"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
....
Olá gente,
Meu nome é Fabio e gostaria de auxiliar as pessoas que, assim como eu desejei e concluí, desejam sair em busca de emoção e conhecimento por nossa América do Sul.
:'>
Antes de mais nada, decidi partir para o Sul, rumo a Ushuaia uma vez que outras opções de interesse com Europa estavam em um inverno muito rigoroso e eu possuia 30 dias de férias. Cheguei a verificar até pacotes do tipo CVC mas visitariam 3 ou 4 lugares por 20mil, levando-se em consideração que estamos em 4, eu, minha esposa e meus dois filhos, Giovani e Giulia.
Conversamos muito sobre o trajeto, fui muito desaconselhado pela distância total e por estar com crianças e acabei elaborando roteiros alternativos para retorno, mas não foram necessários, uma vez que ao findar da primeira fase, até o Deserto do atacama, só se tinham passados 7 dias ! O que eu faria com o resto ? voltar
Uni o útil ao agradável e planejei passo a passo (mais ou menos !!!
).
Segue a abaixo o roteiro realizado.
Como o roteiro era muito extenso foi dividido em duas partes pelo Google Maps
O mapa com detalhes estão no link abaixo:
Ida até Punta Arenas
[googlemap]http://maps.google.com.br/maps/ms?hl=pt-br&ie=UTF8&msa=0&msid=203168681665793866462.000496ef9e4925e2fee1c&ll=-25.522615,-56.469727&spn=34.866559,89.648438&z=4[/googlemap]
Chegada até Ushuaia e partida para São Paulo
[googlemap]http://maps.google.com.br/maps/ms?hl=pt-br&ie=UTF8&oe=UTF8&msa=0&msid=203168681665793866462.000496ef9e4925e2fee1c&num=200&start=35&ll=-38.065392,-63.544922&spn=30.655938,56.337891&z=4[/googlemap]
PREPARATIVOS:
Antes de mais nada, preparar uma viagem é uma coisa muito complicada pois existem muitos detalhes, muitos mesmo e a minha preparação foi complicada pois li muitos relatos e me preparei como se fosse para uma guerra, consegui todos os acessórios, tive que correr atrás de documentos que jamais imaginaria que precisasse... enfim, seguem os preparativos:
O que pedem:?:
ACESSÓRIOS
Extintor de incêndio;
Kit de Primeiros Socorros;
Cinto de Segurança;
Dois Triângulos;
Cambão ou cabo de aço; Comprei um aqui:
http://www.paulista4x4.com.br/produtos.asp
Fui parado diversas vezes e NUNCA me pediram nada disso. Mais importante é manter as luzes acesas pois por este motivo podem te parar. Sempre que eu paro para abastecer acabo desligando os faróis, desta forma, iniciava esquecendo desligados... mas os motoristas nos davam sinal para ligar.
O que é interessante levar
Silver Tape . Para vedação de alguma mangueira em caso de furo;
Líquido de insuflamento do pneu, em caso de emergência; Não me recordo o nome do produto mas é uma latinha que possui um cano que se rosqueia ao bico da roda e infla o pneu com um líquido inflamável, vedando o furo por um período de tempo. Comprei próximo da Santa Ifigênia mas acho que tem em casas de conserto de pneus mais especializadas.
Cheguei a usar na rota 40 mas não previ o fato de que na caminhonete precisava de maior quantidadee de fluídos (calibragem 42 contra 32 de carros convencionais)... inflou mas ficou baixo porém aconselho imensamente para não ficar na mão literalmente. Se usar, não esqueça de avisar o borracheiro para que ele não desinfle fumando ! senão
Compressor. Comprei mas me dei mal pois não testei o meu antes, que não possuía força para inflar o pneu... verifique porque vale a pena !
Tanque reserva de 20 litros. Eu levei e enchi pois no retorno vi muitas filas com gente desesperada sem diesel / gasolina e com filas imensas nos postos. Não cheguei a usar mas me dava uma tranquilidade enorme.
Adaptadores diversos. Usei meu veículo como uma fonte de energia... durante o caminho usava a entrada do acendedor de cigarros como fonte para carregar todo o tipo de aparelho... celular, PSP das crianças, GPS, DVD avulso e tudo ao mesmo tempo pois comprei várias entradas que me permitiam usar aquilo como uma entrada de tomada mesmo... valeu e muito a pena.
Fita adesiva grossa. para o caso de pedras trincarem seus vidros e acontece muito
Paninhos. Muito importante ter estes acessórios para os vidros e outras melecas internas - incluo aqui o papel higiênico - banheiros de estrada são muito sujos e geralmente desprovidos de papel!
Fluido no limpador de para brisas. São muitos os insetos que se chocam durante a viagem, desta forma fica uma meleca e só agua não resolve.
Bateria e Óleo Verifique a idade de sua bateria (duram em média de 2,5 anos a 3) e qual o tipo de óleo que seu auto utiliza.
Macaco de fácil manuseio. Verifique se o seu macaco é facil de manusear, se não for compre outro
Capa de proteção frontal do veículo. Mandei fazer uma e evitou que até um passarinho fosse parar no motor. Mesmo assim tomei pedradas sérias que chegaram até a amassar o capout... tem que saber qual comprar pois eles acabam riscando a pintura.
Cadeirinha confortável para as crianças pois as que vendem são difíceis para as crianças...não tem sentido !
Se eu me lembrar de algo mais aviso !
DOCUMENTOS
Habilitação internacional
Esqueça de verdade, não precisa e sequer pedem a sua do Brasil.
Carta Verde (Seguro internacional) - Sim e pedem mesmo, mesmo sem saber o que estão lendo ou averiguar o que seja. Um dos policiais viu minha apólice e perguntou: "mas eles não te deram um certificado de carta verde ?" eu gelei mas desconversei dizendo que aquela era a carta verde e bastava ler para verificar que cobria qualquer dano no exterior....
R$ 400,00;
Seguro de Saúde Internacional ( o meu não cobria ):
R$ 620,00 para um mês;
Carta da financeira (Roubo da financeira) para me autorizar a sair do Pais com "meu" carro: R$ 350,00
Essa foi minha maior preocupação pois a dias de iniciar a viagem é que descobri que precisava de uma série de autorizações dos países pelos quais iria passsar (Argentina, Chile e Uruguai) !!!!!!!!!!!!!
Essa epopéia está em outro link com todos os detalhes:
http://www.mochileiros.com/viagem-pela-america-do-sul-com-veiculo-com-alienado-t37620.html
Em resumo, se você possui um carro alienado ou com leasing precisa pedir autorização nos consulados, porém, no caso da Argentina, se pedir em São Paulo, demora 20 dias uteis para que enviem o documento até Brasília no Ministério das Relações Exteriores.
Mas para falar a verdade, de todas as paradas policiais em que pediram, inclusive nas Aduanas, etc, NINGUEM VIU NENHUM CARIMBO NEM VERIFICOU NADA NO DOCUMENTO EXCETO A AUTORIZAÇÃO EM SI ! Ou seja, eles queriam ver se alguem autorizou vc viajar com o carro alienado e nada mais !...
Agora sim passo a relatar a Viagem !!!!!!!!!
Antes gostaria de dizer que ao elaborar esta viagem, tive que elvar em consideração a extensão da mesma a ponto de não permenecer muito em um determinado local e a vontade das crianças, ou seja, o que seria bom para mim, para minha esposa e para os dois. Além disso não reservamos nada ! saímos com a cara e a coragem e preparados para ficar em hoteis 5 estrelas ou camping, comer em restaurantes caríssimos ou comida pronta ou até butecos, se preciso....
Como a parte de trás da caminhonete tem uma péssima vedação, comprei um saco plástico preto de 5x4 e fiz um invólucro nas malas, então sempre tinha esse trabalho de fechar o saco e depois a caçamba.
Outro ponto importante é o GPS. Utilize-o apenas como fonte mas nunca confie terminantemente neste aparelho. tenha sempre os mapsas da região, saiba o nome das rotas e o melhor de tudo é ter noção de direção. Muitas vezes o GPS "se perdeu" chegando a mandar voltar ou ainda sugerindo caminhos infundados. Tem que verificar as opções por quais vias pode se fazer o caminho senão ele pode te mandar para uma via não asfaltada. Em cidades menores ele não tem a mínima idéia da mão das ruas !!! entrei várias vezes na contra mão mesmo porque nestas cidades a sinalização é precária.
01/01/2011 - Saímos às 3:00h em direção à Foz do Iguaçu, carro lotado. Previsão de 11horas de viagem.
Bagagem: quatro malas mais um saco para sapatos, Barraca da Queshua 6.2T, mesa de acampamento, sacos de dormir, galão de 20 litros, 2 colchões infláveis, compressor e mais uma série de acessórios. Além disso, levamos travesseiros, almofadas e comida pronta e para camping além de uns 30 litros de água e muito suquinho para a criançada.
Pegamos a Castelo Branco e fomos embora, pagando muito pedágio (depois coloco uma planilha com os gastos), chegando ao final e o danado do GPS nos enviou por uma rota por Candido Mota, foi mais curta mas uma pista só... ainda bem que estava vazia.
Chegamos em Foz às 15:00h, em baixo de um pé d'agua tremendo e fomos direto ao Camping Internacional que não indico a ninguém. Como não havia condição de montar a barraca, iríamos ficar em uma cabana... devia ser de terror, cheiro de mofo absurdo. Além disso tinha uma turma grande do lado fazendo churrasco e toda a fumaça ia direto ao quarto... decidimos dizer que não ficaríamos e fomos procurar outros lugares. O Paudimar parece ser legal, mas não tinha vaga. Encontramos outros mas muito afastados. acabamos ficando no Hotel Royal Park, meia boca mas serviu, por R$ 150 quadruplo. Tem até piscina aquecida, fora a externa...
Dia seguinte saímos cedo para comprar uma bateria da filmadora pois havíamos esquecido em SP. Tivemos que ir ao Paraguai, que é horroroso. Como era Domingo poucas das milhares das lojas estavam abertas mas o suficiente para saber que Panasonic não é muito popular.... quiseram nos empurrar um estacionamento por R$ 40 mas quando eu disse que ia sair, fizeram por R$ 20. Vi muita coisa barata mas não tive coragem de comprar não... muitas vezes o barato sai caro !
Saímos do Paraguai e fomos direto para Itaipú, conhecer aquela obra fantástica de engenharia.
Valor: R$ 58,00 com duas crianças de 6 e 9 anos + R$ 8,00 estacionamento.
Depois de Itaipú, fomos para as cataratas fazer um passeio do Macuco Safari, que havíamos comprado por um valor mais baixo no hotel. Infelizmente não conseguimos ver as Cataratas pois o parque fecha cedo (17:00h), assim, tivemos que voltar para vê-las no dia seguinte... prejuízo hein
Mas não poderíamos perder as Cataratas nunca.
O Passeio do Macuco é carinho
(R$ 400,00 + entrada no Parque: R$ 57,00 estacionamento incluso - desconto para cartões Itaú)mas vale muito a pena e é diversão garantida além de ver as quedas de outro ângulo! Eles te levam de bote para baixo de uns veios de água e você sai de lá ensopado. Dica é ir de chinelo e levar alguma roupa extra ou toalhas. Tem armários lá para guardar pertences que não podem ser molhados.
Algumas fotos clássicas das Cataratas
Sugeriram até que fóssemos ao lado argentino das Cataratas mas como verão, priorizamos em nossas viagens mais conhecer o lugar de uma forma geral. Não preciso fazer todos os passeios para dizer que fui ao Atacama, não preciso fazer todos os trekkings para dizer que fui ao Fitz Roy, não preciso conhecer todos os Vulcões em meu caminho tampouco preciso visitar todas as igrejas e museus... aliás, não fui em Museu algum e conheci somente as Igrejas que pareciam interessantes. Muitas pessoas adoram decorar nomes de tudo... eu ficava lendo paso disso, paso daquilo, quebrada disso e quebrada daquilo (aliás, tudo por lá se chama paso e quebrada ???
)... são só lugares e que muitas vezes não tem nenhum diferencial com outros lugares da região. Enfim só um desabafo... 
Daqui partimos para a Argentina, mais precisamente Salta.
03/01/2011
Saímos para Salta depois da nova visita às Cataratas e daí começa a aprendizagem.
Comprei Pesos Argentinos 2 x 1.
Como eu nunca havia saído de carro do Brasil, não sabia como funcionava a questão da saída e desta forma metemos as caras e descobrimos:
Saindo de Foz, você segue um pequeno caminho até a Aduana, só que existem duas Aduanas a cada passagem, uma do País de saída e outra de entrada (Parece óbvio para quem viaja mas eu fiquei morrendo de medo quando lá cheguei pois não havia lido nenhum relato detalhando isso). No caso desta aduana, como é do Lado brasileiro para saída, você chega até o posto e aguarda numa fila a sua vez. Não dá para ver direito, mas você tem que aguardar, pois são cabines na diagonal. Lá você tem que apresentar os Passaportes, o funcionário registra e boa viagem!
Logo em seguida, uns quilômetros adiante, você avista a aduana Argentina e do lado direito um duty free. Como eles mandam lacrar as bolsas, caso tenha intenção de comprar algo, fique com o dinheiro ou cartão. Vi promoções de Whisky bem barato mas minha intenção nesta viagem não era a de fazer compras.
Depois das compras, você já cai direto na Aduana Argentina. Passa por uma cabine, apresenta os passaportes e o documento do carro e SEMPRE ouve a pergunta para a localidade de destino. Esta foi nossa primeira revista. O policial nos mandou abrir a caçamba da caminhonete e pediu carta verde e autorização para viagem com carro alienado.
Daí, tomamos a RN 12 até Corrientes e Resistência, onde fomos parados novamente. Abrimos tudo novamente, perguntaram para onde iríamos, pediram a autorização, etc e nos mandaram gentilmente seguir viagem. No meio do caminho paramos em uma pacata cidade chamada Montecarlo, para almoçar.
Fim de tarde em Montecarlo onde alomoçamos/jantamos nosso primeiro bife de lomo...
Depois tomamos a RN 16 que é realmente uma das estradas mais entediantes em que pilotei em minha vida! Como peguei a noite corri muito pois não havia ninguém mas quando começou a amanhecer é que percebemos o risco que havíamos passado. Muitos animais pela pista... Porcos, bois, cavalos, etc. É uma estrada entediante e sem graça. Não existe nada que amenize aquela visão de uma pista sem fim. São 1.453 km que fizemos sem dormir!
Foto da RN 16 e um de seus ilustres habitantes (Perigo constante).
Essa reta não acaba mais !
04/01/2011
Chegamos a Salta por volta das 12:00h (do dia 04 – Aprox. 20 horas de viagem) e paramos logo num mirante onde perguntamos sobre o Camping. Ao chegar ao local tivemos outra decepção com campings. Este ficava no meio da cidade e era separado das ruas apenas pelas grades. Não gosto de campings Urbanos. Na verdade me decepcionei muito com os campings da América do Sul. Gosto de campings onde posso parar o carro ao lado, gramados, tranqüilos e se puder, com um pouco de privacidade.
O GPS neste ponto já nos ajudou pois começamos a procurar nos POIS hotéis para ficar e encontramos o Casa Real, na Rua Mitre, 669. Hotel caro porém excelente pela localização, café da manhã e hospitalidade, além da piscina aquecida. Pagamos em torno de ARG$ 770,00
No mesmo dia já saímos para conhecer um local conhecido por Quebrada de San Lorenzo que é um bairro muito bonito a uns 10km da cidade em que você pode parar para tomar um sorvete e visitar um Parque (nada de especial). Depois fomos ao Cerro San Bernardo, porém preferimos abdicar do teleférico e ir de carro, pois a cidade estava uma confusão pela passagem do Dakar.
Foi realmente bem legal pegar um fim de tarde tomando Cerveja Quilmes e apreciando a paisagem. O dia estava muito legal. Depois fomos ao comércio local e ao Shopping caminhando e conhecendo a cidade e aguardamos os carros do Dakar passar. Esse Dakar nos acompanhou por todas as cidades em que fomos kkkkkkk.
Visão de Salta do Cerro San Bernardo
Prêmio - Enfim vamos relaxar ?
Foto de uma das edificações da Praça Principal de Salta. A noite é iluminada e gostosa.
05/01/2011
Acordamos cedo e fomos para Cafayate. A estrada é muito legal e diferente do que estamos acostumados. Existem umas paradas que, se bobear, passa direto, como a Garganta Del Diablo, uma formação rochosa bem interessante. As crianças gostaram de escalar!
Foto da entrada da Garganta Del Diablo
Formações Rochosas no caminho de Cafayate
Assim que chegamos à cidade, fomos até a Igreja da Praça Central e depois fomos almoçar em um restaurante em que estavam cantando músicas regionais, que foi o que valeu, pois a comida era sem graça.
Igreja de Cafayate
Vinícula na entrada da cidade
De Salta à Cafayate existem dois caminhos (Ruta 68 e a 33/40) e o interessante seria ir por um e voltar por outro ou vice versa, porém já estava tarde e a volta pelo outro caminho é muito mais comprida (320 km). Depois disso fomos relaxar na piscina do hotel, pois no dia seguinte teríamos mais viagem.
A idéia era fazer o passeio do Tren a las Nubles, porém, por informações locais, ele não funciona em Janeiro devido à intensidade das chuvas.
06/01/2011
Dia seguinte acordamos cedo, sempre cedo, e tínhamos como meta trocar pesos argentinos e reais em dólares em pesos chilenos, passando por San Salvador de Jujuy e Purnamarca em direção à Aduana Argentina/Chile.
Chegando em Jujuy, uma das maiores decepções
, cidade caótica, desorganizada, péssima para andar de carro, com trânsito intenso, carros que para em qualquer lugar, falta de estacionamento, etc... Parei no centro de informações turísticas (fica na praça principal) para verificar se poderia tirar leite de pedra, mas não foi possível... (AQUI FAÇO UM PARÊNTESE PARA EXPLICAR O QUE SENTI: Em resumo, as pessoas têm boa vontade de explicar, porém, não tem a mínima noção de como fazê-lo... explicam como se você já soubesse os detalhes da cidade, da cidade, da via, etc... isso durante toda a minha viagem! raros os que pararam para explicar de forma compreensível ). Enfim, não consegui encontrar Pesos Chilenos mas também não precisa. Pode ir com seus pessos argentinos ou dolares.
Sai correndo e espero nunca mais voltar. No meio do caminho está Purmamarca, uma cidade rústica que seria melhor se já não fosse tão turística. Lá comemos uma parillada com carne de Llhama, Cerdo e cordeiro em um restaurante modesto por ARG$ 112, com bebidas.
A principal atração é o Cerro 7 Colores que é realmente bonito (existe um pequeno circuito para fazer uma caminhada light) . Tiramos algumas fotos e fomos embora para tentar passar pela Aduana.
Vista do mirante do Cerro Siete Colores
Vista do Cerro de dentro da cidade
Comércio
Depois de Purmamarca... cores interessantes
Depois disso começa a subida, e que subida !!! Fiquei controlando pelo GPS e chegamos, no pico, a 4.900 metros de altitude, estávamos entre as nuvens e com pouco oxigênio para meu veículo, tanto que o coitado não passava de 60 km/hora, isso com o pé lá em baixo ! Já havia ouvido falar mas não imaginava que me afetaria kkkkk. Resolvi sair para tirar uma foto do carro no meio das nuvens e tomei um grande susto. Primeiro porque a diferença térmica era muito grande dentro e fora do carro e acho que acabei tomando um baque de vento gelado no pescoço que pegou na hora, como se tivessem me enfiado uma agulha, teimoso e tentando tirar a minha foto, comecei a andar de lado descontrolado porque fiquei zonzo. Quase cai ! teimosamente tirei a foto e voltei correndo com a respiração curtíssima, passando mal. Minha esposa assumiu o volante na descida. Vejam só, creio que esta reação ocorre muito de pessoa para pessoa uma vez que nenhum de meus filhos ou minha esposa teve qualquer outra reação... eu só fui melhorar quando baixou dos 3.000 m. Acho que porque meu corpanzil já não é tão pequenininho, preciso de mais ar, mais oxigênio !
Foto difícil de tirar, a quase 5.000 metros
No meio do caminho existe uma salina (Salar) muito legal que é ponto de parada obrigatório.
Tem gente que bota o carro, mas eu não arriscaria, ainda mais porque era só o início de minha viagem e se eu ficasse com sal no carro, poderia corroer sério alguma peça importante. Existem pequenas piscinas utilizadas para extração de sal que tem um visual legal. A casa também é toda feita de blocos de sal, enfim, bem peculiar.
Lá conhecemos dois gaúchos muito bacanas e trocamos experiências da subida pela Serra. Eles falaram que se consegui colocar uma 3ª marcha, fui sortudo. Eles nos deram uma dica de que ainda havia muito chão até o Atacama e eles iriam dormir em Susques. Ouvi e fiquei quieto.
Carros entrando no Salar.
Piscinas para extração de sal ... belo visual
Muito vento, sempre !
Casa de Sal para comprar lembrancinhas de sal
Colegas pegando estrada
Demoramos a beça para dar continuação e resolvemos entrar em Susques para dormir. Aquilo é pior que qualquer cidade do Velho Oeste! Como fiquei com medo de não encontrar nenhum lugar para dormir, acabei ficando no primeiro indicado, um, se é que pode se chamar, hotel mórbido e caríssimo, ARG$ 200,00 mais caros do mundo, para dormir, ou tentar e fugir às 5 da matina.
Olha a cara de Susques
“Jantamos” bolinhos de carne de Lhama e batatas fitas encharcadas no óleo em um restaurante que era outra hospedagem (e melhor que a minha!). Fiquei conversando com uns motoqueiros da Finlândia e um casal de alemães que fui encontrar depois em Atacama. Havia muito vento e o frio começava a pegar. Apesar de tudo existe um banco onde é possível sacar dinheiro. OUTRO PARÊNTESE: Eu juro que não sabia que era tão fácil sacar dinheiro. Comecei me confundindo mas acertei. Tem que colocar a pequena senha de 4 números, escolher a opção de estrangeiros / saque da conta corrente e lá está a grana.
07/01/2011
Levantamos e fui procurar alguém para abrir a porta pois não havia ninguém, saímos e tomamos o susto do frio da madrugada que até congelou meus limpadores de para brisas. Descobri o posto de combustível um pouco mais a frente, depois da entrada da cidade, com um hotel que com certeza é muito melhor! Fica aí a dica: não entrem diretamente na cidade, mais uns 3 km e encontram outra hospedagem!
Depois de abastecer no posto mais caro de todos fomos direto para a Aduana. Foi muito importante chegar cedo lá porque logo depois começa a chagar muita gente. É uma confusão só. Aviso de novo: quando chegar já vá solicitar os formulários para preenchimento. São sempre 3 etapas, uma referente às pessoas (MIGRAÇÃO), onde os passaportes recebem os carimbos, depois referente ao veículo, onde eles cadastram a entrada e vc tem que preencher outro formulário (ADUANA) e o terceiro é o referente ao que se carrega/leva (SANITÁRIA).
Dica: Leve os PASSAPORTES e não os documentos de identidade. Eles facilitam e muito os trâmites alem do que para fazer compras sempre pedem.
Conselho: NÃO LEVE NADA REFERENTE A ALIMENTOS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL pois pode te atrasar e muito ! Vimos gente tendo que comer forçado muito pão com salame senão teriam que jogar tudo fora. Outras pessoas omitiram e forma pegos, aí o bicho pega e eles investigam o carro todo. Com relação aos equipamentos, eles nem ligam, diga que não carrega nada e tudo bem.
Sem querer não avisamos de comida pronta que levávamos mas demos muita sorte pois, devido ao carro estar muito cheio e com crianças atrás eles acabavam não criando muito caso.
Visual sem igual
Lagos santuários de Flamingos
Aqui não existe a outra parte da Aduana, só uma desativada e ninguém te explica isso. Até parei em uma casinha do lado chileno, saiu um funcionário prestativo, pegou uma folha e disse que lá estava desativado (aí me pergunto por que ele pegou meu formulário e ele disse que seria importante para ele e não me causaria problemas mas nessa casa não tem porque parar!). A aduana chilena fica na entrada de San Pedro do Atacama. Contra todas minhas perspectivas, você tem a impressão de que nem precisa parar lá mas depois descobre que é uma parada obrigatória. Você para o carro e vai lá fazer tudo de novo, preencher formulários, blá blá blá. E demorou aproximadamente 40 minutos. Depois disso é so começar a curtir o Atacama.
Entrada no Chile, finalmente. Olhem a altitude.
Primeiros Guanacos em solo chileno
Chegamos em San Pedro
! Eba... fomos direto a uma indicação de uma pessoa aqui do site, o Tahka Tahka e então foia primeira vez em que acampamos. Local bacana que possuía até uma piscina. Ele s ficaram de ver se teria uma desocupação em breve mas recusamos. Mas sempre ficava aquela sensação de que poderíamos pesquisar mais e mais pois na ânsia de se estabelecer com crianças, você acaba fechando no primeiro que encontra. O Camping custa CH$100.000 diários por pessoa mas não cobraram de minha filha mais nova, desta forma ficou por 30.000 por dia (R$ 120,00 aprox.).
Nossa adorável barraca
Perguntamos ao pessoal do hotel quais passeios seriam possiveis de serem feitos por conta e eram vários ! Fomos até uma agência e fehcamos o unico que nos pareceu sensato fazer via agencia, qu era o gesisers del tatio e realmente estávamos corretos (relato mais a frente). Saímos da agência e corremos para fazer o passeio dos vales da morte e da luna. Achei até absurdo alguem pagar mas sem veículo você fica nas mãos das agências que criam centenas de passeios que, ao meu ver, são idênticos. Quando se está de carro você passa, as vezes, por locais muito mais bonitos que os dos passeios, com certeza.
Por exemplo... lagunas altiplânicas... embora muitos falem que seja uma paisagem sem igual, de carro você passa por vários santuários de flamingos, várias lagunas coloridas, vários cerros desconcertantes, enfim, achei besteira fazer. Preferi somente ir até a Laguna Cejar, daí teria competado uma laguna interessante, dunas, montanhas, paseios e geisers, estes ultimos, ao meu ver, são o diferencial do local. Em um ponto nos perdemos para voltar da laguna e chegamos próximo a um buracão de água onde haviam umas 10 vans com centenas de turistas para nadar... sinceramente eu iria me sentir muito lesado (mas que fique claro que é só a minha opinião).
No Valle de La Luna é tudo muito fácil, você chega na portaria e as pessoas lhe explicam tudo e de graça. Nas agências o passeio custa, se não me engano, CH$ 8.000 por pessoa. Existem 3 pontos básicos para se visitar, o primeiro em que se para e se caminha por um pequeno circuito, o segundo onde se avista o por do sol e o terceiro, onde se avistam umas formações rochosas diferentes. Recomenda-se chegar às 18:50h para ver o por do sol em grupo
Fomos dormir cedo pois no dia seguinte iríamos aos gêiseres.
Primeiro posto do Valle de la Luna
Terceiro posto (isso mesmo... depois mostro o segundo)
Segundo posto (Chegar às 18:50h !)
Essa é do perfil da minha linda filha ! vou até fazer um quadro
Povão assistindo ao show da natureza
Eis o Show
08/01/2011
Acordamos às 3:40h e estava muito frio
e já viu como é difícil acordar as crianças. Aliás, dormir foi triste pois havíamos esquecido a bomba de inflar o colchão !!! Absurdo não? Colocamos umas toalhas e colocamos os sacos de dormir em cima, o cansaço até ajudou a não perceber o chão duro.
A Van passou na frente do Camping/hotel e lá fomos nós. A estrada é um buraco só e se percebe que não adianta escolher uma ou outra agencia para fazer o passeio... todas vão no mesmo horário e fazem a mesma rota, que eu não aconselho a ninguém que faça de carro próprio, embora haviam muitos.
Chegamos ao local ao amanhecer, depois de 2 horas de buracos e estradas com costela de vaca e estava realmente muito frio (-6°C). Utilizamos os banheiros e sinto em dizer que para as mulheres é sempre pior!
O barato é que é algo que você não vê costumeiramente e nem vai ver tão cedo, mas eu achava que seria algo mais impactante embora seja uma paisagem que parce de outro mundo. La você toma um café oferecido pelas agências e depois vamos para as piscinas quentes.
Parece frio ?
Realmente precisa ir preparado pois o frio não é pouco e as pessoas levaram toalhas, sungas, biquínis e etc. Não fiz mas acho que valeria a pena pelo momento e lembrança.
Olha o primeiro louco a entrar...
Antes de ir embora passamos por um lugar que dizem ser surpresa mas todas as agências fazem a mesma coisa que é passar por Machuca, um povoado no meio do nada, e parar para gastar um dinheirinho comendo carne de lhama no espetinho (pode ser carne de gato chileno hein! kkkk
)
Povoado de Machuca
A tarde fomos na Laguna Cejar, que é de um azul maravilhoso. La também se paga para entrar, se me recordo bem CH$ 5.000,00. A Laguna é algo realmente inédito e desde já preste atenção no que levar: Chinelos, esteiras, toalhas, recipientes com água e se puder, levar guarda sol, cadeiras, etc. os chinelos são para passar/caminhar pelas pedras pontiagudas da beirada da laguna (embora tenha uma pequena parte que seja só de areia mesmo) e a água é para se lavar após a permanência na laguna. Devido à imensa quantidade de sal, que não te deixa sequer afundar, quando você sai fica sentindo aquela sensação horrorosa de melado e secura. Você vê as pessoas com borrifadores e acho que até pode ser uma saída. Até perguntei mas eram somente para quem tinha pago agência ! kkkkkkkkkk. Para se ter idéia, minha filha de seis anos que nem sabe nadar, ficou lá no fundão, sozinha... muito legal mesmo.
Para não afundar esse corpanzil.... haja sal !
Para se ter uma idéia, eu estava sem apoio e com os braços levantados e não afundava... minha filha, mesmo sem saber nadar, ficou lá no fundo.
Agua limpa e fria, como sempre...
Para nós foi o suficiente o que vivemos em São Pedro pois ficar mais dias com aquela poeira te queimando por dentro e te fazendo parecer um moribundo sem maquina de lavar em casa é demais. Acho que sem crianças até dá para ficar mais uns 2 dias para fazer algum trekking, mas é só ! Tínhamos que partir pois estávamos apenas na primeira parte da viagem !
09/01/2011
A meta era chegar a Santiago, porém, como era muito longe, teríamos que encontrar um local no meio do caminho. Havíamos desistido de Antofagasta pois muitas pessoas desaconselharam, até mesmo os chilenos. De qualquer forma, passamos pela cidade para tentar conhecer a principal atração que é chamada La Portada, mas nem conseguimos chegar ao local pois estava uma confusão na cidade e a polícia havia interditado a via principal... creio que tinha algo a ver com o Dakkar também.
Daquele lado da cidade é muito feio. Para o lado inverso é melhor sim, e comemos até em um MC Donald, mas fomos embora e seguimos o conselho de um chileno. Fomos para Caldera e paramos na Bahia inglesa de madrugada. depois de muito procurar, chegamos a noite e nem vimos onde fomos dormir, um quarto inacabado e até sem cortinas. Acordamos com uma luminosidade tremenda e uma paisagem fenomenal ! Vale a pena esse lugar e aconselho. Havima passeios, trilhas e muitas outras coisas para fazer mas tinhamos que conhecer outros lugares e fomos para La Serena cedinho.
Chegada ao Pacífico... Vitória !
Passagem por Antofagasta
Para variar, Dakar
Visual de nosso quarto improvisado... dá para reclamar ?
Crianças se deliciando com a tradicional água gelada !
Isso parecia uma agua viva... eu hein !
Sinceramente, aconselho e muito que visitem Caldera e a Bahia Inglesa. Infelizmente tivemos que sair cedinho e ir para La Serena.
No caminho encontramos um visual bem legal !
10/01/2011
Chegamos a La Serena, uma cidade muito legal mesmo, com uma ótima infraestrutura, e ficamos talvez no melhor hotel de todos (Ensueños) por CH$ 87.000. Chegando lá já agendamos, no mesmo dia, um passeio no observatório para a noite, pois no dia seguinte já iríamos embora.
Hotel Ensueños
Visual da Praia
Pausa para encher a pança num restaurante bem legal na beira da praia
Depois disso fomos à lavanderia do Shopping que é bem grande.
O passeio, para nós quatro, saiu por CH$ 56.000 e, embora sem nenhuma emoção, é interessante. Fomos ouvindo o guia explicar toda a história da região, conhecemos pessoas bacanas no trajeto e trocamos experiências.
O local já é um show pois fazia tempo que não via um céu tão limpo, com tantas estrelas. Fora a confusão da chegada mais a palestra, você fica indo de um lado para outro (de uma luneta para outra) para que o apresentador demonstre, com tremendo conhecimento, cada constelação, cada estrela ou galáxia com um laser especial que parece tocar os astros. Eu imaginava que poderíamos ver mais de perto os planetas, as galáxias, ou até a lua, mas pelas explicações locais, isto só é possível através de outra tecnologia aliada à computação. Fiquei frustrado pois as estrelas e constelações são vistas como pequenos pontos brilhantes e nada mais.... para as crianças foi um tanto cansativo, mas gostaram de ver as estrelas. O melhor de tudo foi a foto que pude tirar da lua com a máquina digital. Aqui vai uma dica: Aquelas máquinas grandonas e sofisticadas não servem! Só as pequenas.
Foto tirada diretamente de minha simples máquina acoplada ao telescópio.
11/01/2011
Antes de sair, passamos pelo Farol de La Serena. Chegamos a Santiago por volta das 18:30h e daí teve um início um martírio para localizar um hotel. A cidade é de difícil locomoção. A avenida principal tem muitas faixas exclusivas para taxis e ônibus, o que dificulta muito percorrer a cidade tranquilamente. Fomos aos principais bairros e nada, fomos para outros bairros e nada até que, quase desistindo da cidade, encontramos uma boa alma que acabou ligando para todos os hotéis e nos conseguiu uma vaga, mas daí já era 12:00! Estávamos cansados demais, pedimos uma pizza no quarto e agendamos um City Tour para o dia seguinte, embora eu estivesse bem contrariado com a cidade e preferiria ter ido embora, tamanha a identidade desta cidade com São Paulo.
Farol de La Serena
Caminho de Santiago. Campos de Enerrgia Eólica.
12/01/2011
Acordamos, tomamos um belo café no Hotel Bidasoa (recomendo) e fomos fazer um passeio (City Tour por CH$ 66.000 para os 4)meia boca por Santiago. Do alto do primeiro cerro (Santa Lucía) só pude ver poluição, muitos prédios e me senti em São Paulo, de novo. Conhecemos muita coisa, porém de forma muito corrida.
Chegamos a Plaza de Armas, Palacio de La Moneda, Iglesia Catedral, etc etc etc... Na Praça principal estava havendo uma manifestação e eles estavam se dirigindo ao Palacio do Governo, então havia muito policiamento. O Guia nos solicitou que guardássemos tudo o que era de valor, pois havia trombadinhas. Paramos num local para ver uma dança típica e fomos embora para o Hotel para fugir da cidade.
Fotos do City Tour em Santiago
Aqui só tenho que dizer que Santiago me decepcionou muito e não pretendo voltar. Tem muita coisa bonita sim, muitos prédios históricos, mas não é bem isso que procuro numa viagem. Quero distância de cidades grandes com trânsito caótico, com dificuldade de locomoção e difícil de estacionar. Tem restaurantes bons? Nada que não encontre melhor por aqui. Tem bons vinhos? Sim, mais caros do que aqui! Providencia é descolada? É, com certeza, mas nenhum destes fatores me faria ir a este lugar especialmente. Mais uma vez é meu ponto de vista.
Depois de fazer o City Tour, retornamos ao Hotel e sumimos para Viña Del Mar e ficamos em um Hotel Chamado Di Pietro, que na verdade não ficava na praia Paraíso, ao Norte de Viña. O local é legal mas o vento é sempre frio !!!!
Embora a praia seja bacana, venta muito e as pessoas não vão à praia como no Brasil. Vão de roupa e levam barracas para quebrar o vento. Não levam cadeiras de praia e são poucos os malucos que entram nas gélidas águas do Pacífico. Praia é só no Brasil mesmo.
Algumas fotos de Viña Del Mar e Valparaíso (esta ultima somente passamos na saída rumo a Pucon... nada que valha a estadia)
13/01/2011
Saímos para Pucon poe volta das 11:30h e teríamos que roda 996km, ou seja, só chegamos às 22:00h. Passamos por Villa Rica e começamos a procurar hospedagem. Só fomos encontrar no meio do caminho para Pucón, porém, foi muito legal. Era uma cabana de madeira que parecia nova, muito aconchegante e completa, ou seja, fogão, geladeira, televisão e ao acordar, uma vista sensacional do Vulcão, muitas hortências e até piscina, mas duvido quem tenha coragem de entrar ! Valor de CH$ 50.000, o que nos pareceu razoável. Depois, ao passear pela cidade, verificamos que existiam centenas de cabanas mas esta nossa foi muito legal. ( O Nome é CABAÑAS CLASSEN )
Olha que bacaña esta cabaña !
Cabana
Vista da Janela da cabana !
14/01/2011
Saímos cedo e lá fomos direto para conhecer Pucon e seu famoso Vulcão (O Villa Rica fica mais próximo de Pucon do que da cidade de mesmo nome). Passamos pelo Lago Villa Rica por este percurso que é muito agradável. Aliás, uma dica muito importante é que existem muitos animais na pista (aliás, em todo o trajeto !).
Sinceramente esta foi a cidade que mais me entusiamou e deu vontade de quero mais. Fomos tomar café em uma mesinha ao ar livre em uma panaderia, comemos paes deliciosos e tomamos aquele "chafé" de copão. Passear com aquela vista do Vulcão é demais, sensação bacana mesmo.
Passeamos pela cidade, fomos até a Igreja que tem uma vista bacana e depois fomos ver os Ojos de Caburga (águas límpidas e cristalinas acompanhadas de cachoerias que são colírios) e uma praia do lago Villa Rica que possui um astral muito bom. Depois fomos ao Vulcão. Ao chegarmos, verificamos que haviam pessoas caminhando pela montanha sem passar pela base do teleférico. Perguntamos às pessoas e eles disseram que se fossemos lá seríamso acompanhados.... fomos de fininha e pelas fendas. Colocamos uma meta que era chegar até a casa do teleférico (muito longe, ainda mais com duas crianças) e fomos embora... o caminho é demais e a vista sensacional. Enfim chegamos e encontramos com a famosa neve (gelo) que garantiu nossa diversão !
Vista que nos acompanha pela cidade... precisar falar algo ?
Rodoviária bacana hein !
Igreja / Mosteiro de Pucon
Fotos do Ojos del Caburga
Praia do Lago... muito legal o astral
:'>
Agua fria...mesmo com o sol
Fotos da subida ao Vulcão !
Os dois aventureiros...
Visual sem igual... não creio que exista maquina fotográfica capaz de demonstrar a sensação visual local....
O caipirão aqui nunca tinha visto neve !
Vamos brincar !
Demais...
Minha guerreira apreciando a vista !
Estava tudo bom mas tínhamos que ir embora pois estávamos quase na metade do tempo previsto e ainda não estávamos nem perto da metade do caminho.
Chegamos em Frutillar, uma cidadezinha muito bacana, mas infelizmente estava chovendo ! Mesmo assim conseguimos ver, do outro lado do Lago Llanquihue, o Vulcão Osorno, imponente e magnífico... infelizmente não consegui uma foto que prestasse !
Esta hospedagem eu aconselho pois é um casal de idosos muito simpáticos com um café da manhã artesanal, bem diferente do que havia experimentado até o momento. Muitos pães, geléias, bolos, etc... Chama-se Hosteria TRAYEN. Veja, não é nada demais mas achei bacana. Valor CH$ 35.000,00. A noite tentamos ir a um restaurante mas estava muito cheio e desistimos, fomos comer lancehs mesmo.
Algumas fotos de Frutillar e adjacências
15/01/2011
Dia seguinte, durante o café da manhã, um simpatico casal chileno que também estava no hotel nos abordou e nos deu várias dicas que foram seguidas. Saímos do hotel e fomos fazer um passeio à Enseñada e ao Lago de todos los Santos. O caminho em si ja vale tudo embora estivesse em obras. Paramos em um hotel no caminho para tirar fotos de Lhamas que estavam soltas e vimos um visual muito legal ! Depois paramos em um restaurante e mais um vez comemos uma parillada... Uma pena que não parou de chover durante todo este trajeto... (fotos acima).
No mesmo dia ou noite, já estávamos em Bariloche, depois de cruzar a fronteira que creio eu, foi uma das cidades em que mais peguei frio e imagino que foi por causa do vento constante. Chegamos a noite em um hotel chinfrim (recepção arrumada e quartos velhos) porém de ótima localização (bem no centro), por um valor razoável (HOTEL SOL BARILOCHE - Valor AR$ 400,00 / NOITE).
16/01/2011
Acordamos e tomamos um café da manhã péssimo no hotel.
Bariloche, para mim, foi uma catástrofe, nada do que eu esperava. Sim, o local é bonito mas nenhum dos cerros (Otto, Catedral, etc..) estava aberto devido aos fortes ventos (ou seja,o teleferico ficou para outra cidade). Deve ser bom para esquiar, no inverno, para quem gosta e faz questão disso. Quanto a isso sou 10 x mais Pucon ! Bariloche parece uma Campos do Jordãozão, ou seja, vai lá para tomar chocolate quente, tomar vinho (coisa que se pode fazer em qualquer outro lugar), pegar frio, ver lojas, etc... alias, passei por La Angostura e me pareceu o mesmo, em escala menor. Resultado ? dia seguinte fui embora e foi o suficiente. PS - visitei um dos parques para ver o lago escondido.... para mim é uma perda de tempo total. Vimos centenas de lagos mais bonitos fora que o percurso demora muito, num local de dificil locomoção.
Fotos de Bariloche
Vista do quarto
Informações turísticas e o Portal da cidade
Cerro Catedral fechado
E a saga continua...
A seguir: A famosa Ruta 40 ! Chegada desesperada a El Chalten, El Calafate, a balsa, enfim PAtagônia
CONTINUA NA PÁGINA 3
Editado por Visitante