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Fala, pessoal.

Fiz no começo dessa semana mais um review no canal. Desta vez foi da faca Petzl Spatha, uma faca dedicada aos escaladores, montanhistas e profissionais de verticalidade. 

Espero que gostem, os interessados!

 

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      Partindo de São Paulo, eu e mais quatro amigos passamos 12 dias nessa viagem, incluindo o trekking do Monte Roraima e os passeios turísticos mais tradicionais de Manaus, entre outros programas mais alternativos que agradam qualquer mochileiro com espírito de aventura. Fizemos tudo da forma mais econômica possível sem comprometer a segurança e o mínimo de conforto, disso saiu um rolê bastante acessível, exótico e simplesmente fantástico. Acompanhe nesse relato dia a dia com todas as informações necessárias pra te ajudar a planejar e aproveitar ao máximo sua viagem e evitar perrengue.
                      Essa foi também a primeira viagem internacional do grupo Trilhando na Faixa, então inscreva-se no canal para ver o vídeo assim que estiver disponível: https://www.youtube.com/channel/UCw7K-Ri4mgpVsG4WIBdIbSg
                      Lembrando que os valores são aproximados e referentes a Julho de 2018, podendo apresentar variações. Os valores discriminados são em despesas essenciais, não esqueça de reservar um pouco do orçamento para uma regalia ou outra que não conste na lista.
                      Bônus para os Veganos: O autor que vos escreve é um também, então acompanhem pra terem informações específicas sobre a alimentação vegana em cada local.
      Índice de dias (use o Ctrl+F para navegar):
      Dia 1 – De São Paulo a Manaus a Boa Vista
      Dia 2 – De Boa Vista a Santa Elena de Uairén
      Dia 3 – De Santa Elena ao Paratepuy ao Acampamento do Rio Têk
      Dia 4 – Do Rio Têk ao Acampamento Base
      Dia 5 – Do Acampamento Base ao Hotel Índio e circuito no topo
      Dia 6 – Vale dos Cristais Brasileiro, Ponto Tríplice, El Foso e o cume
      Dia 7 - Do topo ao Rio Têk
      Dia 8 - Fim do trekking e Gran Sabana
      Dia 9 - De Santa Elena a Boa Vista, Lethem e Manaus
      Dia 10 – Manaus, praia da Lua e Mercado Municipal
      Dia 11 – Rios Negro e Solimões, INPA e bar
      Dia 12 – Teatro Amazonas e retorno pra São Paulo
       
                                                                
      Antes de mais nada – Preparação
       
                      O planejamento da viagem foi montado em torno de seu prato principal, o trekking do Monte Roraima, então as outras coisas entraram como um adicional oportuno.
      Para o trekking em si
       
                      Juntamos um grupo de 6 pessoas com disponibilidade de duas semanas em Julho para subir o Roraima de forma econômica, nosso plano foi de contratar um guia local e fazer o trekking sem recorrer a porteadores de equipamentos ou serviços de agência. Estando todos habituados a atividades outdoor, não seria problema algum transportar nossas cargueiras ou cozinhar nos acampamentos, então o serviço de que precisaríamos seria o mais básico possível. Procuramos por guias que trabalhassem dessa forma e encontramos algumas boas opções, sempre indo atrás de indicações e comentários sobre cada um.
       Tendo sido o que prestou melhores esclarecimentos sobre tudo que precisávamos e estando numa faixa de preço bastante razoável, além de ter sido recomendado por uma conhecida, optamos pelo Jesus (WhatsApp: +5804266940599 / +5524992802417 ), contratamos o serviço de guia para uma expedição de 6 dias e um porteador para a estrutura de “banheiro” (mais sobre isso adiante) e transporte de lixo e dejetos, já que o Parque Nacional Canaima exige que se traga de volta isso tudo. Lá não existe levar pazinha e enterrar os dejetos, os porteadores trazem tudo de volta em sacos plásticos grossos com cal. É incluso também o transporte em 4x4 de Santa Elena ao Paratepuy, onde começa a trilha, e a volta.
                      Os guias não cobram por pessoa, mas pelo trekking em si, independentemente do número de participantes. Cada guia pode levar até 6 pessoas. O valor acordado foi de 3000 mil reais, totalizando 500 de cada um de nós. Antes da viagem, uma das pessoas envolvidas precisou desistir da viagem e o custo final foi de 600 por cabeça. Nos oferecemos para pagar parte do valor em equipamentos de camping, já que eles são muito caros e difíceis de conseguir na Venezuela, e Jesus incluiu um passeio em algumas cachoeiras da Gran Sabana no último dia do trekking como uma troca de gentilezas. Todo mundo saiu feliz, rs.
      Pagamos uma parte do preço antecipadamente para reservar o serviço, o restante seria pago em mãos na véspera da expedição. Mantivemos contato com o guia nos meses antes da viagem para preparamos os equipamentos e afins, partimos da seguinte lista de itens essenciais, que pode ser ajustada de acordo com as necessidades de cada um:
       

      É perfeitamente possível reduzir o número de trocas de roupa; uma para o dia e uma para a noite, mais uma de reserva, só é muito importante ter todas as peças para o sistema de aquecimento em camadas e também um bom número meias, se possível utilize as específicas para trilha, são caras mas valem muito a pena para o conforto e saúde dos pés na expedição. Do contrário, improvise um liner colocando uma meia social sob a comum, isso ajuda a reduzir o atrito dos pés com a bota e previne bolhas. Truque simples e funcional.
      Julho é temporada de chuvas no Roraima, então pra quem vai nessa época é muito importante ter uma barraca resistente a água (o sobreteto sim, mas também o piso, atenção pra isso); roupas impermeáveis; saco estanque para os eletrônicos, saco de dormir e roupas; sacos plásticos para o restante; capa de chuva pra mochila e possivelmente ainda um poncho.
      IMPORTANTE: Não use barraca que não seja autoportante, no topo do Roraima é bem capaz que ela dê trabalho ou seja simplesmente inútil no chão de pedra e areia dos hotéis (parapeitos rochosos ou pequenas grutas que servem de cobertura natural, provendo locais de acampamento protegidos de chuva e vento).
      O tempo lá é imprevisível e muda muito rápido por conta dos ventos alísios. Chove com frequência, em geral em baixo volume, mas às vezes a aguaceira pode vir mais forte. Não tem hora pra cair a chuva, as previsões do tempo dão uma ideia do que esperar, mas inevitavelmente vão errar em algum momento. Esteja sempre preparado.
      Uma boa mochila é essencial para quem vai levar suas próprias coisas, escolha uma que se ajuste bem e fique confortável com o peso, aprenda a regulá-la corretamente de antemão.
                      O uso do bastão de caminhada é opcional, mas é um equipamento extremamente útil para a subida e descida íngreme do Roraima, bem como para a travessia dos rios no caminho e outras possíveis utilidades
      Leveza é palavra-chave para se equipar, busque dividir barracas e investir em equipamentos leves e compactos, bem como em não levar nada além do que vai ser preciso e suas margens de segurança. Isso vale pra comida também, seja o mais eficiente possível.
      Dica Vegana: Para as refeições principais, levei 3 pacotes de Carne de soja, arroz integral com lentilha e purê de batatas da LioFoods, cada pacote dá pra duas refeições e apenas o purê não é vegano, basta dá-lo pra algum colega e voilá, dá pra comer até sem água quente, se necessário. Levei também um pacote de sopão de legumes da Kitano, levinho e faz até 8 pratos. Foram 14 refeições potenciais em 1066 gramas, 6 mais encorpadas e 8 mais leves. Para cafés da manhã e lanches, fui de amendoins, paçoca, biscoitos, barrinhas e Rap10 integral. Deram conta muito bem.
      É importante ter um método de purificar a água. Quando estiver no acampamento é preferível aproveitar a possibilidade de fervê-la, mas no caminho você vai ter de se virar com o cloro (ou um Lifestraw, se você tiver). Eu costumo utilizar o Hidroesteril ao invés do Clorin, é mais barato, fácil de achar e rende mais. É possível também pegar Hidrocloril gratuitamente em postos de saúde. Escolha o que preferir.
      Não é possível transportar os cartuchos de gás de fogareiro no avião, então reservamos alguns em uma loja em Manaus próxima ao aeroporto, a Apuaú Pesca. Os cartuchos ficaram 20 reais cada. Se sua alimentação não for excessivamente demorada para preparar, só um já dá conta muito bem para uma pessoa. Eu recomendaria levar dois só por garantia, o segundo podendo ser o backup de outro colega também, talvez.
      O Roraima não é um trekking difícil, mas ir com cargueira é pedreira nos trechos de subida. Não é necessário ser um atleta, mas não é programa pra sedentário, quiçá com porteador pra levar as coisas, mas mesmo assim é melhor adquirir condicionamento e experiência com outras trilhas menos exigentes. É possível para iniciantes, mas é essencial se informar e equipar muito bem, e ter a resiliência pra encarar dificuldades que são de praxe pra quem já tem o costume de travessias e acampamentos. Quanto menos delas forem novidade, mais tranquila será a experiência.
      Um resgate de helicóptero lá no alto é perfeitamente possível por conta das áreas planas do topo, mas custa uns 6 mil reais, e diferente das agências que já cobram alguns milhares de antemão, ir com guia contratado quer dizer que quem vai arcar com esse custo será você caso precise. Se prepare e se informe antes de ir, a montanha não vai sair de lá se você precisar esperar algum tempo pra conhecê-la.
      Para o caminho
       
                      Para fazer o trekking, precisamos ir até Santa Elena do Uairén na Venezuela, cidade fronteiriça com Pacaraima, vizinha da capital roraimense Boa Vista, que conta com um aeroporto, mas para o qual os voos de São Paulo estavam tanto caríssimos quanto muito longos. Acabamos optando por ir por Manaus e pegar um ônibus noturno a Boa Vista, mas na trilha encontramos um casal que conseguiu um preço bom de voo pra lá, então fique de olho pro que for melhor, talvez consiga uma boa promoção. Compramos as passagens de ida e volta antecipadamente pelo Guichê Virtual. De Manaus a Boa Vista o ônibus não lota, dá pra comprar na rodoviária, mas pro caminho de volta é bom comprar com antecedência.
                      Para entrar na Venezuela basta o RG, e o processo é até mais rápido do que com Passaporte, então se não fizer questão do carimbo, pode deixa-lo em casa. Para sair de Santa Elena para o interior da Venezuela, é preciso o Certificado Internacional de Vacinação contra febre amarela. Você vai precisar disso se por acaso for parado num posto de controle na estrada. Não precisamos apresentar o documento em nenhum momento, mas é bom tê-lo em mãos pra evitar problemas, é fácil, rápido e gratuito solicitá-lo, então não tem desculpa.
                      Já deixamos feita nossa reserva para a hospedagem em Santa Elena, na Posada L’Auberge, lugar seguro e confortável com chuveiro quente, camas limpas, ar condicionado e wi-fi, todo o necessário para uma boa noite de descanso. O preço ficou bem em conta e a pousada está localizada no coração da área turística da cidade, próxima a bons restaurantes. O único ponto negativo é a parca iluminação em alguns quartos, que nos fez tirar as lanternas da mochila antes mesmo do trekking, mas só isso.
                     
      Dito isso, vamos ao dia a dia da viagem.
       
      Custos na preparação:
       
      R$ 3000 pelo Guia, valor divisível em até 6 pessoas;
      R$ Variável de alimentação e equipamentos pro trekking;
      R$ Variável de transporte aéreo;
      R$ 367 nas passagens de ônibus Manaus-Boa Vista e retorno (compradas via Guichê Virtual);
      R$ 20 por cada cartucho de gás em Manaus (a quantidade a levar vai da preferência de cada um);
      R$ 40 de reserva de diária na hospedagem em Santa Elena, valor aproximado, varia de acordo com o quarto.
       
      Dia 1 – De São Paulo a Manaus a Boa Vista
       
                      No primeiro dia pegamos nosso voo de São Paulo a Manaus pela manhã, chegamos a nosso destino na hora do almoço e fomos recebidos pelo contraste do bafo quente do clima manawara com a temperatura amena do ar condicionado do avião. Entramos logo num Uber para irmos comprar os cartuchos de gás que havíamos reservado. O próximo destino foi a rodoviária, onde retiramos nossas passagens para o ônibus a Boa Vista. Deixamos as cargueiras no guarda-volumes da rodoviária e partimos a pé para um Carrefour que fica lá pertinho, para pegar o resto dos mantimentos que faltavam pro trekking e também para beliscar na viagem de ônibus. É bom não deixar pra comprar nada em Boa Vista ou Santa Elena, se possível, já que não há muitas opções no caminho, e definitivamente nenhuma com tanta variedade quanto esse Carrefour.
                      Dentro do supermercado há um caixa Itaú, já retiramos o dinheiro para a Venezuela lá mesmo, mas há caixas eletrônicos 24 Horas tanto na rodoviária de Manaus quanto na de Boa Vista. Fica a gosto do freguês onde fazer o saque.
                      Depois disso, fomos passar o resto da tarde no Amazonas Shopping, boa opção próxima à rodoviária para fazer hora antes do horário do ônibus. Jogamos uma partida de airsoft e comemos na modesta praça de alimentação.
       

                      Dica vegana: Foi aqui que eu já tive o primeiro indício de que Manaus não é lá muito fácil pra vegano, não tinha nada no cardápio de nenhum dos restaurantes que fosse livre de produtos de origem animal. Pedi pra adaptar um prato no Alemã Gourmet e foram bastante solícitos, aceitaram substituir os ingredientes animais por outros vegetais sem custos a mais nem nada. Foi uma boa opção considerando custo, também.
                      No fim da tarde voltamos pra rodoviária pra esperar o horário do ônibus. Pra quem suar demais sob o sol manawara, lá há a opção de pagar um valor módico para tomar um banho. Próximo a uma das paredes há tomadas para carregar o celular.
                      O ônibus partiu às 20h para chegar em torno de 6h30 no destino. O semi-leito já é confortável por si só, mas ele partiu com tão pouca lotação que foi possível que quase todo mundo tivesse duas poltronas lado a lado para si, permitindo deitar de forma muito mais à vontade do que o normal, o que foi ótimo. A TV do ônibus saiu de Manaus exibindo uma novela da Globo e depois um filme de ação genérico. O veículo contava com wi-fi, mas este só funcionou até sair da cidade, depois disso ficamos sem sinal com o mundo exterior.
                      A estrada a Boa Vista é bem cuidada, é uma viagem bastante tranquila por entre vegetação densa pontilhada por alguns pontos de luz que despertam a curiosidade de o que seriam. Eu não sabia o que esperar da parada, definitivamente não um Graal como os das rodovias de São Paulo, mas fiquei surpreso com o quão modesta era a lanchonete escolhida. Apenas o básico do básico, então é bom estocar o necessário em Manaus mesmo. Foi engraçado reparar que, apesar de estarmos no meio da madrugada numa cidade minúscula na Amazônia, a algumas quadras dali rolava um estrondoso pancadão de funk. Acho que algumas coisas são as mesmas em todos os lugares, rs.
      Dia 2 – De Boa Vista a Santa Elena de Uairén
                      Chegamos em Boa Vista bem cedo de manhã. A rodoviária de lá é um pouco melhor do que a de Manaus, mas não tem nada em volta dela. Para ir a Santa Elena de Uairén há táxis que vão até a fronteira e voltam, eles ficam numa outra rodoviária lá perto, basta tomar um táxi comum até lá que não deve passar de 10 reais. Nessa outra rodoviária, é possível aguardar até o carro pra Santa Elena encher para dividir o valor entre mais pessoas. Conseguimos ir os 5 em um carro só, de 7 lugares, os espaços restantes ficaram para as cargueiras. 50 reais por pessoa.
                      Há ônibus que vão e voltam da fronteira também, mas não vale tanto a pena  pelos horários.
                      A estrada de Boa Vista até Santa Elena, passando pela última cidade brasileira antes da fronteira, Pacaraima, é uma linha reta cortando plantações perfeitamente planas. Não há nada pra ver na estrada, o caminho leva pouco mais de duas horas, é o momento perfeito pra tentar dormir um pouco e encurtar a percepção do percurso.
                      A entrada na Venezuela é bem rápida e tranquila, basta passar pelo posto da polícia federal, responder algumas perguntas de identificação e retirar seu Permiso de entrada. Você vai precisar apresentá-lo na hora de voltar pro Brasil, guarde-o seguramente.
                      Verifique se seu taxista pode te deixar em sua hospedagem em Santa Elena, é uma opção bem conveniente se ele concordar. Se preferir, já aproveite pra agendar a volta também, mais uma vez verificando se é possível partir já da porta do hotel. Muito mais prático do que pegar outro táxi até a fronteira, mesmo se ficar um pouquinho mais caro.
                      Chegamos ao L’auberge no começo da tarde e nos hospedamos, já fazendo agora a reserva para o dia do retorno do trekking. Jesus já se encontrou conosco lá mesmo, onde também havia se hospedado, e deu breves explicações sobre o percurso do trekking e sobre Santa Elena, o briefing de verdade seria à noite. Feito isso, nos convidou para ir almoçar nas redondezas e já aproveitar pra trocar o dinheiro.
                      Comemos em um restaurante bem simples lá perto, com poucas opções. Fiquei só no arroz e macarrão mesmo, e estranhei um pouco este porque os venezuelanos parecem utilizar um molho de tomate muito mais doce do que o nosso. Percebi também que todos os pratos vieram excepcionalmente bem servidos, nenhum de nós conseguiu terminar de comer tudo. Muita comida é uma constante lá na Venezuela, então vá com a barriga preparada para fartas refeições, rs. Experimentamos uma bebida popular de malte, o Maltín, é bem gostoso, vale a pena conhecer. Pagamos em reais, coisa de 15 por pessoa.
                      O câmbio do dinheiro é totalmente informal e complicadíssimo a primeira vista pelos valores estratosféricos em bolívares. Andamos pelas ruas buscando a melhor conversão entre os vários cambistas nas esquinas e em frente às lojas. O melhor que conseguimos foi 1:175k. Troquei 100 reais e foi o suficiente pra tudo que precisei pagar em bolívares, incluindo lembranças pra trazer pra casa, mas as coisas são bastante instáveis por lá no que se refere a dinheiro, o que se paga em duas cervejas comuns em Santa Elena é o valor de um almoço inteiro com bebida numa comunidade indígena na Gran Sabana.
      Sobre o câmbio, esse foi um bom valor para a conversão na rua, mas para moradores com contas em bancos venezuelanos há a possibilidade de conversão por transferência bancária, em que é possível trocar a 1:800k. A maioria das lojas e restaurantes em Santa Elena aceita pagamento em reais, e geralmente o faz a taxas bem acima de 1:175k, então o recomendável é deixar os bolívares para as comunidades indígenas na Gran Sabana e pagar o que for possível em reais. Mesmo nelas há frequentemente a possibilidade de pagar em reais, e parece até preferível por parte dos moradores, então talvez nem seja necessário trocar o dinheiro, mas é bom ter um pouco de bolívares só pra garantir.
      Minha impressão foi de que o bolívar está tanto quanto fora de controle, a inflação fez com que ficasse bastante instável a ponto de até mesmo dentro do parque nacional o guarda-parque me informar que só poderia comprar um mapa do Tepuy Roraima pagando em reais.
      Não deixa de ser uma experiência divertida, porém, ter nas mãos aquelas pilhas enormes de notas para travar uma guerra com os amigos ou fazer chover dinheiro. Não é sempre que a gente pode se sentir tão ryco, afinal, rs.
      Depois do almoço e de uma volta pra conhecer um pouco de Santa Elena, voltamos à pousada pra deixar tudo arrumado pra partida no dia seguinte. Repousamos até a noite quando saímos novamente com Jesus, seu irmão Randy e o sr. Leotério, que também iriam conosco no trekking, para um jantar no Papa Oso Pub, uma pizzaria bacaníssima a uns 5 minutos de lá.
      Dica vegana: Em Santa Elena também não encontrei opções veganas nos cardápios, mas foi tranquilo de adaptar, pedi uma pizza sem o queijo e ela veio muito melhor do que qualquer uma que já comi no Brasil desse jeito. A culinária venezuelana é muito rica em variedades vegetais e as usa de forma bem inventiva, então lá é um ótimo lugar pra ser vegano, eu diria. Eu pelo menos consegui comer muito bem.
      Comemos pizzas artesanais absolutamente deliciosas e tomamos uma cerveja local popular, Zulia, mais suave do que as brasileiras e bem saborosa, gostei bastante. Aparentemente os venezuelanos gostam muito da nossa Itaipava, que é pra eles como uma Stella ou algo do tipo é pra nós, fato interessante.

      A conta ficou bem alta em bolívares, mas em reais a coisa mudou de figura, foi um preço baixíssimo considerando o naipe da refeição. 138 reais numa refeição espetacular para 8 pessoas.
      Voltamos pra pousada, deixamos na recepção algumas bolsas com coisas que não usaríamos no trekking e fomos dormir cedo pra partir ao amanhecer para o trekking.
       
      Custos no dia 2
      R$ 10 de transporte de uma rodoviária a outra em Boa Vista, divisível por 4 pessoas;
      R$ 50 de transporte de Boa Vista a Santa Elena de Uairén;
      R$ 40 de reserva de diária na hospedagem em Santa Elena para o dia do retorno, valor aproximado, varia de acordo com o quarto;
      R$ 15 de almoço;
      R$ Variável de câmbio de reais a bolívares;
      R$ 20 reais de jantar;
       
      Dia 3 – De Santa Elena ao Paratepuy ao Acampamento do Rio Têk
                      Sair com o nascer do sol não foi bem o que aconteceu, porém. Explico: Abastecer o carro em Santa Elena é uma tarefa demorada. Demorada tipo umas 12 horas numa fila gigante em que as pessoas deixam seus carros à noite e vão pra casa dormir pra abastecerem de manhã quando o posto abre. É uma coisa realmente impressionante, e bem inconveniente quando você tem hora pra sair.
                      Íamos partir com a luz do sol, acabamos saindo umas quatro horas depois, que foi quando nosso motorista conseguiu encher o tanque. Os veículos que fazem esse serviço são, como já nos havia sido dito, rústicos. Um 4x4 antigo com uma gambiarra aqui e outra alí, várias  marcas de uso e idade, e música animada tocando a todo volume, várias vezes versões modificadas de músicas populares do funk ou sertanejo brasileiros. É uma experiência veicular divertidíssima.
                      Um dos nossos teve uma situação de saúde que, apesar de não ser grave, seria impeditiva para fazer o trekking. Depois de muita deliberação, conjectura, replanejamento e insistência, Jesus chamou um táxi para deixá-lo seguramente na fronteira, donde voltou a Boa Vista, e nós quatro restantes partimos para o parque, com pesar pelo companheiro.
                      Enfim, embarcamos tardiamente com Jesus, Randy, Leotério e os pais de Jesus, que foram junto porque a mãe, de origem indígena, daria um voto de confiança para nosso grupo frente aos que regulam a subida ao Paratepuy e entrada na trilha do Monte Roraima. Só um método de agilizar o processo. Os pais de Jesus também foram extremamente simpáticos conosco, foi uma reunião familiar bem agradável de participar, rs.
                      No processo de obter as autorizações necessárias, já deixamos reservado e pago nosso almoço na comunidade indígena do Kumarakapuy, por onde passaríamos antes de ir ao passeio da Gran Sabana alguns dias depois. 2 milhões de bolívares com bebida inclusa, pouco mais de 10 reais.
                      27 km de estrada de terra acidentada depois, estávamos no Paratepuy. Lá foi o momento de assinar a ficha de entrada no parque e ter nossas bagagens revistadas brevemente por itens ilegais. Coisa rápida, só foram bastante enfáticos quanto à proibição de entrada de drones. O mesmo senhor que coleta as assinaturas e faz a vistoria vende mapas do Monte Roraima ao valor de 25 reais cada, é um preço um pouco salgado, mas é um item bem feito e informativo, pra mim valeu a pena como recordação.
                      Por volta de 14h, horário limite de entrada na trilha, começamos o trekking, esse primeiro dia é tranquilo, um pouco de subidas e descidas, mas o perfil altitudinal do percurso é praticamente plano ao longo de seus 14 km. O que dificultou foi a má fortuna de sermos pegos numa chuva relativamente forte, e de ter chovido bastante no dia anterior também. Sacamos roupas impermeáveis e capas, até aí tudo bem, o problema de verdade foram os rios, que sobem bastante com as chuvas. Mais de uma vez tivemos que parar para esperar a água baixar no que seriam travessias triviais sobre pontes ou pedras. O resultado foi que já nesse dia tivemos que meter o pé na água. Adeus a pés secos pelo resto do trekking.

                      Fora isso, esse primeiro dia é muito tranquilo, chegamos a nosso destino em torno de 17h30. O acampamento do Rio Têk conta com casas de pau a pique que os indígenas usam como espaços de comércio para os trilheiros durante a alta temporada. Não é o caso em Julho, mas podemos usar a cobertura para deixar as coisas, cozinhar e comer, garantindo um pouco de conforto. Para montar a barraca, há espaços de grama alta que podem servir como um colchão relativamente macio. Alguns cachorros ficam por lá de olho na comida que  podem conseguir dos trilheiros, dê uns pedaços pra eles, rs.
                      No acampamento do Rio Têk é muito importante tomar cuidado com a fauna, há alguns formigueiros no local e, na época de chuvas, é comum avistar cascavéis. Uma delas inclusive deu uma volta por perto de nossa barraca durante a noite. Eu estava dormindo profundamente, mas meu colega ouviu movimento na grama e no dia seguinte uma testemunha ocular confirmou, hahaha, então aplicam-se os cuidados de verificar suas coisas fora da barraca antes de mexer nelas, e evitar de andar sem botas.
      É lá que você vai ter seu primeiro encontro com os puri-puri também, mosquitos minúsculos e extremamente irritantes que vem em horda e mordem em qualquer lugar desprotegido, deixando marcas cabulosas. Ainda ostento algumas nos braços duas semanas depois do trekking, rs.
      Provavelmente o seu não será o único grupo acampando lá, então se estiver se sentindo sociável, deve ter uma galera diferente pra conversar. Nesse primeiro dia compartilhamos a mesa com um casal de brasileiros. Ele, fotógrafo, não colocou suas câmeras em sacos estanque e uma delas acabou totalmente encharcada na chuva, um prejuízo de dar dó, então é bom ter muito cuidado com o que não pode molhar. No dia seguinte cedi alguns sacos plásticos pra eles protegerem um pouquinho melhor as coisas. Uma dica que eu dou é a de levar um rolinho de sacos de lixo com a litragem que você achar mais adequada, eu levei de 15L. É sempre bom ter esse recurso em abundância, alguém sempre acaba precisando.
       
      Custos no dia 3
      R$ 15 de reserva de almoço com bebida inclusa no Kumarakapuy, pago em bolívares, valor aproximado;
      R$ 25 de mapa do Monte Roraima, opcional.
       
      Dia 4 – Do Rio Têk ao Acampamento Base
                      Despertamos com o sol no segundo dia de trekking e tomamos um café da manhã reforçado, a trilha hoje seria um pouco mais dura pelo ganho de altitude. Jesus compartilhou um pouco da culinária local conosco: pão com uma pimenta tradicional indígena; domplins, que são como pasteizinhos; e apenas uma beiçada para cada de um fermentado indígena de batata doce, bebida com sabor bem peculiar mas que não pudemos tomar muito pois ela tem histórico de mexer com o intestino de quem não está acostumado, rs.
                      Acordamos cedo, mas tardamos a sair, aguardando o nível do rio Têk baixar. Não era ele o problema maior, explicou Jesus, mas logo depois teríamos que cruzar também o Kukenán, mais largo e bravo. O Têk serviu como uma espécie de diagnóstico para quando o Kukenán fosse estar transponível, desse modo. Enquanto esperávamos, tivemos vista limpa do Roraima e do tepuy vizinho, chamado Kukenán também, igual ao rio. A vista para ele é melhor do que para o Roraima, provavelmente a maioria das fotos que você já viu do Acampamento do Rio Têk com uma montanha no fundo eram dele. E é lindíssimo.
                      Saímos às 9h e atravessamos o Têk para iniciar a caminhada de 9 km até o acampamento base. Poderíamos ter tirado as botas para atravessar, mas como já estavam molhadas mesmo, não ia fazer muita diferença. Entre o Têk e o Kukenán, há uma colina com uma pequena igreja construída com pedras do rio, e perto dali há rochas com inscrições antigas em relevo, litóglifos, representando animais e pessoas. Duas vistas muito interessantes para os curiosos com o aspecto humano em torno desse território.
                      Atravessar o Kukenán realmente foi um pouco mais pedreira, a travessia é feita onde um afluente se junta a ele, o que resulta numa distância relativamente longa a ser percorrida de uma margem a outra. O bastão de caminhada é item essencial aqui, se você não tiver um seu, provavelmente usará um emprestado do guia.

                      Do outro lado, paramos por uns 20 minutos para entrar na água num ponto em que ela é mais lenta, ótimo lugar para banho. Afastando-se um pouco da margem já se chega ao acampamento Kukenán, também com estruturas de pau a pique. Pareceu tão confortável quanto o acampamento do Rio Têk.
                      A partir daí é só subida, subida e mais subida. É cansativo com a cargueira, sobretudo se o sol forte da savana abrir por entre as nuvens, mas dá pra ir tranquilo. Paramos no meio do caminho, no Acampamento Militar – este apenas uma área aberta no meio da vegetação – para um lanche. Tivemos aqui nosso segundo (e felizmente último) encontro com uma cascavel, que estava camuflada entre as rochas bem perto de onde nos sentamos. Cuidado. Vimos também diversos lagartos, grilos enormes, e os malditos dos puri-puri, rs.
                      Mais uma pernada de subida em subida e chegamos ao Acampamento Base no meio da tarde, uma ampla área para montar barracas, com água bem perto. Nele não há as estruturas que há no Têk e Kukenán, mas os guias costumam estender lonas presas a árvores para permitir que se cozinhe e coma a abrigo da chuva.
                      Há muitos pássaros diferentes e bonitos nessa área, e encontramos uma amoreira com alguns frutos silvestres dando sopa. Ainda não estavam maduros, mas nada que prejudicasse a experiência de poder comer alguma coisa fresca por entre nosso cardápio de industrializados, rs. Quando caiu a noite, tivemos ainda a boa fortuna de ter céu limpo. Tão longe da cidade, é claro que estava completamente estrelado e magnífico, a ponto de avistarmos diversas estrelas cadentes passando. O Acampamento Base é um lugar belíssimo, em suma, e estar tão perto da parede do Roraima, com toda aquela expectativa para o dia seguinte, só fez aumentar a apreciação. Foi uma ótima noite.
       
      Dia 5 – Do Acampamento Base ao Hotel Índio e circuito no topo
                      Esse seria um grande dia. Acordamos bem cedo para nos preparar, Leotério mais cedo ainda, já que subiu antes para garantir nosso lugar de acampamento lá em cima. Jesus optou pelo Hotel Índio, mais próximo do acesso ao topo, mas bem pequeno, então seria preciso essa segurança, já que outros grupos iriam subir no mesmo dia.
                      Conforme nos foi dito, os guias e porteadores tem uma organização tácita entre si para levar coisas de volta desde o Acampamento Base até o Paratepuy, e por isso poderíamos, sem precisar desembolsar nada, deixar pra trás algumas coisas que não iríamos utilizar no topo, e as pegaríamos de volta quando retornássemos à comunidade. Essa foi a hora de separar o essencial da tranqueira, a subida até o topo é íngreme e longa, quanto menos peso melhor.
                      Tendo removido tudo que não seria preciso, iniciamos o percurso, que adentra em mata mais fechada e vai se aproximando do paredão. Mesmo com a vegetação mais densa, é uma trilha bem aberta, sem dificuldades. Só exige uso de mãos em alguns poucos trechos de escalaminhada, mas nada complicado.

                      Logo se chega à parede do Roraima e aí se pega o único caminho conhecido para o topo que não exige escalada em Big Wall, a famosa La Rampa. Sem surpresa, é uma subida constante rumo ao topo, sem muito a se dizer aqui.
                      O ponto digno de nota é logo antes da chegada ao topo, trata-se do Paso de Lagrimas, uma pirambeira em pedras soltas sob uma cascata semipermanente, é o trecho mais complicado do percurso, e onde é preciso ter mais atenção para evitar acidentes, sobretudo na época chuvosa, quando a queda de água está mais forte.  Ênfase em forte, proteger bem seus equipamentos contra a água é muito importante, pois apesar de ser um trecho curto, molha bastante, e não dá pra se dar ao luxo de atravessar com pressa.

                      Passado o crux do caminho, chega-se em pouco tempo ao topo do Monte Roraima, um momento bastante emocionante. O topo mostra desde cedo suas características únicas e justifica seu apelido frequente de “O Mundo Perdido”, as formações geológicas são impressionantes e a vida expõe toda sua gana de se manter num ambiente tão estéril. A água, a rocha e o vento desenham formatos que não existem em qualquer outro lugar do mundo, e é espetacular não por se parecer com algo fora da Terra, mas justamente pelo quão terreno é, pelo tanto que diz de inacreditável sobre os processos que o planeta e a vida enfrentam há milhões de anos. Imagino que para geógrafos, geólogos, biólogos e afins, aqueles que saibam realmente ler essas marcas, a experiência seja ainda mais fantástica, mas o leigo não perde nada no quão marcante ela é.
                      Enfim, andamos mais alguns minutos do acesso ao topo até o Hotel Índio, montamos nosso acampamento sob a proteção da cobertura rochosa e partimos ávidos para conhecer mais do Tepuy.

                      Partimos sob chuva e vento fortes, mas aliviados por estarmos caminhando leves. Nesse dia faríamos um circuito nas proximidades, começamos pelo Vale dos Cristais do lado venezuelano, um local onde cristais de quartzo cobrem o chão. Quartzos podem não ser lá tão impressionantes por si só, mas a mera quantidade deles torna a vista lindíssima.
      Seguimos para ver algumas das Ventanas, áreas próximas ao abismo de onde se pode ver o Kukenán e outras faces do Roraima. As nuvens densas do topo não ajudaram muito, mas por entre as curtas aberturas no branco tivemos visões maravilhosas, a mais marcante para mim sendo quatro cachoeiras lado a lado num ponto longínquo do Roraima.

      Vimos também o Salto Catedral, uma grande cachoeira lá no alto do Roraima, na qual é possível banhar-se dado um clima favorável. Ainda assim, não seria um local tão bom quanto as famosas jacuzzis, pequenas piscinas naturais de água tão cristalina que mal se vê onde ela começa nas margens mais rasas, e com o fundo coberto de quartzos. Não há descrição que faça jus a elas.
       Depois disso seguimos para a parede sul do Tepuy, onde adentramos na Cueva de los Guácharos, uma caverna que corre por vários quilômetros até acabar num buraco no paredão. Claro que só entramos por algumas dezenas de metros, para ver as formações geológicas. Cavernas são sempre lugares interessantíssimos, quase alienígenas, e essa não foi diferente, é um ponto muito bacana pra se visitar. Pertinho, há um mirante, do qual não conseguimos ver nada, e outro hotel, esse bem maior, ocupado pela turma de uma agência de Boa Vista.
      Voltamos a nosso acampamento e jantamos muito confortavelmente num patamar superior do hotel Índio, que forma como se fosse uma mesa onde podemos colocar o fogareiro e as panelas, e uma suave curva na parede onde se pode sentar. É como se tivesse sido esculpido.
      Durante a noite fez bastante frio, tivemos que recorrer a toda gama de roupas para ficarmos aquecidos. Senti que meu isolante térmico – um basicão de EVA e alumínio já surrado pelos anos – não deu conta. Não que eu tenha ficado em risco de hipotermia nem nada, mas perdi muito em conforto nessa noite, um equipamento um pouco melhor (ou ao menos mais novo) talvez seja uma boa pedida.
      Também tivemos um visitante noturno inesperado. Durante a madrugada ouvimos algumas coisas caindo na “cozinha”. Meu pensamento foi que outra pessoa estivesse lá fazendo algum lanche noturno ou algo do tipo, mas descobrimos depois que foi um quati esguio que foi pra lá tentar abocanhar alguma coisa. Eu sei que tem um hotel chamado Quati lá em cima, mas fiquei surpreso de saber que eles realmente conseguiam viver lá em cima, quatis são impressionantes.
      Depois disso deixamos as coisas mais fora de alcance. Não posso afirmar com certeza, mas suspeito seriamente que tenha sido isso que aconteceu com um saco de chá instantâneo que eu perdi depois de uma refeição e não encontrei mais, rs, só espero que não tenha feito mal pro bicho.
       
      Dia 6 – Vale dos Cristais Brasileiro, Ponto Tríplice, El Foso e o cume
                      Esse seria o dia do circuito longo no topo, o prato principal do trekking por assim dizer. O dia amanheceu frio e chuvoso, características bem pouco promissoras para proporcionar belas vistas de paisagem, mas que dão ao Roraima seu ar misterioso. Calçamos as botas, jogamos as mochilas de ataque às costas e partimos.
                      No caminho, fomos atribuindo formas às rochas encobertas pela neblina enquanto andávamos no que parecia um plano sem fim e indistinto. Percebi como a navegação no Roraima pode ser complicada, sem visibilidade não há pontos de referência claros para orientar a caminhada, alguém andando sozinho e sem conhecimento do terreno poderia facilmente se perder.
                      Depois de margear um rio em um vale entre duas paredes altas de rocha. chegamos ao Vale dos Cristais do lado brasileiro, e se o outro já é impressionante, este é simplesmente fantástico. Os cristais de quartzo cobrem o chão como neve e afloram aglomerados em grandes rochas. Em algumas cortadas, é possível perceber os traços do longo processo de formação dos cristais. Nenhum de nós jamais havia visto algo parecido.
                      Bem perto de lá, num ponto elevado, encontra-se o famoso Ponto Triplo, que marca o encontro de Venezuela, Guiana e Brasil. Não há muito para se ver, mas a sensação de estar lá vale o percurso. É apenas uma pirâmide triangular em que cada face corresponde a um dos países. Nos lados de Brasil e Venezuela há placas identificando o país, datas etc. No lado de Guiana, a placa é arrancada pelos militares venezuelanos sempre que é instalada pelos guianenses, consequência do ainda vivo debate entre os dois países pelo território da Guayana Esequiba. Me pareceu um tanto cômico que os militares dos dois países fiquem nessa disputa por uma placa no alto da montanha, rs.
                      Enfim, o terceiro ponto de interesse desse circuito é não menos magnífico que o primeiro, no que se refere a obras naturais. El Foso, um belo cenote no meio da paisagem. Com tempo bom é possível banhar-se, mas pelo alto nível da água o caminho estava até mesmo intransponível, com as galerias que levam ao poço alagadas.

                      A próxima parada foi um quase-hotel sob o qual nos sentamos para uma refeição, já que a caminhada de volta seria longa e rumo ao Maverick, ponto culminante do tepuy, convenientemente bem próximo do Hotel Índio. Maverick porque teoricamente o formato de alguma rocha por lá se parece com o veículo de mesmo nome, nem reparei, e creio que a associação seja um tanto forçada, já que esse nome deriva do original imaweru (ou algo parecido com isso, a memória não ajuda a lembrar de nomes, rs), relacionado à lenda de Makunaima.
                      A aproximação foi por terreno um pouco mais pantanoso, tivemos de evitar a lama e as poças fundas, mas a subida em si não é comprida e não apresenta dificuldades técnicas. Rápido e fácil.
                      A sensação de chegar ao cume, porém, não é menos fantástica. Creio que não importa quantas montanhas você já tenha subido, nunca perde a magia, e o Roraima parece ter algo que aumenta ainda mais o sentimento. Beijei a rocha e coloquei uma nova pedrinha no totem que marca o ponto mais alto. A montanha não me deu uma vista da Gran Sabana, mas de si própria. Tive vista para os pontos longínquos do tepuy e para seu abismo, e nunca vou me esquecer da imagem.

                      Após desfrutarmos do cume, retornamos ao acampamento, o que tomou pouco tempo. Durante o jantar adiantado, ainda ao fim da tarde, o céu se abriu um tanto e deu vista perfeita para o Kukenán, bem de frente para nós. Refeições com uma vista maravilhosa, quando as nuvens colaboram, mais uma vantagem do Hotel Índio
      Esse foi o último dia no topo, na manhã seguinte sairíamos ao amanhecer. Durante a noite choveu e ouvimos trovões à distância, no Kukenán.
       
      Dia 7 - Do topo ao Rio Têk
      Saimos cedo, com alguma urgência, pois as nuvens de chuva ainda se acumulavam no paredão do Kukenán, na cabeceira do rio que leva seu nome e que teríamos que atravessar mais tarde.
      O Paso de Lagrimas foi de novo a parte mais difícil, descer mais ainda. A cascata caía forte e as pedras tornavam as passadas arriscadas, não à toa é nessa descida onde ocorre a maioria dos acidentes. Calma e cuidado.
      O resto da descida é tranquila, mesmo os trechos mais verticais do caminho até o acampamento base são surpreendentemente simples para descer, em pouco tempo estávamos lá embaixo, onde descansamos brevemente antes de seguir rumo aos rios.
      Como se diz, pra baixo todo santo ajuda, a descida é uma delícia, seguimos com bastante espaço entre nós, cada um a seu ritmo apreciando um momento de introspecção solitária na savana.
      Pelo caminho, já desde La Rampa, cruza-se com porteadores descendo pela mesma rota. Eles podem ser contratados para levar as bagagens de quem estiver moído pelos dias na montanha. Uma das nossas contratou um deles para levar sua cargueira nesse dia e no próximo, 35 reais por dia. É uma opção.
      O sol abriu forte por entre as nuvens depois de um tempo. Queimou-me o braço exposto em questão de minutos, a marca da fita do bastão de caminhada ainda está visível nas costas da minha mão. Não dispense o protetor solar, o sol equatorial é bruto.
      Chegamos com alguns minutos de intervalo entre cada um ao Rio Kukenán, e atravessamos apressadamente, Jesus estava claramente preocupado, o rio subia rápido e ficava cada vez mais forte. Cruzamos poucos minutos antes de ficar perigoso.
      O Têk já estava alto também, tivemos que margeá-lo até encontramos um ponto adequado para cruzar, mas o fizemos sem qualquer traço da preocupação que marcou a travessia do Kukenán.
      Estávamos em casa, de volta ao acampamento do Rio Têk, com seus cães amigáveis e os malditos puri-puri. Compartilhamos o vasto espaço com um pequeno grupo de agência que conhecemos brevemente no topo. Não falamos muito com eles.
      Desci sozinho ao Rio Têk num momento para lavar nas pedras uma camiseta que eu estava usando como pano. Me vi sozinho na imensidão da savana, com o Kukenán imponente entre as nuvens exercendo uma atração magnética sobre meus olhos, e a sinfonia do rio preenchendo meus ouvidos. Nada além disso. Lavar roupa num rio, um dos momentos mais pacíficos de toda minha vida, seguido pela sensação agridoce de saber o quanto eu sentiria falta desse lugar.
      Dormimos cedo, na manhã seguinte deveríamos estar caminhando já antes do sol nascer.
       
      Dia 8 - Fim do trekking e Gran Sabana
      Acordamos antes das 5 e tomamos um café da manhã generoso, agora fazia menos sentido racionar. Saimos em silêncio, no escuro, para não acordar o outro grupo.
      Sair tão cedo teve o objetivo de chegarmos logo ao Paratepuy para termos mais tempo nas cachoeiras da Gran Sabana. Ninguém reclamou.
      A caminhada foi acelerada, de meus companheiros, eu fui o único que não contratou um porteador para esse dia. Estava me sentindo muito bem e queria terminar o percurso com minhas próprias forças. O Roraima fez me sentir mais forte e disposto do que havia há muito tempo na rotina de São Paulo. Depois de andar com peso pelos últimos dias, a única coisa no meu corpo que não estava a 100% eram os pés que passaram tanto tempo em botas molhadas, mas o incômodo era só no começo da caminhada. E as picadas de puri-puri, não dá pra se acostumar com isso tão rápido.
      Ajudou, também, que todos os trechos de água que dificultaram muito nosso percurso no primeiro dia estavam agora muito mais baixos. A diferença era simplesmente espantosa, se não soubesse o quanto a água podia subir, não teria nem mesmo registrado esses trechos, de tão insignificantes que pareciam agora.
      Roraima e Kukenán nos deram uma esplendorosa despedida, pela primeira vez vimos os dois juntos livres de nuvens. Imaginei o quão espetacular estaria a vista do cume em que eu havia estado dois dias atrás. Mas aceitei de bom grado que a montanha não tenha me concedido essa visão, não fez falta nenhuma
      A chegada ao Paratepuy veio com gosto de sucesso, completamos o trekking, concluímos uma experiência que será para sempre grandiosa em nossas memórias.
      E ainda era cedo, logo teríamos um almoço de verdade e um dia pelas maravilhas fluviais da Gran Sabana.
      Eu demorei muito pra ficar impaciente, nas cerca de 4 horas de atraso de nosso transporte. O grupo que deixamos dormindo no acampamento do Rio Têk inclusive acabou descendo antes de nós, apesar do veículo deles também ter atrasado bastante. E quando fiquei impaciente, foi só isso, já falamos sobre as condições do abastecimento lá em Santa Elena, todo mundo foi compreensivo.
      Eventualmente o 4x4 chegou, trazendo um grande grupo de coreanos que aparentemente não tinham ideia de que estavam ingressando num trekking de vários dias com quantidades cavalares de lama e chuva. Trouxe também um grande isopor cheio de cerveja, para brindarmos o trekking concluído.
      A descida foi emocionante, pode-se dizer. Perrengues veiculares são algo por que já passei um milhão de vezes, então minha reação ao ouvir o carro inguiçando foi um “bem, acho que isso era inevitável” mental. Quando tivemos que parar pro motorista fazer alguma gambiarra pro carro voltar a andar eu fiquei calculando de quantas horas poderíamos precisar para estarmos de volta em Santa Elena se ele quebrasse ali no meio do nada no caminho do Paratepuy. Seriam muitas, na certa. Mas no fim do tudo certo, chegamos ao Kumarakapuy e o motorista foi embora levar o carro pra consertar, em breve viria uma substituição.
      Foi o tempo de darmos uma volta pelas poucas lojinhas abertas - já que era sábado e os moradores são de maioria adventista - e almoçar.

      Fiquei surpreso com o prato vegano que chegou: arroz, feijão vermelho, repolho, mandioca, banana da terra e abacate, todos maravilhosamente temperados. Eu pessoalmente não gosto de abacate e nem de comer bananas fora de seu estado mais natural possível, mas as duas coisas caíram muito bem com um pouquinho da pimenta tradicional dos indígenas. Tudo acompanhado por um belo suco natural de maracujá, o favorito dos venezuelanos, pelo jeito.
      Nas lojinhas comprei um modesto chaveiro representando o Roraima, um suporte de incenso para minha noiva e um pote da famosa pimenta. Eles tem uma versão dela com o acréscimo de cupins inteiros na receita, o que achei bastante curioso. Tudo muito barato mesmo em bolívares.
      Isso feito, embarcamos já um pouco tarde para o passeio pela Gran Sabana, concordamos em tirar uma das cachoeiras do roteiro para aproveitarmos bem as demais, e partimos na road trip mais divertida que já fiz. O carro voava pela estrada enquanto dentro soavam de novo as músicas animadas que no Brasil seriam de uma cafonice extrema.
      A primeira parada foi o Oasis, uma cachoeira que faz jus ao nome, praticamente ao lado da estrada. Queda pequena no meio de uma concavidade formada por um paredão, resultando num poço simplesmente magnífico e perfeito para nadar. A água estava ótima, o dia seguia quente apesar de ameaçar chuva nas próximas horas. Passamos um bom tempo curtindo o local, não há nada melhor do que uma bela piscina natural após uma montanha.

      Quando subimos de volta ao carro, começou a chover, mas nada que fosse interferir com os planos. Partimos para o próximo ponto enquanto ríamos de nosso colega no banco de carona quando ele, ao tentar fechar a janela, constatou que não havia vidro. O passeio definitivamente não seria tão divertido num carro novo e arrumadinho, de forma alguma. E a chuva não durou o bastante pra aquilo ser realmente um problema, afinal.
      Seguimos até uma ponte onde paramos para observar o rio Yuruani, um curso de água bastante largo e que corria forte. Ficamos tirando algumas fotos no meio da estrada com a turma toda, correndo de um lado para o outro para procurar os melhores ângulos.
      Dalí, o carro avançou pela margem direita do Yuruani, nosso próximo ponto de interesse era uma queda um pouco acima no rio, a Cortina do Yuruani. Desembarcamos numa área de picnic aparentemente abandonada há algum tempo, seguimos perto da margem parando nos pontos de visibilidade para a cascata, ficando mais próximos dela a cada um.
      A Cortina do Yuruani é uma queda não muito alta, mas muito bonita, que vai de uma margem a outra do rio e cai uniformemente. Pelo que disseram, com o rio baixo é possível caminhar por trás dela de uma margem a outra. Definitivamente não era o caso, o rio estava violento, impressionantemente bravio, uma queda ali seria morte certa, mas fiquei curioso de como seria na época de baixa, quando é comum as pessoas praticarem rafting e nadarem perto das margens.

      Já perto do fim da tarde, subimos no carro para voltar a Santa Elena, agora mais calados conforme a escuridão se assentava. Chegando à cidade, demos entrada na pousada e combinamos de nos encontrarmos em uma hora para jantar lá perto, tempo suficiente de tomar um banho e colocar roupas limpas. Pegamos de volta as bolsas que havíamos deixado na recepção, sem incidentes.
                      A uns cinco minutos da hospedagem, jantamos em uma pizzaria, esta bem mais modesta – e – do que o Papa Oso, mas que também não devia no sabor. Uma deliciosa massa pan. Eu, o vegano, pedi uma pizza individual, a que tinha mais vegetais no cardápio, sem o queijo. Pensei que a pequena seria menos adequada do que a média, afinal, os últimos dias me autorizavam a comer bastante. Acabou que a média tinha 8 pedaços, e dali pra cima entrávamos numa terra de gigantes. Acabei comendo 7 dos pedaços, estava delicioso.
                      Voltamos para a pousada, confirmei nossa partida na manhã seguinte com o taxista, que viria nos pegar às 8 horas. Nos encontraríamos antes com Jesus e Randy para um café da manhã típico e despedidas. Dormir numa cama foi uma mudança bem-vinda.
       
      Custos no dia 8
      R$ 15 de jantar em Santa Elena, pago em bolívares, valor aproximado.
       
      Dia 9 - De Santa Elena a Boa Vista, Lethem e Manaus
                      Depois de uma semana em campo, o relógio biológico já está regulado ao tempo da natureza, despertei pouco antes do amanhecer e não voltei a dormir. No meu típico hábito de estar com tudo pronto antes da hora, já deixei todas as minhas coisas preparadas, quando o táxi chegasse era só pegar tudo e partir.
                      Nos encontramos com Jesus e Randy em frente à pousada e fomos comer o que Jesus disse que seriam as coxinhas de padaria da Venezuela. Arepas e domplins com os mais variados recheios. Nenhum vegano, claro, então pedi um domplin simples, pra comer puro. Bem, o domplin que comemos no Roraima não era frito em óleo, obviamente, então fiquei um pouco surpreso de receber um enorme pastel redondo, do tamanho de uma pizza brotinho. Melhor. Café. Da. Manhã. De. Todos.
                      Era mesmo um pastel, só com a massa um pouco mais grossa. Nada saudável, que seja, mas muito bom. Acompanhou novamente um suco de maracujá.
                      Voltamos à pousada e nos despedimos calorosamente de nossos guias e agora amigos, já pensando em reencontros quando voltássemos à Venezuela ou eles fossem ao Brasil. Vendi os cartuchos de gás que não utilizamos para eles, a menos do que paguei na loja, só para recuperar um pouco do valor.
                      No horário, embarcamos no táxi de volta para Boa Vista. A saída da Venezuela foi muito mais rápida e tranquila do que imaginei que seria, apenas entregamos os permisos  e seguimos a longa viagem pro Brasil. O valor ficou em 75 reais por pessoa, agora que estávamos em quatro pessoas.
                      Passaríamos a tarde em Lethem, para ir pra lá é possível pegar um ônibus sentido Bonfim, no valor de cerca de 35 reais, que para na fronteira da Guiana, e de lá ir de táxi para o centro comercial da cidade. Para voltar é a mesma coisa. É possível também pegar um dos mesmos táxis que fazem o percurso a Santa Elena, em torno de 500 reais para o grupo. Questão de ver o mais rentável.
                      O caminho para a Guiana passa pelo Rio Branco, e na época de cheia a visão é bem impressionante, a estrada cortando campos alagados pontilhados por árvores e construções. Depois disso vai plano por entre plantações até chegar a seu destino.
                      A fronteira Brasil-Guiana é completamente diferente da Brasil-Venezuela, se nesta há um monte de gente pra todos os cantos e filas grandes, naquela há muito menos movimento, entra-se rápido no país e a primeira coisa que se nota é a mão inglesa do trânsito. A mudança súbita do lado da estrada por onde se deve trafegar causa certo estranhamento, rs.

                      A cidade de Lethem é minúscula, e evidencia a austeridade do país, as largas ruas sem asfalto acumulam lama, os prédios são baixos, pouco luxuosos, não há nada de particularmente vistoso por lá. O centro comercial é uma área com lojinhas de tranqueiras, é um bom lugar pra comprar presentes pra trazer de volta pro Brasil. Eu havia ouvido falar sobre um refrigerante de banana que só existe lá na Guiana, e fiquei de olho para ver se encontrava, é de uma marca chamada I-Cee. Acabei encontrando num pequeno restaurante, paguei 5 reais por garrafa de 710 ml, e valeu a pena, é bom.
                      Há algumas opções de almoço por lá, desde comida brasileira até umas opções mais locais, que não são muito diferentes da comida chinesa mais simples que encontramos por aqui, o que se explica pelo grande influxo de imigrantes orientais que a Guiana recebeu historicamente. Com 20 reais se paga um bom almoço com bebida.
                      Percebam que estou dando os valores em reais, lá não é preciso trocar dinheiro, as lojas aceitam reais. A língua da Guiana é o inglês, mas presumo que os lojistas estejam acostumados a se comunicarem com brasileiros de uma forma ou de outra, se for necessário. Não imagino que não-falantes do inglês tenham dificuldades para se virar por lá.
                      Enfim, não é um passeio espetacular, mas é uma experiência definitivamente muito interessante, até porque não é muita gente que pode dizer que visitou a Guiana, não é mesmo?
                      De volta para Boa Vista, fizemos hora na rodoviária - já que não há nada de interessante pra se ver por perto dela - até a partida do nosso ônibus. Dessa vez ele saiu cheio, todas as poltronas ocupadas, muitas delas por passageiros venezuelanos. Fui sentado ao lado de uma moça bem falante que me deu várias dicas sobre Manaus. Num momento o ônibus parou e adentraram dois militares ordenando que todos mostrassem os documentos. Os estrangeiros foram tirados do ônibus para uma verificação ou algo do tipo. Fiquei um pouco espantado, mas aparentemente, é de rotina. Só mais um sintoma da situação fronteiriça.
                      O ônibus logo partiu, adentrando a escuridão por entre as árvores. E eu dormi até o amanhecer.
       
      Custos no dia 9
      R$ 75 de táxi de volta a Boa Vista;
      R$ 100 de transporte para ir e voltar de Lethem, valor aproximado;
      R$ 20 de refeição em Lethem;
      R$ 15 de refeição simples e petiscos para o ônibus na rodoviária em Boa Vista.
       
      Dia 10 – Manaus, praia da Lua e Mercado Municipal
                      Acordei novamente com os primeiros raios de sol, quase chegando a Manaus. Nosso camarada que não fez o trekking já estava lá, em um hostel perto do centro histórico da cidade. Da rodoviária pedimos um Uber para lá. O Hostel Manaus, onde ficamos, é uma hospedagem a preço bastante razoável, limpa e com excelente atendimento, fica a recomendação. Dividi um quarto privativo com um colega ao valor de 45 reais a diária para cada um, há diárias mais baratas nos quartos coletivos. O hostel pede um caução de 20 reais, que pode ser usado em consumo de cervejas e refrigerantes vendidos por lá, ou recuperado no check-out.
                      Depois do check-in deixamos as coisas nos quartos e partimos logo para conhecer a cidade. Nesse dia, quente e abafado, optamos por visitar uma das praias do Rio Negro, e o atendimento do hostel foi muito solícito em nos dar informações e sugestões. Optamos pela Praia da Lua, para chegar lá pegamos um Uber para a Marina do Davi e, de lá, um barco até a praia.
                      O lugar é fantástico, uma faixa de solo corta o Rio Negro entre a floresta inundada. A água é boa e ver sua própria pele parecer vermelha sob a água escura do rio é bem interessante. Lá há quiosques para comer e beber, bem como aluguel de pranchas de Stand Up Paddle. A água calma e as copas das árvores despontando formam um lugar excelente para marinheiros de primeira viagem, como eu, terem uma experiência bastante divertida, rs

                      Passamos um bom tempo lá, quando cansamos apenas voltamos ao pequeno píer para esperar o próximo barco voltando para a Marina. Embarcamos e chegando lá já pedimos um Uber para mais um rolê, agora no Mercado Municipal. O lugar é enorme e tem muitas opções de presentes e lembranças para levar pra casa, acabei trazendo uma garrafa de cachaça de jambu, uma fruta do Norte que provoca efeito anestésico na boca, não é pra todos os gostos mas é muito interessante e gerou muitas reações engraçadas com o pessoal aqui, hahaha. Experimentei algumas marcas e a que mais gostei foi a Meu Garoto, que foi a que comprei.
                      Meus colegas foram comer um almoço tardio no Mercado, pratos tradicionais de peixe. Eu como não encontrei nada de vegano, comprei um açaí. Eu sabia que era diferente do que conhecemos aqui em São Paulo, e honestamente achei o nosso muito melhor. Questão de hábito, talvez. Não que tenha achado ruim, mas realmente é um pouco amargo. Enfim, se não me agradou no sabor, na sustância não deixou a desejar.

                      Feito isso, fomos dar uma volta na avenida em frente ao Mercado para analisar as opções para nosso passeio do dia seguinte. Havíamos pegado contato com a companhia que nos levou e trouxe da Praia da Lua e negociamos um barco privativo no valor de 600 reais para fazer o passeio turístico tradicional pelos Rios Negro e Solimões. O melhor valor que conseguimos nos operadores de rua, para ir num barco lotado com mais 30 pessoas, foi de 100 reais por cabeça. Pagando 120 cada um, preferimos ter o conforto do barco privativo, até pra podermos ver tudo rapidamente e termos tempo de emendar algum outro passeio depois desse. A quem possa interessar, seguem os contatos do barqueiro, chamado Grande: (92)99981-8463/99157-8495/99227-3999 (WhatsApp).
                      A pé, fomos para um Carrefour nas redondezas comprar comida pra fazermos no hostel e seguimos para ele na sequência. Não saímos à noite nesse dia, aproveitamos para organizar nossas coisas, descansar e jogar umas cartas entre nós. O Hostel Manaus é populado principalmente por mochileiros estrangeiros, pelo que pude perceber, então as interações por lá foram consideravelmente internacionais, o que é sempre muito interessante. É fantástico ter três línguas diferentes sendo faladas ao seu redor num mesmo lugar.
                      Fomos dormir não muito tarde, o passei no dia seguinte seria nas primeiras horas da manhã.
       
      Custos no dia 10
      R$ 20 de Uber ao hostel, divisível por 4;
      R$ 90 de duas diárias de hospedagem em quarto privativo pra duas pessoas;
      R$ 20 de caução no hostel, podendo ser recuperado no check-out ou usado em consumo;
      R$ 15 de Uber à Marina do Davi, divisível por 4;
      R$ 10 de barco para a Praia da Lua, já contando ida e volta;
      R$ 15 de Uber ao Mercado Municipal, divisível por 4;
      R$ 8 de açaí no Mercado Municipal;
      R$ 30 de comidas e bebidas no supermercado, para dois dias.
       
      Dia 11 – Rios Negro e Solimões, INPA e bar
                      O café da manhã incluso na diária do hostel era simples, mas suficiente e saboroso, o suco natural de cupuaçu ou graviola na certa era a melhor parte. Comemos bem e partimos para a Marina do Davi novamente. Encontramos nosso barqueiro, Grande, e embarcamos na Apuaú III, uma lancha grande e confortável que tínhamos só para nós.
                      Navegamos pelas águas escuras do Rio Negro até chegar ao primeiro ponto de interesse do passeio, uma aldeia indígena bem pequena, claramente apenas um espaço de recepção de turistas. Lá há artesanato para comprar, algumas coisas interessantes para fotografar e, pra quem é dessas, a opção de degustar as saúvas defumadas consumidas pelos indígenas. Para quem quiser pagar, há a opção de assistir a uma apresentação e realizar pintura de pele, mas como não era de nosso interesse, logo seguimos viagem.

                      A próxima parada foi num braço do rio, e é ponto polêmico considerando meus colegas veganos: É o rolê de nadar com os botos. Acessa-se o local por uma plataforma flutuante onde os operadores solicitam que se remova todo o protetor solar da pele e dão instruções para os visitantes sobre como interagir com os animais sem incomodá-los. Os bichos vêm soltos do rio, atraídos pelos peixes que um funcionário dá no bico deles. Esse tipo de interação meio domesticada com animais selvagens é sempre questionável, sobretudo considerando que depois do nosso barco chegaram dois daqueles que carregam 30 pessoas cada. Enfim, questão de consciência, esse passeio é cobrado separado de qualquer forma, 10 reais por pessoa.
                      Daí, seguimos por um igarapé do Rio Solimões, um curso de água por entre as árvores que, nessa época do ano, estavam inundadas. A passagem é simplesmente magnífica, a vista da flora e da fauna é linda, tiramos muitas fotos belíssimas no caminho até o restaurante flutuante de onde sai o caminho elevado para se ver as vitórias-régias.

                     
                     Eu quando criança, depois de uma aula na escola sobre essas plantas, sonhava com viajar à Amazônia para conhecê-las enquanto ainda era leve o bastante para que suportassem meu peso. Eu não teria podido subir nelas, de qualquer modo, então o atraso de alguns anos não mudou nada para a realização do sonho, eu acho. A vista das vitórias-régias é linda, mas por entre tantas coisas maravilhosas acaba não se destacando tanto assim, acho que dentre meus colegas eu fui o que mais se deslumbrou, considerando meu velho desejo infantil.

                      Fora as plantas, há a exuberante fauna amazônica para pontilhar a paisagem: macacos, sapos, aves, insetos etc.
                      O restaurante flutuante é um ponto de parada para almoço nos passeios tradicionais. Também há artesanatos indígenas para serem adquiridos, a preços mais altos do que na aldeia. Como Já havíamos decidido não parar para almoçar ali, seguimos logo para o próximo ponto de interesse.
                      No caminho pelo rio, passamos pelas ferragens de várias grandes embarcações abandonadas e vimos botos despontarem hora ou outra na superfície, passamos por baixo da grandiosa Ponte Jornalista Phelippe Daou e enfim chegamos ao gran finale, o Encontro das Águas, o local onde os rios Negro e Solimões se encontram para formar o Amazonas. As águas de diferente densidade, velocidade e temperatura não se misturam, empurram uma à outra como se competindo pelo espaço. A vista é um espetáculo, e botando a mão na água pode-se perceber a diferença da temperatura. Alguns dizem que não vale a pena ir até tão longe no rio para ver esse fenômeno, mas discordo.

                      Esse foi o último ponto do tour, na volta contornamos a cidade e vimos o grande porto, a Zona Franca, os vários postos de gasolina para barcos (o que é curioso para nós que não vivemos às margens de um rio como esse, rs). Grande nos deixou no píer em frente ao Mercado Municipal, onde comemos uma coisinha rápida (eu fui de açaí de novo) e logo pedimos um Uber para nos levar ao Bosque da Ciência do INPA (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia), uma pequena área de preservação com animais silvestres soltos e recintos de animais resgatados sendo cuidados pelo instituto, além de um museu com exibições biológicas e históricas.
                      O bosque é um local bem agradável, e é fácil avistar diversos animais por entre as árvores. Vimos macacos, preguiças e uma paca jovem. Junto com os animais em cativeiro: peixes-boi, jacarés,  tartarugas e uma ariranha, o instituto oferece uma amostra bem diversificada da fauna amazônica.

                      E bem, se Manaus é difícil para veganos, pelo menos tem tapioca pra todo canto, e mesmo a simples – lembrando de pedir sem a manteiga - já é uma refeição relativamente saborosa e de sustância. O melhor de tudo é que é extremamente barata, normalmente 2 reais. Aproveitei e comi uma numa lanchonete lá dentro pra complementar, e ela e o açaí de antes já foram o bastante até chegarmos de volta ao hostel.
                      Voltamos já eram umas 17h e fomos arrumar as coisas para partirmos sem problemas no dia seguinte. Com tudo pronto, começamos a falar sobre sair à noite para ir a um bar, decidi jantar antes para não ter problema de não encontrar comida pra mim. Pouco depois partimos de Uber para a praça do Teatro Amazonas, que não fica longe, mas todo mundo nos alertou pra não andarmos por aí de noite. O seguro morreu de velho e a tarifa mínima do Uber não ia quebrar a banca de ninguém. Nosso destino foi a Casa do Pensador, um bar legal com preços bons e um cardápio diversificado. Entornamos algumas cervejas, mandamos umas porções de batata pra dentro e experimentamos uma caipifruta de Graviola que, apesar de um pouco fraca no álcool, estava deliciosa. Enquanto estávamos lá, um grupo de mochileiros profissionais artistas de rua parou lá perto pra fazer uma apresentação de música e acroyoga, foi bem interessante. Voltamos pro hostel quando o bar começou a fechar.
                      Eu já estava um pouco tonto pela bebida, então quando deitei não demorei a adormecer.
       
      Custos no dia 11
      R$ 15 de Uber à Marina do Davi, divisível por 4;
      R$ 120 de passeio Rios Negro e Solimões;
      R$ 8 de açaí no Mercado Municipal;
      R$ 15 de Uber ao INPA, divisível por 4;
      R$ 5 de ingresso no Bosque da Ciência do INPA;
      R$ 2 de tapioca no Bosque da Ciência do INPA;
      R$ 15 de Uber ao hostel, divisível por 4;
      R$ 10 de Uber à praça do Teatro, divisível por 4;
      R$ 20 de comes e bebes no bar;
      R$ 10 de Uber ao hostel, divisível por 4.
       
      Dia 12 – Teatro Amazonas e retorno pra São Paulo
                      Dormi como uma pedra e fiquei surpreso quando, no café da manhã, estava todo mundo admirado com a chuva cabulosa que caiu durante a noite e sobre a qual fiquei sabendo apenas naquele momento. Os benefícios de um sono suavemente etílico, hehehe.
                      Acordei cedo querendo aproveitar a manhã para fazer o tour do Teatro Amazonas e ir ao Palacete Provincial, que abriga cinco museus. Ninguém mais quis ir comigo e, desdenhoso da falta de espírito de exploração de meus colegas, parti sozinho pelas ruas manawaras sob o sol que já desde cedo escaldava a pele.
                      Cheguei no Teatro antes dele abrir e entrei com a primeira turma, o tour custa 20 reais a inteira e passa pelo interior do prédio com uma guia explicando detalhes da História, Arte, Arquitetura e curiosidades do local. É um passeio bastante interessante, apesar do tamanho do prédio não impressionar o paulistano frequentador do nosso enorme Theatro Municipal. Mais do que compensando por isso, o Teatro Amazonas é magnífico e os detalhes de sua construção e decoração são tantos e de tal esmero que impressionam qualquer um.

                      Como um apreciador da ópera, devo dizer que acrescentei na minha lista de coisas a fazer antes de morrer uma visita ao Teatro quando estiver ocorrendo seu famoso Festival Amazonas de Ópera, evento anual com diversos artistas internacionais e apresentações que me pareceram fantásticas.
                      O tour, infelizmente, demorou bem mais do que eu esperava, o que me deixou sem tempo hábil para a visita ao Palacete, então retornei ao hostel para encontrar meus camaradas. Antes de fazer o check-out, fomos fazer uma refeição numa lanchonetezinha simples mas gostosa lá perto, a Skina dos Sucos, onde comi uma tapioca com recheio de uma raiz da região, o tucumã, que se parece um pouco com cenoura, e tomei um suco de uma fruta cítrica também local, o taperebá. Tudo muito bom.
                      Voltamos para o hostel, fizemos o check-out e usamos a grana do caução para tomar uma saideira da geladeira de lá. Seguimos para o aeroporto e logo embarcamos no voo de volta pra São Paulo. O último presente que Manaus me deu foi a vista aérea do Encontro das Águas, magnífica.

                      Chegamos em casa no começo da noite, findando assim essa viagem fantástica e exótica que agora compartilho com vocês.
       
      Custos no dia 12
      R$ 20 de tour do Teatro Municipal (ou 10 a meia);
      R$ 15 de suco e tapioca na lanchonete;
      R$ 20 de Uber ao aeroporto, divisível por 4.
       
                      Acaba aqui o relato, agradeço a você que chegou até aqui e fico alegremente disponível para auxiliar na medida do possível com qualquer dúvida que os leitores possam ter. Não hesitem em mandar mensagens, rs, e boa viagem!
    • Por LeticiaC
      Já faz um tempinho que voltei dessa viagem, mas só agora me concentrei pra fazer um relato. Acho que tem umas dicas interessantes. Fiz essa viagem com meu namorado e alugamos um carro por todo o período da viagem, entre 01 de abril e 30 de abril.
      Obs: Fazemos as trilhas sempre nos guiando pelo aplicativo Wikiloc. Não nos hospedamos em nenhum lugar que tivesse café da manhã incluso (me pareceu que não é comum lá). Como ficamos de carro durante toda a viagem não tenho informações de uber ou de transporte público. Tomamos vinho em praticamente todos os dias, comprávamos sempre no mercado e eram realmente baratos e gostosos.
      Dia 31 de abril – Saímos do aeroporto de Guarulhos em vôo da TAAG às 18h25, com escala em Luanda. Chegamos a Johanesburgo no dia seguinte às 13h50
      Dia 01 de abril – Domingo de Páscoa. Chegamos em Johanesburgo às 13h50 e assim que chegamos no aeroporto fomos trocar os dólares e comprar um chip de celular. As casas de cambio lá na África do Sul cobram uma taxa que não lembro mais o nome e eu me senti roubada. Em todas as casas de câmbio em que fui tinha essa mesma taxa, eu já sabia disso quando saí do Brasil, mas ainda assim ficou o sentimento do roubo. Acredito que o aeroporto não seja o melhor lugar para trocar dinheiro lá, mas nós chegamos num domingo no meio de um feriado prolongado (a segunda-feira depois da Páscoa é feriado na África do Sul, dia da família), por isso preferimos trocar lá.
       Em seguida fomos atrás de um chip pra usar internet e compramos numa loja no térreo do aeroporto perto da onde ficam as casas de câmbio. Tem duas lojas uma ao lado da outra, uma vermelha e outra amarela, na amarela achei que o preço estava mais interessante. Depois disso fomos pegar o carro que alugamos, o lugar fica dentro do aeroporto mesmo e o processo de pega-lo foi rápido. Já saímos de lá dirigindo o carro, um Clio. Alugamos através da RentalCars.
      Havíamos reservado hospedagem para duas noites em Johanesburgo pelo Expedia, num hostel no centro da cidade. Quando chegamos lá descobrimos que não era exatamente um hostel, era mais uma kitnet num prédio de moradores, bem estranho na verdade, Brownstone Backpackers. Havia um mercado perto, o Shoprite, e fizemos as compras para os próximos dias. A nossa intenção era acampar o máximo possível e cozinhar nossa própria comida e a África do Sul é um ótimo país para isso.
      Dia 02 de abril – Acordamos cedo e fomos atrás do funcionário para falar sobre o café da manhã e no final não tinha café, apesar de estar escrito no Expedia que havia a refeição estava inclusa. Pra evitar desgaste fomos lá ao mercado e compramos as coisas para fazer nosso café da manhã. Enfim. A programação era ir ao museu do Apartheid e achei muito legal começar a viagem por lá. Achei importante para começar a entender o país. Passamos muito tempo no museu o que nos impediu de ir a uma casa de escalada que tem na cidade e que gostaríamos de ir. Mas por conta de ser feriado ela não funcionava a noite. O lugar se chama City Rock, interessante para quem gosta do esporte. Depois do museu fomos a um shopping, Nelson Mandela Square, para comprar coisas para camping que estavam faltando. E aproveitamos para tirar foto na estátua do Mandela que tem lá.
      Dia 03 de abril – Saímos de Johanesburgo às 5h da manhã com destino ao Kruger National Park. É uma viagem longa, 420 km, e nosso destino era o camping Skukuza. Fizemos a dos campings com quase dois meses de antecedência, mas o fato de estarmos indo num feriado fez com que tudo estivesse lotado com tamanha antecedência (era “semana do saco cheio” nas escolas e faculdades). Tomamos café da manhã na estrada mesmo, lá nas estradas há sempre uma estrutura mínima de parada para lanches, com mesas e cadeiras.

      Por volta das 10h chegamos ao portão do Kruger, mostramos nossas reservas, fizemos os trâmites necessários e já começamos nosso safári! Não entregam mapa na entrada, mas as estradas estão no Google Maps. Vimos muitos animais assim que começamos inclusive um leopardo. Às 14h chegamos ao Skukuza e como estávamos muito cansados resolvemos ficar por lá. Almoçamos no restaurante no local e depois ficamos de boa na piscina. Ficamos acampados com nossa própria barraca, ao lado dos motor homes, e eles adoram motor home lá! A estrutura é boa com cozinha, fogão, lavanderia e tal. Li que tinha geladeira, mas não achei.
      Dia 04 de abril – Acordamos bem cedo novamente e às 6h30 já estávamos saindo do camping Skukuza em direção ao camping Berg-en-dal. Nossa idéia era fazer o safári esse dia no caminho entre os dois campings, pegando caminhos bem longos. Vimos muitos animais esse dia: elefantes, hienas, girafas, hipopótamos, leões, cachorros do mato, zebras. Chegamos no camping Berg-en-dal às 18h, com o portão já fechando. Assim que chegamos no camping reservamos uma saída para safári no dia seguinte de manhã, às 5h. E compramos na loja do camping um pedaço de carne de kudu para preparar para o jantar. Em todos os campings há um pequeno mercado com algumas coisas para comer e também lembrancinhas.
      Dia 05 de abril – Acordamos super cedo e já nos dirigimos para encontrar o jipe para fazer o safári ao nascer do sol. O carro saiu às 5h00, acho, mas o horário varia conforme a estação do ano. No início, enquanto ainda estava escuro, algumas pessoas levavam uma lanterna que ilumina bem para tentar encontrar animais escondidos na mata. O passeio dura quase 3 horas, mas infelizmente não vimos animais diferentes do que já havíamos visto. Gostaríamos de ter visto mais felinos, mas ok. Ao acabar o safári e voltar para o camping, tomamos café, arrumamos nossas coisas e antes de sair do Kruger mergulhamos na piscina do Berg-en-dal. A piscina é bem legal e tem um vestiário bem grande ao lado. Recomendo um mergulho lá J

      A idéia esse dia era sair do parque e começar a fazer o passeio pelos pontos turísticos do Blyde River Canyon. Por volta das 10h30 saímos do Berg-en-dal e nos dirigimos a saída de Pretoriuskop. No caminho ainda conseguimos ver alguns animais. Fomos rumo à cidade de Graskop, que é um bom ponto pra começar o passeio pelo Blyde Canyon. Saímos efetivamente do parque por volta do meio-dia e às 14h chegamos a Graskop. Almoçamos em um restaurante do centro da cidade, a cidade é pequena e há alguns restaurantes nas ruas principais. Como o tempo estava fechando decidimos fazer todo o percurso do Blyde Canyon no dia seguinte. Por indicação do dono restaurante fomos a Pilgrimsrest, que é um lugar histórico de lá, no qual havia um vilarejo em que ainda se conservam algumas casas e comércios como eram na época. Mas não gostei do lugar não, é quase uma encenação, acho que ninguém mora lá, é apenas para turista ir e ver como era o lugar e comprar coisas. Não gostei da abordagem dos vendedores lá, mas há coisas interessantes de artesanato, principalmente em madeira. Deixamos o carro estacionado na rua, longe de onde ficavam os outros carros. Dois caras lavaram nosso carro, sem nossa autorização e cobraram 70 rands, mas negociamos e pagamos 20 rands.
      Dormimos no Panorama Chalets & Rest Camp, que é super bem localizado, bem na borda de um desfiladeiro com uma piscina de borda infinita. Lá tem chalés e local para camping, cozinha coletiva e banheira, além de um restaurante. Como em quase todos os campings que ficamos tem também uma churrasqueira para cada espaço de camping. Andando dentro da propriedade, indo até uma borda do desfiladeiro é possível ver a cachoeira a Panorama Falls.
      Dia 06 de abril – Saímos cedo de Graskop e pegamos a estrada R532 e depois a R534. Na R534 primeiramente fomos visitar “The Pinnacle Rock”. É cobrada entrada, uns 15 rands, e é interessante não ir apenas ao Pinnacle, mas também dar uma caminhada para ver a cachoeira de frente, tem uma trilhinha. Seguindo na mesma rodovia está o God’s Window. Ao contrário do Pinnacle, que estava vazio, o God’s Window estava lotado, havia uns ônibus de excursão lá. Lá você também paga para entrar e há um caminho para seguir andando e tendo as vistas do local. É um local bonito, com uma visão ampla.
      Depois de God’s Window seguimos em frente na R534 e voltamos para a R532 e seguimos para a próxima parada: Lisbon Falls. Lá você também paga para entrar. Tem uma pequena lanchonete e várias pessoas vendendo artesanato e também um mirante, de onde é possível ter uma visão bonita das cachoeiras. Do mirante é possível ver uma trilha até um pequeno mirante, se você seguir essa trilha até lá embaixo, uns 15 minutos de caminhada, estará na cachoeira! Fomos os únicos que desceram enquanto estávamos lá. E foi uma delicia! O poço é grande e bom para nadar e a visão das cachoeiras é deslumbrante J

      Depois das Lisbon Falls nos dirigimos à Berlin Falls. As atrações estão marcadas no waze e há também placas ao longo da estrada. Na Berlin Falls a estrutura é parecida com a Lisbon Falls: paga-se para entrar e tem um mirante para a cachoeira. Nessa cachoeira não sei se tem trilha para descer para o poço, pois não descemos nela. Perto da Berlin Falls há dois restaurantes e decidimos almoçar em um deles, o Garden Shed Restaurant. Frango no forno a lenha, bem gostoso.
      Pelo avançar da hora fomos direto para o Three Rondavels, que é da onde se tem a vista panorâmica do Blyde River Canyon. A entrada é permitida até as 17h, chegamos lá por volta das 16h e passamos um tempão lá, porque a vista é realmente deslumbrante. Li que é possível fazer passeio de barco no rio que corta o canyon, mas não sei como é o esquema. Deve ser um passeio bem legal.
      Depois de terminar o trajeto pelas atrações do Blyde River Canyon ainda tínhamos um longo caminho: 180 km até Tranquilitas Adventure Farm, que é uma hospedagem com camping e chalés em um vale em que há centenas de vias de escalada. O trajeto foi longo e pegamos estradas péssimas, um trecho da R36 estava em obras, com muitos, muitos buracos. No caminho ainda passamos no mercado para comprar comida para os próximos dias. Por volta das 9h chegamos à Tranquillitas e lá estava lotado de pessoas acampando.
      Dia 07 de abril – Depois do café da manhã fomos com os equipamentos de escalada procurar as vias. E são centenas! Passamos o dia em apenas um setor. Lá há vias de vários graus de dificuldade. Pra quem curte escalada é um paraíso. No final da tarde ficamos na piscina, em que há um bolder para escalada em cima da piscina, bem legal!
      Dia 08 de abril – Saímos cedo para descobrir como chegar à Cachoeira Emgwenya, que é uma grande cachoeira que tem na cidade e na qual há várias vias de escalada em volta dela. A cachoeira é no meio da cidade, próxima a um bairro dito perigoso. Deixamos o carro numa loja de escalada/hostel, a Roc’n Rope Adventures, e de lá fomos no carro do dono do hostel até a entrada da cachoeira. O caminho para o mirante da cachoeira é diferente do caminho para as vias de escalada, fomos apenas nas vias. No caminho até as vias passamos por dentro do túnel em que passa o trem e depois pegamos um caminhozinho que desce até onde de fato começam as vias de escaladas. E lá também há centenas de vias, espalhadas em alguns setores, com diferentes graus de dificuldade. Eu não escalo, apenas faço segurança para meu namorado. Após ele subir uma via, decidimos ir atrás da cachoeira. Há uma trilha com correntes que te leva para trás da cachoeira. É uma trilha escorregadia e você irá se molhar inteiro, mas achei muito legal!
      Não havia ninguém lá perto da cachoeira, há não sermos nós dois. E quando voltávamos encontramos uns caras que pareciam estar pescando. Depois de ir pra cachoeira voltamos andando para pegar o carro que estava estacionado. Voltamos à Tranquillitas Farm debaixo de uma leve chuva para tomar um banho e partir viagem. Estávamos famintos e tivemos dificuldade de encontrar um lugar para almoçar, já passava das 16h. E acabamos entrando no Fortis Hotel Malaga, que ficava na N4, no sentido oposto em que tínhamos que ir. O hotel é bem bonito, chique, e a comida é deliciosa. Foi o melhor em que comemos durante toda a viagem.
      Depois de almoçar lá partimos rumo à cidade de Newcastle, enquanto estávamos almoçando no hotel reservamos um hotel para passar a noite em Newcastle pelo Booking.com. A cidade ficava no caminho para o parque Drakensberg, que era nosso próximo destino.
      Dia 09 de abril – Nesse dia decidimos aproveitar uma cama de verdade depois de quase uma semana dormindo na nossa barraca. Aproveitamos para arrumar o carro, que estava um pequeno caos e fazer compras em um mercado da cidade. O trajeto até o parque Royal-Natal era de 210 km, tínhamos que chegar lá até as 17h para poder acampar, o que era nossa intenção. Porém não conseguimos e acabamos ficando no Hostel Amphitheatre. Recomendo muito a hospedagem lá, o lugar é grande, é bonito e tem várias facilidades: piscina, jacuzzi no meio do bar, um bar, restaurante, lugar para churrasco, uma área de camping enorme, quartos coletivos e chalés. Além de ser parada do Baz Bus e ter uma agência que organiza trilhas nos parques em volta e até em Lesoto. Ficamos mais uma vez acampados.     
      Dia 10 de abril – Depois de um café da manhã reforçado fomos de carro para o parque Royal-Natal fazer a trilha Tugella Gorge. Pagamos a entrada e nos dirigimos de carro até o estacionamento mais próximo do início da trilha. No local onde começa o caminho há um voluntário do parque que explica um pouco do caminho e pega seus dados e faz umas perguntas sobre seus equipamentos (quantidade de água que se esta levando, agasalhos que se esta levando, lanterna, comida, etc). Na volta deve-se assinar no formulário assegurando que já voltou da caminhada. A caminhada é leve, sem grandes subidas, percorrendo em volta do desfiladeiro. Em um determinado momento a trilha percorre por dentro do desfiladeiro e devem-se subir umas escadas de madeira para ir até um ponto em que se vê a Tugella Falls meio de frente. Essa cachoeira é a segunda maior do mundo. Infelizmente o dia estava muito nublado e não conseguimos vê-la de perto, apenas quando estávamos longe. Ainda assim valeu muito a pena a caminhada. O lugar é muito bonito e diferente do que temos no Brasil. E vale a visita para ter a visão do anfiteatro, que é como se chama a forma em que as montanhas estão no parque, e também para ver os macacos que estão aos montes lá.

      Depois da trilha voltamos ao camping para descansar e nos preparar para o dia seguinte. Ainda tentamos fazer um churrasco ao estilo sul-africano, mas tivemos algumas dificuldades, hehe.
      Dia 11 de abril - Saímos do camping às 4h para um dos momentos mais aguardados por mim da viagem: a trilha para a parte de cima da Tugella Falls. O lugar de início da trilha é bem longe do Amphiteatre Backpackers e a estrada é péssima, mesmo. É possível ir de excursão até lá, com guia para acompanhar durante a trilha. É indicado pra quem não tem uma boa experiência em trilha, por que a trilha é bem marcada no início, mas tem pontos ruins, principalmente quando se chega ao topo. Chegamos ao local onde começa a trilha por volta das 7h e o tempo estava horrível. Chovendo e com uma neblina medonha. O lugar é abandonado, tem uma construção não terminada e uns barraquinhos de madeira, que achávamos que estavam abandonados. Depois de um tempo apareceu um senhor perguntando se íamos fazer a trilha e dizendo pra esperarmos até umas 8h que o tempo iria abrir. Esperamos até as 9h e nada do tempo melhorar e depois de muita indecisão resolvemos fazer a trilha, com a esperança de termos uma boa visão ao final da trilha. E isso não ocorreu. Demoramos cerca de 2 horas pra chegar a parte de cima da cachoeira e não vimos absolutamente nada, só nuvens. O caminho é perrengue com uma subida bem íngreme com pedras soltas e água escorrendo pelo caminho. Há uma alternativa pra subir via umas escadas de ferro, mas havia placas em que estava escrito que as escadas estavam fechadas.
      Por volta das 14h30 estávamos de volta no carro e ainda sob uma chuva fina fomos embora. Quando chegamos à cidade mais próxima o dia estava lindíssimo, mas era possível ver que nas montanhas havia muitas nuvens. Na estrada conseguimos ver algumas montanhas do parque Golden Gate Highlands que ficava no caminho. Voltamos para o hostel e fomos descansar da caminhada na jacuzzi do hostel.
      Dia 12 de abril – Acordamos tarde depois do desgastante dia anterior e aproveitamos a manhã para secar as roupas que estavam molhadas da trilha e também organizar o carro. Resolvemos então ir para outro parque na região, lá há vários parques, com muitas opções de trilhas pra fazer! Depois de pesquisar um pouco nos mapas que tínhamos pegado no parque Royal-Natal e também de pesquisar na internet decidimos ir ao Monks Cowl. Antes passamos na cidade de Winterton para almoçar e passar no mercado.
      Hospedamos-nos no Inkosana Lodge, que fica na rodovia R600, caminho para o parque. Ficamos acampados, mas o local tem quartos coletivos e chalés também. Fomos ao parque para verificar o preço do acampamento, mas era o mesmo que no Inkosana, porém sem energia elétrica.
      Dia 13 de abril – Fomos cedo ao parque para fazer a trilha chamada Blindman’s Corner. É uma trilha de tamanho médio e que dá uma visão panorâmica das montanhas, é realmente muito bonito. No parque há trilhas menores que levam há algumas cachoeiras, mas não tivemos tempo de fazê-las. Depois da trilha voltamos ao Lodge para cozinhar e descansar.

      Dia 14 de abril – Saímos meio sem rumo esse dia, as previsões para aquela área eram de chuva e queríamos fugir disso. Então resolvemos partir rumo ao litoral. Desviamos nosso caminho para passar em outro núcleo do parque, o Injisuthi. A estrada chegando ao parque era horrível e como o tempo estava bem feio não chegamos até o estacionamento do parque, paramos num rio no caminho e ficamos um tempo lá. Alguns moradores estavam pescando no rio. Seguimos viagem rumo à Underberg, na parte sul do parque. Paramos em uma cidade no meio do caminho para almoçar e depois seguimos viagem, chegamos a Underberg no final da tarde, sob chuva. Dormimos no The Shed, que tem camping e também chalés.
      Dia 15 de abril – Depois do café da manhã pegamos o carro e fomos rumo Coffee Bay. O caminho é longo, 383 km, e a estrada é boa até chegar em Mthata. Depois daí o caminho é através de uma estrada com muitos buracos e muitos animais no caminho. Por volta das 16h chegamos a Coffee Bay e almoçamos no Sugarloaf Backpackers, que fica na entrada da cidade. O local é um hostel com restaurante e alguns espaços para acampar, mas já não havia mais espaço para barracas. Então fomos andar pelos acampamentos da cidade e decidimos ficar no Friends Wild Coast, que era mais vazio que os outros. Éramos de fato os únicos lá. No lugar também funciona um restaurante/pizzaria.
      Dia 16 de abril – Saímos cedo para ir até o Hole in the Wall, que é a principal atração do lugar. É possível chegar lá de carro, mas decidimos ir a pé. Não sei como é a condição da estrada. O caminho não é difícil, mas é longo, 18 km no total, ida e volta. Mas vale muito a caminhada, o caminho é muito bonito, margeando o mar o tempo todo. Chegamos ao camping no final da tarde. Coffee Bay é bem pequeno, não tem mercado ou muitos restaurantes. É um lugar simples e bem bonito. Com muitas vacas na praia.

      Dia 17 de abril - Queríamos ir a Mapuzi nesse dia, mas não encontramos o caminho no wikiloc ou explicação na internet. Por sorte um funcionário do camping nos acompanhou até lá. E foi um passeio bem legal, ele foi contanto sobre as impressões dele do próprio país e tal e nos mostrando o lugar. Mapuzi é um rio que desemboca na praia e há alguns pontos para se pular no rio, é uma caminhada de cerca de uma hora e perto há uma praia praticamente deserta. Ao lado dessa praia há uma caverna em que o Mandela ficou escondido quando estava sendo perseguido antes de ser preso.
      Chegamos ao camping por volta das 14h e já partimos de carro rumo ao nosso próximo destino Kenton-on-sea, 445 km de distância. Chegamos lá apenas às 21h e nos hospedamos em um lugar chamado Stanley Cottage. Encontramos esse lugar procurando na internet e foi um achado, pagamos cerca de 20 reais para dormir num mini chalé, foi ótimo por que estávamos cansados da longa jornada de carro.
      Dia 18 de abril – Em Kenton-on-sea acontece uma coisa legal, quando a maré fica bem baixa é possível ver várias formações rochosas na praia, e há algumas realmente grandes e interessantes. A algumas dunas também e as crianças ficam descendo de ski-bunda. Andamos pelas dunas e encontramos uma praia meio escondida, que não sei o nome. Ficamos lá um tempo, mergulhando naquela água congelante e de repente entrou um nevoeiro fortíssimo, não era possível ver mais nada. Essa era nossa deixa para voltar ao carro e procurar onde almoçar. Almoçamos na cidade e já partimos para Stormriver.

      No caminho paramos em Porto Elizabeth para trocar dólares por rands e também paramos em Jeffreys Bay para ver o pôr-do-sol, passar no mercado e jantar. No caminho para Stormriver enfrentamos uma chuva bem forte o que nos fez decidir por ficar num quarto coletivo no hostel Dijembe.
      Dia 19 de abril - O hostel era bem cheio e meio caótico, com um bar e uma cozinha em que podíamos fazer panquecas à vontade no café da manhã. Depois do café da manhã nos dirigimos até o Parque Tsitsikama e demos carona para um casal canadense que também ia ao parque. Cerca de 50 reais por pessoa é cobrado para entrar no parque. Fizemos primeiro a trilha para as pontes suspensas, uma trilha curta e fácil e bem bonita. Ótima para fotos. Ao terminar a trilha almoçamos no restaurante que há no parque e depois seguimos para a trilha da cachoeira. Acredito que teria sido melhor inverter a ordem das trilhas, já que acredito que durante a manhã a cachoeira é iluminada pelo sol. Essa caminhada é mais longa (não as 4 horas que o folheto do parque diz) e o caminho é muitas vezes por cima de umas pedras enormes. A visão de toda a trilha também é muito bonita.
      Como não havíamos gostado do hostel em que estávamos, decidimos acampar essa noite no parque. Fomos à entrada principal e pagamos o valor para acampar. O bom de acampar lá é que no dia seguinte não precisávamos pagar de novo para entrar no parque.
      Dia 20 de abril – Dia de fazer kayaking e também de lavar as roupas! Como na maioria dos parques em que fomos na África do Sul havia uma lavanderia próximo ao camping. Pagamos cerca de 5 reais para usar a máquina de lavar e mais 5 reais para usar a secadora. Fizemos isso enquanto tomávamos café da manhã e desarmávamos nossa barraca. Depois nos dirigimos até o local da onde saem o pessoal para fazer kayaking. Há apenas uma empresa que tem esse passeio e é possível agendar pela internet ou pagar lá na hora, e foi isso que fizemos. O passeio todo dura umas 2 horas e foi muito legal. De kayak fomos por dentro do canyon, o lugar é muito bonito. O passeio normalmente sai perto do mar, mas como o mar estava bravo tivemos que fazer uma parte andando. Depois do kayaking fomos novamente almoçar no restaurante do parque.   
      Depois do almoço partimos rumo a Ponte Bloukrans, que é de onde se pula de bungee jumping. Depois de muito pensar meu namorado decidiu pular, eu já sabia que não pularia nem que me pagassem, hehe! A ponte é muito bonita e acho que vale uma parada só para ver a ponte sobre o vale. Depois do pulo de bungee jumping, continuamos nossa viagem com destino a Plettenberg Bay, que fica a cerca de 40 km de distancia. Lá ficamos hospedados no hostel Albergo, mais uma vez acampados. E comemos uma ótima pizza num lugar chamado Plett Market on Main, que é tipo uma praça de alimentações com alguns restaurantes.
      Dia 21 de abril – Quando estávamos saindo do hostel conhecemos um argentino que morava em São Paulo e ele nos acompanhou para fazer os passeios do dia. Primeiro fomos ao centro de reabilitação de felinos Tenikwa. Fomos acompanhados de um guia, que explicava várias coisas sobre os felinos que víamos, era muito interessante e o funcionário parecia muito apaixonado pela causa. Os animais ficam em espaços grandes com grades que nos separam deles, o passeio durou quase 2 horas.
      Depois fomos ao Robberg Nature Reserve, que é um reserva em que há algumas trilhas para fazer em volta do lugar, que é uma península. Fizemos a maior trilha, que percorre todo o lugar e foi deslumbrante. Vimos muitas focas, praias lindíssimas e um visual incrível do pôr-do-sol. Quando terminamos a trilha o sol estava se pondo, estava um visual lindíssimo e o estacionamento estava cheio de famílias curtindo o visual enquanto tomavam vinho e comiam.

      Depois da trilha seguimos para Knysna onde dormimos num local perto da praia Buffels Bay, mas não encontrei o nome do lugar. Era um lugar simples no qual acampamos, lá tinha um restaurante e também chalés.
      Dia 22 de abril – De manhã fomos conhecer a cidade de Knysna, que é muito bonita. Fomos de carro até um Mirante, East Head View Point, e de lá é possível ter uma visão geral da cidade, que é muito bonita. Há vários bancos nesse mirante em que é possível passar um tempão só admirando a vista, e há placas falando que de lá é possível avistar baleias na época certa. Depois seguimos de carro rumo a Hermanus, 420 km de distancia. Paramos em Wilderness para almoçar num restaurante a beira da praia. E chegamos a Hermanus por volta das 20h e nos hospedamos no Onrus Caravan Park. O local é um estacionamento para motor homes e não tinha cozinha, mas foi o suficiente para a noite.
      Dia 23 de abril - Hermanus parece ser um bom lugar para avistar baleias na época certa. Fora isso é uma cidade a beira mar com muito vento. Há uma caminhada chamada Hermanus Cliff Path, que beira o mar, percorremos um pedaço dela. Almoçamos num restaurante do centro e continuamos nossa viagem rumo a Stellenbosch, que está a 90 km de distância. Chegamos a Stellenbosch embaixo de chuva e acampamos no Hostel Stumble Inn. Aproveitamos o final do dia para andar um pouco pela cidade e fazer compras no mercado.
      Dia 24 de abril – Dia de conhecer vinícolas! Pegamos um mapa no hostel e pedimos algumas indicações ao funcionário. Primeiramente fomos à vinícola Tokara, que é muito bonita e moderna. Gostamos do vinho, mas não muito do atendimento, que foi muito impessoal. Pagamos apenas uma degustação e dividimos as taças, fizemos isso em todas as vinícolas que fomos. Em seguida fomos à vinícola Thelema e fomos super bem atendidos. A visão das montanhas que se tem do bar é muito bonita e os vinhos são bem gostosos. Almoçamos no restaurante da vinícola Le Pommier, mas não fizemos degustação lá. O almoço estava gostoso. Descansamos um pouco lá e depois fomos degustar na vinícola Camberley. Lá foi ok, mas nada demais. Depois fomos até a cidade de Pniel visitar a vinícola Boschendal, que é lindíssima. Fica numa grande fazenda, com um jardim lindo e uma visão privilegiada das montanhas. Fizemos degustação de vinhos especiais, com direito a champagne. Fechamos o dia com chave de ouro!
      Dia 25 de abril - A cidade de Stellenbosch é rodeada de montanhas e como bons trilheiros que somos pesquisamos como subir em alguma daquelas montanhas e aí encontramos na internet informação sobre a Reserva Natural Jonkershoek. Fomos de carro até lá, a reserva está a uns 25 min da cidade seguindo uma rodovia que termina na entrada do parque. Lemos algumas coisas sobre o parque estar um pouco abandonado e perigoso, felizmente não presenciamos nada. Pagamos a entrada e nos entregaram um mapa, a moça da portaria nos explicou sobre as trilhas disponíveis e o tempo que demandariam. Como o dia estava feio, com cara de chuva, decidimos fazer uma trilha que vai a uma cachoeira. Essa trilha é bem rápida, uns 20 minutos, e a cachoeira é pequena. Com a esperança de um tempo melhor decidimos continuar a trilha, fazendo o começo inverso de uma trilha grande que havia lá. Essa trilha ia até o fundo do vale e depois subia. Passamos por uma cachoeira maior que a primeira e depois continuamos o mais pra cima que conseguimos. Subimos por umas pedras e chegamos a um cume. O maior vento da vida, hehe! Mas a visão era muito legal e o tempo abriu um pouco pra gente, além de ser um ótimo lugar para ver flores, há muitas e são bem diferentes. Acredito que dava até pra ver a Cidade do Cabo do ponto em que estávamos.

      Depois de sairmos do parque sob uma fina chuva decidimos ir atrás de algo para comer. Decidimos ir até Franschhoek para jantar e conhecer um pouco a cidade. Quando chegamos na cidade a chuva estava muito forte e acabamos indo num pub, Franschhoek Station Pub and Grill. O lugar estava bem cheio e as pessoas estavam assistindo uma partida de críquete. Comemos algumas porções e experimentamos umas cervejas. Depois voltamos para o hostel para descansar do dia cansativo.
      Dia 26 de abril – A chuva não parou durante toda a madrugada e acabamos demorando pra desmontar nossa barraca, pois estávamos esperando que ela parasse. Esse era nosso último dia com o carro alugado, tínhamos marcado de devolvê-lo na Cidade do Cabo no final da tarde. Fizemos umas contas e decidimos que valia a pena ficar até o final da viagem com o carro. Fomos numa loja Hertz ali mesmo em Stellenbosch e fizemos todo o trâmite. Depois seguimos viagem rumo a Cidade do Cabo, nossa última parada. A Cidade do Cabo está a menos de 60 km de Stellenbosch, mas decidimos fazer uma serie de paradas e desvios no caminho. A primeira foi na praia de Muizenberg, aquela das casas coloridas. Depois fomos ao Museu Naval da África do Sul, que é gratuito e fica no meio do caminho. Foi uma parada interessante. Em seguida fomos a praia Boulders, a dos pingüins. Primeiro fomos a uma praia gratuita em que havia alguns pingüins e depois nos dirigimos à praia que é paga e que faz parte do parque. Achei uma experiência incrível! São tantos pingüins, tem algumas placas com informações sobre eles, interessante lê-las.
      Depois fomos direto ao Cabo da Boa Esperança, que é um parque e cobra entrada. O parque é muito grande e além do Cabo em si, há outros lugares para conhecer, como praias e trilhas. Infelizmente não sabíamos disso antes de ir, se soubéssemos teríamos dedicado mais tempo às trilhas do parque. Fomos direto ao farol do Cabo da boa esperança, o subimos a pé e aproveitamos pra andar um pouco lá por cima. Há vista é muito bonita, há uma praia próxima que dá pra observar. Essa parte dá pra subir de teleférico também. Ao sair dessa parte do farol fomos de carro até o Cabo da Boa esperança propriamente dito. Lá há uma placa em madeira em que todos tiram fotos e há caminho sobre as pedras em que é possível andar e ter uma visão mais ampla do local. O dia já estava acabando e não havia tantas pessoas. No caminho para sair do parque encontramos vários avestruzes! Ficamos um bom tempo observando-os e tentando tirar fotos.
      Na Cidade do Cabo ficamos hospedados num Airbnb, nossa primeira experiência nesse tipo de hospedagem. E ocorreu tudo muito bem! Jantamos numa pizzaria perto da casa em que estávamos hospedados.
      Dia 27 de abril – Depois do café aproveitamos o sol e fomos limpar nossa barraca e colocá-la para secar. Nossas coisas ainda estavam úmidas da chuva de Stellenbosch. Depois fomos de carro conhecer a estrada Chapmans Peak, infelizmente o tempo estava muito fechado quando chegamos lá. O tempo na Cidade do Cabo é instável, e as proximidades da Table Mountain facilmente ficam envoltas em nuvem. Percorremos a estrada inteira e paramos pra almoçar num restaurante no final. Enquanto almoçávamos o tempo foi abrindo e decidimos percorrer a estrada novamente. Paga-se um pedágio para percorrer a estrada inteira, e o pagamos duas vezes. Mas valeu a pena, na segunda tentativa o tempo estava bem aberto e lindíssimo.

      Resolvemos ir conhecer o Waterfront e sinceramente, não achei nada demais. É um complexo de lojas e restaurantes a beira-mar, com uma roda gigante e a Table Mountain ao fundo. O tempo estava muito feio, com garoa de vez em quando. Fomos a um bar fazer degustação de cerveja e não gostamos também. Decidimos então voltar para casa e cozinhar nossa janta.
      Dia 28 de abril – Na parte da manhã fomos conhecer as praias de Camps Bay e Clifton. Fomos apenas a Camps Bay, porque achamos que já era bonito o suficiente, hehe. Ficamos um tempão andando e fotografando a praia e as montanhas. Venta demais lá e estava muito frio, então não deu pra entrar no mar. Depois fomos novamente ao Waterfront porque queríamos ir ao Aquário da cidade, o Two Oceans. Almoçamos numa espécie de praça de alimentações que havia no Waterfront, o V&A Food Market. E depois já fomos direto ao Aquário. E adoramos! Muitos peixes e animais marinhos diferentes, num ambiente não muito grande, mas bem organizado. Achei a experiência bem válida.
      Em seguida fomos à Lion’s Head para ver o sol se por. Deixamos o carro estacionado próximo ao começo da trilha e em pouco mais de uma hora já estávamos no topo. Encontramos um lugar muito agradável para ver o sol se por, com uma visão bem legal da praia Camps Bay. Conforme ia se aproximando o momento do pôr-do-sol, mais foi ficando cheio lá em cima. A visão é espetacular! Importante levar lanterna para a volta da trilha.
      Dia 29 de abril – De manhã fomos ao mercado comprar coisas para cozinharmos a noite, pois sabíamos que voltaríamos tarde e o mercado (assim como quase tudo) fechado cedo na África do Sul. Depois fomos ao centro da Cidade do Cabo para comprar algumas lembrancinhas, com preços melhores do que os encontrados no Waterfront. A dona da casa em que estávamos nos indicou ir ao Greenmarket (entre as ruas Longmarket e Shortmarket). É uma praça com varias barraquinhas de vendedores, há muita oferta de pinturas, arte em madeira, roupas, etc. É um local para pechinchar e andar bastante. Não é muito grande, mas gostei das compras que fizemos. Arrependi-me de não ter comprado mais coisas de madeira L Almoçamos em um fast food ali próximo e depois fomos a Table Mountain.
      Nossa intenção era subi-la pela trilha India Venster, que é a trilha mais exposta e uma das mais demoradas. Apesar de estarmos com wikiloc nos perdemos um pouco no começo, mas a dica é: essa trilha é bem íngreme, então se o caminho estiver reto está errado. Gostei muito da trilha e das vistas que se tem pelo caminho. Mas não é recomendável ir sozinho ou caso não tenha hábito de fazer caminhadas, porque ela é mais exposta e tem um nível de dificuldade médio. Há trilhas mais fáceis para se chegar lá em cima. Demoramos um pouco mais de 2 horas para fazer todo o percurso e chegamos ao topo no maior vendaval. Faz muito frio lá em cima, congelante. Abrigamos-nos do vento frio no café que há em cima do teleférico. Nesse café há uma varandinha mais abrigada do vento e de lá acompanhamos o por do sol. Assim que ele se pôs já começamos a nossa volta via Platteklip Gorge, que é uma trilha mais fácil. No caminho para o começo da descida ainda vimos a lua lindamente nascer cheia!

      No caminho de volta encontramos um grupo de 3 pessoas que estavam tendo dificuldades para descer: uma menina estava machucada e eles não tinham nem água e nem lanterna. Acompanhamos o grupo ajudando como podíamos, dando nossa água e uma lanterna. Mas como eles estavam indo muito devagar resolvemos continuar descendo no nosso ritmo, depois de um tempo. Ao chegarmos em casa fizemos nossa janta e descansamos.
      Dia 30 de abril – Dia de ir embora da África do Sul. Limpamos o carro de manhã, fomos ao mercado comprar algumas bebidas que queríamos trazer, almoçar e devolver o carro no aeroporto. O vôo de volta foi pela TAAG também e foi tranqüilo!
      Espero que o relato ajude a quem está indo visitar a África do Sul. Estou disponível para qualquer dúvida
       
       
       
       
       
    • Por Humberto Leite
      O Pico da Meia Lua é um contraforte da Mantiqueira no município de Piquete. 1720 metros
       
    • Por vanessa.miranda
      (Alerta de relato gigante! rss Se não estiver com saco pra ler esse textão, fique à vontade pra me fazer perguntas específicas sobre a expedição )

      Ainda em 2015 decidi que tentaria chegar ao cume do Aconcágua, e que seria em dezembro de 2016. Queria fazê-lo da forma mais independente possível, sem contratar porteadores, guias e expedições pagas. O primeiro desafio foi encontrar companhia, porque a maioria dos meus amigos nem considera a possibilidade de entrar num projeto desses. Mas quando um amigo me surpreendeu dizendo que animava, o plano começou a tomar rumo. Ainda queríamos encontrar mais uma ou duas pessoas pra formar um grupo, e encontramos aqui no mochileiros! Estava formada a equipe: eu, meu amigo Carlo, o Zaney e o Greison.
      O Aconcágua, com 6.962 m de altitude, é a montanha mais alta do mundo fora da Ásia. É também a segunda montanha mais proeminente do mundo, atrás apenas do Everest. Mesmo assim, por não exigir escalada técnica, alguns se referem à sua ascensão como um "trekking de altitude". Desde que seu cume foi alcançado pela primeira vez em 1897, mais de 130 pessoas morreram tentando chegar lá em cima. A temperatura no cume é geralmente por volta de -25° a -30° C, mas a sensação térmica cai facilmente abaixo de -50° C em dias de clima ruim, principalmente entre abril e novembro  . Por isso, a ascensão é permitida nos meses próximos ao verão argentino, de meados de novembro até o começo de março, sendo a alta temporada centrada em janeiro. Nas últimas temporadas a taxa de cume tem sido entre 20% e 40% das tentativas. Mas com ou sem cume, é um lugar incrível. Em média, são necessários de 12 a 15 dias para alcançar o cume e descer (se vc tiver mais sorte que eu rs). As principais dificuldades desta montanha são o clima muito instável, com frio e vento extremos (principalmente no começo e fim de temporada) e, é claro, a altitude. Com a redução da pressão parcial de oxigênio no ar, podemos sentir não só fadiga e dificuldade pra respirar, mas também dores de cabeça, dor no estômago, tonturas, dificuldade pra comer e dormir, hemorragia nasal, inchaço nas extremidades e no rosto e diarreia. O metabolismo acelera muito, assim como os batimentos cardíacos. A desidratação é facilitada pela maior taxa de vapor de água perdida dos pulmões. Dependendo da pessoa, do ganho de altitude e da aclimatação, os sintomas podem evoluir para um edema pulmonar ou cerebral de alta altitude (HAPE ou HACE), situações mais graves que devem percebidas e tratadas logo.
      Planejei começar o treinamento no primeiro dia de 2016. Porém, um dia antes, lesionei meu joelho esquerdo em uma trilha. Precisava recuperar o joelho e também os tendões de aquiles dos dois pés, outro problema que já vinha de um tempo antes. O treinamento pro Aconcágua teve que esperar... e quando começou foi em ritmo lento. Comecei a fazer academia, mas pegando leve, quase uma fisioterapia... Os pés melhoraram com alguns meses, o joelho não. Fiz um raio-x e o médico pediu uma ressonância pra ver se precisava fazer cirurgia ou apenas repouso. Ignorei (digo, posterguei a ressonância e o repouso pra depois do Aconcágua). Tentei fortalecer os músculos das pernas pra poder começar o treinamento aeróbico sem piorar muito a lesão. Só faltando quatro meses pra viagem que deu pra começar a correr, 5 km, uma ou duas vezes na semana, quando conseguia. Sabia que deveria ter treinado com peso nas costas e com inclinação... mas tinha que poupar o joelho. E a inclinação forçava os tendões dos pés, que ainda não estavam 100%. Então continuei fazendo o que dava.
      Não pensei em desistir, mas tinha consciência de que com esses probleminhas a mais estaria assumindo riscos e dificuldades maiores. Somaram-se a isso os inúmeros desincentivos do tipo: “você deveria fazer várias montanhas acima de 6 mil antes de querer tentar o Aconcágua”; “sem guia?; “você devia pensar melhor antes de ir, gastar dinheiro e ter que desistir”; “Sem querer te desanimar, mas isso de ir sem guia me parece uma utopia”; “uma pessoa deveria tentar o Aconcágua depois de fazer, pelo menos, o Kilimanjaro e o Denali, necessariamente nesta ordem, pra ter chance de sucesso”; etc. Claro que esses "conselhos" nem sempre são pra desanimar, às vezes são pra te alertar, mas... às vezes o melhor é fingir que não ouviu/leu.
      E continuei adquirindo equipamento, planejando a alimentação, estudando a montanha e montando o cronograma.



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