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  1. Este tópico é um resumo de informações sobre o Trekking da Ferrovia do Trigo
  2. Como de hábito, se tem promoção pra Porto Alegre, não recusamos. Viajamos para lá com certa assiduidade desde o começo da década, salvo engano ao menos uma vez por ano. Nos últimos anos temos alternado sucessivamente entre Porto Alegre, Gramado e arredores, e, nossa opção preferencial, Vale dos Vinhedos. Com mais uma passagem comprada para um fim de semana, era questão de escolher. Mas deu coceira de conhecer lugares novos pelo RS. Um lugar que está no meu radar há tempos para conhecer é Mostardas, mas Katia sempre recusa. Então bolei uma rota alternativa que cabia num fim de semana, no nosso esquema. Montei um roteiro para conhecer algumas atrações em Lajeado, Lagoa da Harmonia (em Teutônia), e onde fosse possível chegar na Ferrovia do Trigo, sobretudo nos viadutos (V13, Dois Lajeados, Pesseguinho, Mula Preta), Serafina Corrêa e sua Via Gênova, e alguma coisa de Cotiporã. De lá, retornaríamos a Porto Alegre por Bento Gonçalves, velha conhecida de tantas idas. Onde quer que parássemos num dia, dali seguiríamos o roteiro no dia seguinte. Seria muito tempo de carro, sim, estava no radar. Meu foco maior era conhecer a ferrovia do trigo e aquelas pontes vazadas que parecem flutuantes. Era o ápice. Mas curtiríamos também o barato dos visuais das estradas rurais por onde certamente passaríamos. Há vários e ótimos relatos da famosa travessia sobre a ferrovia do trigo aqui no mochileiros.com, que a galera geralmente faz em 3 dias. Foi inspirador ler, mas nosso foco era chegar mesmo de carro. Esquema conforto, em virtude (também) da premência de tempo. Acompanhando a previsão de tempo na semana anterior, o plano ficou por um fio de ser abortado. Num determinado momento havia previsão de chuva forte em todo o fim de semana. Se fosse assim, ativaríamos o plano B, que seria novamente Vale dos Vinhedos, que cuja curtição independe de tempo bom. Dica: acompanhar os relatos do @fernandos que vem explorando esses cantinhos menos badalados do RS. Inspirador! Chegamos na sexta de noite, dormimos em Canoas, e deixamos para escolher qual plano seguir no sábado de manhã. Previsão para sábado era sem chuva. Plano A mantido. Amem! Mas o roteiro acabou quebrado, porque choveu bastante na manhã de domingo, nos forçando a praticar um plano B parcial (Caminhos de Pedra, em Bento – sempre muito agradável!) naquele dia. No sábado conseguimos seguir até a Ferrovia do Trigo, especificamente Viaduto 13 e Pesseguinho (acabamos pulado o Dois Lajeados), e ainda esticamos até Serafina Corrêa, onde pernoitamos. Ficou faltando conhecer outros dois viadutos e Cotiporã, além de toda a paisagem rural que nos leva a esses cantinhos. Seguem abaixo os lugares que conhecemos: Jardim Botânico de Lajeado: pequeno, bonito, bem tratado. Parque dos Dick: com laguinho bacana e letreiro da cidade para curtir. Parque Histórico Municipal. Construções em estilo da época da imigração; muito bem transado, mas não muito cuidado. Lagoa da Harmonia: lindíssima. Propriedade privada, pagamos 15 pratas (os dois, acho que é por carro) para entrar. Tem chalés por lá, tem restaurante. Galera vai para curtir o lugar, fica no chimarrão e/ou no churrasco. Muito bacana. Curtimos um bom momento por lá. E ainda tem um mirante, que não dá vista para a Lagoa, mas para o vale na parte de trás. Vista panorâmica, aliás. Viaduto Brochado da Rocha: Imponente, uma prévia do que estava por vir. Viaduto 13: o mais alto das Américas, e segundo mais alto do mundo. Grande ponto turístico da região, com restaurante e camping na base lá embaixo. Chega-se facilmente de carro, tanto na parte baixa quanto na alta. Parte alta = onde efetivamente está a ferrovia. Tem o viaduto para vc curtir o visual. E tem tuneis para curtir também. Percorri três deles, fui até a cascata subterrânea (garganta do diabo), e voltei. Andando rápido dá uma meia hora de ida, mas levei mais tempo porque o visual das janelas e o barato do escuro absoluto dentro do túnel requer maior contemplação. Estava calor (era Março), mas dentro dos tuneis fazia até algum friozinho. O viaduto é facilmente caminhável, não é vazado, “flutuante” como os outros. Viaduto Pesseguinho: esse é vazado, um dos que chamo de “flutuantes”. Vc caminha sobre os trilhos ou sobre os dormentes. Se vc olha para baixo, enxerga o abismo a dezenas de metros abaixo sobre seus pés, entre os dormentes. Achei melhor prestar a atenção aos dormentes e onde eu pisava, enquanto andava. Sensação de olhar para baixo era bacana, mas aterrorizava também. Não tem parapeito, mureta ou qualquer tipo de proteção lateral. Há escapes laterais para vc se abrigar se por acaso passar algum trem. Mas somente de um lado que esses escapes têm base para vc se abrigar, do outro já não existe mais, a base já se foi. E há de se confiar naquela estrutura! Achei esses viadutos, essa ferrovia, tudo sublime. Gostei demais. Voltarei. Ao longo do caminho (rural) para chegar até o 13 é possível observar, além de belas paisagens rurais (belas para pessoas urbanas, como nós), os viadutos 11 e 12. Ou melhor, os viadutos que presumo que sejam o 11 e o 12. Podem ser vistos ao longe. Importante dizer que o google maps não mapeia todas as estradas rurais da região. Necessário ter algum senso de direção e apostar que aquela estrada em que vc está terá um fim! Serafina Corrêa: cidade pequena e bacana, onde jantamos e pernoitamos. Tem a Via Gênova, com réplicas de monumentos italianos, e tem um belo e simpático (e muito bem cuidado) centrinho com praça + igreja.
  3. Há um tempo eu havia visto sobre a travessia da ferrovia do trigo, que é umas das travessias mais clássicas de Rio Grande do Sul e de cara fica fascinado, falei sobre ela a alguns amigos para ir comigo nessa grande aventura, poucos se mostraram interessados, então resolvi deixar para uma próxima oportunidade, então que um dia convidei meu amigo Jorge, que curtiu muito a ideia de ir, nesse mesmo tempo minha namorada Fernanda também iria, mas teve que desistir devido aos estudos, então eu e Jorge ficamos amadurecendo a ideia de irmos, até que mais dois amigos resolveram participar também, o Zé e o Franck. Então quando marcamos a data que seria no feriado de 7 de setembro, mais três amigos do Zé e do Jorge de Pato Branco embarcaram junto, o Cléber, o Randas e o Thomaz. Iríamos em dois carros, porém na véspera de ir, o Franck e o Thomaz tiveram que desistir devido a compromissos. Como estávamos em cinco, conseguiríamos ir em um carro só. Consegui contato com um hotel de Guaporé e reservei para nós 5, a maior preocupação era onde deixar o carro, pois iriámos de ônibus até muçum, e então subiríamos a ferrovia até retornar a Guaporé, o senhor do Hotel muito simpático falou que poderíamos deixar na garagem do Hotel, foi um alívio. Já liguei na rodoviária e peguei os horários de ônibus para nos organizar. Saímos de Coronel Vivida na quinta-feira, as 14:00hs no dia 06 de setembro, fomos a Pato Branco encontrar os piás e de lá continuamos com o carro de Cléber, que tinha espaço para colocar todas as mochilas cargueiras, foi uma viagem tranquila, paramos jantar em Casca/RS no Xis do Elvis, xis top. Chegamos no Hotel Rocenzi em Guaporé as 22:40, fomos bem recebidos. Como nosso ônibus saia as 7:30 com destino a Muçum, não daria tempo de tomarmos café no hotel, mas o tiozinho serviu o café da manhã mais cedo para que conseguíssemos comer antes de ir. Embarcamos no Ônibus e fomos de pé pois não tinha lugar para sentar, uma hora depois estávamos em Muçum. Começamos nos arrumar para dar início a caminhada quando Jorge deu conta de deixou o celular no ônibus, a próxima parada era em encantado a 7 km a frente, então Jorge pegou um taxi e foi atrás do ônibus, voltou meia hora depois com o celular na mão e com a boca nas orelhas. Caminhamos alguns quilômetros dentro de muçum até encontrar a escadaria que levaria a Ferrovia. Iniciamos a ferrovia do trigo era passada das 9:30, no começo era tudo muito fácil, todos estávamos descansados e aquecidos, logo de início já encontramos a estação ferroviária de muçum, que está abandonada. Andamos mais de uma hora até chegar no primeiro túnel. Como o sol estava quente foi um alívio, pois no túnel é muito fresco e gostoso de andar, os dormentes são mais conservados e alinhados, facilitando andar sobre eles, tem um bom espaço lá dentro, em caso de o trem vir é possível se proteger apenas ficando encostado na parede. Esse não tinha cheiro de mofo, então não era muito extenso. Logo mais à frente passamos pela primeira ponte, essa não era muito alta e sua estrutura não era vazada, então foi bem tranquilo. Já era 13:00 e a fome estava chegando, paramos para preparar o almoço em uma sombra próximo a um túnel. Foi nessa parada que percebi que minhas panturrilhas e meus pés estavam muito doloridos, devido aos pedregulhos da trilha e o peso da mochila, mas foi só começar a andar e aquecer o corpo que as dores diminuíram. Mais alguns quilômetros e aparece o primeiro viaduto vazado, chegou a dar um frio na barriga de ver ele lá de longe. Andar nessa ponte foi uma emoção muito grande, a vista é espetacular, nos primeiros passos na parte vazada já é alto, tem que andar se concentrando nos dormentes para não ficar tonto, mas logo vai se acostumando e fica menos tensa a passagem. Chegamos ao Viaduto 13 ou Viaduto do exército como também é conhecido, é o maior viaduto férreo das Americas, sendo o terceiro maior do mundo, com seus 143 metros de altura. Aqui o plano era descer até o camping que tem logo a baixo e ficar por lá, mas como chegamos cedo, era 15:30, não acampamos ali. Resolvemos continuar para aproveitar o tempo, passamos por um grupo de vinha de Guaporé que nos deram algumas informações, nos disseram que mais uns 8km teria um camping ao lado do viaduto pesseguinho, que ficava no meio da travessia, foi então que decidimos fazer em dois dias em vez de três e seguimos até lá. Logo a frente chegamos no túnel onde tem as aberturas em formas de arcos. Lugar muito propício para lindas fotos. Chegamos na Cachoeira que se chama garganta do diabo, esse túnel foi feito para desviar o fluxo do rio, onde ele passa por baixo dos trilhos. Enfim chegamos no viaduto pesseguinho com o sol já se pondo, mais uma ponte vazada para atravessar, acampamos na casa recanto da ferrovia, com uma ótima estrutura, chuveiro com banho quente, área para preparar as refeições. O zé queria chegar e comer todas as batatas fritas que tivessem, o Randas queria uma cerveja, mas estava cagado de fome também, a noite estava com um céu muito estrelado, após montar a barraca deitei e fiquei lá por uma meia hora relaxando. 2º dia, um amanhecer com muita serração, conseguimos descansar bem, as dores eram menores, o Cléber fez alguns calos na sola dos pés, mas conseguiu continuar a jornada mesmo com as dores. Andar na ponte com cerração dá mais medo, pois parece que está mais alto devido ao nevoeiro, uma sensação muito legal, ficamos por ali fazendo algumas fotos e seguimos com a caminhada, pois já era 9:30 e precisávamos chegar no fim da tarde em Guaporé. Nesse segundo dia, ainda tinha 24km para percorrer, no início da caminhada as dores eram grandes, mas foi só começar a caminhar que logo foi diminuindo, as paisagens eram muito lindas, com a serração ainda presente nos rendeu lindas fotos. Passamos por mais alguns túneis e pontes, e o tão esperado túnel de 2km, que foi uma meia hora para atravessa-lo, esse tinha cheiro de mofo, por ser longo. O cansaço e as dores já nos dominavam, não foi cansativa a caminhada, mas sim dolorida, caminhar sob dormentes e pedregulhos com uma mochila de uns 15 kilos acaba dificultando, começamos a fazer mais pausas, para relaxar, cada retorno de caminhada era um sacrifício, pois a musculatura esfriava e as dores voltavam, mas como eu sempre digo, quando mais difícil for, maior a sensação de conquista e prazer de ter conseguido concluir. Chegamos a Guaporé era passada das 17:00. Concluindo, andamos 50km de trilhos em dois dias, nunca havia feito nada igual, andar em terreno onde só tem pedras é totalmente diferente que andar em trilhas de mato, exige mais preparo e uma boa bota com solado mais firme, mas tive muitos aprendizados que levarei para minha vida, fiz grandes amizades, nos divertimos muito, registramos todos os momentos, por trás de todas essas fotos tem uma grande história. Até breve!
  4. Bem, resolvi escrever este relato depois que li o relato do Cacius, que está sempre ajudando o pessoal. Fiquei apenas um pouco triste com o desfecho de seu relato. Espero que me lembre de tudo, afinal, já faz 2 anos que fizemos esta travessia e me arrependi de não te-lo escrito antes, pois com certeza seria bem mais rico em detalhes do que este relato que escrevo hoje. Atualizarei-o quando lembrar de mais detalhes. Bom, tudo começou quando eu e mais três colegas de trabalho(Darcio, Jonas e Tom) resolvemos fazer esta travessia, após algumas pesquisas e um planejamento utilizando o Google-Earth, decidimos a data para esta aventura: 02 e 03/11/07. Sim é feriado de finados, mas era um feriadão, pois o feriado era na sexta-feira e assim teríamos o domingo para descansar em nossas casas antes de voltar ao trabalho na segunda-feira. Na quinta-feira dia 01/11/07, já com as mochilas devidamente prontas e com o hotel reservado, tomamos um onibus às 18:30 na rodoviária de Porto Alegre com destido à Muçum. Depois de 3 horas de viagem, desembarcamos bem em frente ao hotel reservado. O hotel é confortável e bem barato. Deixamos as mochilas no hotel e fomos comer um "chis" e tomar uma gelada. Logo depois, voltamos ao hotel, dividimos melhor os pesos das mochilas e fomos dormir. No dia seguinte, acordamos bem cedo e tomamos um simples mas generoso café da manhã e tomamos um mate com o simpático sr. Marchetti, dono do hotel. Aqui vale lembrar que se quiseres dar uma olhada mais de perto nas fotos, basta clicar nela para ampliá-la. Café da manhã do hotel. Conversamos mais um pouco com o sr. Marchetti e saímos do hotel por volta das 8:00 da manhã, mas não sem antes tirar uma foto com o proprietário em frente ao seu estabelecimento. Hotel Marchetti. Ponto de partida da caminhada. À esquerda, de branco o Sr. Marchetti. Iniciamos a caminhada, com uma temperatura muito agradável(cerca de 15º) e um céu nublado. O que nos ajudou e nos motivou bastante, pois sabíamos que teríamos uma boa caminhada pela frente. Saindo de Muçum. Caminhamos por cerca de 4 horas até chegar ao tão famoso viaduto V13. Imponente obra da engenharia do exército brasileiro, com 254m de comprimento e 146m de altura, sendo o mais alto das américas e o segundo mais alto do mundo. Durante o trajeto, fazíamos paradas a cada hora para descansarmos um pouco, tirar as mochilas das costas e apreciar a paisagem. Nunca pensei que britas pudesssem ser tão macias!!!!!!! Ao chegar no viaduto, encontramos o pessoal da ALL fazendo reparo nos trilhos. Perguntamos e descobrimos que não circularia nenhum trem até o final da tarde. Caminhamos mais 15 minutos e aproveitamos para almoçar já que a chuva fina que nos acompanhava por boa parte do trajeto engrossara. Paramos na entrada de um túnel e optamos por uma refeição leve, já que tínhamos tomado um reforçado café da manhã no hotel e deixamos a refeição mais "pesada" para o jantar no acampamento. Tínhamos previsto duas refeições quentes, um carreteiro de charque e uma massa com calabresa e creme de leite. Belo cardápio, que exigia apenas uma panela e nenhuma refrigeração,exigem um pouco mais de água para cozinhar, mas como tinha chovido uns dias antes, tínhamos água em abundância no trajeto. Depois da pausa, para o almoço, a chuva aliviara e retomamos a caminhada. No segundo túnel depois do V13(em direção à Guaporé), existe uma homenagem dos trabalhadores a um colega que morreu na construção do túnel durante a retirada das pedras em uma explosão de um dinamite que falhara durante a explosão principal. Homenagem póstuma. Cerca de uma hora de caminhada encontramos um grupo de escoteiros da região do vale dos sinos. Eles nos disseram que acampam todos os anos perto do viaduto V13. eles estavam em um grupo de umas 20 pessoas. Grupo de escoteiros. Encontro um pouco antes do acampamento. Caminhamos mais 3 horas e paramos por volta das 16:30 para montar o acampamento e cozinhar antes que escurecesse. Inspecionando o local do acampamento. Organizando o acampamento. Acampamento montado, carreteiro no fogo e um mate bem cevado para espantar o cansaço de um longo dia de caminhada. Enquanto montávamos o acampamento, tivemos nosso primeiro encontro com um trem. Fomos até o trilho, acenamos ao maquinista e apreciamos sua passagem. Nosso segundo encontro seria um pouco diferente. Após o jantar, fomos até um viaduto perto do nosso acampamento. Lá, fizemos uma roda de chimarrão enquanto conversávamos e apreciávamos um belo por do sol entre os vales. Quando a água acabou, já era escuro, voltamos ao acampamento e fomos dormir. Ao amanhecer do dia seguinte, acordamos, tomamos um café da manhã, levantamos o acampamento e recolhemos tudo o que levamos para lá(inclusive o lixo que é o mais importante!!!). Como tínhamos acampado na entrada de um grande túnel, os primeiros 40 ou 50 minutos da caminhada seriam no escuro. Após cerca de 10 minutos de caminhada, quando estávamos quase na metade do túnel, começamos a ouvir o ruído do trem. Em princípio ele era praticamente imperceptível e nem todos o ouviram, o que foi motivo de risadas entre os que não tinham ouvido, e acusação de paranóicos aos que tinham ouvido. Porém com o passar do tempo, o som ficou cada vez mais perceptível e dentro de alguns instantes o encontro com o trem seria realidade. A tensão aumentou, afinal, não é todos os dias que estamos dentro de um túnel estreito e com mais de 2 km de comprimento e cruzamos por um trem enorme e barulhento. Entramos em um dos inúmeros refúgios que existem nos túneis e viadutos e esperamos o trem passar. Após o barulho ensurdecedor, ainda agitados com o encontro, retomamos nossa caminhada. Aproximadamente meia hora depois, saímos do túnel. Saída de túnel no caminho. Logo após sair do túnel, encontramos dois casais de amigos que haviam passado a noite próximo a entrada oposta do túnel onde tínhamos passado a noite. Pausa para mais uma foto. Logo ao amanhecer do segundo dia, encontramos os dois casais que tinham acampado bem próximo ao local onde acampamos. A caminhada neste dia foi um pouco mais difícil. O dia amanhecera com neblina e como diz o ditado popular: "Cerração que baixa, sol que racha". Conforme o tempo ia passando, o calor ia aumentando, e aumentando muito! O calor, somando ao cansaço da caminhada do dia anterior e ao peso das mochilas, tornava a caminhada bem mais difícil do que no dia anterior. Entretando, a paisagem nos proporcionava belos visuais. Como era primavera, não poderiam faltar as flores. Mais cerca de uma hora de caminhada e nos deparamos com o também famoso viaduto da mula preta. O mais alto dos viadutos de ferro que se cruza pelo caminho. Ele não possui nada entre os dormentes e nenhuma mureta em sua lateral. Dá vertigem atravessá-lo. Viaduto da mula preta, um dos vários viadutos de aço, só com dormentes. Não muito depois de cruzar o viaduto da mula preta, passamos por uma casa que fica bem na beira da estrada e encontramos seu proprietário. Paramos para conversar com ele. Sujeito muito simpático e cujo nome, infelizmente não me recordo. Conversamos por uns 10 minutos com ele, ele nos ofereceu água, que nós aceitamos com prazer. Tiramos outra foto, nos despedimos e seguimos nossa caminhada. Parada para trocar uma idéia com os moradores do local. Durante a caminhada, principalmente dentro dos túneis, onde é completamente escuro, convém tomar cuidado com uma espécie de farpa que se forma nos trilhos com o passar dos trens. Irás te deparar com eles com relativa frequência e são bem afiados. Eles foram muito úteis na construção dos fogões para cozinhar. Cuidado com as lascas de aço presas aos trilhos. Já era perto do meio dia, o sol estava castigando e a fome apertando. Resolvemos parar para cozinhar a segunda refeição quente de nossa caminhada. Uma saborosa massa com calabresa ao molho de creme de leite. Almoço do segundo dia. Mesa do banquete. Enquanto cozinhávamos, uma vagoneta que percorre os trilhos verificando se não há problema e é utilizada para carregar pessoal e materail para realizar reparos, parou e nos ofereceu carona até Guaporé. Indagamos o condutor sobre a distância que nos faltava para o fim de nossa empreitada. A resposta foi: "faltam 10 km!". Após uma breve reflexão, optamos por seguir a pé. Claro que queríamos a carona, mas achamos que seria um "atalho" muito grande. É óbvio que, durante a tarde, com o sol escaldante, nos arrependemos diversas vezes da nossa decisão. Mas foi nossa escolha e a aceitamos com tranquilidade. Vagoneta oferecendo carona. Após refeitos e bem alimentados, foi a hora de tomar um bom banho de cascata(gelado e revigorante) e pegar a estrada novamente. A tarde foi muito quente e tranquila, sem nenhuma novidade ou percauço e depois de cerca de 4 horas, avistamos uma placa que nos avisava que nossa caminhada estava chegando ao fim. Última foto ainda nos trilhos do trem. Para que conheçam os personagens desta trilha: Eu, Tom, Darcio e Jonas. Mais um pouco de caminhada e avistamos o trevo de acesso de Guaporé, saímos dos trilhos e caminhamos pela estrada. Deixando para trás os trilhos e o som de nossos passos nas britas que insistia em querer nos acompanhar. Entramos na cidade e perguntamos aos moradores pela Estação Rodoviária. Eles nos indicaram o caminho. Cada um tomou um ônibus para sua casa já sentindo saudades do tempo em que passamos juntos. Fim da caminhada. Algo que nos foi bastante útil, mas não indispensável, foi o mapa que fizemos e que nos aciompanhou. Marcamos todos os túneis e pontes, desta forma podíamos acompanhar muito bem a evolução de nossa caminhada e que guardamos até hoje meio amassado e sujo. Ponto de partida. Destino. Espero ter aguçado a curiosidade de vários e espero também que este relato sirva de "empurrãozinho" pra as pessoas saírem de casa. Viaje, conheça pessoas, experimente novas sensações! E principalmente leve apenas fotografias e deixe apenas pegadas. Preserve a natureza!!! Dê aos outros o direito de encontrar o mesmo que encontraste na tua viagem! Forte abraço a todos!
  5. Saímos de Caxias do Sul as 11 horas rumo ao famoso Viaduto 13 (V13), na cidade de Vespasiano Corrêa, o mais alto Viaduto Férreo da América Latina, com 143 metros de altura. No caminho cruzamos por Bento Gonçalves, sentido Veranópolis, pegamos a estrada para localidade de Farias Lemos. 1ª Parada. Balneário do Rio das Antas. Cotiporã.RS: Certa altura vejo uma placa indicando o acesso secundário para a cidade de Cotiporã, não dei muita bola, ao passar avistei uma ponte, um rio, com suas margens repletas de pedras. Meia volta! Vamos ver do que se trata. Era o Balneário do Rio das Antas, já em Cotiporã, a uns 10 km do centro da cidade. Era quase meio dia, o sol estava forte, mas o lugar é bonito, uma ponte antiga, o rio caudaloso, algumas pessoas fazendo churrasco, outras nadando, um lugar tranquilo para se refrescar num dia de sol forte. O curioso que as margens rio nesse ponto, são cobertas por pequenas pedras, ao invés de terra como é mais comum em outros balneários. Pra mim o nome mais apropriado para o lugar seria "Praia de Pedras", enfim... O lugar rende belas fotos. Como não estava preparado para tomar banho, seguimos viagem. 2ª Parada. Vespasiano Corrêa.RS: O plano era almoçar em Vespasiano Corrêa, mas era domingo, e a cidade bem pequena, com seus 2.000 habitantes, e após darmos algumas voltas pelo centro não encontramos nada aberto. Ainda bem que havíamos tomado um café reforçado, e rumar ao V13. Já no centro de Vespasiano, existem placas indicando o caminho, são uns 13 km, de estrada de terra, estreita, morro abaixo, com pedras soltas, tem que se ter muito cuidado. E no caminho somos brindados com a visão dos viadutos V11 e V12. Chegando ao local onde fica o V13, já na chegada avistamos muitos carros, estava havendo uma festa de alguma comunidade rural. Um grande aglomerados de pessoas, maioria mais velhas. Debaixo V13 impressiona por sua grandiosidade. E rumo ao dito cujo, são 1, 3 km morro a cima, mas da para fazer de carro, deixamos o carango, na via de entrada, junto com os muitos que estavam lá. Dia de casa cheia na Ferrovia do Trigo. Primeiro tratamos de explorar os Tuneis Férreos, muito legal, os tuneis são extensos, e a medida que se adentra, a escuridão toma conta, aqui uma dica: TEM QUE LEVAR LANTERNA! (É completamente escuro lá dentro). Legal ver apenas as luzes das lanternas das pessoas dentro do Túnel. Não foi muito fácil tirar fotos, pelo completo breu, e por estar muito movimentado esse dia. mas mesmo assim a experiência é muito interessante, vale a pena. Fomos até o final do túnel que deve ter uns 600 metros, sentamos e fizemos um lanche, já que o almoço não rolou. Retornamos pelo túnel, rumo ao V13. Chato foi nos depararmos com muitos turistas bêbados, e sem educação no local. Gente riscando as paredes dos tuneis com pedras, e por aí vai. Lá de cima a vista encanta, de um lado da para ver o Rio onde bote descem de rafting e do outros algumas belas cachoeiras. dessa vez o trem não passou (graças a Deus!), o que seria bem tenso, mas no local tem alguns refúgios, caso isso ocorro. É um passeio bem divertido passar por cima do viaduto, da para tirar boas fotografias. Ficamos ali um bom tempo curtindo o visual. Depois descemos e fomos em direção as cascatas, seguindo as placas. Tem um balneáriozinho no local, e novamente muita gente bêbada, e sem noção. Um bando de velhos, borrachos, tomando long neck, e atirando as tampas na cachoeira. É o Fim da Picada! Esse foi o unico porém da viagem, a falta da educação de nosso povo. Acho que não deve ser sempre assim, com certeza pegamos um dia ruim, mas mesmo assim o lugar é lindo. E infelizmente não pude tomar banho na cachoeira, pois, não levei roupa, pois, em Caxias estava friozinho quando saímos, no V13 bem calor. Então via das duvidas leve roupa de banho. 3ª Parada. Muçum: Para voltar e escapar da subida ingrime de volta, decidi ir em direção a cidade de Muçum, 14 km diz a placa, mas se anda uns 20 até o centro da cidade. Muçum intitulada a Capital das Pontes, destino já visitado. Possui uma bonita ponte de Brochado Rocha, e o Chafariz de Pedra da Praça Central. A cidade é impressionou pelo desenvolvimento, para seus ditos 5000 hab. Possui até prédio, e no entorno da praça, em frente a igreja, existem duas ruas cobertas, e diversos quiosques e estabelecimentos para lanche. Acabamos no Don Fulano, onde comemos um bom pastel, uma soda italiana, e uma Taça de Sorvete, tudo ótimo, e a bom preço. O ambiente é bem legal também. Muçum encantou pela beleza, e limpeza da cidade. Mais uma atração de nosso RS visitado, e um ótimo passeio para recarregar as baterias. Mais Fotos: https://rotasetrips.blogspot.com.br/?view=magazine
  6. *No final há as dicas importantes para esta trilha Saímos de Tramandaí na sexta-feira, dia 28/04/2018, logo depois do serviço. Meu Brother Machado (crossfiteiro e responsável pela maior parte da água do grupo), meu brother Tailan (crosfiteiro e que levava a maior parte da comida) e eu, Adrien (sedentário e com a maior parte dos remédios e responsável pela navegação ). Dois dias antes nós já tínhamos reservado Hotel Marchetti, com o seu proprietário Tiago. Fomos dormir por volta da 1h, com alarmes setados para as 6h. Pela manhã levantamos, fizemos os últimos ajustes nos equipamentos, acertamos o hotel e nos dirigimos para a parte dos trilhos que passam no meio da cidade. Não sem antes tomar um último café no posto que fica bem próximo a entrada para trilha. Começamos a caminhar sobre os trilhos por volta das 7h40. Todo mundo animado e curioso pelo o que nos esperava. Logo encontramos uma laranjeira, e os frutos dela seriam preciosos alguns quilômetros além, naquele final de abril, mas que fazia 28C. A primeira estrutura que encontramos foi a estação abandonada. Prédio antigo, pichado, com poucos atrativos e ficamos pensando na gurizada que devia se reunir ali, sem a menor possibilidade de serem incomodados. A não mais de um quilômetro depois chegamos na primeira ponte. Um lindo vale com o nascer do sol entre os morros, e do outro lado ainda resquícios da cidade. Ficamos deslumbrados. Lá pelas 11h30 resolvemos que poderíamos descansar e já preparar nosso almoço. Catamos pedras, lenha , preparamos a panela e nosso cara das águas, o Machado, decidiu que deveríamos racionar água sempre. O resultado foi uma massa onde embaixo virou um mingau e em cima estava parcialmente crua. Mas nada que molho de tomate por cima e uma lata de atum não tornasse relativamente tragável. Foi pior massa que já comi, me arrepio só de lembrar. Nesta hora também notei o primeiro rasgo na lateral do meu velho tênis de guerra. A silver tape entrou em ação. Não perdemos muito tempo depois do almoço, pois estávamos com medo de não alcançar algum acampamento antes de escurecer. Na saída de um túnel nos deparamos com tres caras com aparência bastante exausta. Notamos que tinham poucos equipamentos. Eles nos contaram que estavam andando desde as 4h da manhã, pois queriam fazer os 50 quilômetros entre Guaporé e Muçum em um dia. Também nos contaram que não aguentavam mais e passamos a informação de que ainda faltavam 13 quilômetros para o seu destino. Ali estava a cara do desânimo. Seguimos em frente, nos deparamos com a parte mais crítica da expedição. O primeiro viaduto vazado, o V11. Nas fotos e olhando a distância, parece barbada. Mas se aproximando logo se nota que os dormentes não são tão próximos como pensávamos e a altura é nauseante. Eu, que era o cara destemido, sem medo de altura e que ria dos meus companheiros, fui logo a frente. Péssima ideia, pois depois de poucos metros: vertigem. A visão periférica parecia que passava mais rápido do que a visão central, a garrafa d’água chacoalhava na mão, pernas molengas quando eu mais precisava delas… Bem devagar, pouco a pouco, fomos avançando. Então finalmente alívio! E o pensamento: “Quantos desses mais será que tem pela frente?” Mais alguns quilômetros adiante, noto que o quilômetro 15,77 nunca termina. Nosso GPS se perdeu e já não sabiamos a quanto tempo estava parado. Sol escaldante, calor emanado das pedras do chão, o único alívio estava no ar gelado dos túneis que começaram a ficar cada vez mais numerosos. Já havia passado do meio da tarde e sem o GPS não sabíamos se já havíamos completado a meta de distância do dia, que era de 20km. Pernas doloridas, ombros esmigalhados, cansaço e desânimo. Não podíamos parar pois encontrar um lugar pra acampar era a nossa única meta. Nesse meio tempo, o Tailan que ainda tinha forças, desceu um barranco pra encher as garrafas de água e estreamos os Clor-in, ainda com bastante desconfiança da eficácia. Somente na hora de levantar, notamos a primeira aranha armadeira da trilha nos espreitando. Mais um túnel. Esse alem de longo, tinha uma atmosfera pesada. O facho da lanterna mostrava que ele estava cheio de poeira. Parecia que sugava nossas últimas energias. Além disso o receio de finalmente encontrarmos o trem dentro dele, já que o dia começava a findar e até agora nenhuma aparição. Quase não se falava mais. Quando acontecia, era alguma queixa. Finalmente o Machado, que andava mais a frente liderando a busca, berra que havia encontrou um lugar para nos instalarmos. Era uma estrada lateral, a uns 8 metros do trilho. Na saída de uma curva havia uma área de concreto. Enquanto os guris montavam o acampamento, eu fui em busca de lenha. De repente me chamam. Era pra dizer que não cabia a minha barraca sobre o concreto e que talvez deveríamos monta-la na estrada. Até porque já era muito tarde e nós sairíamos muito cedo, então não deveria haver problemas. Depois de muita discussão, resolvemos reajustar e colocar as barracas todas juntas, e isso evitaria uma possível tragédia mais adiante. O Machado resolveu jantar Clube Social e se recolher o mais rápido possível, eu e o Tailan comemos os raviollis prontos. Mais um tempo aproveitando a fogueira e me recolhi enquanto o Tailan ficou brisando, curtindo a noite. Aquele piso duro foi mais confortável da vida. Lá por uma 0h20 somos acordados por um barulho terrível. Alguns bugs gaiolas estavam a toda velocidade fazendo exatamente aquela curva onde estávamos acampando. E passaram bem onde havíamos planejado pôr a última barraca. Mais algumas horas de sono pesado e no meio da madruga um novo barulho ensurdecedor. Finalmente o trem nos encontrou. Algumas risadas depois do susto e voltamos a dormir, tamanho era o nosso cansaço. Pelas 6h30 da manhã, já recolhidos havia 10 horas seguidas, começamos a nos mexer. Consegui descobrir o nosso avanço do dia anterior. 22km. Então ainda teríamos 18km pra percorrer mesmo sentindo todas aquelas dores. Sem muita demora desarmamos o acampamento e começamos a caminhar. O café da manhã foram barrinhas de cereal, para não perdermos tempo. Agora, um pouco mais experientes com a trilha, e sem querer passar tanto trabalho como no dia anterior, descobrimos que apertar bem a barrigueira da mochila aliviava muito os ombros. E se ainda colocasse a garrafa d’água ali, daria ainda mais suporte e alívio. Somado a grande redução do peso da água que já havíamos consumido, conseguimos sair com um passo firme e rápido. Chegando perto do almoço e nós decididos a acabar com aquilo logo, estávamos dando o melhor possível. Mas veio o destino com mais algumas das suas. O Machado estava com um dos tornozelos inchado e piorava se ele deixava esfriar. Por por outro lado, o Tailan estava com uma forte fisgada na panturrilha e precisava parar por 10 minutos a um intervalo cada vez menor. Aos trancos e barrancos nos íamos avançando. Mais alguns túneis e chegamos no tal O Viaduto 13, com seus 143 metros de altura e 509 de comprimento, o 2º viaduto de trem mais alto do mundo e o mais alto da América Latina. E sim, ele é vazado e dividido em duas partes. Aflição geral e a galera relutando. Mas a vontade de ir embora logo era mais forte. E outra, não tinha pra onde correr. Fomos em uma nova configuração agora. O Machado, já bem mais seguro, puxou o pessoal. Eu fui no meio pra garantir que não ficaria muito para trás e por último foi o Tailan. A travessia foi muito mais tranquila que a primeira. E a felicidade foi geral ao perceber que a segunda parte dele não era vazada. Um quilômetro depois encontramos um tiozinho que parou pra conversar. Ele perguntou como estávamos indo, comentou que bem mais a frente teria o tal túnel de 2 quilômetros de extensão e mais um viaduto vazado. Minha aflição ficou estampada na cara e dei um pulo. Não estava acreditando que passaria por aquilo uma terceira vez. O ânimo de estar quase indo pra casa desapareceu de mim e do Tailan. Continuamos seguindo em frente. O sol já estava forte e a série de túneis que passamos, além de termos nos acostumado a andar dentro deles, era um momento de se refrescar. Perdemos as contas de quantos já tinham se ido. Finalmente nos deparamos com o último viaduto. O tal de Mula Preta. 98 metros no pilar central e 360 metros de comprimento. De novo desânimo, o Machado só pensando no almoço e eu e o Tailan procurando rota alternativa, nem que tivesse que descer todo o vale e escalar de volta lá no outro lado. Mas essa trilha não existia. A gurizada comeu seu atum e raviolli e eu preferi me abster. Estava com tanto medo que não conseguiria almoçar nem se quisesse. Só queria me livrar daquela situação. Então chegou a hora de enfrentar. O machado já tomou a frente. Com seu caminhar tranquilo, já bem a vontade logo se distanciou. Atras vinha eu, lembrando da dica do tiozinho: “para tirar o foco do cerebro quanto a altura, conte os dormentes”. O Mula Preta tem 719 dormentes, contados um a um. Após terminar minha longa caminhada, olho pra trás e lá estava o Tailan bem a vontade, parado no meio do viaduto tirando fotos, fazendo selfie e gravando vídeo. Ele tinha superado um de seus maiores medos. Seguimos em frente aguardando o último desafio. O tal túnel de 2 quilômetros de extensão. Cansaço, desânimo, as dores dos meus colegas estavam dominando e minha força de vontade se esgotando. Olho o GPS e ele estava novamente sem sinal, indicando que faltavam 7 quilômetros. Não sabíamos onde estávamos, nada mudava na paisagem e também não sabíamos qual era a hora de sair da ferrovia para ir até a rodovia pegar o ônibus. Depois de muito caminhar encontramos uma ponte que cruzava por cima da ferrovia. Eu lembrava dos relatos de que deveríamos escalar a lateral dela. Louco para ir embora, começei a estudar como subir ali, sobre os protestos do Machado. Tendo uma visão mais ampla, ele resolve caminhar um pouco mais e ver o que havia depois da curva. E foi uma surpresa descobrir que era uma uma rampa a esquerda que levava exatamente pra cima da ponte que eu insistia que teríamos que escalar. Estavamos finalmente chegando ao final daquela trilha que tanto tinha exigido de nós e nos mostrado até onde aguentavamos. Morro acima e sobre queixas de exaustão fomos seguindo em frente. A satisfação desse momento era apenas de que já tínhamos nos livrados dos trilhos e das britas. Finalmente, quase um quilômetro depois, conseguimos ver a rodovia. Apertamos o passo. Na parada, aguardávamos sem muita paciência que aparece algum onibus. Se é que tinha algum naquele dia de domingo. Depois de muito pedirmos carona, e finalmente pegarmos informação, esperaríamos o tal ônibus das 16h Guaporé- Lajeado. Eram ainda 15h35 e resolvi atravessar a rodovia apenas para tentar encontrar uma sombra. E, virando a curva já vinha o nosso tão esperado ônibus. Berro para a gurizada pra virem logo pra ali e trazerem minha mochila. o Machado, que tinha ido buscar água, arruma forças não sei de onde pra correr e trazer junto as duas bagagens. Finalmente estavamos voltando. Já deixo a aqui o pedido de desculpa daqueles passageiros que por 25 minutos aguentaram aqueles três caras fedendo a azedo, depois de dois dias sem tomar banho. Aqui encerra meu relato. Valeu a pena? Sim, valeu muito a pena. Faria de novo? Bem capaz! Dicas: 1. Em Muçum recomendamos ficar no Hotel Marchetti (51) 3755-1253. O nome do Proprietário é Tiago. A entrada da trilha é a 200 metros deste hotel. 2. Tem uma loja de conveniência em um posto bem perto da entrada para os trilhos, bom para um ultimo café. Comece a trilha bem cedo, pois terá que fazer pelo menos 22 quilômetros no primeiro dia, e sobre pedras e trilhos e com equipamento para acampar e água, o avanço é mais lento. 3. Dependendo do teu consumo, 4 litros de água por pessoa dá, mesmo que pegue dois dias a quase 30C. Mas se levar Clor-in, há contato com uns poucos rios para coleta. Para as principais refeições, leve alimentos que consumam pouca água no preparo. 4. Andando nesse sentido, os lugares interessantes pra acampar começam a aparecer pelo quilometro 22. Se aguentar caminhar mais uns 4 quilômetros, terá que passar por mais um viaduto vazado, mas depois dele terá um camping. 5. Para passar sobre os viadutos vazados, caso comece a ter vertigem, não olhe diretamente por entre os vão dos dormentes e vá contando quanto dormentes tem, pra tirar o foco do cérebro. 6. Dentro dos tuneis cuidado com dormentes quebrados ou com limo, com buracos naqueles recém trocados, com esporoes de aço soltando dos trilhos e sempre procure pelos salva vidas caso o trem resolva aparecer. De qualquer forma, ele vai apitar antes de entrar no túnel. 7. Cuidado com aranhas, pois elas adoram os trilhos e estão em toda a parte, mesmo tu não vendo. 8. Lá pelo quilometro 40, já é a ponte pra Colombo que passa por sobre os trilhos. Diferente de outros relatos, não precisa escalar a lateral dela. Caminhe mais uns 50 metros e a esquerda terá uma subida pra essa ponte. Depois dela terá uns 500 metros só de subida e mais uns 500 metros de descida até a rodovia. 9. No domingo o ônibus Guaporé - Lajeado passa algumas vezes e te deixa na frente do hotel, onde deve estar teu carro. Fique do lado da rodovia que não tem a parada. Nós pegamos ele as 15h35
  7. E ai pessoal blz? Como utilizo o forúm de diversas maneiras, pensei que seria interessante contribuir também. Com um relato sobre a caminhada que fizemos no dia 10 e 11 de Janeiro de 2012. A caminhada contou com 4 participantes. Todos já conheciamos a região atráves de outras caminhadas e de outras aventuras, porém nunca acampamos lá. Inclusive na mesma semana de Janeiro do ano de 2011 fizemos uma caminhada lá de 25Km, porém sem acampamento. Sei que o relato está extenso de mais, mas é difícel escrever pouco sobre uma aventura tão boa quanto essa que a Ferrovia do Trigo nos proporciou, quem ja fez essa caminhada sabe como é. 1ª Parte Nossa aventura começa no dia 10/01 as 6:40hrs, na Rodoviária de Lajeado, onde eu, Felipe e Moisés pegamos o ônibus com destino a Guaporé. Na cidade seguinte em Arroio do Meio, Rafael e Francisco embarcaram no mesmo ônibus. O plano era começar de Guaporé a Muçum, para para almoçar no Mula Preta, seguir até o V13, e acampar sob o V13. Fazendo no primeiro dia 32Km. No segundo dia continuar do V13 até Muçum, fazendo então os 16 Km restante. Desembarcamos no trevo de Guaporé as 08:55 hrs. Subimos no trilhos e paramos em seguida para passarmos protetor, feito isso oficialmente começava nossa caminhada nos trilhos as 09:20 Hrs. Caminha-se aproximadamente 1 hora até chegar ao primeiro túnel. Nessa primeira parte não tem nada de magnífico de ver, mas os lugares e as paisagens são maravilhosos. Árvores bem distribuidas que geram belas paisagens. Longas retas, ora no sol ora na sombra, com verdadeiros tuneis de árvores que proporcionavam uma bela sombra. Lugares abertos tornando os trilhos abertos e descapados, em outros momentos, com mata mais fechada, fazendo passar que ali estava abandonado a anos. Altos paredões rasgados ao meio pelos trilhos. Muito interessante. Exatamente às 13:30 hrs chegamos ao Mula Preta. O tão famoso viaduto metálico que faz jus a sua fama. Eu já conhecia ele e a região em torno dele, o que me impressionou foi o Arroio Mula Preta, que passar por baixo dele estava seco, apenas um pequeno filete de àgua. Tuneis aparentemente abandonados. Trilhos que se perdem em meio a mata nativa. Longas e interminaveis retas. Viaduto Mula Preta Arroio em baixo do viaduto Mula Preta, praticamente Seco. 2ª Parte Começava ai na minha opinião a parte mais bonita e interessante da caminhada. Do Mula Preta até o V13. Queriamos uma sombra com água para almoçar, mas eu já suspeitava que a água para nos refrescar iriamos encontrar somente no V13. Então atravessamos o Mula Preta, atravessamos o tunel após ele, o túnel de pouco mais de 2Km. No seu interior tem uma abertura na parte de cima e uma na parte lateral. Saindo dele tem us dutos com água que para nossa surpresa estavam secos. Seguimos mais um pouco e paramos para almoçar na estação abandonada de Dois Lajeado. Logo em seguida passamos o Viaduto Pesseguinho. Seguimos pela tarde através da parte com maior numero de tuneis e viadutos. Todas as fontes de água e arroios estavam secos. Fomos surprendidos duas vezes dentro dos tuneis pelo trem de manutenção, mas até ver o trem ninguem sabe se é a manutenção ou se é o trem mesmo. Aí é sempre aquele ritual –“ Para. Tão escutando? E é o trem.” Ai é aquele corre e corre para achar os refugios. Hehehe... É uma sensação muito interessante. A adrenalina vai a mil, até se descobrir que é só o trem de manutenção e ai a adrenalina já baixa de novo. Eram 18:55 hra quando chegamos no V13. Chegamos no V13 sem água que a havia terminado a 1Km átras. Levamos cada um de casa 2,5 Litros de água e não foi o suficiente. Apreciamos um pouco a vista e descemos para procurar lugar para acampar, discansar e tomar um belo e relaxante banho no rio Guaporé. La em baixo pegamos duas Coca-Cola e fomos até o rio Guaporé para relaxar, aquelas duas Coca-Cola foram tomadas em menos de 10 minutos. Pouco depois das 20:00 hrs quando saimos da água e fomos montar nosso acampamento. Quando chegamos lá vimos mais 3 pessoas que estavam fazendo a caminhada no caminho inverso, de Muçum a Guaporé. Um deles veio falar com nós e para a nossa surpresa eles eram do Rio de Janeiro, e tinham vindo de carro para fazer a caminhada, mas falaram que tava dificel devido ao calor e ao peso da mochila. Para a janta que foram deliciosos Miojos, e depois da janta, foram tomados mais 2 litrões de Coca, o que gerou em um total de 8 Litros de Coca para 4 pessoas. Passamos muito calor durante o dia, nada para se resfriar e com água limitada. Daí a vontade de tomar esses 8 Litros hehehe... 8 Litros com mais um monte de água também. Era 00:20 quando escutamos um barulho diferente, saimos todos correndo das barracas com as máquinas nas mãos e vimos lá de baixo do V13 uma bela composição com 80 vagões e 2 locomotivas. Tiramos varias fotos e fizemos um vídeo, mas infelizmente nada para olhar já que estava escuro, apenas se escuta a buzinada do trem. Lá por 04:10 outro trem, mas desta vez ninguem saiu da barraca, estavamos muito cansado. Dutos secos, sem nenhuma água. Estação abandonada de Dois Lajeado. Viaduto Pesseguinho. Trem de manutenção que provocou um certo "corre-corre" dentro do túnel até achar os refúgios. Viaduto V13, apartir do Rio Guaporé. Detalhe do arroio seco que passa abaixo do V13. Rio Guaporé, santo Rio Guaporé... belo banho para refrescar. 3ª Parte No dia seguinte, acordamos 6:30, levantamos o acampamento e fomos direto para o V13, optamos por tomar café lá, já que igual teriamos que parar descansar, pois da base do V13 até la em cima são entorno de 1,5 Km bem íngremes. Logo em seguida os cariocas apareceram por lá tambem, mas nos deram a notícia de que um dos integrantres deles tinha desistido. Iria pegar carona até Muçum e pegar o carro. Então nos despedimos e começamos o nossos últimos 16 Km rumo a Muçum. Essa parte do trajeto ninguem conhecia. Muito bonita essa segunda parte. O rio Guaporé sempre ao lado proporcionando belas paisagens e nos fazendo imaginar estar naquelas águas tomando um bom banho para refrescar o calor que concerteza estava na casa do 38°C. Nesse trajeto a engenharia do homem se une com a engenharia da natureza e forma paisagem e lances perfeitos para boas fotos. O mais dificel são as retas... interminaveis retas. A maior contamos quase 1,5Km de reta em pleno sol de dereter até as ídeias do peão. Avistamos a placa de Muçum e logo adiante a estação de Muçum. Parecia que todos os ânimos e forças tinhas se renovado. Fizemos a despedida dos trilhos e rumamos em direção ao centro, onde tiramos mais algumas fotos e derrubamos mais 2 Coca. Dentro do ônibus de volta para casa, já começaram as conversar para onde sera a próxima caminhada. Mesmo com os pés cheios de bolhas e calos, com sede até as orelhas e muito cansados... a vontade já era de uma próxima aventura. Começo do 2º dia. Longas retas, mas está com sombra. Belas paisagens proporcionadas pela engenharia do homem e da natureza. Rochedo rasgado pelos trilhos. OBSERVAÇÕES: -->Já conheciamos a região, inclusive no mês de Janeiro. Mas nunca pegamos ela assim tão seca. Isso concerteza se da a estiagem que atinge todo o estado. Todos os arroios, cascatas e cachoeiras, secos... sem condições de proporcionar nada, nem um banho, nem uma refrescada, nem se quer lavar as mãos. -->As mangueiras de água para beber que ficam na ferrovia, todas elas secas, sem nenhuma gota de água. Levamos 2,5L de água cada um, mas tranquilamente poderiamos levar 3,5L cada. O problema foi o peso das mochilas. A minha com 2,5L de água, eu pesei em casa e deram pouco mais de 12Kg. E essa foi a mais pesada. -->Vamos fazer de novo esse ano a caminhada. Queremos encontrar pelo menos um trêm nos trilhos mesmo, e não debaixo do V13. E quando não tiver estiagem, pois ai se aproveita mais a natureza da região. Isso foi um teste de resistência para nós. Muito calor, pela casa dos 38°C e pouca água. Foi sem dúvida a coisa mais desgastante para o corpo que já fiz, mas atribuo esse desgaste todo a estiagem, já que ano passado fizemos isso na mesma semana do ano e não passamos nem a metade do desgaste desse ano. Espero que tenham gostado do relato e das fotos. E que sirva de incentivo para que outros provem dessa bela experiencia que é a Travessia de Guaporé a Muçum pela Ferrovia do Trigo. Em breve postarei mais fotos. Valeu galera!!! Té mais.
  8. Dia 1 Partimos de Garibaldi às 6:00 da manhã do sábado com destino a Rodoviária de Muçum, onde deixamos o carro e pegamos um ônibus às 7:50 em sentido para Guaporé, chegamos às 8:50 na cidade. Dica: Peça para descer no trevo de Guaporé, que o trilhos estarão à uns 50 metros a esquerda. Descemos e nos preparamos para uma possível chuva, pois o tempo não estava nada firme. Iniciamos nossa caminhada às 9:00 em sentido a Muçum. Logo na estação de trem, encontramos um pessoal trabalhando nos trilhos, e perguntamos qual seria o horário do trem, mas para nossa felicidade, fomos informados que devido as chuvas no sábado não passaria, sendo que no domingo não tinham essa certeza. Então fomos um pouco mais tranquilos para passar pelos túneis e viadutos. Após 1 hora de caminhada chegamos ao primeiro túnel dos 23 que passaríamos. Os primeiros túneis tem placas indicando a extensão, mas a grande maioria deles não tinham essas informações, aí era uma surpresa de túneis bem grandes com 20 à 25 min de caminhada numa completa escuridão. Depois do sexto túnel sabíamos que chegaríamos ao viaduto vazado da mula preta. Encontramos diversos bichos mortos nos trilhos, uma cobra que perdeu a cabeça e deu o azar de atravesar os trihos bem na hora do trem e um lagarto. E dentro dos túneis, um porco e um urubu. Também uma cobra verde, de porte pequeno, tomando sol. Além disso muitos não tem consciência e deixam lixo pelo caminho, latas de cerveja, pacotes de bolachinhas, garrafas plásticas e embalagens diversas. Chegamos ao viaduto da mula preta,depois de umas 4 horas de caminhada. A minha namorada, a Jô, atravessou sem parar, caminhando devagar mas sem parar… Já eu, dava 3 ou 4 passos e parava, com um pouco de vertigem e bem nervoso. Chegando do outro lado a recompensa seria o almoço, no caso seriam sanduíches e de sobremesa barrinha de cereal. Paramos aliviados por termos atravessado, mas não sabíamos que havia mais dois viadutos vazados pelo caminho, não mencionado em nenhum relato lido. Almoçamos, descansamos, rimos e partimos para meta do dia que seria chegar até o viaduto 13. Caminhamos mais umas 3hs e meia e às 5:00 da tarde logo após o túnel de número 13, achamos na direita um lugar perfeito para acampar (pois não há muitos locais). Era um local aberto, onde outras pessoas já haviam acampado, pois tinha resquício de fogueira, troncos de árvores para sentar, e novamente muito lixo. Recolhemos o lixo que esse iríamos levar conosco e organizamos as coisas. Enquanto a Jo preparava um delicioso jantar, massa com atum, acompanhado de um vinho (não muito bom, porque comprei nas pressas no dia anterior) e de sobremesa, chocolate, eu pegava lenha para fazer o fogo que a noite estava se aproximando e começava a fazer frio. Devido a dificuldade do terreno,a Jo por não estar com calçado adequado para a trilha que é um boa bota, estava com dor no pé direito e mancava um pouco. Então fica a dica, NÃO VÁ DE TENNIS. Depois de uns minutos já tínhamos um belo fogo para nos esquentarmos e uma bela janta enquanto víamos o por do sol. Jantamos, conversamos, rimos, alimentamos a fogueira por 2 horas, a noite estava estrelada, com lua crescente, muito bonita e agradável, às 9:00 da noite fomos dormir. Estávamos tão cansados de 8 horas de caminhada, tirando intervalos para lanches e fotos, que dormimos em 1 minuto… talvez 2. No meio da noite acordamos com um barulho muito alto, que num primeiro momento achei que estávamos sendo abduzidos por ETs, num segundo momento que algo ia passar por cima da barraca, num terceiro entre tentar ligar a lanterna, abrir a barraca e gritar o que é isso, fui informado que era o trem, quando deitei novamente meu coração batia com certa velocidade, ficamos deitamos escutando o som dos vagões passando por vários e vários minutos. Bom, sabíamos que a ferrovia estava liberada e que no outro dia poderíamos nos encontrar com algum trem dentro de algum túnel ou viaduto. Em seguida do trem passar, dormimos novamente. Dia 2 Achei que como tínhamos dormido cedo, acordaríamos cedo, mas não, acordamos as 7:30 ou seja 10:30 de sono, que com o horário de verão que havia mudado naquela noite já era 8:30, arrumamos as coisas comemos algo e partimos as 9:00, pois tínhamos mais uns 23 km até chegar em Muçum. Depois de 45 min de caminhada chegamos ao viaduto 13, onde encontramos uma banda gravando um clipe e um pessoal se preparando para fazer um rappel do viaduto que tem 143m de altura. Conversamos um pouco com o pessoal do rappel e partimos para o trecho final para chegar em Muçum, que por já estarmos cansados e querendo chegar foi o mais difícil. E ainda por surpresa encontramos mais dois viadutos vazados, e muito vento na hora de atravessar. Mesmo com a mochila mais leve, bem cansados, e a Jô com o pé direito doendo, caminhamos mais umas 2 horas e paramos para o último lanche... Descansamos, e partimos para mais 3 horas de caminhada. Chegando na Estação de Muçum por volta das 3:00 da tarde, exaustos e ainda teríamos que achar a rodoviária, onde estava o carro. Mas com muita alegria por ter concluído este lindo caminho cheio de aventuras e surpresas.
  9. Falaaaaa Mochileiros! Mais um vez fazendo uma visita a Ferrovia do Trigo.. Depois de uma semana de muita chuva na Serra Gaúcha, encaramos uma trip no sábado, dia 18 de Julho, onde São Pedro deu uma trégua e nos ajudou na caminhada. Partimos a indiada pontualmente às 6:30, acessando os trilhos próximo à linha Colombo (Guaporé), por meio de um viaduto rodoviário. Na mesma semana, foram feitas diversas manutenções ao longo da Ferrovia, como troca de dormentes e limpeza das encostas. Após alguns km, nos deparamos com a famosa Mula Preta, como sempre, botando uma pressão no primeiro contato com quem não à conhece.. heheheh! (Haviam dois colegas que não conheciam a Ferrovia) Até ae tudo bem, o que não esperávamos, era escutar uma buzina em meio a travessia, o que no meu caso foi motivo de muita euforia.. Já havia encontrando o trem em diversos pontos, até mesmo em túneis, mas junto ao Mula Preta, seria a "cereja do bolo." Estávamos bem divididos na travessia, eu havia ficado para trás tirando algumas fotos, 03 pessoas mais à frente e 02 praticamente ao final do viaduto, estes que tiveram que dar uma boa corrida para sair do trilho, pois não daria mais tempo de retornar pra o escape. Enquanto esperávamos o trem, não dá pra negar que rolou um medinho heheheheh! Até porque o mesmo treme o viaduto inteiro. Mas a experiência é muito legal, e de quebra, consegui tirar várias fotos e fazer a gravação da passagem. Segue link do vídeo: Após a passagem do trem, hora de seguir viagem.. Depois desta experiência, já poderia ir pra casa, havia ganhado o dia!! hehehehhe! Não demorou muito para o sol nos fazer companhia, melhorando muito o dia! E este seguiu conosco durante todo percurso, ignorando as previsões de chuva. Próxima às 10:30 chegamos ao Viaduto Pesseguinho, onde aproveitamos para conversar com o Clair, proprietário do Recando da Ferrovia, sempre nos contando de seus projetos e investimentos voltados ao turismo. E depois de alguns viadutos e diversos túneis, os quais com muita água, nos aproximávamos do nosso destino final, o Viaduto 13. Logo após uma parada para o almoço.. seguimos com a caminhada. E enfim.. chegamos ao gigante em torno das 14h Mais uma pernada até o pé do V13 E estava feita mais uma trip por este lugar fantástico.. Conforme já havia relatado em um post anterior, este trecho é bem tranquilo pra se fazer, onde a quilometragem fica em torno de 26km. A trip não exige taaanto preparo, mas dependendo do ritmo da caminhada, a canseira pega legal. Também dispensa uma quantia grande de comida e água, devido à distância. Vale muito a pena fazer o trecho, mas não se comprara ao trekking completo, entre Muçum e Guaporé. Segue link com diversos vídeos realizados na Ferrovia: https://www.youtube.com/channel/UCmzTvobjeFwbULvPkcNWA9Q Um abraço e bons ventos!!
  10. Ferrovia do Trigo/ Guaporé à Muçum Olá! Depois do mochilão Bolívia/ Peru 23 dias (4-gauchos-23-dias-bolivia-peru-t83067.html) havíamos feito mais dois acampamentos em Tapes, com duração de 2 dias, mas nada comparado com essa trip pela ferrovia do trigo. A vontade de conhecer o Viaduto 13 sempre foi do Rafael e cogitamos em ir lá de carro, tirar umas fotos e voltar.. Então comecei a pesquisar alguns relatos (não há muitos pq realmente o lugar é bem inóspito e depois se vê que não é qualquer um pra fazer todo esse trajeto). Mas o desafio de fazer 50 Km e os mais de 20 túneis e viadutos que tinham pelo caminho me motivou a convencer o Rafael.. E ele aceitou! Aproveitamos o feriadão do dia do trabalhador (de quinta a domingo) pra nos organizar! Cogitamos ir de carro, deixar o carro em Muçum, pegar ônibus até Guaporé, fazer a trilha de cima pra baixo e pegar o carro pra voltar pra Porto Alegre.. Mas o primeiro ônibus pra Guaporé era as 07:50h, onde teríamos que sair de POA de madrugada e mesmo assim chegaríamos em Guaporé quase 10h e cansados! Melhor das alternativas foi ir de ônibus mesmo. Saímos quinta feira de POA no ônibus das 18:30h e dormimos em um hotel em Guaporé, pra iniciar a trilha na sexta bem cedo e acabar sábado e voltar no sábado mesmo pra POA...tendo o domingo de folga em casa para descansar. E realmente foi a melhor opção: financeiramente de carro economizaríamos um pouco, mas o fator cansaço contou muito e ir descansando no ônibus (principalmente na volta foi crucial). R$ 42,95 por pessoa POA-Guaporé, compramos na hora, e o ônibus da empresa Bento estava bem vazio e era bem espaçoso. Parou apenas na rodoviária de Lajeado e seguiu pra Guaporé. Em 3h estávamos lá... Eu havia ligado pra 3 hotéis de Guaporé pra saber qual era mais em conta: Hotel Rocenzi= R$ 100,00 CASAL/SEM AR ... Hotel Topo Giggio= R$ R$ 110,00 CASAL/ SEM AR ...Hotel JC Borsatto= R$ 80,00 CASAL/ SEM AR. PRONTO! Seria o tal Borsatto.. Não queria gastar com hotel, e por mim poderia ser o quarto mais 'chumbrega' só pra passar a noite e iniciar cedo a trip.. dentre as pesquisas esse foi o mais barato (Obs. Dá pra dar uma choradinha..o Hotel Rocenzi era 130,00 e o cara queria fazer por R$ 110,00 no telefone).. Chegamos cerca de 21:40h em Guaporé e na rodoviária tinha um mapa da cidade, eu tinha o endereço do hotel e conseguimos nos achar..cerca de 5 quadras de lá. Pagamos a diária, largamos as coisas e fomos dar uma voltinha no centro...estava 13° e um ar muito gelado.. Comemos uma pizza (não lembro o nome do lugar) mas era bem próximo a Igreja. R$ 30,00.estava muito boa. Caminhamos, tiramos fotos no centro e voltamos pro quarto.Hotel muito bom, agua quente nas torneiras e chuveiro. As 7h tomamos café da manhã do hotel, que era bem reforçado por sinal, e lá pelas 8h saímos em direção a Ferrovia. Na entrada da cidade tu já acha um viaduto com acesso pela rua lateral a linha do trem.. e lá começou nossa jornada. O fato que mais cansa na trip é o chão. Tu não pisa em um lugar estável. São pedras(cascalhos) com dormentes, fazendo com que tu tenha que olhar muito pro chão pra não torcer o pé, devido algumas pedras serem soltas, dormentes quebrados, molhados, além do fato de bichos (cobras e aranhas)... Eu e o Rafael fomos muito disciplinados e acredito que por isso conseguimos fazer 33Km em 1 dia! Mesmo com mochila nas costas, calor e cansaço..nos disciplinamos em: -Manter um ritmo: não corremos, nem parávamos. Colocamos um ritmo de caminhada moderado e seguimos nele até o final. Não da pra caminhar muito rápido pq como eu falei, o chão é muito perigoso, e o risco de torção é muito grande, mas também não dá pra ficar parando pq o caminho é longo; -A cada 1h descanso de 10 minutos: Nos guiávamos pelo relógio e a cada 1h paravamos obrigatóriamente 10 minutos. As vezes nem estávamos tão cansados..dava pra continuar, e mesmo assim fazíamos essa parada obrigatória, nela bebiamos água, comiamos lanche e xixi. Sentávamos, tirávamos a mochila, e alongamento.. Fechou 10 minutos? Levantava e seguia.. -Evitar paradas desnecessárias: claro que parávamos para tirar fotos, fazer filmagens ou paradas emergenciais.. Mas não usar isso toda hora, se não tu perde muito tempo parando. Use o descanso de 10 minutos pra beber agua, xixi e tudo mais..para não ter paradas extras e tempo perdido. O caminho foi longo e muitas vezes desmotivador, pelo calor, cansaço e principalmente pedras..mas a vista vale muito a pena. Há muitos tuneis e viadutos, a floresta é bem fechada e há muitos animais.. Inclusive vimos macacos nas árvores! Foi muito lindo, Uma dica importante é a lanterna: ECONOMIZE! no início e fim dos túneis (onde ainda tem claridade da rua) desligue e tente não usar as lanternas. Serão 22 túneis e alguns deles tem 2km de extensão, fazendo com que seja muito escuro, claustrofóbico e a mente vai bem longe imaginando coisas na escuridão . Voce precisará de lanternas, há túneis que tu fica mais de 20 minutos caminhando dentro dele com lanterna acessa e isso faz consumir muito rápido. Leve pilhas reservas, Cuide também os recuos. É muito importante ver onde tem recuo, principalmente nos viadutos e tuneis. Por que caso um trem passe(ainda bem que não passou pq deve ser um inferno estar dentro do túnel quando ele passa), pra que não haja correria nas pedras e vc se machuque, ao caminhar passe a lanterna nas laterais e veja onde há recuo próximo. Nos dois dias de trip, apenas 02 trens da manutenção passaram durante o dia. O trem mesmo passou na madrugada(a um metro da nossa barraca é uma cena que não dá pra esquecer, aquela névoa e o trem gigantesco passando por nós). Um perto da meia-noite e outro as 2:30h da madrugada. E acredite: ele é GIGANTE! Sorte mesmo que não passou um desses quando caminhávamos pelo túnel ou viaduto... Não sou muito medrosa, mas passar pelo túneis foi assustador, pq os morcegos fazem barulhos estranhos, o ar fica diferente, a escuridão toma conta, e há muitas partes molhadas de água de escorre nos morros, fazendo barulhos e estralos assustadores, sensação bem ruim. Apesar disso, nada supera o horror de passar pelos viadutos sem chão! os que contém apenas os dormentes! Achei que ia passar de boa..mas foi aterrorizante! Principalmente o mula-preta. E ele foi um dos primeiros viadutos que passamos! Ele é gigante e tu precisa prestar atenção nos dormentes, pra não pisar no vão..pelo vão tu enxerga o chão e isso dá muito medo de altura! Além do fato de tu ter que cuidar o trem! Nos viadutos tem um trilho extra dentro do principal, fazendo com que o espaço pra pisada seja mais estreito, então tem q ter cuidado. Além disso, há vigas que são muito espaçadas, onde tu enxerga beeeem o chão. Desespero total! Fiquei muito nervosa e meu coração parecia que ia sair pela boca, então o Rafael me acalmou e combinamos de caminhar com cuidado e parar somente onde tinha recuo. Mas não nele em si (pq é bem sinistro), paravamos no dormente parelelo a ele. Respirávamos, víamos se vinha trem e continuávamos até o próximo recuo. E assim foi até o final ... Além do mula preta há mais 2 viadutos assim sem chão: o Pesseguinho e após o Viaduto 17. Depois desses todos tem chão e aí não é nada aterrorizante atravessá-los. Era cerca de 16h quando passamos pelo Pesseguinho e alguns moradores dali nos informaram que pra chegar no V13 levaria mais umas 2h...2h e 30min.. Então resolvemos apressar e tentar chegar lá antes de anoitecer. Íamos ter feito boa parte da trip no primeiro dia, deixando o 2° bem mais light.. No viaduto pesseguinho havia 2 homens com 2 gurizinhos tentando passar pelo viaduto, mas o medo era tanto que não conseguiram passar.. pelo fato de ver o chão mesmo.. mas como eu já tinha passado pelo mula-preta, esse até que foi tranquilo (hehe). Havia urubus nos recuos deste. Caminhávamos, caminhávamos, caminhávamos... estávamos decididos em chegar no V13 e montar acampamento por lá (que dizem que tem lugar bom pra acampar).. Mas não chegava nunca! E o cansaço estava forte.. Mas não paramos (exceto nos 10 min de descanso a cada 1h). Um morador passou por nós e falou que pra chegar até o V13 passaríamos por mais 6 túneis, então apressamos! Foi desanimador quando encaramos os 2 primeiros túneis (dos 6) que tinham mais de 1km de extensão.. Poxa! teria mais 4!! E se fossem todos longos assim?! Chegaríamos lá a noite..sem contar que era um túnel atrás do outro, não tinha opçõa de acampar ali entre um e outro, pois era muito úmido e a mata fechada.. apressamos.. Pra nossa sorte os últimos túneis não foram tão longos e o último deles tinha as famosas 'janelas'.. Saímos dele e caímos direto no V13! Que felicidade! Mas...e cade o lugar bom pra acampar?? Já eram quase 18h..o sol já tinha ido embora e uns caras faziam base jump no V13(muito legal mas estávamos sem tempo para parar e dar uma olhada nos saltos)..perguntamos ''onde o pessoal costuma acampar'' e eles apontaram pro chão.. teríamos que descer o morro (cerca de 1,5km) pra chegar num tal de camping.. não tínhamos mais tempo! Já estava tarde. Passamos o V13 e começamos a procurar lugar pra acampar.. Achamos um lugar 'menos pior' passando o V13.. Comecei a limpar o terreno e tirar as pedras..com o mato que limpei forramos o chão, já que não levamos colchão inflável devido ao peso, apenas lonas pra forrar a barraca.. Comecei a catar lenha pra fogueira, estava escuro e não queria gastar a lanterna por causa dos túneis que ainda teria no outro dia.. Mas tinha pouca lenha..as que tinha era pedaços dos dormentes quebrados do trilho..e apesar de saber que é tóxico e não seria bom pra usar, foi a unica opção...o ar estava úmido e logo a barraca estava enxarcada. Esticamos mais uma lona por cima dela.. Tínhamos pouco mais de 2l d'água e não queríamos gastar mto dela em comida. Fizemos uma sopa de miojo (sopa vono e miojo) pra aproveitar a mesma agua e já cozinhar o macarrão. Botamos tudo pra dentro da barraca apagamos o fogo e era 21h ja estávamos deitados. Loucos de cansados...o Rafael pegou logo no sono, eu só dormi depois que o primeiro trem passou, próximo da meia noite(muito tenso)..até lá estava preocupada.. com o lugar, com o trem..meus pés latejavam, minhas costas doíam, estava exausta..mas a cabeça a mil...acho que entrei no modo 'survivor' e foi difícil desligar.. Do meu lado esquerdo ouvi um bicho farejando a barraca. Acredito que era graxaim, ou lobo.. estava em no meu ouvido, como um cachorro cheirando a gente. Me apavorei, fiquei bem quietinha. Depois daquela máquina de 2km passar a todo vapor do lado da barraca e ela não ter voado consegui dormir..mas só 2h..pq logo passou outro trem, sentido contrário, a luz bem em direção a barraca, parecia um avião aterrisando na nossa frente. O silencio da floresta acabou e aquela barulheira nos acordou quando vinha de longe... Abrimos o ziper da barraca novamente pra ver a maquina passar.. esquecemos de filmar.. também ne..nós dormindo e acordar com aquela barulheira de repente foi mega assustador..a ultima coisa que pensamos foi em filmar!Acordamos perto das 7h e estava tudo cinza, muita cerração. Não pude esquentar água pro café pois a unica panelinha que levei estava suja da sopa miojo de ontem. Então comemos laranja (pra matar a sede e dar energia). Comemos bisnaguinha com requeijão , desmontamos o acampamento e seguimos era bem dizer 9h, Viadutos, viadutos, alguns túneis (poucos, pois a maioria fica antes do V13) e aí já estávamos bem baixo em comparação com antes.. Linhas retas infinitas, muitas pedras soltas e encontramos um grupo de mochileiros vindo da direção contrária (Muçum à Guaporé). Estavam em cerca de 6 pessoas, conversamos um pouco, nos disseram que estávamos próximos de Muçum, que em no máximo 2h chegaríamos. Alívio! Eles disseram que iam acampar na estação antiga e não quisemos desanimar eles, só dissemos ''é uma pernadinha'', mas certo que não chegariam lá até antes de anoitecer. A estação é umas 3h de Guaporé..e eles estavam muito longe e já era meio-dia! Carregavam muitas mochilas e pouca água..falamos que estava ruim de pegar água e ficaram meio apavorados. Até tem umas pedras que escorrem agua, mas escorre gotas de água. Se colocar um cantil embaixo levará tempo pra encher..sem contar que não se sabe a procedencia da água. Pode ter um rato morto e a agua escorrendo em cima.. Havia umas grutas em barrancos com agua (tipo cascatinha) mas era bem inacessível por causa das pedras..era muito arriscado pegar água nesses lugares. Então é imprescindível levar bastante água.Estávamos com cerca de 700ml racionando água, quando vimos a placa Muçum deu uma alegria!! Chegamos!! Até aqui 49 km!! Porém da entrada de Muçum até a cidade é uma pernadinha.. passamos pela antiga estação de Muçum pra tirar fotos e pra nossa alegria vimos um morador abrindo uma torneira que estava lá no cantinho.. água potável e bem geladinha!! Não tinhamos escovado os dentes até agora e estavamos racionando água. Então esperamos ele sair e lavamos a égua! Escovamos dentes, lavamos as mãos com sabão..enchemos as garrafas e tomamos muuuita água! O sol estava muito forte. Lavei o rosto e reforcei o protetor solar(MUITO IMPORTANTE). De longe vimos o tal 'Viaduto Princesa' de Muçum e perguntamos a um morador como saíamos dele e descíamos pra cidade. Ele falou que tinha 2 escadas de concreto e que poderíamos descer na segunda que já daria na rodoviária, mas não encontramos as tais escadas(to procurando até hoje as tais escadas)... Passamos todo o viaduto Princesa, e havia apenas os recuos..lá no final havia um túnel e ao lado umas vilas. Perguntamos pra uns guris(muito suspeitos por sinal) que estavam ali como descíamos eles apontaram pra um matagal..fomos descendo e não tinha escada de concreto nenhuma! Eram pedras e bem perigosas..tem que descer com bastante calma..não há sinalização nem nada. Parece que a própria população abriu aquela trilhazinha e empilhou as pedras.. Bom conseguimos! estávamos na cidade e seguindo pro centro. Perguntamos a alguns moradores onde ficava a rodoviária de Muçum e seguimos pra lá.. caminhamos bastante no olho do sol, rapidamente tiramos fotos na igreja, pois não sabíamos o próximo horário do bus pra POA.. corremos pra rodoviária e o próximo ôNibus era 14:30h e era 14:15h!! Demos muita sorte. Compramos rápido as passagens R$ 32,95 cada usamos o banheiro e trocamos a roupa. Colocamos um short e uma camiseta (estávamos fedendo hehe). A senhora da rodoviária viu nossas mochials e perguntou se vínhamos do V13, pois havia saído uma reportagem na ZH de hoje mesmo (sábado/domingo). Corremos pro ônibus, ele parou em algumas cidades (Arroi do Meio, Lajeado,Encantado e Estrela). Em 3h estávamos em POA! (A ordem correta das fotos é de baixo para cima, coloquei tudo certo mas na hora de postar o site inverteu tudo) EQUIPAMENTOS: RAFAEL - 01 MOCHILA LONA VERDE(bem leve tenho uma de 60L,mas com aquela armação de metal por dentro só fez aumentar o peso, portanto foi a verdinha que meu pai acampava) 01 LONA 2X2 NAUTIKA (forro debaixo da barraca, por dentro, por causa da umidade, foi junto com os capins a nossa cama -conforto +carga reduzida) 01LONA 2X2 PRETA(forro externo da barraca, sorte ter levado pois ficou encharcada com a umidade) 01 BARRACA 2 LUGARES (tinhamos a de 4 mas a carga tem q ser bem reduzida, por isso levamos essa) 01 FACÃO 01 COBERTA MICROFIBRA 2L DE ÁGUA 500ML GATORADE 10 MTS CORDELETE 03 MTS CABO SOLTEIRO 01 LANTERNA DE CABEÇA (levei 5 pilhas, deveria ter levado mais) 01 LANTERNA PEQUENA IMPERMEÁVEL ROUPAS 01 CALÇA 01 BERMUDA 01CAMISA ML 01 REGATA 03CUECAS 03 PARES DE MEIAS(sendo uma delas térmica muito útil p/conforto) 01 BONÉ 01 ÓCULOS 01 TÊNIS(Asics de corrida, tem muitos solados de botinhas no caminho, use calçado que vc conheça, não invente nada) 01 CASACO (parte externa do parkha klima da nautika, uso ele sempre pra tudo, custa R$ 500 mas é perfeito e logo comprarei outro) 01 RELÓGIO 01 CINTO ELÁSTICO C/ PORTA OBJETOS(dá pra carregar as coisas que mais se usa na cintura e elas ficam bem fixas) 01 CANIVETE MULTIFUNÇÕES PEQUENO(tramontina inox) 01 KIT MÉDICO (tubinho tipo lata de nescau com itens críticos) 01 KIT FOGO (pouco de palha, tubo c/ álcool,isqueiro,fósforo) 01 REPELENTE 01 PROTETOR SOLAR 01 CEL MOTO G (lanterna muito boa) 01 CÂMERA SONY CYBERSHOT 12MP ROBERTA - 01 MOCHILA TRILHAS E RUMOS CRAMPOM 44L 01 TOALHA PEQUENA (no fim não usamos, não tomamos banho) 01 KIT HIGIENE (escovas de dente, sabão, desodorantes, lenço umedecido, 01 rolo de papel higiênico) 01 PANELA PEQUENA 02 CANECAS DE PLASTICO(serviram de prato) TALHERES 2L DE ÁGUA 500ML GATORADE COMIDAS (3 miojos, 4 sopas vono, 01cx feijão pronto, 06 sanduíches prontos,01 pct bisnaguinha, 1/2 pote de requeijão,03 maçãs, 02 laranjas, 03 bananas, 04 barrinhas chocolate,02 rapaduras, 02 pct castanhas, 01 pct mariola, 01 pastelina, 01 pct bibs, 01 cocada) ROUPAS 01 bermuda, 01 legging, 01 camiseta ML, 01 camiseta MC, 01 casaco(igual o do Rafael),roupas íntimas,tênis (igual Rafael)meias (idem Rafael) 01 CEL MOTO G(lanterna) 01 ÓCULOS (perdido na trilha) 01 BONÉ
  11. Fala galera! Depois de um ano desde o último trekking na ferrovia, no dia 12/07 matamos a saudade.. Fizemos apenas um trecho de aprox. 24km, saindo de Guaporé até o Viaduto 13. Partimos da linha Colombo (8km de Guaporé), onde acessamos os trilhos junto à um viaduto rodoviário. Nos primeiros Kms, ainda escuro, nos acompanhava uma bela lua cheia. Após o primeiro túnel, já tínhamos os primeiros raios sol. Apesar da luminosidade, muito da paisagem estava escondida devido à forte neblina. Na maioria dos túneis, haviam grande presença de água, principalmente nas laterais e entradas, isso devido às semanas anteriores de muita chuva. Dois dos nossos amigos ainda não conheciam o trecho, então, cada km impressionava. Como o tempo ajudou, acabamos nos adiantando em quase 1h, chegando ao viaduto Pesseguinho em torno dás 10:30. Tempo suficiente para uma conversa com o Clair Com uma parada rápida para o almoço, seguimos por mais alguns kms até avistar o ponto final de nossa caminhada.. Viaduto 13! Apesar do trecho curto, vale muito a pena fazer, principalmente pelo fato de ser possível terminar em apenas um dia. Dispensando assim a necessidade de levar tanta coisa e principalmente barraca. É possível passar pelos principais viadutos e os túneis mais longos. Trekking muito recomendado, principalmente para quem está iniciando. Abraço!
  12. Fala Mochileiros! Esta faz um boooom tempo que fiquei de fazer o relato.. Nos dias 29 e 30 de Março/13 fizemos o famoso Trekking na Ferrovia do Trigo, saindo da estação de Muçum até o Cristo em Guaporé. Saímos em torno de umas 06:30 com bastante neblina, onde nos primeiros 3km encontramos alguns moradores fazendo a famosa colheita da marcela. Com a ausência do sol, a caminhada se tornava mais fácil, porém escondia muito da bela paisagem. Com o tempo a neblina foi se dissipando, mostrando melhor os vales.. Como era o primeiro trekking neste trecho, estávamos bastante impressionados com os viadutos e túneis, onde dentro de um deles, resolvemos tirar algumas fotos. O que não esperávamos era ver um "fantasma" ( pelo menos é o que parece) Na metade da manhã já era possível sentir o peso da mochila incomodando um pouco os ombros, mas logo era esquecida ao ver às imagens que tínhamos pela frente Viaduto 11 Já próximo ao meio dia chegamos ao gigante Viaduto 13 Por fim acabamos almoçando nas incríveis janelas do túnel, e por ser sexta-feira santa só nos restou ficar no atum. Dae pra frente o sol já castigava, e a dor nos ombros já fazia companhia para a dor nos pés! hehehhe! Durante a sexta encontramos vários outros grupos de caminhada, porém estes no sentido Guaporé - Muçum. Ao final da tarde chegamos ao Viaduto Pesseguinho, onde conhecemos o Clair,proprietário do camping que ae se encontra, grande figura. Após escutarmos algumas de suas histórias e projetos voltados ao turismo, seguimos por mais uns 2km até chegarmos na estação abandonada de Dois Lajeados. Montamos o acampamento e acendemos o fogo. Após uns 40 minutos escutamos um barulho que parecia ser o trem, nosso amigo Felipe Boito correu para a frente da estação, onde recebeu um banho de aguá do trem de manutenção da ALL Próximo às 23:30 o trem passou em direção à Muçum e às 03:00 passou novamente no sentido de Guaporé, o que nas duas passagens ocasionou euforia no pessoal. Como o cansaço era grande, sequer vimos a noite passar, e 06:30 já estávamos tomando o café para retomar a caminhada. Logo nos primeiros quilômetros passamos pelo Aqueduto e após um túnel de aprox. 2,5km. Então sim a recompensa.. Viaduto da Mula Preta! Visto pessoalmente, é algo fantástico. Após várias e várias fotos na Mula Preta, seguimos caminho rumo à Guaporé. Nosso almoço foi mais um lanche, uma vez que nossa carona estaria nos aguardando em torno dás 14h. Mais alguns túneis e viadutos pelo caminho, enfim chegamos à cidade de Guaporé até antes do esperado, com tempo de sobra para tomar uma Coca Cola com muito gelo!!
  13. Oi, Galera! Há tempos, havia lido alguma coisa aqui na comunidade sobre a travessia Guaporé-Muçum, e fiquei louco quando, pesquisando mais sobre o assunto, assisti uns vídeos sobre o V13, maior viaduto ferroviário das Américas. Decidi realizar a travessia e comecei a convidar os amigos e coletar informações para um roteiro. Dois amigos toparam a aventura, Lairton e Zé. Resolvemos fazer a travessia em sentido contrário iniciando em Muçum e terminando em Guaporé, pois seria mais fácil conseguirmos carona na estrada de ida até Muçum e voltarmos de ônibus de Guaporé, já que estaríamos cansados, sujos e fedidos demais para esperar carona na estrada. Acabamos fazendo o contrário, pegamos ônibus na ida e voltamos caronando para Santa Maria. Vamos ao relato... Chegamos à cidade de Muçum depois do meio-dia e enquanto esperávamos o comércio local reabrir as 13:30h para comprarmos mais mantimentos para a travessia, resolvemos dar uma conferida na cidade. Muçum é bem pequena mesmo, estimo que a população urbana não ultrapasse duas mil pessoas. É cercada pelos contrafortes da Serra Gaúcha e cortada ao meio pela Ferrovia do trigo, que emerge de um túnel num dos montes ao Sul e atravessa a cidade sobre um viaduto. A cidade nos pareceu bem precária, apesar do PNUD de 2000 ter apontado um IDH elevado. Depois de compradas e acomodadas as provisões, iniciamos a travessia as 14:30h Subimos até os trilhos da ferrovia e partimos rumo ao Norte. À medida que caminhávamos em direção a Serra Gaúcha, a paisagem ia se revelando. A ferrovia corta os morros e a água exfiltra dos paredões dos dois lados dos trilhos. A região tem muita água mesmo, um burburinho de água corrente é ouvido sempre. De sede ninguém morre nessa travessia, e como fazia uns 27 graus bebemos muita água. Passamos o segundo viaduto e logo em seguida o primeiro túnel, com uns 300m de extensão. Os túneis possuem cavidades de segurança nas paredes a cada 15m alternadamente, corra pra elas caso passe um trem. :'> Isso é o que acontece com quem não percebe o trem chegando. Na saída do túnel ouvimos o barulho de uma cachoeira e resolvemos dar uma explorada na área, descemos por um paredão de pedra no lado esquerdo da ferrovia e seguimos o córrego morro acima, encontrando duas cachoeiras muito bonitas, mas perdendo muito tempo. Retomamos o trajeto pelos trilhos e chegamos a um bom local para acampar logo em seguida. Dos 15km de ferrovia que planejáramos para aquela tarde, havíamos percorrido apenas nove. Ao longo da ferrovia há muita lenha seca, já que os dormentes trocados são atirados ao lado dela pela empresa que faz a manutenção da ferrovia. Fizemos um fogo bonito e tomamos um bom mate pura-folha enquanto esperávamos a janta. Proseamos bastante até as 22:00, quando o sono chegou e fomos para as barracas. Acordei de um sono profundo, sem saber onde estava, com uma luz intensa e um tremor de terra que fazia bater as panelas dentro da barraca. Era o trem. Aliás, O Trem, mais de 70 vagões com duas máquinas C30-7. O Susto foi tão grande que quase abro uma segunda porta na minha barraca. Mais um trem passou antes que o fim da noite chegasse, mas dessa vez sem grandes sustos. A barraca foi outra parte importante da aventura. Eu levei a Bivak da T&R, o chão era plano mas cheio de pedras, de modo que os espeques não entravam de jeito nenhum, tive que prendê-los com pedras soltas. Como ela não é uma barraca autoportante, ficou toda frouxa, com o sobre-teto encostando no cômodo e a condensação fez o seu serviço, acordei todo úmido. Então, fica a dica: leve barraca autoportante nesta travessia e procure armá-la uns 10 metros longe do trilho. :'> Na quarta-feira pela manhã, fizemos um calórico desjejum enquanto minhas coisas ventilavam, e em seguida nos lançamos ao trilho de novo. A manhã estava belíssima e uma névoa espessa que cobria o vale do rio Guaporé ia aos poucos se dissipando. Demos mais uma explorada em algumas gargantas e procuramos alguns mirantes nos morros. Passamos por uma seqüência de túneis e viadutos, até que chegamos ao primeiro viaduto metálico da travessia. O primeiro viaduto metálico ninguém esquece. Eu e o Lairton somos quase acrofóbicos, então imaginem a nossa coragem e o esforço para realizar cada passo. Atravessamos o viaduto com uma baixa no estoque de fraldas, mas conseguimos. Enquanto isso, nosso amigo Zé corria a nossa volta pendurava-se no viaduto e fazia de tudo para exibir sua desenvoltura nas alturas. Vencemos mais alguns túneis e viadutos até chegarmos ao famoso Viaduto 13, que nas placas é o V11. O bicho é grande mesmo, 143m de altura e 509m de extensão com um túnel em uma das extremidades. Apreciando a vista sobre o viaduto, encontramos Carlos e Henrique, dois funcionários da prefeitura de Dois Lajeados, que haviam descido a ferrovia a partir de Guaporé, verificando a denúncia de morcegos hematófagos nos túneis. Informaram-nos sobre os túneis longos e viadutos metálicos que ainda iríamos passar, incluindo o temível Mula Preta e um túnel de aproximadamente 2km. Deixamos os dois para trás e entramos no túnel no final do Viaduto 13, esse túnel tem uma abertura em arco com pilares em concreto. Essa janela permite que você passeie na face oeste da montanha, do alto despenca uma linda cachoeira. Um lugar realmente fantástico. Soltamos as mochilas e exploramos muito essa face, tiramos muitas fotos da cascata, tentamos descer até o vale pela queda d’água, encontramos até uma pequena caverna. Notei que o bico do pé direito da minha trilogia estava começando a descolar. Retornando a janela, fizemos um almoço rápido, que foi interrompido pela passagem de um trem com mais de 100 vagões, muito grande mesmo.Descobrimos que o trem empurra uma grande massa de ar pra fora do túnel quando entra, deixa um cheiro forte da queima de diesel e desloca muita fuligem. Começamos a pensar se em um túnel extenso e fechado, a passagem de um trem desse porte não deixaria o ar irrespirável por alguns instantes. Seguimos viagem, passando por alguns túneis de variados tamanhos até entrarmos no tal túnel de dois quilômetros. São aproximadamente 500m em curva para a esquerda e depois uns 1500m em linha reta. Nós só víamos uma luzinha brilhando lá no fim do túnel. De repente começamos a ouvir uma vibração crescente, mas a abertura do túnel continuava brilhando lá na frente. Olhamos pra trás e descobrimos que vinha um trem pertinho, foi aquele desespero tirando mochilas para cabermos os três em uma das cavidades de segurança na parede. Tapamos a boca com a camisa, mas felizmente o trem possuía apenas 4 vagões e passou bem rápido. Ficamos vendo ele sumir no escuro e depois reaparecer enquanto passava pela abertura do final. A dica é: fique atento e corra para as cavidades ao primeiro sinal de trem chegando, e, a propósito, os trens não buzinam antes de entrar nos túneis ou viadutos ao contrário do que muita gente diz. Nos túneis sem placa, você pode descobrir se são longos pelo cheiro de mofo que vem dele. Estávamos com um atraso no nosso cronograma, pois perdêramos muito tempo explorando os locais, e já tínhamos medo de não cumprir todo o trajeto até a noite da quinta-feira, por isso resolvemos continuar caminhando mesmo depois que a noite chegou. Percorremos em torno de 8km no escuro. A caminhada pelos pedregulhos da ferrovia é muito desgastante, e devido aos tropeços da caminhada no escuro, a sola da minha bota descolou até a altura dos dedos.Como não tinha SilverTape, atei com um cordão laranja o solado. Estou muito descontente com a Snake por isso, andei mais de 20km desse jeito. Passamos por vários locais que devem ser lindos, inclusive uma curva de rio em torno de um morro, que, no escuro me lembrou o Vale-da-Ferradura em Canela, mas não enxergávamos muita coisa. Percorremos um túnel de uns 800m com muitas exfiltrações e um cheiro de carniça insuportável até que, na saída dele, encontramos outro viaduto metálico. Lairton e eu achamos que seria muito perigoso atravessá-lo no escuro, mas havia uma casa muito próxima e os cachorros estavam malucos com a gente. Assim, combinamos que o Zé, que é mais desenvolto nas alturas, atravessaria o viaduto procurando local para acampar do outro lado e faria sinal de lanterna caso encontrasse. Vinte minutos depois, Zé retorna com a notícia, do outro lado só paredões. Acampamos ali mesmo sem cruzar o viaduto, ao lado do trilho, os 3 espremidos em uma barraca pra duas pessoas. Fizemos miojo nas espiriteiras e as pedras eram uma cama macia. Essa noite, passaram mais dois trens, mas o cansaço era tanto que nem abrimos a barraca, e o segundo só me lembro da luz. Estávamos a dois metros do trilho. Pela manhã da quinta-feira, levantamos acampamento e atravessamos o viaduto metálico. Abaixo dele, uma névoa tornava o cenário maravilhoso. Seguindo a caminhada, passamos por mais túneis e viadutos, bergamotas, canas-de-açúcar, até chegarmos ao temível viaduto número 17, sobre o arroio Mula Preta. Possui em torno de 110m de altura, 365m de extensão com plataformas de segurança a cada 35m. Mais um detalhe, nesse dia ventava um pouco demais pra o meu gosto. Quando cheguei ao outro lado, percebi que estava com as mãos e os dedos espichadinhos e caminhado como o Robocop. Não sabia que eu tinha tanto medo de altura. Continuamos a caminhada, e resolvemos parar e almoçar depois de um viaduto de concreto, onde uma estradinha cortava o caminho. Descansamos bastante, tomando mate e esperando o arroz com carne de soja ficar cozido. De sobremesa, comemos mais de 30 laranjas que catamos em um pé próximo, deixando uma pilha de cascas empilhadas ao lado do trilho como um troféu da comilança. Continuamos a caminhada, bem alimentados. Aquele era o último viaduto antes do final da nossa travessia. Passamos por um local incrível onde os engenheiros desviaram um córrego por baixo da ferrovia. Dinamitaram abrindo um túnel que lança a água do córrego uns 70 metros abaixo, passando por baixo da ferrovia e saindo no pé do morro. Percorremos mais alguns quilômetros de túneis e aterros até chegarmos à estação de Guaporé. Guaporé é muito perfeitinha. Acampamos no pátio do quartel da BM, e fomos pra estrada, na manhã seguinte, tentar carona de volta pra casa. Recomendo a caminhada, a região é realmente incrível, pretendo voltar lá um dia, pois fiquei com a sensação de que deixei de explorar mais alguns lugares. É isso aí pessoal, desculpem falar tanto. Um abraço e boas aventuras pra todos.
  14. A pedido dos participantes do fórum, posti aqui uma réplica do relato que fiz sobre a Travessia do Trigo que realizei nos dias 8 e 9 de Outubro de 2011. O material atualizado e original com todas as fotos e mapas se encontra no link abaixo: [align=center][t3]https://sites.google.com/site/fleckventura/ferrovia-do-trigo[/t3][/align] [align=right]Porto Alegre, 21 de Novembro de 2011[/align] [align=center][t3]O RELATO[/t3][/align] Tudo começou quando eu tinha por volta dos 12 anos de idade. Toda vez que eu ia aos meus avós eu escutava o trem passar pela ferrovia e me dava à maior vontade de ir lá ver como era aquele mostro barulhento. Meus avós, de origem italiana, moram a 30km de Bento Gonçalves, na Linha João Abott, em um lugar conhecido como Campinhos, fica entre Santa Tereza e Muçum. A Ferrovia do Trigo (EF-491), construída pelo exército brasileiro nos anos de 1970, passa bem próxima a casa deles, cerca de uns 500 metros subindo um morro em uma estradinha que só passam tratores e carroças. Quando estava lá, diversas vezes via ou escutava o trem passar, aquilo sempre me chamava a atenção, ver aquela baita coisa passando e puxando um monte de vagões de forma bastante imponente, é muito bonito de se ver e escutar. Certa vez fui caminhando até a boca de um túnel que existe próximo a casa dos meus avós e se aquele dia tivesse uma lanterna teria atravessado ele. Mas todas vezes que ia até lá nunca tinha ou quando tinha as pilhas estavam muito fracas. Aquilo sempre ficou na minha cabeça e sempre desejei atravessar aquele túnel para ver o que tinha do outro lado! Depois de muito tempo com aquilo em mente, levei uma lanterna para atravessar para o outro lado. Aquele túnel tem uns 300 metros de comprimento e é em curva, chega uma hora que a escuridão fica total e não se enxerga literalmente um palmo na frente do nariz! Senti bastante medo quando a escuridão ficou absoluta, estava sozinho e só escutava alguns ruídos não identificados e aquele barulho clássico de uma gota caindo em uma caverna. Dei graças a Deus quando vi a luz no outro lado do túnel e fui até lá para bater uma foto e ver o que tinha do outro lado, uma questão de orgulho e realização, pois do outro lado não tinha nada além do óbvio. Fiquei com muita vontade de seguir caminhando, a região é muito bonita, cheia de vales, muita mata nativa, cachoeiras e cascatas, mas acabei dando meia volta volver. Anos mais tarde, conversando com um amigo meu, fiquei sabendo que ele fez uma caminhada na mesma ferrovia, só que em um lugar diferente, um pouco mais ao norte. Contou-me como fez a chamada Travessia da Ferrovia do Trigo de Guaporé a Muçum com seus 22 túneis e 11 viadutos distribuídos em 50 quilômetros e achei aquilo legal demais, surgiu dentro de mim uma louca vontade de fazê-la também! Foi assim que começaram os preparativos. A maioria dos equipamentos eu já tinha, pois costumo viajar de moto e acampar, mas tive que pensar bem os imprevistos que poderiam estar me esperando e o que eu precisaria levar a mais, pois nunca tinha feito caminhadas tão longas e seria uma situação bastante diferente além do fato de ir sozinho. Abaixo segue uma tabela do que eu levei, com execessão da barraca. Marquei com um asterisco alguns equipamentos, que em minha opinião, são obrigatórios e não podem faltar, de maneira nenhuma, para quem planeja fazer a travessia. - Lanterna, com no mínimo 5 horas de independência * - Velas * - Isqueiro * - Clor-in ou purificador de água equivalente * - Filtro de café * - Calçados próprios para trekking * - Água 2 litros / dia * - Garrafa PET para armazenamento de água * - Saco de dornir * - Barraca * - Rede de descanço - Espiriteira * - Panela * - Álcool * - Prato e talheres * - Refeições de macarrão instantâneo com sardinha ou atum enlatados * - Refeições de comida liofilizada - Sal - Açúcar - Café em pó - Copo plástico descartável * - Pão caseiro * - Salame, charque ou qualquer outro tipo de carne para se armazenar em temperatura ambiente * - Chapéu * - Filtro solar * - Relaxante muscular adesivo - Papel higiênico - Escova de dentes e creme dental - CamelBak 1,5 litros - Toalha - Lona 4 x 4 metros - Binóculos - Canivete - Máquina fotográfica * - Celular para emergências - Mapa da travessia * [align=center] Preparativos[/align] Tendo os equipamentos em mãos restava agora definir uma data. Lendo relatos e conversando com meu amigo que já tinha feito a travessia fiquei sabendo que dois dias seriam muito pouco tempo e de fato é muito pouco tempo, então me programei para ir no dia 2 de Setembro, a empresa onde trabalho iria puxar a folga do dia 7 para segunda-feira, isso me daria o que eu precisava, três dias. Na véspera do dia 2consultei a previsão do tempo e eis que tenho uma surpresa, previsão de chuvas e temporais. Fiquei chateado, senti aquela sensação de quando gastamos muito tempo preparando uma coisa e ela não dá certo, mas calma, calma, não criemos pânico! Devido ao feriado do dia 20 de Setembro, dia da Revolução Farroupilha aqui no Estado do Rio Grande do Sul, a empresa adotou a mesma política de trazer a folga para segunda-feira. Nova data, dia 16 de Setembro. Um dia antes, novamente, consultando os entendidos do tempo, previsão de chuvas e temporais. Já era a segunda vez que tinha me programado para ir e não dava certo, resolvi então que no dia 8 de Outubro iria de qualquer jeito com chuva ou Sol, pois as últimas duas vezes não choveu quase nada e nem deu temporal nenhum, ninguém pode prever com exatidão a natureza. O feriado do dia 12 trouxe a folga para segunda-feira o que me dariam os três dias de que eu precisava. Como de costume, na véspera a previsão era de chuva, me lembro que deu Sol toda a semana e que no final de semana estava marcando tempo ruim, que raiva! A minha vontade era muito maior que qualquer chuvinha e fiz conforme havia programado. [align=center][/align] [align=center]Previsão de Temporais[/align] 8 de Outubro de 2011, Sábado. Saio de casa de moto as 04:45 da manhã, em direção a Muçum. Muçum fica a 160km de Porto Alegre. O trecho passa pela BR-386 e RS- 130 é todo asfaltado e em boas condições, existem 2 pedágios no caminho. [align=center][/align] [align=center]Saindo de casa as 04:45[/align] Cheguei em Muçum as 07:10, fui na média a 80 Km/h e não parei nenhuma vez. Quase chegando em Muçum peguei uma chuvinha de leve, só para molhar as pernas e pés, nada de mais. Fui direto para a rodoviária, ainda não sabia onde ia deixar a moto. Chegando lá e conversando com o Sr. José que cuida do boteco e rodoviária de Muçum, obtive autorização par a deixar a moto nos fundos. Sem flanelinha, sem estacionamento pago, sem preocupações. O ônibus que vai para Guaporé sai de Muçum as 07:50 e a passagem custa menos de R$10,00, o ônibus demora aproximadamente 1 hora e 15 min para chegar lá. O telefone da rodoviária de Muçum, para quem quiser maiores informações é: (51) 3755-1170. Chego em Guaporé em torno de 09:25, passei ao lado da ferrovia mas não desci, tinha que comprar pão e conseguir água antes de partir. No ônibus uma senhora me perguntou se eu estava indo no evento da Fórmula Truck que iria ter na cidade naqueles dias, eu nem sabia de nada respondi. Desci na rodoviária de Guaporé, passei em uma padaria que tem logo em frente para comer um pastel com café e comprar pão caseiro, salame, algumas balas de hortelã e também para me abastecer de água. Com tudo pronto e arrumado para partir começo a rumar em direção a ferrovia, atravessei quase toda a cidade caminhando, foi um erro não levar o pão e a água de casa pois poderia descer ao lado da ferrovia, ela passa bem ao lado do pórtico da cidade e o acesso é fácil. Começo de verdade a travessia as 10:30 no quilômetro 60 da EF-491, a Ferrovia do Trigo. [align=center][/align] [align=center]Iniciando a travessia[/align] Parei a 1º vez para pegar algumas ameixas que estavam de bobeira em uma árvore bem próxima aos trilhos, depois de descansar um pouco segui caminhando. Não existem muitas árvores frutíferas no caminho nessa época que eu fui, somente alguns pés de ameixeiras. Notei que existem muitos pés de goiabeiras que na época apropriada pode ser uma boa fonte de alimento e energia. Existem diversos pontos onde se pode pegar água em todo o trajeto. Pequenas cascatinhas, mangueiras que passam ao lado dos trilhos e caixas com água corrente que vem de cima de morros são comuns em todo o percurso. Água não é um problema, desde que tratada adequadamente. Eu usei Clorin, paguei R$12,00 uma cartela com 30 comprimidos, cada um pode ser misturado com 1 litro de água e aguardando 30 minutos á água fica potável. O primeiro dos 22 túneis é o de nº 24 no quilômetro 55,705 com seus 529 metros de comprimento. Aqui vale salientar o quanto é importante levar uma lanterna, pois no meio do túnel se experimenta uma escuridão TOTAL! [align=center][/align] [align=center]1º túnel[/align] O tempo estava nublado, não vi a cara do Sol aquele dia. Parei para almoçar exatamente ao meio-dia pois foi quando escutei o barulho de uma cascata. Quando coloquei a primeira garfada na boca começou uma chuvinha fraca, deixei tudo de lado e corri para pegar a lona que levei junto e colocar em cima das coisas, uma forte apreensão se abateu, será que ia começar a chover o dia inteiro? Será que dessa vez os entendidos teriam acertado? Novamente não, foram só algumas gotas. Demorei mais ou menos 1 hora para preparar, comer e limpar as coisas, segui em frente sem chuva. [align=center][/align] [align=center]Cascata do 1º almoço[/align] Às 13 horas estava caminhando novamente. Não tem nada de interessante ou que mereça algum comentário do trecho de Guaporé até onde eu estava no momento, na verdade estava começando a me arrepender pois não tinha visto nada de mais em todo o percurso a não ser algumas quedas de água e trilhos de trem. Essa sensação mudou no momento em que cheguei no Viaduto Mula Preta, aí sim o bicho pegou! [align=center][/align] [align=center]Viaduto Mula Preta[/align] Até o momento não tinha passado nenhum trem por mim e nenhum passou naquele dia. Demorei mais de 15 minutos para atravessar o viaduto, foi bastante complicado, o peso nas costas e o espaço entre os dormentes onde se enxerga lá no fundo o chão me fizeram embaralharem os olhos e às vezes era necessário parar um tempo e recuperar a visão para poder continuar. Estava apreensivo e tenso pois poderia vir algum trem quando eu estivesse bem no meio do viaduto e ser obrigado a saltar para os refúgios que depois de 40 anos não me pareciam muito confiáveis e deveriam balançar bastante caso algum trem passasse em cima do viaduto. Após algum tempo caminhando em cima dos dormentes meu deu uma sensação de que estava empurrando a Terra com os pés e não estava saindo do lugar, muito engraçado! Deve-se tomar muito cuidado entre os passos para não cometer erros, não existe a possibilidade de cair lá em baixo mas se caso errar uma passada é bem provável que se torça um pé ou até quebre uma perna pois o pé irá cair direto pro fundo. Aquele trecho da ferrovia é o mais emocionante de todo o trajeto em minha opinião. Fortes emoções! A noite se aproximava e eu ainda não tinha um lugar definido para armar o acampamento. Tinha levado somente uma rede, saco de dormir e uma lona para proteção da chuva, optei por não levar barraca por causa do peso. O primeiro problema foi arranjar duas árvores próximas o bastante para armar a rede, eu achei que seria bastante fácil devido a existir milhares de árvores na região, mas encontrar duas árvores com a distância certa e em um local sem muito mato foi difícil. Depois de algum tempo procurando achei duas árvores com a distância perfeita e com o chão limpo, sem mato. Logo surgiu outro problema, aonde amarrar a rede se não tinham galhos? As árvores tinham galhos somente em uma altura em não era possível amarrar a rede. Pensando nessa situação levei dois pregos para pregar na árvore caso isso acontecesse. Achar uma pedra para pregar não foi difícil, coloquei o prego na altura certa e encaixei a argola da rede neles, perfeito. Foi quando deitei em cima para ver se ela ia aguentar meu peso e cai com rede e tudo no chão! Eu estava praticamente no meio do caminho, e sabia que existia uma estação abandonada não muito longe dali, mas o tempo era curto, já eram 18:00 passadas e o Sol começava a se esconder atrás dos morros. Resolvi que iria usar a lona para fazer uma barraca improvisada e dormir no saco de dormir, não me restava outra solução. Arranjei um lugar e fui atrás de lenha para fazer fogo, ao lado dos trilhos existia uma estradinha , alguma coisa me chamou para andar naquela direção e para minha surpresa achei uma casa abandonada de 2 pisos, aquela era a minha salvação. [align=center][/align] [align=center]Casa abandonada onde dormi[/align] Entrei na casa para verificar as condições e logo percebi que seria um ótimo local parar passar a noite. Armei minha rede no segundo andar da casa e fiz uma fogueira para passar a noite. [align=center][/align] [align=center]Rede armada[/align] Madeira não é problema, existem muitos dormentes que são substituídos pela equipe de manutenção ao longo de toda ferrovia e em vários locais. Os dormentes servem muito bem como lenha para a fogueira, tem alguma coisa naquela madeira que faz com que ela pegue fogo muito facilmente e fiquem horas e horas queimando. !!! IMPORTANTE !!! É EXTREMAMENTE perigoso fazer fogueira com os dormentes encontrados na ferrovia [align=center][/align] [align=center]Fogueira[/align] Cometi um gravíssimo erro de fazer a fogueira em baixo da estrutura de madeira da casa, não achei que aquilo seria um problema e até certo momento não foi. Depois de ter jantado e de horas na frente do fogo resolvi ir dormir, a fogueira já estava somente em brasas e não fornecia mais suas mais chamas tão confortantes em noites solitárias. Assim que me deitei na rede, PÃÃÃM! Caio direto no chão, o nó que eu dei nas madeiras do teto da casa não foram muito bons. Fiquei uns 15 minutos tentando amarrar de uma forma que eu não caísse mais e depois de muitas tentativas achei uma maneira de amarrar a rede para que ela não desabasse novamente. Não tinha a mínima noção de dar nós, quando dependemos muito de algo damos um jeito, aprendi na marra. Quando deitei não me senti muito confortável, a rede era muito pequena e ficava muito curvada, não foi uma posição muito agradável para se dormir, mas era isso que tinha. O silêncio era tanto que escutava meu coração batendo e meu nariz puxando e soltando o ar, demorei para me acostumar com aquilo mas logo pego no sono com o ruído da chuva batendo no telhado. Lá pelas tantas, acordo tossindo e escuto um barulho muito estranho, parecido com vento. Notei que o ar estava diferente, meio enevoado e quando olho para os lados levo um grande susto, o piso da casa estava pegando fogo bem atrás de mim! Levantei em um pulo e fiquei parado, sem saber o que fazer por uns 5 segundos que mais pareceram uma eternidade. Nesses 5 segundos se passaram diversas cenas em pensamentos pela minha cabeça. Primeiramente venho aquele pensamento: “Puta que pariu! O que eu vou fazer?!” Não sabia se pegava minhas coisas e saia correndo, se não pegava nada e salvava minha vida, se tentava apagar o fogo, se tinha como apagar o fogo, como ia apagar o fogo, se valia à pena apagar o fogo, a merda que podia dar se deixasse a casa toda pegar fogo, o que eu estava fazendo parado se tinha que fazer alguma coisa e outros tantos que não me recordo. Depois da avaliação instintiva resolvi que ia ao menos tentar apagar o fogo, peguei a água que tinha tratado no dia anterior para consumo e joguei em cima do fogo onde as chamas eram maiores. Saiu muita fumaça e tive que sair do foco do incêndio, pois não conseguia mais respirar e nem abrir os olhos. Assim que me recupero olho para o fogo e noto que ele diminuiu bastante, volto com mais água e finalmente consigo controlar as chamas. Depois que gasto toda a água pego algumas madeiras do chão e abafo o restante das chamas que restaram. Para minha sorte consigo controlar o incêndio e abro as janelas da casa, não conseguia mais respirar direito de tanta fumaça. Paro para avaliar os estragos, nada de muito grave, somente algumas partes do teto da casa queimadas. Cometi o grande erro de fazer a fogueira em baixo da estrutura da casa, em uma espécie de garagem, em cima tinha o segundo piso onde dormi, na parte que prendeu fogo não tinha piso, somente uma espécie de placas de conglomerado de madeira. Nem me passou pela cabeça que aquilo poderia causar algum problema. Eu estava bem, não tinha perdido nada, somente gasto toda a água que tinha tratado para consumir no outro dia. Volto a dormir na minha rede desconfortável. [align=center][/align] [align=center]Fogo na casa![/align] 9 de Outubro de 2011, Domingo. Acordo com a buzina do trem, era o primeiro que ia passar desde que comecei a caminhada, espio pela janela do meu quarto improvisado ele puxando seus vagões. Preparo o café com o pouco da água que restou dentro do CamelBak, coloco alguns relaxantes musculares em formato adesivo nas costas e do lado do quadril, ajeito minhas coisas e saio a caminhar novamente. Mal começo a caminhar e os pés começam a doer na sola, tinha que caminhar mais de 30 quilômetros ainda e achei que aquilo seria o meu maior problema e realmente foi. Depois de uns 15 minutos caminhando passo pela estação abandonada de Dois Lajeados, um lugar muito bom para se acampar também. Fica praticamente no meio do caminho. O dia está limpo e com uma temperatura agradável, nem muito quente e nem muito frio. Sigo em frente parando as vezes para bater algumas fotos, as vezes para aliviar o peso da mochila das costas e descansar um pouco. Entro em mais um dos túneis, a essa altura já não sabia quantos já tinham passado e nem qual era o seu número pois a partir de Dois Lajeados as placas que identificam os túneis com seu número e extensão não existem mais, elas só voltam a aparecer em Muçum. A cerca de 100 metros da saída escuto uma buzina muito forte,era o trem chegando! Corro para um refúgio e por minha sorte aquele tinha uma saída para o exterior do túnel, fazendo com que a claridade da rua entrasse para dentro do túnel e se enxergasse melhor. Assim que o trem entra no túnel o barulho aumenta muito e surge um forte vento. Eu achava que aqueles refúgios eram somente frescuras e que não precisava entrar neles quando o trem fosse passar. Estava errado! Ainda bem que entrei, pois a máquina do trem passa muito próximo as extremidades do túnel, se não entrasse ele me levaria. Esse foi o único que vi passar ao meu lado, o movimento de trens estava bastante fraco naquele final de semana. [align=center][/align] [align=center]Trem passando dentro do túnel[/align] Quando sai do túnel, notei que o Sol já estava bem em cima da cabeça. Escutei um barulho de água e a minha esquerda vejo que existe uma pedra saliente formando um muro de uns 2 metros, atrás do muro tinha uma entrada para a selva e era dali que aquele som vinha. Me lembrei nos relatos que li que tinha um lugar onde existia um desvio do curso da água por baixo dos trilhos. [align=center][/align] [align=center]Desvio d'água[/align] Era por volta do meio dia e decidi que iria fazer o almoço ali mesmo, um lugar perfeito. Preparei um macarrão instantâneo, misturei com uma porção de comida liofilizada de arroz com legumes e frango e para deixar o prato com mais sustância misturei uma lata de atum. Depois de alimentado lavei a louça e em seguida me deu aquele sono mortal que dá depois do almoço. Sentei encostado em um murinho com a cabeça em pé e não demorou muito para começar a pescar, apoiei a cabeça nas pernas e não me lembro de mais nada. Acordei apavorado, achando que tinha dormido por muito tempo, mas verificando o relógio vejo que cochilei por exatos 30 minutos. Um túnel antes do Viaduto do 13 escuto vozes de pessoas. É engraçado como nós ficamos com o pé atrás em lugares onde não existe muita gente, deveria ser ao contrário. Um pouco antes parei para escutar o que estava acontecendo em frente e percebo que eram apenas um grupo de turistas que vieram a ferrovia para tirar algumas fotos. Quando me aproximo mais dou um grito de cumprimento para avisar que estou chegando estilo: “Ooopa”! Eles fazem uma cara de espanto por ver aquele extraterrestre vindo da escuridão cheio de coisas penduradas, na verdade acho que eles não viram nada além da luz da minha lanterna. Quando me aproximei mais eles partem em retirada, não me perguntaram nada e eu não disse mais nada também. Às vezes olhavam para trás enquanto caminhavam para fora do túnel e cochichavam algo que não podia entender. [align=center][/align] [align=center]Túnel antes Viaduto 13[/align] Caminho mais 10 minutos e a cerca de 300 metros a minha frente avisto um grupo de três pessoas caminhando na mesma direção que eu. Achei que estavam fazendo a travessia também, mas analisando melhor seus equipamentos percebi que só estavam dando uma volta por ali pois não carregavam quase nada, somente uma mochila pequena. Tentei apertar o passo para ver se os alcançava, mas pouco me aproximava, às vezes eles olhavam para trás, mas sempre caminhavam em frente sem parar. Depois de mais de 30 minutos caminhando e tentando os alcançar, já estava a mais ou menos uns 100 metros de distância dou um grito: “Peraííí!” Eles me aguardaram na saída de um pequeno túnel. Aproximo-me com um: “Opa, tudo bem?” Ismael, uma garota e um guri que não me lembro mais seus nomes vieram até ali pois um pouco mais a frente existia um viaduto do estilo do Mula Preta, somente os dormentes para se pisar. Seguimos juntos até lá conversando, ficavam me perguntando um monte de coisas a respeito do caminho e dos equipamentos que eu carregava. Trocamos contatos, tiramos umas fotos juntos, eles de mim e eu deles e se despedimos, me desejaram boa caminhada. [align=center][/align] [align=center]Foto com a gurizada[/align] Desse ponto em diante meus pés estavam doendo muito e eu não caminhava mais, estava me arrastando, pisando de dormente em dormente para evitar as britas. O calor estava muito forte, olhando minhas reservas de água e fazendo um cálculo mental rápido de consumo percebi que deveria começar a racionar, pois se continuasse com o mesmo consumo andaria mais 2 quilômetros e minha água acabaria, estava tomando 3 goles a cada 200 ou 300 metros, reduzi para 5 goles a cada quilômetro. Faltavam mais de 10 quilômetros para chegar em Muçum. Eu não pensava em mais nada, só me arrastava para frente, entrei em transe. Não sei quanto tempo depois, pois perdi a noção do tempo nesse último trecho, escuto um trovão forte. Olhei para cima e enxerguei nuvens escuras, os raios e trovões eram tantos que fiquei com medo achando que se algum raio caísse muito próximo a mim poderia ser afetado por estar caminhando no meio dos trilhos, e se caísse um em cima dos trilhos com certeza iria me afetar, os pensamentos ficaram muito criativos naquelas horas. A chuva e o vento foram bastante fortes, uma típica bomba d’água. Eu carregava uma lona preta que serviu como proteção para chuva. Tentei bater algumas fotos, porém estava com as mãos ocupadas segurando a lona e quando tentei achar um jeitinho a lona virou um embrulho. [align=center][/align] [align=center]Temporal[/align] A bomba d’água não durou mais de 30 minutos e logo que parou o Sol voltou deixando a paisagem mais bonita. Dei graças a Deus por não fazer tudo aquilo e ser recepcionado com chuva forte na chegada em Muçum. [align=center][/align] [align=center]Trilhos com Sol[/align] Mais um tempo de caminhada e avisto a estação abandonada de Muçum e ao longe o viaduto que corta a cidade. Faltavam não mais de 3 quilômetros para completar a caminhada e fazendo alguns cálculos rápidos noto que chegarei lá no final do entardecer. Neste último trecho não pensava em mais em nada, só onde ia ser o meu próximo passo. Os pés doíam tanto que a cada passada que dava mudava minha expressão facial, realmente doíam muito! Estava também sentindo uma dor muito incômoda onde o fêmur encaixa no quadril, cada passada era um estalo, as costas, para minha surpresa não estavam doendo muito, talvez pelo fato de no início daquele dia ter colocado alguns relaxantes musculares. Quando chego próximo ao viaduto de Muçum, não me seguro e começo a derramar algumas lágrimas, não sei por qual motivo, me deu uma sensação estranha que não sei explicar com palavras. Paro um dormente antes do início do viaduto e fico ali um tempo, relembrando de todos os acontecimentos que tinha passado, até que então resolvo dar o primeiro passo. O sol já tinha se escondido atrás dos morros dando uma coloração diferente ao local. [align=center][/align] [align=centerViaduto de Muçum[/align]Atravessei o viaduto e cheguei a boca de mais um túnel, foi então que notei que não tinha por onde descer, teria que voltar. Mas procurando um pouco melhor achei um local no meio do mato com um declive bem acentuado e escorregadio por conta da chuva que tinha caído, que saia no pátio de uma casinha simples. Quando comecei a descer apoiei o pé em uma pedra e ela rolou barranco a baixo caindo em cima de umas telhas e fazendo o maior barulho, o dono da casa saiu para ver o que estava acontecendo e se deparou comigo. Eu prontamente falei: “Ooobaa, tudo bem?” e ele me olhando com uma cara estranha não falou nada, só saiu da casa e abriu a porteirinha no seu pátio para eu sair de uma vez. Não conseguia mais caminhar, estava literalmente com os pés arrastando, mudava a expressão facial a toda nova pisada. As pessoas me olhavam de uma maneira estranha. Eu só queria chegar a algum hotel comer alguma coisa e dormir. Na minha frente caminhavam uma senhora, uma menina e uma criança, as vezes olhavam para trás e cochichavam algo que não podia escutar. Parei para lavar as mãos em uma poça de água, pois estavam todas embarradas devido ao barranco que tinha descido logo atrás. Quando me aproximo mais, mesmo me arrastando estava caminhando um pouco mais rápido, chuto uma poça d’água sem querer e molho elas, alguém olhou para mim e falou alguma coisa em tom de xingamento, eu nem olhei para o lado. Segui em frente. Cheguei a um posto de combustível para pedir informações de um lugar para passar a noite e fui indicado para ir ao Hotel Marchetti, mais algumas quadras e chego em frente ao hotel mas ao olhar para o lado, a primeira coisa que enxergo é uma máquina de sorvete da marca Italianinha na fachada de um barzinho, meu corpo trocou de lado quase que instintivamente indo em direção a macchinetta! No bar estavam sentados um senhor e uma senhora, o senhor prontamente venho para me atender. Pedi um cascão sabor misto com cobertura de chocolate e ao largar as tralhas na mesa e iniciar a degustação do meu sorvete começamos uma conversa que viraria uma amizade, contei a eles o que tinha feito, os dois ficaram com certa dúvida se acreditavam em mim, dúvida esta logo desfeita depois de mostrada as fotos. Depois de algum tempo conversando, o senhor de nome Lucca, falou para eu cuidar do bar pois ele ia jantar. Assim que ele volta eu comento: “Bah! Mas que cheirinho bem bom de polenta brustolada!” E ele: “Tu quer que eu peça pra mãe fazer um prato pra ti?” Sem pensar muito eu retruco: “Mas bah!”. Ainda por cima ele pega uma Coca-Cola e me traz na mesa por conta da casa. O prato Ficamos bastante tempo conversando, o Sr. Lucca, é filho do dono do antigo frigorífico que existia em Muçum, atualmente em ruínas. Decretaram falência devido à inflação do início dos anos 90. E de fato, conforme uma pesquisa que fiz, do ano 1990 a 1994 o Brasil teve uma taxa de inflação média anual de 764%. (Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Infla%C3%A7%C3%A3o#Hist.C3.B3rico_do_Quadro_Inflacion.C3.A1rio_no_Brasil) Hoje ele está com uma fábrica do mesmo ramo quase pronta em uma cidade perto de Bonito em Mato Grosso do Sul. Vai para lá de tempos em tempos para resolver as últimas burocracias com o Ministério da Saúde antes de iniciar suas operações. As horas voam, já são quase 22:00 horas e tenho uma leve impressão que ele não quer mais continuar com o papo, então me despeço e vou para o hotel logo em frente. Entro no quarto, largo as coisas no chão e deito na cama para descansar um pouco, acordo somente no outro dia pela manhã. Desci para tomar um belo de um café, paguei a estadia que ficou em R$30,00 e fui em direção a rodoviária pegar a moto para voltar para casa. Porto Alegre, 1º de Novembro de 2011.
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