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Nogy__

Mil Perrengues: Bolívia, Chile e Peru

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Nogy, faz tempo que não vejo um relato tão engraçado e ao mesmo tempo bem detalhado. Mas, viajar é isso mesmo: curtir a parte boa e...curtir a parte ruim também, que acaba sendo a mais divertida. Me fez lembrar algumas surreais que já passei. Ansioso para ouvir o resto.

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Essas bandeiras já estiveram bem melhores. alguém que for pra lá poderia levar uma nova do Brasil né?

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Meu, seu relato está demais, estou planejando fazer um roteiro bem parecido com o seu em Janeiro/2015, e assim como outros relatos que venho acompanhando está sendo ótimo, muito bom os detalhes e as dicas que só quem passou pelos "perrengues" sabe contar, estou ansioso para o restante da viagem, parabéns!

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Adorando o relato e as fotos.

 

Quanto as "comiditas" bolivianas, posso considerar que tenho um estomago de avestruz, pois além de achar o sabor delicioso, como de tudo, até o tal suco de tamarindo, que apelidei de "suco de mão" e pelo experiência, vc deve saber o porque desse nome ::lol4::::mmm:::essa::

 

::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::

 

Alexandre, tb estou com uma saudades imensa de terras bolivianas.

 

MAria Emília

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Bom, é provável que alguém vá antes de mim, mas estou indo em agosto de já tinha me programado pra levar uma bandeira do Brasil pro Salar. Alguém tirou uma foto com ela toda desbotada (em outro relato), tá precisando de uma nova mesmo!

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Obrigado pelos elogios galera, isso anima a continuar o relato, rs.

 

Ô Maria Emília, suco de mão não rola! HAHAHhahahaha...Mas é bem isso mesmo!

 

Quanto à bandeira do Brasil, como disse o Aletucs, está num estado deplorável...snif...Quem for, por favor, aproveite essas promoções da Copa do Mundo e leve uma bem bonita e GRANDE!

 

Valeu galera.

Abraços.

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15.03.2014 – Salar: 1º dia (segunda parte)

 

Antes de começar o relato do segundo dia de Salar, vale uma menção honrosa ao maldito Hostel de Sal Los Lipez.

 

Um certo escritor disse que o inferno seria mais inferno se fosse gelado, pois bem, pra mim, o inferno seria MUITO mais INFERNO, se fosse de SAL...

 

Quando fechamos o tour do salar lá em Uyuni, a dona Andrea encheu a boca pra dizer que ficaríamos num hostel de sal, que é muito bom, lindo, que seria uma experiência única (e foi mesmo) e blá, blá, blá...Aí nos assustou falando que no segundo dia ficaríamos num REFÚGIO no meio do deserto, que é bem simples, rústico, com animais por perto, enfim, tocou maior terror. Só que não foi bem isso que aconteceu...

 

Imagine que você teve uma noite de cão sem dono em Uyuni, acordou cedo pra se preparar para o grande dia, rodou horas dentro de um 4 x 4 desconfortável, se matou de “brincar no deserto de sal”, tirar fotos, dar gargalhadas, zuar os gringos, subir aquela p* de morro dos cactos gigantes sob um sol que queimava suas pestanas, pediu 13 vezes pro guia parar o jipe pra você tirar aquela foto esperta de uma bicunha/alpaca/lhama que você nunca sabe o que é e sempre pergunta ao seu guia, que te xinga baixinho de boludo, enfim...VOCÊ ESTARÁ MORTO! De cansaço, de fome, de sede. Aí você pensa: “Ah, ainda bem que o dia do refúgio é amanhã, hoje desfrutarei de um hostel de sal lindo e confortável”. MENTIRA!

 

Chegamos – nesse estado descrito acima – ao “maravilhoso” Hostel de Sal Los Lipez, que em espanhol deve significar “Los Sádicos”.

 

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Ah, detalhe importante, a dona Andrea nos disse que poderíamos escolher nosso quarto – nunca acredite nisso, em Aguás Calientes, no Peru, foi a mesma coisa – e, então, decidimos que queríamos um quarto de casal.

 

Ainda dentro do 4 x 4, nosso guia Edwin parou em frente à masmorra e trancou o carro! Ficamos uns 15 minutos dentro do jipe, trancados, com um frio dos esquimós, sem entender nada, ele simplesmente saiu, trancou o carro e sumiu! Pensei: “F**u!” Vamos dormir aqui galera.

 

Aí ele volta, diz que está lotado mas dá um jeito...Dividiu a tchurminha da seguinte forma: As suíças e a alemã num quarto e, nosso quarto de casal privado, eu, a Miriam e o australiano! HAHAHhahahaha.

 

Após Edwin descer nossas mochilas com a delicadeza de um rinoceronte, ainda carregamos galões de água, botijão de gás e mais um monte de tralhas – eu disse que estávamos cansados? – e ainda nos deixou na “recepção” do hostel olhando pras paredes até ajeitar as coisas, como disse.

 

Resolvido o problema dos quartos, fomos com o Nick (australiano) ao nosso ninho de amor, hahahahaha. Abri a porta da pocilga e a cena era a seguinte: Uma cama de casal e duas de solteiro, uma janela minúscula sem cortina, decoração ao estilo família Adams e aroma de caixa de papelão.

 

Olhei pro lençol, que era vermelho, e disse pra Miriam: “Nossa, está sujo, olha essas pintas pretas”. A Miriam: “Ah, dá uma sacudida aí que sai”. Quando toquei naquele trapo, VOARAM UMAS CEM MIL MOSCAS! Os pontos pretos eram MOSCAS! O Nick dava risada, a Miriam chorava e eu tentava mata-las – inutilmente – com um “travesseiro” que estava por lá.

Eu disse ao Nick: “Cara, isso aqui é mosca!” (num inglês de primário) e ele, com aquele inglês de australiano que ninguém entende: “Hu, hu, flys...hu, hu”.

 

Depois de nos acostumarmos com nossos pets, as moquinhas, fomos dar um rolê pra conhecer o maravilhoso hostel de sal (maldita Andrea!).

 

O hostel é circular, uma meia lua, então, literalmente demos uma volta e vimos tudo. O que nos chamou a atenção foram os banheiros, porque tinha muita gente naquele lugar e só três banheiros (casinhas) e UM CHUVEIRO! Aí a Miriam pensou: “Putz, imagina esse banheiro depois que todo mundo tomou banho...”. Aí já fomos ver como era o lance pra tomar banho, já que a janta seria mais tarde. Descobrimos que o esquema é o seguinte, você paga 10 BOB pra tia que toma conta da chave, ela abre a casinha do chuveiro, você toma aquele banho “delícia”, devolve a chave e ela passa pro próxima da fila, sim, tinha fila pra tomar banho.

 

Pois bem, pagamos e fomos lá. Como a casinha fica no canto e tem uma cortina safada pra tapar sua nudez, resolvemos ir em dupla, enquanto um toma banho, o outro entrega a toalha, o sabonete e depois segura a cortina pra ninguém invadir. Interessante que um monte de gente fez o mesmo, homem com homem, mulher com mulher, homem com mulher e todas as combinações matemáticas possíveis.

 

DICA: Lembra da porcaria do disjuntor? Então, ele fica escondido perto do chuveiro, canto superior esquerdo.

 

Após encontrar o disjuntor, a Miriam foi a primeira a se aventurar. Ligou a chave, começou a amornar (porque, como já disse, caliente é algo subjetivo). Como mulher é mulher em qualquer canto do mundo, resolveu lavar as madeixas, passar creme e tals...Logo após encher o cabelo de shampoo, adivinha? ACABOU A ÁGUA!

 

Ela gritou alguma coisa de lá de dentro, eu não entendi, aí ela disse que o coração estava congelando! Poxa vida, agora saquei! Só que pensei: estamos no deserto, nem água tem aqui minha gente, como vou conseguir? Ela gritou - batendo os dentes - pra eu procurar a tia das chaves, e lá fui eu!

 

Cheguei no balcão e cadê a tia? Me apontaram a cozinha e fui lá verificar, enquanto a Miriam estava com o cabelo cheio de sabão, no deserto, a - 5 graus. Botei a cabeça pra dentro da cozinha e parecia uma reunião de alguma espécie de seita macabra, estavam todos lá, os guias, os cozinheiros, parentes, crianças, cachorro (verdade, cachorro lambendo o chão da cozinha), as moscas (nossas colegas de quarto) e mais um mundo de gente estranha, MENOS A TIA DA CHAVE!

 

Como não falo espanhol muito bem, disse calmamente: “Ei, se acabo la agua”. Um cara olhou com olhos de fúria pra mim e gritou: “QUE PASSA?”. Eu humilde: “se acabo la agua, senhor”. “QUE?! SE ACABO LA AGUA?!”. “Sim, se acabo...”. “PUTA MADRE!”. E saiu correndo, pegou sua bike (?) e foi pedalando pro meio do deserto!!!! Não entendi nada, só sei que todo mundo se mexeu, tocaram o cachorro, fizeram carinho nas moscas, beberam pisco, meu, foi uma zona.

 

Voltei correndo pra avisar a Miriam que ela morreria de hipotermia e topei com o Nick na fila do banho, ele perguntou alguma coisa em inglês que não entendi, só sei que eu disse: “Finishing water!” HAHAHhahaha. Ele soltou um WTF? Dei com a mão e fui correndo ver a Miriam, que a essa altura já deveria estar brincando fazer anjinho no chão do banheiro...

 

Nessa, a tia da chave apareceu! AMOEBA! Ela disse que o senhor da bike havia saído pra bombear a água e que já voltava...Ufa!

 

Em alguns minutos a água realmente voltou, SÓ QUE GELADA! Coitada da Miriam, tremia de frio, mas pelo menos enxaguou o cabelo. Eu iria dizer a ela que pelo menos o cabelo estava bem hidratado, mas fiquei com receio de ela pedir o divórcio...

 

Depois que eu fui congelar as pálpebras naquela água, fomos tomar um chá quente com bolachas, que, surpreendentemente, estava uma delícia. Esse momento foi bem legal, sentados todos à mesa, tomamos um chá quente, conversamos com a nossa tchurminha do 4x4, ficamos brincando de “como se diz em alemão, espanhol, português e australiano (porque aquilo que eles falam não é inglês)”. Foi bem divertido, demos muitas risadas.

 

Após esse momento aprazível, chegou a hora da janta...

 

Ah, esqueci de dizer que esse lugar FEDIA, mas fedia MUITO. Era um cheiro estranho, de gordura com moscas e notas de enxofre. Não sei por que fedia tanto aquele lugar, só sei que fedia. E eles fechavam todas as minúsculas janelas e as portas, porque o frio pegava naquela noite (boa sorte a quem for em junho/julho, porque em março já congela), o que aumentava a fedentina.

 

Com o estômago embrulhado, chegou a janta, êba.

 

O menu era: sopa de alguma coisa com coentro de entrada, que até que estava boa. O prato principal era um mix de coisas suspeitas, das quais só identifiquei salsicha, cebola, tomate e frango, o restante não conhecia e estava desfigurado. Essa quizomba tinha um cheiro forte e textura gosmenta. A Miriam já largou o garfo e bateu três vezes na mesa, como os lutadores de jiu-jitsu. As suíças usaram a desculpa de serem alérgicas e tem um lance com glúten e que a religião delas não permite...tisc, sei...O nick, sem noção, bateu 4 PRATOS dessa gororoba! Aí, eu, para ser educado, comi meia salsicha com uma rodela de cebola e disse que estava estufado, risos. Ainda assim, havia sobrado um fundinho, aí o Nick olha pra galera e diz: “Sorry guys” e raspa a tigela! Esse cara é de outro planeta!

 

A sobremesa era: não tinha sobremesa.

 

Depois de nos arrependermos de não ter comido mais bolachas com chá, fomos ao nosso ninho de amor.

 

Apesar de não termos nosso quarto privado, foi melhor assim. Isso porque o lugar era horrível e o Nick era muito engraçado, o que ajudou a passar o tempo. Ficamos tentando bater um papo em inglês com ela. Perguntamos se ele não falava nada de espanhol mesmo, aí ele tirou um dicionário da mochila: Inglês x Portugues! HAHSHSHHAHAHa. Explicamos que, na América do Sul, só no Brasil se fala português, ele não acreditou! Risos, depois disse que havia passado pelo Brasil e notou que eles falavam diferente mesmo, HAHAHAHA. Perguntei se ele aprendeu alguma coisa de português (que ele achava que era espanhol). “Yes”: “Uma cerveja, por favor” (com voz do exterminador do futuro)...Depois entendi porque ele não queria tomar cerveja na janta, estava de ressaca desde Uyuni.

 

A noite de “sono” foi aquela coisa de sempre, com as dicas anteriores.

 

Ao amanhecer, a Miriam acordou e tomei um susto! A boca dela parecia que havia sido picada por mil abelhas africanas! Estava ENORME! Muito inchada! Fofão teria inveja...Fiquei com medo de ser alergia e ela tomou um antialérgico de cara. Nessas horas você fica preocupado, porque está no meio do deserto, a quilômetros de distância de qualquer posto de saúde ou médico, sem conhecer ninguém, além do seu guia e o pessoal do 4x4, então mantivemos a calma, ela tomou o remédio e fomos acompanhando, pra ver se desinchava.

 

Fui o primeiro a ter coragem de ir escovar os dentes. Me encaminhei à pia coletiva e, logo de cara, topei com um israelense PELADO FAZENDO FLEXÃO! Jesus Cristo, minha retina queimou! Foi a pior cena que já vi na vida! Pesadelos! Pesadelos!

 

Fui lá escovar os dentes com água de garrafinha e tals, uma galera na fila do banheiro (muitos reis e rainhas naquele dia...) e uns malucos que queriam tomar banho.

Aprontamos as coisas, arrumamos as mochilas, tomamos café (comemos 1 kg de bolacha com 5 litros de chá, pra garantir) e fomos pra fora respirar o ar puro do deserto, que alivio.

 

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DICA: Arrume sua mochila na noite anterior, isso durante toda a viagem, porque dá muita preguiça e é muita correria pra você arrumar a tralha toda logo de manhã. É bom também para pensar em como será o dia seguinte e já deixar à mão alguns itens, como toalha, luvas e gorro, protetor solar, etc.

 

Fazia muito frio nessa manhã, mas qualquer coisa era melhor que o cheiro do hostel. Ficamos lá esperando um pouco - após carregar todo o 4x4 - e apreciando a bela paisagem ao redor.

 

Próxima parada: O lago dos flamingos.

 

Notas:

Banho do terror: 5 BOB

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