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SUPERMERCADO MAIS BARATO EM VENEZA ūüáģūüáĻ


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Hoje a dica è alimentação em uma das cidades mais caras da europa, A REALIDADE!!!

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1kg DE FRANGO R$ 65,00 ūüė®ūüė®

 

Espero que gostem do conte√ļdo, qualquer d√ļvida ou sugest√Ķes deixem nos coment√°rios do video, at√© mais galera!!¬†

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  • Conte√ļdo Similar

    • Por Fora da Zona de Conforto
      Para muitas pessoas, fazer uma viagem internacional é algo difícil, afinal, esse tipo de viagem não costuma sair barato.
      Porém, saiba que seguindo algumas dicas é possível sim economizar em uma viagem para fora do país!
      Quer saber como? Ent√£o confira as informa√ß√Ķes que separamos abaixo.
       
       
      Viagem internacional: 9 dicas para você economizar
       
      Dica 1: faça pesquisas pelas passagens com antecedência
      A primeira dica que temos para economizar em sua viagem internacional, refere-se às passagens aéreas.
      Isso porque, elas geralmente têm um custo mais elevado em comparação com os outros itens da viagem.
      Ent√£o, para n√£o gastar ‚Äúrios de dinheiro‚ÄĚ neste ponto, comece a pesquisar pelas passagens com anteced√™ncia, pelo menos quatro meses antes do per√≠odo que voc√™ pretende viajar.
      Dessa forma, você conseguirá monitorar os preços com mais calma e terá muito mais chances de conseguir uma boa oferta no meio do caminho.
       
      Dica 2: diminua a categoria da hospedagem
      Além das passagens, a hospedagem pode representar uma parcela significativa no seu custo de viagem. Por isso, para economizar, diminua a sua categoria.
      Então, em vez de ficar em um resort badalado ou em um hotel 4-5 estrelas, opte por um lugar mais simples e em conta, como um hostel ou uma pousada.
      Ou ainda, você pode buscar uma acomodação no Airbnb ou utilizar o Couchsurfing.
       
      Dica 3: compre a moeda estrangeira gradualmente (e com antecedência)
      Para poder fazer compras e pagamentos no exterior, voc√™ precisar√° comprar, antes de sair do pa√≠s, uma certa quantia de moeda estrangeira, por exemplo, em uma casa de c√Ęmbio ou com seu banco.
      E para economizar neste item, não compre a moeda de uma só vez.
      Isso porque, o c√Ęmbio tem varia√ß√Ķes regularmente, um dia est√° mais caro e no outro est√° mais barato.
      Então, saiba aproveitar isso. Vá comprando a moeda estrangeira gradualmente e com antecedência, pois assim como nas passagens aéreas, você terá mais chances de conseguir um bom negócio tendo o tempo a seu favor.
      Saiba quando, como e onde comprar para fazer o seu dinheiro valer mais.
       
      Continue lendo em: 9 Dicas Para Economizar na Sua Viagem Internacional
    • Por camilandarilha
      Em 2019, realizei a maior viagem da minha vida e agora, finalmente decidi compartilhar um pouco dela aqui  espero que gostem!
      Capítulo 1: Preparação e França
      Em setembro de 2018, decidi largar a faculdade e juntar dinheiro para me jogar em uma aventura na Europa. Estava trabalhando em uma ONG de interc√Ęmbio volunt√°rio e fechei um pacote para passar 45 dias na Cro√°cia por R$400 reais. Muito barato! Pelo menos tinha a hospedagem garantida. (S√≥ vim saber exatamente onde ia dormir quando cheguei na Cro√°cia, mas essa parte fica para outro momento)
      ¬†Tinha pouqu√≠ssimo tempo e pouqu√≠ssimo dinheiro (somente R$1000 guardados) pois planejava passar o ano novo em Paris (j√° que as passagens no inverno s√£o mais baratas). Vendi praticamente TUDO o que eu tinha, roupas, livros, e vendia comida na rua (principalmente bolo vegano)! Contava a hist√≥ria de que estava indo realizar meu sonho de mochilar, e muitas pessoas me davam dinheiro sem nem pegar a fatia, para que eu vendesse para outra pessoa. Lembro-me de um dia em que ofereci o bolo para dois senhores em um restaurante chique: Um me deu uma nota de R$50 e outro, de R$20. Quase engasguei de surpresa hahaha¬†ūüėÖ¬†depois de vender muito bolo, pastel e etc, consegui juntar R$2500, que somando com o que eu tinha guardado, foi o pre√ßo da passagem de ida e volta! Poderia ter pago bem mais barato se tivesse comprado com mais anteced√™ncia, ent√£o essa √© a primeira dica: Se voc√™ for fazer na loucura que nem eu, presta aten√ß√£o nas promo√ß√Ķes e procure as datas mais baratas (usei o Skyscanner para isso)¬†mas se voc√™ tem mais tempo, compre com anteced√™ncia, pois isso pode te fazer economizar uma boa grana!¬†
      Outra dica: se você vai vender na rua para juntar grana e viajar, não seja seletivo. Eu era um pouco mais tímida, e só oferecia para pessoas que não estavam em grandes grupos e ainda era seletiva, escolhia na rua para quem ia oferecer. OFEREÇA PRA GERAL! HAHA Sério!
      Fiz vaquinha, continuei vendendo e tive também uma ajuda dos meus pais. Acabei indo com cerca de 800/900 euros (ou seja, eu iria me virar com uma média de 100 euros por mês). Na época, isso seria mais ou menos R$4000. 
      Cheguei em Paris e nem podia acreditar que estava ali. Eu nunca nem havia saído do nordeste! Estava fazendo 7 graus, e eu estava com um agasalho de inverno. Porém quando eu digo inverno, é inverno nordestino, ou seja, não servia para quase nada  me lasquei de frio, então outra dica: Não seja mão-de-vaca como eu fui na hora de investir em roupa de inverno. Porquê meu pensamento foi "São menos de três meses de frio, eu vou sobreviver". NÃO PENSEM ASSIM, PELO AMOR DA BICICLETINHA! 
      Fiquei uma semana em Paris e dei um bate e volta em Versailles com uma amiga peruana que fiz através do Couchsurfing. Fui no museu do Louvre de graça (o Louvre é gratuito nos sábados à noite, na baixa temporada! Outro motivo de querer ir pra Paris no ano novo). Fui na Sacred Coeur, Notre Dame (não entrei porquê era pago) e bati bastante perna! Os franceses a quem pedi informação foram gentis e prestativos. O segredo é começar com "Bonjour/Bonsoir! Excusez-moi parlez-vous anglais?" (Bom dia/boa noite! Com licença, você fala inglês?)
      A ideia era pagar pelo transporte (e ainda paguei algumas vezes) mas os pr√≥prios parisienses me ensinaram como burlar o metr√ī¬†ūü§∑‚Äć‚ôÄÔłŹ¬†quase n√£o paguei transporte p√ļblico nesse mochil√£o. N√£o estou dizendo que √© certo, mas era a forma que eu tinha de economizar. Se voc√™ puder pagar, pague, pois se voc√™ for pego, paga uma multa de em m√©dia 100 euros!¬†
      Duas vezes pedi informa√ß√£o sobre como comprar um ticket de metr√ī pois estava toda enrolada, nas duas vezes, as pessoas tentaram me explicar, mas resolveram¬†pagar¬†pra mim. Gentileza que voc√™ n√£o espera!
      Fiquei na casa de duas pessoas do Couchsurfing. Me senti muito desconfort√°vel na casa do meu primeiro host, era um franc√™s que morava sozinho e era uma pessoa inconveniente,¬†mas no da segunda, foi √≥timo ‚̧ԳŹ¬†uma paquistanesa super gente fina, que morava com o namorado franc√™s e tinha um gatinho, o Pablito. Eles foram √≥timos! A paquistanesa falava seis idiomas, incluindo portugu√™s (se eu n√£o soubesse que ela era do Paquist√£o, diria que era paulista pelo sotaque!)
      Maas, na noite de ano novo, acabei dormindo no hostel onde a minha amiga do Peru estava se hospedando. O metr√ī estava fechado (eram 3h da manh√£)¬†e eu teria que esperar at√© √†s 7h. Tinha uma cama vazia no quarto que ela estava: Ela parou um pouco, pensou e disse baixinho: "Fica a√≠ at√© √†s 7h, antes de checarem os quartos para limpeza"! Dei um cochilo, √†s 7h acordei e meti o p√©. Passei pela recep√ß√£o sem olhar para tr√°s, mas a pessoa que estava na recep√ß√£o nem disse nada. Provavelmente √© dif√≠cil saber quem √© h√≥spede ou n√£o em uma √©poca t√£o festiva.¬†
      Voltei para a casa do meu host com o c* na mão, pois quando cheguei na estação da zona que ele mora, eram 8h da manhã e ainda estava escuro - e não tinha ninguém na rua. Porém em um determinado momento passei por uma menina que estava andando e mexendo no celular tranquilamente e fiquei um pouco mais tranquila. A pessoa só faria isso em um lugar minimamente seguro, não é?  Mas ainda fiquei em alerta até chegar na casa do meu host. 
       
      Depois da França, peguei um voo para a Croácia (que estava incluso naqueles R$3500). Cheguei em Zagreb e peguei uma van até Rijeka, a cidade onde ficaria por 45 dias (acabei ficando 50 dias). 
       
       
       








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    • Por Silvana Almada
      Boa tarde viajantes,
      estarei em Roma em setembro (assim espero) por 5 dias e estou pensando em fazer um bate e volta até Florença. Sei que, pelo que li, a cidade pede muito mais
      que apenas 1 dia, mas infelizmente s√≥ posso dessa forma. Uma d√ļvida: algu√©m conhece¬† a¬†Galleria degli Uffizi? √Č poss√≠vel eu encaixar uma visita nesse 1 dia? Sou amante do Renascimento, queria muito conhecer mas n√£o sei se ser√° vi√°vel.
      Alguém pode me ajudar?
      Abraços
    • Por claudio_aomundoealem
      Ol√° mochileiros,
       
      essa é a terceira viagem que descrevo aqui no mochileiros e da qual muito me orgulho - seja por ter ido à minha paixão (Londres) quanto ao planejamento da viagem; afinal a estruturei desde agosto para realizá-la no fim do ano (Haja pesquisa!).
      O resultado de tanto trabalho segue condensado em milhares de palavras. Espero que ajude (e incentive) a potenciais viajantes a conhecer estas capitais mundiais.
       
      Londres e Paris ‚Äď Parte 2 ‚Äď It√°lia e Inglaterra
       
      Dia 18/12 (1)
       
      Enfim, chegou o dia t√£o esperado desde a compra da passagem a√©rea em agosto. Com as malas arrumadas na semana anterior, bastava guardar os objetos que s√≥ podiam ser armazenados no √ļltimo dia, como celular, carregador... O voo estava previsto para √†s 23:00, ou seja, teria de chegar ao Aeroporto de Guarulhos √†s 20:00 ‚Äď tarefa relativamente simples, pela proximidade do local que estava somada ao hor√°rio. Mas ocorreu o inverso: caiu aquela chuva quando ia chamar o motorista de aplicativo e, por causa da tempestade, o tr√Ęnsito na rodovia piorou. Serve de li√ß√£o: mesmo na cidade onde reside, imprevistos podem ocorrer ‚Äď se a companhia a√©rea determina chegar com tr√™s horas de anteced√™ncia, se programe para chegar em uma hora antes disso.
       
      Chegamos ao aeroporto depois das 20:00 e fizemos o check-in em um dos totens da companhia a√©rea. Todavia, enquanto o port√£o de embarque seria no Terminal 2, mandaram-nos despachar as malas no Terminal 3. No terminal internacional, havia uma enorme fila para despachar as malas (para me tranquilizar, percebi que alguns passageiros que estavam ainda atr√°s de n√≥s tamb√©m iam para Mil√£o ‚Äď ou seja, se eu estivesse atrasado, n√£o seria o √ļnico).
       
      Vozes no alto-falante proclamavam: ‚Äú√ļltima chamada para Nova York. Dirija-se ao guich√™ para despachar as malas‚ÄĚ, ‚Äú√ļltima chamada para Amsterd√£‚ÄĚ, ‚Äúembarque para Nova York encerrado‚ÄĚ ‚Äď e nada de Mil√£o.
       
      Ap√≥s uma hora, uma voz desconhecida disparou a frase sombria ‚Äúembarque para Mil√£o encerrado‚ÄĚ. N√≥s e outros passageiros ainda mais atrasados fomos questionar os funcion√°rios, que permitiram o despacho das malas (al√©m de que n√£o fizeram o aviso de √ļltima chamada e ainda estava em tempo).
       
      Com as malas despachadas, entramos com o bilhete na √°rea de imigra√ß√£o internacional ‚Äď e uma fila ainda maior apareceu. No fim das contas, conseguimos embarcar na aeronave junto com outros atrasados no hor√°rio te√≥rico de partida do avi√£o ‚Äď e ver de um dos vidros do corredor de liga√ß√£o interna do Terminal 3 ao 2 que a √°rea de imigra√ß√£o internacional do Terminal 2 estava vazia. Bastava simplesmente que nos enviasse para esse outro setor de imigra√ß√£o ‚Äď para evitar tal sufoco, reitero: chegue uma hora antes.
       
      RESUMO
       
      N√ÉO ESTRAGUE sua viagem a ponto de perder o voo ‚Äď √© aquela hora vital que pode destruir todos os sonhos de turismo.
       
      N√£o se ILUDA com o tempo no aeroporto realizado em viagens anteriores ‚Äď o aeroporto pode estar lotado e o tempo dos tr√Ęmites de imigra√ß√£o, multiplicado.
       
      Dia 19/12 (2)
       
      Devo parabenizar a precis√£o do servi√ßo meteorol√≥gico que informou ao piloto do avi√£o ainda em S√£o Paulo. Como noticiado pelo comandante, a chegada ao Aeroporto de Malpensa-Milano foi recebida sob uma leve queda de neve (sonho de todo brasileiro carente de frio). Distintivamente √† viagem do ano anterior, estava muito mais tranquilo quantos aos tr√Ęmites pela imigra√ß√£o dos aeroportos na Uni√£o Europeia. Bastou mostrar os passaportes para receber o carimbo ‚Äď nada de carta Schengen, hospedagens reservadas e/ou m√≠nimo de dinheiro.
       
      Para viagens que t√™m destinos com temperaturas opostas √†s cidades de origem ‚Äď como sair da abafada primavera paulista para um c√©u escurecido pela neve ‚Äď √© importante levar roupas na bolsa/mochila para trocar no aeroporto antes de se aventurar pelo destino (ou colocar um casaco mais pesado ainda na aeronave, caso descubra que o avi√£o n√£o usar√° o finger).
       
      Do Aeroporto de Malpensa para Mil√£o, existem diversas formas de transporte: o t√°xi, que √© muito caro; o trem expresso (Malpensa Express), a um custo √† √©poca de ‚ā¨ 13; e os √īnibus (shuttle), de 8 a 10 euros. No entanto, o nosso caso seria direcionado a outra cidade, Busto Arsizio. Para chegar a esta cidade, bastava pegar o trem regional, a um custo de ‚ā¨ 4.
       
      O detalhe que fica nessa primeira viagem ferrovi√°ria na It√°lia √© que n√£o passei por nenhuma catraca em todo o trajeto. N√£o recebi comprovante de pagamento quando comprei na bilheteria, n√£o havia catraca na plataforma do aeroporto, nem na sa√≠da da esta√ß√£o em Busto Arsizio. Era necess√°rio convalidar o bilhete em pequenas m√°quinas que ficam em todas esta√ß√Ķes de trem na It√°lia (a necessidade de convalidar o bilhete n√£o ocorre s√≥ na It√°lia ‚Äď vale para v√°rios pa√≠ses europeus). Basta inserir o bilhete de trem adquirido na m√°quina e essa registra o momento do ato (convalida), indicando o per√≠odo pelo qual a viagem √© v√°lida. Por sorte, n√£o tivemos a desagrad√°vel abordagem pelo fiscal da companhia ferrovi√°ria.
       
      Depois de deixar as malas no quarto, partimos para a noite milanesa. Nada mais justo experimentar o aperitivo milan√™s: pede-se uma bebida junto com os aperitivos ‚Äď s√≥ que, tratando-se da comida italiana, os aperitivos serviam perfeitamente para jantar. Para esta experi√™ncia, o custo ficou em 10 euros.
       
      A neve que ca√≠a no aeroporto foi modificada por uma mistura de √°gua e neve em Mil√£o, o que dificultava um pouco andar pelas ruas geladas e molhadas da cidade italiana. Pr√≥ximo da esta√ß√£o Milano Cadorna fica a Basilica di Sant¬īAmbrogrio, uma igreja milenar com registros da √©poca romana.
       
      RESUMO
       
      O tr√Ęmite de imigra√ß√£o PODE ser bem tranquilo.
       
      LEMBRE-SE de ver qual é a temperatura prevista no momento de chegada ao destino.
       
      SAIR do aeroporto √© f√°cil. O problema est√° no pre√ßo e tempo para cada forma de transporte ‚Äď e ver na √ļltima hora pode ser bem mais complicado.
       
      Nas ferrovias italianas (e na Europa) lembre de CONVALIDAR seu bilhete.
       
      VIVA a noite em Mil√£o: experimente os aperitivos milaneses.
       
      Dia 20/12 (3)
       
      Nas primeiras horas em solo europeu, √© fundamental ir ao mercado comprar alimentos para economizar com as refei√ß√Ķes. A despeito de ser um ato aparentemente simples, a dificuldade representada por outro idioma (italiano) e a necessidade de calcular os pre√ßos (n√£o somente de euros para real, mas entre os pr√≥prios produtos em euro ‚Äď a diferen√ßa de pre√ßos chega a ser surpreendente) tornam a a√ß√£o bem mais demorada do que a feita no Brasil. Para tornar o ato mais eficiente, o uso de celular e/ou papel e caneta para tradu√ß√£o e compara√ß√£o de pre√ßos pode ser interessante.
       
      Est√°vamos hospedados em Busto Arsizio, mas pegar√≠amos em Mil√£o o √īnibus para Londres √† noite ‚Äď e o que fazer com as malas? Seria invi√°vel retornar para Busto Arsizio somente para busc√°-las. Por um erro de planejamento, n√£o tinha estudado antes os dep√≥sitos de bagagem dispon√≠veis em Mil√£o para poder comparar os pre√ßos e utilizamos o da esta√ß√£o Milano Centrale, a um custo de ‚ā¨ 7 por 7 horas.
       
      Com as malas guardadas na esta√ß√£o, realizamos nosso passeio de um dia por Mil√£o. Para quem tem somente essas horas na cidade, o passeio obrigat√≥rio √© o Duomo de Milano, uma gigantesca catedral g√≥tica. Muitos sobem no seu telhado, no qual fica mais f√°cil observar a arquitetura e as in√ļmeras est√°tuas que comp√Ķem a estrutura da catedral e permite uma ampla vis√£o da cidade. Diferentemente de outras igrejas de Mil√£o, o acesso a seu interior √© pago.
       
      Al√©m do Duomo, foi poss√≠vel conhecer ainda a Galleria Vittorio Emanuele II, um dos mais antigos shoppings da It√°lia; a Via Monte Napoleone, uma das ruas que comp√Ķe o quadril√°tero da moda, composta por v√°rias grifes internacionais; o Bosco Verticale, conjunto de torres residenciais ‚Äúverdes‚ÄĚ.
       
      Depois de retirarmos as malas, embarcamos no metr√ī rumo √† esta√ß√£o Lampugnano, que possui uma rodovi√°ria anexa de onde partem os √īnibus para outros pa√≠ses e regi√Ķes. Apesar de Mil√£o ser uma grande e importante cidade, a rodovi√°ria estava longe da qualidade apresentada pela Rodovi√°ria paulistana Tiet√™ ‚Äď era apenas uma cobertura aberta, onde os passageiros nas plataformas aguardavam no frio a chegada dos √īnibus.
       
      Depois de um atraso de uma hora, o √īnibus chegou. O motorista pede documento de identifica√ß√£o (passaporte) e um comprovante da passagem, com o QRcode (pode ser tanto no celular quanto impresso, mas √© melhor ter a vers√£o impressa: possibilita conferir informa√ß√Ķes rapidamente e auxilia caso ocorra algum problema, como falha da leitura do QRcode no celular). Diferentemente de viagens brasileiras, cada passageiro coloca ‚Äď e retira ‚Äď sua mala no bagageiro do √īnibus e escolhe livremente seus lugares.
       
      RESUMO
       
      Ao chegar ao destino, v√° ao SUPERMERCADO.
       
      ENTENDER o que est√° escrito nos produtos pode ser complicado. Baixe um tradutor para uso off-line.
       
      As malas podem representar um custo a mais consider√°vel. Se puder, pesquise antes por DEP√ďSITO DE BAGAGEM caso tenha de usar.
       
      Em Mil√£o, VISITE o Duomo de Milano, a Galleria Vittorio Emanuele II, o Bosco Verticale, a Via Monte Napoleone entre outros.
       
      Nem tudo √© perfeito: os √īnibus em pa√≠ses desenvolvidos podem ATRASAR.
       
      Para EMBARCAR no √īnibus, basta seu passaporte e o QRcode ‚Äď e coloque voc√™ mesmo sua mala dentro do ve√≠culo.
       
      Dia 21/12 (4)
       
      Os √īnibus realizam com frequ√™ncia constante paradas com dura√ß√£o de 15 minutos, o que torna desnecess√°ria a preocupa√ß√£o de eventual necessidade de ir ao banheiro.
       
      Finalmente, um pouco depois do meio-dia, o √īnibus chegava na esta√ß√£o¬†Gallieni, em Paris, para conex√£o de menos de 2 horas com a outra linha que levaria a Londres (apesar do atraso de uma hora em Mil√£o, o motorista conseguiu recuperar o tempo). Diferentemente das paradas realizadas pelo √īnibus, o banheiro na esta√ß√£o √© pago, e o pre√ßo dos produtos (√°gua e comida) nas lanchonetes √© caro. Ent√£o, mesmo que n√£o ‚Äúsinta necessidade‚ÄĚ, melhor ir ao banheiro das paradas e traga comida comprada em mercados. Quanto ao consumo de √°gua, n√£o h√° necessidade de comprar ‚Äď toda √°gua dispon√≠vel nas torneiras da Europa √© pot√°vel, com exce√ß√£o de alguns pa√≠ses da Europa Oriental.
       
      Diversamente ao primeiro √īnibus em Mil√£o, este chegou no hor√°rio e iniciamos a segunda parte da viagem. Seguiu em dire√ß√£o ao norte franc√™s at√© Calais, onde come√ßava ainda na Fran√ßa o tr√Ęmite de imigra√ß√£o para as ilhas brit√Ęnicas.
       
      Ainda no √īnibus, entregaram-nos um pequeno peda√ßo de papel para preenchimento de informa√ß√Ķes exigidas pelos oficiais brit√Ęnicos (se os dados que forneci estavam de acordo com o determinado pela lei brit√Ęnica, nunca saberei).
       
      Depois de passar pelo guich√™ dos oficiais franceses, que deram o carimbo de ‚Äúsa√≠da‚ÄĚ no passaporte ‚Äď pela lei, estava em territ√≥rio internacional, mas fisicamente na Fran√ßa ‚Äď chegamos ao posto dos oficiais brit√Ęnicos. Como esse ‚Äúcaminho‚ÄĚ dos √īnibus √© comumente utilizado por imigrantes ilegais, esper√°vamos uma entrevista mais ‚Äúlonga‚ÄĚ em compara√ß√£o a dos aeroportos. Apresentamo-nos juntos ao oficial que pediu as informa√ß√Ķes b√°sicas: hospedagem, tempo de perman√™ncia, al√©m de requisitar os papeis com os dados do voo de retorno. Respondemos que √≠amos passar o Natal em Londres e que alugamos um apartamento, al√©m de mostrar os papeis do voo. Foi o suficiente. Em posse de nossos passaportes, carimbou a entrada, junto do visto de permiss√£o de perman√™ncia no Reino Unido por at√© 180 dias.
       
      De volta ao √īnibus depois do nosso sucesso na obten√ß√£o do visto, este ainda n√£o saiu: outros passageiros n√£o tiveram o mesmo desempenho ‚Äď um inclusive foi retirado do √īnibus por policiais mesmo tendo recebido o visto. Ap√≥s esperar meia hora, o motorista virou a chave do ve√≠culo e partiu. Mas, em menos de dez minutos, parou o ve√≠culo novamente. Por√©m n√£o se tratava de embara√ßo alfandeg√°rio.
       
      √Ä frente do √īnibus, gigantescas plataformas denotavam o in√≠cio do Eurot√ļnel. Ap√≥s ter a libera√ß√£o de acesso pelo funcion√°rio da ferrovia, o motorista manobrou para a plataforma indicada e inseriu o ve√≠culo no imenso trem que percorre por baixo do Canal da Mancha.
       
      Com a entrada de outros ve√≠culos, o vag√£o foi lacrado e o trem iniciou o percurso. Nesse trajeto os passageiros t√™m permiss√£o de descer do √īnibus e andar pelo trem. Apesar do caminho ser por baixo do mar, nada demonstrava que est√° embaixo dele, a mais de 100 km/h.
       
      O vag√£o foi aberto com a parada do trem indicando o fim do Eurot√ļnel, em Folkestone. O motorista manobrou e rapidamente caiu na estrada, regulada sob a curiosa m√£o inglesa. No primeiro posto de combust√≠vel da estrada, o √īnibus fez uma parada, onde alguns passageiros desceram e retiraram suas malas (e meu receio de ‚Äúpegarem‚ÄĚ a mala errada...) ‚Äď fiquei com a impress√£o de que alguns europeus v√£o ao terminal ingl√™s no Canal da Mancha e utilizam o transporte de √īnibus para a Europa Continental para economizar.
       
      Em seguida, o motorista retornou a marcha rumo √† capital inglesa. De largas rodovias, o cen√°rio do percurso modificou para estradas menores, mais apertadas, de car√°ter urbano... At√© visualizar numa avenida a placa da TransportForLondon, prova inequ√≠voca de que t√≠nhamos chegado √† Grande Londres. Como cruzamos a cidade desde os sub√ļrbios at√© o centro, esse trecho, de certa forma, foi o equivalente a um city tour.
       
      As casas da exclusiva arquitetura brit√Ęnica foram trocadas por lojas de com√©rcio e alguns pr√©dios, mas ainda n√£o aparecera nenhum ponto famoso reconhec√≠vel ‚Äď at√© chegar pr√≥ximo ao rio T√Ęmisa e, como f√£ do personagem James Bond, reconhecer instantaneamente o pr√©dio do MI6 ao lado da Vauxhall Bridge.
       
      Em poucos minutos, o √īnibus chegou na rodovi√°ria que atende Londres (Victoria Coach). Diferentemente do que seria poss√≠vel imaginar para um pa√≠s desenvolvido, a rodovi√°ria n√£o √© integrada √† esta√ß√£o hom√īnima de trem e metr√ī.
       
      Na esta√ß√£o Victoria, pagamos a cau√ß√£o do cart√£o OysterCard (¬£ 5) e o valor do metr√ī avulso at√© Candem Town, que fica na zona 2 (¬£ 2,40). √Ä √©poca, bastava ficar mais de dois dias em Londres para receber a cau√ß√£o do cart√£o de volta ‚Äď agora s√≥ √© poss√≠vel receber depois de um ano. Como era tamb√©m uma esta√ß√£o de trem, poderia j√° ter comprado o travelcard para iniciar o uso no dia seguinte.
       
      RESUMO
       
      N√£o se preocupe muito com a NECESSIDADE de ir ao banheiro ‚Äď o √īnibus faz frequentes paradas.
       
      TRAGA comida comprada nos supermercados ‚Äď o pre√ßo dos alimentos nas paradas realizadas pelo √īnibus √© bem alto.
       
      A ENTREVISTA para acessar o Reino Unido come√ßa ainda na Fran√ßa. Basta responder diretamente o que o oficial da imigra√ß√£o perguntar ‚Äď e tenha os papeis relacionados √† viagem junto consigo.
       
      Os √īnibus s√£o uma forma mais barata (e demorada) de utilizar o EUROT√öNEL.
       
      RECONHEÇA o prédio de MI6, constante nos filmes de James Bond.
       
      Dia 22/12 (5)
       
      Nesse dia ocorreu um erro: acordamos mais tarde do que devia, o que pode afetar todo o planejamento previsto para o dia.
       
      Fomos √† esta√ß√£o de trem Euston comprar o Travelcard em papel para uso do transporte p√ļblico ilimitado por uma semana e que permitiria participar da promo√ß√£o 2FOR1. A atendente da esta√ß√£o perguntou qual seria o tempo de uso (1 semana) e as zonas abrangidas (1 e 2). Ela requisitou as fotos 5x7 para colar no documento ‚Äď na verdade, as 3x4 do Brasil servem. Como as fotos 5x7 s√£o caras na Europa e ainda mais caras na Inglaterra, lembre-se de trazer do Brasil ‚Äď e pediu que assin√°ssemos o travelcard. Recebemos um tipo de ‚Äúcarteirinha‚ÄĚ com nossa foto e um papel em formato de cart√£o que deve ser inserido nas catracas das esta√ß√Ķes de metr√ī e somente mostrado aos motoristas dos √īnibus vermelhos.
       
      Em posse do Travelcard e dos vouchers da promo√ß√£o 2FOR1 desembarcamos na esta√ß√£o¬†Tower Hill, para irmos na¬†Tower of London. S√≥ que a cidade possuiu atra√ß√Ķes uma ao lado da outra e, antes de irmos √† Tower of London, conhecemos a ic√īnica Tower Bridge. Por√©m √© mais importante executar o passeio principal do dia e, conforme o tempo dispon√≠vel, conhecer as demais atra√ß√Ķes.
       
      Tendo encontrado a bilheteria da Tower of London, era o momento de testar os vouchers da 2FOR1 e descobrir se era somente uma promo√ß√£o ‚Äúpara ingl√™s ver‚ÄĚ. O funcion√°rio ficou com os vouchers e viu nossos travelcards ‚Äď e a ‚Äúm√°gica‚ÄĚ aconteceu: recebemos o segundo ingresso gratuitamente.
       
      A Tower of London, com esse nome, parece indicar somente uma torre ‚Äď mas √© muito mais do que isso. √Č um fascinante complexo com mais de 900 anos, que serviu de resid√™ncia real, dep√≥sito de armas, casa da moeda e atualmente, al√©m de importante atra√ß√£o tur√≠stica, serve como cofre das joias da Coroa Brit√Ęnica. Tal qual alguns museus em Londres, possui algumas se√ß√Ķes interativas, o que permite ao visitante se integrar ainda mais com a hist√≥ria ‚Äď e, consequentemente, a visita demanda ainda mais tempo do que podia ser previsto. Considero um s√≠mbolo de Londres e um sacril√©gio n√£o a visitar ‚Äď √© uma atra√ß√£o a qual voltarei.
       
      Com o hor√°rio de visita a Tower of London e de outros museus exaurido, buscamos conhecer alguns dos locais abertos da cidade. Decidimos ir √† √°rea abrangida pela Oxford¬†e¬†Regent Streets e desembarcamos na esta√ß√£o de metr√ī Oxford Circus ‚Äď ou seria o Br√°s? O Natal estava √† vista, em 3 dias, e uma quantidade imensur√°vel de consumidores compartilhava cada metro quadrado do local, uma das regi√Ķes de com√©rcio popular mais famosa de Londres (para brasileiros, infelizmente, os pre√ßos n√£o eram t√£o populares quanto gostar√≠amos).
       
      A despeito da dificuldade de deslocamento típica de zonas de comércio popular, avançamos pela Regent Street até Piccadilly Circus, praça consagrada por seus painéis curvos e pela estátua de Eros.
       
      Depois de encontrar uma lanchonete para refei√ß√£o, j√° que os restaurantes ao redor s√£o extremamente caros, chegamos a Leicester Square, outra memor√°vel pra√ßa londrina (e de pre√ßos tamb√©m ‚Äúmemor√°veis‚ÄĚ). Nela ficam algumas lojas famosas, como a do Lego e da M&M¬īs.
       
      No caminho para a esta√ß√£o de metr√ī Charing Cross, chegamos a outra pra√ßa que acredito ser ainda mais c√©lebre: Trafalgar Square, que celebra a vit√≥ria da Marinha Real Brit√Ęnica contra as for√ßas napole√īnicas durante a batalha hom√īnima de 1805. Nela ficam as Coluna de Nelson (homenagem ao destacado Almirante Nelson, que participou da Batalha de Trafalgar)¬†e¬†National Gallery, que seria um dos lugares visitados no dia seguinte.
       
      RESUMO
       
      DICA UNIVERSAL: acorde cedo para aproveitar o m√°ximo que puder da viagem.
       
      UTILIZE o Travelcard em papel de 1 semana para pagar menos nas atra√ß√Ķes.
       
      Entre no que considero como passeio OBRIGAT√ďRIO em Londres: a Tower of London.
       
      ADMIRE a ponte vitoriana Tower Bridge.
       
      V√Ā para a regi√£o do ‚ÄúBr√°s‚ÄĚ de Londres: Oxford e Regent Streets.
       
      Inevitavelmente, em algum momento da viagem, PASSAR√Ā pela Trafalgar Square.
       
      Dia 23/12 (6)
       
      Mais habituados com Londres, desembarcamos na esta√ß√£o Westminster para acessar a Churchill War Rooms, um museu em homenagem ao ex-primeiro ministro ingl√™s Sir Winston Churchil. No museu √© apresentado um pouco da vida e hist√≥ria do estadista, como suas obras liter√°rias (ganhou o Pr√™mio Nobel de Literatura). Contudo, a √™nfase √© aplicada sobre as a√ß√Ķes mais importantes realizadas pelo pol√≠tico: as salas do atual museu serviram como gabinete de guerra para liderar o Reino Unido junto aos demais pa√≠ses nas vit√≥rias dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, at√© 1945. Os ambientes representam fielmente o per√≠odo da guerra, com bonecos representando oficiais no esfor√ßo de vit√≥ria, mapas dos anos 40, escrit√≥rio, ¬†a sala de trabalho das secret√°rias do ex-ministro, o quarto de Churchill, cozinha, al√©m de curiosidades e objetos relacionados √† guerra, como a Enigma ¬≠¬≠‚Äď uma m√°quina eletromec√Ęnica de criptografia, cujo c√≥digo foi quebrado sob lideran√ßa do matem√°tico Alan Turing.
       
      Para quem tem curiosidade, o filme O Destino de Uma Na√ß√£o indica de forma satisfat√≥ria o gabinete de guerra que foi transformado em museu. Ap√≥s a visita ao local, √© percept√≠vel compreender a admira√ß√£o dos brit√Ęnicos pelo seu ex-primeiro ministro ‚Äď que, decerto, ganhou mais admiradores ap√≥s o passeio.
       
      Depois de conhecer Churchill War Rooms, fomos ao National Gallery, um museu de arte fundado em 1824 que abriga pinturas de artistas europeus do s√©culo XIII ao XX, com quadros de C√©zanne, Manet, Goya, entre outros. Curiosamente, um dos quadros que nos impressionou ‚Äď An Experiment on a Bird in the Air Pump (1768) ‚Äď era justamente a pintura que aparecia atr√°s de James Bond em Skyfall.
       
      Todavia, a visita ao National Gallery tinha de ser r√°pida, j√° que era um outro museu o foco do dia (ademais, √© o principal museu da cidade): The British Museum. Conseguiram colocar artefatos de TODAS as culturas que j√° existiram: maced√īnios, fen√≠cios, sum√©rios, babil√īnios, √°rabes, africanos, √≠ndios, eg√≠pcios, gregos, romanos, americanos, africanos, asi√°ticos, chineses, mong√≥is, indianos... (com a ressalva que somente um pequena fra√ß√£o das pe√ßas do museus ficam em exposi√ß√£o).
       
      Na √°rea eg√≠pcia, os turistas se aglomeram ao redor da Pedra de Roseta, artefato que permitiu a tradu√ß√£o dos hier√≥glifos do Egito Antigo para os idiomas vigentes, por meio da ‚Äúponte‚ÄĚ representada na pedra em grego antigo. Como √© de se esperar, v√°rias m√ļmias ficam expostas nas alas. Contudo, mesmo chamando pelo Imhotep, nenhuma respondeu ‚Äď era imposs√≠vel n√£o lembrar do filme O Retorno da M√ļmia (2001).
       
      Na se√ß√£o grega, n√£o um, dois ou tr√™s... mas incont√°veis vasos gregos lotavam a sala e, a despeito de ter mais de dois mil anos, v√°rios estavam intactos, como se o curador do museu tivesse comprado os objetos na Oxford Street. Em outra ala, enormes colunas gregas chocavam os visitantes por seu tamanho e, possivelmente, se perguntavam como colocaram ‚Äď e trouxeram da Gr√©cia ‚Äď tais colunas no museu.
       
      Para ver todo o museu (e caso goste de objetos hist√≥ricos) um dia √© necess√°rio. O museu fecha √†s 17:00, contudo isso n√£o quer dizer que pode ficar dentro do complexo at√© as 16:59. Vinte minutos antes eles j√° iniciam o processo de ‚Äúevacua√ß√£o‚ÄĚ.
       
      Com as atra√ß√Ķes fechadas, resta visitar os lugares abertos. Um dos escolhidos foi o Monument, uma torre de pedra criada em homenagem ao Grande Inc√™ndio de Londres de 1666. Outro local foi rever o edif√≠cio do MI6 (s√≥ n√£o cont√°vamos com um guindaste que atrapalhava as fotos...) e caminhar pelas vias Millbank e Whitehall at√© acessar um pub pr√≥ximo √† Trafalgar Square. No entanto, o local n√£o agradou e voltamos ao apartamento, mas n√£o antes de comprar um prato t√≠pico brit√Ęnico: fish and chips. A ressalva que fica para esse prato (e para outros alimentos) √© que custou ¬£ 6,50 em¬†Candem Town, contra ¬£ 13 na √°rea mais central (e tur√≠stica) de Londres.
       
      RESUMO
       
      VISITE as Churchill War Rooms.
       
      CONHEÇA alguns museus de Londres: National Gallery e The British Museum.
       
      CONSUMA uns dos típicos pratos londrinos: fish and chips.
       
      Dia 24/12 (7)
       
      Era o primeiro dia com limita√ß√Ķes de atra√ß√Ķes devido ao feriado Natal e as op√ß√Ķes de passeios eram menores, devendo ser previamente pensadas. Ainda no come√ßo da manh√£, desembarcamos na esta√ß√£o St John¬īs Wood at√© chegar √† Abbey Road, rua que foi o cen√°rio do consagrado √°lbum hom√īnimo de The Beatles. A frequ√™ncia de turistas-fot√≥grafos que aparecem no local √© relativamente alta, o que permite o registro do seu momento Paul McCartney, apesar de ser uma rua comum ‚Äď os carros continuam passando por l√°, demandando mais tempo para as fotos/videos.
       
      A pr√≥xima atra√ß√£o do dia foi a troca de guarda em frente ao Buckingham Palace. Apesar de ser famoso, √© dispens√°vel ‚Äď achei demorado e cansativo, sem contar com os alertas da pol√≠cia acerca dos batedores de carteira (os pickpockets). Pelo menos, o passeio seguinte n√£o era longe: a¬†Queen¬īs Gallery, numa entrada lateral do Buckingham Palace. Sendo dentro do pal√°cio, imaginava que seria poss√≠vel visitar algumas salas ricamente decoradas, tal qual o Pal√°cio Real de Madrid e curtir a exposi√ß√£o. Infelizmente, eram s√≥ algumas simples salas com exposi√ß√£o de objetos de arte pertencentes √† Coroa Brit√Ęnica (como toda as exposi√ß√Ķes de artes na Europa, √© interessante, mas existem outros lugares com mais obras e baratos).
       
      Posteriormente, caminhamos ao longo de The Mall, a via de asfalto vermelho que sempre aparece nos filmes e noticiários, e conecta o Buckingham Palace à Trafalgar Square.
       
      A ideia seguinte era conhecer a St. Paul Cathedral, contudo nós e mais alguns turistas fomos avisados que já estava fechado para visita, apesar de ter verificado com antecedência que estava ainda no horário válido para acesso. Como não adianta discutir, fomos à Milennium Bridge, uma ponte exclusiva a pedestres que conecta a catedral ao Tate Modern.
       
      Outra atra√ß√£o que estava realmente aberta era Bond in Motion¬†(London Film¬†Museum¬†Covent Garden), um museu acerca de James Bond. Para chegar ao local, utilizamos os tais √īnibus vermelhos da cidade, que permite aquela vis√£o um pouco mais ‚Äúde cima‚ÄĚ das ruas, e achei meio lento ‚Äď definitivamente os trilhos s√£o a melhor op√ß√£o para Londres. No museu encontram-se os carros, objetos, roupas e materiais dos filmes, especialmente do √ļltimo, Spectre (2015) ‚Äď para quem curte os filmes do agente especial brit√Ęnico √© um passeio que poder√° valer a pena.
       
      Findo o passeio pelo mundo de 007, s√≥ restava pelo resto do dia conhecer mais ruas e lugares da capital brit√Ęnica. Andando mais pr√≥ximo ao Rio T√Ęmisa, encontramos o enorme edif√≠cio The Shard, √† Tower Bridge, sob a especial ilumina√ß√£o noturna e, mais afastado, a est√°tua de Sherlock Holmes pr√≥ximo da esta√ß√£o Baker Street.
       
      RESUMO
       
      FAÇA pessoalmente sua própria versão da capa do álbum Abbey Road, dos The Beatles.
       
      ENCARE junto com milhares de turistas uma posição privilegiada no Buckingham Palace.
       
      Com um pouco mais de sorte, V√Ā para St. Paul Cathedral e caminhe pela Milennium Bridge.
       
      Dia 25/12 (8)
       
      Merry Christmas! O Natal chegou. Mas, diferente dos brit√Ęnicos, n√£o pretendia passar o feriado no apartamento. Afinal, estava em Londres e cada segundo em libras esterlinas tinha que ser aproveitado. Todavia, esse dia era o mais dif√≠cil da parte do planejamento, pois as atra√ß√Ķes estariam fechadas, at√© o transporte p√ļblico. Seria o caso de conhecer os lugares abertos da cidade, com o cuidado de minimizar o uso das pernas.
       
      Como um referencial, utilizei os cenários londrinos da série Sherlock, da BBC. A primeira parada foi a frente da casa do Sherlock Holmes, a 221B que fica na... N Gower Street, próximo à estação Euston (os produtores escolheram essa rua pela proximidade da Baker Street, que é uma rua movimentada, e pela conveniência de gravação).
       
      Seguimos pela Woburn Pl, onde encontramos algumas lojas abertas, apesar do feriado (provavelmente seus lojistas n√£o comemoram o Natal) at√© chegar a High Holborn, que delimita parte da¬†City of London (Londres e a City n√£o se confundem: a City √© a cidade original, enquanto os outros lugares, como Westminster, s√£o cidades que foram unidas na atual Londres). Na City, ficam a Central Criminal Court, cen√°rio de julgamento de¬†James Moriarty. Bem pr√≥ximo, o¬†St. Bartholomew¬īs Hospital, onde Sherlock faz suas pesquisas auxiliado por Molly e... (melhor assistir √† s√©rie).
       
      Apesar de citar apenas alguns cen√°rios, cada casa, cada pr√©dio merece uma contempla√ß√£o. Ao longo das vias da cidade, cruza-se por edifica√ß√Ķes seculares que provam o porqu√™ de Londres √Č Londres.
       
      Ap√≥s chegar ao ponto mais ‚Äúoriental‚ÄĚ do dia ‚Äď a √°rea ao redor da esta√ß√£o Bank, depois de ver outros turistas que abusavam das pernas no feriado, realizamos um percurso √†s margens do Rio T√Ęmisa, ora mais pr√≥ximo do rio, ora mais afastado. Nessa maratona, foi poss√≠vel encontrar mais est√°tuas da Rainha Victoria e perceber a admira√ß√£o dos brit√Ęnicos pela antiga monarca ‚Äď desde est√°tuas em frente ao Buckingham Palace, na¬†Blackfriars Bridge, a nome de linha e esta√ß√£o de metr√ī.
       
      Na √°rea da esta√ß√£o Embankment, atravessamos o rio pela Golden Jubilee Bridge at√© os Julibee Gardens, que tamb√©m s√£o cen√°rios da s√©rie Sherlock e um dos lugares mais visitados de Londres, onde fica a roda gigante London Eye (e tamb√©m v√°rios ‚Äúespertinhos‚ÄĚ tentando dar golpe em turistas).
       
      A próxima ponte era a Westminster Bridge, onde o helicóptero abatido por James Bond caiu em Spectre (2015). O local é uma paisagem perfeita para fotos e vídeos da própria ponte e dos Palace of Westminster e Big Ben (o problema é que estes ainda estão em reforma...). Do parlamento avançamos até o Buckingham Palace, agora sem que aquele movimento insano de turistas como no dia anterior, o que permitiu apreciar os detalhes da praça e da área externa do palácio.
       
      Pela Constitution Hill, chegamos ao Hyde Park, que, surpreendentemente estava aberto no dia. O parque, um dos maiores de Londres, é famoso pelo Kensington Palace e os esquilos que acompanham os transeuntes, em busca de comida.
       
      Durante o descanso no parque, a noite chegou, junto ao cansa√ßo, imperando o regresso ao apartamento. Caminhando ao redor do parque, chegamos ao Marble Arch¬†e seguimos pela¬†Oxford Street, que seria o foco do dia seguinte. As ruas do com√©rcio popular estavam vazias, bem diferente do enxame de pessoas visto no dia 22, e as lojas fechadas preparavam-se para as liquida√ß√Ķes que iniciariam em alguns pares de horas.
       
      Todo esse trajeto totalizou mais de 20 quil√īmetros ‚Äď unicamente a p√©. Existe a possibilidade de embarcar nos √īnibus Hop On Hop Off, que funcionam no feriado de Natal. Contudo, como nessa viagem a maioria das atra√ß√Ķes seria conhecida nos seis dias restantes de passeio, escolhemos nossas pernas ‚Äď n√£o adianta se iludir: para conhecer o Velho Continente, tem de andar... (e muito).
       
      RESUMO
       
      APROVEITE o Natal em Londres para conhecer uma cidade muito mais tranquila.
       
      VISITE os cenários da série Sherlock, da BBC.
       
      CRUZE as in√ļmeras pontes sobre o Rio T√Ęmisa.
       
      Dia 26/12 (9)
       
      Boxing Day! O terceiro dia de limita√ß√Ķes das atra√ß√Ķes √© um feriado t√≠pico dos brit√Ęnicos. Nesse dia os lojistas derrubam os pre√ßos dos produtos que n√£o venderam at√© o Natal. E, mesmo com a necessidade de acessar a Oxford Street, a restri√ß√£o de transporte p√ļblico ainda continuava ‚Äď o regresso √© feito gradualmente, come√ßando pela periferia at√© chegar ao centro. Por conta disso (e do hor√°rio das aberturas das lojas), era necess√°rio acordar mais cedo do que o de costume, como se fosse um ‚Äúdia de trabalho‚ÄĚ.
       
      Entrementes, chegamos a tempo na mais famosa loja de roupa barata das ilhas brit√Ęnicas ‚Äď e europeia: Primark. Tal qual a vers√£o da Gran Via, em Madrid, os produtos estavam com pre√ßos muito satisfat√≥rios, alimentados pela caracter√≠stica de liquida√ß√£o do dia ‚Äď produtos com remarca√ß√£o na hora, blusas de 8 por 3 libras, camisetas por 1 libra. Para quem tiver a oportunidade de passar esse dia em Londres (e com a mala adequada), vale muito a pena.
       
      Depois de vasculhar cada conta da loja, fomos em outras na Oxford Street, mas nestas os pre√ßos n√£o chegavam pr√≥ximo ao encontrado na primeira ‚Äď fora da dificuldade de caber na mala. Ainda assim, os camel√īs que vendem na cal√ßada possuem bons pre√ßos, como um moletom com o desenho de Londres, mais barato do que em outras lojas inclusive afastadas do centro da cidade.
       
      A ideia √† tarde era visitar a St. Paul Cathedral, que, segundo o site da igreja, retomaria seus passeios no dia. No entanto, o cansa√ßo no grupo decorrente do dia anterior foi implac√°vel e descansamos por um breve per√≠odo no apartamento. Nesse √≠nterim, percebemos o patriotismo dos brit√Ęnicos: a quantidade de filmes com atores do Reino Unido era absurda (coincid√™ncia ou n√£o, assistimos ao 007 Skyfall, com James Bond realizando uma persegui√ß√£o nas ruas de... Londres!).
       
      Posteriormente, voltamos ao centro de Londres, para se encantar novamente com as ruas da cidade e encontrar eventualmente mais algumas pechinchas do dia.
       
      RESUMO
       
      APROVEITE as ofertas do Boxing Day.
       
      Dia 27/12 (10)
       
      Com o retorno das atividades tur√≠sticas, fomos at√© √† esta√ß√£o¬†King¬īs Cross St. Pancras¬†visitar a plataforma 9 ¬†do¬†Harry Potter. Apesar de ser denominada como uma √ļnica esta√ß√£o, s√£o duas esta√ß√Ķes de trem concebidas separadamente ‚Äď King¬īs Cross¬†e¬†St. Pancras¬†(a que aparece em¬†Harry Potter e a C√Ęmara Secreta¬†√© a¬†St. Pancras). Apesar de o √ļltimo livro do bruxo j√° ter sido lan√ßado a doze anos, ainda tinha fila para tirar foto para "embarcar" na plataforma.
       
      Dos filmes do Harry Potter, fomos ao cenário de outra produção da sétima arte: Um Lugar Chamado Notting Hill. Desembarcamos na estação Notting Hill Gate e caminhamos pela Portobello Road, com sua sempre constante feira de rua (existem produtos interessantes, mas se deve tomar cuidado com eventuais produtos falsos).
       
      Fora de Notting Hill, entramos no √īnibus vermelho para conhecer o Kensington Palace, que foi o principal pal√°cio da realeza at√© a rainha Victoria mudar para o Buckingham Palace. Neste pal√°cio ainda vivem (ou viviam) alguns membros da fam√≠lia real, como o Duque e a Duquesa de Sussex (Pr√≠ncipe Harry e Meghan Markle). No pal√°cio, os funcion√°rios contam a hist√≥ria do local e, principalmente da Rainha Victoria e do pr√≠ncipe Albert ‚Äď como o forte temperamento da jovem rainha, de expulsar sua m√£e ap√≥s a morte do rei. Nas salas, objetos pertencentes √† antiga monarca ficam em exposi√ß√£o, como suas bonecas, quadros, pinturas, joias e coroa que n√£o ficam na Tower of London.
       
      Al√©m da Rainha Victoria, existe uma ala dedicada a outra personalidade real querida pelos brit√Ęnicos: a Princesa Diana, com uma exposi√ß√£o da breve vida da Lady Dy e de seus c√©lebres vestidos.
       
      Fora do pal√°cio, fomos √† Westminster Abbey. S√≥ que nos enganamos com a entrada junto com outros turistas e achamos que j√° estaria fechada, mas era um port√£o errado. No fim, resolvemos ir ao¬†Natural History Museum. Apesar de ser um passeio √† primeira vista para crian√ßas, o museu tamb√©m diverte adultos. Ficam √† vista rocha da Lua, representa√ß√£o de milhares (e gigantescas) esp√©cies, como a Baleia Azul, e outros tantos extintos, como dinossauros e outros n√£o t√£o antigos assim, como o P√°ssaro Dod√ī. Para os brasileiros que n√£o t√™m a menor ideia de como √© enfrentar um terremoto, um simulador do museu representando a f√ļria da Terra num supermercado de Kyoto consegue gerar uma no√ß√£o.
       
      Tal qual a Tower of London e British Museum, os funcion√°rios ‚Äúconvidavam‚ÄĚ os visitantes a se retirarem do recinto. Para a √ļltima noite completa em Londres, visitamos na Regent Street a Hamley¬īs¬†‚Äď famosa loja de brinquedos que divertem crian√ßas (e muitos adultos ‚Äď o problema √© que nada mais cabia na mala...). E a sempre presente caminhadas pelas ruas da cidade, como em Whitehall.
       
      RESUMO
       
      CONHEÇA alguns dos cenários de filmes em Londres, como do Harry Potter e Um Lugar Chamado Notting Hill.
       
      J√° que n√£o d√° para entrar no Buckingham Palace no inverno, VISITE o outro pal√°cio real: Kensington Palace.
       
      Outro museu a ser CONHECIDO na cidade: Natural History Museum.
       
      Dia 28/12 (11)
       
      Como tudo na vida, alguma hora acaba ‚Äď o √ļltimo dia nas ilhas brit√Ęnicas chegara. Era o ato chato de arrumar as malas e a miss√£o imposs√≠vel de fazer as compras caberem nelas (contudo, creio que fosse melhor fazer na noite anterior √† sa√≠da).
       
      Infelizmente, n√£o era poss√≠vel deixar as malas no apartamento; ou seja, tal qual em Mil√£o seria necess√°rio encontrar um dep√≥sito de bagagem, com a diferen√ßa de ter algum conhecimento do pre√ßo pelo pago na It√°lia. Existem alguns sites que oferecem esse servi√ßo, mas como n√£o est√°vamos acostumados ‚Äď fora que em alguns o pre√ßo continuava caro ‚Äď preferimos o modo tradicional.
       
      Fomos at√© a esta√ß√£o Victoria e vimos pre√ßos muito acima do que fora pago em Mil√£o. Somente com o choque percebemos que est√°vamos na esta√ß√£o Victoria de trem e metr√ī e n√£o na rodovi√°ria (coach) Victoria. O servi√ßo da rodovi√°ria se mostrou muito mais conveniente: os pre√ßos eram bem menores, o prazo de aluguel e o tamanho da mala mais flex√≠veis.
       
      Com as malas guardadas, fomos √† Westminster Abbey¬†e, desta vez, na porta ‚Äď e fila ‚Äď certa. Ali√°s, foi o √ļnico local de Londres que tinha fila gigante (pode ser pela data, 28/12; dia da semana ‚Äď sexta-feira; o hor√°rio em qual chegamos; e/ou √© uma atra√ß√£o superdisputada). Na abadia encontramos o lugar onde est√° enterrado o cavaleiro que o papa enterrou (quem acompanha Robert Langdon entender√°...), al√©m de outras poderosas personalidades hist√≥ricas brit√Ęnicas, o local onde √© feita a coroa√ß√£o da monarquia brit√Ęnica e a cadeira em que o rec√©m rei/rainha recebe a coroa, com quase um mil√™nio.
       
      Findo o passeio pela abadia, era o momento de se preparar para a viagem √† Paris. Fomos √† esta√ß√£o do metr√ī receber a cau√ß√£o de ¬£ 5 do¬†Oystercard¬†de volta e ao mercado para comprar algum alimento para comer na viagem.
       
      Ap√≥s retirar as malas, aguardamos na rodovi√°ria a chegada do √īnibus. Desta vez, muito diferente da experi√™ncia em Mil√£o, essa rodovi√°ria aproxima-se mais com o que conhecemos da rodovi√°ria Tiet√™, com pain√©is eletr√īnicos indicando a linha do √īnibus √† respectiva plataforma, bancos para descanso, lanchonetes e lugares cobertos.
       
      Desta vez, o √īnibus chegou no hor√°rio e, semelhante ao primeiro trajeto, o motorista fez uma simples confer√™ncia do bilhete e passaporte, cabendo a cada um guardar sua respectiva mala. Era o fim da minha primeira estadia em¬†London.
       
      Depois de um pouco mais de uma hora de percurso, o √īnibus chegou em¬†Folkestone¬†para os tr√Ęmites de imigra√ß√£o. Os agentes brit√Ęnicos entraram no √īnibus e passaram os chips dos passaportes num leitor; j√° os franceses foram mais ‚Äútradicionais‚ÄĚ, com a fila indiana para se apresentar aos agentes de imigra√ß√£o.
       
      Todavia, o tr√Ęmite de imigra√ß√£o foi bem mais r√°pido do que o da viagem da semana anterior (afinal, seria um tanto dif√≠cil imaginar um imigrante ilegal querer sair do Reino Unido rumo √† Europa Continental). O √īnibus partiu rumo ao Canal da Mancha, mas, ao inv√©s de descer para as plataformas do trem, estava subindo... at√© parar em uma das vagas dentro da balsa. S√≥ que esta balsa era muito diferente das que atendem a travessia Santos-Guaruj√°; estava mais para um cruzeiro: restaurante, cassino, √°rea de descanso, free-shop.
       
      A balsa saiu do cais brit√Ęnico ao lado de centenas de gaivotas, num cen√°rio parecido ao visto no filme Indiana Jones e A √öltima Cruzada, apesar da limita√ß√£o de vis√£o devido √† fraca luminosidade noturna. O trem √© inegavelmente mais r√°pido (menos de uma hora) do que a balsa (2 horas), mas para quem est√° a turismo a balsa pode tornar a viagem mais divertida ‚Äď e seguramente bem mais econ√īmica. Durante o trajeto, basta encostar num dos v√°rios bancos da balsa, j√° que n√£o √© permitido ficar dentro do √īnibus enquanto a embarca√ß√£o navega pelo Mar do Norte.
       
      RESUMO/IN√ćCIO
       
      A rodovi√°ria (coach) Victoria possui dep√≥sito de bagagem com pre√ßo INFERIOR a de esta√ß√Ķes de trem.
       
      VISITE a Westminster Abbey, a principal igreja de Londres.
       
      O trajeto Londres-Paris pode ser feito de maneira ANTIGA: via balsa.
       
      Londres e Paris ‚Äď Parte 3 ‚Äď Fran√ßa e Su√≠√ßa
       
      Dia 29/12 (12)
       
      J√° em territ√≥rio franc√™s, o √īnibus fez uma parada no Aeroporto¬†Charles de Gaulle¬†e chegou em Paris, na rodovi√°ria¬†Gallieni¬†que, diferente de sua equivalente londrina, √© integrada ao metr√ī da cidade. Depois de comprar os bilhetes de metr√ī (na √©poca, os t+10; agora existem op√ß√Ķes melhores) e ver alguns usu√°rios pulando a catraca, embarcamos na rede de trilhos at√© a cidade de Montreuil.
       
      Como chegamos mais cedo do que o combinado para entrar na casa alugada (e para escapar do frio), decidimos tomar um chocolate quente ‚Äď s√≥ n√£o cont√°vamos que ningu√©m entenderia chocolate, apesar da grafia em franc√™s ser chocolat. Ap√≥s muito esfor√ßo, conseguimos obter o produto ‚Äď e perceber que a influ√™ncia do ingl√™s nos outros pa√≠ses fica limitada √†s √°reas tur√≠sticas.
       
      Depois de deixar as malas na casa, fomos à primeira atração da cidade, a Basilique du Sacré-Coeur, na área mais elevada de Paris. Já tinha pesquisado ainda no Brasil acerca dos golpistas que amarram pequenas fitas no braço e, para evitar de sermos importunados, subimos até a basílica com as mãos dentro do bolso.
       
      Diferente do que pode ser imaginado para umas das cidades mais visitadas do mundo, o acesso √† √°rea interna da bas√≠lica √© gratuito ‚Äď por√©m, √© uma visita r√°pida. Para quem quiser pagar, h√° a op√ß√£o de subir nela e ter uma ampla vis√£o de Paris. Mas n√£o √© a √ļnica: a Tour Eiffel ou a Cath√©drale Notre-Dame tamb√©m oferecem uma vis√£o ‚Äúa√©rea‚ÄĚ da cidade.
       
      O roteiro por Paris estava mais flex√≠vel, em compara√ß√£o a Londres. O escolhido no dia foi se perder pelas ruas do bairro de Montmartre e chegar ao pr√≥ximo ponto tur√≠stico do bairro: Le Mur des Je T¬īaime (o Muro do Amor ‚Äď o muro em si n√£o √© uma novidade espetacular, mas sintetiza o romantismo da capital francesa e perceber a quantidade absurda da casais que percorrem as ruas parisienses).
       
      O ato de se ‚Äúperder‚ÄĚ em ruas desconhecidas for√ßa aos ‚Äúperdidos‚ÄĚ refor√ßar a aten√ß√£o e visualizar detalhes que fogem quando imersos na rotina. Nesse ato, ao olhar para direita, vi no fim da subida de uma rua umas p√°s de moinho de vento que n√£o me eram estranhas. Ao chegar no fim dela, descobrimos que se tratava do consagrado cabar√© Moulin Rouge.
       
      Em direção ao Rio Sena, percorremos o Boulevard Haussmann (em homenagem ao prefeito do departamento do Sena que reconstruiu Paris durante o século XIX no formato atual) até às Galeries Lafayette Haussmann. Nas galerias é possível, a partir de seu terraço, ter uma visão ampla da cidade e, ainda, gratuita.
       
      Nessas andan√ßas por Paris, entramos em alguns mercados ‚Äď e car√≠ssimos, muito mais do que em Londres. √Č fundamental se hospedar fora da cidade e ir aos supermercados na periferia, que apresentam um maior leque de produtos e pre√ßos mais ‚Äúfavor√°veis‚ÄĚ.
       
      RESUMO/IN√ćCIO
       
      Fora de √°reas tur√≠sticas, pode ser mais DIF√ćCIL se comunicar em ingl√™s.
       
      VISITE a Basilique du Sacr√©-Coeur e Le Mur des Je T¬īaime.
       
      CAMINHE pelo Boulevard Haussmann.
       
      Dia 30/12 (13)
       
      Esse dia foi programado para ir ao¬†Ch√Ęteau de Versailles. Na verdade, n√£o deveria ‚Äď era um domingo, um dos piores dias da semana para tal passeio. No entanto, por quest√Ķes pessoais s√≥ poderia ser nesse dia.
       
      Como no primeiro dia em Londres, sa√≠mos mais tarde da casa do que dever√≠amos e, consequentemente, essa demora cobrou seu pre√ßo ‚Äď √†s 11 da manh√£ ainda est√°vamos em Paris, pr√≥ximo da Tour Eiffel.
       
      Depois de descer na esta√ß√£o Gare du Versailles Chateau Rive Gauche, seguimos o fluxo de pessoas pela avenida at√© o pal√°cio e o erro de sair tarde ficar √†s nossas vistas: era fila para entrar, fila para o banheiro, fila para pedir informa√ß√Ķes, fila para comprar ingresso, fila para tudo! Compramos o ingresso ao pal√°cio e aos Dom√≠nios de Maria Antonieta, e Versailles nos contemplou com um benef√≠cio: recebemos um ingresso com hora marcada, que o sistema gera aleatoriamente para alguns (sortudos) visitantes.
       
      Como a hora marcada para entrar no pal√°cio, fomos conhecer seus jardins ‚Äď e j√° entender a raz√£o do rei Luis XIV ser o s√≠mbolo m√°ximo do absolutismo: o jardim era absurdamente grande, at√© onde a vista alcan√ßa e impec√°vel (de t√£o grande oferecem aluguel de carros de golfe para conhec√™-los). Posteriormente, com a reserva hor√°ria, adentramos o pal√°cio e percebemos que a ostenta√ß√£o do rei sol estava muito al√©m dos jardins. Em um v√≠deo sobre a hist√≥ria e constru√ß√£o do Ch√Ęteau foi mostrado que criavam alas do tamanho de casa para qualquer ato banal, como sala de fumo, sala de reuni√£o, sala de espera 1, sala de espera 2, teatro... at√© o momento de queda decorrente da Revolu√ß√£o Francesa de 1789. Quadros que cobriam toda a parede da sala que, por sua vez, tinham tamanho de casas, v√°rios bustos de nobres franceses ornamentam o pal√°cio, com √™nfase, √© claro, de Luis XIV e um n√≠vel riqueza que tornaria a Opera√ß√£o Lava Jato insignificante.
       
      Depois de passar um pouco mais de 2 horas dentro do pal√°cio (e descobrir que a fila da qual escapamos com a hora marcada passava de 3 horas) fomos aos Dom√≠nios de Maria Antonieta. O local tem muita beleza, luxo e tudo o que √© caracter√≠stico da √©poca, mas ap√≥s ver a suntuosidade de Ch√Ęteau, estes ficam meio ‚Äúsimples‚ÄĚ.
       
      Como a noite chegando, era o fim do passeio pelo Ch√Ęteau de Versailles. Seria um fato comum o retorno para a casa, exceto por termos ido em dire√ß√£o √† esta√ß√£o errada (Gare de Versailles Rive Droite) ao inv√©s daquela que t√≠nhamos chegado (Gare du Versailles Chateau Rive Gauche), mesmo possuindo o mapa online no celular. Ou seja, estude sempre bem o caminho, especialmente antes de ir ao local e evite uns bons minutos de andar √† toa...
       
      RESUMO/IN√ćCIO
       
      PROGRAME-SE para chegar cedo ao Ch√Ęteau de Versailles ‚Äď este fica fora de Paris, e, de quebra, evitar loooooongas filas.
       
      IMAGINE um enorme pal√°cio e seus jardins e qudruplique ‚Äď o Ch√Ęteau de Versailles √© ainda maior.
       
      Dia 31/12 (14) 
       
      Fim de ano, era sabido que o dia seria pela metade ‚Äď afinal, era dia de hor√°rio reduzido de expediente e saberia como os parisienses e outros europeus passam o Ano Novo. Decidimos ir numa atra√ß√£o que n√£o estava no guia de bolso, mas tinha encontrado em pesquisa na web: o¬†Ch√Ęteau de Vincennes. Bem mais simples (e vazio) do que a vers√£o de¬†Versailles, tinha sua gra√ßa como mais um pal√°cio europeu que viria a conhecer ‚Äď mas √© surpreendente como o turismo de massa foca nas mesmas atra√ß√Ķes; o pal√°cio tem esta√ß√£o de trem¬†e¬†metr√ī literalmente na frente, no limite da cidade de Paris e, mesmo assim, √© pouco visitado (se quiser fugir do sufoco de filas, √© uma boa op√ß√£o).
       
      Depois de obter os ingressos com uma atendente brasileira (tem brasileiro em todo lugar), conhecemos o Ch√Ęteau e a capela vinculada. √Č o mais importante forte-real franc√™s em estilo medieval ainda existente e serviu de pris√£o para personalidades famosas, como o Marqu√™s de Sade.
       
      De Vincennes, fomos para o¬†H√ītel des Invalides, onde est√° enterrado Napole√£o Bonaparte, mas receei que n√£o seria poss√≠vel conhec√™-lo integralmente por causa do hor√°rio e desistimos. Bem pr√≥ximo dali fica o¬†Champs de Mars, onde foi erguida a¬†Tour Eiffel¬†(apesar de ser apenas uma torre, trata-se da Torre, que povoa o imagin√°rio de milh√Ķes de pessoas pelo mundo... e de outras tantas que j√° a conheceram e apreciam sua beleza).
       
      Atravessamos o Rio Sena e chegamos na¬†Avenue des Champs-√Člys√©es, que seria um dos lugares de concentra√ß√£o do Ano Novo. Aos poucos, europeus e turistas chegavam ao local para a passagem do ano e, enquanto isso, lojistas protegiam suas lojas j√° fechadas com tapumes. No regresso para a hospedagem, o transporte p√ļblico estava com catracas liberadas ‚Äď talvez para incentivar os habitantes a curtir o ano novo nas ruas, apesar do frio.
       
      Depois de nos prepararmos para a passagem de ano, sem levar carteira, e documentos e dinheiro na pochete, embarcamos no metr√ī e escolhemos a Champs-√Člys√©es comemorar (ou seria a Tour Eiffel). As esta√ß√Ķes da avenida estavam fechadas, sendo necess√°rio desembarcar nas mais afastadas e entrar na avenida ap√≥s uma revista policial (semelhante a de carnaval, que fica aquela impress√£o que o agente fez uma ‚Äúrevista‚ÄĚ m√≠nima). Escolhemos um ponto no meio da avenida com vis√£o sobre o¬†Arc de Triomphe, onde seria projetada a contagem regressiva.¬†O ano novo chegou e est√°vamos comemorando, abra√ßando um ao outro ‚Äď e percebemos que os demais nada faziam, simplesmente iam embora, s√≥ foram ver a contagem regressiva da avenida e a queima dos fogos ‚Äď at√© que um mendigo percebeu nossa felicidade e foi se ‚Äúenturmar‚ÄĚ conosco.
       
      RESUMO/IN√ćCIO
       
      VISITE o¬†Ch√Ęteau de Vincennes, uma vers√£o menor de pal√°cio, nos limites de Paris.
       
      PERCA horas no Champs de Mars para admirar a atração mais visitada no mundo: Tour Eiffel.
       
      CAMINHE pela Avenue des Champs-√Člys√©es.
       
      Dia 01/01/2019 (15)
       
      Depois do mendigo se despedir da gente, seguimos a multid√£o para voltar para a casa. Fomos em dire√ß√£o ao Rio Sena pela Avenue Montaigne por onde as pessoas caminhavam ‚Äď e se avolumavam. Excesso de pessoas nas cal√ßadas e motoristas furiosos por n√£o conseguirem sair do lugar por causa do tr√Ęnsito parado na madrugada parisiense ‚Äď parecia a regi√£o da Avenida Paulista ou do Ibirapuera no Natal.
       
      Numa das esta√ß√Ķes de metr√ī mais pr√≥xima da avenida, a fila de acesso √† plataforma avan√ßa para al√©m da catraca (claramente n√£o seria eficiente tentar embarcar nesta esta√ß√£o). Na busca de outras esta√ß√Ķes de metr√ī mais afastadas do epicentro humano, caminhamos ao largo da iluminad√≠ssima Tour Eiffel, com seu brilho registrando os primeiros minutos de 2019 da Cidade Luz. Ao mesmo tempo, ficava o receio de encontrar o sistema de trilhos fechado, j√° que o de Paris n√£o funciona 24 horas.
       
      Felizmente, conseguimos entrar em uma esta√ß√£o e embarcar em um dos carros do metr√ī, cuja linha passa por onde estava o enxame de pessoas. Seria bem ir√īnico se a linha que pegamos fosse denominada de Linha 3 Vermelha do metr√ī de Paris ‚Äď a diferen√ßa era m√≠nima, como as vozes em franc√™s ao inv√©s do portugu√™s: passageiros que n√£o conseguiam embarcar (e algumas express√Ķes que deviam ser palavr√Ķes em franc√™s), trem parado por v√°rios minutos sem explica√ß√£o da central, amassado a ponto de n√£o conseguir abaixar o bra√ßo. Mas tirando o momento S√© de Paris, o metr√ī seguiu viagem e conseguimos chegar na casa.
       
      Evidentemente, o dia n√£o seria para acordar cedo, j√° que parte dele foi gasto na madrugada ‚Äď e nem precisaria, j√° que as atra√ß√Ķes estariam fechadas. Seria mais um caso para andar a p√© para conhecer a cidade, com a vantagem de ter o transporte p√ļblico em compara√ß√£o com o Natal em Londres.
       
      Com o resto do dia, chegamos √† Place de la Bastille, local do antigo forte de onde ocorreu o fato hist√≥rico A Tomada de Bastilha, marco da Revolu√ß√£o Francesa e do in√≠cio da Idade Contempor√Ęnea. Indo rumo a oeste, seguimos pela Rue de Rivoli at√© o H√ītel de Ville (a prefeitura de Paris), alternando entre igrejas e pr√©dios hist√≥ricos pelo caminho.
       
      Do H√ītel de Ville ficam √† vista os fundos da Cath√©drale Notre-Dame de Paris, que seria conhecida em outro dia (e antes do terr√≠vel inc√™ndio de abril de 2019). Indo pelo Rio Sena, cada ponte tem suas particularidades, desde a exuber√Ęncia da Pont Alexandre III, que foi presente do czar para a Fran√ßa, at√© pontes mais simples, como a Pont Neuf.
       
      Mas os pontos tur√≠sticos da Cidade Luz ainda n√£o tinham acabado: Place Vend√īme, Place de la Concorde, Opera (Palais Garnier), Jardin des Tuileries, L¬ī√©glise de La Madeleine, Palais Royal e Jardin du Palais Royal, Petit e Grand Palais eram s√≥ mais outros lugares que conhecemos no dia. Paris tem muitos museus, mas a pr√≥pria cidade √© pura arte ‚Äď e, nesse caso, n√£o precisa comprar ingresso.
       
      RESUMO/IN√ćCIO
       
      CAMINHE (muito) para Paris ‚Äď √© o melhor jeito de conhecer a cidade e suas artes.
       
      Dia 02/01 (16)
       
      Esse foi o dia reservado para conhecer o Musée du Louvre. Como é sabido, é praticamente impossível conhecê-lo em somente um dia. Todavia, em consulta ao site oficial, descobri que na quarta-feira o museu trabalha em horário estendido, o que possibilitava um aproveitamento melhor da visita e uma imersão mais profunda na cultura que o museu oferece.
       
      Descemos na esta√ß√£o Palais Royal Mus√©e du Louvre e apesar de ter visto v√≠deos na internet de filas insanas para entrar no museu, n√£o tinha fila (pelo menos n√£o na parte de cima; tinha de ver na entrada subterr√Ęnea do museu).
       
      Assim como ao redor da Tour Eiffel, existem camel√īs vendendo bugigangas na pra√ßa pr√≥xima √† consagrada pir√Ęmide de vidro. T√≠nhamos visto um chaveiro ca√≠do no ch√£o pr√≥ximo √† entrada do Carrousel du Louvre, pertencente provavelmente ao ambulante que vendia em p√©. No entanto, como a fama de golpistas de Paris √© t√£o grande quanto √† fama da pr√≥pria cidade, refletimos se n√£o podia ser mais uma nova modalidade de golpe, como de ir ao encontro do vendedor e ele te for√ßar a levar o que voc√™ n√£o quer ou algo pior ‚Äď fazer turismo tem o efeito ben√©fico de bem-estar, o que diminui a qualidade de julgamento de atos pelos turistas ‚Äď e √© exatamente esse ponto pelos quais os golpistas se aproveitam.
       
      Entramos no Carrousel du Louvre e, para nossa surpresa, as filas absurdas de Versailles ficaram no Ch√Ęteau ‚Äď o tr√Ęmite entre comprar os ingressos, passar pelo detector de metais e a entrada definitiva n√£o chegou a meia hora, com um detalhe que quase me passou despercebido: o mapa de museu tinha de ser retirado antes da entrada definitiva.
       
      Entramos no museu e logo aparecem placas indicativas para o caminho para Monalisa, o que considero um erro. Afinal, Mus√©e du Louvre √© muito mais do que um lugar para exposi√ß√£o da obra-prima de Leonardo da Vinci ‚Äď existem infinitas obras bel√≠ssimas e objetos antigos fant√°sticos, al√©m de salas reais com todo o luxo e esplendor correspondente, j√° que o museu foi um pal√°cio real antes da mudan√ßa da Corte para Versailles. Para ver Monalisa sem aglomera√ß√£o e sem pressa, basta procur√°-la na √ļltima hora de funcionamento do museu.
       
      Al√©m da obra-prima de Leonardo, existem muitos outros quadros de v√°rios mestres renascentistas, objetos e pinturas da √©poca do Imp√©rio de Napole√£o Bonaparte, esculturas, como a V√™nus de Milo, objetos da √©poca do dom√≠nio romano, artefatos eg√≠pcios (e mais uma vez Imhotep n√£o me respondeu), rel√≠quias √°rabes, artefatos africanos, pinturas do Brasil colonial, at√© o subterr√Ęneo do Louvre. E, claro, ver os quadros que foram as pistas para Robert Langdon em O C√≥digo da Vinci.
       
      RESUMO/IN√ćCIO
       
      ESCOLHA o dia durante o qual o Mus√©e du Louvre tem hor√°rio expandido ‚Äď o museu √© realmente muito grande.
       
      N√ÉO FOQUE somente nas atra√ß√Ķes mais famosas ‚Äď o enxame de pessoas pode estragar um pouco o passeio.
       
      Dia 03/01 (17)
       
      Descemos nesse dia na esta√ß√£o de metr√ī Cit√©, a √ļnica esta√ß√£o de metr√ī da pequena ilha fluvial do Sena (√éle de la Cit√©) e de onde Paris foi fundada ‚Äď e, como local extremamente tur√≠stico, na sa√≠da da esta√ß√£o um fiscal verificava se os passageiros tinham pago os bilhetes de transporte. A ideia era ir √† Cath√©drale Notre-Dame de Paris, mas em vez disso fomos ao Conciergerie, antigo castelo usado pelos reis franceses na Alta Idade M√©dia. De estrutura mais simples em compara√ß√£o aos outros conhecidos, foi o lugar que Maria Antonieta aguardou at√© ser guilhotinada na Revolu√ß√£o Francesa, saindo da suntuosidade de Versailles para o pequeno quarto gelado do Conciergerie.
       
      O bilhete de ingresso ao Conciergerie permite o acesso combinado à Sainte Chapelle, uma capela gótica do século XIII com ruínas medievais e relíquias da Terra Sagrada. Fora da capela, ainda na pequena ilha, fomos à Cathédrale Notre-Dame, mas os ingressos para reserva de horário do dia tinham acabado.
       
      Em dire√ß√£o √† parte sul de Paris, chegamos ao Panth√©on, local onde est√£o enterrados c√©lebres franceses ou personagens importantes para a hist√≥ria da Fran√ßa, como Rousseau, Voltaire e Victor Hugo. Dentro do pr√©dio hist√≥rico, erguido sob ordem de Luis XV em 1756, fica o famoso P√™ndulo de Foucault, experimento que ‚Äútornou vis√≠vel‚ÄĚ o eixo de rota√ß√£o da Terra.
       
      Em seguida, caminhamos pela margem sul do Rio Sena, passando por pontes j√° conhecidas e outras novas, como a Pont des Arts, com seus eternos cadeados e conhecer outros pr√©dios hist√≥ricos, como a da Assembl√©e Nationale. Cruzando o rio, chegamos novamente ao Avenue des Champs-√Člys√©es e caminhamos at√© o fim de sua extens√£o, no Arc de Triomphe, que foi uma encomenda de Napole√£o Bonaparte em homenagem √†s vitorias francesas nas guerras, com esculturas em sua estrutura exaltando o ent√£o Imp√©rio Franc√™s. Atualmente, nela existe uma ‚Äútumba‚ÄĚ para o soldado desconhecido ‚Äď uma homenagem aos milh√Ķes de mortos nas guerras mundiais. A quem interessar, √© poss√≠vel subir no arco e observar uma d√ļzia de avenidas que caem diretamente na rotunda (rotat√≥ria) em que fica o monumento, num verdadeiro ‚Äúpesadelo‚ÄĚ para motoristas.
       
      RESUMO/IN√ćCIO
       
      VISITE algumas das atra√ß√Ķes na √éle de la Cit√©: o Conciergerie e Sainte Chapelle.
       
      Mais ao sul, CONHEÇA o Panthéon.
       
      VOLTE para Avenue des Champs-√Člys√©es e descubra o Arc de Triomphe.
       
      Dia 04/01 (18)
       
      Tendo em vista o fiasco para acessar a Cath√©drale Notre-Dame de Paris no dia anterior, fomos mais cedo para garantir o acesso. Em posse do bilhete com a reserva do hor√°rio, fomos ao Le Jardin du Luxembourg, o mais famoso parque do centro de Paris, pr√≥ximo de Sorbonne. Na frente do lago do parque o Senado Franc√™s delibera suas a√ß√Ķes dentro do Palais du Luxembourg.
       
      Voltamos √† catedral conhecer sua parte interna que, assim como Basilique du Sacr√©-Coeur, era de entrada gratuita ‚Äď mal sab√≠amos que ir√≠amos conhecer partes da igreja que seriam destru√≠das em tr√™s meses. At√© ent√£o, a √°rea interna da igreja era um tanto lotada e meio escura, mas n√£o importava ‚Äď era a famos√≠ssima Notre Dame, a de Paris, a de Victor Hugo. Uma linha do tempo mostrava o hist√≥rico de sua constru√ß√£o, a quase mil anos e expans√£o, como a inser√ß√£o dos vitrais.
       
      O acesso para subir em suas torres era pela lateral da catedral, por meio de longas escadas, com controle de fluxo de visitantes. Na primeira ‚Äúparada‚ÄĚ, era poss√≠vel ter uma boa vis√£o de Paris e dos fundos da catedral ‚Äď era inevit√°vel lembrar do filme O Corcunda de Notre Dame e do Quas√≠modo. Dentro de uma das torres havia uma pequena apresenta√ß√£o da obra de Victor Hugo e um ‚Äúquas√≠modo‚ÄĚ vigiando a subida pelos turistas. O tempo de visita no topo da torre era por somente 5 minutos, muito pouco para o que gostar√≠amos, mas suficiente para ter uma ampla e maravilhosa vis√£o da Cidade Luz (que inveja do Quas√≠modo...).
       
      Fora da catedral, encontramos ainda na pra√ßa outra atra√ß√£o para visitar: a Crypte Arch√©ologique de I¬ī√ģle de la Cit√©. S√£o mostrados os tesouros arqueol√≥gicos e a forma√ß√£o de Paris, desde antes da ocupa√ß√£o pelos romanos pelos nativos parisii at√© os tempos atuais. No museu ficam expostos moedas, constru√ß√Ķes antigas e v√≠deos interativos, com a apresenta√ß√£o da ocupa√ß√£o de Paris at√© ent√£o restrita somente √† √éle de la Cit√©, a forma√ß√£o de ponte para uma das margens do Rio Sena at√© o ‚Äútransbordamento‚ÄĚ da cidade pelas margens do rio que n√£o parou mais.
       
      Para as mulheres de plant√£o, do lado sul do Rio Sena fica a CityPharma, farm√°cia de produtos baratos infestada de brasileiras. E, ao sudeste de Paris, uma Primark acess√≠vel de metr√ī, pela esta√ß√£o Cr√©teil ‚Äď Pr√©fecture.
       
      RESUMO/IN√ćCIO
       
      PASSEIE pelo Le Jardin du Luxembourg.
       
      Quando a reconstru√ß√£o ap√≥s o inc√™ndio de 2019 acabar, VISITE a Cath√©drale Notre-Dame de Paris e Crypte Arch√©ologique de I¬ī√ģle de la Cit√©.
       
      Dia 05/01 (19)
       
      O dia da estadia final em Paris chegara. Arrumamos as malas que, desta vez, podiam ficar na casa, sem custo adicional. O passeio escolhido para a data foram as Les Catacombes de Paris. Surpreendentemente, a fila de acesso √†s catacumbas estava enorme, talvez por excesso de visitantes e/ou por ser de acesso controlado. Para quem tem pouco tempo na cidade, pode ser mais interessante conhecer outras atra√ß√Ķes.
       
      Finalmente conseguimos chegar na bilheteria e vi que tinha um combo junto com a cripta arqueol√≥gica que t√≠nhamos ido no dia anterior ‚Äď ou seja, podia ter comprado os dois juntos e economizado alguns euros.
       
      O passeio, por √≥bvio, come√ßava por ‚Äúbaixo‚ÄĚ ‚Äď descemos por v√°rios degraus at√© o subterr√Ęneo, no qual se apresentavam longos corredores escuros mal iluminados, at√© chegar em ‚Äúcavernas‚ÄĚ, um pouco mais largas, lotadas de caveiras, minunciosamente e cirurgicamente encaixadas. Em certos pontos, as caveiras juntam com os ossos formam uma ‚Äúbonita‚ÄĚ ornamenta√ß√£o (mas √© um local que n√£o ficaria sozinho de jeito nenhum).
       
      Com o fim das catacumbas, voltamos ao n√≠vel de rua e, com isso, o fim dos passeios por Paris. Caminhamos pelo bairro de Montparnasse e nos guiamos at√© chegar √† Tour Eiffel, facilmente vista entre os edif√≠cios de Paris, para uma √ļltima admira√ß√£o do √≠cone parisiense.
       
      Com a hora da nossa partida de Paris se aproximando, cruzamos o Rio Sena para embarcar no metr√ī na Champs-√Člys√©es; contudo, era mais uma noite a qual os coletes amarelos estavam nas ruas (a sorte que eles ainda n√£o tinham estragado algumas atra√ß√Ķes; nas semanas seguintes picharam o Arc de Triomphe). Os acessos na avenida estavam fechados e tivemos que embarcar no metr√ī na Place de La Concorde. √Č mais um caso que comprova a necessidade de chegar com anteced√™ncia aos lugares com hora marcada, sob risco de tomar um grande preju√≠zo e dor de cabe√ßa, al√©m de estragar parte da viagem.
       
      Juntos com as malas, agora etiquetadas com pequenos peda√ßos de papel cedidos pela companhia, embarcamos no √īnibus na rodovi√°ria Bercy. O destino seguinte, quem diria, seria a Su√≠√ßa, pa√≠s que os pr√≥prios europeus acham caro visitar.
       
      RESUMO/IN√ćCIO
       
      PREPARE-SE para ficar em outra longa fila e entre em Les Catacombes de Paris.
       
      VISITE o bairro de Montparnasse.
       
      PODEM EXISTIR alguns coletes amarelos atrapalhando seu retorno para a hospedagem.
       
      Dia 06/01 (20)
       
      O √īnibus chegou em Genebra um pouco antes do hor√°rio previsto. Apesar de ser a Su√≠√ßa, a rodovi√°ria n√£o estava aberta. Ali√°s, era bem diferente das rodovi√°rias conhecidas em Mil√£o, Londres ou Paris. Era um pequeno espa√ßo aberto para os √īnibus estacionarem na √°rea central e a ‚Äúrodovi√°ria‚ÄĚ era uma casinha do tamanho de uma sala.
       
      A cidade, proporcional √† rodovi√°ria, √© pequena, mas muito poderosa ‚Äď √© sede da ONU (Pal√°cio das Na√ß√Ķes) e de diversos √≥rg√£os, como a OMC, e car√≠ssima.
       
      Um dos pontos mais famosos de Genebra √© o Jet d¬īEau, uma grande fonte que lan√ßa a √°gua do lago a uma altura de 140 metros. A limpeza do lago √© realmente impressionante ‚Äď conseguia ver seu fundo de forma clara e limpa (conhe√ßo algumas piscinas mais sujas).
       
      Um passeio pelas ruas de Genebra mostra que o lugar √© realmente para poucos: lojas que trabalham com barras de ouro, roupas sendo vendidas a sete, vinte mil reais, rel√≥gios em exposi√ß√£o a mais de meio milh√£o de reais. Felizmente, a cidade n√£o √© composta somente por miliard√°rios, e existem produtos por ‚Äúsomente‚ÄĚ algumas unidades de reais ‚Äď mas n√£o adianta se iludir: as maiores ‚Äúpechinchas‚ÄĚ su√≠√ßas ainda s√£o mais caras do que seus equivalentes europeus e brasileiros.
       
      Por sorte, est√°vamos na cidade no primeiro domingo do m√™s, quando √© permitida a entrada gratuita em alguns museus ‚Äď considero que o uso de entrada gratuita valha mais a pena para atra√ß√Ķes que n√£o tenham forte fluxo de turistas. Uma das op√ß√Ķes escolhidas foi o museu Maison Tavel.
       
      O museu Maison Tavel fica na parte oriental do lago, na área antiga da cidade, acessível facilmente a pé. Apesar da gratuidade da entrada, o local estava com baixo fluxo de visitantes, o que se mostrou conveniente: ao perguntar sobre um dos quadros do museu, o funcionário não só respondeu à pergunta como explicou sobre muitos assuntos referente à Suíça e Genebra, inclusive acerca da Guarda Suíça do Vaticano.
       
      No fim da noite, dirigimo-nos em frente ao Pal√°cio das Na√ß√Ķes da ONU ‚Äď o pequeno ‚Äúdetalhe‚ÄĚ foram as luzes terem se apagado justamente quando chegamos ao lado do port√£o. J√° que a falta de luz impossibilitou fotos do local, caminhamos para outra propriedade das Na√ß√Ķes Unidas, como a OMC.
       
      Ao andar pelas pequenas avenidas de Genebra, passamos por uma área de mata que serviria como uma luva para as Pegadinhas do Silvio Santos. Não se vê uma viva alma à noite, o que no Brasil deixaria qualquer um apavorado com medo de assalto. Mas ali era a Suíça...
       
      RESUMO/IN√ćCIO
       
      SU√ć√áA (e Genebra) √© realmente de outro mundo ‚Äď e cara...
       
      VISITE o museu Maison Tavel.
       
      CAMINHE tranquilamente pela pequena cidade ‚Äď apesar de vazia, √© bem tranquila.
       
      Dia 07/01 (21) e 08/01 (22)
       
      Era o dia final na Europa e o voo estava previsto para depois das 14 horas. Era o caso de chegar no aeroporto perto do meio-dia, ou seja, tinha uma manh√£ sossegada. Infelizmente n√£o havia tempo h√°bil para passear pela cidade ou ir a um museu e voltar ao apartamento e depois ao aeroporto. O que fizemos? Fomos com as malas a p√© ao aeroporto ‚Äď parece uma ideia maluca, mas a cidade √© plana e o aeroporto √© como Congonhas, inserida na cidade. Com malas de rodas adequadas, deu para conhecer um pouco mais de Genebra, apesar da dist√Ęncia de um pouco mais de 4 km.
       
      No aeroporto de Genebra, ia realizar a operação da devolução do imposto (Tax Free) decorrente da compra realizada em Londres. No entanto, a fila em Genebra estava muito grande e decidi tentar no aeroporto de Frankfurt.
       
      Como qualquer aeroporto internacional que se preza, tem a área de Free Shop, mas, sendo suíça, era muito cara (na verdade, percebi que essas lojas de aeroportos são caras, com exceção de alguns produtos). O voo de Genebra à Frankfurt era semelhante ao de São Paulo para Rio de Janeiro, em torno de uma hora, com a diferença que aquele sobrevoa a região dos alpes, um maravilhoso espetáculo: da pequena janela da aeronave observamos montanhas e vales repletos de neve, totalmente brancos.
       
      No aeroporto de Frankfurt, nova tentativa de receber a devolu√ß√£o do imposto e, mais uma vez, encontrei uma funcion√°ria brasileira, que me indicou que tinha de receber a aprova√ß√£o do setor alfandeg√°rio, ao qual nos dirigimos. Pelo que entendemos do funcion√°rio alem√£o, como tinha sa√≠do do espa√ßo da Uni√£o Europeia, deveria ter recebido o carimbo quando passei pelo Canal da Mancha ou na Su√≠√ßa. Mas para tudo se tem um jeito e ele permitiu que recebesse o imposto parcial. Apesar deste ser um caso pessoal de sucesso, √© importante registrar que pode acontecer intemp√©ries que, no final, impossibilita de receber o imposto ‚Äď mas n√£o s√≥ para isso. Ao planejar e executar uma viagem, considero que seja mais importante focar nas a√ß√Ķes que possua o controle, como pesquisa de hospedagem, transporte e deixar eventuais benef√≠cios, como o tax free e citycards em segundo plano.
       
      Embarcamos no nosso voo, se despedindo do frio de 4¬ļC rumo aos 34¬ļC. No avi√£o, tinha o cl√°ssico O Diabo Veste Prada ‚Äď assistir ao filme com as imagens de Paris, que agora conhecia, √© muito mais emocionante e parece que fica mais pr√≥ximo da gente (Comecei a entender de o porqu√™ da Emily ser louca para ir √† Paris...).
       
      RESUMO/IN√ćCIO
       
      VERIFIQUE onde fica o aeroporto para encontrar a melhor forma de deslocamento até o aeródromo.
       
      N√ÉO CONSIDERE o benef√≠cio do Tax Free como direito garantido ‚Äď pode ser que n√£o consiga receber o reembolso.
       
      ENCANTE-SE com os alpes totalmente brancos.
       
      O fato de ser free shop n√£o quer dizer que seja sempre mais BARATO.
       
    • Por claudio_aomundoealem
      Ol√° mochileiros
       
      bem, finalizei o texto da minha viagem para Itália, feito a tempo antes da pandemia virar o mundo de cabeça para baixo. Espero que possa auxiliar a quem quiser viajar - espero que já nesse segundo semestre de 2021, se o vírus - e o euro - ajudar.
       
      P.S.: também coloquei um pequeno resumo para cada tópico.
       
      It√°lia ‚Äď Parte 2 ‚Äď A Viagem
       
      Dia 14/12 (1)
       
      Começava novamente a saga da viagem ao exterior, mas com sensação muito distinta. A preocupação agora não era de como será?, afinal já tinha adquirido experiência nos anos anteriores. A questão era o problema eterno em toda e qualquer viagem: está tudo certo? Faltou alguma coisa? Deixou alguma coisa aberta? São as perguntas que sempre acompanham o viajante e mostra que turismo exige algumas horas de preparação antes de iniciar mais um sonho.
       
      As malas de mão já tinham sido preparadas na semana anterior, mas sempre tem a possibilidade de colocar algo a mais ou ainda o que só pode ser posto no dia, como carregador de celular. Nisso vão mais algumas dezenas de minutos. Soma-se a isso o período para conferência de dinheiro, seguro viagem, bilhetes do trem, a pochete, o passaporte, chaves, máquina fotográfica, celular...
       
      Viajar ao exterior tem um efeito colateral de usar roupa completamente distinta do clima. Pedimos um motorista por aplicativo para nos levarmos ao aeroporto no início da tarde e sol do final da primavera queimava meu braço que estava coberto por uma camiseta de manga comprida escura.
       
      Mas esse trajeto (para sorte do meu braço) era curto e chegamos ao aeroporto com a antecedência recomendada. Diferente do ano anterior, o aeroporto estava muito mais tranquilo. Apesar de ter o limite de peso e tamanho imposto para a mala, passamos diretamente para o portão de embarque sem nenhuma restrição promovida pelos funcionários da companhia aérea.
       
      RESUMO
       
      N√ÉO SUBESTIME a necessidade de planejamento. Por mais que j√° saiba como organizar a mala, isso demanda tempo ‚Äď deixe tudo o que puder pronto dias antes.
       
      CHEGUE no aeroporto com anteced√™ncia ‚Äď melhor ficar olhando para o rel√≥gio e ver que ele demora para passar do que olhar para o mesmo rel√≥gio e achar que ele corre demais, por estar atrasado.
       
      Dia 15/12 (2)
       
      Ap√≥s ultrapassar o Oceano Atl√Ęntico, o avi√£o chegava em Lisboa, para nossa conex√£o. O tempo de conex√£o de 2 horas era confort√°vel para seguir os tr√Ęmites da alf√Ęndega (aliado √† praticidade da comunica√ß√£o ser em portugu√™s), desde que n√£o cometa algum deslize. O que podia representar uma amea√ßa era o fato do hor√°rio ser 5 da manh√£ em Portugal (ou 2 da manh√£ em S√£o Paulo). Consequentemente, nosso corpo e mente n√£o est√£o na capacidade plena de concentra√ß√£o, o que exige ainda mais aten√ß√£o para n√£o cometer erros. Para isso, fixei que s√≥ estaria tranquilo quando chegasse √† √°rea do port√£o de embarque.
       
      No setor da imigra√ß√£o, o agente viu minha pochete e determinou que passasse pelo raio-X ‚Äď com todo o dinheiro dentro! N√£o tirei os olhos da m√°quina e fiquei mais calmo depois que consegui recuperar a pochete e eles n√£o perguntarem do dinheiro (s√£o aqueles perrengues que viram hist√≥ria para contar).
       
      Determinado o port√£o de embarque, uma fila se formou para acessar o √īnibus do aeroporto ‚Äď e para minha surpresa v√°rias malas, algumas at√© maiores que a minha, estavam acompanhando os passageiros; era o ind√≠cio que n√£o teria problema no voo regional. Dito e feito! Mostramos o passaporte e a passagem e embarcamos, sem ningu√©m para medir ou ao menos pesar as malas.
       
      Entramos no avi√£o e, apesar de ser menos confort√°vel que um avi√£o transoce√Ęnico, me ajeitei para dormir... e quem conseguia dormir? Os outros passageiros n√£o paravam de falar (imagino que a maioria fosse italianos), apesar de ser 6 da manh√£ (‚Äún√£o √© poss√≠vel!!!!‚ÄĚ). Felizmente, acabou o assunto e consegui tirar uma justa soneca.
       
      O voo chegou √†s 10 da manh√£ em Nap√≥les ‚Äď facilmente reconhec√≠vel do avi√£o pelo Monte Ves√ļvio que ‚Äúprotege‚ÄĚ a cidade. Depois de trocar de roupa para se adequar ao clima do lugar, pegamos o √īnibus que d√° acesso ao porto e √† esta√ß√£o Napoli Centrale, perto do qual fica o hotel que reservara. Apesar de ter todos os ind√≠cios que estava na Europa, podia supor que ainda estava no centro de S√£o Paulo ‚Äď em pleno domingo, tr√Ęnsito pesado, barulho, sujeira completavam a cena. Mesmo pa√≠s rico pode ter cen√°rios de subdesenvolvimento (e lembrar da perfei√ß√£o da limpeza do lago em Genebra...).
       
      Deixando as malas de m√£o no hotel, sa√≠mos pela cidade ‚Äď e √† semelhan√ßa com o tr√Ęnsito ca√≥tico de S√£o Paulo era inevit√°vel, al√©m das in√ļmeras motocicletas. Os carros pareciam meio gasto e machucados ‚Äď e entendi o porqu√™: √© a cidade que para-choque realmente serve para... parar choques! Os carros batem sem nenhuma cerim√īnia. Ou seja, JAMAIS alugue um carro e dirija por dentro de N√°poles.
       
      Como o per√≠odo desse dia era curto (s√≥ sobrou a tarde e noite), aproveitamos para ir ao mercado e passear pela cidade √† p√©. Fomos em dire√ß√£o ao Duomo de N√°poles, mas estava fechado no dia ‚Äď no entanto, nas proximidades existia uma exposi√ß√£o de pres√©pios (a cidade italiana √© famosa pela produ√ß√£o). No pouco tempo de prepara√ß√£o da viagem, tinha lido sobre os pres√©pios napolitanos; mas me surpreendi ‚Äď os pres√©pios s√£o grandes e extremamente detalhados, com precis√£o cir√ļrgica para produzir cada objeto da arte.
       
      O Duomo e algumas outras √°reas antigas de N√°poles ficam em ruas apertadas ‚Äď bem apertadas, onde s√≥ passa moto e pedestre; alguns dizem que √© o equivalente √†s favelas brasileiras. No nosso caso, roubados n√£o fomos, mas n√£o andaria nesses lugares √† noite de jeito nenhum (de dia o movimento √© intenso, ent√£o n√£o h√° muitos problemas). Mas preferimos evitar a √°rea (fora o movimento que dificultava o fluxo de pessoas) e voltamos para as avenidas mais largas da cidade (no caso, a Corso Umberto I). Assim, deu para conhecer o Castel Nuovo e parte do porto, com o Ves√ļvio ao fundo.
       
      RESUMO
       
      O HOR√ĀRIO da conex√£o pode ser de madrugada, o que diminui nossa capacidade de racioc√≠nio.
       
      Em Napóles, encontre o vulcão: o MONTE VESÚVIO.
       
      OBSERVE o Castel Nuovo.
       
      Se visitar a cidade no final de ano, aprecie os cir√ļrgicos PRES√ČPIOS NAPOLITANOS.
       
      √Ä NOITE, as vielas de N√°poles n√£o parecem ‚Äúamig√°veis‚ÄĚ a quem n√£o conhece.
       
      Dia 16/12 (3)
       
      Reservamos esse dia para a atração mais visitada para quem vai a Nápoles: as ruínas de Pompeia.
       
      Fora do hotel, fomos √† esta√ß√£o de trem Napoli Piazza Garibaldi comprar o bilhete para irmos at√© Pompeia (na esta√ß√£o Pompei Scavi ‚Äď Villa Dei Misteri) pela rede da Circumvesuviana. Diferentemente de todas as linhas de trem que j√° usara, a sinaliza√ß√£o √© p√©ssima. Estava com o bilhete at√© Pompeia, mas qual linha deveria usar? Em qual plataforma? Precisava validar o bilhete? Na entrada da esta√ß√£o, tem uma placa indicada para Pompeia ‚Äď e s√≥. Depois de sair de um corredor, chega nas plataformas ‚Äď e qual delas √© para Pompeia? Do nada, um homem diz para usar a plataforma do meio e, em troca, pede dinheiro para um cafezinho (informa√ß√£o cara...). Me fiz de desentendido e ignoramos o apelo da ‚Äúajuda‚ÄĚ (depois verifiquei que isso √© um truque para pegar dinheiros de turistas que ficam constrangidos com a abordagem). Na plataforma, nenhum mapa indicando as linhas da rede, nem monitor indicando qual √© o pr√≥ximo trem, nada! POR SORTE, havia na plataforma um grupo com uma guia que disse para pegar o trem seguinte.
       
      Depois percebi que a sinalização para pegar o trem até existe, mas a sinalização é tão ruim e suja que é difícil de perceber.
       
      Sabendo que est√°vamos no trem correto (e ter percebido que a valida√ß√£o do bilhete foi feita ap√≥s pass√°-lo na catraca), apreciamos a vista do trajeto. Como o pr√≥prio nome diz, √© uma rede de linhas de trem que ficam ao redor do Monte Ves√ļvio. Ali caiu a ficha ‚Äď estava pr√≥ximo a um vulc√£o, que inexiste no Brasil. √Č uma montanha, com a diferen√ßa de n√£o ter um cume, mas um baita burac√£o no topo.
       
      A esta√ß√£o deixa quase que na frente do Parque Arqueol√≥gico de Pompeii ‚Äď e √© enorme. Devido ao seu tamanho, a maior parte das est√°tuas e esculturas (e os mortos cobertos pelas cinzas do vulc√£o) ficam mais pr√≥ximos da entrada, para facilitar a vida dos turistas. Mas isso n√£o √© motivo para n√£o conhecer as casas e ruas que pertenciam ao Imp√©rio Romano, a mais de 2 mil anos. A preserva√ß√£o de alguns lugares chega a ser espantosa. O parque cede um mapa para os ingressantes, mas uma consulta ao Google Maps foi de maior aux√≠lio, pois este indicava as principais atra√ß√Ķes do local, como o F√≥rum de Pompeia, Casa do Fauno, Tempo de Apolo, Lupanar (ou ‚Äúcasa das primas‚ÄĚ ‚Äď tanto lugar para ser preservado e conseguiram recuperar a ‚Äúdivers√£o noturna‚ÄĚ). Para conhecer o complexo, √© necess√°rio um bom cal√ßado, pois n√£o √© f√°cil de caminhar por cimas das pedras que perfazem as antigas ruas romanas.
       
      Caso queira conhecer todo o parque (e tenha f√īlego para isso), um dia ser√° obrigat√≥rio ‚Äď para a maioria das pessoas, por√©m, meio dia ser√° o suficiente. Depois de conhecer a maior parte do parque, sa√≠mos e quase ca√≠mos numa pegadinha ‚Äď para sair dele, √© preciso passar novamente o ingresso na catraca; N√ÉO o jogue fora! De l√°, fomos ao mercado que ficava no meio do caminho at√© a esta√ß√£o Pompei. Essa esta√ß√£o n√£o pertence √† Circumvesuviana, mas √† rede de trem regionais italianos ‚Äď a esta√ß√£o e o trem que pegamos era muito melhor do que fora a da ida; e essa linha era adjacente √† praia, o que possibilitou que apreci√°ssemos o Mar Tirreno no nosso retorno √† N√°poles.
       
      Apesar de termos chegado em Nápoles ainda de dia, as pedras de Pompéia acabaram com os pés e as pernas. Só restou descansar para poder aproveitar melhor os demais dias da viagem (mas sempre dá para dar uma esticadinha pelas ruas da cidade à noite).
       
      O dia seguinte estava reservado para a Ilha de Capri, mas como encontramos o ‚Äúespertinho‚ÄĚ dando golpe na ida √† Pompeia, ficamos receosos de ir por conta √† ilha (imagina se n√£o conseguimos voltar?) e n√£o sabia se haveria no dia pacote de ag√™ncia para ir √† ilha. Para evitar maiores encrencas, tive de mudar a log√≠stica e procurei no guia as atra√ß√Ķes que poderia fazer no dia seguinte, com o cuidado de verificar em qual dia da semana estariam fechados (para evitar o ocorrido em Bel√©m 2 anos antes). Um dos locais que me interessou, o Pal√°cio Real de Caserta, o equivalente Versailles italiano, estaria fechado.
       
      RESUMO
       
      Visite umas das principais atra√ß√Ķes da It√°lia: as RU√ćNAS DE POMP√ČIA.
       
      Para chegar √†s ru√≠nas, utilize a rede da Circumvesuviana e DESEMBARQUE na esta√ß√£o Pompei Scavi ‚Äď Villa Dei Misteri.
       
      N√ÉO FALE com ningu√©m que se aproxime de voc√™ ‚Äď se precisa de ajuda, pe√ßa aos funcion√°rios das esta√ß√Ķes ou das atra√ß√Ķes.
       
      Vá de TÊNIS: as ruas e calçadas pavimentadas por pedras era bom para os antigos romanos, e não para os homens do século XXI.
       
      Dia 17/12 (4)
       
      Na procura de atra√ß√Ķes, encontrei para o per√≠odo da manh√£ o Museu de Capodimonte, que ficava a 1,5 quil√īmetro de dist√Ęncia da esta√ß√£o Cavour. Ora, 1,5 quil√īmetro para passear pelas ruas antigas da Europa √© pouco (e at√© obrigat√≥rio ‚Äď se n√£o andar pelas ruas, n√£o √© poss√≠vel conhecer de verdade o velho continente). O problema √© que descobri somente durante o percurso que o museu ficava a 1,5 quil√īmetro na horizontal MAIS 107 metros na vertical ‚Äď tinha umas ladeiras que cansavam as pernas (errei feio); compensava mais ter descoberto uma linha de √īnibus que sa√≠sse do centro de Nap√≥les at√© l√°. Por√©m o ‚Äúestrago‚ÄĚ estava feito, que descobrimos ao andarmos pelas ladeiras que jamais acabavam.
       
      Mas as ladeiras acabaram e l√° est√°vamos [cansados] em frente do Museu de Capodimonte, com seu belo jardim. O museu, que foi um antigo pal√°cio, fica um pouco fora das rotas tur√≠sticas (que, percebi, gra√ßas √†s ladeiras), mas possui belas pinturas de artistas, inclusive do Renascimento ‚Äď no entanto, n√£o tem uma quantidade enorme de obras, como o British Museum ou Mus√©e du Louvre.
       
      Passado 2 horas (e descansado as pernas), voltamos √†s ladeiras ‚Äď agora em sentido descendente (afinal, para baixo todo santo ajuda) at√© os subterr√Ęneos de N√°poles, que ficava pr√≥ximo √† esta√ß√£o Cavour (550 metros no PLANO!). Entretanto, o caminho passava ao lado do Doumo que, desta vez, estava aberto ‚Äď e de entrada gratuita para a igreja. Aproveitamos para tirar fotos e descansar, mas ap√≥s 7 minutos fomos convidados a nos retirar ‚Äď a igreja ia fechar.
       
      Fora do Doumo, fomos √† Piazetta San Gaetano para acessarmos o subterr√Ęneo de N√°poles (Napoli Sotterranea). Depois percebi que, na pra√ßa, existem acesso a 2 ‚Äúsubterr√Ęneos‚ÄĚ. Um, o mais famoso, que fica na altura no n√ļmero 68 da pra√ßa; outro, vinculado √† igreja San Lorenzo Maggiore, fica na altura no n√ļmero 316 da pra√ßa ‚Äď quis o destino que nossa escolha fosse a segunda op√ß√£o. Por qu√™?
       
      Fomos √† bilheteria, usando aquele ingl√™s para comprar os bilhetes ‚Äď pelo que entendi, era necess√°rio a ida com guia; no caso, em ingl√™s ‚Äď e come√ßaria o passeio em menos de 10 minutos. Quando me virei para falar com meu pai ‚Äď em portugu√™s ‚Äď a vendedora exclamou: estava tamb√©m aprendendo a falar em ingl√™s ‚Äď ela era portuguesa; ambos est√°vamos ‚Äúsofrendo‚ÄĚ para falar (e entender) o ingl√™s um do outro desnecessariamente. E, para nossa surpresa, a guia ‚Äď para variar ‚Äď era brasileira. Como er√°mos somente n√≥s no grupo para o passeio ao subterr√Ęneo naquele hor√°rio, conseguimos, na pr√°tica, uma guia particular falando em portugu√™s em N√°poles ‚Äď o destino realmente escolhera muito bem.
       
      No subterr√Ęneo de N√°poles, a semelhan√ßa com o que fora visto no dia anterior em Pomp√©ia era evidente ‚Äď e conveniente; a guia dirimiu algumas curiosidades que t√≠nhamos visto nesses s√≠tios arqueol√≥gicos de ocupa√ß√£o greco-romana. Ali√°s, como ela contou, N√°poles deriva de Ne√°polis, ou nova polis ‚Äď nova cidade; a arquitetura em arco, bastante forte (meio l√≥gico at√© ‚Äď tem uma CIDADE em cima de todo o subterr√Ęneo); as grandes pedras brancas no meio da rua, para ampliar a ilumina√ß√£o noturna; as √°reas que correspondiam ao mercado, escola, casas. Curiosamente, o subterr√Ęneo n√£o era segredo para [quase] ningu√©m ‚Äď os cl√©rigos da igreja usavam essa parte do subterr√Ęneo como dep√≥sito; somente no s√©culo XX que foi reconhecido o valor hist√≥rico de tais √°reas.
       
      Finalizado o passeio ao subterr√Ęneo e √† igreja San Lorenzo Maggiore, fizemos o √≥bvio: comer pizza napolitana... em N√°poles. Comer pizza ‚Äď ou calzone ‚Äď √© extremamente f√°cil de ver nas ruas de N√°poles (e no resto da It√°lia tamb√©m). E √© barato: ‚ā¨ 5 pelos pratos mais simples de pizza. Apesar de conseguir comer tudo, o prato atende bem como almo√ßo E jantar.
       
      Abastecidos, voltamos à área portuária da cidade até a Piazza del Plebiscito e (mais um) Palácio Real, em frente à praça. Infelizmente, o dia estava acabando e não dava mais tempo de conhecer mais lugares.
       
      A cidade, em si, n√£o √© um lugar que voltaria ‚Äď de bagun√ßa e sujeira, j√° basta o Brasil. No entanto, h√° de se reconhecer que a regi√£o cont√©m tesouros hist√≥ricos √ļnicos. Ou seja, n√£o deve ser considerada como destino de viagem principal ‚Äď mas caso tenha a oportunidade de ‚Äúpassar l√°‚ÄĚ, como foi o meu caso (e gostar de hist√≥ria e seus tesouros), pode valer a pena.
       
      RESUMO
       
      Nápoles tem algumas LADEIRAS terríveis.
       
      VISITE o Museu de Capodimente e o Duomo de N√°poles.
       
      CONHE√áA as hist√≥rias e os artefatos nos subterr√Ęneos de N√°poles.
       
      COMA a pizza napolitana... em N√°poles.
       
      PASSEIE pela Piazza del Plebiscito e o Palácio Real em frente à praça.
       
      Dia 18/12 (5)
       
      Apesar de ainda estar em N√°poles, o dia era reservado para Roma ‚Äď o hor√°rio do trem que reservamos era √†s 9 da manh√£, com tempo de trajeto em impressionantes 1 hora e 10 minutos. Apesar de at√© parecer meio tarde para pegar o trem, o tempo que se perde em tomar o caf√© e fechar (n√£o arrumar ‚Äď isso j√° fora feito na noite anterior) a mala de m√£o √© relevante. Mesmo assim, chegamos com anteced√™ncia na esta√ß√£o Napoli Centrale para embarcar no trem ‚Äď a quest√£o √© que seria a primeira viagem de trem de alta velocidade na Europa. Apesar de ter visto in√ļmeros v√≠deos na internet de como funciona o sistema de trens de alta velocidades na Europa (e It√°lia), o nervosismo √© inevit√°vel, pois o tempo de embarque pode ser curto e a esta√ß√£o, muito grande. No entanto, o sistema √© pensado para que o tempo seja justo ‚Äď nem r√°pido, nem demorado.
       
      Nas primeiras viagens de trem, √© vital ter os bilhetes impressos em m√£os ‚Äď primeiro, para ver as informa√ß√Ķes do bilhete e comparar com o painel na esta√ß√£o; segundo, √© preciso mostrar o bilhete ao funcion√°rio da companhia ferrovi√°ria durante o trajeto.
       
      Finalmente, apareceu a informa√ß√£o no painel de qual plataforma seria o embarque ‚Äď justamente a plataforma mais distante dos bancos onde est√°vamos. Por√©m, como dito que o tempo √© justo, apesar de ter de cruzar a esta√ß√£o, o tempo foi mais que suficiente. Por√©m esse tempo √© para entrar no trem ‚Äď ele parte mesmo que n√£o tenha encontrado seu lugar ou guardado sua mala.
       
      O bilhete do trem j√° vem indicado o n√ļmero da poltrona em que deve se sentar. Mas nessa viagem um grupo de garotas estavam sentadas em algum de nossos lugares ‚Äď e percebi que, apesar do bilhete indicar a cadeira, nada impede que possa trocar de lugar com outro por meio de uma boa conversa.
       
      O trem, moderno, cortava as paisagens italiana de forma fulminante ‚Äď e o monitor no in√≠cio do vag√£o indicava o porqu√™: 300 km/h! (√© um bocado dif√≠cil tirar foto). Apesar da velocidade, o trem √© confort√°vel e silencioso, f√°cil para dormir ‚Äď menos para esse blogueiro, que faz quest√£o de curtir cada segundo de qualquer viagem.
       
      Dito e feito! Depois de 70 minutos, o trem parou na esta√ß√£o Roma Termini. E ficou muito claro de o porqu√™ de quem conheceu os trens de alta velocidade europeu, se apaixona (ainda mais quando fica ‚Äútravado‚ÄĚ por dezenas de minutos nas marginais em S√£o Paulo).
       
      Compramos os bilhetes avulsos de metr√ī at√© a hospedagem pr√≥xima ao Vaticano, para guardar as malas. Do hotel, fomos √† p√© em dire√ß√£o ao Museo e Galleria Borghese. Nas ruas romanas, os edif√≠cios pr√≥ximos do Vaticano muito me lembravam de Paris ‚Äď nas suas propor√ß√Ķes, √© claro. Diferente do que v√≠ramos em N√°poles, Roma √© uma cidade muito mais organizada.
       
      No caminho para a Galleria Borghese paramos na Piazza del Popolo ‚Äď pra√ßa obrigat√≥ria para quem j√° assistiu Robert Langdon na procura dos cardeais em Anjos e Dem√īnios.
       
      Nos jardins da Villa Borghese fica o Terrazza del Pincio, onde √© poss√≠vel ver a c√ļpula do Vaticano, a Piazza del Popolo e outros marcos de Roma e, claro, tirar muitas fotos. Todavia, o local √© frequentado por vendedores e eventuais golpistas: um homem queria empurrar a todo custo uma rosa para minha m√£e (turista tem o problema de ser menos ‚Äúsens√≠vel‚ÄĚ a perceber trambiques). Tive que insistir em falar n√£o, at√© exclamar um ‚Äúget out!‚ÄĚ ‚Äď s√≥ assim para o homem ir embora.
       
      Pelos belos jardins chegamos √† galeria. Apesar de ter lido que √© necess√°rio fazer reserva, eu consegui comprar na hora ‚Äď mas aten√ß√£o: o ingresso √© caro e o hor√°rio √© limitado. Os per√≠odos s√£o pr√©-definidos, como das 15:00 √†s 17:00. Se entrar √†s 16:00, s√≥ pode ficar at√© √†s 17:00. Pode se perguntar: Que frescura. E por que ent√£o foi l√°? Quando nos referimos a artistas renascentistas italianos como mestres, n√£o √© √† toa. Apesar de ter pinturas no museu, as grandes atra√ß√Ķes s√£o as esculturas do mestre Lorenzo Bernini ‚Äď ele n√£o fez 1 escultura obra-prima, ele fez V√ĀRIAS. E n√£o d√° para falar que uma √© melhor do que a outra porque n√£o existe nota melhor do que perfeita (s√£o esculturas de tirar o chap√©u). ‚Äú√Č caro‚ÄĚ ‚Äú√Č‚ÄĚ. ‚ÄúVoltaria?‚ÄĚ ‚ÄúVoltaria‚ÄĚ.
       
      Mas o passeio na galeria tem o hor√°rio limitado e voltamos para Piazza del Popolo conhecer o centro de Roma. Pr√≥ximo fica a Piazza di Spagna, onde ficam a fonte e a famosa escadaria ‚Äď de t√£o famosa, o governo italiano proibiu de sentar nos degraus, sob pena de multa. Depois, sob a luz do luar, nos ‚Äúperdermos‚ÄĚ pelas ruas hist√≥ricas da cidade, nos unindo ao fluxo intenso de turistas.
       
      RESUMO
       
      EMBARQUE nos trens de alta velocidade italianos.
       
      Leve o BILHETE IMPRESSO nas m√£os ‚Äď utilizar os trens de alta velocidade √© bem simples para quem est√° acostumado. Mas na 1¬ļ vez √© melhor tem impresso para poder conferir as informa√ß√Ķes de viagem rapidamente.
       
      VISITE a Galleria Borghese e se encante com as esculturas perfeitas de Lorenzo Bernini.
       
      NÃO PERMITA que qualquer estranho te ofereça ao algum produto.
       
      PERCORRA por algumas praças romanas, como a Piazza del Popolo e Piazza di Spagna.
       
      Dia 19/12 (6)
       
      Esse foi um dia que, na pr√°tica, demonstrou que comprar ingresso antecipadamente ou fazer reserva pode n√£o ser boa ideia (pelo menos em baixa temporada). Na noite anterior tinha visto que esse dia seria chuvoso ‚Äď longe das chuvas que ocorrem em S√£o Paulo, mas ainda assim inconveniente. Os passeios ‚Äúobrigat√≥rios‚ÄĚ em Roma s√£o o Coliseu e F√≥rum Romano, e o Vaticano. Tendo em vista a expectativa de chuva, fomos ao Musei Vaticani (para algumas [poucas] atra√ß√Ķes, a Europa est√° at√© obrigando fazer reserva. Mas ela n√£o precisa ser feita 2 meses antes ‚Äď basta fazer no dia anterior).
       
      E o dia foi mesmo chuvoso ‚Äď por uns momentos da manh√£, ca√≠a uma chuva torrencial. Todavia, como a hospedagem era muito pr√≥xima ao Vaticano, n√£o havia necessidade de sair cedo para se aventurar no transporte at√© os dom√≠nios da Santa S√©.
       
      A fila de acesso estava pequena. Contudo, ao notar o fluxo de turistas no Vaticano, percebi que era decorrente do hor√°rio que cheg√°ramos, √†s 9 da manh√£, quando abre o museu ‚Äď o melhor √© chegar pr√≥ximo desse hor√°rio.
       
      O Musei Vaticani √©, na verdade, v√°rios museus. Ao entrar, fica-se com a impress√£o de entrar numa cidade ‚Äď uma cidade sagrada. Onde come√ßar? Muitos indicam a Capela Sistina ‚Äď inclusive o pr√≥prio Vaticano indica um atalho para chegar ao lugar. Vale a pena faz√™-lo pois o n√ļmero de turistas aumenta muito no decorrer do dia; mas n√£o deve considerar que o Musei Vaticani √© t√£o somente para apreciar a obra de Michelangelo ‚Äď tem muito mais.
       
      Em parte do corredor at√© a Capela Sistina, tape√ßarias imensas ornamentavam o local (Galeria das Tape√ßarias). No √ļltimo trecho fica a Sala dos Mapas ‚Äď somos ladeados por diversos mapas pintados na parede. Uma curiosidade: alguns mapas eram dif√≠ceis de reconhecer, pois o Norte √© apontado para baixo (quest√£o de perspectiva).
       
      √Č inquestion√°vel a arte impec√°vel pintada nas paredes e teto da Capela Sistina (sim, se j√° √© ruim pintar de branco o teto de casa, imagina fazer uma obra-prima para posteridade?). A entrada para a Capela se d√° de costas para o Ju√≠zo Final e se perde algumas dezenas de minutos para poder contemplar as obras ‚Äď e muito mais para ver os detalhes. Um ponto interessante que foi feito nesse passeio foi ter um guia com informa√ß√Ķes mais completas sobre o local ‚Äď assim, podia entender o que cada pintura representava, o que Michelangelo e outros mestres queriam indicar em suas obras. Consequentemente, os detalhes das pinturas eram mais percept√≠veis ‚Äď acho que passamos mais de 2 horas l√°; at√© doeu a cabe√ßa de tanto olhar para o teto ‚Äď que Michelangelo pintou por anos!
       
      Como são vários museus dentro do complexo, é difícil lembrar a ordem em que passa por cada um dos museus. Por isso segue alguns museus, não necessariamente na ordem realizada.
       
      O Museo Gregoriano Egizio, com m√ļmias e outras pe√ßas encontradas do Antigo Egito ‚Äď n√£o deixa de ser curioso que na sede da Igreja Cat√≥lica Apost√≥lica Romana existam objetos e outros s√≠mbolos pag√£os; um sinal de respeito com outras culturas e apre√ßo √† arte e √† hist√≥ria (mas depois de ver m√ļmias no British Museum e Muse√© du Louvre, me perguntava se sobrou alguma m√ļmia no Egito para contar hist√≥ria...).
       
      A Pinacoteca do Vaticano, com quadros e esculturas do s√©culo XII ao XIX. Para cada uma das 16 salas, fica representada uma √©poca e, claro, a principal obra ‚Äď entre Leonardo, Caravaggio, Rafael...
       
      As Salas (Stanze) de Rafael, que s√£o quatro aposentos decorados pelo mestre renascentista ‚Äď infelizmente, estas salas est√£o em processo de restaura√ß√£o e, somado ao espet√°culo que foi ter apreciado a Capela Sistina, fica um pouco dif√≠cil de dar a aten√ß√£o devida ao lugar. Mas n√£o se iluda ‚Äď as pinturas s√£o incrivelmente b√°rbaras.
       
      O Museo Gregoriano Etrusco, com pe√ßas arquitet√īnicas encontradas na It√°lia do povo que ocupava a regi√£o do L√°cio antes da forma√ß√£o do Reino de Roma ‚Äď evidentemente, para quem tem pouco tempo e/ou prefere as pinturas renascentistas, n√£o √© interessante.
       
      O Museu Pio-Clementino, com obras e objetos da Antiguidade Greco-Romana e do Renascimento. Junto com a Capela Sistina e as Salas do Rafael, √© um dos principais museus do complexo. A quantidade de est√°tuas e busto de romanos √© gigantesca, sendo que a maioria est√° extremamente bem preservada, a despeito de ter aproximadamente 2 mil anos (ficou a impress√£o de que, para os romanos, a cria√ß√£o de bustos/est√°tuas √© o equivalente moderno ao consumo de alto luxo; al√©m de que parte dos bustos eram de homens forte do Estado Romano, num processo bem semelhante ao de homenagem a pol√≠ticos no s√©culo XXI ‚Äď ou seja, passam-se os anos, mas a hist√≥ria se repete).
       
      Existem outros museus no complexo, como o Museo Chiaramonti, Museo Gregoriano Profano, Museo Sacro, Biblioteca Apost√≥lica, entre outros. Por√©m √© poss√≠vel que alguns deles estejam fechados (como foi o meu caso para a Biblioteca) e alguns desses museus n√£o tem separa√ß√£o f√≠sica ‚Äď voc√™ vai para o outro museu sem ‚Äúperceber‚ÄĚ; por isso fica um pouco dif√≠cil discriminar em qual museu estava aquela obra espec√≠fica.
       
      Para acessar um dos ambientes que ainda n√£o tinha conhecido, foi necess√°rio passarmos novamente na Capela Sistina (chato n√©? t√£o ruim ver novamente as sensacionais pinturas de Michelangelo...). Nessa segunda visita, a capela estava muito mais cheia ‚Äď e percebi que chegar cedo nos pontos mais demandados faz toda a diferen√ßa.
       
      Apesar de enorme, t√≠nhamos conseguido conhecer [quase] todo o complexo representado pelo Musei Vaticani. Era o momento de ir embora ‚Äď e mesmo assim √© poss√≠vel se impressionar: a escadaria em espiral de Guiseppe Mormo, que marca o fim do Musei Vaticani.
       
      Fora dos museus, o passeio pelo Vaticano ainda n√£o havia acabado. Afinal, ainda faltavam a Piazza San Pietro e a Basilica de San Pietro, a maior igreja crist√£ do mundo e a casa do sucessor de S√£o Pedro. A pra√ßa, uma enorme elipse rodeada por 140 santos, foi criada por Bernini (pelo jeito n√£o foi o suficiente ter criado as espetaculares esculturas na agora Galleria Borghese ‚Äď tem de impressionar o mundo com mais obras...).
       
      Ap√≥s passar pela seguran√ßa (uns 20 minutos de fila), entramos no Bas√≠lica de S√£o Pedro. Apesar de ter j√° vistos [muitas] igrejas e pal√°cios em Portugal, Espanha, Inglaterra e Fran√ßa, essa me deixou de ‚Äúboca aberta‚ÄĚ. Se os chefes da Igreja Cat√≥lica quiseram criar uma estrutura que mostrasse o poder de Deus perante seu fiel, conseguiram. N√£o h√° palavras para descrever o lugar (ah, isso vale para fotos e v√≠deos tamb√©m). Talvez uma palavra para caracterizar o lugar seja... Suprema. E, claro, n√£o √© necess√°rio que seja um fiel cat√≥lico para se encantar com a bas√≠lica. De longe, √© um lugar que voltaria (e voltei mesmo).
       
      RESUMO
       
      Comprar BILHETE ANTECIPADAMENTE pode n√£o ser muito bom, especialmente se estiver em baixa temporada.
       
      Fique o DIA INTEIRO no complexo representado pelos Musei Vaticani.
       
      A CAPELA SISTINA pode exigir mais de uma hora para conhecer seus detalhes.
       
      Vá para a Piazza San Pietro, ENTRE na Basilica de San Pietro e fica estupefato com tal criação.
       
      Dia 20/12 (7)
       
      Como previsto, o dia seria mais ensolarado, bem distante da chuva que caiu no dia anterior. Ou seja, era o dia reservado para o Coliseu e Foro Romano.
       
      Para chegar, basta pegar o metr√ī e descer na esta√ß√£o Colosseo (mais f√°cil que isso n√£o tem). A estrutura do Coliseu, um tanto ‚Äúmachucada‚ÄĚ pelos s√©culos de pilhagem, √© maior do que parece nas fotos. Como √© de se esperar, j√° estavam √† vista os eventuais ‚Äúespertinhos‚ÄĚ. Com isso, uma prote√ß√£o maior dos bolsos e celulares se faz necess√°rio ‚Äď mas sem precisar ficar paranoico.
       
      Como umas das principais atra√ß√Ķes da capital italiana (se n√£o a principal), esperava filas enormes para acessar o Coliseu (ou ao menos maior do que a encontrada no Vaticano). Surpreendentemente, praticamente n√£o havia fila. Bastava entrar numas das laterais do Coliseu, comprar o ingresso (que d√° acesso tamb√©m ao Foro Romano) e entrar no antigo est√°dio romano.
       
      O gigantesco anfiteatro, cen√°rio de lutas de gladiador, era muito mais do que isso. Conseguiam at√© alagar a arena. √Č composto por 4 n√≠veis: o primeiro, para a corte imperial e senadores; o segundo, para fam√≠lias nobres, mas n√£o pertencentes ao Estado Romano; o terceiro, para os homens em geral, conforme grau de riqueza; o quarto, para as mulheres comuns. Na pr√°tica, era o equivalente ‚Äúcinema‚ÄĚ do imperador e seus asseclas, ao qual o povo tinha acesso ‚Äď mas afastado da aristocracia. E era todo revestido de m√°rmore que, ao longo do tempo, foi arrancado e usado em outros lugares ‚Äď mas √© poss√≠vel ter no√ß√£o do tal m√°rmore que fora retirado. Parte dele reveste a Bas√≠lica de S√£o Pedro, no Vaticano ‚Äď n√£o √© √† toa que tenha tal beleza.
       
      Apesar do tamanho do Coliseu, sua concep√ß√£o e constru√ß√£o √© espantosa ‚Äď sua constru√ß√£o foi realizada ao longo de 8 anos (compare com algumas obras menores tupiniquins...), com o planejamento para evacua√ß√£o total do est√°dio em 10 minutos. Al√©m disso tinha cobertura para proteger do sol, com um p√ļblico de 70 mil pessoas.
       
      Apesar de enorme, o acesso do ingresso n√£o abarca todo o anfiteatro ‚Äď umas 2 horas √© suficiente para admirar as enormes pedras que sustentam o local (a n√£o ser que queira conhecer os subterr√Ęneos, pagando o bilhete competente). Fora do Coliseu, com o ingresso ainda em m√£os, √© o momento de ir ao F√≥rum Romano, a antiga sede do Imp√©rio Romano ‚Äď mas n√£o antes de tirar fotos ao lado do Arco de Constantino.
       
      Assim como o Coliseu, a antiga Roma representada pelo F√≥rum Romano tem v√°rios peda√ßos em ru√≠nas. Entretanto, as constru√ß√Ķes (mesmo que parcialmente) inteiras provam que a opul√™ncia do Imp√©rio Romano n√£o ficou reservada somente ao Coliseu. Numa das constru√ß√Ķes, era poss√≠vel perceber a convers√£o do antigo templo pag√£o em uma casa cat√≥lica ‚Äď fizeram uma nova pintura por cima. Junto ao F√≥rum Romano fica o Monte Palatino, a mais famosa colina de Roma. A maior parte das constru√ß√Ķes (infelizmente) est√£o em ru√≠nas, mas √© poss√≠vel perceber que ali era, sem d√ļvida, o centro do poder do Imp√©rio.
       
      Findo o passeio pela parte antiga de Roma, era o momento de voar por alguns séculos até o século XIX para a Piazza Venezia, onde fica o Monumento Nacional ao primeiro rei da Itália, Vittorio Emanuelle II.
       
      Passando pelo centro de Roma, obrigat√≥rio passar pela Fontana di Trevi (sempre lotada), o Phanteon, o antigo tempo romano, onde est√° enterrado Vittorio Emanuelle II ‚Äď mas √© bom ir de dia; √† noite, o ambiente fica muito escuro. Pr√≥ximo ao tempo, fica a Piazza Navona, onde Robert Langdon salvou o cardeal e o Castel Sant¬īAngelo. Esse castelo, constru√≠do pelo imperador Adriano como mausol√©u, serviu como fortifica√ß√£o para os papas em caso de grave perigo. Para isso, existe um corredor que liga o castelo diretamente √† Bas√≠lica, o qual foi usado por Langdon (repare que esse blogueiro √© f√£ inventerado do personagem de Dan Brown ‚Äď um dos pontos mais divertidos em viagem √© reconhecer pessoalmente imagens que vira em fotos ou v√≠deos).
       
      RESUMO
       
      CONHE√áA o Coliseu e o Foro Romano por meio do ingresso √ļnico.
       
      PR√ďXIMO √†s ru√≠nas romanas fica uma edifica√ß√£o mais moderna: o Monumento Nacional para Vittorio Emanuelle II, na Piazza Venezia.
       
      CONTEMPLE a Fontana di Trevi, o Phanteon, a Piazza Navona e o Castel Sant¬īAngelo.
       
      Dia 21/12 (8)
       
      Tendo em vista que as principais atra√ß√Ķes de Roma j√° tinham sido conhecidas nos dias anteriores, era o dia de se perder pela cidade e rever algumas atra√ß√Ķes (e aproveitar o dia, j√° que algumas foram vistas √† noite, o que pode atrapalhar um pouco).
       
      Como escrevera, voltamos ao Vaticano. Entramos no in√≠cio da manh√£, ap√≥s arrumar as malas (o que sempre toma um tempo). Novamente com pouca fila, logo na entrada da Bas√≠lica de S√£o Pedro fica a Piet√†, de Michel√Ęngelo ‚Äď o problema √© que ela est√° envolta do vidro, dif√≠cil de apreci√°-la como merece; pode ser mais simples admirar as r√©plicas, como uma que estava na Pinacoteca do Musei Vaticani ou de ver de outros mestres, como as de Bernini na Galleria Borghese. N√£o h√° um cent√≠metro quadrado em toda a bas√≠lica que n√£o tenha sido plenamente trabalhada, incluindo o baldaquino de Bernini.
       
      A bas√≠lica, apesar de ser uma impressionante constru√ß√£o hist√≥rica, n√£o deixa de ser uma... igreja! Para quem for cat√≥lico (ou simplesmente quer conhecer), √© poss√≠vel participar da missa na bas√≠lica. Mesmo sendo italiano, d√° para entender algumas express√Ķes ‚Äď afinal, tanto o italiano quanto o portugu√™s t√™m a mesma origem, o latim; inclusive, √© somente no Vaticano que o latim ainda √© uma l√≠ngua oficial.
       
      Fora da bas√≠lica, ficava a impress√£o de que tinha algo que representa o Vaticano e n√£o havia visto... O que seria? Olho para a esquerda e dez homens da Guarda Su√≠√ßa (√© claro!) passam ao meu lado. Em Genebra, tinha perguntado ao guia do museu de o porqu√™ eram homens su√≠√ßos que faziam a prote√ß√£o papal. Ele explicou que, na Europa, os homens da guarda su√≠√ßa eram tidos como os mais confi√°veis ‚Äď o que permanece at√© hoje.
       
      Evidentemente, h√° diversas atra√ß√Ķes que podem ser feitas na bas√≠lica al√©m da visita da pr√≥pria e assistir a uma missa, como subir at√© a c√ļpula, visitar os tesouros do Vaticano ou ir ao t√ļmulo de S√£o Pedro. Mas o fato de existir n√£o quer dizer que tenha de ir...
       
      Na Piazza San Pietro, fomos encontrar a escultura mostrada por Langdon na busca pelo segundo cardeal ‚Äď a rosa dos ventos representada no ch√£o da pra√ßa (claro, isso √© mais uma divers√£o para turista detetive que adora procurar marcos que foram vistos em livros e filmes).
       
      Seguindo pela Via della Conciliazione, cruzamos o centro de Roma para curtir um pouco mais da cidade, agora com a ilumina√ß√£o solar. Dessa vez, seriam o destino as Igreja de Santa Maria della Vittoria e Bas√≠lica de Santa Maria Maggiore. Talvez fosse o caso de pegar o metr√ī para visitar essas igrejas, no entanto isso tem de ser contrabalanceado com o fato de que existem outras atra√ß√Ķes ou lugares no meio do caminho que merecem ser vistos (reitero: o melhor do Europa √© andar por suas √°reas milenares). Caso fique na d√ļvida, use os dois meios: fa√ßa um dos caminhos a p√© e use o outro (ida ou volta) de transporte p√ļblico.
       
      A Bas√≠lica de Santa Maria Maggiore √© uma das igrejas que, apesar de n√£o estar no territ√≥rio representado pelo Vaticano, pertence ao Estado Papal (com privil√©gios semelhantes a uma embaixada). √Č a √ļnica igreja romana que celebra missa todos os dias sem interrup√ß√£o desde o fim do Imp√©rio Romano do Ocidente e uma das mais belas igrejas de toda a Roma, com mosaicos do s√©culo V. J√° ficara encantado com a Bas√≠lica de S√£o Pedro e aparece outra, enorme e t√£o bela quanto. Apesar de ser bem perto da principal esta√ß√£o de trem de Roma (Termini), ela estava vazia (ideal para quem gosta de evitar aglomera√ß√Ķes). √Č nela que est√° enterrado Bernini (mas, convenhamos, por tudo o que ele criou ‚Äď inclusive para a Igreja Cat√≥lica, seria desaforo ele ser sepultado em local diverso).
       
      A Igreja de Santa Maria dela Vittoria √© mais um local para onde Langdon se desloca na busca dos cardeais. E assim como ocorre com o personagem, tivemos nossa surpresa: a igreja estava fechada, reservada para um CASAMENTO! ‚Äď um claro exemplo de que, por mais que planeje, sempre pode ocorrer contratempos; o mais importante √© sempre ter uma carta na manga para substituir o passeio. Com isso, n√£o poderia apreciar a 100¬™ obra de Bernini, o √äxtase de Santa Tereza (mas tudo bem ‚Äď fico satisfeito com as outras 99...).
       
      Na pr√°tica, o passeio pela cidade eterna estava chegando ao fim. Mas n√£o √© poss√≠vel despedir dela sem tomar um tiramis√Ļ (por ‚ā¨ 2,50). De volta ao hotel para pegar √†s malas, pegamos o metr√ī at√© √† esta√ß√£o Termini embarcar no trem de alta velocidade rumo a Floren√ßa. Apesar de termos chegado a tempo, creio que o ideal seja chegar pelo menos meia hora antes ‚Äď afinal, e se o metr√ī quebra ou tenha algum atraso?
       
      Diferente da primeira viagem de trem a partir de N√°poles, essa foi mais tranquila ‚Äď j√° tinha entendido [quase] tudo com o primeiro embarque e, como era de noite, n√£o tinha como ver nada pela janela. Mas aprendi um novo detalhe: a mesma plataforma pode atender v√°rios trens de alta velocidade ‚Äď ent√£o sempre confira o n√ļmero do bilhete com o indicado nas portas do trem, sen√£o vai embarcar no trem errado...
       
      RESUMO
       
      VOLTE a Bas√≠lica de S√£o Pedro ‚Äď vale a pena ‚Äď e, se quiser, participe de uma missa.
       
      PASSEIE pelo Centro de Roma.
       
      CONHEÇA as outras basílicas papais em Roma, como a Basílica de Santa Maria Maggiore.
       
      Se tiver um pouco mais de sorte, ENTRE na Igreja de Santa Maria dela Vittoria.
       
      EXPERIMENTE o doce tiramis√Ļ.
       
      Dia 22/12 (9)
       
      Era o dia de conhecer a capital da Toscana: a cidade de Florença, que por um breve período foi capital do Reino da Itália e centro da arte renascentista, em virtude do patrocínio decorrente da poderosa família Médici.
       
      Infelizmente nesse dia a chuva voltara e, diferente da possibilidade em Roma de ir a um ambiente fechado ‚Äď o Musei Vaticani, n√£o tinha como n√£o enfrentar um pouco da chuva. Mas n√£o √© por isso que a viagem seria arruinada: lembre-se de trazer capas de chuva (aquelas descart√°veis, de 1 real) e ser√° poss√≠vel realizar √≥timos passeios (l√≥gico, n√£o d√° para olhar para cima para ver o alto de uma torre sen√£o vai se molhar todo).
       
      Como o tempo de planejamento da viagem foi meio curto, n√£o tive tempo de discriminar as atra√ß√Ķes em Floren√ßa e fomos na secretaria de recep√ß√£o de turistas pedir algumas informa√ß√Ķes e obter um mapa da cidade ‚Äď mas isso s√≥ para quem n√£o pesquisou antes de ir para a cidade; o ideal √© sempre estudar as atra√ß√Ķes do destino antes de viajar (se bem que, para n√≥s, tamb√©m serviu para escapar um pouco da chuva que aumentara). No local vendem o Firenze Card, mas como j√° discutido na se√ß√£o dos Citycards, n√£o me interessou (fora que o tempo na cidade foi curto).
       
      Perguntei qual era a atra√ß√£o recomendada para quem tem s√≥ um dia de visita √† cidade. A atendente foi pragm√°tica: a Galleria Degli Uffizi. A principal atra√ß√£o da cidade tamb√©m serviria para escapar da chuva ‚Äď perfeito.
       
      A Galleria Degli Uffizi √© um dos principais centros de cole√ß√£o de arte do mundo (e uma fila para entrar em alta temporada que pode ser insana) ‚Äď e entendi o porqu√™. A quantidade de quadros, esculturas e outras obras √© absurda. E cont√©m, evidentemente, obras superfamosas, como O Nascimento de V√™nus, de Botticelli. Entretanto, umas das pinturas que mais me impressionou foi a perfei√ß√£o do desenho do p√© de um homem na √°gua com as consequentes ondas causada pelo movimento corporal ‚Äď tratava-se da pintura do ent√£o jovem Leonardo da Vinci, O Batismo de Cristo. Reza a lenda que o mestre de Leonardo, ao ver a pintura de seu disc√≠pulo, desistiu de pintar ao perceber que seu aprendiz superou (e muito) seu mestre (se, para uma pessoa leiga para as artes como eu se impressiona com a pintura, imagina para um especialista ‚Äď √© de ficar doido). Mas a galeria √© t√£o ampla que at√© Keanu Reeves est√° representado (pelo jeito, a Matrix tamb√©m servia para viajar no tempo, √† It√°lia renascentista) e a Medusa.
       
      Al√©m dos citados Botticelli e Leonardo da Vinci, ainda marcam presen√ßa Caravaggio, Ticiano, Rafael, Michelangelo entre outros, al√©m de in√ļmeros bustos romanos e outras est√°tuas. Com isso, √© evidente que longas horas se passam no museu.
       
      Finda a visita pela galeria, a chuva já tinha passado e era o momento para passear pela cidade. Para variar, Florença é mais uma cidade onde o professor Robert Langdon visitou em uma de suas aventuras: cheia de marcos interessantes para conhecer.
       
      Infelizmente, o passeio pela Galleria Degli Uffizi nos tomou v√°rias horas e n√£o seria poss√≠vel visitar muitos outros lugares internamente. Pr√≥xima √† galeria fica o Palazzo Vecchio na Piazza dela Signoria. Nessa pra√ßa, para quem n√£o pode ir √† Galeria da Academia de Belas Artes, o turista tem a possibilidade de ver uma c√≥pia do Davi, de Michelangelo. Ainda na pra√ßa existem muitas outras esculturas e, para quem tiver curiosidade, √© poss√≠vel ver que um dos le√Ķes nas escadas da Loggia del Lanzi ‚Äúcome‚ÄĚ a cabe√ßa do grande Davi.
       
      Claro, √© imposs√≠vel falar de Floren√ßa sem citar a Ponte Vecchio, a mais famosa ponte italiana sobre o Rio Arno (n√£o, n√£o √© por causa dos ventiladores da f√°brica brasileira), na qual existem in√ļmeras joalherias. Por cima ponte fica o Corredor Vasari ‚Äď um caminho exclusivo entre a Palazzo Vecchio e Palazzo Pitti, encomendado pela fam√≠lia M√©dici e pelo qual Langdon usou em Inferno.
       
      Um dos maiores √≠cones da cidade s√£o a Cattedrale di Santa Maria del Fiore e o Battistero di San Giovanni. A catedral, conhecida como ‚ÄúDoumo‚ÄĚ de Floren√ßa, come√ßou a ser constru√≠da no fim do s√©culo XIII e os trabalhos avan√ßaram at√© o s√©culo XIX. Um de seus destaques externos √© a composi√ß√£o da fachada por m√°rmores branco, verde e vermelho. A entrada da catedral √© gratuita, diferente do batist√©rio, que √© pago.
       
      Durante a noite, a cidade ainda reservara uma surpresa: pr√≥ximo da Piazza della Rep√ļblica, uma soprano italiana mostrava seus dons para a multid√£o de turistas que a admiravam (pelo jeito, a It√°lia √© uma f√°brica de tenores).
       
      RESUMO
       
      VISITE a Galleria Degli Uffizi e se impressione com as obras dos mestres renascentistas.
       
      ADMIRE o Palazzo Vecchio na Piazza dela Signoria e veja um dos le√Ķes comendo a cabe√ßa de Davi.
       
      CAMINHE pela Ponte Vecchio, onde, por cima, fica o Corredor Vasari.
       
      CONTEMPLE a Cattedrale di Santa Maria del Fiore e o Battistero di San Giovanni.
       
      Dia 23/12 (10)
       
      Esse dia foi dividido em dois: a primeira metade seria em Floren√ßa; a segunda, em Bolonha. Tendo em vista que seria invi√°vel voltar √† hospedagem somente para buscar as malas, levamo-las conosco no check-out do hotel de manh√£. Seria o caso de encontrar um local para deixar as malas ou, como est√°vamos em quatro pessoas e t√≠nhamos conhecido os principais pontos internos, andar com as malas conosco ‚Äď no fim, ficamos com a segunda op√ß√£o (repare que ter malas de m√£o com rodinhas faz TODA a diferen√ßa).
       
      Um dos primeiros pontos foi a Basilica di Santa Maria Novella, em frente √† esta√ß√£o de trem de Floren√ßa. No entanto, diferente do Duomo, seu acesso era pago e desistimos. Todavia, encontramos a Chiesa di Santa Maria Maggiore. Muito menor do que a vers√£o que conhecemos em Roma, √© ainda um pr√©dio hist√≥rico ‚Äď e gratuito. Tamb√©m existe a Basilica di San Lorenzo, igreja relacionada aos M√©dici.
       
      Durante a estadia noturna no hotel, pesquisei sobre outros pontos curiosos da cidade, como o le√£o que ‚Äúcome‚ÄĚ a cabe√ßa de Davi. E existem v√°rios perto da Cattedrale di Santa Maria del Fiore. Nas paredes externas da catedral existem esculturas de anjos, santos, figuras humanas... e da cabe√ßa de um touro (vai saber porqu√™...). Ainda na pra√ßa do Duomo, fica a est√°tua do arquiteto renascentista Filippo Brunelleschi, que projetou a c√ļpula da catedral. Mas, ao olhar a est√°tua, perceba que esta olha para sua obra-prima, a c√ļpula.
       
      Na pr√≥pria Chiesa di Santa Maria Maggiore existe outra curiosidade: a escultura de uma cabe√ßa de uma mulher no alto de sua parede, que os nativos florentinos carinhosamente chamam de ‚ÄúBerta‚ÄĚ.
       
      Pr√≥ximo ao Duomo (na verdade, tudo √© meio ‚Äúpr√≥ximo‚ÄĚ um do outro ‚Äď a cidade √© pequena; ‚Äúdensamente ocupada‚ÄĚ por arte, mas pequena) fica a casa de Dante Alighieri, poeta e autor de A Divina Com√©dia. Esse poema √© dividido em 3 partes, sendo a se√ß√£o denominada Inferno que d√° o nome √† aventura de Robert Langdon na cidade.
       
      Depois de encontrar mais algumas curiosidades florentinas (como a torre de onde se jogou o antagonista de Inferno) e revisitado alguns marcos da cidade, era o momento de despedida da capital da Toscana (repare que, mesmo com malas, √© poss√≠vel realizar bons passeios). Fomos √† esta√ß√£o Firenze Santa Maria Novella pegar o trem de alta velocidade at√© Bologna Centrale. Dessa vez, quem diria, o trem atrasou 15 minutos (sim, atrasos podem acontecer ‚Äď mas s√£o meio raros, j√° que estes t√™m total prioridade da malha ferrovi√°ria). Al√©m da sa√≠da de N√°poles, seria o √ļnico trecho ferrovi√°rio diurno, √ļltima oportunidade para poder ver a paisagem ‚Äď ledo engano! O trecho em alta velocidade foi praticamente por dentro de t√ļneis (fico imaginando o tempo que demoraria para fazer aqui tais t√ļneis, pela m√©dia de obras no Brasil...). Aproveite tamb√©m para ir ao banheiro (sua passagem inclui o uso, ao passo que na esta√ß√£o ferrovi√°ria chega a custar ‚ā¨ 1,50).
       
      Agora em Bolonha (e novamente tendo de levar as malas, já que as hospedagens no centro eram bem mais caras), fomos em direção ao centro histórico. A estação de Bologna Centrale é mais afastada do centro em comparação Firenze Santa Maria Novella (nesta você praticamente tropeça e já está no centro), mas ainda assim acessível com as malas.
       
      No caminho at√© o centro, percebe-se que as cal√ßadas s√£o todas cobertas pelos p√≥rticos (ou arcos), s√≠mbolos da cidade (√© uma ideia genial: as cal√ßadas s√£o todas protegidas, assim √© poss√≠vel andar pelas ruas se protegendo do sol forte ou da chuva ‚Äď faria sucesso essa concep√ß√£o em S√£o Paulo).
       
      Na Piazza Maggiore fica a Basilica di San Petronio, uma enorme bas√≠lica g√≥tica de m√°rmores e tijolos. Sua constru√ß√£o foi parada por ordem do papa ap√≥s este descobrir que ela seria maior que a Bas√≠lica de S√£o Pedro, √† √©poca (isso explica sua estranha fachada de m√°rmore e tijolos, sem muita harmonia). Por√©m, mesmo ‚Äúincompleta‚ÄĚ, √© muito bonita e seu acesso, gratuito. Dentro da igreja, um pequeno buraco permite a entrada da luz solar, na mesma dire√ß√£o que a linha do meridiano, al√©m do famoso p√™ndulo de Foucault. Ainda na piazza est√° a Fontana di Nettuno, uma obra em bronze do s√©culo XVI.
       
      Assim como Floren√ßa, Bolonha √© pequena e tudo √© meio ‚Äúpr√≥ximo‚ÄĚ. Ent√£o, pr√≥ximo da bas√≠lica ficam as Torri Pendenti, as duas torres medievais mais famosas da cidade.
       
      No nosso caso, como já tínhamos recebido uma enxurrada de cultura nas 3 cidades anteriores, escolhemos almoçar em um dos restaurantes (vendo o preço antes, evidentemente). Fica a ressalva de tomar cuidado com a taxa italiana de cobrar por sentar, denominada coperto (seria um equivalente nosso ao 10% da fatura). Só que, como é um valor fixo, existem muitos lugares que podem cobrar um absurdo por um consumo baixo (por exemplo, de um café que triplica de preço por causa dessa taxa).
       
      RESUMO
       
      O que fazer com as MALAS? Se não estiver sozinho e não quiser pagar depósito de bagagem, pode levá-las consigo.
       
      CONHEÇA as igrejas de Florença, como a Basilica di Santa Maria Novella, a Chiesa di Santa Maria Maggiore entre outras.
       
      DESCUBRA alguns pontos curiosos da cidade, como a cabeça de um touro no Duomo.
       
      Em BOLONHA, os pórticos auxiliam os pedestres a se proteger do sol e da chuva.
       
      VISITE a Basilica di San Petronio, a basílica que o papa mandou parar a expansão.
       
      ADMIRE as Torri Pendenti, símbolo da cidade.
       
      SAIBA da existência do coperto, taxa para quem sentar nas mesas quando for consumir algum alimento ou bebida. Para se esquivar dela, basta consumir no balcão.
       
      Dia 24/12 (11)
       
      Esse dia tinha um imbróglio: o trem rumo à Veneza-Mestre partiria à noite, mas a hospedagem não era perto da estação de trem. Como fazer?
       
      As alternativas na mesa eram: deixar as malas num depósito de bagagem. Como discutido na seção competente, é a opção mais cara; ou deixar as malas na hospedagem (se possível) e buscá-las, com a antecedência adequada, para então embarcar no trem, sendo a opção mais trabalhosa; ou levá-las conosco no passeio pela cidade.
       
      Escolhemos a op√ß√£o do dia anterior: passear pelas ruas planas de Bolonha com as malas. Mas n√£o atrapalha? √Č claro que andar com as malas √© pior do que se estivesse livre. Todavia, tendo em vista que n√£o ir√≠amos em museu como foi em Floren√ßa (Galleria Degli Uffizi) e as outras atra√ß√Ķes da cidade n√£o demandavam muito tempo, essa op√ß√£o foi fact√≠vel. Inclusive, vale a pena verificar se os lugares que deseje visitar possuem arm√°rios ‚Äď como o Velho Continente √© extremamente tur√≠stico, v√°rios lugares disponibilizam arm√°rios, alguns gratuitamente, com a ressalva do tamanho.
       
      De volta ao centro da cidade, al√©m da bas√≠lica ‚Äúrival‚ÄĚ da de S√£o Pedro, existem as Cattedrale Metropolitana di San Pietro e Chiesa dei Santi Bartolomeo e Gaetano. Mas a igreja mais interessante que conhecemos foi a Basilica Santo Stefano, na Piazza de mesmo nome (e que merece uma parada para admir√°-la). Mesmo tendo que esperar para a conhecer, j√° que o hor√°rio de acesso √© um pouco restrito, vale a visita. A nave da igreja em si n√£o √© especial ‚Äď a melhor parte √© do restante da bas√≠lica, com obras e estruturas medievais que (imagino) deviam ser usados pelos monges que l√° residiam.
       
      Como sabido, em Bolonha foi fundada a primeira universidade ainda em funcionamento, em 1088. Seu antigo edif√≠cio √© denominado como Archiginnasio e, hoje, abriga a Biblioteca Municipal. Apesar de ser preciso pagar pelo acesso (‚ā¨ 3,00), √© poss√≠vel contemplar as pinturas, arquiteturas e alguns livros [bem] antigos antes da √°rea paga.
       
      Outra atra√ß√£o da cidade √© Compianto del Cristo Morto, um conjunto de sete esculturas em terracota que representam a cena de A Lamenta√ß√£o de Cristo, na igreja de Santa Maria dela Vita. Infelizmente, por causa do dia ‚Äď v√©spera de Natal ‚Äď estava fechada.
       
      Por causa da data, tinha um detalhe que não pode passar despercebido: o dia seguinte seria o Natal, quando praticamente tudo fecha. E onde iria comer? Para quem vai passar o Natal no exterior, lembre-se de sempre comprar comida no supermercado até a véspera, para não passar fome durante o dia festivo (claro, a hospedagem pode oferecer, mas quanto custaria?).
       
      Fim do dia, era o momento de voltar √† esta√ß√£o Bologna Centrale embarcar no trem rumo √† Veneza-Mestre. Depois da experi√™ncia dos 3 trens anteriores, j√° estava ‚Äúesperto‚ÄĚ quanto aos detalhes para embarcar no trem de alta velocidade.
       
      A esta√ß√£o √© muito bem estruturada: no n√≠vel da rua, ficam os trilhos para os trens regionais; no 4¬ļ subsolo, os trilhos dos trens de alta velocidade. Os n√≠veis intermedi√°rios correspondem aos acessos aos trilhos, estacionamento e √°rea de espera. S√≥ fica o detalhe que, enquanto est√°vamos na √°rea de espera, um pedinte nos pediu comida (ou dinheiro) em italiano. Respondemos que n√£o entendemos, s√≥ em ingl√™s ‚Äď n√£o era problema: ele come√ßou a pedir em ingl√™s (imagina se isso vira moda no Brasil...).
       
      RESUMO
       
      VISITE a Basilica Santo Stefano, na piazza hom√īnima.
       
      CONHEÇA o edifício da primeira universidade do mundo, a Archiginnasio.
       
      Se não estiver fechada, ENTRE na Compianto del Cristo Morto e a aprecie a obra da Lamentação de Cristo.
       
      Se viajar no NATAL, lembre-se de que quase tudo pode estar fechado ‚Äď se previna e compre o que for necess√°rio.
       
      Dia 25/12 (12), 26/12 (13) e 27/12 (14)
       
      Para escrever cada dia das viagens neste blog, um longo processo de relembrar √© necess√°rio, como de cada caminho por onde passei, cada segundo que vivi, cada imagem que admirei. E estava com um bocado de dificuldade de escrever sobre Veneza, em mostrar o melhor da Seren√≠ssima. Por qu√™? A Piazza San Marco, a Ponte di Rialto, o Canal Grande, a Ponte della Libert√†, o Palazzo Ducale, a Basilica de San Marco, a Ponte e a Gallerie dell¬īAccademia, a Basilica di Santa Maria della Salute s√£o somente alguns das in√ļmeras atra√ß√Ķes de Veneza. Mas o melhor da cidade de Veneza √©... Veneza! O passeio ideal, creio, √© passear por suas in√ļmeras (e algumas estreitas) ruas, vielas e pontes, o que torna a cidade √ļnica em todo o mundo. Sempre haver√° algum cantinho novo para admirar. Deste modo, o melhor roteiro por Veneza √© estar livre para ‚Äúse perder‚ÄĚ, sem necessariamente focar nos seus pontos mais famosos.
       
      Conseguinte, não é o caso de descrever aqui os caminhos pelos quais percorri, mas elencar alguns detalhes que podem fazer a diferença.
       
      Apesar do destino da viagem ser a Veneza insular, foi muito mais conveniente hospedarmo-nos na Veneza continental, conhecida como Veneza-Mestre. Por √≥bvio, isso n√£o permite dormir nas antigas constru√ß√Ķes t√≠picas de Veneza. Mas tudo na vida tem o lado negativo... e positivo. As hospedagens em Mestre s√£o mais baratas (algumas, bem mais), os edif√≠cios s√£o mais novos e confort√°veis, a taxa de pernoite italiana √© mais baixa (em 2019, ‚ā¨ 1,35 por pessoa), existem grandes supermercados pr√≥ximos da esta√ß√£o de trem com bons pre√ßos. Claro, tem de ser somado o custo do transporte at√© as ilhas (de trem, ‚ā¨ 2,70 pela ida e volta) ‚Äď mesmo assim, o valor final fica menor do que se hospedar nas ilhas; e o deslocamento permite observar a Lagoa de Veneza.
       
      A primeira vez nas ilhas, como indicado, foi em pleno Natal. Todavia, sendo um local extremamente tur√≠stico, um n√ļmero consider√°vel de lojas permanecia aberta, com a vantagem de ter sido o dia do Natal com menor fluxo de turistas dentre os tr√™s dias de passeio.
       
      Durante a estadia em Bolonha, li not√≠cia de que Veneza foi atingida novamente pela acqua alta, quando as √°guas do Mar Adri√°tico sobem e v√£o ocupando, progressivamente, as √°reas mais baixas das ilhas. Contudo, n√£o fomos atingidos pelo fen√īmeno durante nossa estadia, apesar da exist√™ncia nas vias das passarelas que s√£o usadas para auxiliar os turistas e moradores a percorrer as √°reas mais baixas de Veneza ‚Äď e com a vantagem de que estas servem para sentar aos visitantes cansados.
       
      Proporcional ao n√ļmero de turistas que visitam Veneza √© o n√ļmero de filmes gravados tendo como cen√°rio a cidade. Como j√° pode imaginar, Robert Langdon esteve l√°, na Piazza San Marco, discorrendo sobre os Cavalos de S√£o Marcos: as quatro est√°tuas que ornamentam a fachada da bas√≠lica s√£o r√©plicas dos originais gregos de bronze do s√©culo IV a.C. que foram tomadas pelo doge de Veneza durante o saque √† Constantinopla durante a Quarta Cruzada. Inclusive, tendo Veneza sido rota para o Oriente, √© poss√≠vel perceber a forte influ√™ncia bizantina na arquitetura da bas√≠lica, bem diferente da concep√ß√£o das outras igrejas do mundo ocidental, incluindo na pr√≥pria It√°lia.
       
      Outro personagem que marcou presen√ßa na Seren√≠ssima foi James Bond, em 007 ‚Äď Casino Royale. Al√©m do agente secreto de ir √† ag√™ncia banc√°ria na Piazza San Marco (que n√£o existe, por sinal), Bond inicia uma persegui√ß√£o pelas ruas de Veneza (dica: decore BEM as imagens do filme ‚Äď e de qualquer filme ‚Äď caso queira repetir o feito; √© extremamente dif√≠cil reconhecer os pontos em Veneza).
       
      Como dito, n√£o h√° necessidade de marcar o melhor caminho para conhecer Veneza, j√° que todos os lugares s√£o v√°lidos. E n√£o existe problema quanto a ‚Äúse perder‚ÄĚ, j√° que, tal qual o ditado Todos os Caminhos Levam a Roma, em Veneza todos os caminhos levam √† Piazza San Marco (e vice-versa, para a Venezia Santa Lucia).
       
      No √ļltimo dia, escolhemos embarcar no Vaporetto, linhas de barcos que andam pelos canais maiores que podem valer como city tour. Escolhemos a linha 2, que permite ter uma vis√£o mais panor√Ęmica das ilhas, imposs√≠vel de ser feita em terra ‚Äď evidentemente, embarcamos na esta√ß√£o de in√≠cio da linha, pr√≥ximo da Piazza San Marco. Como esse transporte √© caro (‚ā¨ 7,50), n√£o recomendo comprar os passes de uso infinito (melhor usar o dinheiro para experimentar os trens de alta velocidade italianos ou mesmo comprar algum cristal de Murano, por exemplo).
       
      Veneza criou uma p√°gina na web para auxiliar os turistas sobre as atra√ß√Ķes da cidade, normas e regras, que devem ser seguidas para evitar multas: https://www.veneziaunica.it/. Algumas regras s√£o meio √≥bvias (e at√© inusitadas, como proibi√ß√£o de nadar nos canais), outras nem tanto: n√£o √© permitido comer sentado nas passarelas usadas durante a acqua alta, assim como √© proibido alimentar os infinitos pombos de Veneza.
       
      Para quem vai visitar (ou j√° visitou) Veneza, proponho um momento de reflex√£o: j√° imaginou a dificuldade de entregar a geladeira da sua casa em uma das vielas estreitas da cidade? Talvez a cidade n√£o seja cara somente por causa dos turistas...
       
      De volta √† linha temporal, findo o passeio por Veneza com a ascens√£o na Lua no horizonte, embarcamos na esta√ß√£o de trem Venezia Santa Lucia rumo √† Mestre para buscar as malas que ficaram na hospedagem e ir em dire√ß√£o √† nossa √ļltima parada, a esta√ß√£o Milano Centrale.
       
      Apesar da esta√ß√£o de Mestre ser muito menor do que as outras esta√ß√Ķes de trem que foram utilizadas nesta viagem, o pre√ßo da comida (mesmo no fast-food) ainda era maior do que em outros lugares da cidade. Ou seja, tal qual o aeroporto, evite sempre de comprar em esta√ß√Ķes de trem ‚Äď qualquer uma.
       
      O detalhe do embarque nessa esta√ß√£o (e de outras esta√ß√Ķes menores) √© de que o tempo que o trem fica na plataforma est√° mais pr√≥ximo do que conhecemos do metr√ī. Diferente das outras esta√ß√Ķes, n√£o havia muitas pessoas na plataforma ‚Äď e o sistema sabe disso. √Č o caso de entrar com suas malas de forma eficiente, j√° que dificilmente conseguir√° ter sentado em seu lugar antes do trem partir.
       
      RESUMO
       
      O MELHOR de Veneza é... Veneza.
       
      Se PERCA por suas vielas, pontes e canais.
       
      Fique HOSPEDADO em Veneza Mestre.
       
      N√ÉO TEMA a acqua alta. Os venezianos s√£o bem preparados para enfrentar a mar√© e ainda dura pouco, com raras exce√ß√Ķes.
       
      ESCOLHA um dos Vaporetto para usar como city tour.
       
      OBEDEÇA às regras impostas pela cidade disponíveis no site https://www.veneziaunica.it/.
       
      ENCONTRE os pontos de refer√™ncia vistos nos in√ļmeros filmes gravados em Veneza.
       
      Dia 28/12 (15)
       
      A estadia nesta cidade europeia seria um pouco diferente das realizadas at√© ent√£o. Afinal, por capricho do destino, estava em Mil√£o de novo, um ano depois. Considerando que no ano anterior o passeio foi meio ‚Äúfulminante‚ÄĚ, de apenas um dia, esta nova chance possibilitava realizar um passeio mais completo, de rever alguns pontos famosos e conhecer os que n√£o foram poss√≠veis.
       
      O primeiro local foi o justamente a de ‚Äúchegada‚ÄĚ: a enorme esta√ß√£o de Milano Centrale, de onde parte a maioria dos trens de alta velocidade de Mil√£o, concebida nos anos 30. A √°rea ao redor dessa esta√ß√£o, como a grande avenida que a conecta ao centro hist√≥rico, remete a um local muito conhecido por milh√Ķes de brasileiros: S√£o Paulo. Muitos consideram Mil√£o como a ‚ÄúS√£o Paulo‚ÄĚ da It√°lia, j√° que √© o centro financeiro, de com√©rcio de bens de luxo, de in√ļmeras ind√ļstrias da rep√ļblica italiana. Pode se perguntar: Mas porque viajaria para conhecer um lugar cuja ‚Äúc√≥pia‚ÄĚ eu j√° vivo/conhe√ßo? Porque √© uma S√£o Paulo ‚Äúorganizada‚ÄĚ, um exemplo para o futuro da metr√≥pole brasileira. Apesar de n√£o ter a ‚Äúconcentra√ß√£o‚ÄĚ de constru√ß√Ķes antigas como em N√°poles, Roma, Floren√ßa ou Bolonha, a cidade possui suas ‚Äúmarcas registradas‚ÄĚ hist√≥ricas, como o Duomo de Milano, a enorme catedral g√≥tica no centro da cidade. E, tal qual a cidade brasileira, possui uma vida agitada ‚Äď de dia e de noite.
       
      O centro hist√≥rico de Mil√£o √© pequeno: seu di√Ęmetro tem 2,5 km. S√≥ que a cidade, como S√£o Paulo, √© muito maior do que seu centro hist√≥rico. Para acessar algumas √°reas, o metr√ī pode ser inevit√°vel.
       
      A primeira parte do centro histórico a ser (re)visitada é a Via Monte Napoleone, rua comercial de alto luxo e considerada a mais cara da Europa (na prática, é mais para falar que conheceu a rua mais cara, como a rua Oscar Freire, já que os preços são surreais mesmo para suíços e escandinavos).
       
      Saindo da via, assim como um ano atrás, chega ao Duomo de Milano, uma das maiores catedrais em estilo gótico da Europa (existe a possibilidade de subir nos seus telhados para uma visão de sua arquitetura e da cidade).
       
      Adjacentes ao Duomo, na Piazza hom√īnima, ficam a Galleria Vittorio Emanuele II, uma esp√©cie de shopping do s√©culo XIX e o Palazzo Reale Milano.
       
      De l√°, seguimos para o Castello Sforzesco, antiga fortifica√ß√£o que virou a casa do Duque de Mil√£o. Agora √© sede de museus e galerias de arte da cidade, mas parte do castelo tem acesso gratuito. Atr√°s dele fica um grande (e gelado) jardim, o Parco Sempione e o ‚Äúarco do triunfo‚ÄĚ milan√™s, o Arco della Pace.
       
      RESUMO
       
      MILÃO é uma cópia de São Paulo mais rica e organizada.
       
      O passeio MANDAT√ďRIO na cidade √© conhecer o enorme Duomo de Milano.
       
      CONTEMPLE a estação Milano Centrale, a rua das grifes Via Monte Napoleone e um dos mais antigos shoppings do mundo, a Galleria Vittorio Emanuele II.
       
      PASSEIE pelo Castello Sforzesco e seu gelado jardim, o Parco Sempione.
       
      Dia 29/12 (16)
       
      Esse dia, na pr√°tica, foi destinado para conhecer as atra√ß√Ķes mais afastadas da √°rea central de Mil√£o.
       
      A primeira parada foi na Basilica San Lorenzo Maggiore, a mais antiga igreja de Milão, com mosaicos bizantinos do século IV. Em frente dela, ficam a estátua de Constantino, o célebre imperador romano que tornou o cristianismo religião oficial do império e as Colonne di San Lorenzo, ruínas de 16 colunas do antigo Império Romano.
       
      Depois de algumas quadras, chegamos √† regi√£o do Naviagli: s√£o canais artificiais de transporte que perfaziam o equivalente atual a avenidas e metr√ī. Com o avan√ßo desses modais, v√°rios canais foram fechados e somente tr√™s sobreviveram (sem o transporte, evidentemente). A regi√£o √© famosa pela vida noturna e bo√™mia, equivalente √† Vila Madalena ‚Äď mas como era inverno (e quase ano novo), a regi√£o estava bem vazia. Mas isso n√£o impede de admirar a beleza do local, mas √© interessante de ir ap√≥s ter conhecido a maioria das atra√ß√Ķes na √°rea central de Mil√£o (ou eventualmente tenha se hospedado pr√≥ximo do local).
       
      De volta ao centro, uma visita √† Basilica di Sant¬īAmbrogrio, inicialmente constru√≠da no s√©culo IV e finalizada no s√©culo XII. Em suas paredes resguardam algumas escritas romanas e a cripta da bas√≠lica resguarda o corpo de Santo Ambr√≥sio, desde o s√©culo V. Depois do Duomo, foi a igreja mais bonita que considerei nas visitas √† Mil√£o.
       
      N√£o podia de deixar de falar da igreja Santa Maria delle Grazie, onde Leonardo da Vinci pintou A √öltima Ceia, na parede do refeit√≥rio ‚Äď mas n√£o a conheci. Pode se perguntar: Por que n√£o fomos ver uma obra-prima de Leonardo? Aparentemente, ele n√£o quis fazer uma obra para posteridade ‚Äď fez sem muita preocupa√ß√£o, com tinta inadequada (o homem era bom mesmo, como se fosse um ‚ÄúMidas‚ÄĚ ‚Äď tudo o que ele mexia era excepcional) e, por isso, o local exige um controle para preserva√ß√£o severo. Por tudo isso, √© exigido uma pr√©-reserva superdisputada, um pagamento caro e o tempo de admirar a obra, ex√≠guo ‚Äď muita dor de cabe√ßa; melhor deixar para quem vive na Europa, especialistas em arte ou quem tem muito tempo E dinheiro mesmo.
       
      Outra igreja que merece a visita √© Chiesa di San Maurizio al Monastero Maggiore, em que residem afrescos do s√©culo XVI (claro, n√£o s√£o como os afrescos da Capela Sistina, no Vaticano ‚Äď mas s√£o bel√≠ssimas) e seu acesso √© gratuito. Junto √† igreja fica o Civico Museo Archeologico, que mostra a hist√≥ria de Mil√£o, como a funda√ß√£o da antiga cidade conhecida como Mediolanum, a conquista pelos romanos no s√©culo III a.C. e sua ocupa√ß√£o (durante um breve per√≠odo a cidade foi capital do Imp√©rio Romano do Ocidente).
       
      RESUMO
       
      VISITE por outras igrejas antigas de Mil√£o: a Basilica San Lorenzo Maggiore, Basilica di Sant¬īAmbrogrio, Chiesa de Santa Maria delle Grazie e Chiesa di San Maurizio al Monastero Maggiore.
       
      CAMINHE pelo Naviagli, região de canais artificais que serviam para o transporte e, agora, é famosa pela boemia.
       
      Dia 30/12 (17) e 31/12 (18)
       
      √öltimo dia de perman√™ncia na It√°lia, era o momento de prepara√ß√£o para o retorno ao Brasil ‚Äď a come√ßar pelo transporte at√© o aeroporto. O trem expresso para o aeroporto (Malpensa Express) √© um servi√ßo r√°pido, mas caro (‚ā¨ 13), enquanto os √īnibus (shuttle) s√£o op√ß√Ķes mais baratas. Mas tem uma pegadinha: os √īnibus, comprando na hora, s√£o mais caros (‚ā¨ 10) do que se comprar pela internet (‚ā¨ 8 mais taxa) e escolher o hor√°rio da viagem, mesmo pagando junto o IOF no cart√£o de cr√©dito.
       
      Ao inv√©s de desbravar (novamente) a √°rea central, decidimos ir a um dos lugares que foram reabilitados em Mil√£o: a √°rea ao redor da esta√ß√£o Milano Porta Garibaldi. Com uma concep√ß√£o moderna, √© um local de conv√≠vio e consumo. Inclusive, fica o conhecido Bosco Verticale (Floresta Vertical), par de torres residenciais ‚Äúverdes‚ÄĚ ‚Äď literalmente ‚Äď e venceu o pr√™mio de melhor pr√©dio em 2015.
       
      Tendo em vista que as principais √°reas de Mil√£o j√° tinham sido conhecidas, foi mais conveniente se ‚Äúperder‚ÄĚ pela cidade, desbravando as ruas e descobrindo novos lugares e as sempre constantes igrejas. Na √°rea central da cidade, tal qual em Bolonha, os geniais p√≥rticos protegem os transeuntes que percorrem suas vias.
       
      O rel√≥gio era implac√°vel: era o momento de se despedir da It√°lia (mais uma vez). Depois de pegar as malas na hospedagem, fomos √† esta√ß√£o Milano Centrale embarcar no shuttle at√© o Aeroporto de Milano-Malpensa. Sempre chegue ao aeroporto com anteced√™ncia adequada (at√© mais do que o planejado), para evitar estresse. De modo diverso ao ocorrido em Guarulhos, a atendente pediu para pesar as malas e, diferente do que o informado no bilhete de ida, a franquia √© de 8 kg ‚Äď claro, n√£o foi problema porque j√° t√≠nhamos pesado e, para essa companhia a√©rea, n√£o verificaram as dimens√Ķes da mala.
       
      Chegamos ao Aeroporto de Porto, e t√≠nhamos um desafio pela frente: uma conex√£o noturna de quase 12 horas. J√° t√≠nhamos ficado no Aeroporto de Madrid-Barajas por per√≠odo semelhante, mas n√£o como conex√£o, por conveni√™ncia mesmo. N√£o vou mentir, ficar no aeroporto n√£o √© o que poder√≠amos de definir como estadia ‚Äúagrad√°vel‚ÄĚ. Tinha estudado acerca da perman√™ncia no Aeroporto de Porto, entretanto todos os outros ‚Äúbons‚ÄĚ lugares j√° tinham sido escolhidos pelos outros viajantes. Restou-nos os bancos meio duros do aeroporto (o de Madri era mais confort√°vel) e aguardar o hor√°rio de abertura para acessar o lounge pelo benef√≠cio do cart√£o de cr√©dito. E que diferen√ßa! O lounge √© muito mais confort√°vel, mas, como praticamente tudo no aeroporto, √© caro seu ingresso avulso (mais caro, inclusive, do que hotel). Para quem n√£o tem a possibilidade de obter o acesso gratuito ao lounge (e n√£o quiser pagar), encare as longas escalas como se fosse mais um dia de trabalho ‚Äď cansativo, mas pelo qual se ganha o sustento. Ou seja, ao inv√©s de trabalhar no Brasil, voc√™ ‚Äútrabalhou‚ÄĚ para n√£o pagar pelo voo direto, mais caro ‚Äď e, pelo hiato de pre√ßos, eu teria de trabalhar v√°rios dias em S√£o Paulo para pagar tal diferen√ßa.
       
      O voo para S√£o Paulo chegou no hor√°rio programado, a tempo de passar o Ano Novo com a fam√≠lia. Paralelamente, a OMS declarava o primeiro alerta de Emerg√™ncia Internacional do at√© ent√£o novo e desconhecido v√≠rus, que fulminaria a It√°lia no m√™s seguinte ‚Äď ao que parece, essa viagem √† It√°lia foi realizada no momento certo.
       
      RESUMO
       
      DESCUBRA a região revitalizada ao redor da estação Milano Porta Garibaldi e aprecie o edifício verde Bosco Verticale.
       
      Os P√ďRTICOS de Bolonha tamb√©m chegaram a Mil√£o.
       
      Os √ĒNIBUS que ligam Mil√£o ao aeroporto de Malpensa s√£o a op√ß√£o mais barata de chegar ao aer√≥dromo.
       
      ENCARE o tempo de conex√£o como um dia de trabalho ‚Äď muito provavelmente sai mais barato pegar esses voos do que trabalhar para pagar pelo voo direto.
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