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Olá viajante!

Bora viajar?

Travessia de Rios

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Travessia de Rios

 

Este assunto é importante para quem gosta de fazer trekking. A travessia de cursos d’água é uma das principais causas de incidentes e acidentes no excursionismo.

 

Recentemente li dois relatos de tromba d’água (vide tópíco “O Bonete” e “Cachoeira da Fumacinha”, em Relatos de Viagem, Brasil) mostrando os riscos de uma travessia quando chove muito.

 

Uma das primeiras coisas é escolher a época do ano para realizar uma travessia que envolva a passagem de rios e riachos, especialmente em terrenos montanhosos e cânion. Épocas chuvosas não são recomendadas. Mesmo assim, se decidir ir, olhe a previsão de tempo. Se indicar chuva pense num roteiro alternativo. Isto é especialmente importante no caso de cânion. Aqui na Chapada temos a Fumaça por baixo e o Cânion da Fumacinha. Uma tromba d’água pode impedir-nos de entrar no cânion ou, se estivermos lá dentro, impedir de sair.

 

Como regra, no Sudeste e na Chapada Diamantina/Ba, o verão é a época das chuvas fortes e deve ser evitada. Na seca (inverno e primavera) é melhor.

 

Um acampamento as margens de um rio é sempre arriscado. Procure um lugar bem acima do leito normal do rio. Quanto acima? Um macete é observar as margens. Repare em monturos de galhos secos em certos pontos da margem. Isto indica o nível que o rio alcançou na cheia. Em margens pedregosas também dá para perceber uma linha dividindo diferentes colorações nas rochas. Faça o acampamento acima do ponto mais alto de monturos de galhos ou de outras evidências que vc encontrou. Em cânion é importante acampar em um local onde exista um ponto de fuga para não ficar encurralado, por exemplo, perto de uma parede que permita subir até o topo do cânion.

 

O risco de tromba d’água é proporcional ao tamanho da bacia hidrográfica de captação do rio que estamos vadeando. Um exemplo: no caso da cachoeira e cânion da Fumacinha toda a água da chuva que cai nos Gerais do Machambongo converge para este rio. Por vezes não chove no local onde estamos, mas apenas bem mais acima e gera uma tromba d’água que surpreende a todos. Por isto, para avaliar os riscos, sempre observe no mapa o tamanho e extensão desta bacia de captação.

 

Na travessia de um rio, o mais importante é avaliar se o ponto escolhido é seguro ou não. Não atravesse se:

 

1) A correnteza for muito forte. Não atravesse em “white water”, onde a água esteja branca devido a correnteza.

2) For fundo (óbvio), pois vc tem uma mochila nas costas.

3) O local tiver um fundo muito escorregadio (pedras com limo).

4) Se houver cachoeira ou correnteza a jusante do ponto onde vc está (consulte o mapa topográfico).

 

Às vezes é apenas uma questão de paciência e tempo. Do mesmo modo que a tromba d’água é rápida, ela não demora muito para baixar (depende se continua a chover ou não). No caso de clima frio e rios alimentados por degelo de glaciares e montanhas o melhor horário de travessia é de manhã bem cedo. Há reporte de casos de desnível de 2 metros entre a tarde (maior nível) e a madrugada (menor nível). Então o melhor é esperar.

 

Normalmente onde o rio é mais largo a correnteza é menor e é mais raso. A presença de bancos de areia indica estes locais. Pedras emersas também podem servir de apoio na travessia. Se não souber a profundidade teste primeiro sem mochila, com um bastão. Se a água for até a altura do peito e não houver correnteza, tudo bem. Se houver correnteza forte, é arriscado ir se a água estiver acima da altura do seu joelho.

 

Prefira atravessar onde o rio segue reto, sem curvas. Onde ele faz curva, geralmente uma das margens é mais funda. Se chegar na margem do rio num ponto que não é possível atravessar, procure outro local primeiro a montante, pois o rio fica menos caudaloso à medida que rumamos em direção a nascente.

 

Com a água acima da cintura tire a mochila e leve-a na cabeça. Note que é mais complicado porque não podemos usar o bastão. Se usá-la presa ao corpo, solte a barrigueira e o peitoral porque se escorregar vc se livra dela mais fácil (melhor perder a mochila que a vida).

 

Dizem que a mochila normalmente tem a flutuabilidade positiva. Assim poderíamos resgatá-la mais tarde rio abaixo. Para facilitar a flutuação, tente inflar seu travesseiro e/ou isolante inflável se tiver e coloque-o na mochila. Ela pode virar até uma bóia de flutuação. Talvez seja necessário deixar para trás algo mais pesado, como um quilo de alimento, etc...

 

Se o fundo for pedregoso use as botas, tênis ou sandálias (não do tipo havaianas). O chato é que vai ter de trocar as meias, depois da travessia. Descalço só se o fundo for arenoso e desimpedido.

 

Atravesse o rio sempre de frente para a correnteza (olhando para montante), em diagonal. Só dê um passo quando tiver certeza que seu pé de apoio dianteiro está num lugar firme. Use o bastão como apoio e para sondar o leito do rio.

 

Se escorregar, cair e houver correnteza, além de largar a mochila, bote os pés na frente (apontados para jusante do rio, para onde a água lhe arrasta) para proteger sua cabeça de impactos contra pedras e troncos. Cuidado com árvores submersas. Tente vagarosamente se dirigir para a margem mais próxima.

 

Siga a sua intuição: se estiver inseguro, não atravesse.

 

Quem tiver dicas ou relatos interessantes de travessias em rios, poste aqui!

 

Boas caminhadas!

 

Peter

Featured Replies

Postado
  • Membros

Legal,

 

Acho que uma boa é empacotar a mochila com um saco de lixo grande e partir pro tibuf !!!!

Postado
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Excelente colaboração do Tiago com a complementação do Marcio!

 

Só lembrar que fazer a mochila de barquinho funciona se a densidade média da mochila for menor que 1 Kg/L, pois senão afunda. Normalmente, devido as roupas, saco de dormir e barraca, a mochila não fica muito densa. Se estiver carregando só alimentos (seu parceiro ficou com os itens leves e volumosos) é bom testar primeiro a flutuabilidade. Mas creio que normalmente ela deverá flutuar. Ótima a sacada de envolve-la com o sobreteto ou o rain cover da mochila ou ainda com um saco de lixo! Este último deve daqueles mais resistentes.

 

Peter

Postado
  • Membros

Um saco estanque ou bolsa estanque, cheio de ar se transforma num bom aparato para auxiliar na flutuação de uma pessoa. Outra dica interessante, se for nadar num rio de correnteza, nadar em diagonal, e no sentido da correnteza, ou seja, a velocidade da água soma-se a sua, e facilita a travessia.

 

Com regra geral, um rio de correnteza já oferece risco de arrastar uma pessoa quando a água estiver logo acima dos joelhos.

 

Ah, ótimo tópico peter! ::cool:::'>

Postado
  • Membros

[align=justify]Boas dicas Ram!

 

Um saco estanque forma um bom bolsão de ar. Aproveito o tópico e deixo uma dica de como estimar a largura de um rio. Afinal, pode ser muito útil conhecer a distância à margem oposta.

 

1. Escolha uma rocha, árvore ou outro ponto de referência na margem oposta e coloque-se diretamente de frente a ele (ponto A);

2. Calcule aproximadamente, a metade da largura do rio e marque-a em passos ao longo da margem;

3. Marque este ponto B (com uma pedra ou uma estaca) e continue andando ao longo da margem a mesma quantidade de passos dados anteriormente e marque este ponto C;

4. Desloque-se perpendicularmente à linha marcada, até que o objeto de referência na margem oposta e o ponto B estejam alinhados quando olhados por cima do ombro. Pare;

5. A distância entre o ponto C e a sua nova posição é igual a largura do rio (aproximadamente).

 

20100507171247.jpg

 

[creditos]Imagem: The U.S. Armed Forces Survival Manual (by John Boswell, 1980)[/creditos]

 

Abraço

Edy[/align]

  • 6 meses depois...
Postado
  • Membros

Essas são direto do curso de guerra na selva do Cigs:

 

Em caso de emergência um colete salva vidas pode ser improvisado usando palmitos(da palmeira, não do seu vidro de conserva) amarrados em volta do seu peito, com esta técnica se pode nadar grandes distâncias. Esta é um tanto radical, mas situações desesperadoras às vezes exigem medidas desesperadas.

 

Se estiver em grupo, você pode recolher os cantis(rígidos) do pessoal, esvaziá-los e amarrá-los em volta da sua cintura, para melhorar a flutuabilidade.

 

Isto no caso de ter uma corda para amarrar do outro lado e possibilitar a travessia do resto do grupo através dela. Assim o melhor nadador vai amarrado e flutuando bem, e o resto do grupo vai pela corda em segurança.

 

Um poncho pode virar bóia, se embrulhar folhas de forma que fique cheio de ar. Nadando agarrado a ele, você ainda pode levar suas coisas em cima.

  • 5 meses depois...
Postado
  • Membros

Excelente tópico!!! Parabéns Peter!!! Parabéns a todos pelas contribuições e dicas!!

abraços!

  • 4 semanas depois...
Postado
  • Autor
  • Membros

Valeu Frida, valeu André!

 

Esta do palmito não conhecia. Não sabia que ele flutuava assim. Não é uma solução ecológica mas na hora da sobrevivência devemos abrir exceção. E depois da travessia, cozinhar o palmito para recuperar a energia!!

 

Vou atualizar o tópico pois ótimas dicas foram postadas no Trailspace.com por Seth Levy:

 

1) proteja o equipamento essencial antes de atravessar. Coloque fósforos, eletrônicos/óticos (GPS, celular, câmeras, binóculos) mapas num dry sack. Idem uma muda de roupa seca. 2) enrole as calças. Uma calça oferece mais resistência a água que as pernas nuas. Particularmente, se sei que terei de atravessar um rio, já visto um calção de banho ao invés de cueca, de manhã cedo. Tiro as calças na hora da travessia se o rio for mais fundo.

3) na travessia arraste o pé pelo fundo ao invés de levantar o pé do leito do rio.

4) use ao menos, a todo momento, dois pontos de contato (um pé e um bastão de trekking). Melhor ainda, três pontos de contato.

5) Se o rio está com correnteza muito rápida direcione sua travessia para a outra margem em diagonal para baixo, a favor da corrente, não lute contra a correnteza. Considere não atravessar o rio ou atravessá-lo em outro ponto.

6) não use cordas a não ser que esteja habituado ou treinado para fazê-lo. As cordas aumentam o risco potencial de afogamento, se a pessoa se enroscar nelas.

 

Atenciosamente,

 

Peter Tofte

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