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NOA - Noroeste da Argentina em 11 dias

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A partir do dia 27/12 iniciarei o relato com valores e fotos de minha viagem.

Vou ao Noroeste da Argentina por 13 a 15 dias. Sou de Araucária. Vamos em três pessoas.

Nosso roteiro inicial é este abaixo, mas dependendo do custo da viagem poderemos ficar mais 1 ou 2 dias.

 

 

Editado por Marcelo Manente

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7 horas atrás, Marcelo Manente disse:

TRISTEZA...

Roubaram minha Canon SX50, 3 dias de fotos se foram...

Estou em El Soberbio, divisa com Brasil.

Tristeza mesmo, sinto muito!

Você pode explicar como tudo aconteceu, até para alertar futuros viajantes. 

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16 horas atrás, Marcelo Manente disse:

TRISTEZA...

Roubaram minha Canon SX50, 3 dias de fotos se foram...

Estou em El Soberbio, divisa com Brasil.

ah que tristeza, eu estava amando as fotos!!!!

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18 horas atrás, Juliana Champi disse:

ah que tristeza, eu estava amando as fotos!!!!

 

Em 13/01/2023 em 05:50, casal100 disse:

Tristeza mesmo, sinto muito!

Você pode explicar como tudo aconteceu, até para alertar futuros viajantes. 

Pessoal,

UHUUUUUUUUUU!!!!

Boas notícias, achei a câmera, ela estava caída embaixo do banco. Hoje ainda pretendo terminar os relatos e postar fotos. 

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6 minutos atrás, Marcelo Manente disse:

 

Pessoal,

UHUUUUUUUUUU!!!!

Boas notícias, achei a câmera, ela estava caída embaixo do banco. Hoje ainda pretendo terminar os relatos e postar fotos. 

UFA, achei que era somente eu que fazia esse tipo de coisa....

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8º dia – 10/01/2023

De Salta a Cafayate via Cuesta del Obispo e Quebrada de las Flechas – 320 km

Cardones, precipícios e flechas de pedra

Dormir no Hotel Samka, em Salta, foi quase um luxo depois de tantos dias de estrada. O quarto era ótimo e o café da manhã, sem dúvida, o melhor da viagem até ali. Mas também precisava ser: a diária custou R$ 168, valor bem acima do meu padrão mochileiro. O hotel tinha piscinas, restaurante e até salas de massagem. Aproveitei o conforto, tomei café com calma, levei as coisas para o carro e fui embora. Desta vez fiz algo que normalmente nunca faço: não voltei ao quarto para conferir se tinha esquecido algo. Resultado: deixei o carregador do celular para trás. Acabei resolvendo depois comprando um cabo USB-C e carregando o aparelho pelo notebook.

Saí por volta das 8h30. Depois do caos urbano do centro de Salta, peguei a Ruta 68 e logo depois entrei na Ruta 33, onde começava a subida pela famosa Cuesta del Obispo. O início da estrada atravessa as Yungas, florestas montanhosas úmidas típicas do noroeste argentino. São matas densas, verdes e cheias de neblina em muitos trechos, formadas graças à umidade trazida do lado amazônico do continente e barrada pela Cordilheira dos Andes. O contraste impressiona porque, em poucos quilômetros, a paisagem muda completamente: das florestas úmidas e fechadas para montanhas áridas e desérticas.

Conforme a altitude aumentava, as árvores iam diminuindo e os cardones começavam a surgir. Os cardones são enormes cactos típicos do altiplano andino, alguns com vários metros de altura e aparência quase humana, como sentinelas espalhadas pelo deserto. Muitos levam dezenas ou até centenas de anos para atingir aquele tamanho impressionante. Pouco depois já estávamos novamente em pleno cenário árido, cercado por essas figuras gigantescas.

O curioso é que o asfalto desaparece justamente no trecho mais complicado: a subida da serra. A estrada vira terra em meio às curvas travadas e aos precipícios, retornando ao asfalto apenas depois do topo. Foram cerca de 20 quilômetros de subida lenta e belíssima. Parei dezenas de vezes para fotografar.

Saí de Salta a pouco mais de 1100 metros e subi até 3348 metros. Lá em cima fica o Parque Nacional Los Cardones e também a famosa Recta de Tin Tin, uma reta perfeita cortando o altiplano. Esse sobe e desce constante castiga bastante o corpo. A altitude muda rápido demais e o organismo não consegue se adaptar direito. O pior para mim era o ar extremamente seco. Mesmo usando soro fisiológico todas as noites, eu acordava com o nariz completamente entupido. Muitas vezes precisava recorrer ao Naridrin para conseguir dormir. E ao assoar o nariz era possível perceber o quanto aquele clima castigava: sempre havia sangue coagulado.

Depois do parque a estrada leva até Payogasta e logo em seguida chega-se à pequena e charmosa Cachi. O centrinho da cidade lembra um pouco Purmamarca, daqueles lugares em que dá vontade de passar um dia inteiro sem fazer nada além de caminhar devagar pelas ruas. Dei uma volta, comprei alguns artesanatos e duas garrafas de vinho antes de seguir viagem.

A partir dali entrei novamente na Ruta 40 em direção a Cafayate. O trecho até San Rafael ainda era todo de terra, embora estivessem trabalhando para asfaltá-lo. Em certo ponto havia um desvio pela antiga Ruta 40 que foi um verdadeiro teste de paciência. Foram 18 quilômetros intermináveis de curvas extremamente fechadas e sem visibilidade, quase sempre em pista estreita e com barrancos ao lado. Era buzina o tempo inteiro. Em um trecho ainda atravessei uma enorme poça de barro profundo onde achei sinceramente que a Duster fosse ficar atolada. Tomei um baita susto.

Mas toda a tensão da estrada desapareceu quando cheguei à Quebrada de las Flechas, também chamada de Monumento Natural de Angastaco. É um daqueles lugares difíceis de descrever. As montanhas parecem enormes lâminas de pedra apontadas para o céu em ângulos impossíveis, como se gigantes tivessem fincado flechas colossais no meio do deserto. A paisagem é tão diferente que parece saída de outro planeta. Mais uma vez parei incontáveis vezes para fotografar.

Depois da quebrada ainda havia bastante estrada de terra até San Rafael e, finalmente, Cafayate. Ao chegar comecei minha tradicional peregrinação de hotel em hotel tentando encontrar algo mais barato do que os preços absurdos do Booking. Não consegui muita diferença, mas ainda assim encontrei uma pousada boa, embora mais cara do que eu normalmente gostaria de pagar.

Depois de me instalar fui caminhar pelo centro procurando alguma coisa interessante e barata para comer, porque admito que sou meio mão de vaca nessas horas. Não encontrei nada muito animador. Acabei passando o dia praticamente só na base de empanadas e salgadinhos, sem almoço nem jantar de verdade.

A perda do carregador continuava me irritando. E para piorar, mesmo que estivesse com ele, não conseguiria usar porque o quarto só tinha tomadas no padrão argentino de três pinos chatos. Resultado: não consegui carregar direito nem o celular, nem as baterias da câmera, nem baixar as fotos do dia.

Naquela noite também tomei uma decisão meio frustrante. Por causa de alguns compromissos teria de encurtar a viagem. Meu plano era permanecer mais um dia na região para visitar as ruínas de Quilmes e as formações da Quebrada de las Conchas, mas infelizmente isso ficaria para outra oportunidade.

Custos:

Mais tarde.

Editado por Marcelo Manente

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9º dia – 11/01/2023

De Cafayate a Pampa del Infierno via Dique Cabra Corral – 683 km

Última dose de aventura antes da volta

Dormir um pouco mais naquele dia pareceu necessário. Embora já tivesse decidido encurtar a viagem, eu ainda queria aproveitar o retorno com alguma emoção antes de mergulhar definitivamente nas longas retas do caminho de casa.

Depois de acordar e arrumar as tralhas tomei o tradicional café argentino: duas medialunas e café com leite, sempre mais fraco do que eu gostaria. Enquanto levava as coisas para o carro lembrei novamente do carregador esquecido em Salta. Resolvi comprar um cabo USB tipo C para carregar o celular pelo notebook, mas então recordei que tinha no carro um adaptador que transforma uma tomada em três, além de possuir saídas USB. Problema resolvido.

Peguei a Ruta 68 atravessando a belíssima Quebrada de las Conchas, triste por não poder parar para fotografar com calma. Se fizesse isso o planejamento já reorganizado iria por água abaixo. Mesmo assim foi impossível não admirar a paisagem. A estrada corta formações rochosas impressionantes e exige bastante atenção por causa dos inúmeros “badens”, depressões construídas para a passagem das águas das enchentes repentinas típicas do deserto. Muitas vezes chove nas montanhas e a enxurrada desce carregando pedras, lama e galhos pela estrada. Em praticamente cada curva havia um desses trechos.

Depois da serra o terreno ficou mais plano e o calor começou a apertar de verdade. Ao chegar em Coronel Moldes parei para procurar comida, energético, gelo e água. Foi então que pensei: “Por que não pegar a estrada de terra pelo Dique Cabra Corral? Economizo quase 100 quilômetros e ainda ganho mais uma aventura.”

Como quase sempre escolho o caminho mais complicado, a decisão foi rápida.

A estrada em volta do dique já começa cheia de curvas, serpenteando pela margem do lago em meio a paisagens lindíssimas. Depois de cruzar uma ponte o asfalto termina e começa uma longa estrada de terra acompanhando um vale cortado por um rio de águas transparentes.

Ali percebi que aquele lugar era praticamente perfeito para camping selvagem. Havia dezenas de entradas levando até a beira do rio, todas cercadas por natureza quase intocada. Em alguns pontos cruzei com ônibus antigos puxando botes de rafting, sinal de que empresas de Salta exploravam o turismo de aventura naquela região.

A estrada variava bastante. Em alguns trechos estava excelente, mas em outros virava um verdadeiro teste para pneus e suspensão. Curvas fechadas, pedras pontiagudas, trechos estreitos onde mal passava um carro e áreas tomadas por tantas pedras que até hoje não sei como não furei nenhum pneu. Confesso que também não sou exatamente delicado nessas estradinhas.

Depois dos primeiros dois terços a estrada melhora bastante e a vegetação começa a mudar. A paisagem lembra muito documentários sobre a caatinga brasileira: árvores baixas, retorcidas, vários tipos de cactos e um aspecto seco e agreste. Para quem gosta de aventura e natureza selvagem, aquele desvio vale completamente a pena.

Depois de muita poeira e alguns riachos atravessados, finalmente cheguei novamente ao asfalto da Ruta Nacional 9.

Dali em diante a viagem voltou a ficar monótona, dominada por retas intermináveis. Mas a natureza ainda guardava um último espetáculo. No horizonte, do lado direito da estrada, erguia-se uma gigantesca nuvem de tempestade daquelas que parecem carregar granizo e o fim do mundo ao mesmo tempo. O calor era brutal, cerca de 40 graus, e quando a frente fria começou a avançar levantou enormes nuvens de poeira das matas secas da província do Chaco. Em certos momentos os carros praticamente desapareciam dentro daquele poeirão.

Resolvi acelerar um pouco para tentar escapar da tempestade e, por sorte, consegui. Peguei apenas alguns momentos de chuva fraca na borda da frente fria.

Cheguei a Pampa del Infierno ainda sob um calor sufocante de 38 graus. Parei em um posto para perguntar sobre hospedagem e me indicaram duas opções. Escolhi a mais distante porque tinha piscina e restaurante.

Depois de tantos dias de poeira, altitude e estradas difíceis, aquilo já parecia luxo novamente.

Esperei o horário da janta e comi um enorme bife de chorizo com salada mista antes de dormir, já sentindo que a viagem começava lentamente a se despedir.

Custos mais tarde.

 

 

 

Editado por Marcelo Manente

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Colega, vi num dos posts que mencionou um galão extra de 15 litros de combustível: você transportou dentro do carro? Não teve problema? Poderia compartilhar informações sobre o modelo? 

Pelo que vi, no meu roteiro para a Patagônia, não tem nenhum trecho tão longo que ameace a autonomia do meu carro, mas sempre é bom ter mais autonomia e eventualmente poder "pular" um posto caso tenha filas e ir um pouco mais "no limite", sabendo que tem esse combustível extra.

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32 minutos atrás, Elder Walker disse:

Colega, vi num dos posts que mencionou um galão extra de 15 litros de combustível: você transportou dentro do carro? Não teve problema? Poderia compartilhar informações sobre o modelo? 

Pelo que vi, no meu roteiro para a Patagônia, não tem nenhum trecho tão longo que ameace a autonomia do meu carro, mas sempre é bom ter mais autonomia e eventualmente poder "pular" um posto caso tenha filas e ir um pouco mais "no limite", sabendo que tem esse combustível extra.

Colega, o galão que tenho é aquele do tipo militar, verde de 20 l. Tipo a foto abaixo. Na volta eu abasteci antes da fronteira de novo e usei quando estava no Brasil. Quase deu para chegar em Araucária só com gasolina Argentina.

Não houve problema algum, entretanto nenhum policial nas poucas paradas na estrada pediu para eu abrir o porta malas, por isso não sei se daria problemas. Nem houve revista na saída do lado argentino. Só olharam os documentos, perguntaram o que eu levava e mais nada.

 

galao.jpg

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10º dia – 12/01/2023

De Pampa del Infierno a El Soberbio – 794 km

Retas, cansaço e a câmera desaparecida

Os dois últimos dias da viagem já tinham um clima diferente. A aventura começava a dar lugar apenas ao deslocamento, às longas horas de estrada e à vontade crescente de chegar em casa. Mesmo assim, o penúltimo dia ainda conseguiu render um pequeno susto.

Depois do tradicional café argentino, peguei minhas coisas e levei tudo para o carro. Quando já estava saindo percebi que a câmera fotográfica havia sumido. Procurei em todos os cantos do carro, revirei malas, mochilas e voltei ao quarto para conferir. Nada.

Fiquei bastante chateado. Pensei em tudo que poderia ter acontecido, mas ao mesmo tempo queria pegar a estrada logo e seguir viagem. Só quando cheguei em casa, dias depois, descarregando tudo do carro, encontrei a câmera escondida debaixo do banco. O mais estranho é que eu havia procurado justamente ali na Argentina e não tinha visto nada.

Com a dúvida parcialmente resolvida, era hora de encarar mais um grande trecho de asfalto.

Parei em Posadas em um hipermercado Chango Más para comprar vinhos antes de voltar ao Brasil. A loja parecia uma espécie de versão argentina do Walmart, inclusive com produtos da marca Great Value. Confesso que esperava uma variedade muito maior de vinhos e acabei comprando apenas meia dúzia de garrafas.

Depois disso segui viagem praticamente sem parar. Como queria alcançar a região da fronteira ainda naquele dia, acabei dirigindo bastante à noite, algo que normalmente evito. Pior ainda porque boa parte do trajeto acompanhava o rio Uruguai, e eu tinha a sensação de que devia haver vários mirantes e paisagens bonitas escondidas na escuridão.

Quando finalmente cheguei a El Soberbio o celular voltou a captar sinal da Claro brasileira. Curiosamente, nos dois dias anteriores eu quase não tivera internet, mesmo a operadora tendo funcionado perfeitamente durante grande parte da viagem na Argentina.

Fiquei hospedado no Hotel Los Abuelos, “Os Avôs”. Quem me recebeu às 21h30 foi justamente a avó dona da hospedagem, uma senhora simpática que parecia carregar no rosto toda a tranquilidade do interior.

Pouco depois eu já estava deitado, completamente acabado, tentando recuperar as forças para o último dia da viagem.

 

11º dia – 13/01/2023

De El Soberbio a Porto Soberbo, RS, e Araucária – 693 km

A despedida da estrada

Na manhã seguinte acordei cedo, organizei as coisas no carro e fui fazer as últimas compras da viagem. Me indicaram um mercado chamado Seferino para comprar vinhos e realmente a recomendação foi ótima. A variedade era enorme. Como eu já sabia que não havia aduana do lado brasileiro nem fiscalização rigorosa, resolvi “chutar o balde” e comprei nada menos que 32 garrafas de vinho.

O problema começou na hora de pegar a balsa. Perguntei para um militar quanto custava a travessia e ele respondeu que eram 1000 pesos. Quase me ferrei por causa disso. Eu já tinha trocado todos os reais e dólares, ficando apenas com o valor da balsa no bolso. Só que ao chegar lá descobri que não eram 1000, mas 1500 pesos mais uma taxa extra de 500 para a municipalidade.

Saí desesperado da fila tentando descobrir uma forma de conseguir dinheiro. A fila do caixa eletrônico estava gigantesca e o cambista local não quis aceitar minhas moedas brasileiras, o que hoje acho até engraçado. Me sugeriram voltar ao mercado onde havia comprado os vinhos. Expliquei minha situação e, por sorte, aceitaram passar mais 1000 pesos no cartão, mesmo não podendo fazer um valor menor.

Ainda bem que consegui mais do que precisava, porque usei tudo.

Depois de resolver a situação, dei baixa na aduana argentina e acabei ficando em primeiro lugar na fila da balsa. Pouco depois ela retornou da margem brasileira e embarcamos. Nesse momento entrou na balsa um casal de brasileiros carregando uma quantidade absurda de sacolas de compras. Quando começou uma chuva fortíssima, o homem me pediu carona. Claro que aceitei. Eles entraram rapidamente no carro junto com todas aquelas sacolas antes de se molharem completamente. Durante a travessia ele comentou que era vereador de uma cidade próxima chamada Tiradentes do Sul, embora eu infelizmente não me lembre mais do nome dele.

Depois da travessia os deixei em um galpão logo na entrada da cidade e ele agradeceu de forma muito calorosa.

Dali em diante restava apenas asfalto, mas a chuva transformou o último trecho em uma viagem cansativa e lenta. Chovia tanto que em muitos momentos não dava para passar de 50 ou 60 km/h. As estradas daquela região do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina são tomadas por curvas, subidas e descidas intermináveis, o que atrasou bastante a viagem.

Quando finalmente alcancei a BR-153 a situação melhorou um pouco. A partir dali a luta passou a ser contra o próprio cansaço. Entre energéticos, Dorflex e muita insistência, consegui chegar em Araucária por volta das 23 h.

E assim terminou mais uma aventura.

Epilogo

Quando comecei essa viagem imaginei que o mais difícil seriam as estradas de terra, a altitude ou os longos trechos isolados do altiplano argentino. Mas no fim percebi que as maiores distâncias nem sempre são medidas em quilômetros. Algumas aparecem no silêncio das retas intermináveis, nos hotéis vazios ao anoitecer ou na vontade de olhar para o lado ao encontrar uma paisagem absurda e não ter ninguém ali para dividir aquele instante. Ainda assim, o norte da Argentina entregou tudo aquilo que sempre me fascinou em viajar: vulcões nevados, desertos infinitos, salares gigantescos, vales verdes surgindo como oásis, estradas improváveis agarradas às montanhas e pequenas vilas perdidas no tempo.

Viajar sozinho também me fez perceber o quanto o tempo muda a forma como encaramos a estrada. Aos 47 anos eu cruzava continentes sem pensar muito no cansaço ou na solidão. Agora, aos quase 60, o corpo cobra mais, o silêncio pesa em certos momentos e a altitude parece apertar não apenas os pulmões, mas também os pensamentos. Mesmo assim, talvez justamente por isso, cada trecho vencido tenha tido mais valor. Cada curva difícil, cada salar alcançado e cada montanha atravessada carregavam uma sensação quase silenciosa de conquista pessoal.

No final sobraram centenas de fotos, garrafas de vinho, muita poeira impregnada no carro e histórias que dificilmente caberiam apenas nas imagens. Porque viajar nunca foi apenas conhecer lugares. Viajar é perceber o mundo mudando do lado de fora enquanto a gente também muda um pouco por dentro. E talvez seja justamente isso que faz a estrada ser tão viciante: mesmo depois do cansaço, das dores de cabeça, da poeira e das frustrações, basta passar algum tempo para nascer de novo aquela velha vontade de pegar a estrada mais uma vez.

“Viajar é mudar a roupa da alma.” — Mario Quintana

Editado por Marcelo Manente

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