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Monte Roraima - Manaus - Santarém - Macapá - ilha de Marajó - Belém em 44 dias (com fotos!)


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Parte 1: Monte Roraima

 

Saí do Rio com destino a Boa Vista no dia 11/03/2010. Conhecer a Amazônia era um sonho antigo e resolvi ir para lá nas minhas primeiras férias remuneradas. Ajudou o fato de eu ter uma amiga morando em Novo Airão (AM) e um amigo morando em Santarém (PA). Seria perfeito passar férias pela região e aproveitar para visitá-los. Decisão tomada, comecei a buscar coisas legais para fazer. E subir o monte Roraima rapidamente se tornou o meu primeiro objetivo. Marquei a data da viagem e comecei a planejar. Não foi muito fácil: quantos dias? empresa venezuelana? empresa brasileira? Tentei diversas alternativas e acabei optando pelo pacote de oito dias da empresa Roraima Adventures. Saiu mais caro, mas eu estava viajando sozinha e as empresas venezuelanas nem sequer respondiam aos meus e-mails! Com as férias contadas, fiquei com medo de esperar em Santa Elena por uma semana e não conseguir fechar um grupo para o trekking de oito dias. E assim fui... e foi fantástico! :-]

 

Não tivemos muita sorte com o tempo... pegamos muita chuva, muita neblina, muuuito frio, muitos ventos cortantes... e pouco sol e tempo aberto para aproveitar as paisagens. Mas ainda assim valeu muito a pena!!! É lindo, lindo, lindo! Alguns detalhes:

 

O tepuy: o monte Roraima faz parte de um grupo de montanhas formadas por arenitos muito antigos e que têm o topo achatado, conhecidas na Venezuela por tepuys. Essas montanhas são algumas das formações rochosas mais antigas da crosta terrestre: têm mais de dois bilhões de anos e assistiram ao reinado dos dinossauros e à separação entre a África e a América, por exemplo. Muito mais recentemente, despertaram a curiosidade de desbravadores e pesquisadores, que acreditavam que elas poderiam ter diamantes e animais pré-históricos em seus topos. O Roraima se tornou o mais desejado dos tepuys, talvez pelo seu tamanho, talvez porque seja o único que fica localizado parte na Gran Sabana venezuelana e parte na floresta Amazônica. Foram necessários quase 300 anos para que o primeiro europeu chegasse ao topo - feito atribuído ao botânico inglês Everard Im Thurn, que descobriu a rota pelo Passo das Lágrimas em 1884. Esta é a única rota que pode ser feita a pé, embora existam outras para quem se aventurar a escalar o paredão, e o acesso a ela se dá pela Venezuela. Os relatos de Im Thurn inspiraram Conan Doyle a escrever O Mundo Perdido, história comumente associada ao tepuy. O desenho Up também se passa no topo do Roraima e evoca os tais seres pré-históricos que nunca foram encontrados, embora o monte seja o habitat de muitas espécies de plantas e animais curiosas e raras, a exemplo dos sapinhos e das numerosas plantas carnívoras. Existem também diversas lendas indígenas associadas ao tepuy. A mais bela delas, em minha opinião, conta que toda a região era verde e tinha comida em abundância. Um dia, uma árvore sagrada e repleta de frutos maravilhosos brotou no centro da aldeia. O índios não podiam tocá-la, mas alguém cortou a árvore na tentativa de alcançar seus frutos. Eles então caíram em direção à floresta Amazônica, inacessíveis, e do toco jorrou tanta água que os nutrientes da terra foram lavados, tornando-a estéril. O Roraima seria o toco da árvore sagrada cortada, que até hoje verte água e lembra aos pémons, obrigados a viver nessa terra seca como castigo, o crime cometido. O Roraima também é considerado a casa do deus Macunaíma, que teria sido gerado num encontro entre o sol e a lua sobre o Lago Gladys.

 

O grupo: éramos em 11 pessoas + 3 guias e/ou ajudantes e vários carregadores pémon. O grupo foi formado pela própria empresa e poucas pessoas se conheciam. Em geral, todos muito gente boa! Sempre tem um chato, claro... e vários que reclamam demais do frio, do cansaço, da comida, das bolhas...! Mas conheci pessoas muito muito legais também! Como uma senhora de 68 anos, que deu um super exemplo de como a idade está mais na cabeça da gente do que no corpo e subiu o Roraima sorrindo pela segunda vez! E o nosso guia, que segurou a onda das chatices alheias exemplarmente e por cujos sonhos eu me apaixonei em "siete días y medio".

 

O trekking: oito longos dias de caminhada! Contamos mais de 100km percorridos no total e mais de 1000m de desnível vencidos num só dia!

 

No primeiro dia, saímos da aldeia indígena de Paraytepui e caminhamos os 14km até o acampamento do rio Tek. Subidas e descidas, sol na cabeça, pernas desenferrujando... mas tranquilo! No segundo dia, caminhamos entre o Tek e o acampamento base. Para mim, foi o pior de todos os trechos: 9km subindo e subindo, com um sol de rachar mamona e quase nada de água pelo caminho... parecia que o acampamento base não chegava nunca! Mas chegou e pude tomar um banho completo e até lavar minhas roupas na água mais gelada de todo o trekking. Mais tarde, assistimos de camarote a um deslumbrante pôr-do-sol no Kukenan, que compensou qualquer coisa! :-] Difícil acreditar que o Kukenan, tepuy vizinho ao Roraima, seja realmente seu pólo negativo, como acreditam os pémons. O fato é que ele é muito mais perigoso e é proibido subir ao seu topo, que têm uma grande quantidade de fendas que já mataram várias pessoas.

 

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O primeiro dia de caminhada: Kukenan e Roraima no horizonte

 

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Pôr-do-sol no Kukenan: prêmio pelo segundo dia de caminhada

 

No terceiro dia, a grande subida: uns 800m de desnível montanha acima. É íngreme, mas pegamos tempo fechado e o Passo das Lágrimas é tão tão lindo que o esforço fica até meio esquecido. E chegamos! O topo do Roraima, finalmente! Lá em cima, muita neblina! Tomamos um banho gelaaado nas jacuzzis e depois fomos andando debaixo de chuva até o hotel Guácharo. Por causa do frio, esse pareceu o trecho mais longo do dia! Foi reconfortante ver que os nossos carregadores já tinham chegado e preparado uma bebida quentinha pra gente. Bom demais!

 

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O paredão visto de cima no primeiro dia de topo

 

No quarto dia, saímos do Guácharo em direção ao hotel Coati e, no caminho, passamos pelo rio Arabopo, pelo vale dos cristais, pelo ponto tríplice, pelo rio Cotingo e pelo rio Kako. 14km de paisagens deslumbrantes, apesar do tempo fechado. Comecei a achar que a parte mais bonita do monte Roraima fica para lá da fronteira entre Venezuela, Brasil e Guiana. O vale dos cristais e o ponto tríplice são comparativamente sem graça. Já os rios Arabopo e Kako são maravilhosos! Dormimos meio mal no jardim de inverno do hotel Coati, já que os salões estavam ocupados por um grupo de alemães que servia de apoio para outro grupo, que estava abrindo uma rota de escalada pela parede na região da proa. Ficamos apertados, mas o mais desagradável foi conviver com a luz, a música e o barulho dos geradores que eles tinham. Uma pena não poder aproveitar o sossego do lugar!

 

No quinto dia, fomos para o Lago Gladys e a proa. Fantástico! O caminho para a proa só foi desbravado em 1973, é complicado e só pode ser feito usando algum equipamento. Até hoje, poucas pessoas vão até lá. Meu guia já havia subido o Roraima mais de cem vezes e tinha ido até a proa apenas treze. Um dos guias auxiliares não conhecia o caminho. Nós não tínhamos levado equipamento, mas os tais alemães tinham deixado as cordas passadas. O Leo decidiu aproveitar, mas disse que nem todos poderiam ir e convidou apenas algumas pessoas. Os outros desistiram quando chegamos perto da primeira corda e começou a chover. Eu queria muito ir, mas meu corpo se recusava a pular os primeiros cerca de dois metros pedra abaixo. E como subir depois? E como seria o resto do caminho? E se eu escorregasse e caísse no lugar errado? O Lee insistiu e me convenceu quando disse: “Senta!” Eu sentei. E ele: “Agora você já molhou a bunda, que é a pior parte. Pula logo!” Pulei e fui. Não foi fácil porque só tínhamos as cordas, mas, com uma mãozinha dos guias aqui e ali, cheguei. E as nuvens abriram... a floresta lá embaixo, a cachoeira do rio Kako, o paredão...! Foi fantástico! Mesmo! :-] Na volta, pegamos chuva forte perto do Lago Gladys. As quedas d’água que se formaram tornaram o lago ainda mais impressionante. Mas ficamos encharcados e algumas pessoas passaram a sofrer de frio! Minha jaqueta impermeável aguentou o tranco, mas eu não estava de calça impermeável e minha bota alagou por cima. Ela só foi secar no último dia da viagem e nunca mais foi a mesma.

 

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O topo

 

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Vista da proa, a fantástica cachoeira do rio Kako desce pelo paredão

 

Depois de mais uma noite meio desconfortável no Coati, começamos a voltar no sexto dia. Passamos pelo Fosso no caminho para o hotel Guácharo e pegamos muita chuva, mas chegamos com sol ao hotel. As nuvens abriram e pudemos ver a cachoeira recém-criada do Kukenan... ela não é permanente, mas é considerada a segunda maior do mundo! Linda! E depois ainda fomos tomar mais um banho nas jacuzzis e subimos o Maverick. Lindoo lá de cima! É o ponto mais alto do tepui, com 2734m, e foi certamente um dos lugares mais bonitos que visitamos. A trilha para o topo é fantástica... a vegetação é impressionante!

 

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Teodoro

 

E, por fim, o sétimo e o oitavo dias foram de descida. No sétimo, descemos tudo o que havíamos subido em dois dias e fomos até o rio Tek. Muito cansativo, especialmente para os joelhos! Dois integrantes do grupo desistiram e pediram que um carro fosse buscá-los no Tek mesmo, pois não aguentavam mais caminhar. Os outros percorreram os quilômetros finais no oitavo dia, com muitas subidas que não lembrávamos que existiam. Mas chegamos todos bem! Depois, parada pro almoço, troca de carros em Santa Elena, fronteira e uns 200km até o Brasil...!

 

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A descida do Passo das Lágrimas

 

Acreditem se quiserem, mas depois do soninho reparador na van e de um bom banho no hotel, ainda tive forças para sair para jantar e conhecer a noite em Boa Vista! :-]

 

O preço: R$2500,00, incluindo duas noites de hotel em Boa Vista, transporte desde Boa Vista, comida, barraca e carregadores para todas as coisas de uso coletivo e as barracas.

 

A comida: não era excelente, mas, na trilha, era ótima! Especialmente as arepas e domplins do café-da-manhã, preparados na hora pelos nossos carregadores, além das bebidas quentes para afastar um pouco o frio. Sou vegetariana e não levei nada além de umas barrinhas de cereal... os guias prepararam comida separada para mim sempre que foi preciso. Mas muita gente reclamou, especialmente do excesso de gordura. Recomendo que as pessoas subam informadas a respeito do cardápio e levem comida extra, se acharem necessário.

 

Frio: morei muitos ano no sul do país e achei que não sofreria muito no Roraima. Mas me surpreendi: faz muito frio!! Especialmente durante a noite. Recomendo que o saco de dormir seja adequado para temperaturas próximas de zero e que as roupas para a noite no acampamento sejam realmente quentes.

 

Banho e banheiro: padrão super luxo! :-] Rola tomar banho todo dia, com água à vontade. Recomendo sabonetes e xampús biodegradáveis... o tepuy merece cuidado! E o banheiro é quase o de casa, para padrões de acampamento. Banquetinha com buraco, saco de lixo encaixadinho... pude fazer o número dois sentada! E os pobres carregadores ainda levaram a caca embora depois.

 

Dificuldade da caminhada: não é exatamento uma moleza, mas eu trabalho em escritório, sentada o dia todo, e dei conta numa boa. Acho que o preparo psicológico é bem importante, já que são de seis a oito dias de caminhada. É preciso gostar e estar com disposição pra encarar chuva, frio e pernas doloridas. Algumas pessoas que foram comigo não pensaram bem na duração do trekking e já estavam querendo voltar no quarto dia.

 

Uma observação: por incrível que pareça, apesar de todo o turismo que o Roraima atrai, a adeia de Parytepui é bastante pobre. Um dos carregadores subiu conosco e encarou o mesmo frio que eu com duas camisetas de manga curta - e só! E não pensem que é porque eles estão acostumados: é frio de verdade para qualquer um! Então recomendo, a quem puder, que doe roupas e calçados adequados aos indígenas. Com "adequados" quero dizer roupas impermeáveis, fleeces, botas de trekking etc. Na aldeia é muito quente e ninguém precisa de roupas velhas que molhem nas chuvas constantes do tepuy. Mas, se alguém tiver uma jaqueta impermeável mais surradinha sobrando, vale levar junto e doar ao seu carregador. Esse tipo de equipamento é caro e pode contribuir para que eles tenham uma vida muito melhor!

 

Parte 2: Manaus e arredores

 

Passei mais alguns dias em Boa Vista, imersa em uma crise pessoal: tinha planejado viajar para Presidente Figueiredo em seguida, que fica a caminho de Manaus pela BR-174. Mas estava cansada depois dos oito dias de trekking e da balada não planejada que rolou logo na chegada à cidade. Então decidi dormir mais uma noite por lá. Nesse meio tempo, as pessoas do grupo foram embora e de repente perdi a vontade de continuar viajando sozinha. Fiquei sentada na beira do rio Branco, sozinha, e me bateu uma angústia terrível. Precisei mudar de hotel, acabei ficando com dor de garganta e tive uma noite horrorosa, com febre e tudo. No dia seguinte, decidi que precisava de colo e queria ir direto para Novo Airão, mas não consegui falar com a Iasmina, que estava trabalhando em campo e só me esperava uns dias depois. Passei mais um dia e uma noite me sentindo péssima, sozinha, tentando falar com a Iá e “brigando” com a internet e os correios de Boa Vista. A cidade é linda, limpa, segura, as pessoas são super bem educadas e muito bonitas também... mas a internet simplesmente não funcionava em lugar nenhum e os correios estavam sem sistema! Só fui viajar na quarta noite depois do Roraima. Foi um tempo de viagem que depois lamentei ter perdido, mas...!

 

Os ônibus para Manaus são das empresas Eucatur ou Amatur, custam cerca de R$100 e saem às 9, 18, 20 e 21h. A viagem durou 14h e foi tranquila. Durmo bem em ônibus e mal vi o tempo passar – muito menos a reserva Waimari Atroari e o lago da hidrelétrica de Balbina. De Manaus para Novo Airão foi um pouquinho mais sofrido: mais seis horas no ônibus, desta vez durante o dia.

 

Em Novo Airão, aproveitei para descansar (mais) um pouco, recuperar a cabeça, mandar notícias para todos por e-mail e colocar o papo em dia com a Iasmina. Fiquei quase uma semana. Comi muita castanha com cupuaçu e “din-din” de açaí, ajudei a dar o primeiro banho na Tapioca, a cachorrinha recém-adotada da Iá (e também o segundo, já que no dia seguinte ela rolou num camundongo morto) e conheci o pouco que há na cidade.

 

Uma das coisas mais legais é o artesanato – foi lá que vi as coisas mais bonitas de toda a viagem. Me apaixonei por um baú da associação dos artesãos (que obviamente tive que deixar por lá), uma rede feita pelos Waimiri Atroari (que também acabei deixando para trás) e por todo o artesanato em madeira feito na Fundação Almerinda Malaquias (trouxe uma canoa – o primeiro barco da minha coleção! – e um pirarucu lindos). Vale a pena passear por lá! E prestar atenção no trabalho desta Fundação, que realmente merece reconhecimento.

 

Mantive as esperanças de conhecer o Parque Nacional Jaú até o fim, mas não rolou. As viagens a partir de Manaus estavam muito caras para o meu bolso e o guia da cidade estava com viagem marcada com um grupo fechado nesses dias. Tem vários barqueiros pela cidade que levam as pessoas para conhecer as Anavilhanas, mas o preço não é menor do que o das empresas de Manaus: de R$50 a R$65 por hora! Eles levam até quatro pessoas, mas eu estava sozinha e sem ninguém para dividir os custos, então desisti.

 

Comprei minha rede e fui fazer o passeio para o mirante e as grutas do Madadá, no final de semana. O rio Negro e o arquipélago das Anavilhanas são simplesmente fantásticos! O rio chega a ter 25km de largura nessa região, as águas são absolutamente negras e se transformam num espelho da mata ao redor sempre que o vento dá uma trégua. Saímos no final da tarde de sábado, tomamos um belo banho de rio numa região em que algumas rochas afloram e dormimos nas nossas redes no mirante do Madadá, praticamente ao ar livre. Descobri que é bastante frio dormir em rede: você sente o frio por todos os lados! Mas os sons da noite e o sol nascendo sobre o rio e o igapó compensaram a noite mal dormida. Nesse dia fizemos uma trilha até uma formação rochosa, as grutas do Madadá. A trilha, por entre a mata preservada, é bem bonita e as tais grutas são bem interessantes. Pena que é realmente verdade aquela história de que é muito difícil ver qualquer bicho na Floresta Amazônica! Vimos apenas algumas aves e as formigas que não picam e são usadas como repelente pelos ribeirinho, já que soltam um odor que repele outros insetos quando são esmagadas.

 

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Rio Negro

 

Minha última aventura em Novo Airão foi conhecer os botos cor-de-rosa que frequentam o restaurante flutuante da Marilda. É só por causa deles que muitas pessoas visitam Novo Airão, mas eu deixei para conhecê-los no último dia. O pessoal do restaurante flutuante costumava (ou costuma) jogar restos de comida no rio, o que acabou atraindo os botos. Hoje, é possível comprar pedaços de peixe congelado no próprio restaurante e depois alimentá-los e até nadar com eles. Cheguei e eles logo vieram. Mas como são feios! :-] Como a água do rio é negra, a luz penetra pouco e os olhos dos botos acabaram ficando desproporcionalmente reduzidos; em compensação, eles possuem vários pelos sensoriais na região do bico. Além disso, descobri que eles são bem mais cinza do que cor-de-rosa, coloração que só adquirem com a idade. Os botos que frequentam o restaurante também são bastante velhos... alguns não têm mais dentes (o peixe congelado que ganham dos turistas provavelmente contribui para isso) e todos eles têm o corpo bastante marcado. Acabei não nadando com eles, apesar do calor: me alertaram contra aqueles tais restos que são jogados na água e fiquei meio sem vontade. Mas valeu! É bem interessante vê-los assim tão de pertinho!

 

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Os botos e eu

 

Então respirei fundo e parti para Manaus.

 

Adorei a cidade! Achei o clima delicioso: os ambulantes vendendo frutas pelas ruas (era época de biribás e ramutãs), o “xis-caboclinho” de queijo e tucumã, o tacacá, os prédios históricos interessantíssimos, a hidrovária e o Beiradão, os livros do Milton Hatoum, que fui conhecer numa banquinha na frente do teatro Amazonas, a tranquilidade das ruas, a expectativa de viajar adiante pelo Amazonas... foram realmente dias especiais, que me animaram a seguir viagem.

 

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Ramutãs e tucumãs

 

Fiquei no Hostel Manaus e gostei bastante. Consegui um mapinha da cidade no próprio Hostel e andei a pé para todos os lugares, mesmo a noite e sozinha. O teatro Amazonas é realmente bonito e vale uma visita guiada, especialmente no horário em que os músicos estão ensaiando. No mais, conheci alguns museus, os prédios históricos, a Ponta Negra, fiz o passeio de um dia para o encontro das águas e o lago Janauary e subi um angelim em Rio Preto da Eva. A Ponta Negra foi meio decepcionante, já que o rio estava enchendo e quase não havia mais areia. O encontro das águas é lindo, lindo. Peguei um desses passeios mais caros (acho que custou R$100) e não valeu tanto a pena. Mas, seja lá como for, vale ir até o meio do rio para ver o mistura - não mistura das águas. Aproveitei pra comprar um barquinho de miriti, a madeirinha leve extraída das folhas do Buriti. É o segundo da minha coleção, mas chegou quebrado depois de tantos dias sacolejando na mochila. :-/ Por fim, subir o angelim de 40m foi bem legal! Fui com a http://www.amazontreeclimbing.com. O lugar é lindo e esse contato diferente com a mata foi bem interessante.

 

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Rios Negro e Solimões

 

Outra coisa que fiz nas minhas idas e vindas pelos arredores de Manaus nos seis dias que passei por ali foi finalmente conhecer Presidente Figueiredo. Fiz como uma boa parte dos manauaras, aproveitei o feriado da Páscoa e fui conhecer as cachoeiras da cidade vizinha. E não gostei! Estava sozinha e sem carro, o que me obrigou a arrumar um guia motorizado. Tinha pensado em ir com os moto-taxistas, que cobram bem mais barato, mas choveu! E o guia era um chato! :-/ Acabei gastando um monte em pousada e guia e achei as cachoeiras mais ou menos. São bonitas e tudo... mas estavam cheias de caras barrigudos bebendo cerveja dentro da água, o que fazia com que não tivessem tanta graça. Fiz uma trilha legal até a cachoeira da Suçuarana (vi uma revoada de araras e alguns macacos, além de outras aves... foi a trilha em que mais vi bichos), conheci a deprimente Balbina, um pedacinho do imenso lago represado do rio Uamutã e os pobres peixes-boi do Centro de Proteção e Pesquisa dos Mamíferos Aquáticos (CPPMA). Completei o passeio com a gruta Refúgio do Maruaga (bem bonita!), a cachoeira da Pedra Furada (bonita, mas bem alterada para fazer uma piscina pros tais bebedores de cerveja) e a cachoeira do Santuário (a mais cheia, com muitas famílias, mas com uma estrutura interessante para receber as pessoas). E voltei correndo pra Manaus! :-] Recomendo Presidente Figueiredo, mas iria de carro, para ficar mais independente e aproveitar melhor. E não iria num feriado, para gastar menos!

 

Era domingo de Páscoa e encontrei com a Iasmina novamente. Ela foi comigo dar uma olhada no barco para o qual eu havia comprado passagem – um barco “clandestino”, que saiu de um terminal fora da hidroviária. Na verdade, esses barcos são legalizados e fiscalizados, mas saem de outros terminais para fugir dos preços cobrados pela hidroviária pelo uso do local. Eu queria seguir viagem e os barcos da hidroviária só sairiam três dias depois, então arrisquei, acreditei no moço da barraquinha da rua perto da hidroviária e comprei passagem para o San Marino por R$90. E deu tudo certo: o barco realmente existia, era grande e de ferro como o moço me contou e acabou saindo no horário, sem problemas. Deixei a rede amarrada e, na minha última noite em Manaus, fomos tomar um tacacá e beber uma cerveja na barraquinha em frente ao teatro Amazonas.

 

Segunda-feira de manhã arrumei a mochila, dei uma última volta pela cidade e comprei um cobertor para a viagem. Feio, o coitado: verde e rosa, com umas flores imensas desenhadas. Pensei comigo: vou dar fim nele assim que tiver oportunidade! Também comprei um mosquiteiro, que não precisei usar. Depois fui para o barco, que estava bem vazio. Não entendi até hoje o porquê, mas as pessoas preferem viajar no andar de baixo, onde ficam as mercadorias (quando o barco também carrega mercadorias) e o motor. Talvez porque fique mais perto da cozinha, não sei. Viajei no segundo andar e foi pura tranquilidade: nem a bagunça do bar, que ficava no terceiro andar, nem a bagunça do primeiro andar cheio de gente. A viagem para Santarém durou um pouco menos do que as 32 horas anunciadas e foi ótima! Passei de novo pelo encontro das águas, dormi quentinha na minha rede graças ao cobertor verde e rosa, li bastante, fiz amizade com um casal de franceses que não falava uma palavra sequer de qualquer outra língua – e eu não falo uma palavra de Francês! – e, principalmente, aproveitei a imensidão do rio Amazonas. É lindo e impressionante!

 

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San Marino

 

Para quem se interessar por detalhes: eu gostei de dormir na rede, com o balancinho do barco... não tive problemas. Os franceses não gostaram tanto da viagem: entrou um banzeiro (vento e rio mais revolto) durante a noite e o barco balançou bastante. Eles estavam num camarote (com cama e banheiro particular), mas ficaram enjoados. E ficaram entediados também. As refeições faziam parte do pacote e eram uma marmita como qualquer outra: arroz, macarrão, carne e salada de maionese. Fui pega meio desprevenida porque sou vegetariana e descobri que eles nem sempre serviam feijão! Mas o lanchinho do bar do terceiro andar, pago a parte, me salvou de ter que passar a arroz com macarrão. Aconselho os de estômago mais sensível a levar alguma comida e que todos levem ao menos algumas frutas, já que eles não servem nada fresco. O San Marino era bem limpinho, mas banheiros coletivos são sempre banheiros coletivos. Além disso, os chuveiros ficam em cima do vaso sanitário, o chão está permanentemente molhado e não há janelas, o que faz com que eles sejam meio claustrofóbicos. Achei tranquilo, apesar disso!

 

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Manaus - Santarém

 

Parte 3: Santarém e arredores

 

Chegamos a Santarém no começo da noite e ajudei o casal francês a encontrar um hotel (foi bem difícil! Estavam todos lotados!) antes de seguir para a casa do Thiago, o segundo amigo a ser visitado na viagem. Essa foi a primeira das três noites que passei na cidade e saímos em todas elas: conheci vários barzinhos e em todos eles só tocou música sertaneja!

 

Conhei a cidade no dia seguinte e não achei graça nenhuma nela. É mal conservada e valoriza pouco o que tem de mais bonito: o encontro das águas dos rios Tapajós e Amazonas. Nesse dia conheci também a Érica, uma brasileira que mora na Inglaterra e tinha ido visitar o pai por alguns dias. Acabamos fazendo amizade no guichê de informações turísticas e ela viajou comigo depois disso. Eu queria conhecer a Floresta do Tapajós e andamos bastante atrás da autorização do IBAMA que diziam ser necessária. O IBAMA estava em greve e não conseguimos nada.

 

No dia seguinte, fui com a Érica conhecer Alter-doChão. O Thiago disse que tinha medo de fazer propaganda e eu não gostar tanto assim, mas que achava que eu iria ficar impressionada. Fiquei! Não foi a toa que o Jacques Cousteau chamou a região de Caribe brasileiro, nem que a praia foi eleita pelo jornal inglês The Guardian como a mais bonita do Brasil. A areia é branquinha e fina, as águas são verdes e transparentes, há centenas de talha-mares... é lindo! Subimos o morro do Cruzeiro e fizemos dois passeios de barco: pelo igarapé da lagoa Verde e até a ponta do Cururu. A ilha do Amor já estava meio submersa por causa da cheia do Tapajós, mas ainda assim foi fantástico. Vi a chuva mais linda de toda a viagem (e choveu muito!) nesse dia: pancadas de chuva isoladas caindo de imensos cumulo-nimbus refletidos nas águas da lagoa Verde. De noite, foi a despedida do Thiago – que estava de mudança para Manaus.

 

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Alter-do-Chão

 

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A mais bela das muitas chuvas

 

A Érica ficou em dúvida sobre a programação, já que pretendia fazer alguma coisa com o pai no dia seguinte e não acreditava que ele iria gostar da ideia de ir para a Floresta do Tapajós. Então eu fui sozinha. Peguei um ônibus para Belterra (há varios horários todos os dias) e, de lá, peguei um moto-taxi. A estrada é meio ruim para ser percorrida numa moto com um desconhecido, mas os barcos turísticos que fazem a viagem para lá pelo rio Tapajós não cabiam no meu orçamento. Não havia ninguém na entrada da Flona e entrei sem problemas mesmo sem autorização. Fiquei na comunidade de Maguary e logo fiquei impressionada com tudo: a hospitalidade das pessoas (fui sem ter onde ficar e logo me alojaram na casa de uma família fantástica), a organização da comunidade (que tem internet grátis, água encanada e uma vida social comunitária intensa), o profissionalismo com que eles recebem os turistas (as taxas são cobradas pela comunidade e revertidas para a própria comunidade (R$7 por dia na comunidade + R$30 a 35 por passeio guiado); os guias são treinados e as trilhas são limpas e bem cuidadas) e a beleza do lugar!

 

Logo nesse primeiro dia, almocei a comidinha da dona Darleide e fiz a trilha para conhecer a Samaúma gigante, guiada pelo filho dela. São 9km mata adentro para chegar até a árvore, que é realmente imensa (são necessárias 27 pessoas para abraçá-la) e tem a idade estimada de 800 anos. Depois curti o pôr-do-sol mais lindo de toda a viagem (ou será que o do Kukenan foi mais bonito?), sentada nas areias branquinhas do Tapajós. Dormi na minha rede, num dos quartos da casinha de tijolos construída pelo INCRA. Todas as famílias da comunidade têm uma casa dessas, mas muitos ainda moram em casas mais tradicionais, de palha de palmeira e madeira, ou construiram “puxadinhos” desses mesmos materiais. No caso da família que me abrigava, havia duas casas: numa delas moravam o seu Abílio e a dona Darleide com o filho mais velho e, na outra, construída pelo INCRA, o filho mais novo com a esposa e a netinha de dois anos. A cozinha usada por todos era a da dona Darleide, sem paredes e com fogão a lenha. A água mais usada era a de uma torneira na rua, inclusive para banho. Eles também preferem lavar as roupas no rio e todos tomam vários banhos de rio ao longo do dia. Também criam algumas galinhas e plantam pequenas roças. O gado é proibido, as casas de farinha são comunitárias e a extração de madeira e a caça são controladas. Minha descrição pode fazer parecer meio primitivo, mas não: eles levam uma vida simples e adaptada de tal forma ao local que fiquei encantada e com vontade de mudar minha rede definitivamente para lá! Mas, para isso, precisaria casar com alguém da comunidade – e fui embora antes do baile da semana! :-]

 

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Floresta do Tapajós

 

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Outro belo pôr-do-sol

 

No dia seguinte, fui conhecer a comunidade de Jamaraquá, que fica cerca de 15 minutos de distância a pé. Eu iria embora neste mesmo dia e antes queria conhecer o igarapé da comunidade. Quando estava saindo para o passeio de barco com o meu novo guia, encontrei com a Érica e o pai, voltando do mesmo passeio. Eles tinham chegado de barco e me convidaram para voltar com eles no dia seguinte. Aceitei na hora e combinamos mais dois passeios: a trilha da comunidade de Jamaraquá, que tem um lindo mirante natural para o Tapajós, e uma focagem de jacarés a noite. O igarapé é lindo! Nessa época, uma parte da floresta já estava alagada e havia árvores semi-submersas repletas de bacuraus. No trecho mais distante do igarapé, a profundidade é razoável, a água é transparente e há muitos peixes! Um mergulho com snorkel nesse imenso aquário é indispensável. A trilha também foi perfeita e só a focagem de jacarés deixou um pouco a desejar, já que só vimos um par de olhos brilhantes – e por poucos segundos. Mas o passeio noturno valeu! E minha caminhada de volta, solitária, pela trilha deserta e completamente escura entre as duas comunidades, teve dois lances emocionantes: uma árvore fantasiada de pinheiro de Natal com milhares de vagalumes e uma cobra que bateu na minha perna quando pisei nela por acidente. Cobra de noite? Eu tinha garantido pra Érica que não havia perigo porque elas têm sangue frio e precisam de sol. Mordi a língua.

 

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Para espantar o calor da manhã, banho de rio

 

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O igarapé de Jamaraquá

 

A estadia ainda teve mais um fato emocionante: a dona Darleide preparou um bife de panela especialmente para mim e não tive coragem de explicar que eu não comia aquilo. Pela primeira vez desde os meus sete ou oito anos de idade, comi um bife! Foi mais difícil do que eu pensava e tive sorte porque a netinha dela estava com fome e disfarçadamente acabou ganhando boa parte do meu bife! No dia seguinte, passamos para comprar colares e pulseiras de sementes e artesanato feito de látex de seringueira nas comunidades e voltamos pelo Tapajós para Alter-do-Chão. Gastei meus últimos e contados reais (não há caixas eletrônicos por lá e passei um dia a mais na comunidade e fiz vários passeios além dos planejados) em dois colares (de morototó e invira), um peixe-boi e duas bolinhas de látex.

 

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Lojinha de artesanato em látex de Maguary

 

Chegando de volta a Santarém, tomei um bom banho, escrevi um bilhete pro colega do Thiago que continuava me alojando mesmo depois da partida dele, arrumei minhas coisas e parti. Peguei uma lancha rápida para Monte Alegre com a Érica às 17h. A viagem foi curta na tal lancha rápida, que é bem parecida com as barcas Rio-Niterói. Levamos 2h30mim, ao invés das 8h em um recreio comum. No entanto, dizem que os ribeirinho reclamam muito que a lancha revira o fundo e acaba sujando o rio e matando ou afugentando os peixes. Acredito. Fizemos diversos desvios para evitar os baixios e chegamos a parar num determinado ponto porque havia capim enroscado nas hélices. Um cara mergulhou, sumiu por uns segundos nas águas barrentas e resolveu o problema.

 

Em Monte Alegre, pegamos um quarto sem janela num hotelzinho simplório perto da hidroviária e fomos procurar alguma coisa para comer. A “cidade baixa” estava deserta e, ao subir as escadarias para a "cidade alta", encontramos o que parecia ser toda a população da cidade na praça central. Chegamos em noite de festa, mas não lembro mais em homenagem a que ou quem. Foi difícil achar comida... eu me contentei com um sanduíche e a Érica teve que se obrigar a comer um também, apesar de ser vegetariana e não comer sequer leite e derivados. Fizemos também contato com o guia com quem eu tinha combinado o passeio do dia seguinte, o Nelsi Sadeck.

 

De manhã, ele apareceu no hotel e nos disse que estava com um problema pessoal sério, pediu desculpas e perguntou se poderíamos fazer o passeio apenas com o motorista. Dissemos que sim e acabamos descobrindo que ele era um conhecido do pai da Érica. Passamos pela casa dele para pegar umas pamonhas deliciosas e fomos rumo ao Parque Estadual de Monte Alegre. No caminho, encontramos o igarapé do Urubu cheio, cobrindo a estrada. Talvez por não querer decepcionar a filha do amigo, ele insistiu em colocar o carro 4x4 na água – até que o carro não deu conta e paramos. Algumas pessoas que moravam por perto, com água pela cintura, nos empurraram para fora da parte alagada. Então começou uma loonga espera por socorro. Foi só depois de umas três horas que um outro carro apareceu e nos levou para conhecer as serras do Ererê e do Pay-Una. Valeu a pena! A paisagem de serras de arenito à beira do Amazonas é lindíssima! Tudo é bastante abandonado... não há nenhum controle de acesso, apesar de estarmos num parque estadual, e dizem que a molecada da região sobe as serras para passar a noite, namorar e beber. Muitos acabam pichando as rochas e danificando as pinturas – e a maior parte delas não foi sequer estudada ou catalogada. Além disso, ouvimos relatos de pinturas roubadas. Pedaços de rocha inteiros arrancados e levados embora não se sabe por quem. E isso tudo apesar da importância arqueológica da região: essas pinturas são uma das principais evidências contra a clássica teoria de que as américas teriam sido colonizadas a partir do estreito de Bering. Se a colonização tivesse se dado dessa forma, as pinturas teriam que ser muito mais recentes do que os 11mil anos datados por uma norte-americana, a Ana Roosevelt. E as pinturas são lindas! Todas as que visitamos estavam muito bem preservadas. O calendário lunar do painel da Serra do Pay-Una parece ter sido pintado na semana passada. Visitamos também a caverna do Itaupaoca, que tem lindas janelas para o Amazonas.

 

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A Lua

 

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Caverna do Itaupaoca: bela janela para o Amazonas

 

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Painel na serra do Pay-Una

 

Depois de tanto tempo esperando por resgate, o dia acabou antes de voltarmos à cidade. Me despedi da Érica, que voltou para Santarém, tomei um banho e desci pare esperar o Luan, barco de ferro que desce o rio até Santana, cidade vizinha a Macapá. Saem barcos para Macapá todos os dias, mas só o Luan é de ferro. Ele sai de Santarém às segundas-feiras, às 18 ou 19h, e passa no começo da madrugada em Monte Alegre. Comprei a passagem dentro do barco e paguei R$100. Os barcos de ferro são mais rápidos e o Luan fez a viagem em 21h, ao invés das 30h normalmente necessárias para este percurso. Eu não sabia disso e acabei chegando a Santana de noite, e não na manhã seguinte, como havia planejado. Mas dei sorte e conheci a Lorena, A Láurea e o Daniel, filhinho da Lorena, no barco lotado. A maior parte das pessoas tinha subido em Santarém e desceu em algum lugar do qual não lembro o nome no meio da noite. Quando peguei o barco, perto da 1h da manhã, encontrei redes por todos os lados e nenhum espaço para pendurar a minha. As duas me ajudaram e acabei amassada perto delas: dormi encostada nas pessoas do lado! Senti falta do sossego do San Marino! O dia seguinte foi bem mais tranquilo e pude de novo aproveitar o rio e o balanço da rede. Também bati muito papo com as duas e elas acabaram me ajudando novamente na chegada a Santana. Eu poderia ter dormido no barco até a manhã seguinte, mas fiquei com um pouco de medo de ficar no porto praticamente sozinha. Então peguei uma carona e o carro ficou mais do que lotado com os pais delas, o marido da Lorena, o Daniel e eu. Eles foram muito legais e me deixaram praticamente dentro do ônibus que seguia para Macapá. Desci num ponto movimentado, peguei um táxi e pedi para o taxista me deixar num hotel decente e barato. Barato era, embora não muuito decente. Até barata matei. Mas serviu!

 

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Monte Alegre - Macapá

 

Parte 4: Amapá e ilha de Marajó

 

Dormi por lá, peguei informações com a mocinha da recepção, deixei minha mochila e parti já no dia seguinte cedinho para Laranjal do Jari, no ônibus das 8h. Há outros às 12, 19 e 23h e a passagem custa R$29,00. São menos de 270km e imaginei que faria a viagem em 4 ou 5h. Levei 10h para chegar lá! Aí entendi por que o motorista tinha ficado espantado com a minha mochilinha quando entrei no ônibus: “vai levar só isso?” Cheguei ainda de dia, procurei um hotelzinho e fui para a beira do rio Jari procurar um barqueiro que me levasse à cachoeira de Santo Antônio no dia seguinte bem cedo. Encontrei um barqueiro disposto a me levar, fechei o preço e fui comprar alguma coisa para comer. A cidade é terrível... foi o que restou do projeto de um milionário norte-americano, que pretendia ser auto-sustentável, não deu certo e primeiro transformou-se no Beiradão, a maior favela fluvial do mundo e, depois de algumas tentativas de combater a violência e a prostituição e de urbanizar a cidade, em Laranjal do Jari. Andei por lá sem problemas, mas não recomendo a cidade como destino turístico. Já a cachoeira foi outra história. Ela tem 28m de altura, quase 200m de largura e é realmente muito bonita! Passei algumas horas por lá, esperando o céu abrir para vê-la com sol, e depois voltei. Rodoviária, ônibus e mais 12h de viagem até Macapá. Isso porque o ônibus quebrou no caminho. Começou a ficar lento, não tinha mais força nas subidas, morreu algumas vezes... e parou. Já era noite e eu fui escutando as histórias das pessoas que já tinham visto aquela cena muitas vezes: a vez em que um conseguiu carona, a vez em que outro ficou muitas horas esperando por outro ônibus, a vez em que outro ainda foi andando até uma vila distante. E me arrependi de ter inventando essa história de cachoeira. Uma menininha estava com uma tosse terrível e acabei levando um restinho de spray-xarope que por sorte eu tinha na mochila para a mãe dela. Respirei um pouco aliviada quando ela parou de tossir: se precisar dormir no ônibus enquanto espero outro, pelo menos não vai ter criança tossindo. Olha com quão pouco uma pessoa pode se contentar! :-] Mas felizmente alguém no ônibus entendia de mecânica e depois de uma hora parados à espera do resultado do conserto, o ônibus funcionou de novo e seguiu viagem. Voltei para o hotelzinho da barata, que nem vidro na janela tinha, encontrei minha mochila inteirinha e dormi feliz. Mas não sei se repetiria a viagem.

 

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Cachoeira de Santo Antônio, em Laranjal do Jari

 

No dia seguinte, conheci Macapá. A cidade é só quase bonita, mas o forte de São José de Macapá (1782) é realmente interessante! Muito bem preservado e na beira do Amazonas, que um dia os portugueses pretenderam proteger dos países inimigos com a ajuda de canhões. Também fui colocar um pé de cada lado da linha do Equador e vi de longe o Zerão, estádio em que a linha de meio-de-campo coincide com a linha do Equador. Tentei visitar o museu Sacaca, mas ele estava fechado porque não havia luz há dois dias! Comprei alguns artesanatos e fui para o porto do centro da cidade pegar o barquinho para Afuá, na ilha de Marajó.

 

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Fortaleza de São José de Macapá

 

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Virgem da Conceição: Macapá - Afuá - Macapá

 

Foram só cinco horas de viagem, mas cheguei a Afuá de noite. Logo encontrei minha pousada. Limpa e com um atendimento ótimo! Mas tive que explicar que era brasileira e não, não tinha nada a ver com os franceses. Durante a viagem, por várias vezes ouvi falar nos tais franceses. É um grupo grande, em cerca de 20 veleiros, que vem todos os anos para o Brasil. Encontrei um veleiro retardatário em Alter-do-Chão e depois fui ouvindo as perguntas “você é francesa? viu os franceses?” por todo o caminho. Tomei um banho, saí para jantar e logo encontrei com eles. Todos me olhavam com curiosidade e em Afuá vivi o auge do que mais me incomodou na viagem: a sensação de estar sendo observada como uma extraterrestre (ou uma gringa) o tempo todo! Sem contar as incontáveis perguntas, as caras de incredulidade, as vezes em que as pessoas não entenderam o meu bom e claro português simplesmente por esperar ouvir uma língua que não entendiam, as piadinhas e grosserias na rua porque pensavam que eu não entenderia. Em Afuá, eram os “gringos” me olhando como quem diz: “o que esta aí está fazendo num lugar desses?” e as crianças me apontando na rua e gritando “olha a gringa”. Muito chato! :-/ As pessoas poderiam ser mais bem educadas: ninguém deveria ser tratado como um extraterrestre só porque tem cabelos de cor diferente, por mais incomum que isso seja!

 

No mais, Afuá foi um sossego só. A “veneza marajoara” não tem carros e é construída sobre palafitas – baixas, é verdade, mas ainda palafitas. Em alguns meses, a água invade a cidade, o que não é um problema, já que todos andam sobre calçadas-passarelas com as suas bicicletas adaptadas. Tem de tudo por lá, com exceção de carros: internet boa, fartura de comida, pousadas e muito açaí. Aluguei uma bicicleta, rodei pela cidade toda, conheci a ambulância-bicicleta e procurei por um barqueiro que me levasse até o canal Perigoso, onde eu pretendia ver a pororoca.

 

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Afuá

 

Não encontrei informações sobre esta região e acabei chegando com planos demais para um tempo muito apertado. Também já não tinha mais muito dinheiro – e alugar um barco lá era tão ou mais caro do que em Novo Airão. Queria tentar ver a pororoca, as ilhas Mexiana e Caviana (especialmente a praia do Urubu, banhada em parte pelo Amazonas e em parte pelo Atlântico, dependendo da maré) e quem sabe contornar a ilha de barco até chegar a Soure, do outro lado. Descobri logo que não conseguiria fazer quase nada disso e me conformei. Fechei com um barqueiro, que me levaria ao menos para ver a pororoca, no dia seguinte, por R$400.

 

Ele atrasou, enrolou, parou em Chaves (o que de certa forma foi bom porque a cidadezinha minúscula tem lá seus prédios interessantes), foi até a ilha Caviana buscar outro cara... fui descobrindo que ele tinha muito medo da pororoca e da maré. A sorte foi que esse outro cara, o Rômulo, conhecia os baixios, era gente boa e não tinha medo de pororoca. O dia estava lindíssimo, o rio estava um espelho e acabamos chegando ao ponto certo do canal pouco antes da pororoca. Ela estava pequeninha porque não fui vê-la na melhor época, mas mesmo assim foi muito legal ver o rio deixar de ser lago e se transformar em mar por alguns momentos, com a chegada da maré. O Rômulo também me disse que um barco da prefeitura contorna a ilha pelo mar, como eu queria fazer, uma vez por mês. E que as trilhas da Mexiana são possíveis de fazer... e que a praia do Urubu é mesmo linda! Teria sido a pessoa certa a conhecer se eu tivesse uma semana a mais de férias! Uma pena! Mas o barco da prefeitura ainda demoraria uns dias a sair – a data nunca é certa – e eu precisava chegar a Belém antes dele para pegar meu voo de volta para casa. Anotei o número do orelhão que fica perto da casa do Rômulo para uma próxima viagem e voltei para Afuá com o meu barqueiro.

 

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Chaves

 

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Canal Perigoso: quase mar

 

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Pororoca no canal Perigoso

 

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Ribeirinho na ilha Caviana

 

De noite, fui até a lan house perto da pousada e mandei alguns e-mails e fotos enquanto esperava a hora da partida. Meus olhos começaram a arder cada vez mais e acabei desistindo. Peguei minhas coisas e fui dormir no barco. Amarrei a rede, deitei e, quando fechei os olhos, comecei a sentir uma ardência terrível! E aí não conseguia mais ficar nem com os olhos abertos, nem com os olhos fechados. Ardia e ardia! Saí do barco e fui procurar um orelhão, enxergando as luzes como se estivesse no meio de um nevoeiro. Liguei para a minha mãe, que concordou comigo que eu devia ter queimado a córnea, mas também não sabia o que fazer e pediu que eu procurasse um médico. Voltei pro barco, pinguei o colírio que tinha comigo, o que pareceu piorar a situação, e tentei dormir. Mas sofri a noite toda, que foi bem ruim. Cheguei a Macapá com o sol nascendo, fiquei no barco por mais umas duas horas e depois fui procurar um médico.

 

Não consegui ser atendida no pronto-socorro, nem consegui encontrar quem me indicasse um oftalmologista. Fiquei zanzando de um lado para o outro meio cega, de ônibus e com a minha mochila pesada até desistir! Fui para Santana, entrei no primeiro barco que apareceu com destino a Belém e tratei de ficar de olhos fechados. Eu tinha pensado em passar por Breves, mas, com os olhos desse jeito, não tinha condições. Há vários horários e opções de barco para esse trecho e é possível inclusive percorrer parte do caminho em lanchas rápidas. Mas eu queria uma viagem longa para poder dormir e peguei o São Francisco de Paula, barco mais demorado, embora também de ferro. Paguei R$120, pendurei minha rede e fiquei dentro do barco esperando a hora de partir. Dormi o dia todo, abraçada no meu cobertor maravilhoso. Acordar e abrir os olhos era um tormento, que felizmente foi ficando cada vez menor. Lá pelo fim da tarde consegui ficar de olhos abertos de novo sem tanto sofrimento e aproveitei um pouquinho a paisagem: os ribeirinhos esperando pelas oferendas à cobra grande, que as pessoas atiram dos barcos, os vendedores de frutas que amarram as suas canoas ao barco em movimento, as casinhas rodeadas de açaizeiros, as madeireiras e pequenas vilas, um cemitério na beira do rio, a mata e o rio imenso. Dormi de novo a noite toda e acordei com os olhos quase novos em folha na manhã seguinte. Poucos meses atrás, quando fui fazer uma consulta de rotina num oftalmologista, perguntei sobre isso. Ele me disse que eu realmente devo ter queimado a córnea por causa do reflexo do sol na água – e que, como eu pensava, é isso o que acontece com quem anda sem óculos na neve. Então acho que fui a primeira pessoa a ter cegueira das neves no Amazonas! E isso graças à Tina, minha cachorra, que fez o favor de roer meus óculos escuros uma semana antes da viagem! :-]

 

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Macapá - Belém

 

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Macapá - Belém: mais nuvens

 

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Macapá - Belém: ribeirinhos à espera das oferendas para a cobra grande

 

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Macapá - Belém: ribeirinhos vendem frutas

 

Mais algumas informações sobre barcos:

Afuá – Macapá: saem barcos diariamente, com exceção dos sábados.

Afuá – Soure: nenhum barco faz esse trecho.

Afuá – Belém: saem barcos uma ou duas vezes por semana, sem data e horários fixos.

Afuá – Chaves: barcos regulares apenas às quintas-feiras.

Chaves – Soure pelo mar: barco da prefeitura sai uma ou duas vezes por mês, mas as datas são variáveis.

 

 

Parte 5: Belém e ilha do Algodoal

 

Cheguei a Belém de manhã, na expectativa de gostar ainda mais dela do que de Manaus. Todos me diziam que, se eu tinha gostado de Manaus, iria adorar Belém. Mas não achei muita graça. Talvez por ter encontrado a cidade vazia por causa do feriado de Corpus Christi, talvez porque eu já estivesse meio cansada, talvez pelas tantas vezes em que ouvi: “não passe por tal lugar porque é perigoso”. O fato é que não gostei muito de andar pelas ruas e não achei nem o Ver-o-Peso tão interessante. De qualquer forma, comi sorvetes de todos os sabores de frutas amazônicas possíveis, conheci os pontos turísticos, assisti (e ouvi) ao pôr-do-som na estação das Docas, conheci o Mangal das Garças, comprei algum artesanato (até uma rede parecida com a dos índios Waimari) em São José Liberto e muitos doces de castanha com cupuaçu para levar para casa. Fiquei no Amazônia Hostel, bastante confortável.

 

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Belém

 

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Belém: arredores do Ver-o-Peso

 

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Ver-o-Peso

 

Passei dois dias na cidade e ainda sobrou um tempo. No terceiro dia, resolvi ir para Soure, dar uma olhada rápida no lado leste da ilha de Marajó e em seus búfalos. Mas recebi informações erradas, perdi o barco e não conseguiria mais passar tempo suficiente por lá. Então peguei um ônibus e fui para a ilha do Algodoal. Foi quase um bate-e-volta. Cheguei no final da manhã de um dia e voltei na manhã do dia seguinte. Os ônibus saem da rodoviária diariamente para Marudá às 6 e 9h. De volta, há ônibus às 12 e 15h (R$17). Entre Marudá e a ilha do Algodoal, há barcos às 10h30min e 13h30min (R$5). Mas é possível encontrar transportes alternativos: carros particulares que oferecem o mesmo trajeto e barcos ocasionais.

 

Voltei a ver água salgada, depois de tanto tempo no rio. E vi pela primeira vez uma maré de vários metros, já que sempre morei em lugares com marés de centímetros. Fui andando até a lagoa da Princesa e foi um belo passeio. Com exceção de um porém: todos ficaram me falando que era perigoso e que eu não deveria andar sozinha. Fiquei meio revoltada: como não posso andar sozinha numa tarde de sol por uma praia onde circulam várias pessoas e que tem uma população pequena dessas? E fui, teimosa. No caminho, uma cara bêbado me seguiu e ficou tentando puxar papo. Bati numa casinha e conversei com a moça que morava lá até o cara desistir. Aí perguntei sobre o caminho até a lagoa e ela me disse que não havia ninguém por lá naquele dia e que achava que era tranquilo. Qualquer coisa, eu poderia gritar pelo sogro dela, que mora ali por perto. Fui. E não é que entre uma duna e outra topei de repente com dois caras, um deles com uma faca? Levei um susto daqueles! Mas eram só dois pescadores e o da faca pediu desculpas por ter me assustado. De qualquer forma, não foi uma experiência muito boa. Ainda mais depois do assalto com facões em Diamantina. Mas a volta compensou, com a maré baixa, um final de tarde lindo e um pôr-do-sol memorável. Depois ainda fiquei de papo com alguns outros hóspedes e o pessoal da pousada até a hora de dormir. Foi minha despedida das férias.

 

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Ilha do Algodoal

 

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Ilha do Algodoal: maré baixa

 

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Pôr-do-sol de despedida, no último dia da viagem

 

Passei o último dia viajando de volta para Belém e depois para casa. Trouxe comigo a rede e o cobertor verde e rosa, que se tornou lindo e agora é de estimação! :-]

  • Gostei! 1
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  • Membros de Honra

Lia,

 

Muito legal a sua trip. ::cool:::'> ::cool:::'> ::cool:::'>

 

Realmente a região norte é linda e pouco explorada, e minha cidade natal, Belém do Pará tem muita beleza, mais conta com um receptivo muito mal organizado e na minha opinião ainda amador "só crescem os olhos na hora dos $$$ dos gringos" o que é uma pena.

 

Como o Periclés comentou, posta umas fotos de sua aventura.

 

::otemo::::otemo::

 

Maria Emilia

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  • Membros

Otimo relato,parabens!!!! O turismo no norte e que nem Natal tambem so cresce pra gringos,brasileiros mochileiros ainda e muito pouco,falta divulgação do governo que na verdade não ta nem ai ate por que o turismo não da dinheiro pra eles,oque mais rende grana a eles ea industria,por isso não fazem o minimo esforço pra divulgar as maravilhas que nosso estado tem.

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  • 1 mês depois...
  • Membros

Oi Lia!

Li algumas partes do seu relato, e legal que vc é bem sincera: gostou ou não gostou, sem aquela de ficar dizendo que td é lindo e imperdível!

Moro em Manaus há pouco mais de 6 meses, vim a trabalho.

Ainda não conheci quase nada por aqui, mas fui ao Museu do Seringal de barco, muito lindo! de verdade.... rsrs

Ainda não fui a Figueiredo, nem Novo Ayrão, nem Maués, nem lugar nenhum, mas quero conhecer Alter do Chão.

Sei que fica do ladinho de Santarém.... como vc foi pra lá? De busão? Sabe qto custa e onde se pega, e qto tempo demora, etc?

Eu tava pensando em ir pra lá no feriado de junho, vc acha que 4 dias é mta coisa pra ficar?

Ou então eu iria pra Ilha do Marajó no feriado e depois pegaria um fds simples pra conhecer Alter.

 

Ai, desculpa tantas perguntas, mas é mto dificil achar informações daqui da região na internet....

 

Obrigada!

 

Bjs,

Paulinha.

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  • Membros

Que ótimo relato ! ! Vários lugares nunca ouvi falar.

 

Me serviu para ter certeza do que eu já suspeitava, viajar na Amazônia brasileira é muito caro, R$400 a um barqueiro para ver a pororoca é um assalto, com metade desse valor fiquei 3 dias em um Lodge na floresta perto de Iquitos com tudo incluso, alimentação, passeios, guia e transporte.

Mas enfim, mesmo assim temos o privilégio de te-lá e temos que conhecer.

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  • 4 semanas depois...
  • Membros de Honra

Lia,

 

Um dos melhores relatos que já li aqui no mochileiros, adoro esta região!!! sou mesmo apaixonada !! e o Monte Roraima é um sonho, aliás este roteiro é fantástico!!!

 

Muito bom! Amei! parabéns!!!! pontos positivos para ti!!

 

 

abraços!!

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