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Fábio Almeida_

PATAGÔNIA - DEZ/JAN de 2015 (17 DIAS: Chalten, El Calafate, Torres de Paine "W", Punta Arenas) - MUITAS FOTOS!

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Relato de viagem de uma casal pela Patagônia Argentina e Chilena em dezembro de 2014.

 

Na viagem, passamos por Buenos Aires, El Calafate, El Chaltén, Puerto Natales, pelo parque Torres Del Paine e Punta Arenas.

 

Escrevemos o relato juntos. Para que não ficasse confuso, resolvemos deixar alguns trechos destacados com cores. Fábio: azul e Alana: Rosa.

 

Se você está planejando sua viagem para a Patagônia, recomendo que além do nosso, você leia este relato: patagonia-colossal-ushuaia-torres-del-paine-w-el-chalten-calafate-e-buenos-aires-22-dias-em-abril-de-2014-fotos-dicas-e-gastos-t96868.html . Nos ajudou muito. Tanto que o imprimimos e levamos para a trilha rs.

 

Seguindo o exemplo do seu autor, vamos deixar aqui algumas dicas, já que o nosso relato ficou bem extenso e tem gente que pode estar em busca de informações rápidas.

 

Roteiro

 

18 Dez - João Pessoa - Rio de Janeiro - Buenos Aires

19 Dez - Buenos Aires - El Calafate (voo)

20 Dez - El Calafate - El Chaltén (Chorrillo del Salto, Mirador de los Condores, Mirador de las Aguilas)

21 Dez - El Chaltén (Loma del Pliegue Tumbado)

22 Dez - El Chaltén (descanso)

23 Dez - El Chaltén (Laguna de los Tres)

24 Dez - El Chaltén (descanso)

25 Dez - El Chaltén - El Calafate (ônibus)

26 Dez - El Calafate (sem ônibus para P. Natales ::vapapu:: )

28 Dez - El Calafate (sem ônibus para P. Natales ::vapapu:: )

29 Dez - El Calafate - Puerto Natales (ônibus) ::otemo::

30 Dez - Puerto Natales

31 Dez - Puerto Natales - Torres Del Paine (Paine Grande – Grey)

1 Jan - Torres Del Paine (Grey – Italiano)

2 Jan - Torres Del Paine (Italiano – Francês – Los Cuernos)

3 Jan - Torres Del Paine (Los Cuernos – Chileno – Campamento Torres + subida Torres del Paine)

4 Jan - Torres Del Paine (Campamento Torres – Laguna Amarga) - Puerto Natales (ônibus)

5 Jan - Puerto Natales - Punta Arenas (Isla Magdalena) - (ônibus e barco)

6 Jan - Punta Arenas - Recife (voo)

 

Preço da passagem pela TAM por pessoa: R$ 2.000,00

 

 

Reservas de hospedagem

Numa viagem longa, deixar todas as estadias reservadas pode gerar prejuízo. Conosco aconteceu de não encontrarmos passagens de ônibus para a data programada e terminamos tendo que remarcar as coisas.

Fomos durante os meses de Dezembro e Janeiro, ou seja, alta temporada, e mesmo assim não tivemos problema em encontrar hostel pela internet. Aconselharia reservar a hospedagem do primeiro dia de viagem, afinal geralmente se chega bem cansado.

 

Café-da-manhã por onde passamos (com exceção do Hostel Backpackers Kaweskar) é torrada, manteiga, doce de leite ou geleia com café/chá. Nada de frutas, queijo etc. Compramos nossas comidas para reforçar.

 

 

Roupas e acessórios

Não vamos falar aqui sobre o sistema três camadas. Existe uma infinidade de textos na web sobre isso, além de ótimos fóruns aqui no Mochileiros. Sem falar que o pessoal daqui ajuda muito respondendo suas dúvidas. Quando estamos em movimento, nosso corpo esquenta bastante. Fomos no verão e usei muito uma regata durante as trilhas. Porém, é só parar alguns minutos para o frio começar a se fazer sentir. Desta maneira, vale investir em roupas técnicas boas, já que não é só para proteger do frio que elas servem, mas também para que você não fique encharcado de suor e tenha facilidade em combiná-las. Além disso, as roupas boas são bem finas e leves.

 

Levamos nossas roupas já compradas, pois não iríamos parar em grandes cidades por tempo suficiente para procurar. Alguns itens compramos na Casa de Pedra, outros na Netshoes e Decathlon. Se você tem conhecidos que moram na Europa (e que estejam planejando visita-lo no Brasil), é uma boa comprar as roupas em uma loja virtual e pedir para o conhecido trazer. Fizemos isso na Espanha, através da loja Barrabés.

 

Aqui está a lista com nossas roupas:

 

HOMEM:

1 anorak Venture da North Face - Muito bom!;

1 fleece Nordic Polartec Thermal da SOLO - Muito bom! Usei só quando ficava muito tempo parado e o frio apertava;

1 segunda pele X-Power da SOLO -

MUITO QUENTE. Usei mais para dormir. Não indico para trilha no verão. Suei muito com ele;

1 segunda pele jaqueta Salomon discovery fz - Melhor aquisição. Usei praticamente todo dia como segunda pele;

1 Bota Salomon Elios Mid Gtx 3 - Aguentou muito bem, apesar da impermeabilidade não ser tão boa;

1 calça trekking Grifone Lamprey - Ótima! Tecido é bem elástico e impermeável (chuva fina). Usei todo dia;

1 calça segunda pele Arc’teryx Phase AR;

5 pares de meias para longas caminhadas - É bom investir em meias de qualidade. Só tive 1 pequena bolha no pé;

1 boné (usei bastante);

1 lenço de pescoço/pescoçeira - muito bom! o vento + frio corta o rosto. O lenço é aquele o pescoço e protege o rosto, principalmente o nariz;

2 pares de luvas - 1 primeira pele fina e outra segunda pele mais grossa;

5 cuecas box.

 

MULHER:

1 Casaco The North Face Triclimate Solares;

1 Fleece The North Face Kyoshi;

1 Blusa segunda pele da Icebreaker de lã merino;

1 Blusa segunda pele da Wed’ze;

1 Regata (recomendo dry fit e mais de uma);

1 Calça Segunda Pele da Haglöf (Active Regular);

1 Calça Segunda pele da Quechua;

1 calça impermeável da Grifone (Waimea);

2 pares de meia de lã (evite as de algodão e prefira as de lã);

1 par de meia Falke para Trekking;

2 pares de luva (segunda pele e impermeável);

Tops secagem rápida (esqueçam os sutiãs de espuma do dia-a-dia, meninas);

2 pescoceiras que sobem até o nariz: muito importante para quem tem rinite;

Lenço para coriza (eu amarrava na alça da mochila rs! Tenho uma rinite bem temperamental);

1 boné (muito útil para proteger do sol e vento).

 

E aqui a lista de acessórios:

 

Fita Crepe: para enrolar os dedos ANTES que eles tenham bolhas;

Fita nexcare 3M para colocar no calcanhar ANTES da formação de calos;

Álcool em Gel;

Papel higiênico;

Lenços Umedecidos;

Lanterna: essencial pro ataque às torres para ver o nascer do sol e para usar depois que anoitece nos acampamentos;

Bepantol: ESSENCIAL! Serviu pra lábios, cutículas rachando, nariz cortado por causa da coriza+vento+frio;

Protetor solar;

Hidratante facial (no frio e no vento, a pele sofre, até despela);

Toalha secagem rápida;

Joelheiras neoprene;

Kinesio tapes (recomendo);

Corda;

Canivete;

Repelente;

Remédios;

Fósforos;

Garrafa de água (500ml-1litro).

 

 

Mochilas

 

Fábio

Osprey Kestrel 58 L - Muito boa! Como levei pouca coisa, deu para viajar sem precisar despachar.

 

Alana

Deuter Air Contact 65 + 10. Foi o que consegui depois de tentar uma Deuter SL 55+10 hehhehe. A mochila é enorme, tem que despachar, porém é muito boa.

 

 

Valor total da viagem, por pessoa, sem passagens aéreas: R$ 2.500 (levei R$ 2.000, achando que seria suficiente; Gastei mais R$ 500,00 em saques no Chile :| )

 

 

Câmbio

Esse assunto já é manjado, mas vale a pena reforçar: se você está viajando para a Patagônia, faça uma conexão em Buenos Aires e troque todo o seu dinheiro no câmbio paralelo da rua Florida. Se você não fala espanhol e está com receio de pegar nota falsa ou ser enrolado pelos argentinos, você pode ir a casas de câmbio administradas por brasileiros. Procurem no Facebook por TDBR ou câmbio mais brazucas (algo assim). Eles publicam a cotação do dia na página do face (mão na roda para os que, como eu, são péssimos negociantes).

 

Pergunte ao cambista se a troca é feita em casa de câmbio ou se é diretamente com ele. Só troque em casas de câmbio, pois são menores as chances de você pegar nota falsa ou ser enganado. Troquei com um careca de terno que fica em frente à loja Falabella. Eu já o conhecia de outras viagens, ele sempre fica no mesmo lugar. Conseguimos a cotação de AR$ 4,40 para cada R$ 1,00.

 

Nossa experiência: após negociar o valor, o cambista pede para que você o acompanhe, "Vení, Vení 8) ", e te leva a um edifício comercial. Você entra em um elevador estranho de madeira dos anos 90, sobe alguns andares, abre manualmente a porta do elevador e sai em um corredor mal iluminado. O careca toca a campainha de uma empresa de fachada (imobiliária em 2012 e consultoria financeira em 2014). A ‘empresa’ tem câmera na entrada, para identificar o cliente. Entramos. Dentro, um homem de meia idade, gordo, de óculos redondo (como todo banqueiro), atendia outro cliente. Ao lado dele, um homem velho, muito velho, olhava para o nada com olhos meio mortos, paralisados. Pensei que o velho tava morto, de tão imóvel. Chegou nossa vez. Empreguei toda minha “habilidade de negociação”, aliada a um espanhol impecável, para tentar uma cotação melhor. "Ésto és un valor muy malo, tenemos uma buena quantia, cinto pesos está bien, amigo" ::essa:::?: . O gordo apontou para a calculadora onde estava escrito 4,40. "Ok...", falei. :|

Trocamos 70% do nosso dinheiro a uma cotação AR$ 4,40. Os outros 30% seriam para o Chile (assim pensávamos).

 

Em Calafate não tem casa de câmbio paralelo, mas não se preocupe, você está na Argentina. Cambismo é uma segunda profissão. Sabe aquela senhorinha que acorda às 5:00, pronta para varrer a calçada? Cambista. Aquele professor de espanhol? cambista; O padre: faz cambio no confessionário; Rodoviária: casa de cambio secreta; Médico parteiro: cambio no hospital; por aí vai...

 

A péssima notícia é que em Calafate a cotação é horrível para reais, comparada à de Buenos Aires. Em bsas (19/12/2014) pegamos AR$ 4,40 por cada R$ 1,00, em Calafate a melhor que pegamos foi AR$ 3,80, no guichê de uma empresa de ônibus que vende passagem para Puerto Natales. Não lembro o nome da empresa, mas ela está localizada no último guichê, à direita. O câmbio do dólar para AR$ é bem melhor e praticamente todo estabelecimento cambia, diferentemente do Real, que só em poucos lugares é aceito. Se está com dúvida sobre levar dólar ou real para a patagônia e não pode passar em Buenos Aires, leve dólar!

 

Outro lugar em El Calafate que aceita trocar reais com cotação melhor do que a oficial: Loja de Souvernir. Procure a maior loja de lembranças da rua principal. Em 25/12/14 estavam trocando o real a AR$ 3,50.

 

Já no Chile, não há essa cultura. É preciso pesquisar nas casas de câmbio a melhor cotação.

 

 

Mais algumas dicas

Em El Chaltén há um Posto de Saúde que atende as pessoas gratuitamente. Lá, inclusive, se aplicam as Kinesio tapes.

 

Big Ice em alta temporada só com reserva antecipada. Perdemos o passeio porque eles só tinham disponibilidade vários dias para frente. Quem executa todos os passeios para o Perito Moreto é a concessionária Hielo y Aventura, porém várias empresas vendem os passeios. A Hielo y Aventura têm site e fazem reservas por cartão de crédito.

 

No ataque às Torres, para ver o nascer do sol, como se fica muito tempo parado, teve trilheiro mais experiente que aconselhou levar o saco de dormir. Ficar parado = muito frio. E lá em cima venta bastante.

 

Para mochila de ataque, usamos mochilas normais, do dia-a-dia. Não gostamos. Ou incomodava na lombar (mesmo sendo leve, a duração das trilhas é alta) ou se suava muito nas costas. Se você tem condição de investir numa boa mochila menor, é legal.

 

Quem tem cabelo cabelo comprido é bom fazer uma trança para ir pras trilhas. Em El Calafate, o vento, muito habilmente, fez de meu cabelo um só dread que pensei que não ia ter como desfazer. Tomei o banho mais longo de minha vida, passei condicionador sete vezes e ainda ficaram alguns nós, que fui cuidando aos poucos.

 

E finalmente, por mais que o percurso seja tranquilo e você esteja inteiro porque acabou de começar, tenha sempre cuidado com as articulações e coluna; seu corpo será muito exigido. No mais, paciência, sempre. Com um passo de cada vez, por mais curto que seja, só se chega mais perto.

 

 

Agora vamos ao relato...

 

Chegamos por El Calafate e voltamos por Punta Arenas, sendo que fizemos uma conexão longa de propósito em Buenos Aires para trocar os Reais por pesos argentinos no câmbio paralelo (falo sobre isso mais pra frente). A passagem foi comprada, depois de muito stress (vide: erro-em-site-da-tam-faz-clientes-comprarem-passagens-com-valores-mais-caros-t102104.html), através do site da TAM, que permite fazer múltiplos trajetos (máximo de 4, se voltar por onde iniciou e de 3, se voltar por outra cidade).

 

 

18/12/2014: João Pessoa - Rio de Janeiro - Buenos Aires

 

Chegamos em Buenos pelo Ezeiza já tarde da noite, quase madrugada. A empresa Manuel Tienda Lion, que faz o trajeto de ônibus até a cidade a um preço mais em conta, já estava fechada. O site deles é o: tiendaleon.com. Dá para consultar os horários de ônibus pelo site.

 

Tivemos, infelizmente, que optar por um táxi. Contratamos na empresa Taxi Ezeiza, dentro do aeroporto. A empresa é confiável e cobra valor fixo para te deixar em qualquer lugar da cidade. Pagamos AR$ 400,00 para deixar no hostel Suites Florida ::vapapu:: . Eles aceitam Reais a uma cotação um pouco melhor que a oficial. Chegamos no hostel, fizemos check in e fomos dormir.

 

Hostel Suites Florida: Pegamos um quarto para 4 pessoas. Localização boa, no coração da rua Florida. Tem café-da-manhã (muito fraco) grátis. Não ficamos muito tempo, então não dá para fazer uma avaliação mais detalhada. Uma coisa que não gostei é que você recebe uma pulseira (como essas de shows) quando faz o check in e só pode entrar no hostel com ela no braço. Achamos o enfeite desnecessário e tiramos. Resultado: tivemos que esperar quase meia hora o funcionário buscar outra maldita pulseira.

 

Táxi do aeroporto até a Florida: AR$ 400,00.

 

 

19/12/2014: Buenos Aires - El Calafate

 

Acordamos cedo para trocar o dinheiro. Nosso voo partia de Bsas para Calafate às 12:40. Pesquisamos a cotação com alguns cambistas da Florida. Trocamos a uma cotação de AR$ 4,40 para cada Real.

 

Voltamos para o hostel, pegamos nossas coisas e fomos a procura de um táxi para o aeroporto. Lá, encontramos fila enorme para check in e problemas na máquina automática. Pensamos que não daria tempo, mas deu tudo certo. Voo tranquilo pela LAN (muito melhor que a TAM).

 

No avião conhecemos uma mexicana muito legal. Ela estava estudando e falava muito bem Português e ficamos conversando. Concordou que, em geral, os brasileiros são barulhentos e chamam atenção hehhe. Também conhecemos uma simpática senhora Argentina que viajava para Ushuaia (ela me ensinou que se se pronuncia Uçuaia e não uxuaia).

 

Aterrissamos no minúsculo aeroporto de El Calafate. Dividimos um táxi com um casal de irlandeses. O táxi nos deixou no hostel, o Las Cabañitas. Depois de deixar as coisas no quarto, fomos comprar a passagem para El Chaltén para o dia seguinte.

 

Na rua principal tem uma escadaria que leva à rodoviária. Passagens compradas, saímos para conhecer a cidade e procurar um lugar para comer. A princípio, talvez por conta do cansaço, não nos impressionamos com El Calafate. Cidade para turista. Não fossem as infinitas lojas de chaveiros com foto de montanha, ímãs de geladeira do perito moreno e do papa, alfajores Fitz Roy etc., jamais pensaríamos que aquela cidade estava localizada na Patagônia. Os preços assustaram.

Enfim, depois de gastar todo o dinheiro da viagem em um pedaço de carne + 2 cervejas, voltamos para o hostel para descansar, depois das intermináveis horas de voo e conexões.

 

Hostel Las Cabañitas: Pegamos um quarto duplo com banheiro individual. Café-da-manhã bem melhor do que o do Suites Florida, com mais variedade. A localização do hostel é boa. Fica perto da rodoviária e da rua principal. Os preços são caros demais para o que oferecem. Por esse motivo, não recomendo.

 

Passagem para El Chaltén: AR$ 275,00

Táxi do aeroporto para o hostel: AR$ 150,00 (o preço total era AR$ 300,00 mas rachamos com os irlandeses).

 

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20/12/2014: El calafate - El Chaltén (Chorillo del Salto, Mirador de los Condores e Mirador de las Águilas)

 

Saímos cedo para pegar o ônibus para Chaltén. Havia pessoas de todo o mundo na rodoviária. O ônibus não atrasou, e 3 horas depois chegamos em Chaltén.

 

El Chaltén é uma cidadezinha bem pequena e muito linda. Os arredores sempre têm grades montanhas de pedra, que são magníficas. As casas e hostels são muito charmosos e a comida é ótima. O que mais dizer de El Chaltén? Foi lá que deixamos quase todos os nossos pesos argentinos!

 

Não só fizemos o proprietário da única farmácia local uma pessoa mais feliz ($$$), como esbanjamos em comida.

 

Início de viagem, início de trilhas cansativas, início de crises alérgicas e de lesões nos joelhos e de recompensas alimentares merecidas depois de um dia de longas caminhadas (além de hospedagem sem cozinha).

 

Assim que se chega, o ônibus faz uma parada num prédio administrativo, onde os turistas escutam explicações rápidas sobre as trilhas, animais e proibições e recebem o mapa da cidade. Depois dessa parada, volta-se para o ônibus e se desembarca na rodoviária (que tem um centro de informações turísticas e uma lanchonete).

 

Da rodoviária, fomos direto para onde íamos nos hospedar, Hospedaje Mi Rincón.

 

O Eduardo (dono da hospedagem) viu a previsão do tempo para os próximos cinco dias e nos ajudou a montar um roteiro (ele já fez todas essas trilhas). Demos sorte: tempo bom até nosso último dia lá. Além disso, o sol estava nascendo por volta das 4 da manhã e se pondo apenas as 22:30! Verão na Patagônia é assim.

 

Nosso roteiro original foi esse:

1º dia: Chorrillo del Salto, Mirador de los Condores, Mirador de las Águilas

2º dia: Loma del Pliegue Tumbado

3º dia: Lago del Desierto + glaciar Huemul (não fizemos)

4º dia: Laguna de los Tres

5º dia: Laguna Torre (não fizemos)

 

Depois de deixar as coisas no hostel, fomos para o Chorillo del Salto e para os dois miradores: Los Condores e Águilas.

 

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Chorillo del Salto, Mirador de los Condores e Mirador de las Águilas

 

O percurso até a cachoeira é basicamente plano e bem fácil. Boa parte do caminho é feita numa estrada de terra e pedrinhas (as pedrinhas irão vos acompanhar, trilheiros, pelo resto da viagem) pela qual também passam carros. Boa parte do trajeto, inclusive, pode ser feita de carro. À direita, a vista é sempre muito linda, com rio e montanhas. É um passeio bem leve e se vê várias famílias por lá. A cachoeira é bem bonita e o lugar transmite uma atmosfera calma e agradável.

 

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Depois de ficar um bom tempo contemplando o lugar, voltamos para Chaltén, pois a saída para os miradores ficam no outro extremo da cidade (o que não é longe).

 

Para os miradores há algumas subidas, mas nada difícil.

 

Uma dica é: por mais que o percurso seja tranquilo e você esteja inteiro porque acabou de começar, tenha sempre cuidado com as articulações e coluna; seu corpo ainda será muito exigido. No mais, paciência, sempre.

 

Quem tem rinite alérgica normalmente passa por uma fase de adaptação quando não está acostumado com o clima frio. Fiquei com o nariz escorrendo e espirrando o caminho inteiro. Com os dias melhora, porém tive que aceitar a coriza até o último dia de trilha, porque brigar contra ela é inútil. Amarrei um lenço na alça da mochila e pronto. Bepantol creme é um santo remédio para lábios e nariz rachados.

 

No topo do mirador dos Condores, você vê toda a cidade, ao lado de suas montanhas cobertas de neve. Infelizmente não vimos condores. De lá, voltamos o caminho por 5 a 10 minutos até encontrar a placa para o outro mirador: Mirador de las Aguilas.

 

O percurso é igualmente tranquilo. Quando chegamos, estava ventando bem forte e não conseguimos ficar tanto tempo por lá. Do topo você vê o Lago Viedma e algumas montanhas. Foi o primeiro contato com as vistas grandiosas que nos aguardavam.

 

Se o tempo é pouco em El Chaltén, é bom saber que esses três são os lugares menos espetaculares que há, porém os mais fáceis e rápidos de se fazer. Assim, são bons como adaptação.

 

Como fomos no verão e não havia chovido recentemente, o caminho foi seco todo o tempo (muita sorte).

 

Quanto às nossas roupas, fomos percebendo que eram mais que suficientes. Se você está usando roupa adequada para fazer atividade em um lugar mais frio, a combinação de camadas é perfeita. Ou seja, sem as roupas adequadas, as camadas só vão te deixar mais ou menos molhado, com calor ou com frio, nunca confortável (experiência própria).

 

Fizemos tudo sem bastões, mas percebemos como eles são úteis. Alguns vendedores aconselham a alugar só um bastão, e não necessariamente o par, principalmente para quem está iniciando. Preferimos usar o par.

 

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À noite, estávamos bem queimados, apesar de ter usado protetor solar (mas não boné). Recomendo usar chapéu, afinal é um dia inteiro no sol.

 

Início da viagem, money belt sem alterações visíveis então... não anotávamos bem nossos gastos, como é de se supor.

 

Hosdaje Mi Rincón: É uma hospedagem pequena, não consegui identificar mais que dois quartos, e a casa é muito linda. Os donos são Elizabeth e Eduardo. Só conhecemos o Eduardo e ele nos ajudou muito (com roteiro, mapas, remédios, bolsas de gelo etc.). Pra completar, tem a cachorrinha (gigante) Pancha e duas gatinhas que, estranhamente, são muito simpáticas. Pegamos um quarto com cama de casal, banheiro privado, café da manhã (que é deixado toda manhã na porta do quarto) incluído. Recomendo!

 

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21/12/2014: Loma del Plieque Tumbado

 

A trilha para o Loma é bem demarcada. É inteirinha com muitas pedras e rochas. Andar sobre pedras faz com que seu pé esteja sempre inclinado e seus tornozelos trabalhem de uma maneira que nunca precisaram em caminhadas urbanas. Nessa fase de adaptação, é muito comum sentir dor na planta ou na lateral dos pés.

 

Ao longo do caminho, passamos tanto por bosques como por algumas partes abertas. As subidas até o mirador são tranquilas.

 

Como em todas as trilhas da Patagônia, sempre há água pelo caminho (e a água das torneiras é potável), mas aconselhamos levar água para essa trilha, pois não encontramos com tanta frequência assim.

 

Para o lanche, tínhamos maçã, banana e sanduíche (não levar uma cargueira possibilita lanchar frutas!).

 

Quando se chega ao mirador, se tem um susto de tanta beleza, grandiosidade e coisas incríveis ao seu redor. É assustadoramente lindo! Porém… tem mais! O mirador não é o final (como, admitido com vergonha, pensei a princípio :roll: ). Existe a montanha à sua esquerda, que , lá de cima, fornece uma visão 360º da área.

 

A subida que vai do mirador até o topo dessa montanha leva mais ou menos uns 50 minutos. É bem íngreme e exige paciência. Por mais que os passos sejam curtos, um passo a mais só te deixa mais perto. Como eu nunca tinha feito isso antes, me impressionei com a inclinação da subida. Bem devagarzinho, cheguei! Minha experiência em trilhas era quase zero.

 

Lá em cima, algumas áreas com neve! A vista de 360º é perfeita: montanhas com neve, sem neve, floresta, lago de água azul clarinha, enfim, tudo o que há de melhor na região da patagônia.

 

A descida não é tranquila e exige muito cuidado! Não havia neve ao longo do caminho demarcado, mas as pedras podem deslizar e causar uma queda feia, ou acertar alguém que está subindo.

 

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Dica: Não tente descer a montanha pela lateral, escorregando (ski bunda) pela parte que tem neve. No começo a neve é fofa e você desce controlando a velocidade, mas à medida que aumenta a inclinação, a neve forma camadas mais finas e MUITO escorregadias. Uma hora eu perdi o controle pensei que não iria conseguir parar, mas com ajuda da sorte e dos bastões, consegui. Quando parei e percebi a merda que estava fazendo, resolvi escorregar (me jogar) por uma direção que me tirasse da neve. Se eu continuasse a descer, seria impossível frear. Como um caranguejo, me deslocando pela horizontal, bem devagar (o gelo tava muito escorregadio), fui pouco a pouco conseguindo sair da zona do perigo. Me posicionei para escorregar para o lado da trilha de pedras. Imaginem descer por um tobogã e tentar cair em pé na água. Claro que capotei nas pedras e rolei ladeira abaixo, mas o terreno já era mais favorável e consegui me equilibrar e me levantar. Ferrei o braço na queda, mas nada muito grave. Felizmente as roupas absorveram boa parte do impacto (mais uma utilidade do sistema 3 camadas).

 

 

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De volta pro hostel, foi só descanso.

 

Cada bastão custa AR$ 10,00 por dia (o par, AR$20,00).

 

 

 

22/12/2014 - Sem trilha

 

Acordei e não conseguia levantar a perna direita, o joelho doía muito. Tinha ido dormir sem dores e acordei assim. Meus joelhos nunca tinham tido nenhum problema e eu não entendi. Deprimi, pensei que era o fim da viagem, imaginei o meu fracasso e fui falar com o Eduardo ::sos:: heheheh.

 

Ele recomendou que passássemos no Posto de Saúde (Puesto Sanitário, em espanhol) para que um médico avaliasse a situação (a expressão dele não era boa).

 

Aqui é importante dizer isso: em El Chaltén há esse Posto de Saúde que atende as pessoas gratuitamente. Lá, inclusive, se aplicam as Kinesio tapes (mas o quiroprático estava de férias nessa semana), bem melhores porque não atrapalham os movimentos. Como a cidade é pequena, não é necessário dar coordenadas.

 

Chegando lá, um velho com a maior cara de servidor público cansado e desiludido da vida estava na recepção. Quando perguntei o que era necessário para ser atendida (pensando em documentos, como passaporte), ele me respondeu que a consulta custava AR$ 350,00. Eu receberia um comprovante e seria ressarcida pelo meu seguro viagem, que eu não tinha feito. Então, contei, num idioma que inventei quando tento falar espanhol :oops: , que havia sido informada que era de graça. O velho, então, me disse que o hospital estava necessitado, que eu poderia fazer uma “contribuição” e ser atendida. “Do mesmo jeito?”, perguntei. Ele: “sim”. “Qualquer valor?”. “Sim”. Ao lado tinha uma caixinha de doações. Coloquei 2 pesos (R$ 0,45) e fui esperar ser chamada.

 

Lá o médico me disse que minhas pátulas são instáveis, se movem mais do que o normal. Provavelmente nas descidas, deve ter acontecido algo errado. O remédio era gelo, repouso e diclofenaco comprimido.

 

Ao sair da sala do médico, ficamos com receio de o servidor querer cobrar os AR$ 350. Estava com a Gopro na mão, preparada, pensando em dizer, caso ele fosse cobrar: “tem problema se eu filmar essa cobrança ilegal?”. Frustrado por não conseguir traduzir essa frase para espanhol, sussurrei para Alana: “Vamos embora sem falar nada, é só sair olhando pra frente”.

Deu certo.

 

Na farmácia, além do diclofenaco em gel que já havíamos comprado, compramos os compridos, vitamina C, hidratante labial, joelheiras, antialérgico e outras coisas. Levem os remédios do Brasil, lá são mais caros.

 

Depois de compressas de gelo de duas em duas horas, mais uma pasta de espinafre maravilhosa no La Tapera, mais cervejas artesanais, fomos dormir para tentar a Laguna de los Três no dia seguinte. Como boa parte do trajeto é plana, com exceção do último trecho (exclusivamente subida, por 1h30min), decidimos que se decidiria na hora se dava ou não para subir.

 

Existem duas maneiras de se chegar à Laguna. A mais recomendada é pegando uma van que deixa as pessoas na Hosteria Pilar, pois, além de se andar menos, se vê o Glaciar Piedras Blancas, que é MUITO bonito. Além disso, a volta é pelo mesmo caminho em que se iniciaria caso decidíssemos fazer tudo andando. Isto é, indo de van não se deixa de ver nada; indo a pé, sim. Realmente vale muito a pena.

 

Na recepção, o Eduardo reservou nossos assentos na van, que nos buscaria às 9h30 da manhã do dia seguinte. O pagamento seria feito a ele, no momento do check out, e não ao motorista do carro.

 

Preço da van para hostelaria Pillar: AR$ 80,00.

As cervejas artesanais custaram AR$ 30,00 cada (long neck).

Também comemos um cordeiro guisado, que não gostamos, no Ahonikenk. Custou AR$ 132,00, que é o preço médio dos pratos dos restaurantes que fomos na cidade, e deu para os dois.

 

 

23/12/2014 - Laguna de Los Tres

 

Com as joelheiras, pares de bastões e bastante cuidado fomos para a trilha da Laguna (que é conhecida pela subida difícil que possui no final).

 

De fato, boa parte do caminho é plana, sem pedras, dentro de bosques e com vistas muito bonitas. É também uma das mais longas (ida e volta dá em torno de 24 km), mas o anoitecer às 22h está aí para isso.

 

Ao longo da trilha, se vê muitas árvores caídas. Não lembro de ter visto água corrente para abastecer o cantil. Depois de algum tempo, saímos um pouco da floresta e entramos em uma área descampada, onde, ali sim, encontramos um rio.

 

Adentramos na floresta novamente, até chegar ao acampamento Poincenot, porta de entrada para o último trecho da Laguna. É possível acampar no Poincenot e de lá fazer outras trilhas, além da Laguna. Paramos lá para comer e descansar um pouco antes de começar a subir.

 

A subida é bem maior que a subida de Loma del Pliegue Tombado, no entanto, como é toda de pedras e muitas vezes menos íngreme, é possível de ser feita sem muito estresse. As pedras, de todos os tamanhos, vão formando degraus, de modo que é como uma longa e difícil escada. Porém existem as partes em que há água e as pedras menores são soltas, aí é preciso muito cuidado para não cair, principalmente na descida.

 

À medida que você sobe, vai ficando mais difícil e perigoso. Quando você chega ao final da escada de pedras, se depara com outra subida. Já havíamos tomado ciência desse último e não nos abalamos muito, rsrs.

 

Bem devagar, levantando a perna direita lateralmente (dá pra entender? heheh) foi possível chegar até o topo! Não tem como se descrever a Laguna (nem a sensação de ter conseguido). É tudo muito impressionante, muito gigantesco, imponente, perfeito. Assim que estamos no topo e vamos andando para frente, ela vai se mostrando, cercada por aquelas montanhas com gelo… E ainda há uma cachoeira e outra Laguna do lado esquerdo, a Laguna Súcia, também linda.

Los Tres é sem dúvida, para mim, a imagem mais fantástica de toda a Patagônia.

 

Demoramos bem mais para fazer o percurso, lógico. Levamos mais ou menos duas horas pra chegar lá em cima. Mas conversamos com um casal holandês de idosos (deviam ter uns 65 anos) fazendo a mesma subida, ou seja, não é um bicho de sete cabeças como imaginamos. A descida é meio tensa, mas com cuidado se chega à parte tranquila da trilha de novo.

Só chegamos em El Chaltén por volta das 22:30, entardecendo!

 

Estávamos muito, muito exaustos. Sem dúvida, a trilha que mais exigiu em toda a viagem.

 

Pedimos uma pizza de cordeiro no Anhoaken, seguindo a recomendação do Patagônia Colossal, e adoramos. Em El Chaltén e em El Caladate, diferentemente de Buenos Aires, não se cobra nada pelo cubiertos (pão, ou torradas, com algum molho para acompanhar, servidos para que os clientes petisquem antes de comerem o que pediram).

 

Por fim, descobri que as joelheiras de neoprene podem causar alergias heheh. Estava com a pele bem vermelha e coçando. Mais uma vantagem das Kinesio tapes

 

Depois, foi só dormir.

 

Pizza: AR$170,00 pesos (deu para os dois comerem até o dia seguinte hehe)

Café submarino: AR$39,00 pesos.

 

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24/12/2014 - Sem trilha

 

Nesse último dia, deveríamos fazer a Laguna Torre, no entanto terminamos abrindo mão dela. Pensamos que seria bom descansar para que chegássemos ao parque Torres del Paine melhores. Mal sabíamos como seríamos obrigados a descansar em El Calafate…

 

Passamos o dia passeando pela cidade: Lan-house, supermercado e comidas.

 

Se você já leu outros relatos, deve saber que a internet em El Chaltén não é boa. É comum a Lan-house, que também é uma empresa de turismo, desligar os computadores porque a internet está fora.

 

A cidade possui poucos supermercados. A variedade era pouca e os preços não tão bons.

 

Recomendamos a sorveteria Domo Blanco, que fica na avenida principal, a San Martin. Os sorvetes são muito gostosos, principalmente o de doce de leite (dulce de leche). Pagam-se AR$30,00 por duas bolas.

 

Na mesma avenida, a loja de alfajor artesanal Chalteños é algo que não se deve deixar passar. São maravilhosos! A caixa com seis custa AR$95,00 e a unidade AR$17,00.

 

Também compramos nossas passagens para El Calafate.

 

 

25/12/2014 - El Chaltén - El Calafate

 

Seguimos para a rodoviária para esperar o ônibus para El Calafate. Feriado de Natal. A cidade estava deserta e ventava muito. Sacolas de plástico, papelão e areia dançavam ao ritmo do vento. A rodoviária possui uma lanchonete/restaurante.

 

Entramos para comer algo antes da viagem, e adivinha quem estava no balcão do atendimento? ::lol4:: Ele: O mesmo velho com a maior cara de servidor público cansado e desiludido com a vida do posto de saúde. Onde houver chance de receber uns $$ “por fora”, aquele cidadão estará dentro! Não sei se ele nos reconheceu ou não, mas percebi que ele tava com cara de desconfiado. Pedimos um café e um sanduíche. Eu já estava agoniado com a ideia de ele querer cobrar uns “cubiertos” de 350 pesos por fora pelo fato do restaurante estar ‘’necessitado’’ e etc, mas felizmente ele entrou na cozinha e não voltou mais. Paguei a outro homem que o substituiu e fomos embarcar para Calafate, um pouco tristes por deixar Chaltén para trás. A viagem dura em torno de 3 horas.

 

 

El Calafate:

A rodoviária de El Calafate possui uma Central de Informações para os turistas e uma casa de câmbio. Na central de informações, há mapas e atendentes que te explicam onde fica seu hostel.

 

Ao chegar em Calafate, começou a fase de reajustes de roteiro. Para começar não havia vagas para Puerto Natales no dia 27, em nenhuma empresa! A data mais próxima para que tinham bilhete disponível era o dia 29. Compramos por AR$ 355,00 só ida. Mesmo com poucos pesos argentinos disponíveis, fomos obrigados a sacrificar dois dias para ficar em Calafate, sem fazer nada a não ser beber vinho (bom) barato.

 

Depois fomos para a Hielo y Aventura, empresa que administra o passeios para o Glaciar Perito Moreno. Como era de se esperar, não tinha mais vaga. Nem BIG ICE, muito menos mini-trekking. Somente a partir de 4 de janeiro. É.... :cry:

Descontentes, seguimos para o hostel Las Manos. Lá, resolvemos contratar o passeio/ônibus que te leva para as passarelas do Perito Moreno (Preço: AR$ 150,00). Além das passarelas, você pode fazer uma navegação, de 1 hora, por um adicional de AR$ 200,00.

 

Nos hospedamos em dois lugares, durante nossa estadia: o já citado Hostel de Las Manos e Hostel del Glaciar Libertador. Reservamos pela internet enquanto estávamos em El Chaltén. Mesmo em alta temporada, deixar todas as reservas de hospedagem prontas pode causar prejuízo. As mudanças inesperadas, devido à falta de passagem de ônibus para Puerto Natales, fez com que terminássemos perdendo algumas reservas. Além disso, mesmo em alta temporada, foi possível fazer as reservas nos hostels de El Calafate com poucos dias de antecedência, pela internet (Hostelworld e Hostelbookers). Resumindo: mesmo em alta temporada, você encontra hostel com vaga.

 

Avaliação dos hostels

 

Las Manos: Pegamos o quarto para 6 pessoas. Cama é boa, banheiro no quarto. Tem cozinha, café da manhã fraco (pão com geleia + café e leite) e internet rápida. A senhora dona do hostel e sua filha são bem simpáticas e só falam espanhol. A localização é um pouco afastada do centro. Recomendo.

 

Hostel del glaciar libertador: Pegamos o quarto para 4 pessoas. Hostel mais profissional. Cama é melhor do que o Las Manos porque tem cortina e lâmpada nos beliches, o que te dá mais privacidade e permite ler algum livro antes de dormir. Os lockers são dentro do quarto. Ao fazer check in você paga um depósito de AR$ 100,00 para receber os talheres e lençóis e ter acesso à cozinha. No check out eles devolvem o dinheiro. Café-da-manhã é pago. Tem um bar, mas estava fechado quando fomos. Tem lavanderia. A localização também é afastada do centro. É um pouco complicado achar o lugar, mas vale a pena. Recomendo.

 

Passeio até as passarelas do Perito Moreno: AR$150,00.

Navegação no Perito Moreno: AR$200,00.

Passagem para Puerto Natales: AR$ 355,00 só ida.

As lavanderias cobram em torno de AR$50-AR$80 para lavar (sem passar ferro) o que você conseguir colocar numa sacola plástica de tamanho médio.

O preço das diárias dos hostels é melhor ver na internet, atualizado.

 

 

26/12/2014 - El Calafate - (Perito Moreno - Passarelas e navegação)

 

A van te pega no próprio hostel. Estava marcada para chegar às 12:00. Atrasou um pouco. Ela te leva para a recepção do parque, onde uma funcionária entra na van para cobrar a entrada (AR$ 150,00). Depois que todo mundo paga, a van segue viagem até o local de onde saem os barcos para navegação. Você paga na hora o valor de AR$ 200,00 e a navegação dura em torno de 1 hora. Achei que o barco se aproximava mais do paredão de gelo. De qualquer forma, valeu cada centavo. Depois que o barco retorna, você volta para van e é levado às passarelas.

 

Caso se escolha por não fazer o passeio de barco, é preciso caminhar por aproximadamente uma hora até chegar ao mesmo lugar onde o barco deixa os turistas.

 

Achávamos que as passarelas estariam muito distantes do Perito Moreno, mas estão bem próximas. Nelas, dá para observar uma área bem maior, mais de perto e sem tanto turista para dividir espaço. Com frequência você escuta o barulho forte, parecido com trovão, do glaciar se desprendendo. A cor do gelo é muito bonita, um azul forte, muito claro, acurado pelo reflexo da luz solar. Demora para seus olhos e cérebro processarem o que está vendo.

 

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Perto da hora de voltar, passamos no restaurante/conveniência/lanchonete que fica na entrada.

 

Pergunta, valendo um palio 0 km:

O que fomos fazer lá?

[ ] Comprar comida

[ ] Beber cerveja

[ ] Asilar

[x] Fazer câmbio

 

Cotação: AR$ 4,00 por cada real. A melhor que encontramos (fora de Buenos Aires).

 

Entramos na van e chegamos a Calafate às 17:00.

 

Sobre os dias que se seguiram não há muito o que falar. Basicamente ficamos no hostel bebendo vinho, ouvindo música e indo à cidade (comprar mais vinho). ::essa::

 

27/12/2014 - El Calafate - Espera

 

28/12/2014 - El Calafate - Espera

 

29/12/2014 - El Calafate - Puerto Natales (Aleluia!)

 

Acordamos cedo e fomos para a rodoviária pegar o ônibus para Puerto Natales. Fomos pela Cootra, mas existem muitas empresas. São entre 6 e 7 horas de viagem. A imigração demorou em torno de 1 hora e foi tranquila, ninguém pergunta nada, só carimba o que tem que ser carimbado. O cão farejador de drogas não estava muito afim de trabalhar e não obedecia aos comandos da policial/adestradora, foi um pouco constrangedor; o cão aparentava estar louco para brincar e lutava para sair dali ::lol4:: . Como a viagem é longa e a imigração pode demorar, caso haja outros ônibus chegando, recomendo que levem lanches e água.

 

Depois da imigração, levamos pouco menos de 1 hora para chegarmos à rodoviária de Puerto Natales/Chile.

 

Logo de início percebemos que o povo chileno é muito mais simpático que os argentinos. Os nativos nos viam com as mochilas e perguntavam qual hostel estávamos procurando ou se procurávamos o centro, afim de nos ajudar a chegar. Teve um que até parou o carro para dar as coordenadas do centro!

 

Nos hospedamos no hostel Backpackers Kaweskar. Sem dúvida o melhor hostel de todos, não tanto pela estrutura, mas pelo seu dono, o Omar (igual ao ator Peter Stormare).

 

Fizemos o check in, recebemos do Omar algumas instruções sobre os acampamentos e o percurso “W” do parque Torres del Paine (ele é bem experiente na coisa), deixamos as coisas no quarto e fomos procurar algum lugar para comer.

 

Por recomendação de uma nativa, fomos ao Erratic Rock Base Camp. É um pub que serve uma pizza muito boa. Existem os ingredientes e você monta sua pizza, todas elas com o mesmo preço. Depois de alguns litros de cerveja chilena, voltamos para o hostel para dormir.

 

Pizza: AR$ 6.000

Cerveja: CH$ 2.500 cada. Algumas são um pouco mais caras.

 

 

30/12/2014 - Puerto Natales

 

Esse dia foi reservado para recuperar os joelhos (ainda destruídos por causa de Chaltén) e organizar os preparativos para os cinco dias de trilha/acampamento em Torres del Paine.

 

Passamos na Hello Patagônia (http://hellopatagonia.com) para termos uma idéia de preços e marcas e já deixamos algumas coisas reservadas. Os atendentes são bem simpáticos, falam inglês e são experientes na arte de acampar. Os equipamentos também são bons. Além disso, se você retira os equipamentos durante a tarde de hoje, por exemplo, a cobrança da diária só começará amanhã. No site deles tem um panfleto com todos os equipos e preços. Recomendo!

 

Uma constante por onde fomos é que as pessoas dos hostels e lojas conhecem bem a região. Então, podem pedir informações à vontade para eles.

 

O Omar, dono do hostel, recomendou a Câmbio Sur para trocar os reais. De fato, lá foi onde encontramos a melhor cotação. Em Puerto Natales vale fugir do centro quando o assunto é câmbio. Outra coisa: lá só se cambia em casas de câmbio, diferentemente da Argentina.

 

Conhecemos dois supermercados lá: um bem grande, chamado Unima, na avenida principal e o Don Bosco, de cor laranja, próximo ao Unima, mais simples, porém com muita opção. Se você estiver no Unima e perguntar pelo Don Bosco, as pessoas indicam facinho.

 

Segue a relação de tudo que precisamos (para 1 pessoa).

 

EQUIPAMENTOS QUE ALUGAMOS http://hellopatagonia.com:

 

-Barraca para duas pessoas (mountain hardware - Drifter, 2.15 kg) - Ótima barraca. Fácil de montar e resistente;

 

-Saco de dormir (mammut) - Protege bem, dormimos tranquilos e sem frio;

 

-Isolante térmico (doite) – Normal. Quando forem alugar, peguem o melhor disponível, mesmo que o preço da diária seja mais caro. Faz muita diferença no que diz respeito a conforto, afinal você irá dormir em cima dele. Pegamos o mais simples, pois os melhores estavam alugados;

 

- 1 par de bastões (black diamond) - Ajudam muito nas subidas e descidas;

 

- Fogareiro sem gás - Bem simples de usar. O gás é comprado por fora, não se aluga;

 

- Kit cozinha com panela, tigelas, talheres e copos.

 

ROUPAS

 

HOMEM:

1 anorak Venture da North Face - Muito bom!;

1 fleece Nordic Polartec Thermal da SOLO - Muito bom! Usei só quando ficava muito tempo parado e o frio apertava;

1 segunda pele X-Power da SOLO -

MUITO QUENTE. Usei mais para dormir. Não indico para trilha no verão. Suei muito com ele;

1 segunda pele jaqueta Salomon discovery fz - Melhor aquisição. Usei praticamente todo dia como segunda pele;

1 Bota Salomon Elios Mid Gtx 3 - Aguentou muito bem, apesar da impermeabilidade não ser tão boa;

1 calça trekking Grifone Lamprey - Ótima! Tecido é bem elástico e impermeável (chuva fina). Usei todo dia;

1 calça segunda pele Arc’teryx Phase AR;

5 pares de meias para longas caminhadas - É bom investir em meias de qualidade. Só tive 1 pequena bolha no pé;

1 boné (usei bastante);

1 lenço de pescoço/pescoçeira - muito bom! o vento + frio corta o rosto. O lenço é aquele o pescoço e protege o rosto, principalmente o nariz;

2 pares de luvas - 1 primeira pele fina e outra segunda pele mais grossa;

5 cuecas box.

 

MULHER

1 Casaco The North Face Triclimate Solares;

1 Fleece The North Face Kyoshi;

1 Blusa segunda pele da Icebreaker de lã merino;

1 Blusa segunda pele da Wed’ze;

1 Regata (recomendo dry fit e mais de uma);

1 Calça Segunda Pele da Haglöf (Active Regular);

1 Calça Segunda pele da Quechua;

1 calça impermeável da Grifone (Waimea);

2 pares de meia de lã (evite as de algodão e prefira as de lã);

1 par de meia Falke para Trekking;

2 pares de luva (segunda pele e impermeável);

Tops secagem rápida (esqueçam os sutiãs de espuma do dia-a-dia, meninas);

2 pescoceiras que sobem até o nariz: muito importante para quem tem rinite;

Lenço para coriza (eu amarrava na alça da mochila rs! Tenho uma rinite bem temperamental);

1 boné (muito útil para proteger do sol e vento).

 

Acessórios

Fita Crepe: para enrolar os dedos ANTES que eles tenham bolhas;

Fita nexcare 3M para colocar no calcanhar ANTES da formação de calos;

Álcool em Gel;

Papel higiênico;

Lenços Umedecidos;

Lanterna: essencial pro ataque às torres para ver o nascer do sol e para usar depois que anoitece nos acampamentos;

Bepantol: ESSENCIAL! Serviu pra lábios, cutículas rachando, nariz cortado por causa da coriza+vento+frio;

Protetor solar;

Hidratante facial (no frio e no vento, a pele sofre, até despela);

Toalha secagem rápida;

Joelheiras neoprene;

Kinesio tapes (recomendo);

Corda;

Canivete;

Fósforos;

Repelente (não usamos);

Remédios;

Garrafa de água (500ml-1litro).

 

Mochilas

 

Fábio

Osprey Kestrel 58 L - Muito boa! Como levei pouca coisa, deu para viajar sem precisar despachar.

 

Alana

Deuter Air Contact 65 + 10. Foi o que consegui depois de tentar uma Deuter SL 55+10 hehhehe. SL é uma nomenclatura da Deuter e se trata de uma mochila com algumas diferenças, como alças mais finas. É melhor para pessoas menores, como a maioria das mulheres. A mochila é grande, tem que despachar, porém é muito boa. Aliás, a mesma está a venda rs (quero comprar um modelo SL menor).

 

O Omar deu a seguinte sugestão, para arrumar as mochilas, sendo que o número 1 significa a parte de cima da mochila, isto é, será colocado por último:

 

1- Roupas Impermeáveis (anorak, já que a calça nós usamos todos os dias, principalmente por causa da lama);

2- Equipamentos para cozinhar;

3- Comidas;

4- Roupas;

5- Saco de dormir.

 

No bolso superior externo da mochila, colocam-se as coisas que se pode precisar na trilha (protetor solar, por exemplo).

 

Algumas mochilas possuem um bolso inferior que deixa o saco de dormir separado do restante das coisas. A Deuter era assim. Já a Osprey oferece a opção de tirar a divisória que há entre o bolso inferior e o restante da mochila, criando um pouco mais de espaço.

 

A barraca, levamos dentro da mochila, por segurança. Já o isolante térmico, amarramos nas laterais ou embaixo da mochila, por fora.

 

COMIDAS

Café da manhã:

O Omar nos ensinou uma receita que aprovamos. Numa tigela, se coloca aveia instantânea (tem que ser instantânea), leite em pó e frutas secas ou passas cortadas em pequenos pedaços. É tudo de olho. Um pouco mais de leite que de aveia. Em seguida, separamos cinco ziplocks com a mistura (um ziplock para cada dia, com a quantidade para os dois). No acampamento, é só esquentar água, misturar e comer. Bem gostosinho e não pesa muito na mochila.

 

Lanches:

-Frutas secas/desidratadas: Ótima opção, pois essas pesam bem menos na mochila. Em Puerto Natales você encontra em qualquer esquina (banana, abacaxi, pêra, mamão, manga, damasco, uvas, ameixa etc.);

-Amendoim;

-Chocolate (alfajor) ;

-4 Maçãs (frutas pesam! Só colocamos porque o peso das mochilas permitiu);

 

Almoço:

Sanduíche com queijo e salame e sopa instantânea. Os sanduíches já levamos prontos e embalados em plástico filme.

 

Janta:

Macarrão com molho pronto, queijo ralado e atum no óleo, que dura mais no que na água. Colocamos o atum em um ziplock e, no quinto dia, estava com um cheiro estranho.

 

 

31/12/2014 - Torres del Paine: 1º dia

 

Pegamos o ônibus por volta das 7:30 da manhã, através da empresa “Buses J.B.A”, no terminal da cidade. Em torno de 9:30 fizemos nossa primeira parada: Administração da Laguna Amarga. Lá, há formulários dispostos em um balcão para preencher. Com o formulário pronto, nos dirigimos para um guichê, pagamos a entrada, recebemos uma espécie de panfleto que se deve guardar por toda a viagem e fomos ver uma breve palestra, precedida de um vídeo de mais ou menos 3 minutos, sobre as regras do parque. A regra principal e repetida várias vezes é a que proíbe fazer fogueiras e usar o fogareiro fora das áreas determinadas nos acampamentos e refúgios.

 

É nessa primeira parada que se precisa escolher como você fará o seu circuito, que pode ser iniciado de três maneiras diferentes:

1) Sobe-se de volta no mesmo ônibus , que te leva ao Café Pudeto, de onde sai o catamarã para o Refúgio Paine Grande (ponta esquerda do W);

2) Pega-se uma van para a Hosteria Torres e se inicia o circuito pela outra ponta do W;

3) Se vai a pé mesmo até a Hosteria Torres.

 

Fizemos da primeira maneira.

 

DICA IMPORTANTE: Não precisa adicional para chegar ao Pudeto! Fui até o motorista (um gordinho de mullets, bigode e óculos escuros) me informar sobre a parada no Pudeto, e ele tentou cobrar CH$ 3.000 ::vapapu:: . Depois, quando percebeu que não estava colando, ele desconversou e disse que não precisava pagar. Cuidado quando for escolher uma empresa mais barata.

 

Chegamos ao Café Pudeto (bem carinho) umas 10 da manhã e, como o catamarã só sai às 12:00, ficamos de bobeira por lá. A quantidade de pessoas que esperavam o catamarã começou a crescer. De fato, alta temporada leva muita gente para o parque. Nem todos vão para acampar. Pelo que percebemos por algumas bagagens, tanto de quem esperava para embarcar, como de quem estava desembarcando do catamarã, alguns vão fazer uma coisa mais light. Até com malas de rodinhas tinha gente saindo da embarcação!

 

O catamarã leva mais ou menos 30 minutos até o Paine Grande e o percurso é bem bonito. Sempre há aquelas águas muito azuis! O pagamento do transporte é feito quando se chega ao Refúgio. Muitas pessoas já vão direto procurar um lugar para acampar e, em seguida, vão até o Grey sem a cargueira (bate e volta).

 

O Refúgio Paine Grande é bem legal. A cozinha é uma das mais espaçosas que vi entre os acampamentos, os banheiros estavam limpos e havia bastante espaço para acampar. Na recepção do camping (há uma recepção para o refúgio e outra para o camping), havia barracas, sacos de dormir e outros equipos para alugar.

 

Nós fomos com nossas cargueiras até o Refúgio Grey, que era onde passaríamos nossa primeira noite no parque.

O trecho Grande-Grey não é dos mais simples, principalmente depois do Mirador. Há bastantes pedras para ultrapassar e a coisa é um pouco complicada. Se você planeja dormir no Grande e só conhecer o Grey, é melhor nem ir até o Refúgio, pois o trecho entre o Mirador e o Refúgio Grey não tem vistas muito diferentes do que se consegue indo somente até o Mirador (e ainda se economizam alguns quilômetros).

 

Logo no início do sendero se vê a Lagunas Los Patos, muito bonita.

 

O Mirador Grey é realmente muito bonito. Dá vontade de ficar um tempão parados lá.

 

Levamos muito mais tempo do que o que está determinado no mapa para chegar até o Refúgio Grey. O fato de estarmos nos acostumando com as cargueiras, pararmos muito para relaxar, disfrutar as vistas e tirar fotos contou muito!

 

Conversando com um chileno que trabalha carregando mochilas e ele deu a dica de que nunca se deve descansar mais do que cinco, sete minutos: pode ser que o corpo esfrie e se tenha até lesões. De fato, quando paramos muito tempo, como nos dois primeiros dias, é bem mais difícil retomar. As dores nos pés, nos quadris ou onde quer que sejam, aparecem de volta. Só quando esquentamos de novo é que elas vão embora. Então fica a dica. Mas ficar de bobeira, comendo mais do que se deve (levando em conta as provisões heheh) olhando os bichinhos e o arredor é tããão bom.

 

Já no primeiro dia, comecei a sentir um incômodo bem chato nos ossos dos quadris. Perguntei a algumas pessoas e me disseram que era normal, tratava-se apenas da falta de costume (tinha ficado com receio de não estar sabendo ajustar a mochila).Lembrando que o peso da mochila vai nos quadris, não nos ombros.

 

Chegamos ao Refúgio Grey e já havia um monte de barracas montadas. Montamos a nossa do lado de um casal da África do Sul que era bem legal. Fui até o Refúgio e pedi um pouco de gelo para colocar nos quadris, joelhos e onde mais estivesse doendo.

 

O acampamento é menor que o Paine Grande, mas é bom. Havia muita terra no banheiro e bastante gente, mas nada fora do comum.

 

Tem relatos aqui e avisos no próprio acampamento para que as pessoas tenham cuidado com os ratos. Ainda bem, não tivemos problemas com isso.

 

Como chegamos por volta das 8:30 da noite, a recepção onde deveríamos fazer o check in e pagar a diária já estava fechada. Como saímos bem cedo, e era feriado mundial de 1 de janeiro, a recepção ainda estava fechada. Resultado: não pagamos a diária no Acampamento Grey :roll: rs.

 

Virada de ano foi assim!

 

Preço da passagem: CH$10.000 ida e volta.

Entrada no parque: CH$18.000.

Catamarã: CH$15.000.

 

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01/01/2015 – Torres del Paine - 2º dia: Grey – Grande – Italiano

 

Uma das coisas mais difíceis nesse acampamento foi conseguir acordar bem cedo e ficar prontos rapidamente. Sempre estávamos começando as trilhas entre as nove e as dez da manhã. Havia a vontade de descansar mais, no quentinho da barraca, o desmontar da barraca, a rearrumação das mochilas, o café-da-manhã, a lavagem das coisas que usamos para cozinhar, o protetor solar e etc. etc. etc.

 

Saímos do Grey e fizemos os dois primeiros quilômetros da volta MUITO mais rápido do que no dia anterior, que andávamos, andávamos e nada dos dois últimos quilômetros acabarem. Na verdade, toda a volta foi mais tranquila, já que conhecíamos o caminho e tínhamos descansado. Paramos rapidamente no Grande para comer alguma coisa e conhecemos um casal de brasileiros que não iam poder continuar. A menina tinha hérnia de disco e começou a sentir dores.

 

Chegamos ao Italiano e, de fato, o trecho Grande – Italiano é bem tranquilo. O acampamento Italiano é gratuito, então é mais simples: não tem lugar para tomar banho, os banheiros estavam bem sujos e a cozinha é uma espécie de abrigo. Fica numa área plana, ao lado de um rio.

 

Dessa vez sim fizemos check in com um dos guardaparques, isto é, assinamos nossos nomes num formulário, colocamos o número de documento e a data. Em seguida, montamos nossa barraca, jantamos e fomos dormir. Fez um pouco de frio no campamento Italiano.

 

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02/01/2015 – Torres del Paine - 3º dia: Italiano – Vale do Francês – Los Cuernos

 

Acordamos preparados para uma subida bem difícil. Mas, para nossa surpresa, não é tão difícil assim. Acho que as trilhas de Chaltén nos deixaram com expectativas de dificuldades maiores (o que é bom). Porém, o clima estava absurdamente bom! Incrível. Isso ajudou muito.

 

No caminho, passamos por trechos de bosques, algumas subidas rápidas em pedras, atravessamos alguns rios e chegamos ao primeiro mirador. Já que é um mirador, a probabilidade de se subir e subir e subir é sempre alta.

 

Como de costume, é difícil descrever a beleza de uma paisagem em um relato sem sermos repetitivos. Além disso, as fotos não captam a dimensão de tudo. Já nesse primeiro mirador se tem uma vista bem ampla, em que para todo lado que se olha tem algo muito impressionante. A geleira na frente, o lago à esquerda, as montanhas cobertas de neve à direta. Um casal, que havíamos encontrado no caminho no dia anterior, falou que viu alguns pedaços da geleira caindo. Infelizmente só vimos uma bem escondidinha. Mas os barulhos que fazem, escutamos várias vezes (acho que os pedaços caiam por trás do que estávamos vendo).

 

Andamos mais uns três quilômetros e chegamos ao segundo mirador. Essa segunda parte é de subida e um pouco mais puxada, porém fornece uma vista bem mais alta da região. É um lugar em que até as pessoas que não têm habilidades fotográficas conseguem tirar fotos legais, porque o que está ao redor faz todo o trabalho por você.

 

O negócio é ter paciência sempre, por mais cansado que se esteja. Devagar se chega a todos os miradores hehehe.

 

Como se pode ver em uma das fotos, há bastantes turistas na região. Imagino que ir numa época mais tranquila deve permitir uma sensação melhor.

 

Lá em cima, vimos um homem que estava sentando no chão desenhando a paisagem. Ele usava esses pincéis compridos e só tinta preta. Pelo que percebi, os tons de cinza ele consegue diluindo a tinta às vez mais, às vezes menos, numa garrafinha de água. Se alguém conhece esta técnica, diz qual é. Ele ficava olhando para o horizonte e desenhando, bem concentrado.

 

Voltamos e chegamos de novo ao Italiano. Comemos, desmontamos nossa barraca e fomos rumo ao Cuernos.

 

O caminho para o Cuernos é tranquilo. Como estávamos com um tempo maravilhoso, não passamos por muita lama (embora haja algumas descidas bem lamacentas).

 

Quando vamos nos aproximando do acampamento, chega-se à praia do Lago Nordenskjöl . É uma paisagem muito linda! O já conhecido azul do lago se soma a uma paisagem diferente: o lago é cercado por várias “montanhas” verdes (quem souber o nome correto, se manifeste, por favor hehe), bem diferentes das montanhas, a que nos acostumamos ao longo da trilha, cobertas de neve. Além disso, não há areia alguma! Toda a praia é feita de pedras! Várias pequenininhas e algumas grandes.

 

Como já estávamos no fim da trilha, o cansaço estava tomando espaço. Caminhar sobre pedrinhas pode ser aflitivo para pés bem cansados, mas a paisagem revitaliza. E, afinal, chegar nessa praia significa que estamos bem perto do acampamento.

 

Aliás, chão macio de terra não é o que compõe a maioria do circuito. Boa parte é de pedras. Se vê pedra até ter raiva.

 

Nessa parte, conhecemos um casal de Florianópolis muito legal, o Yohan e a Heloísa. Fomos conversando com eles até o acampamento. Aliás, voltamos pra Puerto Natales juntos. O bom de uma viagem assim é que as pessoas com que você cruza ao longo do caminho têm interesses parecidos com os seus. Isso é mais difícil numa viagem urbana, por exemplo.

 

O acampamento Los Cuernos é bom. Nele há a possibilidade de montar a barraca sem ser na terra, em cima de plataformas. Porém, nessa época do ano tem que chegar bem cedo pra conseguir. Algumas plataformas até tinham plaquinhas dizendo “Reservado”. Embora houvesse fila pra tomar banho (só há dois chuveiros), a ducha é boa (melhor que o Grey). Os banheiros não estavam em seu melhor estado, mas há uma cozinha legal e quentinha. Ah, não há divisão de banheiros por sexo, o que é comum por lá.

 

Depois do banho e da comida (ganhamos um vinho de caixa que um casal de gringos não tomou todo), dormimos.

 

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03/01/2015 – Torres del Paine - 4º dia: Cuernos – Chileno – Campamento Torres - As torres

 

Esse foi o dia mais cansativo de todos!

 

No quarto dia, poucas subidas impressionam, já que estamos acostumados. Sabíamos que o percurso ia ser puxado, já que o gráfico mostrava uma subida bem íngreme. No entanto, como a dificuldade era média, como a maioria dos outros trechos, não esperávamos o que estava por vir (subidasubidasubidasubida).

 

Boa parte da dificuldade do percurso é aumentada ou diminuída pela expectativa e preparação psicológica. Quando a coisa começou a superar o que esperávamos em termos de cansaço e de subida, subida, subida..... subida, subida, começamos a perguntar às pessoas que faziam o caminho inverso ao nosso quanto tempo ainda faltava. Passamos uns sete dias ouvindo que faltava 1h40min e nada do acampamento Chileno chegar :shock: .

 

Uma coisa que percebemos é que os percursos causam impressões bem diferentes nas pessoas (em relação à dificuldade e ao tempo). Algumas pessoas nos diziam que certo trecho era complicado de se fazer com uma cargueira e fizemos de boa. Outras partes do caminho eram descritas como simples e tínhamos dificuldade.Assim, o negócio é descobrir o próprio ritmo e ver na pele como é cada percurso (não que as consultas não ajudem a nos preparar: líamos o relato do Patagônia Colossal antes de começarmos as trilhas hehehe).

 

Mas, voltando à saga de chegar ao Chileno… Tem subida para todos os gostos, com pedrinhas, com areia fofa, com abismos ao lado, com plaquinha de PELIGRO dizendo que há o risco de pedras rolarem e por aí vai. O que não muda é que você irá subir muito para chegar ao chileno. Sem descidinhas para descansar.

 

É no trecho Los Cuernos – Chileno que há um shortcut, que poupa mais ou menos uma hora de caminhada, pois se evita passar pela Hosteria Las Torres (não confundir com Campamento Torres). Existe uma plaquinha que sinaliza isso e, prestando atenção, não se perde.

 

Quando chegamos ao Campamento Chileno, paramos uns vinte minutos para carregar um pouco o celular (já que o Torres não tem energia alguma, como todos os outros acampamentos gratuitos – a não ser na “casinha” dos guarda parques), comer e descansar um pouco.

 

O trecho que vai do campamento Chileno para o campamento Torres é mais tranquilo. Nesse dia, havia trechos bem escorregadios, especialmente para quem estava descendo. Devido a uma leve chuva que tinha dado, havia um pouco de lama.

 

Chegamos por volta das 17:30. Montamos nossa barraca e, como ainda era cedo, decidimos subir o 1 km que leva até as torres em si. Pensamos, além disso, que seria uma boa idéia conhecer o percurso antes de fazê-lo na madrugada do dia seguinte.

 

Levamos mais ou menos 1h15min para chegar à base das Torres. Metade do caminho é dentro do bosque, a outra metade é a céu aberto, mas todo o trecho é feito por uma subida de pedras. Muitas pedras, como dá para ver nas fotos. Apesar disso, eu acho esse tipo de subida mais fácil do que as subidas que levam ao Chileno, pois, com as pedras, é possível fazer uma subida em degraus.

 

Exaustos, chegamos à base. O lugar é incrível. O cansado diminui absurdamente! É tudo tão grande que não se tem a sensação de que se está a 800 metros de altitude.

 

É essencial levar roupas quentes e o corta-vento. Embora faça calor quando estamos subindo, basta parar um pouco para que o frio apareça; e na base das torres o frio é maior porque venta bastante.

 

A volta não foi tão complicada. Em muitos trechos, achei melhor usar as mãos, em vez dos bastões. Os joelhos já estavam reclamando. Utilizar os bastões mais compridos durante as descidas também ajuda bastante a não sobrecarregar os joelhos.

 

O campamento Torres é gratuito, logo não tem banho nem água quente em torneiras. No entanto, os banheiros estavam sempre limpos, os locais para montar barracas eram muito bem demarcados e, como sempre, havia um rio cortando o acampamento.

 

A noite foi tranquila.

 

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04/01/2015 – Torres del Paine - 5º dia: Torres – Chileno – Hosteria Las Torres – Puerto Natales

 

O planejamento hoje era começar o dia bem cedo: acordaríamos por volta das 3:30 da manhã, para subirmos de novo até a base das Torres para vermos o nascer do sol. No entanto, os joelhos estavam pedindo clemência e o cansado era grande. Não fomos ver o sol nascendo e levantamos só às 8h.

 

A Heloísa e o Yohan foram. Nos contaram que deu pra subir, mesmo no escuro, de boa. Algumas vezes, acostumar os olhos à escuridão termina sendo melhor que a lanterna, que só ilumina um pequeno trecho.

 

Lá em cima, o que nos disseram, é que o frio não é brincadeira ::Cold:: ! Uma boa dica é levar o saco de dormir para esperar o nascer do sol.

 

Saímos do campamento Torres em direção ao Chileno. De lá, iríamos para a Hosteria Las Torres, onde tomaríamos uma van que nos levaria até a Laguna Amarga.

 

O percurso Torres - Chileno foi bom. As partes lamacentas já tinham secado bastante e estávamos descendo e não mais subindo. Com cuidado e fazendo as coisas um pouco mais devagar, dá pra poupar um tanto os joelhos nessas descidas.

 

Chegamos ao Chileno, descansamos um pouco e continuamos. O fato de ser o último dia dá um toque especial ao percurso. Sempre digo que o acampamento Chileno é um lugar difícil tanto de chegar como de sair. Para chegar no dia anterior houve toda a saga da subida. Acontece que quando estamos bem perto dele, para alívio geral, há algumas descidas. Logicamente, essas decidas no trecho inverso (Torres - Chileno) viram o quê? SUBIDA! Mas vencidas as poucas subidas, o resto foi descer.

 

Muito bom descer aquilo tudo! Lembrava do dia anterior e ia tomando consciência do quanto estava cansada enquanto subia, mas também tomava consciência de que eu tinha conseguido subir aquilo tudo.

 

Havia muita gente que vinha no sentido contrário (Chileno - Torres). É bom já ter passado pelo que elas estavam passando heheh. Já mais perto de chegar à trilha que levaria à Hosteria Las Torres, vimos algumas pessoas que não tinham idéia do que era o caminho: botinhas de tecido branco e bolsa casual são alguns exemplos. Provavelmente há quem chega à Hosteria Las Torres, de carro, com o intuito de conhecer a base das Torres apenas. Um programa de um a dois dias só.

 

Para se chegar à Hosteria, depois de terminar a volta que levava até o Chileno, é bem rápido e fácil. Afinal, a mochila está bem mais leve e o estímulo por estar terminando e ter conseguido é grande.

 

Chegamos lá antes das 14h e encontramos a Heloísa e o Yohan, que já estavam descansando. Sentamos na grama, tiramos nossos sapatos, compramos Corona num Quiosque que tem lá e aproveitamos aquele momento.

 

Às 14h subimos na van que nos levaria até Laguna Amarga.

 

Na Laguna Amarga, o ônibus que tinha nos levado até o parque no primeiro dia (compramos a passagem de ida e volta) já estava nos esperando. Vimos uma moça que não tinha comprado passagem de volta para Puerto Natales conseguir na hora, com o nosso motorista, mas não sabemos se isso é sempre possível.

 

Chegamos em Puerto Natales e compramos nossas passagens para Punta Arenas. Sairíamos às 12:30 do dia seguinte.

 

Em Puerto Natales existem alguns brechós. Lá, pelo que percebi, eles dão o nome de “Tienda de Ropa Americana”, embora existam os que vendam de camisola a almofada e tapete (além das roupas comuns). É possível encontrar roupas usadas de marcas como The North Face e Columbia em um desses brechós, na rua principal. Outros vendem T-shirts por CH$3.000 cada.

 

Devolvemos os equipamentos na Hello Patagônia e ficamos pobres. Sacamos dinheiro no caixa automático (porque, enquanto a fatura do cartão não fecha, o IOF é só um monstro imaginário).

 

Voltamos para o nosso Hostel e depois demos uma passada no Base Camp com o pessoal que tínhamos conhecido.

 

À noite, não é preciso nem dizer, dormimos feito pedras.

 

Uma cerveja mais Hot Dog no parque: CH$2.800

Passagem para Punta Arenas: CH$6.000 (só ida)

Aluguel dos equipamentos: CH$92.500 ($18.500 a diária de tudo para duas pessoas)

 

 

05/01/2015 – Puerto Natales – Punta Arenas (Isla Magdalena) – Retorno ao Brasil

 

Último dia da viagem :(. Acordamos tarde. Arrumamos as coisas, nos despedimos do Omar e seguimos para a rodoviária.

 

O ônibus para P. Natales saiu às 13h. A viagem foi tranquila e depois de 3 horas chegamos à parada do ônibus (e não na rodoviária), em Punta Arenas. Andamos um pouco pela cidade e entramos em um hostel para pedir informações sobre o passeio dos pinguins na ilha Madalena.

 

O barco que leva até a ilha sai às 17h, com previsão de retorno às 22h. Como nosso voo de volta para o Brasil estava marcado para o começo da madrugada, daria tempo de fazer o passeio. Pegamos um táxi e até a empresa que vende os bilhetes para a ilha, do lado do porto de onde saem os navios. Compramos os bilhetes na hora e esperamos o horário do embarque.

 

O barco (ou navio, não somos bons nisso hehe) não é pequeno e cabe muita gente. Se não me engano tem 2 andares e vendem comida e bebida a um preço não tão caro. A viagem dura 2 horas. Você pode ficar no convés, mas deve estar preparado para o frio.

 

Quando o navio está chegando perto da ilha, você percebe que a presença de vida animal aumenta muito. Vimos golfinhos (ou um pingüim grande), pingüins nadando em grupo, no sentido oposto da ilha (fugindo de alcatraz) e muitas aves.

 

Na ilha, você vê milhares de buraquinhos no solo, cada qual ocupado por uma família de pinguins. Não sabíamos que entramos de fato na região deles, ou seja, andamos entre eles. Não é uma observação de longe. Em janeiro, os filhotes já estavam quase do tamanho dos pais. Os guias/fiscais ficam de olho o tempo todo, em caso de algum turista idiota querer tocar nos animais. E a tentação para ser idiota é grande! Os pinguins são muito dóceis e curiosos, ficam te olhando (às vezes bem de perto), com a cabecinha inclinada, com a mesma estranheza com que você olha para eles. Depois de 1 hora na ilha, você precisa regressar ao barco para voltar a Punta Arenas.

 

Ao retornar, pegamos um táxi para o aeroporto.

 

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Assim termina a viagem.

 

Obrigado/a a quem leu até o fim!

 

Qualquer dúvida, é só perguntar.

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Poxa, que legal poder ter ajudado tanto! Valeu pela consideração. ::tchann::

 

O relato de vcs ficou ótimo!!

 

Bateu saudades da pizza de cordeiro... hahaha ::love::

 

abraços

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Muito bom o relato! ::cool:::'>

Uma curiosidade: você pediu para tirar a foto do "personagem estranho" ou tirou na surdina?

Gosto de tirar fotos de pessoas nas viagens, mas é algo que sempre me deixa meio sem graça.

Parabéns mais uma vez!

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Muito bom o relato! ::cool:::'>

Uma curiosidade: você pediu para tirar a foto do "personagem estranho" ou tirou na surdina?

Gosto de tirar fotos de pessoas nas viagens, mas é algo que sempre me deixa meio sem graça.

Parabéns mais uma vez!

 

Valeu! :D

Pra tirar a foto, configurei o celular para fotografar o que estava à frente, posicionei o celular como se fosse fazer uma 'selfie', sorrindo pra câmera e tudo mais ( 8) ), e cliquei. Muita cara de pau, eu sei, mas um personagem daquele não se vê todo dia, hehehehe. A mulher dele tinha o mesmo estilo, pena que não deu para fotografar os 2 juntos :oops:

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Irada essa trip Fábio! Pretendo fazer a travessia dos Lagos Andinos e ir até a Patagônia, ainda este ano. Mas acho que vou fazer um seguro, mesmo ñ sendo obrigatório, para evitar situações como a que vc passou. Qd fui p/ a Europa, contratei um, que dava até um desconto na apresentação de um código - tourist15. Vou deixar o site deles, caso alguém esteja precisando de seguro tbm: www.touristcard.com.br abç.

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Parabéns pelo relato, um verdadeiro guia.

Deveria ser leitura obrigatória pra quem pretende conhecer essa maravilha.

 

Valeu Otávio! :D

 

Irada essa trip Fábio! Pretendo fazer a travessia dos Lagos Andinos e ir até a Patagônia, ainda este ano. Mas acho que vou fazer um seguro, mesmo ñ sendo obrigatório, para evitar situações como a que vc passou. Qd fui p/ a Europa, contratei um, que dava até um desconto na apresentação de um código - tourist15. Vou deixar o site deles, caso alguém esteja precisando de seguro tbm: http://www.touristcard.com.br abç.

 

Valeu pela dica Davi!! Lembrando que o posto de saúde em Chaltén é de graça (informação do dono do hostel onde nos hospedamos)! O funcionário é que era safado e tava querendo cobrar.

Legal a sua viagem também! A região dos lagos deve ser muito bonita. Só conheço a cidade de Pucón, no Chile. Passei 1 semana lá, é perfeita. Caso vc passe por lá, recomendo que fique, se puder, no mínimo 3 dias, para subir o vulcão Villa Rica, ir às termas geométricas e fazer uma trilha no parque Huerquehue. São imperdíveis! Depois relata aqui a sua viagem!

Abraço!

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Parabéns pelo relato! Belas fotos!

Não tinha dado tanta importância ao Vale do Francês, vou dedicar um pouco mais á ele agora.

Estou indo agora em março, e anotei muitas dicas aqui, vai ser de grande ajuda, inclusive a receita do Omar! Show!!

Abraço

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