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Sinval Pereira

Roadtrip Noruega - Agosto 2018

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Depois de trocar os euros pelas coroas norueguesas em Drammen, decidimos pegar a estrada e ir rodando em direção à Preikestolen. A qualidade das estradas da Noruega é excelente. Os formatos que as pistas tomam que são de assustar qualquer brasileiro. No interior do país são poucas as estradas duplicadas, para tráfego mais intenso de carros. A maioria das pistas são bastante estreitas, muitas delas não cabem dois carros de uma só vez. É preciso que um carro pare (ou dê ré, até chegar) nos alargamentos da pista próprios para a ocasião de encontro de dois carros.

Logo depois de sair de uma das poucas vias duplicadas, de cara já peguei uma dessas pistas super estreitas, que contornam os fjords, sobem montanhas em subidas íngremes e cheias de curvas. A adrenalina vai a milhão. Um fator que ajuda a aumentar ainda mais a emoção são as paisagens, que você não quer parar de ver, mesmo dirigindo nestas pistas malucas. A cada poucos quilômetros parava na beira da estrada, entremeava o mato e deparava com cenários cinematográficos. E isso apenas no primeiro dia no país.

O primeiro dia nos levou até a comuna de Seljord. Acampamos no Seljord Camping (140 kr a diária), de frente para o lago. Uma curiosidade é que muitos noruegueses possuem Campervans e saem para acampar pelo país no verão. Em todos os campings que ficamos, as campervans representavam cerca de 90% dos hospedes, poucos acampavam com barracas, como nós.

 

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(foto – caminho para Seljord + camping em frente ao lago)

No dia seguinte, acordamos e pegamos a estrada novamente. Depois de várias paradas, chegamos no ferry que deveríamos pegar para chegar no estacionamento da Preikestolen. O valor de quase todos os ferrys que pegamos foi o mesmo, entre 110kr e 120kr. O tempo estava nublado, e a cada momento que chegávamos mais perto da trilha, a neblina e a garoa aumentava. Por volta de 19-20h paramos o carro no estacionamento (200kr por 24h), logo já separamos o que levaríamos para fazer a trilha. Incluindo a barraca e sacos de dormir. Sim, iriamos acampar no final do percurso. Por incrível que pareça, estava super animado durante a trilha, mesmo com o tempo fechado e a garoa. Depois de tantas trilhas no sol, foi minha primeira na chuva. A trilha é relativamente tranquila e bem sinalizada. Como estava tarde, acabei encontrando poucas pessoas pelo caminho. Na volta, durante a manhã do dia seguinte estava mais movimentada. Chegando na tão esperada pedra, a surpresa veio naquele tão conhecido “expectativa x realidade” hahaha. Achamos um pedaço com terra entre as rochas no limite de onde era permitido acampar e montamos nossa barraca (se olhar bem, vai achar ela ali no meio da neblina). Depois de curtir um pouco as redondezas, fomos para a barraca bater o rango (pão com sardinha enlatada e suco) e preparar para dormir.

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Do nada chegou um cara chamando do lado de fora. Também estava acampando com a galera dele e não sabiam como usar um botijão de gás portátil para fazer fogo. Perguntaram pras pessoas erradas. Mas mostramos o rumo de onde havíamos visto uma outra barraca mais cedo e falamos que talvez eles pudessem saber como usar. Pouco tempo depois, começou a chover mais forte e começamos a ouvir choros de criança, tipo bebê mesmo, daqueles de poucos meses... kkkkk. Ficamos sem entender e abrimos a barraca para ver que porra era aquela. Por mais incrível que pareça, um casal montou uma barraca num pedaço de pedra encima da gente (não me perguntem como ele conseguiu essa proeza) e tinha um recém-nascido por lá, certamente com o mesmo frio que estávamos sentindo. Chorou praticamente a noite toda, mas acabou não atrapalhando o sono de quem já estava cansado feito um camelo.

Já com o dia raiando lá pelas 06h da manhã, depois de horas de chuva, um evento surpresa para deixar ainda mais emocionante o dia. Começou a minar água por baixo da barraca. A cada movimento mais brusco enquanto dormia, um fio de água gelada corria pelas minhas costas. Até que o fio de água foi aumentando, e qualquer peso sobre o chão da barraca gerava uma mina d’água. Tivemos que recolher as roupas e tudo que estava dentro da barraca, colocar dentro da mochila e ficar agachados de cócoras até que a chuva passasse e pudéssemos sair para desmontar a barraca. Foram bem uns 40 minutos nessa cena, que hoje quando vem à memória é extremamente cômica. Tão logo o tempo acalmou, desmontamos a barraca e fizemos a trilha de volta. Na mesma garoa e neblina que pegamos para ir.

Durante a descida de volta, estava rolando algum tipo de evento muito daora que parece acontecer em todo o país, pois também vimos em outras cidades. Todos estavam com o uniforme identificado como “Rockman”, que pelo que deu a entender é uma espécie de competição que eles fazem, que mistura corrida de rua, nado nos lagos, subida correndo nas montanhas e sabe-se lá o que mais. Quando finalmente chegamos no estacionamento e fomos descansar para seguir viagem, um francês que havia acabado de descer também começou a comentar que trabalha com audiovisual e fez a trilha para pegar umas imagens bacanas e tal. Dos três dias que ficou acampado no topo esperando pela ocasião para a filmagem, só pegou 30min de tempo limpo. O que mais impressionava é que ele, tanto quanto eu, não estava importando tanto para isso. Curti toda a experiência mesmo com os eventos adversos.

A intenção era fazer a Kjerag, que fica bem próxima da Preikestolen. Depois de secar um pouco das roupas no banheiro do estacionamento, botamos a rota no GPS e seguimos viagem. Chegando no lugar para pegar o ferry, também estava rolando uma galera correndo com as roupas do Rockman. Notamos que além deles, só tinha mais dois carros com dois casais de também turistas. Depois de não entender bem a programação dos ferrys para o dia, um senhor que estava dando apoio para o evento nos lembrou que era domingo, e a escala dos ferrys era reduzida bem como seu preço elevado. O ferry demoraria 5 horas para passar, não havia garantia de vaga e custaria 600kr. Resolvemos desistir da trilha e seguir viagem. O próximo destino seria Odda, cidade que fica próxima do início da Trolltunga, que seria o objetivo do dia seguinte. Colocamos o destino no GPS e fomos rodar, com várias paradas pelo caminho incluindo um ferry.

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(fotos - caminho para Odda)

Em muitas estradas no interior do país elas seguem o contorno de pequenos riachos. No caminho para Odda estávamos sempre cercados por água. Porém, um ponto chamou a atenção quando estávamos nos aproximando da cidade. Uma puta de uma cachoeira passando por baixo da estrada e desaguando nesse riacho. Era a Latefossen. Mais do que na hora paramos o carro e fomos admirar aquele lugar. Depois de tirar algumas fotos, voltamos para a estrada e poucos minutos depois tivemos que fazer outra parada. Avistamos de longe a ponta de um Glacier. Não sei o nome, pois vimos só de longe. Mesmo vendo só sua ponta, bem de longe, a sensação era intimidadora.

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(Fotos Latefossen)

 

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(Foto Ponta Glacier – Zoom máximo do meu Samsung fodido)

Chegando na cidade fomos procurar alguma loja que vendesse chip para celular. Pois desde quando sai da Holanda, fiquei sem internet no meu chip da Vodafone. Como era domingo, acabei me dando mal. A única loja da cidade que vendia os benditos chips, só podia vender para cidadãos noruegueses (¯\_()_/¯).  Depois de rodar a cidade toda, fomos procurar um lugar para nos hospedar. Ficamos no Odda Camping, bacana o local. Pagamos 300kr pela diária. Na cozinha fizemos um molho com salsicha e milho, para acompanhar o pão. Aproveitei o WiFi do camping para me inteirar do mundo virtual antes de dormir. Fui atrapalhado pelo meu amigo, que conseguiu fazer a façanha de deixar vazar shampoo no banco do nosso carro alugado - que pela documentação tinha sido comprado à apenas 20 dias e rodado apenas 1300km quando pegamos. Depois de tentarmos limpar, acabamos desistindo quando vimos que não ficaria melhor que aquilo. A mancha não saiu. Logo fui dormir, (rezando para não nos taxarem quando devolvêssemos o carro) pois no dia seguinte acordaríamos cedo para fazer a trilha, que seria longa.

Acordamos bem cedo, desmontamos a barraca e arrumamos as coisas. Pegamos a estrada e depois de pouco mais de 20 minutos estávamos no estacionamento da Trolltunga. Nunca paguei um estacionamento tão caro na vida. Foram 500kr. Arrumamos as mochilas que levaríamos para a trilha. Abastecemos com alguns lanches para o caminho – barra de cereal/amendoim/batata frita/ chips de banana, e três garrafas de água para cada.

Lá no estacionamento existe uma van que sobe com quem está disposto a pagar até o começo verdadeiro da trilha (os 2 ou 3km iniciais são uma pista subindo em zigue zague de asfalto) cobram acho que 70 NOK. Mas já que vai andar pra caralho, o que são mais uns km a mais?! kkkk
 

A trilha tem 14km para ir e mais 14km para voltar. Apesar de ser longa, é de nível bem leve. A ida achei bem tranquila, demorou cerca de 4,5h. Toda a trilha é espetacular. A cada hora você está em um cenário diferente. Depois de chegar no final, tive que enfrentar a fila de quase 20 minutos para tirar a foto e registrar aquele momento – o maior frio que já senti na vida, fez dar a impressão que fiquei parado naquela fila por 2 longos anos. Tirada a foto, depois de ficar lá em cima o tempo que o frio permitiu - que foi menos de uma hora - já fizemos o caminho de volta, que demorou pouco mais de 4h. Fui parando, curtindo a vista da trilha. Que é sensacional. O que mais pegou foi a volta, que achei bem mais cansativa que a ida. Talvez por ter descansado pouco tempo. Para quem acampa na trilha e faz a volta no outro dia, acredito que deve ser beem mais de boa. Mesmo no verão, o que mais pegou foi o vento gelado durante o caminho todo. Portanto uma dica é ir com roupas corta vento. O brasileiro aqui achava que não precisava, e se lascou  (fui com uma camiseta, uma camiseta de manga longa mais uma blusa de frio).

 

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(fotos Trolltunga)

 

 

CONTINUA...

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Depois da trilha já estava ficando tarde, quase escurecendo. Pegamos o carro e fomos para a estrada. Seguimos em direção a Flam. Quando achamos uma cidade um pouco maior paramos em um posto de gasolina, jantamos e acabamos dormindo no estacionamento dentro do carro mesmo. Nesse momento cansaço nos definia. No dia seguinte continuamos seguindo para Flam. Na região existe uma rota histórica, bem sinalizada. Depois de dar uma volta na cidade – que é bem pequena – rodamos pelas redondezas, e fomos até o Stegasten Viewpoint. Que é uma estrutura acima do pico de um dos Fjordes. O local é bem daora, mas por não necessitar de nenhum esforço para chegar, a orda de ônibus turísticos carregados de asiáticos com suas máquinas fotográficas não dava trégua. Mesmo assim deu para curtir o lugar.  Também na região tinha uma igreja de madeira. Resolvemos ir ver de qual que era, mas para entrar no jardim/cemitério da igreja precisava pagar. Acabamos dispensando. Tiramos uma foto de longe para registrar mesmo e pegamos a estrada para curtir mais um pouco da região.

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Em Laerdal pegamos um ferry para atravessar o fjorde, e acabamos parando em uma cidade chamada Sogndal. A cidade não tinha nenhuma atração turística, mas curtimos demais o lugar e acabamos passando a tarde inteira andando pela cidade. Fomos ao shopping para aproveitar o banheiro grátis e dar um rolê. Sentamos numa sorveteria na praça da cidade e ficamos vendo o movimento. Não reparamos em nenhum turista estrangeiro enquanto estávamos na cidade. Como as cidades são envoltas por lagos e fjordes, em Sogndal não era diferente. Fomos em uma rua que morria no fjorde e também ficamos observando a rotina e o clima de um interior-desenvolvido da Noruega. Quando foi ficando tarde, pegamos a estrada novamente. Paramos em um camping na comuna de Luster (100 NOK a diária). Tomamos banho, jantamos nosso já de praxe pão com sardinha, e ficamos curtindo o wifi do lobby superconfortável do hostel até o sono bater.

 

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(Sogndal /Camping Luster)

 

Depois de acordar decidimos que iriamos para Oslo. Procuramos no mapa uma rota que não tivesse ferrys pelo caminho e fomos. Nesse trecho da viagem, depois de pouco tempo de estrada já nos surpreendemos com uma paisagem totalmente diferente do que tínhamos visto pelo país até aquele momento. Bendita rota essa que escolhemos viu?! Não poderia ter sido melhor.

Estávamos passando por dentro de Jotunheimen, as cordilheiras norueguesas. Com as montanhas mais altas do país a região era de tirar o folego. Mesmo no verão o cume das montanhas estava com neve acumulada. A região rendeu muitas fotos e paradas na estrada. Em uma dessas paradas, vimos que tinha um bloco de gelo relativamente próximo da estrada. Saimos da estrada e fomos andando em direção ao bloco. A caminhada foi curta, cerca de 40min. As botas impermeáveis foram uteis nessa caminhada. Uma camada bem espessa de um tipo de musgo se formava no solo por causa da umidade. A cada pisada, o pé afundava quase que pela metade no chão. A caminhada compensou. Depois de curtir um pouco o lugar, voltamos para o carro e continuamos viagem. O bacana de viajar sem roteiro é justamente isso. Em nenhum site/blog vi menções a este lugar, que acabou sendo um dos que mais curtimos em toda a viagem. E que não teria entrado no roteiro, se estivéssemos seguindo algum.

 

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Montanhas de Jotunheimen

 

Depois que saímos das cordilheiras paramos em uma cidade chamada Lom para almoçar. Muito bacana a cidade também. Nela também tinha uma igreja de madeira mais conservada que a anterior. Compramos sanduiches em um supermercado e comemos na rua, sentados ao lado da praça central da cidade.

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Lom

 

Depois de almoçar seguimos estrada rumo à Oslo. Chegamos na cidade por volta de 18h e já paramos o carro direto em um estacionamento ao lado do Vigelandsparken. Foi o único parquímetro que apanhamos. Nada de aceitar as malditas moedas, nem o maldito cartão. Depois de explorar todos os botões da máquina, pedimos arrego e perguntamos pra um cara que estava chegando no prédio vizinho como funcionava. O cartão devia ser inserido e já tirado na hora. O turista quarta feira estava inserindo e deixando ele na máquina esperando que fosse solicitado a senha...

Vencida a batalha fomos caminhar pelo parque, que era bem preservado por sinal. Além da arborização em volta do parque com grades espaços vazios no centro pra galera sentar no final da tarde e conversar tomando uma garrafa de vinho, a característica mais marcando do lugar está em suas esculturas. Em todas a peça central eram figuras humanas nus, sempre em conjunto. Quase todas com uma feição de susto/tristeza. A hora do parquímetro estava vencendo. Corremos pra chegar no horário e procurar outro lugar para estacionar próximo aos outros pontos da cidade que queríamos conhecer e ficavam em próximos uns dos outros.

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Achamos uma vaga na rua próximo ao Palácio Real. Salvamos 70NOK, essa vaga era free. Andamos em direção ao palácio e logo começou a cair a chuva. Demos um tempo embaixo de uma árvore e quando perdeu um pouco de intensidade continuamos. O palácio estava em reforma. E mesmo se não estivesse, não era grande coisa. Depois de uma olhada expressa, já fomos em direção ao centro. Estava anoitecendo. Chegamos na Opera de Oslo, também estava em reforma. Se tivessem 10 guindastes à vista acredito que era pouco. Continuamos andando pelas ruas do centro, fui convencido a não comprar lembrancinhas em uma loja no centro – e acabei não achando em mais nenhum lugar até o final da viagem. Depois de algum tempo tentando lembrar onde o carro estava estacionado, o encontramos e fomos preparar a janta: mais pão com sardinha. Aproveitamos as mesas na calçada de um café que estava fechado, e ainda pegamos m pouco do wifi do lugar que estava ativado. Parecendo dois mendigos preparando a refeição na rua, fomos abordados por uns caras que pareciam ser indianos, bem vestidos, pedindo direção para o centro. Mostramos o rumo que era e continuamos nossa refeição. Já estava tarde e não queríamos gastar com hostel na cidade. Dirigimos para fora da cidade e logo encontramos um posto com estacionamento grande. Capotamos no carro mesmo e só acordamos com um verdadeiro barraco no meio da madrugada. Digno de Brasil. Tinha um carro parado de travessado bem atrás do nosso. Um casal estava de pé brigando aos berros. Pelo jeito o tema da briga era traição. Eu estava dormindo no banco de trás, me fingi de morto e só dei uma espiada de rabo de olho uma hora para ver quão perto estavam. Estava à postos para caso começasse a rolar tiros ahahaha. Depois de quase uma hora, foram embora..

Amanheceu e a missão do dia era conseguir trocar as coroas que sobraram em euros. Depois de uma verdadeira peregrinação, reviramos duas cidades de ponta cabeça e em nenhum lugar encontrávamos uma casa de câmbio. Na segunda cidade, em um dos bancos que fui pedir informação, uma mulher asiática proferiu a frase mais desanimadora da viagem quando perguntei onde conseguiria trocar o dinheiro: “Just in Oslo!” Puta que o pariu! Pensei comigo mesmo.

Em caso nenhum voltaria para a capital só para trocar a grana, no pior dos cenários poderia deixar para trocar quando retornasse para Amsterdam. Porém, quase na fronteira com a Suécia, resolvi fazer mais uma última tentativa. Parei em uma cidade, e por sorte achei um Western Union. Trocaram apenas as notas. Mas já ajudou pra caramba, pois acabaram sobrando muitas coroas. Fiquei apenas com as moedas, que eles não aceitavam. Quando fui contar, vi que ainda tinha mais de 200 coroas em moedas. Comi elas no restaurante de um hotel de beira de estrada, bem na fronteira.

Acabou por aí o rolê pela Noruega. Caímos na estrada e fizemos algumas paradas até a volta para Amsterdam, onde devolveríamos o carro. Ficamos um dia em Copenhagem e outro em Hamurgo, na Alemanha. Paramos em um posto a 40km de Amsterdam para almoçar e dar uma geral no carro, que estava podre de sujo. Maldita ideia! Uma van com 4 policiais parou do nosso lado, desceram da viatura e perguntaram o que estávamos fazendo. Explicamos que o carro estava muito sujo e que devolveríamos para a locadora assim que chegássemos na cidade. Não compraram nossa estória. Olhando a cena de fora até imagino o porquê... dois malucos cada um com uma camiseta molhada desesperados tentando tirar a sujeira impregnada no carro. Foram checar nossos passaportes no rádio, fizeram um milhão de perguntas para ver se entravamos em contradição. Depois de uns 20 minutos, nos liberaram. No final, um deles até arranhou umas palavras em português.

Resumindo a viagem para a Noruega: vale a pena pra um caralho! E não é tão caro quanto dizem. Se a pessoa estiver disposta a fazer uma viagem econômica, fica inclusive mais barato do que outros países na Europa.

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@Sinval Pereira brother parabéns pelo relato! Essa é um tipo de viagem que muita gente tem vontade de fazer porém acha que é bem inviável financeiramente. Ainda quero conhecer a Noruega, está em meus planos futuros e depois de ler seu relato quem sabe consigo fazer algo semelhante. Parabéns! 

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Estive na Noruega agora no final do ano (do dia 22/12/18 até 24/12 - véspera de Natal).

Estive em Tromso por 3  dias (2 pernoites) e 2 dias em Oslo.

Também passei 10 dias na Suécia (3 em Gotemburgo e 7 dias no sul - Karlskrona), e passei o dia 31/12 em Copenhagen.

Achei a Escandinávia cara, e a Noruega foi o lugar mais caro. Eu e o meu namorado comemos o básico do básico: biscoitos como lanche durante o dia, pão com uma "Nutella" genérica como café da manhã, e fazíamos um panelão de macarrão com salsicha como janta.

Foi na Noruega também, especificamente em Oslo que encontrei os souvenir's mais caros: um imã de geladeira custava 39 NOK!

Entretanto, com certeza, é um país com uma natureza espetacular!!!!!

Pesquisei muito sobre Trolltunga/Preikestolen/Stavanger, além de Bergen, mas desisti em razão dos custos, além de tudo ficar um pouco mais cinzento e perigoso de ir (fazer hiking) no inverno.

 

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    • Por Fernanda Spadao
      Olá pessoal... estou indo em Novembro fazer o roteiro de Recife a Maceió... teremos 9 dias inteiros para aproveitar. Vamos alugar um carro. Quem já foi? O que acham?
      Segue roteiro e aceito pitacos 😁   Dia 1 São Paulo - Recife Chega muito tarde -só descansa Dia 2 Olinda pela manhã - Alto da Sé, igreja de 1537, almoçar com estilo no restaurante Oficina do Sabor. Convento de São Francisco, Igreja do Carmo, Igreja da Misericórdia e a Basílica de São Bento, Rua São Bento casa de Alceu Valença, ruas do Amparo e Bernardo Vieira de Melo (Artesanatos) Recife a tarde - 14:00 abrem as lojinhas e afins... Oficina Francisco Brennand, o Instituto Ricardo Brennand, Palácio do Campo das Princesas, Teatro de Santa Isabel, Palácio da Justiça, Liceu de Artes, Capela dourada, Mercados de São José, da Boa vista e Da Madalena, o Paço do Frevo, Marco Zero, Museu Cais do Sertão. As Galerias (nº 183 da Rua da Guia), Embaixada dos Bonecos Dia 1 Gigantes. Casa da Cultura em Santo Antônio. Rua Bom Jesus (Construções históricas), Embaixada dos Bonecos Gigantes. Praia de boa viagem e Caruaru. Dorme em Recife   Dia 3 Segue cedinho para Porto de galinhas - Praia de Muro Alto, Maracaípe e a Praia do Cupe. Dia 4 dia todo em Porto de galinhas - Ipojuca - Dia 5 Cedinho segue para Praia de Carneiros - Almoça em Tamandaré - Ir para Maragogi (Dormir) Dia 6 Praia de Antunes - Ponta de mangue - dorme Maragogi Dia 7 segue cedinho para São Miguel dos Milagres - Porto de Pedras (Praia pataxó) e Japaratinga - dorme lá Dia 8 Cedinho sai de São Miguel e segue sentido Maceió - Barra de Camaragibe - Praia do Carro Quabrado Dia 9 Maceió Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca Dia 10 Praia do Gunga - Praia do Francês - Praia Ipiioca - Praia Paripueira Dia 11 Retorno pra casa - entregar o carro e pegar o vôo   Gostaria de fazer a Foz do rio São Francisco saindo de Maceió, mas aí seria um dia inteiro... deixando de fazer alguma outra coisa...   Me ajudem... hehe...  
    • Por Luiz Ricardo Prais
      Fala, mochileiros! Fiz uma viagem pela Escandinávia no final de 2013, e agora, espantando a preguiça, gostaria de deixar aqui o meu relato com algumas dicas e fotos daquela terra tão incrível!
       
      ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
       
      Escandinávia: terra que desperta um sentimento místico e aventureiro. Terra dos antigos Vikings, pagãos, e claro, gelo e frio!
       
      Esta viagem ocorreu no final do ano de 2013, quando eu encerrava meu primeiro semestre vivendo em Portugal. No hemisfério norte, os meses de Dezembro e Janeiro são marcados por muito frio e escuridão. Escuridão? Requisito básico para se ver a magnífica aurora boreal!
       
      O percurso
       
      Antes de chegar ao Ártico, passei por 4 países escandinavos, pois além da Aurora Boreal em si, há muita beleza nestes lugares. A trip inteira durou por volta de 15 dias.
       

       
      Iniciei saindo de Copenhagen, na Dinamarca. Em seguida peguei um voo para Helsinki, na Finlândia, e de lá um navio para Stockholm, na Suécia. Em seguida peguei um trem para Oslo, Noruega, e finalmente um voo para Tromso, no ártico norueguês.
       
      Para chegar em Copenhagen eu utilizei a companhia low cost Easy Jet. Os bilhetes de ida e volta, contando a mochila despachada e flexibilidade total para poder alterar as datas, saíram por volta de EUR 160,00
      Obs: infelizmente esta rota já não existe mais na Easy Jet, mas é possível chegar em Copenhagen com outras companhias, mas será mais caro, pois geralmente não são low cost.
       
      O voo de Copenhagen para Helsinki foi operado pela Finnair e custou em torno de EUR 50,00
      O navio que faz a travessia Helsinki - Stockholm é operado pela companhia Tallink Silja Line por um custo de aproximadamente EUR 30,00. A travessia dura uma noite.
       
      De Stockolm a Oslo utilizei um trem operado pela companhia SJ por cerca de EUR 25,00 (tarifa para jovem menor de 25 anos)
       
      O voo de Oslo para Tromso foi efetuado pela Norwegian, e na volta, de Tromso para Copenhagen, pela Scandinavian Airlines. Os custos dos bilhetes combinados sairam por cerca de EUR 150,00
       
      A maioria das companhias oferece um desconto para viajantes com menos de 25 anos. Porém, é bom ficar atento à alguns horários, pois aparecem algumas promoções muito boas em alguns dias específicos para todos os públicos.
       
      Acomodação
       
      Como bom mochileiro, e também de grana curta, uma boa hipótese (e mais divertida) é ficar em um hostel!
      Segue uma lista dos hostels que fiquei durante esta trip:
       
       
      Copenhagen: Copenhagen Backpackers Hostel - DKK 162,00 por noite (Aproximadamente R$ 88,00)
       
      Helsinki: CheapSleep Hostel Helsinki - EUR 17,00 por noite (Aproximadamente R$ 60,00)
       
      Stockholm: InterHostel - SEK 149,00 por noite (Aproximadamente R$ 64,00)
       
      Oslo: Anker Hostel - NOK 230,00 por noite (Aproximadamente R$ 100,00)
       
      Tromso: nesta cidade fui hospedado por 2 simpáticas amigas. Porém, com uma rápida pesquisa, os preços de hostel em Tromso parecem rondar por volta de EUR 50,00 por noite. Definitivamente uma cidade cara.
       
      Detalhes sobre os hostels, como localização e infraestrutura, vou escrever durante o relato.
       
      Preparo
       
      Além da bagagem normal de qualquer mochileiro (roupas para o dia-a-dia, produtos de higiene pessoal, etc), para esta viagem é preciso estar preparado para enfrentar o frio.
       
      Como já enfatizei, o clima de Tromso é mais ameno se comparado a outros lugares, porém ainda assim é preciso se preparar, pois "menos frio" não significa que não seja frio!
       
      Gastos
       
      É preciso ter em conta que a Escandinávia é um lugar com alto custo de vida, o que significa que as coisas não são baratas.
      Em meu planejamento, coloquei uma média de EUR 35,00 por dia (excluindo acomodação). Para a alimentação eu comprava coisas no supermercado e cozinhava no hostel, utilizava apenas transportes públicos (quando necessário), tomava umas cervejas baratas, etc.
       
      É óbvio que este é apenas um valor médio e sugestivo. Seus gastos podem ser menores ou maiores, dependendo do que quiser fazer. Conheci gente que gastou menos que isso, e gente que gastou muito mais.
       
      Se você tem a intenção de visitar museus, catedrais, ou fazer passeios turísticos, aumente o seu orçamento diário.
       
      Depois que estimar o gasto total da viagem, adicione um valor extra (cerca de 10% do total) para ficar guardado para alguma emergência. Acredite, vale a pena.
       
      #Partiu
       
      Com tudo no jeito, mochila arrumada e sorriso no rosto, peguei meu voo de Lisboa para Copenhagen.
       

    • Por Fora da Zona de Conforto
      Tudo que você precisa saber para visitar Svalbard, a região mais ao norte no mundo que pode facilmente ser visitada por turistas. Embora relativamente cara, nós damos todas as dicas para você economizar com acomodação, transporte, excursões, e comida. Se você quer visitar o Ártico a um baixo custo, então esse é o caminho!
      Imagine um lugar que é literalmente o mais ao norte do mundo que você pode ir (a menos que você consiga chegar ao Pólo Norte) ….
      Um lugar onde…
      … há mais ursos polares (e snowmobiles) do que pessoas.
      … há bizarras e semi-abandonadas cidades de mineração Russas (com a estátua de Lenin mais ao norte do mundo).
      …há geleiras, cavernas de gelo, fiordes e paisagens árticas intocadas.
      … há o famoso “Doomsday Seed Vault” (Cofre de Sementes do Fim do Mundo).
      Se esta lista ainda não te fez perceber, Svalbard é um lugar incrível (embora estranho) para visitar.
      Continue lendo: O Guia Definitivo para Visitar Svalbard no Ártico Norueguês Economizando

    • Por LeticiaC
      Já faz um tempinho que voltei dessa viagem, mas só agora me concentrei pra fazer um relato. Acho que tem umas dicas interessantes. Fiz essa viagem com meu namorado e alugamos um carro por todo o período da viagem, entre 01 de abril e 30 de abril.
      Obs: Fazemos as trilhas sempre nos guiando pelo aplicativo Wikiloc. Não nos hospedamos em nenhum lugar que tivesse café da manhã incluso (me pareceu que não é comum lá). Como ficamos de carro durante toda a viagem não tenho informações de uber ou de transporte público. Tomamos vinho em praticamente todos os dias, comprávamos sempre no mercado e eram realmente baratos e gostosos.
      Dia 31 de abril – Saímos do aeroporto de Guarulhos em vôo da TAAG às 18h25, com escala em Luanda. Chegamos a Johanesburgo no dia seguinte às 13h50
      Dia 01 de abril – Domingo de Páscoa. Chegamos em Johanesburgo às 13h50 e assim que chegamos no aeroporto fomos trocar os dólares e comprar um chip de celular. As casas de cambio lá na África do Sul cobram uma taxa que não lembro mais o nome e eu me senti roubada. Em todas as casas de câmbio em que fui tinha essa mesma taxa, eu já sabia disso quando saí do Brasil, mas ainda assim ficou o sentimento do roubo. Acredito que o aeroporto não seja o melhor lugar para trocar dinheiro lá, mas nós chegamos num domingo no meio de um feriado prolongado (a segunda-feira depois da Páscoa é feriado na África do Sul, dia da família), por isso preferimos trocar lá.
       Em seguida fomos atrás de um chip pra usar internet e compramos numa loja no térreo do aeroporto perto da onde ficam as casas de câmbio. Tem duas lojas uma ao lado da outra, uma vermelha e outra amarela, na amarela achei que o preço estava mais interessante. Depois disso fomos pegar o carro que alugamos, o lugar fica dentro do aeroporto mesmo e o processo de pega-lo foi rápido. Já saímos de lá dirigindo o carro, um Clio. Alugamos através da RentalCars.
      Havíamos reservado hospedagem para duas noites em Johanesburgo pelo Expedia, num hostel no centro da cidade. Quando chegamos lá descobrimos que não era exatamente um hostel, era mais uma kitnet num prédio de moradores, bem estranho na verdade, Brownstone Backpackers. Havia um mercado perto, o Shoprite, e fizemos as compras para os próximos dias. A nossa intenção era acampar o máximo possível e cozinhar nossa própria comida e a África do Sul é um ótimo país para isso.
      Dia 02 de abril – Acordamos cedo e fomos atrás do funcionário para falar sobre o café da manhã e no final não tinha café, apesar de estar escrito no Expedia que havia a refeição estava inclusa. Pra evitar desgaste fomos lá ao mercado e compramos as coisas para fazer nosso café da manhã. Enfim. A programação era ir ao museu do Apartheid e achei muito legal começar a viagem por lá. Achei importante para começar a entender o país. Passamos muito tempo no museu o que nos impediu de ir a uma casa de escalada que tem na cidade e que gostaríamos de ir. Mas por conta de ser feriado ela não funcionava a noite. O lugar se chama City Rock, interessante para quem gosta do esporte. Depois do museu fomos a um shopping, Nelson Mandela Square, para comprar coisas para camping que estavam faltando. E aproveitamos para tirar foto na estátua do Mandela que tem lá.
      Dia 03 de abril – Saímos de Johanesburgo às 5h da manhã com destino ao Kruger National Park. É uma viagem longa, 420 km, e nosso destino era o camping Skukuza. Fizemos a dos campings com quase dois meses de antecedência, mas o fato de estarmos indo num feriado fez com que tudo estivesse lotado com tamanha antecedência (era “semana do saco cheio” nas escolas e faculdades). Tomamos café da manhã na estrada mesmo, lá nas estradas há sempre uma estrutura mínima de parada para lanches, com mesas e cadeiras.

      Por volta das 10h chegamos ao portão do Kruger, mostramos nossas reservas, fizemos os trâmites necessários e já começamos nosso safári! Não entregam mapa na entrada, mas as estradas estão no Google Maps. Vimos muitos animais assim que começamos inclusive um leopardo. Às 14h chegamos ao Skukuza e como estávamos muito cansados resolvemos ficar por lá. Almoçamos no restaurante no local e depois ficamos de boa na piscina. Ficamos acampados com nossa própria barraca, ao lado dos motor homes, e eles adoram motor home lá! A estrutura é boa com cozinha, fogão, lavanderia e tal. Li que tinha geladeira, mas não achei.
      Dia 04 de abril – Acordamos bem cedo novamente e às 6h30 já estávamos saindo do camping Skukuza em direção ao camping Berg-en-dal. Nossa idéia era fazer o safári esse dia no caminho entre os dois campings, pegando caminhos bem longos. Vimos muitos animais esse dia: elefantes, hienas, girafas, hipopótamos, leões, cachorros do mato, zebras. Chegamos no camping Berg-en-dal às 18h, com o portão já fechando. Assim que chegamos no camping reservamos uma saída para safári no dia seguinte de manhã, às 5h. E compramos na loja do camping um pedaço de carne de kudu para preparar para o jantar. Em todos os campings há um pequeno mercado com algumas coisas para comer e também lembrancinhas.
      Dia 05 de abril – Acordamos super cedo e já nos dirigimos para encontrar o jipe para fazer o safári ao nascer do sol. O carro saiu às 5h00, acho, mas o horário varia conforme a estação do ano. No início, enquanto ainda estava escuro, algumas pessoas levavam uma lanterna que ilumina bem para tentar encontrar animais escondidos na mata. O passeio dura quase 3 horas, mas infelizmente não vimos animais diferentes do que já havíamos visto. Gostaríamos de ter visto mais felinos, mas ok. Ao acabar o safári e voltar para o camping, tomamos café, arrumamos nossas coisas e antes de sair do Kruger mergulhamos na piscina do Berg-en-dal. A piscina é bem legal e tem um vestiário bem grande ao lado. Recomendo um mergulho lá J

      A idéia esse dia era sair do parque e começar a fazer o passeio pelos pontos turísticos do Blyde River Canyon. Por volta das 10h30 saímos do Berg-en-dal e nos dirigimos a saída de Pretoriuskop. No caminho ainda conseguimos ver alguns animais. Fomos rumo à cidade de Graskop, que é um bom ponto pra começar o passeio pelo Blyde Canyon. Saímos efetivamente do parque por volta do meio-dia e às 14h chegamos a Graskop. Almoçamos em um restaurante do centro da cidade, a cidade é pequena e há alguns restaurantes nas ruas principais. Como o tempo estava fechando decidimos fazer todo o percurso do Blyde Canyon no dia seguinte. Por indicação do dono restaurante fomos a Pilgrimsrest, que é um lugar histórico de lá, no qual havia um vilarejo em que ainda se conservam algumas casas e comércios como eram na época. Mas não gostei do lugar não, é quase uma encenação, acho que ninguém mora lá, é apenas para turista ir e ver como era o lugar e comprar coisas. Não gostei da abordagem dos vendedores lá, mas há coisas interessantes de artesanato, principalmente em madeira. Deixamos o carro estacionado na rua, longe de onde ficavam os outros carros. Dois caras lavaram nosso carro, sem nossa autorização e cobraram 70 rands, mas negociamos e pagamos 20 rands.
      Dormimos no Panorama Chalets & Rest Camp, que é super bem localizado, bem na borda de um desfiladeiro com uma piscina de borda infinita. Lá tem chalés e local para camping, cozinha coletiva e banheira, além de um restaurante. Como em quase todos os campings que ficamos tem também uma churrasqueira para cada espaço de camping. Andando dentro da propriedade, indo até uma borda do desfiladeiro é possível ver a cachoeira a Panorama Falls.
      Dia 06 de abril – Saímos cedo de Graskop e pegamos a estrada R532 e depois a R534. Na R534 primeiramente fomos visitar “The Pinnacle Rock”. É cobrada entrada, uns 15 rands, e é interessante não ir apenas ao Pinnacle, mas também dar uma caminhada para ver a cachoeira de frente, tem uma trilhinha. Seguindo na mesma rodovia está o God’s Window. Ao contrário do Pinnacle, que estava vazio, o God’s Window estava lotado, havia uns ônibus de excursão lá. Lá você também paga para entrar e há um caminho para seguir andando e tendo as vistas do local. É um local bonito, com uma visão ampla.
      Depois de God’s Window seguimos em frente na R534 e voltamos para a R532 e seguimos para a próxima parada: Lisbon Falls. Lá você também paga para entrar. Tem uma pequena lanchonete e várias pessoas vendendo artesanato e também um mirante, de onde é possível ter uma visão bonita das cachoeiras. Do mirante é possível ver uma trilha até um pequeno mirante, se você seguir essa trilha até lá embaixo, uns 15 minutos de caminhada, estará na cachoeira! Fomos os únicos que desceram enquanto estávamos lá. E foi uma delicia! O poço é grande e bom para nadar e a visão das cachoeiras é deslumbrante J

      Depois das Lisbon Falls nos dirigimos à Berlin Falls. As atrações estão marcadas no waze e há também placas ao longo da estrada. Na Berlin Falls a estrutura é parecida com a Lisbon Falls: paga-se para entrar e tem um mirante para a cachoeira. Nessa cachoeira não sei se tem trilha para descer para o poço, pois não descemos nela. Perto da Berlin Falls há dois restaurantes e decidimos almoçar em um deles, o Garden Shed Restaurant. Frango no forno a lenha, bem gostoso.
      Pelo avançar da hora fomos direto para o Three Rondavels, que é da onde se tem a vista panorâmica do Blyde River Canyon. A entrada é permitida até as 17h, chegamos lá por volta das 16h e passamos um tempão lá, porque a vista é realmente deslumbrante. Li que é possível fazer passeio de barco no rio que corta o canyon, mas não sei como é o esquema. Deve ser um passeio bem legal.
      Depois de terminar o trajeto pelas atrações do Blyde River Canyon ainda tínhamos um longo caminho: 180 km até Tranquilitas Adventure Farm, que é uma hospedagem com camping e chalés em um vale em que há centenas de vias de escalada. O trajeto foi longo e pegamos estradas péssimas, um trecho da R36 estava em obras, com muitos, muitos buracos. No caminho ainda passamos no mercado para comprar comida para os próximos dias. Por volta das 9h chegamos à Tranquillitas e lá estava lotado de pessoas acampando.
      Dia 07 de abril – Depois do café da manhã fomos com os equipamentos de escalada procurar as vias. E são centenas! Passamos o dia em apenas um setor. Lá há vias de vários graus de dificuldade. Pra quem curte escalada é um paraíso. No final da tarde ficamos na piscina, em que há um bolder para escalada em cima da piscina, bem legal!
      Dia 08 de abril – Saímos cedo para descobrir como chegar à Cachoeira Emgwenya, que é uma grande cachoeira que tem na cidade e na qual há várias vias de escalada em volta dela. A cachoeira é no meio da cidade, próxima a um bairro dito perigoso. Deixamos o carro numa loja de escalada/hostel, a Roc’n Rope Adventures, e de lá fomos no carro do dono do hostel até a entrada da cachoeira. O caminho para o mirante da cachoeira é diferente do caminho para as vias de escalada, fomos apenas nas vias. No caminho até as vias passamos por dentro do túnel em que passa o trem e depois pegamos um caminhozinho que desce até onde de fato começam as vias de escaladas. E lá também há centenas de vias, espalhadas em alguns setores, com diferentes graus de dificuldade. Eu não escalo, apenas faço segurança para meu namorado. Após ele subir uma via, decidimos ir atrás da cachoeira. Há uma trilha com correntes que te leva para trás da cachoeira. É uma trilha escorregadia e você irá se molhar inteiro, mas achei muito legal!
      Não havia ninguém lá perto da cachoeira, há não sermos nós dois. E quando voltávamos encontramos uns caras que pareciam estar pescando. Depois de ir pra cachoeira voltamos andando para pegar o carro que estava estacionado. Voltamos à Tranquillitas Farm debaixo de uma leve chuva para tomar um banho e partir viagem. Estávamos famintos e tivemos dificuldade de encontrar um lugar para almoçar, já passava das 16h. E acabamos entrando no Fortis Hotel Malaga, que ficava na N4, no sentido oposto em que tínhamos que ir. O hotel é bem bonito, chique, e a comida é deliciosa. Foi o melhor em que comemos durante toda a viagem.
      Depois de almoçar lá partimos rumo à cidade de Newcastle, enquanto estávamos almoçando no hotel reservamos um hotel para passar a noite em Newcastle pelo Booking.com. A cidade ficava no caminho para o parque Drakensberg, que era nosso próximo destino.
      Dia 09 de abril – Nesse dia decidimos aproveitar uma cama de verdade depois de quase uma semana dormindo na nossa barraca. Aproveitamos para arrumar o carro, que estava um pequeno caos e fazer compras em um mercado da cidade. O trajeto até o parque Royal-Natal era de 210 km, tínhamos que chegar lá até as 17h para poder acampar, o que era nossa intenção. Porém não conseguimos e acabamos ficando no Hostel Amphitheatre. Recomendo muito a hospedagem lá, o lugar é grande, é bonito e tem várias facilidades: piscina, jacuzzi no meio do bar, um bar, restaurante, lugar para churrasco, uma área de camping enorme, quartos coletivos e chalés. Além de ser parada do Baz Bus e ter uma agência que organiza trilhas nos parques em volta e até em Lesoto. Ficamos mais uma vez acampados.     
      Dia 10 de abril – Depois de um café da manhã reforçado fomos de carro para o parque Royal-Natal fazer a trilha Tugella Gorge. Pagamos a entrada e nos dirigimos de carro até o estacionamento mais próximo do início da trilha. No local onde começa o caminho há um voluntário do parque que explica um pouco do caminho e pega seus dados e faz umas perguntas sobre seus equipamentos (quantidade de água que se esta levando, agasalhos que se esta levando, lanterna, comida, etc). Na volta deve-se assinar no formulário assegurando que já voltou da caminhada. A caminhada é leve, sem grandes subidas, percorrendo em volta do desfiladeiro. Em um determinado momento a trilha percorre por dentro do desfiladeiro e devem-se subir umas escadas de madeira para ir até um ponto em que se vê a Tugella Falls meio de frente. Essa cachoeira é a segunda maior do mundo. Infelizmente o dia estava muito nublado e não conseguimos vê-la de perto, apenas quando estávamos longe. Ainda assim valeu muito a pena a caminhada. O lugar é muito bonito e diferente do que temos no Brasil. E vale a visita para ter a visão do anfiteatro, que é como se chama a forma em que as montanhas estão no parque, e também para ver os macacos que estão aos montes lá.

      Depois da trilha voltamos ao camping para descansar e nos preparar para o dia seguinte. Ainda tentamos fazer um churrasco ao estilo sul-africano, mas tivemos algumas dificuldades, hehe.
      Dia 11 de abril - Saímos do camping às 4h para um dos momentos mais aguardados por mim da viagem: a trilha para a parte de cima da Tugella Falls. O lugar de início da trilha é bem longe do Amphiteatre Backpackers e a estrada é péssima, mesmo. É possível ir de excursão até lá, com guia para acompanhar durante a trilha. É indicado pra quem não tem uma boa experiência em trilha, por que a trilha é bem marcada no início, mas tem pontos ruins, principalmente quando se chega ao topo. Chegamos ao local onde começa a trilha por volta das 7h e o tempo estava horrível. Chovendo e com uma neblina medonha. O lugar é abandonado, tem uma construção não terminada e uns barraquinhos de madeira, que achávamos que estavam abandonados. Depois de um tempo apareceu um senhor perguntando se íamos fazer a trilha e dizendo pra esperarmos até umas 8h que o tempo iria abrir. Esperamos até as 9h e nada do tempo melhorar e depois de muita indecisão resolvemos fazer a trilha, com a esperança de termos uma boa visão ao final da trilha. E isso não ocorreu. Demoramos cerca de 2 horas pra chegar a parte de cima da cachoeira e não vimos absolutamente nada, só nuvens. O caminho é perrengue com uma subida bem íngreme com pedras soltas e água escorrendo pelo caminho. Há uma alternativa pra subir via umas escadas de ferro, mas havia placas em que estava escrito que as escadas estavam fechadas.
      Por volta das 14h30 estávamos de volta no carro e ainda sob uma chuva fina fomos embora. Quando chegamos à cidade mais próxima o dia estava lindíssimo, mas era possível ver que nas montanhas havia muitas nuvens. Na estrada conseguimos ver algumas montanhas do parque Golden Gate Highlands que ficava no caminho. Voltamos para o hostel e fomos descansar da caminhada na jacuzzi do hostel.
      Dia 12 de abril – Acordamos tarde depois do desgastante dia anterior e aproveitamos a manhã para secar as roupas que estavam molhadas da trilha e também organizar o carro. Resolvemos então ir para outro parque na região, lá há vários parques, com muitas opções de trilhas pra fazer! Depois de pesquisar um pouco nos mapas que tínhamos pegado no parque Royal-Natal e também de pesquisar na internet decidimos ir ao Monks Cowl. Antes passamos na cidade de Winterton para almoçar e passar no mercado.
      Hospedamos-nos no Inkosana Lodge, que fica na rodovia R600, caminho para o parque. Ficamos acampados, mas o local tem quartos coletivos e chalés também. Fomos ao parque para verificar o preço do acampamento, mas era o mesmo que no Inkosana, porém sem energia elétrica.
      Dia 13 de abril – Fomos cedo ao parque para fazer a trilha chamada Blindman’s Corner. É uma trilha de tamanho médio e que dá uma visão panorâmica das montanhas, é realmente muito bonito. No parque há trilhas menores que levam há algumas cachoeiras, mas não tivemos tempo de fazê-las. Depois da trilha voltamos ao Lodge para cozinhar e descansar.

      Dia 14 de abril – Saímos meio sem rumo esse dia, as previsões para aquela área eram de chuva e queríamos fugir disso. Então resolvemos partir rumo ao litoral. Desviamos nosso caminho para passar em outro núcleo do parque, o Injisuthi. A estrada chegando ao parque era horrível e como o tempo estava bem feio não chegamos até o estacionamento do parque, paramos num rio no caminho e ficamos um tempo lá. Alguns moradores estavam pescando no rio. Seguimos viagem rumo à Underberg, na parte sul do parque. Paramos em uma cidade no meio do caminho para almoçar e depois seguimos viagem, chegamos a Underberg no final da tarde, sob chuva. Dormimos no The Shed, que tem camping e também chalés.
      Dia 15 de abril – Depois do café da manhã pegamos o carro e fomos rumo Coffee Bay. O caminho é longo, 383 km, e a estrada é boa até chegar em Mthata. Depois daí o caminho é através de uma estrada com muitos buracos e muitos animais no caminho. Por volta das 16h chegamos a Coffee Bay e almoçamos no Sugarloaf Backpackers, que fica na entrada da cidade. O local é um hostel com restaurante e alguns espaços para acampar, mas já não havia mais espaço para barracas. Então fomos andar pelos acampamentos da cidade e decidimos ficar no Friends Wild Coast, que era mais vazio que os outros. Éramos de fato os únicos lá. No lugar também funciona um restaurante/pizzaria.
      Dia 16 de abril – Saímos cedo para ir até o Hole in the Wall, que é a principal atração do lugar. É possível chegar lá de carro, mas decidimos ir a pé. Não sei como é a condição da estrada. O caminho não é difícil, mas é longo, 18 km no total, ida e volta. Mas vale muito a caminhada, o caminho é muito bonito, margeando o mar o tempo todo. Chegamos ao camping no final da tarde. Coffee Bay é bem pequeno, não tem mercado ou muitos restaurantes. É um lugar simples e bem bonito. Com muitas vacas na praia.

      Dia 17 de abril - Queríamos ir a Mapuzi nesse dia, mas não encontramos o caminho no wikiloc ou explicação na internet. Por sorte um funcionário do camping nos acompanhou até lá. E foi um passeio bem legal, ele foi contanto sobre as impressões dele do próprio país e tal e nos mostrando o lugar. Mapuzi é um rio que desemboca na praia e há alguns pontos para se pular no rio, é uma caminhada de cerca de uma hora e perto há uma praia praticamente deserta. Ao lado dessa praia há uma caverna em que o Mandela ficou escondido quando estava sendo perseguido antes de ser preso.
      Chegamos ao camping por volta das 14h e já partimos de carro rumo ao nosso próximo destino Kenton-on-sea, 445 km de distância. Chegamos lá apenas às 21h e nos hospedamos em um lugar chamado Stanley Cottage. Encontramos esse lugar procurando na internet e foi um achado, pagamos cerca de 20 reais para dormir num mini chalé, foi ótimo por que estávamos cansados da longa jornada de carro.
      Dia 18 de abril – Em Kenton-on-sea acontece uma coisa legal, quando a maré fica bem baixa é possível ver várias formações rochosas na praia, e há algumas realmente grandes e interessantes. A algumas dunas também e as crianças ficam descendo de ski-bunda. Andamos pelas dunas e encontramos uma praia meio escondida, que não sei o nome. Ficamos lá um tempo, mergulhando naquela água congelante e de repente entrou um nevoeiro fortíssimo, não era possível ver mais nada. Essa era nossa deixa para voltar ao carro e procurar onde almoçar. Almoçamos na cidade e já partimos para Stormriver.

      No caminho paramos em Porto Elizabeth para trocar dólares por rands e também paramos em Jeffreys Bay para ver o pôr-do-sol, passar no mercado e jantar. No caminho para Stormriver enfrentamos uma chuva bem forte o que nos fez decidir por ficar num quarto coletivo no hostel Dijembe.
      Dia 19 de abril - O hostel era bem cheio e meio caótico, com um bar e uma cozinha em que podíamos fazer panquecas à vontade no café da manhã. Depois do café da manhã nos dirigimos até o Parque Tsitsikama e demos carona para um casal canadense que também ia ao parque. Cerca de 50 reais por pessoa é cobrado para entrar no parque. Fizemos primeiro a trilha para as pontes suspensas, uma trilha curta e fácil e bem bonita. Ótima para fotos. Ao terminar a trilha almoçamos no restaurante que há no parque e depois seguimos para a trilha da cachoeira. Acredito que teria sido melhor inverter a ordem das trilhas, já que acredito que durante a manhã a cachoeira é iluminada pelo sol. Essa caminhada é mais longa (não as 4 horas que o folheto do parque diz) e o caminho é muitas vezes por cima de umas pedras enormes. A visão de toda a trilha também é muito bonita.
      Como não havíamos gostado do hostel em que estávamos, decidimos acampar essa noite no parque. Fomos à entrada principal e pagamos o valor para acampar. O bom de acampar lá é que no dia seguinte não precisávamos pagar de novo para entrar no parque.
      Dia 20 de abril – Dia de fazer kayaking e também de lavar as roupas! Como na maioria dos parques em que fomos na África do Sul havia uma lavanderia próximo ao camping. Pagamos cerca de 5 reais para usar a máquina de lavar e mais 5 reais para usar a secadora. Fizemos isso enquanto tomávamos café da manhã e desarmávamos nossa barraca. Depois nos dirigimos até o local da onde saem o pessoal para fazer kayaking. Há apenas uma empresa que tem esse passeio e é possível agendar pela internet ou pagar lá na hora, e foi isso que fizemos. O passeio todo dura umas 2 horas e foi muito legal. De kayak fomos por dentro do canyon, o lugar é muito bonito. O passeio normalmente sai perto do mar, mas como o mar estava bravo tivemos que fazer uma parte andando. Depois do kayaking fomos novamente almoçar no restaurante do parque.   
      Depois do almoço partimos rumo a Ponte Bloukrans, que é de onde se pula de bungee jumping. Depois de muito pensar meu namorado decidiu pular, eu já sabia que não pularia nem que me pagassem, hehe! A ponte é muito bonita e acho que vale uma parada só para ver a ponte sobre o vale. Depois do pulo de bungee jumping, continuamos nossa viagem com destino a Plettenberg Bay, que fica a cerca de 40 km de distancia. Lá ficamos hospedados no hostel Albergo, mais uma vez acampados. E comemos uma ótima pizza num lugar chamado Plett Market on Main, que é tipo uma praça de alimentações com alguns restaurantes.
      Dia 21 de abril – Quando estávamos saindo do hostel conhecemos um argentino que morava em São Paulo e ele nos acompanhou para fazer os passeios do dia. Primeiro fomos ao centro de reabilitação de felinos Tenikwa. Fomos acompanhados de um guia, que explicava várias coisas sobre os felinos que víamos, era muito interessante e o funcionário parecia muito apaixonado pela causa. Os animais ficam em espaços grandes com grades que nos separam deles, o passeio durou quase 2 horas.
      Depois fomos ao Robberg Nature Reserve, que é um reserva em que há algumas trilhas para fazer em volta do lugar, que é uma península. Fizemos a maior trilha, que percorre todo o lugar e foi deslumbrante. Vimos muitas focas, praias lindíssimas e um visual incrível do pôr-do-sol. Quando terminamos a trilha o sol estava se pondo, estava um visual lindíssimo e o estacionamento estava cheio de famílias curtindo o visual enquanto tomavam vinho e comiam.

      Depois da trilha seguimos para Knysna onde dormimos num local perto da praia Buffels Bay, mas não encontrei o nome do lugar. Era um lugar simples no qual acampamos, lá tinha um restaurante e também chalés.
      Dia 22 de abril – De manhã fomos conhecer a cidade de Knysna, que é muito bonita. Fomos de carro até um Mirante, East Head View Point, e de lá é possível ter uma visão geral da cidade, que é muito bonita. Há vários bancos nesse mirante em que é possível passar um tempão só admirando a vista, e há placas falando que de lá é possível avistar baleias na época certa. Depois seguimos de carro rumo a Hermanus, 420 km de distancia. Paramos em Wilderness para almoçar num restaurante a beira da praia. E chegamos a Hermanus por volta das 20h e nos hospedamos no Onrus Caravan Park. O local é um estacionamento para motor homes e não tinha cozinha, mas foi o suficiente para a noite.
      Dia 23 de abril - Hermanus parece ser um bom lugar para avistar baleias na época certa. Fora isso é uma cidade a beira mar com muito vento. Há uma caminhada chamada Hermanus Cliff Path, que beira o mar, percorremos um pedaço dela. Almoçamos num restaurante do centro e continuamos nossa viagem rumo a Stellenbosch, que está a 90 km de distância. Chegamos a Stellenbosch embaixo de chuva e acampamos no Hostel Stumble Inn. Aproveitamos o final do dia para andar um pouco pela cidade e fazer compras no mercado.
      Dia 24 de abril – Dia de conhecer vinícolas! Pegamos um mapa no hostel e pedimos algumas indicações ao funcionário. Primeiramente fomos à vinícola Tokara, que é muito bonita e moderna. Gostamos do vinho, mas não muito do atendimento, que foi muito impessoal. Pagamos apenas uma degustação e dividimos as taças, fizemos isso em todas as vinícolas que fomos. Em seguida fomos à vinícola Thelema e fomos super bem atendidos. A visão das montanhas que se tem do bar é muito bonita e os vinhos são bem gostosos. Almoçamos no restaurante da vinícola Le Pommier, mas não fizemos degustação lá. O almoço estava gostoso. Descansamos um pouco lá e depois fomos degustar na vinícola Camberley. Lá foi ok, mas nada demais. Depois fomos até a cidade de Pniel visitar a vinícola Boschendal, que é lindíssima. Fica numa grande fazenda, com um jardim lindo e uma visão privilegiada das montanhas. Fizemos degustação de vinhos especiais, com direito a champagne. Fechamos o dia com chave de ouro!
      Dia 25 de abril - A cidade de Stellenbosch é rodeada de montanhas e como bons trilheiros que somos pesquisamos como subir em alguma daquelas montanhas e aí encontramos na internet informação sobre a Reserva Natural Jonkershoek. Fomos de carro até lá, a reserva está a uns 25 min da cidade seguindo uma rodovia que termina na entrada do parque. Lemos algumas coisas sobre o parque estar um pouco abandonado e perigoso, felizmente não presenciamos nada. Pagamos a entrada e nos entregaram um mapa, a moça da portaria nos explicou sobre as trilhas disponíveis e o tempo que demandariam. Como o dia estava feio, com cara de chuva, decidimos fazer uma trilha que vai a uma cachoeira. Essa trilha é bem rápida, uns 20 minutos, e a cachoeira é pequena. Com a esperança de um tempo melhor decidimos continuar a trilha, fazendo o começo inverso de uma trilha grande que havia lá. Essa trilha ia até o fundo do vale e depois subia. Passamos por uma cachoeira maior que a primeira e depois continuamos o mais pra cima que conseguimos. Subimos por umas pedras e chegamos a um cume. O maior vento da vida, hehe! Mas a visão era muito legal e o tempo abriu um pouco pra gente, além de ser um ótimo lugar para ver flores, há muitas e são bem diferentes. Acredito que dava até pra ver a Cidade do Cabo do ponto em que estávamos.

      Depois de sairmos do parque sob uma fina chuva decidimos ir atrás de algo para comer. Decidimos ir até Franschhoek para jantar e conhecer um pouco a cidade. Quando chegamos na cidade a chuva estava muito forte e acabamos indo num pub, Franschhoek Station Pub and Grill. O lugar estava bem cheio e as pessoas estavam assistindo uma partida de críquete. Comemos algumas porções e experimentamos umas cervejas. Depois voltamos para o hostel para descansar do dia cansativo.
      Dia 26 de abril – A chuva não parou durante toda a madrugada e acabamos demorando pra desmontar nossa barraca, pois estávamos esperando que ela parasse. Esse era nosso último dia com o carro alugado, tínhamos marcado de devolvê-lo na Cidade do Cabo no final da tarde. Fizemos umas contas e decidimos que valia a pena ficar até o final da viagem com o carro. Fomos numa loja Hertz ali mesmo em Stellenbosch e fizemos todo o trâmite. Depois seguimos viagem rumo a Cidade do Cabo, nossa última parada. A Cidade do Cabo está a menos de 60 km de Stellenbosch, mas decidimos fazer uma serie de paradas e desvios no caminho. A primeira foi na praia de Muizenberg, aquela das casas coloridas. Depois fomos ao Museu Naval da África do Sul, que é gratuito e fica no meio do caminho. Foi uma parada interessante. Em seguida fomos a praia Boulders, a dos pingüins. Primeiro fomos a uma praia gratuita em que havia alguns pingüins e depois nos dirigimos à praia que é paga e que faz parte do parque. Achei uma experiência incrível! São tantos pingüins, tem algumas placas com informações sobre eles, interessante lê-las.
      Depois fomos direto ao Cabo da Boa Esperança, que é um parque e cobra entrada. O parque é muito grande e além do Cabo em si, há outros lugares para conhecer, como praias e trilhas. Infelizmente não sabíamos disso antes de ir, se soubéssemos teríamos dedicado mais tempo às trilhas do parque. Fomos direto ao farol do Cabo da boa esperança, o subimos a pé e aproveitamos pra andar um pouco lá por cima. Há vista é muito bonita, há uma praia próxima que dá pra observar. Essa parte dá pra subir de teleférico também. Ao sair dessa parte do farol fomos de carro até o Cabo da Boa esperança propriamente dito. Lá há uma placa em madeira em que todos tiram fotos e há caminho sobre as pedras em que é possível andar e ter uma visão mais ampla do local. O dia já estava acabando e não havia tantas pessoas. No caminho para sair do parque encontramos vários avestruzes! Ficamos um bom tempo observando-os e tentando tirar fotos.
      Na Cidade do Cabo ficamos hospedados num Airbnb, nossa primeira experiência nesse tipo de hospedagem. E ocorreu tudo muito bem! Jantamos numa pizzaria perto da casa em que estávamos hospedados.
      Dia 27 de abril – Depois do café aproveitamos o sol e fomos limpar nossa barraca e colocá-la para secar. Nossas coisas ainda estavam úmidas da chuva de Stellenbosch. Depois fomos de carro conhecer a estrada Chapmans Peak, infelizmente o tempo estava muito fechado quando chegamos lá. O tempo na Cidade do Cabo é instável, e as proximidades da Table Mountain facilmente ficam envoltas em nuvem. Percorremos a estrada inteira e paramos pra almoçar num restaurante no final. Enquanto almoçávamos o tempo foi abrindo e decidimos percorrer a estrada novamente. Paga-se um pedágio para percorrer a estrada inteira, e o pagamos duas vezes. Mas valeu a pena, na segunda tentativa o tempo estava bem aberto e lindíssimo.

      Resolvemos ir conhecer o Waterfront e sinceramente, não achei nada demais. É um complexo de lojas e restaurantes a beira-mar, com uma roda gigante e a Table Mountain ao fundo. O tempo estava muito feio, com garoa de vez em quando. Fomos a um bar fazer degustação de cerveja e não gostamos também. Decidimos então voltar para casa e cozinhar nossa janta.
      Dia 28 de abril – Na parte da manhã fomos conhecer as praias de Camps Bay e Clifton. Fomos apenas a Camps Bay, porque achamos que já era bonito o suficiente, hehe. Ficamos um tempão andando e fotografando a praia e as montanhas. Venta demais lá e estava muito frio, então não deu pra entrar no mar. Depois fomos novamente ao Waterfront porque queríamos ir ao Aquário da cidade, o Two Oceans. Almoçamos numa espécie de praça de alimentações que havia no Waterfront, o V&A Food Market. E depois já fomos direto ao Aquário. E adoramos! Muitos peixes e animais marinhos diferentes, num ambiente não muito grande, mas bem organizado. Achei a experiência bem válida.
      Em seguida fomos à Lion’s Head para ver o sol se por. Deixamos o carro estacionado próximo ao começo da trilha e em pouco mais de uma hora já estávamos no topo. Encontramos um lugar muito agradável para ver o sol se por, com uma visão bem legal da praia Camps Bay. Conforme ia se aproximando o momento do pôr-do-sol, mais foi ficando cheio lá em cima. A visão é espetacular! Importante levar lanterna para a volta da trilha.
      Dia 29 de abril – De manhã fomos ao mercado comprar coisas para cozinharmos a noite, pois sabíamos que voltaríamos tarde e o mercado (assim como quase tudo) fechado cedo na África do Sul. Depois fomos ao centro da Cidade do Cabo para comprar algumas lembrancinhas, com preços melhores do que os encontrados no Waterfront. A dona da casa em que estávamos nos indicou ir ao Greenmarket (entre as ruas Longmarket e Shortmarket). É uma praça com varias barraquinhas de vendedores, há muita oferta de pinturas, arte em madeira, roupas, etc. É um local para pechinchar e andar bastante. Não é muito grande, mas gostei das compras que fizemos. Arrependi-me de não ter comprado mais coisas de madeira L Almoçamos em um fast food ali próximo e depois fomos a Table Mountain.
      Nossa intenção era subi-la pela trilha India Venster, que é a trilha mais exposta e uma das mais demoradas. Apesar de estarmos com wikiloc nos perdemos um pouco no começo, mas a dica é: essa trilha é bem íngreme, então se o caminho estiver reto está errado. Gostei muito da trilha e das vistas que se tem pelo caminho. Mas não é recomendável ir sozinho ou caso não tenha hábito de fazer caminhadas, porque ela é mais exposta e tem um nível de dificuldade médio. Há trilhas mais fáceis para se chegar lá em cima. Demoramos um pouco mais de 2 horas para fazer todo o percurso e chegamos ao topo no maior vendaval. Faz muito frio lá em cima, congelante. Abrigamos-nos do vento frio no café que há em cima do teleférico. Nesse café há uma varandinha mais abrigada do vento e de lá acompanhamos o por do sol. Assim que ele se pôs já começamos a nossa volta via Platteklip Gorge, que é uma trilha mais fácil. No caminho para o começo da descida ainda vimos a lua lindamente nascer cheia!

      No caminho de volta encontramos um grupo de 3 pessoas que estavam tendo dificuldades para descer: uma menina estava machucada e eles não tinham nem água e nem lanterna. Acompanhamos o grupo ajudando como podíamos, dando nossa água e uma lanterna. Mas como eles estavam indo muito devagar resolvemos continuar descendo no nosso ritmo, depois de um tempo. Ao chegarmos em casa fizemos nossa janta e descansamos.
      Dia 30 de abril – Dia de ir embora da África do Sul. Limpamos o carro de manhã, fomos ao mercado comprar algumas bebidas que queríamos trazer, almoçar e devolver o carro no aeroporto. O vôo de volta foi pela TAAG também e foi tranqüilo!
      Espero que o relato ajude a quem está indo visitar a África do Sul. Estou disponível para qualquer dúvida
       
       
       
       
       
    • Por aliandro.miranda
      Vou contar aqui o relato de minha viagem à Noruega, país que foi considerado o mais feliz do mundo pela ONU. Fatores que fizeram com que a Noruega alcançasse tal posto: qualidade de vida, acesso ao lazer, saúde e educação. Um país modelo. Espero ajudar a quem gostaria de conhecer o país e dar o máximo de detalhes possíveis, dicas, o que conhecer, onde ir, o que fazer e o que evitar.
      Fui conferir de perto este país vizinho ao polo norte no final de março de 2017. O que mais me perguntaram (aqui e lá) é por que querer conhecer justamente a Noruega. Bem, sempre fui um apaixonado pela cultura nórdica e o povo escandinavo. Por questões de tempo -- e dinheiro -- acabei optando pela Noruega, no futuro talvez conheça os vizinhos Dinamarca, Islândia, Suécia e Finlândia (nestes dois últimos posso dizer que pisei, falarei mais à frente).
      O planejamento da viagem foi o mais atípico possível. Eu consegui confirmar minhas férias em cima da hora, não tive tempo de planeja-las. Então vi algumas promoções de passagens e lá estava uma oferta interessante para a Noruega. Me perguntei: por que não? Nisso eu já estava de férias, entrando na segunda semana.
      Fui checar meus documentos e tive uma desagradável surpresa: meu passaporte estava vencido desde 2015! Eu havia me confundido, achei que o passaporte tinha validade de dez anos, mas era de cinco anos. Os novos é que valem por dez anos. Imediatamente entrei no site da Polícia Federal e consegui um agendamento de requisição de passaporte para dois dias depois. Fui lá, e me deram um canhoto informando a data para retirada do documento, exatamente uma semana depois. Perguntei ao agente da polícia se esta data costumava ser certa, se o prazo costumava ser cumprido, e ele me respondeu: "não costuma falhar, o governo pagou à Casa da Moeda"!
      Então voltei para casa, comprei as passagens de ida e de volta, as passagens dos voos domésticos dentro da Noruega, as reservas de hostels e outros trâmites necessários. Detalhe: a data da ida era a mesma da retirada do passaporte! Sim, sei que é loucura, ainda mais em um país como o nosso, de serviços públicos altamente ineficientes. Felizmente deu tudo certo com a emissão do passaporte, retirei o documento no Galeão pela manhã e à noite mesmo voltei ao Galeao para viajar!
      Com tudo planejado em uma semana e indo na cara e na coragem, foi uma aventura incrível! Vou dividir os futuros posts por dia, começando pelo embarque no Galeão.
       
      DIA 1: A IDA E OSLO
      Cheguei ao Galeão por volta das 20h, o voo era às 22h45. Fui de Lufthansa, Rio - Oslo com conexão em Frankfurt. Despachei a bagagem e o atendente já me avisou: você só pega a bagagem em Oslo. Achei excelente isso, em voo para os EUA, por exemplo, você tem que pegar a bagagem na conexão e redespachar. O mesmo vale para os nossos voos domésticos.
      O Terminal 2 do Galeão está em obras, está sendo praticamente refeito e está quase pronto, aliás. Por isso todos os voos estão se concentrando no Terminal 1, o que gera uma pequena confusão e uma certa lotação no local. Mas nada que atrapalhe.
      Andei demais para chegar no meu portão de embarque e pude ver como o Galeão se transformou da água para o vinho. Eu não ia ao embarque internacional havia seis anos. Não deve absolutamente nada para os aeroportos que vi na Noruega e Alemanha.
      Embarquei e o Boeing decolou sem atraso. Era um avião meio velho, mas o serviço de bordo da Lufthansa é excelente! Após servirem o jantar -- os tradicionais "pasta" ou "chicken", as bebidas eram à vontade e de maneira geral a tripulação era muito atenciosa e solícita.
      E aqui faço questão de abrir um parágrafo exclusivo para falar sobre serviço de bordo. Sempre digo que o reflexo de um bom serviço de bordo no custo total de um voo é ínfimo, irrisório. Tanto faz se é barra de cereal ou comida de verdade. Mas um cliente pode escolher uma companhia aérea justamente pela qualidade do serviço de bordo. Portanto, deixo um apelo aqui às companhias: pensem mais um pouco!
      Fui de classe econômica e cada passageiro tinha uma tela de entretenimento, com filmes, música e também o monitoramento do voo, indicando onde estávamos no momento. Depois do jantar assisti à um documentário sobre a história dos pitstops na F-1, apresentado por David Coulthard. Quando o avião finalmente saiu do continente para o Atlântico eu dormi. Acordei com o voo já na Espanha!
      Pela manhã foi servido um café da manhã tipicamente alemão: omelete! Comecei a notar instantes depois, próximo ao pouso, os fractais de gelo na janela. Interessante. Era um prenúncio do frio que eu ia sentir já na Alemanha.
      A fila da imigração em Frankfurt era longa, mas andou rápido. A agente que me atendeu só me perguntou para onde eu ia e carimbou o passaporte. Esta facilidade que tive na imigração não se repetiu no raio-x do embarque para Oslo, eu esqueci de colocar os líquidos (perfume, pasta de dente etc.) no famoso saquinho transparente e tive minha mochila toda revirada. Ainda recebi uma severa reprimenda do agente. Ele estava certo, afinal. Fiz voo doméstico aqui no Brasil alguns meses atrás na mesma situação e não me barraram. Lá as coisas são diferentes.
      Segui em um voo também da Lufthansa para Oslo, tudo no horário, serviço de bordo igualmente bom. O aeroporto internacional da capital da Noruega é fantástico. E fica a dica: no aeroporto, bem como em toda Noruega, não existe telefone público. Foram todos removidos há alguns anos, segundo o atendente do posto de informação do aeroporto. Se você quiser utilizar o Brasil Direto da Embratel, para ligar para o Brasil a cobrar, não vai funcionar do seu celular.
      Atenção: TODOS na Noruega falam inglês. Pelo menos todos com quem falei, sem exceção.
      Bagagens recolhidas, peguei um trem para o centro de Oslo. Comprei o ticket pelo cartão em uma máquina no próprio aeroporto. O que mais se encontra na Noruega são serviços automatizados assim. Até despacho de bagagens nos aeroportos, falarei em post à frente. Simplesmente sensacional.
      O trem, muito rápido e confortável, me deixou na Sentralstajon (estação central) em 30 minutos. Peguei um taxi para o hostel e puxei papo com o taxista. Que era da Somália. Isto é, a primeira pessoa com quem efetivamente conversei não era norueguesa!
      O taxi me deixou no hostel e, após fazer o check-in perguntei à recepcionista onde poderia fazer um lanche rápido. Eram 21h. Ela me indicou um McDonald's perto (fast-food foi o que mais comi na Noruega, falarei depois). Perguntei se não era perigoso, ela disse que não, ela mesmo saia sozinha tarde sem problemas. E realmente não era. Oslo parece o centro antigo do Rio de Janeiro no domingo. Ruas quase sempre desertas mesmo nos horários de movimento.
      Cheguei ao McDonalds, depois de um tempo eles desligaram o aquecedor e todos foram, assim, "expulsos". Voltei tranquilamente ao hostel pronto para os próximos dias.
       
       
      DIA 2 - OSLO
      Café da manhã reforçadíssimo no hostel, era minha tática já programada. Tudo é muito caro na Noruega, com a comida não seria diferente. Saí do hostel por volta de 9h. Minha primeira impressão da capital norueguesa durante o dia foi de uma antiga cidade do interior. Estava ensolarado mas frio. Fui diretamente à estação central, passei por trólebus e tramways nas ruas, todos velhos. No caminho passei pela catedral de Oslo e tirei umas fotos. O caminho até a estação foi permeado, também, por mendigos. E não eram poucos. Aliás, em todas as cinco cidades em que estive vi mendigos, a maioria idosos ou imigrantes de origem muçulmana. Confesso que foi minha maior surpresa nesta viagem à Noruega, não que eu não esperasse ver mendigos, mas pela quantidade de gente pobre no país mais desenvolvido do mundo. Realmente não esperava por isso.
      Também no caminho passei pelo Parlamento, pela Universidade de Oslo e uma praça próxima onde uma animada bandinha tocava músicas típicas de outros países.
      No centro de informações peguei um mapa e perguntei à menina de feição oriental que estava no balcão onde poderia adquirir um chip pré-pago com um número da Noruega. Ela me indicou a MyCall, me mostrou no mapa onde ficava e fui até lá. Rapidamente troquei meu chip, o chip novo funcionou em todo lugar que fui na Noruega e também na Suécia e Finlândia (quando estive em Tromsø e atravessei a fronteira), bem como na Alemanha (no aeroporto de Frankfurt, na volta). Até aqui no Rio de Janeiro o chip funcionou (fiz um teste por curiosidade dias depois da minha volta ao Brasil). O chip tinha validade de 30 dias e dava uma franquia de 2GB de internet. Em todo lugar que fui a banda de internet era 4G, full.
      Eu havia adquirido no hostel o Oslo Pass, um cartão que dá direito a utilizar todo o transporte público da cidade e oferece entrada gratuita ou desconto na maioria das atrações da cidade, e descontos também em restaurantes. O uso do cartão é ilimitado dentro de uma faixa de tempo. Eu comprei o cartão de 48 horas, isto é, em 48 horas eu poderia usufruir de tudo o que o cartão dava direito. Quando comprei o cartão peguei também um caderninho com tudo o que o cartão oferecia. Portanto, se você for à Oslo, antes de tudo, compre o Oslo Pass. Utilíssimo.
      O primeiro uso do Oslo Pass foi para visitar o Centro Nobel da Paz, na marina de Oslo. É lá que o tradicional prêmio é concedido anualmente. Para entrar você deve guardar sua mochila ou qualquer tipo de bagagem em um armário. Logo na entrada tem um mural onde as pessoas deixam seus recados e impressões sobre o lugar. Outra surpresa: de dez cartões, nove eram críticas à Noruega, vários deles dizendo que a Noruega era um país fake.
      Depois segui para a área dos museus, onde se encontra o Museu Viking. Neste museu estão dois barcos originais da era dos bárbaros, encontrados em escavações no início do século XX. Cada barco comportava cerca de 36 pessoas. Na hora minha impressão foi de como embarcação tão precária foi capaz de chegar ao Canadá! Sim, pelo que se sabe os vikings foram os primeiros a chegar ao continente americano, 600 anos antes de Colombo.

      Antes do museu, contudo, visitei uma imensa área ao ar livre retratando como era o cotidiano norueguês ao longo dos anos. Uma cidade cenográfica, com os interiores das contruções totalmente abertos ao público. Uma real imersão, você se sente voltando no tempo de verdade.
      Para chegar à área dos museus eu fui de barca, pois os museus ficam em uma península, e voltei de ônibus. No ônibus não foi necessário validar o Oslo Pass, até perguntei a um passagero como eu deveria fazer. "Não é necessário", me disse um senhor. Só embarquei e desembarquei, simplesmente. Um detalhe sobre o trânsito da Noruega: tudo muito calmo, sereno e tranquilo. Os motoristas não tem pressa e o tráfego flui. E o pedestre é altamente respeitado, tendo preferência sempre.
      Nos primeiros dias na Noruega eu não tinha muita noção do tempo, tanto que depois do café da manhã eu geralmente comia novamente por volta das 16h. Depois que fui voltei do museu, olhei para o Sol e vi que ele estava na mesma altura da manhã. Claro! Quase no polo norte, não poderia ser diferente. O Sol não sobe igual aqui no Brasil.
      Voltei ao hostel e conheci outros hóspedes. Saimos à noite e ficamos surpresos: tudo na Noruega fecha cedo! Fui entender melhor os motivos depois que estive em Tromso, fechar cedo pode ser uma questão de sobrevivência, leia posts adiante. O que fica aberto até mais tarde são os fast-foods e pizzarias. Aliás, pizzaria é o que mais tem na Noruega, tem uma tal de Pepe's Pizza em todo canto.
      DIA 3 - OSLO
      Saímos cedo e fomos visitar o Oslo Operahus, uma impressionante casa de ópera de estilo arquitetônico moderno. Morremos de pena dos patos que não conseguiam nadar, o lago estava congelado e eles não conseguiam se mover. Depois fomos ao museu de Edward Munch, atrás da famosa pintura "O Grito". Mas para nossa surpresa o quadro não estava lá, fomos informados pelo segurança de feição indiana.
      Voltamos mais para o centro de Oslo e, enfim, entramos no museu onde estava o quadro e outras obras famosas do pintor norueguês. Era o Museu Nacional da Noruega. Dá para se perder dentro do museu. Os museus lá são quase que cultuados, é frequente ver turmas escolares, de crianças de quatro anos, sendo guiadas pelas professoras e aprendendo sobre arte.
      À tarde encontramos um pub e foi possível experimentar uma sopa de siri e outros frutos do mar. À noite foi a hora de experimentar o tradicional Pinnekjøtt, um prato que os noruegueses costumam fazer no Natal. Trata-se de costela de carneiro acompanhada de purê de colza e batatas. A carne é salgada, parece carne seca. Achei que o prato não daria para nada, se é que você me entende. Mas, pelo contrário, é muito bom e nutritivo. Fiquei sabendo, depois, que na Noruega a batata é muito consumida, está presente na maioria dos pratos da culinária local.
      De volta ao hostel, dormir relativamente cedo e acordar realmente cedo para pegar o trem até o aeroporto. Próximo destino: Tromsø!
      DIA 4 - OSLO -> TROMSØ
      Acordei cedo e fui direto para a Sentralstajon. Daria para ir à pé. Embora fosse perto do hostel em que fiquei hospedado, digamos que a temperatura de 0°C não era muito amigável às 6h da manhã. Ainda mais que eu estava com bagagem, uma brava mochila e uma bolsa.
      Eu fiz um plano de pagar o que pudesse em dinheiro e deixar o cartão só para as hospedagens. No entanto, na hora de comprar o bilhete do trem a máquina só aceitava cartão de crédito. Porém fui informado que eu poderia emitir o bilhete e embarcar no trem, e só no destino (no aeroporto) eu pagaria a passagem. Foi o que fiz, e mais uma vez fiquei admirado com a praticidade (inteligência) do sistema. Contando, é claro, com a boa fé das pessoas.
      No aeroporto, no entanto, mais uma vez a máquina só aceitava cartão. Então não adiantou nada, paguei no cartão mesmo. Acho que até poderia pagar em dinheiro, mas tinha que chamar alguém. Não é possível deixar a plataforma sem pagar. Eles contam com a boa fé das pessoas, mas não dão sopa para o azar.
      O despacho de bagagens nos aeroportos da Noruega é self-service. Já falei isso? Se falei repito, porque achei o máximo. Você vai até uma esteira próxima ao balcão de check-in, pesa sua bagagem, você informa seu voo e sua identidade, a máquina te dá uma etiqueta, você etiqueta sua bagagem, com uma pistola você escaneia o código de barras da etiqueta e finalmente despacha a bagagem na esteira. Pronto! Leva dois minutos!
      Bagagem rapidamente despachada, fui para o embarque. O voo da SAS foi muito tranquilo, um serviço de bordo muito bom para uma companhia low cost. O avião estava relativamente vazio. Chegando em Tromsø, uma inacreditável paisagem branca. Fiz uma hora (horas) no aeroporto porque meu check-in no hotel era a partir das 14h e eu cheguei pela manhã. O aeroporto é pequeno mas muito funcional. Quando deu mais ou menos a hora peguei um ônibus e rapidamente procurei a loja onde eu reservara pela internet, ainda no Brasil, roupas de frio. Sim, as roupas que levei daqui nem de longe suportariam o frio da cidade. Tive que aluga-las. Existe um ditado norueguês que diz: "não existe tempo ruim, existe roupa inapropriada".
      Cheguei ao hotel. Deixei as bagagens lá e fui explorar a neve. Em Tromsø tem neve até no verão. As paisagens são espetaculares. Foi em Tromsø que realmente descobri porque tudo na Noruega fecha cedo: é uma questão de sobrevivência.
      A Catedral do Ártico, uma igreja onde o acesso é possível atravessando uma longa ponte, é linda à noite. Foi o que me disseram. Tentei ir lá, mas quando vi que por volta das 18h a tal ponte sumiu da paisagem no meio da neve eu desisti, é claro.
      À noite fui a um pequeno shopping comer alguma coisa, e descobri outra coisa: é muito usual você comprar comida e levar para casa. Quando comprei meu lanche perguntei à atendente onde eu poderia sentar para comer, pois não conhecia o shopping. Imaginei uma praça de alimentação, como temos por aqui. A resposta dela foi clara: "pode comer em qualquer lugar". E tem mais, fui a lugares na Noruega em que eles davam desconto se você pedisse para viagem!
      Voltei cedo para o hotel e assisti "O Quinto Elemento", passando na TV norueguesa sem legendas. Já disse que na Noruega todos falam inglês, né?
       
      DIA 5 - TROMSØ
      O hotel em que fiquei em Tromsø estava cheio. No café da manhã era necessário disputar um lugar, estava hospedada lá uma equipe esportiva. Não sei de que modalidade. Mas eram muitos os integrantes. Tomei o típico café da manhã norueguês (ou alemão?) com salsicha, presunto e outros condimentos. E café com leite, que para mim funciona melhor que Red Bull.
      Depois do café reforçado, fui até a Catedral do Ártico, finalmente atravessando a ponte. A travessia foi melhor do que a chegada ("O caminho é o que importa, não o seu fim", Louis L'Amour); As águas geladas do norte puderam ser vistas sob um céu cinza cujo Sol teimava em tentar sair. Um vento absurdo golpeava a ponte, o que tornou a experiência única. Parei no ponto mais alto da travessia e fiquei lá um tempo, observando.
      Chegando à catedral, tirei muitas fotos do lado de fora. A igreja estava fechada e mesmo assim a entrada era paga. Mas pelo que observei do interior, pelo lado de fora, não tinha muito o que ver lá dentro.
       

      De volta ao centro da cidade, depois de perambular em cada esquina e me maravilhar com a neve, parei no meu amigo Burger King para aquela refeição econômica. Mas além da fila estar quilométrica, entrou um bêbado lá causando tumulto. Antes que desse confusão, eu fui embora. Foi aí que encontrei meu outro amigo, 7-Eleven. Levei o lanche para o hotel, descansei um pouco e mais tarde fui para a agência de correio da cidade, onde eu pegaria uma van para ver a famosa Aurora Boeral!
      No horário marcado com a agência que faz o tour da Aurora, apareceram duas vans. Incansavelmente eles dirigiram até a Suécia e Finlândia, em busca do melhor céu para observação, mas não foi possível ver o fenômeno. Paciência. Mas pelo menos eu nunca vi um céu tão estrelado quanto o de Karesuando, cidadezinha de 300 habitantes da Suécia/Finlândia (sim, a cidade pertence a dois países!). Você pode encontrar mais detalhes sobre este tour no TripAdvisor, onde fiz uma avaliação do serviço e conto detalhes.
      Comigo na van estavam um casal de Cingapura e duas italianas. No bate-papo, cada um se apresentando, dizendo o que faz etc., eu disse que era brasileiro, do Rio de Janeiro. A primeira coisa que queriam saber era sobre o zika virus. Eu disse que o virus foi debelado e a epidemia estava sob controle...
      Voltamos para o hotel por volta das 6h, dia claro. Eu pegaria um voo para Trondheim às 11h. Haja fôlego!
       
      DIA 6 - TROMSØ -> TRONDHEIM
      Devolvi a roupa de frio intenso na loja e peguei um táxi até o aeroporto. Era domingo de manhã, cidade totalmente deserta. O caminho até o aeroporto foi tranquilíssimo, existem túneis que deixam o percurso muito rápido.
      Entrei no avião, que faria uma parada em Bodø para pegar mais passageiros. Antes de decolar, foi necessário descongelar as asas da aeronave. Veio um caminhão e jogou água (era água?) nas asas e assim o avião pôde decolar. Nunca tinha visto este procedimento. Eu cheguei a achar que o caminhão iria bater na asa, de tão perto que chegou para fazer o degelo.
      A parada em Bodø foi rápida e logo chegamos a Trondheim. Chegando ao aeroporto, antes de embarcar no já conhecido Flybussen (o ônibus que conecta ao aeroporto às áreas urbanas da cidade), perguntei ao motorista qual seria a melhor parada para o endereço do meu hostel. Mostrei o endereço, e ele me disse o nome da parada, que eu achei que tinha entendido. Embarquei e curti as belíssimas paisagens do trajeto. Quando o ônibus começou a parar nos pontos, fiquei ligado e prestando a atenção no que poderia ser meu ponto de desembarque. Mas uma hora, acho que me distraí, o motorista parou em um ponto, saiu da direção, veio até mim e disse: "this is the correct stop for you".
      Como assim? O cara memorizou onde eu iria parar, saiu do volante na maior calma, caminhou até mim e me disse que ali era o ponto? Entendo quando dizem que dá até tristeza em voltar para o Brasil, não pelo país em si, mas pelo "modus operandi" das coisas por aqui. É um mínimo de cortesia e civilidade.
      Desci do ônibus e depois de uma breve caminhada cheguei ao hostel. Check-in feito, bagagens acomodadas, fui direto ao meu velho conhecido Burger King. A cidade estava vazia no domingo, mas o BK estava lotado.
      Não tinha muita coisa para ver à noite, então voltei ao hostel e me dediquei a fazer um backup das minhas fotos e vídeos, até então estava tudo no celular apenas. E também dar uma limpeza nele, muito lixo ocupando memória. A única aventura da noite, mesmo, foi quando me tranquei do lado de fora do quarto (quem nunca?) e a recepção estava fechada! Por sorte tinha um zelador ainda por lá, que tinha a cópia das chaves!
       
      DIA 7 - TRONDHEIM
      Pela manhã fui visitar a cidade. Mas meu alvo, mesmo, era a Catedral de Nidaros, uma das igrejas cristãs mais antigas de que se tem notícia. Erguida por volta do ano 900 DC, passou por inúmeras reformas, sendo a última na década de 1920 e que praticamente construiu e reconstruiu o que está lá hoje.
      Uma característica destas igrejas antigas são os cemitérios em volta. Fiquei impressionado com a antiguidade dos sepulcros. Dentro da catedral (paga-se um valor para entrar) a arquitetura é incrível, um silêncio ensurdecedor e tudo aberto para visitação. Mas tinha um escadinha que descia para um subsolo, sem nenhuma placa ou aviso dizendo do que se tratava... Eu desci, se alguém me repreendesse eu simplesmente pediria desculpas. O não eu já tenho, como se diz. Mas isso não aconteceu.
      Descendo as escadas estreitas, uma luz automática iluminou os degraus e depois o ambiente do subsolo. Dei de cara com túmulos muito pequenos. Eram túmulos de crianças. Estavam sem inscrição alguma. Uma descrição em um papel ao lado explicava quando estes túmulos foram encontrados, e dizia também que não há indício de qualquer tipo de identificação a respeito de quem jazia ali.
      Confesso que não sei muito bem o que senti na hora. Eram túmulos de crianças, e é sabido que sacerdotes da Igreja Católica Apostólica Romana, no passado, enterravam seus filhos proibidos nas dependências de sua própria congregação. O fato de não haver identificação corrobora isso, e também o fato de que os túmulos foram encontrados depois dos túmulos que estavam do lado de fora da igreja, deviam estar escondidos. Outra coisa é o fato de não existir aviso na escada, talvez para não fazer propaganda para visitante do que havia ali. Fiz uma ligação de uma coisa com a outra imediatamente. Muito chocante, para falar a verdade, quando você vê de perto o resultado das atrocidades que só lia nos livros de História. Como humanidade nós melhoramos, já fomos muito piores. Avaliei ali na hora, sozinho, no silêncio, no meio daquele cenário bárbaro. Eu acho.
       

      Saí daquele calabouço atroz, subindo de volta para o interior do templo, e havia começado uma missa. Mas foi rápida, como rápido saiu o padre do local após o serviço. Não tirei foto de nada do lado de dentro, por respeito. Não havia nenhum aviso, mas achei melhor não.
      Saindo da catedral, fui à famosa ponte sobre o rio cercado por tradicionais casas de madeira. Essas casas... Várias eram fake! Como um cenário de filme, só tinha a fachada, para compor o visual!
      Em Trondheim, como em toda Noruega, chove e faz sol em intervalos curtíssimos de tempo. Neste dia foi assim, cometi o erro de andar sem guarda-chuva. Assim foram as horas restantes do dia, finalizando com um khebab em um restaurante árabe próximo.
      Restaurantes árabes também podem ser seus amigos na Noruega. São baratos e te salvam.
       
      DIA 8 - TRONDHEIM - BERGEN
      Voei para Bergen pela manhã, e ao chegar na cidade imediatamente percebe-se que a energia é outra. É uma cidade universitária. Em termos de Noruega, pode-se dizer que é uma cidade movimentada, fervilhando de gente circulando pelas ruas, principalmente estudantes.
      Localizei meu hostel - o pior que fiquei, diga-se - e tratei logo de conhecer o pier. Tinha carne de baleia em um restaurante. Digamos que é uma comida diferente. Não se pode dizer que é boa, mas não é ruim. É... diferente.
      Depois de bater perna a tarde toda, olhei a previsão do tempo e vi que dava para conhecer o Mount Floyen. Você pega um trenzinho que sobe a montanha, e a vista de cima é espetacular. O anoitecer é simplesmente indescritível. Nada tão belo que não consigamos ver no Rio de Janeiro, por exemplo, mas a vista dos fiordes é imperdível.
       
      DIA 9 - BERGEN
      No dia seguinte me dediquei a conhecer a casa de Edward Grieg. Quando olhei o mapa, ainda no Brasil, pensei imediatamente em alugar um carro, já que a casa fica um pouco distante do centro de Bergen. O aluguel é fácil e a nossa CNH vale na Noruega, graças a um tratado internacional cujo Brasil é signatário. Mas acabei desistindo, vi que as distâncias são longas, não existe lugar para estacionar direito e, se o tempo fica ruim, pode acabar sendo perigoso (mais por causa da neve), se algum imprevisto acontecer não seria bom, ainda mais em um país cujo idioma você não domina. Deixei para chegar lá e ver o que aconteceria.
      Mas foi muito fácil chegar na casa de Grieg. No dia anterior eu peguei um mapa no centro de informações turísticas, onde também comprei minha passagem de ônibus de Bergen para Stavanger. A atendente me explicou como chegar de tramway, que é o nosso VLT.
      Cheguei na praça e peguei o VLT, e foi rapidíssimo. Aliás, cabe aqui uma observação. O VLT, lá, atinge uma alta velocidade porque parte da linha é segregada, isto é, fica fora das ruas, além das próprias ruas terem poucos carros e pedestres. Portanto o VLT de Bergen acaba funcionando como um trem comum. Bem diferente do VLT do Rio de Janeiro, por exemplo, que disputa espaço com zilhares de carros e pedestres. E por isso é lento e não transporta ninguém, indo do nada a lugar nenhum. Sigamos.
      Dentro do VLT, o anúncio de cada estação é personalizado, de acordo com o local. Quando o trem estava chegando na estaçao Hop, perto da casa de Grieg, os acordes eram do seu Allegro Molto Moderato, do Concerto para Piano em Lá Menor. O vídeo da chegada da estação Hop está aqui: https://youtu.be/9O1KvY9uk5U?t=91 (o vídeo não é meu). Do concerto está aqui: https://www.youtube.com/watch?v=fKfGDqXEFkE .
      Depois de descer da estação, caminha-se um pouquinho e logo se chega a casa de Grieg. Uma casa pequena, com vários móveis originais e seu piano original! E a vista do lado de fora é espetacular, monhanhas e um imenso lago, além de um grande jardim e vista para floresta. Até eu comporia músicas fantásticas em um lugar desses (risos).
       

      Voltando ao centro da cidade reservei o resto do dia para aproveitar mais da área portuária e conheci a famosa carne de baleia. Uma carne com gosto de vinagre e um pouco salgada. Não é ruim. Mas é diferente.
       
      DIA 10 - BERGEN - STAVANGER
      Lembra que falei que comprei uma passagem de ônibus, de Bergen para Stavanger? Pois então, apareci cedo na rodoviária de Bergen para pegar o ônibus, seria uma viagem cujo um trecho é feito por balsa. E foi isso que me atraiu a fazer o trajeto pela estrada. Novamente pensei em alugar um carro, novamente desisti. Desta vez por conta do custo, seria caríssimo, somando a gasolina que é uma das mais caras da Europa.
      Mas entrei no ônibus e caí na estrada e... no mar! Como disse, um trecho é feito por balsa e leva quarenta minutos. Na balsa vão os veículos e, claro, os passageiros. Ainda em Bergen, na compra da passagem, a atendente disse que este passeio era muito bonito. E a intenção era mesmo cruzar os fiordes, que são belíssimos. Foi uma pena que o tempo estava péssimo, choveu muito principalmente durante a travessia por mar e não pude ver tudo o que queria.
      Chegando à rodoviária de Stavanger, peguei um taxi até meu último hostel. Era em um hospital universitário, em termos de instalações foi o melhor hostel. Tem um restaurante muito bom e com ótimo custo-benefício, no térreo. Além de uma lojinha que vende lanches, doces e salgados e fica aberta 24 horas.
      DIA 11 - STAVANGER
      Choveu bastante em Stavanger, o que acabou prejudicando os planos. Eu queria ir até a Preikestolen (https://www.visitnorway.com.br/onde-ir/noruega-dos-fiordes/seguranca-primeiro-uma-trilha-segura-em-preikestolen), mas fui fortemente recomendado a não fazer a trilha. O tempo estava chuvoso e, embora não houvesse neve, o caminho estava muito escorregadio e, portanto, perigoso. Perdi a manhã.
      À tarde fui dar uma volta na cidade. Bem neste local (https://www.google.com/maps/@58.968912,5.7318066,3a,75y,13.33h,94.73t/data=!3m8!1e1!3m6!1sAF1QipOjlsJTZlQHpsu9InL1Icfrty53wqNbwyEmx5ts!2e10!3e11!6shttps:%2F%2Flh5.googleusercontent.com%2Fp%2FAF1QipOjlsJTZlQHpsu9InL1Icfrty53wqNbwyEmx5ts%3Dw203-h100-k-no-pi-0-ya11.6884575-ro-0-fo100!7i8704!8i4352) um casal (ela da Noruega e ele da Eritréia) me abordou e fizeram uma oração. Conversamos brevemente sobre a vida e fui embora. Isso me marcou.
      Como o tempo melhorou à tarde, pude ver o belíssimo entardecer entre as ruas pacatas e as casas charmosas da cidade. Voltei à pé para o hostel. A temperatura caiu absurdamente à noite e novamente choveu.
       

      No dia seguinte, voo para Oslo e volta para casa.
       
      DIA 12 - STAVANGER - OSLO - FRANKFURT - RIO
      O voo para Oslo pela manhã foi rapidíssimo, menos de quarenta minutos.
      Chegando ao aeroporto de Oslo, eu tinha um certo tempo até o voo para Frankfurt. Já falei aqui das facilidades dos aeroportos da Noruega, certo? Você mesmo despacha sua bagagem em um sistema automatizado e tudo é muito rápido e fácil. Mas notei outra coisa: as bagagens podem ser despachadas por qualquer companhia aérea, não necessariamente a sua! No meu caso, despachei pela Scandinavian Airlines (SAS), uma companhia norueguesa, que repassou minha bagagem à Lufthansa. Sabe como se chama isso? Inteligência! Menos filas, mais rapidez, o passageiro ganha e as companhias também.
      Os voos seguintes, Oslo-Frankfurt e Frankfurt-Rio foram tranquilos.
      Chegando no Galeão, uma certa confusão de praxe, na aduana, com muita gente e poucos funcionários, mas nada demais.
       
      CONCLUSÃO
      Se você quer conhecer um país que, comparado ao Brasil, não tem movimento ou grande densidade populacional porém é ordeiro, sem violência, com pessoas super cordiais e onde os serviços funcionam, visite a Noruega. No meu caso, para o meu gosto pessoal, gostei muito da estadia lá, é um lugar para se viver fácil. É evidente que não tem o calor humano do Brasil, mas tem outras coisas que garantem seu bem estar. É outro mundo, por assim dizer.
      Esta viagem que fiz foi como mochileiro, fiquei em hostels e passei todos estes dias comendo em fast-food, e usei muito transporte público. Agora, se você for um turista "tradicional", prepare o bolso. Os restaurantes são caríssimos, os hotéis são caros e a vida na Noruega, em si, é cara.
      É uma viagem que vale a pena, você consegue conhecer de forma rápida as cidades (passei uma média de dois dias em cada uma) e você faz uma imersão cultural. Recomendo muito.
      Espero que este relato possa ajudar a quem quiser um dia conhecer a Noruega!


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