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Olá viajante!

Bora viajar?

TORRES DEL PAINE - CIRCUITO Q - 8 DIAS - MARÇO/2016 - O circuito mais completo do parque! - Dicas, fotos, vídeos, relato

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Salve Salve Pessoal!

 

Gostaria de compartilhar com vocês o dia a dia de um dos trekkings mais incríveis que se pode fazer pela América do Sul! O circuito Q do Parque Torres Del Paine, na Patagônia Chilena!

 

Até porque me sinto moralmente obrigado a ajudar o mínimo que seja no planejamento da viagem dos próximos aventureiros (que fique registrado, 99% das informações, dicas e sugestões para essa trip eu colhi desse site, daqueles que de forma tão gratuita dispuseram de seu tempo para compartilhar experiências conosco e auxiliar novos desbravadores! Valeu senhores! ::otemo:: ).

 

O ROTEIRO

 

Muita gente fala sobre o circuito W ou comenta sobre o circuito O do Parque... Mas o que pouca gente sabe é que o circuito original do Parque é o Q!

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Ele começa na ponta sul de Torres del Paine e segue para o norte, ignorando o trek' W ' por exemplo. Na verdade ele incorpora o 'W' e o “O”, permitindo que se caminhe não só pelo lado sul do Parque como circunde o lado norte.

 

E digo para os senhores... É lá que você experimenta a verdadeira beleza, paz e a serenidade que a natureza indescritível daquele lugar oferece ::love:: .

 

Com muito menos trekkers e nenhum “caminhantes de apenas um dia” ao redor, é possível ter uma experiência genuína com o seu “eu interior” rsrsrs.

 

Acampar é uma obrigação nos refúgios mais isolados e o tempo de fato se mostra um fator decisivo nessa aventura!

 

Nesse circuito o viajante encontrará falésias, muuitas fontes de água, ventos fortíssimos, bosques encantadores, pradarias exuberantes, montes nevados... Sem contar na experiência mágica de subir o íngreme John Gardner Pass.

 

Enfim, tudo isso contribuiu e muito para que esse trekking se tornasse tão desafiador e gratificante.

 

Espero que gostem e como eu falei no início... Que de alguma forma esse relato auxilie algum mochileiro que esteja navegando pelo fórum em busca de aventura pelas terras encantadas da região de Magallanes.

 

Segue o detalhamento dos dias:

16/03 - Vitória X São Paulo X Santiago

17/03 - Santiago X Punta Arenas X Puerto Natales

18/03 - 1º dia: Sede Administrativa X Acamp. Paine Grande ((PÁGINA 01))

19/03 - 2º dia: Acamp. Paine Grande X Acamp. Italiano ((PÁGINA 02))

20/03 - 3º dia: Acamp. Italiano X Acamp. Torres ((PÁGINA 02))

21/03 - 4º dia: Acamp. Torres X Acamp. Serón ((PÁGINA 02))

22/03 - 5º dia: Acamp. Serón X Acamp. Dickson ((PÁGINA 02))

23/03 - 6º dia: Acamp. Dickson X Refúgio Los Perros ((PÁGINA 03))

24/03 - 7º dia: Refúgio Los Perros X Refúgio Grey ((PÁGINA 02)) ::dãã2::ãã2::'>

25/03 - 8º dia: Refúgio Grey X Acamp. Paine Grande

26/03 - Puerto Natales X Punta Arenas X Santiago

27/03 - Santiago

28/03 - Santiago

29/03 - Santiago X São Paulo

30/03 - São Paulo X Vitória

 

EQUIPAMENTOS

 

  • 1 Casaco 3 em 1 da Decathlon;
    1 Fleece da Decathlon;
    1 conjunto de segunda pele da Wed’ze (comprada também na Decathlon);
    1 capa de chuva do tipo “poncho”(comprada advinha aonde? ::hahaha::) ;
    3 camisas (recomendo as do tipo dry fit);
    2 calças de trekking (uma repelente à água e outra impermeável)
    2 pares de meia de lã (evite as de algodão);
    3 pares de meia para Trekking;
    2 pares de luva (um para ser usado como segunda pele e um par impermeável);
    1 gorro de lã;
    1 boné (muito útil para proteger do sol e do vento);
    1 Bota impermeável;
    1 chinelo do tipo “havaianas”
    1 óculos de sol (importantíssimo!!);
    1 mochila cargueira de 60litros;
    1 mochila de ataque* (É MUITO importante uma mochila de ataque nesse tipo de trekking. Isso evita carregar peso desnecessário em diversos momentos);
    Fita nexcare 3M para os calcanhares, dedos e afins;
    Papel higiênico;
    Lenços Umedecidos;
    2 Lanternas (uma de mão e outra de cabeça);
    Bepantol;
    1 kit de remédios (p. enjoo, dores musculares, gripe, etc)
    Protetor solar;
    Toalha de secagem rápida;
    Canivete;
    Repelente;
    Fósforos;
    squeeze de água (+/- 1litro);
    Máquina fotográfica, cartões de memória, etc.
    1 câmera do tipo “gopro”;
    1 saco de dormir (5ºC);
    1 isolante térmico;
    1 par de bastões de caminhada (FUNDAMENTAIS!!! Não deixe de levá-los! Seus joelhos agradecerão muuuuito);
    2 mini botijões de gás para camping;
    1 panelinha para camping;
    1 fogareiro para.... camping! ::tchann::

 

Mas vamos ao relato...

 

Nosso roteiro para os dois primeiros dias foram bem entediantes: sairíamos de Vitória (VIX) às 9h42min e chegaríamos a São Paulo (GRU) às 11h20min. De lá tomaríamos um “chá de cadeira” e partiríamos para Santiago só às 18h50min, com previsão de chegada às 23h10min. Em Santiago, pegaríamos um voo para Punta Arenas, cujo embarque estava previsto para às 02h.

 

Já em Punta Arenas (por volta das 05h25min), embarcaríamos numa van (pode ser também num taxi) que nos levaria ao Centro da cidade. De lá pegaríamos um ônibus numa dessas empresas (http://www.busespacheco.com/rutas.htm , http://www.busesfernandez.com/ ou http://www.bussur.com/opensite/ )para Puerto Natales (+ 3h de viagem) ::hein: .

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Fomos pela busesfernandez simplesmente por conta do horário em que o ônibus sairia (comodidade). Não vimos diferenças significantes no tipo do ônibus ou coisa assim e não tivemos problema algum durante a viagem, só sugiro estarem prontos para o embarque pelo menos 20 min antes...

 

Chegamos em Puerto Natales por volta das 16h e já compramos as passagens para o Parque com saída prevista para às 7h do dia seguinte (sugiro que façam isso tão logo cheguem na cidade, é mais barato do que com as agencias de viagens do Centro e vocês ficam tranquilo sabendo que a ida para Torres está garantida).

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Fomos para o hostel que havíamos reservado pelo booking chamado Casa Cecilia (Um dos poucos que oferece um serviço de café da manhã completo e que tem parceria com empresas de ônibus que te levam de manhã para a rodoviária!) e depois resolvemos andar pela cidade em busca de suprimentos.

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Fora a comida liofilizada que trouxemos do Brasil (http://www.liofoods.com.br/), eis a nossa lista:

 

  • 8 rações de comida liofilizadas (uma por dia, ingeridas no café da manhã... Eu sei, é estranho no começo mas depois você acostuma!)
    4 pacotes de sopa instantânea
    4 pacotes de miojo
    8 pacotinhos contendo um mix de sementes e frutas cristalizadas que você encontra facilmente no Centro da cidade
    8 sachês de carboidrato em gel
    8 barrinhas de cereal
    8 barrinhas de proteína
    Café solúvel
    2 pacotes de biscoito recheados (porque ninguém é de ferro)
    6 pães com queijo que ao longo dos dias foram ficando deliciosos (e duros como uma pedra)

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Equipamentos conferidos, mochila pronta, adrenalina a mil.... era o momento de relaxar e acumular gordura para aventura! Nossa escolha? Lomito´s (https://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g297401-d1069980-Reviews-Lomit_s-Punta_Arenas_Magallanes_Region.html)

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Como não sou nenhum crítico de gastronomia me atrevo a dizer apenas que estava tudo muito bom! Na minha opinião valeu a pena! Comemos muito e nem pagamos tanto! (um prato para dois saiu por menos de 50 reais 8) ).

 

Alimentados, hora de dormir porque nossa jornada estava apenas começando! Haja coração!

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No próximo post... O início da aventura que mudaria o modo como encaramos o mundo, as pessoas e a natureza!

 

Até lá!

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Valeu pelas dicas!

Nos acampamentos existe possibilidade de comprar bebidas e comidas ? você utilizou barraca 4 ou 3 estações ?

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4º DIA - Acamp. Las Torres X Acamp. Serón

 

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O principal motivo de se acampar no “las torres”, além da gratuidade, é o fato deste ser a última base antes do Mirador “las torres”. Em outras palavras, significa que você pode acordar um pouco mais tarde e ainda ver os primeiros raios de sol beijando as rochas que são o símbolo do Parque e que dão nome à este num espetáculo incrível de beleza e paz.

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Devido ao cansaço da noite anterior não conseguimos acordar tão cedo quanto gostaríamos e, apesar do despertador ter gritado muitas vezes, só levantamos às 7h.

 

Vestimos uma mochila de ataque contendo algumas frutas desidratadas e água e partimos rumo ao nosso 1º destino. O percurso é consideravelmente íngreme, leva cerca de uma hora até a base dos Picos e é bem demarcado. Vale destacar que ao longo da caminhada o viajante encontra vários pontos com vistas que rendem fotos incríveis!

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O céu estava perfeitamente claro - não poderíamos ter pedido por melhores condições - e assim que avistamos a base das Torres ficamos extasiados. Apesar do cansaço e das dores no corpo devido ao desgaste do dia anterior, a paisagem que te recepciona é uma recompensa emocionante!

 

Vale cada passo, cada fisgada na panturrilha, cada gota de suor derramada na subida! Sentimo-nos simplesmente realizados e agradecidos por termos tido a oportunidade de estar ali.

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Revigorados e com uma sensação de paz interior incrível, iniciamos a descida. O fluxo contrário das pessoas que estavam em acampamentos mais distantes era intenso e por vezes a caminhada tinha de ser interrompida para que aqueles que estavam subindo passassem. Em alguns pontos só era possível trilhar um por vez.

 

Chegamos no acampamento Las Torres por volta das 11h, arrumamos as coisas, desmontamos a barraca e partimos rumo ao Acampamento Serón.

 

Novamente atrasados, é verdade, porém dessa vez de forma consciente já que preferimos estender um pouco mais a nossa permanência no mirante por conta da energia que o lugar emanava.

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Um dos privilégios de se fazer essas pernas do circuito "W" é que você faz o caminho indo e vindo, ou seja, aprecia as paisagens à sua frente num dia e no seguinte àquelas que estavam atrás de você.

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Boa parte do percurso desse dia era de paisagens que já havíamos visto no dia anterior (principalmente porque tínhamos errado o caminho :-x , lembram?)

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Entre o Hotel de luxo aí da foto acima e o acampamento Serón o percurso era, digamos, "comum" e consistia numa trilha que ora era fechada e ora composta por caminhos descampados.

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Verdade seja dita, essa parte do percurso tinha sim a sua beleza mas quando comparado com o que tínhamos visto pela manhã concluíamos que era um paralelo injusto.

 

O atraso proposital no Mirante Las Torres nos custou a luz natural. Chegamos no acampamento Serón de noite e exaustos.

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Assim como no dia anterior, não tivemos muita opção de local para montar a barraca - apesar da quantidade de trekkers ter diminuído bastante já que só vem para essas bandas quem está fazendo o circuito "Q" ou o "O". Sem stress, o cansaço, novamente, falava mais alto. Dessa vez preparamos uma sopa antes de dormir mas como passava das 22h os banheiros para banho já estavam fechados e a ducha teve de ficar para o dia seguinte. :mrgreen:

 

Em relação ao acampamento, fica a dica: O refúgio está localizado num campo aberto e, portanto, sujeito às intempéries do clima da região (em outras palavras, muita ventania) - cuidado ao deixar roupas penduradas fora da barraca. Possui uma pequena mercearia onde se pode comprar biscoitos, enlatados, pão, vinho, etc. e conta também com banheiros e duchas com água quente para banho das 6h às 22h. Ah, o pequeno armazém também só funciona neste horário.

 

Resumo do dia:

 

  • 4º dia: Acamp. Las Torres – Acamp. Serón
    Distância: 23 km
    Total: 81,5 km
    Tempo: 12,5h
    Video-Relato do dia:

Editado por Visitante

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Valeu pelas dicas!

Nos acampamentos existe possibilidade de comprar bebidas e comidas ? você utilizou barraca 4 ou 3 estações ?

Salve Marcelo!

Então... Segue a relação dos locais onde eu tenho certeza de ter visto pequenas mercearias que vendiam cerveja, vinhos, leite, biscoitos, macarrão, atum enlatado, bolo, etc:

 

Acampamento italiano: NÃO

Los Cuernos: SIM

Las torres: NÃO

Serón: SIM

Dickson: SIM

Los Perros: SIM

Acamp. Paso: NÃO

Refúgio Paine Grande: SIM

 

Quanto a barraca, eu usei uma emprestada que foi comprada na Decathlon... 3 estações e nenhum stress!

Quaisquer outras dúvidas é só falar ok?!

 

Abração!

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5º DIA: Acampamento Serón X Acamp. Dickson

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Enfim havíamos passado da metade dos dias propostos para nossa aventura! A essa altura ainda sentíamos dores pelo corpo e por vezes o cansaço nos persuadia a diminuir o ritmo mas, sinceramente, isso passou a ser irrelevante. O prazer de estar naquele lugar tão lindo falava mais alto em nosso interior. Até as mochilas pareciam estar mais leves.

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O caminho do Serón até o Dickson é simplesmente incrível! Proporcional a beleza, a dificuldade. Subidas íngremes e o vento implacável que por vezes nos fizeram perder o equilíbrio dominam esse trecho do percurso.

A propósito, segue um vídeo que fizemos que dá para ter uma noção do quanto esses ventos são fortes! ::ahhhh::

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Boa parte da trilha programada para esse dia é margeando o Rio e o lago Paine. Aliás, entre um trecho de subida e outro íamos observando o esplendor daquelas águas cuja tonalidade era difícil de definir... Ora parecia verde, ora azul turquesa, ora esmeralda, ora assemelhava-se até ao azul profundo do oceano...

 

Esse é um dia relativamente curto de caminhada e depois de algumas horas avistamos o acampamento Dickson. Ele é quase todo cercado pelo lago Paine e possui árvores em seu entorno que diminuem bastante a força dos ventos. O toque final desde que consideramos o acampamento mais belo de todos fica por conta do glaciar ao fundo, perfeito.

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Como havíamos chegado por volta das 16:30h, conseguimos tomar um bom banho (gelado), jantar e ainda ficar papeando em "portunhol" com uma turma animada de alemães, chilenos, bolivianos, holandeses e americanos que se conheceram durante o percurso e resolveram seguir juntos pelo circuito.

 

Bons momentos...

 

Detalhes do acampamento: A taxa de estadia custa $4.300 pesos e o camping possui banheiros e duchas de água fria, um tanque para lavar roupas e afins e um pequeno mercado. A área é relativamente plana e bem arborizada, porém não há uma estrutura coberta para preparar os alimentos mas sim bancos e mesas de madeira ao ar livre onde as pessoas se reunem para comer e bater papo.

 

Até o próximo "capítulo"!

 

Resumo do dia:

 

5º dia: Acamp. Serón – Acamp. Dickson

Distância: 18 km

Total: 99,5 km

Tempo: 7,5h

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ótimo relato, completíssimo! as fotos também estão muito legais!

no aguardo dos próximos capítulos :)

  • 5 semanas depois...
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Que incrível!!! Espero um dia ter a oportunidade de fazer uma trip desse nível (não é falta de coragem é de money mesmo kkkk)...

Vou continuar acompanhando ansiosamente pelas próximas postagens!

  • 2 semanas depois...
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Muito bom o relato... Estou aguardando ansiosamente pelo complemento!

 

J Grossi

Editado por Visitante

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Rafa,

 

Estou pensando em utilizar este seu relato como base para uma viagem ao TDP, só não consigo me programar com antecedência devido as características de meu trabalho, porém, tentarei evitar período de alta temporada e alta temperatura, pois, me adapto melhor ao frio.

 

Gostaria de saber se existem refeições disponíveis em todos os campings relacionados. É muito interessante ter a opção de não ter que carregar utensílios, fogareiro e os alimentos a serem preparados, mas, só rola de houver refeições em todos os campings.

 

Se puder me ajudar a tirar essa dúvida, ficarei muito grato! ::otemo::

 

J Grossi

  • 2 semanas depois...
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7º DIA – Acamp. Los Perros X Refúgio Grey

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Ainda era noite quando terminamos de ajeitar as coisas nas mochilas para partir rumo ao desafio do dia. A temperatura girava em torno de 0º C e as primeiras passadas na trilha foram cruéis até que o corpo se ajustasse ao ritmo da caminhada.

 

O silêncio da madrugada aos poucos era quebrado pela cadência dos nossos passos (e por alguns “risinhos provocantes” vindos das barracas vizinhas que iam ficando para trás).

 

Como não sabíamos se iríamos ficar no Acampamento Paso ou no Refúgio Grey resolvemos que tomaríamos café na estrada mesmo, sem pausas longas até que a decisão fosse tomada.

 

O ápice do dia seria o, ora amado – ora odiado (e vamos explicar o porquê), Paso John Gardner. Do acampamento até esse que é o ponto mais alto de todo o Parque seriam apenas 4,5 km… Parece pouco né?! Aí é que se engana… Apesar da distancia curta, o trekker sai de 600 para 1200 m acima do nível do mar. São 600m de subida num trecho de 4,5 km!!!

 

PAUSA!

Antes de continuar o relato, considerando que esse é um trecho bem técnico, vamos elencar alguns fatores para vocês se nortearem e avaliarem a melhor decisão: Ficar no Acamp. Paso ou prosseguir até o Refúgio Grey. (nós optamos em seguir, mas isso não é uma regra ok?!)

 

Trecho: Acampamento Los Perros – Acamp. Paso

Subida: 4,5 Km

Elevação: 600m (de 600m p. 1200m em relação ao nível do mar)

Tempo de subida: 3-4 horas

Descida: 4 Km

Elevação: 800m (de 1200m p. 400m em relação ao nível do mar)

Tempo de descida: 3 horas

 

Trecho: Acamp. Paso – Refúgio Grey

Distância: 15,5 Km

Elevação: 350m (de 400m p. 50m em relação ao nível do mar)

Tempo: 5 horas

 

EM RESUMO: Até o Acampamento Paso são quase 9 km de muuuuita subida e descida que se faz em quase 7 horas. Para o refugio Grey você terá pela frente mais 7 km e 5 horas. Seja prudente e avalie. Durante o relato elencaremos os prós e contras da decisão, porém uma coisa é certa, se optar em seguir até o Grey tenha em mente que terá um caminho pesado pela frente e terá que sair de madrugada se não quiser chegar de noite no acampamento.

 

CONTINUEMOS O RELATO…

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Na medida em que os primeiros raios de sol iam surgindo no horizonte íamos tendo uma noção do que nos aguardava para aquele dia.

 

O primeiro desafio foi atravessar uma espécie de pântano de lama preta e pegajosa, sob um bosque de árvores baixas e retorcidas.

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Trecho vencido, iniciamos uma longa subida por um terreno cada vez mais descampado e pedregoso onde o ziguezague do caminho parecia não ter fim.

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Esta parte do percurso foi bem lento, haja visto que a subida era longa e íngreme. Confesso que tivemos de parar de vez em quando para recuperar o fôlego.

 

Por estarmos percorrendo um trecho longo e em ziguezague, de tempos em tempos chegávamos a um platô que nos dava a falsa sensação de já estarmos chegando no cume. Triste ilusão… Depois de um pseudo cume de montanha vinha outro, e outro, e outro… e nada do Paso John Gardner. Nesse momento havíamos entendido o lado “odiado” do Paso.

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No entanto, o ódio não dura muito tempo… Ao fim de toda a subida, chegamos ao Paso John Gardner, 1200 metros de altitude, o ponto mais alto de toda a caminhada.

 

Inexplicável… Inimaginável…

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Apesar do tempo estar contra nós, decidimos encarar o forte e frio vento que soprava para contemplar por uns instantes a visão que o Arquiteto do Universo nos permitiu presenciar.

 

Afinal, gastar algum tempo para admirar a natureza é descobrir um mundo de tesouros. Confesso que ainda não encontrei momento mais agradável do que aqueles que tive apreciando a natureza e ouvindo os sons do vento. São lapsos de tempo como esse que nos lembram o quão bela a vida pode ser, pois ter um momento para descobrir a natureza é descobrir a si mesmo.

 

Sim, concluímos que os seres humanos nunca estarão mais próximos de si do que quando estão perto da natureza… Alguns de nós gostamos de fantasiar um mundo mítico de criaturas sobrenaturais e planetas e, sinceramente, depois de ver o que vimos no Paso John Gardner, não acho essas fantasias necessárias quando vivemos em um planeta tão incrível como o nosso.

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O Paso John Gardner é um daqueles lugares que fazem o coração bater mais forte, que causa um nó na garganta e traz a sensação de que todo, absolutamente todo esforço valeu a pena. Uma pena as fotos não conseguirem capturar a essência surpreendente deste lugar…

 

Infelizmente não podíamos ficar por lá muito tempo então, com a alma refrigerada, iniciamos a descida.

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E que descida! Sim, era tudo aquilo que haviam nos alertado! Além de escorregadio, o trecho era muito sinuoso e inclinado. E parecia não ter fim. Horas a fio. Mesmo com cuidado, nossos joelhos e pernas sofreram a cada passo.

 

Quando chegamos ao Acampamento Paso, o que era eu dúvida virou certeza. Iríamos seguir adiante até o Refúgio Grey. O camping era numa área bem pequena, pouca gente acampa por ali. Além dum terreno muito irregular, as fortes rajadas de vento nos levaram a crer que o acampamento era, basicamente, para emergências. Paramos apenas para lanchar e recompor um pouco das forças.

 

Caso a necessidade te leve a acampar por ali, aqui vai algumas dicas:

 

  • Apesar de estar localizado na floresta, nas proximidades há uma bela vista do Glaciar Grey.
    É gratuito.
    Não possui chuveiros e os banheiros são bem precários (uma casinha sem janelas com um buraco cimentado no chão e uma cordinha para segurar enquanto se está agachado).
    Água só do rio, que não pode ser contaminada com nenhum tipo de componente químico (nem sabonete ok?!).
    Existe uma pequena área coberta com um telhado e uma grande mesa para cozinhar e comer.
    Possui um Guardaparque que monitora o local.
    Não há latas de lixo, você deve levar o lixo que produzir.

A partir dali, as descidas continuavam e, mesmo que ainda dominantes, perdiam a intensidade com o passar das horas. Já podíamos novamente relaxar um pouco.

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Chegamos no Refúgio Grey no final da tarde e, de fato, valeu a pena caminhar um pouco mais. A infraestrutura do lugar é digna do preço que se paga por ela. 6000 mil pesos chilenos por pessoa.

 

Banheiros limpos, duchas quentes das 19h às 21h, restaurante, albergue, camping, cozinha coletiva abrigada do vento com mesas e pia além de um armazém considerável com várias guloseimas à venda resumem os mimos deste Refúgio particular (vale dizer que o Grey constitui uma das pernas do circuito W, e, por ter um volume de visitantes maior, a estrutura se tornou proporcional ao lucro dado pelos tantos turistas que fazem o percurso mais famoso do Parque).

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RESUMO DO DIA:

7º dia: Acamp. Los Perros – Refúgio Grey

Distância: 24 km

Total: 134,5 km

Tempo: 12 h

Vídeo-relato do dia:

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6º DIA – ACAMPAMENTO DICKSON X ACAMP. LOS PERROS

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A noite anterior nos mostrou um pouco de algo que não tem teoria que descreva nem metodologia que diga como deve ser feito. Reciprocidade, companheirismo, partilha... Sem explicações nenhuma, apenas acontece.

 

Vimos desconhecidos se auxiliando na montagem de suas barracas, outro indo buscar um pedaço de gelo no rio para colocar no calcanhar de uma trekker que parecia ter uma bola de tênis sob a pele... Ouvimos histórias e estórias ao redor de uma pequena mesa onde nada era de fulano ou beltrano... Não havia "o meu biscoito" ou "a minha fatia de pão", tudo era de todos mesmo sabendo que ainda teríamos mais 3 dias difíceis pela frente.

 

Como diria o escritor Luciano Azevedo, perdemos a capacidade de nos admirarmos com aquilo que faz da vida o lugar da festa; a festa do encontro cotidiano, da partilha da vida e dos passos que ficam pelo caminho. Lemos O Pequeno Príncipe e esquecemos de sua mensagem, embora seja urgente para os dias de hoje. Vale lembrar que, nesse livro, o ensinamento da raposa “só se vê bem com o coração” não é mero sentimentalismo, mas condição imprescindível para que sobrevivamos todos os dias nesta terra de granito. Ou recuperamos essa capacidade de nos encantarmos pela vida, pelo outro, por aquilo que faz nossos dias, ou nos perderemos todos juntos...

 

Enfim... Mais um inesquecível momento de reflexão e encontro que a viagem a Torres del Paine nos proporcionou.

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O sexto dia seria relativamente tranquilo. Deixamos aquela planície majestosa cercada por árvores frondosas e a companhia do Lago e Glaciar Dickson para seguirmos nosso caminho. Seriam 11km pela frente e apesar do tempo nublado e da chuva fininha que caía, colocamos o pé na estrada.

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O percurso até o camping Los Perros é relativamente fácil já que por boa parte dele você percorre dentro de um bosque. As dificuldades ficam por conta de algumas subidas mais íngremes num chão escorregadio e enlameado e, posteriormente, no trecho em que a floresta de lengas fica para trás e, em campo aberto, os ventos patagônicos te lembram de onde você está ::ahhhh::

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Detalhe, a proximidade com o Glaciar Los Perros e a altitude transmitem uma sensação térmica bem abaixo de zero aos viajantes... Por falar em "abaixo de zero", até neve nós encaramos nesse dia! ::Cold::

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Conforme havíamos previsto, chegamos cedo ao camping Los Perros. Com uma estrutura simples, porém limpa e organizada, o acampamento conta com uma pequena cozinha coberta onde a turma se reúne para comer, se aquecer e papear.

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Mesmo não estando tão cansados procuramos dormir cedo nesse dia haja vista que no seguinte encararíamos dois desafios: o famoso e temido Paso John Gardner, a travessia mais alta de todo o parque e o dilema de ficar ou não no Acampamento Paso (na dúvida teríamos que acordar bem cedo porque se decidíssemos ir adiante poderíamos correr o risco de chegar, novamente, de noite no destino).

 

Até lá!

 

RESUMO DO DIA:

6º dia: Acamp. Dickson – Acamp. Los Perros

Distância: 11 km

Total: 110,5 km

Tempo: 6h

Vídeo-relato do dia:

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