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Olá viajante!

Bora viajar?

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Depois da minha última aventura — uma jornada solitária pela Carretera Austral, no Chile — o silêncio tomou conta das férias seguintes.
Sou professor, e dezembro e janeiro sempre foram sinônimo de estrada, de mapas abertos sobre a mesa e de horizontes desconhecidos. Mas, naquele ano, não houve partida.

Foram 45 dias estranhamente vazios.
Sem poeira na lataria, sem quilômetros acumulados, sem histórias para contar. Apenas uma inquietação difícil de explicar — como se algo em mim tivesse ficado para trás, perdido em alguma curva do sul do mundo.

Antes disso, eu havia vendido minha Ranger. Um problema mecânico rondava o motor como uma ameaça silenciosa, e preferi não arriscar. No lugar dela, em outubro, chegou uma nova companheira: uma Toyota Hilux SW4 4Runner 2.7 a gasolina.
Revisão feita, pneus trocados — cinco mil reais depois —, ela parecia pronta para qualquer destino. Ou quase.

Naquelas férias, tentei de tudo para não viajar sozinho. Convites, mensagens, planos que nunca saíam do papel. Ninguém podia, ninguém confirmava.
Na época, aquilo me frustrou.

Hoje eu sei: foi um livramento.

Cerca de um mês depois, como se obedecesse a um roteiro já escrito, o motor da Toyota queimou a junta do cabeçote — sem aviso, sem superaquecimento, sem explicação clara.
Veio o conserto, vieram os gastos, e junto deles a certeza de que aquela viagem, se tivesse acontecido, poderia ter terminado de forma bem diferente.

Meses depois, em julho, resolvi tentar novamente. Publiquei um anúncio em um grupo de professores do Paraná, buscando companhia para a estrada. Muitos demonstraram interesse, mas, como acontece com frequência, poucos realmente estavam dispostos a ir.

Dessa vez, porém, bastou um “sim”.

A professora Beatriz Goes, de Ponta Grossa, topou a ideia — e não veio sozinha. Trouxe consigo o colega Edmar Lucas. Aos poucos, o que antes era apenas uma vontade começou a ganhar forma.

Mas estrada boa sempre cobra pedágio.

Em outubro, a Toyota voltou a dar sinais de fraqueza. Mais uma vez, a junta do cabeçote.
Dessa vez, não hesitei: investi pesado. Refiz o que era necessário — e o que não era também. Embreagem nova, radiador revisado, sistema limpo. Dinheiro escorrendo como areia entre os dedos, mas com um único objetivo: confiança.

Até o fim do ano, eu havia praticamente zerado o carro. Ou, pelo menos, tudo aquilo que podia me deixar na mão no meio do nada.

Ainda faltava gente.

Foi então que, em outubro, publiquei outro anúncio, agora no Mochileiros. Em novembro, apareceu Adriano Lizieiro, direto de Santos. Mais um “sim” que fez toda a diferença.

E, como se o universo finalmente tivesse decidido colaborar, o grupo cresceu mais um pouco: Glauber e Érica, a bordo de uma Chevrolet S-10 a gasolina, juntaram-se a nós.

Duas viaturas.
Mais segurança.
Mais histórias prestes a acontecer.

E, como eu descobriria mais adiante, essa decisão faria toda a diferença quando a estrada resolvesse, mais uma vez, me testar. 

Saímos no dia 28/12/2015. Segue o relato.

Editado por Marcelo Manente

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19 horas atrás, Marcelo Manente disse:

Colega, relendo o relato hoje vi que na viagem que fiz ao Peru, na volta dormi no hotel  Killari que vc tinha falado. Nem me lembrava que vc tinha recomendado. Alias gostei do hotel.

Um abraço. 

Lugarzinho show viu, o hotel é simples mas nos atendeu bem. Estava (ou estou) com planos para o Peru em outubro, mas agora sei não... Acho que só ano que vem.😪

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4 horas atrás, MARCELO.RV disse:

Lugarzinho show viu, o hotel é simples mas nos atendeu bem. Estava (ou estou) com planos para o Peru em outubro, mas agora sei não... Acho que só ano que vem.😪

Eu estava com planos de fazer uma viagem pelo interior de Minas e na Chapada Diamantina, porém acho que este ano vou no máximo até as serras gauchas.

 

 

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Em 17/08/2016 em 10:54, Marcelo Manente disse:

 

Fala Xara,

 

Fui até olhar no mapa essa cidade q vc falou, não me lembrava.

Passamos por essa cidade no dia seguinte e tomamos a estrada para a esquerda nesse ponto.

 

Abç.

Em 15/08/2016 em 18:01, Marcelo Manente disse:

5º dia — 01/01/2016 — sexta-feira — Antofagasta de la Sierra → Tolar Grande — 235 km
Altitude extrema, imprevistos e um céu que parece não ter fim

Depois da virada de ano, o despertar veio no ritmo esperado: lento. Acordamos por volta das 8h30, ainda carregando o cansaço do dia anterior. Entre café, organização e aquele vai-e-volta de arrumar o carro, o tempo escorreu sem pressa — quando percebemos, já era quase meio-dia.

O plano era seguir até o Salar de Antofalla.

Mas a estrada, mais uma vez, resolveu testar nossos planos.

Ainda no caminho, sem qualquer aviso, a Toyota simplesmente apagou. Um silêncio seco no motor, tentativas frustradas de partida, e aquela sensação incômoda de estar longe demais para ter problemas.

Abri o capô, retirei o distribuidor e fiz uma limpeza ali mesmo. Zinabre removido, peças no lugar novamente — e, como se obedecesse a algum capricho invisível, o carro voltou a funcionar normalmente.

Mas a confiança já não era a mesma.

Sem discutir muito, tomamos a decisão mais sensata: abortar Antofalla. Em lugares assim, insistir pode custar caro.

Seguimos então direto para Tolar Grande.

O caminho nos levou a altitudes que nunca havíamos enfrentado antes. Subimos até 4.434 metros acima do nível do mar — e ali tudo muda. O ar fica mais leve, o corpo mais pesado, e a paisagem… cada vez mais grandiosa.

Era um desfile constante de cenários impressionantes.

Chegamos a Salar Pocitos já no fim da tarde. Dali, restavam cerca de 86 quilômetros — e foi justamente nesse trecho que a viagem nos surpreendeu de verdade.

Entramos na estrada sem grandes expectativas… e logo percebemos o erro.

O caminho era simplesmente deslumbrante. Curvas suaves, morros ondulados, montanhas em tons avermelhados intensos, esculpidas em formas quase irreais. Um cenário que parecia pintado à mão, mudando a cada quilômetro.

Passamos pelo Salar del Diablo, pelo Desierto del Diablo — nomes fortes, mas absolutamente coerentes com a paisagem ao redor.

E então, no fim da tarde, paramos.

O sol descia lentamente atrás das montanhas dos Andes, tingindo tudo de dourado, laranja e vermelho. Ficamos ali, em silêncio, apenas assistindo.
Um daqueles momentos raros, em que o tempo parece desacelerar só para que a gente consiga sentir.

Seguimos viagem e chegamos a Tolar Grande já ao anoitecer. Pequena, isolada, quase esquecida no mapa. Encontramos hospedagem na simples e acolhedora São Cayetano.

Ali conhecemos Teófila a dona da pousada.

Com seu jeito carinhoso e uma conversa fácil, ela nos recebeu como se já nos conhecesse. Preparamos nosso próprio jantar e, entre histórias e risadas, ela foi compartilhando um pouco da vida naquele lugar tão distante de tudo. Foi um daqueles encontros que ficam.

Mas o dia ainda não tinha terminado. Queriamos ver as estrelas.

Saímos de carro por alguns quilômetros, buscando fugir da pouca luz da cidade. Paramos, descemos… e olhamos para cima.

O céu era de uma nitidez impressionante. Um manto de estrelas, denso, profundo, quase palpável. Ficamos ali por cerca de meia hora, em silêncio, absorvendo aquela imensidão.

O vento era gelado, cortante, daqueles que atravessam a roupa sem pedir licença.
Mas ninguém se importava.

Depois desse encontro com o infinito, voltamos para a pousada.

E dormimos profundamente.

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olá, estamos querendo fazer este mesmo roteiro, mas, colocar chile e tirar o Uruguai. Quanto à segurança, como é? Precisa de carteira de vacinação? Vamos de carro, tambem.

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Em 21/04/2026 em 20:21, Bettazza disse:

olá, estamos querendo fazer este mesmo roteiro, mas, colocar chile e tirar o Uruguai. Quanto à segurança, como é? Precisa de carteira de vacinação? Vamos de carro, tambem.

Olá,

Na Argentina principalmente no interior a segurança sempre foi boa, menos em cidade mega turisticas como Mendoza e BAriloche.Em Buenos Aires só sei o que ouço falar, dizem que é um pouco complicado por lá.

No Chile em cidades grandes e atrações turisticas deve-se ter muito cuidado. De preferencia para estacionamentos pagos e vá de taxi para as atrações. Tem muitos realtos de arrombamentos de carro em mercados. Também tem muitos relatos de roubos em Santiago, Calama e cidades grandes em geral. Se for levar dinheiro em espécie nunca deixe no carro em estacionamentos de rua. Muito cuidado também se levar notebook, drone e celular caro.

Não precisa de carteira de vacinação. Tem que fazer o seguro carta verde para a Argentina e o SOAPEX para o Chile. O Soapex faz pela internet no site da seguradora HDI.

Itens obrigatórios no carro: colete reflexivo (para usar quando precisar trocar o pneu a noite), extintor dentro da validade, 2 triângulos, caixinha de 1os socorros (não sei se esse é obrigatório, mas considero ser bom sempre ter em grandes viagens).

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