Ir para conteúdo
View in the app

A better way to browse. Learn more.

Mochileiros.com

A full-screen app on your home screen with push notifications, badges and more.

To install this app on iOS and iPadOS
  1. Tap the Share icon in Safari
  2. Scroll the menu and tap Add to Home Screen.
  3. Tap Add in the top-right corner.
To install this app on Android
  1. Tap the 3-dot menu (⋮) in the top-right corner of the browser.
  2. Tap Add to Home screen or Install app.
  3. Confirm by tapping Install.

Olá viajante!

Bora viajar?

Postado
  • Membros

Depois da minha última aventura — uma jornada solitária pela Carretera Austral, no Chile — o silêncio tomou conta das férias seguintes.
Sou professor, e dezembro e janeiro sempre foram sinônimo de estrada, de mapas abertos sobre a mesa e de horizontes desconhecidos. Mas, naquele ano, não houve partida.

Foram 45 dias estranhamente vazios.
Sem poeira na lataria, sem quilômetros acumulados, sem histórias para contar. Apenas uma inquietação difícil de explicar — como se algo em mim tivesse ficado para trás, perdido em alguma curva do sul do mundo.

Antes disso, eu havia vendido minha Ranger. Um problema mecânico rondava o motor como uma ameaça silenciosa, e preferi não arriscar. No lugar dela, em outubro, chegou uma nova companheira: uma Toyota Hilux SW4 4Runner 2.7 a gasolina.
Revisão feita, pneus trocados — cinco mil reais depois —, ela parecia pronta para qualquer destino. Ou quase.

Naquelas férias, tentei de tudo para não viajar sozinho. Convites, mensagens, planos que nunca saíam do papel. Ninguém podia, ninguém confirmava.
Na época, aquilo me frustrou.

Hoje eu sei: foi um livramento.

Cerca de um mês depois, como se obedecesse a um roteiro já escrito, o motor da Toyota queimou a junta do cabeçote — sem aviso, sem superaquecimento, sem explicação clara.
Veio o conserto, vieram os gastos, e junto deles a certeza de que aquela viagem, se tivesse acontecido, poderia ter terminado de forma bem diferente.

Meses depois, em julho, resolvi tentar novamente. Publiquei um anúncio em um grupo de professores do Paraná, buscando companhia para a estrada. Muitos demonstraram interesse, mas, como acontece com frequência, poucos realmente estavam dispostos a ir.

Dessa vez, porém, bastou um “sim”.

A professora Beatriz Goes, de Ponta Grossa, topou a ideia — e não veio sozinha. Trouxe consigo o colega Edmar Lucas. Aos poucos, o que antes era apenas uma vontade começou a ganhar forma.

Mas estrada boa sempre cobra pedágio.

Em outubro, a Toyota voltou a dar sinais de fraqueza. Mais uma vez, a junta do cabeçote.
Dessa vez, não hesitei: investi pesado. Refiz o que era necessário — e o que não era também. Embreagem nova, radiador revisado, sistema limpo. Dinheiro escorrendo como areia entre os dedos, mas com um único objetivo: confiança.

Até o fim do ano, eu havia praticamente zerado o carro. Ou, pelo menos, tudo aquilo que podia me deixar na mão no meio do nada.

Ainda faltava gente.

Foi então que, em outubro, publiquei outro anúncio, agora no Mochileiros. Em novembro, apareceu Adriano Lizieiro, direto de Santos. Mais um “sim” que fez toda a diferença.

E, como se o universo finalmente tivesse decidido colaborar, o grupo cresceu mais um pouco: Glauber e Érica, a bordo de uma Chevrolet S-10 a gasolina, juntaram-se a nós.

Duas viaturas.
Mais segurança.
Mais histórias prestes a acontecer.

E, como eu descobriria mais adiante, essa decisão faria toda a diferença quando a estrada resolvesse, mais uma vez, me testar. 

Saímos no dia 28/12/2015. Segue o relato.

Editado por Marcelo Manente

  • Respostas 89
  • Visualizações 33.4k
  • Criado
  • Última resposta

Usuários Mais Ativos no Tópico

Most Popular Posts

  • Marcelo Manente
    Marcelo Manente

    5º dia — 01/01/2016 — sexta-feira — Antofagasta de la Sierra → Tolar Grande — 235 km Altitude extrema, imprevistos e um céu que parece não ter fim Depois da virada de ano, o despertar veio no ritmo es

  • Marcelo Manente
    Marcelo Manente

    Fotos do 5º dia.

  • Marcelo Manente
    Marcelo Manente

    6º e 7º dias — 02 e 03/01/2015 — Tolar Grande → San Antonio de los Cobres — 220 km Pane na altitude e a pausa forçada na imensidão da Puna Demoramos a sair mais uma vez. Talvez já estivéssemos entrand

Posted Images

Featured Replies

Postado
  • Autor
  • Membros

15º dia — 11/01/2016 — segunda-feira — San Juan → Uyuni → Villa Mar — ??? km
O amanhecer no salar, lágrimas sinceras e o fim de um ciclo

Acordei às 3h20, com uma leve dor de cabeça — resquício do vinho e da cerveja da noite anterior. Nada que um Dorflex não resolvesse. Levantei, acordei o pessoal e começamos a nos preparar.

Pontualmente às 4h06 (sim, bem específico mesmo), já estávamos partindo.
O guia não parecia muito feliz com aquele horário — e, sinceramente, ninguém culparia.

Seguimos pela escuridão, por estradinhas que margeavam o salar… até que, sem perceber, já estávamos sobre ele.

O carro avançava devagar, o silêncio dominava tudo. Em certo momento, o motorista diminuiu ainda mais a velocidade e colocou a cabeça para fora da janela. Talvez para espantar o sono com o vento gelado — talvez para se reconectar com aquele vazio imenso.

E então, aos poucos, o salar começou a clarear.

Quando estávamos próximos da Isla Incahuasi, paramos.

No horizonte, algumas nuvens desenhavam o cenário perfeito. O sol começou a surgir, tingindo tudo com cores que simplesmente não cabem em palavras.

E ali, naquele instante, eu chorei.

Não fui o único.

Era impossível não se emocionar. Aquele nascer do sol no Salar de Uyuni não era apenas bonito — era algo que atravessava a gente por dentro. Um daqueles momentos raros em que tudo faz sentido, em que a grandeza da natureza te coloca no lugar certo.

Ficamos ali, em silêncio, absorvendo.

Eu só agradecia.

Depois, seguimos até a Isla Incahuasi.

Pagamos a entrada e começamos a explorar. A ilha, formada por antigos corais, é um lembrete de que ali já foi mar. Hoje, é um pedaço de terra cercado por sal, repleto de cactos gigantes — os cardones — que crescem lentamente, mas dominam a paisagem.

Subimos, observamos, contemplamos.

Lá de cima, o salar parecia infinito.

Depois de cerca de uma hora, descemos para o café da manhã, servido em pequenas mesas de sal. Um momento simples, mas especial.

Seguimos então para uma das partes mais divertidas: as fotos com perspectiva.
Brincadeiras visuais, poses criativas, risadas. Aquele tipo de coisa que só funciona ali — naquele vazio branco que engana o olhar.

Mais adiante, paramos no antigo hotel de sal no meio do salar, que já serviu de apoio ao Rally Dakar. Tiramos fotos, exploramos o local… mas, comparado ao restante, era apenas uma parada protocolar.

O dia estava nublado, o que tirava um pouco do brilho intenso do salar. E, infelizmente, não havia a famosa lâmina d’água que transforma tudo em um espelho gigante. Talvez influência do El Niño naquele ano.

Mas, sinceramente, pouco importava.

Estávamos ali.

E isso já bastava.

Seguimos para Colchani, próximo a Uyuni, onde paramos para almoçar. Um povoado simples, que vive do sal e do turismo. Barracas de artesanato por todos os lados.

Eu, com o orçamento apertado, fui econômico. Só gastei 6 bolivianos… no banheiro.

E ali veio uma cena clássica:
uma placa dizendo “lave as mãos após usar o banheiro”…
e a pia sem registro.

Simplesmente perfeito.

Depois do almoço, seguimos para o “cemitério de trens”.

Interessante? Até é.
Mas nada que empolgue tanto — um monte de locomotivas antigas enferrujando no meio do nada. Vale pelas fotos e pela curiosidade, mas claramente uma parada para “completar o pacote”.

De lá, seguimos para o centro de Uyuni, até o escritório da agência.

Uma sala pequena, apertada, cheia de gente… e a notícia: precisaríamos esperar até as 16h para o retorno.

Sem chance.

Saímos para dar uma volta, tomar uma cerveja e — prioridade máxima — encontrar um wifi. Já eram três dias sem dar notícias.

Voltamos no horário combinado e, para nossa surpresa, o motorista era o mesmo.

Reinaldo.

Comemoramos. Já havia uma certa parceria ali.

A volta pela Bolívia foi a parte mais monótona. Estradas longas, retas, mas em melhores condições do que na ida. Em alguns trechos, parecia até asfalto.

Ainda assim, o cansaço já começava a aparecer.

Chegamos a Villa Mar no fim do dia. Pagamos uma pequena taxa para entrar na vila e fomos para a hospedagem.

Disseram que o banho custaria 10 bolivianos.

Todos tomaram banho.

E ninguém apareceu para cobrar.

Jantamos, abrimos um vinho, jogamos truco.

Rimos.

E, aos poucos, fomos encerrando mais um capítulo da viagem.

Porque, apesar do cansaço, todos sabiam:

ainda havia estrada pela frente.

E, com ela, novos perrengues e histórias esperando para acontecer.

Editado por Marcelo Manente

Postado
  • Autor
  • Membros

16º dia — 12/01/2016 — terça-feira — Villa Mar → San Pedro de Atacama + Valle de la Luna — ~100 km
Entre a fome, a espera e despedidas que pesam mais que a altitude

Acordamos cedo. O plano era simples: chegar logo à fronteira e resolver tudo sem grandes atrasos. Saímos ainda no escuro, cruzando aquelas estradinhas da Cordilheira que, naquele momento, não ofereciam muito além de silêncio e sono.

Quase todo mundo dormiu.

Eu não. Como sempre, fiquei acordado, olhando para o nada e pensando em tudo — aquela dificuldade clássica de pegar no sono em qualquer coisa que tenha rodas.

Chegamos por volta das 6h30.

E aí começou a espera.

Esperamos o micro-ônibus.
Esperamos o café.
Esperamos… e seguimos esperando.

O frio apertava. A fome também.

Quando o ônibus finalmente chegou, deu aquela esperança. Mas nada de café. Primeiro, todos os turistas precisavam passar pela aduana. Um por um.

O Adriano já estava no limite. Em certo momento, começou a cogitar seriamente “resgatar” um pão do bagageiro da Toyota. Situação crítica. Quase um motim gastronômico em plena altitude.

O café só apareceu às 8h30.

E apareceu como salvação.

Comemos rápido, quase em silêncio, naquele estado em que a fome fala mais alto que qualquer conversa. Pelo menos era bem servido, o que ajudou a recuperar o humor.

Mas o dia parecia decidido a testar a paciência.

Mais demora. Mais espera. Ninguém entendia direito o motivo. Quando finalmente saímos, já era perto das 9h30. A descida até San Pedro levou cerca de uma hora e meia.

Chegamos… e mais fila.

A aduana chilena estava tomada por micro-ônibus. Uns oito na nossa frente. E ali o processo é mais rigoroso: bagagem no raio-x, conferência detalhada, tudo feito com calma — talvez até calma demais.

Quando saímos, já eram 13h40.

Sim, aquele tipo de dia que parece escorrer pelas mãos sem você conseguir fazer nada.

O transporte nos deixou no hotel e fomos direto almoçar. Achamos um buffet “livre”… com uma pequena pegadinha. Era livre, mas quem servia era a cozinha. Ou seja: liberdade supervisionada.

Rendeu risadas.

Depois do almoço, surgiu a dúvida: termas de Puritama ou Valle de la Luna?

Eu e o Glauber queríamos água quente, descanso, corpo relaxando.
Mas fomos voto vencido.

Seguimos para o Valle de la Luna.

A primeira parada foram as cavernas de sal. Um trecho curioso, quase aventureiro, passando por dentro de formações apertadas, iluminando o caminho com lanternas e celulares. Foi divertido.

Depois vieram os pontos clássicos.

Mirantes, mina de sal, as Três Marias, o famoso “tiranossauro”… formações interessantes, mas que, depois de tudo o que já tínhamos visto na viagem, não impressionavam tanto.

Talvez fosse o cansaço. Talvez o nível da viagem estivesse alto demais.

No fim do circuito, subimos a Duna Grande para ver o pôr do sol.

Mas o dia não colaborou.

Muitas nuvens. A luz não veio como esperado. Ficou… ok. Só isso. Nada comparável ao que já tínhamos vivido dias antes.

Voltamos para San Pedro.

À noite, fomos jantar. Não lembro o nome do restaurante, mas lembro bem do prato: um ossobuco excelente, daqueles que compensam o dia inteiro.

E então veio a notícia.

O Glauber e a Érica não seguiriam viagem conosco.

Ele precisava voltar para São Paulo, resolver problemas da empresa. Coisas que não podiam esperar.

Aquela informação caiu pesada.

Mais do que companheiro de estrada, o Glauber tinha sido um parceiro de verdade. Nos momentos mais complicados — principalmente em Salta — ele esteve ali, ajudando, resolvendo, carregando junto o peso da viagem, literalmente e emocionalmente.

A viagem perdia uma parte importante naquele instante.

Ficamos mais um tempo conversando, tentando absorver aquilo. Depois, fomos dormir — mais tarde do que o planejado.

Combinamos de sair só depois do almoço no dia seguinte.

E, pela primeira vez em vários dias, o cansaço não era só físico.

Editado por Marcelo Manente

Postado
  • Autor
  • Membros

17º dia — 13/01/2016 — quarta-feira — San Pedro de Atacama → Antofagasta (Chile) — 313 km
Despedidas na poeira do deserto e o primeiro encontro com o Pacífico

Acordei sem pressa, coisa rara até ali. Café tomado, fui direto para uma missão importante: reorganizar completamente o carro.

Sem o apoio logístico da S10 do Glauber, tudo o que estava lá precisava voltar para a Toyota. Tirei absolutamente tudo de dentro. Mochilas, caixas, tralhas… aquele caos organizado de toda viagem longa.

Aos poucos, fui encaixando.

Separei as miudezas em caixas, redistribuí as malas com cuidado quase cirúrgico e deixei apenas uma mochila pequena para quem fosse atrás. No fim, parecia mágica. O porta-malas deu conta.

Ainda passei em um borracheiro para me livrar do pneu inutilizado e ficar só com o aro — menos volume, mais espaço.

Missão cumprida.

Brincamos ali com o “milagre da multiplicação do espaço”, mas no fundo era só necessidade mesmo. Pedi ainda um último favor ao Glauber: levar um galão e, depois, me mandar de volta ou trazer em alguma viagem futura.

E então veio o momento inevitável.

A despedida.

Foram 17 dias intensos dividindo estrada, problemas, risadas, soluções improvisadas e companheirismo de verdade. Quando nos separamos, senti. Não era só o fim de uma etapa da viagem — era o afastamento de alguém que já tinha virado amigo próximo.

Eles seguiram rumo ao Brasil.
Nós, rumo ao Pacífico.

Pouco mais de uma hora depois, já estávamos chegando a Calama.

No caminho, algo chamou atenção: fileiras e mais fileiras de “espelhos” no deserto. Parecia estranho à primeira vista, mas logo entendemos — uma usina de energia solar. Pouco depois, vieram dezenas de torres eólicas girando ao vento seco.

Energia brotando de um lugar onde quase nada mais vive.

Paramos em Calama para almoçar. Encontramos um restaurante simples, com cara de casa de família. Comida completa, bem servida, preço honesto. O curioso era o olhar dos donos — meio surpresos com a presença de turistas ali, como se não fosse algo tão comum.

Seguimos viagem.

O deserto naquela região é diferente. Menos fotogênico, mais bruto. Um cenário árido, quase sem vida. E foi ali que outro detalhe chamou atenção.

À beira da estrada, onde no Brasil veríamos pequenas cruzes marcando locais onde houveram acidentes mortais, ali existiam verdadeiras capelas. Algumas simples, outras elaboradas, com fotos grandes, iluminação com paibek solar, casas até com estruturas bem construídas.

Memoriais que contam histórias silenciosas.

Cada país tem seu jeito de lembrar.

No fim da tarde, chegamos a Antofagasta.

Uma cidade grande, espremida entre o mar e as montanhas, com cara de porto e ritmo próprio. Em alguns morros, casas amontoadas lembravam bastante as periferias brasileiras — um contraste que não passa despercebido.

Fomos direto para a orla.

Descemos do carro e, quase como um ritual, eu e o Edmar fomos colocar os pés no Pacífico. Água gelada, daquele tipo que acorda até pensamento esquecido.

Fiquei ali por alguns instantes, sentindo.

Depois de tantos dias de altitude, poeira e sal, chegar ao mar tinha um significado diferente.

Não tirei muitas fotos. Às vezes a gente só quer viver o momento mesmo.

A busca por hospedagem deu um pouco de trabalho, mas encontramos algo bem localizado. Um pouco mais caro que o padrão que vínhamos pagando, mas aceitável.

Ainda deu tempo de sair com o Adriano para procurar uma lavanderia. Não achamos. Em compensação, encontramos um bar.

Resolvemos o problema da forma mais prática possível.

Tomamos uma cerveja Austral, produzida lá no extremo sul do Chile, em Punta Arenas — lugar que me trouxe boas lembranças de outra viagem.

Engraçado como uma simples cerveja pode puxar memórias de tão longe.

Voltamos para o hotel.

E, sem muito alarde, encerramos mais um dia.

Editado por Marcelo Manente

Participe da conversa

Você pode postar agora e se cadastrar mais tarde. Se você tem uma conta, faça o login para postar com sua conta.

Visitante
Responder

Account

Navigation

Pesquisar

Pesquisar

Configure browser push notifications

Chrome (Android)
  1. Tap the lock icon next to the address bar.
  2. Tap Permissions → Notifications.
  3. Adjust your preference.
Chrome (Desktop)
  1. Click the padlock icon in the address bar.
  2. Select Site settings.
  3. Find Notifications and adjust your preference.