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Travessia Urubici-Bom Jardim da Serra - Perguntas e Respostas


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É curioso como funciona o cérebro dos brasileiros, quando vão fazer excusões fora do país respeitam as regras e pagam as taxas, quanto é para fazer o Himalaia, 8 mil dólares só de taxas fora os guias e tudo mais... E aqui acham tudo caro, não querem pagar por acompanhamento, etc, em nosso país somos invencíveis, não procuramos os responsáveis pelos Parques para sermos informados de como as coisas funcionam, e etc daí acontecem casos como o de Aparados da Serra e as famílias desesperadas procuram quem??? os responsáveis pelo Parque, os bombeiros e etc, se uma fatalidade ocorre querem logo achar os culpados. Sugiro a todos que leiam a lei de crimes ambientais e seu decreto, principalmente o artigo 92 (ou próximo a este) que diz claramente entrar em uma Unidade de Conservação sem permissão é crime. A pessoa que postou que o Parque Nacional de São Joaquim esta só no papel, demonstra desconhecimento da realidade da Unidade, informem-se melhor.

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Juliana, bem vinda ao fórum. Você vai notar que aqui tem vários tipos de mochileiros, entre eles os montanhistas, no qual me incluo. Faço parte da Associação Montanhistas de Cristo (AMC), e sou filia

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  • Membros de Honra

Juliana, muito interessante o teu ponto de vista. Não deixas de ter razão.

Quando saímos do País, seguimos as regras. E acho que isso não é um mérito. É uma obrigação.

Contudo, acho que o tudo o que se fala sobre Parques no Brasil são meias verdades.

Os governos criam e fazem de conta que está bom. A demarcação, em regra, é falha. A fiscalização, nem vamos falar.

E daí criam regras absurdas, como a contratação de guias. Eu não acho correto isso. Sou favorável a pagar ingresso, ter controle. E FISCALIZAR. Demarque as trilhas. E se pegar alguém fora delas, multe, prenda, faça de escravo.

Os parques no Brasil são falácia. Quantos funcionam de verdade? Meia dúzia. E UM, UM SÓ, dá lucro: Cataratas do Iguaçú. Porque? Porque lá tem trilha, tem atrativo, tem atividade. O resto é deixado às moscas. Quais funcionam mais ou menos? Que eu conheço, Aparados e Parnaso. E na minha modesta opinião, só não foram tomados do Governo porque tem visitantes regulares. Quanto mais tiver visitante, trilheiro, menos vai ter caçador e palmiteiro. Enquanto o Governo continuar com a idéia que é cercar, botar dois ou três guardas e proibir o acesso, vai continuar a mesma palhaçada que é.

E sobre guias, acho um absurdo. Se ficarmos na exceção, na meia dúzia de acidentes que temos, quem sabe fechamos também nossas rodovidas, estas sim, palcos de carnificinas diárias.

Mas, que fique claro: entendo e respeito MUITO o teu ponto de vista. Só acho que ele, na minha opinião, é só um dos lados da moeda. De qualquer maneira, em nome dos Editores te dou as boas vindas. Opiniões divergentes engrandecem o debate, ainda mais quando a pessoa, como tu, mostra ter base e é educada.

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  • Membros

Penso que a criação de um parque ambiental tem dentre os principais objetivos a sua conservação. As taxas vem para fomentar a estrutura necessária para a fiscalização evitando qualquer tipo de abuso contra a natureza. Tenho certeza que dentro desta comunidade a grande maioria das pessoas não iria se opor ao pagamento destas taxas. O que não tem cabimento são as tais regras malucas que o Cacius comenta, como obrigação de acompanhamento de guias, proibição de acampamentos, etc ... Trilheiro consciente sabe o que pode e o que não pode fazer, e para aqueles que não tem essa consciência existe (ou deveria existir) fiscalização eficiente, orientação e punição nos casos reincidentes. A melhor maneira de zelar não é proibir o acesso mas mostrar a importância destes ecossistemas para todos. E que fique o registro: não sou contra os guias. Sou contra a obrigatoriedade da contratação.

 

Abraço a todos !

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  • Membros de Honra

Juliana, bem vinda ao fórum.

Você vai notar que aqui tem vários tipos de mochileiros, entre eles os montanhistas, no qual me incluo. Faço parte da Associação Montanhistas de Cristo (AMC), e sou filiado a Federeção Paranaense de Montanhismo (FEPAM).

Quando falamos que somos contra a obrigatoriedade dos guias é porque nós nos viramos bem sem eles, já fizemos inúmeras trilhas em parques e fora deles.

Geralmente estamos bem preparados (tenho GPS, bússola e sempre que possível levo uma carta topográfica do local) e estudamos bem o lugar pra onde vamos. Praticamos o mínimo impacto em ambientes naturais (se quiser saber mais veja em http://www.pegaleve.org.br/).

Também somos preparados para grandes caminhadas (que é o que gostamos de fazer!), e as vezes o guia atrapalha, por atrasar o grupo, "engessar" a caminhada, etc...

Quando fazemos a opção de trilhar sem o guia não estamos querendo ir contra as regras do parque, apenas queremos ter o direito de explorar o local livremente.

E como montanhistas temos um grande apreço pela natureza, pode ter certeza que todo montanhista é acima de tudo um presevarcionista. Afinal os maiores interessados em ter a natureza intocada somos nós; as montanhas, vales, rios e matas são os lugares que realmente gostamos de estar, e de preferencia sem guia...

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  • Membros de Honra

Bem vinda ao Fórum Juliana!

 

 

[...]

Sugiro a todos que leiam a lei de crimes ambientais e seu decreto, principalmente o artigo 92 (ou próximo a este) que diz claramente entrar em uma Unidade de Conservação sem permissão é crime. A pessoa que postou que o Parque Nacional de São Joaquim esta só no papel, demonstra desconhecimento da realidade da Unidade, informem-se melhor.

 

Então, o papo é comigo! Fui eu quem disse que o PN São Joaquim está só no papel... ::bruuu::

 

Respeito seu ponto de vista, no entanto você generalizou bastante uma questão que não é simples e parece não ter compreendido o fundo do que eu disse. Aliás, só para pontuar, além do PN São Joaquim conheço bem outros 30 parques nacionais brasileiros (até hoje, pois tenho como meta pessoal conhecer todos - hoje são 76 existentes - mais os que forem criados daqui para frente)... Ou seja, não acho que sou assim "tão ignorante" ::tchann::

 

Vamos esclarecer alguns pontos. Primeiro, não prego a desobediência às leis ou aos regulamentos dos nossos parques pelo fato de ter dito que o PN São Joaquim existe só na teoria. Fico é indignado em ver aquela região abandonada e à mercê da mera atividade comercial das agências e guias turísticos (não só das imediações, o que seria até justo) pela falta de estrutura física e recursos humanos necessários ao funcionamento e fiscalização efetiva de um parque nacional daquelas dimensões. São só 3 servidores para um PN de mais de 42 mil hectares. Segundo: também não sou contra a atividade dos guias, muito pelo contrário, como citei no próprio corpo da minha msg anterior, acho a atuação deles muito importante, especialmente no que tange à educação ambiental. No entanto, não posso concordar com a obrigatoriedade na contratação de serviços de guias, por vários motivos. Um deles é a profusão de pessoas pouco qualificadas para a atividade, fomentando apenas uma atividade econômica “paralela” que a meu ver deveria ser de responsabilidade da própria UC, com as receitas inclusive revertendo à sua manutenção (claro que numa realidade diferente da precariedade total que testemunhamos atualmente). Todos sabemos que faltam recursos financeiros estatais para aportar na grande maioria das nossas Unidades de Conservação e, com receitas advindas do ecoturismo, teríamos condições de melhor aparelhar as equipes que nelas lutam contra a precariedade de instalações e recursos para realizar seu trabalho.

 

Outra coisa é a liberdade (com responsabilidade) do cidadão: todo esporte (o montanhismo e o trekking em áreas naturais não são exceções) apresenta riscos e seus praticantes devem estar cientes dos perigos e do nível de exposição a que se propõe em sua prática, de acordo com sua própria experiência e proficiência técnica. Não é porque existem riscos que uma atividade deva ser proibida. Mas deixo claro: não recomendo a ninguém trilhar por áreas desconhecidas, sejam elas pertencentes ou não a Unidades de Conservação, sem que tenha condições físicas, psicológicas, conhecimentos e equipamentos básicos, capazes de trazê-lo de volta em segurança. Para isso existem os guias e em situações em que se configure a ausência dessas condições eles devem ser contratados. Isso chama-se “bom senso” e faz falta a muitos de nossos semelhantes, não só nos espaços naturais. É pela falta desse bom senso que incidentes como o ocorrido em março deste ano no PN Aparados da Serra (RS) (veja infos aqui e aqui) acontecem e continuarão acontecendo e não serão normas técnicas, proibições ou as 'obrigatoriedades' de guias que irão evitá-los...

 

Outro ponto importante e que sequer toquei em meu post mas que você trouxe à baila, diz respeito às taxas: não sou contrário à sua cobrança, desde que os valores revertam diretamente à conservação e investimentos nas UC. De qualquer forma é um assunto polêmico, já que recolhemos aos cofres públicos boa parte de nossos rendimentos sob a forma de inúmeros tributos e, em tese, dinheiro para sua manutenção existe, ou deveria existir. Vou ainda mais longe e toco em outro ponto polêmico: defendo também a limitação do número diário de visitantes, especialmente em regiões com ecossistemas frágeis, em que o número excessivo de visitantes, por mais cuidadosos que sejam e por maior que seja a fiscalização, causa por si só uma degradação ambiental. Exemplos clássicos disso, a meu ver, são os PN Marinhos de Abrolhos e Fernando de Noronha.

 

Não vou tocar no assunto já repisado pelos companheiros Cacius, Luciano e Otávio de como nós montanhistas, no geral, enxergamos e respeitamos os ambientes naturais. Acho que já disseram tudo. Vou no entanto reforçar um ponto: num contexto atual de poucos servidores lotados nos parques (nacionais, estaduais ou municipais), os visitantes, em especial nós, montanhistas, desempenhamos um importante papel, pois essa presença nas trilhas dentro dos PN inibe a atividade ilícita de caçadores, palmiteiros e outros elementos mal intencionados. Aliás, em muitos parques hoje o efetivo de funcionários conta com o trabalho voluntário de abnegados cidadãos das comunidades locais. Isso sem falar na importância que a visitação a estes ambientes representa em termos de educação e conscientização ambiental. Lembrem-se: só se pode preservar o que se conhece.

 

No que toca à legislação ambiental não basta apenas conhecê-la e segui-la cegamente. É preciso também saber interpretá-la, questionar as autoridades sobre o cabimento e a efetividade das medidas propostas e fiscalizar sua aplicação, especialmente num país como o nosso, em que muitas leis são feitas ao arrepio do interesse público e à revelia da sociedade. Isso é papel nosso, como cidadãos, caso contrário seremos oprimidos pelas leis em plena vigência de um estado democrático ou então elas serão apenas letra morta.

 

Vejamos o que prescreve o art. 92 do Decreto 6514/2008, que regulamenta a Lei 9605/1998 (lei dos crimes ambientais), único dispositivo da legislação ambiental que menciona como infração o fato de ingressar em UC's:

 

Art. 92. Penetrar em unidade de conservação conduzindo substâncias ou instrumentos próprios para caça, pesca ou para exploração de produtos ou subprodutos florestais e minerais, sem licença da autoridade competente, quando esta for exigível:

 

Multa de R$ 1.000,00 (mil reais) a R$ 10.000,00 (dez mil reais).

 

Parágrafo único. Incorre nas mesmas multas quem penetrar em unidade de conservação cuja visitação pública ou permanência sejam vedadas pelas normas aplicáveis ou ocorram em desacordo com a licença da autoridade competente. (Grifo meu)

 

 

Ou seja, em nenhum momento o decreto citado e muito menos a própria Lei 9605/1998 prevê proibição absoluta do acesso às Unidades de Conservação, vide o parágrafo único do trecho citado acima, onde as “normas aplicáveis” e “licença da autoridade competente” devem ser entendidos num contexto amplo, incluindo leis, decretos e outros atos normativos, em especial a utilização prevista no plano de manejo aprovado para a UC (que adquire assim caráter normativo), o que no caso do PN São Joaquim, volto a afirmar, ainda não existe. Ademais o referido decreto estabelece infrações e sanções na esfera administrativa (não se confundem com crimes, cuja tipificação e pena só podem ser estabelecidos em lei). Portanto, não há que se falar em crime ou, neste caso mais acertadamente, infração ambiental, em face da inexistência da norma aplicável, representada pelo plano de manejo.

 

Quem sabe, com a criação do Conselho Consultivo do PN de São Joaquim, só aprovada recentemente pela Portaria ICMBio Nº 46/2011, de 30/06/2011, e a posterior aprovação do seu regimento interno (ainda em elaboração?), tenhamos finalmente a formatação e implementação de um plano de manejo para o parque. Enquanto isso não ocorre e não lhe é dada uma estrutura mínima ao funcionamento efetivo, incluindo a alocação de recursos humanos adequados, me desculpem, mas o PN São Joaquim para mim continuará a existir apenas “no papel”, assim como muitos outros PN Brasil afora, infelizmente.

 

Fica o convite ao debate construtivo e, querendo, trazer também mais informações sobre a realidade das UC's brasileiras ao invés de criticar, sem base, uma posição alheia. ::prestessao::

 

Abraço,

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  • Membros

Primeiramente não quis ofender ninguém com a palavra ignorante, quis dizer desconhecimento da situação atual, é politicamente mais correto, perdão, porém precisa se atualizar ::Ksimno:: só 3 servidores e 42 mil hectares!!! no mais creio que a polêmica é boa, e só com a discussão evoluímos, também não quis dizer que é proibido entrar em Parque, mas o que ocorre é que muitos entram sem avisar ninguém, se determinada trilha foi identificada como tendo necessidade de condutor é porque alguém ou um grupo decidiu que a presença dele era importante, meu relato assim como o de vcs olha cada um a sua experiencia, o seu umbigo, muitos me responderam que estão preparados, porém e os que não estão, também não fazem parte deste fórum, não estão nem aí para regras de conduta, creio eu, que o legítimo montanhista ou caminhante não entra em um Parque ou qualquer área particular sem falar com o seu responsável. Infelizmente eu tenho visto muita gente caminhando sem qualquer conhecimento. Cito até o caso do Padre Balonista, que tinha um gps nas mãos mas não sabia usar. O que se discute é como separar o joio do trigo, todos foram unânimes em dizer que a estrutura dos nossos Parques é precária e que o montanhista pode ser um colaborador, mas imagine a seguinte situação, o guarda parque que já são poucos esta em sua residência num Domingão e é avisado que tem alguém dentro da área, ele sai do seu descanso e vai verificar, pode ser um caçador ou palmiteiro o que seja, chega lá é um montanhista, ótimo alarme falso, porém olha a confusão que isto pode gerar e movimenta várias pessoas, um telefonema, um contato com a adminsitração avisando quem vai e horário, será que não resolve a questão, identificar-se, eu sou fulano de tal, filiado a federação tal, com experiência, equipado, etc, hoje com a internet o funcionário do Parque pode verificar se a informação é verdadeira e se não há inconvenientes. Quem quer que a atividade seja reconhecida como responsável e tudo mais precisa dar o exemplo, e os pseudo montanhistas se aproveitam do jargão "eu não quero condutor, porque eu não preciso, sou autosuficiente" para que se neguem ao acompanhamento. Quantos monumentos naturais são pichados??? Especificamente no caso de áreas protegidas a minha sugestão é que as associações e federações entrem em contato com a administração delas (ICMBio) e criem um mecanismo de identificar quem realmente é montanhista e esta preparado e quem é turista (infelizmente neste grupo ficam os depredadores).

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  • Membros de Honra

Ok, Juliana, entendo seu ponto de vista e acho ele válido. ::cool:::'>

Também acho os guias muito úteis, pois a maoria das pessoas não tem conhecimento/equipamento p/ encarar as trilhas sozinhas. Só somos contra a obrigatoriedade, e esta é uma briga de vários aqui dentro do forum.

Sobre entrar nos parques sem avisar também sou contra, quanto maior o controle de vistação melhor p/ o parque, e acho válido até a cobrança de tarifas (desde que num valor justo) p/ visitação, como é feito no Itatiaia, que cobra por visita, dia acampado dentro do parque, etc... com este dinheiro pode-se contratar mais funcionários p/ cuidar dos caçadores, palmiteiros, pichadores...

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  • Membros de Honra

Olá Juliana!

 

Que bom que voltou, assim continuamos o debate. Não me senti ofendido não, só achei seu primeiro post um tanto "ácido".

 

Vamos lá.

 

[...] perdão, porém precisa se atualizar ::Ksimno:: só 3 servidores e 42 mil hectares!!!

 

Realmente me equivoquei, são 49.300 ha de área no parque, escrevi de cabeça e errei. O número de servidores (divulgado na maioria dos documentos sobre o parque como 3) descobri hoje que também está errado. Conversei detidamente hoje à tarde por telefone com o Sr. Michel (chefe do PN São Joaquim - e muito gente boa por sinal) e ele me informou que hoje existem 4 servidores do ICMBio lotados no parque, com alguns funcionários terceirizados de apoio - vigilantes, pessoal da limpeza, etc ::essa:: Na verdade isso não muda nada o que se discute aqui, pois 3, 4 ou 8 funcionários jamais darão conta de um parque dessas dimensões. E mais, se você tem alguma outra informação, por favor, compartilhe sua sapiência conosco, não fique apenas mandando os outros se atualizarem, aliás, o que sempre busco fazer... Este fórum também está aqui para isso, contribua! ::toma::

 

[...] o que ocorre é que muitos entram sem avisar ninguém, se determinada trilha foi identificada como tendo necessidade de condutor é porque alguém ou um grupo decidiu

que a presença dele era importante, meu relato assim como o de vcs olha cada um a sua experiencia, o seu umbigo, muitos me responderam que estão preparados, porém e os que não estão, também

não fazem parte deste fórum, não estão nem aí para regras de conduta, creio eu, que o legítimo montanhista ou caminhante não entra em um Parque ou qualquer área particular sem falar com o

seu responsável.

 

Concordo contigo que ninguém deve adentrar nas dependências de um Parque, estadual ou nacional, APA ou área particular sem a devida comunicação ou pedido de autorização junto aos responsáveis pela área quando isso é possível, é uma questão de respeito e mesmo de segurança do próprio usuário, mas daí a simples e absolutamente proibir são "outros quinhentos". Outra coisa: pedir autorização, fazer um cadastro, informar destino, dias de estadia nas dependências é uma coisa. Outra é ser obrigado a andar com alguém a tiracolo. O que a meu ver afasta muitos colegas montanhistas das administrações dos PNs e outras áreas de preservação é a atitude arbitrária, truculenta, impositora e proibidora que alguns administradores adotam e que afronta nossa inteligência e é contra isso que me insurjo. Criam-se verdadeiros "feudos" em determinados parques sob pretextos nobres mas em detrimento da coletividade. Em muitos casos falta diálogo com os usuários, com organismos técnicos e espoetivos e com a comunidade do entorno dos parques, e aqui não estou me referindo ao PN São Joaquim, pois sei que ali vem ocorrendo um processo de construção comunitária sobre as regras de uso.

 

Outra coisa é o fato de existir gente sem noção, como você falou. Concordo. Realmente existe e em absurdas quantidades. São fruto da falta de conscientização ambiental e da formação intelectual deficiente, míope e tacanha de gerações, fomentada por um Estado capenga e arbitrário, que lança seus tentáculos sobre a sociedade e se arvora no direito ou mesmo obrigação de tutelar todos os nossos passos. Assim criam-se e reproduzem-se cidadãos dependentes, medíocres, que não sabem ou conseguem andar fora dos "trilhos". (Acho que estou viajando muito... :mrgreen: )

 

[...] todos foram unânimes em dizer que a estrutura dos nossos Parques é precária e que o montanhista pode ser um colaborador, mas imagine a seguinte situação, o guarda parque que já são poucos esta em sua residência num Domingão e é avisado que tem alguém dentro da área, ele sai do seu descanso e vai verificar, pode ser um caçador ou palmiteiro o que seja, chega lá é um montanhista, ótimo alarme falso, porém olha a confusão que isto pode gerar e movimenta várias pessoas, um telefonema, um contato com a adminsitração avisando quem vai e horário [...]

 

Que ranço de preconceito é esse contra os montanhistas? :evil: Vamos separar um pouco as coisas. Uma coisa é a falta de estrutura e investimentos nas UCs, outra coisa é a folga merecida do funcionário e outra bem diferente é um cidadão que entra no parque (que poderia ser qualquer coisa, especialmente um "sem noção" mas montanhista de verdade não seria). Tá certo, concordo, tem muito montanhista com cara de maloqueiro (cabeludo, barbudo, sujo, enfim...), mas geralmente não são não! ::lol4::::lol4::::lol4::

 

Outra coisa: os "sem noção" não são geralmente tão difíceis de detectar... Na maioria das vezes basta uma pequena entrevista ou observar o comportamento para 'sacá-los'. Para isso o parque precisa de uma estrutura mínima de visitação, como um centro de visitantes, por exemplo. Aliás parabéns à Prefeitura de Urubici que, segundo eu soube, vem dando passos importantes na criação da estrutura física do Parque Nacional de São Joaquim: o Sr. Michel comentou comigo que graças ao apoio da Prefeitura já existe um pré-projeto arquitetônico pronto para um centro de visitantes, portarias e outras estruturas auxiliares que, sem dúvida, contribuirão para um melhor controle das áreas do parque, e lógico, para sua preservação.

 

[...] será que não resolve a questão, identificar-se, eu sou fulano de tal, filiado a federação tal, com experiência, equipado, etc, hoje com a internet o funcionário do Parque pode verificar se a informação é verdadeira e se não há inconvenientes.

 

Pode ser uma boa saída, sem dúvida, ainda que na teoria tudo pareça mais fácil. Na prática as informações são conflitantes ou imprecisas, falta estrutura, organização. Um pequeno exemplo disso é o telefone da Administração do Parque Nacional de São Joaquim: na página de internet oficial do ICMBio e em outras constam números que não são mais os do escritório do parque. Depois de algumas tentativas, a ligação cai numa secretaria da Prefeitura de Urubici e aí, com sorte, se consegue o telefone correto da sede, e outra ligação ... Se alguém quiser obter informações da administração como fica? Eu consegui, mas sou um cara insistente(leia-se "pentelho") e liguei no meio da tarde de uma quarta-feira... Se eu ligasse num sábado ou num domingo será que teria conseguido? Faltam também orientações sobre as regras de visitação, sobre quem são os guias credenciados e seus contatos no site oficial do parque (que no PN São Joaquim sequer existe). São pequenos detalhes mas que facilitariam ao cidadão comum se informar e interagir com aqueles que administram o parque. Isso sem falar de parques em que já fui e o único meio de comunicação dos funcionários era o rádio, só que ficava quebrado semanas... A infraestrutura faz falta nessas horas!

 

[...] O que se discute é como separar o joio do trigo [...] Quem quer que a atividade seja reconhecida como responsável e tudo mais precisa dar o exemplo, e os pseudo montanhistas se aproveitam do jargão "eu não quero condutor, porque eu não preciso, sou autosuficiente" para que se neguem ao acompanhamento. Quantos monumentos naturais são pichados??? Especificamente no caso de áreas protegidas a minha sugestão é que as associações e federações entrem em contato com a administração delas (ICMBio) e criem um mecanismo de identificar quem realmente é montanhista e esta preparado e quem é turista (infelizmente neste grupo ficam os depredadores).

 

Então, é neste ponto crucial em que eu queria chegar. Não somos contra a fiscalização efetiva, rondas, limitação de número de visitantes e sua identificação. Esse papel é legítimo e de atribuição não só dofuncionário do parque, mas de todos nós. Há que se trabalhar em conjunto, ICMBio, administradores dos parques, federações e clubes de trekking, montanhismo e outros esportes de aventura, comunidade local, guias, agências, etc. Assim todos nós ganhamos e as coisas funcionam. Só que não são todos os administradores de UCs que rezam essa cartilha, infelizmente. Em alguns locais as 'associações de guias' não querem deixar (é um 'mercado' e alguns têm medo de perder uns trocados ou o domínio da situação). Temos exemplos disso aqui no PR, em SP e no RJ, daria para citar vários... Pela conversa que tive com o Sr. Michel me parece que não será o caminho do PN de São Joaquim, já que aquela administração deixou claro que está buscando uma construção democrática e pluralista para a criação do plano de manejo. Torço para que consigam! ::otemo::

 

Quanto aos incidentes com pichações e outros tipos de depredação do patrimônio natural (como um incidente recente e infeliz envolvendo a pichação da Pedra Furada, que me foi relatado pelo Zé Marcos, guia em Urubici), só uma fiscalização e vigilância efetiva ou a presença constante de pessoas na área (montanhistas, por exemplo ::tchann:: ) seria capaz de coibir este tipo de ação.

 

Por fim, me desculpe se tenho parecido rude em algumas das minhas colocações, a gente de montanha as vezes é meio "chucro" mesmo. ::putz::

 

Abraço a todos, em especial ao povo de Urubici que tem acompanhado a discussão: Graxaim (sachetjr), Zé Marcos, Juliana et all! Em breve estaremos aí de novo!

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  • Membros de Honra

Juliana, bom que vc retornou. Tens base no que fala e é educada.

Não acho que alguém tenha se sentido ofendido ::cool:::'>

Concordo contigo que algum controle há que ser feito, mas acho que muito mais o Estado tem que fazer isso do que o montanhista se preocupar. Não que eu ache que se deve ir entrando assim ou assado. Jamais! Aliás, faça isso aqui no RS em propriedade privada e tomara chumbo!

O que eu digo é que o Estado deve providenciar Portarias, disponibilizar modelos por internet, algo assim.

Porque não um modelo, que vc preenche em casa, leva prontinho: pra onde vai, quando volta, quantos na equipe, previsão de volta, contatos de emergência, etc.

Poderia ser entregue não só aos guarda-parques, mas em pontos conveniados/autorizados.

Seria algo até mais útil, mais completo e organizado.

E sou avesso aos guias, ou melhor, à obrigatoriedade de.

Acho que justificar pelas cacas que pode dar nos levaria à fechar todas as rodovias do País. E criar "classes" de acesso é como fazer CNH para dirigir até 60 km/h, limitar o tipo de rodovia, etc...

Sem falar que o "credenciamento" ia ser uma dor de cabeça pra organizar de maneira séria. E uma válvula pra dar sacanagem de falsificação, vendas de 'status', etc...

Acidentes acontecem e vão acontecer. Mas acho que não há justificativa para fazer disso elemento para mais uma burocracia.

 

EDIT necessário: Getúlio, IRRETOCÁVEL! ::otemo::

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  • Membros de Honra

Só uma amostra de como nós, montanhistas, somos educados... :mrgreen::mrgreen::mrgreen:

Estou programando uma ida ao Quiriri em setembro, pela Fazenda Quiriri.

Pois bem, descobri o dono, mandei e-mail e consegui autorização pra passar pela fazenda.

Portanto Getúlio, conserta o jipe que mês que vem estamos indo!!! ::otemo::

AH! sobre o "nós montanhistas somos educados", foi uma piadinha, ok? Educação vem do berço...

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