguir juntar tantas milhas assim mas, sei lá, milhas aéreas hoje em dia são como peito pra mulher : se não tem, compra.

 

Essa foi de um amigo de trabalho. Tô falando que a gente ganha pouco mas se diverte...

 

Logo, com o preço de uma ida-e-volta simples para Asia já dá para realizar uma volta ao mundo sem grandes sustos. Não estou dizendo que seja algo necessariamente barato, afinal além das passagens ainda têm todos os outros gastos, mas aí o resto é com vocês.

 

Do alto da minha santa ignorância sobre o assunto, ainda acho um baita negocião.

 

Quanto aos tickets avulsos numa trip assim (só uma passada de mão de tinta aqui, porque ja vi que o post vai ficar longo. Novidade....), muita calma nessa hora porque para nós, brasucas, o caldo pode entornar se você não conseguir vôos de/para casa a preços palatáveis.

 

Não adianta também achar vôos com preços bons se para conseguir chegar até eles (e depois voltar) você morre com uma baita grana.

 

Qual a melhor opção ? Humn, pergunta sem resposta especifica mas eu arriscaria esgotar as opções possíveis, fazer simulações, comparar com os tickets RTW e ver o que melhor encaixa à sua viagem. Simples assim.

 

Uma viagem volta ao mundo, assim como qualquer viagem bem feita, começa com um simples clique no mouse e pela experiência da minha última trip aí em cima, acho que já deu pra perceber que procurando, dá.

 

O que, duvidam ?

 

Bem, depois que dia desses eu trombei com vôos diretos da Europa para a Tailândia por risíveis 150 euros eu não duvido mais de nada.

 

Não me perguntem, não sou agente de viagens, mas lembro que não era nada de Pequepequistan Airlines, Air Taliban, Free Falling Air, Aero Crash, Fly Hezbollah, Disaster Air, Queda Rápida Líneas Aéreas ou algo do gênero. Ah, e nada daqueles vôos “pinga-pinga”, porque senão fica muito cansativo e desperdiça-se muito tempo.

 

Se um dia eu achar de novo e usar eu venho aqui e falo como foi, mas que é um ótimo custo x beneficio até um recém-nascido corinthiano há de concordar. Pois é, dar a volta ao mundo tá que nem ganhar a Libertadores, tão fácil que até corinthiano consegue. 8)

 

Economizem na coisa certa. Arrumem um jeito de gastar seu suado dinheiro NOS DESTINOS propriamente ditos e não apenas PARA CHEGAR neles. Gastando muito nas passagens, o que sobra para gastar nos lugares ? O mel é uma coisa. Outra coisa é o preço do mel.

 

Nessa última trip ainda deu para reduzir alguns vôos e tornar a trip menos cansativa, tô ficando bom nisso. Até porque antes eu era adepto do “ticket-forró”, dois pra lá e dois pra cá (nossa, cadê meu remédio ? O médico continua falando para não contrariar... :wink: ). Trocando em miudos : dois vôos a mais pra lá e uns dois mil dólares a mais no bolso pra cá (o que eu não faço por uma economia ?), confirmando a tese, agora financeiramente, que "viajar é a única coisa que você compra que te deixa mais rico".

 

Se isso não for economia então não sei o que é. Nada daquela chamada de “economia porca”, i.e., pulando atrações pagas, mendigando por comida (?!?!?!??!?!?!), passando vontade e aperto, contando os centavos, comendo pão com miolo, miojo, biscoito de água e sal, tomando água da torneira ou frequentando fast food em dia de festa.

 

E nem dormindo ao relento, esse último só vale se for no deserto ou na savana africana cercado de animais selvagens à espreita e sob um céu estupidamente estrelado, contando as estrelas cadentes, ficando de boca aberta com a impressionante visão da via láctea, procurando e descobrindo como diferenciar os satélites comerciais dos militares (o que a gente não aprende na África, né ?).

 

E para se auto-financiar, que tal ficar limpando parabrisas e ficar fazendo maquaquices, digo, malabares nos semáforos ? Que mais, jogar capoeira na rua ?

 

Mas cuidado ! Ouvi dizer que em algumas cidades espanholas rolam multas de até 3.000 euros para quem mendiga. Gostei ! Ai se a moda pega aqui com os flanelinhas também, corinthiano teria que começar a procurar emprego.

 

Claro que cada um tem o seu jeito e tal, seja gastando os tubos, seja no perrengue crônico mas é isso que você chama de viajar ?

 

Eu também acho que “tudo vale a pena se a grana é pequena” mas por favor, econômico sim, miserável não.

 

Um dos objetivos de eu escrever isso aqui - além de me divertir - é incentivar as pessoas a darem um bizu nesse mundão e provar que não precisa ganhar na megasena para tal, vocês já perceberam que quando perguntados aos “futuros milionários” (a esperança, assim como a sogra, sempre é a última que morre) o que fariam com o dindin uma resposta bem cotada e em comum é quase sempre a mesma : “VIAJAR O MUNDO” ?

 

Se não der para fazer num período sabático mete o pé na jaca (e na estrada 8) ) e vai nas férias mesmo, mas faça um favor à si mesmo, saiba dividir o tempo (não adianta ter tempo e ficar mudando de lugar a cada um ou dois dias, fica cansativo e muito caro) e cuidado com os gastos. Se for fazer mal feito ou fazer por fazer tenho minhas dúvidas se RTW é o teu número.

 

E se for, tome cuidado para não cair na armadilha da RTW a qualquer custo. São poucas as nuances e armadilhas sobre viagens volta ao mundo que eu não sei (o que, arrogância ? Que nada, sinceridade. Tem gente que se acha, né ? :wink: ), mas se tem algo que me intriga é fazer uma RTW sem necessidade.

 

Eu não sei se tem a ver com um certo glamour ou magia que uma trip assim representa (afinal girar o globo e visitar o espaço sempre habitaram a mente dos mais aventureiros e/ou sonhadores. A propósito, não faço parte de nenhum desses tipos) e hoje já constam no menu e nos panfletos de agências de turismo, mas particularmente não vejo nenhum glamour em gastar os tubos.

 

E se o objetivo é visitar a Ásia e Europa ou, sei lá, América do Norte e Oceania, por que gastar, numa tacada só, mais de expressivos US$ 4.000,00 num ticket RTW, fora os outros que possam surgir ? Taí uma coisa sobre RTW que eu ainda não consegui entender e olha que sou um grande admirador e incentivador desse tipo de trip, mas sou contra gastar deliberadamente mais do que o necessário.

 

E esse preço de U$ 4.000,00 e lá vai pedrada é para quem escolheu a Oneworld, que não é nenhuma pechincha mas também não agride o bom senso, porque para quem vai utilizar os serviços da debutante (15 anos recém-completados) $tar Alliance vai morrer com muito mais.

 

Não é à toa que além de premiada é bilionária, faturando U$ 160 bi/ano (também, com esses preços...). Acho até que poderia entrar no Turismo Espacial, leva jeito. Afinal os preços já já estarão mais altos que o alcance da SpaceShip da Virgin-Atlantic : lá na putaquelpariutosfera.

 

Já vi casos de pessoas que deram uma volta ao mundo e torraram o dindim num ticket RTW gastando o dobro que precisava APENAS para trocar de avião, em função do roteiro escolhido. E não saíram nem do aeroporto... Será que precisava rodar o mundo ? Será que não havia outra rota mais em conta (e curta) para a mesma viagem ? Eu respondo : sim, havia.

 

E olha que essa nem foi a pior parte, a pior parte foi que eu não pude ajudar. A passagem já estava comprada e a viagem já tinha sido iniciada senão eu daria um help, algo que não faço com muita frequência.

 

O que, egoísmo ? Que nada, falta de tempo mesmo. Vida de assalariado sabe como é...

 

E de que vale o conhecimento se ele não for compartilhado ? Mas eu gosto de ajudar quando eu tenho tempo e apenas quem faz a lição de casa, a vida me ensinou a não perder tempo com gente burra e folgada.

 

Como o exemplo em questão era um roteiro COM NOÇÃO (redondinho até, nada daqueles roteiros “embaralha a vista” que de tanto pula-pula não dá nem pra ler), então seria mamão com açúcar dar uma mãozinha e ajudar a não gastar (muito) mais que precisava, uma pena mas agora já era. E a grana economizada que era muita, diga-se de passagem (desculpem o trocadilho) poderia significar mais alguns bons meses de viagem, principalmente na Ásia, isso pra não falar que ao contrário do ticket RTW (que, reitero, não precisava para fazer a trip em questão), se fizesse de outra outra maneira, além de custar uns 50% mais barato, daria até para parcelar. Falem-me em economia.

 

Mas esse foi um caso especifico porque comentar roteiros é uma coisa mesmo.

 

Meeeeeeeeeeeeeu d´ssssssssssssss, quecaquilo que a gente vê por ai ?

 

Tá, tá, eu sei que por roteiro ser algo muito pessoal fica muito complicado pitacar, afinal cada um tem seus sonhos, gostos, objetivos, interesses, coleção de bandeirinhas, vontades, expectativas, principios, idiossincracias, (falta de) conhecimento, coleção de imãs de geladeira, orçamentos, prazos, idéias, CTRL C´s e CTRL V´s, mas alguns provocam calafrios mas aquelas, vai ver que a pessoa fica tão animada (quem nao ficaria sabendo que vai cair no mundo ?) que se esquece do óbvio e do bom senso, quem não fez isso alguma vez na vida ? E o que é óbvio para uns pode não ser para outros, simples assim.

 

Outra coisa (eu falei que o texto seria longo, né ? Sorry, twitteiros...), em relação a duração de viagem, com exceção talvez de um improvável Tratado de Quadrúpedes, não está escrito em nenhum manual, lei, regra, acordo, medida provisória, protocolo, manifesto, aditivo ou na Constituição que para dar a volta ao mundo, embora recomendável, só vale se durar seis meses ou um ano e tenha que passar pela Tailândia. Se puder, melhor. Se não puder, paciência, ainda assim vai ser uma put@ trip e é melhor passar nem que seja algumas semaninhas de férias viajando numa volta ao mundo do que uma vida inteira sonhando com ela.

 

Como eu disse bem lá atrás no começo do relato (faz tempo, eu sei), eu já fiz as duas maneiras (longa e “curta”) e recomendo ambas. Quem fala que não dá pra curtir certamente fugiu do pasto, é invejoso, burro ou acumula função.

 

Claro que praqueles que têm mais dindin e tempo é melhor que dure mais, assim daria para diluir certos custos por um período mais elástico e obviamente passar mais tempo nos destinos, mas já que nem sempre é possível, por que não curtir com o que pode e tem disponível ? A mesma coisa com o “cebolinha” (contracheque) : quem não queria ter um mais polpudo ? Até eu que sou mais bobo, mas não é por causa que não tenho que vou deixar de fazer as coisas que eu curto, desde que fique bem balizado dentro das minhas possibilidades.

 

A mesma coisa funciona pra RTW, não é porque você não tem dindin ou tempo suficientes pra fazer uma trip assim por um período longo (se souber se programar e planejar, pode sim) que vai deixar de fazer. Umas cinco semanas já dá pra molhar o bico e ficar com um gostinho de quero mais, vai por mim.

 

Mas nada de pererecar de um lugar para outro dia sim e outro também e viajar como se não houvesse o amanhã, perdendo mais tempo em deslocamento do que nos lugares propriamente dito e viajando com tudo, mas tudo mesmo planejado como certo "experts" por aí.

 

Claro que você não vai esgotar um destino (seja lá o que isso signifique) ou algo do tipo, mas vai dar pra curtir bastante. A trip será mais intensa e o “WOW EFFECT” vai estar sempre em níveis estratosféricos.

 

Mas todo cuidado é pouco e toda trip é única, afinal existem viagens e viagens, orçamentos e orçamentos, maneiras e maneiras, roteiros e roteiros, estilos e estilos. E vice-versa.

 

Tá, tá, eu sei que vai parecer aqueles insuportáveis papinhos dos chatééééééééérrimos e improdutivos cursos in-company, ou coaching (dá a maior grana, putz !!!) ou, se me permitem o neologismo, outras groselhices do gênero, mas vou falar assim mesmo.

 

Basta seguir a regra dos “pês” que não tem muito erro :

 

Preparação

Planejamento

Pesquisa

Paciência

 

No meu caso podem colocar na equação Paixão e Pindaíba, mas essa só no fim da viagem pois eu não costumo passar vontade nessas trips e não custa repetir "viajar é a única coisa que você compra que te deixa mais rico".

 

Quase esqueci, podem colocar Perrengue também, sem ele não tem muita graça, né ? Mas com limite.

 

Tá, tá, eu sei, já entendi : falando assim parece fácil. E é. Parece até o Mito da Cassandra: ela está certa, mas ninguém acredita em suas previsões.

 

Num primeiro momento pode até ser um tanto trabalhoso para planejar, só que é um troço tão bacana e prazeroso que você nem percebe. Pensando bem, percebe sim e já começa a viajar antes mesmo de entrar no avião, como toda viagem.

 

Olhando de fora parece algo muito difícil : “Ele fala que é simples porque depois que fez um monte fica fácil”.

 

Mas não é nada disso, vocês vão entender o que eu quero dizer quando fizerem as suas, isso, claro, se pretendem dar uma volta ao mundo um dia, afinal existem diferentes tipos de viajantes e viagens e muita gente acha desperdício rodar o mundo num tempo curto (depende o que a pessoa estiver buscando) e prefere ficar numa região, apenas.

 

Outros viajantes podem achar que dar a volta ao mundo é algo meio arbitrário. Quem sabe eles podem estar certos ? Ou quem sabe tenham medo ? Quem vai saber, vocês ? Nem eu.

 

Mas enfim, essa foi outra trip e não vou misturar com esse relato. Quem sabe eu termine ( fingers crossed!) este aqui e comece um novo recém-saído do forno ? Já estou até ouvindo os lamentos de “não, não, por favor”, mas quanto maior for a divulgação e a demistificação, maior o incentivo e assim mais pessoas possam fazer.

 

Só não vale ficar sonhando a vida toda achando que não pode realizar ou que viajar assim é apenas algo para gringos, ex-pats com ou sem noção, galera do jabá, pa(i)trocinados (podem ser “titiotrocinados” ou “sogrãotrocinados” também. Haha, isso me lembrou a história de uns playbas num catamaran...), apresentadores de TV, filhos de banqueiro, fidalgos, alguém com o emprego dos sonhos ou os bem na$cido$ no geral. Eu pensava assim também, ainda bem que descobri a tempo que não é nada disso. Traveling and learning.

 

Tomara que outras pessoas, assim como eu, percebam isso também e possam ver como um objetivo realista e não apenas mais um sonho daqueles que se perdem na memória pra sempre.

 

Independentemente do seu jeito de viajar, do tipo de viagem ou o destino, não existe uma maneira certa ou errada, assim como não existe um sabor certo ou errado de sorvete, simples assim.

 

Mas eu acho que existe sim um jeito caro e outro mais em conta e pagar mais por algo que pode ser feito mais barato (mas dentro do estilo de cada um, que fique bem claro) eu fico com o Ciro Gomes : “quem paga ágio é otário”.

 

Só não vale avacalhar, tem gente viajando no Transiberiano e chamando aquilo de viagem volta ao mundo. Daqui a pouco qualquer trip pros EUA com parada no Panamá vai ser considerada volta ao mundo também. Putz, depois sou eu que viajo na maionese. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Maçã é maçã e pêra é pêra. E vice-versa.

 

Salvo raras exceções que não cabem mostrar aqui, toda viagem volta ao mundo é multidestino mas nem toda viagem multidestino é volta ao mundo. Para os paneleiros quadrúpedes de plantão, não estou dizendo que uma é melhor que a outra, inclusive já vi aqui mesmo no mochileiros trips multidestinos que deu um baile em muita volta ao mundo por aí (vai ver porque o roteiro contemplava a Africa 8) ), só estou dizendo que são diferentes.

 

O que vale mesmo é a pessoa sair para viajar, se vai ser volta ao mundo, multidestinos, para a cidade vizinha, se vai sozinho, acompanhado, com a cara metade, empacotado e se a sua é ir para Miami fazer turismo de compras vá e seja feliz ! Quem fala que isso não é viajar não passa de um tapado invejoso. Ou vice-versa.

 

E se o destino for Myanmar ou Miami, pouco importa. Só muda o portão de embarque.

 

Vai que é sua !!!!!!

 

Tá bom, tá bom, basta de mimimi então bora agitar isso aqui (a rima foi sem querer !).

 

Vou aproveitar que pelo menos no que diz respeito às viagens minha memória anda boa e colocar mais um trecho do relato (tá no finalzinho, eu prometo) que começou na década passada. Falando em boa memória...ahn...humn...tipo assim...onde foi mesmo que nós paramos ? Ah, lembrei, na Cidade dos Anjos. 8)

 

”Hey DJ, put that sh*t louder !!!!”

 

Oh, let the sun beat down upon my face, stars fill my dreams

I am a traveler of both time and space, to be where I have been

 

O nome verdadeiro de batismo dela é (respirem fundo !) KrungThep Mahanakhon Amon Rattanakosin Mahinthara Mahadilok PhopNoppharat Ratchathani Burirom Udomratchaniwet Mahasathan Amon Piman Awatan Sathit Sakkathattiya Witsanukam Prasit, os risonhos locais a chamam de Krung Thep (Cidade dos Anjos), mas podem chamá-la simplesmente de Bangkok.

 

No alto de seus respeitáveis 12 milhões de habitantes apenas na área metropolitana (cada fonte diz um número diferente então eu peguei a média), quase 450 templos, um número impressionante de lojas 7ELEVEN que de tão fácil achar parece loja Starbucks em Manhattam, Bangkok é a vibrante e caótica capital de um país com 70 milhões de habitantes dentre os quais existem 200 mil monges (números não confirmados) e demonstrando uma enorme e estranha influência de gaúchos e são-paulinos, a mesma quantidade de ladyboys, que apontam duas facetas antípodas deste simpático, hospitaleiro e distante país asiático.

 

Bangkok é uma das maiores metrópoles da Ásia onde o sagrado e o profano caminham de mãos dadas, mas cada um no seu quadrado. Arranha-céus, cortiços, inferninhos com muito neon, Shoppings Centers sofisticados, mercados flutuantes, estradas elevadas, canais (ou khlongs, como são chamados) dividem espaço na frenética e pulsante cidade gentilmente apelidada de "Cidade dos Anjos”.

 

Isso sem falar dos taxis coloridos, reforçando o que já foi dito no post anterior, sendo muitos deles naquela cor “azul-gaúcho”(não preciso falar qual é a cor, né ?) comprovando novamente a influência de gaúchos e são-paulinos, pelo menos aqueles que não migraram para o bairro Castro, em São Francisco.

 

(NR.: Desconheço se esse bairro californiano tem a ver com a fixação dos EUA em achar armas de destruição em massa).

 

Acho que a grande concentração de “padeiros distraídos” asiáticos devem estar em Phuket e adjacências e na Tailândia a bicharad...digo...a travecada é uma espécie de terceiro sexo, algo assim. Lá eles são aceitos na sociedade, não sei se tem a ver com o tipo de Budismo que o país pratica ou porque a sociedade é mais “aberta” (perdoem o trocadilho involuntário) para essas coisas.

 

Enfim, deixemos os viad...digo... os híbridos e seus pares gaúchos e são-paulinos pra lá e voltemos para Bangkok.

 

Por se tratar de uma das grandes metrópoles asiáticas, um cenário com templos brilhantes hoje convivem num ritmo frenético, poluição, trânsito caótico, arranha-céus, hotéis e shoppings luxuosos assim como muitos mercados de rua onde tudo custa muito pouco.

 

Além dos shoppings centers modernos cheios de grifes famosas, existem outros centros de compra nem tanto glamourosos, são mais populares com barraquinhas coladas umas as outras, mas é preciso olho vivo porque a região é um paraíso de falsificações, Ciudad de Leste é fichinha. Pirataria ali é igual a politico corrupto no Brasil, está em todo lugar e às vezes a qualidade dos produtos pode deixar a desejar mas pra quem gosta de artigos baratos ali é um prato cheio. E sacola também. 8)

 

Quanto a qualidade muitas vezes ser duvidosa acho isso muito relativo, afinal eu não vou comprar um iphone numa barraquinha nas ruas de Bangkok, né ? Não é porque sou brasileiro que tenho que ser burro também e sabendo garimpar tem muita coisa bacana e de qualidade. E lugar de comprar iphone é no Paraguai... (Brincadeirinha!!!!)

 

A terra do “same same but diferent” continua bombando e esse mantra a gente percebe a toda hora, seja nas camisetas com dizeres engraçados, seja na atitude do povo o que juntamente com preços baixos, atrações impares, templos budistas, palácios com sua arquitetura detalhada, exótica e bonita, cultura, gastronomia e povo hospitaleiro continuam atraindo milhões de turistas, três vezes mais do que o Brasil por sinal, e se depender de mim a diferença vai aumentar porque costumo indicar a Tailândia como um ótimo destino de férias e quase sempre convenço turistas a não perderem seu tempo nem dinheiro vindo pra cá, sou uma espécie de embaixador às avessas.

 

Babaquice ? Complexo de vira-lata ? Sinceridade ? Todas as anteriores ? Sei lá, pode ser, mas eu concordo com Charles de Gaulle (o general, não o Aeroporto de Paris) quando disse “o Brasil não é um pais sério.”

 

Sim, eu sei que mudou bastante nos últimos tempos e tem algumas coisas boas aqui e ali, inclusive algumas surpresas na Suprema Corte da Justiça. Menos o Lewandoski e o Tofolli.

 

Quem diria que nas últimas duas décadas e pouco um sociólogo, um ex-operário que nunca gostou muito de pegar no pesado metido a Maomé tupiniquim usurpador de idéias alheias como se fossem suas e uma ex-terrorista iriam se tornar presidentes ?

 

E sei também que tem cenários bonitos, povo hospitaleiro e a economia e a vida geral melhorou, apesar do PT. Mas os preços não compensam. Enfim.

 

Tá, ta, eu sei. Além da miríade de atrativos suficientes para agradar o mais exigente do turista, a Tailândia também tem outra “atração” nefasta que atrai o mais perverso do turismo : prostituição e pedofilia. Em Bangkok o bairro proibido é Patpong, que eu nunca fui e não tenho vontade de conhecer mas peralá, vocês não acham que eu atravesso o mundo para visitar inferninhos e lugares frequentados por mães de políticos, né ?

 

E muitas delas estão nessa vida porque foram “vendidas” pelos próprios pais (falei que a Tailândia parece o Brasil em alguns aspectos, inclusive nos mais nefastos), infelizmente a Tailândia está na rota do turismo sexual, assim como as Filipinas e o Brasil :(:(:( .

 

A região que concentra os templos e atrações mais famosas pode ser percorrida a pé, principalmente praqueles que estão hospedados na região da Khao San Road, a rua dos mochileiros.

 

Agora se a intenção é ir para os shoppings centers bonitões na região do Silom, ahnm...ehm...bem...well...tipo assim...já até fui afinal eu vou para o Sudoca Asiatico já há alguns anos (o que é meio estranho para um Africolatra como eu) e se eu continuar indo praquelas bandas com essa mesma frequência, daqui a pouco o pessoal da imigração vai me chamar pelo nome... (Brincadeirinha...).

 

Se for para visitar shoppings (hellooooo, ir até a Asia pra visitar...ahn...shopping center ? Eu heim, parece paulista 8) Ô meu, além de shopping vai atrás de quê, aeroporto ?), acho os de Singapura mais jogo, ou talvez os de Hong Kong. Se bem que até hoje não consegui entender se em Singa (e aí, perceberam a intimidade ? Nem eu... ) tem tantos shoppings porque fazer compras é o esporte nacional ou se é para aproveitar o ar condicionado deles e fugir do clima úmido na bonita e organizada cidade/estado/país.

 

E eu que achava que só Bangkok era úmida mas peraí, vocês não acham que viajo para Ásia para ficar circulando em Shopping Center com ar condicionado, né ?

 

E como é uma cidade de extremos, se por um lado tem os shoppings bonitões e modernosos, por outro tem ainda o mercado flutuante chatchuchak market (eu quero tchu...eu quero chak...eu quero chatchuchak chatchuchak market ! PQP, cadê meu remédio ?!)

 

A vida ali acontece nas ruas e quando precisar de tranquilidade é só entrar no primeiro templo budista e ficar lá sentado admirando tudo e absorvendo a tranqüilidade e a paz que ele proporciona.

 

Para passeios em lugares mais distantes, o sistema de transporte é relativamente eficiente e como toda cidade que se preze tem ônibus, metro, taxi, etc mas ainda acho que o Skytrain é meio como uma ponte mal acabada ou obra pública com desperdicio do dinheiro do contribuinte : leva do nada a lugar nenhum, mas não posso afirmar com muita propriedade porque utilizei muito pouco, ainda prefiro o tuk tuk, a versão motorizada do riquixá que chegou na Tailândia nos anos 30 e como roda 35 km com um litro de combustível (já contando com o barulho infernal que deu origem ao seu nome) rapidamente caiu no gosto do povo como um meio de transporte econômico e que na Ásia se apresenta nos mais variados tamanhos, cores e modelos transportando tudo o que você possa imaginar, até gente.

 

E riquixá para mim só se for motorizado (tuk tuk), acho o cúmulo da escravidão e o ó do borogodó certos turistas utilizarem riquixás movidos a tração humana. Questão de princípios. Depois do que eu vi na Índia (já tinha visto no Nepal também...E em Bangladesh também), isso só aumentou minha ojeriza a esse tipo de coisa.

 

Sei que estão aí há mais de um século e sei que quem trabalha com isso tá na l(ab)uta diária arduamente para garantir o seu sustento e o da sua família, mas para mim é fora de cogitação. Vou a pé.

 

É cultural ? Que seja. É secular ? Que seja. É exótico ? Que seja. É diferente ? Que seja. É muito barato ? Que seja. É um trabalho digno e honesto ? Definitivamente, sim.

 

Posso até pagar uma grana (não barganho por miséria, não sou gringo nem israelense. Já falei que sou pobre mas sou limpinho) para o tiozinho do riquixá me mostrar o caminho, no worries. Sou saudável, vou andando com a mochila nas costas e conversando com o condutor, mas entrar naquele troço e abusar das pessoas, “nem a pau, Juvenal”.

 

Qual o próximo, pagar para aproveitadores que ganham dinheiro maltratando animais na rua em espetáculos circenses ? Isso eu deixo pros babacas babões.

 

Enquanto isso, no trânsito em Bangkok...

 

Assim como imagens do Buda, fotos da família real e sorrisos, o tuk tuk é onipresente e faz parte da vida local.

 

Além dos meios de transportes convencionais (e nem tanto), para se locomover pela cidade ainda tem o reforço dos barcos, afinal o Chao Phraya ou o Rio dos Reis (engraçado, eu sempre pensei que esse título seria para o Nilo. Seria o Rio Nilo o “Rio dos Faraós” ? Eu já fiz rafting cavernoso na sua fonte no coração da Africa e já naveguei por ele de feluca no Egito agora fiquei encucado. Ah, deixa quieto), o rio que corta a cidade e com seus quase 400 kms de extensão também ajuda a fugir do trânsito que conseguiu a façanha de ser pior que o trânsito paulistano, mas pelo menos lá não tem o exército de motoboys, ali tem um exército de tuk tuks.

 

Já que o assunto é transporte, deixa eu aproveitar para fazer um update rapidinho aqui : nessa última viagem eu tenho uma coisa chata para falar : o airport bus que quebrava um galhão foi descontinuado, uma pena. Os taxistas adoraram.

 

Será que estão aprendendo com a Infraero, ANAC, Embratur e esses cabides de empregos brasucas ? Como alguém em sã consciência, seja orgão governamental, empresariado ou indústria do turismo em geral pode descontinuar um meio de transporte tão util, ainda mais num pais que garante uma grana preta com turismo ? Vai ser tão sem visão assim lá longe.

 

Mas a Tailândia é assim, um país recheado de atrações porém muitas vezes se perde e explora o turismo a exaustão e de maneira errada. Vira e mexe aparece uma taxa de não sei lá o quê; tudo bem que não é necessariamente algo caro, mas depois de um certo tempo começa a irritar, principalmente porque assim como no Brasil, não volta em forma de beneficio para comunidade ou para o lugar (limpeza, infra-estrutura, etc).

 

Quando soube que começaram a cobrar uma taxa para subir no View Point em Phi Phi eu não acreditei, tive que ir ver com meus próprios olhos e lá estava ela.

 

Phi Phi é outro lugar com boas recordações, na minha penúltima vez (a última foi esse ano numa “conexão” entre Tonsai/Railay e Bangkok. Se alguém achar um par de havaianas perdidas nas areias de Tonsai, são minhas...), após virar a noite e tomar banho de mar às 4/5 da matina, eu e um grupo muito bacana que conheci na viagem desde Bangkok, já contando com duas canadenses lindissimas de cabelos pretos com olhos azuis (não vou citar a Megan Fox de novo... 8) ), subimos a escadaria para ver o nascer do sol.

 

Antes inventaram uma “taxa de limpeza” (acho que é isso), na mesma Phi Phi que todo mundo paga quando chega na marina, queria saber se quem vem de barco rápido também paga. Falando nisso, tá quase sem espaço pra nadar, tem muito barco “estacionado” direto na praia, com o pessoal que faz day trip.

 

Não me importaria em pagar essas taxas se fossem realmente utilizadas para os fins que foram criadas, mas quando você vê lixo espalhado no outro lado da ilha dá pra perceber que o dinheiro foi recolhido mas não utilizado. Coisa de país de Terceiro Mundo, inventa taxa e imposto, depois desviam o dindin e divide entre poucos, igualzinho ao Brasil.

 

Em Bangkok também tem multa para quem joga lixo nas ruas, mas pergunta se você acha uma lixeira ?

 

Digo e repito que esses administradores de araque deveriam obrigatoriamente ter aula de Turismo com a Nova Zelândia. Ela sim explora o turismo e não o turista.

 

Tudo bem que as corridas de táxi do aeroporto não chegam a comprometer um orçamento esquálido como o meu, mas mesmo assim eu preferia o ônibus, além do preço e conveniência ele me traz boas lembranças. Era sempre legal chegar em Bangkok e pegar o ônibus bege velhinho que quebrava um galhão.

 

(NR.: A Airasia não voa mais para esse aeroporto principal, ela mudou-se para um outro secundário, também bom mas fora de mão e sem muita opção de transporte para chegar na cidade. No ano passado, voando com outra cia aérea, desci lá e quase “mifu”, pelo tamanho da fila esperando transporte na saída do aeroporto, a média chegava a um taxi para cada Boeing que pousava. Mas a Airasia não tinha mudado pra lá ainda então hoje essa média deve tá melhor, talvez uma van por Boeing :wink: ).

 

Ali mesmo naquele ônibus simples e barato já dava para sentir toda a vibe com a galera mochileira, cada um chegando de um ponto diferente, cada brota que vou te contar. Vários idiomas falados, muitos mochileiros fazendo um estilo blasé (muito tempo de estrada às vezes dá nisso), outros cansados afinal chegar ali precisa tempo e saco pra aturar os vôos longos, outros olhando tudo e todos, tudo isso no alívio do ar condicionado congelante.

 

Eu fico tão contente em voltar numa região que gosto e é tão difícil para chegar lá, principalmente vivendo onde a gente vive e ganhando o que a gente ganha, que nem lembro do cansaço porque este foi substituído faz tempo por aquela gostosa sensação de déjà vu.

 

Até o cobrador ou cobradora é legal, pedindo o ticket falando o inglês com sotaque mais foneticamente bonito, simpático e suave de toda a Asia e que se tem noticia (ok, às vezes um tanto incompreensível mas quem sou eu pra falar ? Parece brasileiro reclamando de lugares onde não se falam inglês, desde quando o Brasil fala ? Coitado dos gringos...), esticando as palavras que na maioria das vezes desemboca automaticamente num sorriso largo : “sawadee kaaaaaaaaaa”. Mais ou menos como o “bulaaaaaaa”, de Fiji.

 

É um ambiente bacana, muita gente animada, alguns de tão felizes ficam parecendo pinto no lixo ou petista com mala recheada de dinheiro sujo.

 

Praqueles que já foram lá outras vezes ou pra quem tá chegando pela primeira vez tem sempre aquele friozinho na barriga afinal nenhuma viagem é igual a outra, mesmo indo para o mesmo lugar, principalmente quando chega num destino tão diferente como a Asia e numa cidade tão full on como a capital tailandesa, afinal Bangkok é Bangkok. E vice-versa.

 

Além do buzun do aeroporto, no geral eu curto muito viajar de ônibus praqueles lados, mas precisa ter uma certa dose de paciência – algo que ando perdendo ultimamente, confesso – e tem tudo a ver com viajar pelo Sudoca Asiatico. Quem gosta tem a opção de trem, como eu não gosto nunca fiz questão, afinal de tédio já basta morar em Brasília.

 

Acho que todo viajante com disposição que se preze deveria fazer pelo menos um trecho de buzun na Tailândia, viagem essa que começa uma hora antes de embarcar no ônibus propriamente dito.

 

Os mais observadores vão notar uma espécie de mini-passeatas de pessoas com mochilas nas costas indo de um lugar para outro diariamente por volta das 18:00hs (horário do encontro na frente da agência onde você comprou o ticket) nas imediações da Khao San Road, basta prestar atenção que sempre rolam uns grupinhos de mochileiros indo de lá pra cá e de cá pra lá seguindo um tailandês apressado cujo inglês se resume a duas frases que ditas num sopro só ficam mais ou menos assim : “tíquiti pliz” e “iuait here”.

 

Ninguém entendendo nada e olhando com aquela tipica expressão estampada no rosto de Perdidos da Silva Sauro, como se quisessem perguntar “where the porr@ a gente tá indo ?”, mas depois de mais umas duas ou três paradas após caminhar e cruzar becos que você jamais ousaria imaginar que existiam - mesmo tendo passado perto deles dia sim, dia também – e às vezes ainda trocando de guia no meio do caminho que já tá todo mundo escolado. Nada de perder o passo porque o guia é mais apressado que criança pequena abrindo presente. Ou o meu chefe devorando brigadeiro. Ou eu tomando açaí. 

 

Em uma dessas paradas você fica esperando no meio do nada enquanto ele some para trazer outros viajantes e aí depois começa tudo de novo. É muito comédia. No fim do walking tour improvisado todo mundo se encontra num mesmo lugar (inclusive aquele outro grupo que você viu cruzando pro lado oposto), que pode ser uma agência de turismo, um hotel ou os dois juntos, e acabam pegando o mesmo ônibus com direção a algum canto do país.

 

Na chegada do ônibus, que estaciona no outro lado da rua, enquanto você se dividia entre comprar uma fruta para aplacar o calor ou puxar papo com uma linda loira gringa de silhueta delgada e vestida com a camiseta do Vietnam (na hora até vem à cabeça aquela música... The night I laid my eyes on you. I felt everything around me move), começa aquele alvoroço com todo mundo tentando achar sua mochila que estava junta com as outras formando um monte quase da altura do Everest () e se mandar para o ônibus, quando sou interrompido por uma boa alma :

 

“Nooooooo, Koh Taaaaaaao bus. Iu, Phi Phi bus, iuait here” e vira as costas.

 

Você relaxa, esquece a mochila e quando você vê o monte de gringas gatas indo para Koh Tao você se pergunta por que diabos ainda não tirou a porr@ da certificação de mergulhador . Será que ainda dá tempo ? Quando eu percorri a Banana Pancake Route na minha primeira vez por aquelas bandas, aquela ilha era linda e o mergulho, barato. Será que ainda continua assim ?

 

Ai quando você relaxa de novo e vai comprar outra fruta pra levar na trip e uma água para afogar as mágoas, porque aquela gringa que você ia puxar papo segurou na mão do maldito Murphy e foi para Koh Tao, você ouve um grunhido esquisito (kopinhaaann...kopinhaaann...kopinhaaann) e se assusta pra ver se não pisou num filhote de gato desmamado que estava ali e você não viu, mas na verdade era o anúncio de outro destino.

 

Você não entende lhufas e depois de muito custo percebe que o grunhido era na verdade o chamado para um lugar muito famoso e popular :

 

“Koh Panghaaaaaaan...Koh Panghaaaaaaaan...Koh Panghaaaaaaaan bus”

 

Todo mundo olha pro lado oposto procurando um outro onibus chegando, mas ele não aparece. Antes mesmo de perguntarem pro guia onde estava o ônibus pra Koh Panghan, ele aponta para o primeiro ônibus, aquele mesmo que ia para Koh Tao.

 

E toca todo mundo pra lá, menos eu afinal não vou pra ilha da Full Moon Party, então finalmente consigo pagar minhas frutas - que já vêm cortadas para você comer de palitinho - minha água e aproveito para comprar mais alguma coisa e embalar num saquinho, porque elas estão simplesmente saborosas. O grupo que era grande vai minguando e o lugar vai esvaziando cada vez mais.

 

Mas antes de eu guardar minha carteira e pedir uma sacolinha para colocar minha janta dentro pois eu conheço as paradas no caminho e jantar ali nem por decreto (mesmo assim muito melhor do que as paradas na China e na India, se bem que na Índia até banheiro de estádio é mais limpo que restaurante. Isso nos “mais limpos”), porém no restaurante de beira de estrada também tem um mercadinho mão na roda onde dá para comprar umas batatinhas e refris para ajudar a enganar o estômago, ouço um novo anúncio :

 

“Koh Phi Phiiiiii...Koh Phi Phiiiiii...Koh Phi Phiiiiii bus !!!!! No uait mór ! Iu go now”.

 

Finalmente chegou minha vez de embarcar e lá vou eu feliz da vida por mais uma vez ter encaixado a Tailândia no roteiro, caminhando em direção ao mesmíssimo ônibus colorido por fora com suas cores berrantes e beeeem colorido por dentro, mas na forma de muitas gringas lindas, leves e loiras de tudo quanto é canto do mundo, e após entregar minha mochila para o cara que vai ajeitá-la com “carinho” (pausa para arrumar a garganta ) na montanha de mochilas que já está dentro do bagageiro, subo no ônibus para achar um lugar e quando encontro um assento livre dando sopa, adivinhem quem já está devidamente acomodada e sentada exatamente ao lado da minha poltrona escolhida ? A gringa da camiseta do Vietnam...

 

Uma dica para quem vai para Koh Tao. Ela é a primeira parada e chega-se lá no meio da madrugada, não em Koh Tao mas na marina onde vai pegar o barco.

 

Nessa minha última viagem eu estava indo para Railay (ou Lailay, segundo a pronúncia Thai, falando nisso foi uma dificuldade danada para comprar o ticket que vou te falar, era eu de um lado falando “Railay”, caprichando na pronúncia do “R” meio enrolado, igualzinho ao que os gringos falam (ô dó...) e a atendente quase esperneando e gritando “Lailaaaaay....Lailaaaaaaay” caprichando na pronúncia do “L” e já querendo me aplicar um chute de muay thai bem no meio da minha digníssima fuça !

 

Eu hein, que povo mais impaciente !!! Parece alguém que eu conheço muito bem, que vira e mexe sai do sério por causa de computador e que por sinal está escrevendo esse relato...hehehe

 

Alguns lugares na Tailândia tem o nome muito parecido para quem, obviamente, não fala tailandês, somado ao sotaque Cebolinha, já viu. Só deu certo quando surgiu uma foto com a mulher apontando o lugar com as imagens do lugar, era aquele mesmo : RAILAY.

 

Oops, me perdi no parágrafo, vou começar de novo e pular a saga da compra do ticket.

 

Voltando...

 

Nessa minha última viagem, eu estava indo para Railay (ou Lailay, segundo a pronúncia Thai) e uma garota que estava no mesmo ônibus que eu perdeu a parada para Koh Tao e foi descer junto comigo, já na manhã seguinte, em Krabi, que fica a umas trocentas horas depois.

 

“Caraca, véi !” (como dizem aqui no Sertão).

 

Como um perdido crônico que sou, fui solidário com a moça, fiquei com dó mesmo, por ser ainda muito cedo ela estava com aquela cara de panda (branca com olheiras pretas) de quem passou a noite mal dormida, mas como a garota estava mais por fora que bunda de índio e mais perdida que azeitona em boca de banguelo, pra ela era tudo festa. Logo chegou um tailandês prestativo que pegou-a pelo braço e foi resolver a situação. Eu fiquei com pena dela, pois teria que voltar centenas de quilômetros.

 

Mas não a culpo, todo mundo sonolento no meio da madrugada tentando dormir e de repente o ônibus estaciona no meio do nada e entra o assistente do motorista gritando um nome incompreensível que ninguém entende (óbvio, né ? Senão seria compreensível. Dãã), assim fica difícil saber se está no lugar certo. Olhos e ouvidos abertos!

 

Mas nem tudo são flores nessas viagens terrestres, infelizmente tem ocorrido acidentes fatais e as mães da gringaiada estão em polvorosa e fazendo um bundalelê danado a respeito da segurança nas viagens de buzun pela Tailândia, afinal enquanto no Reino Unido morrem 3 mil pessoas por ano nas estradas, na Tailândia esse número bate os 12 mil.

 

Engraçado, se elas soubessem o que seus filhinhos drogados e bêbados (aquele baldinho da combinação de álcool Zulu, gasolina, gelo, Coca Cola e Red Bull pode fazer um estrago daqueles. Muito passarinho não bebe aquilo ali não...) costumam fazer nos paises pobres, viajando com bolsos cheios de moeda forte (papis e mamis britânicos bancam por ano a bagatela de um bilhão de libras esterlinas para mandarem seus filhinhos passarem um tempo viajando) tocando o terror na Full Moon Party e depois morrendo afogados lá mesmo ou se acidentando perigosamente no divertido tube riding no vizinho Laos, será que elas ficariam tão chocadas assim ? Deveriam.

 

Pessoal, o papo tá muito bom só que chegou a hora de darmos uma pausa para uma respirada, mas nada de choros, lamentações e tentativas de suicídio (tô falando que tem gente que se acha... :wink: ) porque vocês já sabem, depois eu venho e coloco mais um trecho e dessa vez pretendo (de novo...) não demorar tanto, vai que os Maias estejam certos sobre o fim do mundo esse ano, né ? 8)

 

Ai eu dou mais uma repassada em Bangkok e aproveito pra falar sobre o encontro enquanto esperava o transporte para o aeroporto (naquela época ainda existia o airport bus) com uma norueguesa (não confundir com as deusas vikings em Fiji) no melhor estilo “Aruba” : Linda, mas um porre.

 

O que, duvidam ?

 

Me aguardem.

 

Abraço, galera. Valeu pela companhia.

 

 

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  • 2 semanas depois...
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Caro Virunga,

 

Eu acabei a maratona de ler todo o tópico de cabo a rabo. Senti falta de uma pequena lista dos websites que te ajudam na pesquisa dos preços das passagens aéreas. Você poderia relacionar como foram gastos as 25.000 milhas + U$ 1900? Achei barato demais e me perdi na "matemática". :)

 

Parabéns pela relato!

 

Boas viagens!

 

Filipe.

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Oi Filipe, tudo bem ?

 

Valeu pelo comentário, que bom que gostou.

 

Leu tudo de cabo a rabo ? Corajoso, hein ? Parabéns ! rsrs

 

Maratona mesmo, eu me empolgo (e me divirto) bastante com esse lance de RTW.

 

Sua conta não fecha ?

 

Os preços dos tickets variaram entre U$ 120,00 e 530,00 (sem taxas), mas nos U$ 1.900,00 já estão inclusas a maioria delas.

 

Apesar de não ser necessariamente imprescindivel, é bom também ter um conhecimento sobre rotas e cias aéreas no geral e saber um pouco sobre os melhores hubs, aproveitar os stopovers, essas coisas.

 

Olha essa, um dos vôos que eu fiz desapareceu (desapareceu não, explodiu o preço). Espero que seja apenas a época, alta temporada, subida do petróleo ou algo assim, mas depois descobri que a cia aérea está comprando avião novo, dando upgrade na imagem, mudando de nome, investindo bastante e consequentemente aumentando (nossa, quanto gerundismo, que horror !) os preços, assim como a Avianca tem feito ultimamente.

 

Eu consultei esse trecho (Oceania) e o preço disparou indecorosamente mais de extorsivos 60%, espero que não fique assim porque eu gostei tanto da trip que tô pensando em replicá-la. Já procurei bem lá pra frente e o preço continua caro e aparentemente pulou para um novo patamar muito mais elevado. Se for realmente isso (toc toc toc), que os deuses protetores dos viajantes sem muita grana não deixem acontecer.

 

Os sites são aqueles que (quase) todo mundo usa, duvido que você não tenha um que te agrade, todo mundo tem e você certamente deve conhecer alguns.

 

Eu dou preferência para os sites que mostram um calendário com os preços, pois estes variam muito dependendo do dia, então aquele vôo de domingo pode sair consideravelmente mais barato do que aquele que sai na quarta. E vice-versa.

 

Além do mais, certas cias aéreas não fazem o trajeto todos os dias e as que fazem podem cobrar preços mais elevados. E não nos esquecemos do mala do Murphy que sempre dá uma jeito de aparecer : quando o preço é bom não tem a data que você quer, quando tem a data que você quer o preço não é bom e quando o preço é bom na data que você quer, bem, você não tem disponibilidade para viajar. Acontece direto.

 

O matrix eu gosto muito, mas peca por não ser muito forte em mostrar vôos com cias de baixo custo. Adoro a simplicidade dele, mostrando mais uma vez que menos é mais, nada de viadagem. Falando em viadagem, essa fica com o momondo, apesar de ser bom é o site mais poluído que já vi na vida, então nem olho mais. Outro é o hipmunk, que eu ainda estou vendo como funciona, poderia ser mais simples apesar da ideia ser legal.

 

Kayak e opodo também me vêm a mente, mas eu gosto mesmo do matrix.

 

Eu complementava com um outro site simplesmente excepcional para achar vôos em cias aéreas de baixo custo ou cias aéreas locais, mas infelizmente ele virou moribundo e me deixou órfão, o site era o http://www.airninja.com.

 

Tem um bastante conceituado que eu não gosto, acho fraquíssimo por sinal, mas praqueles quem não têm paciência para fuçar e estão engatinhando pode ser uma boa introdução, ele funciona como macaco gordo: quebra-galho. O nome é skyscanner.

 

Pois é, são muitos, fora os das próprias cias aéreas.

 

Ah, gostava também do http://www.whichbudget.com, mas hoje em dia eu vou direto nas cias aéreas, quem não conhece muito sobre cias aéreas de baixo custo tá frito e mal pago.

 

Acho que era mais ou menos isso

 

Valeu !

 

 

 

 

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Fala Virunga,

 

Agora estou entendendo. Seu ticket RTW, na verdade, é comprado "por partes", correto?

 

Anotei os sites, valeu!

 

Abraço,

 

Filipe.

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Diga lá Filipe,

 

Sim, essa última trip RTW foi realizada com tickets comprados “por partes”.

 

Só para comparação, fiz uma conta de padaria simulando quanto custaria caso tivesse utilizado um ticket RTW convencional e os valores, com as taxas, ficaram mais ou menos assim :

 

Oneworld - U$ 4.815,00 (sem Fiji)

 

Star Alliance - U$ 6.300,00

 

Percebeu a diferença, levando em consideração quanto eu gastei ? Dói no bolso só de pensar e dependendo do roteiro o preço na Star Alliance pode ultrapassar escandalosos U$ 7.000,00 mas aquelas, se tem gente “esperta” que compra sempre vai ter uma aliança ainda mais esperta (sem aspas) que vende.

 

Abraço.

  • 1 mês depois...
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Cara revoltado haha

Parabéns até uma parte do relato... infelizmente acabou se 'perdendo' no final.

  • 3 semanas depois...
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Meu nome é Lian Tai, sou aluna de doutorado em Comunicação Social na Universidade Federal Fluminense. Minha pesquisa é sobre relatos de viagem na internet, o que inclui relatos em sites, blogs, redes sociais, enfim, os instrumentos na internet que cada um utiliza para compartilhar sua viagem. Trabalho com este tema inclusive porque também sou mochileira, blogueira e me interesso tanto por viajar quanto por compartilhar e entender esse fenômeno. Estou à procura de pessoas dispostas a contribuírem para minha pesquisa, tanto concedendo entrevista quanto permitindo que eu acompanhe seus relatos variados de viagem. Adoraria se você pudesse ajudar. Posso ser encontrada pelo e-mail liantai@hotmail.com , ou pelo Facebook como “Lian Tai”, através do mesmo e-mail. Também tenho um blog, que, apesar de não ser específico sobre viagens, também uso para relatá-las: www.bolhinhasdalian.blogspot.com . Caso tenha interesse em contribuir ou queira mais informações sobre a pesquisa, por favor entre em contato pelo meu e-mail, com RELATOS DE VIAGEM como assunto, para que eu não confunda com o lixo eletrônico. Desde já agradeço! =)

  • 3 semanas depois...
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Cara revoltado haha

Parabéns até uma parte do relato... infelizmente acabou se 'perdendo' no final.

 

Revoltado, eu ? haha Que nada.

 

Bom saber que gostou pelo menos até uma parte do relato, mas não acho que se “perdeu” no final, infelizmente você que não entendeu. Pena que não tem fotos, assim os iletrados e aqueles que têm mais dificuldades poderiam pular o texto e ir diretamente para elas, ficaria mais fácil. Quem sabe no próximo ?

 

Analfabetismo funcional pouco importa nesse caso, o que vale mesmo é a pluralidade das idéias e a diferença de opiniões. Como as suas, por exemplo.

 

Happy travels.

Editado por Visitante

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Meu nome é Lian Tai, sou aluna de doutorado em Comunicação Social na Universidade Federal Fluminense. Minha pesquisa é sobre relatos de viagem na internet, o que inclui relatos em sites, blogs, redes sociais, enfim, os instrumentos na internet que cada um utiliza para compartilhar sua viagem. Trabalho com este tema inclusive porque também sou mochileira, blogueira e me interesso tanto por viajar quanto por compartilhar e entender esse fenômeno. Estou à procura de pessoas dispostas a contribuírem para minha pesquisa, tanto concedendo entrevista quanto permitindo que eu acompanhe seus relatos variados de viagem. Adoraria se você pudesse ajudar. Posso ser encontrada pelo e-mail liantai@hotmail.com , ou pelo Facebook como “Lian Tai”, através do mesmo e-mail. Também tenho um blog, que, apesar de não ser específico sobre viagens, também uso para relatá-las: http://www.bolhinhasdalian.blogspot.com" onclick="window.open(this.href);return false; . Caso tenha interesse em contribuir ou queira mais informações sobre a pesquisa, por favor entre em contato pelo meu e-mail, com RELATOS DE VIAGEM como assunto, para que eu não confunda com o lixo eletrônico. Desde já agradeço! =)

 

Oi Lian, tudo bem ?

 

Agradeço o interesse e o convite.

 

Não sei se eu posso ajudar em alguma coisa ou se ainda há tempo. Não costumo entrar aqui com a frequência que eu gostaria, é mais facil me encontrar via mensagem privada.

.

Mas caso ainda ache que eu possa contribuir em alguma coisa ficaria feliz em poder ajudar.

 

Boa sorte.

 

Keep traveling

 

Virunga

 

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Faaaaaaaaala moçada, tudo bem ?

 

Já que o mundo não acabou então pode deixar que pelo menos esse relato vai, mas não hoje. hehe

 

E aí, prontos para embarcar em mais um trecho nesse finzinho de trip ? Onde nós paramos mesmo ? Ah tá, Bangkok. Tá difícil sair de lá, né ? Também, é uma das minhas cidades favoritas, vai ver é por isso.

 

Já vou logo avisando que o longo texto (assim compenso a demora entre um e outro) vai ser daquele jeito bem mistureba mesmo, como posso dizer, yakissoba style misturando e compartilhando alguns “causos”, acontecimentos, opiniões, curiosidades, viagens, viajadas, abordagens e sei lá mais o quê (isso a gente vê na hora), mas a maioria que acompanha o relato já sabe, pelo menos a galera mais dinâmica e antenada.

 

Bora então !!

- Hey mr DJ, put the record on !

 

Anywhere I roam

Where I lay my head is home

 

And the earth becomes my throne

I adapt to the unknown

Under wandering stars I've grown

By myself but not alone

I ask no one

 

And my ties are severed clean

The less I have, the more I gain

Off the beaten path I reign

Rover, wanderer

Nomad, vagabond

Call me what you will

 

- Thanx, brotha !

 

Tá, tá, eu sei, já tem tanta coisa sobre Bangkok na net - concordo com tudo o que foi dito e olha que não é uma coisa muito normal eu concordar com tudo - e tenho ainda muita coisa para contar sobre ela, mas acho que vou deixar para aprofundar numa outra oportunidade senão a gente não sai daqui nunca, além do mais ela já foi tão esmiuçada que tudo o que eu colocar vai soar como clichê ou redundância (o pior que são mesmo), então vou fazer de conta que consigo para tentar dar uma geral “bem de leve” em alguns pontos e comentar algumas passagens que me ocorreram durante a minha estadia lá nesse final de epopeia pelo mundo.

 

Além do mais escrever sobre Bangkok é tão complicado - ou seria simples, afinal coisa é o que não falta - como escrever sobre Nova Iorque. O que dizer sobre uma das metrópoles mais pulsantes, curiosas e caóticas do mundo ? Poderia escrever por horas e horas a fio e mesmo assim não faria jus à cidade, então pegue tudo o que você já viu ou ouviu sobre esses lugares e multiplique por um milhão, com muita sorte você vai chegar a uma fração do que elas realmente representam ao vivo e em cores.

 

Mas para não ficar em cima do muro e mesmo já tendo escrito bastante sobre a capital do antigo reino de Sião, terra dos primeiros irmãos siameses e pátria mãe dos bonitos gatos siameses, deixa pelo menos eu passar mais uma mão de tinta (oba, lá vamos nós !) sobre como foi minha enésima visita naquela cidade com todo o seu exotismo, templos dourados, monges, sorrisos a rodo, avenidas suspensas, trânsito, barulho, tuk tuks, paixão ao rei trilhardário que pelo jeito que é “idolatrado salve salve” pelo seu povo poderia ter impressa na cédula tailandesa a frase Buda save the King para acompanhar a figura dele e, vá lá, uma certa dose de baitolagem, mas que fica concentrada principalmente em Phuket e se junta com zilhões de pessoas que atravessam o mundo para pegar praia num lugar tão meia boca com aquele monte de cadeiras de praia perfiladas, barulho, jet-skis, aquelas coisas.

 

Tem que ser alguém muito Guarujá mesmo para curtir aquilo ali (se fosse no Caribe eu até entenderia), mas se a pessoa não for conferir alive como vai descobrir ? Tem gosto pra tudo. Não tem gente que não bica a queridinha Austrália ? Então.

 

Phuket além da prostituição também tem uma baitolagem mais explicita mas aquelas, se o povo tailandês com toda a sua devoção religiosa fosse cristão não acreditaria em Adão e Eva, mas sim em “Adão e Ivo”.

 

Ainda em Bangkok revisitei alguns lugares que já conhecia de idas anteriores, descobri outros, me perdi nas ruelas e avenidas da pulsante cidade que de um movimentado entreposto de comércio tornou-se numa megalópole que nunca dorme.

 

Pena que não deu tempo para explorar uma outra face, aquela dos bares nas alturas e arranha-céus modernosos contrastando com lugares como Chinatown e mercados flutuantes, afinal o que não falta em Bangkok é contraste entre o sossegado e o supersônico (quer contraste maior do que um monge budista e um ladyboy ?), mas estes já estão na minha lista e me dão mais um bom motivo para voltar (como se precisasse de motivo para revisitar a Tailândia), assim como também está na minha lista dar uma averiguada com mais calma nas roupas feitas sob medida, mas depois de Nova Iorque acho que fica difícil encontrar um lugar para comprar roupa boa tão barata.

 

Talvez na Itália, não sei como são os preços de ternos e camisas no país da bota e se dá para fazer boas compras durante o ano todo ou só em determinadas épocas de promoção, liquidação, mudança de estação, queima de estoque ou outras palavras que soam como música para pobres mortais assalariados.

 

Por outro lado, em Bangkok seriam roupas sob medida com preços atrativos e na boa, tailormade é tailormade, né ? E vice-versa.

 

Tudo bem que gastar o parco e precioso tempo bem como o dindim contado das tão esperadas férias em alfaiataria é de lascar mas a gente nunca sabe, de repente naqueles últimos dias de viagem esperando o vôo de volta para casa, por que não ? Além do mais é sempre bom dar um tapa no guarda-roupa para ir trabalhar, fazer bonito com as moçoilas e valorizar a profissão afinal não sou funcionário público, eu trabalho.

 

Ouvi dizer que o segredo está no tecido e acho que se procurar bem no meio da picaretagem dá para achar alguém que manje do babado, não é à toa que muitos dos alfaiates fazem roadshows pela Europa e States, então deve ser serviço de primeira linha.

 

Não sendo roupas no nível das encontradas em Hoi An no Vietnam já estaria bom demais. Não sei se melhorou, mas comparado com o que eu já vi ali até rebarba de roupas doadas para o Exército da Salvação e Cruz Vermelha tinha produtos de melhor qualidade.

 

O duro vai ser lidar com certos indianos, mas folgado por folgado sou mais eu. E se sobrevivi (tudo bem que quase morri de inanição mas isso é outra história) lidando com eles na Índia é lógico que sobrevivo numa alfaiataria em Bangkok.

 

Pois é, são tantos aspectos da multifacetada cidade que fica difícil escolher esse ou aquele. E tudo vem em diferentes formas e tamanhos, um verdadeiro caleidoscópio gigante de coisas para ver e fazer provando que tédio não tem vez na Cidade dos Anjos.

 

Ali também existe o chamado Turismo Médico, Bangkok tem alguns dos melhores hospitais da Ásia com médicos formados no exterior e muita gente vai se tratar lá para aproveitar os preços mais generosos, desde tratamentos mais complexos até uma simples cirurgia de vista.

 

Uma vez conheci um casal de neozelandeses em Samoa em que a garota, que não perdia a oportunidade de cornetar o Brasil por ser o maior produtor de drogas do mundo (coitada, seguraí que volto nela mais tarde), estava juntando dindim para em breve se mandar para Tailândia e fazer uma simples cirurgia de miopia porque ela não tinha condições de bancar uma cirurgia dessas na NZelândia.

 

Engraçado, falando assim parece que a NZelândia é pobrezinha e todo mundo ganha mal, uma dificuldade só. Com as devidas exceções, gringos e expatriados sabem como são, impossível serem mais mimados e chorarem mais de barriga cheia. Dá a chupeta. Ô dó !

 

E a tal kiwi não sei se por abstinência, ou porque nunca tinha visto um sulamericano na vida (havia também umas chilenas por lá na mesma época que eu) ou porque era xarope mesmo ficava insistindo no tal “maior produtor de drogas do mundo” sempre que tinha oportunidade e também quando não tinha, soltando suas alfinetadas a torto e a direito.

 

Não manjo muito do assunto e nem curto esses lances de drogas e suas afiliadas, afinal não sou petista, porém acho que ao contrário dos nossos complicados vizinhos, creio que não chegamos a esse titulo ainda, mas acredito peremptoriamente que se depender desse governo sócio das FARC, do PCC e do estilo “corra que a policia vem ai” somados a sua incompetência generalizada em qualquer assunto menos corrupção, mentiras e propaganda enganosa em massa, logo logo o nosso país estará disputando a ponta (cuidado com o trocadilho).

 

Mesmo sabendo que existem alguns que conseguem ser mais tapados do que elas, até as múmias conseguem perceber que estou longe de ser patriota, ter espirito nacionalista ou algo do gênero, inclusive sou o primeiro a meter o pau (oops) no meu país, mas cansado dos comentários da menina insistindo num mantra cada vez mais indigesto e que já estava enchendo o saco, me lembrei de uma coisa que tinha aprendido num city tour em Amsterdam no ano anterior e me senti tentado a retribuir e provocar de volta aquela kiwi, afinal eu costumo resistir a tudo menos às tentações, e quem sabe assim ela mudaria o disco e parasse de ficar dando indiretas.

 

Se ela pelo menos aprofundasse o assunto, mas nem isso. Longe de mim ficar melindrado porque a menina ficava falando coisas e piorando a reputação da terra da jabuticaba, cada um com suas opiniões. Se tiver que defender eu defendo, se tiver que chutar a canela eu chuto. E confesso que até gosto de discutir e conversar sobre o polêmico assunto drogas, mesmo (ou principalmente) com pessoas discordantes da minha opinião e dependendo da pessoa o papo pode ficar até mais interessante e enriquecedor.

 

Como a maioria das pessoas eu também tenho lá as minhas ideias e convicções a respeito de como lidar com o problema, pelo menos com os traficantes sejam eles pequenos, médios ou grandes (pena que não poderiam ser implementadas, aqueles chatos dos Direitos Humanos ou alguma ONG babaca – perdão pela tautologia, apesar das exceções - não aceitariam), mas acho que a menina estava passando dos limites e destoando um pouco do contexto. Ela não embasava nada, vai ver porque era loira, mas também não parava de alfinetar, pura pirraça. E de pirraça eu entendo bem, coisa de familia : duas irmãs e um irmão. Coitados dos nossos pais.

 

Inspirado na espinhosamente verdadeira máxima de Voltaire onde “o segredo de aborrecer é dizer tudo”, aproveitei o belo cenário e a brisa refrescante que soprava do mar azul degradê e o reconfortante barulho das ondas que se desmanchavam tranquilamente na areia da praia naquele distante lugar encantado e que pouca gente já ouviu falar, perdido e esquecido no meio da imensidão azul do Oceano Pacifico e com um povo pra lá de acolhedor (claro, ilha do Pacifico, né ?), para dizer algo com palavras que saíram da minha boca, em alto e bom tom, suaves e carinhosas como um tiro de canhão.

 

Já com a tecla SAP acionada a fala ficou mais ou menos assim :

 

“Você está dizendo isso porque proporcionalmente ao tamanho da população o seu belo e perfeito país é o maior consumidor de maconha do mundo, né ?”

 

Após um silêncio ensurdecedor, como diria o poeta, sobrou bastante tempo para pensar sobre a pergunta que não quer calar : Fui sutil ou nem tanto ?

 

Longe de mim ser sarcástico, nem sei o que é isso, mas lembro bem que tive uma singela e leve impressão que a garota teve o seu momento, como direi, “Estatua da Liberdade” : isolada, sozinha, parada e com a tocha na mão.

 

A garota quase perdeu o rumo de casa na desesperada tentativa de dar uma de avestruz e enterrar a cabeça na areia – muito macia por sinal, afinal continuávamos isolados numa ilha paradisiaca do Pacifico – tentou balbuciar alguma coisa só que não saiu nada, deu aquele mega-hiper-super-sorriso Colgate da Monalisa de Da Vinci, o Leonardo, mas no fim deixou transparecer que ficou mesmo bastante sem graça, principalmente quando todo mundo se virou para ela esperando sua reação. Nada, ficou só no sorriso morocoxô da Monalisa mesmo.

 

Mas eu senti um olhar evilish em minha direção soltando faíscas. De repente foi apenas outra impressão minha.

 

Só sei que depois disso a garota não tocou mais no assunto e todo mundo pode curtir a ilha paradisíaca em paz.

 

Pois é, gentileza gera gentileza. Sorte que era kiwi e eu adoro o povo e o país pois se fosse canadense, homo tipicus gringus mimadus, eu não teria sido tão “sutil” e poderia dizer algo que faria ela voltar para a bonita terra da Policia Montada a nado.

Não podemos terminar essa historinha sem um som, né ?

- DJ, é com você !

 

Feels so good being bad. There´s no way I´m turning back...

 

Boa !-

 

De volta a Bangkok, a cidade também é recordista em cirurgias de troca de sexo. Para os gaúchos, são paulinos, indecisos e enrustidos interessados de plantão, o custo de uma cirurgia dessas começa na casa dos U$ 9.000,00. (*) Tem que ser muito macho.

 

Depois tentem uma vaga no BBB, quem sabe consigam um retorno rápido. Ou façam o contrário, tentem uma vaga no BBB primeiro, não acompanho mais sei que sempre tá cheio de ah, deixa pra lá.

 

Por outro lado, acho que aqueles do sexo masculino que estão pensando em fazer aquela cirurgia para retirada do apêndice podem ficar com uma certa paranoia ou uma pulga (talvez um elefante, afinal estamos na Ásia) atrás da orelha, vai que entrem na faca com médicos que tenham comprado seus diplomas na Khao San Road e que na hora se confundam e acabem extraindo o órgão errado ? Acho que não teria conserto.

 

Desta vez também não fiz muita questão de ir para lugares mais afastados, nada de grandes deslocamentos, pegar trânsito, visitar novamente os mercados flutuantes nem ver tigres mais chapados que o Lance Armstrong ou coisas do gênero.

 

Falando nisso, que papelão esse “lance do Lance”, hein ?

 

Será que ele usava drogas para aumentar a sua performance nas pistas ou era apenas para aturar a Sheryl Crow ? E olha que espremendo um pouquinho (tá bom, muito) acho que ela ainda dá um caldo num finzinho de festa. Mas poderia ser pior, vai que ele tivesse que aturar, sei lá, a versão americana de uma Maria Gadu da vida ? Putz, aí não seria nem caso de doping, mas de suicidio mesmo (compreensivel) e o cara não estaria mais aqui para contar a história. Sigamos.

 

Continuando meu passeio já de fim de férias, eu também queria fazer tudo a pé, nem pegar metrô ou tuk tuk eu tava a fim, iria me concentrar nas proximidades de onde estava hospedado então peguei leve e fiquei no básico :

 

O impressionante Grand Palace, um “lindo de morrer” complexo cheio de predicados construído em 1782 e que foi residência da família real até 1946, merecidamente uma das atrações mais visitadas e famosas de Bangkok e que hoje é parcialmente utilizado em ocasiões especiais. Um lugar que não me canso de visitar visto que tem muita coisa bonita e diferente para ver como pagodas, budas, apsaras, guardiões, detalhes diversos, altares, templos dourados, templos brilhantes (nem me perguntem, não sei se o Joãozinho Trinta já andou por ali), turistas, locais, devoção, prédios, jardins, palácios (ufa, a lista é grande !), além de uma belíssima maquete de Angkor Wat. Pelo menos foi o que me pareceu.

 

Gosto muito de uma construção em especial dentre as muitas espalhadas por ali : Chakri Maha Prasat, com sua arquitetura bem europeia (como é ?) construída num estilo vitoriano mas que possui um típico telhado tailandês com seus espirais dourados.

 

O que acontece é que o rei da época “importou” um arquiteto europeu (ah bom, agora entendi) e depois da insistência de um dos seus ministros aceitou que colocassem um telhado típico da região, dando um toque asiático ao prédio. Só sei que o resultado do mix de estilos tão díspares, a fachada européia com o telhado asiático, ficou muito bonito e essa beleza toda como se não bastasse ainda vem acompanhada por um lindo jardim muito bem cuidado e que indubitavelmente é uma das áreas mais limpas e bem cuidadas da cidade.

 

Também fui no Wat Phra Kaew dar um “alô você” para o Buda de Esmeralda (shhhhh, não espalhem mas ele é feito de jade), considerada a imagem de Buda mais sagrada da Tailândia e mostrando que tamanho não é documento afinal a imagem mais venerada do Buda tem pouco mais de 60 cms e ainda é bastante viajada por sinal, dizem que foi esculpida na Índia, passou pelo Sri Lanka, Camboja, Laos, por onde ficou por mais de dois séculos, e foi levada para Tailândia em 1778. De tão importante ela só pode ser tocada pelo rei e três vezes por ano as suas roupas (do Buda, não do rei) são trocadas quando muda as estações : verão, estação chuvosa e inverno.

 

E já que o assunto é tamanho também aproveitei para revisitar o templo vizinho Wat Pho, o mais antigo e maior templo de Bangkok, casa do não menos impressionante Buda Reclinado, deitado de lado segurando a cabeça numa posição bem tranqüila e relaxada que significa o momento de passagem para o nirvana, um gigante de 46 metros de comprimento por 15 metros de altura folheado a ouro cujos pés têm um interessante trabalho feito de madrepérola, material também utilizado na fabricação dos olhos do gigante.

 

O trabalho nos pés representa os “108 auspiciosos sinais de Buda”, seja lá o que isso significa, e nos corredores têm coincidentes 108 potes de bronze estrategicamente perfilados que servem para receber doações e quem depositar uma moedinha por pote terá sorte. Andando pelo corredor dá para ouvir o barulho das moedinhas caindo nesses potes quando jogadas pelos visitantes.

 

Não se contentando em ser uma das mais antigas, belas e maiores imagens, no mesmo complexo encontram-se mais de mil imagens do Buda.

 

O bom é que fica tudo perto, ali ao lado também fica a primeira escola de medicina tradicional e de massagem tailandesa que dizem ser boa e barata, porém não pude conferir in locco porque massagem me faz passar mal de tanto rir e para me matar de rir já basta o meu salário, né ?

 

O Obama e a Hillary Clinton estiveram lá dia desses mas também não fizeram massagens. Será que o presidente reeleito e a futura ex-Secretária de Estado dos EUA também sentem cócegas nesse caso ?

 

Não muito longe só que do outro lado do rio para onde o templo foi transferido fica o Wat Arun, o “Templo do Amanhecer” e não, nada a ver com o filme do vampiro purpurina mezzo gaúcho, mezzo são paulino (falando nisso, que bicho – perdoem meu trocadilho - deu naquilo ali ? A garota se decidiu se queria ser chupada pelo vampiro ou preferiu ser comida pelo lobisomem ? Os dois talvez ? Naughty girl... arzinho de boazinha mas cheia de aspectos fesceninos. Essas são as mais perigosas. Sempre no bom sentido, é claro) cuja silhueta proporciona lindas fotos principalmente no começo da manhã (“Templo do Amanhecer”, não se esqueçam) ou mesmo no finzinho de tarde com o céu alaranjado fazendo pano de fundo.

 

Para chegar basta pegar um ferry que atravessa o Chao Phraya River que serpenteia a cidade e uma vez lá tem que ter paciência para subir e descer as íngremes escadarias da torre toda coberta por porcelana colorida chinesa - originalmente usada como lastro para os barcos que vinham da China - formando um interessante mosaico que deve ser observado de perto para perceber os detalhes e cuja estrutura chega a lembrar Angkor Wat pois possui uma arquitetura com influência Khmer, pois nelas formam-se lentas filas. Relaxe que vai chegar a sua vez e quando chegar tenha cuidado, take your time e suba e desça devagar para não dar vexame e descer capotando lá de cima.

 

Além dessa torre mais alta ainda existem outras quatro, uma em cada canto, só que de menor tamanho.

 

Ali pertinho bem na beira do rio logo no píer e próximo a um duto (esgoto ?) você vai ver um monte de peixes, acho que são os resistentes catfishes, que ficam se digladiando por um pedaço de pão (ou lixo). Se eu já pensava duas vezes antes de comer peixe em Bangkok depois que presenciei aquela cena agora eu penso três. No mínimo.

 

Uma das coisas que mais gosto quando viajo além de visitar as atrações turísticas (sim, como podem notar eu (re)visito as atrações turísticas. Que coisa, não ?) é também me perder nos lugares, andar sem destino tendo o vento como mapa e o sol como relógio e e me deixar levar pelo laissez fare, meu negócio também é bater perna porque bater cabeça numa volta ao mundo eu deixo para a turma do neurônio manco e solitário com tendências financeiras suicidas capazes de torrar fortunas deliberadamente, como aqueles que encontram passagens de quase, pasmem !, retardados U$ 10 mil dólares (ooieee !!!! Alô Alô ! Terra chamando !) e acham um preço de outro mundo, muito mais barato, bom mesmo. E eu achando U$ 7.000,00 um absurdo de caro, preço com esteróide.

 

Pode ser bom num outro mundo mas aqui no Planeta Terra é simplesmente ridículo, bom só se for para quem tem neurônio com problemas de transmissão. E não, esse preço não era na primeira classe, aí até seria justificável.

 

Puxa-vida, será que esse povo continua lendo revistas de viagens ou folders de agências de turismo que adoram preços anabolizados ?

 

Vai ver também devem ler Paul Theroux, aquele que adora escrever besteiras sobre as ilhas do Pacifico mas depois se instalou em uma com muita infraestrutura, obviamente. Claro, tudo em nome da “interação com a cultura local, conhecer pessoas, encontrar lugares inusitados e viver como os nativos vivem”. Aham, tá, sei. Vocês manjam o mantra, né ?

 

O que tem de viajante gringo ou brasileiro (gringo eu até entendo, brasuca nem tanto) metido a socialista-extremista-militante-socialite por aí, haja saco para agüentar esses líricos do hardcore travel que viajam de maneira bem tosca só para depois ficarem reclamando de tudo.

 

Engraçado que alguns deles vão para as ilhas do pacifico ou algum lugar mais simples e reclamam que não tem Starbucks, chuveiros quentes, as prateleiras dos supermercados não têm nada, as acomodações são muito simples e a infraestrutura é capenga. Outros se mandam para a Africa, Asia ou America Latina e ficam chocados com as condições precárias das estradas e que o transporte sempre atrasa, notadamente na Africa. O que será que eles esperavam encontrar, autobahns alemãs ou shinkansens japoneses ?

 

Voltando aos preços das passagens, me pergunto o que seria um mau negócio para um neurônio distraído e filho único desses, isso numa época em que para cobrir uma distância brutal como Sydney a Nova Delhi os preços podem orbitar a casa de sucintos 400 dólares (tenho cá minhas dúvidas se consigo fazer um simples Brasilia-Floripa-Brasilia com isso) mas se colocar um punhado de dólares (não muito) a mais daria para esticar até Dubai. E olha que nem precisa apelar para São Longuinho.

 

Como já deu para perceber esse relato não tem a pretensão de ser um guia, quem sabe um dia, numa outra plataforma, uma outra oportunidade, eu com mais tempo, mais paciência, sei lá, mas para quem se interessar tem algumas “varas de pesca” distribuídas ao longo dos posts, boa pescaria.

 

Viram como com um pouco de pesquisa e planejamento dá para viajar legal sem precisar vender um rim pra pagar a conta ? Claro que vai precisar de uma grana mas o que não precisa, hoje em dia até ônibus errado e injeção na testa, porém pode ser muito menos do que se imagina. Sem querer ofender aqueles com intelectos menos auspiciosos, um pouco de massa cinzenta, leitura e curiosidade também ajudam bastante nessa hora.

 

Acho incrível como as pessoas complicam e encarecem uma RTW, às vezes se parece muito com a vida, quem a complica somos nós, poderia ser muito mais simples.

 

Se uma volta ao mundo que é uma volta ao mundo (e vice-versa) dá para fazer, por que não outra viagem qualquer ? Save, research, pack & go. Simples assim.

 

Claro que isso vale para outras coisas mas vamos ficar no tópico viagens, vejo muito disso naquelas viagens para lugares que flertam com o “impossível, inatingível, caro e longe demais”, aqueles lugares e atividades que parecem impossíveis para pobres mortais assalariados brasucas como a paradisíaca Polinésia Francesa, quem sabe trekkings no Nepal ou no Kilimanjaro, onde muitos deixam as calças para poder bancar uma caminhada e fazer a alegria dos atravessadores. Imagino o que deve ter de guias de montanha e donos de operadoras rindo sozinhos e contando dinheiro por aí.

 

Talvez a Antartida continue ainda um destino quase inalcançável, mas quando viajei pela Patagônia ouvi alguns zunzunzuns sobre promoções last minute em Ushuaia por preços que até d´s duvidada, mas como na época não tinha (e continuo não tendo) o minimo interesse pelo continente branco então nem fui checar. Não sei como estão as coisas hoje em dia, mas duvido que não tenha um jeito mais acessivel para chegar lá.

 

Um tanto difícil de acreditar que existam tais promoções, concordo. Mas assim como concordava que rodar o mundo era coisa para gringos, milionários ou expatriado(a)s dondocas (sem generalizar).

 

Voltando ao exemplo da isolada montanha africana, ainda não entendi como alguém em sã consciência paga certos valores para subir o Kili. Apesar de não ser a minha praia (vai ver porque é uma montanha :wink: ), acho muito legal quem encara o desafio, mas para mim sofrimento por sofrimento já bastam as contas para pagar. :)

 

Numa época em que eu estava flertando com esse trekking por pura curiosidade, uma das melhores agências cobrava por volta de realistas U$ 1.000,00/1.500,00 (me parece ser o preço médio, não sei) e por ser uma das melhores, senão a melhor, achei na epoca até razoável.

 

Como eu sabia que ela é/era a melhor ? Simples, os americanos sempre a utilizavam e depois a recomendavam e como eles são um excelente benchmark, podem seguir sem medo.

 

No mundo das viagens rola mais ou menos o seguinte :

 

• quem quiser coisa boa, siga os americanos;

 

• quem quiser coisa barata, siga os israelenses;

 

• quem quiser coisa boa com preço decente, siga... ah, sei lá, sou muito modesto pra falar. hehe

 

(NR essa foi para uma amiga – VALEU M*********U !!! - que deve estar nesse exato momento seguindo esse relato e pelo que sei se divertindo lendo tanto quanto eu me divirto escrevendo. Beijo pra ela !!!).

 

Quando fiz o trekking em Machu Picchu foi assim, tive uma sorte danada no preço e acabei numa agência dessas com serviço de primeira linha. O único “senão” nem foi com a operadora, que era ótima, mas o fora que eu dei com duas loirinhas americanas quando fui desafiado a adivinhar a idade delas e errei longe. O bico que elas fizeram ficou maior do que o Huayna Picchu, vai vendo...

 

Fica a dica : jamais tente acertar idade de mulher e se for inevitável reduza o máximo possível e jamais, eu disse JAMAIS aposte no DNA (Data de Nascimento Avançada) ! :)

 

Sim, eu sei, mais óbvio do que africano ganhando a São Silvestre, mas paciência. De volta à inesquecivel África.

 

Alguns aventureiros chegam a pagar hiperbólicos U$ 4.000,00 apenas na parte terrestre (oooieee !!!!!), aí o intermediário daqui subcontrata uma operadora local por um terço do preço e embolsa o resto.

 

Agora coloquem os imperdíveis safaris, passagens aereas e a esticada básica e obrigatória a Zanzibar e imaginem a cacetada. E a comi$$ão.

 

Assim fica mais fácil que pescar num balde. Claro que tem outras coisas envolvidas mas não precisa ser nenhum bidu para perceber que a grana entra fácil. E ainda falam por aí que só banqueiro e lobista sabem ganhar dinheiro.

 

É por essas e por outras que as pessoas reclamam que não viajam porque viajar é muito caro. E não, não me refiro à alternativa de fazer uma trip no maior perrengue possível, cada um no seu quadrado. Apesar de viajar de maneira bem econômica, já falei que não sou sócio do Miserê Travel Club então deixo isso pros argentinos e pros experts, geralmente bolcheviques de berço esplêndido, mesada gorda e carro zero.

 

Que tem muito lugar legal mundo afora até brasileiro sabe e cada um faça bom proveito do seu suado (ou não, se for funcionário publico) dindim, mas eu gostaria que as pessoas vissem com seus próprios olhos e não ficassem em casa apenas lendo relatos, colecionando revistas de turismo (pelo menos na época em que tinham alguma coisa que prestasse), assistindo e babando com programas e documentários de viagens, natureza e aventuras apresentados por apresentadore(a)s de TV sejam eles acéfalos playboyzinhos coxinhas, sejam elas com muita bunda e pouco cérebro, sonhando e achando que não podem fazer, claro que podem mas elas têm que fazer acontecer.

 

Como este aqui é um site de amantes de viagens preferencialmente mais econômicas, por que não dar uma incentivada, mesmo que batendo na mesma tecla e enchendo o saco com relatos longos e demorados ? Hehe

 

Sei bem como é porque já fui assim também e sim, li e leio muitos relatos de viagens, acho que são uma ótima fonte de informações, mas como tal tem que saber filtrar não só as informações mas de onde elas vieram e melhor do que ficar lendo relato é ir viajar, concordam ?

 

Como não custa relembrar que além de me divertir muito a minha ideia principal aqui é botar uma pilha na galera – só aquela com noção, independentemente se tem ou não experiência. O resto está dispensado. E sem ressentimentos - a dar uma volta ao mundo sem precisar colocar a corda no pescoço, então lá vamos nós para mais uma dose de “RTW para todos”.

 

Atualizando, reforçando e dando mais uma azeitada no que já foi dito, o negócio é o seguinte : se a parte aérea da viagem estourar muito a casa de desconfortantes U$ 3.000,00 para uma trip média por um tempo mais dilatado (eu acho que até admissíveis e puxados US$ 2.200,00/2.500,00 numa ambiciosa trip de ferias já estaria de bom tamanho (meio caro, né ? Mas não dá pra fazer limonada sem limão), isso se incluir a cara e distante Oceania. Cara para se chegar mas hoje em dia nem tanto para sair, conforme vimos há alguns parágrafos. Mas se “capitalizar” sua passagem de ida, i.e., visitar alguns lugares bacanas antes de chegar em Ozzieland já dá pra fazer valer a pena e assim compensar o preço alto para chegar lá) é melhor respirar fundo, arrumar um tempinho na agenda, voltar para a planilha, mergulhar de cabeça na “Fuçologia” (se me permitem o neologismo para uma nova ciência) e acionar a máquina de calcular porque acho de bom grado recomeçar o planejamento senão a situação fica parecendo namorada com menstruação atrasada : preocupante, mas ainda não desesperador. Por enquanto.

 

Desesperador seria ultrapassar muito a casa dos U$ 3.500,00ish, quiça estourando estourando uns abusivos U$ 4.000,00 que se não tomar cuidado pode rapidamente se tornar em lacrimosos U$ 5.000,00. Ai meus caros e minhas caras acho que a coisa já descambou de vez. Chama o sindico. Se já estava muito caro, agora então...sem comentários. Principalmente nos dias de hoje com ese maldito dólar by Guido Mantega.

 

Na minha última RTW (aquela do último mapinha, deem uma olhada quem esqueceu, vão lá que eu espero), levei minha mochila para passear viajando por países de quatro continentes e contando tudo não gastei isso. Viajei, fiz, aconteci e ainda voltei com troco. E não, as minhas trips não são melhores do que as de ninguém.

 

Claro que se concentrar numa região apenas poderia ficar ainda bom também, talvez um melhor custo x beneficio até, quem duvida ? Eu não. Só que isso aqui não se refere a uma região apenas, mas sim a várias regiões distintas em diferentes cantos do mundo.

 

Obviamente que o custo x benefício poderia ter sido melhor se eu tivesse mais tempo, mas como não tinha mesmo assim achei jogo pelo que foi feito. E se a minha viagem tivesse demorado mais tempo duvido que a parte aérea, costumeiramente o lionshare dos gastos numa trip dessas então merece ser tratada com mais carinho e atenção (por isso que insisto tanto em ventilar esse tema tratando-o amiúde), teria ficado mais cara.

 

Já me desculpando pelo inevitável clichê, não vou dizer que dá para se chegar ao nirvana, mas pelo menos já dá para enxergá-lo como algo factível e financeiramente alcançável.

 

Sim, sou chato mesmo com preços e adoro orçamentos e roteiros de viagens, bem como toda a logística envolvida. Assim como não gosto de pagar mais que o necessário - et pour cause, compreensível - gostaria que outros assalariados com mais noção também não pagassem.

 

Com toda a vênia, na minha modesta e humilde opinião como tudo nesse relato, ainda acho que hoje em dia chuta pra longe e erra mais feio que zagueiro brasileiro na frente de atacante francês quem fala que ticket RTW é a maneira mais econômica de viajar RTW.

 

E não, ainda não mudei minha opinião sobre certos tickets RTW e reafirmo que posso utilizá-los outras vezes, mas não os tais com preços excruciantes, e acho que pelo menos os mais observadores já perceberam que ultimamente está difícil bater uma combinação de tickets avulsos sozinhos e/ou combinados com um ticket RTW mais barato, mas desde que se tomem as devidas cautelas senão o barato pode sair caro.

 

Tudo bem que depende de “n” fatores, são muitos os pontos a ser considerados, não é uma receita de bolo e fica até difícil bater o martelo, conforme já foi exaustivamente falado aqui, mas isso até os corinthianos e petistas já perceberam, principalmente agora que muitos deles em dezembro último acompanharam seu time até o outro lado do mundo na maior migração animal desde a Era do Gelo.

 

Ah, antes que aqueles com distúrbios queimem seus poucos, perturbados e remanescentes neurônios e acabem metendo os pés pelas mãos, vamos botar os “kungs” nos “fus” : não custa lembrar que a trip não será melhor ou pior porque gastou mais ou menos, mas se dá para fazer a mesma coisa, ou muito melhor, com menos dindim, por que não aproveitar ?

 

Claro que ninguém nasceu sabendo e às vezes rolam umas batidas de cabeça que custam caro e que devem ser utilizadas como aprendizado pois uma coisa é ter um plano, outra coisa é colocá-lo em prática, mas como diria Morpheu, personagem do filme Matrix (o outro Morpheu vai entrar no relato mais tarde, mas só no próximo post) :

 

“Sooner or later you're going to realize just as I did that there's a difference between knowing the path and walking the path".

 

Concluindo: não existe viagem (RTW ou não) muito cara ou impossível, você que não pesquisou direito.

 

Corta para Bangkok.

 

(*) Passagens não inclusas

 

 

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