Olá viajante!
Bora viajar?
- Respostas 29
- Visualizações 17.2k
- Criado
- Última resposta
Featured Replies
Arquivado
Este tópico foi arquivado e está fechado para novas respostas.
A better way to browse. Learn more.
A full-screen app on your home screen with push notifications, badges and more.
Bora viajar?
Este tópico foi arquivado e está fechado para novas respostas.
TREKKING NOS ANDES DA PATAGÔNIA -RECOMENDAÇÕES
A Patagônia é uma das regiôes mais belas e selvagens do planeta, atraindo milhares de turistas e trekkers a cada ano para conhecer suas maravilhosas florestas, montanhas, rios e glaciares. Sou um apaixonado por este canto do nosso planeta.
Depois de algumas viagens e cerca de 15 tekkings pela Patagônia, com mais ou menos 40 pernoites em tenda, tenho alguma experiência nesta região. Mas ainda há muito o que aprender.
O objetivo deste tópico é trocar informações e compartilhar experiências .
Por que trekking na Patagônia?
O cenário natural é fabuloso e há uma rede de parques nacionais bem-cuidados tanto do lado argentino como do chileno. Muitos dos trekkings são considerados "world class" atraindo excurcionistas de todo o mundo. Infelizmente o Brasil ainda não tem trekkings nesta categoria. Para a maioria dos parques há um acesso fácil através de ônibus coletivos. As cidades próximas aos parques normalmente tem uma infraestrutura mínima (camping, hostels, restaurantes, mercearias, internet).
A Patagônia é considerada a região ao sul da latitude 38°. Do lado chileno temos florestas com alta pluviosidade, em seguida os Andes, e no lado argentino as secas estepes patagônicas, até chegar ao oceano Atlântico. O lado argentino é bem mais seco porque os ventos preferenciais vem do Pacífico e a chuva desaba no lado oeste dos andes. Na Argentina temos a sombra das chuvas.
A Patagônia está totalmente dentro de uma área de clima temperado. Portanto com as 4 estações do ano bem distintas. No verão chega a fazer 19 horas de luz em Ushuaia e 15 hrs de luz em Laguna del Laja (limite norte da Patagônia). A região está dividida, de Norte a Sul, em Araucania, Distrito dos Lagos, Patagônia Central, Patagônia Sul e Terra do Fogo.
O acesso é mais fácil para nós, brasileiros. Normalmente vou de milhagem do Brasil para BsAs ou Santiago e destas cidades vou para Patagonia de bus ou avião. De avião quanto maior a antecedência na compra da passagem, mais barato. Como o trekking é uma atividade barata, não costumo gastar mais que US$ 20/ dia.
Navegação através de mapas cartográficos todo trekker deveria saber, mas as trilhas são normalmente bem marcadas nos parques nacionais. Algum cuidado maior deve ser dado acima da linha das árvores. Gosto particularmente dos mapas da Aonneker.
Os Andes da Patagônia já são bem mais baixos que os andes Centrais. Poucas montanhas excedem os 3.000 ou 4.000 metros. Assim o Mal de Altura (MAM) dificilmente é um problema num trekking. A não ser que estejamos subindo o Tronador, o Lanin ou poucas outras montanhas, isto não é motivo de preocupação.
Animais daninhos
Com exceção do Puma não há vida selvagem perigosa para o homem. Mesmo este felino é normalmente tímido evitando cruzar com pessoas. Nunca vi cobras na Patagônia. Há duas espécies de aranhas venenosas (araña del rincon e a araña del trigo) mas apenas na área norte da Patagônia, nada comparado com o Brasil. Não existem carrapatos e pulgas!!! Em compensação, os tábanos (mutucas turbinadas) são um porre, especialmente em janeiro/ fevereiro, quando são bem numerosas. mas são fáceis de matar. Deixe-as pousar e acerte uma palmada.
O hantavirus, transmitido por roedores é um problema real. Evite usar ou pernoitar em refúgios abandonados.
A segurança pública é outro destaque. Dificilmente seriamos atacados por bichos de 2 patas atrás de $$$.
Hipotermia
O verdadeiro risco da Patagônia é a hipotermia, causado por baixas temperaturas, chuva, vento e neve ou todos juntos ao mesmo tempo!!! As janelas de bom tempo duram normalmente de 3 a 5 dias. Mesmo no verão podemos ser surpreendidos por neve.
Assim o mais importante para um trekking na Patagônia é prevenir a hipotermia. Enumero tres fatores que considero importante para evitá-la.
1) saber o que é e como evitar ( a teoria antes da prática). Principalmente reconhecer quando vc ou alguém está com sintomas de hipotermia.
Outra preocupação é com o "pé de trincheira". Uma situação que ocorre se o pé fica muito tempo exposto ao frio e a umidade (botas molhadas).
Frostbite é uma situação que ocorre com neve e gelo. Não teríamos isto no verão exceto nos altos pasos, acima da linha das árvores. Não é algo provável de ocorrer a um trekker com um mínimo de cuidado. Isto pode ocorrer mais com andinistas, em longas caminhadas na neve e gelo.
2) bom equipamento e boa indumentária: tenda de qualidade e roupas técnicas são fundamentais.
A tenda deve ser 4 estações. Mas já vi muita gente acampando com boas 3 estações. Se acampamos no fundo de um vale, uma 3 estações dá para o gasto. Como elas são mais teladas (ventiladas) basta compensar isto com um saco de dormir mais eficiente.
É o vento que destroi tendas. Lembre- se disto antes de acampar acima da linha das árvores com uma tenda chinesa de baixa qualidade. Escolha bem o lugar para montar a tenda. Os mais seguros são dentro das florestas. As árvores e arbustos quebram a força do vento. Mas não arme a tenda debaixo de um galho podre.
Vale a pena investir em roupas de boa qualidade. Não estou falando de comprar em boutiques ou roupas de marca (tem isto também na indústria outdoor!) mas aquelas bem feitas e com tecidos técnicos. Uma primeira pele sintética, um agasalho de polartec ou lã merino e um impermeável respirável são o mínimo essencial.
O saco de dormir deve ser de - 10 º C. Se não for, você deve dormir encasacado. Eu uso um de pluma. Há quem diga que devido as chuvas é melhor um sintético. Mas se vc tem um bom saco impermeável para guardar seu saco de dormir e é cuidadoso, tanto faz ser sintético ou de pluma. O de duvet (pluma) é sempre mais leve e confortável.
3) planejamento. Saber aonde e quando ir.
A estação de trekking na Patagônia vai de novembro a abril. Quanto mais ao sul, mais curta a estação. Em Torres del Paine os refúgios já deixam de funcionar, normalmente, em meados de março.
Meados de dezembro até meados de fevereiro costuma ser a melhor época. Mas notemos que isto pode variar de ano para ano. Agora, por exemplo, dezembro/2011 e janeiro/2012 foram excelentes, ensolarados. Fevereiro já foi chuvoso. Geralmente novembro e março já exigem mais roupa de frio e mais experiência. O tempo é mais instável nestes meses "ombros" (shoulder months).
Novembro também pode exigir piolets e crampons em alguns pasos de montanha pois ainda haverá gelo. A escolha do trekking em função da época do ano é muito importante. Deixaria os trekkings mais ao sul e acima da linha das árvores para o miolo do verão ( final de dezembro a meados de março).
Logo antes de sair confira a previsão de tempo. Normalmente as previsões até 5 dias são confiáveis. As melhores são até 3 dias. Dê preferencia para fazer os trechos acima da linha das árvores somente com tempo bom. Se for o caso espere o tempo melhorar, no vale. Mesmo se a previsão for de apenas vento, lembrar que ali os ventos de 80 a 120 km/hora não são raros. E andar numa crista com um vento assim é um convite a tragédia. Portanto é bom ter sempre dois dias de folga, ao menos, no seu planejamento, caso tenha de esperar. Se o trekking é para ser feito em 5 dias, tenha disponível 7 dias.
Alimentação e combustível
Também é altamente recomendável ter um ou dois dias a mais de comida, dentro da mochila, justamente no caso destes atrasos na programação. É chato carregar mais 2 quilos nas costas, mas prevenir é melhor...
Comida: a mais calórica e deliciosa possível! Não se preocupe com a dieta. Vc com certeza ainda assim voltará do trekking bem mais magro que saiu. Os supermercados chilenos e argentinos tem boas opções para o trekker. Descobri até polenta instantânea no verão passado! Na Argentina eles tem uma pasta em tablete de creme de amendoim, chocolate e açucar chamada Mantecol que é uma bomba calórica excelente para recuperar o açucar gasto.
Os salames e os queijos lá são muito bons e resistem bem, mesmo porque não faz o calor tropical daqui. Mesmo assim é bom comer o salame em 4 ou 5 dias. Se vc sair de um lado da fronteira para outro lembre-se que estes produtos (carnes e laticínios) serão apreendidos na fronteira, se descobertos. Particularmente, a aduana chilena é bem rigorosa. Assim coma tudo antes de cruzar a fronteira e refaça seus suprimentos no outro país.
Prefiro o gás combustível (mistura de butano + propano) em "lata" de 230 gr com conexão roscada, que são fáceis de encontrar. A Doite chilena vende estes produtos e são encontrados na maioria das lojas outdoor. também tem a lata de 500 gr. Aqueles de tipo lata de spray não são confiáveis. Benzina já não é tão fácil de encontrar. Se for levar um fogareiro líquido, prefira um multifuel (que aceite benzina, gasolina e querosene). Nas maiores cidades vc vai encontrar benzina.
O povo.
O argentino é mais aberto e mais conversador que o chileno. Normalmente são simpáticos e gostam dos brasileiros. Mesmo assim não são tão brincalhões como nós, e as brincadeiras e piadas, tão apreciadas por nós, só se já tiver um bom grau de amizade. Costumam dizer na lata o que pensam. São muito nacionalistas. Jamais chame as Islas Malvinas de Falkland!!
Os chilenos são mais retraídos e introvertidos. Mas também são bem amigáveis, embora seja mais difícil entabular uma conversa com eles. Tem um senso de humor bem inteligente e irônico. Extremamente honestos.
Saber um mínimo de espanhol ajuda muito. A lingua é parecida mas tem muita coisa que é diferente e eles não entendem. Se vc abordar direto falando em português eles vão entender isto como arrogância. Pedir desculpas por não falar espanhol é uma boa maneira de iniciar uma conversar ou pedir informação.
Quem quiser acrescentar algo fique a vontade.
Peter
Editado em 15/07/2016
Algumas regiões da Patagônia são mais remotas e envolvem uma maior planejamento logístico.
Aysén, no Chile, é uma delas. Na alta estação, janeiro/fevereiro, falta ônibus. Também não há muita opção de hotel. A região é linda e uma das menos conhecidas na Patagônia. Mas é mundialmente conhecida entre os cicloturistas, devido a bela Carretera Austral. A maior parte da Carretera é de rípio e volta e meia é necessário pegar um ferry para atravessar alguns dos inúmeros lagos avistados pelo caminho.
Nesta região sugiro ir nas shoulder seasons (dezembro e março/abril) para evitar ficar 2 ou 3 dias parado numa localidade devido a falta de lugar nos ônibus. Outra alternativa é alugar um carro. mas não é prático para quem quer fazer trekking.
Ats, Peter
Editado por Visitante