Olá viajante!
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Este é um relato detalhado dessa trip que chegou ao topo da Pedra da Mina cruzando a Serra Fina de sul a norte. Iniciamos a caminhada em Queluz/SP, seguindo pela margem do Rio Claro até chegar próximo à sua nascente, que é a base da Pedra da Mina, para depois descer do outro lado pela Trilha do Paiolinho. Iniciamos no dia 24/07 (Quinta-feira) e levamos 4 dias para chegar no topo e depois mais 2 dias para retornar à São Paulo. Estávamos em 4, mas logo no segundo dia tivemos uma baixa.
As fotos estão no Flickr:.
# Preparativos
Tudo começou em 2007.
Na época o Carlos Lessa, mais conhecido com Cela (montanhista do UNICERJ) enviou e-mails para mim e para o Jorge Soto convidando para fazermos essa travessia subindo pelo Rio Claro.
Ele até tentou ligar em um telefone que pertencia ao dono da Fazenda Jaboticabal, que fica em Queluz/SP onde se inicia a trilha, mas em vão.
E com isso passou a época de inverno e deixamos para lá, mas ali a ideia foi plantada.
E novamente no começo de 2008 voltamos a falar sobre essa travessia e em Abril consegui o telefone através de um relato que encontrei na Internet.
O telefone era do dono da Fazenda.
Ao longo dos meses de Abril e Maio, liguei algumas vezes para o escritório e consegui falar com ele, explicando nossa intenção de subir a trilha do Rio Claro, mas ele sempre dizia que a trilha estava muito fechada e que já tinha havido problemas com pessoas que tentavam fazer essa trilha (em um relato postado no site loucos de pedra comentavam que já tinha havido 7 tentativas frustradas para subida por essa trilha: Clique aqui- http://www.loucosdepedra.com.br/anterior/anterior/diarios/d_rio_claro.html).
Ele não quis citar as pessoas que tentaram, mas pelo relato deu para ver que a trilha é casca grossa mesmo.
Argumentei com ele que o grupo era só de três pessoas (eu, o Cela e o Jorge) e que já tínhamos feito algumas travessias pesadas, mas a cada momento que eu ligava para ele percebia que a autorização ia ser difícil conseguir.
No começo de Junho/08 comentei com o Jorge e o Cela sobre essas dificuldades da trilha. O Jorge disse que tinha conseguido a trilha plotada em uma carta topográfica de 1:10.000. Não pensei 2x e voltei a ligar novamente e comentei com ele sobre isso e daí em diante até se mostrou favorável para que fizéssemos a trilha, mas surgiu um outro problema: ele queria nos conhecer pessoalmente, o que seria uma dificuldade para nós, pois não era fácil reunir os 3 e se mandar para Guaratinguetá onde ele morava.
Outra exigência dele, que de certa forma entendemos, foi querer saber se tínhamos mesmo experiência em travessias pesadas. Pelo menos isso foi fácil, já que só foi mandar por e-mail relatos e fotos de trilhas que eu e o Jorge já tínhamos feito.
Pela dificuldade de agenda em marcarmos uma data para encontrarmos com ele, o Jorge propôs que no mesmo dia que fossemos iniciar a trilha, que passássemos pela sua casa em Guaratinguetá para assinarmos o Termo de Responsabilidade e dali para frente qualquer acidente ou morte seria por nossa conta e risco, isentando o dono da fazenda sobre isso.
Liguei novamente para ver se aceitava a nossa proposta e ele concordou.
Em seguida pediu nossos nomes completos e números dos documentos para que ele redigisse o Termo e assinássemos quando tivéssemos passando por lá.
Mas aí surgiu outro problema (era um atrás do outro): o Cela não estava respondendo os e-mails há vários dias e isso nos deixou preocupados quanto a sua confirmação na trip.
Depois de ligar no seu celular fui saber que ele estava no RS a trabalho.
Comentei que os planos de subir a Pedra da Mina pela Trilha do Rio Claro já estava quase tudo pronto e que estávamos planejando a travessia para última semana de Julho devido a disponibilidade de datas minha e do Jorge.
O problema é que ele só estaria disponível depois de Agosto e com isso antes de iniciar a caminhada, já tínhamos a primeira baixa.
Agora éramos só eu e o Jorge, mas ele prevendo isso já tinha convidado o Ricardo (outro trilheiro experiente que tínhamos feito a Transmantiqueira juntos – relato aqui) e mais alguns outros para a trip.
Liguei novamente comunicando a desistência do Cela e o acréscimo de mais pessoas na trip, mas ele disse que achava errado, pois em todos os contatos sempre mencionei que iriam só 3 pessoas.
No final tivemos que reduzir a trip e só ficamos em 4 (eu, Jorge, Ricardo e Ângelo), o que ele concordou.
O Ricardo estava levando um GPS com os pontos plotados do Google Earth e da carta do Jorge e eu estava levando uma carta topográfica com toda a trilha plotada desde a Fazenda até o topo da Pedra da Mina.
Nossa intenção era descer pela Trilha do Paiolinho e um irmão do Ricardo nos resgataria lá na Fazenda Serra Fina.
A Trilha do Paiolinho nenhum de nós tinha feito, mas iríamos descer por lá mesmo (no final a trilha foi muito mais fácil do que prevíamos, pois ela é bem demarcada – impossível se perder ali).
Nos últimos dias acertamos de entregar diretamente na Fazenda os Termos de Responsabilidade assinados e a data ficou marcada para o dia 24/08 (Quinta-feira) e o retorno para o dia 27/08 (Domingo) levando 3 dias somente para a subida da Fazenda até o topo da Pedra da Mina.
# 1º dia
Saímos de Sampa na Quinta pela manhã para encontrar o Ricardo na Rodoviária de Queluz, mas por um atraso no planejamento só saímos do Terminal Tietê às 09:00 hrs em direção a Resende (RJ), chegando em Queluz as 12h30min e nessa cidade pegamos um táxi em direção a Fazenda Jaboticabal onde chegamos as 13h20min.
Aqui entregamos nossos Termos de Responsabilidade assinados para uma pessoa que cuidava da Fazenda e logo que iríamos iniciar a subida em direção a trilha, um caminhão entrou na Fazenda para fazer o mesmo percurso que a gente e com isso ganhamos uma carona que nos economizou cerca de 7 Km de subida íngreme pela estrada, nos deixando a cerca de 30 minutos do início da trilha.
Daqui em diante, seguimos caminhando por uma antiga estrada de acordo com o GPS do Ricardo até encontrarmos o início da trilha.
As 15:00 hrs chegamos na placa que indicava o início da trilha que leva até o Rio Claro que o proprietário já tinha nos alertado, encontramos a trilha bastante fechada e com o mato tomando conta.
Depois de uns 15 minutos varando mato, chegamos ao Rio Claro que merece o nome que tem, pois suas águas são de uma transparência nunca vista e aqui encontramos seu leito com inúmeras pedras e pequenos poções (dependendo da incidência da luz solar, a água pode se tornar azul ou verde).
Devido a falta de chuva há vários dias o rio estava com alguns trechos secos, o que facilitou a caminhada, na verdade, escalaminhada.
A subida até a nascente foi um trepa pedra atrás do outro e isso quando não tínhamos que varar mato para evitar paredões verticais onde a subida era impossível.
Nesse primeiro dia, não ganhamos tanta altitude porque o trecho inicial não estava muito encachoeirado, o que até facilitou para gente.
O Ricardo foi sempre à frente e eu logo atrás dele.
De vez em quando a gente parava para confrontar os dados do GPS com as coordenadas da carta topográfica para sabermos em que trecho do rio estávamos.
Conforme íamos escalaminhando enormes pedras, o fim da tarde já ia se aproximando e por volta das 17:00 hrs eu e o Ricardo resolvemos explorar algumas partes planas nas laterais do rio e encontramos um local que dava pra acomodar as 3 barracas e a rede do Jorge.
Era nossa primeira noite ao lado do rio e por volta das 20:00 hrs todos já estavam dentro das barracas e só me assustei que durante a madrugada acordei com um barulho estranho debaixo da barraca.
Era como se fosse um animal ou inseto roendo alguma coisa e na hora tive que dar várias porradas no piso da barraca para que o barulho parasse, mas que pouco adiantou.
Voltar a dormir não foi fácil, pois a todo o momento pensava que o bicho ou inseto podia entrar na barraca.
O local onde estávamos era forrado de vegetação e várias raízes, por isso o bicho continuava lá embaixo.
No horário que acordei, por volta das 02h20min, o termômetro marcava cerca de 12 °C e não lembro de quando voltei a dormir, mas por volta das 06:00 h acordei um pouco sonolento, mas pronto para mais 1 dia de escalaminhada.
Continua no segundo dia
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