Prostituto d'Trilhas escreveu:Galera,
Depois de pesquisar bastante, comprei uma bota Nômade, modelo Titãn Kevlar.
Não completou um mês comigo, sexta-feira passada fiz um "bate e volta" na Ilha Grande - aqui no Rio de Janeiro - e decidi "testar" as funcionalidades do calçado. Coloquei a bota dentro d'água (MAS O NÍVEL NÃO PASSOU DO CANO). Passei boa parte da trip com as meias BEM úmidas.
Entretanto, é minha primeira bota, e ainda estou na fase do namoro com ela. Hoje decidi fazer um teste em casa: enchi uma bacia com água até completar 08 centímetros de altura. Calcei as botas com uma meia para trilhas, amarrei e deixei a bota parcialmente submersa por exatos 3 minutos. Retirei da água e permaneci por mais 10 minutos com ela, caminhando pelo quintal de minha casa: novamente as meias ficaram muito úmidas e nas partes do biqueira e do calcanhar as meias estavam mais molhadas.
Minha dúvida é a seguinte: o que esperar de uma bota impermeável? Ela é feita para ser colocada dentro d'água - respeitando a altura do cano para que não entre por cima?
Um abraço,
Olá Haluysio!
Para mim (e creio que para a maioria dos usuários de calçados deste nível) a impermeabilidade deve significar enfiar o pé com o calçado na água ou no barro várias vezes (abaixo da abertura do cano) sem molhar ou sequer umedecer os pés!

Agora a dúvida cruel: tud tem um limite. Quantas vezes se pode enfiar o pé na água ou quanto tempo, uma vez com o pé submerso na água o calçado irá aguentar sem que a água o penetre é que são elas!
Realmente essa questão da impermeabilidade é um problema que não está totalmente resolvido entre os fabricantes de calçados no Brasil. O que pude perceber nas minhas experiências em andanças e em observações empíricas é o seguinte:
1. As botas que usam membranas mais tecnológicas, como Gore-tex (diga-se 'tecidos' mais leves na maior parte de sua forração) possuem um problema intrínseco nos passadores do cadarço, que geralmente são rebitados perfurando-se as várias camadas da membrana. Como estas pequenas regiões acabam ficando sensibilizadas pelos repetidos esforços, os furos de fixação dos passadores acabam deixando entrar água, suficiente para umedecer os pés ou até mesmo (dependendo da membrana, do tamanho dos rebites e dos esforços/desgaste) molhando-os bastante. O ideal nestes calçados seria verificar se por dentro há uma camada de tecido que impermeabilize (cobrindo) o furo do rebite de fixação, o que ajudaria a eliminar este problema. Não é uma solução tão simples como parece a nível de fabricação mas já vi isso em alguns calçados técnicos estrangeiros e parece que funciona;
2. Botas em couro, como as feitas em sua maior porção em nobuck ou outros tipos de couro mantêm melhor suas características de impermeabilidade, em especial na região dos passadores pois o couro esgarça menos, consequentemente deixando passar menos água para o interior do calçado;
OBS.: isto, nos dois casos, sem falar em imersão total do calçado em água acima do cano, o que fatalmente compromete a impermeabilidade pela penetração de água pela área de contato com a perna do usuário. Em situações assim, por experiência própria, o uso de uma polaina minimiza bastante este risco, fazendo com que seus pés permaneçam secos por mais tempo, mas traz o inconveniente do calor. Ou seja, há um preço a pagar...
Saudações,
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Getulio R. Vogetta (gvogetta)AMC - Curitiba - PR
“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV.
Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar suas próprias árvores e dar-lhes valor.
Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos,
e não simplesmente como é ou pode ser... é preciso questionar o que se aprendeu. É preciso ir tocá-lo”.
Amyr Klink (Mar sem Fim)