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jacobrazil_II

60 Dias a Pé Pelo Litoral Brasileiro

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Nossaaaaa!!! .não consegui parar enquanto não li todo relato!! Acredito q isso foi um resumão....imagino como deve ter sido todo a viagem!! Obrigado ::cool:::'> por dividir esta experiencia impar..... ::otemo:: foi muito bem descritivo e a medida que lia e com a ajuda das fotos, pude "ver" todo o trajeto , pois já conheci (como turista) alguns dos lugares ::love:: por onde passou e foi como se estivesse junto com vc...mas só assistindo seus perrengues e torcendo para que tudo desse certo!! Abraços Isabel

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Nossaaaaa!!! .não consegui parar enquanto não li todo relato!! Acredito q isso foi um resumão....imagino como deve ter sido todo a viagem!! Obrigado ::cool:::'> por dividir esta experiencia impar..... ::otemo:: foi muito bem descritivo e a medida que lia e com a ajuda das fotos, pude "ver" todo o trajeto , pois já conheci (como turista) alguns dos lugares ::love:: por onde passou e foi como se estivesse junto com vc...mas só assistindo seus perrengues e torcendo para que tudo desse certo!! Abraços Isabel

 

islamorena, foi um resumão mesmo pois não sou tão bom em relatar minhas caminhadas. Tentei descrever os cenários e expor os fatos mais relevantes da melhor maneira possível para que algum interessado possa aproveitar as informações assim como eu aproveitei de outros relatos. Que bom que gostou e parabéns pela paciência de ler tudo rsrs

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Gostei muito do seu relato. Andei por um pequeno pedaço desse, mas não a pé como vc, rs. Entre Barreira do Boqueirão e Maragogi vc se lembra de Japaratinga? Estive lá a muitos anos em uma viagem pela costa do PE e AL e fiquei apaixonada pela praia na época... prometi morar um ano lá quando me aposentasse. Era uma praia bem calma, não tinha quase ninguém quando estive, por isso gostei tanto.

 

E vc conseguiu recuperar seu celular? Pois como se virava com o google earth?? E cara, vc não teve nenhuma diarréia?? Incrível, kkkkkk... vc teve muita sorte!!!

 

Um dia quero fazer uma caminhada assim... mas por enquanto estou limitada aos meus 30 dias de férias. :)

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Gostei muito do seu relato. Andei por um pequeno pedaço desse, mas não a pé como vc, rs. Entre Barreira do Boqueirão e Maragogi vc se lembra de Japaratinga? Estive lá a muitos anos em uma viagem pela costa do PE e AL e fiquei apaixonada pela praia na época... prometi morar um ano lá quando me aposentasse. Era uma praia bem calma, não tinha quase ninguém quando estive, por isso gostei tanto.

 

E vc conseguiu recuperar seu celular? Pois como se virava com o google earth?? E cara, vc não teve nenhuma diarréia?? Incrível, kkkkkk... vc teve muita sorte!!!

 

Um dia quero fazer uma caminhada assim... mas por enquanto estou limitada aos meus 30 dias de férias. :)

 

 

O litoral alagoano pra mim foi o mais bonito de todos, gostei tanto que voltei depois lá depois da caminhada, inclusive em Japaratinga. Com mais tempo andaria por lá com mais calma por umas 2 semanas.

O celular que citei pifou, em Salvador arrumei outro que durou até João Pessoa.

Só usei o googleEarth em casa antes de partir pra fazer as anotações, depois usei uma lan house pra completar anotações que ainda não tinha entre PB e RN.

Em relação a diarréia eu comia sempre uns PFs bem simples, ficava com medo pela quantidade de água de coco que bebia, mas não me lembro ter passado por algo fora do normal rsrs. To pronto pra outra rs

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Salve!

 

Incrível essa sua pernada, simples, objetiva e intensa, sem dúvida. Parabéns pela pernada e pelo relato!

Fiz bastante este tipo de coisa: sair de um ponto a outro da costa andando, mas sempre em escala bem menor que você fez nesta empreitada. 60 dias não é para qualquer um, não só pelo tempo mas aguentar a jornada.

 

Abraço!

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Muito foda a experiência e o relato!

O mais foda ainda é fazer uma caminhada desse naipe com havaianas. E a gente quebrando o pau no fórum de botas.

PS: enjoei de água de coco só de ler o relato...

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islamorena, foi um resumão mesmo pois não sou tão bom em relatar minhas caminhadas. Tentei descrever os cenários e expor os fatos mais relevantes da melhor maneira possível para que algum interessado possa aproveitar as informações assim como eu aproveitei de outros relatos. Que bom que gostou e parabéns pela paciência de ler tudo rsrs

 

 

hahaha...imagine se vc fosse bom em relatar, hein ::lol3:: ???Foi um relato bem minucioso....mas não cansativo!! obrigado vc por dividir conosco!!! alguma novidade depois disso??rsrs

abraço

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hahaha...imagine se vc fosse bom em relatar, hein ::lol3:: ???Foi um relato bem minucioso....mas não cansativo!! obrigado vc por dividir conosco!!! alguma novidade depois disso??rsrs

abraço

 

Novidade nenhuma. Eu planejava voltar nas férias 2016/2017 mas comecei a trabalhar em outubro/2016. Estou só aguardando uma nova oportunidade. rs

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    • Por gmussiluz
      Bom, já estava há um tempo querendo fazer uma trip desse tipo. Meu primeiro plano era fazer no litoral norte de Salvador, que foi reforçado mais ainda quando vi aqui no Mochileiros o relato do Jorge Soto, de Arembepe a Mangue Seco a pé (http://www.mochileiros.com/de-arembepe-a-mangue-seco-se-a-pe-t11941.html).
      O objetivo primário era de fazer uma trip de praia, em local que ainda não conhecia (ou não conhecia direito), a pé e com baixo custo. Mas pra quem nunca fez uma travessia longa de vários dias, é se aventurar demais querer fazer com equipamento, sem conhecimento do local e "às pressas", sendo melhor então fazer um trecho mais curto para conhecimento dos limites, analisar pontos a melhorar em questão de equipamento, organização e etc. Então, analisando o longo litoral da Bahia (maior do Brasil, diga-se de passagem), resolvi com minha então namorada fazer o trecho de Itacaré a Barra Grande, que é mais curto e daria pra fazer no tempo que tínhamos disponível. Pelo Google Maps/Earth, dá aproximadamente 46Km, mas lá ouvimos dizer de até 60Km.
       

      ORGANIZAÇÃO
      Moro em Salvador e estava de férias. Após 1 semana em Ilhéus na casa de parentes, partiríamos para Itacaré e seguiríamos viagem. Importante ressaltar que essa semana em Ilhéus foi determinante para redução do trecho percorrido, já que estávamos com roupas e itens para mais tempo na mochila, e não apenas o essencial para o percurso da trip. Entretanto, foi ponto importante para analisar que, em uma distância maior, onde teríamos mais coisas e consequentemente poderíamos estar com peso igual, deveríamos estar mais preparados, bem como se tivéssemos ido apenas para fazer a trip, estaríamos com menos peso e provavelmente teríamos completado o objetivo sem problema. Ambos estávamos com cargueiras de 40L: eu com aproximadamente 12Kg e ela com aproximadamente 8Kg. O tempo pretendido era de 2 dias de viagem, pernoitando na praia. Importante que, para caminhada em praia, tem que ter conhecimento da maré, do contrário, por falta de planejamento pode pegar uma maré cheia para caminhar e terá que ir pela areia fofa, obrigando a parar ou dobrar o esforço de caminhada e, assim, dificultando o percurso.
       
      1º DIA
      Saindo de Ilhéus, pegamos um ônibus para Itacaré logo de manhã cedo, ele passa de hora em hora e para em pontos ao longo da estrada, demorando aproximadamente 1h50 pra chegar em Itacaré. (Se conseguir uma carona, ótimo, já que de carro até lá leva cerca de 50min.)
      Ao chegar em Itacaré, já havia falado previamente com um amigo que mora lá para contatar um barqueiro para a travessia do Rio de Contas, que é o que separa Itacaré da Península de Maraú, onde fica situada Barra Grande. Encontrei meu amigo rapidamente só para confirmar o barqueiro, depois fizemos compras de água e alimentos num mercadinho e seguimos para a Praia da Concha, onde o barqueiro, com um daqueles barcos de alumínio a motor, já estava nos esperando (haviam outros barqueiros na praia, que ficam lá para fazer passeios turísticos rio acima e que com certeza fariam a travessia também, mas como eu ainda não sabia, preferi esse contato com o meu amigo). A travessia é bem rápida, são aproximadamente 100m e em menos de 5min se chega ao outro lado. Descemos, fizemos um rápido preparo, e demos início à caminhada às 10h40. (ao descer do barco, o barqueiro perguntou para onde iríamos daquele jeito. Quando falamos “Barra Grande”, ele arregalou os olhos e deu um sorriso, como quem diz “pirou” hahaha. Dessas coisas que quem viaja com mochila nas costas já está acostumado).
      Nesse ponto, ainda se vê pessoas por ali. Vez ou outra, algumas pessoas atravessam para surfar do outro lado do rio (Itacaré é um dos locais mais conhecidos do Brasil para a prática de surf) ou para ficar numa praia menos frequentada, já que do outro lado não tem povoamento nem acesso fácil e em 10min. de caminhada já não se vê ninguém.
       


      Com 1h20 de caminhada, paramos em frente a Piracanga, onde fizemos uma parada de 20min. para hidratar e comemos barra de cereal. Piracanga é uma “ecovila e centro holístico de cursos e terapias” que oferece cursos e retiros, basicamente um lugar pra “ficar de boa” e foi onde vimos apenas um casal na areia, que nos cumprimentou quando reiniciamos a caminhada. Ainda na frente de Piracanga, tem um pequeno rio, que passamos sem problema com a água não chegando nem na cintura. Não conheço o rio, mas a maré estava bem seca e possivelmente na maré cheia e dependendo da estação, pode ser que tenha que segurar a mochila acima da cabeça para atravessar.
      Desse ponto em diante, não há muita novidade: areia, coqueiral e água salgada, sem NENHUMA pessoa durante o percurso, nem sinal (apesar de o visual ser sempre “mais do mesmo”, é algo que não consigo descrever, porque ficamos deslumbrados o tempo todo, a cada passo ficávamos olhando para o que vinha à frente sempre achando cada vez mais bonito e paradisíaco). Mais 1h50, atravessamos mais um pequeno rio que também não tinha profundidade para se preocupar em molhar as mochilas, mas deixo aqui a mesma observação de antes: é bom atentar para a maré e estação do ano que, se for chuvosa, pode resultar num nível maior do rio. Logo após esse rio, fizemos mais uma parada para beber água e comer algo. Nesse local também não víamos nenhum sinal de habitação, mas um pouco acima da restinga parecia ter um rastro de quadriciclo, transporte bem comum naquela área. Dessa vez ficamos um pouco mais(30min.), porque ela já estava sentindo bastante dor no joelho e cansaço.

      Recomeçamos e percebemos que a maré já estava mais cheia. Além disso, nesse trecho a areia era mais fofa e a inclinação da praia era maior, e além de andar com os pés meio tortos, acaba havendo uma sobrecarga no joelho (nesse caso, o direito) e a gente vai ficando meio “descompensado” =S. A partir daí, as reclamações do joelho e cansaço foram aumentando e já comecei a procurar um local para pararmos e armar acampamento, quando, com aproximadamente 40min. de caminhada, paramos.
      Dei uma olhada no perímetro, tinha uma casa relativamente simples a uns 200m sem sinal de gente nela, além de um tipo de estradinha de areia em direção ao continente a uns 50m de onde estávamos e, claro, coqueiros por toda parte. Achei dois coqueiros baixos e consegui tirar mais de 10 cocos, aproveitando para reabastecer as garrafas que estavam vazias (aproximadamente 3L de água de coco!). Após isso, montamos a barraca, organizamos as coisas e tomamos banho (de mar hahahaha). Depois, foi só jantar (2 latas de atum com acompanhamento de bananas, puro luxo) e praticamente desmaiamos perto das 18h, contemplando um céu absurdamente estrelado, sem sinal de nuvens nem no horizonte.

      Como o quarto da barraca é quase totalmente telada (Azteq Nepal) e o céu estava muito limpo sem sinal nenhum de nuvens vindo, deixei a barraca sem o sobre-teto -mesmo sabendo, tendo experiência de chuva surpresa e claro, já tendo lido muita coisa- o que nos fez acordar com um belo banho de chuva às 22h. A chuva veio sem aviso, forte e pesada! Acordamos naquela agonia para pegar lanterna, abrir o sobre-teto que estava totalmente dobrado dentro da barraca e conseguir achar os pontos certos para fixar – tarefa de nível ultra hard. Provavelmente está pensando: “Mas já não sabe do risco de uma chuva surpresa?”, “Sobre-teto sempre!”, e etc., mas o céu estava tentador demais e serviu de experiência hahahaha. Nunca mais armo sem sobre-teto. Resultado: algumas coisas molhadas, outras encharcadas, frio e aprendizado! Afinal, temos que aprender com os erros (ou negligências) também. Depois de “rearrumar” tudo e secar um pouco algumas coisas, voltamos a dormir.
       
      2º DIA
      Acordamos às 5h. Assistimos o Sol nascer, café da manhã, arrumação, passar pano na barraca, curtir a praia um pouco e enquanto isso dando um tempo pro Sol subir mais e poder secar mais as coisas. Nesse tempo, passou um pescador empurrando a bicicleta e perguntei a ele se sabia quantos km faltavam para Barra Grande, que ele me respondeu “não sei direito não, mas está longe!” (depois descobrimos que, nesse ponto, estávamos mais ou menos próximos de Maraú. Provavelmente ele veio de lá).

      Reiniciamos às 9h e caminhamos por 3h30 até ela sentir o joelho e pararmos. Onde estávamos, não havia condições de parar, não tinha nada, então sugeri andarmos mais um pouco até onde tivesse alguma coisa. Estávamos nos aproximando de Algodões, e quanto mais perto, mais víamos casas de praia enormes e já com a “cara da riqueza” e$tampada nas fachadas, além de começarmos a ver algumas pessoas: algumas vezes caseiros, outras vezes pessoas trabalhando, e também pessoas passeando de quadriciclo na areia. Perguntamos a alguns trabalhadores quantos km faltavam até Barra Grande e ele sem muita certeza nos disse “uns 30” e foi quando “nós” (ela hahaha) decidimos parar. Desistimos e fomos perguntar a umas pessoas num bar onde poderíamos pegar ônibus para Barra Grande, e fomos informados que passaria um em 20min., logo ali perto. Fomos caminhando num Sol escaldante e, quando perguntamos a um cara de bicicleta o local do ponto de ônibus, ele disse que era ali, que o ônibus já tinha passado, mas que “sempre passa carro e logo vocês arranjam carona”. Fomos para o ponto e esperamos. Após 3 carros cheios, em menos de 10min. passou um cara sozinho num L200 e parou pra nos dar carona até Barra Grande, marcando o fim da nossa trip.

       
      O QUE APRENDEMOS NESSA VIAGEM?
      -É muito ruim fazer uma trip dessa com mala de 1 semana anterior em algum lugar. Se for pra fazer a trip, que seja uma viagem exclusiva pra ela, pra não ter que carregar coisas desnecessárias.
      -Vimos que ainda existe muitos lugares vazios e paradisíacos só esperando pela oportunidade e visita de quem estiver disposto.
      -Sobre-teto sempre! Mesmo no céu estrelado (hahaha).
      -É muito importante se concentrar no seu corpo e em seus limites, se respeitar, respeitar seu próprio tempo e o do outro, caso vá acompanhado.
      -Os nossos limites podem ser bem menores ou maiores do que imaginamos.
      -Independente do cansaço é bom olhar tudo mais de uma vez, pra não esquecer.
       
      EQUIPAMENTOS USADOS:
      -Curtlo Highlander 35+5L
      -Quechua Forclaz 50L
      -Azteq Nepal 2
       
      ATUALIZAÇÃO:
      Em dezembro de 2018 fiz uma travessia de Itacaré a Moreré, trecho que contempla o citado neste relato, segue link:
      Travessia Itacaré - Moreré (BA), a pé
    • Por jacobrazil_II
      Dando continuidade à minha primeira caminhada (https://www.mochileiros.com/topic/55152-60-dias-a-pé-pelo-litoral-brasileiro/), me vi na mesma situação que a anterior (saí do emprego + férias da faculdade) e não pensei duas vezes antes de continuar de onde tinha parado. Parti em dezembro até a Paraíba, passei uns dias e logo depois do natal, fui pro Rio Grande do Norte onde dei continuidade de onde tinha parado.
       
      1º DIA
      26.12.2018, chegando na rodoviária da calorenta e ensolarada Natal, almocei bem baratinho por 8$ e peguei um coletivo com destino a Praia da Redinha. Chegando lá comprei água e uns lanches e parti pro mar pra dar uns mergulhos. Dessa praia temos uma bela vista da ponte Newton Navarro e de toda Capital potiguar, a água é verdinha e com aquela temperatura característica nordestina. Olhando a frente também é possível avistar o final da praia que já marca o início de Genipabu. Parti por volta das 15h com a maré baixinha e com trecho não muito vazio, com bastante casas. Rapidamente cheguei em Genipabu que é verdadeiro cartão postal, com dunas, maré baixa, algumas pedras e turistas por todo canto, hora de buggy hora de dromedário. Parti pra água pra dar mais uns mergulhos no mar calmo e depois subi a duna pra conhecer, esperei o sol se pôr e armei a rede no meio de uma moita. A noite foi sofrível com muito vento e com a falta de costume de dormir em rede e preparar comida nessas condições. Andei uns 8km.
      Genipabu-RN:
       
      2º DIA
      Pra minha sorte a noite não choveu e assim que clareou levantei, comi alguma besteira e desci a duna pra começar a andança. Logo nos coqueiros dos restaurantes ao lado da duna consegui 2 cocos, os primeiros dessa viagem. Segui calmamente deixando Genipabu pra trás e uns 40 minutos depois surge a primeira barra pra atravessar, a do Rio Ceará-Mirim, que atravessei com água na cintura. Logo a frente próximo a Pitangui parei em umas das inúmeras casas abandonadas/vazias ou sei lá o que, e armei minha rede pra dar uma descansada. Minha ideia foi começar caminhando bem pouco pra tentar evitar as bolhas (funcionou!). Com as coxas assadas e os pés ardendo um pouco dei uma boa descansada (leia-se cochilada), enquanto os buggys passavam pra lá e pra cá. A orla de Pitangui é ligeiramente mais humilde, almocei um PF no restaurante da Maria por 10$ e segui, peguei mais 2 cocos antes de passar por uma lagoa com barracas vazias as margens da praia. Genipabu estava sempre a vista quando olhava pra trás, mais um pouco de caminhada vem Jacumã e mais belas praias surgem, um pouco mais a frente quase colado vem Muriú, cheguei já escurecendo e não achei um bom canto pra dormir, acabei armando a rede num quintal de uma casa que parecia vazia, ainda sem ritmo nenhum, apenas lanchei antes de dormir. Caminhei uns 18km.
      Sentido Jacumã-RN:
       
      3º DIA
      Levantei cedinho e fui até a rua principal comprar meu café, depois de comer e chupar uns cajus que achei no caminho, parti na maré baixa e com mar agitado. Depois que acabam as casas vem uns 3km sem nada além de uma coqueiral bem ralo e uma faixa de areia bem extensa, ao fim da praia vem umas pedras e a barra do Rio Maxaranguape, que atravessei com água na coxa, do outro lado peguei a sombra de um quiosque vazio e descansei até o almoço. Única movimentação eram de poucas famílias se banhando no rio e pescadores trabalhando em seus barcos atracados. Almocei no mercado central por 10$ e voltei a descansar na orla que não tem nada de luxuosa. Da minha rede já conseguia avistar mais a frente a Árvore do Amor e o Farol de São Roque. Parti umas 15:30 com sol mais ameno e maré baixando, a esquerda a areia forma quase uma pequena falésia que esconde as casas por trás dela, uma dessas casas estava vazia e foi na varanda dela que armei minha rede pra dormir, antes ainda dei uma boa mergulhada, o dia foi bem tranquilo caminhando apenas uns 9km pra compensar o dia anterior.
      Sentido Maxaranguape-RN:
       
      4º DIA
      No primeiro claro já levantei, comi e parti. Ao fim da praia vem uma falésia mais consistente e algumas pedras na areia, na praia seguinte a uns 200m vem a Árvore do Amor, que são duas gameleiras, árvore típica de lá, que parecem estar se abraçando. 300m depois vem o Farol de São Roque, que representa o ponto brasileiro mais próximo do continente africano. Ao fim da praia vem mais pedras e sempre um velho conhecido das praias, o lixo. Na praia seguinte já dá pra avistar a Praia de Caraúbas e mais distante Maracajaú. A caminhada segue tranquila com areia firme e maré baixa, as praias seguintes são muito bonitas, sempre com pedras, falésias e um formato bem curvado. Parei rapidamente em Caraúbas pra um lanche e continuei andando, um pouco a frente vem a Lagoa Peracabu, com muitas barracas e as típicas redes na água, que daqui pra frente são bem comuns. O trânsito de quadricículos e buggys é frenético entre a lagoa e Maracajaú. Ao final da praia surge um visual incrível com águas claríssimas e uma pequena lagoa formada pela maré. Cheguei em Maracajaú com a maré subindo e areia um pouco fofa, sem muita opção pra almoçar, acabei comendo um peixe por 18$ no restaurante Tereza Pança e descansei por lá o resto da tarde, alternando banhos de mar e chuveiro. Maracajaú não é muito grande, mas o que chamou mesmo atenção foi uma iguana gigante que circulava tranquilamente entre os moradores pela rua. Ao final das casas, encontrei uma abandonada parcialmente engolida pela areia e armei por lá minha rede, ainda consegui 3 cocos no coqueiral que tinha nos fundos, jantei e dormi muito bem aquela noite. Andei uns 14km.
      Maracajaú-RN:
       
      5º DIA
      Saí cedo e comecei a andar aproveitando a sombra de uma imensa nuvem, mais a frente tem mais casas abandonadas boa pra um pernoite. A nuvem não durou muito e logo o sol brotou, com a maré ainda muito boa pra andar rapidamente alcançei o fim da praia, depois vem um retão de praia que ao final tem algumas pedras e uma bela vista do percurso que tem pela frente, daqui dá pra ver também a primeira grande sequência de parque eólico, que é bastante comum dali pra frente. A primeira praia é bem curvada, com bastante pescador puxando rede, depois de uma duna mediana começa Pititinga, descansei um pouco por lá e segui. Ao fim das casas, tem uma lagoa com algumas barracas, ainda vazia pelo horário, e uns coqueiros baixos espalhados, peguei 4 cocos e dei mais uma descansada. A praia dali pra frente é uma reta bem deserta, 3km a frente vem o Rio Tatu que tava bem rasinho sem problemas pra passar, um pouco mais a frente vem Zumbi, que já estava no clima de réveillon com suas ruas desordenadas. Almocei um frango na brasa com o melhor suco de graviola da viagem por 12$, depois fui mergulhar e descansar na praia que tinha muito quadricículo e a água com uma cor impecável. No fim da tarde fui até o final das casas e achei uma abandonada onde armei minha rede na varanda. O vento foi insano a noite toda e não consegui dormir muito bem, caminhei uns 13km nesse dia.
      Zumbi-RN:
       
      6º DIA
      Pra compensar a noite mal dormida levantei um pouco mais tarde e a praia já tinha banhista caminhando. Amanheceu um pouco nublado, o que sempre ajuda na hora da caminhada, ainda na maré baixa logo cheguei no fim da praia onde tem muitas pedras e falésias, esse cenário segue praticamente até Rio do Fogo sempre com alguns catadores de marisco nas pedras. Faltando uns 2km pra chegar no centro um bugueiro me ofereceu uma carona até a cidade que gentilmente recusei, preferi ficar descansando embaixo de uma boa sombra de frente pro mar. Rio do Fogo tava com um trânsito insuportável de fim de ano, almocei um peixe num restaurante pela praia enquanto me molhava no mar e no chuveiro. Saí no fim da tarde com a maré alta, tive que ir descalço pra facilitar, peguei 2 cocos numa pequena duna antes de chegar em uma pequena vila, se não me engano se chama Perobinha de Touros. Mais à frente vem um hotel luxuoso com seguranças devidamente armados que me observavam enquanto andava. Mais pra frente achei 2 barracas de pescador onde armei a rede, porém devido aos fortes ventos, acabei inaugurando a barraca e dormindo nela, e foi como eu temia, muito abafado e quente. Realmente calor e corpo salgado não combinam com barraca de camping. Andei uns 10km.
      Sentido Rio do Fogo-RN:
       
      7º DIA
      Acordei as 5h e me arrumei logo pra sair, a areia já estava bem durinha e a maré baixando. Caminhada bem tranquila e depois que passa por um imenso hotel em construção vem Carnaubinha, que é um lugar bem pequeno com a orla repleta de casas alugadas, algumas ainda em festa pela virada do ano. Quase colado em Carnaubinha vem Touros, que é bem maior e estava com a praia lotada do pessoal que passou a virada do ano ali. Fui até o centro comprar pão e estava saindo uma procissão da igreja, muita gente indo embora da festa e mais gente ainda já chegando pra aproveitar o feriado, achei uma sombra onde comi e descansei até o almoço. Almocei um frango na brasa por 10$ e vazei dali por volta das 14h, a praia entupida de gente me fazia lembrar Copacabana em dia de feriado, deixei toda a muvuca e lixo pra trás e segui andando embaixo do sol escaldante na maré alta, falei comigo mesmo que nunca mais andaria na maré daquele jeito. Apesar do trecho deserto sempre surgia alguma família pelo caminho, definitivamente era o dia mundial de ir à praia. Ao final da praia tem o Farol do Calcanhar, que tem esse nome por estar posicionado no “esquina” do Brasil, com 62m é o segundo maior farol de concreto do país e um dos maiores do mundo desse tipo, a partir daqui a caminhada deixa de seguir pro norte e passa a ser pro oeste. Logo a frente vem um restaurante e depois vem o marco do km0 da BR-101, chupei muito caju enquanto tirava foto das placas. Armei a rede numa espécie de coreto de um casarão abandonado onde assisti de camarote a lua cheia surgindo de dentro do mar. Dormi muito bem depois de andar 14km e compensei a noite mal dormida do dia anterior.
      km 0 BR-101-RN
       
      8º DIA
      Acordei com o sol nascendo mas antes de sair ainda peguei 6 cajus pra completar o café e saí sem pressa esperando a maré melhorar. Uns 15 minutos dali tem um lugar chamado Cajueiro, que ainda estava amanhecendo, passei direto e uns 40 minutos depois vem uma bela praia que parece um lugarejo, mas é só uma praia de pescador, todas as cabanas existentes são pra guardar o material de pesca deles. Daqui pra frente começa um climão de deserto com solo mais avermelhado e com dunas realçam o cenário. Ao fim dessa praia começa uma sequência de falésias e pedras que só dá pra passar na maré baixa. Quando cheguei em São José uma família colombiana me ofereceu carona e aceitei, fui de carona de buggy até São Miguel do Gostoso, onde descansei numa sombra até a hora do almoço. São Miguel estava na ressaca do réveillon, na praia ainda estavam desmontando as estruturas da festa. A praia tem uma faixa de areia enorme, e na orla tem um banheiro público onde tomei uma bela ducha. Consegui almoçar por 12$ mas no geral lá é um lugar caro repleto de pousadas e restaurantes chiques. Deixei o local com o sol cozinhando e areia já ficando fofa. Ao chegar em um coqueiral baixinho bebi um coco e quando fui abri-lo arrebentei o dedo, pude então entender porque algumas pessoas chamam cortes feios de buceta. Mais a diante começa uma sequência de pedras diferente, elas se posicionam bem onde as ondas quebram te dando apenas duas opções: andar por cima delas ou por fora na areia fofa, elas se estendem por 1,5km. Mais à frente tem mais alguns coqueiros baixos, não me rendi e mesmo com o dedo arrebentado e com minha faca já quebrada, ainda bebi 3. Ao final vem a Praia de Tourinhos, pequena, bem curvada com água clarinha e muito mais bela que a vizinha famosa São Miguel, praia cheia e com algumas barracas, armei minha rede em um quiosque fechado. Nesse dia me desloquei 23km, sendo 8km de carona e 15km andados.
      Praia de Tourinhos-RN
       
      9º DIA
      A noite foi bem clara com lua cheia e dormi muito bem, acordei cedo mas fiquei dando um tempo pra maré baixar, enquanto isso observava os turistas. Eles chegam tiram fotos, armam tripé, correm pra tirar uma foto sentado na areia como se tivessem contemplando o mar e voltam correndo pra ver como ficou a foto, porém não ficam sequer 10 segundos contemplando o mar de fato, ou então tiram fotos fazendo poses de yoga... não aguentei ficar assistindo aquilo e vazei dali. A 500m dali tem o Suspiro da Baleia, uma pedra que quando a onda bate jorra água pra cima como uma baleia, passei na maré inadequada e não vi nada acontecer. Essa primeira praia toda segue com a estradinha paralela, ao final dela começa um enorme parque eólico. Duas belas praias a frente vem uma pequena vilinha só com cabana de pescador, um pouco adiante mais uma sequência de pedras, que eu já tava aprendendo a andar sobre elas, com bastante cuidado, elas se estendem até a Praia do Marco. Tava difícil a caminhada pois foi a primeira manhã sem vento, mas por volta das 8h cheguei na Praia do Marco, uma belíssima praia de aguas claras e calmas, com algumas dunas e praticamente sem turismo. Aqui tem o primeiro marco do Brasil, e alguns estudiosos ainda defendem que o Brasil foi descoberto por lá, polêmicas à parte, descansei num restaurante até o almoço e comi um peixe cozido por 12$. A Tarde fui embora mas a calmaria do lugar dava até vontade de ficar por lá mais tmepo. Caminhar no sol da tarde é foda, dá muita sede, ainda mais naquele climão de deserto com mar. Com a maré baixa, algumas praias a frente cheguei em Enxu Queimado, que é muito pequena, típica vila pesqueira, fiquei pela praça descansando, a noite fiz um lanche no pequeno centro e armei a rede em um quiosque fechado. Andei 17km.
      Praia do Marco-RN
       
      10º DIA
      Fiquei a manhã toda ainda em Enxu Queimado, almocei por 12$ uma carne de bode no que parece ser o único restaurante do lugar e parti depois do almoço com maré baixa. A primeira praia logo acaba e surge outra bem comprida, totalmente deserta que vai beirando o parque eólico. Pelo caminho no meio do nada tem umas barracas de pescador muito boas pra dormir, ao logo da praia não dá pra ver muito bem o que existe terra a dentro pois os morros de areia encobrem a vista. Lá pela terceira praia dá pra ver o imenso deserto que tem, ao fim da praia começam umas pedras que vão lentamente virando falésias. Na quarta praia resolvi parar armei minha rede numa pequena vegetação ao lado de um cata-vento, deixei a barraca armada caso chovesse, mas dormi na rede mesmo ao som das hélices girando, embaixo do céu estrelado. Esse trecho tem boas praias que são quase particulares, não tem banhista num raio de quilômetros, nessa tarde andei por 8km.
      Saindo de Enxu Queimado-RN:
       
      11º DIA
      Parti não tão cedo esperando a maré baixar mais, as 2 primeiras praias são bem parecidas, são curtas e com muitas pedras que são vencidas facilmente. No início da terceira praia apenas uma casa de pescador e um mar lindo de cor verdinha, daqui já é possível avistar o farol bem distante. Mais adiante vem uns viveiros (eu acho) com cheiro terrível de esgoto, uma ou outra habitação pelo caminho e uma família vindo na direção contrária. Ao final da imensa praia tem o Farol de Santo Alberto e o início de mais uma bela praia, a Praia do Farol, que tem apenas uns restaurantes, pousadas e algumas famílias se banhando, depois vem uma bela duna e o centro de Caiçara do Norte, que é considerada a que tem o maior número de barcos pesqueiros do Brasil, em proporção ao tamanho do município, que deve ser verdade pois a praia é lotada de barcos e as ruas cheias de peixarias. Almocei por 12$ no restaurante da Maria, um dos poucos da cidade e fiquei o resto da tarde mergulhando e assistindo ao vai e vem das jangadas e barcos, embalados pelo vento furioso que veio de tarde. Jantei um espetinho de carne e dormi pelo centro mesmo, numa peixaria detonada pela maré. Andei 11km.
      Caiçara do Norte-RN:
       
      12º DIA
      Como no dia anterior esperei pra sair depois do almoço pra pegar a maré boa, almocei no mesmo lugar e fui embora depois do almoço pra encarar o que seria um dos maiores trechos sem nada pelo caminho. Uma sequência de cabanas de pesca marca o final da cidade, a partir daí é só praia deserta, duna e muito vento. Vão surgindo dunas maiores e limpas, sem vegetação, e após uma longa praia voltam os cata-ventos do parque eólico. O vento em certos momentos me fazia andar torto, ele batia forte pelas costas e ficava o tempo todo balançando minha mochila. Tentei andar um trecho descalço pisando somente na lâmina d’água, mas não compensou, depois a sola do pé ficou pegando fogo e voltei pro chinelo pela areia seca. Nesse dia só passaram por mim dois vaqueiros que estavam seguindo pro interior das dunas pra buscar os bois que estavam pastando por lá. Vez ou outra passava alguma moto ou carro aproveitando a maré baixa, mas no geral é uma caminhada solitária pela praia deserta. Parei no que parece ser o meio do caminho, onde tem umas instalações do parque eólico, armei a rede nunca casa sem telhado e dormi sob o céu muito estrelado porém, sem lua. Andei 14km.
      Sentido Galinhos-RN:
       
      13º DIA
      Apesar de não ter chovido a noite, acordei com a rede toda úmida do sereno, me arrumei rápido e parti já com a areia firme, e sem nenhum vento. Numa caminhada constante, em menos de uma hora, chego no final dos cata-ventos, e uns 50 minutos depois vem um lugar chamado Galos, lá tem poucas casas e uma bela praia. No final dessa praia vem Galinhos, um pouco maior e com outra praia bem bonita. Passei o resto d amanhã mergulhando nas águas claras e descansando na sombra, a essa hora o sol já estava castigando e a praia não parava de encher, afinal era um domingo ensolarado. Em Galinhos só se chega de balsa, carro 4x4 ou moto, sendo as duas últimas opções pela praia em maré baixa. É uma cidade pequena bem simpática, infelizmente devido seu isolamento é tudo bem caro, almocei a comida mais cara de toda viagem, uma frango parmegiana sem graça por 22$. Descansei o resto da tarde na praia onde ficava o vai e vem dos “uber-jegue” rsrs, boa parte da cidade não tem calçamento então existe esse serviço regulado de transporte de charrete, praticamente destinado a quem vem de fora a passeio. Jantei um espetinho que custou o olho da cara e dormi numa barraca uns 500m depois do centro em direção ao farol. Andei 12km.
      Galinhos-RN:
       
      14º DIA
      Depois de Galinhos começa uma espécie de delta, com uma grande sequência de barras, que se estende até Porto do Mangue, aqui eu planejei meu primeiro trecho de transporte. Cheguei cedo pra pegar a balsa das 07:30, é preciso chegar cedo pra garantir uma senha de acesso, a balsa até Guamaré é gratuita, todos vão sentados, a viagem é lenta mas bem tranquilinha, chegando lá não me informei direito sobre os transportes até Macau e acabei indo nos carros alternativos que fazem lotada, paguei 15$ até Macau. Fiquei na rodoviária e de lá peguei um ônibus por 5$ até Pendências, lá eu me dirigi até a saída da cidade e fiquei esperando algum transporte ou carona. Carros de passeio passavam fingindo que nem me enxergavam, mas quando passou um caminhão caçamba, bastou eu acenar que o coroa parou na hora e me perguntou se queria carona, e assim fomos até Porto do Mangue, pelo caminho estradinha horrorosa, muita seca e muita carcaça de boi morto. Chegando na cidade, fui logo almoçar no único restaurante do mercado público, comida farta e barata. Descansei me abasteci de água e segui com o sol mais fraco, basta ir beirando a orla até o mangue e seguir margeando até o mar. A extensa faixa de areia é a maior de todas até aqui, tão grande que se perde de vista, alguns trechos repletos de conchinhas. Durante o percurso, apenas uma ou outra moto passava aproveitando a maré baixa e areia firme, da praia é possível ver as dunas do Parque de Dunas de Rosado, com suas dunas brancas e avermelhadas, resultado dos sedimentos que vem das falésias, no horizonte a frente tem mais parque eólico. Cheguei na pequena Rosado no fim da tarde, com a praia e barracas desertas, fiquei descansando e batendo papo com um pescador, e armei minha rede em uma dessas barracas vazias. Me desloquei 114km, sendo 5km de barco, 98km de estrada e 11km a pé.
      Orla de Porto do Mangue-RN:
       
      15º DIA
      A noite foi terrível, acordei no meio da madrugada vomitando toda minha janta (miojo com sardinha era o que jantava na maioria das noites), levantei assim que clareou, o mesmo pescador do dia anterior já estava por lá, me despedi e segui. A estrada segue paralela à praia até Ponta do Mel, por coincidência, o velho que me deu carona de caminhão passou e deu uma buzinada. O sol seguia encoberto pelas nuvens e corria uma brisa agradável, pelo caminho só dunas e alguns casarões pelo caminho. No fim da primeira praia vem Pedra Grande, um lugarejo minúsculo, ao final da segunda praia surge um farol meio escondido, dali pra frente já é Ponta do Mel. Descansei o resto da manhã em um dos diversos bares da orla que estavam fechados, consegui achar um restaurante pra comer por 12$ com direito a suco da fruta e armei a rede pra descansar a tarde. O vento soprava quente, o sol tava rasgando e a terra avermelhada me fazia pensar que estava no meio de algum deserto. A praia seguinte é bem curvada, com mais dunas e cata-ventos, foram 10km de muito calor, maré baixa e pernas começando a ficar doloridas, ao final da praia vem um restaurante, muitas pedras, falésias e conchinhas. Tem uns bares abandonados na altura do cemitério, fiquei por lá e armei a rede logo cedo pra descansar mais. Andei 18km.
      Rosado-RN:
       
      16º DIA
      Dormi bem demais, dei uma boa descansada, acordei sem pressa e fui embora. A primeira praia que surge é a principal do lugar, Cristóvão, somente com alguns barcos e pescadores na água, pela orla as casas são bem distantes, todas grandes e com varandas. A manhã toda foi de nuvens com o sol saindo de vez em quando e bem abafada, daqui já dá para ver todo o caminho restante até o Ceará. Ao fim da primeira praia tem umas pedras e uns 3km depois um pequeno lugarejo, e bem mais a frente vem Baixa Grande, outro lugar bem pequeno apenas com casas de veraneio que estavam 90% vazias, parecendo uma cidade fantasma. Seguindo a dica de um morador, fui por trás das casas pra passar pelo mangue e cruzar a barra com água na coxa, a praia depois dessa barra é típica de pescador também vazia. Depois de um trecho de praia deserta chega Upanema, a essa altura o sol já tinha saído por completo e castigava, eu estava seco de sede e parei num bar pra pedir um pouco de água e seguir até Areia Branca. Entrei em uma rua que dava acesso ao centro e um mototáxi me deu uma carona me fazendo poupar uns kms. Almocei numa churrascaria por 10$, matei minha fome e sede e como precisava lavar roupa, fiquei na Pousada Central por 50$. Andei 21km.
      Cristovão-RN:
       
      17º DIA
      Lavei as roupas pela manhã, peguei a balsa e atravessei o Rio Mossoró ou Rio Apodi por 3$, a balsa deixa no município de Grossos a 4km da praia, estendi as roupas ainda molhadas e fiquei aguardando o sol pra secá-las. Com as roupas secas e com fome tentei uma carona até a barra do rio, mas foi uma tarefa difícil, quando você pede carona parece que ganha o super poder de ficar invisível, mas não desisti e consegui uma caroninha de carroça puxada por um burro rsrs. Foi desconfortável e lento mas cheguei na barra e matei minha fome com um PF de 15$. Chegando na praia ela estava com uma cor azulada muito bonita, com poucas crianças dali mesmo tomando banho. Passando as casas vem uma reta que se estende até Tibau, pelo caminho é comum avistar muitos grupos de cavalos andando livremente pela praia deserta e também alguns playboys de quadrículo. Cheguei em Tibau no fim da tarde, a praia estava lotada de turistas, todos uniformizados com suas ridículas blusas UV manga longa, que me olhavam meio torto ao cruzar a orla repleta de mansões. No final da praia fica a divisa de estados, mas a cidade continua do lado cearense, tomei uma bela ducha em um restaurante e armei a rede já no escuro numa varanda de uma casa vazia. Apesar da noite com muito vento, eu estava com muito ânimo por chegar no Ceará, esse dia andei 19km.
      Sentido Tibau-RN:
       
      18º DIA
      Parti cedo de Tibau, demora um pouco até a praia ficar sem casas. Precisava chegar em São Luís-MA em até 25 dias, então estabeleci uma média de 18km por dia pra conseguir chegar a tempo. Depois que somem as casas não demora muito pra chegar em Tremembé, lugar minúsculo, com alguns restaurantes e poucas pousadas, lugar onde a tranquilidade reina. Parei na barraca do Juarez que ainda estava abrindo, dei uns mergulhos no mar quentinho e descansei até a hora do almoço. Fiquei batendo papo com o pessoal gente boa da barraca e ainda almocei uma moqueca de arraia que saiu de graça. Parti de tarde, com maré baixando e areia firme, surge mais um lugar bem pequeno chamado Quitéria, e o mar vai ficando com cara de manguezal, as casas se estendem até quase o final da praia. Chegando na barra tem um mangue enorme que afunda até o peito além do rio que não tem como passar, por sorte encontrei 3 biólogos que estudavam os passarinhos maçaricos do local, e me deram uma carona até o outro lado. Ainda percorri toda a Praia de Requenguela até o final das casas pra achar um local pra dormir, armei a rede numa cabana de pescador, muito vento a noite e uma chuva rápida que me fez trocar a rede de lugar. Andei 21km.
      Sol nascendo em Tibau-RN:
       
      19º DIA
      Parti com o céu um pouco nublado e com a praia ainda cheia de algas, que estavam se estendendo desde Quitéria. Ao final da praia se acabam as casas e tem início uma sequência de falésias. A primeira praia é pequena e deserta, a segunda tem alguns casarões, é a bela praia de Picos, a terceira é Peroba, praia cercada pelas falésias e a mais bela da região, com alguns casarões e casas de pescador, depois vem a quarta praia, a Redonda, um pouco mais extensa e mais simples, com alguns restaurantes e chalés ao longo da orla. Descansei ali o resto da manhã, almocei um belo peixe e fiquei mergulhando na Barraca da Boneca. Parti a tarde na maré alta mas parei na sombra da falésia ao fim da praia pra descansar mais. Aqui as dunas e falésias alternam cores brancas e avermelhadas, a praia seguinte é bem pequena e ao final dela não há saída, tive que continuar por cima do morro, valeu a pena a subida pois a paisagem vista de lá é única. Mais a frente tem uma descida por uma duna gigante e muito íngreme que dá acesso a Ponta Grossa, que é uma praia bem reservada com alguns chalés. Uns metros adiante é preciso cruzar um mangue grande com um cheiro terrivelmente podre com água até a coxa, basta ir margeando as ondas que logo chega na praia seguinte. Parei logo numa cabana de pescador e armei minha rede por ali mesmo um pouco antes de Retiro Grande. Foram 17km andados.
      Peroba-CE ? Picos-CE ? não lembro... :
       
      20º DIA
      Parti cedo, 1km a frente termina a praia, Retiro Grande fica acima das falésias. A praia seguinte é um cenário do paraíso, praia bem curvada, com apenas uma mansão, um belo mar e falésias a perder de vista. Uma manhã bem ensolarada porém com um vento fresco e areia boa pra caminhar. Uns kms a frente tem um pequeno lugarejo de pescador, depois vem Fontainha, também bem pequena com casas de pescador e algumas de veraneio, passei direto por ela. Às vezes eu me esquecia em que dia da semana estava, mas bastava ver o transito irresponsável e intenso de buggys e hilux que já entendia que era domingo. As falésias vão deixando o vermelho de lado e passam a ficar mais clarinhas e começam a surgir fontes de água doce, algumas delas infelizmente cheias de lixo. Chegando em Lagoa do Mato só tinha um restaurante na praia, acabei seguindo em frente só parei pra almoçar em Quixaba, que tava lotada, fui até o centro onde descansei e almocei uma “leve” panelada cearense (dobradinha). Só uns 30 minutos a frente fica Marjolândia, que estava igualmente lotada, andei mais e parei depois da praia numa cabana vazia, armei a rede, descansei o resto da tarde e fiquei ali mesmo pra dormir. Andei 21,5km.
      Partindo de Retiro Grande-CE:
       
      21º DIA
      A tarde anterior teve um belo pôr do sol e o dia começou com um nascer do sol espetacular. Enquanto me arrumava para sair um pescador já chegou me oferecendo um burrinho (garrafa pequena) do elixir cearense, a famosa Ypioca, nem eram 6h e o cara já tava dando um talento na cachaça rsrs. Me despedi e segui a caminhada, bem perto dali tem um resort abandonado, meio cenário de filme de terror mas um bom local pra dormir. No fim dessa praia tem algumas pedras que marcam o início de Cano Quebrada.  Com a praia ainda vazia, passei pelas falésias pintadas e subi a escadaria até o centro, providenciei meu café da manhã. O centro é todo turístico e voltado para o consumo, aquilo me deu arrepios e vazei o quanto antes. Não sei porque mas tinha nas minhas anotações que deveria contornar de Canoa Quebrada até Parajuru, talvez devido alguns rios e barras que teria pela frente, analisando hoje acho que me precipitei e acabei deixando de conhecer uns 25km do paraíso, enfim, fica pra uma próxima. Peguei uma típica Topic até Aracati por 3$ e depois outra de 6,50$ até Parajuru. Em plena segunda feira encontrei um mar azul com uma praia belíssima e vazia, que não deixa e desejar em nada a nenhum dos litorais famosos do nordeste, local ainda desconhecido do turismo da moda, que espero que continue assim, isso acabou me dando a impressão de que ali era um dos grandes achados da viagem. Parei em uma barraca onde fiquei o resto da manhã descansando na rede, e mergulhando nas piscinas formadas na maré baixa. Almocei uma carne de sol com um bom suco por 15$ e continuei a descansar. Parti umas 15h com a maré já subindo mas com areia ainda boa pra caminhar, o dia inteiro sem nenhuma nuvem no céu. Quando voltei a andar foi preciso desviar de duas casas onde as ondas já batiam nos muros, na praia seguinte tem diversas barracas de palha vazias pra dormir, muitas construções destruídas pela maré, muito lixo e um parque eólico que se estende pela praia sem fim, uns 6km tem umas barracas de pescadores vazias onde dormi, teve mais um belo pôr do sol e tive uma boa noite de sono. Me desloquei 53km sendo 40km de transporte e 13km andando.
      Parajuru-CE:
       
      22º DIA
      Levantei cedo e parti enquanto chegavam os primeiros pescadores preparavam o material pra entrar no mar. A Prainha do Canto Verde é uma vila pesqueira bem pequena, passei direto por ela, a praia continua numa reta longa, com mar agitado e presença de lixo na areia. 8km a frente tem a Lagoa do Pequiri, com águas claras e barracas com rede na água, era terça e o lugar tava vazio, parei pra mergulhar e dar uma boa descansada. Logo 1km a frente se acaba a praia e começa outra com belas falésias brancas que vão até Barra do Sucatinga, lugar bonito demais, onde se formam piscinas na maré baixa, mas o lugar é mais conhecido mesmo por ter sido cenário das gravações da primeira versão do programa “No Limite”. Almocei peixe na barraca do Belarmino por 15$ e descansei enquanto já avistava no horizonte a Praia de Uruaú. A tarde antes de partir ainda roubei 4 cocos pelos quintais, a maré ainda não estava totalmente alta mas a areia já estava ruim pra caminhar. Em Uruaú só tem casarão e hotel, sequer tem barco de pescador por perto, passei direto, ao fim das casas tem uma lagoa que serve de parada para os passeios turísticos, lotada de farofa também passei direto. Ao final da praia começam as falésias e as bicas de água doce, em uma delas parei pra banhar e uma onda molhou a mochila e deu um banho na minha máquina fotográfica que quase me deixou na mão o resto da viagem. Parei na Praia do Diogo, na barraca Dodô do Mar, não demorou 15 minutos e o dono me chegou com 4 pastéis e uma garrafa de água geladinha, mostrando o quão gente fina é o cearense. Comprei uma cocacola e dormi na rede ali mesmo. Andei 22km.
      Sentido Morro Branco-CE:
       
      23º DIA
      Parti cedinho, os mosquitos me perturbaram a noite mas deu pra dormir. Maré baixando, caminhada bem fácil e com uma brisa agradável, ao final da primeira praia foi preciso contornar umas casas devido as ondas. Mais a frente surgem várias bicas de água doce pelas falésias, em um momento é preciso ir andando bem devagar entre pedras que surgem na areia, depois dessas pedras já é o centro de Morro Branco, daqui até Barra Nova só tem casarão de luxo, muitas delas até vazias. Barra Nova é bem bonito, atravessei a extensa barra do Rio Choró sem problemas e descansei até o almoço, comi um farto PF de peixe e fui pra uma barraca as margens do rio pra descansar, não demorou muito e já encostou um pescador e o salva vidas local pra bater papo, aprendi mais sobre a relação lua x maré, e sobre kitesurf. Saí com a maré subindo e sol castigando, ao fim da praia tem a barra do Rio Malcozinhado, aqui já é a famosa Águas Belas do Ceará, rio e praias lotadas de banhista e kitesurf. Fiquei do outro lado e logo surgiu uma balsa que me atravessou de graça, o lugar é bem pequeno. Tomei uma ducha numa barraca e lanchei no centro a noite, voltei até as barracas onde armei minha rede as margens do rio. Andei 20km.
      Águas Belas-CE:
       
      24º DIA
      Levantei cedo com o céu totalmente nublado e parti com a maré já baixando. Apenas 3km de Águas Belas já vem o centro de Caponga, com sua orla totalmente tomada por jangadas e pescadores. Depois de dar uma reforçada no café da manhã segui com um leve chuvisco caindo, é preciso contornar algumas casas parcialmente destruídas pelas ondas até sair numa praia que segue reto. Areia durinha clima fresco, logo vem a Praia do Balbino com alguns barcos, restaurantes fechados e poucas casas, a praia aqui tem algumas pedras que parecem lama, troncos e raízes pela areia, como se ali fosse um antigo mangue que vai até Batoque, a praia seguinte com cenário semelhante a anterior. Depois vem mais uma reta extensa e bem deserta até chegar em Barro Preto, nesse trecho uma vegetação com alguns lagos seguem junto a praia, que estava com mar agitado desde Caponga. Depois das primeiras casas de Barro Preto surgem algumas pedras e uma belíssima praia, no final dela tem uma duna que marca o início de Iguape. A essa altura o sol já tinha saído um pouco tímido e o mar estava com cor impecável, almocei um PF por 10$, armei a rede pela orla e fiquei o resto do dia descansando, dormi numa varanda das inúmeras casas abandonadas pela orla, dormi muito mal, caí 3 vezes após a corda que amarrava a rede se arrebentar, e acabei armando a barraca, na madrugada choveu algumas vezes. Caminhei 19,5km.
      "Caponga do Peixe-CE":
       
      25º DIA
      Parti logo no amanhecer ainda um pouco nublado mas antes de sair do centro já dei de cara com um manguezal intransponível desaguando na praia, voltei até o centro e peguei um ônibus até Fortaleza por 7,50$, de lá peguei outro até Caucaia por 3,20$ onde fiquei até o almoço, um delicioso PF com churrasco de 10$. Depois do almoço peguei mais um ônibus de 2,50$ que me levou até Cumbuco, a essa altura o sol já brilhava forte. A praia é lotada de turista, hotéis e restaurantes, olhando pra trás da pra ver boa parte de Fortaleza e a frente, no fim da praia, o enorme Terminal Marítimo de Pecém. As águas de cumbuco estavam com tons de marrons e verde mais ao fundo, ao longo da praia só tem um coqueiral meio ralo, e no fim dela uma lagoinha com algumas barracas vazias. Passei pelo terminal, onde um pescador pegava um peixão jogando rede de mão, segui pela areia fofa e grossa até a orla de Pecém, que tava lotada de jogos de futebol, não me agradei do local pra dormi e continuei seguindo em frente. Depois que passa o centro, vem um pequeno manguezal e após ele muitas pousadas e casarões, já estava quase escurecendo, minhas costas estavam moídas de dor quando achei o que parecia ser uma pousada parcialmente engolida pela areia, armei minha rede nela ao lado de uma sinuca, as tomadas estavam até funcionando só faltou um chuveiro rsrs. Percorri 93km sendo 82km de ônibus e 11km andando.
      Cumbuco-CE:
       
      26º DIA
      Dormi muito bem, parti sem pressa depois de carregar meus eletrônicos, com maré ainda um pouco alta, algumas nuvens com sol e pouco vento. Um bicho do pé que surgiu no meu dedão já começava a incomodar mas não comprometia a caminhada. Esse primeiro trecho não tem nada, só areia sem fim e mais um parque eólico que vai até Taíba. Surgem os primeiros casarões, e algumas ondas medianas bem disputadas pelos surfistas, mesmo ainda sendo bem cedo. Após contornar algumas pedras vem a belíssima praia do centro, com água na cor do paraíso, no centro tem um comércio bem barato onde tomei mais um café da manhã, voltei a praia e armei minha rede na sombra de uma casa fechada, onde rolava uma discreta boca de fumo. Descansei até a hora do almoço, comi uma galinha ensopada por 10$ e voltei a praia. Depois do centro vem mais 2 praias, uma mais bela que a outra com pedras formando pequenas piscinas, resumindo, Taíba é perfeita, é um lugar barato, com praias lindas porém bem menos agitada que outros destinos, e torço pra que continue assim. A frequência das casas vão diminuindo até na Lagoa da Barra, que tem algumas barracas boas pra pernoite todas vazias, na lagoa mesmo só havia a galera do kitesurf. Alguns rios que tinham em minhas anotações estavam tão ralos que nem localizei, pelo caminho de vez em quando surge um coqueiral, depois vem 2 casas isoladas, mais umas barracas de pescador, algumas peças metálicas gigantes vindas do terminal encalhadas na praia e muito chão depois vem o Bar do Kite, são uns restaurantes isolados na praia onde é o point do kitesurf, que tava lotada de gringo, parei pra uns mergulhos e uma chuveirada, andei mais um pouco e parei pra dormir numas barracas de pescador, a noite os mesmos surgiram pra alimentar os gatos com peixe e como sempre, me deixaram muito a vontade pra descansar e ainda insistiram pra que eu aceitasse um pouco do pescado deles. Andei 24km.
      Taíba-CE:
       
      27º DIA
      Choveu algumas vezes na madrugada e amanheceu meio nublado, fui embora e logo a frente vem um terminal da Petrobrás com alguns restaurantes. Depois do píer, vem uma praia linda onde as ondas batem direto do paredão das dunas, as praias seguintes são uma mais bela que a outra, água esverdeada/azulada impecável. Segue nesse ritmo até a Praia do Farol, no centro, onde tomei um café enquanto descansava e observava todo o percurso dali pra gente. 9h da manhã e o sol ainda brigava pra sair, já havia chovido 2 vezes, cada chuva com menos de 1 minuto de duração, as 10h o sol saiu pra valer. Passei a manhã mergulhando e pegando as mangas que caíam na areia, tomei umas duchas nas bicas de água doce e almocei um PF de 10$. A tarde segui meio contrariado, pois Paracuru é um lugar digno de se passar 1 semana de férias somente ali. Saindo do centro vem outra sequência de praias lindas que vão até a barra do Rio Curu, que apesar da maré baixa não secou completamente formando 3 rios menores para atravessar com água no estomago. 2km a frente no meio do deserto de areia tem uma barraquinha de pescador com rede armada e tudo, dei uma parada pra descansar e botar a máquina pra secar novamente no sol. Decidi que ia andar 1h e descansar 10 minutos sempre, isso funcionou e amenizou as dores nas costas. Continuei pela praia deserta apenas com alguns coqueiros velhos até o final da praia, achei outra barraca de pescador já com rede, um balanço e até uma mesa improvisada, pernoitei ali mesmo depois de andar 17km.
      Paracuru-CE:
       
      28º DIA
      Dormi muito bem, e parti pra Lagoinha logo cedo, logo ao fim da praia vem umas pedras e surgem as primeiras casas, nas pedras eu pude ver o mesmo Suspiro da Baleia que não consegui ver em Tourinhos, trata-se da onda batendo por baixo das pedras que faz com que jorre água por um buraco, fazendo um barulho e esguicho bem parecido com da baleia, minha câmera tava dando problema e não consegui registrar. Lagoinha é bem bonita, com uma bela praia cheia de bicas de água doce e muito casarão, além de um hotel gigantesco sendo construído. Seguindo em frente só tem kms de praia deserta e coqueiral ralo, parei em um deles pra descanso e o destino tratou de colocar justo ali um ganho de pegar coco e arranquei 1 pra beber. A frente vem o Rio Trairi, que atravessei com água na coxa, do outro lado tem algumas barracas mas todas fechadas, depois vem um pequeno lugar chamado Canabrava, e volta o deserto, pelo caminho apenas os jegues (contei mais de 25) pastando livremente. Depois vem Guajirú, lotada de mansões, hotéis e muita construção, a maré baixa deixava a praia com centenas de metros. Guajirú é lugar de barão, com tudo caro, mas consegui um PF por 15$ na rua de trás. Descansei o resto da tarde na rede que armei num restaurante fechado, fiquei o olhando o mar azulado enquanto bebia 3 cocos roubados de um quintal. No fim da tarde segui pra Flecheiras que fica a menos de 20 minutos, por lá as mansões se multiplicam e surgem os playboys com seus quadricículos. Dormi no 2º andar de uma casa abandonada na orla. Andei 22km.
      Guajiru-CE ? :
       
      29º DIA
      Acordei quase as 7h com o tempo bem nublado, fui até o centro tomar um café. Na orla ficam as mansões e hotéis, nas rua paralelas vem as casas mais simples, comi na praça do centro junto com umas mangas que achei pelo caminho. O resto da manhã foi só chuva com raios, fiquei passando o tempo junto com o pessoal que aluga quadricículo na praia. Na hora de almoçar, tem que cruzar a rodovia, pois lá tem um centrinho onde turista não frequente, tudo com preço justo, comi um PF de 10$ mas um cara do quadricículo, o Rubens, fez questão de pagar meu almoço. Voltamos pra praia e fiquei no aguardo do sol pra poder dar uns mergulhos, como ele não saiu completamente fui assim mesmo, dei uma mergulhada nas piscinas naturais de Flecheiras e parti depois das 16h. Flecheiras vem ganhando fama de paraíso (e realmente é), e aumentando consideravelmente o turismo por lá, aos poucos vai deixando de ser uma vila pesqueira pra se tornar mais um destino da moda. Parti na maré baixa e com clima fresco, caminhada sem dificuldade até Emboaca, que é bem pequena, segui adiante sempre com a estrada paralela a praia, ambas vazias, apenas os jegues e eu. Vendo que não tinha nenhum lugar legal pra dormir embiquei pra dentro das dunas pra ver e avistei uma casa de longe que aprecia abandonada próximo a um coqueiral no meio das belas dunas e de um parque eólico, estava longe mas fui até lá e não deu outra, estava vazia e armei minha rede dentro dela. Dormi muito bem depois de andar apenas 9km.
      Flecheiras-CE:
       
      30º DIA
      24.01.2018, meu aniversário de 31 anos. Acordei cedo, não achei nenhum coco e fui embora. Praia boa pra caminha tempo fresco e maré baixa e em torno de 1h já estava em Mundaú. Na praça ao lado da rio peguei 1 coco e depois fui pro outro lado da duna dar uns mergulhos, chupar mais manga e descansar o corpo que tava bem dolorido. Mundaú é lindo demais, tem umas dunas bem grandes e o rio tem uma água verde incrível. Fiquei nesse ritmo o resto da manhã toda, enquanto os turistas faziam os típicos passeios de buggy. Almocei no centro e voltei, atravessei o rio na balsa por 2$ e continuei a descansar do outro lado. Parti na maré baixa e com a praia deserta, pelo caminho um pescador me ofereceu uma carona mas recusei. Cheguei em Baleia, outro belo lugar repleto de piscinas naturais e bons lugares pra pernoitar, mas acabei indo pra uma cabana de pescador meia boca. Durante a madrugada choveu 2 vezes e me molhei todo, essa foi a pior noite de todas. Andei 16km.
      Mundaú-CE:
       
      31º DIA
      Levantei logo cedo pra arrumar as coisas molhadas, enquanto os barqueiros chegavam pra pegar os materiais na barraca, como de costume todos me deixaram bem à vontade pra ficar o quanto quisesse. Deixei a bela Baleia pra trás e parti com a maré subindo e o céu bem nublado, caminhada razoável com o corpo muito dolorido, pelo caminho apenas algum pescador ou outro e muitas jangadas entrando no mar, moradores circulando de moto também era comum. Pouco tempo depois chega Apiques, que se resume a uma fileira de casas com um cemitério no final, bem no meio da praia, dei uma descansada rápida e segui até o próximo lugarejo, os Caetanos de Cima, colado nele vem os Caetanos de Baixo, ambos bem calmos e vazios sem nada de comércio, com muito coqueiro baixo, porém com os donos de vigia rsrs, acabou que pedi informação pra um morador e o mesmo me convidou pra almoçar na sua própria casa, não recusei, comi um dos melhores peixes de todos, pescado na noite anterior, insisti com ele e paguei 15$ pelo almoço. Passei o resto do dia na rede da bodega dele descansando e tentando secar a máquina que devido a umidade deu pane novamente. O sol só ameaçou sair umas 14h, parti umas 15h, achei um coco seco que fui comendo pelo caminho até que em algum trecho de praia deserta um cara passou de quadricículo me ofereceu carona e aceitei, fui até onde começa a primeira casa de Icaraí, onde tem umas armadilhas de peixe parecidas com um cercado de madeira, dormi num barraco abandonado ao lado de uma mansão, dormi logo cedo exausto. Andei uns 20km e fui uns 5km de carona.
      Fiquei sem máquina esse dia. Lua cheia nascendo do mar,  km 0 BR-101-RN:
       
      32º DIA
      Parti sem pressa e com o céu um pouco melhor que o dia anterior, mesmo sem sol o mar aqui é absurdamente bonito, muito verdinho e com muito recifes e algumas piscinas. No centro de Icaraí a praia é bem curvada com muitos coqueiros, pousadas e mansões, caminhada fácil até chegar uma sequência de pedras no final da praia onde tem mais um cemitério a beira mar, mais um pouco adiante já começa Moitas, lugar pequeno demais com quase nada na orla, fiquei numa barraca na praia botando a máquina no sol, descansando e dando uns mergulhos, almocei o melhor peixe de toda a viagem, um verdadeiro banquete por 15$, com direito a típica “cambica” cearense, prato típico de lá. Fiquei boa parte da tarde descansando e mergulhando no mar verdinho até partir por volta das 15h. Depois de uns 800m do centro é preciso entrar nas trilhas até sair no local da travessia, basta seguir a marca dos pneus na areia, pelo caminho ainda roubei 2 cocos de um restaurante vazio. Pra atravessar um dos braços do enorme Rio Aracatiaçu, tem que pagar 5$ que só leva até o outro lado, então é preciso atravessar um longo trecho na lama do manguezal até sair num estradinha e ir direto. Pelo caminho ainda pulei uma cerca pra pegar umas frutas, saldo: 3 cocos, 3 cajus e 2 mangas. Depois de passar por alguns postes eólicos é só pegar a direita na bifurcação que sai em Morro dos Patos, outro lugar minúsculo com uma vista paradisíaca. Segui beirando o lago até sair na praia sempre com a presença dos jegues, no meio da praia deserta surgem 3 barracas de pescador vazias, dormi em uma delas depois de andar 20km.
      Morro dos Patos-CE:
       
      33º DIA
      Levantei como de costume umas 5:30 com tudo ainda nublado e um leve chuvisco. Rapidamente cheguei em Torrões, onde atravessei outro braço do Rio Aracatiaçu com 2 pescadores que estavam chegando do mar, daqui eu resolvi logo fazer mais um contorno da sequência de barras que vinha adiante e acabei pegando um carro tipo pau de arara até Itarema por 5$, depois outro por 8$ até Acaraú, andei até o fim da cidade e peguei uma van por 3$ até Cruz, almocei no mercado popular por 8$, depois de não conseguir nenhuma carona, voltei pra rodoviária pra descansar e pegar o único ônibus pra Aranaú por 2$, que só sairia as 22h. Ao longo do dia muita chuva forte, dia totalmente perdido. Chegando em Aranaú fui direto até a praia onde dormi num restaurante fechado, dormi pouco, porém bem. Percorri 44km de transporte e 5km a pé.
      Fiquei sem máquina esse dia. Carona de charrete em Grossos-RN:
       
      34º DIA
      Levantei cedo, comi e parti com céu tampado de nuvem mas sem nenhuma chuva. A primeira parte da praia é um mangue seco seguido de um parque eólico desativado, pois a água do mar já está encostando neles. Pela praia só alguns pescadores, o mar nessa manhã estava uma verdadeira piscina, com muito curral pra pegar peixe, e as jangadas já começam a dar lugar aos primeiros barcos com motor. Quando se acabam os cataventos começam alguns coqueiros e pequenas dunas, a praia continua com uma faixa de areia extensa e sempre dá pra avistar porcos e jegues circulando, a esquerda mais distante vão surgindo algumas dunas maiores. Muito chão depois se chega em Barrinha, que só tinha algumas barracas vazias, mais um chão a frente vem Preá, na primeira barraca que passei tava repleta de turista, escondi a mochila dei uma disfarçada e fui lá dentro nas piscinas tomar uma ducha no chuveiro. Era um dia de domingo e a praia estava insuportável, acabei almoçando um PF por 15$ e fui descansar na guarita do Parque Nacional, fiquei por lá até a polícia me convidar pra sair, fiquei o resto da tarde batendo papo com Reginaldo, um viajante pernambucano que vive em Preá a alguns anos, tomei 3 cocos na casa onde ele toma conta e no fim da tarde me dirigi até uma barraca na praia onde dormi. O trânsito irresponsável e legalizado dos carros, a maioria turístico, dão nojo e me deixaram uma má impressão do lugar. A rota Preá x Jericoacoara pela praia tem trânsito constante de veículos de deixar qualquer cidade grande com inveja. Andei 23km.
      Preá-CE:
       
      35º DIA
      Depois de comer alguma coisa parti rumo a Jijoca de Jericocoara, pra isso é preciso embicar pra dentro do parque e seguir toda vida pra sudoeste que fatalmente vai sair na Lagoa do Paraíso. Boa parte do Parque Nacional é enorme pasto com algum gado e jegues pastando, pequenas lagoas secas e o resto é duna, depois de passar pelo limite das dunas é só seguir por dentro da vegetação que sai na lagoa, depois é só ir beirando uns 6km até chegar no centro de Jijoca, pelo caminho os funcionários já começavam a passar vassoura retirando pequenas algas pra limpar a água pros visitantes mais fresquinhos. No final da lagoa chupei muita manga e me informei sobre algum camping, descobri o Camping do Tião, talvez o mais famoso ou mesmo o único, paguei 20$ pela diária e fui direto lavar minhas roupas. Almocei um peixe de 20$ farto porém caro pro meu bolso, armei barraca e passei o resto da tarde chupando mais manga, tomando banho e deitando nas redes da lagoa que estava deserta em plena segunda feira, a noite fiz um lanche no centro e dormi todo quebrado no chão duro da barraca. Andei 12km.
      Lagoa do Paraíso, Jijoca-CE:
       
      36º DIA
      Saí bem sem pressa lá pelas 9:30 em direção a Vila de Jericocoara, diferente dos dias anteriores o sol saiu pra valer, quando cheguei na altura das dunas o calor já judiava demais. Pra fazer o caminho da volta, chegando nas dunas basta seguir pra noroeste em direção aos morros mais alaranjados, lá onde fica a Pedra Furada. Durante o percurso muito sobe e desce cansativo e várias paradas pra descanso, chegando na praia tem mais 1 km até a Pedra, que pra variar estava cheia de turista em fila pra tirar foto. Com a maré enchendo é preciso contornar os paredões por cima até chegar no centro, almocei por 18$ pensando que estava pagando pouco mas na rua paralela à principal tem vários restaurantes a 10$, fiquei triste como se tivesse perdido dinheiro. O resto da tarde foi só mergulho no mar e chuveirada nos hotéis rsrs. No fim da tarde segui em frente, turistas e moradores já começavam a caminhada pra Duna do Pôr do Sol, sendo que os moradores estavam voltando do trabalho e seguiam até o povoado de Mangue Seco. Logo depois da duna vem uma lagoa cheia de kitesurf, e a praia aqui é bem curta e naturalmente uma divisa entre a lagoa e o mar, um cara voltava do trabalho de buggy e me deu uma carona até a altura de Mangue Seco, fiquei ali mesmo numa barraca quase engolida pela areia, mas com mesas e cadeiras de plástico, o dono surgiu e já foi mandando eu passar a noite nela. Assisti um pôr do sol particular e espetacular ao mesmo tempo que já nascia uma imensa lua cheia. Andei um 18mk e peguei 3km de buggy.
      Jericoacoara-CE:
       
      37º DIA
      Levantei as 5:30, e parti depois de comer. Pra bela, sol tímido e céu limpo, pequenas dunas pela praia e paralelo a ela corre sempre um mangue. Até Guriú foram uns 5km, atravessei de carona na balsa e segui. Guriú é muito pequena, as ruas são de areia e mal tem comércio. Segui pela orla que tem um daqueles projetos de cavalo marinho e muita barraca, todas praticamente dentro do manguezal. Quando acaba o mangue voltam as pequenas dunas, pelo caminho somente algumas pessoas catando marisco nas pedras. Praia enorme na maré baixa, mar verdinho e sol rasgando com nuvens de vez em quando passando pra fazer uma sombra e aliviar por uns instantes. Quando surgem os primeiros coqueiros, já é Tatajuba, um lugar bem pequeno que se resume a calmaria do paraíso, descoberto apenas pela galera do kitesurf e gringos. É preciso atravessar a barra que parece um mangue com água/lama no joelho pra chegar nas barracas, almocei na orla um PF bem farto de galinha por apenas 10$. O resto da tarde passei deitado na rede do restaurante sentindo o vento e assistindo o movimento das marés. Quando parti, o sol já rasgava e o mar não formava onda nos primeiros kms, a água só vai subindo gradativamente conforme a maré vai enchendo, depois surgem dunas e vegetação, aqui as ondas já quebram nas dunas e é preciso fazer uns contornos por fora. Acabei achando um coqueiral de altura mediana e peguei 6 cocos, do lado tinha um quartinho com porquinhos e umas lacraias, acabei optando por armar a rede nela a ter que dormir na barraca. Antes ainda teve mais um pôr do sol fantástico simultâneo com lua cheia. Andei 26km.
      Lua cheia nascendo nos coqueiros, sentido Camocim-CE:
       
      38º DIA
      Parti umas 6h entupido de água de coco, maré baixando, tempo nublado e sem vento. Com as ondas ainda batendo nas árvores, é preciso fazer alguns contornos por dentro do mangue. Quando acaba a vegetação vem uma enorme reta de praia deserta até a barra do Rio Coreaú. A travessia de balsa custou 3$, aqui as embarcações maiores do tipo traineira já são mais comum. Fui pela calçada de Camocim até chegar no Farol do Trapíá, lá começa a praia com uma faixa de areia absurdamente grande. Caminhada boa com sol já dando as caras e aquele climão de deserto dando sensação de estar em outro planeta, somente raros catadores de marisco apareciam. Ao final da primeira praia, começa mais uma e a terceira é Maceió, lugar que se resume a uma rua com coqueiros, dunas, praia, somente 1 mercadinho e muito lote a venda. Cheguei por volta de 12h na merda de fome e sede e almocei um PF de peixe por 10$. Dei uma chuveirada e armei minha rede num restaurante vazio na praia pra descansar. Quando parti, a paisagem volta a ficar deserta, o sol fritava e a maré já começava a subir lentamente sem formar ondas, mais a frente vem um lugar minúsculo chamado Barrinha, somente umas 10 casas e três restaurantes. Aqui a maré sobre de um jeito que forma uma baita lagoa e até mesmo uma ilha. Depois de Barrinha volta o deserto de areia sem fim, sem chance nenhuma de achar um bom lugar pra dormir, acabei armando a barraca ao lado de uma moita e passei uma noite sem muito desconforto. Andei 29km.
      Sentido Praia de Maceió-CE:
       
      39º DIA
      Parti umas 6:30, céu nublado com sol saindo aos poucos maré baixando e areia boa pra caminhar. Logo começa um parque eólico e depois vem umas casinhas de pescador, colado nelas vem Xavier, vila ainda menor que Barrinha com apenas 1 casa que vendia alguns suprimentos, nem pra da chamar de mercadinho rs. Kms depois vem a Barra dos Remédios, que tem o título de a “5º praia deserta mais bela do Brasil”, depois de tanto andar por praias vazias essa fama não faz sentido nenhum pra mim, mas ainda assim é um belo lugar. Atravessei de balsa por 5$, parei numa barraca do outro lado pra dar uma descansada e esperar passar uma chuva passageira. O bicho do pé que doía no meu dedo sumiu por conta própria. Desde Jericoacoara é bem nítida a percepção de estar andando de leste para oeste numa linha reta perfeita. Mais adiante vem o vilarejo Praia Nova, com poucas casas desalinhadas e quase engolidas pela areia, muitos moradores já se mudaram de lá, em breve essa vila vai sumir, uma pena pois deu pra perceber que aqui a simplicidade e paz reinam. Vivem da pesca, só vão pescar quando precisam, no tempo livre famílias inteiras brincam tranquilamente pela praia, com crianças pequenas correndo a centenas de metros dos pais, não há celulares nem muro separando as casas, coisas que foram comuns um dia mas que precisei andar até aqui pra lembrar que ainda existem. Muita areia depois vem umas cabanas de pescador, as nuvens faziam sombra mas quando o sol vinha descontava. Somente 12h cheguei em Curimãs, lugar pequeno e bonito, almocei um PF de 10$ na barraca da Neide, que fica bem ao lado de um rio represado que forma um piscinão de água doce. Descansei de tarde e segui com sol mais fraco, depois de muita areia e uma chuva fina, cheguei em 2 barracas isoladas no meio da praia, o céu ficou preto de chuva e esfriou um pouco, dormi aqui mesmo depois de andar 28km.
      Praia Nova-CE:
       
      40º DIA
      Dormi muito bem e acordei com o tempo ainda fechado sem previsão de melhora, andei pouco mais de 2km e cheguei em Bitupitá, o último lugar do Ceará, daqui é preciso faz um contorno pra vencer o delta dos rios Timonha e Ubatuba. Peguei uma van por 7$ até Barroquinha, daqui só consegui um ônibus pra Parnaíba as 15h, por 12$, cheguei já escurecendo e como não havia mais transporte pra Luís Correia, acabei dormindo num pulgueiro lotado de ciganos em frente a rodoviária por 30$.
      Fiquei sem máquina esse dia. Tatajuba-CE:
       
      41º DIA
      Depois de comer tudo que tinha direito no café grátis, segui pra Luís Correia de Topic por 3$. Foi um domingo de praia vazia e tempo totalmente fechado, com chuva a todo momento, pela praia rolava um futebol, uma roda de capoeira, algumas excursões mas pouca gente mesmo dentro d’água, a orla é repleta de quiosques padronizados (preços baratos pra uma orla), casarões pra alugar e hotéis, a maioria vazio, porém é uma orla meio largada onde o lixo ainda tem presença forte, até garrafas de champanhe da virada do ano ainda tinham na areia. Depois de ir até a barra do Rio Parnaíba e ver que não ia conseguir barco barato pra atravessar, voltei até um restaurante vazio e passei o resto do domingo. Almocei um PF por 15$ e continuei na praia, dormi no restaurante da praia mesmo.
      Fiquei sem máquina esse dia. Em algum lugar sentido Morro dos Patos-CE:
       
      42º DIA
      Acordei cedo e voltei pra Parnaíba, a ideia era pegar transporte até Pedra do Sal e talvez andar um pouco mais até a divisa do Maranhão, mas o tempo chuvoso dos 2 últimos dias me desanimaram e encerrei minha caminhada em 05.02.2018.
      Fiquei sem máquina esse dia. Pedra Furada-CE:
       
      Ainda continuei viajando, mas dessa vez me locomovendo de transporte. De Parnaíba parti até São Luís e de lá fui pra Santo Amaro do Maranhão onde passei o carnaval com a namorada, pra minha sorte foram todos os dias de muito sol e depois voltou a chover pra valer naquela região, tem sido um dos anos mais chuvosos e com lagoas cheias, o que não ocorreu nos anos anteriores. De São Luís peguei um trem de passageiros da Vale do Rio Doce e fui até o Pará visitar familiares, ainda voltaria ao Maranhão pra viajar mais uma semana mas tive que retornar ao RJ por motivos de força maior.
       
      A segunda caminhada foi tão boa quanto a primeira e menos sofrida, dessa vez eu fui ligeiramente mais equipado, com fogareiro a gás e barraca pra usar caso não tivesse lugar bom pra rede. Levei 2 cartuchos de gás e usei um + metade do outro, cozinhei minha janta uns 85% dos dias, sempre um miojo e depois que vomitei passei a usar mais arroz. Quanto a barraca continuo com a mesma impressão de que não combina com o calor da praia, mas foi útil quando precisei dela. Não tive bolhas dessa vez, comecei aumentando as distâncias andadas aos poucos e sempre parando pra descansar. Atravessei o litoral do nordeste no auge da zica e chicungunha em 2015 e passei pelo RN em plena crise da segurança pública e greve da polícia em 2018, mas nada disso me atrapalhou, essa parte do litoral brasileiro é linda demais, recomendo a quem tiver vontade de conhecer seja andando, de bike, ou qualquer outra coisa, que faça o quanto antes, pois as casas só aumentam e as praias diminuem. Boa caminhada a todos !


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