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Bora viajar?

A Travessia do P.N. Nahuel Huapi, com emoção!

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Eram cerca de 13 horas do dia 29/12/2011 e estavamos quase alcançando o topo do Cerro Navidad (2.102 metros), na sua encosta Oeste, por um talus.

 

- Shit!! What is that???

 

Eu e Haendel voltamos o rosto para trás pois Jerome, que gritou, fechava a fila. Olhamos então para onde ele apontava, direção Noroeste e ficamos boquiabertos. Um grande cogumelo de fumaça começava a se elevar para um céu claro, sem nuvens. Parecia a explosão de uma bomba atômica.

 

Depois de alguns segundos estupefatos sacamos rapidamente as cameras e começamos a registrar aquilo.

 

Nossa, pensei, o vulcão Puyehue-Cordón Caulle está novamente entrando em erupção?

 

A travessia do Nahuel Huapi

 

Cheguei 26/12 em Bariloche com a família. Enquanto minha esposa, filho e babá fariam os tours tradicionais eu buscaria fazer esta travessia que tentei em 2007 mas, muito inexperiente, escolhi a época errada, com trilhas ainda fechadas pela neve (vide relato "Trekking e trapalhadas na neve").

 

Foi um trekking sensacional e, como podem ler acima, com algumas emoções extras! Mas também foi o mais pesado e duro que realizei até hoje. Muita subida e descida através de montanhas íngremes, terreno muito variável, exigindo uma boa condição aeróbica e joelhos saudáveis. E o terceiro dia, travessia do Refúgio Jakob para o Refúgio Segre, pelas montanhas, é muito cansativo, com um grau de exposição que mete medo em quem tem medo de altura (meu caso!). Torres del Payne é fácil, se comparar com esta travessia, apesar de ter apenas 36,5 km contra os 105 km de TDP (circuito completo).

 

Villa Catedral - Refugio Frey

 

Sai uma da tarde de 27/12 do centro de Bariloche num onibus da linea 3 de Mayo. Oito pesos até a Villa Catedral. Pensava em subir para o Refúgio Frey pelo Arroyo Van Titter (que já conhecia de 2007). Mas um casal de ingleses, Charlie e Bianca subiram no ônibus após Playa Bonita e ele me perguntou se ia subir para o Frey. Disse que sim e tirei algumas dúvidas dele com a ajuda do meu mapa. Porém revelaram que queriam ir pelo filo do Cerro Catedral, pegando o teleférico, como recomenda o Lonely Planet "Trekking in the Patagonian Andes". Já que teria companhia, decidi ir com eles.

 

Apenas uma aerosilla funciona no verão, até o refúgio Lynch. Muito legal a ascensão, com vistas lindas para Bariloche e o Cerro Otto. O preço achei exorbitante: 95 pesos, ainda mais que só subiria.

 

Fomos, mas ao chegar lá em cima eles disseram que queriam fazer um lanche no restaurante do refúgio antes de prosseguir e que levariam mais ou menos uma hora. Decidi partir primeiro porque na montanha é melhor partir antes cedo que tarde. Disseram que a depender do meu ritmo me alcançariam. Não me alcançaram e suspeito que sequer partiram, pois olhando para trás não os vi em nenhum momento no filo e depois, no Refúgio Frey.

 

O caminho é pelo filo, com uma vista amplíssima para o lago Gutierrez a leste, e para oeste, o vale do Arroyo Rucaco e o Cerro Tres Reyes. Baixei para um colo, entre a Punta Nevada e a Punta Princesa e, a partir daí, se caminha pela encosta oeste do Cerro Catedral, com vista apenas para o vale do Rucaco.

 

Trecho muito chato, com um sobe e desce constante através de pedras. Navegação fácil pois há bastante pircas e marcas vermelhas nas pedras. Encontrei no meio deste trecho um casal que vinha em sentido contrário com pequenas mochilas. Ele parecia que estava fazendo uma caminhada na praia. Chapéu de aba de palha e bermuda, camisa florida. Realmente o dia estava muito bonito porém o rapaz não precisava exagerar!

 

Num pequeno trecho plano, com uma grande pedra que poderia oferecer abrigo no caso de um vivac, havia um pequeno colo de onde se podia avistar o lado oposto, que era o vale do Arroyo Van Titter. A garganta profunda tinha pináculos em ambos os lados e descobri quatro condores pousados nestas pedras, quando um deles voou de uma para outra.

 

Nunca os havia visto de tão perto. Eles são os urubus dos Andes. Tem uma grande envergadura de asa e é muito característica a asa, que tem 5 ou 6 remiges (penas grandes) na ponta, parecendo dedos esticados para fora.

 

A visão melhorou meu humor e continuei por mais meia hora quando vi a roca inclinada que indica que logo a seguir está o paso para baixar para o Refúgio Frey. Há uma área plana com pedras pintadas indicando a direção para o refúgio Frey e, no sentido oposto, para o refúgio Jakob.

 

É mais lógico baixar para o vale do Rucaco, em direção ao refúgio Jakob. Se vamos para o Frey, no dia seguinte temos que subir um bom trecho de novo. Mas como não conhecia o Frey, resolvi descer para lá. Virei para a esquerda e após uma pequena passagem se avista a cancha de futebol. Parece mesmo um pequeno estádio de futebol. Só não aconselho a jogar bola pois o gramado na verdade é areia e pedra. Na parede sul e oeste da cancha ainda havia neve.

 

Marca vermelha indica a óbvia saída da cancha rumo ao Frey. Antes porém há uma descida empinada para o platô da linda laguna Schmoll. Perigosa a descida se ainda houver neve ou condição de tempo ruim. Laguna de águas transparentes e azuis, com um tom esverdeado, onde o sol batia mais. A partir daí outra descida, agora para o platô da laguna Toncek, também linda.

 

Anda-se um pouco através de um pasto antes de chegar a extremidade oeste da laguna. Preferi margem-lá pelo lado sul. Avistava na outra extremidade o refúgio e diante dele várias pessoas se banhando. Curtindo aquela praia patagônica! Também é raro mesmo no verão uma temperatura tão agradável (27-29ºC).

 

Entrei no refúgio e perguntei ao refugiero onde poderia armar a barraca. Disse-me que em qualquer lugar contudo que fosse do lado esquerdo do riacho de deságüe da laguna, onde ficava o refúgio. O aspecto de bagunça da cozinha não me deram boa impressão.

 

Subi o morro e vi varias muretas de pedra em circulo, para armar as tendas, sinal de ventos fortes vindo de Oeste. Escolhi uma mais afastada do refúgio, pela privacidade e por ficar mais distante do barulho. Estes refúgios muitas vezes tem uma vida noturna agitada com bebida e musica. Porém estava cansado e não queria saber de balada.

 

Armei a Lightwave diante de uma belíssima vista para o lago, fiz um missoshiro instantâneo com água quente (êta invenção boa) e dei uma caída na lagoa (meu banho sem sabão). Durante o dia utilizo um calção de banho ao invés de cueca justamente para aproveitar rapidamente estas ocasiões.

 

Entre duas pedras o pessoal estendeu um cabo onde alguns tentaram passar como equilibristas. Acaso não conseguissem cairiam no lago de uma altura de um metro. O rapaz que atravessou foi aplaudido.

 

Depois fiz a janta, um arroz carreteiro Tio João, até razoável. Comi vendo o movimento, inclusive muitas pessoas chegando depois de mim. Varias delas alpinistas de rocha, porque no cerro Catedral não faltam desafios. As montanhas que emolduram a laguna tem várias agulhas tornando o cenário belíssimo.

 

Inclusive, comendo, acompanhei uma ou duas equipes escalando a pedra Frey. Já era tarde, mas lá de cima num rápido rapel estariam de volta ao chão e mais 15 minutos descendo pela encosta chegariam ao abrigo.

 

Alguns escaladores que chegaram mais tarde inclusive não armaram barraca. fizeram um vivac. Também com aquele tempo agradabilíssimo com previsão de tempo excelente nos próximos 5 dias.

 

Dormi por volta de 23 horas (escurece as 22 horas!). Tinha cantoria no abrigo. Coloquei um plugue de ouvido para pegar no sono. Não precisei usar agasalhos pois como mínimo fez 10°C durante a noite.

Featured Replies

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Pessoal:

 

Finalmente de volta a Salvador, BA, posso postar as fotos do trekking Travessia do P.N. Nahuel Huapi. Começo postando as fotos da erupção do vulcão Puyehue-Cordón Caulle. Esta erupção, ativa desde junho/2011, destroçou a economia local, baseada no turismo, no inverno passado.

 

A foto mostra o início da erupção (forma de cogumelo nuclear). As fotos subsequentes mostram já a pluma formada quando as nuvens de cinza foram sopradas pelo vento. A cruz numa das fotos mostra o topo do cerro Navidad.

 

Abs, peter

 

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Mais fotos da travessia:

 

Refúgio lynch - alto do Cerro catedral - início do trekking.

 

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Vale do Rucaco - desceria para este vale no 2º dia. Ao fundo o passo Brecha Negra.

 

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Cancha de futebol.

 

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Refúgio Frey.

 

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Laguna Toncek com as agulhas do cerro Catedral ao fundo.

 

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Mesmo local, ao amanhecer.

 

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Bonito local para acampar no vale do Rucaco.

 

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Laguna San Martin visto do passo Brecha Negra. Assinalado o local do refúgio.

 

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Atravessando o arroyo de deságue da laguna San Martin.

 

20120321122521.JPG

 

Laguna San Martin (ou Jakob) ao anoitecer.

 

20120321122614.JPG

 

Depois posto mais fotos.

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Mais fotos:

 

Foto da foto mostrando a subida "emocionante" no início do 3º dia, disponibilizada pelo refugiero.

 

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Início da parte "com emoção".

 

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Recuperando o fôlego na escalada.

 

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A laguna, dezenas de metros abaixo, vista da canaleta de pedras por onde subíamos.

 

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Passo que teríamos que cruzar.

 

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Laguna Navidad, do outro lado do passo.

 

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Descendo pelo gelo para o fundo do vale do Arroyo Navidad, esquiando com os pés ou com a bunda.

 

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Descida chata, através do estreito vale do Arroyo Navidad,forçando bem os joelhos.

 

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Subindo agora o "Caracol" rumo ao refúgio Itália (ou Segre). A foto é da vista para o vale do Arroyo Navidad, que acabaramos de baixar.

 

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Vista da Laguna Negra, a caminho do Cerro Bailey Willis (para o refúgio Lopez). Assinalados o refúgio Itália e a torre principal do Cerro Catedral, ainda visível apesar da distância.

 

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A bateria da máquina acabou, pouco depois. Quando for possível posto as fotos que Gerome me mandou, da erupção do Puyehue.

 

Uma das travessias mais bonitas e exigentes que já fiz.

 

Abraços, peter

  • 2 semanas depois...
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Peter,

 

Que imagens! Belíssimas fotos de um belíssimo e fantástico trekking!

 

Gostei muito da foto da Laguna Navidad. Mostra muito a peculiaridade da Patagônia!

 

Abraço,

Edver

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Valeu Edver!!

 

Pena que não pode me acompanhar nesta travessia. Vamos ver se combinamos algo para o próximo verão patagônico! Dientes, quem sabe!

 

Abraços, peter

  • 4 anos depois...
Postado
  • Membros

Com emoção, Peter? Bota emoção nisso!!!

 

Que sorte tiveste com o tempo e os parceiros experientes no trecho mais técnico e difícil da travessia! Muito bom quando a gente dá essa sorte.

 

De minha parte, depois de ler o seu relato e assistir aos vídeos do Youtube, vou me contentar em fazer a travessia parcial: Catedral-Frey-Jakob-Tambo de Baez. Acho que já tá de bom tamanho e não corro o risco de travar naquele precipício da Laguna Témpanos. O mais incrível é que todo ano tem uma corrida de montanha que percorre os quatro refúgios - na canaleta eles usam corda e cadeirinha (como dá pra ver em

aos 6:36). Você enfrentou sem esses equipos e ainda com uma cargueira pesada... rapaz!

 

Abraços!

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