"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
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Fala rapaziada,
Estou fazendo o meu segundo relato aqui no mochileiros. Descobri que fazer um relato de viagem aqui no site além de contribuir com vocês é uma excelente maneira de guardar minhas memórias das minhas viagens. Especificamente essa viagem para o sul da África foi um pouco difícil de achar informações em português sobre alguns destinos. Embora eu tenha visitado locais incríveis e passado por experiências inesquecíveis, não é comum encontrar brasileiros por lá (com exceção da África do Sul), mas os lugares são infestados de Europeus e realmente vale a pena nós brasileiros irmos para lá e conhecer um pouco mais dessa cultura tão ligada com a nossa.
Algumas informações:
Clima: Embora muitos pensem que a África é só calor, nem em todo lugar é assim, especialmente no sul (para se ter ideia Cidade do Cabo fica abaixo do RS
). Em abril e maio, quando nós fomos, as noites são frias e os dias agradáveis. Passamos por lugares que uma toca e um casaco pesado foi indispensáveis e outros que um chinelo e uma bermuda deram conta do recado. Ou seja, mala cheia para todas situações
.
Dinheiro: Basicamente você precisará de dólares para trocar pela moeda local. Em alguns países (principalmente Tanzânia) dólares com data anterior a 2006 não são aceitas!!! E cartão de crédito apesar de ser aceito, normalmente é cobrado uma taxa extra de 5% a 10%!!!!
A dica é, portanto, levar dólar em cash, e notas novas!!
Segurança: A segurança de fato não é o ponto forte de muitos países da África. Apesar de nos sentirmos seguros na África do Sul, nos demais países estávamos sempre de olhos abertos e evitamos dar muita bobeira. Tirando umas extorsões de policiais em Zanzibar
não passamos por situações claras de perigo, apenas momentos de tensão (o que talvez seja coisa da nossa cabeça, vai saber...)
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Dia 1 - 21/abr/2016
Com relação à viagem, conseguimos uma bom preço para a África do Sul, algo em torno de R$ 2500 com as taxas em vôos direto de Guarulhos com ida chegando em Cidade do Cabo e voltando via Johanesburgo. Também é possível pegar cada trecho por 25 mil na TAM, e aqui vai a primeira dica: se for trocar por milhas na TAM, por telefone vc consegue melhores opções que no site, se no site aparecer vôos com escalas, por telefone é possível conseguir vôo direto Guarulhos -> África do Sul pela South African). Fizemos a viagem em 4 capangas, Eu, Guerrinha, Calado e Aroldinho.
Dia 2 - 22/abr/2016
Para a África do Sul não é necessário visto, apenas a carteira internacional de vacinação contra febre amarela. Fizemos a conexão em Johanesburgo para a Cidade do Cabo na correria, pois o tempo era apertado, e como bons brasileiros furamos a fila do raio x para não perder o vôo
. Lá no início da fila o segurança perguntou porque estávamos furando a fila, e explicamos que estávamos atrasados e que éramos brasileiros, ele apenas deu uma risadinha, falou um "obrigado" totalmente fora de contexto e nos deixou passar 
. Ahhh, como é bom ser brasileiro, parece que todo o mundo gosta da gente apesar das merdas que a gente faz..
hahaha
Chegando em Cidade do Cabo trocamos alguns dólares no aeroporto, mas só o necessário, pq nos cobraram umas taxas que não foram cobradas no centro da cidade.
Tínhamos 2 opções de transporte até o centro de Cape Town, um shuttle por uns 120 rands/pessoa, ou um ônibus que nos saiu 85 rands/pessoa. Claro que pegamos o busão, que por sinal é muito bom e funciona muito bem, além de interligar vários pontos da cidade. Dica importante, o ônibus não aceita dinheiro, apenas o cartão que pode ser recarregado nas estações interligadas. Em aproximadamente 1h o ônibus parou a 50m do nosso hostel Amber. Um bom hostel próximo a Long Street, uma rua movimentada no centro da cidade.
Saímos caminhando para trocar mais dinheiro e conhecer a Long Street. Logo no começo da caminhada começou uma tempestade absurda que nos obrigou a entrar num pub chamado "beer house" que tinha mais de 100 rótulos de cerveja
. Começamos a encher a cara para finalmente sentir as férias em nosso corpo 
.
Assim que a chuva parou pegamos novamente o ônibus para o WaterFront. Paramos ao lado do belo estádio de futebol para algumas fotos e caminhamos pelo local que é muito bonito, organizado e turístico. Mais um pub, mais uns chopps e voltamos para dormir um pouco e esperar a chegada dos outros 2 capangas que chegariam em um vôo mais tarde.
Lá pelas 23h chegaram o Calado e o Aroldinho, e como é um rito/obrigação do primeiro dia de férias, tinhamos que sair para beber. Eu tenho uma teoria, que a melhor maneira de se adaptar ao fuso horário é tomando um porre. Depois que você está muito bêbado basta dormir e quando acordar de ressaca vc não saberá onde vc está, quem vc é e o principal, que horas são!!! Aí basta olhar um relógio com o horário local e pronto!!! Seu relógio biológico se adapta automaticamente ao horário do relógio!!!


Tiro e queda!!
Convidamos um turco que estava dividindo o quarto compartilhado com a gente e fomos para o Club31.
Um detalhe importante que só me caiu a ficha de verdade naquele dia, lá é mão inglesa!!! Percebi isso ao sair atrasado para pegar o táxi e os caras berraram para mim: "entra na frente", rapidamente corri para o lado direito do carro, abri a porta da frente com tudo e já ia sentando, quando notei que o taxista estava segurando o volante e me olhando assustado pensando que eu sentaria no seu colo!

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Dia 3 - 23/abr/2016
Tínhamos alugado um carro no aeroporto e o plano para esse dia era ir para o Cabo da Boa Esperança, passando pela bela praia de Camps Bay, tendo Gansbaai, uma cidade bem ao Sul, como destino final. Seria em Gansbaai, cerca de 2h de carro de Cape Town, que tínhamos uma reserva para mergulhar com tubarões branco.
Após várias barberagens, com direito a frequentes subidas em meio fio e entradas em contramão (eu fui eleito o que mais tirava fino
), chegamos na Camps Bay, praia bonita, mas não só pela praia em si, mas principalmente pelas belas casas e aquela grande montanha ao fundo que completa a paisagem. Caminhamos um pouco por ali sem pressa e almoçamos em um restaurante a beira mar.
Terminado o almoço já eram quase 14h, e o dia estava lindo, sem nenhuma nuvem. Chegamos a conclusão que devido ao horário, e principalmente ao dia sem nuvens na table mountain (o que é raro) deveríamos adaptar os planos e ir para a imponente Table Mountain.
Dica importante, compre os tickets para a montanha antes de ir para a África do Sul, além de ser o mesmo preço vc economiza muuuito tempo na longa fila de compra de tickets lá.
A vista lá de cima é muito bonita, é possível ver a Robben Island, a parte turística com o estádio de futebol e as praias. Caminhamos lá por cima com bastante calma por cerca de 2h, quando começou a ficar muito frio. Descemos no último horário que era cerca de 17h30. Agora era ir para o Sul para o tão esperado mergulhos com tubarões branco, os mais perigosos animais do mar!!!!
Estávamos prontos para ir rumo à Gansbaai quando vimos um email cancelando a saída para o dia seguinte devido as condições do mar. Puuuuuuuuuutz!!!



Aí fod#%$& a porra toda... Esse mergulho era para nós o ponto alto deste destino, estávamos animados para isso, e se não fizessemos nesse dia estávamos com sério risco de perder esse passeio.
Ligamos para outra operadora. A resposta? Também não faria a saída. E agora???


Achamos uma outra operadora que não tinha muitas recomendações, e pensamos: humm, quem sabe eles por eles serem menores são tambem irresponsáveis a ponto de sair mesmo com condições do mar desfavoráveis, era tudo que queríamos!!
Ligamos e... batata!!! teria saída, e o principal era mais barata que as outras (1200 rands) e ainda estava incluso a hospedagem numa pousada por lá!!! ihaaaaaaaaaa. Lá fomos nós felizes da vida (e um pouco desconfiados da nossa sorte..
)
Depois de 2h de viagem em uma estrada muito boa (este é parte do famoso caminho do litoral da África que leva até Port Elizabeth), passamos por algumas das famosas vinícolas e por praias também até chegar no destino final próximo das 21h.
Ao chegar na frente da pousada ng nos atendia... enviamos um whats para o dono que respondeu que já estava chegando... esperamos uns 20 minutos e nada.. ligamos e a resposta era a mesma "i`m going.."
fuck, que demora do caraio... e dps de mais um bom tempo q esperamos cansados e com fome chega o dono cagado de bêbado
. Parecia aquele morto muito louco com o rosto virado! A pousada era +-, um pouco de cheiro de mofo, mas foi mais do que o suficiente para nós. Após darmos algumas risadas com o esforço do dono para nos explicar como seria o dia seguinte sem parecer completamente bêbado (o que era impossível), tentamos sair para comer alguma coisa na cidade. Mas estava tudo fechado... Voltamos para a pousada e dormimos com fome.
Dia 4 24/abr/2016
Acordamos tarde pois o mergulho seria somente às 10h da manhã. Passamos num supermercado e tomamos um bom café da manhã. Fomos de carro numa distancia de uns 15 minutos da pousada até a Supreme Shark, local onde mergulharíamos. Chegando lá uma ótima surpresa, ao contrário da pousada (e seu dono travado), o local era muito profissional, com bom equipamento, bom barco e ótima recepção. Tomamos um segundo belo café da manhã que não sabíamos estar incluso, ouvimos as instruções de como seria a ida, pegamos as roupas pro frio e lá fomos nós.
É cerca de meia hora de barco, num frio do kct
, e um cheiro de peixe ensurdecedor. Galera enjoa bastante. Tomamos um vonau para evitar o enjôo. Mas a condição do mar estava tranquila!!! Ponto para a escola irresponsável!!
Chegamos no local com todo mundo na expectativa pelos tubarões. O staff começou a jogar água com sangue de peixo no mar. E a gente só olhando atentamente em busca do monstro. Silêncio.
Mais peixe no mar. E nada. O Staff comentou que acontecia de não aparecer nenhum tubarão às vezes, será que teríamos esse azar? Até que alguém aponta para o mar e lá estava uma grande vulto dentro do mar. O staff berrou para o primeiro grupo entrar na gaiola para descer na água e ver o bixo de perto. O pessoal entrou com a roupa de borracha naquela água geladíssima. E lá veio o tubarão!! Aliás um não, logo apareceram 3!!!! e um devia ter cerca de 3,5m, era gigante!! 


Nossa vez e entramos na gaiola, e tivemos a maior sorte do grupo, ao puxar a isca para atrair o tubarão, a isca grudou na gaiola bem na nossa frente, e o tubarão veio com a boca enorme e cheia de dente aberta em nossa direção!!! E ali ficou tentando dilacerar a isca a 10cm da gente, qq dedo fora que colocássemos fora da gaiola, seria um dedo a menos!!!
Foi um momento de êxtase. Voltamos com frio e felizes pelo dia.



A ótima companhia Supreme Shark ofereceu um almoço. Comemos e la pelas 14h saímos correndo pois estava no nosso plano voltar para o Cabo da Boa Esperança ainda naquela tarde. Infelizmente seria corrido, pois com o atraso da saída para o mergulho perdemos 3h importantes.
Foram mais 2h de regresso com bastante transito (e muita barberagem) tentando chegar em Boulders Beach onde é possível ver os pinguins. Chegamos as 17h e o parque para ver os pinguins já estava fechando neste horário. Neste horário também não conseguiríamos aproveitar o cabo da boa esperança... Ferrou... Mas mesmo assim todo o trajeto era muito muito bonito, usamos a tarde apenas para dirigir e curtir a estrada e os belos visuais (Misty Cliff foi um local muito bonito, passe por lá!), além de uma zebra, alguns babuínos, avestruz...
Passamos por um vilarejo de praia chamado Fish Hoek, muito agradável para passar uma pernoite, com bons restaurante e uma caminhada à beira-mar. Chegamos a cogitar ficar por ali mas desistimos pq já tínhamos uma reserva paga em Cape Town.
Na volta para a capital pegamos pela parte mais bonita da estrada, onde estava a Champman Peak, uma estrada basicamente turística, porque era mais longe para voltar para Cape Town por ali e era cobrado pedágio, mas é passagem obrigatória, especialmente se puder ver o por do sol por ali. Incrível!!
Chegando tarde em Cape Town, no hostel Big Blue (grande e bem clima de hostel com bastante gringo, bar, galera bebendo e trocando experiência). Saímos a pé para o WaterFront para comer algo e dar um passeio. Na volta tinha tipo uma baladinha na rua do nosso hostel. Tentamos entrar pra ver qual é. Mas era uma balada meio esquisita, tocando um hip hop com os negão dançando num estilo bem doido. Tomamos umas 2 cervejas, saímos para comer um cachorro quente podrão na rua e fomos dormir.
Dia 5 - 25/abr/2016
Acordamos cedo para voltar àquela bela estrada que vai até o Cabo da Boa Esperança, pois era nosso último dia por ali, às 15h tínhamos um voo para a Namíbia. Como não foi possível ver tudo que gostaríamos por lá tivemos que optar neste dia entre a Robben Island ou voltar no Cabo da Boa Esperança. Pelas belas paisagens que vimos no dia anterior nossa opção foi aproveitar mais uma vez por lá (outro detalhe que a Robben Island tem q reservar com antecedência, o que não fizemos. Na hora só indo no local e contar um pouco com a sorte).
Após um trajeto agradável chegamos ao Cabo da boa Esperança. Sinceramente, nada especial, apenas uma pequena placa com uma fila de turistas para tirar fotos. Alguns pinguins, uma zebra e nada mais. Mas a manhã valeu bastante a pena pelo trajeto.
chegamos ao aeroporto às 13h30, almoçamos por ali e embarcamos para a Namíbia pela Namíbia Airlines. Uma companhia ok, até peguei umas dicas e troquei umas ideias com uma namibiana que sentou ao meu lado. O papo só teve q encerrar quando ela repetiu o vinho oferecido no avião pela quarta vez e começou a falar nada com nada...
Aí resolvi ler a revistinha e não dar mais atenção à conversa que eu não entendia nada.. 
O aeroporto da Namíbia é pequeno, e nos cobraram a carteirinha de vacinação contra febre amarela. Por ali mesmo já trocamos dinheiro com uma taxa melhor que em Cidade do Cabo (a conversão é fixa: 1 Namibia = 1 rand). Compramos um chip de celular para usar o google maps e pegamos o nosso "tanque de guerra". O baita carro que alugamos tinha 2 tanques de combustivel com autonomia para 1200km. Alugamos esse carro pela Bidvest e só tivemos pequenos problemas na vistoria para a retirada do veículo pois algumas coisas não estavam funcionando. Mas nada de mais.
Era minha vez de dirigir e o nível ia ficando mais elevado
, estávamos praticamente com um caminhão, com câmbio manual, em mão inglesa, e atento aos avisos de animais na pista (e eles aparecem de mesmo, mas consegui não atropelar nenhum!!!) 
.
Ficamos no hostel Chameleon, um hostel famoso e bem localizado por lá. Gostamos.
A janta dessa noite ficou no famoso Joes Beerhouse, com certeza o melhor restaurante que passamos em toda a viagem!!! Comemos umas Carne de springbok, crocodilo, zebra, kudu e oryx. Todos deliciosos bichinhos que iríamos encontrar pela estrada.
Dia 6 – 26/abr/2016
O plano para esse dia era usar a manhã para dar uma volta e conhecer Windhoek para ao meio dia partir rumo ao deserto de Sossusvlei. Na Namíbia não se sugere dirigir de noite. Pouquíssimas estradas são asfaltadas, e geralmente não se encontra uma alma viva por horas. Não há cidades nem postos de gasolina no caminho e ao final de tarde e de noite grandes animais podem invadir a pista.
Tomamos o café razoável do hostel e descobrimos que sairia do hostel um free walking tour (Alvin the Guide) às 9h30, perfeito para nós!!!
Aproveitamos a nossa sorte e conhecemos um pouco das pouquíssimas atrações da cidade. O mais interessante foi conversar com um morador da Namíbia (o guia) sobre economia, política, cultura e muito mais. Percebemos como ser uma colônia está vivo na vida dos africanos. Povos muito distintos foram forçosamente agrupados em um país assim como um único povo foi separado por uma linha no mapa. Conversando com esse Namibiano, que faz parte de um povo dividido parte na Namíbia e parte em Botsuana, fica fácil entender porque é tão difícil a unidade nos países da África, e, ao mesmo tempo, tão fácil guerras entre facções com o discurso da unificação dos povos separados.
Terminado o walking tour passamos em um supermercado para comprar suprimentos para passar os próximos dias que seriam dirigindo em meio ao deserto. Lá um fato curioso, fui acusado de racismo no supermercado, simplesmente porque não entendi o que as mulheres do caixa me falaram. Depois de ouvir que nós estrangeiros brancos éramos arrogantes e racistas fui almoçar arrasado

. Poxa, logo eu que estava com tanta simpatia pela cultura e história dos povos africanos... Mas enfim, bola pra frente.
13h30 estávamos na estrada, um pouco depois do que tínhamos planejado. Seguimos o caminho Windhoek – Rehobot – Bullsport – Solitaire – Sesriem. Os 350km e aproximadamente 5 horas de direção foi em com estrada de chão, sem cidades com comércio nem postos de gasolina, mas em boas condições que permitem andar, em média, 80km/h. Tínhamos locado um GPS para o carro e também tínhamos o google maps com 3g, nem um nem outro nos ajudou fora das grandes cidades. O que nos salvou foi o velho e bom mapa de papel que pegamos no hostel.
A chegada em Sesriem (entrada para o belo deserto de Sossusvlei) é a parte mais bonita do trajeto, e o final de tarde com aquele enorme sol vermelho se ponto, formando um espetáculo de cores decorado por diversos animais que atravessavam as ruas foi um espetáculo a parte. Ali começou nossa paixão por esse incrivel deserto. Vimos praticamente todos os animais que tínhamos jantado na noite passada..

Chegamos no finzinho de tarde no camping “Desert Camp” que tínhamos reservado. Mas que camping porra nenhuma, era quase um resort!!

uma bela de uma piscina de água bem azul em meio ao deserto, com um bar ao lado com um chopp beeem gelado e barato (25 Namibias). As “barracas” eram verdadeiros quartos de hotel, espaçosos, com um banheiro muito bom e uma cozinha externa com uma churrasqueira que ficou ainda mais maravilhosa quando descobrimos que era possível encomendar carnes exóticas na recepção para fazer no dia seguinte!!
Dia 7 – 27/abr/2016
Hoje iríamos entrar no parque para conhecer o deserto. A entrada do parque abre ao nascer do sol (6h15 nesta época do ano). Existe um hotel e um camping dentro do parque, que permite a você chegar mais cedo para ver o nascer do sol nas dunas. Esse nascer do sol é fantástico de assistir nas dunas vermelhas de Sossusvlei, pois a medida que o sol vai se erguendo as cores das dunas vão se alterando do vermelho pro laranja tornando tudo um grande espetáculo.

Acordamos as 5h da manhã pois queríamos ser os primeiros a entrar no parque. São 4km do Desert Camp até a entrada do parque (alguns alojamentos ficam a 60km dali, fique atento se for reservar algo por lá). Acordar cedo não valeu a pena, pois não tinha tanta fila.

Entrando no parque são 45km até a Duna 45, o ponto de parada tradicional para subir a duna e assistir o nascer do sol, em nosso caso o “nascer do sol”, que já estava bem alto...
Mais 20 km se chega na entrada do Dead Vlei, ali vc tem que deixar seu carro para pegar um transfer que custa 130 namibias por pessoa. É permitido ir com o seu 4x4, mas vimos vários atolados, não vale a pena.
Após o transfer tem uma caminhada de uns 700m até o Dead Vlei, um paraíso para os amantes de fotos. Dead Vlei possui um chão bem branquinho onde brotam árvores milenares pretas, rodeado das enormes dunas vermelhas sob um céu azul sem uma nuvem. Incrível. Cada um de nós caminhou para um canto observando com nossos olhos o que muitos ficam perplexos ao ver somente as fotos. Eu com meu fone de ouvido com um pink Floyd, fui a um momento de êxito.

Às 11h o sol já estava insuportável, nem passou em nossas cabeças fazer as loucuras de alguns e subir os mais de 300m de altitude da Big Daddy, a duna mais alta do deserto com 325m de altitude que fica ao lado do Dead Vlei. Decidimos voltar, mas antes almoçamos no restaurante da entrada do parque.
Dali fomos para os canyons de sesriem, que fica próximo e dentro da entrada do parque, bacana conhecer.
Às 15h estávamos tomando um maravilhoso chopp na piscina do Desert Camp que só foi interrompido por uma tempestade de areia!!! Já meio bêbados começamos o churrasco de kudu, oryx e impala. A sensação de fazer um churrasco praticamente dentro do deserto é indescritível. O silêncio, os animais que passavam por ali (3 oryx cruzaram o nosso acampamento, e até uma raposa que veio comer as sobras ao nosso lado), o céu que permitia ver a mancha branca da via láctea de tão estrelado. Tudo em meio à Namíbia, certamente um momento que não esquecerei nunca.

Dia 8 – 28/abr/16
Tomamos um café da manhã no “acampamento” admirando aquela vibe fascinante pela última vez
, às 8h estávamos na estrada. Logo já chegamos em Solitaire para uma breve parada, um café na boa padaria que tinha ali, e uma abastecida no nosso tanque, apesar de que na teoria não seria necessária mais combustível. Como falei antes, ali tinha o único posto que encontramos no trajeto desde Windhoek até Swankopmund!!!
No caminho, sempre muito bonito e sempre de estrada de chão, passamos pela famosa placa do trópico de Capricórnio e às 13h30 chegamos no Hostal em Swankopmund, que era a casa de uma simpática namibiana que nos ensinou um pouco daquela língua africana que se fala estalando a língua, um sarro!!!

Swamkopmund era muito bonita e organizada, parecia um pedacinho da Alemanha na África. Almoçamos num excelente supermercado chamado “Food Lovers” que tinha várias opções muito gostosas e rápidas (na Zâmbia descobrimos que essa era uma rede africana de supermercados). Dali fomos ao Desert Adventures onde tínhamos reservado para dar uma banda de quadrículo dentro do deserto!!!
Cara!!! Isso ali foi demaaaaais!!! Foram 2h tocando o pau no meio do deserto, subindo e descendo dunas, cavalos de pau (quando o guia não estava olhando), com direito a um acidente do Aroldinho que sumiu no meio das dunas enquanto seu quadriciclo andava sozinho pelo deserto até se chocar com uma duna!!
::lol3:: Recomendo fortemente para quem gosta de um pouco de emoção misturado com uma sensação especial de estar no meio de um deserto muito top!!! Foram 600 Namibias por 2h. Na minha opinião não vale a pena pegar mto menos de 2h, acreditem, é massa mesmo!!! ::otemo::::otemo::::cool:::'>
Ali na Desert já reservamos o passeio para o dia seguinte em Sandwich Harbor, 70 dólares por pessoa num tour privado para nós 4.
De noite fomos em um restaurante famoso, chamado Tug, ele fica tipo em uma palafita no meio do mar. Era gostosinho, preço nem tão barato para o padrão Namíbia, mas valeu a pena. Ali vc entende um pouco da onde vem o racismo tão forte da Namíbia. 100% de quem estava jantando era branco, e 100% dos que estavam trabalhando eram negros. E os clientes não parecem muito preocupados em ser simpáticos com os atendentes... Enfim... ::bad::::bad::
Dia 9 – 29/abr/16
Às 8h o guia estava nos esperando na porta do Hostel para ir à Sandwich Harbor, o lugar onde a imensidão das dunas do deserto encontram o mar! Deserto e Mar!!! ::ahhhh:: Pode isso??? Muito louco... O passeio passa antes em alguns pontos bacanas da cidade, inclusive em uma orla com casas muito bonitas que segundo o guia eram casas de gringos cheio da grana.
Depois entramos no meio das dunas do deserto com aquele caminhonetão parecido com o que dirigíamos. O cara ia na velocidade atento às trilhas e escolhendo os lugares onde não iria atolar na areia fofa. Se fosse eu no volante já tinha caído em um areia movediça nos primeiros 200m... ::lol4::::lol4:: Foram muitas dunas descidas com emoção, enquanto o guia contava do baixo risco das manobras e divertia-se com nosso apavoro. “Teve uma vez que o carro capotou na duna e uma gringa quebrou o pescoço e morreu, mas é raro” comentava ele ao meio de risadas... :o:o::vapapu:: ::vapapu::
Chegando perto de Sandwich Harbor não conseguimos avançar até o destino final, pois a maré estava alta e subindo, e como o caminho era entre os paredões de dunas e o mar, não seria possível seguir por ali. Subimos as dunas por ali mesmo e o visual era fantástico. Apesar de não termos ido ao ponto final, ficamos com a certeza de que dificilmente a paisagem conseguiria ser mais bonita que aquela! ::love::::love::
Na volta paramos para um almoço muito gostoso em meio ao deserto e um papo super divertido com o nosso guia nota 10 (infelizmente esqueci o nome dele e da companhia que ele trabalhava). ::prestessao::
Chegamos às 14h30 no hostel, um pouco depois que esperávamos, e seguimos voando para Windhoek para evitar a estrada de noite. Este trajeto era mais tranquilo, finalmente todo asfaltado. Foram 4h até lá com um pouco de transito na chegada.
Chegando novamente no Hostel Chameleon, qual seria a opção de janta?? Joes, é claro. :D Não conseguimos nos convencer que arriscar uma outra opção de restaurante valeria a pena.. Sério, aquele Joes é demais!! ::lol4::
Era nossa última noite na Namíbia, e o dia seguinte seria apenas aeroportos, a estratégia era beber umas e se cansar para ter mais forçar para dormir nos aviões... ::hahaha::::hahaha:: . Fomos num cassino meio sem graça no hotel Hilton que era perto dali (única construção que estava com a pintura em dia na cidade). Mas não duramos muito e fomos dormir após o Guerrinha quase enriquecer no Black Jack e perder tudo na sequência.