A Trilha do Ouro (ou caminho de Mambucaba) foi construída a partir das trilhas dos índios Guaianazes no século XVII e utilizada pelos escravos para transportar as riquezas extraídas de Minas Gerias para a praia de Mambucaba, entre Angra e Parati.
Hoje a trilha, de aproximadamente 50 km, se encontra dentro do Parque Nacional Serra da Bocaina e sai de São José do Barreiro e vai até o vilarejo de Perequê. Para visitar a trilha e seus atrativos é necessária uma autorização que você deve solicitar diretamente para o parque. Ela em si não é difícil conseguir, porém é bom se antecipar já que o parque tem um limite diário de 80 visitantes. A entrada é gratuita.
A trilha não tem um grau elevado de dificuldade, sendo a logística, a lama, as pedras escorregadias e a distancia total os seus principais desafios. Mas como diz o ditado: “Tá na chuva é para se molhar”.
Vamos ao relato.
1ª Dia:
Arrumando as coisas para tirar um cochilo.
Partimos da rodoviária do Tietê na sexta-feira (08/02/2013) as 23:40... Mentira! Rá! Sexta-feira, véspera de carnaval... Até parece né? Nosso ônibus para Guaratinguetá da Pássaro Marron acabou saindo a 01:40, mas até ai tudo bem. Eu já havia previsto esse atraso e na verdade até estava contando com ele. Como eu falei, a logística é meio complicada e de Guaratinguetá teríamos que pegar outro ônibus com destino a São Jose do Barreiro, porem esse outro só sairia as 07:00. Ou seja, quanto mais o ônibus atrasasse menor seria o tempo que iriamos precisar dormir ao relento na rodoviária de Guará.
Mesmo com o atraso, o ônibus chegou as 04:00 em Guaratinguetá e fomos obrigados a achar um cantinho para esticar nossos isolantes e tentar descansar. O comércio da rodoviária começou a abrir as 06:00 e com o barulho nos fomos acordados. Aproveitamos é tomamos café ali mesmo. As 07:00 partimos para São José do Barreiro.
Panorâmica da praça de São José do Barreiro.
Chegamos em SJB as 09:15 e fomos direto para a praça da igreja, onde encontraríamos com o resto do pessoal do RJ para pegar o segundo transporte para o inicio da trilha. O primeiro grupo havia saído as 08:00 com o Bruno da Rota da Aventura e a previsão era que ele voltasse as 10:00 para fazer a segunda viagem. Só que como as chuvas não deram trégua na noite anterior a estrada estava bem ruinzinha e o transporte retornou ao 12:00, bem na hora em que havíamos sentado para almoçar. Enquanto terminávamos de comer o Bruno foi resolver um “pepino” que havia dado com nossas autorizações lá na sede do parque.
Portaria do Parque.
Chegamos na entrada do parque por volta das 13:00. Antes de começar a trilha é necessário assinar a autorização e retirar uma cópia da mesma. A cópia deve ficar com você durante todo o restante da trilha, pois pode ser solicitado caso você passe por alguma fiscalização.
Por volta de 13:30 começamos a andar, e como estávamos bem atrasados, o Bruno se encarregou de levar nossas mochilas até o primeiro acampamento, Barreirinha. Como estávamos leve pudemos andar sem muita pressa e curtir mais o lugar.
O primeiro atrativo vem bem rápido, com 1,5k de trilha já temos a primeira cachoeira para se refrescar. A cachoeira do Santo Isidro tem cerca de 50 metros de queda e tem um belo poço onde é possível nadar. Ela tem uma praia muito tentadora a quem olhar, porém observando em volta é possível ver marcas de até onde a aguá sobe quando chove. Ou seja, é uma bela armadilha.
Cachoeira do Isidro
Seguindo pela trilha, que na verdade é uma estrada, andamos por mais 6,5 km até chegar na cachoeira das Posses. Essa tem cerca de 40m de queda e não é tão tentadora quanto a do Santo Isidro. Como já estava tarde e o tempo fechando resolvemos ficar apenas alguns minutos curtindo a cachoeira e fomos embora.
Cachoeira das Posses.
Voltamos à estrada em um passo já mais acelerado por conta do clima fechado e da luz do dia que já estava dando sinais de despedida. Mas de nada adiantou, chegamos ao abrigo da Barreirinha encharcados e no escuro. Eram por volta das 20:00 quando chegamos. Montamos as barracas rapidamente, tomamos banho e jantamos. Já mais calmos e aquecidos, tomamos um belo vinho e jogamos papo fora.
2º Dia:
Com a noite anterior quase que virada e a longa caminhada de cerca de 22 km, nós nos demos ao luxo de não acordar tão cedo. A maioria acordou as 08:00 e as 09:00 já estava pronta, mas alguns demoraram um pouco mais e acabamos por sair da Barreirinha as 11:00 de baixo de um sol de rachar a cuca. Logo nos primeiros quilômetros haverá uma bifurcação, você deverá pegar a direita. Mais para frente passará pela pousada da Dona Palmeirinha.
Camping da Barreirinha
A trilha ainda segue como uma estrada por mais alguns quilômetros e depois vira o famoso calçamento “pé-de-moleque”, feito de pedras cuidadosamente ajeitadas pelos escravos. É de se pensar o quanto eles sofreram para conseguir fazer esse calçamento.
A trilha virou rio.
Nesse dia tivemos algumas subidas de tirar o folego, porém o maior desgaste foi por conta do sol. Mas depois de tanto suar e falar: “bem que podia ter umas nuvens”, o tempo fechou e começou uma baita chuva. Era tanta agua que a trilha virou um rio e a bota daria fácil como um aquário. Andamos assim por mais de uma hora até finalmente chegar ao acampamento do Tião, e para ajudar, quando chegamos a chuva parou. Para chegar ao sitio é necessário atravessar o rio utilizando uma tirolesa. Nada como um pouco de emoção.
Montamos acampamento e enquanto alguns pararam para comer alguma coisa, outros já partiram para a cachoeira dos Veados a fim de voltar cedo para tomar um belo banho quente. Para chegar até a cachoeira é preciso voltar pela tirolesa e seguir por cerca de 1 km. No caminho passamos por uma pousada abandonada onde também serve como ótimo lugar para camping.
Tirolesa.
A cachoeira dos Veados é a mais conhecida do parque e da trilha, sendo a visita obrigatória para quem faz a trilha do Ouro. Do ponto onde fomos só é possível ver duas quedas, mas na verdade ela possui três quedas, sendo a ultima a de acesso mais fácil. “Infelizmente”, devido à força da queda, não é possível se banhar nos pés da cachoeira, mas alguns metros antes tem uma pequena prainha onde é possível dar um belo mergulho.
Cachoeira dos Veados.
Após alguns momentos de “brisa” apreciando a cachoeira, voltamos para o acampamento, tomamos banho, jantamos e dessa vez ficamos pouco tempo conversando. Com a noite chegando, a chuva voltou a ameaçar e essa foi a deixa para todo mundo ir dormir.
3º Dia:
Ultimo dia e o mais longo. O alvorecer foi bem cedo, sem tempo para secar a barraca e as roupas. Tomamos um rápido café é já botamos o pé na trilha, ou melhor, na lama. A trilha era simplesmente lama pura. Andamos por mais de uma hora apenas sobre lama, com os pés atolando a cada passo, em um ritmo de tartaruga. No primeiro quilometro irá ter uma bifurcação, mas os dois caminho dão no mesmo lugar.
Caminho das pedras.
As pedras “pé-de-moleque” entravam em cena quando a lama dava uma trégua. Por conta da mata fechada e da umidade, criou-se um limo muito perigoso sobre as pedras. O bastão de caminhada foi muito utilizado nesse dia. Apesar da mata fechada, da lama e dos escorregões nesse dia, a trilha teve lá seus atrativos. Inúmeras nascentes, animais selvagens e um belo banho de cachoeira foram as recompensas. Do sitio do Tião até a ponte no final da trilha são 18 km. Lá conseguimos um transporte para ir até o vilarejo de Perequê, que fica a 14 km da ponte.
E foi assim que passamos mais um carnaval com muita lama, chuva, sol, mata, animais e cachoeira.
Recomendações:
É essencial ter um tênis apropriado e pelo menos um bastão para caminhar. Também recomendo levar suas roupas em sacos estanques ou sacos plásticos bem selados. E lembrando que todo cuidado é pouco quando se está andando no ambiente de animais peçonhentos.
Dados Gerais:
1º Dia: 22 km (Contando com a visita as cachoeiras do Isidro e das Posses)
2º Dia: 14 km (Com a visita a cachoeira dos Veados)
3º Dia: 18 km (Até a ponte) + 14 km até vilarejo de Perequê
Relato também publicado em http://www.tripsdolupa.com.br
A Trilha do Ouro (ou caminho de Mambucaba) foi construída a partir das trilhas dos índios Guaianazes no século XVII e utilizada pelos escravos para transportar as riquezas extraídas de Minas Gerias para a praia de Mambucaba, entre Angra e Parati.
Hoje a trilha, de aproximadamente 50 km, se encontra dentro do Parque Nacional Serra da Bocaina e sai de São José do Barreiro e vai até o vilarejo de Perequê. Para visitar a trilha e seus atrativos é necessária uma autorização que você deve solicitar diretamente para o parque. Ela em si não é difícil conseguir, porém é bom se antecipar já que o parque tem um limite diário de 80 visitantes. A entrada é gratuita.
A trilha não tem um grau elevado de dificuldade, sendo a logística, a lama, as pedras escorregadias e a distancia total os seus principais desafios. Mas como diz o ditado: “Tá na chuva é para se molhar”.
Vamos ao relato.
1ª Dia:
Arrumando as coisas para tirar um cochilo.
Partimos da rodoviária do Tietê na sexta-feira (08/02/2013) as 23:40... Mentira! Rá! Sexta-feira, véspera de carnaval... Até parece né? Nosso ônibus para Guaratinguetá da Pássaro Marron acabou saindo a 01:40, mas até ai tudo bem. Eu já havia previsto esse atraso e na verdade até estava contando com ele. Como eu falei, a logística é meio complicada e de Guaratinguetá teríamos que pegar outro ônibus com destino a São Jose do Barreiro, porem esse outro só sairia as 07:00. Ou seja, quanto mais o ônibus atrasasse menor seria o tempo que iriamos precisar dormir ao relento na rodoviária de Guará.
Mesmo com o atraso, o ônibus chegou as 04:00 em Guaratinguetá e fomos obrigados a achar um cantinho para esticar nossos isolantes e tentar descansar. O comércio da rodoviária começou a abrir as 06:00 e com o barulho nos fomos acordados. Aproveitamos é tomamos café ali mesmo. As 07:00 partimos para São José do Barreiro.
Panorâmica da praça de São José do Barreiro.
Chegamos em SJB as 09:15 e fomos direto para a praça da igreja, onde encontraríamos com o resto do pessoal do RJ para pegar o segundo transporte para o inicio da trilha. O primeiro grupo havia saído as 08:00 com o Bruno da Rota da Aventura e a previsão era que ele voltasse as 10:00 para fazer a segunda viagem. Só que como as chuvas não deram trégua na noite anterior a estrada estava bem ruinzinha e o transporte retornou ao 12:00, bem na hora em que havíamos sentado para almoçar. Enquanto terminávamos de comer o Bruno foi resolver um “pepino” que havia dado com nossas autorizações lá na sede do parque.
Portaria do Parque.
Chegamos na entrada do parque por volta das 13:00. Antes de começar a trilha é necessário assinar a autorização e retirar uma cópia da mesma. A cópia deve ficar com você durante todo o restante da trilha, pois pode ser solicitado caso você passe por alguma fiscalização.
Por volta de 13:30 começamos a andar, e como estávamos bem atrasados, o Bruno se encarregou de levar nossas mochilas até o primeiro acampamento, Barreirinha. Como estávamos leve pudemos andar sem muita pressa e curtir mais o lugar.
O primeiro atrativo vem bem rápido, com 1,5k de trilha já temos a primeira cachoeira para se refrescar. A cachoeira do Santo Isidro tem cerca de 50 metros de queda e tem um belo poço onde é possível nadar. Ela tem uma praia muito tentadora a quem olhar, porém observando em volta é possível ver marcas de até onde a aguá sobe quando chove. Ou seja, é uma bela armadilha.
Cachoeira do Isidro
Seguindo pela trilha, que na verdade é uma estrada, andamos por mais 6,5 km até chegar na cachoeira das Posses. Essa tem cerca de 40m de queda e não é tão tentadora quanto a do Santo Isidro. Como já estava tarde e o tempo fechando resolvemos ficar apenas alguns minutos curtindo a cachoeira e fomos embora.
Cachoeira das Posses.
Voltamos à estrada em um passo já mais acelerado por conta do clima fechado e da luz do dia que já estava dando sinais de despedida. Mas de nada adiantou, chegamos ao abrigo da Barreirinha encharcados e no escuro. Eram por volta das 20:00 quando chegamos. Montamos as barracas rapidamente, tomamos banho e jantamos. Já mais calmos e aquecidos, tomamos um belo vinho e jogamos papo fora.
2º Dia:
Com a noite anterior quase que virada e a longa caminhada de cerca de 22 km, nós nos demos ao luxo de não acordar tão cedo. A maioria acordou as 08:00 e as 09:00 já estava pronta, mas alguns demoraram um pouco mais e acabamos por sair da Barreirinha as 11:00 de baixo de um sol de rachar a cuca. Logo nos primeiros quilômetros haverá uma bifurcação, você deverá pegar a direita. Mais para frente passará pela pousada da Dona Palmeirinha.
Camping da Barreirinha
A trilha ainda segue como uma estrada por mais alguns quilômetros e depois vira o famoso calçamento “pé-de-moleque”, feito de pedras cuidadosamente ajeitadas pelos escravos. É de se pensar o quanto eles sofreram para conseguir fazer esse calçamento.
A trilha virou rio.
Nesse dia tivemos algumas subidas de tirar o folego, porém o maior desgaste foi por conta do sol. Mas depois de tanto suar e falar: “bem que podia ter umas nuvens”, o tempo fechou e começou uma baita chuva. Era tanta agua que a trilha virou um rio e a bota daria fácil como um aquário. Andamos assim por mais de uma hora até finalmente chegar ao acampamento do Tião, e para ajudar, quando chegamos a chuva parou. Para chegar ao sitio é necessário atravessar o rio utilizando uma tirolesa. Nada como um pouco de emoção.
Montamos acampamento e enquanto alguns pararam para comer alguma coisa, outros já partiram para a cachoeira dos Veados a fim de voltar cedo para tomar um belo banho quente. Para chegar até a cachoeira é preciso voltar pela tirolesa e seguir por cerca de 1 km. No caminho passamos por uma pousada abandonada onde também serve como ótimo lugar para camping.
Tirolesa.
A cachoeira dos Veados é a mais conhecida do parque e da trilha, sendo a visita obrigatória para quem faz a trilha do Ouro. Do ponto onde fomos só é possível ver duas quedas, mas na verdade ela possui três quedas, sendo a ultima a de acesso mais fácil. “Infelizmente”, devido à força da queda, não é possível se banhar nos pés da cachoeira, mas alguns metros antes tem uma pequena prainha onde é possível dar um belo mergulho.
Cachoeira dos Veados.
Após alguns momentos de “brisa” apreciando a cachoeira, voltamos para o acampamento, tomamos banho, jantamos e dessa vez ficamos pouco tempo conversando. Com a noite chegando, a chuva voltou a ameaçar e essa foi a deixa para todo mundo ir dormir.
3º Dia:
Ultimo dia e o mais longo. O alvorecer foi bem cedo, sem tempo para secar a barraca e as roupas. Tomamos um rápido café é já botamos o pé na trilha, ou melhor, na lama. A trilha era simplesmente lama pura. Andamos por mais de uma hora apenas sobre lama, com os pés atolando a cada passo, em um ritmo de tartaruga. No primeiro quilometro irá ter uma bifurcação, mas os dois caminho dão no mesmo lugar.
Caminho das pedras.
As pedras “pé-de-moleque” entravam em cena quando a lama dava uma trégua. Por conta da mata fechada e da umidade, criou-se um limo muito perigoso sobre as pedras. O bastão de caminhada foi muito utilizado nesse dia. Apesar da mata fechada, da lama e dos escorregões nesse dia, a trilha teve lá seus atrativos. Inúmeras nascentes, animais selvagens e um belo banho de cachoeira foram as recompensas. Do sitio do Tião até a ponte no final da trilha são 18 km. Lá conseguimos um transporte para ir até o vilarejo de Perequê, que fica a 14 km da ponte.
E foi assim que passamos mais um carnaval com muita lama, chuva, sol, mata, animais e cachoeira.
Recomendações:
É essencial ter um tênis apropriado e pelo menos um bastão para caminhar. Também recomendo levar suas roupas em sacos estanques ou sacos plásticos bem selados. E lembrando que todo cuidado é pouco quando se está andando no ambiente de animais peçonhentos.
Dados Gerais:
1º Dia: 22 km (Contando com a visita as cachoeiras do Isidro e das Posses)
2º Dia: 14 km (Com a visita a cachoeira dos Veados)
3º Dia: 18 km (Até a ponte) + 14 km até vilarejo de Perequê
ICMBIO Parque Nacional Serra da Bocaina - http://www.icmbio.gov.br/parnaserradabocaina/
Gastos:
São Paulo x Guaratinguetá: R$40,23 (CIA Passaro Marron)
Guaratinguetá x São Jose do Barreiro: R$25,53 (CIA Passaro Marron)
Café da Manha: R$6,00
Almoço Rancho Restaurante: R$18,00 + Cerveja R$6,00
Translado Rota da Aventura: R25 (http://www.facebook.com/rotadaaventura)
Camping Barreirinha + Chuveiro quente: R$20
Cerveja Barreirinha: R$4,00
Camping Tião + Chuveiro quente: R$20
Resgate Ponte até vilarejo Perequê: R$130 / 8 pessoas
Ônibus Perequê x Mambucaba: R$3,90? Não lembro
Camping em Mambucaba: R$25