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14.03.2014 – Potosi / Uyuni

 

Bom, aqui vale um tópico sobre o mal da altitude. Potosi nos assustava, quando da criação do roteiro, por dois motivos: Altitude e Perigo.

 

Lemos muitos relatos sobre pessoas que passaram muito mal com a altitude e, ou, passaram uns perrengues com assaltos, furtos, lugares perigosos...É claro que, se for ficar encanado com isso, ninguém sai de casa, ainda mais para quem vive em grandes cidades. Pois bem, analisamos a situação e decidimos que não ficaríamos em Potosi, isso porque não queríamos fazer o tour das minas e por receio da altitude, já que a cidade está a 4.000 mil metros acima do nível do mar e nunca havíamos passado por esta experiência...

 

ALTITUDE: Não sentimos quase nenhum efeito. Antes de sair do Brasil, pesquisamos bastante sobre o assunto, fizemos um checkup (recomendo) com nosso médico de confiança e ouvimos histórias de quem já foi. Como não tem como saber se o que fizemos foi o que surtiu efeito, ou se nosso organismo respondeu bem à altitude, deixo aqui nosso TOP FIVE de como lidar com a maldita:

 

1. Não exagere na comida: é natural chegarmos num lugar novo e diferente e querer desfrutar da culinária e suas gordices. No entanto, o excesso de comida no estômago associado aos efeitos da altitude em nosso corpo, dificulta a digestão, resultado: galera passando mal em cada esquina.

 

2. Reduza ou elimine a bebida alcóolica na primeira semana: sei como isso é difícil, cheguei maluco por uma pacenha, cusquenha ou qualquer enha bem gelada (gelada modo de falar né, temperatura ambiente, sempre...snif...). O que ocorre é que o álcool em nosso sangue, combinado com o ar rarefeito, causa um efeito potencializado da bebida, o que, a princípio, poderia ser uma boa [menos bebida = mais bêbado]. No entanto, esse efeito poderá causar náuseas e confusão mental, dores de cabeça e etc. É claro que tem gente que enche a cara e não sente nada, mas se seu roteiro é como nosso e vai começar do nível mais baixo (próximo ao nível do mar) e subir muito, de repente, é bom tomar cuidado nesse início, principalmente em Potosi, no Salar e em Cusco, dependendo de onde for iniciar a sua trip, tenho umas histórias malucas sobre esse quesito, hahahaha.

 

3. Evite atividade física intensa e beba MUITA ÁGUA: isso parece ter nos ajudado bastante. Tirar umas horas para descansar e beber água o tempo todo, nos fez sentir menos os efeitos de cansaço e falta de ar.

 

4. Seja a mãe Diná: Se você já sabe que vai subir a uma altitude ignorante, como em Potosi (4.000 metros) ou no meio do Salar (5.000 metros), siga as orientações anteriores nesse dia e tome uma aspirina (recomendação do nosso médico, consulte o seu para saber suas condições). Isso fará seu sangue afinar e sua pressão não se elevará tanto, reduzindo drasticamente a dor de cabeça e mal estar. O famoso dramin ou plasil para o enjôo devem ser administrados com cautela, pois causa sono, pior inimigo do mal da montanha, sua pressão irá baixar subitamente e poderá desmaiar ou até mesmo ter convulsões.

 

5. O melhor remédio para a altitude: Descer. Ouvimos isso de montanhistas experientes e do nosso cunhado que já foi médico da aeronáutica (entende de altura, risos). Se estiver muito mal, não arrisque, desça imediatamente o máximo que puder, os efeitos são imediatos. Teve um caso no Salar de um senhor que sofria com pressão alta e começou a ter convulsões no meio do deserto, nariz sangrando, dores de cabeça insuportáveis...O guia arrumou um carro e o levou de volta a Uyuni, sua melhora foi no ato. Ficamos sabendo depois que estava tudo bem com ele e seu neto, mas se não fosse a experiência do guia, talvez a história pudesse ter sido outra...

 

Ufa! Chega de histórias de terror, vamos ao que interessa!

 

Pois bem, chegamos na rodoviária de Sucre para comprar as passagens com destino a Potosi, aí já tivemos nosso primeiro choque com os vendedores de passagens. Esses caras não são das agências, não trabalham na rodoviária, não são donos dos ônibus, são uma espécie de cambistas das passagens, rs. Eles ficam vendendo passagens das diversas empresas em troca de comissão e/ou uma grana sua pela “ajuda”. Isso tem um lado bom e um lado ruim, explico: O lado bom é que, às vezes, esses caras quebram maior galho, correm atrás de gente pra trocar dinheiro, arrumam passagens com o horário que você quer, lugares “bons” nos ônibus, enfim, são um tipo de cambista mesmo. O lado ruim é que são um tipo de cambista mesmo, HAHAHhahahaha. Você nunca sabe se eles estão te ajudando ou te passando a perna, se estão te levando ao guichê da empresa de ônibus ou a um banheiro pra tirar seus rins...No entanto, as poucas experiências que tivemos, foram positivas, logo escreverei sobre isso.

 

Após passar pelo apocalipse zumbi dos vendedores de passagens, segui a dica daqui do mochileiros e fui dando um jogo de corpo nos caras, driblando uns empurrando outros e, enfim, chegamos aos guichês.

 

A ideia era comprar a primeira passagem que tivesse com destino a Potosi, não conseguimos...Mas, após chorar muito, arrumamos duas passagens para o próximo horário. Ao todo, ficamos 4 horas dentro do ônibus, de Sucre a Potosi, a viagem foi tranquila, com asfalto razoável e ônibus mais ou menos, que, na Bolívia, é um luxo!

Chegando na rodô de Potosi, logo você se depara com esse lance doido, TODOS de TODAS as agências, ficam gritando os destinos, resultado: Você não ouve nada! É uma espécie de tortura boliviana, eles deveriam entregar EPI na entrada dessa rodoviária! Segue um vídeo com a bizarrice:

 

 

IMPORTANTE: Não é nessa rodoviária que se pega o transporte a Uyuni. Você deverá seguir ao ex-terminal, que fica a algumas quadras, é bem perto. O problema é que você não conhece nada de Potosi, só tem ladeira nesse lugar e tem uns malucos muito mal encarados. Também tem o problema do tempo, queríamos pegar, de novo, o primeiro ônibus que tivesse dando sopa, perguntamos nessa rodoviária e disseram que tinha um saindo “daqui meia hora”, então: SEBO NAS CANELAS!

 

Aí fomos enganados! Pow, nem chegamos direito em Potosi e já passaram a perna na gente, sacanagem...

 

Você deverá subir uns degraus – que pareciam a subida de Macchu Picchu, devido à altitude – e descer outros para se chegar á frente (ou fundos, sei lá) da rodoviária e pegar um táxi (compensa, é barato) até o tal ex-terminal.

 

Havíamos pesquisado aqui no mochileiros, que o táxi custava entre 5 BOB e 8 BOB. Perguntamos e o taxista disse que era 10 BOB. Choramos, esperneamos, dissemos que éramos brasileiros (dessa vez não colou, rs) e o cara não diminuiu um centavo. Ele era o único taxista da avenida, pois um pouco antes havia chegado um grupo de gringos de uns 50 – parecia encontro da ONU – e foram se distribuindo nos táxis...Aí já viu né, pouca oferta + muita procura = preço alto.

 

Até aí tudo bem, fechamos nos 10 BOB mesmo e partimos para o ex-terminal. Sem brincadeira, o cara subiu uma rua, desceu outra, virou uma esquina e chegamos! PQP! Mas ok, estávamos com pressa e com as mochilas nas costas + fome + sede + altitude, foi uma boa escolha o táxi...nem tanto...

 

Descemos, pegamos nossas coisas e, na hora de pagar: HÁÁÁÁÁ! Pegadinha do Malandro! São 10 BOB POR PESSOA (!). ::ahhhh:: Quê??? Cê tá maluco cara? Isso não existe! Táxi é Táxi, cobrado pela corrida, não por cabeça (isso até existe, mas te explicam [exploram] antes) e mais uns xingamentos em português. O taxista olhou e: “No compreendo”. GRRRRRRRR, que raiva! A Miriam querendo argumentar em espanhol e eu xingando em português, HAHAHhahahaha. Mas não teve jeito, pagamos, putos, mas pagamos.

 

Adentrando ao ex-terminal, meu amigo, que lugar estranho...

 

Mais cambistas de passagens, jogo de corpo, empurra-empurra, aquela coisa toda, chegamos aos guichês. Demorou décadas até encontrarmos passagens a Uyuni (lembram do encontro da ONU? Pois é...), até que achamos as duas últimas para daqui a 2 horas. Quase choramos, rs. Fomos comprar uns chocolates e refrigerante, pois estávamos fazendo nossa dieta de industrializados, já que meu maior medo era ter dor de cabeça e o da Miriam, desengolir.

 

Sentamos “confortavelmente” nos bancos de madeira da rodoviária e teríamos 2 longas horas para apreciarmos a paisagem.

 

Como num City Tour, à sua esquerda, podemos observar uma chola vendendo umas pequenices. Ela tirou um PESCOÇO DE LHAMA de algum lugar SOB A SAIA e o troço saiu pingando sangue!!! Mas o pior não é isso, o pior é que TEVE GENTE QUE COMPROU!!! Jesus, salva essa alma Senhor! ::xiu::

 

À direita, podemos verificar a beleza e simpatia do povo de Potosi. Um senhor ficou 40 minutos me encarando, depois chegou perto e CATARROU quase no meu pé!!! Que que é isso meu senhor! Depois deu um sorrisinho maroto e saiu (?). Se você é boliviano e isso é uma forma de cumprimento, por favor, me explique, ficarei feliz.

 

Ao centro, bem perto das barraquinhas de suco de tamarindo, uma família inteira brinca de “Vamos imitar os terroristas”. Primeiro veio pai, carregando um botijão de gás (cheio). Depois veio o filho, carregando uma galão de gasolina. Após veio o avô, sentou do nosso lado e acendeu um cigarro, HAHAhahahaha. A filha se encarregava de puxar as crianças para perto do perigo e comer/tomar uma gelatina estranha de cor duvidosa que é vendida sob o Sol de Potosi.

 

Duas horas depois, o ônibus chegou, confesso que fiquei feliz, porque não era tão detonado quanto o anterior. O povo começou a se mexer, carregar suas coisas (de sacos de batatas a folhas de coca) e foram subindo. Aí teve a minha correria pra ir ao banheiro, pagar a porcaria da taxa do terminal (2 BOB) que sempre esquecíamos e ainda comprar um chocolate para a dieta restrita.

 

O ônibus em si até que não era dos piores, cheirava à pão velho com notas de mofo, mas suportável. O problema é que, ao subirmos, aquela tralha toda explosiva subiu também! E DENTRO DO ÔNIBUS! NO CORREDOR! Como assim? Tinha um botijão de gás com um galão de gasolina em cima! Ou estavam treinando para os efeitos especiais de Hollywood, ou realmente queriam explodir o ônibus!

 

Enfim, colocamos os fones de ouvido, tomamos nossa aspirina de cada dia e fomos pro abraço. Na primeira esquina, o motorista já parou e subiram mais umas sete pessoas. Ok, tudo bem, ainda temos lugares vagos...NO CORREDOR!

 

O tempo foi passando e as pessoas subindo, eram três a cada esquina, criança, velho, moço. Chola, cholo e descendentes. Graças a Deus todo poderoso que estava tão cheio, mas tão cheio, que não conseguiram subir com o cabrito: OBRIGADO SENHOR! Mas enfiaram uma cholitinha com um cholitinho...humpf...

 

Curva vai, curva vem, sacode daqui, sacode dali, e eu pensando: Se alguém desengoli aqui vai ser uma festa! Vendiam todas as espécies de pequenices: Milho cozinho, queijo, biscoitos, gelatina líquida (isso existe), suco de tamarindo, pipoca com chocolate, DVD de motivação (hahahaha, foi triste isso) e tudo o mais que a sua imaginação conseguir...

 

ATENÇÃO: Por favor, não vá de micro-ônibus! Imagina tudo isso em um transporte menor, menos seguro e com um motorista tão maluco quanto. A galera que foi de micro se arrependeu muito, foi horrível, tiveram que se espremer e o cara corria feito um motorista da Bolívia...Então, vá de ônibus grande que é melhor. Também tem a opção de táxi, não sabemos se é bom ou não, mas é muito mais caro e o tempo é quase o mesmo, pois as estradas são ruins, com muitas curvas e cheia de caminhões. Além disso, o preço é por pessoa (mas te avisam antes) e também vai lotado, geralmente seis ou sete pessoas, quase no colo.

 

Foram 6 horas de viagem, que somadas às outras 4 horas de Sucre até Potosi, mais 2 horas sentados assistindo ao espetáculo da rodoviária, levamos 12 horas de trajeto até Uyuni. Cansativo, mas divertido. Faríamos tudo de novo HAHAHahahaha.

 

Por enquanto é isso [...]

 

Notas:

 

Ônibus até a rodoviária: 3 BOB

Ônibus Sucre x Potosi: 40 BOB

Taxa do terminal: 2 BOB

Táxi (golpe): 20 BOB

Uso do banheiro (ex-terminal): 2 BOB

Passagem Potosi x Uyuni: 60 BOB

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15.03.2104 – Uyuni / Salar

 

Finalmente! Salar de Uyuni!

 

Quando montamos nosso roteiro, já percebemos que haveria alguns pontos altos na nossa viagem, dentre eles, é claro, o Salar de Uyuni. Isso é bom porque gera uma ansiedade boa, um friozinho na barriga, mas também um certo medo de não dar certo, de não sair como planejado e tal, afinal, foram meses pesquisando e planejando essa trip, seria uma pena não conseguirmos completarmos algum desses pontos chave.

 

Um dos receios era a chuva, pois chegaríamos em Março no Salar de Uyuni e, como todos sabem, o período de chuvas está terminando, mas com grande possibilidade de água a qualquer momento, o que poderia estragar a festa...Mas...DEU TUDO CERTO! Com seus perrengues de praxe, lógico, mas correu melhor do que imaginávamos.

 

Pois bem.

 

Chegamos em Uyuni por volta das 18h, o tempo virou completamente, fazia um frio indecente e já começava a escurecer. ::Cold::

 

O lance todo quando se chega em Uyuni é bem confuso. Você desce do ônibus e ninguém te dá informação alguma, você cai de paraquedas numa rua esquisita, cheia de outros ônibus, carros, cavalos, gente pra tudo quanto é lado. Imagine que é um mundo de gente chegando praticamente ao mesmo tempo, foi engraçado, porque no tempo que ficamos esperando na rodoviária de Potosi, vimos aqueles gringos do encontro da ONU entrando em um ônibus 2 horas antes do nosso e adivinha quem chegou antes? A GENTE! HAHAHahhahaha...Chegamos e, um minuto depois, eles chegaram, todo mundo reclamando que o ônibus quebrou, que o motorista é maluco, que aquela cabra não pagou passagem, risos...Foi legal porque havíamos xingado essa gringaiada um monte quando vimos que eles acabaram com as passagens, mas depois, foi muito bom (pra gente) ter acontecido isso.

 

DICA: Guarde muito bem o ticket das suas mochilas quando coloca-las no bagageiro do ônibus, em Potosi. Pois eles embaçam demais com quem está sem o papelzinho, já que um mundo de gente sobe e desce o tempo todo pelo caminho. Outra dica é, toda vez que o ônibus parar, fique de olho, pela janela, na sua mochila, já que carregam tralhas de toda espécie e, “sem querer” poderiam confundir na hora de pegar. Muitos tentam subir com as mochilas e levá-las no colo, mas, pelo menos na empresa que fomos, foi expressamente proibido...Ah tá! Botijão de gás, galão de gasolina e cabrito pode né?!

 

Botamos as mochilas nas costas e começando a jornada em busca de um local pra ficar, pois a ideia era arrumar um hostel o mais rápido possível para já pesquisar o tour do Salar nesse dia mesmo, com saída para o dia seguinte, pela manhã. É uma economia de tempo e dinheiro tremenda, uma diária a menos, um dia a mais no roteiro.

 

Saímos andando sem rumo, sobe e desce, sobe e desce, as ruas são todas iguais, um inferno. Aí vimos uma galera indo em uma única direção e fomos atrás. Nada. Paramos um gringo sem mochila nas costas e perguntamos onde ele havia ficado, ele indicou a direção mas disse que era um pulgueiro (em inglês não lembro o que ele disse, mas era um lugar zuado, risos). Andamos mais um tanto e reparamos que duas meninas estavam andando pra lá e pra cá como nós. A Miriam [ela possui esse dom] abordou uma delas e perguntou se não queriam procurar um lugar todos juntos, elas toparam.

 

Eram duas suíças, uma delas falava espanhol muito bem, a outra, só alemão. Aí, juntamos forças e toca a andar com mochila pesada! Elas já haviam reservado um lugar, mas não estavam encontrando. Nós não sabíamos nem se tinha lugar vago, rs. Encontramos o hostel das suíças e...LOTADO. Decidimos que ficaríamos perto, porque combinamos de pesquisar sobre o tour todos juntos, mais à noite.

 

Entramos num lugar, noutro, e mais outro. Todos são iguais, com os mesmos preços e mesmas acomodações. Em Uyuni é difícil encontrar um lugar que se destaque, todos oferecem basicamente os mesmos tipos de serviços, pelos mesmo preços, a não ser as agências que fazem o Tour do Salar, essas sim são um pouco distintas umas das outras.

 

Fechamos num desses qualquer. Subimos para o nosso segundo cativeiro. Nesse lugar que inventamos uma técnica para evitar contaminação. Quando olhamos o lençol, estava com umas manchas multicoloridas estranhíssimas, o colchão era feito de palha e capim, com espuminha de fones de ouvido, quase ganhei uma escoliose de brinde. Os travesseiros, Ah, os travesseiros. Tinha tanto cabelo grudado que demorou 30 segundos para saber se era travesseiro ou uma chinchila. Aí fui ver o banheiro, nosso amigo. Entrei de bota e tinha nojo de pisar naquele lugar, era imundo, imundo mesmo. Disseram que tinha água quente HAHAHAHAHhahahahaha. O vaso era grudado com a pia, você tinha que se esquivar para fazer as coisas.

 

A técnica contra contaminação consiste no seguinte: Sabe aquela camiseta que você usou o dia todo, nessas horas todas dentro do ônibus até chegar a Uyuni? Certamente ela está infinitamente mais limpa que o seu travesseiro. Aí você veste essa camiseta no seu travesseiro, evitando a contaminação de piolhos, coliformes fecais, ovos de vespa e demais aberrações que devem estar morando nessa coisa que eles chamam de travesseiro. Como toda a cama é um playground de BED BUGS, não basta proteger sua cabeça. Vista uma calça comprida com meias cobrindo a barra, acrescente um fleece, com corta-vento e capuz à parte de cima, luvas e fones de ouvido: PRONTO! Durma como um anjo que escorregou e foi parar no inferno.

 

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DICA: Se disseram que tem água quente, duvide, até porque “quente” - ou “caliente” – é totalmente subjetivo para os bolivianos. Em todo caso, repare que nos banheiros existe um disjuntor ESCONDIDO em algum lugar, sério, eles escondem essa merda, é como brincar de “Onde está o Wally” na hora de tomar banho. Encontrando essa porcaria, ligue e teste o chuveiro. A Miriam não se tocou disso e tomou banho gelado em Uyuni, quase congelou os cílios. Eu, desolado, fiquei olhando para o meu destino nesse banheiro...Até que encontrei! Liguei e consegui tomar um banho morno com feixes de gelo.

 

Voltando à Uyuni, porque esse cativeiro era como o labirinto do Fauno, um mundo à parte, nos encontramos com as suíças e fomos procurar uma agência para o Tour.

 

Elas estavam com um Lonely Planet América do Sul nas mãos e nós com anotações daqui do Fórum. Olha que as indicações bateram! Mochileiros.com brigando de igual pra igual com o Lonely Planet!

 

As agências costumam ficar abertas até tarde, fechando por volta das 22h. Então fomos direto às indicações: Cordillera, Andrea Tours, Colque e algumas outras que as suíças haviam pesquisado.

 

Andamos muito e muito rápido, queríamos fechar nesse dia mesmo para já sair no dia seguinte pela manhã, como comentamos, e as suíças estavam com a mesma ideia, foi quando decidimos tentar fechar um pacote com nós quatro, assim ficaria mais fácil pedir desconto e, de repente, fechar com um jipe que estivesse precisando completar os lugares.

 

Após muito andar, fazer orçamento, perguntar, voltamos na primeira agência que havíamos entrado, ao lado do nosso Hostel (hostel das suíças né, porque o nosso era alguma coisa com chão e teto).

 

O melhor preço e o local em que fomos melhor atendidos foi na Andrea Tours. Aqui cabe um comentário interessante. Antes de irmos, pesquisamos muito sobre as agências, mas muito mesmo, só que isso não adianta muito. Assim como tantos outros lugares e agências de turismo, elas só organizam o lance todo, juntando a galera de uma agência com a galera da outra e chamando os jipeiros para o serviço. Me parece que a única agência que possui jipes próprios é a Colque (muito cara, por sinal), mas os motoristas são aleatórios, não adianta. Você entra numa agência e o cara está lá com a dona, vai à outra, e o mesmo motorista também está lá, é assim que funciona.

 

Então, pese os quesitos atendimento – se a dona da agência te explica o roteiro, te entrega um mapa detalhado e anota os lugares por onde você irá passar, se oferece recibo com carimbo e assinatura, se apresenta o cardápio de todos os dias de alimentação no Salar, se diz, com antecedência, quem será o motorista/guia, enfim, todas essas informações importantes – preço e honestidade. Com a Andrea Tours correu tudo bem, ela cumpriu nossas exigências, foi pontual e o guia excelente, mas não posso afirmar se será assim com você também, pois, como eu disse, vai um pouco da sorte, é só pesquisar no próprio mochileiros.com que encontrará diversas críticas e elogios às mesmas agências.

 

À noite, combinamos com as suíças de irmos jantar em algum lugar melhorzinho, pois estávamos há algum tempo só comendo besteira. Uyuni, nesse quesito, nos surpreendeu. Existem boas opções de restaurantes e com preços modestos, de pizzaria a comida mexicana.

 

Estávamos com vontade de comer massa e fomos a um restaurante mexicano que servia massas também, foi bom, com preço justo e ambiente descontraído, com pessoas do mundo inteiro. Esse lance é muito legal dessa viagem, você conhece pessoas de todo canto do planeta e que estão no mesmo barco, num país desconhecido, mochila nas costas, histórias pra contar...

 

Conversamos bastante com as suíças nesse dia, como somente uma delas falava espanhol, ia traduzindo à outra em alemão. Ela já passou um tempo no Brasil e no Equador, parece que estava fazendo trabalho voluntário nas favelas de São Paulo e em comunidades do Equador, foi interessante ouvir as impressões de uma suíça sobre o Brasil e a América do Sul, apesar de não concordarmos com alguns pontos de vista, que explicarei mais pra frente.

 

Nessa noite teve uma dupla tocando rock no restaurante e uns israelenses empolgados que começaram a cantar e dançar com os caras, foi divertido.

 

Após aquela noite de sono supimpa que vocês devem imaginar, acordamos com a missão de trocar dinheiro - porque ficou faltando uma parte do pagamento do Tour do Salar, já que não aceitam mais dólar, somente boliviano, e estávamos sem todo o valor – e comprar suprimentos para a grande jornada.

 

Ao sair do cativeiro, fomos procurar uma casa de câmbio, não tem segredo, procure a que tiver a melhor cotação e troque sem dó, não ouvimos ninguém reclamar de notas falsas e etc., até porque Uyuni é minúscula e muito fácil de reclamar, caso precise. Se for muito encanado com isso, peça recibo ou que carimbem suas notas, isso reduzirá drasticamente as chances de receber nota falsa.

 

Quanto aos suprimentos, eles sugerem, ao menos, 2 litros de água por pessoa para cada dia do tour. Como fechamos o de 3 dias, com o transfer a San Pedro do Atacama, no Chile, queríamos levar o suficiente para não nos preocuparmos com isso no meio do nada.

 

DICA: Compre seus suprimentos (água, chocolate, batata chips, gatorade, etc.) em lugares mais afastados da praça principal onde se encontram a maioria das agências, o preço é bem melhor e existem mais opções. Vá até a avenida, vire à esquerda e siga até o final, lá tem um monte de barraquinhas e mercearias pequenas que vendem de tudo. Também tem uma espécie de Mercadão, bom para comprar folhas de coca e amendoim, tâmara, uva passa, etc., tudo a granel. Junte uma galerinha e compre em maior quantidade, para depois dividir, sai muito mais barato, como um fardo de água ou um pacote fechado com 5 Pringels.

 

Suprimentos comprados, voltamos para pagar o restante do Tour. Depois ficamos de bobeira na praça, que é uma belezinha, como disse a Miriam, só observando a galera e dando dicas aos demais mochileiros, risos. Tiramos umas fotos, conferimos nossas coisas, arrumamos nossas mochilas e esperamos, ansiosamente, pelo jipe.

 

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DICA: Leve muitos lenços de papel para o nariz, pois é comum sangrar as narinas devido ao clima seco e altitude elevada. Em espanhol se diz “pañuelos”, fui comprar isso numa farmácia e disse: “Tenes lencitos para nariz?”, HAHAHhahahha, a mulher ficou olhando pra minha cara uns 50 segundos, sem ação.

 

DICA 2: Leve bolivianos (dinheiro, né...). No Salar, ninguém aceita dólar, só bolivianos. De preferência, leve trocado, peça na casa de câmbio, pois tem coisas como banheiro e água, que você irá precisar de trocadinho. Outra coisa importante é que você precisará pagar algumas entradas à parte, como a Isla del Pescado (BOB 60).

 

Chegou a hora! ::hahaha:: Nos encontramos com as suíças e seguimos até ao jipe, quando conhecemos os outros dois integrantes da tripulação: Nick, um australiano muito figura, mas muito figura mesmo e uma alemã com nome impronunciável, que chamávamos de “alemã”, uma fofa (como disse a Miriam) que construímos uma amizade bem legal até o final desses três dias.

 

Todos a bordo, próxima parada: Cemitério de Trens.

 

Por enquanto é isso [...]

 

Notas

Cotação do dólar em Uyuni: US 1,00 a BOB 6,90

Tour Salar de Uyuni (3 dias + Transfer a San Pedro do Atacama): BOB 800

Suprimentos (água, chocolate, batata chips, etc.): BOB 100 (para duas pessoas)

Lenços de papel: BOB 5

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