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Estou cogitando fazer uma road trip pelo Brasil (de carro, talvez 4x4), por enquanto estou bem no inicio, ideia surgiu a poucos dias e comecei montar algumas coisas, qualquer ajuda, dica etc e bem vinda (ficar mais/menos dias, preço de hostel, hotel, camping, principais passeios e preços, praias, o que não/fazer em determinada cidade, etc..) (se alguém que fez algo parecido puder me mandar valores, roteiros, passeios dicas etc aceito tb)

Roteiro que pensei 21 dias 

    1º Dia 7h00
    São Paulo(SP) -> Búzios(RJ)  (já conheço o RJ de cabo frio para baixo)
    11h de viagem - 700km

    2º Dia 
    Passeio por Búzios

    3º Dia (compensa ficar 2 dias por la ou um so e suficiente para conhecer o que dizer ser um dos lugares mais lindos do brasil?)
    Passeio por Búzios

    4º Dia 6h00
    Búzios(RJ) -> Vitória(ES)
    8h de viagem - 500km
    Passeio a tarde/noite por Vitoria

    5º Dia (um dia para conhecer o principal da cidade e suficiente?)
    Passeio por Vitória

    6º Dia 7h00
    Vitória(ES) -> Porto Seguro(BA)
    10h de viagem - 650km
    Passeio a noite por Porto Seguro/Trancoso(BA)

    7º Dia
    Passeio por Porto Seguro/Trancoso(BA)

    8º Dia   
    Passeio por Porto Seguro/Trancoso(BA)

    9º Dia 7:00
    Porto Seguro(BA) -> Salvador(BA)
    10h de viagem - 600km

    10º Dia
    Passeio por Salvador e arredores

    11º Dia
    Passeio por Salvador e arredores

    12º Dia (compensa ficar 3 dias por la ?)
    Passeio por Salvador e arredores

    13º Dia 7:00
    Salvador(BA) -> Chapada Diamantina(BA)
    6h de viagem - 450km
    Passeio durante a tarde Chapada Diamantina

    14º Dia
    Passeio Chapada Diamantina

    15º Dia (sei q a chapada e gigante e 10 dias nao sao suficientes para conhecer tudo, mas sera q em 2 dias dou conta de laguns lugares principais ou seria melhor pensar em mais dias ?)
    Passeio Chapada Diamantina

    16º Dia 6:00
    Chapada Diamantina(BA) -> Montes Claros(MG)
    13h de viagem -> 900km

    17º Dia
    Passeio Montes Claros

    18º Dia 7:00
    Montes Claros(MG) -> Ouro Preto(MG)
    7h de viagem - 550km

    19º Dia
    Passeio por Ouro Preto

    20º Dia 7:00
    Ouro Preto(MG) -> Belo Horizonte(MG)
    2h de viagem - 100km
    Passeio por Belo Horizonte

    21º Dia 7:00
    Belo Horizonte(MG) -> São Paulo (SP)
    8h de viagem - 600km 

 

Qualquer ajuda e bem vinda galera, vou dar uma procurada pelos tópicos aqui também, se soubrem de algum me mandem o link pf

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 Sou dessa região e posso te dizer que Búzios só é praia,se te interessa fique 2 dias,senão há muito transporte para conhecer o entorno.

Buzios não tem rodoviária, se planeja isso de ônibus,terá que pegar um ônibus comum a Cabo Frio e de lá a Campos,não tem direto ao ES.

ES não tem nada diferente de bandidos e crentes.

Porto Seguro a Trancoso mesmo problema, ônibus acabam as 18h,Trancoso é muito caro e também só tem praia.

Não conheço Montes Claros,porém não está um pouco fora do caminho? 

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Já estive na região de Porto Seguro três vezes. Nas duas primeiras, fiquei hospedada em Porto mesmo: os preços no centro de Porto são mais acessíveis em todos os sentidos. Vale muito a pena conhecer Arraial d'Ajuda atravessando de balsa (é barato por pessoa) mas não posso dizer o mesmo de Trancoso. O acesso é bem mais difícil, preços elevadíssimos e a beleza das praias você encontra em Arraial. Aliás, não deixe de conhecer Pitinga! 

Eu curti sua ideia de conhecer o Brasil assim mas eu tiraria alguns destinos como Vitória e investiria mais em Minas , por exemplo!

  • Gostei! 1

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@D FABIANO pretendo fazer tudo de carro, talvez até 4x4. Obrigado pelas dicas. Estou pensando em voltar por minas pq preciso ir pro centro de SP, como já estarei “no meio” qnd for para chapada, pensei em descer “pelo meio” e passar em algumas cidades de MG

@Izabella Nunes vc lembra me dizer alguns valores de hospedagem ? Obrigado pelas dicas, ainda não olhei muito então pode ser uma boa fazer essa troca de Trancoso por Arraial. Minas eu conheço algumas coisas já principalmente o sul, mas tb aceito dicas hahahah 

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@Matheus Giampaoli Se vai para o interior e de carro,tudo bem.

Minhas dicas ficam até Salvador, esquece ES e passe mais tempo em BH e seu entorno,se gosta de história. 

Agora o problema é outro, estacionamento nessas cidades grandes.

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Eu retiraria Montes Claros - MG da rota, é uma cidade bem limitada de passeios, tem opções melhores como Diamantina/Milho Verde ou Grão Mogol nessa região, varias cachoeiras e paisagens históricas e com muitas boas opções para as noites, acho que essas tem mais a te oferecer, eu colocaria Diamantina/Milho Verde no itinerário.

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    • Por leticia&MV
      Pessoal, gostaria de compartilhar minhas viagens, pois vocês sempre me ajudam quando compartilham suas experiências.
      Em 2013 fiz minha primeira viagem (organizada por mim mesma), não foi tão boa quanto poderia ter sido, aprendi muuuuito com isso.
      Bom, em Janeiro de 2013, resolvi do nada ir viajar para o ES. Meu marido e eu compramos a passagem de avião de ultima hora, apesar de tudo não saiu tão caro.
      Chegamos em Vitória-ES e pegamos um ônibus para Vila Velha (na época não haviam UBER) não foi uma experiência muito boa, pois percebemos que os ônibus enchem muito e com nossa mala gigante não foi tão legal.
      Escolhi um hotel de péssima qualidade, nunca mais faço isso, hoje em dia olho todos os detalhes possíveis para não cair na furada. CANCELAMOS a estada no hotel e seguimos a pé para a orla da Praia de Vila Velha e nos hospedamos no ITAPARICA PRAIA HOTEL, fechamos tudo na hora e o preço ficou excelente. Esse hotel eu super recomendo.
      Na região de Orla de Vila Velha (em 2013) não tinha muita coisa para fazer, é basicamente peixinho com batata frita na orla e caminhada no calçadão no fim do dia. A praia de VV é bonita, mas não tão surpreendente. Para quem mora em região praiana, não  vai ter tanto impacto. 
      A noite em VV é shopping, um ou dois bares e fim!!! Nada comparado a agitação do Rio.

      O melhor de VV foi a muqueca!!!
       
      Depois pegamos um ônibus e fomos para Guarapari. 
       
      O ônibus horrível, mas blz. Ficamos Hospedados no Hotel Fragata, no final da orla da praia do Morro. A estada foi excelente (em 2013).
      Como fomos em janeiro, período de férias, tivemos que enfrentar a super lotação, muitos turistas sujando a praia. A noite quando andávamos pela orla (diga-se de passagem uma delícia para caminhadas e prática de esportes) nós viamos que a prefeitura limpava toda a praia, retirava o lixo. Pela manhã eu dava uma corrida (7h) e a praia super limpa. Quando os turistas chegavam... Nossa que tragédia, muuuita sujeira.

      No final da praia do Morro, próximo ao hotel Fragata, tem um caminho chamado Morro do Pescador, que você paga uma pequena taxa para entrar, tem uma trilha de fácil caminhada bem gostosa e boa para fotos e no fim tem uma prainha bem miudinha, mas um espetáculo a parte. Vale a pena ir conhecer.
       
      Fomos a Praia das Castanheiras e Areia Preta, normal, nada de espetacular para quem mora em região praiana.
       
      A noite na Praia do Morro é muito bom para tomar um sorvete, fazer um lanche, andar de bike. Um clima muito agradável.
       
      O QUE FIZEMOS DE ERRADO?
      SOMOS DO RJ, DEVERÍAMOS TER IDO DE CARRO DO  RJ PARA ES, POIS PERCEBEMOS QUE AS MELHORES PRAIAS, AQUELA TIPO CARIBE, SÃO MAIS FÁCEIS DE ACESSAR SE ESTIVER DE CARRO, DESSA FORMA VOCÊ PODE IR BEIRANDO A ORLA E DESCOBRINDO TUDO QUE HÁ DE MELHOR.
      DE CARRO VOCÊ TAMBÉM PODE TRAZER AS FAMOSAS PANELAS DE BARRO E PEDRA, PODE CONHECER OS PARQUES NATURAIS ETC...
      ENTÃO A GRANDE DICA É:
      VÁ DE CARRO, SE VOCÊ MORA EM UM ESTADO QUE FAÇA DIVISA.

       

    • Por leticia&MV
      Continuando meus relatos de viagem, em DEZEMBRO 2014 fui com meu marido e minha irmã para Paraíba e Rio Grande do Norte.
      Uma viagem incrível. A Paraíba tem uma comida barata e deliciosa, peixes super frescos. Fiquei no Hotel Nord Imperial na orla da Praia de Tambaú.
      O hotel nos disponibilizou um taxista por um valor muito bom, para nos buscar no aeroporto. Foi bem pontual.
      A surpresa é o sol a "pino" às 04:00h da manhã, uma delícia para quem gosta de acordar cedo e ama o sol. 
      O primeiro dia chegamos de madrugada e nos surpreendemos com a alvorada, coisa linda o sol nos recepcionando na praia de Tambaú.
      O Hotel Nord Imperial um espetáculo, café da manhã delicioso, tapioca fresquinha (coma quantas quiser), funcionários nota 10.
      Contratamos um guia para maximizar nossos dias e fazer bastante coisa, valeu muuuito a pena. Ele nos levou nas melhores praias e para comer em lugares baratos e deliciosos.

      A praia dos meus sonhos eu encontrei lá. BARRA DE GRAMAMI, não deixe de ir. Um rio incrível que encontra com a praia de areis brancas. uma extensão de areia a perder de vista, muitos coqueiro na orla. A verdadeira visão do paraíso.
      Fomos a outra praia que não me recordo o nome, mas tiramos muitas fotos em uma falésia. Almoçamos por lá um camarão empanado nota 10. Lembro que arroz, isca de peixe e camarão empanado, macaxeira e pirão, custou para 4  pessoa comendo muito, 80,00 (em 2014). Valeu super a pena. A praia era incrível de linda.
      Outro dia almoçamos na rua lateral do Hotel Nord em uma simples varanda de casa de pescador, onde ele pescava e a esposa fazia a comida. Comemos um peixe com leite de coco delicioso, bataa frita, salada e pirão para 3 pessoas por 40,00 reais (em 2014).
      Se você não conhece mangaba, pare para tomar um suco ou sorvete no Farol do Cabo Branco, é uma fruta deliciosa. O Farol é lindo, voce tira foto no ponto do Brasil mais próximo da Africa.
      Fomos na Praia do Jacaré, que na verdade é um Rio (vá no por-do-sol).

      Lugar maravilhoso, muito romântico e família. No por-do-sol tem um homem que toca Bolero de Ravel. É super relaxante. A feirinha é boa para comprar lembrancinhas, comer uma tapioca. Vende pimenta para tudo quanto é gosto. 
      Comprei Castanha caramelizada de vários sabores por 10,00 reais meio kilo.
      O calçadão da Praia de Tambaú é uma delícia a noite, gente super educada, muitas famílias, policia e guarda municipais.
      Tem uma feira já na Praia de Manaíra, que é tipo uma continuidade da Praia de Tambaú. Comprei um chapéu lindo de couro (tipo boiadeiro) por 60,00 reais.
       
      Depois de alguns dias na Paraíba pegamos um taxi e fomos para Pipa no Rio Grande do Norte.
      o taxi valeu super a pena, pois éramos 3 pessoas, a passagem de ônibus sairia pouca coisa mais barata.
      NÃO ANDE DE ÔNIBUS NO NORDESTE, INCLUSIVE ÔNIBUS DE TURISMO. SÃO PÉSSIMOS. TODAS AS EXPERIÊNCIAS MUITO TRAUMÁTICAS.
      COMO SÃO POUCOS OS ÔNIBUS, ACABA QUE ELES DÃO A VOLTA AO MUNDO PARA CHEGAR EM QUALQUER LUGAR E SÃO PRECÁRIAS AS CONDIÇOES DOS MESMO (EM 2014).
       
      PIPA 
      O taxista que nos levou, foi parando para nos mostrar pontos lindos do local. Parou sob uma falésia (antes de entrar em PIPA) que tem uma vista do mar perfeita, parece o mar da Grécia que aparece nos filmes. Dá vontade de chorar de tão lindo.
      Pipa é gostosinho, pegamos a cidade vazia, aproveitamos os restaurantes, os preços são ótimos para a qualidade da comida. Teve um dia que comi um crepe de camarão que estava delicioso, nem consegui chegar até o fim de tanto camarão que tinha.

      Fiquei na Pousada Cavalo Marinho, em um chalés próximo ao centrinho, em uma morreba, almocei um dia lá e valeu a pena, comida boa e tinha feijão preto. Recomendo a pousada.
      No Rio nós comemos feijão preto, lá eles comem o feijão de corda (verde). Passei perrengue no feijão com arroz.
      BAÍA DOS GOLFINHOS
      Vale super a pena. Saímos da pousada umas 8h da manhã, fomos caminhando. No caminho, várias pessoas oferecendo passeio para ver os golfinhos, nós não compramos. Fomos nos divertindo beirando o paredão da falésia. A água do mar estava começando a recuar, então a areia nos sugava (como se fosse areia movediça, mas voce consegue sair numa boa) isso acontece, pois a areia está sobre as rochas, o ar entra e voce afunda. Que delícia!!! Brincamos muito no caminho e de quebra vimos um lagarto verde gigante tomando sol no paredão da falésia.
      NA REAL: ACHEI QUE A HISTÓRIA DE GOLFINHO ERA ESTÓRIA PARA CRIANÇA DORMIR.
      MAS... de imediato vimos vários, inclusive muitos filhotes, que deram um show a parte. Não precisamos pegar barco, eles estavam se alimentando e nadavam atras dos peixes até quase atolar na areia, então passavam muuuuito perto de nós. Foi a experiência da natureza mais legal que já tive.
      Teve um dia que saímos de Pipa para Sibaúma, pegamos uma combe lotada no centrinho, nos deixou na cidade, fomos andando uns 20 minutos até a praia Barra de Cunhaú. Pegamos uma água cristalina, deitamos em espreguiçadeiras com os pés na água e comemos peixe, camarão e macaxeira (aipim). Que vida boa, por mim não vinha embora nunca mais.
      Ficamos um dia inteiro nessa praia de tão bom que foi.
       
      Partimos para NATAL.
      PEGAMOS UM ÔNIBUS DE PIPA PARA NATAL, DEU A VOLTA AO MUNDO, LOTADO. UM VERDADEIRO HORROR. NÃO FAÇA ISSO!!!
      Em Natal nos hospedamos no hotel Areias de Ouro (2014), próximo a orla da praia do morro do careca. Não gostei do hotel, eles nos deixaram em um quarto ruim no primeiro andar, a hospede sobre nosso quarto andava de salto alto e não nos deixava dormir, expus o caso e pedi para nos trocar de quarto (eu procurei saber e descobri que haviam muitos quartos disponíveis) simplesmente me ignoraram.
      A praia do morro docareca é divertida, muita gente, espreguiçadeira, na época era só consumir, não precisava pagar a espreguiçadeira em si.
      Na praia passa gente vendendo.de tudo.Paguei 25 reais em 50 Camarões com macaxeira.
      DUNAS DE GENIPABU

      Você vai precisar contratar um bugueiro para te levar. São dunas de areia quente, com um litoral lindo. Tem até passeio de camelo.
      Desci de tirolesa da duna para o lago, muito bom. Algumas pessoas ficam vendendo espetinho de lagosta por 5 reais (em 2014), que delícia.
      No final do passeio o guia nos levou a um restaurante ruim e caro, a única coisa que valeu foi a vista incrível.
      O TURISMO EM NATAL É MUITO EXPLORADO, ME SENTI UM POUCO INCOMODADA COM ISSO, JÁ O TURISMO NA PARAÍBA É TRANQUILO, VOCÊ É TRATADO COMO SE MORASSE LÁ, NÃO COMO TURISTA.
      Marcamos um passeio com sr que apareceu no programa Estrelas da Globo. Ele nos levaria para dar uma volta na praia pendurado em um paraquedas colorido que ele puxa com seu jipe. Infelizmente não rolou, ele mal conseguia falar pelo telefone, estava embriagado. Furou no dia do passeio.
      Ainda bem que não adiantei valores!
      Troquei pelo passeio de quadriciculo, foi maravilhoso, inclusive paramos para ver o maior cajueiro do mundo.
      No último dia deixamos para ir ao restaurante Camarões, mas como não aguentavamos mais peixe resolvemos ir a churrascaria Sal e Brasa. Nos buscaram e levaram no hotel. Super recomendo. Só para constar que depois de 30 min na churrascaria já não aguentava mais comer, era muito bem servido.
      No diaseguinte fomos pegar um ônibus de viagem da melhor empresa do Estado para retornar a Paraíba e pegar o avião. Foi desesperador, o ônibus enguiçou, chovia muito e o motorista nos largou no ônibus com as portas trancadas, pedi para abrir a porta batendo no vidro e o mesmo se irritou.
      Mais uma vez,não peguem ônibus no nordeste.
      Amei os dois estados, a comida, as pessoas da Paraíba. E pretendo voltar um dia.
      Praias incríveis!!!
    • Por dji_pedro
      PATI SELVAGEM: uma travessia de tirar o chapéu e deixar marcas
      Como toda banda de Rock a vida nos bastidores nem sempre é um mar de rosas.  É que a convivência em grupo por vezes desponta em desentendimentos que destoam do objetivo principal. É nesse contexto que o Projeto Rota das Travessias iniciado em 2016 com cinco integrantes perde alguns de seus talentos que, por hora, seguem “carreira solo” (rsrsr). Mas como o “show tem que continuar” aqui teremos uma aventura com participação de três integrantes da antiga “banda”: Eu (Djair), João e Wilson. 
      Assim como na experiência anterior em 2017, escalamos o experiente Marquinhos Soledade (@expedicao_chapada) para ser nosso guia. Dessa vez, iremos realizar a Travessia do Vale do Pati, lá no coração da Chapada Diamantina, na Bahia. Entretanto fugindo um pouco do convencional optamos por deixar esse trekking mais radical fazendo um trajeto mais selvagem.  A ideia é começá-lo em Andaraí subindo o curso do Rio Paraguaçu e seu Cânion.  É uma opção que cobra maiores cuidados tanto pelo terreno como pelo isolamento. É percurso pouco testado. Muitos evitam. É um trecho do Pati esquecido, uma rota praticada por garimpeiro. A trilha exige subir muitas pedras e paredões, bem como experimentar cruzar dezenas de vezes o lado do rio de modo a encontrar melhor caminho. Sem falar da possibilidade de ocorrência de fenômenos naturais como as temíveis cabeças d’água dentro do cânion. Os primeiros dois dias se passa numa região onde possivelmente não cruzaremos com outros caminhantes. 
      Partimos de Recife numa sexta-feira (28 de junho) num voo da Azul Linhas Aéreas com destino a Salvador. Às 23h30 já estávamos na rodoviária para pegar o confortável ônibus da empresa Rápido Federal com destino à belíssima Lençóis.  Rodamos a madrugada inteira.  Às 6h da manhã desembarcamos e seguimos para a Pousada Bons Lençóis, ali mesmo na parte central da cidade.  À tarde tomamos umas cervejas para celebrar aquele reencontro e também meu aniversario: 29 de junho, dia do santo São Pedro, estou ficando mais velho, presenteie-me com essa travessia: vamos brindar!!! 
      À noite entre outras coisas e fizemos a feira coletiva que irá nos alimentar durante os cinco dias do trekking. Compramos, pesamos e separamos os pacotes dos alimentos em quatro partes. Agora cada um pode enfim fechar suas cargueiras para a pesagem final: 23 Kg (Djair), 20 kg (Wilson) e 17 kg (João). Guardamos a fração de alimento que cabia a Marquinhos para entregá-lo em Andaraí (distante 100 quilômetros da cidade de Lençóis) na manhã seguinte onde começaremos nossa travessia.
      30 de Junho – 1º DIA (domingo)
      O domingo chega. Fretamos um taxi para nos levar à Andaraí.  Encontramos nosso guia no pátio da igreja católica naquela cidade e de lá seguimos no veículo até a estrada onde tem início nossa jornada. Donana é como os moradores conhecem aquela área, uma referência a uma antiga moradora da localidade: Dona Ana. Vamos seguir a velha trilha usada por garimpeiros. 
       

       
      Uma vegetação arbustiva é o que encontramos nos primeiros metros. Seguindo um pouco e ela vai mudando. Agora temos uma área mais preservada. Árvores maiores vão ocupando os espaços. Uma ponte de madeira marca o inicio dos limites do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Daqui pra frente à aventura começa pra valer. A trilha segue paralela ao Rio Paraguaçu. O terreno é de subida, sentimos o peso nas costas.
      Enfileirados seguimos pela trilha dentro da mata. O lado esquerdo fica o leito pedregoso do rio Paraguaçu de onde se ouve o som forte de suas águas. A certeza de que estamos optando por um trecho selvagem nos obriga a muitos cuidados. Aliás, pela primeira vez iremos realizar uma expedição utilizando equipamentos de GPS: Eu com um relógio Garmin Fênix 3 HR, enquanto Wilson carregava o indispensável SPOT G3. Esse é o instrumento mais importante, pois é capaz de acionar socorro e enviar nossa localização precisa em caso de acidentes.
      Era apenas o início de nossa travessia. Mal tínhamos completados 2 km e tivemos um susto: Wilson acabou batendo a cabeça contra uma ponta de um galho ao passar por baixo dele e o resultado foi um corte na parte superior do couro cabeludo que causou um sangramento. O kit de primeiros socorros levado por Marquinhos foi logo usado e minutos depois pudemos continuar. Ufa!
      Descemos. Seguimos agora pela margem pedregosa do Rio Paraguaçu. Esse é o tipo de terreno que iríamos enfrentar nas próximas 48 horas. A visão das pedras que formam todo o conjunto é muito bonita. Nossa caminhada exige muito equilíbrio porque temos que pular pedras imensas e andar sobre elas e descer outras tantas. Executar um pulo entre pedras com 20 kg nas costas é algo que exige bastante. É preciso jeito e sorte! 

       

      No quarto quilômetro fizemos uma pequena pausa para um descanso. Nosso guia buscou se refrescar nas águas geladas do rio eu a fazer as primeiras filmagens pra não perder nada da aventura que estava apenas começando. 30 minutinhos nessa parada e já tomamos uma subida forte à direita pelo paredão do Cânion do Paraguaçu: uma trilha dura pela encosta recoberta de arbustos. Agora já estávamos a quase 400 metros de altura em relação ao ponto inicial do trekking.
      Já era quase 2h horas da tarde. Estávamos outra vez dentro do leito do Rio Paraguaçu. Havíamos cruzado apenas de 6,5 km e fizemos a parada para o almoço. Visual deslumbrante. Comentava com o João de como tudo aquilo era admirável e do privilegio de se estar ali. A imagem das paredes do Cânion recoberta de vegetação verde em contraste com a água avermelhada, com as pedras no leito, as nuvens e o céu azulado trazia mais beleza ao cenário. 
      Marquinhos assumiu a cozinha e sobre um enorme pedra fez uma mistura que seria nosso almoço: grão de bico e atum sólido. Foi bem breve nossa parada.  Seguimos a caminhada e agora já estávamos diante de uma bifurcação de cânions. Majestoso recorte de rochas que marca o encontro de dois rios: do lado esquerdo as águas do Rio Paraguaçu e do direito as do Rio Pati.  É um marco geológico de dois grandes cânions. Pela primeira vez avistamos a boca do Cânion Pati.
       

      Às três da tarde havíamos percorridos 7,7 quilômetros quando chegamos à prainha formada do lado das águas do rio Pati onde levantamos o acampamento. Aproveitamos a área de terra, sem vegetação, para fazer uma fogueira distante uns 3 metros das portas das barracas. Depois disso foi momento de aproveitando os raios do sol cair e naquelas águas de dupla identidade. O tempo passou rápido e a noite se aproximava.

      Marquinhos como de costume assumiu a cozinha preparando macarrão, linguiça defumada, tomates, cebola: o cheiro e o sabor estavam perfeitos! Depois da janta seguimos com nossas lanternas para o meio do rio. Aproveitamos uma das imensas pedras para sentar e experimentar a imagem contemplativa do céu estrelado e o som das águas naquele lugar inóspito. 

       
      Às nove da noite estávamos em nossas barracas. Marquinhos “homem bruto” resolveu lançar seu saco de dormir próximo à fogueira para passar a noite. Cabra de coragem (rsrsrs). A temperatura estava agradável. O termômetro marcava 21 graus. Foi fácil pegar no sono dessa vez.

      01 de Julho – 2º DIA (segunda-feira)
      Acordei por volta das seis e meia da manhã imaginando como seria nossa caminhada. Vamos preparar o café e começar mais um capítulo de nossa história. O dia era bonito, eu estava tranquilo e até mesmo meio lerdo (rsrsrs), por isso me atrasei um pouco retardando a partida. Somente às 9h30 iniciamos a trilha. Há uma estimativa de que o percurso possua 9 km e que os mesmos serão bem pesados.
      O Cânion do Paraguaçu ficou ali. Nosso movimento agora é à direita, dentro do Cânion do Rio Pati. Por ele iriamos saber a razão pelo qual muitos aventureiros evitam aquela rota. O nível de dificuldade do trekking aumentou bastante já nos primeiros metros. O pula-pedra passou a ser uma constante e tirar a bota para não encharcá-la logo se mostrou ilusão e perda de tempo.  Avançar sobre rochas escorregadias é uma maluquice, mas não ha outra maneira de seguir.  
       

      Os joelhos sofrem demais com o peso nas costas somados ao impacto dos saltos entre as pedras que tem que ser precisos. É força, equilíbrio e principalmente sorte: levamos 1h42 minutos para percorrer 2 km tamanha dificuldade que o terreno apresentava. Ora estávamos de um lado do leito, ora do outro. E quando nos aproximávamos do terceiro quilômetro executando umas dessas passagens entre pedras escorregadias o companheiro João tomou uma queda. Ele escorregou batendo com a canela em numa pedra dentro do rio.  Um hematoma imenso se formou no centro de sua canela. E isso nos deixou assustados uma vez que ele poderia ter fraturado a perna. Tirá-lo dali aquela altura seria impossível salvo por helicóptero.  Levamos alguns minutos cuidando do amigo e graças a Deus tudo ficou bem: uma atadura foi colocada em volta da lesão, e seguimos ainda mais cautelosos com a certeza de que não podemos errar! 
       

      O terreno continuou duro. Percorremos mais 2,5 km e de trilha. Dessa vez fizemos uma subida violenta a direita, uma trilha dentro da mata que margeia a parede do cânion Pati. Às 12h30 curta parada, dessa vez para recobrar o fôlego. O trajeto em ziguezague pelo rio, atravessando, pulando pedras é um exercício para o corpo e mente. A beleza do cânion em sua forma esbranquiçada emoldura o cenário. Outros 20 minutos de descanso. Passamos à margem esquerda desafiando pedras e vegetação da encosta. Agora temos um “tronco” fixado junto o paredão que serve como ponte evitando o caminho por uma parte escorregadia sob nossos pés. É preciso segurar na parede. 

      Saindo da parede do cânion entramos na mata outra vez.  Aqui é necessário muito empenho, forca, determinação. Tivemos que transpor um emaranhado de pedras e arvores: uma combinação que exige do corpo. O esforço ofusca a beleza daquele trecho. A única coisa que queremos é sair daquilo para um lugar amplo e sem obstáculo.  
       
      Às 13h30 paramos dentro do Cânion para almoçar: grão de bico, atum cebola e tomate foi nosso almoço. Até ali tínhamos percorridos 7 km em 5 horas de muito esforço. Não temos a certeza da distancia exata do ponto de acampamento. Os 9 km que mencionei é uma mera especulação! Retomamos a trilha e ela continuou da mesma forma: dura e técnica. Quando completamos os 10 km já estávamos bem cansados e frustrados: percebemos que nossa ideia de quilometragem tinha ido por agua a baixo.  1 km depois se fez outra parada, estava bem claro que nosso moral estava baixo: expectativa e realidade se conflitavam. 
      Somente após percorrer mais 3 km chegamos ao nosso destino: a Toca do Guariba. Já passava das 17h30 minutos. Foi preciso correr para montar as barracas sob a luz da tarde, afinal dentro do Cânion escurece mais rápido. Foram exatos 14 km percorridos naquele dia.  A Toca do Guariba é nossa morada! Aliás, esse nome é dado pelo fato de que há um corte no Cânion que forma uma cavidade onde em geral os aventureiros buscam abrigo. É uma área protegida. O nome Toca do Guariba deriva pelo fato de que é comum avistar o macaco Bugio naquela área, eles também são conhecidos pelos nomes de Macaco Barbado ou Macaco Guariba. Não avistamos nenhum, tampouco os seus sons. Aliás, nesses quase dois dias ainda não cruzamos com ninguém na trilha. De fato estamos em local isolado.

       
      A noite chegou muito depressa. Não deu pra estar no rio e tomar banho. Dessa vez a higiene foi com lenços umedecidos. Estávamos exaustos, quebrados! Jantamos às 19h: frango, macarrão, linguiça defumada e bolo de rolo! Depois disso alguns instantes de conversa e música e às 21h já estava recolhido. O dia foi pesado! 
      02 de Julho – 3º DIA (terça-feira)
      Não consegui uma boa noite de sono. Só com o amanhecer do dia foi possível apreciar a beleza do lugar. O Rio Guariba é afluente do Rio Pati. Estamos exatamente no encontro dos Cânions. Tomamos nosso café e levantamos acabamento. Às 8h30 Deixamos as cargueiras em um ponto e fomos fazer uma breve visita dentro ao Cânion do Guariba. É um cânion estreito e belo. Passamos não mais que 1 hora. E infelizmente não tivemos a sorte de ver nem ouvir nenhum Bugio na local. 
       
      Voltamos, pegamos as mochilas e fizemos uma subida pela mata. Uma acentuada inclinação nos lançava mata acima. As pernas sofridas pelos 14 km do dia anterior reclamavam a todo instante.  A ideia é chegar à casa de seu Eduardo onde vamos dormir. Agora nosso caminho é por uma linda mata. Ela reveste a encosta do cânion dando beleza única a nossa caminhada. Estamos no alto do cânion encoberto onde é possível ouvir o som das águas do Pati. 

      Seguimos firmes e confiantes por 1 hora onde fizemos breve parada para um rápido lanche. A nossa direita estava a majestosamente Serra do Império. Continuamos. Ainda estamos na mata. No quilômetro 3,5 nos desviamos erroneamente numa bifurcação à esquerda que nos levou a um curral, ops! Logo achamos a trilha certa e seguimos.
      Após 5 km de trilha, às 11h da manhã estávamos diante da primeira residência nesses três dias de trekking: a casa de seu Joia e dona Leu.  E pra celebrar aquele encontro nada mais épico do que uma cerveja gelada. Sim, é possível tomar cervejas geladas no Vale do Pati. Comemos pão caseiro feito por Dona Leu e tomamos cerveja. Pagamos 12 reais por uma long neck (eu pagaria ate 50 reais rsrsrs). Passamos alguns minutos naquela casa humilde e acolhedora. Lavamos os rostos, enchemos nossos depósitos de água e seguimos.  O terreno de seu Joia tem um visual incrível. Curiosidade daquele lugar são os avistamentos de felinos como as onças que causam receios a nativos e aventureiros que cruzam a região. Graças a Deus não tivemos nenhum susto. Mas há muita gente que já viu, ouviu seus sons ou seus rastros.


      Percorremos 8.20 e às 12h40 estávamos na residência de Seu Eduardo atualmente sob os cuidados do Domingos, seu neto.  A casa fica aos pés do Morro do Sobradinho, a beira da Boca do Cânion Cachoeirão. Ela fica exatos três quilômetros daquela de seu Joia. Compramos refrigerantes e cervejas geladas. Isso e resultado das geladeiras alimentadas a gás butano e da energia solar que abastece a casa. 

      O cansaço dos dois dias nos fez desistir do planejamento inicial que era visitar o Cachoeirão por Baixo.  Resolvemos conter o dia conversando, tomando refringentes e cervejas e uns petiscos vendidos naquela casa.  A decisão se deu pela perspectiva que tínhamos daquele trekking. Queríamos devolver o prazer da caminhada, buscar prazer efetivo. Na nossa visão acumular a visita ao Cachoeirão fazendo o bate-volta iria nos desgastar e o que precisávamos mesmo era de um tempo pra ficar à toa entre amigos.  Acertamos também em comprar a janta ali oferecida e manter o acampamento com as barracas nas dependências da propriedade. 

      Tivemos a oportunidade de conhecer um bom sujeito Catalão: Joan, ele estava de passagem em visita ao amigo Domingos. Ali contou sua vida e sua relação com o Pati. Joan mora no Capão junto com sua esposa, de nacionalidade brasileira.  Ele relatou suas experiências com a natureza e de suas habilidades como especialista em agricultura sustentável e de sua colaboração em algumas comunidades na Chapada Diamantina.
      No meio da tarde fomos tomar banho no rio Cachoeirão, ele passa nos limites da casa.  Uma pequena descida te leva às margens, grande poço e corredeiras te convidam a cair na água. Ao fundo temos uma visão incrível das paredes dos morros que formam o vale.
      A noite chegou e o jantar oferecido foi sensacional: carne de sol, estrogonofe de frango, arroz, feijão, macarrão, farofa de cenouras, abóbora, e suco. Perfeito! Comemos divinamente e continuamos até umas 21h conversando em grupo. A noite estava estrelada. Eu, Wilson e João fizemos uma pequena fogueira próxima à barraca e às 21h30 já estávamos recolhidos.

      03 de Julho – 4º DIA (quarta-feira)
      Às 6h despertamos. Dessa vez procurei me apressar pra não atrasar o grupo. O café da manha foi preparado ali bem próximo às barracas: cuscuz e ovos. 8h15 já estávamos de saída. Tomamos o caminho a esquerda no sentido da casa de Seu Tonho. Atravessamos o leito do rio Pati sobre as pedras para seguir à margem esquerda do rio. Do lado direito margeando todo o leito uma belíssima mata acompanha o curso do rio. Essa caminhada ainda cedo ganhava muita beleza. A quantidade de sons dos pássaros trazia um encantamento fenomenal. O lado esquerdo nos acompanha o Morro Sobradinho, tocado pelos raios do sol. Tudo é maravilhoso!
      Agora temos forte subida.  Logo estamos a 178 metros de altitude em relação à casa de Domingo. O visual belíssimo já nos revela ao longe o Morro do Castelo. 2 horas depois e 5.6 quilômetros fizemos a parada de descanso naquela área conhecida como “prefeitura” que na verdade é um antigo entreposto dos antigos comerciantes e produtores de café do Vale do Pati. A imagem que temos é perfeita, uma pintura que cabe em qualquer quadro.


      Nossa próxima parada será na casa de seu Aguinaldo. Deixamos a prefeitura, atravessamos o Rio Lapinha e seguimos a trilha tendo a nossa direita o imponente Morro do Castelo.  Seguimos a trilha dentro da mata. No caminho Marquinhos à dianteira nos indica com cuidado a presença de uma cobra Jararaca ali bem no meio da trilha... Imóvel e bem camuflada ela parecia buscar os raios do sol que atravessava os altos dos galhos e folhas daquele lugar. Olhar para o chão sempre, essa e a dica! 

      Um pouco adiante tivemos a oportunidade de cruzar na trilha com Seu Antônio, Seu Tonho. Havíamos passado em frente a sua casinha, logo que saímos da casa de Seu Eduardo, lembra? Seu Tonho surgiu vindo atrás da gente, dentro da mata, na trilha estreita. Montava um burro e puxava outro que levava uma cela de carga (cangalha), seguia vocalizando comandos ao animal. Uma imagem bonita. Retrato de uma historia vida. É um som bonito que ecoava por entre a mata.  De perto assistimos como são transportados todos os suprimentos dos nativos dali. O burro é o motor, o transporte. 

      Enfim, depois de três horas de relógio, 8.4 km de distância e 426 metros de ganho de elevação chegamos à casa verde onde mora o casal. Estamos agora no Pati de Cima a 932metros acima do nível do mar. Ali fomos recebidos por dona Patrícia que nos ofereceu seus deliciosos pães caseiros e latinhas de Coca-Cola geladíssimas. Podemos apreciar os sabores ofertados diante de um visual belíssimo: estamos aos pés do Morro do Castelo.  

      Alguns minutos de descanso e seguimos às 13h com nossas mochilas de ataque rumo ao alto. São 400 metros de subidas em meia a mata atlântica preservada, uma trilha íngreme que exige muito mesmo dos joelhos e muita atenção para evitar quedas.  Levamos 1h20 minutos para completar os mais de 3 km de trilhas subindo até chegar ate o Morro do Castelo no alto dos seus mais de 1.400 metros. Numa subida tão vertical, não adiantar negar: vai doer.
      O Morro do Castelo é colossalmente bonito.  O fato de existir uma gruta que atravessa todo maciço de quartzito no local faz o morro ganhar ares ainda mais mágicos. É espetacular o conjunto da obra. Adentrar na gruta mexe com a imaginação. Ela possui aproximadamente 800 metros de extensão e para cruza-la se faz necessário o uso de lanternas: a escuridão é total. Não esqueçam as lanternas e muito, muito cuidado ao caminhar, pois há Pedras soltas e pontiagudas por todo percurso.


      Ao cruzar a extensão da gruta temos do outro lado um visual incrível do Vale do Calixto, ele está no lado oposto ao Vale do Pati. É magico, é incrível! Estamos a mais de 1.400 metros do nível do mar e para onde se olha é um mar de beleza que agrada aos olhos e ouvidos. É o som dos ventos soprando forte que impressiona. 

      Diante de tanta beleza muitos e muitos clicks, mas já é hora de retornar para Casa de Seu Aguinaldo que está 400 metros abaixo. É hora de descer aproveitando a luz do sol. Temos uma trilha dentro da mata e é bom não vacilar. Levamos 1h pra refazer o caminho de volta. 
      Ao chegar corri, junto com o João, para armar nossas barracas na área de frente à residência. Wilson preferiu contratar um pernoite num dos quartos da casa.  Nesse momento a temperatura começava baixar um pouco. O sol estava refletindo sem força nas bordas das paredes do Vale. Já estava imaginando a temperatura da água que iriamos tomar banho. Apelei por um aperitivo.  Eu e João provamos umas doses de cachaça para ver se a coragem aparecia. Nem sei se isso ajuda. Fomos ao banho: água gelada da mísera!
      Contratamos o jantar e não nos arrependemos. Dona Patrícia caprichou: carne de sol, macarrão, arroz, salada crua e suco de maracujá. João que não come carne foi contemplado com uma omelete preparada com exclusividade. Todos felizes e de barriga cheia. Ao termino do jantar, enfim seu Aguinaldo apareceu e conversamos bastante. Ele falou de sua vida, da rotina naquele lugar e os desafios de se viver ali. O clima era úmido e a temperatura na casa dos 18 graus. Não tardamos buscar o aconchego de nossas barracas, Wilson se recolheu ao conforto do quarto. É nossa ultima noite dentro do Vale do Pati.
      04 de Julho – 5º DIA (quinta-feira)
      Último dia. Acordei às 6h30. O termômetro marcava 14 graus. O som das águas do Rio Lapinha correndo, dos pássaros cantando e voando pertinho da barraca e a imagem do Morro do Castelo diante de nós marcavam o inicio daquele nosso derradeiro dia no Vale do Pati. Eu já sentia saudades de cada momento. Por outro lado, nosso amigo e guia estava com dores estomacais e apresentava também quadro de diarreia. Ficamos preocupados com a condição física dele. Ninguém merece ficar doente na trilha. Retardamos um pouco a saída. Marquinhos sinalizava que já estava tudo ok, então tínhamos que partir.

      Às 9h010 saímos da casa de seu Aguinaldo. Subimos a trilha e seguimos pulando pedras no curso do Rio Lapinha e após caminhar 1.7 km a gente chegava à Cachoeira das Bananeiras.  Seguindo o curso daquele rio e 1h 15 depois de nossa partida (2,5 km) estávamos na Cachoeira do Funil que se apresenta belíssima. Cruzamos o leito para pegar a trilha que fica na parte de cima da encosta, próxima a queda d´água. Minutos depois chegamos a Cachoeira da Altina. Ali havia um pequeno grupo de turistas. É uma cachoeira um pouco menor que a do Funil. Deixamos a Cachoeira da Altinha (nome que faz referencia a uma antiga moradora que ali lavava as roupas da família) e tomamos o caminho novamente à esquerda, atravessando o rio e subimos uma trilha íngreme pela mata.

      Chegamos à igrejinha. Percorremos 4 km contados a partir da casa de Seu Aguinaldo.  Ali é a Casa de Seu João. Ela está próxima da Ladeira da Rampa que dá acesso ao Mirante do Pati e os Gerais do Rio Preto.  Ali é uma casa que também oferece serviços de recepção aos aventureiros com comida e hospedagem.  Lavamos os rostos e tomamos nossas ultimas latinhas de refrigerante dentro do Vale. O sol do meio dia castigava forte. São os testes finais de resistência depois de cinco dias de trekking. Doente, Marquinhos sentia bastante cada passo. Tive pena do nosso Leão da Montanha.

      Ao meio dia e meio estávamos no Mirante da Rampa. 6 km separam a casa de seu Aguinaldo do Mirante do Pati. E o visual a 1.337 metros é de tirar o fôlego. Ali enxergamos toda extensão do Vale do Pat: é o lugar perfeito para fazer aquelas fotos clássicas. Mas não podemos demorar. Temos horário marcado para nosso resgate lá no Beco, em Guine. O motorista Ari nos aguarda!
      As 13h10 seguimos nossa jornada pelo magnifica planície que forma as Gerais do Rio Preto. O terreno é um platô de campo rupestre, não há arvores naquele trecho, o lugar é belíssimo. A partir do Mirante, depois de 1,3 km cruzamos o riozinho que dá nome aquele local, o Rio Preto. Seguindo por mais 3.27 km estávamos enfim diante da descida de Aleixo. Eu diria que A Rampa e a Descida do Aleixo são tecnicamente iguais. A diferença e a ordem das coisas. Assim iniciamos nossa descida sob o calor das às 14h em direção ao ponto de encontro. Percorridos mais 2.1 km de trilhas chegamos ao final de um dos trekking mais bonitos desse pais.  Foi sensacional! Agora vamos voltar pra Lençóis!
       

       























































      Pati_Selvagem_-_Uma_Aventura__-_31_-08.docx


    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Preparação
      Mais uma vez começamos um planejamento para uma trip em grupo, e acabamos terminando em dois só, kkkk.
      Levantamos muita informação, dados, e dicas. Não é segredo algum que minhas viagens geralmente não contam com guia contratado, eu mesmo navego e planejo tudo. De posse das informações, havíamos levado dois meses aprendendo sobre a Serra dos Órgãos, talvez por isso as pessoas desistiram. Tiveram tempo de pensar no que fariam. Encarar uma grande aventura exige mesmo espírito livre.
      A Grande Jornada
      Em 19/07/19 saímos de Campo Mourão às 00:00, foram 1.100 km de estrada, cerca de 17h de viagem. Ainda bem que um dos passageiros que me acompanhou (BlaBlaBla Car) se dispôs a dirigir entre São Paulo e o Nova Iguaçú. Foi um dia todo na estrada. Chegamos em Terezópolis já se passavam das 17:50; o primeiro furo da viagem. Eu havia estimado chegar em Tere dia 20/07 antes das 17h e conseguir viajar até Petrópolis no mesmo dia ainda, dormindo próximo da portaria lá. Doce ilusão, já era noite e tive de procurar um camping ainda, mas tudo certo os Óreas (deuses da montanha) sempre fazem certo.
      Paciência ... tenha paciência.
      Levantamos acampamento ás 06:00, que é a hora que abre (deveria abrir) o Parque em Tere. Chegamos na portaria para guardar o carro e lá estava um aglomero de gente, logo fiquei sabendo que a recepcionista não tinha chegado. Foram 45min de espera, enquanto isso ia aumentando a fila. Quando a mulher chegou já armou-se um fuzuê danado, o povo queria brigar ao invés de me deixar fazer checkin. Com muito trabalho consegui fazer o meu checkin e deixei o povo lá batendo boca.
      Com o carro estacionado voltei para a portaria na esperança de um Uber me levar a Petro. Outra trabalheira danada, uns cinco motoristas recusaram a viagem, chegaram a pedir dinheiro por fora pra fazer o carreto, mó sacanagem. Mas o sexto Uber não hesitou e nos levou ao destino.
      Dia 1, subida, subida, s u  b   i    d     a      .        .          .
      Às 10:15 começamos a trilha, foram 7h de subidas sem fim, mas com um visual de tirar o fôlego, até o desgaste físico passa desapercebido diante da exuberância da mão verde.
      Quase todo o dia foi por dentro do Vale do Bomfin subindo suas encostas. Quase no fim do dia chegamos a Isabeloca de onde já podemos avistar a Baía de Guanabara e os Castelos do Açú, nossa parada para dormir. No final da tarde, o pôr do Sol visto do Morro do Açú foi apaixonante. Leia mais aqui.




       
      Dia 2, sobe e desce, sobe e desce...
      O segundo dia é o mais intenso de toda a travessia, e provavelmente um dos mais belos dias que você pode passar na vida. Toda a cadeia da montanhas da Pedra do Sino ficam de frente para nós. A navegação também é mais complicada, presenciamos alguns grupos perdidos (geralmente pessoas sem experiencia ou fanfarrões).
      A cada descida uma subida maior esperava do outro lado, mas tinha-mos a certeza que o visual depois da ascensão e durante a próxima descida seriam ainda mais incríveis. Foram cerca de 8 km, caminhamos por 6 morros (Morro do Açú, Morro do Marco, Morro da Luva, Morro do Dinossauro, Pedra da Baleia e Pedra do Sino), é nesse trecho também que ficam os obstáculos mais difíceis (Elevador, Lajão, Grotão e Cavalinho). Eu particularmente me apaixonei pela pedra conhecida como Garrafão, talvez seja a lembrança que ela me traz que tenha me conquistado. Foi um dia realmente incrível e às 17h novamente chegamos no Abrigo. Ainda tive tempo de tomar um banho frio numa tarde de 4º C. Leia mais aqui



       
      Dia 3, uma corridinha para encerrar a travessia.🏃‍♂️
      Levantei com o escuro e subi novamente na Pedra do Sino contemplar a sinfonia de Apolo ao empurrar seu Astro sobre as montanhas.
      Saímos do abrigo às 07:15, a partir daí só descida praticamente uma trilha bem relax, com a oportunidade de avistar Teresópolis de cima, o Morro da Caledônia e os Três Picos no horizonte. De brinde uma vista por entre as montanhas da Granja Comari, onde um dia já treinou uma seleção de dar medo. Chegamos na barragem às 11:00 fizemos a trilha suspensa e conhecemos o encanto (Cachoeira Peri e Ceci) onde nasceu uma obra prima nacional: "O Guarani". Deixei a tralha no carro e tomei a trilha para o mirante do cartão postal, logo na entrada li que tinha 1.200 m, e eu com pressa; ainda tinha 1.110 km de rodovia até a casa. Não deixei me abalar, liguei a Go Pro e saí em disparada, em 15 min estava de frente para a formação que encantou os portugueses. Mais 15 min estava novamente no carro, exausto agora.




      Reuni tudo, dei uma parada para repor as calorias e às 14:00 rumava novamente para o Paraná, dessa vez tive de dirigir sozinho por 16h. 06:30 do dia 24 de julho eu deligava o carro com aquela sensação de euforia, sinônimo de missão cumprida, só no aguardo da próxima. Leia o relato completo aqui.
       
    • Por Marcelo João
      Estou montando um roteiro para Ago/20 incluindo os três países e gostaria de dicas, sugestões e informações adicionais.
      Caso Venezuela se torne inviável devido a crise econômica e política, estou pensando fazer o norte do Peru. 
      Desde já agradeço a atenção dispensada
      IG - joaomarcelodj 


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