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Sandro

Travessia da Serra Negra – Maromba ao Parque do Itatiaia RJ

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Domingo 11 de julho de 2010
Saímos de São Paulo de carro eu, o Augusto, Márcia sua esposa e a Sophia, bebê do casal.
Nossos planos: Eu e o Augusto faríamos duas Travessias, começaríamos pela da Serra Negra (com uma variante no trecho final) partindo de Maromba – Rio de Janeiro e chegando no alto do Parque Nacional do Itatiaia – onde se localiza a antiga pousada Alsene (hoje fechada por embargo governamental). A segunda Travessia é a Ruy Braga que liga a parte alta do Parque à parte baixa na orientação noroeste/sudeste iniciando-se entre o Pico das Agulhas Negras e o Pico das Prateleiras.
Enquanto eu e Augusto estaríamos fazendo as travessias, Márcia e Sofia desfrutariam dos atrativos turísticos de Maromba, Maringá e Visconde de Mauá, nos resgatando quinta-feira 15 de julho por volta das 13:00h lá na parte baixa do Parque de onde voltaríamos todos para casa.

Partimos de São Paulo no domingo, 11 de julho por volta das 7:20h e tocando pela Dutra chegamos em Visconde de Mauá – Rio por volta das 15:00h. Paramos para almoçar na vila, um belo “PF” à R$ 8,00 e como ainda era cedo e estava uma bela tarde para caminhar rumamos para a Pedra Selada, uma elevação rochosa com aproximadamente 1755 metros.
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Pedra Selada

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Trilha para a Pedra Selada

Para ir à Pedra Selada é fácil: passando pela Vila de Visconde de Mauá, siga em direção à Campo Alegre, são mais ou menos 9 km de estrada para se chegar na base da Pedra Selada - pedra com dois picos que observada a distância lembra uma sela. Na estrada tem placa sinalizando a entrada para a trilha que começa na fazenda do Sr. Alcebíades, pessoa muito simpática, que cobra taxa de estacionamento de R$ 5,00 e visitação de R$ 3,00... (cerveja gelada Itaipava para tomar após a descida R$ 2,50).
A trilha tem por volta de 2,5 km de subida íngreme, bem batida e sinalizada com marcações da metragem e nomes dos poços e pequenas cachoeiras no caminho para se refrescar.

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Vista da Pedra Selada para Visconde de Mauá

Enquanto eu e Augusto “aquecíamos” as pernas para a travessia que iniciaríamos no dia seguinte Márcia ficou brincando com Sophia no gramado em frente a casa do Alcebíades aguardando nosso retorno. Levamos cerca de 2 horas para subir e 1 hora para descer.
O pico é o ponto mais alto do município de Resende, dele podemos vislumbrar a maravilhosa paisagem do Maciço das Agulhas Negras, os vales de Maromba, Maringá, Visconde de Mauá, parte do Vale do Paraíba carioca entre outros.

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Um dos picos da Pedra Selada

Após descermos da Pedra Selada seguimos para Maromba onde nos hospedamos em frente a “praça” da matriz, igreja de São Miguel, opções de hospedagem é o que não faltam lá. Tem até pousadas de R$ 30,00 pelo que pudemos ver.
Após nos hospedarmos e tomarmos banho nos reencontramos para jantar. Por não ser alta temporada não havia muitas opções abertas mesmo sendo domingo a noite, mas encontramos aberto um restaurante simples que eu conhecia na rua atrás da igreja e que serve uma excelente comida a um preço muito bom.
Como o restaurante fica na margem carioca do Rio Preto que divide tanto Maromba como Maringá e Mauá entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais abri uma das janelas para apreciarmos o rio enquanto a comida era preparada, mas tivemos que fechá-la de imediato, pois o rio ali já apresenta o mal cheiro de esgoto despejado, evidenciando que e a falta de investimentos públicos no saneamento básico já transformam este lindo recanto turístico entre as montanhas em mais um aglomerado urbano problemático causado principalmente pelo crescimento imobiliário irregular e a indústria do turismo não sustentável.
Jantamos bem, comida mineira bem caseira (a Márcia parecia que nunca tinha comido feijão... ::lol3:: ...) e Sophia... Bem... Sophia come até papel se a gente descuidar. :lol: Após nos empanturrarmos fomos descansar para o dia seguinte.

Segunda 12 de julho
Acordamos por volta de 7:30h e após um belo café reforçado seguimos para o início da trilha onde iniciaríamos a Travessia da Serra Negra que percorreríamos em dois dias. Como faríamos no sentido de Maromba para o Planalto do Itatiaia eu e Augusto caminharíamos praticamente o tempo todo subindo; o primeiro dia dividir-se-ia numa primeira etapa subindo por aproximadamente quatro horas, numa segunda descendo uma hora e numa terceira etapa subindo por mais três horas, concluindo ao final do primeiro dia aproximadamente 13 km percorridos.

No segundo dia... Subindo, subindo e subindo por mais 10 km.

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Ponte após a qual começa a trilha para a travessia da Serra Negra

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Mochilas preparadas para a caminhada

Mas antes de entrarmos propriamente no relato da caminhada um pouco de história sobre essa antiga trilha:
A colonização da região do Médio Rio Paraíba do Sul começou a ser ocupada pelo homem branco em meados do século XVIII. A nação indígena que dominava a região era a dos Puris, mais tarde chegaram os negros para trabalharem nas lavouras de café.
A bandeira paulista de Simão da Cunha Gago, vinda de Santos - SP, fixou seu acampamento por volta de 1744 em Campo Alegre da Paraíba Nova (hoje Resende - RJ), a região era o caminho que escoava o ouro das Minas Gerais para Angra dos Reis e daí para a Europa. Acredita-se que a Travessia da Serra Negra originou-se destas bandeiras.
Por volta de 1888, com a abolição da escravatura e o esgotamento das terras a monocultura cafeeira entrou em declínio, chega a vez da pecuária prover a sobrevivência das fazendas. Nessa época houve também a colonização européia destas serras e vales (alemães, suíços, franceses e holandeses) nas terras de Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de Mauá. Nas suas fazendas se desenvolveu a fruticultura e a criação de pequenos animais. O projeto não alcançou êxito, mas preservou a área em que mais tarde foi criado o primeiro parque nacional do país, o Itatiaia.

Até hoje a travessia é amplamente utilizada por pequenos produtores rurais das comunidades de Vargem Grande, Serra Negra, Fragária e Campo Redondo que transportam no lombo de mulas o resultado de suas produções, principalmente de queijo e mel para venderem em Maromba e Maringá.
A trilha tem dois pontos de início ou fim em Maromba, uma nas proximidades da Cachoeira Santa Clara (lado mineiro) e outra na estrada que sobe para o Poção de Maromba e Cachoeira do Escorrega (lado carioca).
Iniciamos pelo lado carioca, após atravessarmos uma ponte de madeira sobre o Rio Preto entramos em uma estradinha a direita, logo nos deparamos com uma porteira no final da estrada e uma propriedade, á sua esquerda um cercado que delimita área de pastagem e alguns caminhos sulcados na encosta de um morro criados pelo gado.
E toca pra cima no rastro do boi, pois ali é a trilha.

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Augusto subindo o caminho do gado

A trilha começa puxada, inclinação de 45º ziguezagueando o morro, após os primeiros 15 minutos de subida encontramos o primeiro ponto de água, algo que só voltaríamos a encontrar 2 horas depois.
Após bebermos um pouco caminhamos por mais 15 minutos até atingirmos a cumeeira deste primeiro morro. Neste ponto é onde a trilha bifurca descendo para o outro lado segue para a Cachoeira Santa Clara e o caminho por onde viemos (lado Poção de Maromba).
Prosseguimos subindo, caminhando pela crista a inclinação da trilha diminui bastante e se intercala com trechos planos, o dia já ia quase que pela sua metade e o Sol permeava os morros e vales com muita luz e as sombras projetadas das nuvens, permeava também nossas roupas com suor, porém um vento gostoso nos refrescou durante toda a caminhada serra acima.
Passamos por muitos trechos bem erodidos pela chuva, mas também pelo transito constante das mulas que fazem o percurso periodicamente. O lado bom desse trânsito dos pequenos produtores rurais é que a trilha está sempre recebendo manutenção de limpeza e poda da vegetação, deixando o caminho bastante livre até as terras da família Anísio no Vale do Rio Aiuruoca.

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Pela crista do primeiro morro

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Trecho erodido ao longo dos séculos

Além dos rastros dos animais identifiquei também marcas de pneus de moto indicando que alguns praticantes de Moto Cross também apreciam o caminho.
Após 2 horas de caminhada encontramos uma placa indicando um ponto de captação de água seguindo alguns metros por uma trilha a direita, a placa tem características de ter sido confeccionada pelos usuários habituais da trilha em sua laboriosa jornada de comercialização de suas produções rurais.

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Trecho erodido abandonado

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Indicação de nascente d’água

Ao iniciarmos a trilha estávamos na casa dos 1400 metros em relação ao nível do mar e ao chegarmos nos 2095 metros atingimos um grande patamar, um amplo campo arbustivo e de capim recortado por vários caminhos paralelos criados pelos animais de carga.
Daqui podemos ter uma das mais belas visões da travessia, atrás de nós uma ampla visão do Vale de Maromba e Visconde de Mauá com a Serrinha da Pedra Selada e a própria Pedra Selada ao fundo; do lado direito inúmeros vales e montes com a Serra do Aiuruoca e o imponente Pico do Papagaio se destacando no horizonte, a nossa esquerda parte do maciço do Itatiaia e a nossa frente a face norte da Serra Negra que iríamos contornar.

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Campos de altitude - o caminho se divide em dois rumos

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Serra do Aiuruoca com Pico do Papagaio ao meio

Nesse campo a trilha também bifurca, como existem vários caminhos paralelos criados pelas mulas e o gado fica difícil perceber, mas um caminho que segue indo pro lado direito leva até uma mata por onde percorre indo desembocar em uma íngreme descida, a chamada “Ladeira da Misericórdia”.
Mais uma paradinha para recuperar o fôlego, descansar as pernas e preencher nossos olhos de encantos antes de atacarmos o próximo morro.
Seguimos pela trilha da esquerda junto a face norte da Serra Negra e ás 13:00h paramos por mais dez minutos para admirar a paisagem antes de começarmos descer para o Vale do Rio Aiuruoca passando pelas terras da família Anísio e indo encontrar ao final dessa descida o caminho que bifurca para a “Ladeira da Misericórdia”. Caminho já conhecido pelo Augusto que em julho de 2003 passou por ele ao fazer o percurso vindo do Alsene seguindo para Maromba. "Pelas impressões do Augusto o caminho que fizemos é mais suave e bonito visualmente".

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Mais um lance de subida

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Parada de descanso e contemplação antes da descida de 1 km

No meio da descida encontramos mais uma nascente, por volta das 13:30h.
A descida termina em um córrego já dentro de uma propriedade com alguns tanques de criação de peixes (provavelmente trutas), mas não vimos nenhum. Passamos por uma área gramada e seguimos pela estradinha em frente por poucos metros até onde esta bifurca, seguindo em frente por esta estrada mais alguns metros encontra-se do lado direito o caminho que leva á subida da misericórdia.

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Término da descida nas terras da família Anísio

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Casa do Sr. Rangel Anísio

Entramos na bifurcação à esquerda e logo a estradinha finda onde encontramos o Sr. José Rangel (um dos filhos do finado Sr. Anísio) alertado pelos cachorros da nossa presença.
Muitos que fazem essa travessia se hospedam no confortável chalezinho oferecido pelo Sr. Rangel que já foi logo nos perguntando se queríamos pernoitar. Não estava em nossos planos, pelo custo, por volta de R$ 70,00 e por ainda ser cedo 14:15h, tínhamos mais umas 4 horas de Sol para alcançarmos as Cabanas do Aiuruoca, nosso objetivo para aquele dia.
Nos despedimos do Sr. Rangel e tocamos novamente mata adentro e morro acima.
Uma hora subindo, as dores na musculatura das pernas e ombros já incomodavam muito! Duas horas subindo, passamos por um velho curral a direita e ás 17:00h exatamente três horas após termos passado pelo Sr. Rangel alcançamos as Cabanas do Aiuruoca.

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Cabanas do Aiuruoca

Montamos acampamento e nos lavamos no cristalino e gélido Rio Aiuruoca que passa ao lado das cabanas, as Cabanas do Aiuruoca são duas rústicas construções de madeira utilizadas pelos boiadeiros como abrigo quando na lida com o gado naqueles lados da serra, agora também é possível alugá-las ligando para um telefone (o Augusto registrou o número em uma foto).
Como estávamos muito cansados resolvemos cochilar um pouco e prepararmos nosso “almo-janta” mais tarde, mas bastou deitarmos e o Sol se por completamente que com a noite veio também a chuva que prosseguiu durante horas.

Terça 13 de julho
Levantamos por volta das 7:15h. o céu estava nublado, o semblante do Augusto demonstrava ansiedade em caminhar logo, talvez pela preocupação da chuva que as nuvens insinuavam em deixar cair, por termos um longo dia pela frente e não conhecermos as condições da trilha dali por diante.
Preparei um mingau de aveia bem quente, afinal iria precisar de bastante fibra mesmo para encarar logo cedo uma trilha “pesada”, escorregadia pela chuva da noite passada e por ser de subida constante.
As Cabanas do Aiuruoca marcam também um ponto de intersecção estratégico nessa travessia, pois é onde essa trilha tem sua ramificação mais importante. Cruzando o rio e seguindo a trilha do outro lado segue-se por uma trilha mais larga e curta que sobe direto até a antiga Pousada Alsene sem muitas dificuldades.
A trilha que sobe margeando o rio pelo lado onde estão as cabanas é quase três vezes mais longo e acidentado, porém nos leva à muitas belezas naturais como vales, picos e cachoeiras que é por onde seguiríamos.
Levantamos acampamento e partimos, 1 hora e muitos escorregões depois a trilha cruza para a outra margem do Rio Aiuruoca, por ainda ser um riacho nesse ponto seu leito aqui é repleto de enormes pedras expostas acima da linha d’água facilitando seu cruzamento.

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Ponto de travessia do Rio Aiuruoca

Assim que passamos o rio começou garoar, colocamos nossas capas e poucos minutos depois a garoa cessou. Ainda bem! As condições meteorológicas estavam bem condizentes com as previsões que tínhamos observado para o período de uma semana.
Ás 10:00h chegamos na região chamada pelos sitiantes de Invernada (local onde se leva o gado para pastar no inverno) e que lugar! Um belo vale de campo amplo e bem gramado entre a face sul da Serra Negra e o maciço do Itatiaia, para completar, ao seu fundo uma linda cachoeira desliza sobre um rochedo negro. Esta cachoeira é a Mané Emídio formada também pelas águas do Aiuruoca.

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Invernada e Cachoeira Mané Emídio - Segunda cachoeira do Rio Aiuruoca

Passamos por uma tronqueira e um charco na entrada do campo, do lado direito nos deparamos com mais uma cabana dos boiadeiros, esta permanece sempre aberta por não possuir porta.
Atravessamos o campo procurando a trilha que nos levasse em direção a encosta a nossa direita e encontramos também outra trilha que vai pra cachoeira, esta vai pelo meio do campo até o gramado acabar no riacho que provém da cachoeira e que vai contornando o campo, do outro lado do riacho a trilha segue na direção da cachoeira.
Antes de prosseguirmos em nossa trilha paramos por alguns minutos para apreciarmos um pouco mais o lugar e tirar algumas fotos.

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Cabana na Invernada

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Cachoeira Mané Emídio - Segunda cachoeira do Rio Aiuruoca

Seguimos na trilha e por volta de 11:00h a temperatura caiu um pouco em virtude de um vento gelado acompanhado de uma fina garoa. Estávamos próximos a um trecho de mata fechada então esperamos por alguns minutos e a garoa logo passou.
Continuamos e ás 12:10h alcançamos a Cachoeira do Aiuruoca, apesar de muito bonita não nos atrevemos a entrar por percebermos que é muito fria, por termos que manter um ritmo forte, pois poderia começar a chover e não queríamos chegar após o Pôr-do-Sol no Alsene.
Acima da cachoeira passamos por um grande charco conhecido como Cabeceiras do Aiuruoca, por entre o charco correm alguns córregos que se juntam aqui e dão origem ao Rio Aiuruoca.

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Cachoeira do Aiuruoca vista de cima - quase seca

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Cabeceiras do Aiuruoca

Este charco fica em um lindo vale emoldurado pelos picos do Cristal, Pedra do Altar, Pedra do Sino e a formação rochosa Ovos de Galinha. Em um dia de céu claro e clima seco poderíamos ver além deste conjunto geológico uma pequena parte do Pico das Agulhas Negras também sobressaindo ao lado da Pedra do Sino, mas uma extensa faixa de neblina cobria a maioria deles. Outro local espetacular que nos levou a fazer este caminho ao invés da rota mais curta a partir das cabanas.

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Formação Ovos de Galinha

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Atravessando o vale além das Cabeceiras do Aiuruoca

Atravessamos a planície do vale rumo sudoeste por quase 2 km, viramos para sul e começamos subir sentido Pedra do Altar, descendo vinham outros três montanhistas bem equipados e paramos para conversar sobre as condições das trilhas e do parque. Os rapazes nos disseram que estavam descendo para fazer a abertura da Trilha do Rancho Caído, entenda-se por “abertura” fazer uma limpeza do caminho, pois esta é uma antiga trilha proibida oficialmente pelo Parque.
Pouco após nos despedirmos dos rapazes interrompemos a subida para a Pedra do Altar e começamos a variável particular dessa travessia que oficialmente começa ou termina no Abrigo Rebouças.
Augusto consultou uma vez mais a Carta Topográfica, deu uma olhada nas horas, virou pra mim e disse: Pronto Sandro... Agora é por aqui. Apontando para fora da trilha no rumo oeste.
Olhei bem pra onde ele apontava e pela minha expressão ele emendou: Não tem jeito, agora é no visual.
Então tá né! Vamos lá!
E lá fomos nós mais uma vez pra baixo para depois subir outra encosta.
A partir dali fomos navegando em meio a vegetação de capim elefante, capim navalha, arbustos cheios de espinhos e “escalaminhando” alguns rochedos.
A princípio o plano do Augusto era subirmos mais próximo a Pedra do Altar e subir para o Pico do Massena, caminhar por sua crista descendo no seu extremo para o Alsene, porém estávamos muito cansados para isso.

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Capim elefante por onde passamos

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Invernada (área seca) e Cachoeira Mané Emídio ao fundo

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Cachoeira Mané Emídio

Após 3 km varando mato chegamos ao alto de um morro nas proximidades da Pousada Alsene. Dali podíamos avistar o Morro do Couto, a torre de transmissão de rádio de FURNAS, a portaria da parte alta do Parque, a Serra Fina e muitas outras, todos envolvidos parcialmente por nuvens em transição ao sabor do vento que batia forte onde estávamos, mas o Sol de inverno também fazia presença naqueles picos deixando nosso final de tarde fantástico.
Ficamos ali um tempo sem dizer nada um para o outro, desnecessário diante aquela exuberância, nestes momentos o silêncio é o mais eloquente dos oradores.

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Torre de transmissão de rádio de FURNAS e portaria da parte alta do PNI

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Serra Fina à direita

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Escaladores no Morro do Camelo

Faltava pouco para concluirmos nosso objetivo e entre mais um pouco de vegetação fomos tateando e abrindo caminho até um córrego que passa atrás do Alsene.
Abastecemos nossas garrafas e montamos acampamento em um local fora da visão de quem passasse pela frente da pousada. Muito satisfatoriamente concluímos aí ás 17:30h nossa travessia da Serra Negra.

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Córrego atrás da Pousada Alsene

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Chalé na Pousada Alsene

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Pousada Alsene

Álbum de fotos dessa travessia:
https://plus.google.com/u/0/photos/106224108147070780168/albums/5867429146270468833

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O percurso em amarelo é o caminho que eu e o Augusto fizemos para chegar ao Alsene. (Não podíamos subir para o Rebouças, pois queríamos um caminho mais interessante e não tínhamos autorização para fazer a Travessia da Serra Negra).

Para realizar esta travessia leia as instruções do Parque Nacional do Itatiaia:
http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/guia-do-visitante.html

 

20100724225355.gif Abraços.

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Nooooooossa!! Muito fantástico este relato!!!!

 

afff muita coragem de vcs!! e os visuais hein? são presentes!!!

 

Excelente trip! parabéns Sandro e Augusto!

 

Abraços !!!

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Ôxente Frida! E precisa de coragem pra se divertir é?! ::lol3::

Em busca da felicidade nenhum esforço é em vão quando estamos preparados físico e psicologicamente para desfrutar das maravilhas da natureza.

 

Beijo querida. ::kiss::

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Ah! Sandro, Este espírito de desbravador, aventureiro já está encarnado em vc, e acompanhado dele já vem a coragem junto!!

 

Mas os iniciantes como eu, ainda não estão imbuídos deste espírito aventureiro ... então sempre rola uns medos.... tromba dágua, onça, cobra, abelhas africanas, OVNI ou até mesmo um simples mocó ou sariguê... rsrsrs há, ainda, aqueles que precisam de coragem para as coisas ocultas, como o Zumbi do Itobira - Pico do itobira em Rio de Contas (cara, o bicho existe!!! é sério!!! pessoas mais velhas confirmam! eu nunca vi mas que existe, existe! ).

 

Mas o importante é fazer o que gosta, respeitando a natureza e as pessoas ao redor!

 

Um abraço aos Aventureiros!!! ::otemo::

 

PS: daqui há uns anos iremos ler os relatos de Sofia!!!!!!

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Parabéns Sandro!

 

Isto que é relato completo, com fotos e até mapa! Excelente para quem quer fazer esta trilha.

 

Eu sou um deles, quando puder ir ao Rio vou ver se consigo emendar um fds e fazer a travessia. O relato vai ser muito útil bergkamerad!

 

Uma pergunta: não era melhor fazer a travessia no sentido oposto: as meninas deixavam vcs na parte alta e voltariam a Mauá? Vcs a reencontraríam lá.

 

abs, peter

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Obrigado Frida.

E medo, todos temos! Ele é importante; até para os mais “corajosos”, afinal ele nos deixa alertas.

Tudo é uma questão de ter prudência e avaliar racionalmente os riscos.

 

E eu já falei pro Augusto e pra Márcia montarem o álbum de fotos das “Aventuras de Sophia”, pois ela já começou nas viagens, gostou de entrar em rio, mato e gosta de brincar com tudo que é bicho. "Filho de peixes, peixinho é!" ::otemo::

 

Abraço.

 

Ah! Sandro, Este espírito de desbravador, aventureiro já está encarnado em vc, e acompanhado dele já vem a coragem junto!!

 

Mas os iniciantes como eu, ainda não estão imbuídos deste espírito aventureiro ... então sempre rola uns medos.... tromba dágua, onça, cobra, abelhas africanas, OVNI ou até mesmo um simples mocó ou sariguê... rsrsrs há, ainda, aqueles que precisam de coragem para as coisas ocultas, como o Zumbi do Itobira - Pico do itobira em Rio de Contas (cara, o bicho existe!!! é sério!!! pessoas mais velhas confirmam! eu nunca vi mas que existe, existe! ).

 

Mas o importante é fazer o que gosta, respeitando a natureza e as pessoas ao redor!

 

Um abraço aos Aventureiros!!! ::otemo::

 

PS: daqui há uns anos iremos ler os relatos de Sofia!!!!!!

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Obrigado Peter.

Optamos por fazer a travessia neste sentido, porque na sequência queríamos fazer (e fizemos) a Travessia Ruy Braga começando na parte alta do Parque Nacional do Itatiaia.

Este mapa é o oficial distribuído na página do Parque com algumas complementações minhas. As trilhas em vermelho são as oficiais permitidas.

Como você pode ver no mapa e na página de diretivas do Parque a Travessia da Serra Negra somente é permitida começando no Abrigo Rebouças e terminando em Maromba. O que ia contra nossos objetivos, por isso fizemos sem autorização, deixando a trilha na altura da Pedra do Altar para não sermos pegos pelos guardas que no máximo monitoram até aquelas imediações.

 

Fazê-la da forma estabelecida pelo parque também é ótimo, por passar em lugares belíssimos e por permitir que até quem não esteja acostumado com trilhas puxadas possa fazer, visto que neste sentido o único trecho de subida é de aproximadamente 1 km após o sítio do Sr. Anísio o restante são de descidas intercaladas com trechos planos.

Deixo a dica também pra galera que pratica Mountain bike: Na trilha oficial não é permitido, mas começando pela trilha ao lado do Alsene que desce até as Cabanas do Aiuruoca onde encontra a oficial é tranquilo.

 

Abraços. ::otemo::

 

Parabéns Sandro!

 

Isto que é relato completo, com fotos e até mapa! Excelente para quem quer fazer esta trilha.

 

Eu sou um deles, quando puder ir ao Rio vou ver se consigo emendar um fds e fazer a travessia. O relato vai ser muito útil bergkamerad!

 

Uma pergunta: não era melhor fazer a travessia no sentido oposto: as meninas deixavam vcs na parte alta e voltariam a Mauá? Vcs a reencontraríam lá.

 

abs, peter

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Parabéns Sandro!

 

Isto que é relato completo, com fotos e até mapa! Excelente para quem quer fazer esta trilha.

 

Eu sou um deles, quando puder ir ao Rio vou ver se consigo emendar um fds e fazer a travessia. O relato vai ser muito útil bergkamerad!

 

Uma pergunta: não era melhor fazer a travessia no sentido oposto: as meninas deixavam vcs na parte alta e voltariam a Mauá? Vcs a reencontraríam lá.

 

abs, peter

 

Peter, recomendo vc fazer a Travessia de Itatiaia completa.. aquela q sai da baixada de Resende, via Trilha do Pinhal, atravessa o TODO o miolo do planalto (e nao o contorna pelo seu contraforte norte, via Serra Negra) passando pelo Abrigo Massenas, Ovos da Galinha, Vale dos Dinossauros, Mata-Cavalo e Rancho Caido, locais fantasticos pra pernoite selvagem. Claro q é uma pernada exaustiva, perrengueira e q requer senso de navegacao/farejo de trilha (boa parte fechada no trecho inicial), mas pra quem é do ramo nao é nada do outro mundo. Particularmente julgo mto mais interessante pois nao se vale de nenhum trecho semi-rural ou estradas de terra. Totalmente selvagem e coisa pra poucos mesmo. Se quiser te passo as coordenadas (em off) pois levei 3 dias enxutos nessa parada, com logistica previamente planejada com um taxista de Resende.

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Isso nao é um relato, é quase um GUIA hahahaa

 

Tá excelente o relato, Sandro.

Já ameacei fazer essa travessia umas tres vezes tendo sempre que abortar o plano por diversos motivos alheios. Agora que tem até "manual", quem sabe? heheh

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