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Pico do Urubu - Mogi das Cruzes

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estou ressucitando este post pois pretendo subir ao pico do urubu a pe, dentro de poucos dias.

No entanto, nao tem quem possa/ queira me acompanhar e me bateu aquele medinho de o caminho ser um lugar muito perigoso (com alta probabilidade de eu ser assaltada ou algo pior).

Se alguem ja foi sozinho e puder me aconselhar se e seguro ou nao, eu ficarei extremamente agradecida.

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estou ressucitando este post pois pretendo subir ao pico do urubu a pe, dentro de poucos dias.

No entanto, nao tem quem possa/ queira me acompanhar e me bateu aquele medinho de o caminho ser um lugar muito perigoso (com alta probabilidade de eu ser assaltada ou algo pior).

Se alguem ja foi sozinho e puder me aconselhar se e seguro ou nao, eu ficarei extremamente agradecida.

 

Olá amigão, entrei no fórum pra responder sua pergunta.

Subi o pico no dia 22/06/14 de carro com meu pai e desci de bike, RADICAL !...

Vale muito a pena subir, não tem problema quanto a violência ou risco de ser assaltado, pois o povo de lá é um pouco mais digamos "educado" ou "culto", não há risco de se perder, pois à placas sinalizando, abraços e bom passeio...

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Oi Pamela. Eu já subi a pé de manhãzinha com meu namorado. Pelo caminho há alguns trechos com casas e outros só com mato. Cruzamos com quase nenhum carro e algumas poucas pessoas que provavelmente moravam por ali e estavam indo à escola/trabalho (era mais ou menos 7h da manhã). Nós subimos em 1h30, mas meu companheiro sobe quase sempre sozinho em 1 hora. No geral é um caminho bem tranquilo. :)

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Ola... alguem aí..

quero fazer este passeio.. não deve ser perigoso não, né?

hoje em dia ouço tanto de assaltos em trilhas...

e tem outros lugares para olhar proximo ao pico/na cidade?

obrigada!

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    • Por Renato37
      Travessia realizada em 17/08/2019.
      Todas as fotos da travessia estão em: https://photos.app.goo.gl/iALbK8QSahnj7Lku6

      - Introdução -
       
      Fazia algum tempo que não batia perna na região de Paranapiacaba, ainda mais por conta da proibição e o aperto da fiscalização nas tradicionais trilhas do entorno da vila, como a da Fumaça e Cristal. Então, para evitar problemas, tenho optado por ir para outros lugares, como na Serra do Mursa, Itapety e Mogi, entre outros.

      Já tendo feito um batevolta na pouco conhecida Pedra Grande do Quatinga em 2013, es que me surge a ideia de retornar a mesma, mas não mais como um simples batevolta, mas sim, como travessia com 1 pernoite. Chamei várias pessoas, mas dado a logística e ter que acampar, apenas 5 toparam ir comigo na empreitada.

      Passava das 9:00 da manhã qdo saltei do metrô da linha 2 (verde) na estação de Tamanduateí, local previamente marcado com parte da turma. Lá encontrei o Marcio, Janaína e a Suzana que já me aguardavam no local. Sem perder tempo, logo embarcamos no trem da linha 10 da CPTM sentido Rio Grande da Serra, onde encontraríamos a 5º integrante da trupe, a Monike que é do ABC e que iria nos encontrar diretamente lá.

      Na Estação de Rio Grande da Serra esperando a ultima integrante da trupe, a Monike.

      Com toda a trupe reunida e após um breve café da manhã reforçado, embarcamos no latão rumo a Paranapiacaba que por sorte, estava com problemas na catraca e por isso, não houve cobrança da passagem, para a alegria de todos.


      1º Dia - Da Vila de Paranapiacaba ao Topo da Pedra Grande do Quatinga.
      Desembarcamos do ônibus em uma Paranapiacaba incrivelmente ensolarada e de céu estupidamente azul, coisa rara e que poucas vezes se vê por lá, com a ausência total do famoso "Fog" tradicional da vila inglesa. Para quem não sabe, o tradicional nevoeiro e os dias sem visual algum faz parte da vila inglesa, construída no Século XIX.


      O Relógio marcava pouco depois das 11:30 e precisaríamos apertar o passo afim de chegarmos até o topo da Pedra Grande a tempo de ver o por-do-sol. Após alguns clicks de praxe da vila inglesa e a tradicional foto clássica da trupe em frente a igreja, iniciamos a caminhada descendo a ladeira que liga a parte alta a baixa da vila.


      A turma na tradicional foto antes de começar a caminhada.
      Durante a caminhada na vila de Paranapiacaba, notei que muita coisa mudou desde a ultima vez que lá estive, anos atrás: O Bar da Zilda parecia um bar de balada, os quiosques do lado da passarela já não existiam mais e por fim o baixo movimento da vila para um Sábado ensolarado, reflexo da decadência que se tornou o local, que teve inicio após a proibição abusiva de acesso ao que foi um dos principais atrativos da vila: As trilhas que levam a várias cachoeiras da região.

      Pelo menos restauraram o velha replica do big ben de Londres da vila. Percebi tb que os moradores tiveram que ser criativos para atrair novos turistas para a região, que estavam espalhados pela vila, mas de nada lembrava a epoca boa de quando aquilo lá bombava.
      Acredito que, o que deve estar mantendo a vila de Paranapicaba em pé são os artesanatos, os vários festivais que são realizados ao longo do ano e que atraem centenas de milhares de turistas, como o tradicional festival de inverno.


      O novo "Big Ben" restaurado
      Com pouco tempo disponível, nem tiramos muitas fotos, pois tinhamos pela frente, vários quilômetros de caminhada até a Pedra Grande.
      As 12:15, deixamos Paranapiacaba e adentramos a pacata e tranquila estrada de terra do Taquarussu, palco inicial de várias outras trilhas feitas anteriormente. Essa estrada também liga o Bairro de Mogi a vila de Paranapiacaba.
      O trajeto começa logo de cara com uma subida que parecia assustar, mas como estavamos em um pequeno vale, esse trecho inicial de subida não foi um problema, pois aqui há enormes árvores que nos brindaram com uma refrescante sombra, o que foi um alívio para todos.

      Passamos por uma portaria e uma placa indicando que ali pertence ao parque natural nascentes de Paranapiacaba e que o acesso as trilhas requer a contratação de um guia, o que ignoramos é claro. Afinal, nosso destino estava bem distante dali, numa trilha em outro municipio. Algumas placas pelo caminho sugerem que essa mesma estradinha também faz parte do conhecido "caminho do sal".
      30 minutos de caminhada desde a vila de Paranapiacaba, passamos pela conhecida entrada da trilha que leva a cachoeira da Agua fria, onde havia um pessoal parado na beira da estrada e que  parece ter ido a cachoeira.
       Minha vontade de adentrar na trilha para rever a cachoeira foi reprimida pela obrigatoriedade de acompanhamento de um monitor, já que a trilha faz parte do pseudo parque natural de Paranapiacaba. Então, passamos batido por ela.
      Mais 15 minutos e passamos pelo marco divisor que divide os municipios de Sto André e Mogi das Cruzes, localizado no ponto mais alto da estradinha. A partir dai, inicia-se uma grande descida até o pitoresco vale do Taquarussu, pequeno vilarejo com meia duzia de casinhas simples.


      O Marco divisor fica do lado dessa placa, fincado da terra.
       
      Durante a descida, cruzamos com vários bikers e chegamos na pitoresca vila de Taquarussu as 13:20hs, mas nos limitamos a apenas algumas fotos, já que ainda tinhamos muito chão pela frente.
      Deixamos Taquarussu por volta das 13:30h e a partir dai, iniciamos um trecho pela mesma estrada de terra ainda mais deserta e em meio a um enorme vale. Aqui, as árvores são mais espaçadas e o sol passou a nos cozinhar, literalmente.
      2 horas de caminhada desde a vila de Paranapiacaba, resolvemos fazer um pit-stop para forrar o estomago e molhar a goela seca em um pequeno descampado ao lado da estrada.


      A Pitoresca Vila do Taquarussu, por ser uma propriedade particular, agora é toda cercada e fechada

      Descansados e saciados, voltamos a caminhada e as 14:20hs, chegamos a uma bifurcação, com uma placa indicando o camping simplão de tudo a direita, mas o caminho correto a seguir é a esquerda, em linha reta em direção ao pesqueiro trutas pedrinhas.
      Mais 10 minutos e chegamos em uma trifurcação, sendo que a esquerda vai para o Bairro de Quatinga sem passar pela Pedra Grande e a direita segue para o camping simplão de tudo. Mas o caminho correto é seguir em frente, em linha reta.


      Chegando nesse ponto, siga em frente ignorando os caminhos a esquerda e a direita

      Depois da trifurcação, passamos pelo 2º ponto de água, um enorme poção de água potavel que em um dia de calor de verão poderia ser a deixa para um convidativo tchibum. Aproveitamos para pegar água para o restante do dia e o seguinte. Como não lembrava de mais nenhum novo ponto confiável de agua a frente, sugeri a turma que coletasse toda a agua que fosse precisar a partir dali.


      O Poção e 2ºponto de água. O primeiro ponto é no acesso a cachoeira da Agua Fria, antes da vila de Taquarussu
      Recarregados com o precioso líquido, continuamos a caminhada e as 15:00hs, finalmente alcançamos o tal pesqueiro trutas pedrinhas. Mais uns 100 metros após o pesqueiro, chegamos a uma bifurcação, onde o caminho a seguir é para a direita. A partir desse ponto, passamos a caminhar por uma estrada mais estreita e precária, com a visão da face oeste da Pedra Grande agora visivel a maior parte do tempo. Passamos por alguns sitios e um lago a direita, enquanto a estradinha vai dando voltas pelo vale em direção a base da Pedra Grande e após passarmos por um grande vale, inicia-se uma sequencia de pequenas subidas.


      Pouco depois do pesqueiro, vire a direita.


      A Estrada correta vai levar diretamente a base da Pedra Grande, esse pico com a face careca logo acima na foto

      Face oeste da Pedra Grande visivel a maior parte do tempo
      Em uma curva a esquerda, já quase na base da Pedra Grande, uma trilha a direita serve de atalho e nela, havia uma placa indicando que ali é a continuação do conhecido "caminhos do sal." Adentramos a trilha e começamos uma das primeiras subidas em direção ao topo em uma trilha cheio de erosões e bem escorregadia, devido a constante passagem de motos. Muito cuidado nesse trecho.
      Durante a subida, passamos por mais um ponto de água, o último antes de chegar a base. Pegue toda a agua que for precisar desse ponto, que é o último. No topo e durante o restante da subida, não encontramos mais nenhum outro ponto de água.


      O acesso da trilha atalho: notem a placa no tronco indicando que ali é o caminhos do sal


      Trilha enlamenada, erodita e escorregadia por conta da passagem constante de motos
      Enfim, finalmente chegamos a entrada da trilha as 15:50hs. No meio das arvores ao lado da trilha, era possível ver o topo da Pedra Grande com seu topo bem visível dali. Agora iria começar a parte mais puxada desse primeiro dia, depois de quase 4 horas e 14 km de caminhada, que é subir até o topo, ainda mais com cargueira nas costas.
      A trilha é bem aberta e seu trecho inicial é composto por uma leve subida, sem grandes dificuldades. Caminhamos por cerca de 350 metros e chegamos a uma bifurcação, onde o caminho correto a seguir é para a esquerda, marcada por uma fita vermelha presa no tronco de uma árvore.


      Trecho inicial da trilha
      A partir desse ponto, a moleza acaba e a trilha inicia uma das várias subidas fortes em direção ao topo. Como acontece nos picos em geral, a medida que avançavamos, a subida ia ficando mais ingreme e o auxílio das mãos passou a ser constantemente necessários para impulso nos troncos, rochas e pedras.
      A subida é ardua, e com o peso da cargueira e o cansaço da longa caminhada até aqui, vou parando algumas vezes para retomar o fôlego.
      A Janaína e a Monike esboçavam sinais de estarem nas últimas e foram subindo em ritmo de tartaruga manca com muletas, mas não tinham escolha, pois subir era preciso!
      Felizmente, os trechos mais íngremes não duram muito tempo e logo adentramos a um trecho de ombro, com a subida mais forte dando uma trégua. 20 minutos desde a estradinha lá embaixo, eu e a Suzana emergimos da mata fechada e passamos a subir na parte descampada do topo, que era o trecho final da subida, mas que voltou a ficar bem íngreme e dessa vez com o sol forte na cachola.
      Finalmente, com pouco mais de 30 minutos de subida desde o inicio da trilha lá embaixo, chegamos ao topo dos 1.155 metros de altitude da Pedra Granda do Quatinga as 16:32hs, encerrando a caminhada desse 1ºdia de travessia. Não havia ninguém no topo e é claro que fomos donos absolutos do lugar, para a alegria da Suzana que passou a se fartar de fotos do topo.
      O cume tem um visual de 360 graus e lá do topo, consegue-se visualizar todas as cidades do entorno, como Mogi das Cruzes, Suzano e até Mauá bem distante.
      Sem perder tempo, fui logo procurando um lugar plano e protegido para montar a barraca. Qdo estava montando a barraca, Marcio, Janaina e a Monike chegaram ao topo, uns 15 minutos depois.







      Com a trupe reunida novamente, montamos rapidamente as barracas e ficamos só de boa só aguardando o Astro-rei repousar no horizonte que mais uma vez, foi um espetáculo a parte. A noite, a bola da vez foi as luzes das cidades do entorno todas iluminadas.
      Depois cada um foi preparar a sua janta e ficamos só jogando conversa fora e  vendo as estrelas com um plus a mais: O nascer da lua as 19:20hs toda avermelhada que foi um espetáculo único a parte.
      Mas com o vento frio e o sono vindo, nem fiquei muito tempo fora da barraca e fui dormir por volta das 21:30hs.

      2º Dia - Do Topo da Pedra Grande ao Bairro do Quatinga em Mogi

      Nascer do Sol
      O domingo amanheceu sem vestígio de nuvem alguma e apenas uma leve nevoa nos vales. Como de praxe, todos ficamos aguardando o surgimento do Astro-rei e após os clicks, fomos preparar o café da manhã. O meu foi com pão e um café bem quentinho para espantar o frio da manhã.
      Barraca desmontada e mochila nas costas, iniciamos a descida por volta das 8:30 com o belo visual da cadeia de morros e vales do alto da Serra do mar bem a nossa frente ainda encoberto por uma fina camada de névoa, o que foi mais um atrativo a parte.
      Descemos por uma trilha alternativa que faz algumas curvas para diminuir o desnível de quem sobe, evitando a pirambeira que sobe direto. Mas no restante da trilha, e as meninas sofreram um pouco, principalmente a Janaina que estava só com uma mochila comum carregando a barraca e isolante térmico nas mãos (que coragem).


      Vales tomados pela nevoa


      Com a descida muito íngreme, os escorregões dela foram inevitáveis, o que me deixou um pouco preocupado, dado o fato que poderia se machucar gravemente e ter que chamar o resgate. Mas felizmente o Marcio deu um auxilio nos trechos mais pirambeiros e a descida foi tranquila.
      Pouco depois das 9:00hs já estavamos todos de volta ao inicio da trilha e a partir dai, passamos a seguir pela continuação da estrada de terra da trilha atalho em que viemos no primeiro dia. 20 minutos após sair da trilha da Pedra Grande, a estrada começa uma longa, mas sinuosa descida até um grande vale, para depois virar a direira, subir um pouco e novamente descer.
      As 9:32, chegamos ao primeiro ponto de água desse trecho, que é um riozinho que corre paralelo a estrada e depois cruza ela um pouco a frente. A turma aproveitou para recarregar seus cantis pq segundo infos, seria o unico ponto de agua limpa e confiavel de todo o trecho. Como eu tinha 1 litro de suco e 500ml de agua de coco que eram mais que suficientes para mim para o trecho final, nem me preocupei.
      Após o trecho do rio, a estrada de terra passa a ficar mais movimentada, aparecem os primeiros sitios e casas e junto com eles, os carros, que nos fazem comer poeira.
      Mais 1 hora de caminhada tediosa pela estradinha, passamos por uma bifurcação com uma placa indicando que a esquerda, segue para o sítio Itaguassu e aproveitamos para fazer um rapido pit-stop nesse ponto para um lanche e molhar a goela seca.
      E enfim, após 2 horas desde o topo da Pedra Grande, alcançamos o bairro de Quatinga bem a tempo do próximo ônibus para Mogi .
      Após uma viagem de quase 1 hora, saltamos na estação central de Mogi das cruzes, onde pegamos o trem de volta para SP, chegando em casa por volta das 14:30h, cansado, mas feliz.

      Dicas:

      --> Durante toda a travessia, existem poucos pontos de água, mas bem distribuidos, não sendo necessário sair carregado de agua da vila ou de casa. O 1º ponto está na base da cachoeira da agua fria, após a trifurcação no poção e no inicio da trilha atalho.
      No segundo dia, o unico ponto de agua está bem na metade do caminho.

      --> Se for acampar, pegue toda a agua que precisar no ultimo ponto, pois na trilha e no topo não há água. Eu carreguei comigo 1 litro de agua e outro de suco que foram mais do que suficientes pra mim.

      --> No topo não há areas protegidas dos ventos, somente adentrando na trilha a esquerda que parte na direção sul. Lá há uns pequenos descampados para 1 ou 2 barracas em cada trecho e que são uma boa opção de area protegida. É só descer uns minutos pela trilha para achar os pequenos descampados planos e protegidos no meio da mata.

      --> As linhas de ônibus para o terminal Central de Mogi são:
      C192 Quatinga via Tomoki hiramoto e C193 Quatinga via Barroso.
      A Linha C192 tem poucos horários, mas a C193 tem vários horários, mesmo aos domingos.
      Ambos as linhas são municipais e a tarifa é de R$ 4,50 (Ref.Agosto/19)

      Maiores informações podem ser obtidas no site www2.transportes.pmmc.com.br ou pelo telefone 0800-195755.
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
    • Por Jéssicags
      Amigos haviam planejado essa expedição há tempos. A verdade é que eu não tinha muito ideia do local exato da expedição, tinha apenas uma leve noção que era próxima a Pedra do sapo / Pedra Furada. Iríamos realizar o grande feito no domingo anterior, mas por questão de logística abortamos. Sem desistir da missão, adiamos para o outro fim de semana. Realizaríamos a trip no domingo como havíamos planejado. Tudo certo, mas o clima não estava ajudando. Dias antes, o tempo virou, sexta, sábado e a madrugada de domingo choveu, imaginei q a expedição seria abortada novamente, mas para minha surpresa, essa hipótese nem foi cogitada pelos veteranos.
       
      Estavam todos animados, mas eu estava com certo receio, já fiz alguns trekkings, agora expedição era uma novidade singular. Mata fechada, previsão de chuva, nenhum integrante da trupe tinha experiência no local, se não por mapas, croquis, pesquisas e afins, alto índice de sermos surpreendidos por algum animal silvestre q habita o local, não havia “O guia”, mas sim quatro expedicionários, enfim isso evocava muitos riscos, não poderia ignora-los, por isso refleti bastante sobre minha presença nessa expedição. Inexplicavelmente queria ter essa experiência e topei. O grupo era composto por 4 loucos hehe. Em primeiríssimo o mestre Albino Cesar, mas conhecido como Carioca, um sábio bombeiro e veterano na arte de se embrenhar no mato, um legitimo contador de estórias e histórias e detentor de informações valiosíssimas sobre sobrevivência na selva, em seguida Marcus Vinicius, biólogo, dono de um humor comicamente ácido, responsável pela maioria das piadinhas feitas na trilha, Marcus tem uma habilidade impar de compartilhar seu conhecimento com os menos informados, uma excelente fonte para se sugar informações sobre comportamentos de animais e afins, logo em seguida Vanderlei Junior, mas conhecido como Bueno, o jovem bombeiro, cheio de complexos e medos, mas uma pessoa extremamente solicita, sempre pronta a ajudar e por fim, mas não menos anormal eu... uma estudante de psicologia, apaixonada por montanhas e trilhas, avida por aventuras e que ainda questionava a não importância da sua presença nessa expedição, mas enfim as 07 a.m me encontrei com a galera, meio atrasada e mancado pq havia esfolado meu calcanhar em uma trilha um domingo antes (nada q uma caixa de bandeides não resolva). Pegamos a estrada Mogi-Bertioga e fomos em direção a nossa aventura, agora mais aliviados pois a chuva já havia cessado e os singelos raios de sol lutavam entre as nuvens para dar o seu ar da graça naquele dia.
       
       
      Chegamos ao começo de tudo, Posto da Balança, estabelecimento localizado na Rod. SP- 98, deixamos o carro por lá, tomamos um café e começamos a pernada pelo acostamento da rodovia em direção a Biritiba Mirim, onde realmente começaríamos a tão esperada expedição. Como havíamos chegado cedo, mantemos um ritmo leve. Uma hora depois chegamos à entrada q daria para trilha, uma propriedade particular abandonada, conhecida como “Vereda do seu Geraldo” . O que bloqueia a entrada da propriedade é uma cancela de ferro, mas o acesso é muito fácil, sendo possível fazê-lo contornando o bloqueio, pulando ou dançando macarena, isso fica a critério do aventureiro, nós resolvemos contorná-lo. Por uma infelicidade do destino, após ultrapassarmos parcialmente o bloqueio, a barra de ferro desabou no pé do Carioca, eu estava atrás dele, ficamos todos preocupados, mancando o Carioca sentou se próximo ao bloqueio, agora já dentro da propriedade. Não sabíamos qual era o estrago que o impacto havia feito nos seus pés. Rápido nos juntamos p/ auxilia-lo, quando de repente um grito espontâneo ecoa “Caralho, uma abelha” era o biólogo, uma abelha o havia picado, automaticamente ignoramos este fato e voltamos a total atenção para o Carioca, q neste momento abria a mochila para pegar algo q aliviasse a dor, mas novamente outro grito e em seqüência outro, e por fim o golpe de misericórdia “ É um enxame, corre dessa porra!”
      Eu não faço ideia de como eu atravessei o bloqueio, mas corri metros pelo acostamento da rodovia, eram muitas abelhas, o barulho era irritante, ensurdecedor. A minha frente o Bueno corria como um desequilibrado, sacudindo as mãos em movimentos frenéticos acima da cabeça, largando a cargueira pelo caminho, tirando as blusas, eu corria desesperada fazendo movimentos brusco, o q me incomodava não era nem as picadas em si, mas aquele barulho insuportável q elas emitiam ao pé do meu ouvido, atrás de mim corria o Marcus. A cena era incomum e me fez rir, mesmo em meio ao caos. Corri praticamente a maratona são silvestre, e as abelhas já haviam parado de zumbizar no meu ouvido e de me agraciarem com seus ferrões, quando me lembrei do nosso companheiro q ficou caído, com uma possível fratura no pé, limitado, entregue aquelas malditas criaturinhas de Deus. Meu coração apertou, deixei um soldado ferido, de pressa comecei a retornar, de repente eis que a Fenix ressurgi em meio ao enxame, (um alivio enorme) Carioca corria em nossa direção, corria não, mancava, em suas mãos uma blusa de frio q era utilizada pelo msm para espantar as abelhas, girando incessantemente sobre sua cabeça, e para coroar essa cena, os movimentos dele eram acompanhados pela trilha sonora de buzinas do carros q passavam a mil por hora pela pista. (a cena era hilária hahaha) Depois q nos aproximamos do alvo das abelhas (Carioca) corremos mais alguns metros para longe do coitado... pois ele praticamente carregava o enxame de abelhas na cabeça. Quando estava em uma distância segura, gritei p/ os meninos pedindo ajuda, mas a resposta foi unanime “ O repelente esta nas cargueiras, largadas em algum lugar no acostamento da estrada” mil vezes merda, foi quando tive a "brilhante" ideia de espantar as abelhas com um desodorante spray q sobreviveu na mochila q eu carregava em meio aquela loucura.
      (Dica: Dias depois, li que em hipótese alguma deve se usar desodorantes ou spray contra as abelhas, fazer movimentos bruscos ou tentar afugentá-las, elas ficarão agitadas e consequentemente iram atacar com mais frequência, ou seja não faça o que fizemos!!, p/ mais dicas confira este link: http://www.abc.med.br/p/301385/picadas+ferroadas+de+abelhas+quais+sao+as+consequencias+como+se+proteger.htm,
      É evidente que raramente imaginamos ser atacados por um enxame de abelhas, mas escute meu conselho, as abelhas existem e estão por aí, e quando menos se espera elas atacam então é bom manter-se informado)
       
      Enfim eu não sabia nada disso, assim q comecei a perfumar as bonitinhas elas se afastaram (talvez não tenham gostado da fragrância). Novamente o Carioca nos alcança, dessa vez agimos como leais parceiros de equipe. Espantamos algumas abelhas q insistia em persegui-lo e verificamos se estava bem. Ele havia sido picado por muitas, mas inacreditavelmente manteve se calmo, e riu de si msm e da própria situação. Concluímos q acabávamos de presenciar um milagre, pois o pé dele havia sido curado instantaneamente. Nada como um bom enxame de abelhas p/ sanar qualquer fratura hahaha. Gracinhas à parte, graças a Deus nós não somos alérgicos, mas a dorzinha latente dos ferrões era inevitável.
      O Marcus estava equipado com remédios antialérgicos, adrenalina e etc, mas o uso não se fez necessário. Depois daquele “Bom dia” q recebemos da mãe natureza, retornamos para o inicio de tudo a Vereda do seu Geraldo. A pergunta parou no ar... abortar ou não? A resposta foi consensual, estávamos vivos e bens, então optamos por continuar a missão. Entretanto surgiu outro problema, não era possível utilizar a msm entrada novamente, a colmeia de abelhas estava muito próxima a cancela e as danadas estavam muito agitadas, tínhamos q arranjar outro método para entrarmos, e assim o Carioca o fez fizemos, descemos um morro ligeiramente íngreme a esquerda q dava acesso a propriedade e entramos.
       
      Nem tínhamos iniciado a trilha ainda e situações épicas já haviam ocorrido, mas aquele sentimento de chegar ao objetivo nos motivou a continuar a saga. A trip de inicio é muito aberta, é uma estradinha de pedras, não utilizada há tempos. Alguns minutos dentro da propriedade e encontramos pegadas frescas, supostamente feitas por uma suçuarana, segundo o biólogo. Tal acontecimento me amedrontou bem mais q o ataque das abelhas. Mas tínhamos uma missão q agora eu já sabia ao menos qual era hehe chegar a Represa dos Andes e depois do auê q passamos, me senti obrigada a cumpri-la. Se um ataque de abelhas não fez retrocedermos, não seria eu a causadora disso. “Entramos juntos e iremos sair juntos. Se alguém por qualquer motivo retornar, todos voltaremos” disse o Carioca com sua sabedoria e cabeça cheia de ferrões rs. Prontamente eu respondi “Claro q não, vamos continuar”. Precisava fazer jus a bandeira feminina já q eu era a unica representante da raça naquele momento. Sim, eu já estava com o coração na boca, “suçuarana, o q é isso, meu pai do céu? ” eu pensei. As pegadas eram grandes parecidas com as de uma onça, mas logo fui acalentada pelas informações do biólogo sobre o animal. (Para alguém q assim como eu, fez uma associação irracional errônea do nome suçuarana com alguma espécie de aranha (espero não ter sido a única a fazer essa relação. P.S. Esta associação foi feita antes de ver as pegadas na trilha) sinto informar, mas não tem nada a ver. A Suçuarana ou Puma Concolor, conhecido também como onça- parda, Jaguaruna, Leão da Montanha e outros, é o segundo maior felídeo neotropical, carnívoro, se alimenta de gados, carneiros, ovelhas, cervos, sendo capaz de digerir até roedores e insetos. Tem hábitos noturnos e tem o comportamento solitário, evita contatos com seres humanos, e é raro relatos de ataque a humanos)
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      Comemos carne enlatada com milho e legumes, carne esta q o Carioca fez propaganda o dia todo, eu não curti muito o gosto, mas me alimentei bem, afinal cavalo dado não se olha os dentes rsrs
      Todos plenamente satisfeitos, voltamos p/ o grande impasse, direita ou esquerda. Optamos pela esquerda, e neste sentido havia muitos rastros de trilhas alternativas feitas por animais silvestres, um forte cheiro de urina (fato q rendeu algumas piadinhas) percebemos q estávamos em um território demarcado, hora de zarpa dali e assim fizemos, voltamos p/ bifurcação e fomos todos p/ direita, andamos e andamos. Havíamos combinado de q se até 13h30min. não encontrássemos a Represa ou um sinal de q estávamos na direção certa, retornaríamos, pois o relógio super, blaster barométrico do Carioca, apontava q iria chover. Já era 14 h. e pouco, envolvidos na trilha nem tínhamos notado q já havia passado da hora de retornarmos.
      Sem saber p/ onde ir ou onde estávamos, com a probabilidade gigantesca de chuva forte na região resolvemos retornar.
      A volta foi bem tranquila e rápida, o retorno foi em outra vibe, me senti como se já fizesse parte daquele ambiente, totalmente diferente da ida, q cada passo era uma exploração. Confesso que no retorno me senti até meio idiota por ter ficado tão apreensiva quanto a minha presença naquele lugar. A vida naquele local é tão autônoma que entendo nossa presença naquele dia como algo indiferente aos dinamismo natural. Os únicos seres q fizeram questão de expor seu protesto quanto a nossa presença foram as abelhas, maribondo e borrachudos.
      Infelizmente não alcançamos o nosso objetivo, mas estamos com projetos e iremos retornar em breve p/ dar continuidade a essa grande experiência.
      Este contato real com a natureza sempre me motiva a laçar-me ao inesperado.
      Mesmo ciente dos riscos eu decido arriscar, pq intimamente eu sei q vai valer apena, sempre vale!
    • Por Jorge Soto
      http://jorgebeer.multiply.com/photos/album/267/267
       
      O MURALHÃO DE TAIAÇUPEBA
      Muito céu, ventos frescos e caminhadas (e escaladas) revigorantes. Altos paredões de rocha negra prontos pra rapel e escalada, e td isso em meio a verdejante mata secundária. Pedreira do Dib? Não, é outra faceta da velha e pacata Taiaçupeba, bairro afastado de Mogi das Cruzes. E foi essa pedreira pouco conhecida da maioria q não deve em nada à sua ilustre de Mairiporã q fomos bisbilhotar neste ultimo domingo. Por se tratar de um programa tranqüilo e relativamente curto, emendamos a travessia até Paranapiacaba através de um trecho da tb pouco conhecida Estrada da Mineração, situada no vale paralelo a Estrada da Vargem Gde. Eis mais um roteiro pauleira (pela gde distancia percorrida, algo de 25km ) q alterna estrada de chão, trilhas de reflorestamentos e, claro, um pouco de vara-mato.
       

       
      O sol mal iluminava a torre principal da Igreja Matriz da Pca Central e se restringia a brilhar sobre a cumieira da morraia ao redor qdo saltamos do busão, em Taiaçupeba, por volta das 7:30hrs. O pequeno bairro distrital mogiano recém despertava pra mais um domingo q se insinuava frio e preguiçoso, mas com promessas de céu limpo e claro. Imediatamente eu e o Ricardo pusemo-nos a caminhar, já previamente satisfeitos pelo desjejum tomado no terminal rodoviário de Mogi, na bem-vinda barraquinha de um ambulante. Sim, tínhamos saido bem cedo de Sampa pq a pernada proposta era extensa, e havia q otimizar ao Maximo o tempo de luz natural disponível.
      Munido devidamente dum pequeno papel com a transcrição da localização exata da tal pedreira, vou me fiando piamente das infos nele contidas ao mesmo tempo em q observo e comparo os detalhes do pacato bairro a minha volta, como se fosse o mais preciso (e improvisado) GPS. Embora q quem visse de fora o tal papel jurasse q ele tinha mais cara duma versão reduzida e surrada de “mapa do tesouro” q qq coisa assemelhada ao famoso aparelhinho de posicionamento global. Portanto fica aqui desde já registrado o agradecimento ao Nei (http://www.ecoculturalviagens.com) pelo sopro desta interessante dica duma pedreira q sequer sabia da existencia, semanas atrás. E olha q já perambulei aqui umas quatro vezes, sendo a quinta esta aqui.
      Ao passar pelo lado da Igreja Matriz de Taiaçupeba, abandonamos a via principal e entramos na primeira rua, à esquerda, subindo calmamente pela curta via. Uma vez no alto nos deparamos com uma bifurcação, mas a gente toma a via da direita e q segue pra oeste, devidamente sinalizada como “Rua das Flores”. A rua sobe mais um pouco, deixando a mostra uma vista bonita da cidade aos nossos pés, e os paralelepípedos q a forram logo dão lugar a terra batida, ao mesmo tempo em q a nossa volta some qq vestígio de civilização e logo nos vemos cercados de mato por ambos os lados.
       

       
      A via então começa a descer suavemente ate q cruzamos um punhado de casas, no q parece ser um pequeno bairro periférico de Taiaçupeba, pra então dexá-las pra trás e subir mais um morro forrado de eucaliptos, agora tendendo pra sudeste mas sempre nos mantendo na via principal. Mas subitamente a estrada descreve uma curva fechada e toca pra nordeste. Na curva, porem, vemos q brota uma trilha larga q em meio a mata e segue pro sul. Memorize-a pois ela será nosso caminho depois de visitada a pedreira, poupando-nos da necessidade de retornar á Taiaçupeba. Seguindo então pela estrada a pernada prossegue agradavel e tranqüila, mas aqui já começamos a prestar atenção a nossa esquerda, de onde deve surgir (pelas infos coletadas) uma picada obvia no meio da mata. E ela surge de fato um pouco depois q a estrada faz uma curva em “S”.
      Mergulhamos então no frescor da mata atraves da obvia vereda até q ela desemboca aparentemente em terreno aberto, mais precisamente num gde descampado forrado de capinzal onde aos poucos uma grandiosa vista descortina-se a nossa frente deixando a mostra boa parte do quadrante norte da carta de Mogi das Cruzes, incluindo o espelho dágua da Represa de Jundiai, com algum esforço. Ao começar a pisar na aspereza de largas lajotas é q nos damos conta q estamos mesmo é no topo da tal pedreira visada! Eram aproximadamente 8hrs e lá estavamos nos, enfim, no lugar almejado!
      Chegando próximo da beirada é q se tem uma noção da altura dali, algo de 40m verticais! Claro q não é nenhum Dib, mas não deixa de ser uma altura considerável pra região. Ainda por cima, a pedreira se situa na encosta nua de um enorme morro, o q dá uma sensação de declividade maior em relação ao entorno. A inexistência de grampos gera duvidas qto as ancoragens aqui feitas pelo pessoal q pratica esporadicametne rapel. Mas a resposta vem sob a forma de alguns ferros salientes na rocha, provavelmente datados da época da explosão da pedra. Ou quem sabe eles garantem sua segurança nos firmes troncos de palmeiras próximos?
       

       
      Após muitas fotos do alto começamos a estudar um meio de chegar na base da mesma, algo relativamente facil. Como o lado direito (de cima) da pedreira concentra a maior parte do paredão vertical frontal, observamos q pra esquerda já mostra-se menos íngreme, sendo possível desescalaminhar a pedra, com cuidado. Evitando trechos de limo e nos firmando no capim, arbustos, agarras e pequenas arvores a meio-caminho, conseguimos enfim alcançar a base da pedreira. Claro q fazer isto com chuva ou com a pedra úmida não é aconselhável. Na base é possível discernir uma trilha - na verdade, capim amassado – q percorre o sopé da pedreira e é ali onde se tem uma noção da imponência da pedreira. Vale destacar q aqui encontramos os restos de uma colméia e dois pequenos roedores mortos, quiçá q se valeram do belo local pra cometer suicídio. Alem do mais, mergulhando na mata proxima encontramos uma trilha bem batida q sobe ao alto da pedreira atraves de um trecho florestado, porém bem menos íngreme e mais seguro pelo qual nos descemos, q praticamente foi de rocha nua. Pra quem vem por cima, este trecho corresponderia ao mato q bordeja a pedreira, na sua extrema direita.
      Após um tempinho de contemplação e mais algumas fotos, escalamos td novamente (ignorando a picada segura) ate o topo da pedreira, damos uma ultima olhada no belo visual favorecido pelo tempo transparente e vamos embora, satisfeitos pela visita aquele pitoresco lugar, q certamente deve ser melhor aproveitado por quem é chegado numa boa e velha cordada. Refizemos então td caminho de volta na estrada, mais precisamente ate aquela curva fechada já mencionada anteriormente, e tomamos uma larga e evidente trilha q ia no sentido desejado por nos, isto é, sul/sudoeste! A picada mergulha na mata e passa a descer o morro suavmente, pra depois emergir no aberto e finalmente desembocar, as 9hrs, numa outra via maior q já conheço doutras ocasiões, a Estrada da Adutora, ou SP-943.
       

       
      Dali tocamos pra direta de forma desencanada ate q se alcança uma encruzilhada bem evidente: seguindo reto (oeste) chega-se a Quatinga, outro bairro periferico mogiano; tomando a direita (norte) damos em Taiaçupeba e; rumando pra esquerda (sul) vamos pro Pq das Neblinas, Sertão dos Freire, Sertãozinho da Capela e Paranapiacaba, q é nosso destino no momento. Passamos por baixo da tubulação q dá nome a estrada e dali em diante a pernada se dá por agradavel e tranqüila estrada de terra batida (SP-102), recomendável principalmente pra bikers. Uma bem-vinda bica na margem esquerda da mesma é motivo pra uma providencial pausa e refresco da goela seca aquela altura da manha.
      Pois bem, a caminhada prossegue inconfundivelmente pro sul atraves da simpática e bucólica estrada supracitada, tendo como paisagem a exuberante mata em volta assim como eventuais chácaras e sítios pipocando aqui e ali vez ou outra. Mas as 9:20hrs nosso caminho se bifurca: tocando pra direita temos a Estrada da Vargem Grande, via já palmilhada e descrita noutra ocasião; portanto tomamos o ramo da esquerda, q corresponde a Estrada da Mineração, via q desejava conhecer naquela manhã. A partir dali os horizontes se ampliam deixando a mostra a sequencia de morros forrados de reflorestamentos q serão contornados, estrada abaixo.
      E tome chão! Na verdade uma caminhada bastante agradável naquele meio da manhã ensolarado. O visu alterna reflorestamentos gigantescos de eucaliptos alternado com pequenos sítios no caminho, alguns bem chiques por sinal. Passado então o Sitio Moraes, o Recanto do Molina e o Sitio Texas, onde alguns gansos anunciam nossa presença melhor q cães de guarda, nos deparamos com uma via saindo da principal, pela esquerda. É o famoso Caminho dos Freire, devidamente sinalizado, q pelas infos coletadas vai dar lá em São Sebastião! Tai uma dica de exploração pralgum biker bem-disposto!
       

       
      A pernada prossegue então no mesmo compasso ate q surgem altos muros a nossa direita escondendo uma fazenda chiquerrima, o Sitio Filomena, as margens de um belo laguinho artificial. E é aqui q já começamos a estudar um meio de abandonar a estrada e galgar a morraria pra então rumar sentido oeste. Lembrar q nosso destino é Paranapiacaba e a Estrada da Mineração termina no Pque das Neblinas, bem mais ao sul. Mas logo após os tal muro do sitio ganhamos um carreiro q sobe uma pequena crista ascendente q vai no sentido desejado ate alcançar seu cume, onde há uma pequena roça. Sem mais trilha agora o jeito era azimutar pra oeste e tocar pela morraria no caminho! E simbora!
      E la vamos nos, varando o alto capinzal q doura a cumeiira daquela abaulada morraria e atravessando um simpático reflorestamento de eucaliptos, de modo a contornar o casarão do tal Sitio Filomena, onde nosso medo era a presença de cães anti-sociais. No morro sgte saltamos uma cerca rasgando algumas palmeiras no caminho e, vendo mais segurança, descemos a encosta ate ganhar uma bem-vinda picada, já passado o terreno da tal propriedade. Por sorte a picada ia no sentido desejado (oeste) e la fomos nos, de boa, ate q a vereda findou num local situado no meio da morraria marcado por um pequeno laguinho.
       

       
      Procurando pelas beiradas encontramos uma discreta trilha q ladeava o laguinho ate se enfiar em meio a morraria sgte. Dito e feito, foi por ela mesmo q nos pirulitamos, em meio a mata. Mas ao perceber q foi descrevendo uma curva demasiado pra sudeste q ficamos em duvida q tavamos na rota certa. Bem, de qq forma resolvemos investir nessa trilha ate onde desse; na pior das hipóteses retornaríamos um tanto e dali rasgaríamos mato no peito ate reencontrar a rota certa. Mas felizmente isto não foi necessário pq logo a picada desembocou no aberto, mais precisamente nas encostas de pasto de um pequeno serrote onde podíamos avistar nosso destino, o Vale do Rio Vargem Gde, aos pés da grandiosa Serra do Itaguacira, q se espichava no sentido norte-sul!
      Mesmo sabendo a direção a tomar, despudoradamente pedimos infos prum tiozinho q cavava um poço ali, no meio do nada e lugar nenhum, q apenas confirmou nossas suspeitas de rota. Descemos então prum selado entre vales e dali começamos a tocar montanha acima atraves de uma obvia picada q delimitava aparentemente uma propriedade, assinalada tb por eventuais marcos de concreto no chão. A picada sobe vigorosamente a montanha, sempre acompanhando a linha de eucaliptos q se estende pra oeste.
      Finalmente as 11:15hrs caímos numa simpática estrada de reflorestamento abandonada quase no alto da morraria. Abandonada pq o mato alto, a inexistência de pegadas (ou qq tipo de marca de pneus) e a cobertura de folhas em td sua extensão denuncia isso. Depois soubemos q essa via pertence a Fazenda Marcilio, constatação confirmada por uma placa, ao final. Após um descanso pra recuperada de fôlego nos pirulitamos por essa estrada mesmo, desipedidamente sentido oeste, já q ela praticamente bordejava a serra naquela direção sem maiores dificuldades. Primeiro em nível pra sudoeste, pra depois perder altitude num piscar de olhos pro norte.
       

       
      Ao meio-dia desembocamos na Estrada da Vargem Grande, situada ao largo do vale do mesmo nome e ao sopé da Serra do Itaguacira, q bastou acompanhá-la embicando pra sudoeste, sem problemas. O sobe e desce q se segue pode cansar as pernas desacostumadas mas a agradavel paisavem da verdejante serra ao nosso lado q nos serve de cia compensa o esforço. Da mesma forma q a Estrada da Mienração, aqui esta repleto de sítios e chácaras, porem em menor qtdade, e eles começam a rarear de fato a medida q avançamos estarda adentro. Do caminho já é possível avistar o destino de nossa rota: o abaulado selado a sudoeste onde convergem a Serra do Itaguacira e a linha de morros de reflorestamentos q vem do sul.
      Ao ter a proximidade do tal selado, por volta das 12:50hrs, constatamos q a estrada torna-se cada vez mais precária, os sítios sumirem de vez, alem da via começar a subir forte pra poder passar pro outro lado da serra. Mas antes disso a abandonamos por uma picada larga e erodida q deriva pela direita, conhecida como a “Trilha das Motos”. Erodida, enlameada e bastante precária podem definir esta vereda, defato com marcas de motocicleta e bikes durante td seu trajeto, por sinal sempre tocando pra sudoeste. A pernada aqui na verdade é tranqüila e desimpedida, sempre acompanhando as nascentes dos rios Taiaçupeba e Anhangabaú, em meio a extensos reflorestamentos de eucaliptos pertencentes a Faz. Matarazzo (na carta de Bertioga, Faz. Quilombo).
       

       
      Antes de deixar os portões da fazenda, as 14hrs, nos brindamos com uma rápida e providencial parada de descanso nas margens do borbulhante e manso Rio Taiaçupeba. Parada apenas pra descanso mesmo, pq a agua trincando de gelada impede qq tentativa de mergulho nos convidativos poços represados do regato. E foi num trecho deste rio q minha câmera fotográfica obedeceu seu impulso irresistível de mergulhar afim de se refrescar sem ao menos pedir permissão pro seu descuidado dono, q logicametne entrou em desespero ao ver a bichinha td molhada, sem ligar nem o visor. Felizmente ela hj ta sequinha e passa bem, funcionando perfeitamente outra vez.
      Descansados e revigorados, foi ai então q retomamos a árdua e maçante pernada q teríamos pela frente, algo q totalizava em torno de 8km ascendentes. Deixamos a Faz. Quilombo após coletar suculentos limões de um pé próximo aos portoes, passamos por uma barulheira tocando Ramones vinda do Camping do Simplão ate cair na estrada q nos levaria primeiro ao Taquarussu e, finalmente ate a famosa vila inglesa. Claro q qq esperança de carona foi descartada, embora esta fosse a ultima q morre. Essa caminhada final foi realizada, claro, a passo de lesma-paraplégica.
       

       
      Mas como td martírio não é eterno, eis q as 16:45hrs finalmetne pisamos em Paranapiacaba, q estava com gente saindo pelo ladrão por conta do tradicional XII Festival de Inverno, q praticamente quadriplica a população nos fds. Consultando por curiosidade o folder distribuído por la vejo q as atrações musicais vao desde Arnaldo Antunes, Tom Zé, Fafá de Belém, Kiko Zambianchi, 14 Bis, entre outros. Naquela noite haveria show do João Bosco, por exemplo. Mas eu e o Ricardo estamos pouco ligando pro calendário cultureba áquela altura do campeonato e nos dirigimos imediatametne ao Lgo dos Padeiros, onde desabamos num dos vários quiosques e mandamos ver algo pra forrar o bucho e, claro, bebemorar a longa caminhada ate ali. Zarpamos hora e meia depois, qdo o manto negro começou a cair sobre os ombros serranos da vila inglesa, trazendo a tiracolo o indefectível frio típico da região. Imaginei rever algum conhecido, mas q nada...so topei com a Carol, mas ja quase chegando em casa, na saida do Metrô.
       
      É verdade q o roteiro acima proposto pode ser melhor aproveitado por bikers e escaladores tanto pela característica do passeio como pela alta distancia percorrida. Entretanto, por se tratar de uma rápida e descompromissada “primeira exploração” na região, nada impede q tb possa ser feito a pé, pq não? A estrada ao lado da pedreira esta repleta de picadas q derivam dela em tds as direções, deixando o pto de interrogação: onde será q vão dar? Da mesma forma, a continuidade da Estrada da Mineração, sentido extremo sul, é uma total incógnita pra este q vos escreve mas decerto deve conter possibilidades de novas pernadas tanto pro Vale do Quilombo como novos acessos até a vila inglesa, a sudoeste. E até pro próprio Sertão dos Freires, ao sul. Mas claro q estas serão novas e vindouras futuras investidas á região, já devidamente anotadas. Mais um motivo pra ter a Serra do Mar como pedida ideal prum fds de tempo bom. E o melhor, sem direito a repeteco de passeio.
       

    • Por Jorge Soto
      http://jorgebeer.multiply.com/photos/album/310/Pedra-da-Seriema-e-da-Porteira-Preta
       
      A PEDRA DA SERIEMA E DA PORTEIRA PRETA
      Dos serrotes domésticos de Sampa, a Serra do Itapety é a mais próxima e acessível a qq andarilho (ou biker) q se preze. Com suas largas e altas encostas forradas de mata secundaria guardando a cidade de Mogi das Cruzes, o Itapety está recheado de trilhas pra tds os gostos, boa parte delas oriundas de antigas veredas de reflorestamentos desativados. Algumas foram alargadas e asfaltadas, enqto outras ainda se mantem de terra, bem estreitas; como, por exemplo, as q levam ao Pico do Urubu e Pedra do Lagarto, respectivamente. No entanto, existem ainda aquelas q por conta do desuso encontram-se parcialmente fechadas, mas q servem de elos de ligação pra atrativos menos conhecidos e pouco visados da notória serra. Eis um circuitinho curto, porém relativamente puxado, q contempla a Pedra da Seriema, passa pela “Trilha da Bica Encantada” e ascende á Pedra da Porteira Preta.
       

       
      Chegando tarde pra incursões na borda da serra da Mogi-Bertioga e relativamente cedo pra qq outra coisa, assim q pisei na Estação Estudantes, coisa das 8:30hrs, liguei pro Ricardo afim de bisbilhotar alguma coisa “nova” pela Serra do Itapety. “Nova” pq já não há o q descobrir ou explorar numa serra urbana como aquela, apenas “redescobrir” aquilo q era muito utilizado antigamente e, q por algum motivo qq, hj se encontra em desuso ou engolido pelo mato. E olha q há varias velhas picadas nestas condições, se levarmos em consideração q boa parte do Itapety consistia num emaranhado de vias de remoção de reflorestamentos de pinnus e eucaliptos, principalmente no seu setor extremo leste. Como as leis ambientais de um tempão pra cá proibiram qq espécie de desmatamento, estas antigas veredas (a exceção da “Estrada Velha do Lambari”, principal elo de ligação com o outro lado da serra) foram ficando cada vez menos pisadas, esporadicamente quiçá por jovens aventureiros locais. A idéia era ir atrás destas velhas veredas, algumas das quais já havia escutado alguma coisa. Claro q o mogiano Ricardo topou na hora, pois como bom conhecedor da região desde a tenra infancia sabia da existência de tds elas. E mais algumas. E eu q achava q ja tinha percorrido aquela serra de tds formas esgotaveis possiveis, me dei conta q tava bem enganado.
      Nos encontramos logo depois bem na frente da estação da CPTM , pra então nos pirulitarmos atrás da Rodoviaria, onde os bus e lotações costumam descer pra Bertioga. Dali já é possivel avistar td extensão da Serra de Itapety, tomando conta de td paisagem ao norte: uma enorme elevação esmeralda recortando o céu azul daquela manhã de domingo e guardando a cidade de Mogi a seus pés. Dali basta tomar as vias em direção ao Itapety intuitivamente, rumo nordeste. Em caso de duvidas pergunte pela “Estrada Velha do Lambari” q qq um saberá informar. No nosso caso, tocamos pela praça do Habib´s e passando por um parque bem freqüentado, onde as pessoas corriam ou faziam sua caminhada matinal.
       

       
      Enqto conversávamos e a silhueta da montanha aumentava diante de nos, mal percebemos qdo passamos pela ponte sobre o Rio Tietê e cruzamos mais alguns conjuntos habitacionais do caminho. Ricardo comentou q a especulação imobiliaraia lentamente avança sobre a serra, mesmo com trocentas leis (ambientais, inclusive) proibindo isso, e com bastante receio de futuramente as encostas verdes da serra ostentarem casas e condominios aqui e ali, descaracterizando a já combalida montanha. Uma linha de torres de alta tensão no trajeto parece descrever bem esta divisão bem clara q separa a civilidade da natureza local, onde as construções dum colorido condomínio contrastam claramente com o verde escuro da mata q surge logo ao lado.
      O asfalto deu lugar á terra qdo pisamos na “Estrada Velha do Lambari”, principal via de ligação com o outro lado da serra, principalmente com o Bairro Beija-Flor. Na verdade é a principal via antiga de ligação pois atualmente existem outras tantas, como a asfaltada “Estrada do Beija Flor”. E por ela tocamos morro acima, inicialmente sem gde declividade mas qdo surge a piramba apelidada de “Paredón Boliviano” (descrição dada por bikers) as pernas desacostumadas podem sofrer e o suor começa a escorrer faratmente pelo rosto. Td cuidado é pouco tb pois a estrada alem de bem erodida e irregular esta repleta de limo esverdeado, q a torna nalguns rechos lisa feito sabão. Num deles é possivel reparar alguns poucos vestígios asfaltados de outrora, lentamente sendo engolidos por valas enormes e trechos cascalhados desbarrancados.
      Ignorando as bifurcações (q ou levam a outros setores do Itapety ou servem de atalho) q surgem e nos mantendo sempre na principal, a vereda estreita e aparenta nivelar num setor envolto por reflorestamentos de eucaliptos. Numa discreta saída pela direita é possivel encontrar água correndo cristalina, porem sua origem é visivelmente um brejo logo ao lado. “Lá em cima tem outro ponto de água muito melhor, emergindo direto da pedra!”, garante o Ricardo. Ignorando outra saída pela esquerda (onde bikers costumam se aventurar) continuamos tocando reto acompanhando a estreita picada fazer suaves curvas e ganhar declividade no seu trecho final, antes de ganhar o alto as serra. O topo, pelo visto, estava próximo.
       

       
      As 9:50hrs ganhamos o topo áspero da rocha conhecida como Pedra do Lagarto, onde uma cumieira florestada cobre parcialmente a vista do quadrante norte. Como ali é roteiro tradicional passamos batido, ou quase isso. Buscamos uma trilha q logo dá acesso a sua base, onde outra rocha maior serve de apoio a primeira. Nas lajes da base do Lagarto tocamos pra nordeste, mergulhando na mata fechada atrás de vestígios da picada de aceso á Pedra da Seriema, próxima dali. E esses vestígios não tardam a aparecer na forma duma discreta picada em meio a um simpático bosque. Dali basta tocar no sentido da cumieira florestada meniconada acima, ou seja, aquela q ta na frente do Lagarto.
      Tocando sempre pela discreta picada e varando algum matinho qdo ela some, logo nos deparamos com uma enorme pedra coberta de bromélias e outros tantos tipos de vegetação, com destaque pruma árvore repleta dum pequeno fruto de cor alaranjada. Logo nos deparamos com duas enormes pedras q correspondem á Pedra da Seriema, mas com poucos apoios pra subir é preciso escalaminhar (como der) pra ganhar o topo das mesmas. Se firmando nas poucas agarras disponíveis e fazendo pêndulos sucessivos com o arvoredo ao redor é possivel subir ao alto das pedras. Como eu tava com um tênis liso e sem mta aderência tive q solicitar ajuda ao Ricardo, q estendeu o braço e me puxou num trecho, digamos, mais critico. Agora sei pq esta pedra é tão pouco visitada e conhecida.
      No alto da Pedra da Seriema, claro, tivemos nosso primeiro pit-stop pra descanso. O topo é menor e menos espaçoso q o Lagarto, porem é bem mais alto e com visual arrebatador mto melhor q a “Calango´s Stone”. Sem nada bloqueando a vista, a paisagem é larga e os horizontes do setor norte abrem-se totalmente: emoldurados por uma montanha esmeralda com detalhes cor-de-rosa dos ipês, avistamos a silhueta da Cantareira ao fundo, detalhes de Sta Isabel, Piracaia e, com esforço, a geometria difusa de S Jose dos Campos. Um gavião chia sobre a gente enqto uma andorinha plana nas térmicas q sopram naquela manhã quente e refrescam o rosto.
       

       
      Após beliscar e beber agua, tocamos pros arredores da pedra. Descer da mesma, incrivelmente, é bem mais facil do q subir, pois basta se pendurar num galho da arvore ao lado q ele mesmo se curva lentamente e nos deixa no solo. Entre as duas pedras há uma fenda chamada de “Buraco do Tatu”, um quebra-corpo por onde nos esprememos ate dar do outro lado da pedra, mais precisamente na frente dela, na base. Ali encontramos vestígios de bivake artesanal, assim como talheres, panela, isopor (!?) e varias latas de cerveja vazias moçados num canto da pedra. Alem duma ótima área plana e bem protegida pra acomodar uma barraca confortavelmente.
      Retornamos rapidamente a Pedra do Lagarto pelo mesmo caminho afim de prosseguir nosso rolezinho, onde encontramos uma agencia q fazia rapel na mesma. Ficaram surpresos ao nos ver emergir do mato e mais ainda qdo dissemos q havia ali perto uma pedra bem maior do q aquela pra rapelar. E assim prosseguimos pelo alto da serra, sempre pela principal, ou seja, a “Estrada Velha do Lambari”, subindo e descendo suavemente pela crista, acompanhando uma linha obvia de pinnus e eucaliptos perfilados pela direita, uivando ao vento q sopra no topo. Logo de cara nos deparamos com a “Trilha do Tobogã” (termo biker) por começar a descer bem forte uma piramba q depois suaviza. Na sequencia passamos por umas tralhas de madeira tomadas pelo mato, onde o Ricardo me coloca a par q aquilo ali fora uma “academia natural”, q outro mogiano (conhecido dele, o “mão-de-pata”) fizera ali no topo da serra, com “aparelhos” feitos de madeira. Infelizmente não duraram muito devido as inerentes atividades vandalisticas. É possivel encontrar mais tralhas desse mesmo cidadão q adotou a montanha faz tempo, mocadas entre as pedras ao largo da trilha, escondidas pra uso futuro.
       

       
      Dando continuidade a pernada pelo alto da serra, uma leve escapadela pela esquerda nos leva numa trilha q apenas acompanha toras de uma cerca sendo construída, passando por outra enorme pedra e um pequeno brejo esverdeado, ate dar numa piramba intransponível coberta de mato. Mas a gente se mantem sempre na principal, sentido leste/nordeste e passando por um cupinzeiro-gigante no caminho, ate q conseguimos avistar o “Lebre”, ultimo morro da crista antes de cruzar a Rodovia Beija-Flor. No entanto, antes dele abandonamos a trilha principal (q sobe o morro de desce depois) em favor duma outra vereda mais discreta, a nossa direita, q atende pelo nome de “Trilha da Bica Encantada”, por passar pela única fonte de agua aqui do alto da serra.
      E la vamos nós, tocando pela tal trilha q nada mais é outra vereda de manutenção de reflorestamento, so q bem mais fechada e quase nada usada, pelo q pudemos constatar. “Caraio, faz tempo q não vinha aqui mas parece q nem biker já mais passa por estas bandas!”, reclamava Ricardo enqto faconava trechos mais espessos obstruindo a trilha. E assim fomos avançando pela encosta serrana, descendo suavemente enqto contornávamos os contrafortes íngremes do sul do Itapety. De modo geral a trilha ta relativamente boa. Dureza são alguns poucos trechos onde o capim-navalha, capim-gordura, lírios-do-brejo e tds sorte de galharada seca vinda do alto tomam conta do caminho, obrigando a abrir caminho na raça e ate engatinhar agachado, o q nos deixou relativametne bem ralados. Cortes e perfurações, q por sinal, ardiam ao menor contato do suor correndo farto no calor daquela manha. Na boa, foi o trecho mais punk daquele bate-volta dominical.
       

       
      E a bendita água? Pois bem, eu duvidava q naquela mata ressequida houvesse ate um filete de agua ate q num trecho sombreado da encosta, mais precisamente numa das dobras da serra, pude ouvir o indefectível som de agua correndo, e em abundância! Assim, ao exato meio-dia paramos na tal “Bica Encantada”, na verdade uma pequena canaletinha por onde corria muita agua fresca e gelada, ideal praquele dia quente e ensolarado. Uma bica q provavelmente capta as nascentes do topo da serra e cuja qualidade é indiscutivelmente melhor q aqula la de baixo, a beira da estrada. Por isso so lamento q a trilha esteja fechando e fique em desuso pois agua ali na cumieira do Itapety é um bem raro, e pode satisfazer as goelas e cantis menos favorecidos num dia como aqueles.
      Na sequencia, pusemo-nos a andar e após passar por um enorme desbarrancado, q revelava as torres de alta tensão e um visu parcial do setor sul, a trilha nos levou as margens da Estrada do Beija-Flor, pontualmente as 12:30hrs. Andarilhamos um pouco, estrada acima, ate chegar no selado q une o “Lebre” com a montanha sgte, após a estrada. Este selado é chamado pelos locais de “Botujuru”, q em tupi-guarani significa “passagem dos ventos”, e qual nossa surpresa q o nome não poderia ser melhor pois era mto bom sentir a brisa fresca soprando o rosto naquela altura do campeonato.
       

       
      Do selado, deixamos a estarda e fomos atrás de outra trilha q partia dali morro acima, uma variante da “Trilha da Porteira Preta”. E la fomos nos, subindo forte no aberto sob sol escaldante. E tome piramba íngreme interminável, q ganha altitude num piscar de olhos, pasando inclusive por um marco de concreto no caminho. O suor volta a correr farto pela ponta do nariz. Dessa forma, as 12:50hrs ganhamos 1059m o topo da Pedra da Porteira Preta, q de pedra so tinha uma pequena rocha servindo de mirante. Ao lado, um largo descampado de campim se avizinhava com a continuidade da trilha, q descia sentido bairro Beija-Flor, visível de onde estavamos. Descansamos um pouco apreciando o largo visu q dali se tem, onde a paisagem revela contornos de td quadrante nordeste, complementando o visual da Pedra da Seriema. Claro q a agua da bica foi quase q td utilizada afim de molhar não somente a goela como tb nossos rostos suados.
      Nosso retorno se deu pela “Trilha da Porteira Preta” principal, ou seja, a variante q dali do alto toca pro sul. E tome descidão forte e interminável em meio a um bosque de pinnus e eucaliptos, atraves duma picada q é quase uma estrada de tão boas condições em q se encontra. As 13:20hrs finalmente desembocamos na tal “porteira preta” q empretou seu nome a vereda, mas q atualmente foi substituída por um portão de metal azulado. Dali nos vemos no comecinho da Estrada do Beija-Flor e resolvemos tocar por ela mesmo, pro sul. Dali são quase 6km ate Mogi. Carona q é bom, nada. Nem mesmo qdo alcançamos o asfalto da Av. Fco Rodriguez Filho (SP-66) conseguimos uma boa alma q nos levasse ate a cidade, e dali foi um chão interminável sob o sol inclemente daquele comecinho de tarde.
       

       
      Chegamos em Mogi por volta das 14:30hrs e imediatamente desabamos na primeira padaria q avistamos. Salgados, refris e uma Original estupidamente gelada era o prêmio mais q merecido praquela ocasião. O dia mal havia teminado e ainda teria responsas na capital paulistana, mas a pernada dominical estava concluída de bom e ótimo grado. Finalizando, há de se esperar pra q estas picadas visitadas tornem a ser constatemente pisadas outra vez com a devida divulgação consciente, de modo a evitar q fechem em definitivo e assim possibilitem q lugares como a “Pedra da Seriema” e a “Bica Encantada” mantenham seu acesso facilitado pra tds. Pra q assim possam satisfazer as necessidades imediatas dos andarilhos q por la resolvam se aventurar pelo Itapety num dia quente de sol. Seja pra regozija-los com largos e generosos visus, ou apenas com o refrescante e revigorante precioso liquido descendo goela abaixo.
       

    • Por Jorge Soto
      http://jorgebeer.multiply.com/photos/album/255/255
       
      A TRAVESSIA DO BAIXO GUACÁ
      Com nascentes brotando entre Casa Grande e a Serra do Juqueriquerê, o Rio Guacá é composto por três setores bem definidos: o Alto Guacá, q é o trecho mais extenso e vai da beirada do planalto até suas nascentes; o Médio Guacá, q compreende a parte mais acidentada e vai do Poço das Antas até a Mogi-Bertioga; e o Baixo Guacá, o pedaço restante do ribeirão q, sendo o menor de tds, se estende da SP-98 até sua foz, no entroncamento com o Rio Sertãozinho, pra juntos formarem o majestuoso Rio Itapanhaú. Pois bem, o Alto Guacá é uma incógnita total q merece longa e planejada exploração. As cascatas e remansos do Médio Guacá já foram descortinados a pouco numa travessia respeitável. E enfim, neste último domingo matamos a curiosidade de palmilhar o tortuoso caminho de pedras q domina o Baixo Guacá, num circuito q incluiu tb parte da famosa “Trilha do Itapanhaú”. O q resultou disso foi mais um programa adrenado (e bem puxado) prum domingo de sol na região serrana de Mogi das Cruzes.
       

       
      Com a Cissa dando + atenção à sua pós e a Carol, à sua filhota, o quarteto originalmente envolvido na trip terminou subitamente numa dupla. Pronto, tinha q ser agora. A maledita descida de rio, adiada vezes sem conta por varias razões, desta vez não tinha desculpa pra não rolar principalmente pela ótima previsão alentada pela meteorologia p/ aquele domingo. Coincidentemente, meu único parceiro (e pau-pra-td-obra) era o Ricardo e q tb me acompanhara na exploração do Médio Guacá. Portanto, assim como eu, sua curiosidade em se embrenhar pelo resto do rio era tão gde qto sua voltade de desenferrujar as juntas. Eu q o diga, pois assim como ele jamais havia estado tão inativo e descondicionado fisicamente por tanto tempo. Mesmo q o “tanto tempo” em questão, no meu caso, se resuma a ficar duas semanas sem cair no mato.
      Dito e feito, desembarcamos do latão “Manuel Ferreira” exatamente as 8hrs no posto da Balança. Sim, 8hrs! Nunca havia chegado tão cedo ali, no exato km 77 da Mogi-Bertioga. Mas como a trip proposta era uma descida de rio cujo terreno (e obstáculos) a encontrar eram totalmente incertos, o mais sensato foi de fato levantar mais cedo pra garantir o retorno ainda naquele dia. Mal pisamos no lugar, arrumamos as coisas e nos pirulitamos rodovia abaixo, sob um firmamento totalmente isento de qq nuvem e q prometia ser bastante ensolarado, embora naquele horário fizesse um frio considerável q nos obrigou a trajar anorakes.
       

       
      A passos rápidos e ligeiros fomos vencendo a kilometragem do caminho, sempre atentos ao trânsito da rodovia, principalmente o de motoqueiros transloucados se exibindo com suas possantes maquinas de duas rodas. E foi somente na descida da serra, após o km 81 (q coincide na entrada da famosa “Trilha do Rio Itapanhaú”), q o sol começou a dar as caras lançando seus aconchegantes braços sobre as encostas verdejantes da serra, fazendo a pequenina cidade balneária de Bertioga reluzir, ao longe. Já desci (e subi) varias vezes esta rodovia e me chamou a atenção a menor qtidade de lixo a beira de estrada, o q ao menos não deixa de ser um bom sinal.
      Pois bem, mas foi somente após quase hora e meia de pernada q, numa curva fechada, descortinou-se diante nos aquele verdejante e profundo vale cavando a serra em “V”. Era o Guacá, cujas águas trovejantes eram já audíveis do asfalto e tornavam ainda mais instigante aquela aventurinha de fds onde desvenderiamos , enfim, parcialmente seus mistérios. O único q maculava paralelamente o verdejante contraforte serrano era o rasgo retilíneo e acizentado da SP-98, q a partir dali acompanha aquela enorme crista montanhosa sentido litoral, tocando pro sul.
       

       
      Finalmente a exatas 9:30hrs q alcançávamos a famosa ponte de concreto sobre o Rio Guacá, situada no km 84,5, num local sugestivamente chamado de “Curva da Onça”. Nos embrenhamos na mata encharcada pelo orvalho e num piscar de olhos já nos víamos sob o viaduto, na margem pedregosa do caudaloso rio, ignorando a misteriosa velha moradora-andarilha-mendiga q encontramos alojada no inicio da trilha e q provavelmente deve ser a autora das varias macumbas espalhadas pelo lugar. Foi aqui onde tropecei certa vez com a galera dos “Funiculeiros” acampada e q depois me torrou a paciência por somente mencionar o incidente num relato.
      Bem, o comecinho de descida é relativamente tranqüilo sob o viaduto, bastando apenas se manter sempre na margem esquerda e avançar desecalaminhando rochas sem gde dificuldade. Basta só atentar pisar cuidadosamente nas mesmas devido a enorme qtdade de limo esverdeado visguento depositado, o q as torna lisas feito sabão. Mas não dá nem 5min de descida q subitamente o vale se fecha, estreitando suas íngremes encostas nos dando poucas opções de rota. Não bastasse isso ele verticaliza consideravelmente, e logo as pequenas pedras q eram percorridas transformam-se em gigantescos blocos rochosos desmoronados impossíveis de (des)escalar na unha devido a altura envolvida. Não sem corda, ao menos.
       

       
      Logicamente q aqui a única saída e opção viável é seguir pela íngreme encosta, varando mato, onde pelo menos existe vegetação firme e forte pra se segurar. E la vamos nos, tocando em meio a vegetação arbustiva e arbórea de tamanho reduzido, avançando ate q sem gde dificuldade. Minto, o único porem deste trecho são as urtigas, existentes aos montes! A medida q perdemos altitude vamos estudando a possibilidade de descer rente o rio, chance esta q surge em poucos minutos. Novamente as margens do rio, prosseguimos desescalaminhando rochas numa boa, ate q outra vez nos deparamos com um enorme bloco de pedra no caminho. Curiosamente ali havia um automóvel (ou o q restou dele) td espremido e prensado entre as rochas, feito papel. Dali não nos restou opção senão bordejar a colossal pedra pela base, pra depois rastejar feito calando pela sua superfície porosa e aderente ate cair no patamar sgte, logo abaixo.
      A partir de então a descida prossegue aparentemente sem problemas, na base da simples desescalaminhada íngreme. No caminho, mtos poços e piscinões represados entre as pedras, lajes e ravinas do trajeto do Guacá, q aqui ainda mostra-se bem verticalizado. Mas não tarda a surgir nova alto patamar no caminho q nos obriga outra vez a desviar pelo mato da íngreme encosta, o q é repetido mais uma vez sem gde problema. Perdendo altitude e transpondo o obstáculo, da mata basta encontrar acesso novamente ao rio, q geralmente se dá ou pela vegetação mais firme (pra segurar) ou por algum caminho dágua transversal.
       

       
      Outra vez na margem pedregosa do Guacá basta tocar atraves dela a aprtir de agora, sempre pela esquerda. As cachoeiras aumentam em altura e número, o q nos obriga a varias pausas pra fotos e contemplação. A partir daqui o vale aparenta se abrir aos poucos, e o terreno consequentemente suaviza junto com ele, permitindo mais desenvoltura ao caminhar. Mais poços e pequenas quedas despertam atenção no caminho, assim como os restos tanto de estruturas de concreto repletas de ferro retorcido (ponte?) espalhadas e outro carro antigo mimetizado pela folhagem no barranco á esquerda, veiculo este q quicá tb resolveu matar sua sede no cristalino regato compelido pelo mesmo desejo nosso. Mas a cereja do bolo dos destaques deste trecho pertencem a duas pedras colossais lado a lado, a meio caminho, q parecem se equilibrar no rio de forma impar, desafiando as leis da fisica.
      A pernada agora mantem num ritmo mais ágil e compassado. É, parece q o trecho mais difícil e q separa “meninos de homens” havia já sido deixado pra trás, pq agora a caminhada transcorria dentro do previsto. Era caminhada misturada a lances de escalada, e eventualmente algum desvio curto pelo mato. E enqto cada vez mais íamos perdendo altitude, havia sempre uma parada estratégica pra clicar a paisagem q descortinava sempre uma surpresa a nossa frente, fosse na forma de uma cachu ou de um enorme piscinão. Pena q era quase inverno e a água tava gelada, impossibilitando tchibum. Mas ao menos nessa época a estiagem possibilita uma descida segura de rio, pq no verão esta trip seria impossível. E isso se reflete nas varias carcaças de bichos espalhadas pela margem do regato, relembrando o perigo real das súbitas trombas dágua q ocorrem em época de chuva.
       

       
      Um cânion se interpõe a nossa frente, bem no momento em q o Guacá faz uma curva pra esquerda. Logicamente q aqui cortamos ora pelo mato ora por algum leito seco de pedras q deriva do rio principal. Novamente no Guacá, agora cada vez mais aberto e largo, a perada nivela por um bom tempo. Pequenos afluentes despencam de ambas margens, aumentando aos poucos o volume de águas do referido regato. Mas de repente um imponente paredão ergue-se na margem palmilhada, nos obrigando a chapinhar pela água e cruzar pro outro lado, pra bem mais adiante retornar á margem esquerda outra vez, diluindo de vez nossa esperança de voltar pra casa com os pés secos.
      A descida prossegue então nesse ritmo imutável. Piscinas, mini-canions, ravinas e cachus são vencidos com facilidade neste trecho de terreno suave e bem convidativo. Os desvios pelo mato tornam-se cada vez mais raros, quase inexistentes. O som do rasante dos andorinhões e as pequenas pererecas saltando diante nossa passagem são o testemunho da vida pulsante deste rincão verde e borbulhante de nossa belíssima Serra do Mar.
       

       
      E após o rio fazer nova curva fechada pra direita, passar um enorme (outro, pra variar) piscinão congelante, acompanhar um delicioso toboágua, e tocar rumo sudoeste, a vista se abre de tal modo q é certo q nos encontramos ali num dos mais mirantes privilegiados de td curso do rio. Um enorme, senão interminável toboágua cuja declividade beirando os 45 graus despenca rio abaixo, pra depois culminar no trovejar de uma enorme cachoeira, esta invisível de onde nos encontramos. Uma coisa é certa: se escorregou no toboábua já era, razão pela qual nos mantemos a uma distancia segura do mesmo, cujas lajes se encontram lisas feito sabão. Td isso emoldurado pelo verde da mata e os contrafortes serranos.
      E ali, no topo daquele bucólico lugar nos prostramos pra descansar sob o sol do meio dia e meia. Sentados numa larga lajota seca e aderente, deixamos nossas meias e botas secando, descansamos um tanto, mastigamos sandubas recheados de sardinha e bebericamos sucos. Eu aproveito o momento pra espremer feito espinha uma pereba no joelho q já me incomodava há semanas e q, no esforço dos trepa-pedras, estava sangrando. E qual minha surpresa q do ferimento brotou uma enorme lasca de vidro q sabe-se-lá como foi parar! Bem, espero q agora não incomode mais.. Mas se isso não tava incomodando, havia outra coisa q incomodava ambos: moscas no sol e pernilongos na sombra! E não havia repelente q desse conta, motivo pelo qual nossa pausa não se estendeu alem das 13hrs.
       

       
      Retomamos a marcha pela mata as 13:15hrs, já q a forte declividade do tobogazão desaconselhava qq tentativa pelas pedras. Mas por incrível q pareça, a desescalaminhada pela mata foi bem mais facil q o previsto, bastando apenas perder altitude diagonalmente ao rio. A medida q perdíamos altitude era possível ouvir o rugido ensurdecedor do Guacá despencando furiosamente quiçá por enormes quedas bem ao nosso lado, porém ocultas pela mata. Mata, alias, q forrava o chão do caminho com folhas e raizes, as vezes ocultando fendas traiçoeiras em q mais de uma ocasião enfiei o pé. Com sorte, sem danos maiores ao tornozelo. A vontade de visualizar as cachus ao lado era gde mas nossa prioridade ate então era a descida, já q afinal não sabíamos o qto ainda tínhamos pela frente de pernada. Portanto, a exploração daquele trecho fechado e estreito do vale fica pruma próxima ocasião.
      Após ladear a pirambeira encosta, varar mato, cruzar com mais alguns afluentes do Guacá e perder altitude considerável, eis q as 13:40hrs desembocamos novamente as margens calmas do rio, mais precisamente dum mirante. Dali, na boca de um enorme cânion, pudemos divisar os paredões espremendo o rio numa imponente desfiladeiro rochoso, tal qual a famosa “Garganta do Diabo”. Com a diferença q no final havia uma cachu gigantesca enfiada num buracão q apenas vimos de longe! Essa era a ensurdecedora queda onde termina o tal mega-tobogã e cujas dimensões superavam a famosa “Cachu do Buracão”, no “Vale da Morte”; e mto maior q a “Cachu do Elefante”, mas q permanece desconhecida por ser totalmente “invisível” da rodovia. Acredito q seu acesso se dê pelo cânion, mediante trechos de nado, ou pela íngreme encosta, na base do escala-mato ou cordada. Vontade de conhecê-la não faltou mas, como mencionei antes, nosso cronograma era enxuto e quem sabe numa próxima ocasião a gente retorne lá somente pra dar nome a essa fantástica queda. Um rapel nessa cachoeira seria algo fantástico! Mas, claro, essa ai será uma nova aventura com logística totalmente diferenciada.
       

       
      Voltando à descida de rio, após um ultimo trecho com declividade desembocamos finalmente as margens placidas e quase horizontais do Guacá, por volta das 14:15hrs. O borburinho de gente escutado ao longe logo anunciou q nossa jornada havia terminado. E cinco minutos depois alcançamos a foz do Guacá, mais precisamente onde suas águas se juntam às do Rio Sertãozinho pra dali em diante formarem o famoso Rio Itapanhaú, q por sua vez deságua no mar.
      A travessia do rio ali foi bem tranqüila, à diferença da ultima vez q ali estive, evidenciando a estiagem da ultima semana. Na confluência dos rios encontramos uma galera q tava ali de bobeira, procurando a “Cachu do Elefante”, aquela bela queda q se vê da Mogi-Bertioga e palmilhada vezes sem conta. “Eu te conheço da net! Vc não é o Jorge Soto?”, disse um de seus integrantes pra mim, “Sabe onde fica a Cachu do Elefante?”. Acenei com a cabeça afirmativamente emendando q íamos pra lá, e q se quisesse sua galera poderia nos acompanhar. Logicamente q o pessoal topou a idéia na hora. Entretanto, ao perceber q uma de suas integrantes bem menos condicionada havia recém-torcido o pé e já sentia dores, aconselhei q esta nem sequer fosse na cachoeira e já emprendesse imediato retorno pra rodovia pois a subida seria longa e cansativa, e ela fatalmente atrasaria o ritmo do grupo deles. Disse q o acesso mais rápido seria pela “Trilha do Mirante”, mas eles insistiram em retornar pela “Trilha do Itapanhau”, q era por onde haviam vindo.
       

       
      Dessa forma, enqto uns seguiam trilha acima os demais me acompanharam pra “Cachu do Elefante”, onde fui la apenas pra bater ponto. A trilha continua em boas condições, apesar de algumas arvores novas tombadas no caminho, mas nada q atrapalhe o senso de direção. O q indigna mesmo é a enorme qtodade de lixo no caminho, assim como lonas e até barracas deixadas apoderecendo nas clareiras ao lado da trilha. Alias, no sentido contrario topamos com uma galera de quase 20 pessoas voltando da queda! Num piscar de olhos desembocamos na famosa cachoeira, q maravilhou seus novos visitantes. Eu e o Ricardo apenas batemos algumas fotos e emprendemos a volta. Antes, porém, perguntamos pro pessoal se eles saberiam retornar sozinhos (e q não demorassem mto ali pq logo escureceria) e diante da afirmativa deles nos mandamos.
      Iniciamos a longa e íngreme subida piramba acima exatamente as 15hrs, e foi a subida mais cansativa e interminável q tive ultimamente. Poderiamos ter retornado em menos de meia hora pro asfalto pela “Trilha do Mirante”, mas isso significava um retorno sacal de mais de 2hrs pela estrada ou desembolso de resgate numa lotação, o q tava fora de cogitação. E la fomos nos, subindo lentamente mesmo, com a primeira engatada. O Ricardo tb sentiu o tranco e parava a cada 10min. Eu não ficava atrás não, pq pela primeira vez senti uma subida cobrar seu tributo. Bastaram apenas duas semanas sem pernadas pro corpo já moído pelo Guacá quase entregar os pontos em mais de uma ocasião. Os joelhos q o digam. Pois é, o avanço inexorável da idade é implacavel com td mundo, incluindo este q vos agora escreve. Mas felizmente não havia pressa alguma naquele momento, razão pela qual fomos ganhando altitude lentamente, mesmo q devagar-quase-parando. Ainda bem q tivemos o bom senso de iniciar a trip mais cedo q o costumaz, do contrario seriamos pegos de supresa pela escuridão ainda na mata.
       

       
      Alcançamos, enfim, o Rio das Pedras a duras penas por volta das 16:40hrs, onde encontramos o pessoal q havia saido antes q a gente. A “moça do pé torcido” aquela altura reclamava de dor, sem contar em cãibras q a acometiam em ambas pernas. Se serivsse de consolo, disse q o pior já havia passado e q não faltava nada pro asfalto. Nos despedimos e seguimos nosa jornada, pois em breve escureceria. E do pessoal q ficou na “Cachu do Elefante”? Sem sinal deles, mas torcia pra eles estarem munidos de lanterna pq certamente pegariam a subida no escuro.
      As 17hrs caímos na SP-98 pra começar a fase mais tediosa de qq ida pra regiao serrana de Mogi: a longa jornada de volta pelos 3,5km de asfalto restantes! Se já estavamos totalmente detonados de cansaço imagine ter de encarar td essa distancia no escuro, com cuidado pra nenhum veiculo nos trombar de frente? E tome chão interminável. Mas como nada dura pra sempre, as 18:15hrs chegamos na Balança onde desabamos no chão. Totalmente fechada e sem sinal sequer de vida, não nos restou opção senão ficar ali esperando o coletivo ás escuras, jogados no chão. Não sei o q era pior aquela altura do campeonato: se era ter de esperar o busão ou ficar sem minha sagrada cerveja durante essa espera. O coletivo, por sua vez, passou por volta de meia hora depois e assim começou a via-sacra da longa jornada ate Mogi, pegar o trem e depois o blábláblá de sempre. Resultado: so cheguei no aconchego do lar por volta das 22hrs, moído e tremendamente cansado, mas ao mesmo tempo contente por percorrer mais um belo rincão da serra mogiana sem necessidade de se ver obrigado a pernoitar la.
       

       
      Portanto fica a dica desta curta, breve, porém puxada travessia de rio como alternativa radical à “Trilha do Itapanhaú”. Mas desde já sobreaviso da necessidade (obrigatoriedade) de começá-la bem cedo, afim de sanar qq atraso ou imprevisto, a menos q se pretenda pernoitar na “Cachu do Elefante”. Ou então seguir a sugestão dada alguns parágrafos acima: explorar melhor aquela gigantesca cachu q ta enfiada num buraco, mais precisamente entre o ultimo gde desfiladeiro e o mega-tobogã, uma majestuosa queda q não deve em nada as mais conhecidas e sequer referência ou nomenclatura tem. É quem sabe assim batizá-la com seu próprio nome, pois afinal essas são coisas q ainda é possível fazer dentre tds as maravilhas e segredos escondidos pela verdejante e encantadora Serra do Mar paulistana.
       
       



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